07/09/2009 - 20:31h Liberdade
Sophia de Mello Breyner Andresen
Aqui nesta praia onde
Não há nenhum vestígio de impureza,
Aqui onde há somente
Ondas tombando ininterruptamente,
Puro espaço e lúcida unidade,
Aqui o tempo apaixonadamente
Encontra a própria liberdade.
02/09/2009 - 18:01h Homens
O homem na arte, uma seleção do blog carmensabes
Para un solo instante
es mucha la turbulencia.Es húmeda la espalda del jardinero
al final del día
y hasta mí se desliza su cansancio
que me enternece
y pierde.Hasta aquí llega
ardiente y fresca
la sombra de su cuerpo
y como alfombra de eucaliptos
me descansa.Es con vapores que me envuelve.
Arden sus manos
que cantan
al apretar con suave firmeza
la tierra.
También sus dedos
que en gentil armonía
se hunden,
como si desbrozara de raíces
una amada cabellera.
¿Qué clase de fineza es la suya,
Señor?
¿Por qué me habla?
¡Ten piedad, Señor, y atóntame!
que el tanto ver me ciega
y me ha embriagado
de tempestuosa intimidad
su viril espera.
¡Amánsame!
Ciérrame este cuerpo
todo espasmos
pura boca hambrienta que se abre
se frota
sacude
Ten piedad
Ten piedad
Théodore Géricault
09/07/2009 - 18:40h Colaboração
Saudações, Favre.
Acho seu blog de muito bom gosto, culturalmente, e bem engajado politicamente.
Tomo a liberdade de enviar pequena colaboração na esperança de poder ser aproveitada.
De qualquer forma, agradeço e parabenizo por este espaço de inteligência na NET nossa de cada dia.
Há Braços!
Edyl
(Três Corações-MG)
ETIMOLOGIA
Não gosto nada da Democracia
Pelo menos do jeito
Que nos exigem gostar
nos obrigam participar
Na origem grega,
CRACIA é governo
E o anarquista que sou
Com essa necessidade
até se conformou
Ainda em grego
DEMO é o prefixo que significa povo
Como se dele fosse mesmo o governo
conjunção de partículas
que torna a palavra bonita
como se fosse mesmo real
E qualquer indagação
se não heresia
se tornasse esquisita
A ilusão da liberdade advinda
com a sensação de fazer parte
impossibilita minuciar a discussão
enquanto em tanta mesa falta pão
Voltando aos gregos, o idioma já traduzia
a realidade longe da utopia
os ricos, fortes e poderosos
chamados PLUTOS, prematuros
ao ideal que a todos se poderia
Enquanto eles próprios
exercem na opulência
o que só se pode na ignorância
e na sua permanência
a mais tirânica e cínica
CRACIA dos PLUTOS
indigesta e desumana
PLUTOCRACIA
27/11/2008 - 21:16h Eu que não sei quase nada do mar
Garimpeira da beleza
Te achei na beira de você me achar
Me agarra na cintura, me segura e jura que não vai soltar
E vem me bebendo toda, me deixando tonta de tanto prazer
Navegando nos meios seios, mar partindo ao meio
Não vou esquecer
Eu que não sei quase nada do mar
Descobri que não sei nada de mim
Clara, noite rara, nos levando além
da arrebentação
Já não tenho medo de saber quem somos
na escuridão
Me agarrei nos seus cabelos
Sua boca quente pra não me afogar
Tua língua correnteza lambe minhas pernas
Como faz o mar
E vem me bebendo toda, me deixando tonta de tanto prazer
Navegando nos meus seios, mar partindo ao meio
Não vou esquecer
Eu que não sei quase nada do mar
Descobri que não sei nada de mim
Ana Carolina
Maria Bethânia
05/11/2008 - 19:30h Já era
Site Releituras
Vivi Fernandes de Lima
Era pra ser um poema de despedida,
mas cadê vontade?
Era pra ter sido uma noite sem bebida,
mas cadê coragem?
Era pra eu esquecer o teu cheiro,
mas ele é tão bom…
Era pra eu não reconhecer a tua voz,
mas eu ainda me arrepio!
Era pra eu ficar em paz,
mas você é muito atento.
Era pra eu não querer te ver nunca mais,
mas nunca mais é muito tempo.
Vivi Fernandes de Lima nasceu em Belford Roxo (RJ). É jornalista e mãe do João. Escreve poesia desde criança, crônicas desde a adolescência e contos desde os 20 e poucos. Em 2002, venceu o Prêmio Carioquinha de Literatura Infantil, promovido pela prefeitura do Rio, com o livro “Cinzão, o gato fujão”. No mesmo ano, teve poemas musicados por Ivan Lins, Leandro Braga e Edmundo Souto. De lá pra cá, vem se preparando para tirar livros da gaveta e pagar contas.
E-mail: vivif7@gmail.com
22/08/2008 - 17:15h Henri Cartier-Bresson e Paulinho da Viola
Pescado no Blog Bebopping around

A razão porque mando um sorriso
E não corro
É que andei levando a vida
Quase morto
Quero fechar a ferida
Quero estancar o sangue
E sepultar bem longe
O que restou da camisa
Colorida que cobria minha dor
Meu amor eu não esqueço
Não se esqueça por favor
Que eu voltarei depressa
Tão logo a noite acabe
Tão logo esse tempo passe
Para beijar você
(Paulinho da Viola)
22/05/2008 - 23:58h Ama eu
do blog de Nassif, postado por Renata Nassif
Da série “Quando o Gato sai…“, vamos com um dos Quatro Sonetos de Meditação de Vinícius de Moraes:
II
Uma mulher me ama. Se eu me fosse
Talvez ela sentisse o desalento
Da árvore jovem que não ouve o vento
Inconstante e fiel, tardio e doce
Na sua tarde em flor. Uma mulher
Me ama como a chama ama o silêncio
E o seu amor vitorioso vence
O desejo da morte que me quer.
Uma mulher me ama. Quando o escuro
Do crepúsculo mórbido e maduro
Me leva a face ao gênio dos espelhos
E eu, moço, busco em vão meus olhos velhos
Vindos de ver a morte em mim divina:
Uma mulher me ama e me ilumina.
13/03/2008 - 14:27h Amar – poema de Carlos Drummond de Andrade, na voz de Paulo Autran
AMAR
Que pode uma criatura senão,
entre criaturas, amar?
amar e esquecer,
amar e malamar,
amar, desamar, amar?
sempre, e até de olhos vidrados, amar?
Que pode, pergunto, o ser amoroso,
sozinho, em rotação universal, senão
rodar também, e amar?
amar o que o mar traz à praia,
e o que ele sepulta, e o que, na brisa marinha,
é sal, ou precisão de amor, ou simples ânsia?
Amar solenemente as palmas do deserto,
o que é entrega ou adoração expectante,
e amar o inóspito, o áspero,
um vaso sem flor, um chão de ferro,
e o peito inerte, e a rua vista em sonho, e uma ave de rapina.
Este o nosso destino: amor sem conta,
distribuído pelas coisas pérfidas ou nulas,
doação ilimitada a uma completa ingratidão,
e na concha vazia do amor a procura medrosa,
paciente, de mais e mais amor.
Amar a nossa falta mesma de amor, e na secura nossa
amar a água implícita, e o beijo tácito, e a sede infinita.
de Carlos Drummond de Andrade
Voz de Paulo Autran
Imagens escolhidas por rafasjr
11/03/2008 - 18:29h Sem Bandeira
O ÚLTIMO POEMA
(Manuel Bandeira)
Assim eu quereria o meu último poema.
Que fosse terno dizendo as coisas mais simples e menos intencionais
Que fosse ardente como um soluço sem lágrimas
Que tivesse a beleza das flores quase sem perfume
A pureza da chama em que se consomem os diamantes mais límpidos
A paixão dos suicidas que se matam sem explicação.
BANDEIRA, Manuel Estrela da Vida Inteira. Rio de Janeiro: Livraria José Olympio Editora, 1979.




















