07/01/2009 - 17:52h Novas regras

PASQUALE EXPLICA

O hífen é grande vilão do (Des)Acordo Ortográfico

PASQUALE CIPRO NETO
COLUNISTA DA FOLHA

Feitas para descomplicar, as novas regras do uso do hífen acabaram criando labirintos até agora indecifráveis.
Em tese, o critério adotado é simplificador. Com boa parte dos prefixos (”auto”, “semi”, “anti” etc.) e com elementos de composição (”mega”, “multi”, “micro” etc.), emprega-se hífen basicamente em duas situações: quando o segundo elemento começa por “h” ou por letra igual à que encerra o prefixo ou elemento de composição.
Tradução: em “anti-inflamatório” e “mega-hotel”, há hífen; em “antiaéreo” e “megaempresa”, não. Nesses casos, se o segundo elemento começa por “r” ou “s”, dobram-se essas letras: “antissocial”, “megarraio”.
É claro que a questão não se limita ao visto no parágrafo anterior. A “Base XVI” (”Do hífen nas formações por prefixação, recomposição e sufixação”) do texto oficial do Acordo não é precisa o bastante para deixar claro o que ocorre, por exemplo, com o prefixo “re-”: aplica-se ao pé da letra a orientação vista acima e coloca-se hífen em “re-educar” e “re-eleger” ou se dá um “jeitinho” e se encaixa esse caso (e outros) numa interpretação particular e se preserva a grafia atual (”reeducar”, “reeleger”), mais palatáveis?
O “Vocabulário Ortográfico” (prometido para o mês que vem) deve desfazer (espera-se) esse e muitos outros nós, que não cabem neste espaço. É isso.

06/01/2009 - 15:51h Novas regras

PASQUALE EXPLICA

Os acentos diferenciais de ‘pelo’, ‘polo’ e ‘pera’ já vão tarde!

PASQUALE CIPRO NETO
COLUNISTA DA FOLHA

O Acordo passou o facão nos acentos diferenciais. Mantiveram-se só os de “pôde” e “pôr”.
O diferencial de “pôde” é de timbre (fechado, no caso) e distingue “ele pôde” de “ele pode”.
O circunflexo da forma verbal “pôr” a distingue da preposição homógrafa (átona) “por”.
Os demais acentos diferenciais foram sumariamente eliminados pelo Acordo. Deixaram de existir as seguintes grafias: “pára” (do verbo “parar”), “pêlo/s” (substantivos), “pélo”, “pélas” e “péla” (do verbo “pelar”), “pólo/s”, “pôlo/s” e “pêra” (substantivos). Esses acentos se justificavam pelos correspondentes homógrafos átonos: “para” (preposição), “pelo” (combinação de preposição e artigo), “polo” (combinação arcaica de preposição e artigo) e “pera” (preposição arcaica).
Com exceção do acento na forma verbal “para”, os demais já vão tarde. O de “para” fará falta em alguns casos. Um título como “Trânsito pesado para Recife” será ambíguo, portanto não deverá ser publicado.
Por fim, uma novidade: é opcional o acento em “forma” (sinônimo de “molde”). É isso.

05/01/2009 - 15:29h Novas regras

PASQUALE EXPLICA

O adeus ao “chapeuzinho” de “creem”, “veem”, “enjoo”, “voo” etc.

PASQUALE CIPRO NETO - COLUNISTA DA FOLHA

O acento circunflexo também foi “golpeado” pelo Acordo. Um dos casos em que será preciso eliminá-lo é o das formas verbais “creem”, “leem”, “veem”, “deem” e correlatas (”descreem”, “releem”, “reveem”, “preveem” etc.), que se escreviam “crêem”, “lêem” etc.
Convém lembrar que as flexões verbais citadas pertencem aos verbos “crer”, “ler”, “ver”, “dar” e derivados (”descrer”, “reler”, “rever”, “prever” etc.), ou seja, não têm relação com os verbos “vir”, “ter” e derivados (”intervir”, “convir”, “sobrevir”, “provir”, “manter”, “deter”, “obter”, “entreter” etc.).
Isso significa que as formas “têm” e “vêm” (da terceira do plural do presente de “ter” e “vir”, respectivamente) não sofrem alteração, isto é, continuam com o chapeuzinho. Na flexão de verbos derivados de “ter” e “vir”, mantém-se a distinção entre a terceira do singular (”ele mantém”, “intervém”) e a terceira do plural (”eles mantêm”, “intervêm”).
Também não haverá mais circunflexo em “voo”, “enjoo”, “magoo”, “perdoo”, “abençoo”, “abotoo” e similares. É isso.

30/09/2008 - 12:57h Nova ortografia da língua portuguesa

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DEH OLIVEIRA colaboração para a Folha Online

Passados 18 anos de sua elaboração, o Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa promete finalmente sair do papel. Ou melhor: entrar de vez no papel. O Brasil será o primeiro país entre os que integram a CPLP (Comunidade de Países de Língua Portuguesa) a adotar oficialmente a nova grafia, já a partir do ano que vem.

As regras ortográficas que constam no acordo serão obrigatórias inicialmente em documentos dos governos. Nas escolas, o prazo será maior, devido ao cronograma de compras de livros didáticos pelo Ministério da Educação.

As mudanças mais significativas alteram a acentuação de algumas palavras, extingue o uso do trema e sistematiza a utilização do hífen. No Brasil, as alterações atingem aproximadamente 0,5% das palavras. Nos demais países, que adotam a ortografia de Portugal, o percentual é de 1,6%.

Entre os países da CPLP, já ratificaram o acordo Brasil, Portugal, Cabo Verde e São Tomé e Príncipe. Ainda não definiram quando irão ratificar o documento Angola, Moçambique, Guiné-Bissau e Timor-Leste.

A assinatura desses países, porém, não impede a entrada em vigor das novas regras em todos os países, pois todos concordaram que as mudanças poderiam ser adotadas com a assinatura de pelo menos três integrantes da comunidade.

No Brasil, o acordo — firmado em 1990 - foi aprovado pelo Congresso em 1995. Agora, a implementação definitiva depende apenas de um decreto do presidente Lula, ainda sem data para ocorrer.

Mesmo assim, o MEC (Ministério da Educação) já iniciou o processo de adoção da nova ortografia. Entre 2010 e 2012 é o período de transição estipulado pela pasta para a nova ortografia passar a ser obrigatória nos livros didáticos para todas as séries.

Novas regras

O acordo incorpora tanto características da ortografia utilizada por Portugal quanto a brasileira. O trema, que já foi suprimido na escrita dos portugueses, desaparece de vez também no Brasil. Palavras como “lingüiça” e “tranqüilo” passarão a ser grafadas sem o sinal gráfico sobre a letra “u”. A exceção são nomes estrangeiros e seus derivados, como “Müller” e “Hübner”.

Seguindo o exemplo de Portugal, paroxítonas com ditongos abertos “ei” e “oi” –como “idéia”, “heróico” e “assembléia”– deixam de levar o acento agudo. O mesmo ocorre com o “i” e o “u” precedidos de ditongos abertos, como em “feiúra”. Também deixa de existir o acento circunflexo em paroxítonas com duplos “e” ou “o”, em formas verbais como “vôo”, “dêem” e “vêem”.

Os portugueses não tiveram mudanças na forma como acentuam as palavras, mas na forma escrevem algumas delas. As chamadas consoantes mudas, que não são pronunciadas na fala, serão abolidas da escrita. É o exemplo de palavras como “objecto” e “adopção”, nas quais as letras “c” e “p” não são pronunciadas.

Com o acordo, o alfabeto passa a ter 26 letras, com a inclusão de “k”, “y” e “w”. A utilização dessas letras permanece restrita a palavras de origem estrangeira e seus derivados, como “kafka” e “kafkiano”.

Dupla grafia

A unificação na ortografia não será total. Como privilegiou mais critérios fonéticos (pronúncia) em lugar de etimológicos (origem), para algumas palavras será permitida a dupla grafia.

Isso ocorre principalmente em paroxítonas cuja entonação entre brasileiros e portugueses é diferente, com inflexão mais aberta ou fechada. Enquanto no Brasil as palavras são acentuadas com o acento circunflexo, em Portugal utiliza-se o acento agudo. Ambas as grafias serão aceitas, como em “fenômeno” ou “fenómeno”, “tênis” e “ténis”.

A regra valerá ainda para algumas oxítonas. Palavras como “caratê” e “crochê” também poderão ser escritas “caraté” e “croché”.

Hífen

As regras de utilização do hífen também ganharam nova sistematização. O objetivo das mudanças é simplificar a utilização do sinal gráfico, cujas regras estão entre as mais complexas da norma ortográfica.

O sinal será abolido em palavras compostas em que o prefixo termina em vogal e o segundo elemento também começa com outra vogal, como em aeroespacial (aero + espacial) e extraescolar (extra + escolar).

Já quando o primeiro elemento finalizar com uma vogal igual à do segundo elemento, o hífen deverá ser utilizado, como nas palavras “micro-ondas” e “anti-inflamatório”.

Essa regra acaba modificando a grafia dessas palavras no Brasil, onde essas palavras eram escritas unidas, pois a regra de utilização do hífen era determinada pelo prefixo.

A partir da reforma, nos casos em que a primeira palavra terminar em vogal e a segunda começar por “r” ou “s”, essas letras deverão ser duplicadas, como na conjunção “anti” + “semita”: “antissemita”.

A exceção é quando o primeiro elemento terminar e “r” e o segundo elemento começar com a mesma letra. Nesse caso, a palavra deverá ser grafada com hífen, como em “hiper-requintado” e “inter-racial”.

Ortografias nova e antiga conviverão até 2012

Os estudantes dos ensinos fundamental e médio vão conviver com a dupla ortografia até 2012. Haverá três anos de transição desde a entrada em vigor das mudanças na escrita (a partir do ano que vem) e a obrigatoriedade de utilizar apenas a ortografia atualizada. A tolerância também será estendida para vestibulares e concursos públicos, cujas provas deverão aceitar como corretas as duas normas ortográficas.

As mudanças começarão a ser implementadas a partir dos primeiros anos de formação escolar. Em 2010, os livros destinados a alunos entre 1ª e 5ª séries das escolas públicas deverão conter apenas a nova ortografia. No ano seguinte, a regra valerá também da 6ª à 9ª série. No ensino médio, a medida tem início a partir de 2012.

‘Especialistas acham que é bom para os alunos conviverem com as duas regras, para compararem o que mudou’, afirma Rafael Torino, diretor de Ações Educacionais do FNDE (Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação). Por isso, o Ministério da Educação autorizou a publicação de livros para reposição com a nova ortografia, para todas as séries, já a partir do próximo ano.

O cronograma de implantação da nova grafia na rede pública foi estabelecido pelo FNDE com base no programa de compra para livros didáticos adquiridos pelo órgão e distribuídos a alunos das escolas públicas.

As compras ocorrem com pelo menos dois anos de antecedência. Em março foi aberto o processo de escolha do material para compra dos livros de 1ª a 5ª séries, cujos protótipos já devem ser apresentados na nova ortografia. No caso do livro didático, a legislação dispensa a necessidade de licitação. A escolha é feita com base na análise dos professores da rede de ensino público.

Conheça regras de acentuação do novo acordo ortográfico

O Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa, que entra em vigor em 2009, vai alterar a acentuação de algumas palavras, extinguir o uso do trema e sistematizar a utilização do hífen, entre outras mudanças significativas. No Brasil, palavras como “heróico”, “idéia” e “feiúra”, por exemplo, deixarão de ser acentuadas.

O livro “Escrevendo Pela Nova Ortografia” , feito pelo Instituto Houaiss em parceria com a Publifolha, apresenta o acordo na íntegra, com observações e explicações sobre o que mudou. Saiba mais sobre todas as mudanças e veja mais informações sobre o livro.

Veja a seguir as novas regras de acentuação para oxítonas, paroxítonas e proparoxítonas, retiradas do livro.

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