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	<title>Blog do Favre &#187; preconceito</title>
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	<description>Cultura, Política, Economia, Mundo, Sociedade, Comportamento</description>
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		<title>Coragem rara. Parabéns Marcelo Coelho!</title>
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		<pubDate>Thu, 20 Aug 2009 16:46:51 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Luis Favre</dc:creator>
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		<description><![CDATA[bola fora
Pela quantidade de comentários negativos, acho que errei feio no meu post sobre Dilma Rousseff e Lina Vieira. Peço desculpas pelo machismo da ideia toda, em especial no último parágrafo. Uma boa coisa dos blogs é a possibilidade de receber críticas, e não pretendo estar certo o tempo todo. Acontece que encaro o blog [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<h1><a title="2009_08-20_02_27_09-10759959-0" name="2009_08-20_02_27_09-10759959-0"></a>bola fora</h1>
<p>Pela quantidade de comentários negativos, acho que errei feio no meu post sobre Dilma Rousseff e Lina Vieira. Peço desculpas pelo machismo da ideia toda, em especial no último parágrafo. Uma boa coisa dos blogs é a possibilidade de receber críticas, e não pretendo estar certo o tempo todo. Acontece que encaro o blog mais como exercício de subjetividade do que como missão jornalística. Minha subjetividade, em todo caso, foi clara demais naquele post, e terminou ferindo a subjetividade alheia&#8230; Paciência.</p>
<p><strong>Escrito por Marcelo Coelho</strong></p>
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		<title>O Eu diário</title>
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		<pubDate>Mon, 23 Mar 2009 11:57:44 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Luis Favre</dc:creator>
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		<description><![CDATA[
Nicholas D. Kristof &#8211; The New York Times &#8211; O Estado SP
Alguns obituários hoje em dia não estão nos jornais, mas são de jornais. O Seattle Post-Intelligencer é o falecido mais recente, exceto por um remanescente que existirá apenas no ciberespaço. E o público está buscando cada vez mais suas notícias, não nas redes de [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div style="text-align: center"><img src="http://www.homepagedaily.com/uploads/20090218/bf7a0a90-c6ed-4fc2-a253-d12ec668c31e/nytimes_kindle.jpg" alt="http://www.homepagedaily.com/uploads/20090218/bf7a0a90-c6ed-4fc2-a253-d12ec668c31e/nytimes_kindle.jpg" /></div>
<p style="background-color: #ffff99">Nicholas D. Kristof &#8211; The New York Times &#8211; O Estado SP</p>
<p>Alguns obituários hoje em dia não estão nos jornais, mas são de jornais. O Seattle Post-Intelligencer é o falecido mais recente, exceto por um remanescente que existirá apenas no ciberespaço. E o público está buscando cada vez mais suas notícias, não nas redes de televisão abertas ou na imprensa escrita, mas garimpando online.</p>
<p>Quando vamos para a internet, cada um de nós se torna seu próprio editor, seu próprio vigia. Nós selecionamos o tipo de notícia e de opiniões que mais nos interessam.</p>
<p>Nicholas Negroponte, do Massachussets Institute of Technology (MIT), chamou esse produto noticioso emergente de The Daily Me (O Eu Diário, em tradução literal). E, se essa é a tendência, que Deus nos proteja de nós mesmos.</p>
<p>É por isso que há excelentes evidências de que nós geralmente não queremos de fato boa informação ? mas, antes, informação que confirme nossos preconceitos. Podemos acreditar intelectualmente no choque de opiniões, mas, na prática, gostamos de nos abrigar no útero reconfortante de uma câmara de eco.</p>
<p>Um estudo clássico enviou mailings a republicanos e democratas oferecendo-lhes vários tipos de pesquisa política, ostensivamente de uma fonte neutra. Ambos os grupos se mostraram mais propensos a receber argumentos inteligentes que corroborassem fortemente suas visões preexistentes.</p>
<p>Houve também um modesto interesse em receber argumentos manifestamente tolos das visões do outro partido (nos sentimos bem quando podemos caricaturar os outros caras como estúpidos). Mas houve pouco interesse para encontrar argumentos sólidos que pudessem minar nossa própria posição.</p>
<p>Essa descoberta geral foi reproduzida repetidamente, como observou o ensaísta e escritor Farhad Manjoo em seu livro sensacional no ano passado: &#8220;True Enough: Learning to Live in a Post-Fact Society&#8221; (Verdade em termos: aprendendo a viver numa sociedade pós-fato, em tradução livre).</p>
<p>Permitam-me tirar uma coisa do caminho: eu mesmo às vezes sou culpado de uma busca da verdade seletiva na internet. O blog a que recorro para insights sobre o noticiário do Oriente Médio é, com frequência, o do professor Juan Cole, porque ele é inteligente, bem informado e sensato ? em outras palavras, eu frequentemente concordo com ele. Sou menos propenso a ver o blog de Daniel Pipes, outro especialista em Oriente Médio que é inteligente e bem informado ? mas que me parece menos sensato, em parte porque em geral discordo dele.</p>
<p>O efeito do The Daily Me seria nos isolar ainda mais em nossas próprias câmaras políticas hermeticamente fechadas. Um dos livros mais fascinantes do ano passado foi &#8220;The Big Sort: Why the Clustering of Like-Minded America is Tearing Us Apart&#8221; (A grande seleção: por que o agrupamento dos EUA que pensam igual está nos esfacelando, em tradução livre), de Bill Bishop. Ele argumenta que os americanos estão se segregando cada vez mais em comunidades, clubes e igrejas em que estão rodeados por pessoas que pensam como eles.</p>
<p>Quase metade dos americanos vive hoje em condados que votam esmagadoramente ou em democratas ou em republicanos, diz ele. Nos anos 1960 e 1970, em eleições nacionais igualmente disputadas, somente cerca de um terço vivia em condados com essa característica.</p>
<p>&#8220;A nação se torna mais politicamente segregada ? e o benefício que deveria advir de uma diversidade de opiniões é perdido para a correção que é a prerrogativa especial de grupos homogêneos&#8221;, escreve Bishop.</p>
<p>Um estudo envolvendo 12 nações revelou que os americanos são os menos propensos a discutir política com pessoas de visões diferentes, e isso foi particularmente verdade para os bem educados. Os alunos que abandonaram o segundo grau tiveram o grupo mais diversificado de colegas de discussão, enquanto os egressos de universidades trataram de se proteger de perspectivas desconfortáveis.</p>
<p>O resultado disso é polarização e intolerância. Cass Sunstein, um professor de Direito de Harvard que agora trabalha para o presidente Barack Obama, realizou uma pesquisa mostrando que quando liberais ou conservadores discutem questões como ação afirmativa ou mudança climática com pessoas que pensam da mesma maneira, suas visões se tornam rapidamente mais homogêneas e mais extremadas do que antes da discussão.</p>
<p>Por exemplo, alguns liberais, em um estudo, inicialmente se preocupavam com a possibilidade de que ações sobre a mudança climática pudessem prejudicar os pobres, enquanto alguns conservadores foram simpáticos a uma ação afirmativa. Mas, após discutirem a questão com pessoas de pensamentos parecidos por apenas 15 minutos, os liberais ficaram mais liberais e os conservadores mais conservadores.</p>
<p>O declínio da mídia noticiosa tradicional acelerará a ascensão de The Daily Me, e nós ficaremos menos irritados com o que lemos e teremos a nossa sabedoria confirmada com mais frequência. O perigo é que essas &#8220;notícias&#8221; selecionadas por nós mesmos atuam como narcóticos, nos embalando num estupor autoconfiante pelo qual percebemos em pretos e brancos um mundo que tipicamente se desenrola em cinzentos.</p>
<p>Então, qual é a solução? Deduções fiscais para liberais que assistirem a Bill O?Reilly ou conservadores que assistirem a Keith Olbermann? Não, até que Obama nos dê um serviço de saúde universal, não podemos nos arriscar a um forte aumento nos ataques cardíacos.</p>
<p>Então, a única maneira de avançar talvez seja cada um de nós se esforçar para elaborar intelectualmente com parceiros adversários cujas visões deplora. Pense nisso como um exercício mental diário análogo a uma ida à academia; se você não malhar até suar, não conta.</p>
<p>Agora me deem licença que vou ler a página editorial do Wall Street Journal.</p>
<p><strong>*Nicholas D. Kristof é colunista do The New York Times </strong></p>
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		<title>Bat-mulher sai do armário</title>
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		<pubDate>Tue, 10 Mar 2009 23:24:42 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Luis Favre</dc:creator>
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		<description><![CDATA[A DC Comics divulgou  desenhos com a personagem Bat-Mulher em ação.
&#160;
Referência a um personagem do período pré-crise, a mulher-morcego tem chamado atenção da mídia pela sua opção sexual. Ela é lésbica e já teve um caso com a policial René Montoya. Alguns sites e fóruns deixaram de lembrar o quanto os quadrinhos eram pouco [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><center><a href="http://pics.livejournal.com/ruckawriter/pic/0003402b"><img src="http://pics.livejournal.com/ruckawriter/pic/0003402b/s640x480" alt="Detective Comics #854, Pages 2 and 3" title="Detective Comics #854, Pages 2 and 3" width="555" border="0" height="430" /></a></center><center><img src="http://i47.photobucket.com/albums/f176/mdm1/batwoman_tira.jpg" alt="Photobucket - Video and Image Hosting" border="2" /></center>A DC Comics divulgou  desenhos com a <a href="http://www.melhoresdomundo.net/arquivos/003269.php">personagem Bat-Mulher</a> em ação.</p>
<p class="bMore">&nbsp;</p>
<p><center><img src="http://i47.photobucket.com/albums/f176/mdm1/batwoman_1.jpg" alt="Photobucket - Video and Image Hosting" border="2" /></center><center><img src="http://i47.photobucket.com/albums/f176/mdm1/batwoman_2.jpg" alt="Photobucket - Video and Image Hosting" border="2" /></center>Referência a um personagem do período pré-crise, a mulher-morcego tem chamado atenção da mídia pela sua opção sexual. Ela é lésbica e já teve um caso com a policial <strong>René Montoya</strong>. Alguns sites e fóruns deixaram de lembrar o quanto os quadrinhos eram pouco abertos a esse tipo de abordagem há não muito tempo.<strong>Estrela Polar</strong> da Marvel demorou anos até assumir sua homossexualidade de vez nos quadrinhos e mesmo na DC Comics os gays eram sempre coadjuvantes e nunca protagonistas de uma história.Aparentemente, a DC Comics tem seguido firme nesse caminho ao retratar outros de seus personagens de etnias diferentes da norte-americana, como é o caso dos novos Besouro Azul (de etnia latina) e Eléktron (de etnia asiática). Nada mais que a obrigação de um meio que nasceu para ser um espelho de seu tempo e não reservatório de idéias conservadoras e ultrapassadas. Vale lembrar que o preconceito se estendeu não apenas a preferências sexuais, mas também de etnia, gênero e religião (que ainda hoje não foi superado, com religiões desenvolvendo seus próprios personagens pela falta de representatividade nos <em>comics</em>).</p>
<p>Blogman já foi o &#8220;Batboy&#8221;, mas caiu fora no dia de conhecer a batcaverna. Fala sério&#8230;</p>
<p><strong>Fonte Melhoresdomundo.net </strong></p>
<div style="text-align: center"><img src="http://www.elpais.com/recorte/20090310elpepicul_5/LCO340/Ies/vinetas_nueva_entrega_Batwoman.jpg" alt="Una de las viñetas de la nueva entrega de Batwoman" title="Una de las viñetas de la nueva entrega de Batwoman" width="340" height="250" /></div>
<p><font size="4"><strong>Batwoman sale del armario</strong></font></p>
<p><font size="4"><strong>La superheroína del cómic renacerá en julio bajo su nueva condición de lesbiana</strong></font></p>
<p style="background-color: #ffff99">TONI GARCÍA &#8211; Barcelona &#8211; El País</p>
<p>Kathy Kane declaró públicamente su homosexualidad en 2006, al conocerse que fue amante de la detective Renee Montoya. La noticia provocó un alud de comentarios (a favor y en contra) y en pocos días más de medio millón de entradas en la Red se ocupaban del tema. No tendría mayor importancia si no fuera porque Kathy Kane es en realidad el álter ego de Batwoman; Renee Montoya trabajaba en la comisaría de Gotham, y todo lo anterior es cierto únicamente en las páginas de sus respectivos cómics.</p>
<p>El lesbianismo de la superheroína llegó a ocupar espacio en periódicos como The New York Times o Washington Post y cadenas televisivas como la NBC o la CNN, e hizo comprender a la veterana editorial DC Comics el potencial que tenía el personaje, y por qué no decirlo, su identidad sexual.</p>
<p>Tres años después, la editorial estadounidense se dispone a resucitar a la chica murciélago otorgándole los galones hasta ahora reservados para las estrellas de la compañía: una serie de 12 números, con presentación de lujo días pasados en el Comic Con de Nueva York (una reu-nión de fans del género que se considera la más importante del mundo después de la de San Diego) y donde la sexualidad de Kane se explotará sin tapujos, lo cual ha provocado el entusiasmo de los grupos que luchan a favor de los homosexuales y la ira de los no menos poderosos lobbies conservadores. Al mando del proyecto, el guionista Greg Rucka, que en su blog http://ruckawriter.livejournal.com desveló recientemente las cinco primeras páginas del proyecto (cuyo primer número verá la luz en julio), en el que ha trabajado casi dos años junto al dibujante JH Williams III y a Dave Stewart, que se ha ocupado de colorear las &#8220;explosivas&#8221; aventuras de Kane.</p>
<p>Rucka asegura al rotativo británico The Guardian que &#8220;Batwoman debería ser juzgada por sus méritos y no por si es lesbiana o pelirroja, eso sólo son elementos de su personaje&#8221;. La heroína nació en 1957 pero murió en 1979, y su resurrección (o el anuncio de la misma) coincide con la supuesta muerte de Batman, su homólogo masculino, quien en el último número de su serie regular publicado en Estados Unidos es arrojado al vacío desde un avión, sin traje ni máscara.</p>
<p>Naturalmente, el superhéroe resucitará cuando sea preciso, pero su &#8220;desaparición&#8221; es una ocasión magnífica para que DC (responsable también de un personaje tan icónico como Superman) otorgue a la némesis femenina de su superhéroe más popular la oportunidad de ser la primera lesbiana declarada en disponer de su propio arco argumental, acompañada del que se prevé que se convierta en uno de los lanzamientos más publicitados de la compañía en los últimos años. En palabras del propio Rucka, &#8220;entusiasmado&#8221; con el proyecto &#8220;creo que la gente se va a caer de la silla cuando lea el primer número&#8221;.</p>
<p style="background-color: #ffff99"><strong>do blog <a href="http://klimick.wordpress.com/">Krônicas</a></strong></p>
<p><font size="5"><strong>Lesbianismo na DC comics: liberal ou reacionário?</strong></font></p>
<p>Já que estou escrevendo sobre estereótipos e clichês, gostaria de discorrer um pouco sobre o que me parece ser uma onda de personagens femininas lésbicas ou bissexuais na DC comics e no que isso vem me incomodando.<br />
Antes de começar, duas coisas tem de ser esclarecidas:</p>
<p>Primeiro, não tenho nada contra homossexuais masculinos ou femininas. Tenho amigos gays, incluindo o padrinho de minha filha, e amigas lésbicas e bissexuais.<br />
Segundo, leio pouco histórias em quadrinhos atualmente, questões de grana e tempo. Posso estar desatualizado ou avaliando dentro de um universo muito restrito.<br />
Dito isso, vamos lá.</p>
<p>A primeira personagem lésbica que saiu do armário em tempos recentes foi a policial de Gotham City Renée Montoya. Me pegou de surpresa, mas não me incomodou. Já gostava da personagem e continuei gostando. Ela nunca tinha tido namorados masculinos, logo a questão estava aberta. O drama da família que não aceitava a opção sexual dela foi bem conduzido numa história bem legal.<br />
Daí chegamos as novas mulher-gato e batmulher que são lésbicas. A nova bat-mulher é personagem nova, sem passado. A nova mulher-gato era amiga da antiga, mas, como Montoya, sua vida sexual não fôra abordada anteriormente, logo tudo bem. Até aí, tudo legal.</p>
<p>Na nova série do “Sexteto Secreto”, as personagens Escândalo e Nocaute tem um namoro. Escândalo foi apresentada na série, mas Nocaute tinha um histórico de vilã e havia tido um caso com Superboy (Conner Kent), logo se revelou bissexual na série.<br />
Na série “Renegados”, as personagens Grace e Tormenta (filha do Raio Negro) começaram a namorar. A sexualidade de Tormenta não tinha sido abordada antes, mas Grace tinha tido um caso com Roy Harper (Arsenal) e era promíscua.</p>
<p>Agora chegamos ao que me incomodou. Até então estava aplaudindo a DC comics por mostrar personagens interessantes com diferentes opções sexuais. Vamos lá:</p>
<p>Quanto às personagens: Nocaute é uma vilã e Grace era promíscua, o que numa visão conservadora é uma perversão ou falha de caráter. O fato de ambas se revelarem bissexuais não poderia trazer implicitamente um discurso de que a homossexualidade ou a bissexualidade são “coisas de quem tem um desvio de caráter” (vilania e promiscuidade) ?<br />
Além disso, Montoya, Batmulher, Mulher-gato, Grace, Nocaute, Escândalo e Tormenta são mulheres fortes, decididas, guerreiras. A bissexualidade aí não traria implícito que tais traços são “masculinos” logo levam a uma “sexualidade masculina”? Ambos os discurso são reacionários.</p>
<p>Quanto ao universo DC: não tenho visto personagens masculinas se revelarem homossexuais ou bissexuais. Os homens pelo visto continuam no armário, se é que lá estão. Será que isso não quer dizer que as personagens lésbicas na verdade não estão lá em prol da diversidade e sim para agradarem aos leitores homens heterossexuais que ficam excitados com cenas de lesbianismo? As personagens ficam então reduzidas à condição de objetos sexuais. Reacionarismo novamente.<br />
Vejam bem, não há nada de errado em ser objeto de desejo, gosto quando mulheres olham para mim com libido, ser reduzido a isso é que é o problema.</p>
<p>Com exceção da batmulher e da nova mulher-gato que conheço pouco, gosto de todas as personagens acima e não gostaria de vê-las reduzidas a objeto sexual ou portadoras de um discurso reacionário que elas não merecem.</p>
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		<title>Rappers exigem a realização da Semana do Hip Hop em São Paulo</title>
		<link>http://blogdofavre.ig.com.br/2009/03/rappers-exigem-a-realizacao-da-semana-do-hip-hop-em-sao-paulo/</link>
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		<pubDate>Fri, 06 Mar 2009 20:16:55 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Luis Favre</dc:creator>
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		<description><![CDATA[
O Fórum de Hip Hop Municipal de São Paulo lança na internet um documento exigindo que a administração da cidade e a Coordenadoria de Juventude realizem a Semana de Hip Hop de 2009.
Colem no fórum hip hop municipal de são paulo!
Venham! Fazer o hip hop ser respeitado, seja você mc, dj, grafiteiro(a), break, produtor, estudante, [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div class="meta"></div>
<div class="storycontent">O <strong><span style="color: #ff6600"><a href="http://forumdehiphopeopoderpublico.blogspot/">Fórum de Hip Hop Municipal de São Paulo</a></span></strong> lança na internet um documento exigindo que a administração da cidade e a Coordenadoria de Juventude realizem a Semana de Hip Hop de 2009.</p>
<p style="text-align: left"><span style="color: #800000"><em><strong>Colem no fórum hip hop municipal de são paulo!</strong></em></span></p>
<p style="text-align: left"><span style="color: #800000"><em><strong>Venham! Fazer o hip hop ser respeitado, seja você mc, dj, grafiteiro(a), break, produtor, estudante, simpatizante e ou somente ouvinte de rap. A parada é nossa.<br />
</strong></em>(abertura do manifesto divulgado pelo Fórum de Hip Hop Municipal de São Paulo)</span></p>
<p>A semana do Hip Hop é uma conquista do movimento organizado do hip hop e acontece desde 2006. Realizada anualmente na segunda quinzena de março, gira em torno de 21 de março, o Dia Internacional de Luta Contra a Discriminação Racial.</p>
<p>Durante sete dias, breakers, grafiteiros, DJs e Bboys juntam-se a ativistas de organizações não-governamentais para denunciar o preconceito, divulgando o hip hop e discutindo o papel da juventude afro-brasileira e da periferia na sociedade.</p>
<p>Devido à pressão política do Movimento Hip Hop, a Semana passou a figurar no calendário oficial da capital paulista (Lei Ordinária de São Paulo-SP, nº 14485, de 19/07/2007) e ganhou dotação orçamentária de 100 mil reais para 2009 (empenho 1944).</p>
<p>- A gente fez pressão na votação do orçamento deste ano e conseguimos incluir o recurso para a realização da semana do Hip Hop. Agora eles vêem dizer que não tem dinheiro? &#8211; diz André Luiz, o <strong><span style="color: #ff6600"><a href="http://rapperpirata.blogspot.com/">Rapper Pirata</a></span></strong>, uma das vozes mais atuantes do Fórum de Hip Hop.</p>
<div id="attachment_1452" class="wp-caption aligncenter" style="width: 310px" align="center"><em><a href="http://iurirubim.blog.terra.com.br/files/2009/03/06032009_vermelho.jpg"><img src="http://iurirubim.blog.terra.com.br/files/2009/03/06032009_vermelho-300x225.jpg" class="size-medium wp-image-1452" alt=""Cobramos como cidadãos"" width="300" height="225" /></a></em></p>
<p class="wp-caption-text"><em>Rapper Pirata: &#8220;Cobramos como cidadãos&#8221;</em></p>
</div>
<p>O rapper lembra que é dever de quem está na administração municipal cumprir com os compromissos assumidos: “Parecem desinformados referente às políticas públicas geradas por eles mesmos”.</p>
<p>Leia a seguir a entrevista feita com o Rapper Pirata, 34, na qual ele fala da realização da Semana do Hip Hop e das negociações do movimento com o poder público:</p>
<p><strong>Desde quando existe o Fórum Hip Hop? Quem participa dele?</strong></p>
<p>Seu início foi no ano 2005, já fazem 3 e meio. Um Fórum é um espaço público então não existe um número de membros. Em todas reuniões temos uma frequencia de 15 a 30 pessoas, mas temos uma lista de 500 pessoas.</p>
<p><strong>Existe uma lei prevendo a realização da Semana do Hip Hop?</strong></p>
<p>Sim, foi uma conquista do movimento hip hop paulistano, e elaborada pela ex vereadora do PT Claudete Alves e sancionada em 2004 pela ex-prefeita Marta Suplicy (Lei nº 13.924/04). Agora tem uma nova, lei municipal 14.485/2007.</p>
<div id="attachment_1453" class="wp-caption aligncenter" style="width: 310px" align="center"><em><a href="http://iurirubim.blog.terra.com.br/files/2009/03/06032009_maos.jpg"><img src="http://iurirubim.blog.terra.com.br/files/2009/03/06032009_maos-300x225.jpg" class="size-medium wp-image-1453" alt=""A Semana do Hip Hop é uma conquista da Sociedade"" width="300" height="225" /></a></em></p>
<p class="wp-caption-text"><em>&#8220;A Semana do Hip Hop é uma conquista da Sociedade&#8221;</em></p>
</div>
<p><strong>Quais os sinais de resistência do poder público municipal ao cumprimento dessa lei?</strong></p>
<p>Eles dizem que vão fazer a semana, mas falam sempre que existem dificuldades. Esse ano é o papo de crise, algo que na administração pública é balela, porque eles deixam de arrecadar um determinado volume grana em impostos, não é que eles ficam sem caixa, porque não são empresas.</p>
<p>Não existe conversa do poder público com a sociedade jovem da periferia, eles ficam na disputa partidária, algo que não nos interessa.</p>
<p><strong>Chegaram a um acordo?</strong></p>
<p>O Fórum está com conversa na Câmara de Vereadores junto a Comissão de Juventude, e a Secretaria de Participação e Parceria, nas Coordenadoria do Negro e Juventude, mas não temos resposta positiva. Não sabemos ainda se estão só enrolando.</p>
<p>Parecem desinformados referente às políticas públicas geradas por eles mesmos.</p>
<p><strong>Caso a prefeitura não queira realizar a Semana, o que vocês pretendem fazer? </strong></p>
<p>Estamos fazendo um carta de moção para entregar aos vereadores e secretárias da prefeitura. Temos um lance de panfletagem e depois entregaremos um abaixo-assinado para Ministério Público contra a administração.</p>
<div id="attachment_1454" class="wp-caption aligncenter" style="width: 230px" align="center"><em><a href="http://iurirubim.blog.terra.com.br/files/2009/03/06032009_rosto.jpg"><img src="http://iurirubim.blog.terra.com.br/files/2009/03/06032009_rosto.jpg" class="size-medium wp-image-1454" alt=""Parecem desinformados referente às pol�ticas públicas geradas por eles mesmos"" width="220" height="165" /></a></em></p>
<p class="wp-caption-text"><em>Pirata: &#8220;Parecem desinformados referente às políticas públicas geradas por eles mesmos&#8221;</em></p>
</div>
<p><strong>Como o fórum hip hop municipal vê as ações dos três poderes públicos em relação a esse gênero artístico?</strong></p>
<p>Então temos a discussão que cultura não é valorizada no país, tanto que os recursos dos orçamentos nunca chegam a 1%.</p>
<p>Vemos como bons olhos a ação do governo federal, mas como a dita direita administra o estado e prefeitura, eles investem pouco porque disputam como partidos.</p>
<p>Mas o Fórum é apartidário. Cobramos como cidadãos. Os caras tão na administração e tem o dever que cumprir isso aí, de fazer os projetos. Se a gente não estiver ali, cobrando, eles vão fazer tudo sozinhos.</p>
<p>Veja, tem 80 milhões para se investir no primeiro emprego aqui em São Paulo. Não se investiu um centavo.</p>
<p>Eles fazem cursos para as pessoas serem empregadas como garçom, ajudante de cozinha, engraxate… Não desvalorizo essas profissões, mas querem que sejamos empregados o resto de nossas vidas.</p></div>
]]></content:encoded>
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		<title>É intolerável!</title>
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		<pubDate>Sat, 14 Feb 2009 17:41:28 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Luis Favre</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Jogo simula estupro e aborto de mulher e filhas
Blog Page not found de  Fernando Moreira 
&#160;

Os criadores garantem que é apenas diversão. Para mim, um terrível equívoco. A produtora japonesa Illusion lançou um jogo em que o objetivo é estuprar uma mulher e suas duas jovens filhas em uma estação de metrô. E não fica [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<h4 class="tituloPost"><font size="5"><a href="http://oglobo.globo.com/blogs/moreira/post.asp?t=jogo-simula-estupro-aborto-de-mulher-filhas&amp;cod_Post=161589&amp;a=88">Jogo simula estupro e aborto de mulher e filhas</a></font></h4>
<p>Blog <strong><em>Page not found</em></strong> de <strong> Fernando Moreira </strong></p>
<p class="cntr">&nbsp;</p>
<div style="text-align: center"><img src="http://oglobo.globo.com/blogs/arquivos_upload/2009/02/102_1432-alt-rape.jpg" alt="Rapelay" /></div>
<p>Os criadores garantem que é apenas diversão. Para mim, um terrível equívoco. A produtora japonesa Illusion lançou um jogo em que o objetivo é <font style="background-color: #808000" color="#ffffff"><strong>estuprar uma mulher e suas duas jovens filhas</strong></font> em uma estação de metrô. E não fica só nisso. Depois do ataque sexual, o jogador tem que <font style="background-color: #808000" color="#ffffff"><strong>fazer com que as suas vítimas abortem</strong></font>. O nome do game bizarro é <font style="background-color: #808000" color="#ffffff"><strong>&#8220;Rapelay&#8221;</strong></font>.</p>
<p>Se o jogador não conseguir que as suas vítimas abortem ele perde e o seu personagem é <font style="background-color: #808000" color="#ffffff"><strong>jogado na linha do metrô</strong></font>. <strong>O game permite que vários jogadores &#8220;brinquem&#8221; ao mesmo tempo contra apenas uma mulher</strong>.</p>
<p>Inicialmente restrito ao mercado japonês, onde foi lançado em 2006, o jogo começou a chegar ao Ocidente em versões piratas ou por sites de venda. A <strong>Amazon</strong>, que chegou a vender o &#8220;Rapelay&#8221;, tirou o game das suas prateleiras.</p>
<p><strong>Estupro e aborto viraram brincadeira?</strong></p>
]]></content:encoded>
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		<title>Homossexualidade é pecado para 58%, aponta pesquisa</title>
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		<pubDate>Sun, 08 Feb 2009 12:10:13 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Luis Favre</dc:creator>
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		<description><![CDATA[ Estudo mostra que 28% dos brasileiros admitem ter preconceito contra homossexuais
Para Gustavo Venturi, um dos coordenadores da pesquisa, religiões e a cultura machista no Brasil favorecem a discriminação

MÁRCIO PINHO &#8211; FOLHA SP
DA REPORTAGEM LOCAL
Uma pesquisa sobre sexualidade e homofobia -aversão a homossexuais- mostrou que 58% dos brasileiros consideram a homossexualidade um pecado contra as [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p> <strong>Estudo mostra que 28% dos brasileiros admitem ter preconceito contra homossexuais</strong></p>
<p><strong>Para Gustavo Venturi, um dos coordenadores da pesquisa, religiões e a cultura machista no Brasil favorecem a discriminação</strong></p>
<p align="center"><a href="http://blogdofavre.ig.com.br/2009/02/homossexualidade-e-pecado-para-58-aponta-pesquisa/9559/" rel="attachment wp-att-9559" title="casalgay_agua.jpg"><img src="http://blogdofavre.ig.com.br/wp-content/uploads/2009/02/casalgay_agua.jpg" alt="casalgay_agua.jpg" width="345" height="246" /></a><a href="http://blogdofavre.ig.com.br/2009/02/homossexualidade-e-pecado-para-58-aponta-pesquisa/9558/" rel="attachment wp-att-9558" title="casallesbicas.jpg"><img src="http://blogdofavre.ig.com.br/wp-content/uploads/2009/02/casallesbicas.jpg" alt="casallesbicas.jpg" width="174" height="246" /></a></p>
<p style="background-color: #ffff99">MÁRCIO PINHO &#8211; FOLHA SP</p>
<p>DA REPORTAGEM LOCAL</p>
<p>Uma pesquisa sobre sexualidade e homofobia -aversão a homossexuais- mostrou que 58% dos brasileiros consideram a homossexualidade um pecado contra as leis de Deus e que 29% a apontam como uma doença a ser tratada.<br />
O estudo foi conduzido pela Fundação Perseu Abramo e pela fundação alemã Rosa Luxemburgo Stiftung, que entrevistaram 2.014 adultos nas cinco regiões do país, escancarando o preconceito direto ou velado contra os homossexuais.<br />
Machismo, falta de leis e discriminação na mídia são apontados como favorecedores dos números, recebidos com apreensão pela comunidade LGBT (Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis e Transexuais).<br />
Segundo os organizadores, o &#8220;primeiro estudo a mapear de forma tão ampla&#8221; a homofobia deixou claro a facilidade de o brasileiro confessá-la. Isso porque 28% disseram &#8220;admitir&#8221; ter preconceito contra LGBT, enquanto outra pesquisa também da Fundação Perseu Abramo, de 2003, mostrou que o preconceito assumido contra negros -problema histórico no país- era de 4%.<br />
&#8220;Há a contribuição das religiões na nossa população de maioria católica e evangélica. Muitas igrejas continuam fechadas para comportamentos que fogem da &#8220;heteronormatividade&#8221;. Além disso, a cultura machista no Brasil facilita que o preconceito seja admitido com mais facilidade. Diferentemente da questão racial, não houve até agora uma legislação criminalizando a homofobia&#8221;, afirma Gustavo Venturi, um dos coordenadores do estudo e professor de sociologia da USP.<br />
Um projeto que pretende mudar esse quadro -transformando a homofobia em crime- tramita no Senado, após ter sido aprovado na Câmara.</p>
<p><strong>Preconceito</strong><br />
A pesquisa mostra manifestações de preconceito em diferentes situações. A maioria não gostaria de ter um filho gay, mas procuraria aceitar. Houve um número razoável (23%) de defensores da tese de que mulher &#8220;vira&#8221; lésbica porque não conheceu homem de verdade. Os maiores níveis de aversão foram no Norte e no Nordeste.<br />
Para Venturi, o grande problema é que, mais do que nas relações pessoais, a discriminação tem participação institucional. Nas empresas, por exemplo. Contudo, reconhece que, nesse quesito, aparece um dos itens em que o brasileiro se mostra mais aberto à diversidade -70% dizem que não se importariam de ter colega de trabalho gay ou lésbica.<br />
Mas isso é pouco na visão de Cezar Xavier, coordenador de comunicação da APOGLBT -associação que coordena a Parada Gay em São Paulo. Para ele, a pesquisa mostrou que a luta contra o preconceito é um desafio maior do que se intuía.<br />
&#8220;Vivemos um estado homofóbico. A televisão tem personagens fixos para fazer chacota da homossexualidade. Para o movimento homossexual isso é algo perverso. Afeta desde a criança na escola até o adulto&#8221;, afirma. Ele lamenta existir preconceito entre os próprios homossexuais, em relação a si mesmos ou entre grupos.<br />
Para Xavier, existe também uma matriz religiosa forte por detrás da homofobia, que reforça uma visão já existente de que a homossexualidade é uma opção. Ele afirma que essa matriz influi inclusive na falta de leis.<br />
&#8220;Temos um lobby religioso no Congresso que dificulta a aprovação da lei do crime de homofobia. Ela é essencial. Vivemos num país de grande violência contra homossexuais.&#8221;</p>
<p><strong>Religião</strong><br />
Além da ideia de pecado, o estudo revelou que 84% dos brasileiros concordam completamente com a ideia de homem e mulher foram criados por Deus para cumprirem a função de ter filhos, o que é considerado um preconceito velado.<br />
Frei Antonio Moser, professor de teologia moral, diz que a Igreja Católica tem suas convicções de relação entre homem e mulher criados por Deus, mas busca acolher os homossexuais. &#8220;A homossexualidade não existe. O que existem são pessoas. Não podemos padronizar, colocar todos em uma mesma bacia de heterossexuais ou homossexuais. Nossa grande preocupação é a acolhida, a orientação. Nós [a Igreja] respeitamos e pedimos que a pessoa busque sua identidade. Mas também não nos peçam a bênção para imitar o casamento.&#8221;</p>
<p><font size="5"><strong>49% se disseram contra união entre mesmo sexo </strong></font></p>
<p><font size="-1">DA REPORTAGEM LOCAL</font></p>
<p>Tema controverso, a legalização da união civil entre  pessoas do mesmo sexo teve  49% dos entrevistados pela  Fundação Perseu Abramo  com opinião contrária (40%  &#8220;totalmente contra&#8221; e 9%  &#8220;em parte contra&#8221;) e 32% favoráveis (25% &#8220;totalmente a  favor&#8221; e 17% &#8220;em parte favor&#8221;) (veja quadro).<br />
A prevalência da opinião  contrária já tinha sido verificada pelo Datafolha, em pesquisa divulgada em abril de  2008: 45% das pessoas disseram ser contra a união civil.  Foi o primeiro levantamento  do tipo feito pelo órgão. Os  dados mostraram que 39%  eram favoráveis e 14% se disseram indiferentes.<br />
A opinião foi mais dividida  entre as mulheres: 42% foram a favor da união e 41%  contra. Já os homens tiveram posição mais claramente contrária: 49% ante 36%.</p>
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		<title>Dia Internacional em memória das vitimas do Holocausto</title>
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		<pubDate>Wed, 28 Jan 2009 14:53:51 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Luis Favre</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Discurso do Presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, durante solenidade do Dia Internacional em Memória das Vítimas do Holocausto
São Paulo-SP, 27 de janeiro de 2009
 Foto Ricardo Stuckert / PR


Meus amigos e minhas amigas,
Agradeço o convite para participar, pelo quarto ano consecutivo, do Dia Internacional em Memória das Vítimas do Holocausto. Eu posso dizer [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><strong>Discurso do Presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, durante solenidade do Dia Internacional em Memória das Vítimas do Holocausto<br />
São Paulo-SP, 27 de janeiro de 2009</strong></p>
<div align="center"> <font size="1"><em>Foto Ricardo Stuckert / PR</em><br />
</font></div>
<div style="text-align: center"><img src="http://www.info.planalto.gov.br/imagens/Fotografia_imagens/foto_grande/27012009G00007.JPG" alt="Presidente Lula participa de cerimônia do Dia Internacional de Lembrança das Vítimas do Holocausto _(São Paulo, SP, 27/01/2009) _Foto: Ricardo Stuckert/PR" width="553" height="357" /></div>
<p>Meus amigos e minhas amigas,</p>
<p>Agradeço o convite para participar, pelo quarto ano consecutivo, do Dia Internacional em Memória das Vítimas do Holocausto. Eu posso dizer que me sinto pessoalmente envolvido com a instituição desta data. Em agosto de 2004, recebi de uma comitiva do Congresso Judaico Mundial e de líderes comunitários brasileiros – certamente alguns deles estão aqui presentes – uma petição à ONU solicitando medidas mais concretas na luta contra o anti-semitismo. Assinei de imediato o documento, afinal, o Estado brasileiro foi co-patrocinador de diversas resoluções da ONU afirmando a importância de rememorar aquela tragédia. Mais tarde, eu soube que o Brasil foi o primeiro país a subscrever aquela petição. Soube também que ela serviu de base para consagrar 27 de janeiro como o Dia Internacional em Memória das Vítimas do Holocausto.<br />
Hoje, como em todos os dias, devemos nos empenhar na luta da memória contra o esquecimento. É preciso manter viva a lembrança, para que nunca mais se repita o assassinato em massa, o genocídio como ideologia e a limpeza étnica como razão de Estado.<br />
O regime nazista promoveu a mutilação espiritual, a humilhação moral, a ruína material e a eliminação física de milhões de homens, mulheres e crianças. Vitimou judeus, comunistas, homossexuais, negros, ciganos, testemunhas de Jeová e todos que considerou inferiores na raça, no credo e na cor. O holocausto marcou o auge da crueldade humana e configurou o maior episódio de violência e covardia de nossa história, um episódio que não deveria ter ocorrido e que não pode nunca mais voltar a ocorrer.<br />
É certo que a intolerância e a xenofobia ainda não foram totalmente extintas. No entanto, em todo o mundo a sociedade vem dando importantes passos na superação dos preconceitos. Um grande exemplo acaba de se concretizar nos Estados Unidos. Lá, há poucas décadas, negros e brancos não tinham os mesmos direitos. E hoje, pela primeira vez, um negro é presidente dos Estados Unidos. O combate ao ódio e à discriminação já não é um grito isolado, mas integra o ideário das sociedades dos mais diferentes países.<br />
Minhas amigas e meus amigos,<br />
Ao participar deste evento, ano após ano, busco demonstrar o profundo respeito que eu e todo o governo nutrimos pelas comunidades que compõem a grande nação brasileira. Eu me orgulho de ser presidente de um país marcado pela diversidade, onde a tolerância garante o respeito mútuo a todos. Temos uma legislação clara e rigorosa no que se refere a todas as formas de intolerância. Somos uma das poucas democracias do mundo, talvez a única, em que a Constituição garante que para crime de racismo não deve existir nem fiança, nem prescrição.<br />
O Brasil não aceita discriminação. Judeus e árabes, sejam religiosos ou não, convivem pacífica e harmoniosamente em nossas cidades, dividem espaços e compartilham a construção e o desenvolvimento do Brasil. Por isso, o conflito entre Israel e Palestina, no Oriente Médio, atinge os corações e as mentes de todos, e nos obriga a evitar que o ódio contamine o nosso país. Mais do que tudo, o Brasil pode se valer dessa convivência pacífica para colaborar para a construção da paz.<br />
Minhas amigas e meus amigos,<br />
A diplomacia brasileira tem uma larga tradição de atuar de forma conciliatória na solução de conflitos, e no que se refere aos povos israelense e palestino, nosso Estado vem ao longo de seis décadas ratificando as resoluções internacionais que têm por objetivo garantir a coexistência pacífica e segura de dois Estados soberanos. Esse tem sido o sentido de todas as nossas manifestações, pois só assim alcançaremos a paz naquela região. Eu tenho me esforçado pessoalmente para impedir que o ódio mútuo, acumulado ao longo de décadas, acabe sufocando ainda mais as alternativas de paz.<br />
Como vocês sabem, recentemente determinei ao chanceler Celso Amorim que viajasse à região com o objetivo de apoiar os esforços para o cessar-fogo, o alívio da situação humanitária e o estabelecimento de uma paz reguladora. Na ocasião, a diplomacia brasileira reiterou às autoridades sírias, israelenses, palestinas, jordanianas e egípcias, a necessidade de se evitar mais mortes e sofrimento na população civil de ambos os lados.<br />
Lembramos às partes envolvidas que há outros atores interessados em agir a favor de um entendimento, e a paz só tem a ganhar com a participação de países como o Brasil. Todos sabem que o Brasil não está interessado nos resultados políticos e nos dividendos econômicos que podem ser obtidos na região. Nosso interesse exclusivo é o de contribuir para a paz duradoura e definitiva na região.<br />
O Brasil tem condições e credenciais para participar, junto com outros países, de iniciativas que conduzam a um consenso para superar a violência e a irracionalidade. Por isso mesmo, apoiamos a realização de uma conferência internacional em seguimento à reunião de Annapolis, ocorrida em novembro de 2007, como um passo importante para o restabelecimento da paz na região, com base no reconhecimento do direito de constituição do Estado palestino viável, e da existência de Israel em condições de segurança e de soberania. O Brasil não aceita a escalada da violência como solução para os conflitos.<br />
Lamentamos profundamente a morte de civis, mulheres e crianças. Conclamamos o pronto estabelecimento das condições que permitam a plena retomada da assistência humanitária à população de Gaza e a tranquilidade para a população de Israel. Guardo uma profunda esperança na construção do diálogo e continuarei empenhado para que, o mais rápido possível, aquela região viva uma trégua consistente que seja prenúncio de uma paz duradoura.<br />
Minhas amigas e meus amigos,<br />
Que este Dia Internacional em Memória das Vítimas do Holocausto ajude a todos os homens e mulheres a se recordarem das iniquidades que tanto macularam a trajetória da Humanidade. Que ele fale à consciência coletiva sobre a necessidade de se reparar os danos sofridos no passado, de se interromper as injustiças do presente e de se evitar tragédias no futuro.<br />
Espero, sobretudo, que este dia nos convide a olhar para as novas gerações, que não podem ser hostilizadas pelos erros cometidos por seus antepassados. Devemos garantir que as crianças e jovens se desenvolvam em um ambiente onde a desconfiança mútua seja substituída pelo preceito bíblico, quando diz: “Ama teu próximo como a ti mesmo”.<br />
Shalom. Muito obrigado.</p>
]]></content:encoded>
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		<title>Obama é presidente dos Estados-Unidos</title>
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		<pubDate>Tue, 20 Jan 2009 18:39:52 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Luis Favre</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Caio Gomes/Esp. CB/D.A Press

Blog Images &#38; Visons 
Fotos que fizeram a história da segregação racial nos EUA

 © National Photo Company Collection. Ativistas da organização racista Ku Klux Klan. Virginia, Columbia. EUA. 1922.
© Foto de Elliott Erwitt, bebedouros separados para brancos e negros no estado da Carolina do Norte. EUA. 1950
© Foto de Ernest C. [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><font size="1"><em>Caio Gomes/Esp. CB/D.A Press<br />
</em></font><img src="http://stat.correioweb.com.br/cw/EDICAO_20090120/fotos/a4-1.jpg" border="1" /></p>
<p style="background-color: #ffff99"><strong><font size="4">Blog Images &amp; Visons </font></strong></p>
<div align="center"><strong><font size="4">Fotos que fizeram a história da segregação racial nos EUA</font></strong></div>
<div align="center"></div>
<div align="center"><img src="http://1.bp.blogspot.com/_q08M1ajACHg/SXXfyTlEZXI/AAAAAAAAFeI/VG2cSEIYwpU/s320/Ku-Klux-Klan1.jpg" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5293382992386090354" style="margin: 0px auto 10px; display: block; width: 320px; height: 218px; text-align: center" border="0" /> <span style="font-size: 78%">© National Photo Company Collection. Ativistas da organização racista Ku Klux Klan. Virginia, Columbia. EUA. 1922.</span></div>
<div align="center"><img src="http://1.bp.blogspot.com/_q08M1ajACHg/SXUye_3qMSI/AAAAAAAAFdQ/3WmazanwGaQ/s320/elliott.jpg" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5293192445166235938" style="margin: 0px auto 10px; display: block; width: 320px; height: 210px; text-align: center" border="0" /><span style="font-size: 78%">© Foto de Elliott Erwitt, bebedouros separados para brancos e negros no estado da Carolina do Norte. EUA. 1950</span></div>
<div align="center"><img src="http://1.bp.blogspot.com/_q08M1ajACHg/SXUyeiW3UMI/AAAAAAAAFdI/lgJe1lk9C64/s320/luther+king.jpg" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5293192437244055746" style="margin: 0px auto 10px; display: block; width: 320px; height: 255px; text-align: center" border="0" /><span style="font-size: 78%">© Foto de Ernest C. Withers. Martin Luther King na primeira viagem de um ônibus não segregado em Montgomery. Alabama 1956. </span></div>
<div align="center">
<div align="center"><span style="font-size: 78%"><img src="http://3.bp.blogspot.com/_q08M1ajACHg/SXU5wtilw5I/AAAAAAAAFdo/JW3JqtHrvrQ/s320/Douglas_Martin.jpg" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5293200446065066898" style="margin: 0px auto 10px; display: block; width: 320px; height: 236px; text-align: center" border="0" /></span><span style="font-size: 78%">© Foto de Douglas Martin. A jovem Dorothy Count, uma das primeiras estudantes &#8220;negras&#8221; em colégio de brancos, é vitima de preconceito racial. 1957.</span><span style="font-size: 78%"><img src="http://1.bp.blogspot.com/_q08M1ajACHg/SXU4bUBM3iI/AAAAAAAAFdg/VFzz9CCdbaY/s320/A.Y.+Owen.jpg" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5293198978925256226" style="margin: 0px auto 10px; display: block; width: 320px; height: 211px; text-align: center" border="0" /></span><span style="font-size: 78%">© Foto de A.Y. Owen / Time Life Pictures / Getty . Soldados da Guarda nacional protegem estudantes negros que se matricularam em colégios segregados. 1957. </span></div>
<div align="center"><span style="font-size: 78%"><img src="http://2.bp.blogspot.com/_q08M1ajACHg/SXUxztcEh5I/AAAAAAAAFcw/n2-AAMlSz4M/s320/Charles+Moore.jpg" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5293191701484308370" style="margin: 0px auto 10px; display: block; width: 229px; height: 320px; text-align: center" border="0" />© Foto de Charles Moore. Martin Luther King é conduzido preso na entrada do tribunal Montgomery. 1958.<br />
</span><br />
<img src="http://2.bp.blogspot.com/_q08M1ajACHg/SXUxzCtCroI/AAAAAAAAFcg/TF9tdurXE6Q/s320/Eve+Arnold.jpg" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5293191690012765826" style="margin: 0px auto 10px; display: block; width: 320px; height: 211px; text-align: center" border="0" /><span style="font-size: 78%">© Foto de Eve Arnold / Magnum. Nazistas americanos, defensores da supremacia branca, protestam contra o movimento dos direitos civis nos EUA. 1962.</span></div>
<p><span style="font-size: 78%"></span></p>
<div align="center"><img src="http://1.bp.blogspot.com/_q08M1ajACHg/SXUxzeRMlAI/AAAAAAAAFco/7qgz4mrtoy8/s320/Martin+Luther+King.jpg" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5293191697412166658" style="margin: 0px auto 10px; display: block; width: 320px; height: 242px; text-align: center" border="0" /><span style="font-size: 78%">© Foto Hulton /Getty. Martin Luther King. “Marcha para Washington por Emprego e Liberdade”, em 28 de Agosto de 1963.</span><img src="http://3.bp.blogspot.com/_q08M1ajACHg/SXUxyzlgoVI/AAAAAAAAFcY/49Xo4hvCrc8/s320/civil+rights.jpg" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5293191685954642258" style="margin: 0px auto 10px; display: block; width: 320px; height: 211px; text-align: center" border="0" /><span style="font-size: 78%">© Civil Rights. Distúrbios raciais provocaram a morte de 34 pessoas, 1.032 feridos e 3.952 prisões. Los Angeles 1965.</span></div>
</div>
<div align="center"><img src="http://2.bp.blogspot.com/_q08M1ajACHg/SXVH7aO9MLI/AAAAAAAAFdw/bu08YaKalnQ/s320/jack.jpg" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5293216023023792306" style="margin: 0px auto 10px; display: block; width: 320px; height: 198px; text-align: center" border="0" /><span style="font-size: 78%">© Foto de Jack Thornell. Ativista e advogado negro leva um tiro durante um protesto, Mississipi . 1966.</span></div>
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		<title>A foto da intolêrancia</title>
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		<pubDate>Sun, 11 Jan 2009 15:51:59 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Luis Favre</dc:creator>
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Clique na imagem para ampliar © Foto de Douglas Martin. A jovem Dorothy Count, uma das primeiras estudantes &#8220;negras&#8221; em colégio de brancos, é vitima de preconceito racial. EUA. 1957.


A foto vencedora do &#8220;World Press Photo&#8221; de 1957, de autoria de Douglas Martin foi feita no estado da Carolina do Norte, EUA. A jovem Dorothy [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div style="text-align: center"><img src="http://blogdofavre.ig.com.br/wp-content/uploads/2009/01/count_intolerancia.jpg" alt="count_intolerancia.jpg" width="553" height="407" /><font size="2"><em><br />
Clique na imagem para ampliar © Foto de Douglas Martin. A jovem Dorothy Count, uma das primeiras estudantes &#8220;negras&#8221; em colégio de brancos, é vitima de preconceito racial. EUA. 1957.</em></font></div>
<div style="text-align: center"></div>
<div style="text-align: center" align="left"></div>
<p>A foto vencedora do &#8220;World Press Photo&#8221; de 1957, de autoria de Douglas Martin foi feita no estado da Carolina do Norte, EUA. A jovem Dorothy Count, de 15 anos, foi uma das primeiras estudantes &#8220;negras&#8221; a ser admitida no recém-desagregado colégio &#8220;Harry Harding High School&#8221;. Repórteres e fotógrafos testemunharam e registraram a violência que eclodiu quando Dorothy Counts apareceu para seu primeiro dia no colégio onde estudavam somente alunos brancos. As pessoas atiraram pedras e gritaram &#8220;Volte de onde veio&#8221;. Dorothy caminhou sem reagir, diante da multidão que a acompanhava com gestos obscenos e gritando palavras de ordem. Após uma série de ameaças telefônicas e depois de 4 dias de intensiva hostilidade, seu pai decidiu tirá-la da escola.</p>
<div style="text-align: center">
<div align="left"></div>
<p align="left"><strong><em>Fonte Images&amp;Visions </em></strong></p>
</div>
]]></content:encoded>
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		<title>A nova onda feminista</title>
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		<pubDate>Sun, 14 Dec 2008 19:19:07 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Luis Favre</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Ele já foi chamado de movimento das “mal-amadas” e associado a mulheres homossexuais. Recebeu mais ataques do que elogios, mas foi o motor de conquistas inegáveis para as mulheres. Gostem ou não, o feminismo, termo usado pela primeira vez nos anos 30 do século 19, continua a todo vapor
Edma Cristina de Góis Revista do Correio [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><strong>Ele já foi chamado de movimento das “mal-amadas” e associado a mulheres homossexuais. Recebeu mais ataques do que elogios, mas foi o motor de conquistas inegáveis para as mulheres. Gostem ou não, o feminismo, termo usado pela primeira vez nos anos 30 do século 19, continua a todo vapor</strong></p>
<p style="background-color: #ffff99"><strong>Edma Cristina de Góis Revista do Correio Braziliense</strong></p>
<p><font size="1"><em>Monique Renne/CB/D.A Press<br />
</em></font><img src="http://stat.correioweb.com.br/cw/EDICAO_20081214/fotos/r-1412-2201.jpg" border="1" /><br />
<font size="1"><em> Mãe solteira e independente, Eliane acredita que sua maior conquista foi a autonomia</em></font></p>
<p>Eliane Maria de Carvalho, 38 anos, é solteira, tem um filho de 12 anos, trabalha dois expedientes e faz faculdade de administração à noite. Diariamente, caminha três quadras até sua casa para almoçar com o filho Leonardo. Ele já não precisa da mãe para ir à escola e desde os 8 anos fica sozinho em casa quando ela sai para trabalhar. Mesmo sem se declarar feminista, Eliane acumula em sua trajetória conquistas e desafios desse movimento: o direito à educação, a inserção no mercado de trabalho, a opção pela maternidade solteira e a autonomia, uma vez que é a chefe de um lar. “Eu fugi da linhagem da minha família, na qual as mulheres ficavam casadas ou, quando separadas, voltavam para a casa dos pais. Sou feliz porque sou dona da minha vida e tomo minhas próprias decisões”, explica.</p>
<p>Como Eliane, a maioria das mulheres, pelo menos as ocidentais, vive uma realidade que hoje só é possível graças a feministas que, na contramão do preconceito de suas épocas, arregaçaram as mangas por um ideal coletivo. Estigmatizado e, na maior parte das vezes, mal interpretado, o movimento se reconfigurou mais uma vez na primeira década do século 21. Hoje, ele é marcado como um movimento mais plural, bem diferente daquele da época em que Betty Friedan lançou A mística feminina (1963), que retratou a realidade das mulheres americanas, brancas e de classe média — período conhecido como a segunda onda do feminismo e que permaneceu no imaginário mundial graças ao ato em praça pública da queima de sutiãs.</p>
<p>A complexidade do feminismo hoje deve-se à conciliação de bandeiras de lutas de muitas mulheres: brancas, negras, de classe média e baixa, indígenas, homossexuais, heterossexuais etc. Nesse contexto, estão temas como o direito à educação de qualidade, ainda um entrave sobretudo para as mulheres negras, e a violência doméstica. Além disso, é preciso levar as conquistas adquiridas no mercado de trabalho para dentro de casa. Nesse ponto, houve pouco avanço e algumas correntes acusam o próprio movimento de sobrecarregar as mulheres e de ser preconceituoso com aquelas que optam por serem donas-de-casa ou priorizam a maternidade.</p>
<p>Feministas e pesquisadoras de gênero de diversas áreas — história, sociologia e literatura — afirmam que nunca houve nem há um movimento feminista homogêneo. O movimento de mulheres, no Brasil e no mundo, é marcado pelas diferentes vozes. Na prática, elas desejam transformar a realidade do espaço público e privado marcado por um modelo sexista. “Toda mulher é um pouco feminista, mesmo quem não assume”, afirma a pedagoga Marta de Paula, 48, uma das nove mulheres com quem a Revista do Correio conversou sobre o assunto.</p>
<p><font size="4"><strong>Por que se luta hoje</strong></font></p>
<p>*Pelo combate a todas as formas de discriminação no mercado de trabalho, no sistema educacional, na saúde, na representação política etc.)<br />
*Pela aceitação da pluralidade de mulheres (negras, indígenas, jovens, idosas, lésbicas, mulheres do campo, da floresta etc.)<br />
*Pela discussão sobre os direitos sexuais e reprodutivos, incluindo a descriminalização do aborto, a ética nas pesquisas científicas e o acesso ao atendimento para garantir a saúde da mulher.<br />
*Pelo combate à violência contra as mulheres.<br />
*Pela reorganização dos papéis dentro de casa, de modo a evitar a sobrecarga de trabalho.<br />
*Para que a mídia não reproduza padrões sexistas, como a exploração do corpo feminino.</p>
<p><font size="4"><strong>O que já foi conquistado</strong></font></p>
<p><u>Voto</u><br />
Em 1932, as mulheres passam a ter direito ao voto no Brasil.<font class="texto"><u>Trabalho fora de casa</u><br />
Nos anos 1950, as mulheres vivem a dicotomia do trabalho em casa e fora. Ainda assim são poucas as que conseguem se lançar no mercado de trabalho e conciliar as duas jornadas. A partir dos anos 1970, percebe-se maior participação delas no mercado de trabalho.<br />
As diferenças salariais, no entanto, perduram até hoje.</font></p>
<p><u>Representação política</u><br />
30% das candidaturas a cargos eletivos devem ser de mulheres desde 1990.</p>
<p><u>Costumes e sexualidade</u><br />
O Brasil também participou da revolução sexual e de comportamento dos anos 1960. Um dos símbolos nacionais dessa fase foi a atriz Leila Diniz, cuja imagem dela, grávida na praia, marcou época.</p>
<p><u>Serviços de saúde</u><br />
No Brasil, os primeiros programas de atendimento à saúde da mulher são dos anos 1980.</p>
<p><u>Combate à violência</u><br />
As primeiras manifestações são dos anos 1970. Na década seguinte são criados serviços de atendimento à mulher vítima de violência. Também é fundada a primeira delegacia da mulher. No primeiro governo Lula, é criada uma secretaria especial para as mulheres e, em 2006, é promulgada a Lei Maria da Penha.</p>
<p><strong>Sem conceitos</strong></p>
<p>O movimento feminista é dividido por etapas de acordo com a inclusão de novas bandeiras ou pelo reforço de alguns desafios. Sobre esse assunto, não há consenso entre especialistas. Alguns acreditam que haja apenas duas fases: a primeira onda, no início do século passado, com a luta pelo acesso à educação como principal slogan, e a segunda onda, marcada pelo lançamento da obra A mística feminina, da norte-americana Betty Friedan, uma das mais importantes feministas do século 20.<br />
No entanto, há quem defina a terceira onda feminista no Brasil como sendo a fase de luta das mulheres contra a ditadura e pela redemocratização. A quarta seria a fase atual, em que se discutem temas como violência contra a mulher, democratização da vivência da sexualidade, a laicidade do Estado e a igualdade racial.</p>
<table width="120" align="right" border="0" cellpadding="1" cellspacing="1">
<tr>
<td><em><font class="credito" size="1">War Production/Reprodução</font></em></td>
</tr>
<tr>
<td class="imagem"><img src="http://stat.correioweb.com.br/cw/EDICAO_20081214/fotos/r-1412-2205.jpg" border="1" /></td>
</tr>
<tr>
<td>&nbsp;</td>
</tr>
</table>
<p><font class="legenda"> </font></p>
<p><strong>NA GUERRA</strong></p>
<p>O cartaz Rose the Riveter acima, com a inscrição “We can do it”, virou um dos símbolos do movimento feminista nos Estados Unidos. Durante a 2ª Guerra Mundial, a publicidade foi usada para convocar as mulheres a trabalharem em fábricas, porque muitos homens estavam no front de combate. Elas acataram o pedido e muitas foram trabalhar nas fábricas dos aviões B-29. Foram esses aviões que soltaram as bombas atômicas em Hiroshima e Nagasaki. É por essa razão que parte do movimento feminista vê o cartaz de modo negativo e não o reconhece como referência à luta das mulheres.</p>
<p><strong>AUTONOMIA, A GRANDE CONQUISTA</strong></p>
<p>Quando a assessora administrativa Eliane Maria de Carvalho, 38 anos, terminou o segundo grau, começou logo a trabalhar. Tentou vestibular na época, mas como não foi aprovada acabou adiando o sonho de se formar. Depois veio a gravidez inesperada e a mudança radical da vida. A família não recebeu bem a notícia, mas apoiou a decisão de Eliane de ter o filho mesmo sem o apoio do pai. Leonardo nasceu quando ela tinha 26 anos. Há cinco anos em Brasília e há dois estudando administração, Eliane faz um balanço positivo de suas conquistas. A maior delas, sua autonomia.</p>
<p>A independência de Eliane tornou-se real graças à soma de educação e trabalho. As primeiras defensoras dos direitos da mulher no Brasil apostavam na educação como corredor de acesso para a emancipação feminina e a melhoria de status. A justificativa era óbvia: com formação superior, as mulheres poderiam ter uma profissão e conquistar sua independência. A educação superior virou realidade para as mulheres brasileiras com a lei da reforma educacional de 1879, embora a primeira legislação em relação à educação feminina date de 1827. Com isso, elas reivindicavam o direito ao voto, o que foi debatido e negado pelo Congresso Constituinte de 1891.</p>
<p>Mais de um século depois, a presença das mulheres no mercado de trabalho, nos mais diversos cargos, nas universidades e nas esferas de poderes, dão a impressão de que tudo foi ganho, logo o feminismo perderia sua razão de existir. A historiadora Céli Pinto, autora de Uma história do feminismo no Brasil, rebate essa tese. “O movimento mudou com o tempo. No Brasil, a onda do feminismo dos anos 1960 chega com atraso devido à ditadura militar, no entanto as lutas feministas florescem junto com a campanha pela redemocratização”, explica. Por essa razão, os movimentos de mulheres brasileiras surgem próximos às Comunidades Eclesiais de Base (CEB) e aos movimentos populares.</p>
<p><strong>O feminismo no Brasil e no mundo</strong></p>
<p><u>1832 </u><br />
Nísia Floresta publica Direitos das mulheres e Injustiça dos homens</p>
<p><u>1873 </u><br />
O jornal O sexo feminino é lançado. No mesmo ano, surge o Jornal das Senhoras, primeira publicação editada exclusivamente por mulheres no Brasil, por Joana Paula M. Noronha</p>
<p><u>1915 a 1932 </u><br />
A luta pelo sufrágio universal mobiliza as mulheres no país e no mundo</p>
<p><u>1921 </u><br />
É fundada a Federação Brasileira pelo Progresso Feminino</p>
<p><u>1929 </u><br />
Criada a Aliança Nacional de Mulheres</p>
<p><u>1948 </u><br />
Surge a Federação de Mulheres do Brasil</p>
<p><u>1949 </u><br />
Simone de Beauvoir publica O Segundo Sexo, influência para gerações de feministas.</p>
<p><u>1963 </u><br />
Betty Friedan publica<br />
A mística feminina, marco do feminismo de segunda onda</p>
<p><u>1969 </u><br />
Helieth Saffioti publica<br />
A mulher na sociedade de classes</p>
<p><u>1972 </u><br />
Aparecem no Brasil os primeiros grupos da segunda onda feminista</p>
<p><u>1975 </u><br />
É declarado pela ONU o Ano Internacional da Mulher e a Década da Mulher. É realizada a I Conferência Mundial sobre a Mulher (México)</p>
<p><u>1975 </u><br />
Terezinha Zerbini cria o Movimento Feminino pela Anistia</p>
<p><u>1976 </u><br />
O assassinato de Ângela Diniz por Doca Street coloca a questão da violência contra as mulheres na agenda política brasileira</p>
<p><u>1979 </u><br />
Convenção sobre a Eliminação de todas as Formas de Discriminação contra as Mulheres</p>
<p><u>1980 </u><br />
Criação dos serviços de atendimento às mulheres vítimas de violência no Brasil</p>
<p><u>1983 </u><br />
Instituído o PAISM, Programa de Assistência Integral à Saúde da Mulher</p>
<p><u>1984 </u><br />
Criação do Conselho Nacional de Direitos da Mulher (CNDM)</p>
<p><u>1985 </u><br />
É realizada a III Conferência Mundial sobre a Mulher (Nairóbi)</p>
<p><u>1995 </u><br />
IV Conferência Mundial sobre a Mulher (Beijin)</p>
<p><u>1985 </u><br />
É fundada a I Delegacia Especializada em Atendimento à Mulher (DEAM), em São Paulo</p>
<p><u>1990 </u><br />
É realizado o I Encontro Nacional de Mulheres Negras, no Rio de Janeiro</p>
<p><u>1994 </u><br />
Aprovada a primeira lei de cotas. Ela estabelece que 20% de candidaturas nas listas partidárias para as eleições de 1996 devem ser ocupadas por mulheres. Esse número é ampliado para 30%<br />
em 1997</p>
<p><u>1994 </u><br />
É realizada em Belém a Convenção Interamericana para Prevenir, Punir e Erradicar a Violência contra a Mulher. No mesmo ano, foi criado o movimento Ciranda da Articulação da Mulher Brasileira</p>
<p><u>2006 </u><br />
Criação da Secretaria Especial de Políticas para as Mulheres, primeiro órgão institucional com a missão de articular políticas públicas para as mulheres, vinculada à Presidência da República. No mesmo ano, é promulgada a Lei Maria da Penha para coibir a violência doméstica contra as mulheres no país</p>
<table width="120" align="right" border="0" cellpadding="1" cellspacing="1">
<tr>
<td><em><font class="credito" size="1">Monique Renne/CB/D.A Press</font></em></td>
</tr>
<tr>
<td class="imagem"><img src="http://stat.correioweb.com.br/cw/EDICAO_20081214/fotos/r-1412-2202.jpg" border="1" /></td>
</tr>
<tr>
<td><font class="legenda"><font size="1"><em>Marcela Addario não largou o emprego, mas não quer cargos de chefia para se dedicar à maternidade: decisão difícil</em></font><br />
</font></td>
</tr>
</table>
<p><font class="legenda"><br />
</font></p>
<p><strong>TODA MULHER É MEIO FEMINISTA</strong></p>
<p>A feminista Camile Paglia costuma causar polêmica e suscitar reações inflamadas quando sugere, como fez recentemente no Brasil, que o feminismo pode ter pavimentado o caminho que tornou o sexo feminino sujeito a um regime estressante de tripla jornada e negação da maternidade. Alguns a classificam como pós-feminista, outros como uma dissidente cujo pensamento pode comprometer a imagem de um movimento que trouxe conquistas importantes. “Não há equívoco no feminismo. A opção pela maternidade é que é uma novidade, porque ser mãe era função. Nesse momento, as mulheres optam por serem ou não mães, essa é a diferença”, esclarece a historiadora Céli Pinto, da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS).</p>
<p>A diferença, na prática, vai um pouco mais além. Mesmo longe dos movimentos organizados, algumas mulheres exercem um papel transgressor, embora não pareça. Tão naturalmente como Leila Diniz exibiu seu barrigão de grávida na praia em 1971, a economista Marcela Addario, 37 anos, contrariou sua vocação de executiva, abrindo mão de cargos de chefia no emprego para exercer a maternidade de forma mais plena — o que nos dias de hoje não deixa de ter um viés revolucionário, ainda que ele esteja circunscrito às quatro paredes de um lar.</p>
<p>Depois de morar quase uma década na Alemanha, ocupando cargos executivos na área financeira da empresa em que trabalhava, voltou ao Brasil, casou-se pela segunda vez e teve um filho, Matheus, hoje com 1 ano. Ela acredita que fez suas escolhas na hora certa, vivendo intensamente a profissão e agora priorizando a maternidade. “Fiz tudo o que quis na minha carreira e ainda desejo voltar a ter cargo de chefia, mas hoje o mais importante é meu papel de mãe. Foi uma decisão muito difícil e demorada”, afirma.</p>
<p>Embora consciente de suas escolhas, Marcela admite que, mesmo abrindo mão das responsabilidades de executiva, há uma sobrecarga ao se dividir entre o trabalho atual e as obrigações de casa. “A mulher só consegue conciliar o público e o privado se tiver uma estrutura de apoio, porque em casa continua tudo igual, por mais que os maridos de hoje ajudem mais do que os de antigamente.”</p>
<p>É exatamente por isso que as feministas recusam-se a aceitar a idéia de um novo feminismo, pois acreditam que o acúmulo de funções das mulheres que decidem ser mães e continuam trabalhando é uma bandeira renovada quando se trata de inserção no mercado de trabalho e das idéias de igualdade. “O termo pós-feminismo é um equívoco porque muitos temas não foram superados no Brasil. Além disso, não há igualdade de posições”, comenta a socióloga Fernanda Bittencourt, da Secretaria Especial das Mulheres.</p>
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<td><font size="1"><em><font class="credito">Monique Renne/CB/D.A Press</font></em></font></td>
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<td class="imagem"><img src="http://stat.correioweb.com.br/cw/EDICAO_20081214/fotos/r-1412-2501.jpg" border="1" /></td>
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<td><font class="legenda"><em><font size="1">Marta fez curso superior e pós-graduação, realidade distante para negras, mas ainda luta contra o racismo  e a tripla jornada</font></em><br />
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<p><strong>A COR DO PLURALISMO</strong></p>
<p>Marta de Paula, 48 anos, acorda às 6h, passa o dia inteiro no trabalho e, à noite, cuida da casa, faz o almoço do dia seguinte e ainda dá atenção às filhas e ao marido. A rotina de dedicação ao lar de certa forma a aproxima das donas-de-casa retratadas no livro A mística feminina, escrito por Betty Friedan há 45 anos e que se tornou uma espécie de bíblia do movimento feminista. Naquela época, a publicação causou comoção, pois refletiu as insatisfações das mulheres com aquela vidinha aparentemente feliz. Mas a semelhança de Marta e de outras mulheres desse tempo com as do livro pára por aí. “Era um problema no singular, da mulher branca e de classe média. Nesses mais de 40 anos, o feminismo vê o plural”, define a socióloga Fernanda Bittencourt, da Secretaria Especial das Mulheres.</p>
<p>Nesse sentido, Marta encarna os novos rumos do movimento, que procura incluir os diferentes tipos de mulheres e suas reivindicações. O combate ao racismo é um exemplo. Desde os anos 1980, as negras se associaram para reivindicar suas lutas, pois não se sentiam representadas nem no movimento feminista nem no movimento negro. Hoje, elas combatem a violência doméstica e batalham pelo acesso ao serviço de saúde, uma vez que há doenças específicas dos negros que precisam ser tratadas com garantias do Estado. Apesar de haver um programa nacional para atender a população negra, muitos gestores de municípios e cidades não o incorporaram. “Há um racismo institucional, por isso em muitas cidades o programa só existe no papel”, alerta Eliana Maria Custódio, coordenadora-executiva do Geledés — Instituto da Mulher Negra, criado há 20 anos no Brasil.</p>
<p>Marta de Paula lembra: “Já fui discriminada na faculdade por conta da minha cor”. Da família de seis irmãos, apenas Marta e uma irmã conseguiram entrar na universidade. Ela se formou pedagoga e cursou pós-graduação em secretariado executivo. Mas ainda é exceção. Por isso, a educação permanece como um dos principais temas para os movimentos de mulheres negras no país.</p>
<p>De acordo com Eliana Custódio, a educação é um fator fundamental para a mobilidade social e a inserção no mercado de trabalho. “A maior parte dos alunos do ensino médio e fundamental públicos é de negros e sabemos sobre a qualidade desse ensino”, diz. A feminista acrescenta que, mesmo com acesso à educação, a mulher negra sofre preconceito de raça no mercado de trabalho, o que faz com que as demandas dessas mulheres sejam um pouco diferentes das mulheres brancas.</p>
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<td class="imagem"><img src="http://stat.correioweb.com.br/cw/EDICAO_20081214/fotos/r-1412-2203.jpg" border="1" /></td>
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<td><font class="legenda"><em><font size="1">Maura descende de uma linhagem de mulheres autônomas e conseguiu conciliar emprego e maternidade</font></em><br />
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<p><strong>NOVAS MULHERES, NOVOS TEMAS </strong></p>
<p>A avó, viúva aos 21 anos, foi tentar a vida no Rio de Janeiro com os dois filhos a tiracolo. Casou-se de novo quando e com quem quis. A mãe entrou na faculdade de direito depois dos 40 anos. A empresária Maura Alvim, 46, casou-se aos 22, foi mãe aos 24, hoje tem duas filhas, de 19 e 22, que moram em São Paulo. A relação aberta com as filhas é resultado das experiências das mulheres que a antecederam. “Me beneficiei porque minha mãe era antenada. Vim de uma família de mulheres especiais”, avalia.</p>
<p>A empresária conta que sempre trabalhou, mas optou por fazer intervalos para ser mãe. Na vida pública, ela acredita que a mulher ainda é colocada à prova. Para Maura, a violência contra a mulher é o tema mais importante dessa geração. “O homem jovem já percebeu os direitos das mulheres e quanto mais escolarizado, mais respeita a parceira”, compara.</p>
<p>“Ser alheio a essa discussão é dito como politicamente incorreto hoje”, afirma uma das coordenadoras do Católicas pelo Direito de Decidir, Regina Jurkewicz. Depois da promulgação da Lei Maria da Penha, ela acredita que o desafio das mulheres é pelo cumprimento da legislação. Além da questão da violência, Regina aponta outras bandeiras de luta, como a discussão em torno da laicidade do Estado, do avanço das tecnologias reprodutivas e da democracia na prática da sexualidade.</p>
<p><strong>“O espartilho mental”</strong><br />
A socióloga Fernanda Bittencourt, da Secretaria Especial das Mulheres, aponta o racismo e a diversidade sexual como alguns dos temas mais debatidos. Mas, além deles, são importantes a violência contra a mulher, não só física, e os direitos reprodutivos. “Em outros países, a discussão sobre o aborto foi garantida. O Brasil não superou isso.”</p>
<p>A pesquisadora de gênero na literatura Lélia Almeida lembra que as reivindicações das mulheres são crescentes porque elas inserem novas bandeiras de luta com o passar dos anos. Enquanto a ética nas pesquisas científicas é um tema relativamente novo, a sexualidade é um assunto que não saiu do cardápio feminista. “Muito pouco mudou em relação aos direitos reprodutivos. Continuamos vivendo um ‘espartilho mental’, um manual de como ser legitimado pelos diversos saberes”, afirma.</p>
<p>Regina Jurkewicz acredita que houve avanços, inclusive a institucionalização das lutas feministas. Um exemplo disso é a criação da Secretaria Especial de Políticas para as Mulheres, no primeiro governo Lula. “É um reconhecimento de que não se trata de questões sobre as mulheres, mas de políticas públicas para todo o país”, explica Regina. Outra vitória foi a Lei Maria da Penha (11.340/06), que alterou o Código Penal, coibindo a violência doméstica e familiar contra a mulher. Os agressores podem ser presos em flagrante ou ter a prisão preventiva decretada (detenção por três anos).</p>
<p>Apesar do reconhecimento unânime sobre a ação do governo na defesa de direitos das mulheres, Lélia Almeida, que coordena o projeto Mulheres da Paz, lançado semana passada pelo Ministério da Justiça, alerta que o movimento feminista pode perder com essa aproximação com o Estado caso deixe tudo por conta do governo. “Ganhou-se por um lado e se perdeu por outro. O movimento feminista sempre brigou por sua autonomia.”</p>
<p><strong><em>Produção: Bianca Assunção \\ Cabelo e Maquiagem: Rose Paz, do Espaço Rose Paz, com produtos Mary Key</em></strong></p>
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