05/06/2009 - 12:30h Investimentos em energia limpa superam combustíveis fósseis

 O Brasil acumulou quase todos os investimentos em energias renováveis da América Latina, diz relatório

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EFE - O Estado SP

TORONTO - 2008, pela primeira vez na história, os investimentos em energias limpas superaram os feitos em fontes de combustíveis fósseis e chegaram a US$ 155 bilhões, revelou o Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma).

O valor de 2008 representa quatro vezes os investimentos feitos em energias limpas em 2004, apesar da extrema dificuldade pelas quais os mercados financeiros passaram no ano passado pela crise econômica global, segundo o relatório Tendências Globais de Investimentos em Energia Sustentável.

Achim Steiner, vice-secretário-geral da ONU e diretor-executivo do Pnuma, reconheceu que “a crise econômica afetou os investimentos em energia limpa quando se vê em comparação com o crescimento recorde dos últimos anos”.

A crise econômica fez com que o investimento nos Estados Unidos caísse 2%, enquanto na Europa o crescimento foi muito mais moderado, informou em comunicado.

O titular do Pnuma disse que países como Brasil, Chile, Peru e Filipinas estão trabalhando para desenvolver políticas e leis para fomentar a energia limpa.

Steiner disse que o Brasil acumulou quase todos os investimentos em energias renováveis da América Latina, enquanto na China houve um aumento de 18%, até US$ 15,6 bilhões, e na Índia os investimentos subiram 12%, para US$ 4,1 bilhões.

O relatório do Pnuma revela que a energia eólica atraiu a maior quantidade de novos investimentos, US$ 51,8 bilhões, o que significa um crescimento de 1% em relação a 2007.

No entanto, a energia solar foi a que experimentou o maior crescimento, de 49%, para acumular US$ 33,5 bilhões, enquanto os biocombustíveis perderam 9%, até US$ 16,9 bilhões.

Por regiões, a Europa investiu US$ 49,7 bilhões em 2008, um aumento de 2%, enquanto na América do Norte o valor chegou a US$ 30,1 bilhões, o que representou uma queda de 8%.

05/06/2009 - 11:30h Notas ambientais

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O Estado SP


- ECONOMIA - Brasil é líder em energias limpas, diz ONU

O segundo relatório Tendências Globais de Investimentos em Energia Sustentável, divulgado pelo Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma), traz o Brasil como líder em investimentos em energias renováveis para a América Latina. “O Brasil acumulou quase todos os investimentos em energias renováveis na região”, afirmou Achim Steiner, vice-secretário-geral da ONU e diretor executivo do Pnuma.

Segundo os dados, os investimentos de 2008 em energias limpas superaram os feitos em fontes de combustíveis fósseis pela primeira vez na história. O valor de 2008, de US$ 155 bilhões, representa quatro vezes os investimentos feitos em energias limpas em 2004. Eólica e solar foram os setores que apresentaram o maior crescimento no período. EFE


CINEMA - Filme sobre clima estreia hoje no mundo

Depois de 488 horas de filmagens feitas durante quase três anos, em 54 países, estreia hoje em todo o mundo o documentário Home - Nosso Planeta, Nossa Casa, de produção francesa. O filme marcou seu lançamento internacional para o Dia Mundial do Meio Ambiente porque discute as principais questões ambientais de hoje e tenta, assim, despertar o público para agir com mais consciência ecológica no planeta.

A estreia ocorrerá simultaneamente em mais de 50 países e também online, pelo site Home Project no YouTube. Home foi dirigido pelo fotógrafo Yann Arthus Bertrand, que optou por filmar as cenas durante voos. A produção é do cineasta Luc Besson, considerado o Steven Spielberg da França. Confira o site do projeto.

RECUPERAÇÃO - Canal do Fundão, no Rio, será despoluído

O Canal do Fundão, no Rio, pode ser completamente despoluído até 2011. O governo do Estado e a Petrobrás contrataram o grupo Haztec para realizar a dragagem e revitalização do canal. A obra prevê seu desassoreamento, com o objetivo de facilitar o escoamento da água. Formando um arco entre a Ilha do Fundão e a Favela da Maré, o canal é importante por desaguar na Baía de Guanabara, sétima maior baía do mundo.

O canal tem, hoje, menos de 40 centímetros de profundidade - a ideia é que tenha cerca de cinco metros quando as obras forem concluídas. Até o prazo final, serão dragados aproximadamente 2,2 milhões de metros cúbicos de resíduos, em uma área com mais de 6 quilômetros de extensão. O investimento do grupo nesse projeto é de R$ 30 milhões.

INTERNET - Um pontinho preto no canto do monitor

O que é um pontinho preto no canto do seu monitor? Não é uma piada: é um programa desenvolvido pelo Greenpeace usado para economizar energia. Segundo o site da ONG, um Blackpixel instalado em um computador economiza 0,057 watts/hora, ao apagar um único pixel do monitor. Até o momento, foram economizados mais de 93 mil watts ou o equivalente a 2.332 lâmpadas, 1.036 geladeiras, 874 televisões a cores ou 777 computadores desligados por uma hora.

A iniciativa faz parte da campanha Energias renováveis: é agora ou agora, do Greenpeace. Se você quiser colocar um pontinho preto no seu monitor e tentar salvar o planeta do aquecimento, vá ao site e instale o programa. É rápido e fácil e você pode acompanhar quanto economiza.


EXPOSIÇÃO - Sustentabilidade é tema da Casa Cor

Ocorre no Jockey Club de São Paulo, até o dia 14 de julho, a mostra Casa Cor 2009, cujo tema central desta edição é a sustentabilidade. Piso em taco reaproveitado e mobiliário com fibra natural são algumas das novidades, expostas em 124 ambientes do evento, que deve receber 150 mil visitantes. O local funciona das 12h às 21h, de terça a sábado, e das 12h às 20h aos domingos. Os ingressos custam a partir de R$ 35.

21/05/2009 - 10:27h Entre capitais, SP lidera em mortes ligadas à poluição

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Fernanda Aranda - Jornal da Tarde

Os custos da poluição, pela primeira vez, foram mapeados fora das fronteiras de São Paulo. Estudo obtido pela reportagem mostra que são R$ 14 gastos por segundo (R$ 459,2 milhões anuais) para tratar sequelas respiratórias e cardiovasculares de vítimas do excesso de partícula fina - poluente da fumaça do óleo diesel . O valor é dispensado por unidades de saúde de saúde de 6 regiões metropolitanas do País.

A mesma pesquisa, produzida pelo Laboratório de Poluição da USP e seis universidades federais, mostra que além dos paulistas, também respiram ar reprovado pelos padrões seguros da Organização Mundial de Saúde (OMS), as regiões do Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Porto Alegre, Curitiba e Recife. Mas é na capital paulista que se concentram as mortes relacionadas à poluição.

Segundo o estudo, a cidade com a maior frota de veículos do Brasil também tem liderança na categoria “prejuízos”. São Paulo concentra 61% das mortes ligadas à poluição, apesar de responder por 57% da quantidade de carros que existe nos locais estudados.

Estudos feitos em São Paulo já mostraram que a poluição está associada tanto a doenças respiratórias - com asma, bronquite e sinusite - quanto ao sistema cardiovascular, atingindo ainda as funções metabólicas (diabetes, pressão alta) e chegando até ao sistema reprodutivo,com associação à infertilidade. A reportagem teve acesso ao estudo na ação civil pública que o Ministério Público de SP move contra a Petrobrás e 13 montadoras de veículos pedindo indenização para vítimas da poluição. Segundo o promotor do Meio Ambiente do MP, José Isamel Lutti, o valor indenizatório terá “como parâmetro” esta pesquisa.

14/05/2009 - 17:38h Mudança climática é maior ameaça à saúde no século 21, diz revista

 Douglas Kim/Divulgação
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Rota do Sal, no deserto do Saara, norte da África; continente deve ser o mais afetado pelo aquecimento global, diz artigo de revista

da Efe, em Londres - Folha Online

A mudança climática é a maior ameaça à saúde mundial no século 21, segundo um relatório feito pela revista médica “The Lancet” e por cientistas do University College de Londres, que aponta a necessidade de uma ação urgente.

“Isto não é um filme de catástrofes com final feliz, é algo real”, disse o professor Anthony Costello, diretor do relatório, acrescentando que “a mudança climática é uma questão de saúde que afeta bilhões de pessoas –e não só um problema ambiental que atinge os ursos polares e as florestas”.

O estudo é um esforço conjunto de especialistas em saúde, antropologia, geografia, climatologia, engenharia, economia, direito e filosofia, que pretende servir de modelo para que os governos atuem de maneira multidisciplinar contra a mudança climática.

O impacto do que já está acontecendo “não será algo que perceberemos em um futuro distante, mas durante nossas vidas e, definitivamente, nas vidas de nossos filhos e netos”, alertou Costello em entrevista coletiva, na qual apresentou o relatório.

O especialista em obstetrícia admitiu que até um ano e meio duvidava da mudança climática, e disse que o aumento da temperatura média da Terra é uma realidade e que é questão de tempo perceber seus efeitos.

“Não devemos pensar se a Groenlândia vai derreter, mas quando. Devemos pensar em quando Nova York e Londres se inundarão se a temperatura dos polos subir 5ºC em média, o que fará subir o nível dos oceanos”, ressaltou Costello.

Mas a principal novidade deste relatório tem a ver com as implicações sanitárias da mudança climática, desde a constatação de que com temperaturas entre 2ºC e 6ºC mais altas aumentará o número de afetados por doenças frequentes do trópico, como dengue e malária, e os mortos por efeito direto do calor.

Os autores do relatório se referem ao calor como “o assassino silencioso”, o mesmo que causou a morte de 70 mil pessoas na Europa em 2003 e que provoca o falecimento não registrado de dezenas de milhares de pessoas por ano em países em desenvolvimento.

O objetivo do trabalho, segundo os autores, é estimular o debate e aumentar a pressão em favor da redução das emissões de dióxido de carbono na atmosfera nos profissionais e responsáveis da saúde, a partir de um ponto de vista humanitário e também a partir de um ponto de vista econômico.

Se não for feito nada para combater o problema, os países pobres registrarão o aumento da mortalidade devido a uma maior transmissão de malária e outras doenças infecciosas, ou por questões tão simples como diarreias por consumo de alimentos mal cozidos.

Os países ricos serão menos afetados, pois buscam construir sociedades com menos liberação de carbono, e, por consequência, teriam cidadãos mais saudáveis.

Isso traria menos obesidade e menos diabetes por efeito do exercício físico, o não uso de veículos particulares, menos problemas pulmonares por redução de poluição, e menos estresse, pois os habitantes podem desfrutar de cidades mais limpas.

A comparação entre ricos e pobres é arrasadora, afirma a “Lancet”. “A perda de anos de vida saudável como consequência de uma mudança ambiental global será 500 vezes maior na África que nas nações europeias, apesar de as nações africanas contribuírem pouco ao aquecimento global”, afirma a publicação.

As inundações e as secas também terão efeito devastador na saúde das nações mais pobres, com menores colheitas e, consequentemente, alimentos mais caros, e com situações de saúde deficientes.

O professor Hugh Montgomery destacou a gravidade da situação, mas assegurou que não há exagero nos prognósticos dos cientistas, porque o ritmo de aquecimento da Terra é o mais rápido do qual se tem notícia nos últimos 10 mil anos.

“Entre um terço e dois terços das espécies existentes hoje em dia no planeta estão em risco de extinção nos próximos 30 anos” se a tendência atual se mantiver, disse Montgomery.

No mês passado, a Agência de Proteção Ambiental (EPA, na sigla em inglês) dos Estados Unidos concluiu que o dióxido de carbono e cinco outros gases prejudiciais ao ambiente são perigosos para a saúde pública e para o bem-estar social.

06/05/2009 - 09:08h Agência ambiental dos EUA valida o etanol de cana

Agroenergia

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Ricardo Balthazar, de Washington - VALOR

O etanol do Brasil será o único combustível capaz de cumprir as metas previstas para a expansão do consumo de biocombustíveis nos EUA na próxima década se tecnologias avançadas não se tornarem viáveis comercialmente logo, indicou ontem a Agência de Proteção Ambiental (EPA, em inglês).

Uma resolução proposta pela agência define critérios rigorosos para o cumprimento das metas estabelecidas pela legislação americana, que condiciona aumento do consumo de biocombustíveis a reduções substanciais nas emissões de dióxido de carbono e outros gases responsáveis pelo efeito-estufa.

A resolução é o passo inicial de um processo regulatório que levará meses para ser concluído. Embora o objetivo seja estimular mudanças na maneira como os biocombustíveis são produzidos nos EUA, criando incentivos para a adoção de tecnologias mais limpas, a medida também poderá criar oportunidades para usineiros brasileiros interessados em elevar suas vendas aos EUA.

A legislação dos EUA determina que as refinarias do país comprem neste ano 42 bilhões de litros de biocombustíveis e elevem o consumo para 136 bilhões de litros até 2022. A maior parte da demanda gerada por essa obrigação atualmente é atendida pelas usinas de etanol locais, que usam o milho como matéria-prima.

Mas os EUA querem frear a expansão das usinas de etanol de milho, para evitar que seu avanço continue empurrando para cima os preços do grão e gerando dificuldades para criadores de gado, indústrias alimentícias e outros setores. Segundo a lei, a produção de etanol de milho deve alcançar 57 bilhões de litros em 2015 e não poderá passar disso.

Os outros 79 bilhões de litros que as refinarias precisarão comprar para cumprir as metas previstas por lei terão que ser produzidos com tecnologias mais modernas, capazes de assegurar reduções de 20% a 60% nas emissões de gases de efeito estufa associadas ao uso de gasolina. Somente o etanol do Brasil, feito de cana, teria condições de atender hoje aos critérios propostos pela EPA.

Segundo cálculos preliminares apresentados ontem pela agência, o uso do etanol de cana como substituto da gasolina permitiria uma redução de 44% nas emissões de gases-estufa. Para cumprir as exigências da EPA, o etanol de cana precisaria assegurar uma redução de 40% a 50%. O uso de etanol de milho permitiria uma redução de apenas 16%.

Combustíveis mais avançados como o etanol celulósico, que pode ser feito com capim, madeira e diversos resíduos vegetais, poderiam alcançar reduções superiores a 100%, diz a EPA. Mas o etanol celulósico ainda não é produzido em escala comercial em lugar nenhum do mundo e muitos especialistas acham que vai demorar para ele se tornar viável.

A resolução da EPA adota um método controverso para calcular a contribuição das usinas para a mudança do clima. Além das emissões associadas diretamente à produção e à distribuição de biocombustíveis, a agência leva em consideração efeitos indiretos da expansão da indústria no desmatamento e no uso da terra em outras partes do planeta.

A resolução será submetida a consulta pública por 60 dias. A administradora da EPA, Lisa Jackson, indicou que está disposta a rever seus cálculos, submetendo os modelos da agência à análise de cientistas e especialistas do setor privado. Representantes da indústria de etanol nos EUA e no Brasil se mobilizam para convencer a agência de que são capazes de alcançar reduções maiores do que as estimadas pelos modelos da EPA.

Estudos de especialistas brasileiros recrutados pela União da Indústria da Cana-de-Açúcar (Unica) e encaminhados à EPA sugerem que o uso do etanol do Brasil em substituição à gasolina pode reduzir em 64% as emissões de gases de efeito estufa, mesmo incluindo na conta estimativas sobre o desmatamento e outros efeitos indiretos, se os modelos reconhecerem a adoção de práticas mais modernas pelas usinas.

Na tentativa de atenuar o impacto negativo que a iniciativa da EPA poderá ter para os produtores de etanol de milho, o governo americano anunciou a criação de um grupo especial com a missão de ajudar a indústria doméstica a desenvolver tecnologias mais avançadas. O grupo será formado pelos departamentos de Agricultura e Energia dos EUA e pela EPA.

Numa teleconferência em que a criação do grupo foi anunciada a jornalistas, o secretário de Energia, Steven Chu, disse ontem que a produção de etanol de milho foi “um bom começo” para reduzir o consumo de petróleo nos EUA, mas o investimento em novas tecnologias dará ao país “opções muito melhores”. O governo pretende investir US$ 786,5 milhões neste e no próximo ano para desenvolver a produção de etanol celulósico.

06/05/2009 - 08:49h EUA vetam expansão do etanol de milho

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A limitação ao etanol de milho, favorece o etanol de cana e preserva a produção de alimentos

Decisão favorece produtores brasileiros de etanol

Patrícia Campos Mello, WASHINGTON - O Estado SP

O governo Barak Obama divulgou ontem as novas regras para as metas de combustíveis renováveis nos Estados Unidos, que representam uma grande vitória para o etanol de cana brasileiro. Essas regras classificaram o etanol de cana, oficialmente, como mais eficiente na redução da emissão de poluentes que o de milho, produzido nos EUA. Essa classificação abre o caminho para usinas brasileiras concorrerem às cotas de “biocombustíveis avançados” , que serão de 2,2 bilhões de litros neste ano e chegarão a 80 bilhões de litros em 2020.

A Agência de Proteção Ambiental, a Secretaria de Agricultura e a Secretaria de Energia anunciaram as novas referências, segundo os quais o etanol de milho reduz em 16% as emissões de poluentes (em comparação com a gasolina), enquanto o de cana reduz em 44%.

Esses índices levam em conta a emissão de poluentes durante o transporte e a distribuição, pela queima de combustível nas usinas. Mas consideram também o controverso cálculo do uso indireto da terra: com o aumento da demanda por milho ou cana para produzir etanol, aumenta o preço dessas commodities e cresce a área cultivada em outros lugares, o que causa desmatamento e, consequentemente, emissão de poluentes. O cálculo foi adotado pelo governo por pressão de grupos ambientais, preocupados com os efeitos dos biocombustíveis no preço dos alimentos e no desmatamento.

Para ser “avançado”, o combustível precisa reduzir em pelo menos 50% a emissão de poluentes, com tolerância de 10 pontos porcentuais. assim, o etanol de cana, que reduz em 44%, está qualificado para abastecer os 80 bilhões de litros de combustíveis avançados que estão na meta da lei de combustíveis renováveis. O etanol de milho ficou de fora.

Para ser qualificado apenas de “renovável”, o combustível precisa reduzir em pelo menos 20% a emissão de poluentes. Como o etanol de milho só reduz emissões em 16% , está comprometida toda a justificativa ambiental do lobby do milho para receber subsídios e manter tarifas sobre o etanol importado.

Como a regra não é retroativa, as usinas de etanol de milho nos EUA continuarão a funcionar e a fornecer para as refinarias. A regra vale para eventuais novas usinas de etanol de milho, que estão abaixo da qualificação ambiental. Portanto, na prática, fica impedida a expansão da produção do etanol de milho.

CELULOSE É MELHOR

O etanol de celulose é o que promove a maior redução nas emissões, de 128%, mas ainda não é viável comercialmente. A diretora da Agência de Proteção Ambiental, Lisa Jackson, deixou claro que, para o governo , o etanol de milho “é apenas uma ponte, uma transição para a próxima geração de etanol”. O preço do milho no mercado futuro caiu 0,1%, refletindo a esperada queda na demanda.

Essas regras ainda vão passar por um período de consultas de 60 dias e o lobby do etanol de milho promete protestar. “Há um grau enorme de incerteza no cálculo do uso indireto da terra, por isso haverá muita revisão”, disse Bob Dineen, diretor executivo da Associação de Combustíveis Renováveis, que representa os produtores de etanol de milho. Segundo os modelos usados por Dineen, o etanol de milho reduz em até 61% a emissão de poluentes.

Joel Velasco, representante da Unica nos Estados Unidos, comemorou o anúncio. “Confirma que há diferenças entre os biocombustíveis”, disse. Biodiesel de soja reduz em 22% e biodiesel de gordura, em 80%.

As novas referências são parte do plano do governo de usar US$ 786 milhões do pacote de estímulo e US$ 1,1 bilhão do Departamento de Agricultura para promover combustíveis alternativos. O plano prevê o aumento da disponibilidade de etanol nos postos, maior produção de veículos flex e mais ajuda para produtores de etanol em dificuldades, já que muitos foram duramente atingidos pela crise e pela queda dos preços.

03/05/2009 - 12:33h Águas turvas: Elio Gaspari e a propaganda enganosa do governo Serra

ESGOTOS PAULISTAS

Elio Gaspari

Num anúncio publicado na revista “Foreign Policy”, a Sabesp e o governo de São Paulo informam que cuidam da boa qualidade da água que fornecem aos seus clientes e que esse serviço “continua na estação de tratamento de esgotos, afinal, reciclar a água é uma questão de honra para a Sabesp, honra e respeito”.

Lorota. A Sabesp despeja esgoto in natura em 6.670 pontos de rios e córregos de São Paulo. Na mesma publicação o presidente da empresa, Gesner de Oliveira, reconhece que só trata 70% do material recolhido pelos esgotos.

Talvez seja o caso de se criar uma estação de tratamento para a publicidade da Sabesp.

Leia a integra da coluna de Elio Gaspari na Folha SP e no jornal O Globo

27/04/2009 - 13:24h Especialistas divergem sobre impactos do aquecimento global

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Alguns cientistas preferem não fazer previsões catastróficas demais

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Por ANDREW C. REVKIN

A linguagem foi apocalíptica. Um importante cientista climático advertiu que o aumento das temperaturas na Terra provocaria desastres irreversíveis se não fossem tomadas medidas urgentes para conter o aquecimento global.
“O clima se aproxima de seus pontos de desequilíbrio”, escreveu o cientista climático da Nasa James Hansen no jornal “The Observer” de Londres em fevereiro. As calamidades resultantes, advertiram Hansen e outros cientistas de pensamento semelhante, poderão ser amplas e avassaladoras: a perda de inúmeras espécies quando os recifes dos oceanos e as florestas forem perturbados; a transformação da Amazônia em um campo seco; o aumento do nível do mar resultante do derretimento de camadas de gelo na Antártida e na Groenlândia; e o aquecimento da tundra ártica, que liberaria o gás metano na atmosfera.
Mas a ideia de que o planeta está se aproximando do ponto de desequilíbrio -limite em que a mudança se torna incontível- causou uma divisão entre cientistas que de outro modo compartilham profundas preocupações sobre o aquecimento climático.
Ambientalistas e alguns especialistas advertem cada vez mais sobre esses pontos de desequilíbrio em seus esforços para mobilizar o público. O termo confere uma sensação de imediatez às potenciais ameaças do aquecimento climático-perigos que de outro modo poderiam parecer irrelevantes.
Mas outros cientistas dizem que há poucas evidências sólidas que apoiem as previsões de catástrofe. Eles temem que o uso do termo “pontos de desequilíbrio” possa ser enganoso e cause um retrocesso, alimentando as críticas de alarmismo e ameaçando o apoio público à redução das emissões de gases do efeito estufa.
“Acho que grande parte dessa conversa é perigosa”, disse Kenneth Caldeira, cientista da Universidade Stanford, na Califórnia, e do Instituto Carnegie, organização para pesquisas científicas, e defensor da ação rápida para reduzir as emissões de dióxido de carbono. “Se dissermos que já passamos dos limites e pontos de desequilíbrio, será uma desculpa para a inação.”
Enquanto os estudos dos padrões climáticos no passado distante mostram o potencial para mudanças drásticas, dizem esses cientistas, há uma enorme incerteza ao fazer previsões específicas sobre o futuro. Em alguns casos, há grandes questões sobre se os desastres causados pelo clima -como a perda da Amazônia ou o aumento no nível do mar em vários metros- sequer são plausíveis. E, mesmo nos casos em que a maioria dos cientistas concorda que o aumento da temperatura poderia causar uma mudança incontível, ninguém sabe onde está o limite que detonaria as mudanças.
Hansen defende o uso do termo ponto de desequilíbrio e disse que ele representa acuradamente algumas consequências prováveis do aquecimento global irrestrito. Existe abundante evidência, diz, de que o aumento das temperaturas pode ter um efeito abrupto, calamitoso e “não linear” sobre as geleiras e os ecossistemas.
Mas outros veem poucas evidências de um distúrbio desenfreado. Por exemplo, a ideia de que o recente recuo acentuado do gelo de verão no mar do pólo norte adquiriu um momento próprio foi contestada recentemente em trabalhos dos cientistas John S. Wettlaufer, da Universidade Yale, e Ian Eisenman, do Instituto de Tecnologia da Califórnia. Eles afirmam que os bancos de gelo finos têm a capacidade de se reconstituir rapidamente no final do verão, equilibrando o derretimento que ocorre enquanto a luz do sol atinge e aquece a água escura.
De modo mais geral, Wettlaufer salientou a importância de ser “totalmente honestos sobre o que sabemos e o que não sabemos”.

23/04/2009 - 11:39h Governo Lula: geladeiras a R$ 500 e preservação do meio-ambiente

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Com subsídio, geladeiras a R$ 500

Acordo com a indústria prevê fabricação de um modelo popular, para substituir geladeiras com mais de 10 anos

Lisandra Paraguassú e Márcia de Chiara - O Estado SP

http://www.cleber_sm.oi.com.br/gif_animado/Empurrando_Geladeira.gifApresentada como medida ambiental, o governo vai abrir o cofre para subsidiar a compra de geladeiras e turbinar a produção de produtos da chamada linha branca. Um acordo com a indústria de eletrodomésticos deverá resultar na fabricação de um modelo popular de refrigerador para substituir os aparelhos com mais de dez anos de uso, considerados poluentes e com alto consumo de energia. O novo modelo custará em torno de R$ 500. Hoje, um modelo básico sai por volta de R$ 800, já levando em conta o corte do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), anunciado na semana passada.

A nova medida faz parte do programa de troca de geladeiras, que o governo pretende instituir nos próximos três meses.

“Já acertamos com os fabricantes, que farão uma redução nos seus custos porque se trata de uma venda intensiva. Vão fabricar um modelo especial, de excelente qualidade, mas de custo baixo. Quando se centraliza a produção num modelo, o custo cai”, disse o ministro de Minas e Energia, Edison Lobão, ao sair de um encontro, ontem, com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

O programa de troca de geladeiras, criado no fim do ano passado, estava paralisado por conta da decisão de reduzir o IPI de eletrodomésticos de toda linha branca por três meses. A redução do IPI foi um estímulo para a retomada do crescimento da indústria.

O ministro disse ontem que o presidente Lula quer retomar a troca de geladeiras. A dúvida ainda é quando será iniciado. “Ou se faz agora, dentro de 15 dias, ou esperaremos período final do desconto do IPI para geladeiras de um modo geral”, disse o ministro. A decisão deverá ser tomada em dez dias.

O governo deve investir R$ 100 milhões ao ano em transporte das geladeiras antigas e em linhas de financiamento para permitir que a população compre os novos eletrodomésticos também com juros baixos. A ideia é ter linhas do Banco do Brasil e da Caixa Econômica Federal.

O governo estuda, ainda, reduzir o IPI e outros impostos desse modelo popular de geladeira, mas conta com o aumento do volume de vendas para beneficiar a indústria. “Já acertamos com os fabricantes, que farão uma redução nos seus custos porque se trata de uma venda intensiva”, disse o ministro.

O presidente da Associação Nacional de Produtos Eletroeletrônicos (Eletros), Lourival Kiçula, disse que o setor fica feliz porque o governo está preocupado com o programa de substituição de refrigeradores antigos pelos novos, com maior eficiência energética. “Mas não me lembro de ter discutido o valor do produto”, disse. Ele acrescenta que será possível fabricar um refrigerador por R$ 500 se o governo fizer uma renúncia fiscal maior.

A intenção do governo é fazer a troca de pelo menos 1 milhão de geladeiras antigas nos primeiros 12 meses, outros 2 milhões no segundo ano e 10 milhões ao longo de 10 anos. “Se conseguirmos recolher mais de 1 milhão no primeiro ano, recolheremos. Está em jogo a capacidade da indústria, da logística de recolher as geladeiras antigas”, disse o ministro.

14/04/2009 - 11:24h Novas termelétricas terão de compensar emissões de CO2 com plantio de árvores

Valter Campanato/ABr

Ministro Carlos Minc: medida visa encarecer a construção de usinas “sujas”

 

Daniel Rittner, de Brasília - VALOR

As novas usinas termelétricas movidas a carvão ou a óleo combustível terão de compensar pelo menos um terço de suas emissões de CO2 com o plantio de árvores para reflorestamento. Uma térmica com potência instalada de 800 megawatts (MW) e que for acionada dois meses inteiros ao longo de um ano, por exemplo, deverá reflorestar uma área próxima de 70 mil hectares (cada hectare engloba de 100 a 300 árvores, dependendo do bioma) para obter o licenciamento ambiental, segundo novas regras divulgadas ontem pelo governo.

Além do plantio de árvores - preferencialmente em áreas de influência direta ou indireta das térmicas -, os outros dois terços das emissões de dióxido de carbono deverão ser mitigadas por meio de investimentos “em geração de energia renovável ou medidas que promovam eficiência energética, a serem definidos em conjunto com o órgão ambiental competente”. Os empreendedores poderão pleitear créditos pelo Mecanismo de Desenvolvimento Limpo (MDL), que funciona sob a Convenção sobre a Mudança do Clima da ONU.

O objetivo da medida é encarecer a construção de térmicas sujas, dificultando o aumento da participação do carvão e do óleo combustível na matriz elétrica brasileira, segundo o ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc. “Esse custo sempre existiu, mas acabava sendo pago por toda a sociedade”, afirmou o ministro, que anunciou as novas regras de licenciamento como parte das medidas necessários para o cumprimento das metas do Plano Nacional sobre Mudança do Clima.

Até 2017, o Ministério de Minas e Energia prevê a construção de 82 usinas térmicas, o que aumentará em 172% a emissão de gases do efeito estufa produzidos pelo setor elétrico. A alteração anunciada por Minc vem em forma de instrução normativa do Ibama, assinada ontem, que incluiu o CO2 na lista de gases que devem ser mitigados ou compensados por atividades poluidoras. Em um primeiro momento, a regra só vale para usinas que estejam sendo licenciadas no âmbito federal - uma minoria, no caso das térmicas. A maioria dos projetos será afetada somente após o dia 15, quando o Conselho Nacional do Meio Ambiente (Conama) deverá aprovar uma resolução que estenderá esse parâmetro para licenças estaduais.

Térmicas a gás não foram enquadradas nas novas regras porque emitem menos de um terço dos gases do efeito estufa de usinas a carvão ou a óleo. Ao encarecer o uso desses combustíveis fósseis, Minc acredita que fontes de energia como a eólica, a solar e até mesmo a hídrica podem beneficiar-se. “Não podemos permitir que a nossa matriz, que é limpa, torne-se suja”, ressaltou.

“A ideia é dificultar mesmo”, reforçou a secretária de Mudanças Climáticas do ministério, Suzana Kahn, referindo-se à construção de térmicas sujas. Em contrapartida, o Meio Ambiente discute com outras pastas a redução do índice de nacionalização e da tributação para usinas eólicas, que deverão ter leilões anuais.

Todos os empreendimentos em fase de pedido ou obtenção da licença prévia (que atesta a viabilidade ambiental do projeto) deverão adequar-se às novas regras. Elas não valerão, porém, para os projetos que já passaram pela primeira fase do licenciamento e aguardam a licença de instalação ou de operação.

09/04/2009 - 12:30h Canadá busca equilíbrio entre energia limpa e petróleo sujo

Pembina Institute

Campo de extração de areia betuminosa em Alberta; economia petroleira canadense se assenta sobre extração ’suja’

André Borges, de Hinton, no Canadá - VALOR

A picape Toyota trafega com facilidade sobre a neve que cobre as estradas do parque florestal de Hinton, uma pequena vila de 10 mil habitantes escondida entre as Montanhas Rochosas da Província de Alberta, na região central do Canadá. Dentro do carro, bem protegida de incômodos -13°C, Joan Simonton pede para que o especialista em pesquisas ambientais David Andison estacione de frente para uma clareira cercada de pinheiros. Ali, uma área do tamanho de três campos de futebol foi recentemente varrida pelo fogo. Com o dedo, Joan aponta para os tocos carbonizados que restaram no meio do gelo. Ela sorri e diz com orgulho: “Veja só que bacana isso”.

Joan não perdeu o juízo. Ao lado de David Andison, ela é parte dos pesquisadores do Foothills Research Institute, uma organização que tem liderado as ações de conservação da “floresta modelo” de Hinton, projeto que tem atraído a curiosidade internacional. Por mais estranho que possa parecer, em Hinton o fogo tem sido utilizado como um dos principais aliados da floresta. O uso controlado das chamas, diz Andison, desde que limitadas a uma área pré-definida - com condições especiais de umidade, vento e temperatura -, permite que se acelere a injeção de nutrientes no solo. “Esse processo fortalece a região e a renovação da vegetação local”, afirma.

A audácia que caracteriza os métodos de preservação ambiental aplicados em Hinton está presente em boa parte das pesquisas tocadas por institutos e universidades canadenses. A busca por fontes mais limpas e renováveis para geração de energia e de matéria-prima tem resultado em projetos como o da Universidade de Waterloo, em Ontário, onde se testa o uso de resíduos da palha de trigo - normalmente queimada nas lavouras - para fabricar partes de plástico de veículos. Em Vancouver, cientistas estão empolgados com o sucesso das células de hidrogênio para mover veículos. “O hidrogênio é o combustível do futuro”, diz Lars Rose, cientista do National Research Council of Canada (NRC). Rose pode até estar certo em sua previsão. A questão central, porém, é saber quando este futuro virá.

A realidade vivida pelo Canadá na esfera ambiental e de geração de energia talvez seja um dos melhores exemplos da distância que separa os tubos de ensaio das reais fontes que abastecem a economia - e a Província de Alberta é o expoente maior desse vácuo.

No subsolo das florestas de pinheiros da Província está a segunda maior reserva de petróleo do mundo. Com 661,2 mil quilômetros quadrados - área maior que a de países como França ou Tailândia -, Alberta só fica atrás da Arábia Saudita no ranking global do petróleo. Seu desconforto, no entanto, é conviver com o fato de estar sentada sobre um dos petróleos mais “sujos” do planeta.

O petróleo canadense, que hoje abastece 19% da demanda dos EUA - os americanos compram mais petróleo do Canadá que do Oriente Médio - é extraído das chamadas areias betuminosas. Até meados dos anos 1990, tirar petróleo dessas areias escuras era algo extremamente custoso e lento, o que desestimulava a indústria petroleira. Nos últimos dez anos, porém, a alta do petróleo fez com que a exploração dessas fontes não convencionais se tornasse economicamente interessante. A areia betuminosa passou a movimentar dezenas de bilhões de dólares, investimento que não tem saído ileso a uma saraivada de críticas devido ao seu custo ambiental.

Cerca de 80% do betume - a substância que é retirada da areia para gerar o petróleo - dorme a uma profundidade de aproximadamente 60 metros da superfície. Para tirá-lo de lá é preciso, antes de mais nada, cortar as árvores e remover toneladas de terra e areia que estão nas camadas superiores. Nos campos de Alberta, caminhões gigantescos são usados para escavar os campos. Uma vez que a areia é alcançada, ela passa por um processo de lavagem em toneladas de água quente - em algumas ocasiões, usa-se soda cáustica. É dessa lavagem que emerge o betume, matéria-prima que é convertida em petróleo após ser cozinhada a uma temperatura de 900°C.

O saldo para a natureza é o mais desastroso possível. Para obter um barril de petróleo, é preciso revirar e lavar nada menos do que quatro toneladas de areia. Quando decidem por não escavar o solo, as petroleiras optam por perfurar a terra com dois longos canos metálicos, até atingir os campos de betume. Enquanto uma tubulação envia calor para derreter a substância, a outra suga o líquido pastoso para cima, um processo que envolve um pesado consumo de energia e de gás natural. No fim do dia, o que sobra de ambos processos são enormes lagoas negras recheadas de areia, resíduos de betume e água contaminada, líquido que a indústria filtra novamente para reutilizar em novas lavagens.

“Essa situação é um exemplo claro do momento de transição que o mundo vive”, diz Fernando Almeida, presidente do Conselho Empresarial Brasileiro para o Desenvolvimento Sustentável (CEBDS). “Estamos no início da passagem de uma economia concentradora de poder e geradora de poluição para uma economia verde, baseada em alternativas limpas e de baixa emissão de carbono.”

A se basear pela indústria petroleira, a hipótese de o mundo ter iniciado uma “fase de transição” parece distante. Na última década, a indústria petroleira gastou US$ 50 bilhões na construção de estruturas para retirar a areia subterrânea de Alberta - US$ 20 bilhões desse montante foram injetados em meados do ano passado, quando o barril do petróleo chegou ao pico de US$ 147.

No mês passado, o preço do barril oscilou entre US$ 45 e US$ 50, uma média que, segundo os especialistas do setor, já é suficiente para viabilizar a extração de óleo das areias betuminosas. Entre consumo de energia e gastos operacionais, o processo de extração custa cerca de US$ 23 para cada barril.

Há duas semanas, a canadense Suncor Energy deu seu recado ao mercado ao anunciar a compra de sua concorrente, PetroCanada, por US$ 15,9 bilhões. O acordo - o maior ocorrido no setor desde 2006 - cria a quinta maior produtora de petróleo e gás da América do Norte. A Suncor é hoje a segunda maior produtora de petróleo extraído de campos de areia betuminosa do mundo, atrás da canadense Syncrude. Mas elas não estão sozinhas em Alberta. Companhias como Statoil, Shell, Total, Exxon Mobil e Chevron também vêm demarcando seus territórios.

No longo prazo, a projeção para essas companhias é favorável. Em 2005, a produção de Alberta atingiu 1,7 milhão de barris de petróleo por dia. Até 2015, a expectativa é que mais de 3 milhões de barris sejam produzidos diariamente.

O potencial dos campos estimula as petroleiras. Calcula-se que as areias betuminosas do Canadá contenham 174 bilhões de barris de petróleo que já teriam condições de serem explorados de forma lucrativa. Outros 141 bilhões de barris dependem de uma nova guinada no preço do petróleo - e não há muitas dúvidas de que isso ocorrerá. A agência americana Energy Information Administration (EIA) estima que o barril de petróleo deverá custar US$ 120 em meados de 2030. A EIA alertou ainda que será preciso atingir uma capacidade extra mundial de produção de petróleo de 30 milhões de barris por dia até 2015. De outra forma, o mundo correria o risco de ter que desacelerar o ritmo e inibir a recuperação da economia.

Até lá, muita coisa já terá mudado em Alberta, dentro e fora de seus campos de betume. Recentemente, as organizações de proteção ambiental Pembina Institute e Boreal Songbird Initiative notaram que a derrubada das árvores e a emissão de gases gerada pela extração e refino da areia betuminosa já está mexendo radicalmente com a migração de pássaros que sobrevoam Alberta. Se nada for feito, diz Jeff Wells, autor do estudo sobre o tema, o que vamos assistir nos próximos 30, 50 anos, é a morte de mais de 160 milhões de pássaros. “As pessoas precisam pensar sobre o custo ecológico atual e de longo prazo desse desenvolvimento”, comenta Well. “É preciso decidir se isso é algo aceitável.”

O repórter viajou a convite do governo do Canadá

09/04/2009 - 11:43h Acordo do clima esbarra no Congresso americano

Reunião sobre tratado que sucederá Protocolo de Kyoto adia discussão de meta

Nações desenvolvidas não querem dar as cartas antes dos EUA no debate sobre corte de emissões, mas país não chegou a acordo interno

Oliver Berg/Efe

Todd Steven, negociador dos EUA para o novo tratado do clima

AFRA BALAZINA ENVIADA ESPECIAL A BONN (ALEMANHA) - FOLHA SP

O mundo virou refém do Congresso dos EUA. Pelo menos no que diz respeito ao aquecimento global. Essa situação se delineou em Bonn, na Alemanha, durante a primeira reunião de negociação para preparar o acordo que será fechado na Conferência do Clima em Copenhague, em dezembro.
O evento, que terminou ontem, deveria ter iniciado as negociações sobre metas que os países desenvolvidos adotarão para reduzir as emissões de gases do efeito estufa após 2012, quando expira a primeira fase do Protocolo de Kyoto, o acordo do clima vigente agora. Mas não foi o que ocorreu.
Negociadores do presidente dos EUA, Barack Obama, acabam de entrar no jogo depois de o governo Bush ter se esquivado, mas ainda não têm uma posição definida sobre que tipo de meta de corte propor, porque qualquer movimento requer um acordo interno no legislativo do país. A delegação americana em Bonn, apesar de declarar que quer liderar o processo de combate à crise do clima, teve em Bonn uma atuação discreta: mais ouviu do que falou, possivelmente ainda estudando o cenário político. Quando questionado pelos jornalistas se o país traria uma proposta concreta para colocar à mesa em junho, na próxima reunião entre os negociadores, Jonathan Pershing, representante dos EUA, respondeu que a pergunta deveria, na verdade, ser feita ao Congresso. Porém, se disse cético quanto ao cumprimento do prazo. “Ficaria surpreso se isso acontecesse”, afirmou, mesmo prometendo empenho. “Podemos pressionar, levar dados ao Congresso e tentar agilizar o processo.”
Em Bonn, porém, o empenho foi limitado. O negociador-chefe dos EUA, Todd Stern, foi aplaudido durante discurso na abertura do evento, mas não ficou até o final da reunião.

Mudança de assunto
O entrave causado pela indefinição dos americanos ficou claro em Bonn, com outros países industrializados tentando evitar a todo o custo falar em números de redução das emissões. Propuseram mudar o tema do debate para tratar de outros assuntos, mas a alternativa foi barrada pelo grupo do qual o Brasil faz parte, que reúne o G77 (com 77 países em desenvolvimento) mais a China. Na tarde de ontem, o texto sobre a negociação referente à redução das emissões dos países ricos gerou polêmica. Vários países em desenvolvimento criticaram a falta de números. A Colômbia, por exemplo, disse que, sem eles, o documento apresentado não valia nada. A delegação da União Europeia respondeu que questões como essa “não se resolvem numa noite”, e que números concretos podem vir a ser decididos em Copenhague por ministros ou até chefes de Estado.

Sem números
A indefinição, todavia, vai além dos países ricos. Não há consenso nem no G77 + China. Os pequenos Estados-ilha, afetados pelo aumento do nível do mar, pedem redução de mais de 40% nas emissões de gases-estufa até 2020, em relação aos níveis de 1990. Países produtores de petróleo, por outro lado, são muito mais liberais.
Ambientalistas defendem um corte de 40%, e o painel do clima da ONU sugere redução de 25% a 40% para que os efeitos do aquecimento global não sejam catastróficos. Segundo cálculo da ONG Greenpeace, porém, as metas formais e informais que existem no momento, preveem cortes de apenas 4% a 14%, até 2020. “Líderes do mundo têm de perceber que não podem mudar a ciência, então têm de mudar as políticas públicas urgentemente”, diz Guarany Osório, um dos delegados da ONG. “A ciência é clara; os números das metas e o valor do dinheiro para salvar o clima são obscuros.” ONGs também reclamaram da falta de financiamento para reduzir emissões nos países pobres e para ajudá-los na adaptação ao aquecimento. Kim Carstensen, do WWF, diz que os corte de emissão serão o “coração” do novo acordo global, enquanto o “sangue” será o financiamento para tecnologia e adaptação. “Mas o coração não está batendo e o sangue não está circulando”, disse.

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Pobre diz que rico exporta sua poluição

DA ENVIADA ESPECIAL A BONN

Nas últimas décadas, muitas fábricas deixaram nações desenvolvidas em busca de mão de obra mais barata e as exigências ambientais menores para baratear seus custos. Por conta disso, países como a China, que absorvem essa demanda de produção empresas, dizem que emitem gases-estufa para produzir bens de consumo para os ricos, e querem agora que aqueles que consomem esses bens -não quem os produz- seja responsabilizado pela emissão de gases do efeito estufa decorrente do processo.
Elliot Diringer, vice-presidente do Centro Pew de Mudança Climática Global, núcleo de estudos da Virgínia (EUA) contou em Bonn que um representante do governo chinês já tinha feito essa alegação durante um seminário realizado pela ONG recentemente, em Washington. Porém, em sua opinião, a questão não é tão relevante ou crucial para as negociações.
Já Surya Sethi, integrante da delegação indiana, discorda veementemente da posição de Diringer. “Não vamos resolver o problema climático se não resolvermos a questão da produção e do consumo, que ocorre nos países industrializados”, diz. “Os níveis de consumo atuais são insustentáveis e, se não caírem, não vamos solucionar a questão.”
Uma saída, diz Sethi, seria criar novas tecnologias que reduzam emissões. Segundo o delegado indiano, nas economias emergentes, exceto na China, o consumo de combustíveis fósseis, que agrava o efeito estufa, está estagnado ou caindo. (AB)


A repórter AFRA BALAZINA viajou a convite da Convenção do Clima da ONU

09/04/2009 - 11:18h Califórnia ratifica trunfo ambiental do etanol de cana

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Ricardo Balthazar, de Washington - VALOR

Uma das agências de proteção ambiental mais poderosas dos EUA está prestes a aprovar uma resolução que deverá provocar a reavaliação profunda dos benefícios gerados por biocombustíveis como o etanol, criando novas oportunidades para os usineiros brasileiros interessados em aumentar as exportações do produto para o cobiçado mercado americano.

A medida está há meses em estudos no Conselho de Qualidade do Ar do Estado da Califórnia, organismo encarregado de definir regras para a execução de um ambicioso programa lançado há dois anos para incentivar o consumo de combustíveis limpos e combater o aquecimento global. A iniciativa poderá levar à adoção de políticas semelhantes em outros Estados americanos e na esfera federal.

No centro do debate está a possibilidade de os EUA adotarem um método novo e controverso para calcular a contribuição da indústria dos biocombustíveis para as mudanças climáticas, contabilizando efeitos indiretos como o impacto da produção no desmatamento na Amazônia e no uso da terra em outras partes do globo.

Diversos estudos científicos demonstram que a substituição da gasolina pelo etanol reduz de forma significativa as emissões de dióxido de carbono e outros gases responsáveis pelo efeito estufa. Mas essas análises consideram apenas as emissões que podem ser atribuídas diretamente à produção e à distribuição do combustível e não incluem efeitos indiretos, difíceis de medir com exatidão.

Os ambientalistas americanos temem que o avanço dos biocombustíveis empurre a produção agrícola mundial para regiões como a Amazônia, o que poderia anular seus benefícios para o planeta. Mas os estudos que estão sendo feitos nos EUA têm servido para realçar as vantagens que o etanol brasileiro oferece em relação a outros tipos de biocombustível.

Cálculos preliminares do Conselho de Qualidade do Ar da Califórnia sugerem que o etanol produzido no Brasil permite reduzir em 72% a emissão de gases-estufa associados ao consumo de gasolina, em linha com estudo recente da estatal brasileira Embrapa . Se forem incluídos na conta desmatamento e outros efeitos indiretos atribuídos pelos ambientalistas à produção de álcool, a redução seria bem menor: 24%.

Ainda assim, o álcool brasileiro sairia ganhando na comparação com o etanol produzido nos EUA, onde o combustível é feito de milho em vez de cana-de-açúcar. Os cálculos da Califórnia sugerem que a substituição da gasolina por etanol de milho aumentaria em 4% as emissões de carbono, depois de computados os efeitos indiretos.

A resolução em discussão no Conselho de Qualidade do Ar deve ser aprovada no próximo dia 24 e dará enorme força a esses números. O programa de combate ao aquecimento global lançado pela Califórnia estabelece como meta para a próxima década uma redução de 10% na intensidade de carbono dos combustíveis usados por carros e outros veículos no Estado.

A partir de 2011, as refinarias do Estado precisarão de volumes crescentes de combustíveis limpos para cumprir essa meta. Se as regras propostas pelo governo prevalecerem, os cálculos que incluem o desmatamento e outros efeitos indiretos na análise dos biocombustíveis terão peso decisivo nas escolhas das refinarias e poderão favorecer o álcool produzido no Brasil.

Mais rico dos Estados americanos, a Califórnia consumiu quase 57 bilhões de litros de gasolina em 2008. Se as refinarias substituíssem um décimo disso por etanol, misturando o álcool à gasolina para cumprir as exigências da legislação do Estado, a demanda gerada pela iniciativa seria equivalente a três vezes o volume de etanol vendido pelos usineiros brasileiros para os EUA no ano passado.

Se a proposta dos ambientalistas da Califórnia vingar, o álcool do Brasil terá uma vantagem significativa sobre o etanol feito de milho nesse mercado. “O combustível que proporcionar uma redução maior das emissões de carbono poderá cobrar um prêmio por isso”, disse o representante da União da Indústria de Cana-de-açúcar (Unica) nos EUA, Joel Velasco, que tem acompanhado de perto a discussão do tema na Califórnia.

O etanol brasileiro enfrenta atualmente diversas barreiras para entrar nos EUA. Os produtores americanos recebem subsídios oficiais generosos para extrair o combustível do milho. Tarifas impostas ao álcool importado encarecem o produto brasileiro, reduzindo sua competitividade. As normas em debate na Califórnia podem reduzir a importância dessas barreiras se de fato gerarem um aumento na demanda pelo etanol do Brasil.

Políticos, cientistas e grandes corporações com interesses no setor tem se mobilizado para influir na discussão. Vários grupos estão pressionando as autoridades da Califórnia a abandonar a ideia de incluir os efeitos indiretos nas suas análises, por causa das perdas que isso pode causar especialmente às usinas americanas. É provável que diversos grupos recorram à Justiça contra a decisão da Califórnia.

Os modelos matemáticos usados para calcular os efeitos indiretos são imperfeitos. Se uma floresta é destruída porque fazendeiros precisam de terra para produzir alimentos, o carbono armazenado nas árvores é liberado na atmosfera, contribuindo para o efeito estufa. Mas inúmeros fatores podem contribuir para que isso ocorra, e o avanço dos biocombustíveis em áreas que eram dedicadas à produção de comida é só um deles.

“A premissa básica dessa discussão, a de que os biocombustíveis também são responsáveis por emissões que ocorrem fora da sua cadeia produtiva, está errada”, disse o professor Bruce Dale, um especialista da Universidade de Michigan. “Outro problema é achar que temos condições de analisar todas as variáveis envolvidas no processo e tomar decisões com base em modelos tão pouco confiáveis”.

Mas os ambientalistas têm muito poder na Califórnia e neste ano passaram a ocupar postos-chave em Washington também, com a posse do presidente Barack Obama. “Não há como fugir dessa discussão”, disse Nathanael Greene, um analista do Conselho de Defesa dos Recursos Naturais, um influente grupo de pressão. “Pode haver dúvidas sobre a melhor forma de calcular isso, mas é certo que o impacto dos biocombustíveis sobre o uso da terra não é zero e precisamos desenvolver a indústria de forma mais sustentável”.

Há no momento uma discussão muito semelhante em curso na esfera federal. A Agência de Proteção Ambiental dos EUA (EPA, na sigla inglês) também está prestes a definir uma nova metodologia para calcular as emissões de gases-estufa associadas aos vários tipos de biocombustíveis, incluindo os efeitos indiretos sobre o uso da terra. A proposta da EPA ainda está em análise na Casa Branca.

Metas fixadas pela legislação americana impõem limites à expansão das usinas de etanol de milho no país e determinam que no futuro o consumo de outros biocombustíveis só poderá aumentar se eles emitirem 50% menos gases-estufa do que a gasolina. Cálculos preliminares feitos pela EPA indicaram uma redução de 44% com o uso do etanol de cana, numa conta que inclui os efeitos indiretos.

14/03/2009 - 15:10h Le plus noir des scénarios climatiques se profile

Changement climatique

http://medias.lemonde.fr/mmpub/edt/ill/2008/12/12/h_12_ill_1130556_a45c_000_par2096241.jpg

COPENHAGUE ENVOYÉE SPÉCIALE LE MONDE

A neuf mois de la conférence de Copenhague, où la communauté internationale s’est fixé un ultime rendez-vous pour s’accorder sur un plan de réduction des gaz à effet de serre responsables du réchauffement climatique, rien ne garantit qu’un accord sera trouvé. C’est dans l’espoir de conjurer un possible échec que près de 2 000 scientifiques, parmi lesquels les plus éminents climatologues mondiaux, se sont réunis du 10 au 12 mars dans la capitale danoise.

“Imaginez un avion dont la probabilité d’arriver à destination est de 10 %. Monteriez-vous à bord ? Evidemment non…” Stefan Rahmstorf, de l’Institut de recherches de Potsdam sur le climat, aime bien cette métaphore pour expliquer ce qui est en train de se passer : depuis le dernier rapport du Groupe intergouvernemental d’experts sur l’évolution du climat (GIEC), publié en 2007, il est certain, à 90 %, que l’homme est à l’origine de la transformation du climat qui menace les grands équilibres planétaires.

Or tout se passe comme si les gouvernements s’interrogeaient encore sur la possibilité d’embarquer dans cet avion promis à la catastrophe. A Copenhague, la communauté scientifique a voulu démontrer une dernière fois, avant la fin des négociations, que le doute n’était plus permis. “Nous avons accumulé beaucoup de données depuis le dernier rapport du GIEC, en 2007. Nous voulons que les gouvernements décident en connaissance de cause”, a expliqué Katherine Richardson, de l’université de Copenhague, l’une des neuf universités à l’origine de cette initiative.

Les conclusions du GIEC s’appuient sur des données datant au mieux de 2005. Compte tenu de la lourdeur de cette organisation, qui réunit 2 500 chercheurs de 130 pays et dont l’ensemble des publications est soumis au consensus, le prochain rapport ne paraîtra pas avant 2014. Or “les dernières observations confirment que le pire des scénarios du GIEC est en train de se réaliser. Les émissions ont continué d’augmenter fortement et le système climatique évolue d’ores et déjà en dehors des variations naturelles à l’intérieur desquelles nos sociétés et nos économies se sont construites”, a affirmé le comité scientifique de la conférence. Les prévisions du GIEC anticipent une hausse des températures comprises entre 1,1 °C et 6,4 °C à la fin du siècle par rapport à la période préindustrielle.

Stefan Rahmstorf a présenté une étude selon laquelle le niveau des océans pourrait augmenter dans une fourchette de 75 cm à 190 cm d’ici à 2100. Soit bien au-delà des prévisions du GIEC allant de 18 cm à 59 cm. Celles-ci - et le GIEC avait pris soin de le souligner - ne prenaient pas en compte l’évolution des calottes glaciaires du Groenland et de l’Antarctique. Or leur rôle serait en réalité majeur, au travers de la fonte des glaces mais surtout de leur “écoulement” dans la mer. “Ce phénomène est beaucoup plus massif et beaucoup plus rapide que nous ne le pensions”, confirme Eric Rignot, professeur à l’UC Irvine en Californie.

Lucka Kajfez Bogataj, de l’université de Ljubljana (Slovénie), a épluché l’ensemble des études climatiques parues dernièrement. Elle conclut sans hésiter : “L’impact du réchauffement est plus précoce et plus rapide que prévu.” Entre 1990 et 2006, le monde a connu les treize années les plus chaudes depuis 1880, qui marque le début de l’ère industrielle, cite-t-elle en exemple.

Spécialiste des écosystèmes, Andreas Fischlin, de l’Institut fédéral de technologie de Zurich, va dans ce sens : “Les écosystèmes stockent 25 % des émissions mondiales de carbone. Cette capacité de stockage devrait culminer vers 2050, avant que les écosystèmes fragilisés par le réchauffement ne se mettent à leur tour à relâcher du CO2 dans l’atmosphère aggravant ainsi le phénomène. Ce problème est beaucoup plus important que nous ne le pensions il y a cinq ans.”

Ce que les scientifiques ont baptisé des tipping points, soit des seuils au-delà desquels les conséquences du réchauffement deviennent irréversibles et incontrôlables, pourraient être plus bas. “Nous pensions que la survie des ours polaires serait menacée à partir d’une hausse des températures de 2,8 °C, il est probable que cela soit déjà vrai à partir de 1,5°C”, avance M. Fischlin.

La richesse des hotspots (”points chauds”) de la biodiversité, ces régions qui concentrent quantité d’espèces rares ou endémiques, serait en danger à partir d’un réchauffement de 1,6 °C. “Les nouveaux modèles dont nous disposons nous montrent que beaucoup de seuils de rupture se trouvent dans la bande des 2 °C à 3 °C. Et qu’il faudrait mieux garder une distance de sécurité pour ne pas risquer de s’en approcher”, poursuit le chercheur. Sir Nicholas Stern, auteur du célèbre rapport sur “l’économie du changement climatique”, a indiqué que “le coût de l’inaction sera supérieur à ce qu’il avait présenté en 2006″.

Présent à Copenhague, le président du GIEC, Rajendra Pachauri, n’est pas sorti de son devoir de réserve mais, à neuf mois de l’échéance, il a jugé “utile que cette conférence rappelle aux politiques qu’il existe une crise plus grave que la crise économique”. James Hansen, le célèbre climatologue de la NASA qui fut l’un des premiers à alerter en 1988 sur les dangers du réchauffement, a été plus direct : “Il faut que l’opinion soit sûre d’une chose. Les scientifiques sont clairs. Il n’existe pas de grosses incertitudes sur le film qui est devant nous. Et les politiques ne peuvent pas s’abriter derrière de prétendues inconnues pour ne pas agir.” En clair, les scientifiques ont fait leur travail. Aux politiques maintenant de faire le leur.

Laurence Caramel

http://medias.lemonde.fr/mmpub/edt/ill/2008/05/27/h_12_ill_1050506_kyoto.jpgA New York, les anti-Kyoto dénoncent “l’alarmisme environnementaliste”

LE MONDE

Elle ne figure pas à l’agenda officiel des grandes réunions sur le climat, mais se targue du titre de “Conférence internationale sur le changement climatique”. Sa deuxième édition s’est tenue à New York du 8 au 10 mars, avec comme invité de marque le président tchèque Vaclav Klaus, dont le pays préside actuellement l’Union européenne (UE).

Quant à l’organisateur de ce rassemblement - où s’est pressé un demi-millier de scientifiques, de politiciens et d’économistes -, il s’agit de l’Institut Heartland, un groupe de réflexion qui, selon sa charte, entend “promouvoir des solutions aux problèmes économiques et sociaux par la liberté du marché (et) la dérégulation, partout où l’initiative privée est plus efficace que les bureaucraties gouvernementales”.

Credo des participants : dénoncer les théories sur le changement climatique, dénuées, selon eux, de fondements scientifiques et fer de lance d’une guerre sournoise contre le capitalisme. M. Klaus a ouvert les débats en dénonçant “l’alarmisme environnementaliste” dont “le véritable projet est (…) de ramener l’humanité des siècles en arrière”. Une déclaration critiquée, le 12 mars, par Martin Bursik, ministre tchèque de l’environnement, qui regrette “l’amateurisme et les positions bizarres” de M. Klaus sur cette question.

Qui sont les vecteurs de cette menace ? Al Gore, l’ancien vice-président américain et co-Prix Nobel de la paix, mais aussi le Groupe intergouvernemental d’experts sur l’évolution du climat (GIEC), pour qui l’impact de l’homme sur le climat est quasi certain.

“REFROIDISSEMENT PLANÉTAIRE”

Les intitulés des interventions indiquent la tonalité générale des débats. “Comment arrêter le protocole de Kyoto ou sa prochaine version ?”, “Pourquoi le CO2 n’est pas responsable du réchauffement”, etc. Parmi les tenants du “scepticisme”, aucun climatologue de renom, à l’exception de Richard Lindzen (MIT) et Roy Spencer (Université d’Alabama à Huntsville), connu pour ses prises de position néocréationnistes.

Mais des divergences sont rapidement apparues. Plusieurs intervenants remettent en question la réalité même du réchauffement. Ainsi, pour le géologue Don Easterbrook (Université occidentale de l’Etat de Washington), on assiste, depuis 1977, à un “refroidissement planétaire”. “Le seul lieu où la supposée catastrophe climatique se produit est dans le monde virtuel des modèles informatiques”, expliquait de son côté le politicien Marc Morano. D’autres ne la nient pas, mais récusent le rôle de l’homme. Comme l’astronome Willie Soon (Université Harvard), qui l’attribue à l’activité solaire…

L’essentiel de la communauté climatologique “ignore totalement ce qui se passe à cette réunion, où on ne fait pas de science, et où aucun résultat nouveau n’est annoncé”, explique le climatologue Gavin Schmidt (Goddard Institute for Space Studies, NASA). D’autres critiques soulignent que, chose rare pour les conférences scientifiques, les intervenants sont rémunérés. Ce que confirme au Monde Dan Miller, porte-parole de l’Institut Heartland. En outre, le groupe de réflexion ne divulgue pas la liste de ses donateurs. Exxon Mobil en a longtemps fait partie, avant de renoncer, en 2006, à financer le “climato-scepticisme”.


Sylvain Cypel (à New York), avec Stéphane Foucart

13/03/2009 - 17:05h Ciência enfrenta política em encontro sobre clima

Premiê e pesquisador discutiram em plenário

http://prisionofthemind.files.wordpress.com/2008/01/2007062100_blog_uncovering_org_aquecimento_global_image-tm.jpg

GUSTAVO FALEIROS COLABORAÇÃO PARA A FOLHA EM COPENHAGUE

Organizado para atualizar estimativas sobre o aquecimento global, o Congresso Científico Internacional sobre Mudanças Climáticas terminou ontem em Copenhague com um intenso debate entre cientistas e o primeiro-ministro da Dinamarca.
O premier Anders Rasmussem, após a apresentação dos resultados finais do encontro, defendeu que o novo acordo climático deve estabelecer uma meta que permita uma elevação de até 2ºC na temperatura global. A Dinamarca assumirá a presidência da Convenção do Clima da ONU em dezembro, quando 190 países negociarão novas metas de emissão para o próximo período de Protocolo de Kyoto, o pós-2012.
Após a fala do primeiro-ministro, o oceanógrafo alemão Stepham Rahmstorf pediu a palavra e disse que usar o nível de 2ºC não diminui a insegurança com relação a graves impactos da mudança do clima. “Os 2ºC devem ser um limite que não deve ser ultrapassado e não uma meta”, disse.
Rasmussem reagiu e perguntou se Rahmstorf estava afirmando que o IPCC (painel do clima da ONU) errou ao sustentar que 2C era um limite razoável. “Você acha que eu deveria dizer à União Europeia que nós deveríamos revisar esta meta, que levou meses para ter consenso?”, afirmou.
Will Stefen, cientista da Universidade Nacional da Austrália, interveio com panos quentes no debate. Disse ao ministro que adotar 2ºC como meta poderia ser uma saída para viabilizar o acordo climático no curto prazo. Mas fez ressalva: “Creio que num futuro bem próximo teremos que revisar isso”.
A disputa em torno dos limites de temperatura acabou sintetizando a principal conclusão do Congresso em Copenhague: cientistas precisam alertar governos de que o problema é mais sério do que se imaginava.
“Observações recentes confirmam que, devido às altas taxas de emissão [de gases-estufa], os piores cenários do IPCC estão se tornando reais”, afirma o texto síntese da reunião.
Entre os dados mais pessimistas apresentados em Copenhague, destaca-se o modelo de Rahmstorf que a elevação do nível do mar será mais que o dobro da prevista pelo IPCC.
Nicholas Stern, economista autor de estudo de 2006 que prevê um rombo de até 20% no PIB caso a mudança climática não seja combatida, admitiu em conferência de imprensa que, apesar de severos, os cenários projetados por ele já estão defasados. “Olhando para trás, o “Relatório Stern” subestimou os riscos e os danos”, afirmou.

01/03/2009 - 10:50h Moradores pedem que lago seja limpo

 
São Paulo Protesto da comunidade da Aclimação contra a decisão da prefeitura de São Paulo sobre o enchimento do lago que se esvaziou devido ao rompimento do vertedouro que controlava a saída de água do lago. O secretário do Verde e Meio ambiente, Eduardo Jorge, deu algumas explicações sobre a decisão da prefeitura onde gerou protesto da comunidade.27-02-2009. Foto: Leo Barrilari/FotoRepórter/AE

Ato pacífico vira bate-boca com a chegada de secretário do Verde, Eduardo Jorge

NAIANA OSCAR, JT

naiana.oscar@grupoestado.com.br

Era para ser um abraço pacífico, com moradores de mãos dadas em torno do lago seco da Aclimação. Mas a manifestação que ocorreu ontem pela manhã no parque acabou em bate-boca com a chegada do secretário do Verde e Meio Ambiente, Eduardo Jorge. Em meio a vaias e gritos de protesto, ele tentou justificar os problemas do lago e por que a Prefeitura não vai entregá-lo limpo tão cedo. Numa previsão otimista, o secretário estima que isso ocorrerá só em março do ano que vem.

A maior crítica da população, ontem, era em relação à decisão municipal de tornar a encher o lago sem antes tirar o lodo e a sujeira que se acumulam ali. A Prefeitura prometeu que esse procedimento começaria entre ontem e hoje, com o bombeamento de água feito pela Sabesp. Segundo nota divulgada pela secretaria, a remoção do lodo exige sua diluição em água para posterior desidratação e transporte.

“Sou leiga, mas acho que a ocasião para fazer a limpeza é agora. Como vamos saber mais tarde se ele está limpo, se a água vai esconder de novo a poluição?”, disse a professora aposentada Cecília Fusaro, que frequenta o parque há quase três décadas. Ontem, ela estava entre os 300 usuários do parque que “abraçaram” o lago e cobraram soluções do secretário.

O presidente da Associação de Usuários do Parque da Aclimação, Miguel Adoud, também é contra as ações da Prefeitura. Ele defende que a limpeza seja feita imediatamente, mesmo que isso signifique manter o lago seco por mais tempo. “Vai acabar virando um piscinão. E os nossos problemas com enchente só vão aumentar”, afirmou.

Os moradores tentaram convencer o secretário de que a limpeza do lago precisa ser realizada com urgência. Por várias vezes, ele deu a mesma resposta. “É preciso fazer uma licitação, porque a retirada do lodo não justifica um contrato de emergência”, repetia. “Ele está aí há mais de 50 anos e não colocou a vida de ninguém em risco. Por isso, não é emergencial”, completou o chefe de gabinete, Hélio Neves. Com esse caráter, a Prefeitura contratou apenas a empresa responsável pela reforma do vertedouro danificado que causou, na última segunda-feira, o escoamento dos 75 milhões de litros de água do lago.

Poluição

Análises realizadas entre maio e dezembro de 2008 pela Prefeitura indicaram uma baixa taxa de poluição no lago da Aclimação. O índice médio foi de 24 miligramas de oxigênio por litro. De acordo com critérios informados pela Sabesp, quando essa taxa está entre 10 e 30, a qualidade da água é considerada boa. Acima disso, há restrição à existência de peixes, cheiro ruim e a necessidade de tratamento especial.

Um relatório divulgado ontem pela Secretaria do Verde e Meio Ambiente mostra que desde 2005 foram investidos R$ 4,1 milhões no Parque da Aclimação. Desse total, 44% foram para despoluição do lago, redirecionamento de nascentes, modernização da estação da Sabesp, vistoria e “recirculação” da água. Segundo a Prefeitura, todo o complexo hídrico do lago foi vistoriado em 2007 pela Secretaria de Infraestrutura Urbana a um custo de R$ 460 mil.

27/02/2009 - 09:54h Kassab vai manter lago poluído

Gabriela Gasparin do Agora

Sob descontentamento dos frequentadores do parque da Aclimação, a prefeitura voltará a encher o lago da área verde amanhã sem a retirada do lodo e lixo acumulados no fundo do ex-lago. O material, além de malcheiroso, transmite doenças à população.

O lago esvaziou na segunda-feira após o vertedouro (equipamento que controla o nível de água do lago) ter a base rompida durante um temporal. Animais morreram.

O Prefeito Gilberto Kassab (DEM) disse que o motivo da tragédia não foi falta de manutenção, mas a pressão que a água da chuva provocou no equipamento.

O reparo da base do vertedouro deve ser finalizado hoje pela empresa contratada emergencialmente por cerca de R$ 160 mil. Será feito o encaixe de um tubo de concreto na base rompida e o lago voltará a ser enchido.

Kassab disse anteontem que não haverá a necessidade de retirar o lodo antes de encher. Segundo o prefeito, o material será removido com o lago já cheio, quando será colocado um novo vertedouro e as galerias da região serão revistas. A previsão do prefeito é que essa etapa esteja concluída em até 10 meses por causa da licitação. Kassab disse que a obra já estava prevista antes da tragédia e estava orçada em R$ 20 milhões.

Descontentamento
A ideia de colocar água sobre o lamaçal que restou do que era um lago, entretanto, não agradou nem um pouco os frequentadores do parque.

Indignada, a população quer que o material seja retirado antes de encher o lago de novo. Além de peixes mortos que provocarão mal cheiro, há pneus, bacias, entulho, pedaços de madeiras e garrafas no lodo.

A Assuapa (Associação dos Usuários e Amigos do Parque Aclimação) fará um movimento amanhã exigindo a retirada do lodo antes de o lago encher. “Aconteceu uma tragédia, a prefeitura não tem que ficar fazendo licitação para a retirada do lodo”, disse o diretor da entidade, Roberto Casseb. A associação pretende montar um conselho para a recuperação do lago.

Ontem pela manhã, a sujeira do lago seco prendia a atenção visitantes do parque, que paravam para assistir à cena. “Eu queria saber como que essa sujeira entrou aqui. Podia aproveitar que o lago secou para tirar a lama”, disse a atendente Solange Guimarães, 28 anos, que visitava o parque na tarde de ontem.

O lodo do parque pode transmitir doenças, como hepatite e leptospirose, às pessoas, segundo o infectologista Paulo Olzon. O zootecnista da Unesp (Universidade do Estadual Paulista) disse que, apesar de não fazer mal aos peixes, é correto retirar o lodo do fundo do local onde havia o lago.

27/02/2009 - 09:42h 4 anos mais tarde…

Ontem formulei aqui algumas perguntas sobre os problemas de manutenção do lago do Parque da Aclimação. O lago seco do engenheiro Kassab

“Em 2005, o então prefeito José Serra soltou um decreto autorizando as empresas privadas a “assumirem” a manutenção dos lagos dos parques municipais. Os quatro parques visados pelo decreto eram: Ibirapuera, Aclimação, Carmo e Cidade de Toronto. As empresas deveriam, segundo o decreto de Serra, cuidar de poluição da água, erosão ribeirinha, vegetação local, assoreamento dos lagos, fauna aquática, avaliação de qualidade da água e campanhas que estimulem a participação da população na conservação dos lagos. Em troca fariam a publicidade nos locais.

Que fim recebeu o decreto? Quais empresas assumiram “cuidar” do lago?

Segundo a Folha de São Paulo da época “Um relatório com a atual condição desses lagos e as medidas de manutenção e recuperação necessárias em cada um deles deve ser publicado pela Secretaria Municipal do Verde e do Meio Ambiente (SVMA) em 120 dias.” (Folha SP 10/8/2005).

O relatório foi feito? Quais foram suas conclusões?”

Segundo o jornal O Estado SP a prefeitura produziu um relatório em 2006 identificando os problemas. Aparentemente a lista é a mesma que figurava no decreto de Serra em 2005. Segundo o Estado SP nenhuma empresa assumiu cuidar do lago e o jornal não consegue saber se a prefeitura cuidou do que seu próprio diagnostico considerava problemas à resolver.

Como para evitar que estes e outros elementos provantes do desfuncionamento da administração demo-tucana veiam a luz do dia, Kassab quer encher o lago rapidamente sem proceder a remoção do lodo contaminado, nem a limpeza da sujeira acumulada e isto contrariando opinião de técnicos ouvidos pela imprensa.

Kassab está preocupado com o cheiro de podre que emana do lago seco. Para esconder o cheiro, quer pressa para pôr água encima.

O acidente deveria servir para passar a limpo o tratamento dado pela prefeitura durante estes 4 anos, questão de pelo menos alguma coisa ficar limpa depois do ocorrido, já que aparentemente o lago continuará com o lodo contaminado e o fundo sujo. LF

Prefeitura identificou problemas na área em 2006

Vitor Sorano - O Estado SP

Um relatório da Prefeitura de São Paulo divulgado em 2006 apontava a necessidade de cinco “intervenções” no Lago da Aclimação - que se esvaziou na segunda-feira. Dentre elas estava a promoção de “mecanismos de manutenção do volume de água”. A Secretaria do Verde e Meio Ambiente não informou quando e como esses serviços foram realizados nem quanto foi gasto.

O Relatório Preliminar do Estado dos Lagos dos Parques Municipais de São Paulo - no qual constam as intervenções necessárias - foi elaborado pela atual gestão para subsidiar convênios com entidades públicas e privadas. O objetivo do prefeito Kassab (DEM) era passar a responsabilidade por cuidar dos lagos de parques públicos a terceiros. Nenhuma parceria, porém, foi fechada para o caso da Aclimação.

Além da manutenção do volume de água, o relatório ainda cita a necessidade de recomposição da flora à beira do lago. “Em áreas ao redor ocorre ausência da vegetação, provocando erosão”, diz o documento. Também são previstos o diagnóstico da profundidade do lago e das características do lodo ao fundo.

As obras de melhoria no lago são feitas há cerca de um ano, segundo a Prefeitura. A primeira e a segunda etapas - que incluem a despoluição do Córrego Pedra Azul e a retomada da circulação de água - já foram concluídas. A terceira etapa, que entrará em fase de licitação, prevê a retirada do lodo e a construção de um novo vertedouro. Após a licitação, a obra deve ser concluída até o fim do ano. Dessa forma, a capacidade vai aumentar de 70 milhões para 110 milhões de litros.

26/02/2009 - 09:52h O lago seco do engenheiro Kassab

http://www.estadao.com.br/lago2.jpg

O que aconteceu na manutenção do lago do Parque da Aclimação? Porque o lago secou? O acidente era evitável?

Estas e outra interrogações devem estar na cabeça de muitos frequentadores do parque e também dos cidadãos que se preocupam pela situação da cidade.

Estas perguntas são legitimas e outras surgem à leitura dos jornais.

Em 2005, o então prefeito José Serra soltou um decreto autorizando as empresas privadas a “assumirem” a manutenção dos lagos dos parques municipais. Os quatro parques visados pelo decreto eram: Ibirapuera, Aclimação, Carmo e Cidade de Toronto. As empresas deveriam, segundo o decreto de Serra, cuidar de poluição da água, erosão ribeirinha, vegetação local, assoreamento dos lagos, fauna aquática, avaliação de qualidade da água e campanhas que estimulem a participação da população na conservação dos lagos. Em troca fariam a publicidade nos locais.

Que fim recebeu o decreto? Quais empresas assumiram “cuidar” do lago?

Segundo a Folha de São Paulo da época “Um relatório com a atual condição desses lagos e as medidas de manutenção e recuperação necessárias em cada um deles deve ser publicado pela Secretaria Municipal do Verde e do Meio Ambiente (SVMA) em 120 dias.” (Folha SP 10/8/2005).

O relatório foi feito? Quais foram suas conclusões?

Segundo Gilmar Altamirano, 50, gerente de águas da SVMA, - citado no artigo da Folha na época- “o lago da Aclimação, na zona sul, é o que apresenta mais problemas. Levantamento da Sabesp (agência de saneamento paulista) apontou a existência de 23 imóveis que lançam irregularmente o esgoto nas galerias destinadas à água das chuvas -os dejetos são levados ao córrego Pedra Azul, que abastece o lago.”

Pois bem, é demais perguntar o que foi implementado nesses 4 anos para sanear esses e os outros problemas? A sujeira encontrada no lago pode ter sido uma das causas do rompimento do vertedouro?

Hoje, a Folha SP, mostra o jogo de esconde-esconde da prefeitura para escapulir das suas responsabilidades. Segundo o jornal: “A gestão do prefeito Gilberto Kassab (DEM) afirmou ontem ter realizado uma inspeção técnica em conjunto com a Sabesp no vertedouro do lago do parque da Aclimação em 2007, sem ter encontrado qualquer problema na estrutura que, na segunda-feira, se rompeu e dragou os 78 milhões de litros d’água que banhavam o local.
A companhia de saneamento do Estado de São Paulo, porém, desmentiu a prefeitura, ao ser procurada pela Folha, também ontem, para falar sobre o assunto. A assessoria de imprensa da Sabesp ressaltou que a empresa se limita a lidar com a qualidade da água do lago e que nunca participou de inspeções estruturais.”

Como se vê, muitas interrogações e poucas certezas. Uma dessas poucas certezas, pelo que mostram os jornais, é que Kassab não deseja transparência sobre o assunto. Os vereadores talvez desejem passar a limpo o assunto. A mídia poderá ir atrás é mostrar o que realmente levou a esse lamentável acidente que esvaziou o lago. LF

Nota.- A ação dos trolls*, completada pela preguiça de alguns jornais provavelmente devido ao carnaval, dificulta o entendimento sobre o acidente que esvaziou o lago do Parque da Aclimação.

É inverídica a afirmação dos trolls* sobre suposta reforma do lago durante a gestão petista como possível causa do acidente. Trata-se de uma campanha de propaganda visando a proteger a gestão Kassab sobre as carências em matéria de manutenção dos espaços e equipamentos públicos.

Sobre os trolls ver Prestem atenção aos Trolls

18/02/2009 - 09:24h Base de Kassab veta abertura de CPI da Merenda

http://doisdedosdeprosa.files.wordpress.com/2007/04/kassab.jpgForam aprovadas comissões para apurar crime ambiental e sonegação

Eduardo Reina - O Estado SP

A base governista na Câmara Municipal enterrou ontem as possibilidades de criação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) que investigaria as fraudes na compra de merenda escolar para a rede paulistana de ensino. No Colégio de Líderes, ficou acertado pelos partidos que não sai a CPI da Merenda ou nenhuma outra que possa trazer algum inconveniente ao prefeito Gilberto Kassab (DEM). Foram aprovadas três comissões: IPTU, Poluição do Córrego Jurubatuba e da Pedofilia.

Ficou determinado que também não prosperaria o requerimento de criação de comissão para apurar irregularidades no fornecimento de alvarás para templos religiosos e locais com frequência maior que cem pessoas e tampouco uma CPI para investigar corrupção nas subprefeituras. Momentos depois, em plenário, a base governista acatou a decisão e aprovou criação da CPI do Imposto Predial e Territorial Urbano (IPTU), que deverá investigar possível sonegação por parte de grandes instituições financeiras, proposta pelo vereador Aurélio Miguel (PR). Foi uma ação bastante rápida, com a oposição tentando obstruir a sessão e sem os votos necessários para brecar a máquina governista. São precisos 28 votos para aprovar ou não as propostas. Kassab conseguiu 37, ante 15 votos contrários.

Outra CPI que passou foi a da Poluição do Córrego Jurubatuba, que analisará as causas e tentará identificar as empresas que poluem a bacia do Jurubatuba. O autor desse pedido foi Antonio Goulart (PMDB), da base de sustentação de Kassab. Uma terceira CPI, que teve o pedido de preferência aceito, foi a da Pedofilia, proposta por Marcelo Aguiar (PSC). Hoje, entra em votação o pedido de instalação dessa comissão.

“Foi um coro muito bem orquestrado. O governo manobrou para não deixar prosperar as CPIs que cutucavam a administração Kassab. Ficou claro que não querem investigar nada”, reclamou João Antonio, líder do PT. O petista disse que não vai desistir e pretende apresentar hoje requerimento alegando motivo relevante que justifica a instalação da comissão. “Vamos insistir até o fim e sensibilizar os parlamentares de que investigar a máfia da merenda é necessário.” A Casa permite até cinco CPIs simultâneas.

Já o líder do governo, Jose Police Neto (PSDB), disse que não houve manobra, mas otimização do trabalho da Câmara. Para Police Neto, nos dois últimos anos os problemas de merenda já foram investigados na Casa em uma CPI e em uma subcomissão. O tucano defendeu a CPI do Jurubatuba. “O Município está prestes a perder R$ 1 bilhão da terceira fase do Projeto Tietê, se não detectar de onde vem o esgoto despejado no rio. Por isso é importante investigar a poluição na cidade, principalmente na bacia do Jurubatuba, onde há maior volume de esgoto”, afirmou.

FRASES

João Antonio
Líder do PT na Câmara

“O governo manobrou para não deixar prosperar as CPIs que cutucavam a administração Kassab. Ficou claro que não querem investigar”

José Police Neto
Líder do governo

“O Município está prestes a perder R$ 1 bilhão da terceira fase do Projeto Tietê, se não detectar de onde vem o esgoto despejado no rio”