14/11/2009 - 20:33h A torre de babel ou a porra do Soriano


Eu canto do Soriano o singular mangalho!
Empresa colossal! Ciclópico trabalho!
Para o cantar inteiro e para o cantar bem
precisava viver como Matusalém.
Dez séculos!
Enfim, nesta pobreza métrica
cantemos essa porra, porra quilométrica,
donde pendem colhões que idéia vaga
das nádegas brutais do Arcebispo de Braga.
Sim, cantemos a porra, o caralho iracundo
que, antes de nervo cru, já foi eixo do Mundo!
Mastro de Leviathan! Iminência revel!
Estando murcho foi a Torre de Babel
Caralho singular! É contemplá-lo
É vê-lo teso!
Atravessaria o quê?
O sete estrelo!
Em Tebas, em Paris, em Lagos, em Gomorra
juro que ninguém viu tão formidável porra
É uma porra, arquiporra!
É um caralhão atroz
que se lhe podem dar trinta ou quarenta nós
e, ainda assim, fica o caralho preciso
para foder a Terra, Eva no Paraíso!
É uma porra infinita, é um caralho insone
que nas roscas outrora estrangulou Laoccoonte.
Oh, caralho imortal! Oh glória destes lusos!
Tu podias suprir todos os parafusos
que espremem com vigor os cachos do Alto Douro!
Onde é que há um abismo, onde há um sorvedouro
que assim possa conter esta porra do diabo??!
O Marquês de Valadas em vão mostra o rabo,
em vão mostra o fundo o pavoroso Oceano!
- Nada, nada contém a porra do Soriano!
Quando morrer, Senhor, que extraordinária cova,
que bainha, meu Deus, para esta porra nova,
esta porra infeliz, esta porra precita,
judia errante atrás duma crica infinita?
- Uma fenda do globo, um sorvedouro ignoto
que lhe dá de abrir talvez um dia um terramoto
para que deságüe, esta porra medonha,
em grossos borbotões de clerical langolha!
A porra do Soriano, é um infinito assunto!
Se ela está em Lisboa ou em Coimbra, pergunto?
Onde é que ela começa?
Onde é que ela termina
essa porra, que estando em Braga, está na China,
porra que corre mais que o próprio pensamento
que porra de pardal e porra de jumento?
Porra!
Mil vezes porra!
Porra de bruto
que é capaz de foder o Cosmo num minuto!

Fonte Germina literatura
12/11/2009 - 18:38h Amo, amas
Rubén Darío
Amar, amar, amar, amar sempre, com todo
O ser e com a terra e com o céu,
Com o claro do sol e o escuro do lodo;
Amar por toda ciência e amar, por todo desejo.
E quando a montanha da vida
Nos seja dura e longa e alta e cheia de abismos,
Amar a imensidade que é de amor acesa
E arder na fusão de nossos peitos mesmos!
(Tradução de Maria Teresa Almeida Pina)
Amo, amas
Rubén Dário
Amar, amar, amar, amar siempre, con todo
el ser y con la tierra y con el cielo,
con lo claro del sol y lo oscuro del lodo;
amar por toda ciencia y amar por todo anhelo.
Y cuando la montaña de la vida
nos sea dura y larga y alta y llena de abismos,
amar la inmensidad que es de amor encendida
¡y arder en la fusión de nuestros pechos mismos!
Poesia Latina
10/11/2009 - 19:04h Quase sem querer
Poesia Latina
Marilina Ross
Quase sem querer nascí
Quase sem querer crescí
Quase sem querer
te conheci.
Gostei de tua risada fresca,
criança crescida
e tua maneira de olhar.
Foi dificil respirar,
comecei a tremer
e quase sem querer
te bejei.
Quase sem querer
me rio
Quase sem querer
sinto a tua falta.
Quase sem querer
me apaixonei
Deste urso carinhoso,
criança crescida
que sem querer também
me amou.
E me enche de carícias
sem a obrigação
de prometer-me
eterno amor.
Quase sem querer
se esquece.
Quase sem querer
se perde.
Quase sem querer
se vai o amor.
Por isso te estou querendo
quase sem querer.
Jurar-te eterno amor, não sei.
Talvez
algum dia
nos surpreenda a velhice
muito juntos,
quase sem querer.
(Tradução de Maria Teresa Almeida Pina)
Casi sin querer
Marilina Ross
Casi sin querer nací
Casi sin querer crecí
Casi sin querer
te conocí.
Me gustó tu risa fresca,
niño grandulón
y tu manera de mirar.
Fue dificil respirar,
empecé a temblar
y casi sin querer
te besé.
Casi sin querer
me rio.
Casi sin querer
te extraño.
Casi sin querer
me enamoré.
De este oso cariñoso,
niño grandulón
que sin querer tambien
me amó.
Y me llena de caricias
sin la obligación
de prometerme
eterno amor.
Casi sin querer
se olvida.
Casi sin querer
se pierde.
Casi sin querer
se va el amor.
Por eso te estoy queriendo
casi sin querer.
Jurarte eterno amor, no sé.
Tal vez
algún día
nos sorprenda la vejez
muy juntos,
casi sin querer.
08/11/2009 - 21:45h Poema da buceta cabeluda




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(imagens ©Wondrous Vulva Puppet)
Braulio Tavares (1950, Campina Grande, PB). Escritor, compositor. Publicou, entre outros, A espinha dorsal da memória. Contos (Lisboa/Rio de Janeiro: Caminho/Rocco, 1989/1996); Mundo fantasmo. Contos (Rio de Janeiro/Lisboa: Rocco/Caminho, 1996/1997); Como enlouquecer um homem: as mulheres contra-atacam. Humor (Rio de Janeiro/São Paulo: Editora 34/Círculo do Livro, 1994/1997) e A máquina voadora. Romance (Rio de Janeiro/Lisboa: Rocco/Caminho, 1994/1997). Escreve sobre Cultura, todo dia, no Jornal da Paraíba.
29/10/2009 - 18:48h Rosto de ti
Mario Benedetti
Tenho uma solidão
tão concorrida
tão cheia de nostalgias
e de rostos teus
de adeuses faz tempo
e beijos bem vindos
de primeiras de troca
e de último vagão.
Tenho uma solidão
tão concorrida
que posso organizá-la
como uma procissão
por cores
tamanhos
e promessas
por época
por tato e sabor.
Sem um tremer de mais
me abraço a tuas ausências
que assistem e me assistem
com meu rosto de ti.
Estou cheio de sombras
de noites e desejos
de risos e de alguma maldição
Meus hóspedes concorrem
concorrem como sonhos
com seus rancores novos
sua falta de candura
eu lhe ponho uma vassoura
atrás da porta
porque quero estar só
com meu rosto de ti.
Porém o rosto de ti
olha a outra parte
com seus olhos de amor
que já não amam
como vives
que buscam a sua fome
olham e olham
e apagar a jornada.
As paredes se vão
fica a noite
as nostalgias se vão
não fica nada.
Já meu rosto de ti
fecha os olhos.
E é uma solidão
tão desolada.
(Tradução de Maria Teresa Almeida Pina)
Rostro de vos
Mario Benedetti
Tengo una soledad
tan concurrida
tan llena de nostalgias
y de rostros de vos
de adioses hace tiempo
y besos bienvenidos
de primeras de cambio
y de último vagón.
Tengo una soledad
tan concurrida
que puedo organizarla
como una procesión
por colores
tamaños
y promesas
por época
por tacto y por sabor.
Sin un temblor de más,
me abrazo a tus ausencias
que asisten y me asisten
con mi rostro de vos.
Estoy lleno de sombras
de noches y deseos
de risas y de alguna maldición.
Mis huéspedes concurren,
concurren como sueños
con sus rencores nuevos
su falta de candor.
Yo les pongo una escoba
tras la puerta
porque quiero estar solo
con mi rostro de vos.
Pero el rostro de vos
mira a otra parte
con sus ojos de amor
que ya no aman
como víveres
que buscan a su hambre
miran y miran
y apagan la jornada.
Las paredes se van
queda la noche
las nostalgias se van
no queda nada.
Ya mi rostro de vos
cierra los ojos.
Y es una soledad
tan desolada.
23/10/2009 - 19:00h Aula de amor
Bertolt Brecht
Mas, menina, vai com calma
Mais sedução nesse grasne:
Carnalmente eu amo a alma
E com alma eu amo a carne.
Faminto, me queria eu cheio
Não morra o cio com pudor
Amo virtude com traseiro
E no traseiro virtude pôr.
Muita menina sentiu perigo
Desde que o deus no cisne entrou
Foi com gosto ela ao castigo:
O canto do cisne ele não perdoou.
(Tradução de Aires Graça)
18/10/2009 - 20:59h Poeta
Da arte da trepada ou
Do bem fazer na cama
Lúcia Nobre
Bom trepador
não é naïf
pau em riste
Bom trepador
pau alado
namorado
Bom trepador
mil bocas e mão
Sherazade do tesão
Bom trepador
uiva sussur
ra urra
Bom trepador
não come
degusta
Bom trepador
não chupa
sorve
Bom trepador
beija beija
beija-flor
Bom trepador
seus três sexos
num amplexo
Bom trepador
l’amour toujours
uma trepada
Bom trepador
se trepa
flecha
Bom trepador
na árvore
floresce
Bom trepador
desfruta
desfrutado
Bom trepador
macho, gay ou bi
um colibri
Bom trepador
nem bom nem trepa
é poeta
17/10/2009 - 19:50h Orgia
Liz Christine
Gemidos
Sussurro
Lábios, pele, beijo
Em seus ouvidos
Ainda procuro
Como descrever o que vejo?
O que sinto ao te ver
Em meio a essa orgia
Nunca quis te pertencer
Tão livre, e você nem sabia
Tudo que poderia
Encontrar
Experimentar
Em si mesma, você
Minha nudez
Meu prazer
Você vê
Um engano? Talvez
Eu queira ser
Sua, talvez, eu nem sei
O que eu senti?
Ao te ver me olhando
Você beijando alguém
Uma pessoa gemendo
E eu gozando
Quero o seu beijo, vem
Estou dizendo
Sussurrando
Meus lábios te procurando
E outro corpo me domina
Outra língua me fascina
Vários corpos, sua mão
E eu tento dizer
Eu te amo
Amo sua mão
Mas você nem vai saber
Que era pra você que eu falei
E foi então
Nesse exato momento
Que escutei
Algum pensamento
Alguém pensando em voz alta
“aquela ali, a ruivinha
a ruivinha é a mais tarada”
Eu, tarada?
Nem vou responder
Te amo calada
E nem vou me arrepender
De estar te pervertendo
Você não era assim
Se liberte em mim
Amor, orgia
Talvez algum dia
Você saiba que eu sentia
16/10/2009 - 21:17h Dos males o menor…
Leila Míccolis
Se te chamo de putinha
sou machista e indecorosa.
No entanto, se não chamo,
você não goza…
12/10/2009 - 17:15h Caixinha de música
Ana Mafalda Leite
impregno-me em ti como um perfume
como quem veste a pele de odores ou a alma de
cetins
quero que me enlaces ou me enfaixes de muitos
laços
abraços fitas ou fios transparentes
em celofane brilhando uma prenda
uma menina te traz vestida de lumes
incandescendo incandescente
te quer embrulhada em véus de seda e brocado
encantada a serpente a flauta o mago
senhor toca
e quando me toca
o corpo eu abro
caixinha de música
dentro
com bailarina que dança
Rosas da China, Quetzal Editores, 1999 – Lisboa, Portugal
01/10/2009 - 19:05h Depois da Guerra
por Samantha Abreu
Um combatente em retirada, que entra pelo portão de uma casa que não é mais sua, embora ainda lhe pertença. As pessoas dali ainda têm o seu sangue, mas acostumaram-se à sua ausência. Os lençóis já não o reconhecem, os colarinhos e coisas não mais têm o seu cheiro.
Ele mesmo, soldado vencido, já não se encontra mais em si. Não se acha, mesmo quando vasculha, apressado, as gavetas do peito e da própria cabeça. Não reconhece suas novas cicatrizes, não lhe parece familiar a textura da pele nem os calos nas mãos. É alguém que, no cansaço da luta, se fragmentou em mortos e feridos, e mudou na velocidade do disparo de cada bala.
Sou eu esse guerreiro.
Sou eu que reapareço, trazendo comigo pedaços de corpos e almas que não me pertencem, mas agora fazem parte da unidade necessária para que eu me recomponha e, no devido tempo, retorne ao meu campo de batalha.
Gerado por Samantha Abreu. Fonte Blog Versos de falópio
29/09/2009 - 14:18h Veja quem são os vencedores do Prêmio Jabuti 2009

da Folha Online
A Câmara Brasileira do Livro divulgou hoje a lista com os três primeiros colocados de cada uma das 21 categorias do 51º Prêmio Jabuti. Os vencedores das categorias Livro do Ano Ficção e Livro do Ano Não-Ficção serão revelados durante a cerimônia de premiação, no dia 4 de novembro, na Sala São Paulo.
Tradução
1º lugar -”A Morte de Empédocles / Friedrich Hölderlin”, Marise Moassaba Curioni (Iluminuras).
2º lugar -”Satíricon”, Cláudio Aquati (Cosac Naify).
3º lugar -”Os Irmãos Karamázov – 2 Volumes”, Paulo Bezerra (Editora 34).
Arquitetura e Urbanismo, Fotografia, Comunicação e Artes
1º lugar – “Coleção Princesa Isabel – Fotografia do Século XIX”, Bia e Pedro Corrêa Lago (Capivara Editora)
2º lugar – “Árvores Notáveis – 200 Anos do Jardim Botânico do Rio de Janeiro” (livro e guia de bolsa), Andréa Jakobsson Estúdio Editorial (Andréa Jakobsson Estúdio Editorial)
3º lugar – “Tarsila do Amaral”, Lygia Eluf (Imprensa Oficial do Estado)
Teoria/Crítica Literária
1º lugar -”Monteiro Lobato: Livro a Livro”, Marisa Lajolo e João Luís Ceccantini (Editora Unesp / Imprensa Oficial)
2º lugar -”Pensamento e ‘Lirismo Puro’ na Poesia de Cecília Meireles”, Leila V. B. Gouvêa (Editora Universidade de São Paulo)
3º lugar -”Literatura da Urgência Lima Barreto no Domínio da Loucura”, Luciana Hidalgo (Annablume Editora)
Projeto Gráfico
1º lugar -”Fazendas Mineiras”, Marcelo Drummond & Marconi Drummond (Cemig)
2º lugar -”A História do Brazil de Frei Vicente de Salvador”, Maria Lêda Oliveira (Versal Editores)
3º lugar -”Isay Weinfeld”, Roberto Cipolla (Bei Editora)
Ilustração de Livro Infantil ou Juvenil
1º lugar -”O Matador”, Odilon Moraes (Editora Leitura) – BH
2º lugar -”De Passagem”, Marcelo Cipis (Schwarcz)
3º lugar – “Alfabeto de Histórias”, Gilles Eduar (Editora Ática)
Ciências Exatas, Tecnologia e Informática
1º lugar – “Introdução à Quimica da Atmosfera – Ciência, Vida e Sobrevivência”, Ervim Lenzi e Luzia Otilia Bortotti Favero (LTC – Livros Técnicos e Científicos Editora)
2º lugar – “Fundamentos de Metrologia Científica e Industrial”, Armando Albertazzi G. Jr. e André R. de Souza (Editora Manole)
3º lugar – “Mapa do Jogo”, Lucia Santaella e Mirna Feitoza (Cengage Learning Edições)
Educação, Psicologia e Psicanálise
1º lugar -”A Voz e o Tempo”, Roberto Gambini (Ateliê Editorial)
2º lugar -”Religiosidade e Psicoterapia”, Claudia Bruscagin, Adriana Sávio, Fátima Fontes e Denise Mendes Gomes (Editora Roca)
3º lugar – “Educação à distância: o Estado da Arte”, Fredric Michael Litto (Pearson Education do Brasil)
Reportagem
1º lugar -”O Livro Amarelo do Terminal”, Vanessa Bárbara (Cosac Naify)
2º lugar -”O Sequestro dos Uruguaios – uma Reportagem dos Tempos da Ditadura”, Luiz Cláudio Cunha (L&P Editores)
3º lugar -”1968 – o que Fizemos de Nós”, Zuenir Ventura (Editora Planeta do Brasil)
Didático e Paradidático
1º lugar – “História e Cultura Africana e Afro-Brasileira”, Nei Lopes (Barsa Planeta Internacional)
2º lugar – “Meu primeiro álbum de piano solo”, Dulce Auriemo (D.A. Produções Artísticas)
2º lugar – “Coleção cidade educadora – Diário de bordo do aluno 1 – Volume Amarelo”, Áureo Gomes Monteiro Júnior, Célia Cris Silva e Júlia Scandiuci Figueiredo (Aymará Edições e Tecnologia)
3º lugar – “Literatura Infantil Brasileira: um Guia para Professores e Promotores de Leitura”, Vera Maria Tietzmann Silva (Cânone Editorial)
Economia, Administração e Negócios
1º lugar – “Valores Humanos & Gestão. Novas Perspectivas”, Maria Luisa Mendes Teixeira (organizadora) (Editora Senac São Paulo)
2º lugar -”Estratégia e Competitividade Empresarial – Inovação e Criação de Valor”, Luiz Carlos Di Serio e Marcos Augusto de Vasconcelos (Saraiva)
3º lugar – “Meio Ambiente e Crescimento Econômico: Tensões Estruturais”, Gilberto Dupas (Editora Unesp)
Direito
1º lugar – “Introdução ao Pensamento Jurídico e à Teoria Geral do Direito Privado”, Rosa Maria de Andrade Nery (Editora Revista dos Tribunais)
2º lugar -”Execução”, José Miguel Garcia Medina (Editora Revista dos Tribunais)
3º lugar -”Código de Processo Civil – Comentado Artigo por Artigo”, Daniel Mitidiero e Luiz Guilherme Marinoni (Editora Revista dos Tribunais)
3ºlugar – “Atual Panorama da Constituição Federal”, Carlos Marcelo Gouveia (Saraiva)
Biografia
1º lugar – “O Sol do Brasil”, Lilia Moritz Schwarcz (Schwarcz)
2º lugar -”José Olympio, o Editor e sua Casa”, José Mario Pereira (GMT Editores)
3º lugar -”O Santo Sujo: a Vida de Jayme Ovalle”, Humberto Werneck (Cosac Naify)
Capa
1º lugar – Moby Dick”, Luciana Facchini (Cosac Naify)
2º lugar -”Jovem Stálin”, João Baptista da Costa Aguiar (Schwarcz)
3º lugar -”Introdução à filosofia”, Rex Design (Editora WMF Martins Fontes)
Poesia
1º lugar -”Dois em um”, Alice Ruiz S. (Editora Iluminuras)
2º lugar -”Antigos e soltos: poemas e prosas da pasta rosa”, Instituto Moreira Salles (Instituto Moreira Salles)
3º lugar -”Cinemateca”, Eucanaã Ferraz (Schwarcz)
3ºlugar – “Outros barulhos”, Reynaldo Bessa (edição do autor)
Ciências Humanas
1º lugar – “História do Brasil – Uma Interpretação”, Adriana Lopez e Carlos Guilherme Mota (Editora Senac São Paulo)
2º lugar – “Veneno Remédio”, José Miguel Wisnik (Schwarcz)
3º lugar – “A Aparição do Demônio na Fábrica”, José de Souza Martins (Editora 34)
Ciências Naturais e Ciências da Saúde
1º lugar – “Fundamentos de Dermatologia”, Marcia Ramos-e-Silva e Maria Cristina Ribeiro de Castro (Editora Atheneu)
2º lugar -”Oftalmogeriatria”, Marcela Cypel e Rubens Belfort Jr. (Editora Roca)
3º lugar – “Guia de Propágulos & Plântulas da Amazônia”, José Luís Campana Camargo et al (Inpa)
Contos e Crônicas
1º lugar -”Canalha! – crônicas”, Fabricio Carpinejar (Editora Bertrand Brasil)
2º lugar -”Ostra feliz não faz pérola”, Rubem Alves (Editora Planeta do Brasil)
3º lugar -”Os comes e bebes nos velórios das gerais e outras histórias”, Déa Rodrigues da Cunha Rocha (Auana Editora)
Infantil
1º lugar – “A Invenção do Mundo Pelo Deus-Curumim”, Braulio Tavares (Editora 34)
2º lugar -”No Risco do Caracol”, Maria Valéria Rezende e Marlette Menezes (Autêntica Editora)
3º lugar – “Era Outra Vez um Gato Xadrez”, Leticia Wierzchowski (Editora Record)
Juvenil
1º lugar -”O fazedor de velhos”, Rodrigo Lacerda (Cosac Naify)
2º lugar -”Cidade dos deitados”, Heloisa Prieto (Cosac Naify)
3º lugar -”A distância das coisas”, Flávio Carneiro (Edições SM)
Romance
1º lugar -”Manual da Paixão Solitária”, Moacyr Scliar (Schwarcz)
2º lugar -”Orfãos do Eldorado”, Milton Hatoum (Schwarcz)
3º lugar -”Cordilheira”, Daniel Galera (Schwarcz)
Tradução de obra literária Francês-Português
1º lugar -”O Conde de Monte Cristo”, André Telles e Rodrigo Lacerda (Jorge Zahar Editor)
2º lugar – “Topografia Ideal para uma Agressão Caracterizada”, Flávia Nascimento (Editora Estação Liberdade)
3º lugar – “A Elegância do Ouriço”, Rosa Freire D’aguiar (Schwarcz)
26/09/2009 - 17:34h A revista de Beto Palaio é uma joia rara

Around the World in 8 Seconds
Volta ao mundo em 8 segundos
Outubro/October 2009
—-1—-
MISS ANIELA´S SWEET AVANT-GARDE
A DOCE VANGUARDA DE MISS ANIELA






Miss Aniela is the artist persona of the English photographer
Natalie Dybisz who uses Photoshop on all of her photos
turning them into highest point in the performance art (through
photography) since Cindy Sherman.
She says: “Aniela is my middle name. It translates to Angela in
English. I hated the Polish pronunciation growing up. But as I
got older, I began to identify with it. So I used it as the name of
my alter ego—the one you see in the photographs.”
Miss Aniela é a criação artistica da fotógrafa inglesa Natalie
Dybyisz que usa o Photoshop como recurso de acabamento que
torna Miss Aniela a vanguarda da performance fotográfica desde
Cindy Sherman.
Ela diz: “Aniela é o meu nome do meio. É a tradução de “Angela”
para a lingua inglesa. Eu antes o detestava, mas comecei a gostar
dele enquanto crescia. Então passei a usá-lo como meu alter-
ego, isto que você já conhece através de minhas fotos”.
Her blog:
Interview at BBC:
http://www.youtube.com/watch?v=YfSDdRQgGSE
Aniela,
thank you for let us publish here
part of your nice work.
Aniela,
grato por concordar que publicássemos
parte do seu belo trabalho.
—-2—-
RIVALRY
By Aleathia Drehmer
I
slept in
awakening
to soft sunshine,
silence.
eu
entontecida
acordando
ao sol matinal
silencio
I
stretched
moving dreams
from deep in
muscles.
eu
largada
sonhos latentes
lá de dentro
músculos
your
words linger
still, haloed loosely
around ears,
as tuas
palavras envolvem
ainda, girando soltas
nos meus ouvidos,
a touch of gold,
a slight of hand,
um toque de ouro
um deslizar de mão,
that
rivals Midas,
for every pound
he’s worth.
que
imita Midas
por todo peso
que ele vale.

Aleathia Drehmer
Aleathia Drehmer is now publishing
a creative print zine named Durable Goods. I´m
there, in the second edition, with three Haikus.
Aleathia Drehmer está publicando uma
revista artesanal supercriativa chamada Durable
Goods (Bens Duráveis). Eu estou lá, na segunda
edição, com três haicais.
The site of Durable Goods:
http://durablegoodsmicrozine.blogspot.com/
Ale, I’m grateful that you dedicated your
last book Circles to me.
Ale, estou grato por você ter dedicado seu
último livro Circles para mim (Beto)
(Illustration: Titian´s Venus of Urbino)
—-3—-
DEAN & JERRY´S COMICS
OS QUADRINHOS DE DEAN & JERRY

DC Comics published the best-selling The Adventures of Dean
Martin and Jerry Lewis comic books from 1952 to 1957. The
series continued a year after the team broke up as
DC Comics then featured Lewis solo, until 1971, in The
Adventures of Jerry Lewis comic books. In this latter series,
Lewis was sometimes featured with Superman, Batman, and
various other DC Comics’ heroes and villains.
DC publicou As Aventuras de Dean Martin & Jerry Lewis d 1952
até 1957. A série continuou mesmo após a separação da
dupla em 1956. Após 1957 a edição mostrava somente As
Aventuras de Jerry Lewis. Esta última versão ficou sendo
editada até 1971 e frequentemente mostrava Lewis
atuando junto com Superman, Batman e vários outros heróis
e vilões da DC.
http://www.youtube.com/watch?v=3sE1t7wVpnw
Their paternship in the 1950s for Colgate Comedy Hour
A dupla nos anos 50 atuando nas Comédias Colgate
http://www.youtube.com/watch?v=GQM-0kaxgmE
Here, in the same show, Jerry performs “The Typewriter Song”.
Aqui Jerry canta a “canção do datilógrafo” no mesmo show

Around the world in 8 seconds
Volta ao mundo em 8 segundos
by
Beto Palaio
Site:
http://www.litteratour.blogspot.com/
(8 SEGUNDOS vai para 1.658 pessoas de talento em todo mundo, grato à todos /
8 SECONDS goes to 1.658 talented persons around the world, thanks to everyone)
07/09/2009 - 20:31h Liberdade
Sophia de Mello Breyner Andresen
Aqui nesta praia onde
Não há nenhum vestígio de impureza,
Aqui onde há somente
Ondas tombando ininterruptamente,
Puro espaço e lúcida unidade,
Aqui o tempo apaixonadamente
Encontra a própria liberdade.
05/09/2009 - 18:03h Sine Qua Non
03/09/2009 - 20:38h Onde mora a amora?
o beijo mais lambuzado
amedronta dizima as inserções
sem circunflexo o voo não alcança
o impulso, mas o infalível
feitiço de atravessar
a falta de air na vertigem
que des’espera era era era
na véspera da correspondência
de amores somam-se três aos
corpos abraçados pela última vez
umidamente
amoras que a maré levou
num suspiro intenso
onde mora a amora?
seria menos amargo
sabor preto
ainda insipiente
informação que não conserta
vitral da Consolação
oração de medida menor
mal cabida
vitimando os peitos
emboscados
nas pistas nas filas nas listas
papéis picotados
traslados de matéria
jamais decorada
ao resgate da parte
da par te
que parte
adiantada
já com senha
:
447
26/08/2009 - 20:28h Arrebata-me, amor, águia esquiva…
Arrebátame, amor, águila esquiva,
mátame a desgarrón y a dentellada,
que tengo ya la queja amordazada
y entre tus garras la intención cautiva.
No finjas más, no ocultes la excesiva
hambre de mí que te arde en la mirada.
No gires más la faz desmemoriada
y muerde de una vez la carne viva.
Batir tu vuelo siento impenetrable,
en retirada siempre y al acecho.
Tu sed eterna y ágil desafío.
Pues que eres al olvido invulnerable,
vulnérame ya, amor, deshazme el pecho
y anida en él, demonio y ángel mío.
Antonio Gala
Fonte Carmensabes
17/07/2009 - 18:02h Três poemas de Charles Bukowski
Charles Bukowski
“não dispa o meu amor
você pode encontrar um manequim;
não dispa um manequim
você pode encontrar
o meu amor.
ela há muito tempo
me esqueceu.
ela experimenta um novo
chapéu
e parece mais
coquete
do que nunca.
ela é uma
criança
e um manequin
e
é a morte.
não tenho como odiar
isso.
ela não faz
nada fora do
comum.
queria apenas que ela
fizesse.”
***
“pensando nas camas
usadas e reutilizadas
para trepar
para morrer.
nesta terra
alguns de nós trepam mais do que
nós morremos
mas a maioria de nós morre
melhor do que
trepamos,
e morremos
bocado a bocado também –
em parques
tomando sorvete, ou
nos iglus
da demência,
ou em esteiras de palha
ou sobre amores
desembarcados
ou
ou.
:camas, camas, camas
:banheiros, banheiros, banheiros
o sistema de esgoto humano
é a maior invenção do
mundo.
e você me inventou
e eu inventei você
e é por isso que nós não
damos
mais certo
nesta cama.
você era a maior invenção
do mundo
até que resolveu
me mandar descarga
abaixo.
agora é a sua vez
de esperar que alguém aperte
o botão.
alguém fará isso
com você,
puta,
e se eles não fizerem
você fará –
misturada ao seu próprio
adeus
verde ou amarelo ou branco
ou azul
ou lavanda.”
***
é o mesmo que antes
ou que da outra vez
ou da vez anterior à essa.
eis um pau
e eis uma boceta
e eis um problema.
a cada vez
você pensa
bem eu aprendi desta vez:
vou dizer a ela que faça isso
e eu farei isto,
já não quero a coisa toda,
só um pouco de conforto
e um pouco de sexo
e apenas um mínimo de
amor.
agora novamente espero
e os anos vão escasseando.
tenho meu rádio
e as paredes da cozinha
são amarelas.
sigo esvaziando as garrafas
à espera
dos passos.
espero que a morte reserve
menos do que isto.
27/06/2009 - 18:19h Anos-luz de solidão
Amauri Baldine
Os pequenos lumes que daqui vejo
São grandes luzeiros na amplidão escura.
Inertes, rebrilham açoitando as trevas;
Fulguram singelas centelhas de ternura.
Os cintilantes lumes que daqui vejo
Impõem seu brilho na imensa escuridão.
Despontam imponentes; hostes no firmamento,
Mesmo havendo entre eles anos-luz de solidão.
Os distantes lumes que daqui vejo
Compõem poemas de suave reflexão.
Segredam em silêncio a quem sabe lê-los,
Que há fagulhas no recôndito do coração.
Os lumes que daqui vejo,
A anos-luz de solidão.
E-Mail: baldine8@yahoo.com.br
Amauri Baldine (1974) é professor de Língua Portuguesa e atua na rede pública do Estado de São Paulo, na cidade de Piracicaba (SP), cidade onde nasceu. Fonte Releituras.
02/03/2009 - 18:18h Poema esquisito ou requintado? surrealismo criativo
Poème exquis numéro 61
Poésie libre et exquise inspirée des cadavres exquis des poètes surréalistes. Le clip est créé à la suite des exercices poétiques des Mordus, membres courtois du forum des cruciverbistes. Le montage des mots et des images est toujours effectué sans filet…
Les Mordus
LP3
Solochat
Denisem
Vieuxmordu
Brutus
Muso
GML
Costumes et décors
Edward Robert Hugues
Ford Madox Brown
Casper Davis Friedrich
Musique
Gotan project
La revancha del tango
Madeleine Peyroux
Dance me to the end of love
Documents cinéma
Gotan project
La revancha del tango
Sally Potter
La leçon de tango
Charlie Chaplin
La ruée vers l’or
Réalisation
Mô
23/02/2009 - 15:50h Todos os talentos de Jacques Prévert
A exposição Paris la Belle, na França, e o lançamento em DVD, no Brasil, de Trágico Amanhecer resgatam um artista de gênio


Luiz Carlos Merten – O Estado SP
Cidade-luz, Paris é a Meca e a Medina dos cinéfilos, que nela encontram, permanentemente, ciclos de filmes e autores que não podem ser rastreados com tanta facilidade em nenhum outro lugar do mundo. Mas Paris não é só uma festa de cinema. Se você quer saber o que ocorre no mundo do design e das artes visuais deve seguir de olho na capital francesa. O Centro Charles Pompidou, o Beaubourg, dedica uma grande mostra – até março – ao arquiteto e designer Ron Arad. Só para ver os móveis que ele cria – verdadeiras obras de arte, mas fica a dúvida se são também confortáveis – já valeria a pena ir à França, mas Paris, encerrada a grande retrospectiva Picasso et les Maitres, no Grand Palais, agora sedia, até dia 28, no Hôtel de Ville, a mais completa exposição sobre Jacques Prévert feita na França.
Paris la Belle. O título vem de um curta que Jacques realizou em parceria com o irmão Pierrre, em 1928, Paris Express, e que foi rebatizado como Paris la Belle, ao ser resgatado, em 1960. Houve outras grandes exposições sobre o artista, antes, mas elas privilegiavam partes de sua obra – as colagens, as fotografias. N.T. Binh, crítico e historiador – autor de uma acurada análise da obra de Joseph L. Mankiewicz na coleção Cahiers du Cinéma – e Eugénie Bachelot-Prévert, neta de Jacques, coassinam a curadoria do evento que revela a multiplicidade dos talentos do grande artista. Se há um artista multimídia, é ele. Homem de teatro, cinema, poeta, autor infantil, pintor, compositor, deixou uma notável contribuição em cada uma dessas mídias. Eugénie sonhava com essa exposição há dois anos, quando se completaram 30 anos da morte de seu avô, em 1977. A falta de patrocínio, na época, inviabilizou o projeto, mas ela teve a sorte de encontrar N.T. Binh, que organizara em 2006, no Hôtel de Ville – a Prefeitura de Paris -, o evento Paris no Cinema e tinha cacife para propor outra grande mostra. Binh propôs Prévert. Por quê? No catálogo da exposição, ele explica singelamente – “Porque Prévert foi sempre um artista identificado com os parisienses…”
O próprio prefeito de Paris, Betrand Deanoë, escreve, na abertura do catálogo, que, durante toda a sua vida, Jacques Prévert estabeleceu (e manteve…) uma excepcional cumplicidade com a capital francesa. Conhecedor das passagens mais secretas dos Grands Boulevards, amigo dos operários, dos pintores de Montmartre e dos escritores de Saint-Germain-des-Près, Prévert cravou a essência de sua poesia no coração de Paris e de seus habitantes. A questão é que não existe um Prévert, mas vários, compondo o itinerário de um artista que foi engajado – e libertário – como poucos. N. T. Binh sustenta que, durante toda a sua vida, Prévert não fez outra coisa senão tentar reencontrar a Paris de sua infância. A exposição estabelece etapas do percurso – a infância, próxima dos Jardins de Luxemburgo; a juventude, quando ele se liga aos surrealistas, integrando a república ‘boullionnante’ da Rua Chateu (Castelo).
Após o rompimento com os surrealistas, Prévert produz para o teatro, escrevendo textos engajados para o grupo Outubro. Os anos 30 foram de muita agitação social na França. Prévert, que visitou a Rússia em 1933, voltou militante de causas radicais. Os operários da Citröen preparavam uma greve para hoje à tarde e lhe pediam um texto – ele o produzia num piscar de olhos. O Prévert dramaturgo vira roteirista de cinema, associando-se a Marcel Carné numa memorável série de filmes que instala a tendência do chamado ‘realismo poético’. O maior desses filmes, O Boulevard do Crime (Les Enfants du Paradis, de 1945) foi considerado numa pesquisa, há cerca de dez anos, como a obra-prima de toda a história do cinema francês, mas a parceria Carné-Prévert inclui outros filmes, como Trágico Amanhecer (Le Jour Se Lève, de 1939), com a dupla clássica Jean Gabin/Arlétty, que acaba de sair em DVD.
Como as coisas ocorrem por ciclos na obra de Prévert, em 1946, ele começa a se afastar do cinema, orientando-se para a poesia (com Paroles) e a canção. É muito interessante assistir aos trechos de filmes e aos clipes que mapeiam o Prévert roteirista e letrista. Ele produziu letras para Edith Piaf, Yves Montand, Juliette Gréco e Nat King Cole. Os três últimos apresentam suas diferentes versões de Feuilles Mortes. Para o espectador brasileiro, é um choque ver a musa do existencialismo cantar Folhas Mortas. Juliette Gréco foi o modelo de Maysa. Existem ainda o Prévert autor infantil, o pintor das colagens e o retratista. Amigo de Juan Miró, Pablo Picasso e Alexander Calder, Jacques brincava com Picasso e dizia que ele era um grande cineasta, embora não soubesse filmar. Picasso retrucava que ele era um grande pintor, mesmo sem saber pintar (nem desenhar). Suas colagens são de uma riqueza – e uma criatividade e um humor – extraordinários. O legado da exposição é que Prévert não se fixou em rótulos nem dogmas. Foi libertário de si mesmo. Criou-se, por isso, um verbo. O diretor Jean-Pierre Jeunet conta que, enquanto escrevia O Fabuloso Destino de Amélie Poulain, ao dar-se conta de que algumas coisas simplesmente não iriam funcionar, ele pedia à sua roteirista, Guillaume Laurant – “Aqui, nós precisamos prévertizar.”
Juliette Greco
Yves Montand – Les feuilles mortes
18/02/2009 - 15:30h ausente
A poesia dorme.
Nem pesadelo nem doce sonho.
Bateu um vento
bem no meio de um porquê.
Petrifiquei bem aí.
Não teve um fator paralisante.
Só um não ter para onde ir.
Ninguém me acalma
ou preocupa nesse instante.
Nem é o nada quem me abraça,
ele não faria tanto por mim.
É só um não sentir.
Guardei tudo o que não consigo lidar em caixas e estoquei.
Estou bem no meio de um grande armazém.
O motivo pediu conta e foi surfar no Havaí.
Ingredientes, lenha e fogão
está tudo aqui.
Só não há fome.
15/02/2009 - 18:54h O beijo
O beijo, escultura de Auguste Rodin
Da metamorfose do rochedo
Monstro de terra e de mar
Áspero, sólido, horrendo
Liberta-se aos poucos
Uma forma de arte… e de amar
Os músculos apenas se descobrem
Na denúncia da pulsação esquecida
Das mil energias que percorrem
A pedra viva.
Na lisura da pedra suada murmuram discretas veias
De dois corpos em concha
Onde o tempo construiu suas imortais teias
De brilho e de cotão
Pelo torso tímido ela se enleia como Hera
Que o quer seu
E o seu gesto de jovem primavera
Guarda em si o fogo da paixão
Na brisa subtil desta ternura
Esquecida de si mesma ela se dá
E da rocha de uma teimosia dura
Os pés voam e ganham o ar.
O seu seio erguido se alonga no abraço
E roça dele o peito pujante e vigoroso
E este toque sentido
Desperta um desejo ardente e ansioso.
O amante, mais contido no seu movimento
Pousa a sua mão grande e viril
Na carne rija e sem tempo
Da sua ninfa de cinzel e vento.
E na coxa que a luz revela… firmeza
E a sombra arredonda,
Há a secreta beleza
De um segredo profundo… no escuro.
Os olhos fechados no pudor do sentimento
O tremor quente dos lábios nas órbitas nocturnas.
A urgência do desfloramento
Na avidez das ternas garras, tenra luz.
Numa penumbra sem rostos
Dois corpos, um só ensejo
Um homem, um mulher
Um só gesto, um eterno beijo.
Ana Tarouca, 2001.
04/02/2009 - 19:13h 3 poemas
à francesa
1
nada sei
a não ser
do seio
do nada
: nódoa
que detona
tecidos
: nódulo
no dedo [médio]
do tédio
nada
nas mamas
calejadas
da poesia
ainda encontro a cura
seja na bula
na bíblia
na cabala
uma fuga
na bala
na agulha
2
nada sou/
serei
a não ser
um sopro de
savoir-faire
: adega
— demi-sec —
do saber
: adaga
— cega —
da sabedoria
nada
na língua
flácida
da poesia
ainda acho abrigo
seja nos livros
nos discos
nos vídeos
alguma verdade
na vaidade
no vício
3
nada sei
além do que
não paira
mínima
dúvida
: tudo enfim
finda
em nada
ainda resta uma saída
ego
eis-me aqui
diante do espelho:
um nonsense
face
&
disfarce
eis-me aqui
um contra-senso
reflexo
&
avesso
eis-me aqui
ante meus versos:
uma antítese
imagem
&
miragem
a bem da verdade
reconheço o que viso:
um oásis de vaidade
pregando no deserto
eis-me aqui:
narciso
&
eco
metástase
este êxtase
que me tira
a sanidade
é razoável
mentira
p o e s i a
:
meias-verdades
fraudes quase
com ênfase
nas frases
(pseudo)feitas
febre
que quando não ferve
fibrila
fabrica
o que nem sempre fui
forja o que não foi
sequer idéia





