08/10/2008 - 10:15h O mapa dos resultados eleitorais dos partidos, por região e em números de votos
O jornal O Globo publicou um mapa com os resultados eleitorais comparativos entre 2004 e 2008. Os resultados mostram, como já indicamos no blog, uma importante vitória eleitoral dos partidos da base do governo Lula e quedas expressivas dos partidos de oposição.
É assim, por exemplo, no Nordeste, onde o PMDB registra um crescimento de 25% no número de prefeituras conquistadas, o PDT um crescimento de 126% de prefeituras ganhas, o PSB mais 91% de novas prefeituras e o PT um crescimento de 105% novas conquistas. Em contraposição, o DEM (ex-PFL) registra menos 63%, o PSDB menos 16% e o PPS menos 78%.
Estes resultados aparecem em todas as regiões do país, em maior ou menor medida. Ao mesmo tempo na região sudeste e em parte também na região sul, a oposição resiste melhor. Nesse sentido se repete o que já foi constatado na eleição presidencial de 2006, são essas regiões as que dão maior sustentação para a oposição.
Mas é significativo que no sudeste, onde a oposição ao governo Lula esta mais implantada e onde seu resultado foi menos ruim, o DEM (ex-PFL) tenha sofrido um recuo de 11% de prefeituras a menos e o PPS uma perda de 25%, compensadas em parte pela melhora do PSDB que conquistou 8% de novas prefeituras. O PT, por sua vez, conseguiu nesta região um crescimento de 18% no número de prefeituras novas, o PDT 23% e o PSB 36%.
No mesmo jornal O Globo, na coluna de Ilimar Franco, um quadro retrata os resultados em votantes para cada partido. O quadro mostra que os partidos de oposição a Lula (PSDB, DEM e PPS) fizeram 5,2 milhões de votos a menos que em 2004. Já só os partidos de esquerda (PT, PCdoB e PSB) conseguiram 2,2 milhões de votos a mais que em 2004 e o PMDB, que também faz parte da base de apoio do presidente, amplio sua votação em 4,1 milhões. LF

06/10/2008 - 17:44h Confira a lista dos vereadores eleitos em São Paulo
colaboração para a Folha Online
A cidade de São Paulo escolheu neste domingo 55 vereadores para a Câmara Municipal. Os eleitos foram os vereadores mais votados de cada partido ou coligação levando em consideração o quociente eleitoral.
Para realizar o cálculo, em primeiro lugar é necessário somar o número de votos válidos para vereador na cidade –todos os votos excluídos brancos e nulos. Esse número é dividido pelo total de vagas no legislativo municipal –55 no caso de São Paulo–, resultando no quociente eleitoral.
Por conta do quociente eleitoral, alguns candidatos que obtiveram votação menor que algum concorrente conseguiram se eleger. É o caso, por exemplo, do Dr. Milton Ferreira (PPS), que se elegeu com 14.873 votos, enquanto Myriam Athie (PDT), com 28.864 votos, ficou de fora.
Veja a lista dos vereadores eleitos em São Paulo e sua respectiva votação:
PMDB
Goulart (PMDB) - 90.022
Jooji Hato (PMDB) - 40.838
DEM
Milton Leite (DEM) - 80.023
Marta Costa (DEM) - 39.159
Marco Aurélio Cunha (DEM) - 38.394
Domingos Dissiei (DEM) - 37.734
Kamia (DEM) - 29.906
Carlos Apolinário (DEM) - 25.581
Sandra Tadeu (DEM) - 25.153
PR
Aurélio Miguel (PR) - 50.779
Antonio Carlos Rodrigues (PR) - 43.590
Toninho Paiva (PR) - 35.534
Agnaldo Timóteo (PR) - 26.163
Marco Cintra (PR) - 22.863
PSDB
Gabriel Chalita (PSDB) - 101.990
Mara Gabrilli (PSDB) - 79.874
Netinho (PSDB) - 54.683
Carlos Alberto Bezerra Jr. (PSDB) - 50.513
Adolfo Quintas (PSDB) - 34.197
Claudinho de Souza (PSDB) - 33.570
Juscelino (PSDB) - 32.480
Gilson Barreto (PSDB) - 32.050
Floriano Pesaro (PSDB) - 31.719
Souza Santos (PSDB) - 31.318
Ricardo Teixeira (PSDB) - 27.242
Dalton Silvano (PSDB) - 24.074
Gilberto Natalini (PSDB) - 23.858
PT
Senival (PT)- 66.083
Arselino Tatto (PT)- 59.250
Donato (PT) - 50.361
Francisco Chagas (PT) - 37.823
João Antonio (PT) - 33.861
Alfredinho (PT) - 33.395
Juliana Cardoso (PT) - 30.585
Ítalo Cardoso (PT) - 30.514
José Américo (PT) - 30.002
Zelão (PT) - 28.078
Chico Macena (PT) - 26.499
PC do B
Jamil Murad (PC do B) - 28.129
Netinho de Paula (PC do B) - 84.307
PSB
Eliseu Gabriel (PSB) - 31.587
Noemi Nonato (PSB) - 30.713
PRB
Atílio Francisco (PRB) - 25.669
PDT
Claudio Prado (PDT) - 30.998
PV
Tripoli (PV) - 45.717
Penna (PV) - 25.799
Abou Anni (PV) - 22.604
PP
Wadih Mutran (PP) - 26.037
Missionário José Olímpio (PP) - 28.902
PSC
Marcelo Aguiar (PSC) - 41.474
PTB
Celso Jatene (PTB) - 49.774
Adilson Amadeu (PTB) - 41.668
Paulo Frange (PTB) - 36.870
PPS
Claudio Fonseca (PPS) - 21.026
Dr. Milton Ferreira (PPS) - 14.873
26/07/2008 - 07:21h AFIF: “o candidato de Serra é Kassab”
Sinais de dispersão de aliados preocupam campanha do DEM

CATIA SEABRA - FOLHA DE SÃO PAULO
DA REPORTAGEM LOCAL
Sustentado por amplo arco de alianças, o palanque do prefeito Gilberto Kassab (DEM) tremeu ontem com a divulgação do último Datafolha, segundo o qual o candidato se mantém estagnado na disputa.
Cobrando o material de campanha prometido por Kassab, PMDB, PR e PV se queixam de falta de mobilização. E, num momento de fragilidade, alguns aliados exigem até mais participação no governo municipal.
Terceiro colocado nas pesquisas, Kassab (11%) também está fora dos panfletos distribuídos por candidatos a vereador da sua coligação, incluindo o presidente da Câmara, Antônio Carlos Rodrigues (PR).
A aliança é ainda alvo do assédio petista. De olho no segundo turno, Marta Suplicy convidou até um aliado de Kassab para jantar. Segundo o Datafolha, ela tem 36% contra 32% de Geraldo Alckmin (PSDB).
Recém-chegado do exterior, o presidente estadual do PMDB, Orestes Quércia, será o porta-voz das reclamações do partido hoje, em reunião com Kassab. O PMDB e a vice, Alda Marco Antônio, se dizem subaproveitados. “É preciso agilizar a campanha”, diz Quércia.
A avaliação é suprapartidária. “Não podemos esperar o programa eleitoral”, defende Aurélio Nomura (PV). Já Rodrigues propõe: “Tem que fazer ajuste na máquina. Nunca vi alguém estar na máquina e ficar contra o governo”.
Segundo aliados, Kassab não parece abalado e aposta nos cerca de 9 minutos a que tem direito em cada bloco do programa eleitoral para reverter a situação. Fracassada a estratégia, Kassab deve ir para o confronto com o PT. Desde o início da semana, os 31 subprefeitos foram recrutados pelo comando da campanha. Além de coordenar as reuniões para discussão regional do programa de governo, os subprefeitos -inclusive tucanos como Laert Teixeira (Itaquera) e Alexandre Aniz (Ipiranga)- acompanham Kassab em atividades de campanha na hora do almoço.
Outra estratégia: recorrer ao governador José Serra. Em reunião ontem na Vila Prudente, o coordenador do programa de governo, Afif Domingos, disse a líderes comunitários que o candidato de Serra é Kassab, “embora ele não possa explicitar”. “Claramente o que o governador quer é o sucesso do Kassab, que é o sucesso dele.”
Kassab já tinha passado por lá. Na próxima semana, Afif fará reuniões com a população no comitê central do DEM com a participação de secretários, incluindo os tucanos Alexandre Schneider (Educação) e Ricardo Montoro(Participação).
Colaborou FERNANDO BARROS DE MELLO, da Reportagem Local
06/05/2008 - 09:58h Demos vêm eventual vitória de Alckmin como o pior cenário para Serra
DEM avalia vitória de Alckmin como pior cenário em São Paulo
César Felício - VALOR
A oferta do governador paulista José Serra (PSDB), do DEM e do PMDB para que o ex-governador Geraldo Alckmin concorra ao governo estadual em 2010 deverá ser retirada, caso o tucano vença o grupo serrista na briga interna e torne-se o candidato do partido à prefeitura de São Paulo. Segundo um integrante do DEM com livre trânsito no Palácio dos Bandeirantes, com a consolidação da candidatura de Alckmin o objetivo dos defensores da reeleição do prefeito Gilberto Kassab (DEM) será debilitar o tucano ao máximo, para impedir que “o governador mineiro Aécio Neves cave uma cunha em São Paulo”.
Na avaliação corrente na cúpula do DEM, a vitória de Alckmin em São Paulo seria o pior cenário , dado o que representaria em termos de enfraquecimento da candidatura de Serra à Presidência. A avaliação é que Serra tem densidade eleitoral para permanecer na disputa presidencial até mesmo se a petista Marta Suplicy (PT) fosse eleita, mas no caso de vitória de Alckmin estaria em desvantagem dentro do partido para obter a candidatura presidencial, em relação a Aécio Neves. E o mineiro já deixou claro que pretende construir uma candidatura presidencial tendo governistas como parceiros preferenciais, e não o DEM.
O comando do DEM em São Paulo avalia que Serra agora irá se empenhar em derrotar Alckmin na convenção do partido, por meio de operadores políticos como o secretário municipal dos Esportes, Walter Feldman. Se não conseguir, o DEM espera que, na prática, Serra mantenha estrita neutralidade, o que, na avaliação corrente na cúpula do DEM, deve desidratar financeiramente a campanha do tucano.
Na avaliação dos aliados de Kassab, a neutralidade de Serra fará ainda que Alckmin viva um isolamento político. Dentro da cúpula do DEM, não se acredita que Alckmin vá fechar aliança com o PTB. Segundo esta versão, o líder maior do partido, o deputado estadual Campos Machado, só fecharia o apoio com os tucanos se recebesse em troca apoio para a eleição uma bancada petebista de vereadores nas eleições deste ano, mas também de 2010, metas com as quais o ex-governador não tem como se comprometer. Os integrantes do DEM trabalham com o cenário da candidatura de Campos Machado à prefeitura, para pavimentar o caminho do petebista à reeleição em 2010 e para negociar participação no governo municipal em um segundo turno.
Nas negociações com o PTB, assim como nas já encerradas com o PMDB ou com as ainda em curso com o PR, o governador não participa, segundo garantem integrantes do DEM. As negociações fora do PSDB são tocadas por Kassab, que chegaria a falar em nome do próprio governador, o que teria ficado claro nas conversações com o ex-governador paulista Orestes Quércia, presidente regional do PMDB. Na ocasião, a palavra de Kassab teria bastado para convencer Quércia de que o governador Serra iria apoiar sua presença na chapa em 2010. Até porque a aliança deste ano começou a ser negociada ainda na eleição passada, com participação direta de Kassab, que acabara de assumir a prefeitura. Na ocasião, ficou acertado que o então PFL ficaria com a vice na chapa de Serra , enquanto Quércia seria candidato a senador. Na última hora, o pemedebista decidiu não fechar o acordo.
05/05/2008 - 11:25h Dividido, PSDB lança Alckmin em São Paulo
Cristiane Agostine - VALOR
O lançamento formal da candidatura de Geraldo Alckmin à Prefeitura de São Paulo, marcado para hoje pela Executiva municipal do PSDB, será feito com o partido dividido e com forte movimento interno para derrubar o tucano na convenção. Dentro da legenda, os defensores da manutenção da aliança com o prefeito Gilberto Kassab (DEM) reuniram assinaturas de cerca de um terço dos delegados que vão à convenção partidária para tentar anular a decisão do diretório municipal.
Em pouco mais de uma semana, a ala partidária mais ligada ao governador do Estado, José Serra, conseguiu quase 500 assinaturas dos cerca de 1,2 mil delegados que decidirão na convenção qual será a postura do partido na eleição municipal. A proposta assinada é que Kassab seja o candidato do PSDB. Alckmin teria o apoio do partido em 2010, para disputar o governo do Estado. Até junho, quando será realizada a convenção, os serristas tentarão convencer a maioria dos votantes a desistir da tese de candidatura própria.
Segundo o líder da bancada tucana dos vereadores na Câmara municipal, Gilberto Natalini, as assinaturas são uma resposta à insistência de Alckmin quanto à sua candidatura. “O diretório está dividido na metade e vamos levar à convenção dois cenários, para que os delegados decidam”, disse.
O abaixo-assinado reforça ainda mais as divergências internas do partido. Serrista, Natalini criticou a postura de Alckmin e comentou a falta de definição sobre o candidato está prejudicando o PSDB. “Estamos perdendo tempo em uma questão que já devia estar superada. Isso atrapalha, sim, nossa articulação com outros partidos para firmar alianças”, reclamou.
Defensor da candidatura Kassab, o secretário municipal de Esportes, Walter Feldman, afirmou que contestará a reunião de hoje do diretório e entrará com uma representação junto ao PSDB. Para Feldman, só a convenção tem poder estatutário para decidir o candidato, não o diretório municipal.
Feldman questionou o cumprimento de uma promessa feita por Alckmin de que só seria candidato se tivesse apoio de todo o PSDB. “Não há nenhuma chance hoje de o partido sair unido com a candidatura do Geraldo. Metade do partido quer a aliança DEM-PSDB.”
Alckmin, no entanto, não pretende desistir. Na semana passada, lançou informalmente sua pré-candidatura em um evento com cerca de 200 militantes. O ex-governador paulista declarou no sábado que a Executiva do partido decidiu “por unanimidade” por sua candidatura, mesmo diante de contestações. Quando foi candidato à Presidência, em 2006, o PSDB também dividiu-se, e parte dos tucanos queria a candidatura Serra.
Na disputa municipal, Serra é um dos principais entraves a Alckmin, por articular a reeleição do prefeito. O governador atua nos bastidores e tem evitado comentar o conflito. Hoje, quando os tucanos estiverem discutindo a sucessão paulistana, Serra deverá estar ao lado do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, no Piauí. A assessoria do governo paulista não confirmou, mas está prevista a participação de Serra na inauguração de um hospital em Teresina, governada pelo tucano Silvio Mendes. No palanque deverão estar a ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, cotada para rivalizar com Serra na sucessão presidencial, e o governador Wellington Dias (PT).
Com o imbróglio tucano, a candidatura do PT é a mais favorecida. O partido se reunirá hoje com o PR e discutirá se vai ceder a vice, conforme a exigência do possível aliado. Para cacifar-se junto os petistas, o PR tem conversado também com o DEM. No sábado estiveram com Kassab. “Mas nós podemos oferecer mais”, disse o presidente do diretório municipal do PT, vereador José Américo. “Nossa aliança proporcional é mais forte e isso é importante para eleger mais vereadores”, analisou. O PT aposta na aproximação com os partidos do bloco de esquerda - PSB, PDT e PCdoB - e fará uma reunião nesta semana, em Brasília, para tentar atrai-los para a composição. (Com agências noticiosas)
06/04/2008 - 13:38h Aécio cria em BH embrião de aliança para disputar Planalto

Colunista da Folha Online
O governador de São Paulo, José Serra, é o favorito nas pesquisas sobre a sucessão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que acontecerá em outubro de 2010. Esse é o maior trunfo do tucano paulista.
Mas o governador de Minas, o tucano Aécio Neves, conseguiu uma façanha política que lhe dá um trunfo de peso para a corrida pelo Palácio do Planalto. Na articulação política, Aécio hoje tem franca vantagem em relação a Serra, que sofre com uma crise política na tradicional PSDB-DEM em São Paulo.
Alternando-se no poder federal desde 1994, PT e PSDB vivem às turras no cenário nacional. A principal jogada de Aécio foi demonstrar que essa guerra pode ser superada. E fechou com o prefeito de Belo Horizonte, Fernando Pimentel, uma aliança para apoiar Márcio Lacerda (PSB) na eleição municipal de outubro.
Houve reações contrárias no PT, partindo principalmente de dois ministros: Patrus Ananias (Desenvolvimento Social) e Luiz Dulci (Secretaria Geral). Derrotados na tentativa de minar a aliança, Patrus e Dulci tentaram patrocinar a mudança do candidato do PSB. Foram ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que não comprou a tese, apesar de versões terem sido vendidas para a impressa nesse sentido.
Em reunião no Palácio do Planalto, Lula cobrou de Pimentel gestos políticos para dar “conforto” a aliados federais que ficaram fora do acerto mineiro: o vice-presidente José Alencar, do PRB, e o ministro das Comunicações, Hélio Costa, do PMDB.
Aécio entrou em campo na hora. Alencar será o convidado de honra do 21 de Abril em Minas. E Hélio Costa já conversou com o governador a respeito da importância da união de políticos mineiros. No futuro, se a operação der certo, Costa será um dos homens fortes de uma eventual Presidência de Aécio.
Resultado: Patrus e Dulci ficaram isolados. A aliança para tentar eleger Márcio Lacerda deverá contar com PSB, PT, PSDB, PMDB e PRB, entre outras siglas. Aécio tem interesse em se viabilizar como candidato a presidente desse arco de forças daqui a dois anos.
Mas o PT apoiará um tucano em 2010? De jeito nenhum. O mais provável é que o partido lance um candidato no primeiro turno. Até agora, não há um nome forte do petismo para concorrer. Por isso, Aécio quer deixar aberta a possibilidade de um entendimento para a segunda etapa.
O Plano A do mineiro é ser candidato pelo PSDB, mas ele ainda não descartou um Plano B, que seria a migração para outro partido antes da eleição. Numa outra legenda, seria mais fácil ainda um eventual entendimento se Aécio fosse ao segundo turno de 2010.
Para vitaminar os planos do tucano mineiro, outro fator importante é a boa relação com Ciro Gomes, presidenciável do PSB e hoje o nome do campo lulista mais forte nas pesquisas. Ciro, porém, não descarta ser vice de Aécio se esse for o preço para inviabilizar a candidatura de Serra no PSDB e para criar uma chapa bem competitiva.
Lula tem interesse na boa relação com Aécio, que pode, sim, ser uma saída de emergência do petista. O presidente não vai embarcar na tese da re-reeleição, apesar da espuma que esse assunto produz e ainda produzirá. Sabe que será difícil emplacar um petista. Teme que, sozinho, Ciro perca força na hora em que o jogo começar. Daí ser conveniente a boa relação com Aécio, que já disse que será um candidato pós-Lula. Ou seja, vai olhar para frente.
Em conversa reservada, Lula tirou o chapéu para o tamanho da aliança que Aécio montou em Minas.
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Kennedy Alencar, 40, é colunista da Folha Online e repórter especial da Folha em Brasília. Escreve para Pensata às sextas e para a coluna Brasília Online, sobre os bastidores da política federal, aos domingos. Também é comentarista do telejornal “RedeTVNews”, no ar de segunda a sábado às 21h10.
E-mail: kalencar@folhasp.com.br |
14/12/2007 - 09:10h CPMF: PIB e popularidade de Lula explicam resultado
Bonança acirra a disputa política

Valor
O PR tem quatro senadores e comanda um dos ministérios mais aquinhoados da Esplanada, o de Transportes. Na votação que derrubou a prorrogação da CPMF, metade da bancada do PR votou contra o governo.
O ministro Alfredo Nascimento terá o bônus de conduzir nos próximos anos a bem sucedida concessão das rodovias à iniciativa privada. Mas não arcou com o ônus de manter a base de seu partido unida ao governo. É isso que se espera de um governo de coalizão, lembra o professor de Ciência Política da USP, Fernando Limongi.
14/12/2007 - 09:03h CPMF: PIB e popularidade de Lula explicam resultado
Bonança acirra a disputa política

Valor
O PR tem quatro senadores e comanda um dos ministérios mais aquinhoados da Esplanada, o de Transportes. Na votação que derrubou a prorrogação da CPMF, metade da bancada do PR votou contra o governo.
O ministro Alfredo Nascimento terá o bônus de conduzir nos próximos anos a bem sucedida concessão das rodovias à iniciativa privada. Mas não arcou com o ônus de manter a base de seu partido unida ao governo. É isso que se espera de um governo de coalizão, lembra o professor de Ciência Política da USP, Fernando Limongi.
O PR unido não bastaria para garantir os quatro votos que faltaram ao governo. Mas é na base do governo, e não no PSDB, que devem ser buscadas as razões da derrota, diz Limongi. Tem ainda o PTB, cujo ministério não tem dinheiro, mas o prestígio de comandar nada menos que a articulação política do governo. Pois deixou escapar um de seus seis senadores, Romeu Tuma (SP). O ministro José Múcio tampouco dava quaisquer garantias de que fosse capaz de garantir o voto do senador Mozarildo Cavalcanti (RR), que ausentou-se da votação para acompanhar as exéquias do governador de seu Estado.
As demais defecções da base - três senadores do PMDB - eram previsíveis. Foram até pequenas visto que há sete meses, desde a saída de Silas Rondeau, o partido está desprovido de sua pasta mais aquinhoada, a de Minas e Energia.
Junte-se à incapacidade do governo de manter a fidelidade de sua base, o inesgotável repertório do presidente da República que, montado no espetáculo do crescimento e em sua popularidade, vê-se com livre conduto para cutucar a onça com vara curta. A agressão preconceituosa do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso contra a baixa escolaridade de Lula é desses petardos que se voltam naturalmente contra quem os lança. Mas Lula não se contém. Deve ter se sentido de alma lavada ao responder que é menos instruído mas governa melhor. Mas cometeu o erro de desprezar a vaidade ferida de seu antecessor, que fomentou sua bem sucedida dobradinha com o senador Arthur Virgílio (PSDB-AM).
O senador que comandou a maior derrota do governo Luiz Inácio Lula da Silva no Congresso recebeu 25 mil votos na última eleição que disputou. A candidatura de seu filho à prefeitura de Manaus teve 3% dos votos em 2004, o que o deixou em quarto lugar. Na disputa seguinte, em 2006, o candidato do seu partido à Presidência da República, Geraldo Alckmin, teve no seu Estado, o mesmo do ministro Alfredo Nascimento, o pior desempenho. Foi lá que o presidente eleito alcançou seu maior percentual de votos em todo o país - 78%.
Votação antecipa clima de 2010
O senador Arthur Virgílio é ruim de voto, mas um leão no plenário. Que o diga o senador Pedro Simon (PMDB-RS), desnecessariamente agredido durante a votação. Os números não diminuem sua vitória ao conduzir a bancada de seu partido a votar unida contra o governo. Mas pontuam o sentido da votação. A vitória parlamentar do PSDB ainda está por mostrar sua associação com um projeto de poder do partido. A não ser que os tucanos tenham resolvido que, além de resgatar o governo FHC como o principal mote de sua propaganda, estão dispostos também a apostar seu futuro num projeto de poder findo há cinco anos.
A outra possibilidade é que o PSDB tenha optado por dar prioridade absoluta à sua aliança com o DEM, este sim fechado desde sempre contra a CPMF. Mas aí também a perspectiva de poder resume-se à defesa, em convenção partidária, da candidatura própria do único governador do partido, José Roberto Arruda (DF).
A perspectiva de poder do partido está nas mãos dos dois governadores derrotados - Aécio Neves (MG) e José Serra (SP). O resultado da votação não traduz apenas a ausência de comando de ambos sobre suas bancadas no Senado. A aposta de ambos na CPMF não se baseava apenas na saúde financeira de seus Estados mas também no Orçamento que ambos almejam comandar a partir de 2010. Arrumaram uma proposta e um discurso e até uma carta do presidente da República para embalar sua pretensão: a de que a contribuição, integralmente destinada à Saúde, recuperaria seu caráter original proposto pelo PSDB. Seguiriam assim incólumes na aposta de que a disputa de 2010 não será vencida por um adversário do presidente. O resultado da votação coloca esta aposta em rota de colisão com o seu partido.
Os propósitos dos governadores são os mesmos mas atendem a dois projetos de poder que correm paralelamente. Em nome de quem os senadores vão abandonar suas posições? Quem se compromete com o ônus de um senador se rebelar contra uma posição majoritária da bancada? Serra, Aécio, ambos ou nenhum deles?
Fora os erros do governo e os desacertos da oposição, tem a doce realidade a pesar sobre o resultado. Com uma produção industrial batendo recorde após recorde, o emprego, a massa salarial e a arrecadação em alta contínua, ficou difícil arrebanhar três quintos em torno da resistência do governo em dividir a cena do espetáculo. Os números do PIB e os índices de popularidade do presidente horas antes da votação oferecem uma explicação simples para o resultado. Não é a toa que o senador Simon, representante do Estado em piores condições financeiras da federação, foi o único voto que o governo conseguiu reverter nas últimas semanas de negociação. A bonança acirra a disputa política. E cada vez mais, até 2010.
Maria Cristina Fernandes é editora de Política. Escreve às sextas-feiras
mcristina.fernandes@valor.com.br




