Candidato à reeleição na capital acreana, Raimundo Angelim tem apoio dos irmãos Tião e Jorge Viana e, segundo as pesquisas de intenção de votos, deve definir a disputa ainda no primeiro turno
Edson Luiz - Correio Braziliense
| José Varella/CB/D.A Press - 26/11/04 |
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Angelim, do PT(E): perda de cinco pontos percentuais, mas na dianteira
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José Varella/CB/D.A Press - 6/10/06 |
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| Tião e Jorge Viana, senador e ex-governador do Acre: cabos eleitorais de Angelim em Rio Branco |
O prefeito de Rio Branco, Raimundo Angelim (PT), seria reeleito se a eleição fosse realizada hoje. A última pesquisa do Ibope, divulgada na terça-feira, mostra o candidato com 51% da preferência dos eleitores, contra 23% do segundo colocado, o deputado federal Sérgio Petecão (PMN). Tião Bocalom (PSDB) ocupa a terceira posição, com 11%. Apesar da dianteira, Angelim, que conta com apoio do ex-governador Jorge Viana e seu irmão, o senador Tião Viana (PT-AC), perdeu cinco pontos percentuais em relação à amostragem feita há um mês.
Sem tradição política, o ex-professor universitário Raimundo Angelim chegou à prefeitura de Rio Branco com apoio dos irmãos Viana e da senadora Marina Silva (PT-AC), que fizeram a maior parte dos cargos nos 22 municípios do Acre. Na capital, o atual prefeito conseguiu derrotar o deputado federal Flaviano Melo, considerado uma das maiores lideranças do PMDB no estado. Nas últimas eleições, o PT também fez maioria na Câmara dos Deputados e mantém dois parlamentares no Senado, contra um do PMDB, Geraldo Mesquita Júnior, que foi eleito pelo PT e posteriormente se desligou do partido.
Curiosamente, apesar de o PT dominar atualmente a política do Acre, foi no estado que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva teve um de seus piores desempenhos nas eleições de 2006, quando o candidato do PSDB Geraldo Alckmin obteve grande vantagem. O fenômeno, que nem mesmo o tucano soube explicar, pode ser atribuído ao apoio do PMDB ao adversário do presidente, já que nunca houve acordos estaduais com os petistas.
Na pesquisa divulgada na terça-feira, o candidato petista ficou com 51% da intenção de votos, mas distante do segundo colocado, o deputado Petecão, que é apoiado pelo PMDB. Angelim representa uma coligação que reúne outros 16 partidos que formam a Frente Popular do Acre, criada há oito anos para eleger Jorge Viana governador do estado. Petecão subiu quatro pontos percentuais, já que na pesquisa realizada em agosto contava com 19% e hoje está em 23%. O mesmo aconteceu com Bocalom, que teve um crescimento de dois pontos, saindo de 11% para 13%. Antônio Rocha, do PSol manteve o mesmo índice de antes: 1% das intenções de votos.
Os votos brancos e nulos, que na primeira pesquisa totalizaram 6%, ficaram na amostragem divulgada terça-feira em 3%, enquanto que o número de eleitores indecisos subiu de 7% para 9%. Na simulação feita pelo Ibope, seja qual for o adversário de Angelim em um eventual segundo turno, a vitória seria do prefeito de Rio Branco com 60% dos votos.
FICHA TÉCNICA
RIO BRANCO
População
280 mil
Eleitores
201.620
Candidatos a prefeito
4
Orçamento
R$ 350 milhões
PORTO VELHO
População
380.884
Eleitores
253.333
Candidatos a prefeito
7
Orçamento
R$ 500 milhões
Metodologia e identificação
A pesquisa do Ibope em Rio Branco foi feita entre 12 e 14 de setembro, enquanto que em Porto Velho, entre os dias 15 e 17. Nas duas cidades as amostragens foram encomendadas pela Rádio TV do Amazonas e a margem de erro é de quatro pontos percentuais para mais ou para menos. Na capital do Acre a pesquisa foi registrada na 1ª Zona Eleitoral de Rio Branco com o número 11615/2008. Em Porto Velho, o registro foi feito na 23ª Zona Eleitoral com o número 1249/2008.
Em Porto Velho, vantagem é mantida
O prefeito de Porto Velho, Roberto Sobrinho (PT), manteve os mesmos percentuais na pesquisa divulgada pelo Ibope na terça-feira e deve ser reeleito sem precisar disputar um segundo turno. Ele tem 55% das intenções de votos contra 19% de seu principal adversário, Lindomar Garçon (PV). O terceiro colocado, Mauro Nazif, tem 3%. Apesar de os resultados de ambas as pesquisas serem semelhantes, houve um aumento grande do número de entrevistados que disseram não saber em quem votar. Em agosto era 7% e em setembro chegou a 13%.
Roberto Sobrinho tem pouco tempo de carreira em Rondônia e não faz parte dos grupos tradicionais que sempre dominaram a política no estado. Sua primeira experiência foi justamente a prefeitura de Porto Velho. O petista agora enfrenta dois adversários que poderiam ser considerados de peso, mas que estão muito além do que era de se esperar. Hamilton Casara (PSDB) chegou a ser presidente do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) e deputado federal. David Chiquilito Erse é de família tradicional na política. Seu pai, de quem herdou o nome, foi um dos mais populares prefeitos da capital rondoniense.
A recondução pode estar garantida, segundo a pesquisa do Ibope, que não detectou alterações entre seus adversários que pudessem ameaçar seu favoritismo. O segundo colocado continua com os mesmos índices de antes, que foi 19%, enquanto que o terceiro candidato caiu de 7% para 3%. Os outros quatro candidatos mantiveram ou caíram na pontuação. David Chiquilito Erse (PCdoB) continua com 3%, o mesmo percentual da pesquisa anterior, enquanto que Doutor Alexandre (PTC) caiu de 3% para 1%. Adilson Siqueira (PSol) e Hamilton Casara (PSDB) permaneceram com 1%.
Pela pesquisa do Ibope, os únicos números que aumentaram foram os dos indecisos, que quase dobraram em um mês e a poucos dias das eleições: de 7% para 13%, enquanto que brancos e nulos mantiveram os mesmos 4% de agosto. (EL)