18/11/2009 - 20:25h Poetrix

SOLO
lílian maial


violoncelo plangente
(o arco arranca sustenidos)
: sinfonia pelo chão

07/09/2009 - 20:31h Liberdade

Sophia de Mello Breyner Andresen

Aqui nesta praia onde
Não há nenhum vestígio de impureza,
Aqui onde há somente
Ondas tombando ininterruptamente,
Puro espaço e lúcida unidade,
Aqui o tempo apaixonadamente
Encontra a própria liberdade.

02/09/2009 - 18:01h Homens

O homem na arte, uma seleção do blog carmensabes

Frédéric Bazille
Giorgio de Chirico
Erich Heckel 
Eugène Fredrik Jansson (1862-1915)
Von Stuck
Munch


Miguel Angel Eugui
FISCHL
Fischl
Ingres

Eivar Moya
Cilicios, cruces, azotes, mordazas
de Márgara Russotto

¡Señor ten piedad!
Para un solo instante
es mucha la turbulencia.Es húmeda la espalda del jardinero
al final del día
y hasta mí se desliza su cansancio
que me enternece
y pierde.Hasta aquí llega
ardiente y fresca
la sombra de su cuerpo
y como alfombra de eucaliptos
me descansa.Es con vapores que me envuelve.

Arden sus manos
que cantan
al apretar con suave firmeza
la tierra.

También sus dedos
que en gentil armonía
se hunden,
como si desbrozara de raíces
una amada cabellera.

¿Qué clase de fineza es la suya,
Señor?

¿Por qué me habla?

¡Ten piedad, Señor, y atóntame!
que el tanto ver me ciega
y me ha embriagado
de tempestuosa intimidad
su viril espera.

¡Amánsame!
Ciérrame este cuerpo
todo espasmos
pura boca hambrienta que se abre
se frota
sacude

Ten piedad
Ten piedad

J.Enrique González

Lukáš KÁNDL

 

Théodore Géricault

Paul Gauguin
Lucian Freud
Lovis Corinth
John Singer Sargent
Jacques-Luis David

09/07/2009 - 18:40h Colaboração

Saudações, Favre.
Acho seu blog de muito bom gosto, culturalmente, e bem engajado politicamente.
Tomo a liberdade de enviar pequena colaboração na esperança de poder ser aproveitada.
De qualquer forma, agradeço e parabenizo por este espaço de inteligência na NET nossa de cada dia.
Há Braços!
Edyl
(Três Corações-MG)


ETIMOLOGIA

Não gosto nada da Democracia

Pelo menos do jeito

Que nos exigem gostar

nos obrigam participar

Na origem grega,

CRACIA é governo

E o anarquista que sou

Com essa necessidade

até se conformou

Ainda em grego

DEMO é o prefixo que significa povo

Como se dele fosse mesmo o governo

conjunção de partículas

que torna a palavra bonita

como se fosse mesmo real

E qualquer indagação

se não heresia

se tornasse esquisita

A ilusão da liberdade advinda

com a sensação de fazer parte

impossibilita minuciar a discussão

enquanto em tanta mesa falta pão

Voltando aos gregos, o idioma já traduzia

a realidade longe da utopia

os ricos, fortes e poderosos

chamados PLUTOS, prematuros

ao ideal que a todos se poderia

Enquanto eles próprios

exercem na opulência

o que só se pode na ignorância

e na sua permanência

a mais tirânica e cínica

CRACIA dos PLUTOS

indigesta e desumana

PLUTOCRACIA

27/11/2008 - 21:16h Eu que não sei quase nada do mar

Garimpeira da beleza
Te achei na beira de você me achar
Me agarra na cintura, me segura e jura que não vai soltar
E vem me bebendo toda, me deixando tonta de tanto prazer
Navegando nos meios seios, mar partindo ao meio
Não vou esquecer

Eu que não sei quase nada do mar
Descobri que não sei nada de mim

Clara, noite rara, nos levando além
da arrebentação
Já não tenho medo de saber quem somos
na escuridão

Me agarrei nos seus cabelos
Sua boca quente pra não me afogar
Tua língua correnteza lambe minhas pernas
Como faz o mar
E vem me bebendo toda, me deixando tonta de tanto prazer
Navegando nos meus seios, mar partindo ao meio
Não vou esquecer

Eu que não sei quase nada do mar
Descobri que não sei nada de mim

Ana Carolina

Maria Bethânia

05/11/2008 - 19:30h Já era

Site Releituras

Vivi Fernandes de Lima

Era pra ser um poema de despedida,
mas cadê vontade?
Era pra ter sido uma noite sem bebida,
mas cadê coragem?
Era pra eu esquecer o teu cheiro,
mas ele é tão bom…
Era pra eu não reconhecer a tua voz,
mas eu ainda me arrepio!
Era pra eu ficar em paz,
mas você é muito atento.
Era pra eu não querer te ver nunca mais,
mas nunca mais é muito tempo.

Vivi Fernandes de Lima nasceu em Belford Roxo (RJ). É jornalista e mãe do João. Escreve poesia desde criança, crônicas desde a adolescência e contos desde os 20 e poucos. Em 2002, venceu o Prêmio Carioquinha de Literatura Infantil, promovido pela prefeitura do Rio, com o livro “Cinzão, o gato fujão”. No mesmo ano, teve poemas musicados por Ivan Lins, Leandro Braga e Edmundo Souto. De lá pra cá, vem se preparando para tirar livros da gaveta e pagar contas.
E-mail: vivif7@gmail.com

22/08/2008 - 17:15h Henri Cartier-Bresson e Paulinho da Viola

Pescado no Blog Bebopping around

cartier-bresson_italy.jpg

A razão porque mando um sorriso
E não corro
É que andei levando a vida
Quase morto
Quero fechar a ferida
Quero estancar o sangue
E sepultar bem longe
O que restou da camisa
Colorida que cobria minha dor
Meu amor eu não esqueço
Não se esqueça por favor
Que eu voltarei depressa
Tão logo a noite acabe
Tão logo esse tempo passe
Para beijar você

(Paulinho da Viola)

22/05/2008 - 23:58h Ama eu

do blog de Nassif, postado por Renata Nassif

Da série “Quando o Gato sai…“, vamos com um dos Quatro Sonetos de Meditação de Vinícius de Moraes:

II

Uma mulher me ama. Se eu me fosse
Talvez ela sentisse o desalento
Da árvore jovem que não ouve o vento
Inconstante e fiel, tardio e doce

Na sua tarde em flor. Uma mulher
Me ama como a chama ama o silêncio
E o seu amor vitorioso vence
O desejo da morte que me quer.

Uma mulher me ama. Quando o escuro
Do crepúsculo mórbido e maduro
Me leva a face ao gênio dos espelhos

E eu, moço, busco em vão meus olhos velhos
Vindos de ver a morte em mim divina:
Uma mulher me ama e me ilumina.

13/03/2008 - 14:27h Amar – poema de Carlos Drummond de Andrade, na voz de Paulo Autran

AMAR

Que pode uma criatura senão,
entre criaturas, amar?
amar e esquecer,
amar e malamar,
amar, desamar, amar?
sempre, e até de olhos vidrados, amar?

Que pode, pergunto, o ser amoroso,
sozinho, em rotação universal, senão
rodar também, e amar?
amar o que o mar traz à praia,
e o que ele sepulta, e o que, na brisa marinha,
é sal, ou precisão de amor, ou simples ânsia?

Amar solenemente as palmas do deserto,
o que é entrega ou adoração expectante,
e amar o inóspito, o áspero,
um vaso sem flor, um chão de ferro,
e o peito inerte, e a rua vista em sonho, e uma ave de rapina.

Este o nosso destino: amor sem conta,
distribuído pelas coisas pérfidas ou nulas,
doação ilimitada a uma completa ingratidão,
e na concha vazia do amor a procura medrosa,
paciente, de mais e mais amor.

Amar a nossa falta mesma de amor, e na secura nossa
amar a água implícita, e o beijo tácito, e a sede infinita.

de Carlos Drummond de Andrade
Voz de Paulo Autran
Imagens escolhidas por rafasjr

11/03/2008 - 18:29h Sem Bandeira

O ÚLTIMO POEMA
(Manuel Bandeira)

Assim eu quereria o meu último poema.

Que fosse terno dizendo as coisas mais simples e menos intencionais

Que fosse ardente como um soluço sem lágrimas

Que tivesse a beleza das flores quase sem perfume

A pureza da chama em que se consomem os diamantes mais límpidos

A paixão dos suicidas que se matam sem explicação.

BANDEIRA, Manuel Estrela da Vida Inteira. Rio de Janeiro: Livraria José Olympio Editora, 1979.

do Blog Reflexões de James Manuel