17/08/2008 - 19:34h Eu levo o seu coração comigo

A imagem “http://www.releituras.com/biofotos/eecummings.jpg” contém erros e não pode ser exibida. e. e. cummings

eu levo o seu coração comigo (eu o levo no
meu coração) eu nunca estou sem ele (a qualquer lugar
que eu vá, meu bem, e o que que quer que seja feito
por mim somente é o que você faria, minha querida)

tenho medo

que a minha sina (pois você é a minha sina, minha doçura) eu não quero
nenhum mundo (pois bonita você é meu mundo, minha verdade)
e é você que é o que quer que seja o que a lua signifique
e você é qualquer coisa que um sol vai sempre cantar

aqui está o mais profundo segredo que ninguém sabe
(aqui é a raiz da raiz e o botão do botão
e o céu do céu de uma árvore chamada vida, que cresce
mais alto do que a alma possa esperar ou a mente possa esconder)
e isso é a maravilha que está mantendo as estrelas distantes

eu levo o seu coração ( eu o levo no meu coração)

(Tradução: Regina Werneck)

e. e. cummings, poeta norte-americano, nasceu em 1894 e morreu em 1962. Conquistou, ainda em vida, um lugar permanente entre os maiores poetas de nosso tempo. Ainda se comenta muito das suas inovações em tipografia e pontuação, que foram, por alguns, mal entendidas como meros “efeitos”, mas o leitor cuidadoso verá que elas são um aspecto de sua busca pela expressão mais pura e clara de seus pensamentos e sentimentos. Uma maneira de renovação da linguagem que só os grandes poetas conseguem. cummings era único dentre os poetas de seu tempo, pois era igualmente extraordinário na sátira e no sentimento e lutava vigorosamente contra a pomposidade e a pretensão. É considerado um dos poetas que escreveu os mais emotivos poemas de amor de todos os tempos. O poema acima foi lido numa das cenas finais do filme “In her shoes”, de Tony Scott, pela personagem interpretada por Cameron Diaz. Esse filme passou no Brasil com o nome de “Em seu lugar”.

Outros livros do autor: “The enormous room (1922), “Him” (1927), “Eimi” (1933), “Santa Claus” (1946), “I:six nonlectures” (1953), “Poems 1923-1954” (1954), “A miscellany (1958), “73 poems” (1963) e “e. e. cummings: A selection of poems” (1965).

Extraído do livro “95 poems”, Hartcourt, Brace & World, Inc. – New York, 1958, pág. 95.

Fonte Blog Releituras

15/08/2008 - 16:27h Mulheres Malditas

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Obra de Karl Brulloff (1799-1852)

 

 

por Charles Baudelaire

Como um gato pensante e na areia deitadas,
Voltam os olhos seus ao mais longe do mar,
E seus próximos pés e suas mãos coladas
Têm langor de sorrir e tremor de chorar.

Umas, o coração cheio de confidência,
Num bosque em que a cantar os ribeiros se movem,
Vão soletrando o Amor da ingênua adolescência,
O ramo a descascar de algum arbusto jovem;

Outras, são como irmãs, andam lentas e flavas
Das rochas através, plenas de aparições,
Onde viu Santo Antônio arderem como lavas
Os rubros seios nus de suas tentações;

Outras há, que ao fulgor da líquida resina,
No silêncio abissal de velho antro pagão,
Chamam para aliviar a febre que alucina
Baco, o deus que adormece o remorso e a ilusão!

E outras, cuja garganta ama os escapulários,
Sabem em sua roupa um chicote esconder,
E misturam na noite, em bosques solitários,
As lágrimas da dor e a espuma do prazer.

Ó monstros do martírio, ó sombras virginais!
Almas a desprezar a pobre realidade,
Com sexo e devoção, o infinito buscais,
Estrangulada a voz de lamento e saudade,

Que na cripta infernal tanto buscou minha alma,
Pobres irmãs a um tempo eu vos amo e respeito
Por vossa sede em vão e por vossa dor calma,
E estas urnas de amor que vos enchem o peito.

Fonte: www.geocities.com

04/08/2008 - 18:55h Janela sobre o corpo - ventana sobre el cuerpo

A igreja diz: o corpo é uma culpa.

A ciência diz: o corpo é uma máquina.

A publicidade diz: o corpo é um negócio.

O corpo diz: eu sou uma festa

Eduardo Galeano

costas_danca.jpg

La Iglesia dice: El cuerpo es una culpa.


La ciencia dice: El cuerpo es una máquina.


La publicidad dice: El cuerpo es un negocio.


El cuerpo dice: Yo soy una fiesta.

Eduardo Galeano

Fonte 100 Fundamentos

03/08/2008 - 19:14h Gabriela de Tom Jobim com a Banda Nova está no Intermezzo e aqui no sinfonico

Volta prá casa, fica comigo …

Modelo - Aldemir Martins

 

Tenho pensado muito na vida
Volta bandida mata essa dor
Volta pra casa, fica comigo
Eu te perdôo com raiva e amor
Chega mais perto, moço bonito
Chega mais perto meu raio de sol
A minha casa é um escuro deserto
Mas com você ela é cheia de sol
Molha a tua boca na minha boca
A tua boca é meu doce é meu sal
Mas quem sou eu nesta vida tão louca?
Mais um palhaço no teu carnaval
Casa de sombra vida de monge
Quanta cachaça na minha dor
Volta pra casa, fica comigo
Vem que eu te espero tremendo de amor…
(trecho de “Gabriela” - Tom Jobim)

Fonte Blues Amor e Poesia

Jobim Sinfonico 2002 - OSESP

23/07/2008 - 18:06h Anomalias e FLAP em São Paulo

Anomalías y FLAP 2.0 08 por Alan Mills (blog Revolver)

{n} Siempre me he considerado un ser anómalo. Lo dije recién, en Guatemala, durante un conversatorio sobre la exposición Mundo Capitol y me quedé helado al ver a varias personas asintiendo desde el público. Ay. A veces esperas que te digan “no Alancito, usted es bien normal, mijito”. Pero no existe entidad más sincera que un público concentrado en lo que les estás hablando. Se los digo.

{ñ} Entonces, el ser anómalo debe hablar de su anomalía, integrarla a su universo, a la comunidad. Así se va entendiendo, haciendo entender. Pienso.

{o} Y tiene que conversar sobre otras anomalías, sus parientes, seres análogos, sus estímulos. Así se comunica. Intuyo.

{p} Este sábado 26 de 10:00 a 17:00 horas, en el espacio B_arco de arte contemporáneo en Sâo Paulo (rua dr. virgílio de carvalho pinto, 426), Ana Rüsche y yo impartiremos el taller ANOMALIAS: la enfermedad na tradiçâo. Conversaremos sobre diversos exponentes de las artes plásticas y la literatura contemporánea latinoamericana (de la década del 60 hasta hoy), obras que experimentan con elementos anómalos, híbridos, disonantes, cuyo impacto corroe las estructuras más previsibles, instalando un arte capaz de modificar su entorno.

{q} Serán comentados: El poeta Roberto Piva (Brasil), voz de la locura y los inadaptados, un blasfemo contra la ciudad hipócrita y decadente, a la que le confiere polaridades celestiales e infernales; la producción de los años 70 y 80 del artista plástico Cildo Meireles (Brasil), con la que ataca al régimen totalitario, construyendo obras en soportes “circulables”, como papel moneda, botellas retornables de Coca Cola, cuestionando también la distribución del arte a la población; el proyecto estético del CADA (Colectivo de Acciones de Arte), formado por Diamela Eltit, Raúl Zurita, Lotty Rosenfeld e Fernando Balcells, los cuales, entre 1978 e 1981, elaboraron propuestas artísticas interdisciplinarias desafiando la dictadura de Augusto Pinochet y ampliando de manera radical los limites de las artes; El tiempo principia en Xibalbá, novela de Luis de Lión (Guatemala). Se trata de la novela de una persona de origen maya, donde se desarrolla una visión extrema de la vida en una sociedad fragmentada y violenta, donde la sexualidad manifiesta toda su carga de poder y dominación; las crónicas de Pedro Lemebel (Chile), registro fiel de su posición como artista queer, irónicas y feroces piezas que desmantelan la moral burguesa chilena. Fundador del colectivo Las yeguas del Apocalipsis, Lemebel realizó diversas intervenciones urbanas; Los cuentos de Marcelino Freire (Brasil), escritor que desde los años 90 trabaja la oralidad de los que no tienen voz y de lo políticamente incorrecto, trazando en sus textos un lenguaje directo, que prescinde de ornamentos, discursos contradictorios, donde habla lo que no quiere ser escuchado; sobre los años 2000, serán presentados los trabajos de las artistas Alessandra Cestac (Brasil) y Regina Galindo (Guatemala), que exploran el propio cuerpo como material poético, exponiendo sus distorsiones, dolores y la usurpación de lo femenino, la usurpación de lo humano.

{r} Están todos invitados, incluso los que se sienten así más normalitos, pa’ que nos entiendan.

{s} Dentro de poco se dejará sentir una avalancha de sujetos poéticos (anómalos muchos de ellos) pelas ruas de Sâo Paulo. O festival latinoamericano de poesia, FLAP (1 al 8 de agosto), traerá a muchos amigos de América Latina para hacer lecturas y debatir sobre a poesia y los nuevos medios, cómo se transforma el habla poética en los nuevos soportes virtuales, el mundo de la web 2.0 y las relaciones entre poesía e mercado editorial, marketing y publicidad. A lingua oficial será o portuñol, el cual ya manejo a la perfección. Según la nota de Elisa Andrade Buzzo “a programação inclui debates sobre música (”Zona Franca v: o rap atura a literatura (e vice-versa)”, se destaca a presença em massa de latinos, com mais de vinte escritores (Alan Mills, da Guatemala; Héctor Hernández Montecinos, do Chile; Virginia Fuente, da Argentina; Ernesto Carrión, do Equador; Rodrigo Flores, do México, dentre outros), além dos convidados brasileiros, alguns deles já presentes em outros anos”. Por ahí andaremos, entonces, celebrando la palabra, again.

{t} Viva la conexión! Até mais, caras.

Imágenes: Alessandra Cestac, Cildo Meireles, ww.literaturaguatemalteca.org, fragmento de Purgatorio y afiche de la FLAP por Jozz.

20/07/2008 - 10:47h Antonio Candido, o mestre (II)

Um mestre digno de admiração

Dono de um espírito democrático, ele manteve, ao longo da vida, a capacidade de provocar e inspirar

http://www.cultura.mg.gov.br/arquivos/Gabinete/Image/antoniocandido_materia.jpg

Samuel Titan Jr. - O Estado de São Paulo


A certa altura de Formação da Literatura Brasileira (1959), quando se prepara para discutir o aparecimento da ficção romântica como “instrumento de descoberta e interpretação” do País, Antonio Candido dedica alguns parágrafos discretos a Machado de Assis. Observa que o trio romântico realizara uma obra admirável de importação do romance europeu, num exercício de dupla fidelidade - uma “fidelidade dilacerada, por isso mesmo difícil” - em que muitas vezes situações narrativas européias, imitadas com devoção, entravam em conflito com circunstâncias brasileiras, registradas com o mesmo empenho.

O resultado - desigual por definição - desse esforço da geração de Alencar, Macedo e Manuel Antônio de Almeida bem podia ter caído no vazio tão logo a voga romântica foi substituída pela “última novidade ultramarina” - como de fato se deu, sempre segundo Candido, com o advento do romance naturalista. É quando entra em cena Machado de Assis, “esse mestre admirável” que “se embebeu meticulosamente da obra dos predecessores”. A sua obra “pressupõe a existência dos predecessores”, na medida em que Machado se dedicou a “assimilar, aprofundar, fecundar o legado positivo das experiências anteriores”.

A observação, breve mas certeira, posiciona Machado numa tradição local sem reduzi-lo a esta e sugere que seu gênio consistiu menos em “começar da capo” do que em repensar e reescrever o legado do passado. Nesse sentido, Machado é o vértice secreto de Formação (por mais que esta se detenha em 1880, um ano antes das Memórias Póstumas de Brás Cubas), na medida em que o escritor fluminense consuma, superando-o, o esforço de seus predecessores “em seu desejo de ter uma literatura” e dar forma à sua experiência histórica e humana.

Ora, essas fórmulas, que iluminam Machado de Assis, iluminam também a figura desse seu leitor, Antonio Candido, no campo da crítica e da história literária. Imagino que ele, homem discreto, recuse a comparação e acuse a hipérbole. Pode ser. Mesmo assim, é o caso de notar como as idéias mestras de continuidade, aprofundamento e formação parecem ter norteado também o trajeto do crítico desde muito antes do ensaio de 1959: seja no empenho de autoformação levado a cabo pelo rapaz estudioso de que falam os testemunhos biográficos, seja na minúcia com que se “embebeu” (para usar o verbo que aplica a Machado) dos séculos 18 e 19, seja no tema de sua tese de doutorado, o crítico Silvio Romero - escolha das menos glamourosas, mas ditada por uma espécie de senso de missão intelectual.

Mais que isso, assim como Machado prolongava e reescrevia, em modo irônico, o melhor da ficção anterior, assim também Candido repensa o curso da literatura brasileira num espírito que não tem nada de conservador ou continuísta, operando antes sob o signo da vida contemporânea - que contém, no caso, os ingredientes do modernismo, do socialismo e das ciências sociais - estudadas, não por acaso, nos anos de formação da Universidade de São Paulo.

Para dar um exemplo central desse espírito crítico, vale lembrar como a própria fórmula da Formação da Literatura Brasileira vai na contramão da historiografia romântica (ao contrário do que pensam certos críticos) e desnaturaliza seu objeto e seu método. Se a convenção romântica fazia remontar a literatura nacional a alguma data em torno de 1500 - como se nada dificultasse a identidade de natureza, território, nação e literatura -, Candido começa justamente por se perguntar como e quando uma vida literária consistente começa a ganhar contornos diferenciados a partir de uma experiência histórica idem.

Não bastasse isso, o livro de Candido dá mais um passo decisivo, pois essa história sociologicamente informada da formação de uma literatura nacional é também a história da constituição no Brasil de uma esfera de autonomia das formas artísticas - uma esfera que, sendo autônoma e consistente, ganha também uma dinâmica própria e já não se deixa explicar nos termos simplistas de uma sociologia da literatura.

O problema já o interessara em sua tese de sociologia “dura”, Os Parceiros do Rio Bonito, que começara como estudo de uma forma de poesia e dança popular, o cururu, que aos poucos parecia se desligar de suas origens coletivas e coreográficas para ganhar contornos mais individualizados e desritualizados. Mas, para ficar no âmbito da literatura “culta”, note-se como a essa luz o vértice machadiano da Formação ganha todo seu sentido, ao mesmo tempo que se vislumbra a importância formativa que a literatura pós-1922, de Mário e Oswald a Drummond e João Cabral, teve para Candido.

Seria possível prosseguir adiante, comentando os vários desdobramentos e aspectos desse modo de praticar e viver a crítica: a noção fecunda de uma dialética entre o interno e o externo na constituição da obra de arte - idéia que ultrapassa a pecha corrente de “crítica sociologizante”; o estilo generoso de tantos ensaios do autor, que parecem menos preocupados em esgotar narcisicamente seus objetos do que em plantar marcos de orientação para leitores e críticos futuros; ou conceitos específicos, como o de “dialética da malandragem”, capaz de iluminar um aspecto da vida social brasileira, um romance de Manuel Antonio de Almeida e, de quebra, os dribles de um Garrincha (como há pouco sugeriu José Miguel Wisnik em Veneno Remédio).

Fazendo isso, creio que chegaríamos, por vias diversas, a uma mesma constatação: com a obra de Antonio Candido, a crítica e a historiografia literária brasileiras cumprem seu processo de formação e chegam à maioridade. Não porque com ele cheguem a seu termo ou verdade última, longe disso, e sim porque a obra e a atuação de Candido constituíram definitivamente um campo de discussão e dissensão capaz de ficar em pé sobre as próprias pernas, desobrigado de abandonar suas questões e perspectivas próprias a qualquer brisa ou ventania que venha a soprar.

Mas mostrar tudo isso com minúcia ultrapassaria os limites desse artigo, que de resto já ficou longo e sisudo demais. Homenagem sisuda não vale. O que vale é celebrar a conjunção ímpar de literatura, dialética e espírito democrático nessa figura que, aos 90 anos, não perdeu nada do interesse e da capacidade de provocar e inspirar.

Prova disso, para terminar, é uma anedota que, se não for verdadeira, é bene trovata e que talvez não desagrade ao mestre admirável e humorista emérito. Em algum momento dos anos 80, já aposentado, Antonio Candido vai dar uma conferência num auditório da Unicamp. No meio da platéia, um casal de calouros apaixonados não faz muito caso da palestra sobre poesia romântica brasileira e prefere beijar-se prolixamente. Conforme a hora avança, os dois vão se interessando, seguram o fogo e começam a prestar atenção. Logo estão totalmente siderados. Ao final, em meio às palmas, a moça entusiasmada cutuca o rapaz e decreta: “Não é que o velhinho leva jeito!?”

Samuel Titan Jr. é tradutor e professor de literatura comparada da USP

Mensagens de Parabéns

“Antonio Candido é um raro exemplo, em nossa crítica, de um olhar simultaneamente atento ao contexto da obra e aos elementos formais que a constituem - não como reflexo, mas como réplica particularizada ao campo social de onde surgiu. É nesse fecundo trânsito/diálogo entre componentes externos e a transfiguração intrínseca do literário que se articula o discurso de Candido. Mas, paralelamente à erudição e à consistência argumentativa do historiador na clássica Formação da Literatura Brasileira, convém não esquecer suas perspicazes leituras de autores estrangeiros e a acuidade interpretativa no trato pontual de textos, a exemplo das interpretações compiladas em Na Sala de Aula, em que a microscopia do poético é desvelada com argúcia e sensibilidade.”
ANTONIO CARLOS SECCHIN
POETA E ENSAÍSTA

“Antonio Candido trouxe para o âmbito dos estudos literários no Brasil as contribuições mais atualizadas e inovadoras das ciências humanas internacionais a partir de meados do século 20. Além da sociologia, da história e da filosofia, suas análises e cursos incorporaram temas e procedimentos da antropologia e da psicanálise e, já entre os anos 60 e 70, da lingüística. Isso para não falar das próprias correntes da teoria literária. Porém, tais ventos renovadores nunca viraram moeda fácil nem modismo descartável nos textos e aulas do mestre. Pois sempre nos ensinou, e este é o ponto crucial, a começar e a terminar qualquer estudo de obra literária por sua leitura mais atenta e amorosa. Trata-se aqui muito mais de uma atitude, de postura que envolve ética e política em seus mais elevados sentidos, coisa que não se ensina e não se aprende nem com pressa nem com pressuposição, mas com a lenta e erudita frequentação das diferentes vozes da poesia e da ficção, projeto de várias vidas.”
FRANCISCO FOOT HARDMAN
PROFESSOR DE TEORIA LITERÁRIA DA UNICAMP

“Antonio Candido formou várias gerações de grandes críticos brasileiros. Um deles, Davi Arrigucci Jr., escreveu um ensaio definitivo sobre o método crítico de Candido: Movimentos de Um Leitor. Entre outras questões, Davi ressalta a relação da dimensão social com a linguagem. Ou seja, a forma e o conteúdo histórico são inseparáveis numa obra literária. Daí a importância do crítico AC como leitor perspicaz e privilegiado, capaz de aprofundar a compreensão do texto. Essa capacidade de ler e interpretar, que une intuição com erudição e análise, é um dos movimentos mais fascinantes da leitura crítica de Antonio Candido.”
MILTON HATOUM
ESCRITOR

“Embora seja difícil avaliar a atualidade de qualquer trabalho de crítica literária, é inegável que a contribuição de Antonio Candido continua válida e instigante em pelo menos três níveis. Como professor, foi o principal responsável pelo êxito da virada universitária no que era chamado de estudos literários. Como historiador, instituiu uma organização de autores & obras que, polêmica ou não, determinou um cânone. Como explicador de textos, nos doou um aparato metodológico ágil e útil de leitura.”
SILVIANO SANTIAGO
ESCRITOR E ENSAÍSTA

“Ele nos dá a lição da leitura minuciosa, da comunicação clara, da busca pelo exemplo que possa representar o todo e, principalmente, da tentativa de uma visão sistemática dos caminhos da literatura brasileira. Talvez tenha sido o último de uma geração anterior ao divórcio entre a crítica de rodapé e o manual acadêmico. No calor da primeira hora, não evitou os novos e conseguiu produzir visões reveladoras dos clássicos. Sua lição maior? A de que não há por que tomar o texto isoladamente, fora da relação entre o esforço singular e o pacto coletivo que o torna texto literário. Ele oferece ao leitor o raro exemplo da aliança entre o apuro da forma, a relevância do tema e a síntese de processos sociais. Com Antonio Candido parece fácil mostrar como a literatura, o direito à literatura, é parte fundamental do exercício da nossa cidadania.”
JOSÉ LUIZ PASSOS
DIRETOR DO CENTRO DE ESTUDOS BRASILEIROS DA UNIVERSIDADE
DA CALIFÓRNIA

“Na cultura da cordialidade, em que as polêmicas literárias prosperam, sempre reconduzindo o modelo dos nossos primeiros críticos da Escola do Recife, com seu estilo bacharelesco e seu veneno do repente nordestino, Antonio Candido é hoje um exemplo de sobriedade. Não se trata de uma virtude moral, mas de uma qualidade propriamente crítica. Quando não replica a O Seqüestro do Barroco, argüição irônico-cortês que lhe dedica Haroldo de Campos, nos anos 80, essa recusa do princípio do duelo é para nossa crítica um decreto de maturidade.”
LEDA TENORIO DA MOTTA
CRÍTICA LITERÁRIA E TRADUTORA, PROFESSORA DA PUC-SP

“Ao lado de Augusto Meyer, Antonio Candido foi o primeiro que, entre nós, usou sistematicamente da combinação entre sensibilidade e percepção crítica. A aludida combinação é rara, pois supõe o enlace de um reconhecimento o quanto possível imediato de qualidade - a sensibilidade - com uma compreensão da obra, que exige mais do que contato apenas com o literário. Por isso ela é indispensável para que a palavra do crítico se insira no debate crítico - o que não se dá quando o crítico possui apenas ou sensibilidade ou percepção crítica. Acrescento um dado pessoal: ainda quando discorde de posições críticas de Antonio Candido, não esqueço de sempre acentuar que, depois do golpe de 1964, só pude continuar a sobreviver como professor porque ele me aceitou como seu orientando. No Rio, onde vivia, não era aceito para fazer pós-graduação sob a alegação de que fora cassado pelo AI-1.”
LUIZ COSTA LIMA
CRÍTICO LITERÁRIO

“Antonio Candido é importante para a crítica, ainda hoje, justamente enquanto “crítico literário” de fato, isto é, alguém que lê um livro com gosto, analisa-o minuciosamente como objeto particular, e está disposto a produzir um juízo de valor a seu respeito, tendo em vista a sua composição própria e o seu lugar num vasto repertório literário, com o qual o crítico mantém relação de freqüentação assídua e envolvida.”
ALCIR PÉCORA
PROFESSOR DE TEORIA E CRÍTICA LITERÁRIA DA UNICAMP

“Vale lembrar que a importância maior de toda a obra de Antonio Candido é que ele entende a literatura como a ?arma? com a qual defende a dignidade humana.”
OLGÁRIA MATOS
FILÓSOFA

“Tratando-se de Antonio Candido, a expressão “iluminação crítica” não é fórmula batida: corporifica o rigor de uma ética militante e de um método de interpretação em que o empenho racionalista comanda a investigação combinada das produções culturais e dos contextos sociopolíticos. As tensões movem o crítico sensível, mas não contorcem seu discurso: o equilíbrio do estilo, que Candido faz parecer natural, ajuda a compreender como a particularização artística e a dinâmica social iluminam-se reciprocamente.”
ALCIDES VILLAÇA
PROFESSOR DE LITERATURA BRASILEIRA NA USP

15/06/2008 - 10:40h Abc da pátria

+ Livros - FOLHA DE SÃO PAULO

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ENTRE O IÍDICHE E O INGLÊS, O NOBEL DE LITERATURA ISAAC SINGER REAVALIA SEU PASSADO NAS CRÔNICAS DE “NO TRIBUNAL DE MEU PAI”

CRISTOVÃO TEZZA
ESPECIAL PARA A FOLHA

Um traço marcante da obra de Isaac Bashevis Singer (1904-1991), escritor judeu nascido na Polônia, e que em 1935 emigraria para os EUA, é o fato de escrever em iídiche -uma língua da família germânica grafada com caracteres hebraicos que, durante séculos, foi o idioma das comunidades judaicas ashkenazis da Europa Central.
Com o Holocausto, o iídiche praticamente desapareceu. Isaac Singer, entretanto, jamais abandonou a língua materna nos mais de 50 anos em que viveu nos EUA, o que cria a singularidade de um autor com “dois originais” -as traduções de Singer, Prêmio Nobel de Literatura de 1978, são feitas a partir do inglês, que por sua vez estabelece o texto “oficial” de sua literatura.
Esse detalhe ilustra um dos aspectos centrais da história do romance -sua linguagem é a confluência e tradução de muitas línguas que são a um tempo códigos e concepções específicas de mundo.

Consciência plurilíngue
E, do ponto de vista biográfico, a vida de Singer, com a infância mergulhada no tenso encontro de línguas, culturas e religiões, pode ser lida como ilustração cristalina do que o teórico russo Mikhail Bakhtin (1895-1975) chamava de “consciência plurilíngue do mundo”. Os textos de “No Tribunal de Meu Pai” são exemplares nesse sentido. Trata-se de um conjunto de crônicas autobiográficas em que a formação do autor é retomada em episódios apresentados mais ou menos em ordem cronológica e que se encerra nos seus 12 anos (quando conhece “uma garota morena com olhos escuros como carvão e um sorriso indescritível”).
O tribunal a que o título faz referência é a instituição judaica do “Bet Din”, o tribunal rabínico. Filho de um rabino de Varsóvia, o futuro escritor passou a infância impregnado de um senso de justiça religiosa em que se atravessam a pobreza, a onipresença da palavra escrita como fonte de referência da “verdade”, a disputa das várias correntes conflitantes que marcam o judaísmo, a consciência de quem está, do ponto de vista político, em lugar nenhum -e, sobretudo, o peso da idéia de lar se confundindo com a idéia de tribunal.
Se nas mãos de Kafka esse último ingrediente daria a síntese aterrorizante que conhecemos em obras como “O Processo” e “O Castelo”, em Isaac Singer -um escritor de raiz substancialmente popular, imerso na oralidade e no humor vivaz, comunitário, do mundo da aldeia- o resultado é outro.
A diferença central talvez seja esta: no mundo das memórias infantis de Isaac Singer, as coisas ainda não estão estratificadas na forma de Estado, não são regulamentos inalterados por mãos humanas.

Sinais escritos
O juiz é um homem de substância simples que tem de resolver questões miúdas do cotidiano, casos de divórcio ou dúvidas sobre a pureza de gansos abatidos. O senso de justiça é uma insegura escolha humana, a partir de alguns poucos sinais escritos, aos quais devemos dar um sentido.
O sentimento de mudança permanente, muito forte -mudança física e mental, política, social e econômica, ao deus-dará entre poloneses, russos, alemães, austríacos naquele sombrio limiar da Primeira Grande Guerra-, vai marcando cada passo da criança atenta, que pouco a pouco percebe o anacronismo da ortodoxia paterna e absorve a perspectiva transformadora de seu irmão mais velho, depois o poder da literatura, num tempo de utopias.
A força documental das crônicas, ao descreverem o mundo desaparecido, é temperada pela perspectiva literária -a história de Isaac Singer é a percepção de um escritor, não o documento frio de um historiador.
Em nenhum momento se perde a perspectiva da criança e a sensação de um mundo a descobrir e inventar; e, em cada crônica, está presente a afirmação absoluta do valor do indivíduo, princípio e fim de todas as dúvidas: “Como era vasto o mundo, e como abundavam nele todo tipo de pessoas e acontecimentos estranhos! (…) E onde estava Deus, de quem tanto se falava em nossa casa? Eu estava maravilhado, encantado, extasiado. Sentia que precisava solucionar esse enigma, sozinho, com meu próprio discernimento”.


CRISTOVÃO TEZZA é autor do romance “O Filho Eterno” (Record) e de “Entre a Prosa e a Poesia - Bakhtin e o Formalismo Russo” (Rocco).NO TRIBUNAL DE MEU PAI
Autor: Isaac Bashevis Singer
Tradução: Alexandre Hubner
Editora: Companhia das Letras (tel. 0/ xx/11/ 3707-3500)
Quanto: R$ 49 (360 págs.)

13/06/2008 - 16:22h Aniversário

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© Projeto Releituras
Arnaldo Nogueira Jr

Aniversário

Fernando Pessoa
(Álvaro de Campos)

[473]

No TEMPO em que festejavam o dia dos meus anos,
Eu era feliz e ninguém estava morto.
Na casa antiga, até eu fazer anos era uma tradição de há séculos,
E a alegria de todos, e a minha, estava certa com uma religião qualquer.

No TEMPO em que festejavam o dia dos meus anos,
Eu tinha a grande saúde de não perceber coisa nenhuma,
De ser inteligente para entre a família,
E de não ter as esperanças que os outros tinham por mim.
Quando vim a ter esperanças, já não sabia ter esperanças.
Quando vim a olhar para a vida, perdera o sentido da vida.

Sim, o que fui de suposto a mim-mesmo,
O que fui de coração e parentesco.
O que fui de serões de meia-província,
O que fui de amarem-me e eu ser menino,
O que fui — ai, meu Deus!, o que só hoje sei que fui…
A que distância!…
(Nem o acho…)
O tempo em que festejavam o dia dos meus anos!

O que eu sou hoje é como a umidade no corredor do fim da casa,
Pondo grelado nas paredes…
O que eu sou hoje (e a casa dos que me amaram treme através das minhas
lágrimas),
O que eu sou hoje é terem vendido a casa,
É terem morrido todos,
É estar eu sobrevivente a mim-mesmo como um fósforo frio…

No tempo em que festejavam o dia dos meus anos…
Que meu amor, como uma pessoa, esse tempo!
Desejo físico da alma de se encontrar ali outra vez,
Por uma viagem metafísica e carnal,
Com uma dualidade de eu para mim…
Comer o passado como pão de fome, sem tempo de manteiga nos dentes!

Vejo tudo outra vez com uma nitidez que me cega para o que há aqui…
A mesa posta com mais lugares, com melhores desenhos na loiça, com mais copos,
O aparador com muitas coisas — doces, frutas o resto na sombra debaixo do alçado —,
As tias velhas, os primos diferentes, e tudo era por minha causa,
No tempo em que festejavam o dia dos meus anos…

Pára, meu coração!
Não penses! Deixa o pensar na cabeça!
Ó meu Deus, meu Deus, meu Deus!
Hoje já não faço anos.
Duro.
Somam-se-me dias.
Serei velho quando o for.
Mais nada.
Raiva de não ter trazido o passado roubado na algibeira!…

O tempo em que festejavam o dia dos meus anos!…

15/10/1929

Uma visão breve sobre a vida e a obra do maior poeta da língua portuguesa:

- 1888: 11 de junho Nasce Fernando Antônio Nogueira Pessoa, em Lisboa.

- 1893: Perde o pai.

- 1895: A mãe casa-se com o comandante João Miguel Rosa. Partem para Durban, África do Sul.

- 1904: Recebe o Prêmio Queen Memorial Victoria, pelo ensaio apresentado no exame de admissão à Universidade do Cabo da Boa Esperança.

- 1905: Regressa sozinho a Lisboa.

- 1912: Estréia na Revista Águia.

- 1915: Funda, com alguns amigos, a revista Orpheu.

- 1918/1921: Publicação dos English Poems.

- 1925: Morre a mãe do poeta.

- 1934: Publica Mensagem.

- 1935: Morre de complicações hepáticas em Lisboa.

Os versos acima, escritos com o heterônimo de Álvaro de Campos, foram extraídos do livro “Fernando Pessoa - Obra Poética”, Cia. José Aguilar Editora - Rio de Janeiro, 1972, pág. 379.

© Projeto Releituras
Arnaldo Nogueira Jr

11/06/2008 - 21:43h Poesia


Charles Baudelaire


Amigo, amiga,

Você abre um livro de poesia e, logo no início, num poema chamado “Ao Leitor”, o autor avisa: “Na almofada do mal é Satã Trismegisto/ Quem docemente nosso espírito consola”. Para não deixar dúvida, mais adiante ele reafirma: “É o Diabo que nos move e até nos manuseia!”

Não, não adianta fingir que não é com você. O poeta assegura que você sabe do que ele está falando, e termina mandando mordazes e cordiais saudações: “Hipócrita leitor, meu igual, meu irmão!”

Claro, você já adivinhou: o livro é Les Fleurs du Mal (As Flores do Mal) e o poeta, o francês Charles Baudelaire. Continue a folhear. O tom é sombrio. São textos cheios de tédio, morte, sepultura, melancolia, volúpia, luxúria, demônios, vermes, serpentes, maldições e até uma ladainha invocando o Demônio: “Tem piedade, ó Satã, desta longa miséria”.

Não se assuste. Religioso a seu modo, pagão e satanista, Charles-Pierre Baudelaire (1821-1867) é considerado o pai do simbolismo francês, movimento cuja origem os críticos localizam exatamente no livro As Flores do Mal, de 1857. Na França, a obra de Baudelaire reverbera na poesia de outros poetas “malditos”, como Arthur Rimbaud, Paul Verlaine e Stéphane Mallarmé.

Celebrado como o primeiro poeta moderno e um dos escritores de mais forte influência nas gerações posteriores mundo afora, Baudelaire contrabandeou para a poesia de sua época, marcada pelo idealismo romântico, o mal-estar das cidades e o choque do feio, dos temas sujos e doentios.

Ao publicar As Flores do Mal, ele foi condenado por ofensa à moral pública. Além de pagar uma multa em dinheiro, a justiça obrigou-o a retirar seis poemas do volume. Os seis voltaram a integrar a obra onze anos depois, na primeira edição póstuma do livro, em 1868.

O primeiro texto ao lado é um desses poemas condenados, “A celle qui est trop gaie” (”A que está sempre alegre”). Ao comentar especificamente a censura a esse poema, Baudelaire diz: “Os juízes julgaram descobrir um sentido a um tempo sanguinário e obsceno nas duas últimas estrofes. A gravidade da coletânea excluía semelhantes gracejos. Mas veneno equivalendo a spleen ou a melancolia era uma idéia muito simples para criminalistas. Que sua interpretação sifilítica lhes fique na consciência!”

Segundo nota do editor francês, “a que está sempre alegre” é Apollonia Sabatier, animadora cultural pariense, cuja casa era freqüentada por figuras como Gustave Flaubert, Théophile Gautier e o próprio Baudelaire. A sorridente Madame Sabatier também teve um caso com o poeta.

Outra pequena amostra de Baudelaire vem de seu livro “Petites Poèmes en Prose”, de 1862. Trata-se do conhecido poema “Enivrez-vous” (”Embriaguem-se”). Uma curiosidade: esse texto é citado no “Poema da Necessidade”, de Carlos Drummond de Andrade:
“É preciso estudar volapuque/ é preciso estar sempre bêbedo,/ é preciso ler Baudelaire/ é preciso colher as flores/ de que falam velhos autores.” (In Sentimento do Mundo, 1940)

Por fim, “O Convite à Viagem”, uma simpática florzinha do mal que propõe uma fuga para um lugar onde “tudo é paz e rigor/ luxo, beleza e langor”. Enfim, uma proposta de sonho e fuga que hoje não tem nada de maldito. Até lembra o clima da canção de Gilberto Gil: “Vamos fugir/ Pr’outro lugar, baby/ (…) outro lugar ao sol/ Outro lugar ao sul/ Céu azul, céu azul/ Onde haja só meu corpo nu/ Junto ao seu corpo nu”.

•••o•••

No Brasil, destacam-se dois tradutores d’As Flores do Mal. Um é o paulista Guilherme de Almeida (1890-1969), que verteu 21 dos poemas, reunidos no livro Flores das “Flores do Mal” de Baudelaire (Edições de Ouro). O outro é o carioca Ivan Junqueira (1934-), que cometeu a monumental proeza de passar ao português todos os 167 poemas do volume. Eles estão em: Charles Baudelaire, As Flores do Mal, edição bilíngüe, tradução, introdução e notas de Ivan Junqueira (Nova Fronteira, 1985).

•••o•••

Para ler online todos os poemas de As Flores do Mal, na tradução de Ivan Junqueira, visite o site Cumbuca Poética. Algumas recomendações: “O Albatroz” (”L’albatros”); “As Jóias” (”Les Bijoux”); “Lesbos”, “Uma Carniça” (”Une Charogne”); e “As Litanias de Satã” (”Les Litanies de Satan”). Se quiser conferir os poemas no original, vá ao site Poésie Française, que também tem antologias de vários outros poetas.

Um abraço, e até a próxima.

Carlos Machado



 

As flores do mal

Charles Baudelaire

 


A QUE ESTÁ SEMPRE ALEGRE

Teu ar, teu gesto, tua fronte
São belos qual bela paisagem;
O riso brinca em tua imagem
Qual vento fresco no horizonte.

A mágoa que te roça os passos
Sucumbe à tua mocidade,
À tua flama, à claridade
Dos teus ombros e dos teus braços.

As fulgurantes, vivas cores
De tua vestes indiscretas
Lançam no espírito dos poetas
A imagem de um balé de flores.

Tais vestes loucas são o emblema
De teu espírito travesso;
Ó louca por quem enlouqueço,
Te odeio e te amo, eis meu dilema!

Certa vez, num belo jardim,
Ao arrastar minha atonia,
Senti, como cruel ironia,
O sol erguer-se contra mim;

E humilhado pela beleza
Da primavera ébria de cor,
Ali castiguei numa flor
A insolência da Natureza.

Assim eu quisera uma noite,
Quando a hora da volúpia soa,
Às frondes de tua pessoa
Subir, tendo à mão um açoite,

Punir-te a carne embevecida,
Magoar o teu peito perdoado
E abrir em teu flanco assustado
Uma larga e funda ferida,

E, como êxtase supremo,
Por entre esses lábios frementes,
Mais deslumbrantes, mais ridentes,
Infundir-te, irmã, meu veneno!


EMBRIAGUEM-SE

É preciso estar sempre embriagado. Aí está: eis a única questão. Para não sentirem o fardo horrível do Tempo que verga e inclina para a terra, é preciso que se embriaguem sem descanso.

Com quê? Com vinho, poesia ou virtude, a escolher. Mas embriaguem-se.

E se, porventura, nos degraus de um palácio, sobre a relva verde de um fosso, na solidão morna do quarto, a embriaguez diminuir ou desaparecer quando você acordar, pergunte ao vento, à vaga, à estrela, ao pássaro, ao relógio, a tudo que flui, a tudo que geme, a tudo que gira, a tudo que canta, a tudo que fala, pergunte que horas são; e o vento, a vaga, a estrela, o pássaro, o relógio responderão: “É hora de embriagar-se! Para não serem os escravos martirizados do Tempo, embriaguem-se; embriaguem-se sem descanso”. Com vinho, poesia ou virtude, a escolher.

O CONVITE À VIAGEM

Minha doce irmã,
Pensa na manhã
Em que iremos, numa viagem,
Amar a valer,
Amar e morrer
No país que é a tua imagem!
Os sóis orvalhados
Desses céus nublados
Para mim guardam o encanto
Misterioso e cruel
Desse olhar infiel
Brilhando através do pranto.

Lá, tudo é paz e rigor,
Luxo, beleza e langor.

Os móveis polidos,
Pelos tempos idos,
Decorariam o ambiente;
As mais raras flores
Misturando odores
A um âmbar fluido e envolvente,

Tetos inauditos,
Cristais infinitos,
Toda uma pompa oriental,
Tudo aí à alma
Falaria em calma
Seu doce idioma natal.

Lá, tudo é paz e rigor,
Luxo, beleza e langor.

Vê sobre os canais
Dormir junto aos cais
Barcos de humor vagabundo;
É para atender
Teu menor prazer
Que eles vêm do fim do mundo.
— Os sangüíneos poentes
Banham as vertentes,
Os canis, toda a cidade,
E em seu ouro os tece;
O mundo adormece
Na tépida luz que o invade.

Lá, tudo é paz e rigor,
Luxo, beleza e langor.

poesia.net
Carlos Machado

Charles Baudelaire
“A Que Está Sempre Alegre” e “O Convite à
Viagem”
In As Flores do Mal
Nova Fronteira, 1985, 2a. ed.
Trad., introd. e notas: Ivan Junqueira
“Embriaguem-se”
In Pequenos Poemas em Prosa
Tradutor não identificado

22/05/2008 - 23:58h Ama eu

do blog de Nassif, postado por Renata Nassif

Da série “Quando o Gato sai…“, vamos com um dos Quatro Sonetos de Meditação de Vinícius de Moraes:

II

Uma mulher me ama. Se eu me fosse
Talvez ela sentisse o desalento
Da árvore jovem que não ouve o vento
Inconstante e fiel, tardio e doce

Na sua tarde em flor. Uma mulher
Me ama como a chama ama o silêncio
E o seu amor vitorioso vence
O desejo da morte que me quer.

Uma mulher me ama. Quando o escuro
Do crepúsculo mórbido e maduro
Me leva a face ao gênio dos espelhos

E eu, moço, busco em vão meus olhos velhos
Vindos de ver a morte em mim divina:
Uma mulher me ama e me ilumina.

20/05/2008 - 09:13h Laços mais profundos entre Japão e Brasil

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Mostra no Tomie Ohtake destrincha relações diversas entre as duas culturas

Camila Molina - O Estado de São Paulo

‘Já foi o tempo que a cultura do Japão era diferente, hoje o Brasil é nipônico’, defende Paulo Herkenhoff, curador da exposição Laços do Olhar, que será inaugurada hoje para convidados e amanhã para o público no Instituto Tomie Ohtake. No ano em que se comemora o centenário da imigração japonesa no Brasil, não faltam exposições que exploram a relação entre os dois países, mas Laços do Olhar tem o fôlego de adentrar em campos ricos e variados do entrelaçamento das duas culturas. ‘Existe uma tendência na historiografia de depositar os laços entre o Japão e o Brasil apenas nos pintores japoneses. Acredito que gerações mais novas queiram trocar essa idéia’, diz Herkenhoff, que propõe com essa ampla exposição provar que as duas culturas se entrelaçam em produções artísticas de diversos gêneros, épocas (do século 19 à contemporaneidade) e os criadores de maneira muito mais profunda do que se imagina.

O japonismo do século 19, ‘resposta da Europa à abertura do Japão’, como contextualiza Herkenhoff, teve também na época seu reflexo no Brasil (mesmo antes de aqui aportarem os primeiros imigrantes a bordo do navio Kasato Maru, em 1908). O pintor Eliseu Visconti (1866-1944), por exemplo, realizou em 1893 (antes de viver em Paris) a tela Menina com Ventarola: Estudo de Nu, em que a figura feminina segura o objeto japonês. Mas não apenas isso. Visconti mesmo foi um colecionador de gravuras japonesas - há várias de sua ampla coleção na mostra - e estudou, como poucos, certos elementos da milenar cultura para transpor para suas obras - como os desenhos de movimentos de mãos das mulheres japonesas e de motivos florais (dialogando com obras de Massao Okinaka) e lanternas vermelhas.

Indo ainda adiante, há um momento importante na exposição, dedicado à questão da identidade. Na primeira sala do instituto o curador reúne um conjunto de telas de Anita Malfatti, artista do primeiro modernismo brasileiro. Seus quadros O Japonês (1915/16) e O Homem Amarelo (da mesma época) remetem à idéia ambígua do ocidental pintando, de amarelo, o homem oriental. Ao mesmo tempo, depois dessas obras, estão telas realizadas a partir dos anos 1920 por artistas japoneses que no Brasil aportaram. Neles se fazem presentes duas questões importantes: a presença do auto-retrato como busca de deixar registrado um nome e um rosto (destaque para o de Takaoka) e das paisagens, o que remete à idéia de reconhecimento do novo país em que os imigrantes vivem.

Mas o curador optou por não estabelecer ‘uma narrativa’ cronológica das relações artísticas entre os dois países e sim explorar núcleos em que ora os entrelaçamentos são mais nítidos, ora mais sutis - o que também permite certos encontros sob uma visão mais poética, como no segmento que representa a relação geográfica e cósmica entre os dois países (enquanto é dia no Japão, é noite no Brasil), com obras de Oscar Oiwa, Rego Monteiro e Naiah Mendonça,

De certa maneira, então, a obra O Helicóptero (1969), de Duke Lee (grande homenageado da mostra), raramente vista, transforma-se em ícone de Laços do Olhar: a instalação é formada por um painel contínuo em espiral em que estão colocadas imagens num ‘pot-pourri internacional’. ‘É como um vórtice, um movimento imaginário em que as coisas são levadas, transformadas, se encontram e se distanciam’, diz Herkenhoff.

Sincretismos e correspondências vão, enfim, acontecendo por meios diversos: na poesia (há os célebres haicais de Haroldo de Campos ilustrados por Tomie Ohtake e obras do poeta curitibano Paulo Leminski); na fotografia, na arquitetura, na cerâmica (belas peças do sumiê e esculturas de Kimi Nii), pintura, etc. Na mostra estão, por exemplo, fantasias de carnaval e desenhos do desfile da escola Porto da Pedra, que neste ano teve como enredo a imigração japonesa; desenhos animados japoneses; o erotismo por meio das gravuras Shunga e as fotografias contemporâneas de Nobuyoshi Araki; a referência à tatuagem (irezumis) nas obras de Adriana Varejão e Wakabayashi; o diálogo dos bichos de Lygia Clark com os origamis.. . Há até a Hello Kitty, simbolizando o pop e talvez o processo de despolitização pós-Guerra - a única obra política da mostra, segundo o curador, é o arquivo com a documentação da ação polêmica que Yuri Firmeza realizou em 2006 no Museu de Arte Contemporânea do Ceará, quando criou a figura de um artista japonês fictício, Souzousareta Geijutsuka.

Serviço

Laços do Olhar. Instituto Tomie Ohtake. Av. Faria Lima, 201 (entrada pela Rua Coropés), Pinheiros, 2245-1900. 3.ª a dom., 11 h às 20 h. Grátis. Até 10/8. Abertura hoje, 20 h,para convidados

13/05/2008 - 13:49h ACALANTO - Cecília Meireles

Pintura de Salvador Dali

Dorme, que eu penso.
Cada qual assim navega
pelo seu mar imenso.

Estarás vendo. Eu estou cega.
Nem te vejo nem a mim.
No teu mar, talvez se chega.
Este, não tem fim.

Dorme, que eu penso
Que eu penso nesse navio
clarividente em que vais.

Mensagens tristes lhe envio.
Pensamentos… – nada mais.

MEIRELES, Cecília. Mar Absoluto e outros poemas / Retrato Natural. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1983.

Postado por james emanuel - Blog Reflexões

12/05/2008 - 19:40h Amor dos fogos de Al Berto e foto de Kazuo Okubo


Trabalho fotográfico de Kazuo Okubo- Galeria Olhares

Amor dos Fogos, poema de Al Berto

…..vêm sôfregos os peixes da madrugada

beber o marítimo veneno das grandes travessias

trazem nas escamas a primavera sombria do mar

Largam minúsculos cristais de areia junto à boca e

partem quando desperto no tecido húmido dos sonhos ….

vem deitar-te comigo no feno dos romances

para que a manhã não solte o ciúme e

de novo nos obrigue a fugir…. ….

vem estender-te onde os dedos são aves sobre o peito

esquece os maus momentos a falta de notícias a preguiça

ergue-te e regressa para olharmos a geada dos astros

deslizar nas vidraças e os pássaros debicam o outono no sumo das amoras….

…. iremos pelos campos à procura do silente lume das cassiopeias…

Al Berto

Poeta português, natural de Sines. Al Berto frequentou diversos cursos de artes plásticas, em Portugal e em Bruxelas, onde se exilou em 1967. A partir de 1971 dedicou-se exclusivamente à literatura. Estreou-se com o título À Procura do Vento no Jardim de Agosto (1977). A sua poesia retomou, de algum modo, a herança surrealista, fundindo o real e o imaginário. Está presente, frequentemente, uma particular atenção ao quotidiano como lugar de objectos e de pessoas, de passagem e de permanência, de ligação entre um tempo histórico e um tempo individual. Por vezes, os seus textos apresentam um carácter fragmentário, numa ambiguidade entre a poesia e a prosa (Lunário, 1988; e O Anjo Mudo, 1993).
A sua obra poética engloba Trabalhos do Olhar (1982), Salsugem (1984), O Medo/Trabalho Poético, 1976-1986 (prémio de poesia de 1987 do Pen Club), O Livro dos Regressos (1989), A Secreta Vida das Imagens (1991), Luminoso Afogado (1995) e Horto de Incêndio (1997). Deixou incompletos textos para uma ópera, para um livro de fotografia sobre Portugal e uma «falsa autobiografia», como o próprio autor a intitulava

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17/04/2008 - 20:24h Video Clip en Hommage à Aimé Césaire Eric Virgal

Cultura é identidade. Mais que isso, é tudo o que o homem imaginou para moldar o mundo, para se acomodar nele e torná-lo digno de si próprio. É isso a cultura: tudo o que o homem inventou para tornar a vida vivível e a morte afrontável.

Aimé Césaire

17/04/2008 - 20:15h Aimé Césaire, militante, poeta, escritor, prefeito, nacionalista martinicano e negro

“Aimé Césaire est un Noir qui est non seulement un Noir; mais tout l’homme, qui en exprime toutes les interrogations, toutes les angoisses, tous les espoirs et toutes les extases, et qui s’imposera de plus en plus à moi comme le prototype de la dignité”

André Breton

Ecoutez le monde blanc
horriblement las de son effort immense
ses articulations rebelles craquer sous les étoiles dures
ses raideurs d’acier bleu transperçant la chair mystique
écoute ses victoires proditoires trompeter ses défaites
écoute aux alibis grandioses son piètre trébuchement
Pitié pour nos vainqueurs omniscients et naïfs !

Aimé Césaire (1913 )

17/04/2008 - 19:56h Aimé Césaire, chantre de la “négritude”

Aimé Césaire est mort, jeudi 17 avril, à l’âge de 94 ans. Le poète martiniquais était hospitalisé depuis une semaine à Fort-de-France. Avec lui, les Antilles perdent leur plus célèbre figure.

En 1931, à peine arrivé à Paris, que Césaire rencontre Léopold Sédar Senghor. Boursier au lycée Louis-Le-Grand, le petit-fils du tout premier instituteur martiniquais prépare avec lui Normale Sup’. Senghor est sénégalais, et un dialogue fusionnel s’ouvre entre les deux hommes, alors que Césaire n’avait de cesse de répéter qu’on “n’est pas impunément noir”.

De Senghor, Césaire dira, des années plus tard, qu’il incarnait “l’Afrique éternelle dans sa noblesse, sa dignité, son histoire, sa philosophie, sa sagesse.” Là où les Antilles de l’esclavage et de la traite des noirs, dans la bouche du poète martiniquais, resteront plutôt “une Afrique démembrée, déchirée, lacérée”.

13/03/2008 - 14:27h Amar - poema de Carlos Drummond de Andrade, na voz de Paulo Autran

AMAR

Que pode uma criatura senão,
entre criaturas, amar?
amar e esquecer,
amar e malamar,
amar, desamar, amar?
sempre, e até de olhos vidrados, amar?

Que pode, pergunto, o ser amoroso,
sozinho, em rotação universal, senão
rodar também, e amar?
amar o que o mar traz à praia,
e o que ele sepulta, e o que, na brisa marinha,
é sal, ou precisão de amor, ou simples ânsia?

Amar solenemente as palmas do deserto,
o que é entrega ou adoração expectante,
e amar o inóspito, o áspero,
um vaso sem flor, um chão de ferro,
e o peito inerte, e a rua vista em sonho, e uma ave de rapina.

Este o nosso destino: amor sem conta,
distribuído pelas coisas pérfidas ou nulas,
doação ilimitada a uma completa ingratidão,
e na concha vazia do amor a procura medrosa,
paciente, de mais e mais amor.

Amar a nossa falta mesma de amor, e na secura nossa
amar a água implícita, e o beijo tácito, e a sede infinita.

de Carlos Drummond de Andrade
Voz de Paulo Autran
Imagens escolhidas por rafasjr

11/03/2008 - 18:29h Sem Bandeira

O ÚLTIMO POEMA
(Manuel Bandeira)

Assim eu quereria o meu último poema.

Que fosse terno dizendo as coisas mais simples e menos intencionais

Que fosse ardente como um soluço sem lágrimas

Que tivesse a beleza das flores quase sem perfume

A pureza da chama em que se consomem os diamantes mais límpidos

A paixão dos suicidas que se matam sem explicação.

BANDEIRA, Manuel Estrela da Vida Inteira. Rio de Janeiro: Livraria José Olympio Editora, 1979.

do Blog Reflexões de James Manuel

08/03/2008 - 16:07h SATANISMO

Cruz e SousaL'image “http://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/thumb/3/35/Cruz_e_Sousa.jpg/150px-Cruz_e_Sousa.jpg” ne peut être affichée car elle contient des erreurs.

Não me olhes assim, branca Arethusa,
Peregrina inspiração dos meus cantares;
Não me deixes a razão vagar confusa
Ao relâmpago ideal de teus olhares.

Não me olhes, oh! não, porquanto eu penso
Envolvido no luar das minhas cismas,
Que o olhar que me dardejas — doido, imenso
Tem a rápida explosão dos aneurismas.

Não me olhes. Oh! não, que o próprio inferno
Problemático, fatal, cálido, eterno,
Nos teus olhos, mulher, se foi cravar!.

Não me olhes, oh! não, que m’entolece
Tanta luz, tanto sol — e até parece
Que tens músicas cruéis dentro do olhar!…

João da Cruz e Sousa

O Livro Derradeiro

05/03/2008 - 18:46h Uma manha e El cuadrado de la hipotenusa (espanhol)

benjamin_peret.jpgillus_toyen.jpg
Desenho de Benjamin Péret feito por Toyen

Por Benjamin Péret

EU SUBLIME

UMA MANHÃ

Há gritos que não acabam mais
berros de terra agitada como um leque
desmantelado
por topeiras em conserva
por soluços de tábuas que alguém estripa
longos como uma locomotiva que vai nascer
por convulsões de árvores revoltadas que não querem
deixar subir a seiva
tanto como o metrô não aceita transportar avestruzes
nos seus túneis de barba mal-escanhoada
há gritos
aranhas de vitríolo que engulo sem perceber
perto desse rio gasto saído de um bocal de cachimbo
que não passa de um longo focinho
um pouco quente
um pouco mais resmungão que um caldeirão quase
vazio
este no que tu não vês como não vês a poeira de uma
hóstia
que o vento misturou
com a poeira do vigário semelhante ao sulfato de cobre
e à da igreja mais torta que um velho
saca-rolha
pois não estás mais aí do que não estou aí sem ti
e com isso o mundo fica todo descabelado.

PÉRET, Benjamin. Amor sublime: ensaio e poesia. Organização: Jean Puyade. Tradução: Sérgio Lima, Pierre Clemens. São Paulo: Brasiliense, 1985.

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