06/10/2008 - 23:28h Empresário vota em Kassab, entre outros motivos, pela beleza do prédio da prefeitura
O jornal Valor, que publicou a entrevista que reproduzi embaixo no post anterior, do empresário Alexandre Saigh em favor da Marta, publicou também uma entrevista com o empresário Abreu Duarte, que explica porque votou em Kassab.
Reproduzo o artigo que permite comparar os argumentos e motivações, que merecem respeito, bem que sejam distantes das motivações do empresário Alexandre Saigh. Gostaria de destacar, porem, um fato significativo. Um dos argumentos que Abreu Duarte apresenta em favor de Kassab é a admiração pelo prédio da prefeitura, “Voltei a entrar no prédio apenas neste ano e fiquei abismado com a beleza do local e em como ele está preservado.”, diz o empresário. Ele ignora provavelmente que foi Marta que recuperou o prédio, mudou a sede do antigo Palácio das Indústrias para o velho “Banespinha”, após ter recuperado e restaurado sua antiga beleza. Marta conseguiu isto após uma negociação com o Banco dono do prédio e sem utilizar dinheiro do orçamento municipal. O empresário viu na beleza da restauração uma das provas que Kassab é… um bom gerente!
Eta, grau de informação de uma parte de nossa elite. LF
Baixo custo do Cidade Limpa ganha eleitor
Danilo Fariello, VALOR
Laodse de Abreu Duarte pode ser perfeitamente descrito como um quatrocentão. Ele é diretor da Federação das Indústrias de São Paulo (Fiesp) há mais de 30 anos e controla a empresa fundada por seu pai, a JB Duarte, que começou no ramo de óleos vegetais e agora, reformulada, tem participações em companhias de autopeças e tecnologia. Por circular pela elite da cidade, é amigo de Marta Suplicy (PT) e de alguns integrantes da família Matarazzo. Mas seu voto ontem foi para Gilberto Kassab (DEM), a quem considera um bom administrador.

Abreu Duarte: expectativa de que eleição de Kassab fortaleça Serra em 2010
Aliás, a relação com a família e o Edifício Conde Matarazzo é um dos fatores que permeiam essa sua decisão de voto. Duarte lembra quando, algumas décadas atrás, freqüentava o prédio ao lado do Viaduto do Chá, terminado em 1940, e onde hoje está localizada a sede da Prefeitura. “Voltei a entrar no prédio apenas neste ano e fiquei abismado com a beleza do local e em como ele está preservado.” O edifício, onde se encontra um busto de seu pai, ainda preserva suas colunas de mármore e portas em jacarandá. O prédio de 16 andares é também conhecido como Banespinha, por ter abrigado o banco estadual por décadas.
O visual exterior da cidade também é motivo para Duarte sustentar seu voto no candidato do DEM. “O Cidade Limpa embelezou a cidade e não custou nada”, diz ele, ao correr os olhos sobre o Vale do Anhangabaú, de cima do viaduto. Para Duarte, a grande virtude de Kassab é ser um bom administrador - do ponto de vista empresarial, como ratifica. “Na parte política, todos são iguais.” O rodízio de caminhões nas marginais também não exigiu um centavo de gasto, diz ele, ressaltando outra que considera uma boa decisão administrativa da prefeitura atual. “São pequenos exemplos que mostram que precisamos manter esse gerente.”
Kassab, que foi eleito como vice, assumiu a prefeitura em março de 2006, quando José Serra elegeu-se governador. Para Duarte, ele teve pouco tempo para mudar a cidade e ainda há muito a ser feito em revitalização de calçadas e de vias públicas e para o trânsito, principalmente. “Não dá para mudar tudo o que é necessário em tão pouco tempo.” O empresário também não se assusta com a possibilidade de, se eleito, o prefeito partir para outras candidaturas no futuro, como o governo estadual. “Não me preocupa se amanhã ele sai. Seria normal.”
Apesar de se relacionar com candidatos e eleitos, Duarte nunca foi muito íntimo de política. Aos 65 anos, define-se como apartidário. Já votou em candidatos de diversas legendas que apareceram depois de implantado o pluripartidarismo. Nos negócios, também sempre evitou política. “Nunca forneci nada para governos, nem na época em que atuávamos na área de alimentação.” A JB Duarte é uma companhia de 96 anos, com capital aberto em bolsa desde 1936, que criou o óleo vegetal Maria - hoje sob controle da multinacional Cargill.
O diretor da Fiesp viu com animação a ascensão de Kassab nas pesquisas. “Isso foi uma resposta ao que ele fez”, comenta, animado com a expectativa de que seu candidato vá ao segundo turno.
Ontem, na Escola Morumbi, onde vota - a poucos metros da residência de Marta Suplicy -, Duarte chegou animado precisamente ao meio-dia. Os jornais do domingo davam-lhe a certeza de que Kassab iria ao segundo turno. “Mas agora vai começar outra batalha. O jogo não está ganho”, diz ele, que é também amigo de Guilherme Afif Domingos, um dos mentores políticos de Kassab.
Duarte estava empolgado ontem também por ter descoberto no currículo do candidato do DEM o diploma de engenheiro pela Escola Polítécnica, da USP, além da conhecida formação como economista. “A sua formação explica o fato de ser um bom gestor”, dizia. Ao encontrar Álvaro Augusto Vidigal, ex-presidente da Bovespa, na mesma zona eleitoral, soltou um “olha lá, hein!”, como quem cobrava um voto consciente do amigo.
Para o empresário, a esperada eleição de Kassab deverá fortalecer a candidatura do governador José Serra para a presidência em 2010. “Ele é o responsável por tudo isso”, avalia Duarte, para quem a candidatura de Geraldo Alckmin (PSDB) foi um gesto de teimosia política.

















