17/11/2009 - 15:40h Comerciante é assassinado após reclamar de multa em subprefeitura de SP

A Máfia dos Fiscais voltou na “gestão” Kassab?  LF

Plantão | Publicada em 17/11/2009 às 08h57m

Jornal da Globo e SPTV

SÃO PAULO – A polícia procura um fiscal da prefeitura que pode esclarecer o assassinato do comerciante Obdulio Gomes dos Reis, em Pirituba, na região Noroeste da cidade de São Paulo. Na manhã de segunda-feira, ele foi à subprefeitura da Casa Verde e Cachoeirinha reclamar de uma multa de R$ 21 mil a uma obra na casa dele. Segundo um funcionário da subprefeitura, a vítima estava furiosa, porque teria pago propina para liberar a obra.(…)

10/11/2009 - 11:37h O crime de ser mulher

ELIANE CANTANHÊDE – FOLHA SP

BRASÍLIA – Noutro dia, uma mulher de mais de 60 anos foi amordaçada, torturada e violentada por um criminoso que entrou na sua casa, em Brasília, fazendo-se passar por bombeiro eletricista.
É dramático, mas comum. Pior foi a entrevista da delegada (delegadaaa!) a uma rádio, em que ela nem sequer fez referência ao crime e ao criminoso, centrando suas suspeitas (ou seriam certezas?) sobre a própria vítima: se nunca tinha visto o homem, como entabulou conversa com ele? Se morava sozinha, como deixou o estranho entrar? E sentenciou: “Há muita coisa estranha nessa história”.
Nada disse sobre o estupro, a violência, a covardia, as escoriações, as muitas horas que a mulher havia ficado ferida, amarrada e amordaçada. No inconsciente da delegada, a vítima era a ré. Afinal, uma mulher madura, sozinha, sabe-se lá!
É o que ocorre na Uniban, quando vândalos recalcados promovem uma rebelião, perseguem, ameaçam e humilham uma colega indefesa, porque… Por que mesmo? Ah, sim! Era insinuante. E ela é que acaba expulsa pelo conselho universitário, até o reitor agir. A vítima virou ré. Afinal, uma mulher jovem, bonita, de saia curta…
São dois casos bastante simbólicos. No de Brasília, não foi um policial bruto e machista que inverteu as condições de vítima e réu: foi uma delegada mulher. No da Uniban, quem embolou os personagens foi o conselho de uma entidade acadêmica, que foi criada e é regiamente paga para cuidar da educação (e da segurança) dos filhos alheios.
Se a delegada e a cúpula da escola são os primeiros e mais insensíveis algozes, para onde correr? A quem recorrer? O “mal” e o “bem” se embaralham cruelmente, e a vítima passa a ser cada vez mais vítima -na condição de ré.
PS – Por falar nisso, no Estado de Maluf e na capital de Pitta, quem é condenada e paga a conta é Luiza Erundina. É de rir ou de chorar?

elianec@uol.com.br

31/10/2009 - 11:27h Serra não comenta: Violência continua a crescer em São Paulo. Os sequestros, por exemplo, subiram 136%; Secretaria da Segurança Pública da gestão José Serra (PSDB) não se manifestou sobre os índices

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A comparação entre o 3º trimestre de 2008 com o deste ano aponta aumento nos crimes contra a vida e o patrimônio


ANDRÉ CARAMANTE – FOLHA SP

DA REPORTAGEM LOCAL

Pelo terceiro trimestre seguido neste ano, a violência continuou a crescer no Estado de São Paulo. Dados divulgados na noite de ontem pela Secretaria da Segurança Pública da gestão José Serra (PSDB) apontam o aumento em praticamente todos os tipos de crime.
A comparação do 3º trimestre de 2008 com o mesmo período deste ano revela que subiram os crimes de sequestro, homicídio doloso (intencional), estupro, roubo, furto, roubo e furto de veículos e também o roubo de cargas e de bancos.
Em todo o Estado, foram assassinadas 1.119 pessoas nos meses de julho a setembro deste ano -um aumento de 3% em relação a 2008. Na cidade de São Paulo, porém, houve queda de 8,2% -de 317 para 291, mais de três assassinatos por dia.
A variação mais alta foi contabilizada nos crimes de sequestro: 136% -11 casos em 2008 e 26 agora. O total de pessoas mortas em latrocínios (roubo seguido de morte) subiu 14% -74 para 82 vítimas.
Principal bandeira do atual secretário da Segurança Pública, Antonio Ferreira Pinto, que assumiu a pasta em março com a promessa de combater os crimes contra o patrimônio, roubos e furtos tiveram alta de 18% e 6%, respectivamente.
Em maio, quando os números referentes ao 1º trimestre do ano já apontavam para o aumento da criminalidade no Estado, o governo atribuiu o problema à crise econômica.
Com 64.399 roubos registrados, o 3º trimestre deste ano entrou para a história como o período em que mais crimes desse tipo ocorreram em todo o Estado. A marca negativa anterior (63.729) havia sido registrada no 2º trimestre deste ano. Na comparação com o 3º trimestre do ano passado, os roubos aumentaram 18% agora.
O total de roubos (64.399) não inclui os casos de roubo de veículos, a bancos e de cargas.
O furto, delito que historicamente sempre foi o mais registrado nas estatísticas da criminalidade, subiu 6%.
No caso de crimes de estupro, houve aumento de 52% (de 863 para 1.311), mas a variação, segundo nota oficial da Segurança Pública, ocorreu por causa da mudança na lei, que passou a considerar estupro também casos de “atos libidinosos” e “atentados violentos ao pudor”.

Ninguém fala
Logo após a divulgação dos dados da violência na noite de ontem, na página da pasta, o porta-voz da Secretaria da Segurança Pública, Enio Lucciola Lopes Gonçalves, disse à Folha que ninguém do órgão iria se manifestar sobre os dados “por causa do horário”.
Segundo Gonçalves, parte das explicações foi dada em uma “nota explicativa” no site www.ssp.sp.gov.br/estatisticas. Mas, na própria nota, há divergências. Pelo texto, foram 62.308 roubos no Estado. No quadro abaixo da informação, porém, o total que aparece é de 64.399.

16/10/2009 - 11:25h Governo Serra: Nº de latrocínios já supera o de 2008

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Josmar Jozino, JORNAL DA TARDE – O Estado SP

Os casos de latrocínios (roubos seguidos de morte) registrados de janeiro a setembro deste ano superaram os de todo o ano passado na capital paulista – 73 neste ano, ante 69 em 2008. Na comparação entre os três primeiros trimestres de 2009 com igual período do ano passado (51 ocorrências), o crescimento foi de 43%. O número, porém, pode aumentar, pois pelo menos dois boletins de ocorrência foram elaborados como roubo consumado e homicídio doloso.

A reportagem apurou que a Polícia Civil registrou 21 latrocínios na capital de julho a setembro deste ano. Os dados são do Infocrim, uma importante ferramenta desenvolvida pela Secretaria da Segurança Pública (SSP) para mapear e combater a criminalidade no Estado. No primeiro trimestre de 2009, houve 27 casos e no segundo trimestre, 25. As estatísticas oficiais devem ser divulgadas somente no dia 20.

Segundo o sociólogo Ignácio Cano, professor e coordenador de pesquisas da Universidade Estadual do Rio de Janeiro (Uerj), o latrocínio é um assalto que deu errado e um crime difícil de ser combatido. Segundo ele, para diminuir os casos é necessário combater com sucesso os roubos. “Se houver uma política de prevenção aos assaltos, com mapeamento, investigação e policiamento ostensivo, haverá, automaticamente, redução nos roubos seguidos de morte. A maioria desses crimes é cometida com arma de fogo.” No entanto, o pesquisador destaca que o aumento de casos, em números absolutos, é pequeno, o que dificulta uma análise mais detalhada.

Os números obtidos pela reportagem mostram que a maioria dos latrocínios registrados no terceiro trimestre de 2009 na capital ocorreu na zona leste. Foram nove casos no Belém, Penha, Vila Matilde, Carrão, São Mateus (dois), Parque São Jorge, Vila Formosa e Cidade A.E. Carvalho.

Uma das vítimas na zona leste foi o aposentado Evaldo Sebastião Lago Branco, de 58 anos. Ele foi morto a tiros por três ladrões na porta de casa, na Rua Rodovalho Júnior, Penha, na madrugada de 28 de setembro. Os assaltantes queriam o Peugeot 206 dele. O aposentado não reagiu e entregou o carro, mas ainda assim foi baleado.

Procurada, a Polícia Militar informou, por meio do capitão Emerson Massera, da Assessoria de Imprensa da corporação, que a maior parte das vítimas de latrocínio é atacada em veículos. “A prevenção desse tipo de crime realmente é difícil. O assaltante, geralmente, é um pequeno criminoso, desastrado e despreparado. Não tem equilíbrio emocional e quase sempre está mais nervoso do que a vítima”, acrescentou.

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Crime pode ter subnotificação na capital

Quando vítima não morre no local do ataque, registro acaba sendo feito como roubo ou homicídio

JOSMAR JOZINO – O Estado SP

Pelo menos duas ocorrências em que as vítimas morreram durante assalto se encontram registradas de forma diferenciada pela polícia. Isso significa que os casos de latrocínio somados na capital no terceiro trimestre deste ano podem passar dos 21 e superar os registrados pela polícia em igual período do ano anterior.

Em 19 de julho, o estudante Fred Chua, de 28 anos, conversava com a namorada no carro dela, um Toyota Corolla, na Aclimação, região central de São Paulo. Um assaltante se aproximou, mandou o casal descer e exigiu a chave do veículo. Estudante do último ano de Engenharia de Minas e Petróleo na Poli-USP, Chua foi baleado ao descer. O ladrão levou a carteira da vítima. O boletim de ocorrência 4.805/09 do 5º Distrito Policial (Aclimação) foi registrado como roubo consumado. O BO 4.807 comunicou o óbito e o terceiro, 4.811, foi confirmado como roubo consumado – e não como latrocínio, o que ocorreu.

Já o BO 3.583/09, da morte do executivo Fernando Ferro Antunes de Siqueira, de 38 anos, assassinado em assalto no Morumbi, zona sul, em 7 de julho, foi registrado no 34º DP como roubo tentado. O BO 3.588 informava o óbito da vítima e o BO 3.592 acabou elaborado como homicídio doloso. Nos dois casos, apesar dos vários BOs, não ocorreu a identificação correta. A reportagem procurou a Secretaria da Segurança para falar sobre os problemas de notificação e os números de latrocínios, mas a pasta preferiu não se manifestar e disse que vai esperar a divulgação dos dados no dia 20.


PARA EVITAR CRIMES

Não reaja: A principal orientação da polícia é nunca reagir

Ao volante, fique atento: A maioria dos latrocínios acontece quando a vítima está em um carro

Abordado, evite ações bruscas: A vítima deve avisar o ladrão sobre o que vai fazer (tirar o cinto de segurança ou pegar a carteira)

Deixe o carro preparado: O veículo deve estar sempre engatado e o motorista, preparado para deixar logo o local, se pressentir o assalto. As portas devem ficar travadas e as janelas, fechadas

Não deixe bens à vista: Evite pôr bolsas, carteiras, celular e outros objetos nos bancos, em locais visíveis para os ladrões

Não se distraia, não use celular: Ao parar, evite se distrair falando ao celular ou retocando a maquiagem. Fique atento ao que está em volta

07/10/2009 - 16:19h Estelionatários aplicam golpe da casa popular na Zona Leste de SP

Má fé

Plínio Delphino, Diário de S.Paulo (6/10/2009)

SÃO PAULO – Três associações de bairro são suspeitas de aplicar o golpe da casa própria na Zona Leste de São Paulo. A polícia acredita que o número de vítimas, todas de baixa renda, pode chegar a 3 mil. Três mulheres foram detidas e indiciadas por estelionato e formação de quadrilha. O esquema consistia em divulgar a venda facilitada de casas populares. O interessado deveria pagar uma taxa inicial de R$ 300 para garantir a aquisição de seu lote. Depois, pagaria R$ 25 por mês. Os recibos que lhe eram dados, porém, eram de mensalidades de associado, não boletos de cobrança de aquisição de imóvel. As acusadas negam o golpe e dizem que o esquema foi feito por uma quarta mulher.

Policiais do 42 Distrito Policial (Parque São Lucas) receberam a reclamação de uma vítima, que desconfiou do esquema. A polícia pesquisou e descobriu que a licença da Associção Social Pró Moradia, Direito e Igualdade; a União das Associações de Mulheres e Consciência Feminina, e a Associação Social Lírios do Vale tinham milhares de associados interessados nos imóveis.

- O lote que a vítima estava comprando era de um terreno particular, na Avenida Jacu Pêssego, que não estava à venda – contou o delegado Marco Antônio Bernardino.

Com autorização judicial, a polícia fez busca em um escritório na Avenida Sapopemba, 11.707, na sobreloja. Deteve Aparecida Pereira, de 46 anos, Marizete Evangelista dos Santos, de 53, e Cleonice Rosa dos Santos, de 39. Lá, o caixa Fabiano Bispo dos Santos pagava taxa de adesão com os R$ 50 que havia separado para o presente de Dia das Crianças do filho. Conseguiu recuperar o dinheiro.

05/10/2009 - 14:24h Roubos crescem em bairros vizinhos da cracolândia

VER TAMBÉM

Insegurança pública: “Gestão” Kassab desmonta GCM e moradores temem os assaltos

Cracolândia para “inglês ver”

Cracolândia: Trabalho de longo prazo e persistente ou pirotecnia?

Em Santa Cecília, alta foi de 342% se comparados trimestres de julho a setembro de 2008 e 2009; em Higienópolis foi de 25%

Para moradores, ações desenvolvidas pela polícia na cracolândia levaram usuários de drogas a migrar para áreas próximas

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AFONSO BENITES DA REPORTAGEM LOCAL E TAI NALON – COLABORAÇÃO PARA A FOLHA

Três homens armados entram em uma casa lotérica do bairro Santa Cecília, na região central de São Paulo. Após alguns minutos tentando convencer as funcionárias, protegidas por um vidro à prova de balas, a darem o dinheiro do caixa, eles mudam de tática. Usam um cliente como refém e apontam a arma para sua cabeça.
A cena aconteceu em 30 de setembro, na rua das Palmeiras. Foi um dos 31 roubos registrados nos últimos três meses no bairro, segundo a polícia.
Vizinhos da cracolândia, os bairros de Santa Cecília e Higienópolis tiveram um aumento em dois índices de criminalidade (furtos de veículos e roubos) e queda em um (furto), entre os meses de julho e setembro deste ano, na comparação com o mesmo período de 2008.
No trimestre, foram 342% mais roubos que no mesmo período de 2008 em Santa Cecília (de 7 para 31) e 25% mais em Higienópolis (de 8 para 10).
Os dados são do Infocrim, sistema usado pelas polícias para mapear crimes.
As mudanças nesses índices de violência coincidem com o período da ação Centro Legal, com a qual a polícia e a prefeitura tentam reduzir os índices de violência na região conhecida como cracolândia, na Luz.
Nesse trabalho, iniciado em julho, 65 pessoas foram presas e ao menos cem foram atendidas por órgãos assistenciais.
Até agora, apenas o índice de roubos apresentou uma redução significativa na cracolândia -caiu 35% (de 142 para 92).
Segundo a Secretaria Municipal da Saúde, do início da operação até 29 de setembro, foram realizadas 16.007 abordagens a usuários de drogas -1.070 foram encaminhados para unidades de saúde e 94 precisaram de internação.

Novo endereço
Em uma reunião do Conseg (Conselho Comunitário de Segurança) da região, na última quarta, era consenso entre os moradores que a criminalidade e o aumento do número de mendigos em Santa Cecília e Higienópolis foram fruto da ação na cracolândia.
“Está muito claro que a cracolândia saiu de um lugar e se mudou para outro”, afirmou um morador que não quis se identificar.
Segundo Fuad Sallum, presidente do Conseg, com a migração, os pontos mais perigosos do centro passaram a ser o largo do Arouche, a rua das Palmeiras, a praça Marechal Deodoro, a avenida Angélica e o entorno da faculdade Mackenzie e do shopping Higienópolis.
Na reunião, o capitão Mário Sérgio Delfini disse que a PM tem notado um aumento de moradores de rua nos bairros vizinhos da cracolândia, mas não de usuários de drogas.
Para o comandante da Polícia Militar na região central, coronel Marcos Roberto Chaves, a migração dos moradores de rua e viciados já era esperada. No entanto, segundo ele, ainda não é possível atribuir o aumento da criminalidade às mudanças.
“Estamos avaliando se há alguma relação com a migração. Se tiver, vamos atuar”, disse.


Comerciantes reclamam da falta de segurança

Ao menos oito estabelecimentos comerciais da rua Barão de Tatuí, famosa pelos bares, restaurantes e lanchonetes na Santa Cecília, foram assaltados em setembro. Com isso, comerciantes já pensam em se mudar.
Um deles é o francês Jean Raquin, que tem há quatro anos a casa de vinhos Le Tire-Bouchon. “Investi e estou me arrependendo. Não temos segurança.”
Vizinho de Raquin, o comerciante Mário Melilli, que mora há 52 anos na rua, diz que nos últimos dois meses tem aumentado significativamente o número de mendigos na região. “Nunca vi tanto como agora.”
Dono de um bar na rua das Palmeiras, Antônio Pires diz que também invadiram a região viciados em drogas que vieram da cracolândia.
Priscila Andréia, vendedora no shopping Higienópolis, mudou de turno por medo de sair do trabalho à noite. Ela foi assaltada há um mês perto da estação Marechal Deodoro do metrô, quando um homem levou seu celular.

29/08/2009 - 12:56h “Os Jardins estão sob ataque”

Ladrões invadem e roubam casa de secretário de Serra

http://2.bp.blogspot.com/_Nj7k-NFjuzA/SCS1iD5nPpI/AAAAAAAAA4g/3BzRXzhzQHA/s320/serra_afif.jpgCriminosos levaram joias e dinheiro da residência de Guilherme Afif no Jardim Paulistano

Secretário estava na casa com a mulher, um dos filhos e duas funcionárias; ocorrência mobilizou a cúpula da polícia paulista

MÔNICA BERGAMO

COLUNISTA DA FOLHA

A casa do empresário Guilherme Afif Domingos (DEM-SP), secretário de Estado do Emprego e Relações do Trabalho do governo José Serra (PSDB), foi invadida por seis ladrões na manhã de ontem, numa ocorrência que mobilizou a cúpula da polícia paulista.
De acordo com Afif, o grupo chegou a sua casa, no Jardim Paulistano, afirmando ter uma “encomenda” para o “senhor Afif”. Uma das empregadas tentou pegar o pacote. Mas, como ele era pesado, abriu o portão. A casa foi então invadida.
Armados, os assaltantes recolheram relógio, joias “do dia a dia usadas por minha mulher” e dinheiro vivo, “aquela reserva que a gente já guarda em casa para o ladrão”, diz o secretário. Afif afirma que na casa estavam também sua mulher, duas funcionárias e um dos filhos, que chegou a sofrer ameaças.
Os ladrões ficaram na residência por 20 minutos e sabiam detalhes da vida do secretário. “Além de me chamarem pelo nome, eles disseram que, se eu não indicasse em que lugar guardava o cofre, iriam para a casa em que mora a minha outra filha. Eles sabiam o endereço dela e fizeram a ameaça.”
O grupo fugiu.
Pelo menos outras duas residências próximas à de Afif -uma delas, em sua própria rua- foram assaltadas na última semana. Numa delas, os ladrões se apresentaram como funcionários da Sky. Como o dono, um publicitário, tinha de fato chamado a empresa para um conserto, abriu a porta.
O próprio Afif, um dia antes do assalto, solicitou os serviços da NET, outra empresa de TV por assinatura, mas teve medo quando os funcionários chegaram a sua residência. Antes de permitir a entrada deles, confirmou com a empresa se eram de fato os empregados enviados por ela para o conserto.
“É preciso cuidado. O bairro tem tido uma rotina de assaltos. E eles estão ocorrendo não apenas em casas mas em apartamentos da região. Parece que é uma onda, que [os assaltantes] migraram de outro setor para os Jardins”, disse Afif.
“Os Jardins estão sob ataque”, diz o empresário Marcos Arbaitman, vice-presidente da Ame Jardins, entidade que reúne moradores da região. Ele reverbera o sentimento de outros vizinhos. “O governo acha que aqui só moram ricos que podem pagar segurança particular e retirou a polícia do bairro”, diz outro dirigente da Ame.
A criminalidade vem crescendo no Estado nos últimos meses. No segundo trimestre de 2009, o número de roubos aumentou 18% em relação ao mesmo período de 2008, segundo dados da Secretaria da Segurança Pública.
Na semana passada, os moradores se reuniram com o secretário Antonio Ferreira Pinto e pediram o reforço no policiamento, a instalação de câmeras e a volta de uma base móvel da PM para o bairro. O prefeito Gilberto Kassab (DEM-SP), morador da região, estava presente e deu sugestões.

28/08/2009 - 10:48h Editorial do JT denuncia a ação “desastrada” de Kassab com a GCM

Clique na imagem do editorial do  JT para ampliar

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28/08/2009 - 10:21h Justiça considera legal greve da GCM

Mas Kassab disse que não negocia e que vai punir grevistas

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DANIEL GONZALES, Jornal da Tarde

daniel.gonzales@grupoestado.com.br

Em greve desde terça-feira, os guardas-civis metropolitanos da capital obtiveram ontem decisão favorável na Justiça. Em julgamento sobre a legalidade da paralisação, o Tribunal de Justiça determinou que o movimento pode continuar. Porém, determinou que metade do efetivo volte às ruas hoje.

Até ontem, 30% dos guardas mantinham as operações básicas da GCM, como a segurança do patrimônio público. O Sindguarda, sindicato dos GCMs, afirma ter 100% da corporação na greve e se comprometeu ontem a cumprir a determinação.

A Secretaria Municipal de Segurança Urbana minimizou a decisão. Segundo a assessoria de imprensa da pasta, “não houve julgamento e o juiz apenas proferiu uma sentença que obriga metade da Guarda a trabalhar”.

Desde o início do movimento grevista, há duas semanas, quando encaminhou à Câmara projeto de lei para conceder bonificação a policiais militares, o prefeito Gilberto Kassab (DEM) não dialogou com os guardas. A proposta foi aprovada anteontem pelos vereadores por unanimidade. “Não existe diálogo, enquanto houver greve”, afirmou o prefeito ontem, após participar de evento no Palácio dos Bandeirantes.

Os agentes pedem melhores condições de trabalho, plano de carreira, reajuste de 17% no salário-base e aumento de 140% em gratificações. E dizem que não suspendem a greve enquanto não houver negociação.

“A manifestação da GCM é um equívoco. São demandas inadequadas para o momento”, disse o prefeito, que deixou claro também que os grevistas serão punidos. “Os funcionários da GCM têm obrigação de cumprir suas responsabilidades. Vamos exigir que cumpram e aplicar as sanções previstas em lei.”

Ao contrário, os agentes prometem engrossar o coro dos grevistas e fazer um panelaço na frente da Prefeitura hoje, a partir das 7 horas. “Faremos um panelaço e levaremos filhos, esposas, parentes e amigos, que apoiam o movimento”, prometeu Eudes Wesley Melo, secretário do Sindguarda. Na terça-feira, o Tribunal Regional do Trabalho (TRT) promove audiência de conciliação.

As atividades da GCM no fim de semana, com a greve, ficarão comprometidas, mas nenhuma secretaria montou esquema especial para suprir a falta de patrulhamento. As Secretarias do Verde e da Educação informaram que a vigilância particular vai suprir a segurança em parques e CEUs.

28/08/2009 - 09:43h GCM da capital tem o 4º pior salário

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Léo Arcoverde do Agora

A GCM (Guarda Civil Metropolitana) da capital é a que paga o quarto pior salário base inicial dentre as 29 cidades da Grande SP que têm corporação que atua na área da segurança pública. A região metropolitana tem, ao todo, 38 cidades.

Segundo levantamento feito pelo Agora nas prefeituras, os R$ 534 pagos por mês de salário base aos guardas-civis da terceira classe da capital superam apenas os de Ribeirão Pires, no ABC, que pagam R$ 505, de Pirapora do Bom Jesus (R$ 500) e de São Caetano do Sul, que tem salário base de R$ 216, embora nenhum guarda da cidade receba –somando os benefícios– menos que R$ 1.250.

Os salários de algumas guardas da Grande SP servem de argumento para a paralisação da GCM da capital, que continua hoje. A corporação está em greve por melhores salários desde terça-feira.

Em Mauá, cidade do ABC com pouco mais de 400 mil habitantes, o salário base inicial dos guardas-civis é de R$ 1.632,09 –mais que o triplo do pago na capital. Com os benefícios, os policiais de Mauá chegam a receber R$ 2.500 –cerca de R$ 1.200 a mais que o salário bruto dos guardas da terceira classe paulistanos.

A Secretaria da Segurança informou que só o secretário Edsom Ortega pode comentar a questão dos salários. Ontem, ele estava em Brasília.

Greve
A Justiça de São Paulo recomendou ontem ao Sindguardas (sindicato dos guardas-civis de SP) que mantenha um efetivo de 50% em atividade durante a paralisação. A 12ª Vara da Fazenda Pública, não atendeu a uma solicitação da prefeitura para que 80% dos GCMs trabalhassem durante a greve. A prefeitura pediu ainda a cassação da greve –o que foi negado.

27/08/2009 - 10:42h Delegados deixam curso com PMs, e acaba integração em SP

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Secretário critica decisão e defende ampliação da formação conjunta

A integração das Polícias Civil e Militar de São Paulo acabou. Dez anos depois de sua adoção, o projeto que previa a união dos centros de comunicação, formação conjunta nas academias e delegados e capitães dividindo salas se desfez paulatinamente. O mais novo golpe contra a integração, uma alternativa à unificação das polícias criada no governo Mário Covas (PSDB), foi dado pela cúpula da Polícia Civil. Ela decidiu abandonar o curso de formação integrado de delegados e oficiais, símbolo maior da política que é parte do plano do governo.

“A integração morreu, está morta”, disse o presidente da Associação dos Delegados de São Paulo, Sérgio Roque. Trata-se, segundo ele, de um cadáver insepulto, pois ninguém no governo assume o atual fracasso do que era um dos pilares da política de segurança pública do Estado. A rivalidade entre as instituições e os conflitos sobre o futuro das carreiras policiais ajudaram a torpedeá-la.

Em junho, a cúpula da Polícia Civil fez um estudo para justificar a separação do Curso Superior de Polícia (CSP). Com duração de um ano, o curso é condição para que o policial seja promovido para o último degrau das carreiras policiais – delegado de classe especial ou coronel. Os seis primeiros meses são feitos em separado. O segundo semestre era integrado, com aulas na Academia da Polícia Civil e no Centro de Aperfeiçoamento e Estudos Superiores (Caes) da PM. Assim ocorria desde 2001, mas, neste ano, a Polícia Civil descobriu que a prática era cara e sem sentido.

Assinado pelo delegado-geral adjunto, Alberto Angerami, o relatório que condenou a integração diz que a parte conjunta do curso teria atividades de pouco interesse para os civis. Como autoridades policiais, não faria sentido aos delegados aprender em conjunto com os oficiais. O fim da integração reduziria o CSP para seis meses, o que significaria uma economia de R$ 64 mil para o Estado, o equivalente a 3,5 carros populares. Os 15 delegados que faziam o curso foram avisados sobre o fim das aulas na PM e só devem entregar a monografia no fim do ano.

DESGASTE

Delegados ouvidos pelo Estado dizem que há algumas razões para o encerramento da formação conjunta. A primeira delas é que o clima entre as corporações piorou muito depois do conflito em frente ao Palácio dos Bandeirantes durante a greve da Polícia Civil em 2008. “O clima azedou por completo”, disse Roque, um dos líderes da greve e homem próximo da atual cúpula da Polícia Civil.

O segundo motivo seria o fato de os delegados acusarem a PM de bombardear a Proposta de Emenda Constitucional 549 (PEC), que transformaria o delegado em carreira jurídica, com vencimento idêntico ao do Ministério Público – hoje o salário de delegado é vinculado ao dos oficiais. “O lobby da PM bombardeou a PEC no Congresso. Um dos argumentos que eles usaram para derrubá-la foi que faziam o curso superior de polícia com a gente”, disse um delegado que está no CSP.

A decisão de romper a integração pegou a PM de surpresa. No Caes as vagas no curso estavam à espera dos delegados. Quando ninguém apareceu em julho, o diretor de Ensino da PM, coronel Luiz Roberto Arruda, encaminhou documento ao comandante da PM, coronel Álvaro Batista Camilo, dizendo que parar a integração era repetir erros do passado, “quando se entendia que comprar viaturas era mais importante que capacitar recursos humanos da polícia”.

Camilo procurou o secretário da Segurança, Antônio Ferreira Pinto. Por escrito, o secretário disse que os argumentos da Polícia Civil eram “inconsistentes e pífios”. Ele lamentou que delegados “desprezem uma sadia integração” e disse que, em vez de ocorrer só no CSP, ela devia começar nas academias de formação dos novos delegados e oficiais. Por fim, Ferreira Pinto indicou que vai regulamentar a questão em 2010, pois não havia até agora resolução ou decreto que instituísse a obrigatoriedade do curso conjunto.

27/08/2009 - 09:55h Kassab muda cúpula da Guarda Civil Metropolitana

Gestão nega que motivo seja a greve, que continua hoje

DO “AGORA” – FOLHA SP

Sem admitir que a decisão tenha sido motivada pela greve iniciada à 0h de terça, o prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab (DEM), mexeu na cúpula da Guarda Civil Metropolitana.
Foram 12 mudanças de cargo. Entre elas está a ida do inspetor Rubens Trapiá, tido como disciplinador, da chefia da zona sul para a Inspetoria do Centro, responsável pela fiscalização do comércio na região da rua 25 de Março. Outra mudança é a substituição de Hamilton Ananias por Dalmo Luiz Coelho Álamo no cargo de superintendente da GCM.
Para Eudes Wesley Melo, secretário-geral do sindicato dos guardas-civis, as mudanças aconteceram por causa da greve. A Secretaria da Segurança Urbana nega e diz que apenas houve um remanejamento.
Ontem, a Câmara aprovou em votação definitiva o projeto de lei que cria uma gratificação para policiais que trabalhem em convênios com a prefeitura. O texto prevê concessão de adicional de 75% a 100% do salário para policiais civis e militares que participem dos convênios -atualmente, existe apenas um, entre a prefeitura e a PM, para fiscalização e controle do trânsito. O sindicato dos guardas-civis queria incluir a GCM entre os beneficiários da gratificação, o que motivou a greve.
Acordo entre lideranças na Câmara incluiu promessa de votar um pacote de valorização da GCM antes do fim de novembro, mas a categoria decidiu pela continuidade da greve.
Os guardas-civis pedem reajuste de 80% sobre o Regime Especial do Trabalho Policial. Com isso, o salário inicial subiria de R$ 855 para R$ 1.300.
Ontem, pelo segundo dia, guardas-civis ocuparam a frente da prefeitura e houve um princípio de tumulto entre a categoria e a Polícia Militar.
Para amenizar os problemas causados pela greve, o comando da CGM remanejou parte do efetivo em atividade (30%) para reforçar as regiões mais vulneráveis, incluindo a ronda escolar e a fiscalização no centro. O sindicato afirma que esses guardas não trabalharão hoje.

27/08/2009 - 09:45h GCM tem pior salário entre 10 cidades

Elvis Pereira, Jornal da Tarde

elvis.pereira@grupoestado.com.br

A GCM da capital é a que paga o menor salário inicial aos guardas-civis em comparação com oito cidades vizinhas e Campinas. O levantamento foi feito ontem pelo JT nas prefeituras. Ao ingressar na corporação, o guarda da capital recebe R$ 534,71 por mês, mais gratificação de R$ 320,82.

A baixa remuneração é o principal motivo da paralisação deflagrada pela categoria na terça-feira. Os guardas reivindicam o aumento da gratificação de 60% para 140%. Se a proposta fosse aceita, eles passariam a ganhar R$ 1.281,70. Ainda assim, teriam um dos piores salários entre os municípios consultados pela reportagem (veja ao lado).

O prefeito Gilberto Kassab (DEM) considerou ontem a paralisação ilegítima. “Volto a fazer um apelo para que eles saiam da greve. Essa não é a forma adequada para fazer negociações.” Kassab disse esperar que a Justiça declare a ilegalidade do movimento. Questionado se considera o salários justos, disse que “a Guarda vem sendo valorizada”.

O SindiGuardas diz que 70% dos agentes aderiu à greve. Com apitos e faixas, cerca de 250 GCMs fizeram protesto em frente à Prefeitura. Eles prometem novo protesto a partir das 7 horas de hoje.

A Secretaria Municipal de Segurança Urbana informou que remanejou guardas para reforçar áreas mais vulneráveis, como ronda escolar e fiscalização no centro.

26/08/2009 - 08:59h Secretário de Kassab critica movimento dos guardas no Twitter

Jornal da Tarde

A greve da Guarda Civil Metropolitana acirrou os ânimos ontem no portal de microblog Twitter, frequentado por vários vereadores, secretários e autoridades municipais.

O secretário municipal de Subprefeituras, Andrea Matarazzo, um dos mais ativos no portal, bateu pesado. Pela manhã, postou que “guarda-civil não pode fazer greve, em hipótese alguma” e que as “condições de trabalho não são ruins”.

Depois, em resposta a um internauta, escreveu que a greve “seria justa se eles (os guardas) fizessem um trabalho compatível com o que a população espera”. Já o vereador Antonio Donato (PT) apoiou a paralisação em seu Twitter. “Não é possível aprovar bônus para a PM e aumentos estratosféricos para os secretários e subprefeitos sem valorização salarial da GCM”, escreveu. Daniel Gonzales

26/08/2009 - 08:46h Intransigência de Kassab agrava greve da GCM

Almeida Rocha/Folha Imagem
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Guardas fizeram protesto ontem na porta da prefeitura

Categoria promete acampar hoje na porta da prefeitura

Léo Arcoverde do Agora

Insatisfeitos com a postura do prefeito Gilberto Kassab (DEM) diante da greve, os guardas-civis decidiram acampar a partir das 7h de hoje em frente à prefeitura. Segundo o Sindguardas (sindicato da categoria), serão oferecidas barracas para os grevistas. A estimativa é que, no mínimo, 1.700 GCMs participem do ato.

“Vamos ficar de vigília por 24 horas. Não arredaremos o pé de lá enquanto algo de concreto sobre o reajuste não for apresentado pela prefeitura”, diz o diretor do sindicato, Ronaldo Gonçalves.

Durante todo o dia de ontem, manifestantes fizeram um protesto no local, pedindo uma audiência com o secretário de Gestão, Rodrigo Garcia. “Já que o secretário da Segurança Urbana [Edsom Ortega] já mostrou que não tem competência para negociar um aumento, vamos falar com quem resolve”, disse o presidente do sindicato, Carlos Augusto Souza.

Segundo ele, a principal reivindicação da categoria é que a prefeitura aumente a Retp (regime especial do trabalho policial) de 60% para 140% do salário. “Com isso, o salário inicial de um guarda-civil de terceira classe vai subir de R$ 855 para R$ 1.281. Não é um bom salário, porém, já é um avanço”, disse.

“Quando eu me aposentar, meu salário vai ser de R$ 534. Como vou sustentar a minha família assim?”, questionou um dos grevistas, que pediu para não ser identificado temendo represálias.

Sobre a adesão à paralisação, Silva rebateu a declaração do prefeito Gilberto Kassab (DEM), que afirmou que os grevistas nem sequer correspondem a 10% do efetivo da GCM. “Cerca de 70% da categoria está parada. Se a adesão é tão pouca, para que chamar a PM para assumir nosso lugar?”, questionou. Silva também afirmou que a greve é legal. “Diferentemente dos PMs, que não podem parar, somos servidores municipais, civis e sindicalizados.”

 

 

 

Greve da GCM para ronda escolar e fiscalização

Léo Arcoverde e Flávia Martins y Miguel do Agora

O primeiro dia da greve da GCM (Guarda Civil Metropolitana) foi marcado ontem pela ausência absoluta de guardas-civis em escolas da rede municipal, parques e praças da capital, além da diminuição de cerca de dois terços do efetivo que fiscaliza a ação de camelôs na região da rua 25 de Março (região central).

Na Escola Municipal de Educação Infantil Arnaldo Arruda Pereira, na praça da República (região central), os dois guardas-civis que fazem a segurança diária não apareceram em nenhum dos dois turnos de aula. As mães dos alunos, que aguardavam a saída dos filhos, reclamaram da falta de policiamento. “É uma vergonha. Aqui é perigoso, cheio de drogas e de pessoas mal-intencionadas. Agora não podemos contar com ninguém”, disse Maria Bezerra Faria, 51 anos, mãe de um aluno.

No parque da Luz, também na região central, segundo um vigilante, nenhum guarda-civil foi trabalhar ontem. Já na região da rua 25 de Março, de acordo com um inspetor da GCM, o efetivo ficou abaixo do normal. Com isso, camelôs tomaram conta das calçadas dos dois lados da via, seguros de que não perderiam a mercadoria em uma apreensão.

Protesto
Entre as 6h e as 17h de ontem, centenas de guardas-civis ocuparam a frente da prefeitura. O Sindguardas (sindicato da categoria) estima que 1.200 manifestantes passaram pelo local ao longo do dia. Já a PM diz que em nenhum momento a aglomeração ultrapassou a marca de 400 pessoas. A prefeitura não aceitou conversar com a categoria, que reivindica aumento de salário e melhores condições de trabalho. A greve não tem data para acabar.

A faixa da direita da esquina do viaduto do Chá com a rua Líbero Badaró teve de ser interditada para que a população, impedida de usar a calçada, pudesse passar. De acordo com a SPTrans (empresa que gerencia o transporte municipal), cinco linhas de ônibus que passam pelo local tiveram o itinerário alterado por conta da manifestação.

25/08/2009 - 14:13h “Gestão” Kassab: GCM confirma primeira greve desde a sua criação

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Cristiane Bomfim – O Estado SP

A Guarda Civil Metropolitana de São Paulo (GCM) está em greve. Desde a zero hora de hoje, apenas 30% do efetivo de 6.520 guardas permanece nos postos de trabalho para cumprir a lei de paralisação. A categoria reivindica reajuste salarial desde a aprovação na Câmara de um projeto do prefeito Gilberto Kassab (DEM) que prevê gratificação de até R$ 1.800 a policiais militares que participam de atividades conveniadas com o Município. .

A decisão de cruzar os braços, tomada em assembleia na última quarta-feira, foi ratificada na noite de ontem em encontro da categoria que reuniu cerca de 700 guardas. “A gratificação dos policiais militares foi a gota d’água. Há mais de dez anos a guarda não tem aumento real”, afirmou o presidente do Sindicato dos Guardas Civis (Sindguardas), Carlos Augusto de Sousa e Silva. O salário base é de R$ 855. A GCM quer elevar para R$ 1.281,60. Esta é a primeira vez que a guarda entra em greve, desde a criação, em 1986.

Sousa e Silva disse que durante reunião, ontem, com o secretário de Segurança Urbana, Edson Ortega, ele afirmou não ter planos de aumento salarial até o fim do ano. “O secretário disse até que não é ele quem decide se pode ter aumento ou não.” Segundo a secretaria, no encontro foram apresentadas “as medidas que o governo já tomou e o andamento de outras para modernizar a GCM e valorizar seus integrantes”. A Prefeitura ressaltou que a greve não é “um instrumento que favorece o ambiente para entendimentos”.

Segundo o presidente do Sindguardas, às 19h30 o comandante da GCM, Joel Malta de Sá, teria ligado para pedir o cancelamento da greve em troca de uma reunião com o secretário de Modernização, Gestão e Desburocratização, Rodrigo Garcia. “Prefiro ser taxado de radical do que de vendido”, teria respondido Sousa e Silva.

22/08/2009 - 10:58h Sem-terra morre em ação da polícia no RS

Elton Brum da Silva foi morto com um tiro de escopeta quando Brigada Militar chegou a uma fazenda ocupada, em São Gabriel

MST afirma que os sem-terra estavam desarmados e culpa governadora pela violência dos policiais; Yeda diz que haverá investigação rigorosa

GRACILIANO ROCHA DA AGÊNCIA FOLHA, EM PORTO ALEGRE

Uma operação de despejo de sem-terra executada pela Brigada Militar do Rio Grande do Sul terminou com a morte de um trabalhador rural e pelo menos 13 pessoas feridas ontem no município de São Gabriel (321 km de Porto Alegre).
O sem-terra Elton Brum da Silva, 44, foi morto com um tiro de escopeta quando a Brigada Militar chegou à fazenda Southall, invadida desde o dia 12, para cumprir um mandado de reintegração de posse.
Cerca de 300 policiais participaram da operação de despejo de 550 integrantes do MST (Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra).
As circunstâncias da morte ainda não estão esclarecidas. O MST afirma que os sem-terra estavam desarmados e que os policiais chegaram ao acampamento atirando e lançando bombas. Segundo o movimento, não houve resistência.
“Eles cercaram o acampamento e dispararam os tiros. Um dos tiros acertou o companheiro. Eles usaram cachorros e cavalos e bateram em todo mundo”, disse a acampada Luciana da Rosa, pelo telefone.
Após ser atingido, Brum foi levado pelos policiais para a Santa Casa de São Gabriel, a 18 km do local do confronto, mas morreu no caminho.
Conforme o médico Ricardo Coirolo, estilhaços de chumbo foram encontrados no tórax e na região lombar de Brum, que foi atingido pelas costas.
A Brigada Militar afirma que os policiais foram atacados com bombas caseiras e pedradas.
“Foi tentada uma negociação. Eles [sem-terra] usaram barricadas. Usamos granadas de luz e som e munição não letal. Munição letal também é usada como último recurso, mas a circunstância [da morte] vai ser determinada pelo inquérito policial”, disse o coronel Hildebrando Sanfelice, chefe do estado-maior da Brigada.
Segundo ele, ainda não foi identificado o autor do disparo. Quinze escopetas calibre 12 usadas pelos policiais na operação serão submetidas a exames de balística. O inquérito será conduzido pela Polícia Civil de São Gabriel.

Tensão
A morte do sem-terra tornou mais agudo o clima de tensão existente entre o governo da tucana Yeda Crusius e os movimentos de sem-terra. Em nota, o MST responsabilizou ontem a governadora pela violência.
“O uso de armas de fogo no tratamento dos movimentos sociais revela que a violência é parte da política deste Estado”, diz trecho da nota.
Em viagem a Santa Maria, no centro do Estado, Yeda disse que haverá uma investigação rigorosa. “Lamento muito o acontecimento de uma morte, ela é desnecessária.” O MST marcou para hoje protestos contra a morte de Brum em São Gabriel e Canguçu, cidade onde ele será sepultado.
A fazenda Southall é palco de conflitos desde os anos 1990. No ano passado, o governo federal desapropriou 5.000 dos 13,2 mil hectares para assentar agricultores. O MST, que estava acampado na área não desapropriada, reivindica a desapropriação do restante das terras.

21/08/2009 - 08:42h Prefeito descarta aumento para guardas-civis

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DO “AGORA” – FOLHA SP

O prefeito Gilberto Kassab (DEM) afirmou ontem que “não está em discussão a questão de um aumento [para os guardas-civis metropolitanos]“. Sobre a possibilidade de a categoria cruzar os braços a partir de segunda-feira, ele disse que a legislação não permite que integrantes da Guarda Civil Metropolitana façam greve.
“Continuaremos dialogando, mas iremos aplicar, evidentemente, as sanções previstas em lei em caso de ilegalidade”, disse. Segundo ele, a prefeitura estuda uma forma de oferecer gratificações aos guardas-civis em caso de prestação de novos serviços. “Teremos um procedimento semelhante ao que temos hoje com a PM.”
A operação padrão da GCM, que pede aumento de salário e melhores condições de trabalho, tem permitido que camelôs clandestinos trabalhem sem o risco de ter a mercadoria apreendida. Na rua 25 de Março (região central) e no largo 13 de Maio, em Santo Amaro (zona sul), os guardas fizeram vistas grossas ontem para os ambulantes ilegais.
A categoria, que reúne 6.500 pessoas, pede um reajuste de 80% sobre o Regime Especial do Trabalho Policial. Com isso, o salário inicial subiria de R$ 855 para R$ 1.300.
A reportagem procurou, ontem à tarde, a Secretaria Municipal da Segurança Urbana, mas não obteve resposta.

20/08/2009 - 10:12h GCM faz protesto e anuncia greve para segunda-feira

Sindicato cobra que reajuste seja incorporado a projeto que prevê gratificação à PM; votação acaba suspensa

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Diego Zanchetta e Felipe Grandin – O Estado SP

Em queda de braço com a gestão Gilberto Kassab (DEM), por causa do projeto que cria gratificações da Prefeitura para policiais militares , o Sindicato dos Guardas Civis Metropolitanos de São Paulo (SindGuardas) anunciou ontem que vai articular junto à categoria uma paralisação de toda a GCM, a partir de segunda-feira. A decisão foi tomada após um dia de manifestações na frente da Câmara Municipal, com a participação de mais de 300 pessoas.

Os protestos foram motivados pelo projeto de lei do Executivo que prevê gratificações de até R$ 1.800 para PMs que participam de operações em convênio com o Município. Os guardas civis afirmam que não são valorizados e querem aumento de salário e um plano de cargos e salários embutido diretamente no projeto para a Polícia Militar.

“Essa proposta é uma afronta, uma humilhação para a categoria”, afirmou o presidente do Sindguardas, Carlos Augusto Silva. “A gratificação dos policiais militares vai ser maior do que o salário de um GCM”, disse. Ele afirmou que o piso dos guardas civis é de R$ 855, enquanto na média das cidades da Região Metropolitana de São Paulo chega a R$ 1.700. “É uma incoerência do Executivo dar um reajuste de 0,01% para os servidores municipais, alegando que não tem verba, e depois propor bônus muito maiores para quem nem é da Prefeitura.”

Além de levar um carro de som, apitos e narizes de palhaço, os GCMs ocuparam a galeria do plenário e chegaram a trocar insultos com o vereador Abou Anni (PV). O parlamentar havia prometido incluir uma emenda ao projeto do Executivo criando um plano de cargos e salários para os GCMs, mas a proposta de gratificação dos PMs foi retirada da pauta sem a proposta. Houve um bate-boca entre o vereador, que estava no plenário, e os guardas presentes nas galerias da Câmara.

Após o tumulto, que paralisou o plenário por quase meia hora, o projeto das gratificações teve a segunda votação suspensa. “O prefeito já está ficando sensibilizado e deve mandar um projeto que prevê o plano de cargos para a GCM”, afirmou Gilberto Natalini (PSDB). A gratificação aos PMs deve ganhar um projeto substitutivo até o início da próxima semana. No entanto, a assembleia para decidir o início da greve já está marcada para a manhã da segunda-feira, no SindGuardas.

15/08/2009 - 16:02h Fazendo a notícia

L’audimat était presque parfait

Le Monde

Wallace Souza, célèbre présentateur de télévision brésilien, est soupçonné d'avoir commandité des meurtres pour doper les audiences de son émission sur la criminalité.
AP/Antonio Menezes

Wallace Souza, célèbre présentateur de télévision brésilien, est soupçonné d’avoir commandité des meurtres pour doper les audiences de son émission sur la criminalité.

Dans son émission choc sur la criminalité, le présentateur vedette brésilien Wallace Souza se targuait d’arriver sur les lieux des crimes avant même la police. Lorsque ses caméras débusquaient un cadavre calciné dans un sous-bois, le corps fumait encore. Il est même arrivé à ses téléspectateurs d’assister, par écran interposé, à un meurtre par balle (voir le reportage d’Al Jazeera ci-dessous).

Wallace Souza, ancien policier reconverti dans la politique et la téléréalité, justifie le succès de “Canal Livre”, son émission quotidienne depuis vingt ans, par une formule : “responsabilité journalistique”. Sans doute las d’avoir été systématiquement doublés par les journalistes “responsables” de M. Souza pendant deux décennies, les policiers de l’Etat d’Amazonas, où était diffusée l’émission, ont fini par se poser des questions. Et ont commencé à trouver des réponses : ils le soupçonnent d’avoir commandité au moins cinq meurtres pour doper l’audience de son émission en se garantissant l’exclusivité des premières images.

En perquisitionnant le domicile du présentateur, qui se trouve également être député de l’Etat d’Amazonas, les policiers ont découvert un arsenal d’armes illégales et 100 000 dollars en liquide. Ce qui leur a permis d’affiner leur hypothèse et d’ajouter une casquette à Wallace Souza. Ancien policier, député, présentateur, ce cinquantenaire touche-à-tout est également soupçonné de verser dans le trafic de drogues. Les cinq meurtres qu’on lui reproche visaient tous des trafiquants de drogue. Il en aurait donc profité pour faire d’une pierre deux coups : doper ses audiences et descendre la concurrence.

Il faut dire que le mélange des genres est chez Wallace Souza plus qu’un art de vivre : une seconde nature. Le sujet de ses émissions, la dénonciation de la criminalité de la ville de Manaus, capitale de l’Amazonas, s’est révélé un thème de campagne des plus porteurs, puisqu’il lui valut d’être réélu trois fois député de l’Etat. “Manaus ne peut plus continuer à endurer tous ces crimes“, aimait-il à répéter sur le plateau de son show entre deux courses-poursuites. “Aujourd’hui, tout le monde tue”, se permettait-il d’ajouter d’un ton grave.

Une quinzaine de personnes de son entourage – dont son fils – ont été arrêtées. Selon le parquet, l’instruction devrait être achevée d’ici quinze à vingt jours. Wallace Souza, qui jouit d’une immunité en tant que député, est pour le moment toujours en liberté. Il en a profité pour clamer son innocence mercredi devant l’Assemblée législative de l’Etat d’Amazonas. “Je suis chrétien et j’ai une foi énorme, mais si le Christ était à nouveau crucifié, le coupable serait le député Wallace Souza”, s’est-il écrié devant ses pairs, selon des déclarations reprises par un site du groupe d’information Globo.

Il a également demandé à ses collègues d’envoyer un représentant de l’Assemblée législative pour suivre les enquêtes de la police et du parquet, et a mis en cause la véracité des témoignages des personnes arrêtées dans le cadre des enquêtes. Car c’est le témoignage d’un de ses complices, interpellé l’an dernier, qui a porté un coup fatal à l’irrésistible ascension de M. Souza. Cet ancien policier chargé de sa sécurité a fini par avouer qu’un des neuf meurtres pour lequel il était inculpé avait été commis pour faire un sujet de “Canal Livre”. Ou quand la téléréalité dépasse la fiction.

Soren Seelow (avec AFP)

04/08/2009 - 10:19h Latrocínio cresce 79% na capital paulista

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Crime foi o que mais aumentou no 1º semestre, em comparação com o mesmo período de 2008, seguido de sequestros

 

Secretaria da Segurança relaciona crescimento, na capital e no Estado, com crise econômica mundial, que começou em setembro

AFONSO BENITES E ANDRÉ CARAMANTE – FOLHA SP

DA REPORTAGEM LOCAL

Os crimes de latrocínio e sequestro foram os que mais cresceram no primeiro semestre deste ano em comparação com o mesmo período do ano passado na capital paulista.
Segundo a Secretaria da Segurança Pública de São Paulo, a alta tem relação direta com a crise econômica internacional iniciada em setembro passado.
Os dados da Secretaria da Segurança Pública mostram que de janeiro a junho deste ano ocorreram 52 latrocínios (roubos seguidos de morte) em São Paulo, contra 29 em 2008 -diferença de 79,3%. No total do Estado, esse crime subiu de 126 casos para 172 -36,5%.
Os sequestros subiram 58,3% na capital. Foram 12 casos no primeiro semestre de 2008; agora houve 19.
Em “nota explicativa” divulgada ontem em seu site com os dados da violência, a secretaria afirma que “o aumento da criminalidade no Estado também foi notado nas crises [econômicas] de 98/99, 2001/2002 e 2003.” Segundo o texto, “quando o desemprego aumenta, o potencial de criminalidade tende a crescer; quando cai, esse potencial tende a declinar, porém de forma mais lenta”.
Nos seis meses analisados, no entanto, o aumento do desemprego na capital paulista foi inferior a um ponto percentual, aponta o relatório do Dieese.
Indicado pela Segurança Pública para falar sobre o aumento da violência, o delegado-geral da Polícia Civil, Domingos Paulo Neto, disse que não é possível apontar um motivo para o aumento dos crimes de latrocínio e sequestro na capital.
“Não consigo afirmar o que motivou o aumento dos crimes de latrocínio, por exemplo. Não sei se mais pessoas reagiram a um assalto ou se o ladrão matou a vítima por pura maldade”, disse Paulo Neto.
Dados sobre os esclarecimentos dos latrocínios e sequestros não foram fornecidos pela gestão do governador José Serra (PSDB).
Um dos latrocínios ainda sem solução, por exemplo, é o que vitimou José Francisco Fappi, 47. Gerente de uma multinacional de alimentos, ele foi morto dia 25 de maio num assalto na Aclimação (zona sul).
Anteontem, um pai morreu ao tentar salvar o filho de assalto, na rodovia Anchieta, em São Bernardo do Campo (ABC).

Homicídios e roubos
Enquanto capital e Grande São Paulo registraram queda nos homicídios dolosos (intencionais), de 0,1% e 8,8%, respectivamente, no interior, houve uma alta de 21,3%.
As regiões que puxaram esse aumento foram as de Santos, Ribeirão Preto e São José dos Campos. No comparativo, o Estado teve aumento de quase 6%. No interior, as regiões de Presidente Prudente e de Bauru tiveram queda nesse quesito.

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Não foi a crise que elevou a violência, dizem analistas

DA REPORTAGEM LOCAL

A crise econômica global não afeta o crime tão rapidamente como sugeriu o governo do Estado, afirmam estudiosos da violência. E o maior número de latrocínios, sustentam eles, não pode ser dissociado de crimes como roubo e tráfico de drogas.
Para o cientista social José dos Reis Santos Filho, do Núcleo de Estudos sobre Violência e Políticas Alternativas da Unesp (Universidade Estadual Paulista), latrocínio e sequestro não são crimes normalmente praticados por pessoas que, “em razão de uma crise econômica ou do desemprego, por exemplo”, entraram há pouco tempo na criminalidade.
“A crise econômica não provoca de uma hora para outra o aumento da criminalidade como está acontecendo.”
“É preciso olhar como essa criminalidade está relacionada ao tráfico de drogas, com consumidores ou com as pessoas que estão no mercado das drogas”, continuou ele.
O sociólogo Ignácio Cano, do Laboratório de Análise da Violência da Uerj (Universidade do Estado do Rio de Janeiro), vê o crescimento dos latrocínios em São Paulo como consequência da alta de 19% nos roubos.
“O latrocínio é um roubo malsucedido. Temos de olhar para o roubo.” Tanto o cientista social Santos Filho quanto o sociólogo Cano concordam que o aumento dos casos de sequestro no Estado não está relacionada à crise econômica.
(AB e AC)

31/07/2009 - 12:32h Governo Serra: crime em SP cresce pelo 2º trimestre seguido

Homicídios subiram 11,5% em relação ao mesmo período de 2008 e roubos bateram recorde; estupros e latrocínios também aumentaram

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Delegado-geral afirma que, apesar de crescimento no total, números tiveram queda em junho; “vamos trabalhar para manter essa inversão”, diz

DA REPORTAGEM LOCAL FOLHA SP

A violência voltou a crescer em todo o Estado de São Paulo pelo segundo trimestre seguido. De abril a junho deste ano, os casos de assassinatos subiram 11,5% em relação ao mesmo período do ano passado -um aumento que não ocorria desde 1998. O total de roubos bateu mais um recorde histórico. Também ocorreram mais casos de estupro e latrocínios (roubo seguido de morte).
Ao todo, no período foram 1.168 homicídios (a secretaria não divulgou o total de vítimas, apenas de casos) e 68.524 registros de roubo -até então, o recorde era de 65.635 nos primeiros três meses deste ano.
Os dados foram divulgados ontem pelo delegado-geral da Polícia Civil, Domingos Paulo Neto. Ele, porém, afirmou que o crescimento da violência no Estado, em números absolutos, é “insignificante”.
“Embora tenha havido um aumento em relação ao segundo trimestre do ano passado, já registramos uma queda em junho. Vamos trabalhar para manter essa inversão”, disse.
Segundo Domingos Neto, em maio foram registrados 427 homicídios em todo o Estado, enquanto em junho foram 327. Uma redução de 23,4%.
“O crime de homicídio em São Paulo está controlado. O que temos que combater é o crime contra o patrimônio, principalmente o roubo”, disse o delegado-geral.
Os casos de roubo tiveram queda de apenas 1,25% de maio para junho deste ano.
O delegado lembrou que, em 2000, ocorriam, em média, 15 assassinatos por dia na capital paulista. Agora, são 3,5. Mas uma alta superior a 11% nos casos de homicídio não ocorria desde 1998. Naquele ano houve aumento de 19% em comparação com igual período de 1997.

Latrocínios
Apesar de terem aumentado em relação ao ano passado, os latrocínios sofreram uma queda em comparação com o primeiro trimestre deste ano. Foram de 94 para 78, segundo o levantamento.
Após registrar um maior número de estupros em quatro trimestres consecutivos, neste houve uma ligeira queda em relação ao anterior. Foi de 1.055 para 948. Queda de 9,7%.
De acordo com Domingos Neto, o governo estadual tem atuado em três frentes para reduzir a criminalidade: aproximação da polícia da comunidade, aumento da quantidade de prisões e investimento em tecnologia da informação.
Ontem, a Secretaria da Segurança da gestão José Serra (PSDB) não divulgou os dados de violência por regiões do Estado. Segundo a assessoria do órgão, esse detalhamento será apresentado na segunda-feira.
Alegando não ter ainda todos os dados, o delegado-geral evitou dar uma justificativa para o aumento da violência. “Não dá para falar sem uma análise nas regiões do Estado. Com quase 40 milhões de habitantes, fica difícil analisar sem ter um conhecimento específico do que teria motivado esse aumento.”

14/07/2009 - 13:18h O resultado de Kassab com a GCM é lamentável, constata editorial do AGORA

EDITORIAL AGORA

http://psolpinheiros.files.wordpress.com/2009/04/kassab.jpgSituação precária

As bases da GCM (Guarda Civil Metropolitana) deveriam servir de segurança para as regiões onde atuam, mas mal têm condições de dar um mínimo de segurança a quem trabalha nelas.

O Vigilante Agora mostrou ontem a situação em 15 bases nas regiões leste e sul e no centro da cidade. O resultado é lamentável. A prefeitura não fornece nem papel higiênico, e os GCMs têm que se virar para fazer vaquinhas e levar produtos de limpeza. E ainda têm que fazer a faxina.

Móveis e eletrodomésticos vêm de doações das comunidades. Alguns prédios estão detonados, com infiltrações e rachaduras. Mas o mais grave é que apenas 6 dessas 15 unidades têm vidros à prova de balas.

A lista de problemas ainda conta com a falta de carros nas bases. Se alguém precisa da GCM ou há ocorrências, os guardas têm que ligar para a central. Se o lance é telefonar, a base, ainda mais nessas condições precárias, perde um pouco do sentido.

A prefeitura e o Comando Geral da GCM afirmaram que está sendo feito um estudo sobre as bases. Qualquer que seja a conclusão, é preciso consertar a situação o quanto antes. Sem oferecer aos guardas condições mínimas de trabalho, como cobrar deles que deem segurança para a população?

31/05/2009 - 12:40h Serraluf na segurança: a receita que dá voto em São Paulo

Pouco importa se os latrocino estão em alta ou se cada dois dias um condomínio é assaltado na cidade.

O que conta é mais o que faz de conta. No caso fazer de conta que o governo estadual aplica a mão de ferro contra a bandidagem.

Pensando bem, é até necessário que o clima de insegurança e de violência persista e se espalhe, pois permite que o faz de conta tenha maior impacto eleitoral (depois é só manipular B.O. e alinhavar estadísticas para mostrar eficiência).

Pouco importa se os pobres são aterrorizados, pelo faz de conta da segurança, é o que parece pensar uma parte da classe média abastada da cidade.

Pouco importa lei, justiça, direitos para fazer prevalecer… o faz de conta.

Assim age o PSDB em matéria de segurança. Como trogloditas a serviço de sua própria propaganda.

A mão de ferro contra a criminalidade é necessária sim.

A repressão e a luta ao crime organizado deve ser prioridade, sim.

Aterrorizar a população indefesa para fazer de conta que o governo estadual age contra a delinquência é o recurso patético dos incompetentes. LF

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Aterrorizar a esquerda (Paraisópolis) para vender o faz de conta a direita (Morumbi).

82 dias de medo em Paraisópolis

Moradores denunciam violência da PM l Barracos foram invadidos sem mandados judiciais l Trabalhadores, crianças e idosos relatam sessões de tortura l Comando da PM nega abusos e agressões na favela

Bruno Paes Manso – O Estado SP

Os números oficiais da Operação Saturação da Polícia Militar em Paraisópolis, na zona sul de São Paulo, são chocantes. De acordo com a Prefeitura, moram 60 mil pessoas no bairro. Durante pouco menos de três meses de operação, entre 4 de fevereiro e 26 de abril, 400 policiais em 100 viaturas e um helicóptero, com 20 cavalos e 4 cachorros, aplicaram 51.994 revistas a moradores do bairro.

A operação teve início depois dos tumultos provocados por algumas dezenas de moradores, em 2 de fevereiro, que deixaram três PMs baleados. Entre os agitadores havia integrantes do tráfico de drogas local. Como resposta, nos dias que se seguiram ao quebra-quebra, parte da tropa deixou rastros de abusos e violência. “Durante a ocupação, tentativas de desestabilização das forças de segurança foram levadas a efeito por parte de pessoas que se sentiam incomodadas com a presença da polícia”, defende o capitão Emerson Massera, da Seção de Comunicação Social da PM. Segundo ele, não há provas de abusos e agressões.

Na semana passada, o Estado esteve em Paraisópolis. Ouviu dezenas de histórias chocantes, em diferentes pontos do bairro. Testemunhos semelhantes já foram ouvidos por entidades como Associação dos Juízes pela Democracia, Comissão Justiça e Paz da Arquidiocese de São Paulo e Associação Paulista dos Defensores Públicos.

De acordo com a polícia, no balanço da operação constaram 93 flagrantes, captura de 61 procurados, 31 armas e 9,9 kg de cocaína apreendidos. Mas o saldo final vai além: sobrou raiva, humilhação, revolta, indignação que ninguém ainda é capaz de dizer o que isso de fato pode significar para a cidade. Seguem os testemunhos de moradores colhidos pelo Estado:

EM DEFESA DOS FILHOS

Auxiliar administrativa em uma empresa de telefonia, Gisele Cristina dos Santos, de 28 anos, teve o barraco invadido seis vezes pela polícia. Em nenhuma delas havia autorização judicial. Na primeira, um domingo de manhã, ela, marido e seis filhos, crianças de 1 a 12 anos, estavam em casa. O marido esticava um novo varal e chamou a atenção dos policiais por causa de uma tatuagem. Perguntaram se ele tinha “passagem”. Ele informou que estava sob condicional, mas não devia na Justiça. Os policiais chutaram o portão e invadiram o quintal perguntando por drogas. Em seguida, entraram na casa e rasgaram o sofá. O pai apanhou na frente dos filhos. Em outras duas vezes, policiais entraram quando só havia crianças em casa. Falaram para a mais velha que o pai havia pedido a eles que buscassem o revólver. “Onde está a arma?”, perguntavam os policiais. “Meu pai não rouba”, a criança respondeu. A casa também foi invadida quando não havia ninguém. Dois baldes de água com latas de leite que ela recebeu do programa da Prefeitura, misturadas com detergente e pó de café, foram espalhados pelo chão e paredes. Gisele teve seu MP5 furtado. Depois das seguidas sessões de abuso, ela fundou o movimento “Paraisópolis Exige Respeito!”, com um blog na internet. Perguntada se o nome dela podia aparecer no jornal, Gisele foi categórica: “Coloque em negrito, com letras maiúsculas.”

CHAMADA ORAL DA BÍBLIA

Nos cálculos da aposentada Maria Alves da Rocha, de 59 anos, policiais invadiram a casa onde ela mora com a neta de 17 anos e dois filhos por cerca de 15 vezes. Nunca apresentaram mandado. Na primeira invasão, eles entraram com um pontapé na porta. Os vizinhos avisaram ao filho, que é pedreiro e trabalhava na vizinhança, que chegou em instantes e sugeriu para a mãe que deixasse a polícia trabalhar. “Quem não deve não teme”, disse. A polícia depois não se cansou de voltar. Bagunçavam o guarda-roupa, xingavam e humilhavam os que estavam em casa. Dona Maria contou aos policiais que era evangélica. Um deles solicitou uma Bíblia para perguntar o que estava escrito em dado versículo do Evangelho de João. “Sou analfabeta, mas entendo a palavra dos pastores e consegui responder”, diz Maria. O pé de capim-santo que ela cultivava no quintal para fazer chá foi arrancado pelos policiais, para checarem se não era droga.

É PROIBIDO CHORAR

Quando viu o movimento de policiais na viela em que mora, Antonio, de 13 anos, entrou em casa correndo. Os policiais o seguiram. Na porta do barraco, um anúncio escrito a giz pela mãe oferece: “Fais chapinha.” Dentro de casa, Antonio teve a arma apontada para cabeça. “Por que estava correndo? Onde é a boca?”, perguntava um deles, enquanto o estapeava. Outro policial revistava a casa. Antônio, que aparenta 10 anos, estava sozinho com o irmão, de 9. Os dois choravam muito. “Cala a boca vacilão. Vamos levar você para um quartinho escuro na Febem”, ameaçava o policial. Com os braços cruzados, esfregando os ombros, Antonio explica que ficou ainda mais assustado porque há alguns anos teve um tio assassinado por policiais. Os vizinhos, do lado de fora, viam tudo sem poder intervir porque temiam apanhar.

ESPINGARDA DE BRINQUEDO

Agnaldo Jesus Viana teve o sobrado em que mora, em cima do bar de sua propriedade, invadido quatro vezes. Os policiais cismaram com o jogo eletrônico que ficava na frente do estabelecimento e tinha uma espingarda a laser como acessório. Perguntaram para ele onde estavam as armas e quem fazia o tráfico na favela. Ele respondeu que “não mexia com isso”. A arma do videogame foi quebrada pelos policiais. A mulher de Agnaldo, nervosa, para tentar intimidar, disse que as câmeras que ficam dentro do bar estavam gravando os abusos. Eles obrigaram o casal a retirar o material do vídeo e entregar a eles. As visitas se repetiram. Agnaldo conta que a câmera digital e o notebook do vizinho foram roubados.

QUEM APANHA É A MÃE

Solange conta que estava bêbada no dia em que apanhou da polícia. Foi reprimida depois de chegar chorando e pedindo para não baterem no filho, que estava sendo revistado. Eles se irritaram com a cena e pediram a ela que os levasse em casa para ver se não havia drogas. O filho foi junto, sob tapas e socos. Na confusão, ela acabou levando uma cabeçada do filho agredido pelos policiais. Ficou com o olho roxo. “Hoje eu só sinto ódio”, diz o filho de Solange.

COMPENSADO DE MADEIRA

O ajudante geral Luiz Claudio Carlos, de 23 anos, estava na viela perto de casa sem documentos quando foi abordado por três policiais. Sem poder provar quem era, foi esculachado. Os policiais pegaram um compensado de madeira, jogaram em cima dele e começaram a pular em cima. Perguntavam sobre drogas e davam tapas no seu rosto. A alguns metros de distância, um menino jogava bolinhas de gude. Uma delas desceu em direção ao local onde ocorria a sessão de tortura. O policial perguntou o que menino queria e começou a estapeá-lo. O garoto apanhou sem dizer nada. Quando foi liberado, disse ao policial: “Muito obrigado.” O soldado ficou irritado e voltou a agredir o menino.

RODÍZIO PARA BATER

Sílvio de Moraes Pereira, de 21 anos, quer ser tatuador. Tem piercings, sobrancelhas cortadas e tatuagens. Fez estágio na Galeria do Rock. Andava pela viela às 8 horas da manhã quando foi abordado e obrigado a tirar a roupa e ficar de cueca. Sentou em cima da mão e o acusaram de trabalhar no tráfico. Ele negou a ligação. Os seis homens perguntaram se ele teria coragem de levá-los à sua casa. Pereira topou. Jogaram o jovem em cima da cama e ele apanhou em rodízio: um dava socos na cara, outros nos rins e todos chutaram ao mesmo tempo com coturnos de bico de ferro, quando ele caiu no chão. Com medo de novas represálias, acabou se mudando.

CABEÇA DE MENINO

José Maria Lacerda, de 54 anos, coordenador da União de Defesa dos Moradores, revoltou-se com a prisão de William, que é deficiente mental. “Tem corpo de homem, mas cabeça de menino”, explica . Em um sábado de março, policiais viram a porta da casa do jovem aberta e a invadiram, enquanto William dormia. Ele apanhou, tomou um soco na boca e foi levado como traficante e até hoje se encontra preso no CDP de Osasco. Lacerda decidiu brigar em defesa do rapaz, que trabalhava como ajudante de carretos. Pediu ao amigo e advogado Gilberto Tejo Figueiredo, que atua na associação em processos imobiliários de usucapião, para defender William. “As testemunhas sempre são apenas os policiais que efetuam a prisão. Nunca levam os moradores que presenciaram a cena. É uma covardia”, diz Figueiredo. Mineiro, há tempos na luta por moradias, Lacerda é daqueles que preferem evitar conversas sobre crime, como se não fosse assunto de pessoa correta. Mas observa que os moradores de Paraisópolis estão sendo estigmatizados e ganharam na cidade a pecha de ladrões. “Para conseguir emprego precisamos evitar dizer o nome do bairro em que moramos”, diz.

OUTROS OLHOS PARA O MUNDO

Extrovertida, vaidosa, unhas pintadas de vermelho, a cabeleireira Aurenice Soares dos Santos sempre gostou de policiais. Na última eleição, fez campanha para Gilberto Kassab. “O Kassab é um homem lindo!”, diz. Passou a enxergar o mundo com outros olhos em uma manhã de março. Na viela onde mora, quatro casas foram invadidas. O marido estava no andar de cima do sobrado, com a máquina de lavar ligada. Um grupo de 11 policiais chegou ordenando que ela abrisse a casa. Nervosa, disse que não conseguia encontrar a chave. Os policiais quebraram a janelinha da porta, colocaram a cabeça para dentro e tentaram forçar a entrada. Aurenice aguardou calada. Os policiais desistiram quando parte do grupo começou a entrar na casa de baixo. No vizinho, a polícia abriu a janela com um soco, assustando as duas irmãs de 16 e 17 anos que estavam de pijama e acordaram com o barulho. Ela ouviu o choro do outro irmão, de 3 anos, com deficiência nas pernas. Viu o filho da vizinha ser humilhado e obrigado a se sentar em cima de uma poça d?água. Enquanto a operação durou, Aurenice evitou sair de casa. Permanece em depressão e toma diazepam, clonazepan, Tofranil e Diurex.

IZAQUE CIRIACO MARTINS

Izaque Ciriaco Martins, de 26 anos, trabalha como copeiro em uma churrascaria do Morumbi e chega todo dia em casa após a 1 hora da manhã. Cansou de ser revistado nas operações da polícia. Foram pelo menos cinco vezes em que era tratado como bandido por viver em Paraisópolis. Em certas madrugadas, teve de dar longas caminhadas a pé para chegar em casa porque o caminho mais curto estava bloqueado pela polícia.

A POSIÇÃO DA POLÍCIA

O capitão Emerson Massera, da Seção de Comunicação Social da PM diz: “A presença de criminosos na comunidade exigiu uma pronta ação, que culminou na estratégia de ocupação, objetivando criar um clima de segurança às pessoas de bem. E foi o que efetivamente ocorreu! Duas denúncias chegaram a ser feitas formalmente.” E completa: “Restou provado que não houve abuso ou agressão.”

19/05/2009 - 09:15h O retorno da máfia: fiscal de Kassab flagrado no achaque

Fiscal vendia ponto na Lapa por até R$ 3 mil

Mensalidade para quem preferia alugar o ponto era de R$ 600; acusado foi afastado ontem

Um fiscal da Prefeitura foi flagrado vendendo e alugando pontos ilegais para ambulantes na Lapa, na zona oeste. O valor da propina cobrada para quem pretendia adquirir um espaço na calçada era de R$ 3 mil. Para quem queria apenas alugar o ponto, o agente da Subprefeitura da Lapa cobrava R$ 600 mensais. Ainda não se sabe se outros servidores faziam parte do esquema. Ele já era investigado por irregularidades.

O flagrante foi feito pela reportagem da Rádio Bandeirantes. A subprefeita da Lapa, Soninha Francine, afirmou que o fiscal foi afastado das funções ontem e vai responder a sindicância administrativa. “Ele será chamado a depor porque na gravação dá a entender que não fazia isso sozinho e terá de confirmar ou desmentir essas informações”, disse.

Ela admitiu que já havia recebido indícios de que ocorriam irregularidades nessa área e também que a fiscalização do comércio irregular na Lapa “não é eficiente como deveria ser”. “Vou afastá-lo do serviço nas ruas, mas isso é pouco. O que ele fez é crime.”

Disse, ainda, que há três semanas estão sendo realizadas no bairro operações especiais com instituições de fora da região, como agentes da Guarda Civil Metropolitana e da Polícia Militar.

Segundo ela, a subprefeitura já vinha mudando as rotinas dos fiscais antes da denúncia – eles eram designados para trabalhar em ruas que não faziam parte do seu roteiro. “Se havia algum esquema com ambulante, esse ciclo era quebrado”, afirmou Soninha.

Ela se disse frustrada com esse tipo de atitude dos fiscais. “É difícil botar a casa em ordem exatamente porque no corpo dos agentes vistores há alguns que trabalham contra a legalidade e a moralidade.”

25 de Março

Os 74 ambulantes regulares da Rua 25 de Março, retirados pela Prefeitura para a realização de obras na via, vão voltar a trabalhar no local antes do prazo de 100 dias estipulado pela administração municipal. O anúncio foi feito ontem pelo secretário de Coordenação das Subprefeituras, Andrea Matarazzo, em audiência pública na Câmara Municipal.

A nova data para o retorno deve ser divulgada em até três dias. Deficientes físicos são a maioria desses camelôs com autorizações. Matarazzo se comprometeu também a analisar os Termos de Permissão de Uso (TPUs) cassados de ambulantes que não receberam boletos para o pagamento da taxa de licença.

Como o valor é cobrado pelas subprefeituras e não pela Secretaria de Negócios Jurídicos, os camelôs em débito com o município não tiveram o direito de parcelar a dívida e perderam seus TPUs.

Matarazzo foi questionado também por não ter convocado as Comissões Permanentes de Ambulantes (CPAs) para discutir e acompanhar o recadastramento de ambulantes, responsável pela cassação de metade dos camelôs regulares. Ele prometeu convocar as comissões.

OUTRAS MÁFIAS

Onze pessoas, entre elas três ex-funcionários públicos de carreira e três ex-funcionários de confiança, foram acusadas no ano passado de envolvimento em um esquema de cobrança de propinas de camelôs ilegais da região do Brás, conhecido como a “máfia dos fiscais 2”

O esquema veio à tona em julho do ano passado. Na época, os 11 acusados chegaram a ser presos. O Ministério Público os acusa de arrecadar até R$ 1 milhão por mês com o recolhimento de propinas durante 15 meses

A repercussão do caso foi responsável pelo pedido de exoneração do subprefeito Eduardo Odloak, em dezembro

Na denúncia acatada pela Justiça, o MP afirma que 7 mil ambulantes da região, que atuavam durante o dia, eram extorquidos entre R$ 10 a R$ 20 por dia para poder trabalhar. Também pagavam propina 500 vendedores de alimentos da região

O esquema era semelhante ao da “máfia dos fiscais” de 1998, que levou à prisão servidores e vereadores