06/10/2008 - 23:28h Empresário vota em Kassab, entre outros motivos, pela beleza do prédio da prefeitura

O jornal Valor, que publicou a entrevista que reproduzi embaixo no post anterior, do empresário Alexandre Saigh em favor da Marta, publicou também uma entrevista com o empresário Abreu Duarte, que explica porque votou em Kassab.

Reproduzo o artigo que permite comparar os argumentos e motivações, que merecem respeito, bem que sejam distantes das motivações do empresário Alexandre Saigh. Gostaria de destacar, porem, um fato significativo. Um dos argumentos que Abreu Duarte apresenta em favor de Kassab é a admiração pelo prédio da prefeitura, “Voltei a entrar no prédio apenas neste ano e fiquei abismado com a beleza do local e em como ele está preservado.”, diz o empresário. Ele ignora provavelmente que foi Marta que recuperou o prédio, mudou a sede do antigo Palácio das Indústrias para o velho “Banespinha”, após ter recuperado e restaurado sua antiga beleza. Marta conseguiu isto após uma negociação com o Banco dono do prédio e sem utilizar dinheiro do orçamento municipal. O empresário viu na beleza da restauração uma das provas que Kassab é… um bom gerente!

Eta, grau de informação de uma parte de nossa elite. LF

 

 

Baixo custo do Cidade Limpa ganha eleitor

 Danilo Fariello, VALOR

Laodse de Abreu Duarte pode ser perfeitamente descrito como um quatrocentão. Ele é diretor da Federação das Indústrias de São Paulo (Fiesp) há mais de 30 anos e controla a empresa fundada por seu pai, a JB Duarte, que começou no ramo de óleos vegetais e agora, reformulada, tem participações em companhias de autopeças e tecnologia. Por circular pela elite da cidade, é amigo de Marta Suplicy (PT) e de alguns integrantes da família Matarazzo. Mas seu voto ontem foi para Gilberto Kassab (DEM), a quem considera um bom administrador.

Davylim Dourado/Valor

Abreu Duarte: expectativa de que eleição de Kassab fortaleça Serra em 2010

Aliás, a relação com a família e o Edifício Conde Matarazzo é um dos fatores que permeiam essa sua decisão de voto. Duarte lembra quando, algumas décadas atrás, freqüentava o prédio ao lado do Viaduto do Chá, terminado em 1940, e onde hoje está localizada a sede da Prefeitura. “Voltei a entrar no prédio apenas neste ano e fiquei abismado com a beleza do local e em como ele está preservado.” O edifício, onde se encontra um busto de seu pai, ainda preserva suas colunas de mármore e portas em jacarandá. O prédio de 16 andares é também conhecido como Banespinha, por ter abrigado o banco estadual por décadas.

O visual exterior da cidade também é motivo para Duarte sustentar seu voto no candidato do DEM. “O Cidade Limpa embelezou a cidade e não custou nada”, diz ele, ao correr os olhos sobre o Vale do Anhangabaú, de cima do viaduto. Para Duarte, a grande virtude de Kassab é ser um bom administrador - do ponto de vista empresarial, como ratifica. “Na parte política, todos são iguais.” O rodízio de caminhões nas marginais também não exigiu um centavo de gasto, diz ele, ressaltando outra que considera uma boa decisão administrativa da prefeitura atual. “São pequenos exemplos que mostram que precisamos manter esse gerente.”

Kassab, que foi eleito como vice, assumiu a prefeitura em março de 2006, quando José Serra elegeu-se governador. Para Duarte, ele teve pouco tempo para mudar a cidade e ainda há muito a ser feito em revitalização de calçadas e de vias públicas e para o trânsito, principalmente. “Não dá para mudar tudo o que é necessário em tão pouco tempo.” O empresário também não se assusta com a possibilidade de, se eleito, o prefeito partir para outras candidaturas no futuro, como o governo estadual. “Não me preocupa se amanhã ele sai. Seria normal.”

Apesar de se relacionar com candidatos e eleitos, Duarte nunca foi muito íntimo de política. Aos 65 anos, define-se como apartidário. Já votou em candidatos de diversas legendas que apareceram depois de implantado o pluripartidarismo. Nos negócios, também sempre evitou política. “Nunca forneci nada para governos, nem na época em que atuávamos na área de alimentação.” A JB Duarte é uma companhia de 96 anos, com capital aberto em bolsa desde 1936, que criou o óleo vegetal Maria - hoje sob controle da multinacional Cargill.

O diretor da Fiesp viu com animação a ascensão de Kassab nas pesquisas. “Isso foi uma resposta ao que ele fez”, comenta, animado com a expectativa de que seu candidato vá ao segundo turno.

Ontem, na Escola Morumbi, onde vota - a poucos metros da residência de Marta Suplicy -, Duarte chegou animado precisamente ao meio-dia. Os jornais do domingo davam-lhe a certeza de que Kassab iria ao segundo turno. “Mas agora vai começar outra batalha. O jogo não está ganho”, diz ele, que é também amigo de Guilherme Afif Domingos, um dos mentores políticos de Kassab.

Duarte estava empolgado ontem também por ter descoberto no currículo do candidato do DEM o diploma de engenheiro pela Escola Polítécnica, da USP, além da conhecida formação como economista. “A sua formação explica o fato de ser um bom gestor”, dizia. Ao encontrar Álvaro Augusto Vidigal, ex-presidente da Bovespa, na mesma zona eleitoral, soltou um “olha lá, hein!”, como quem cobrava um voto consciente do amigo.

Para o empresário, a esperada eleição de Kassab deverá fortalecer a candidatura do governador José Serra para a presidência em 2010. “Ele é o responsável por tudo isso”, avalia Duarte, para quem a candidatura de Geraldo Alckmin (PSDB) foi um gesto de teimosia política.

06/10/2008 - 22:48h Um empresário paulistano e cidadão exemplar

Aposta no metrô motivou opção por petista

Lílian Cunha,VALOR

Nas eleições presidenciais de 1989, o então presidente da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), Mário Amato, disse que se Lula ganhasse o pleito 800 mil empresários sairiam do Brasil. Dezenove anos depois, o ex-metalúrgico Luiz Inácio Lula da Silva, do PT, está no segundo mandato como presidente da nação e Mário Amato, assim, como a maior parte dos 800 mil empresários a que se referiu, ainda está no Brasil. Muitos, inclusive, se tornaram petistas, como o sócio e co-fundador do banco Pátria Investimentos, Alexandre Saigh, paulistano, corinthiano, 41 anos. “Sempre votei na Marta Suplicy e também votei no Lula nas últimas eleições”, diz ele, se referindo à candidata do PT à prefeitura da capital de São Paulo.

Rogério Pallatta/Valor
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Saigh voltou de Nova York só para votar na petista: “ela tem garra”

Saigh garante que não se sente um peixe fora d’água quando diz a seus colegas também empresários que vota no Partido dos Trabalhadores. “Aquele ‘risco político’ que o Mário Amato temia no final dos anos 80 já não existe mais. Hoje o PT é situação e provou que tem disciplina e capacidade para uma boa gestão econômica.”

De família de classe média alta paulistana, Saigh se formou em ciências, com dupla concentração em Administração de Empresas e Financeira de Hotéis e Alimentos, pela Boston University, nos Estados Unidos, onde morou. Voltou à cidade natal no início dos anos 90. “Admiro a garra, a vontade e a competência política da Marta. Isso ficou evidente no primeiro mandato dela quando ela enfrentou e resolveu a questão dos perueiros”, lembra ele. “A Marta tem coragem de tomar decisões. E decidir, no meio político, é uma coisa bem complicada. Ela acredita que as coisas vão dar certo e essa crença leva ela para frente, como administradora.”

Para Saigh, os CEUs (Centros Educacionais Unificados) são o grande marco da gestão da ex-prefeita. Em seu governo, a petista ergueu 21 unidades dos “escolões” com área também para o lazer da comunidade em bairros da periferia. “Na época, ela enfrentou críticas da classe dominante porque o asfalto estava ruim na Zona Sul. Mas ela estava decidida a investir na periferia e teve coragem de insistir em sua decisão.”

Mas não foi só o passado como prefeita que pesou para a escolha de Saigh. O empresário acredita que Marta tem um plano diferente e a longo prazo para a cidade, que será uma das sedes da Copa do Mundo de Futebol de 2014. “No Ministério do Turismo, Marta ajudou a costurar o projeto que trouxe a Copa do Mundo para o Brasil. Ela já tem um plano de investimentos a longo prazo para preparar a cidade para o megaevento”, diz Saigh.

Uma das obras que a petista colocará como prioridade, segundo ele, é a conclusão e expansão do metrô. “Enquanto a Cidade do México tem 250 km de linha de metrô e Santiago, no Chile, tem 80 km, São Paulo, que é muito maior que todas essas capitais, tem só 61 km.” Embora a expansão dessa forma de transporte seja incumbência do governo estadual, e não do municipal, Saigh acredita que o relacionamento estreito de Marta com o governo federal será fundamental para canalizar investimentos na cidade. “Essa afinidade e a obrigatoriedade de preparar a cidade para o torneio mundial vão transformar muita coisa.”

Saigh, como responsável pela área de private equity do Pátria Investimentos, quase perdeu a oportunidade de votar em sua candidata. Na quarta-feira, teve que ir às pressas para Nova York, para tratar de negócios. A volta, conforme sua secretária, estava prevista somente para hoje à noite. Mas Saigh emendou uma reunião na outra para ter tempo de embarcar de volta para São Paulo na sexta-feira à noite. No sábado pela manhã, já havia desembarcado em Cumbica, Guarulhos.

Seguiu para casa onde teve tempo de participar da festa de aniversário da filha, de onze anos. “É uma correria só, mas no domingo pela manhã, na primeira hora estarei lá na Escola Britânica, para votar.” Ele, entretanto, digitou o número 13 apenas para a candidata à prefeitura. Seu voto para vereador foi para o PSDB, mais precisamente para a candidata Mara Gabrilli, defensora da acessibilidade para deficientes físicos. “Acredito que vereador tem que ser meio ‘temático’.”

06/10/2008 - 22:08h Longe da cidade da fantasia

Clicar na imagem para ampliar e ler o Diário de São Paulo
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06/10/2008 - 18:41h Crônicas e opiniões

Blog Cidadania.com

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06/10/2008 - 17:44h Confira a lista dos vereadores eleitos em São Paulo

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colaboração para a Folha Online

A cidade de São Paulo escolheu neste domingo 55 vereadores para a Câmara Municipal. Os eleitos foram os vereadores mais votados de cada partido ou coligação levando em consideração o quociente eleitoral.

Para realizar o cálculo, em primeiro lugar é necessário somar o número de votos válidos para vereador na cidade –todos os votos excluídos brancos e nulos. Esse número é dividido pelo total de vagas no legislativo municipal –55 no caso de São Paulo–, resultando no quociente eleitoral.

Por conta do quociente eleitoral, alguns candidatos que obtiveram votação menor que algum concorrente conseguiram se eleger. É o caso, por exemplo, do Dr. Milton Ferreira (PPS), que se elegeu com 14.873 votos, enquanto Myriam Athie (PDT), com 28.864 votos, ficou de fora.

Veja a lista dos vereadores eleitos em São Paulo e sua respectiva votação:

PMDB

Goulart (PMDB) - 90.022
Jooji Hato (PMDB) - 40.838

DEM

Milton Leite (DEM) - 80.023
Marta Costa (DEM) - 39.159
Marco Aurélio Cunha (DEM) - 38.394
Domingos Dissiei (DEM) - 37.734
Kamia (DEM) - 29.906
Carlos Apolinário (DEM) - 25.581
Sandra Tadeu (DEM) - 25.153

PR

Aurélio Miguel (PR) - 50.779
Antonio Carlos Rodrigues (PR) - 43.590
Toninho Paiva (PR) - 35.534
Agnaldo Timóteo (PR) - 26.163
Marco Cintra (PR) - 22.863

PSDB

Gabriel Chalita (PSDB) - 101.990
Mara Gabrilli (PSDB) - 79.874
Netinho (PSDB) - 54.683
Carlos Alberto Bezerra Jr. (PSDB) - 50.513
Adolfo Quintas (PSDB) - 34.197
Claudinho de Souza (PSDB) - 33.570
Juscelino (PSDB) - 32.480
Gilson Barreto (PSDB) - 32.050
Floriano Pesaro (PSDB) - 31.719
Souza Santos (PSDB) - 31.318
Ricardo Teixeira (PSDB) - 27.242
Dalton Silvano (PSDB) - 24.074
Gilberto Natalini (PSDB) - 23.858

PT

Senival (PT)- 66.083
Arselino Tatto (PT)- 59.250
Donato (PT) - 50.361
Francisco Chagas (PT) - 37.823
João Antonio (PT) - 33.861
Alfredinho (PT) - 33.395
Juliana Cardoso (PT) - 30.585
Ítalo Cardoso (PT) - 30.514
José Américo (PT) - 30.002
Zelão (PT) - 28.078
Chico Macena (PT) - 26.499

PC do B

Jamil Murad (PC do B) - 28.129
Netinho de Paula (PC do B) - 84.307

PSB

Eliseu Gabriel (PSB) - 31.587
Noemi Nonato (PSB) - 30.713

PRB

Atílio Francisco (PRB) - 25.669

PDT

Claudio Prado (PDT) - 30.998

PV

Tripoli (PV) - 45.717
Penna (PV) - 25.799
Abou Anni (PV) - 22.604

PP

Wadih Mutran (PP) - 26.037
Missionário José Olímpio (PP) - 28.902

PSC

Marcelo Aguiar (PSC) - 41.474

PTB

Celso Jatene (PTB) - 49.774
Adilson Amadeu (PTB) - 41.668
Paulo Frange (PTB) - 36.870

PPS

Claudio Fonseca (PPS) - 21.026
Dr. Milton Ferreira (PPS) - 14.873

06/10/2008 - 15:19h Resultados em São Paulo confirmam disputa acirrada no 2° turno

http://g1.globo.com/Noticias/Politica/foto/0,,15627462-EX,00.jpg

Os resultados do primeiro turno das eleições em São Paulo comportam algumas surpresas, mas nada de muito diferente do previsível e que tenho explicado aqui ao longo destes últimos meses.

Marta e Kassab disputarão o segundo turno. A surpresa fica pelo resultado conseguido por Kassab, acima das pesquisas, e o da Marta, aquém das mesmas pesquisas. Considero esta diferença pouco significativa, produto da polarização de segundo turno, que começou nos últimos dias que precederam o primeiro turno e, em nada invalidam, as analises que tenho explicitado sobre a situação na cidade e a conjuntura eleitoral (tampouco penso que invalida o trabalho das pesquisas de opinião feita por institutos sérios, à condição de não atribuir às pesquisas a capacidade de ler o futuro, o que elas evidentemente não podem fazer e sim a de detetar tendências e movimentos).

Os resultados das eleições no Brasil e no Estado de São Paulo, assim como na cidade, mostram o descompasso existente no eleitorado do país, já presentes nas eleições presidenciais de 2006. Só que elas evoluíram no sentido de um avanço das forças do governo federal e do PT e de um recuo importante no país, porem ainda pequeno no Estado de São Paulo, das forças de oposição, DEM e PSDB. (ver Base aliada do presidente Lula dirigirá pelo menos 66 das 100 cidades com mais arrecadação; O PT foi o grande vencedor das eleições para prefeito das capitais; O PT e os partidos aliados do governo Lula ganham na maioria das capitais e nas principais cidades do Brasil).

O fato especifico das eleições na cidade foi a eliminação do inicialmente favorito, Geraldo Alckmin do PSDB, na disputa com o candidato de Serra, Gilberto Kassab do DEM. Este último obteve uma vitória indiscutível nessa disputa interna ao campo demo-tucano, mas ao preço de uma crise importante no PSDB, com desdobramentos que irão além do pleito municipal.

De uma situação de desvantagem (em 2006 na cidade de São Paulo, Serra foi eleito no primeiro turno governador e Alckmin venceu no primeiro e no segundo turno contra Lula), a campanha municipal mostrou uma evolução em favor de um maior equilibro entre os campos em disputa, mesmo se o campo conservador mantém uma força e um peso ainda majoritário no eleitorado.

O candidato mais forte do campo demo-tucano acabou derrotado e emerge como seu substituto Gilberto Kassab, um candidato mais frágil e vulnerável, porem apoiado numa poderosa máquina municipal e estadual, inserida com força na mídia e nas elites empresariais.  Para os admiradores da subida fulgurante de um candidato pouco conhecido, como Kassab e que babam extasiados, em particular nas páginas dos jornais paulistas;  é bom lembrar que São Paulo já passou por isso e pagou caro pela admiração pelo quase desconhecido Fernando Collor e depois por Celso Pitta.

Por sua vez a campanha de Marta conseguiu resistir ao rolo compressor, em parte graças a própria divisão dos adversários, é conseguiu agrupar no primeiro turno a totalidade do seu eleitorado (Lula teve 32,8% em São Paulo no primeiro turno de 2006). A luta do segundo turno determinará se esse eleitorado de Marta constitui, como em 2004 e 2006, o teto do voto PT (Lula teve 43,2% no segundo turno em 2006). Ou se configura a base para uma ampliação desse eleitorado que leve a vitória.

O resultado não está escrito antecipadamente e o primeiro turno deixou isto em aberto. Os campos que se enfrentam neste segundo turno são bastante equilibrados, porque apesar da hegemonia da direita ter sido uma constante, com duas exceções, desde 1982 na cidade, o crescimento do PT e do centro-esquerda tem progredido a cada eleição.

Volto a concluir como tenho concluído quase que todas minhas análises nestes últimos três meses, sobre as eleições municipais em São Paulo. A decisão será voto a voto no segundo turno e muito dependera do engajamento dos militantes, simpatizantes e eleitores da Marta para convencer e vencer em 26 de outubro.

Luis Favre

06/10/2008 - 11:02h Ainda sobre os resultados nacionais das eleições municipais

Dois articulistas da Folha de São Paulo dedicam suas colunas de hoje a dimensão nacional do segundo turno na cidade de São Paulo, em sua relação com as eleições presidenciais de 2010.

Fernando de Barros, um deles, conclui seu artigo afirmando: “A vitória de Kassab (além do revés de Aécio em Minas) consolidará Serra como lider da oposição ao PT para 2010. Quem gosta de datas pode anotar: a sucessão do Lulinha paz e amor começou ontem.”

Por sua vez, Fernando Rodrigues, também da Folha, começa seu artigo afirmando: “O eleitorado recorde de 8,2 milhões e os atores envolvidos (DEM-PSDB contra PT) fazem da disputa pela prefeitura de São Paulo uma prévia perfeita da eleição presidencial de 2010″.

Eu não sei se se trata de uma simples manifestação de desejo ou de uma evidente dificuldade para olhar o Brasil. Isto é mais chocante, que em 2006 tivemos uma eleição presidencial, apenas dois anos atrás, que mostrou que o Brasil não começa nos Jardins e não acaba na Marginal Pinheiros.

Em 2004 o PT perdeu a eleição municipal na cidade de São Paulo para os demo-tucanos. Em 2006 a cidade votou majoritariamente em favor do candidato demo-tucano para presidente. Lula foi eleito presidente, porque o Brasil não acompanhou São Paulo.  Ou, dito de outra maneira, Lula deu uma lavada no candidato demo-tucano, mesmo se na cidade de São Paulo e no Estado de São Paulo, bastiões da oposição, os demo-tucanos foram vitoriosos. Ou seja 2004 na cidade de São Paulo não foi previa de nada e seu resultado foi na contra-mão do Brasil dois anos depois. Os articulistas deveriam explicar porque agora seria diferente? 

Incluso porque nos não estamos em 2004. Nas eleições municipais daquele ano os resultados foram mais equilibrados entre a base do governo Lula e a oposição, que combinou um discurso local com um forte discurso opositor ao governo federal, que tinha apenas dois anos de mandato ainda marcados pelo desemprego e o declínio dos últimos anos de FHC. O resultado em 2004 foi equilibrado entre os partidários de Lula e a oposição. Em 2008 é diferente.

Nas eleições municipais de 2008 em lugar do equilibro de 2004, assistimos a uma clara vitória dos partidos aliados a Lula nas principais cidades do Brasil e do PT, particularmente em várias capitais. (ver os artigos do jornal O Estado de São Paulo Base aliada do presidente Lula dirigirá pelo menos 66 das 100 cidades com mais arrecadação; O PT foi o grande vencedor das eleições para prefeito das capitais; O PT e os partidos aliados do governo Lula ganham na maioria das capitais e nas principais cidades do Brasil).

Ambos articulistas, talvez ofuscados pela edição do próprio jornal que obscurece o resultado das eleições municipais no país, pretendem que o resultado eleitoral na cidade é quem determinará em grande medida o resultado de 2010. Mas isto não é assim. A vitória de Marta no segundo turno indiscutivelmente reforçará a vitória já obtida pelo governo e pelo PT no plano federal. Mesmo uma eventual vitória de Kassab, que seguramente permitira que a mídia procure apagar de suas páginas a importância desta vitória nacional de Lula, não tem o poder que desejam os jornalistas de mudar a realidade nacional.

O recuo eleitoral da oposição, com um DEM reduzido a ser quase inexpressivo nacionalmente (salvo aqui neste primeiro turno e por obra exclusivamente de Serra) e um PSDB debilitado, incluso no Estado de São Paulo, pela confirmação do bom desempenho do PT e da base do governo federal, não serão apagados pela vontade dos articulistas e dos jornais paulistanos.

Não representam a opinião pública majoritária no Brasil e os dois artigos são uma demostração clara disto, cuando confrontados com os resultados saidos das urnas, não só em 2006, mas nesta eleição municipal. LF

06/10/2008 - 00:42h A segunda etapa

Foto: Claudia Silveira/G1
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06/10/2008 - 00:29h Marta ou Kassab

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Com 99,69% dos votos apurados

  * Válidos 6.351.680 (77,48%)
* Nulos 315.901 (3,85%)
* Brancos 230.081 (2,81%)
* Abstenção 1.276.378 (15,57%)

Nome do candidato (partido) % válidos votos válidos

Gilberto Kassab (DEM)
33.61% 2.134.851

Marta (PT)
32.79% 2.082.523

Geraldo Alckmin (PSDB)
22.47% 1.427.501

Maluf (PP)
5.92% 375.736

Soninha (PPS)
4.19% 266.155

Ivan Valente (PSOL)
0.67% 42.467

05/10/2008 - 14:09h Voto a voto

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Fotos Cesar Ogata

05/10/2008 - 12:17h Trajetórias

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Folha e “imprensa marrom”: trajetórias convergentes

 

A Folha de hoje, dia da eleição, traz a “trajetória” dos candidatos à prefeitura de São Paulo. A dupla página contém iconografia ilustrando o resumo da trajetória dos mesmos.

A Folha inicia a ilustração da trajetória da Marta com uma foto de seu primeiro casamento com Eduardo Suplicy e conclui com uma foto de nosso casamento, em 2003.

Tanto Kassab, como Alckmin, comportam inicialmente fotos quando crianças e concluem, a de Kassab junto com Serra após ganhar a prefeitura em 2004, e a de Alckmin no velório de Mário Covas.

Vale uma pergunta: Trata-se só de uma manifestação de sexismo, considerar que a trajetória de uma mulher começa e conclui no seu casamento?

Não só. Marta ficou conhecida como feminista, defensora dos direitos das mulheres e da igualdade. Ícone dos precursores da libertação das mulheres da hipocrisia “moral”, foi e é defensora dos direitos das minorías. Deputada federal, autora da lei que garante 30% de vagas para as mulheres nas candidaturas nas listas eleitorais; foi candidata a governadora, prefeita da maior cidade de América Latina e Ministra de Turismo. Hoje é candidata e líder em todas as pesquisas eleitorais.

Na legenda que ilustra a foto de nosso casamento, a Folha escreve: “Casa-se com Luis Favre, tendo Lula e Marisa Letícia como padrinhos. Em seu livro, Marta relata o que disse para a mãe em 2001: ‘Estou apaixonada e pensando em me separar’. Seu casamento de 36 anos com Suplicy terminara em 2002.”

O texto comporta um “erro”. “Erro” escolhido para alimentar a cloaca que a Folha incentiva contra Marta. A conversa de Marta com sua mãe precedeu de poucos dias o anuncio público do fim do casamento com Eduardo, publicado na Folha no final de abril de 2001.

Tem uma diferença entre a Folha e a chamada “imprensa marrom”, como por exemplo os tablóides ingleses. A “imprensa marrom” inglesa não insinua, mas proclama abertamente a sua utilização caricatural e escandalosa da vida privada das personalidades públicas. Ela é independente e age inescupulosamente, incitando as piores baixezas escondidas na alma da “massa”, sem partidarismos. Ela é nojenta contra todos, sem discriminação.

A Folha ganharia se incorporasse também esse lado da imprensa marrom. A Folha ficaria mais isenta.

Luis Favre

04/10/2008 - 20:24h IBOPE: Marta 35%; Kassab 27% e Alckmin 17%

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Ibope:Kassab atinge 27% e deve ir ao 2º turno com Marta

EQUIPE AE - Agencia Estado

SÃO PAULO - O prefeito de São Paulo e candidato à reeleição pelo DEM, Gilberto Kassab, subiu 2 pontos porcentuais - de 25% para 27% - na mais recente pesquisa do Instituto Brasileiro de Opinião Pública e Estatística (Ibope), contratada pelo jornal “O Estado de S.Paulo” e Rede Globo, e deve disputar o segundo turno com a candidata do PT, Marta Suplicy, que manteve 35% e continua liderando as intenções de voto. O candidato do PSDB, Geraldo Alckmin, teve oscilação negativa de 3 pontos porcentuais, de 20% para 17%, na corrida à Prefeitura de São Paulo. Na sondagem anterior, divulgada em 27 de setembro, Kassab e Alckmin estavam tecnicamente empatados, uma vez que a margem de erro é de 3 pontos porcentuais para mais ou para menos. Agora, com 11 pontos de diferença, Kassab se descolou.

O deputado Paulo Maluf, candidato do PP, oscilou 1 ponto, de 7% para 6%. A vereadora Sonia Francine, a Soninha, candidata do PPS, subiu 1 ponto e agora está com 5%. Considerando a margem de erro da pesquisa, ambos estão em empate técnico.

O deputado Ivan Valente, candidato do PSOL, obteve 1%. Os candidatos Anai Caproni (PCO), Ciro Tiziani Moura (PTC) e Levy Fidelix (PRTB) tiveram menos de 1%. Edmilson Costa (PCB) e Renato Reichmann (PMN) constavam do disco da pesquisa estimulada, mas não foram citados pelos eleitores entrevistados. Os votos em branco e nulos somaram 6% e os que não sabem em quem votar ou não responderam totalizaram 3% dos eleitores.Os números levam em conta os votos totais.

Considerando apenas os votos válidos - a proporção do candidato sobre o total de votos, excluídos os brancos, nulos e indecisos -, a pesquisa de intenção de voto aponta Marta com 38%, Kassab com 30% e Alckmin com 19%. Maluf aparece com 7%, Soninha, com 5%, e Ivan Valente, com 1%. Os demais não pontuaram.

A pesquisa do Ibope foi realizada entre quinta-feira, dia 2, e hoje. Foram entrevistados 1.204 eleitores. O levantamento foi registrado na 1ª Zona Eleitoral de São Paulo, sob o número 034.001.08-SPPE.

Histórico

Nas cinco pesquisas Ibope anteriores, também contratadas por Estado e TV Globo, Marta e Kassab apresentaram trajetórias bem diferentes. Marta liderou desde a primeira pesquisa, divulgada em 18 de julho, com 34%, mas em empate técnico com Alckmin, com 31%, e Kassab bem longe, com apenas 10%. Na época, a diferença de 21 pontos porcentuais que Alckmin impunha ao atual prefeito deu a impressão de que o segundo turno já estava definido. Kassab chegou a amargar um quarto lugar, atrás de Maluf, na pesquisa divulgada em 15 de agosto, mas passou a subir gradativamente a partir do programa eleitoral gratuito no rádio e na TV, iniciado a 19 de agosto, até superar Alckmin.

04/10/2008 - 20:10h Pesquisa Datafolha: Marta Suplicy (PT) tem 36% dos votos válidos, contra 30% de Gilberto Kassab (DEM), segundo a pesquisa. Geraldo Alckmin (PSDB) aparece com 21% dos votos válidos.

Eleições2008 -  04/10/2008

Na véspera do primeiro turno da eleição, Marta tem 36% e Kassab atinge 30% dos votos válidos




A ex-prefeita de São Paulo, Marta Suplicy, do PT, e o atual ocupante do cargo, Gilberto Kassab, do DEM, vão disputar o segundo turno da eleição para prefeito, no dia 26 de outubro, segundo pesquisa realizada pelo Datafolha na sexta, dia 3, e no sábado, dia 4 de outubro, véspera do primeiro turno. Se a eleição fosse hoje, Marta teria 36% dos votos válidos e Kassab ficaria em segundo lugar, com 30% dos válidos. Geraldo Alckmin, do PSDB, com quem o democrata travou uma acirrada disputa pela segunda colocação, ficaria em terceiro, com 21% dos votos válidos. O Datafolha ouviu 5153 eleitores, a partir dos 16 anos de idade, e a margem de erro do levantamento é de dois pontos percentuais, para mais ou para menos.

Ainda levando-se em consideração os votos válidos, Paulo Maluf (PP) atinge 7%, e empata com Soninha (PPS), que obtém 5%. Ivan Valente teria hoje 1% dos votos válidos. Anaí Caproni (PCO), Ciro (PTC), Edmilson Costa (PCB), Levy Fidelix (PRTB) e Renato Reichmann (PMN) foram citados, mas não atingem 1% dos votos válidos.

A Justiça Eleitoral divulga os resultados oficiais da eleição com base nos votos válidos, excluindo brancos, nulos e abstenções. Para o cálculo destes votos, o Datafolha exclui da amostra, além dos votos brancos e nulos, os eleitores que se declaram indecisos.

No que diz respeito ao total de votos, Marta oscilou de 35% das intenções de voto no levantamento realizado nos dias 29 e 30 de setembro para 34% hoje. Kassab segue tendência ascendente desde o final de julho, quando tinha 11% das preferências. Em relação ao levantamento anterior, o atual prefeito oscilou de 27% para 28%. Alckmin se manteve com 19%.

O percentual de intenção de voto em Maluf (PP) oscilou de 7% para 6% e a taxa dos que pretendem votar em Soninha (PPS) variou de 4% para 5%. Ivan Valente (PSOL) atinge 1% das intenções de voto. Anaí Caproni (PCO), Ciro (PTC), Edmilson Costa (PCB), Levy Fidelix (PRTB) e Renato Reichmann (PMN) foram citados, mas não atingem 1% das menções.

Na véspera do primeiro turno da eleição 6% dos eleitores paulistanos não têm candidato a prefeito: 4% votariam em branco ou anulariam o voto e 2% se dizem indecisos.

Gilberto Kassab também mostra uma consistente ascensão no que diz respeito à intenção de voto espontânea. Em relação ao levantamento anterior, a taxa dos que dizem, espontaneamente, que vão votar pela reeleição do atual prefeito subiu de 22% para 25%, seu melhor resultado nessa série de pesquisas. O percentual dos que dizem espontaneamente, antes da apresentação dos nomes dos candidatos, que vão votar em Marta se manteve em 28%. A intenção de voto espontânea em Geraldo Alckmin se manteve em 14%, pela quarta vez seguida.

A taxa dos que não sabem dizer espontaneamente em quem vão votar para prefeito oscilou de 22% para 20%.

A vantagem de Gilberto Kassab sobre Marta Suplicy na simulação de segundo turno subiu de cinco pontos na pesquisa realizada nos dias 29 e 30 de setembro para nove pontos hoje. No levantamento anterior, o atual prefeito atingia 49%, contra 44% da candidata do PT. Se uma segunda votação fosse realizada hoje, 50% dos eleitores paulistanos votariam pela reeleição do democrata, ante 41% que optariam pela petista.

Se o segundo turno fosse realizado hoje, Kassab teria o voto de 67% dos eleitores que declaram intenção de votar em Geraldo Alckmin no primeiro turno; 21% desses eleitores afirmam que votariam em Marta. O atual prefeito contaria com o apoio de 62% dos eleitores de Maluf . Os eleitores que pretendem votar em Soninha no primeiro turno se mostram divididos: 43% votariam no democrata e 39% dariam seu voto à petista.

O percentual de eleitores que pretendem votar em Kassab e que sabem dizer o número a ser digitado na urna eletrônica para confirmação de sua vontade no dia da eleição é de 75%. Entre os eleitores que pretendem votar em Alckmin, a taxa dos que respondem corretamente o número do candidato é de 69%. Marta é a candidata com maior percentual de eleitores que sabem seu número: 83% respondem corretamente quando consultados a respeito.

Na véspera da eleição, 13% dos eleitores paulistanos que declaram intenção de votar em um candidato ou que pretendem votar em branco ou anular afirmam que ainda podem mudar de idéia.

Entre os que têm intenção de votar em Geraldo Alckmin, a taxa dos que dizem que seu voto ainda pode mudar é de 14%. Desses, 7% afirmam que, em caso de mudança, Gilberto Kassab seria o candidato que teria mais chance de receber seu voto; 3% citam Marta.

O percentual de eleitores que pretendem votar em Kassab e admitem que seu voto mudar é de 13%, dos quais 6% afirmam que, caso mudem, provavelmente votarão em Alckmin; 4% optariam por Marta.

Entre os eleitores que têm intenção de votar em Marta, 12% afirmam que seu voto ainda pode mudar. Desses, 5% dizem que Kassab seria o candidato que teria mais chance de receber seu voto em caso de mudança; 4% citam Alckmin.

A maioria (58%) dos eleitores paulistanos ainda não decidiu seu voto para vereador. Já tomaram sua decisão sobre em quem vão votar para a Câmara Municipal 42%.

São Paulo, 4 de outubro de 2008.

04/10/2008 - 19:35h Aviso aos navegantes

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A Folha de domingo, com o pretexto de analisar os resultados das pesquisas em relação ao voto da classe média oferece como explicação a fala de dois “cientistas políticos” que atribuem essa dificuldade à “duas percepções: administrativa, por conta da criação de taxas, e moral” por conta da separação da Marta e seu casamento comigo. Além, é claro, do “relaxa e goza”. A segunda “cientista” concorda e acrescenta que as vindas de Lula “não superam o estigma”.

A intenção da Folha é reprisar a vida privada, como instrumento de combate político contra Marta. A Folha simplesmente se esconde por trás da opinião que interessa a ela, Folha, reproduzir. A Folha só trata da vida privada de Marta.

Aqui, neste blog, tenho censurado qualquer ataque ou referência à vida privada de qualquer candidato. À suas relações afetivas, privadas e que não dizem respeito a ação pública. Aqui continuará sendo assim.

Mas a Folha abre a porta ao desencadeamento das piores manifestações de intolerância e de preconceito.

Luis Favre

04/10/2008 - 18:57h Às urnas cidadãos!

Vários colunistas da Folha de São Paulo têm considerado que a grande revelação desta eleição municipal tem sido Gilberto Kassab. Baseiam-se na idéia que ter conseguido o patamar de intenção de votos que as pesquisas indicam (28%), sendo alguém quase desconhecido pouco tempo atrás, constitui uma inegável revelação.

Mas o que me parece ter sido a grande revelação desta fase da eleição é o patamar de intenção de votos dados nas pesquisas para Geraldo Alckmin, o provável derrotado.

Alckmin foi “secado” financeiramente pelo governador Serra, traido pela bancada de vereadores do seu próprio partido, abandonado por seus correligionários do tucanato nacional e atacado cotidianamente pela mesma mídia que o erigiu no passado como um ótimo administrador.

Sistematicamente atacado pelas costas, sem dinheiro, sem apóio na mídia, sem coligações que ampliassem seu horário na TV (Serra levou os partidos a apoiar o adversário do tucano), deixado na solidão, e eis que as pesquisas dão ao Alckmin (19%) apenas 9 pontos a menos que Kassab.

A outra revelação, que a mídia prefere ignorar, é que Marta lidera no primeiro turno e isso após meses a fio de campanha contra ela. Campanha de seus adversários, que somados contavam com o triplo de tempo na TV. Campanha da mídia fazendo eco permanentemente ao “relaxa e goza” ou a “martaxa”, ou a “rejeição” ou a dúvidas e mentiras sobre suas propostas. Marta emerge deste primeiro turno da eleição, não só como a primeira em todas as pesquisas (34%); mas é em relação ao governo dela e as suas principais marcas que o debate acontece e concentrará a disputa no segundo turno.

Os que acompanham este blog sabem que Marta sempre teve lucidez para saber que a disputa seria difícil. Na cidade de São Paulo se consolidaram dois campos fortes eleitoralmente e opostos politicamente: o campo conservador, hoje liderado pelos demo-tucanos e o campo popular, liderado por Marta, Lula e o PT com seus aliados. Esses campos estão hoje relativamente equilibrados, após anos de dominação do campo conservador.

Esta dominação do campo conservador permitiu a vitória de Maluf em 1992, a de Pitta em 1996, a de Serra em 2004, a de Alckmin e Serra em 2006. Em três oportunidades o campo popular conseguiu vencer, sempre graças ao apoio ou a divisão do campo conservador. Foi assim com Erundina, foi assim em 1998 com Mário Covas contra Maluf, com apoio de Marta e do PT e em 2000, com a vitória de Marta com apóio do mesmo Covas, Alckmin e o PSDB, contra Maluf. Evidentemente as fronteiras entre ambos os campos não é tão esquemática como estou simplificando aqui para ilustrar minha opinião.

Estamos às vésperas de um novo confronto e disputa entre ambos campos. As divisões manifestadas no campo conservador neste primeiro turno terão seu efeito, mesmo reduzido pela aparência de unidade que ostentarão no segundo turno. Ao mesmo tempo a eleição será decidida pelos eleitores que oscilam entre os campos, sem clareza para medir a distância entre os mesmos. Caberá a Marta, aos partidos, sindicatos e entidades que a apoiam; aos militantes e simpatizantes da Marta, aos seus eleitores do primeiro turno, convencer e mostrar claramente a esses eleitores hesitantes, o que representa a alternativa popular com Marta prefeita. Não vai ser no grito e sim no argumento que a vitória será obtida.

Essa vitória é possivel e dependerá exclusivamente do engajamento de todos.

Luis Favre

A seguir as tabelas da pesquisa Datafolha incluídos os resultados que estarão nos jornais de amanhã.

Pesquisas Datafolha de começo de julho até hoje

Marta 38% 36% 41% 39%
40%
37%
37%
37%
 35% 34%
Alckmin 31% 32% 24% 24% 22%
20%
22%
20%
 19% 19%
Kassab 13% 11% 14% 16% 18%
21%
22%
24%
27%
28%
Maluf 8% 8% 9% 7% 8%
8%
 7% 6%
 7% 6%
2° turno
Marta 45% 43% 49%  46% 47%
47%
47%
45%
 44% 42%
Alckmin 50% 51% 44% 46%
47%
47%
47%
48%
49%
50%
2° turno
 Marta 55% 52% 55% 49%
50%
 48% 46%
46%
44%
41%
 Kassab 36% 37% 35% 41%
43%
 44% 45%
47%
49%
50%
campo 3 e 4 de julho 23-24 julho 21-22 agosto 29 agosto 4-5 setembro 11-12 setembro 17-18 setembro 25-26 setembro 29-30 setembro 2-3 outubro

 

Os resultados da última pesquisa Datafolha transpostos em voto útil (sem os brancos e nulos) dão 36% Marta; 30% Kassab; 21% Alckmin; 7% Maluf e ainda 5% Soninha.