28/08/2012 - 08:54h Kassab ainda tem R$ 8,7 bi em caixa. ‘A ineficiência é a principal conclusão dos dados’

É mais que o total previsto para novas obras neste ano; tirando verbas carimbadas, superávit a 126 dias do fim da gestão é de R$ 5,5 bi

28 de agosto de 2012

ADRIANA FERRAZ , DIEGO ZANCHETTA – O Estado de S.Paulo

A quatro meses do fim da gestão Gilberto Kassab (PSD), a Prefeitura tem em caixa R$ 8,7 bilhões. Descontados compromissos assumidos com fornecedores e terceiros, o superávit é de R$ 5.542.978.133,96. O acúmulo em aplicações financeiras representa 24% do Orçamento 2012 (R$ 35 bilhões) e mais do que o montante previsto para novas obras neste ano (cerca de R$ 8 bilhões). Reflete ainda demora no desenvolvimento e execução de projetos, seja por impedimento jurídico ou decisões políticas. A paralisia no empenho dos recursos prejudica diretamente algumas das principais metas da administração, como a entrega de três hospitais e a revitalização da cracolândia.

O montante poupado pelo governo equivale ao orçamento atual de Belo Horizonte, a sexta maior cidade do País. Situação muito diferente da encontrada no fim da gestão de Marta Suplicy (PT), em 2004. Na época, a ex-prefeita deixou disponíveis em caixa R$ 16 mil, descontados os “restos a pagar”. A conta rendeu duras críticas de seu sucessor, José Serra (PSDB), que acusou a petista de deixar o caixa da Prefeitura vazio.

Passados oito anos, a situação econômica da administração é inversa. Além das verbas que não foram gastas em função do atraso na execução de obras, a capital paulista viu crescer em 14% a arrecadação do IPTU nos últimos dois anos, o que explica, segundo especialistas, parte do extra no cofre. Em 2010, o valor do tributo teve acréscimo de até 45% para residências e até 60% para comerciantes. Repasses relacionados ao Imposto sobre a Propriedade de Veículos Automotores (IPVA) e Imposto Sobre Serviços (ISS) também engordaram a conta.

Mesmo com dinheiro em caixa, os principais projetos de Kassab não devem sair do papel, pelo menos em sua gestão. E a lista não é pequena. Inclui pacotes de obras antienchente, a construção de três hospitais e a reforma de outros nove e a criação de um túnel de 2,4 km para ligar a Marginal do Pinheiros à Rodovia dos Imigrantes – com direito ao prolongamento da Avenida Doutor Chucri Zaidan e a construção de duas pontes sobre o Rio Pinheiros, na altura do Panamby.

Até as obras que contam com dinheiro demarcado das operações urbanas atrasaram. É o caso das obras antienchente da Pompeia, na zona oeste, que deveriam ter começado no início do ano. A troca das galerias pluviais do bairro, estimada em R$ 89 milhões, ainda não tem licença ambiental e não deve começar antes de 2013.

Outra vitrine da segunda gestão kassabista, o Projeto Nova Luz nem teve o edital para sua licitação de R$ 1,1 bilhão publicado. As obras para desapropriações na cracolândia dificilmente devem começar antes de dezembro. Nos últimos três anos, a revitalização da região enfrentou liminares da Justiça e protestos de lojistas da Rua Santa Ifigênia, contrários à proposta.

Para gastar o dinheiro em caixa, porém, Kassab só tem 126 dias. A legislação orçamentária não define regras nem limites para uso do saldo bruto de R$ 8,7 bilhões, mas, segundo especialista em administração pública, é preciso haver uma relação equilibrada entre receita e despesa.

“O ideal é que não exista nem déficit nem superávit. Esse valor extra, porém, pode ser sintoma de uma grave doença: ou se está cobrando mais imposto que o necessário ou o Município não teve capacidade de se programar para utilizar os recursos em prol da população”, diz Márcio Cammarosano, professor de Direito Administrativo da PUC-SP.

Política. Para o advogado Rubens Naves, especialista em Direito Público, deixar verbas para a próxima gestão pode representar uma escolha política. “Essa não é uma tradição brasileira. Normalmente, gasta-se até mais do que o previsto. Por isso, é difícil acreditar que esse valor vá se manter até o fim, ainda mais quando o administrador em questão não pode se reeleger. Se acontecer, pode ser uma medida política, para favorecer um sucessor aliado”, diz. “Mesmo assim, fazer isso sem cumprir as próprias metas não é ação fácil de entender.”

Em junho, o Tribunal de Contas do Município comparou as economias de São Paulo e Rio, cuja administração deve deixar a prefeitura com pouco mais de R$ 550 milhões em caixa. A conclusão é de que a saúde da gestão não depende de superávit e a recomendação é de investimento e maior empenho de recursos. / COLABOROU RODRIGO BURGARELLI

‘A ineficiência é a principal conclusão dos dados’

28 de agosto de 2012

Análise: Gustavo Andrey Fernandes, PROFESSOR DE ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA DA FUNDAÇÃO GETÚLIO VARGAS – O Estado de S.Paulo

A análise das disponibilidades financeiras da Prefeitura revela dados impactantes. Os valores livres em caixa, já descontados os compromissos com fornecedores e créditos a serem pagos a terceiros, somam impressionantes R$ 5.542.978.133,96. Trata-se de um volume de recursos inédito. Para se ter uma ideia, basta ver que a Secretaria da Saúde gastou no ano passado R$ 4.934.761.524,93, enquanto a Educação despendeu R$ 6.826.925.274,72.

O art. 42 da Lei de Responsabilidade Fiscal proíbe gastos nos dois últimos quadrimestres do mandato apenas quando não existam recursos disponíveis para honrá-los. A situação da Prefeitura, portanto, permite volume de gastos para este ano eleitoral.

Sinal de boa gestão? A resposta não é simples. A avaliação da administração pública é diferente da feita para uma empresa privada. Não raramente, um déficit orçamentário pode ser um resultado desejado – se compensado por superávits em outros anos. Nesse sentido, é preciso verificar quais são os objetivos. Em agosto, por exemplo, foram divulgados os dados do Índice Nacional de Desenvolvimento da Educação Básica para 2011. Tanto nos anos iniciais do ensino fundamental quanto nos finais, a rede municipal não atingiu as metas. Diante desse quadro é difícil justificar um volume de recursos tão grande.

Ao contrário do setor privado, na esfera pública a provisão adequada de serviços e de bens públicos, em trajetória equilibrada, é o principal ditame. Uma montanha de recursos no caixa é criticável, pois revela ou a ausência de metas em sintonia com o interesse da população ou, se elas existem, uma enorme incapacidade em executá-las. A ineficiência, não importa a hipótese, é a principal conclusão dos dados.

Prefeitura diz que há R$ 7,5 bi empenhados, mas não diz no quê

28 de agosto de 2012

O Estado de S.Paulo

A Prefeitura diz que R$ 7,5 bilhões, do saldo bruto de R$ 8,72 bilhões, já estão reservados para compromissos assumidos. “Assim, atualmente há saldo líquido de R$ 1,2 bilhão para cobrir novos compromissos, como folha de pessoal para os meses restantes do exercício”, ressaltou, em nota. Não detalhou, porém, quais os compromissos assumidos e por que projetos importantes, como o Nova Luz, estão parados.

A gestão Gilberto Kassab diz que “parcela expressiva do saldo” se refere a operações urbanas recentes, cuja arrecadação só pode ser usada na região contemplada. “Zelando pela responsabilidade no trato das finanças, novos compromissos só são assumidos com realização de receitas previstas e efetivo ingresso de recursos no caixa municipal.”

21/08/2012 - 08:27h Kassab preocupa mais a campanha de Serra do que Russomano

Por Vandson Lima | VALOR

De São Paulo

No grupo que coordena a campanha de José Serra (PSDB) a prefeito de São Paulo, o empate na liderança das intenções de voto com Celso Russomanno (PRB) é ainda visto como um problema menor. Preocupa sobremaneira os tucanos o que tem sido chamado de “efeito Kassab”. A relação direta feita pelo eleitor entre a gestão do atual prefeito Gilberto Kassab (PSD), considerada ruim ou péssima por 43% do eleitorado – segundo pesquisa do Ibope – e a candidatura de Serra tem segurado os índices em um patamar abaixo do que a campanha esperava às vésperas da propaganda televisiva.

Segundo um dos integrantes da campanha, o eleitor sequer recorda que Kassab venceu a eleição de 2008. “Para a maioria, foi o Serra que deixou o mandato em 2006 e botou o Kassab na cadeira de prefeito. As pessoas nem lembram que ele venceu uma eleição por conta própria. Logo, atribuem a administração mal avaliada ao Serra”, conta.

A fala do tucano coaduna com a sondagem do Ibope. Entre os 18% de eleitores que aprovam Kassab, Serra obtém 42% das intenções de voto. Já entre os 43% que a desaprovam, apenas 15% pretendem votar no tucano.

Para outro integrante da campanha, que considera a rejeição à gestão Kassab desproporcional às suas realizações, Serra tem sido leal ao prefeito ao não renegar que o governo atual é uma extensão daquele iniciado em 2005. Em entrevistas, Serra de fato avalia que três modelos de gestão passaram pela cidade: o de Paulo Maluf (PP) e Celso Pitta, a administração “petista” – com Luiza Erundina (PSB) em 1989 e Marta Suplicy (PT) em 2000 – e a tucana, com Serra e Kassab. E considera este último o melhor período para a cidade.

Para destravar a possível subida de Serra nas sondagens, foi marcado para a noite de ontem um jantar na casa do presidente municipal do PSDB, Júlio Semeghini. A previsão era de que além de deputados federais, estaduais e vereadores do partido, estariam presentes Kassab e o governador Geraldo Alckmin (PSDB), aprovado por 41% dos paulistanos de acordo com a mesma pesquisa e visto como cabo eleitoral crucial para as pretensões de Serra.

Além de traçar a estratégia junto aos parlamentares para uma participação mais vistosa na campanha, o convescote mirava dissipar a resistência do secretário estadual de Energia, José Aníbal, derrotado na prévia partidária, em registrar apoio ao candidato tucano. Esperado para o jantar, Aníbal é influente junto à base do partido, que tem se mostrado em alguns casos arredia. Na quinta-feira, o presidente do diretório do PSDB no Jabaquara (zona sul da capital), Milton Kamiya, e seu vice, Romualdo Moraes, anunciaram adesão à candidatura do concorrente Gabriel Chalita (PMDB).

Em relação a Russomanno, ainda impera a leitura de que ele é desprovido de apoios do Executivo e de tempo de propaganda na TV, portanto perderá fôlego. O eleitor que hoje lhe dá bons índices, acreditam tucanos, migrará para Fernando Haddad (PT), que irá ao segundo turno com Serra.

Integrantes de PSDB e PSD ouvidos pelo Valor concordam, inclusive, na data para se ter uma sondagem mais realista do cenário paulistano: início de setembro, quando a propaganda televisiva entrará em sua terceira semana.

Um tucano prevenido ressalva: “Agora, se bater o feriado [sete de setembro, um mês antes da eleição] e o Russomanno continuar lá em cima, fura toda a estratégia”.

17/08/2012 - 09:42h Russomano venceria Serra no segundo turno. O tucano tem a rejeição mais alta entre os candidatos a prefeito: 37%.

Por Raphael Di Cunto, Murillo Camarotto, Paola de Moura e Marcos de Moura e Souza | VALOR

De São Paulo, Recife, Rio e Belo Horizonte

O candidato do PRB à Prefeitura de São Paulo, Celso Russomanno, empatou na pesquisa de intenção de voto com José Serra (PSDB) no primeiro turno, com 26%, e venceria no tucano no segundo turno por 42% a 35%, segundo pesquisa Ibope divulgada ontem pelo jornal “SPTV”, da TV Globo. Fernando Haddad (PT) está em terceiro, com 9%.

Em quarto lugar há empate entre três candidatos: Gabriel Chalita (PMDB), Paulinho da Força (PDT) e Soninha (PPS), todos com 5%. Dos entrevistados, 12% afirmaram que votarão em branco ou nulo e 10% disseram não saber. A margem de erro é de três pontos percentuais, para mais ou para menos.

Em relação à pesquisa anterior, de 3 de agosto, Russomano subiu de 25% para 26% e Serra ficou estagnado. Haddad cresceu dentro da margem de erro, de 6% para 9%. Soninha oscilou de 7% para 5%. Não houve alteração dos outros candidatos.

Foi feita também, pela primeira vez, sondagem de segundo turno, quando Russomanno venceria Serra por 42% a 35%. Os votos em branco e nulo somaram 16% e 8% dos entrevistados afirmaram não saber.

Líder nas pesquisas, Serra é o candidato com maior rejeição: 37% dos entrevistados afirmaram que não votariam nele de jeito nenhum. O índice do tucano subiu em relação à pesquisa anterior, quando era de 34%. Em seguida aparecem Haddad, Paulinho da Força e Soninha Francine, com 14%, e Chalita, com 9%. Russomano está com rejeição de 11%.

O Ibope divulgou pesquisas em outras cinco capitais: Rio de Janeiro, Recife, Belo Horizonte, Campo Grande e Manaus. A principal mudança ocorreu na capital pernambucana. Embora o candidato do PT, Humberto Costa, continue na liderança, com 32% das intenções de voto, vem perdendo fôlego. Em julho, o petista tinha 40%. Em ascensão, Geraldo Julio (PSB) saiu de 5% e chegou a 16%, mesmo índice de Mendonça Filho (DEM), que antes tinha 20%.

Em BH, a vantagem do prefeito Marcio Lacerda (PSB) sobre o candidato do PT, Patrus Ananias, ficou estável – 46% a 23%. Na sondagem anterior, o prefeito tinha 43% contra 21% do petista. Lacerda também venceria um eventual segundo turno. O prefeito venceria com 48% dos votos, frente a 28% de Ananias.

No Rio, o prefeito Eduardo Paes (PMDB) oscilou dois pontos para baixo, mas lidera com 47% das intenções de voto. Já Marcelo Freixo (PSOL) subiu quatro pontos percentuais e está com 12%. Rodrigo Maia (DEM) segue em terceiro, com 5%.

Em Campo Grande, Edson Giroto (PMDB) lidera, com 37%, seguido por Alcides Bernal (PP), que tem 30%, Vander Loubet (PT), com 7%, e Reinaldo Azambuja (PSDB), com 5%. Em Manaus, Artur Virgílio Neto (PSDB) está na frente, com 29%, seguido de Vanessa Grazziotin (PCdoB), com 19%. Sabino Castelo Branco (PTB) e Serafim Correa (PSB) estão empatados, com 11%.

Todas as pesquisas foram contratadas pela Rede Globo e jornal “O Estado de S. Paulo” e feitas entre os dias 13 e 15 de agosto. Em Recife, BH, Rio e São Paulo foram ouvidas 805 pessoas em cada cidade e registradas nos respectivos tribunais regionais eleitorais sob os números SP-311/2012, PE-68/2012, MG-235/2012 e RJ-43/2012. Em Manaus e Campo Grande foram ouvidas 602 pessoas, com margem de erro de quatro pontos, e registradas sob o número MS-80/2012 e AM-13/2012.

17/08/2012 - 09:37h Ibope SP: Gestão Kassab é ruim ou péssima para 43% dos moradores da cidade


Presidente Dilma Rousseff e governador Geraldo Alckmin têm avaliação positiva de 55% e 41%, respectivamente, segundo pesquisa Ibope

17 de agosto de 2012

Daniel Bramatti, de O Estado de S.Paulo

O Ibope também perguntou aos entrevistados como avaliam as administrações do prefeito Gilberto Kassab (PSD), do governador Geraldo Alckmin (PSDB) e da presidente da República, Dilma Rousseff (PT). A gestão de Kassab é considerada boa ou ótima por 18% e ruim ou péssima por 43%. Em relação à pesquisa anterior, feita há duas semanas, o saldo negativo passou de 22 para 25 pontos porcentuais.

O governador Alckmin é aprovado por 41% dos paulistanos, enquanto apenas 16% veem sua administração como ruim ou péssima – o saldo positivo é de 25 pontos, o mesmo resultado obtido no início deste mês.

Já Dilma tem 55% de ótimo e bom e 11% de ruim e péssimo. Seu saldo positivo é de 44 pontos porcentuais, e também não variou desde a última pesquisa.

Entre os que aprovam a administração de Kassab, Serra – candidato apoiado pelo prefeito – tem 42% das intenções de voto. Esse índice cai para 15% entre os que consideram a gestão ruim ou péssima.

Entre os que consideram a administração Dilma boa ou ótima, é Celso Russomanno (PRB) quem lidera, com 31%. Serra vem a seguir, com 26%, o dobro do índice obtido pelo petista Fernando Haddad, correligionário da presidente.

Dilma tem afirmado que vai se manter distante da campanha em São Paulo, ao menos no segundo turno, já que entre os concorrentes há outros candidatos de partidos de sua base.

15/08/2012 - 09:20h Rede pública da cidade de São Paulo não alcança nota

15 de agosto de 2012 | 3h 09

O Estado de S.Paulo

A cidade de São Paulo, a mais rica do País, não conseguiu alcançar a meta para 2011 no Ideb nos primeiros anos do ensino fundamental, até a 4ª série. Na ciclo 2 da educação básica, de 5ª à 8ª série, a capital paulista teve um crescimento menor do que no primeiro caso, mas ficou com a nota dentro da meta.

A rede pública de São Paulo incluindo escolas estaduais e municipais tiveram nota de 4,2 enquanto a meta para a cidade era 4,4 no anos finais do ensino fundamental. A média nacional nesse ciclo foi de 5.

Se for levado em conta apenas a rede municipal de escolas a nota foi um pouco maior, de 4,3. A meta no entanto era de 4,6. As escolas estaduais da cidade de São Paulo, com alunos de 5ª à 8ª série, tiveram nota média de 4,1 – enquanto a média para essa rede na cidade era de 4,3.

Já nos anos iniciais, tanto as escolas vinculadas ao município quanto as ligadas ao Estado não alcançaram suas metas – não seguindo, inclusive, a tendência nacional de melhora. E rede municipal ficou com nota 4,8, a meta era 4,9. Já a estadual ficou com 5,3, enquanto a meta era de 5,4.

Geral. Contando todo o Estado de São Paulo, a rede ligada ao governo estadual ficou estagnada entre 2009 e 2011 nos anos inicias e finais do ensino fundamental. O ciclo 1 teve nota 5,4 e o final, 4,3. Apesar de não ter conseguido aumentar sua nota, o Estado se manteve dentro da meta para 2011.

No Estado, 371 anos finais do fundamental escolas não conseguiram alterar em nada a nota do Ideb em dois anos, entre 2009 e 2011 – o equivalente a 10%. Do total desse grupo, 38% das escolas da rede estadual de São Paulo tiveram queda na nota.

No ensino médio, uma das principais dificuldade no País, o Estado de São Paulo teve aumento, de 3,6 para 3,9 na rede estadual. O governo comemorou o resultado do ensino médio. “Em comparação com as redes estaduais do país, o Estado de São Paulo supera o indicador em todos os níveis de ensino”, cita nota do Estado. A Prefeitura de São Paulo informou que não recebeu os dados oficiais, mas ressaltou que as informações indicam que a rede municipal continua crescendo, mostrando o acerto de suas políticas.

14/08/2012 - 14:12h Haddad resgata motes de Marta e promete obras de R$ 20 bilhões

Alexandre Moreira/Folhapress / Alexandre Moreira/Folhapress
Haddad, em evento de sua candidatura: mote da campanha será o de desenvolver áreas da periferia da capital, com incentivos fiscais a empresários


Por Cristiane Agostine | Valor

De São Paulo

Anunciado como uma celebridade, o candidato do PT à Prefeitura de São Paulo, Fernando Haddad, subiu ao palco de uma universidade e, com o microfone em mãos, começou a explicar quais são os problemas da capital paulista. “Nossa cidade é rádio-concêntrica. Toda as radiais levam para os mesmos lugares. Não há infraestrutura que suporte essa sobrecarga de mobilidade, que é fruto da irracionalidade do desenvolvimento”, disse. “O modelo que desenvolvemos é rodoviarista e tinha como pressuposto o automóvel”, comentou, logo nos primeiros minutos da apresentação. Na plateia, algumas pessoas se mexeram nas poltronas, com um olhar de interrogação. Atrás de Haddad, um enorme “H” vermelho é projetado. “O fator-chave de uma metrópole é o tempo e ele tem que ser liberado. É sinônimo de liberar as energias criativas de cada cidadão”, completou, dizendo que é com “essa variável” que trabalhará, se eleito.

Nas duas horas seguintes, Haddad falou sem parar sobre seu plano de governo, lançado oficialmente ontem. Na plateia, a grande ausência foi a do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, patrocinador da candidatura do petista. A presença do ex-presidente, que ainda se recupera de tratamento contra um câncer na laringe, era tida como certa pelo comando da campanha. O lançamento das propostas chegou a ser adiado para contar com Lula. O candidato, no entanto, minimizou a ausência.

Em meio a lembranças da gestão da ex-prefeita petista Marta Suplicy (2001-2004), Haddad disse que “pela primeira vez” um candidato “rompia o paradigma de repensar a forma de organizar a cidade” e anunciou o mote de sua campanha: o “arco do futuro”. A proposta, explicou, é de desenvolver a periferia a partir de investimentos no entorno de grandes vias da capital. No eixo central está um pacote de obras de infraestrutura no valor de R$ 20 bilhões para os próximos quatro anos. O nome do programa foi dado pelo marqueteiro da campanha, João Santana, e o arco é formado pela avenida Cupecê, as marginais dos rios Pinheiros e Tietê e a avenida Jacu Pêssego. “Quero transformar a Cupecê e a Jacu Pêssego em uma nova [avenida] Faria Lima”, disse.

O petista prometeu reduzir a alíquota do ISS de 5% para 2% para empresas que forem para as áreas mais distantes do centro. O candidato disse também que poderá zerar o IPTU para essas empresas e isentar a outorga onerosa do direito de construir nessas regiões. Segundo Haddad, essas medidas ajudariam a levar empresas para a periferia e gerar mais empregos.

Haddad resgatou bandeiras da gestão Marta, como o Bilhete Único, os corredores de ônibus e os Centros Educacionais Unificados (CEUs). O petista reciclou também uma das propostas apresentadas por Marta em 2008, de dar internet gratuita para todos os bairros.

O ex-ministro afirmou que fará 20 novos CEUs e criará 150 mil vagas em creches. Haddad disse que resgatará o programa de transporte escolar “Vai e Volta”, outra marca da gestão Marta. O candidato do PT prometeu ensino integral a 100 mil alunos, em quatro anos.

Em transportes, o candidato do PT disse que o Bilhete Único terá três versões: diário, semanal e diário. O usuário poderá realizar quantas viagens quiser em um período de tempo que será determinado pela prefeitura.

O petista prometeu construir 150 quilômetros de corredores de ônibus, o dobro do que foi construído por Marta. Haddad disse que fará também 150 quilômetros de faixas exclusivas para ônibus. Haddad afirmou que fará repasses ao Metrô, mas disse que o aporte só será feito se a prefeitura puder intervir nas metas do governo estadual e na escolha das estações que serão entregues.

O petista disse que pretende firmar convênios com o governo estadual, comandado por Geraldo Alckmin (PSDB), e ironizou os tucanos ao dizer que eles não gostam de fazer parcerias com o PT. “Mas eu não tenho preconceito com parceria”, disse.

Ao defender parcerias com o governo federal, o petista afirmou que levará a Universidade Federal de São Paulo para a Itaquera, na zona leste, e o Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia, para a zona norte.

Na saúde, área com a pior avaliação segundo pesquisas de opinião, Haddad disse que fará três hospitais na periferia, em Parelheiros (zona sul), Vila Matilde (zona leste) e Brasilândia (zona oeste) e que entregará em quatro anos 1 mil leitos. Em meio a críticas à gestão de Gilberto Kassab (PSD), o petista lembrou que o prefeito prometeu na campanha de 2008 construir os hospitais, mas não deverá entregá-los até o fim do ano.

Apesar das críticas a Kassab, o candidato afirmou que não vai abandonar nenhuma licitação feita pela atual gestão.

O petista defendeu a construção de moradias na região central, para diferentes classes sociais. Disse que construirá 55 mil unidades habitacionais na capital e que atenderá 70 mil famílias com obras de urbanização de favelas.

Em tom professoral, Haddad expôs suas propostas a cerca de 500 pessoas. Depois de uma hora de apresentação, diante do silêncio da plateia, pediu aplausos. O nome de Lula e da presidente Dilma Rousseff foram pouco citados.

Em diversos momentos, Haddad fez propostas mais afeitas a um candidato a governador. O petista disse que sua proposta de desenvolver a periferia em torno de grandes vias da capital beneficiaria as cidades do ABCD paulista, além de Osasco e Guarulhos, na região metropolitana. Ao falar sobre o aporte de recursos ao metrô, Haddad apresentou propostas de extensão de linhas do metrô e da CPTM e de entrega de estações, apesar de a gestão desse sistema ser da competência do governo estadual. Questionado, disse que o prefeito tem que participar da definição do cronograma do metrô.

01/08/2012 - 08:37h São Paulo: Prefeitura cita pedágio urbano em edital oficial


Carro pagaria R$ 1 para entrar no centro; atual gestão diz que não adotará restrição

01 de agosto de 2012

CAIO DO VALLE / JORNAL DA TARDE – O Estado de S.Paulo

A Prefeitura de São Paulo voltou a citar o pedágio urbano em um documento oficial como solução para melhorar o tráfego. Embora a atual gestão tenha por várias vezes reiterado que não iniciará a prática, edital lançado pela Secretaria Municipal de Transportes no sábado menciona a restrição como uma das “iniciativas relacionadas à gestão do trânsito” que futuramente podem ser adotadas.

De acordo com a proposta, a medida abrangeria uma área de 233 quilômetros quadrados no centro expandido. A tarifa custaria R$ 1 – menos do que o valor previsto em um projeto de lei que tramita na Câmara Municipal e define a taxa em R$ 4. O texto foi aprovado pela Comissão de Constituição, Justiça e Legislação Participativa (CCJ) da Casa em abril, mas ainda não passou por votação.

O documento oficial da pasta de Transportes revela ainda que o investimento para implementação do pedágio urbano chega a R$ 15 milhões. As informações podem ser vistas na página 8 do 4.º anexo da concorrência aberta para construção e operação de três garagens subterrâneas no centro. Os estacionamentos também compõem um pacote de ações para “lidar com problemas relacionados à mobilidade da população”.

Tanto as garagens quanto o pedágio fazem parte do Plano Integrado de Transportes Urbano (Pitu), projeto integrado de Município e Estado, com investimentos previstos até 2020.

Sem consenso. Entretanto, a adoção do pedágio como instrumento eficaz para diminuir os congestionamentos paulistanos segue sem consenso entre os especialistas. O consultor Horácio Augusto Figueira, mestre em Transportes pela Universidade de São Paulo (USP), por exemplo, diz que o mecanismo não surtirá efeito se a taxa for pequena, de até R$ 4, por exemplo. “Quem tem carro já paga garagem, inspeção. Todos vão incorporar o pedágio como mais um custo. E a lentidão viária continuaria igual.”

Por outro lado, caso a tarifa custe muito, como em Londres, onde ultrapassa R$ 25, os motoristas mais pobres seriam prejudicados. Para o professor de Engenharia Civil da Fundação Educacional Inaciana (FEI) Creso de Franco Peixoto, a melhor solução seria aplicar o pedágio urbano só como uma complementação de outras políticas. “Ou seja, com mais linhas de metrô e trens expressos, além de ônibus rápidos, em um sistema alimentador, como em Curitiba.” A cobrança, para ele, pode valer somente a partir do momento em que as pessoas tiverem mais e melhores alternativas de transporte público.

Nas ruas. Quem costuma dirigir pelas ruas da cidade também mostra opiniões diversas sobre o pedágio urbano. O empresário Carlos Pinffi, de 57 anos, por exemplo, acha “coerente” a ideia da taxação. “É justificável por causa do estágio que chegou a falta de infraestrutura na cidade. Acaba sendo necessário, porque a Prefeitura não investiu em transporte público.”

Para a vendedora Ângela Quina, de 44 anos, a solução seria um completo absurdo. “A Prefeitura não investe e quer nos sacrificar?”

A reportagem procurou o governo para comentar o assunto. Em nota oficial, a Prefeitura reiterou apenas que “não planeja a adoção do pedágio urbano”.

24/07/2012 - 09:42h Rejeição a Serra dá força a Russomanno, avalia cientista político

Para Humberto Dantas, desempenho atual do candidato do PRB pode estar associado a alto índice de rejeição do tucano
24 de julho de 2012

Daniel Bramatti, de O Estado de S.Paulo

Para o cientista político Humberto Dantas, doutor em Ciência Política pela Universidade de São Paulo (USP) e professor do Insper, o desempenho de Celso Russomanno (PRB) nas pesquisas pode estar associado ao alto índice de rejeição do candidato do PSDB, José Serra.

Como é conhecido por 94% dos eleitores, Russomanno acaba citado pelos que não querem votar em Serra, mas que ignoram quais são os demais candidatos, segundo o professor.

Russomanno é o único candidato com índice de intenção de voto maior do que a taxa de rejeição, diz a pesquisa Datafolha. Como o senhor analisa esse quadro?
O grande valor da última pesquisa é ser a primeira sobre um quadro consolidado de candidatos. Ela mostra um eleitorado ainda muito pouco informado. Talvez o aspecto mais relevante seja o fato de mais de 60% dos entrevistados não saberem dizer, espontaneamente, em quem votarão. Russomanno pode representar uma tábua de salvação para o eleitor no que diz respeito à avaliação de nomes que já conhece. Ele indica aquele em quem eventualmente poderia votar, mas esse poder votar, neste instante, ainda é muito frágil. Talvez a performance de Russomanno esteja relacionada à alta rejeição de José Serra, que é a maior entre todos os candidatos. Também pode ser a falta de capacidade do entrevistado de associar o nome Fernando Haddad ao PT. Existe até certa dificuldade do eleitor mais simples de ler o sobrenome Haddad, que é incomum.

Russomanno é visto como o anti-Serra neste momento?
Existe uma superexposição do Russomanno em uma emissora importante de televisão, a segunda mais assistida. Ele é o “não Serra” mais conhecido. Dada a alta rejeição do candidato do PSDB, Russomanno surge como alternativa, alguém que oferece credibilidade. Temos que considerar que Serra é conhecido por 99% dos entrevistados, e que 37% dizem que não votariam nele de jeito nenhum.

Esse cenário tende a mudar?
Tudo indica que, a partir de meados de agosto, quando começa o horário eleitoral gratuito, teremos um reposicionamento dessas candidaturas. É bom lembrar do que aconteceu em 2008. Às vésperas do início do horário eleitoral gratuito, o prefeito Gilberto Kassab tinha 8% das intenções de voto, ocupava a quarta colocação na disputa, atrás até de Paulo Maluf. Após uma campanha tecnicamente quase perfeita, ele terminou o primeiro turno em primeiro, à frente de Marta Suplicy, que era a favorita. E desbancou Geraldo Alckmin, do PSDB, que chegou a ter mais de 30% das intenções de voto.

Com pouco tempo de TV, há candidatos viáveis?
É uma eleição que depende muito do horário eleitoral. Chegar aos 8 milhões de eleitores de São Paulo não é uma tarefa simples. Nada impede que o Russomanno ganhe a eleição, mas isso é muito difícil. O mais provável é que ele não chegue ao segundo turno.

02/07/2012 - 08:59h ‘Serra será a parte fácil’, afirma petista

Coordenador da campanha petista à prefeitura de São Paulo, vereador Antônio Donato, disse ao Valor que o enfrentamento com o adversário José Serra (PSDB) “será a parte fácil” da primeira disputa eleitoral da vida de Haddad e que o maior desafio é tornar o ex-ministro da Educação mais conhecido pela população paulistana

Por Luciano Máximo | VALOR

De São Paulo

Depois da formalização da candidatura de Fernando Haddad pelo PT no fim de semana, o coordenador da campanha petista à prefeitura de São Paulo, vereador Antônio Donato, disse ao Valor que o enfrentamento com o adversário José Serra (PSDB) “será a parte fácil” da primeira disputa eleitoral da vida de Haddad e que o maior desafio é tornar o ex-ministro da Educação mais conhecido pela população paulistana. Donato argumentou que o tucano tem índice de rejeição alto, de 35%, e atingiu “um teto” nas intenções de voto de 30%”.

“Na eleição presidencial de 2010, o Serra ganhou da presidenta Dilma Rousseff na capital paulista com mais de 40% de votos. Nos últimos seis meses, desde as primeiras pesquisas para a prefeitura, ele não consegue passar o teto de 30% dos votos. Enfrentar Serra vai ser a parte fácil da nossa campanha, ele tem alta rejeição, é um personagem totalmente desgastado”, afirmou Donato, durante a convenção que homologou a candidatura de Haddad, no sábado.

O vereador acrescentou que a imagem do tucano também é bastante associada à do prefeito Gilberto Kassab (PSD). “Oitenta por cento da população querem mudança na cidade, avaliam mal a gestão de Kassab. É aí que Serra tem mais a perder e é aí que vamos trabalhar, com o desafio de tornar o Haddad mais conhecido. Pesquisas mostram que ele é desconhecido por 49% dos paulistanos e do total de pessoas que o conhecem, apenas 9% o conhece muito bem.”

O maior perigo poderia ser então Celso Russomanno (PRB), que tem subido nas pesquisas e ocupa o segundo lugar com 24% das intenções de voto. Mas Donato também minimizou as chances do apresentador de TV, mesmo depois de o PRB ter fechado aliança com o PTB na reta final. A legenda era disputada por tucanos e petistas e a adesão vai elevar o tempo de propaganda da coligação de Russomanno a mais de dois minutos. O vice da chapa será o petebista Luiz Flávio D’Urso, que desistiu de candidatura própria.

O coordenador petista acredita que a campanha de Russomano deva se desidratar. “A explicação é que ele deixará de ter a mesma exposição que vinha tendo nos programas populares na televisão aberta”, disse Donato.

A coligação de Russomanno conta com seis siglas (PRB-PTdoB-PTN-PHS-PRP-PTB), mas a maioria delas tem pouco peso eleitoral. A aliança de José Serra (PSDB-PSD-DEM-PR-PV) terá o maior tempo de TV, 7min42s, graças à vitória no PSD, na quinta-feira, no Supremo Tribunal Eleitoral. A sigla criada pelo prefeito Gilberto Kassab terá direito ao tempo no rádio e TV proporcional ao tamanho da bancada de 52 deputados federais que a fundaram. O critério vigente é a bancada eleita na última eleição (2010) quando o PSD não existia, mas sete dos 11 ministros foram favoráveis à causa. Com o segundo maior tempo de TV da coligação, Kassab se cacifou para indicar um nome de sua confiança para vice, o ex-secretário municipal de Educação Alexandre Schneider (PSD). O tempo de Haddad (PT-PCdoB-PSB-PP) será um pouco menor e está estimado em 7min30s.

02/07/2012 - 08:46h “O PSD é o cupim do PSDB em São Paulo”

Escolha de vice deflagra embate no PSDB

02 de julho de 2012

O Estado SP

A escolha do ex-secretário municipal de Educação Alexandre Schneider (PSD) como candidato a vice-prefeito de José Serra (PSDB) deflagrou um embate entre tucanos ligados ao governador Geraldo Alckmin (PSDB) e o grupo serrista. Um dia após o anúncio da vice, alckmistas fustigaram a escolha de Schneider e voltaram a atacar a chapa única para eleição de vereadores, apelidada de “chapão”.

O grupo que apoia o governador esperava ser contemplado com a indicação da vice, depois de ter perdido o embate que decidiu que o PSDB formaria aliança com outros partidos na chapa proporcional. Os alckmistas defendiam voo solo por avaliar que, coligado em uma chapa tão grande, o PSDB tende a perder cadeiras na Câmara Municipal.

O assessor especial de Alckmin Fábio Lepique atacou pelo Twitter o líder do PSDB na Câmara, vereador Floriano Pesaro, e membros da Executiva do partido, pelas decisões anunciadas. “O @Floriano45 e os membros do diretório que votaram a favor do ‘chapão’ prestaram um desserviço ao PSDB. E nem a vice levamos!”. Ao Estado, desabafou: “Perdemos tudo.”

José Aníbal, secretário estadual de Energia, protestou contra a indicação de Schneider. “Vai na direção contrária ao que queria a militância da capital”.

Pesaro, um dos principais articuladores de Serra no processo eleitoral, afirmou haver “uma estratégia de desestabilizar a campanha do Serra”, e tentou desqualificar as críticas. “Essa questão do Fábio (Lepique) é de uma falsidade moral sem precedentes. E a palavra do José Aníbal é a de alguém que foi derrotado nas prévias e age de forma isolada.”

Passado. A escolha de Schneider reavivou ressentimentos oriundos da eleição de 2008, quando Serra apoiou a reeleição do prefeito Gilberto Kassab (PSD) e Alckmin se lançou candidato, estabelecendo um racha no partido. À época, tucanos que integravam a gestão Kassab, como Andrea Matarazzo, optaram pela neutralidade. Schneider, contudo, apoiou o prefeito.

Desde então, este recebe sinais de Kassab de que poderia ser seu sucessor. Em 2011, ele trocou o PSDB pelo PSD. Sua entrada na vice desperta o os ciúmes de tucanos que alimentam desejo de suceder Serra e Alckmin na capital e creem que Schneider “furou a fila” da sucessão.

A desconfiança do grupo alckmista em relação ao vice de Serra se estende também a Kassab, que coligou seu PSD ao PT em diversas cidades do Estado e, nacionalmente, sinaliza um alinhamento com o governo federal. Ele é visto como potencial adversário de Alckmin em 2014.

Chapão. O “chapão” na proporcional fez o presidente do PSDB da Mooca, Eduardo Odloak, desistir de concorrer a vereador. Em texto, Odloak afirmou que a coligação “diminuiu as chances de renovação”. Segundo ele, o PSDB deve eleger apenas metade dos 13 vereadores de 2008. “Um mau negócio”, diz Lepique. Pesaro defendeu a decisão: “É importante para eleger o Serra.”

Como o sr. avalia a indicação de Schneider para vice de Serra? Vai na direção contrária do que queria a militância da capital. Essa aliança preferencial (com o PSD) não foi objeto de discussão partidária. É uma iniciativa exclusiva do candidato.

O PSDB está cedendo demais?

O PSD é o cupim do PSDB na capital, eles se alimentam do PSDB. Não é possível acolher sistematicamente o que deseja o atual prefeito. O PSDB corre sério risco de virar figurante.

Qual é o impacto do ‘chapão’ para a eleição dos vereadores?

É uma medida conservadora, com o propósito de não renovar a Câmara.

28/06/2012 - 09:42h Vice de Serra explicita disputa entre Kassab e Alckmin

Por Vandson Lima e Raphael Di Cunto | VALOR

De São Paulo

A briga pela indicação do candidato a vice na coligação que terá José Serra (PSDB) como postulante à Prefeitura de São Paulo ganhou novos contornos ontem. De um lado, a executiva do PSDB aprovou um manifesto em que reivindica a chapa pura. De outro, o PR comunicou à chapa, por nota, que só abdica do posto se o vice for indicado pelo PSD, partido do prefeito Gilberto Kassab.

Nas entranhas dessa batalha entre aliados se avoluma a disputa entre o governador Geraldo Alckmin (PSDB) e Kassab, ambos com olhos postos em 2014 e ciosos em ceder espaço para o outro na composição da chapa serrista.

A executiva do PSDB na capital paulista aprovou na terça-feira, por unanimidade, a defesa de que o vice de Serra seja também um nome da sigla – o ex-secretário estadual de Cultura Andrea Matarazzo, próximo de Serra, e o deputado federal Edson Aparecido, aliado de Alckmin, figuram como favoritos.

A leitura no tucanato é de que o PSDB já cedeu o suficiente aos aliados ao aceitar a formação de uma mesma chapa de vereadores, o que em tese prejudicaria o desempenho do partido na eleição proporcional. Veem ainda na manifestação do PR as digitais de Kassab, principal articulador da adesão do partido à aliança.

Principal líder do PR na cidade de São Paulo, o vereador Antonio Carlos Rodrigues disse não considerar uma ameaça o fato de seu partido reivindicar a vice. “De maneira nenhuma. Só queremos sentar e conversar, não podemos saber as coisas apenas pelos jornais”, afirmou. “Quando combinamos a aliança, houve acordo para que o partido com a maior bancada ficasse de vice. Se mudou, queremos postular a vaga”, avisou.

O vereador diz que não ter conversado com o prefeito Gilberto Kassab antes de redigir a nota. O prefeito deseja indicar o vice e ofereceu o ex-secretário municipal de Educação Alexandre Schneider para a vaga. O DEM, antigo partido de Kassab, quer que o escolhido seja o deputado federal Rodrigo Garcia (DEM). O PV também pleiteia a vice, com o ex-secretário municipal de Meio Ambiente Eduardo Jorge.

Durante a convenção tucana que oficializou a candidatura Serra, no domingo, o presidente do PV, José Luiz Penna, chegou a dizer que haveria um “processo de queimação” nas denúncias de que seu correligionário teria recebido propina enquanto estava no cargo. Para Penna, isso ocorreria justamente por Jorge ser um dos nomes considerados para a vice de Serra. Questionado se a “queimação” viria de partidos aliados, se limitou a dizer “Aí eu não sei”. Hoje, a coordenação de campanha de Serra se reúne com os aliados.

Ontem, o Tribunal Regional Eleitoral de São Paulo (TRE-SP) multou Serra em R$ 5 mil por propaganda eleitoral antecipada, em decisão do juiz Henrique Harris Junior. É a terceira multa do candidato do PSDB a prefeito da capital paulista neste ano. As punições totalizam até o momento R$ 20 mil. O PT acusou Serra, em representação ao TRE, de divulgar sua candidatura no site www.joseserra.com.br, por meio de comentários dos leitores. O parecer do Ministério Público Eleitoral (MPE) é favorável à multa, sob a alegação de que os comentários são moderados pelo proprietário, que “não pode alegar ignorância ou desconhecimento acerca do seu conteúdo”.

21/06/2012 - 08:56h PT sonda aliados e PC do B ganha força para vice

Sem Erundina, correligionários de Haddad buscam nomes em siglas como PTB; Lula quer encontrar Rabelo e fechar aliança com parceiro tradicional

21 de junho de 2012

O Estado de S.Paulo

Em busca de um vice para a chapa de Fernando Haddad, pré-candidato a prefeito de São Paulo, o PT buscou opções em siglas como PSB e PTB, mas tende a deixar a indicação com o PC do B.

“Decidimos dar prioridade à construção da aliança. Após essa consolidação discutiremos a questão da vice”, informou o coordenador da campanha, vereador Antônio Donato (PT), que reconheceu: “Temos uma conversa mais avançada com o PC do B”. Na terça-feira, a deputada Luiza Erundina (PSB-SP) desistiu de ocupar a vaga em protesto às deferências do PT ao PP, de Paulo Maluf. No mesmo dia, o advogado Pedro Dallari (PSB) foi procurado por colegas de partido, mas também não aceitou.

Na própria terça-feira, deputados estaduais do PT se encontraram com o colega de Assembleia Campos Machado (PTB) e o sondaram sobre a indicação do advogado Luiz Flávio D’Urso (PTB), pré-candidato do partido, para a vice. Campos pediu dois dias para responder e deve dizer não.

“Eu continuo com minha candidatura posta, mas, se o partido vier a tomar decisão diferente, mudaremos o rumo”, afirmou D’Urso. Campos se encontrara com petistas no sábado, quando disse que precisava ter candidatura para fortalecer seu partido. O PSDB também corteja o PTB .

O ex-presidente Lula pretende conversar hoje, durante a Rio+20, com o presidente do PC do B, Renato Rabelo. O petista poderá até oferecer a vice ao tradicional aliado, que tem três candidatos à vaga: a deputada Leci Brandão, o vereador Jamil Murad e a presidente da sigla em São Paulo, Nádia Campeão.

Entre os três, o PT manifesta preferência por Nádia. O partido avalia que o eleitor teria dificuldade para aceitar Leci, que nunca ocupou cargo no Executivo, como vice de um candidato novato. Nádia foi secretária na gestão Marta Suplicy (2001-2004).

Ontem, o ex-ministro do Esporte Orlando Silva, Nádia e dirigentes do PC do B acertaram, em um café da manhã com Haddad, que a aliança deve sair antes da decisão sobre a vice. Depois, reuniram-se entre si, e saíram reafirmando, em público, a candidatura de Netinho de Paula.

Apesar de tudo, vereadores do PSB ainda tentavam indicar o vice de Haddad. Faziam circular os nomes da deputada Keiko Ota e do ex-jogador Marcelinho Carioca. O PT rechaça ambos. / FERNANDO GALLO, JOÃO DOMINGOS, JULIA DUAILIBI e BRUNO BOGHOSSIAN

05/06/2012 - 08:03h Os moradores de rua

05 de junho de 2012

Editorial O Estado de S.Paulo

Os centros de acolhida instalados na cidade de São Paulo para atender a população de rua têm 2.402 leitos vagos. O Complexo Prates, destinado ao tratamento e assistência aos dependentes químicos da Cracolândia, atende 180 pessoas por dia, embora tenha capacidade para 1.200. Entre 2009 e 2011, a população de rua aumentou 6%, passando de 13.666 para 14.478 pessoas. Dessas, apenas 7.713 usam os abrigos. As outras 6.765 preferem dormir, comer e se banhar nas ruas, praças e baixos de viadutos.

Na Cracolândia, onde ocorre o maior número de ações na área de assistência social da Prefeitura, uma operação, iniciada há cinco meses e propagandeada como definitiva, apenas empurrou os dependentes para ruas próximas àquelas em que se encontravam. Em dezembro, censo realizado pela Prefeitura apontou a existência de 743 usuários de drogas na Rua Helvétia e na Alameda Dino Bueno, o coração da Cracolândia. Hoje, eles ocupam a Rua dos Gusmões e se negam a aceitar o auxílio oferecido pela administração municipal.

O Ministério Público Estadual ameaça ir à Justiça para contestar a operação, uma vez que, apesar da presença da polícia, o tráfico continua a dominar a área. Os promotores também pretendem determinar a razão pela qual os leitos dos albergues permanecem ociosos. Investigar as técnicas de abordagem e os serviços oferecidos a essa população é importante para definir custo e eficiência dessa rede de atendimento.

Em entrevista ao Estado, o representante do Movimento Estadual da População em Situação de Rua, Robson Mendonça, afirma que as iniciativas da Prefeitura em nada têm ajudado os moradores de rua a sair dessa condição. Segundo ele, “a atual gestão está preocupada em fazer centro de formação de vagabundo”. Mendonça se refere à tentativa da Prefeitura de atrair os moradores de rua aos abrigos oferecendo tendas onde eles podem tomar banho e se divertir. Para ele, o Município deve é oferecer a esses homens, mulheres e crianças encaminhamento para emprego e moradia.

Entre a população que vive nas ruas, 40,9% trabalham como catadores de materiais recicláveis, flanelinha ou chapa e, segundo um estudo realizado pela Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo, entre janeiro e março, o ganho médio diário foi de R$ 20,64. O que ganham é gasto com comida (30,3%), bebida (16,3%), cigarros (15,9%) e drogas ilícitas (11%).

População de rua e dependentes químicos são questões a serem tratadas de maneira integrada. Mais do que caso de polícia ou de assistência social, a população de rua precisa de uma política multidisciplinar e duradoura, desenvolvida com a colaboração do governo e da sociedade, com um conjunto de iniciativas capazes de assegurar educação, saúde, assistência social, trabalho e todas as outras formas de atendimento necessárias para recuperar quem se encontra nessa condição. Entre a população que perambula pelas calçadas, o censo da Prefeitura registrou a presença de 221 adolescentes e 212 crianças.

A fragmentação das iniciativas tem frustrado todas as tentativas de acabar com a população de rua. No início deste ano, ao anunciar a Operação Centro Legal para resolver de vez o problema da Cracolândia, a Prefeitura assegurou que havia condições para realizar mais do que uma simples ação policial. Assistência social e atendimento médico seriam assegurados, graças à rede de atendimento aos usuários de drogas, instalada nos últimos anos pelo Estado e Prefeitura, com clínicas de reabilitação para atendimento de longo prazo.

Até agora, no entanto, a intervenção policial é a única parte da operação reconhecida pela população de rua. Conforme a pesquisa da Fundação Escola de Sociologia e Política, a iniciativa em nada mudou a vida de 72,3% dos moradores de rua. Muitos deles só mudaram de lugar. Outros 17,2% acreditam que a situação piorou, uma vez que passaram a conviver com a agressividade dos agentes de segurança, mais numerosos.

Está na hora de reavaliar a operação, admitir os erros e buscar outros caminhos.

03/06/2012 - 09:41h Cracolândia: 72% dos moradores de rua dizem que vida não mudou com operação

Pesquisa mostra que, passados cinco meses da investida da PM no centro, 17% acham que situação piorou e o restante vê progressos

03 de junho de 2012

ARTUR RODRIGUES – O Estado de S.Paulo

Boa parte dos moradores de rua da região central de São Paulo acha que de nada adiantou a operação da Polícia Militar na cracolândia. Pesquisa inédita da Secretaria Municipal de Assistência Social, obtida com exclusividade pelo Estado, revela que 72,3% deles afirmam que a intervenção policial – que completa cinco meses hoje – não mudou suas vidas. Outros 17,2% acreditam que a situação piorou – sobretudo por causa da violência dos agentes de segurança – e o restante vê progresso ou não respondeu.

A pesquisa foi feita com uma amostra de 380 pessoas, retirada do grupo de 6.675 pessoas que moram nas ruas e não são atendidos pelos albergues da Prefeitura. O estudo foi realizado de janeiro a março por pesquisadores da Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo.

Entre os moradores de rua que presenciaram a ação, 14,2% disseram ter sofrido alguma agressão policial. E 23,5% criticaram a investida da PM porque, segundo eles, a cracolândia apenas mudou de endereço.

Novo mapa. Em rondas pelo centro, o Estado confirmou que, em vez de lotarem as Ruas Helvétia e Dino Bueno, onde em dezembro censo da Prefeitura contou 743 pessoas, usuários de drogas agora se concentram na Rua dos Gusmões. Na nova geografia da cracolândia, moradores de rua e viciados não se misturam mais, como acontecia até o fim de 2011. Catadores de papelão que costumavam dormir na área agora tomada pelo crack migraram para os quarteirões perto do Elevado Costa e Silva, o Minhocão. Eles relatam que os policiais militares os confundiam com os chamados “noias”.

Essa segregação é apontada como a principal consequência positiva da operação para os 10,5% dos entrevistados que aprovaram a ação. Eles destacaram também a diminuição da oferta de crack. “Como tem menos droga, fumo menos”, confirmou Robson da Silva, de 29 anos.

Fora do centro, a operação continua a causar discussão. Para a defensora pública Daniela Skromov, é uma ação “apenas de limpeza, que não deu certo”. O prefeito Gilberto Kassab (PSD) afirmou que “se avançou muito”, mas reconhece que há muito por fazer. O Ministério Público ameaça ir à Justiça para contestar a operação, sob argumento de que tráfico e consumo persistem na região mesmo com a PM.

Enquanto isso, o Complexo Prates – espaço de 11 mil m² construído pela Prefeitura para tratar os viciados – atende uma média de 180 pessoas por dia, 15% de sua capacidade. / COLABORARAM ADRIANA FERRAZ e DIEGO ZANCHETTA

03/06/2012 - 09:14h Para Lula, Serra é um candidato ‘desgastado’

Ex-presidente atacou tucano sem, porém, citar seu nome; pré-campanha do PSDB não quis comentar
03 de junho de 2012

O Estado de S.Paulo

Na tentativa de polarizar com José Serra, líder nas pesquisas para a Prefeitura de São Paulo, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva fez ontem críticas ao pré-candidato do PSDB, sem, porém, citar nominalmente o tucano. No discurso de apoio ao pré-candidato petista, Fernando Haddad, Lula afirmou que o ex-ministro da Educação concorreria com um candidato “desgastado”.

“Tem um que tá tão desgastado que nem sei por que ele quer ser candidato a prefeito”, cutucou Lula, que utilizou a tática que será largamente usada pelo PT na campanha, a de lembrar que Serra deixou a Prefeitura de São Paulo após um ano e quatro meses e mandato. “Ele utilizou a cidade como um trampolim.”

O ex-presidente afirmou ainda que o tucano deixou também o governo do Estado antes do fim do mandato e “tomou uma tunda da presidente Dilma” na eleição presidencial de 2010.

Haddad adotou discurso semelhante e usou a mesma metáfora de Lula. “São Paulo cansou de prefeitos de meio expediente e de prefeitos de meio mandato”, afirmou. “Jamais usarei a prefeitura como trampolim.”

O ex-presidente disse que confia que tão logo se torne conhecido, o ex-ministro da Educação salte para um patamar superior a 30% nas pesquisas de intenção de voto.

A assessoria de Serra informou ontem que ele não iria comentar as críticas. “O Lula quer chamar Serra para o debate. Ele não é candidato. Nós não vamos cair nesta armadilha”, declarou o coordenador da pré-campanha do tucano, Edson Aparecido. / FERNANDO GALLO e RICARDO CHAPOLA

03/06/2012 - 08:40h Sobra radar, falta semáforo

03 de junho de 2012

Editorial O Estado de S.Paulo

A falta de lâmpadas novas e o reaproveitamento de material usado de outros semáforos, para tentar assim manter um mínimo de ordem no trânsito da capital paulista – às vezes fica faltando uma das luzes (vermelha, amarela ou verde) -, não são um problema menor, como pode parecer à primeira vista. Além de considerar o risco de acidente que isto pode acarretar, é preciso também colocar esse caso no contexto mais amplo, tanto de escolhas equivocadas de prioridades na área de trânsito como da falta de manutenção adequada dos equipamentos urbanos.

Reportagem do Estado constatou um desses casos no bairro do Ipiranga, no cruzamento das Ruas Comandante Taylor e Lino Coutinho, quando o empregado de uma empresa que presta serviço à CET retirou uma lâmpada do foco amarelo para colocá-la na do vermelho, que havia queimado. E durante cinco dias os repórteres percorreram 90 quilômetros de vias e constataram que em dezenas de cruzamentos existiam semáforos com pelo menos uma das lâmpadas queimadas há dias.

Somente em bairros do centro expandido como Higienópolis, Perdizes, Pinheiros, Pompeia, Vila Madalena e Jardins foram encontrados 40 semáforos com defeito. Num raio de 2,5 km, entre as Ruas Cardoso de Almeida, Paraguaçu, Doutor Veiga Filho, Brasílio Machado, Doutor Cândido Espinheira e Alameda Barros, havia nove semáforos com uma das três luzes apagadas. Naqueles cinco dias, só 2 dos 40 equipamentos foram consertados.

Segundo especialistas na questão, a falta de qualquer das três luzes de semáforos afeta seriamente a segurança do trânsito. Por exemplo: se não houver luz amarela, o motorista pode ficar sem tempo para frear, na mudança direta do verde para o vermelho, e provocar acidente. Como diz Sérgio Ejzenberg, “quando você está chegando a um semáforo, tem de receber uma informação luminosa e reagir a ela. Quando apaga (uma das luzes), você perde a reação”.

O problema deve-se à falta de contrato para fornecimento de lâmpadas novas. O que existia, assinado em abril de 2011, venceu em março deste ano. Mas a CET nega a falta de lâmpadas e afirma que o caso constatado pela reportagem no Ipiranga se deveu à falha da equipe encarregada do conserto dos semáforos, que adotou procedimento não autorizado. Afirma também que são trocadas em média 1,5 mil lâmpadas de semáforos por mês e que no ano passado a Prefeitura investiu R$ 47 milhões em melhorias dos “conjuntos semafóricos da cidade”. Como os casos apontados pela reportagem são comprovados, deve-se concluir que o esforço citado pela CET fica muito aquém das necessidades.

E isto não é novidade, como mostra o histórico da incapacidade da Prefeitura, neste e em governos passados, de cumprir promessas de recuperar e modernizar o sistema de semáforos. O Programa de Revitalização Semafórica, lançado com aquele objetivo em 2007, até agora deixa muito a desejar. Outro exemplo da morosidade e falta de empenho da administração na solução do problema é o caso dos semáforos inteligentes, que têm a capacidade de programar o tempo dos sinais vermelho e verde de acordo com o volume de tráfego nos cruzamentos.

Eles começaram a ser instalados em 1994 e, além de seu número ter ficado abaixo das necessidades, nunca receberam a manutenção adequada. Por isso, muitos deles perderam as funções que os tornavam “inteligentes”, passando a funcionar como equipamentos comuns. Se o sistema tivesse atingido as dimensões para as quais foi projetado e funcionasse perfeitamente, poderia reduzir os congestionamentos em até 25%, segundo os especialistas. Isto mostra a importância para São Paulo de um bom sistema de semáforos.

Não é por falta de recursos que isso deixa de ser feito. É por uma escolha equivocada de prioridades na área de trânsito. Sobra dinheiro para comprar radares e aumentar a eficiência da fiscalização e o número de multas, mas não para melhorar os semáforos. Os motoristas continuam imprudentes e o trânsito, caótico.

29/05/2012 - 08:53h Governo federal municia PT em embate sobre transportes


VALOR

Em meio a troca de acusações entre PT e PSDB por conta do caos no metrô de São Paulo, o governo federal municiou ontem petistas com dados sobre os investimentos do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) em mobilidade urbana em São Paulo. Petistas tentam rebater o vínculo feito por tucanos entre os problemas na área de transportes à suposta ausência de repasses federais.

Ontem, em seminário do PT sobre mobilidade urbana, o Ministério do Planejamento divulgou dados que mostram que São Paulo ficará com quase metade do investimento em transporte do PAC 1, do PAC mobilidade e dos recursos para obras nessa área voltadas para a Copa de 2014.

O secretário do PAC, Maurício Muniz Barretto de Carvalho rebateu o discurso do PSDB de que a União não ajudou São Paulo na área de Transportes. “Vamos deixar claro quais são os investimentos do governo federal”, afirmou o representante do governo federal, no início da apresentação. Muniz detalhou projetos em São Paulo que receberão recursos do PAC e afirmou que o governo federal destinou R$ 1,850 bilhão para a linha 2 do metrô, entre outros investimentos. Ao falar sobre a destinação de recursos para obras da Copa de 2014, o secretário do PAC disse que São Paulo vai receber quase tanto quanto o Rio de Janeiro: R$ 1,882 bilhão. O recurso será para a construção do monotrilho que vai ligar o aeroporto de Congonhas até a estação da CPTM do Morumbi. O Rio, comparou, terá R$ 1,884 bilhão.

Segundo Muniz, os governos do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e da presidente Dilma Rousseff planejaram R$ 50 bilhões para obras de mobilidade urbana em Estados e municípios. Desse montante, São Paulo receberá R$ 21 bilhões.

“Não dá para falar que o governo federal não apoia, não contribui com Estados e municípios em mobilidade”, afirmou Muniz, ex-funcionário do metrô paulista. “Existe, sim, uma participação forte do governo federal apoiando transporte urbano, mobilidade urbana”, disse, no seminário, na Assembleia Legislativa.

Ao detalhar a origem dos R$ 21 bilhões, no entanto, o secretário mostrou que dos cerca de R$ 21 bilhões, R$ 1,3 bilhão será de recursos próprios da União. O Estado e municípios paulistas terão de dar uma contrapartida de R$ 11 bilhões. O restante virá de financiamento.

O esforço do governo federal em divulgar seus investimentos no Estado é uma resposta às declarações do governador Geraldo Alckmin (PSDB) de que “não tem um centavo do PT” no metrô e nos trens de São Paulo. A colisão de dois trens do metrô há duas semanas, que deixou pelo menos 49 pessoas feridas, e a greve dos metroviários na semana passada reacenderam o debate entre PT e PSDB sobre os problemas de mobilidade urbana no Estado. Na mesma linha de Alckmin, o ex-governador e pré-candidato do PSDB à Prefeitura de São Paulo, José Serra, reforçou as críticas ao PT, na tentativa de defender sua gestão no governo paulista.

O pré-candidato do PT à Prefeitura de São Paulo, Fernando Haddad, criticou Alckmin pelo demora na expansão do metrô. Segundo o petista, não há obras de escavação em curso no Estado. Haddad atacou também o prefeito da capital, Gilberto Kassab (PSD), por não ter construído corredores de ônibus durante sua gestão, que ajudariam a desafogar o metrô. “Cada gestão pode construir entre 250 e 300 quilômetros de corredores de ônibus. A gestão Serra/Kassab não fez nada por puro preconceito contra o transporte coletivo”.

Durante o seminário, deputados do PT destacaram estudo da bancada do partido na Assembleia Legislativa que mostra que os governos Lula/ Dilma emprestaram 226% a mais que o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso para obras de expansão da CPTM e do metrô. De acordo com os dados do PT, o São Paulo contraiu R$ 4,6 bilhões em empréstimos durante a gestão FHC ante R$ 15,24 bilhões nas administrações petistas.

O governo de São Paulo, via assessoria, rebateu as informações divulgadas pelo governo federal e disse que o Estado não recebeu “nem um centavo” da União para investimento em mobilidade urbana. Segundo o governo paulista, a única obra na área de Transporte com recursos do governo federal é o Rodoanel, além da promessa de investimento na linha 18 do metrô, a ser construída.

10/05/2012 - 08:57h Veja os principais números da pesquisa Ibope em SP

10.maio.2012 03:32:12

Eleição paulistana: 10 candidatos e só 2,5 candidaturas

José Roberto de Toledo – O Estado SP

A eleição paulistana tem dez candidatos, mas só duas candidaturas e meia. Com 31% no Ibope, José Serra (PSDB) catalisa, por ora, o eleitorado anti-petista. A outra candidatura é a do PT, mesmo que só 3% do eleitorado declare voto em Fernando Haddad por enquanto. O PT tem a simpatia de 31% do eleitorado paulistano e nunca ficou fora de um segundo turno na cidade. A terceira candidatura está em fase de projeto: há espaço, mas falta um nome. Oito candidatos tentam ser o tertius, a alternativa à bipolarização tucano-petista. Juntos, os oito têm 44% de intenção de voto estimulada.

A pesquisa Ibope dá pistas de quem tem mais chances de ser a terceira via da eleição paulistana. Mais importante do que a intenção de voto nesta fase fria da campanha, é o potencial de crescimento. E isso depende de uma baixa rejeição dos eleitores e de mais oportunidade de exposição quando a campanha chegar à TV.

À esta altura, quando 4 em cada 5 eleitores não têm o nome de nenhum dos candidatos na ponta da língua, as intenções de voto são mais um exercício de memória do que a decisão definitiva do eleitor. Hoje, a pesquisa espelha o grau de conhecimento do eleitorado sobre os candidatos. É algo que tende a mudar muito à medida que a propaganda se intensificar e a eleição se tornar uma preocupação real para os eleitores.

Entre os candidatos a tertius, Celso Russomanno (PRB) é o mais conhecido. Tem 16% no Ibope, mas bateu no teto e lhe falta tempo de propaganda eleitoral. Ele é alavancado pela exposição constante na TV, especialmente na Record, onde trabalha. Mas a partir de 10 de junho -manda a lei- Russomanno não poderá mais apresentar seu quadro de defesa do consumidor. Para ele se manter com chances, precisaria se aliar a partidos que têm muitas inserções na TV. Está difícil.

Netinho de Paula (PC do B) também deve seus 8% no Ibope à TV. Na eleição para senador, ele largou bem, mas perdeu terreno à medida que a rejeição a seu nome aumentava. Desta vez, será obrigado a se afastar dos programas televisivos sem a contrapartida da propaganda eleitoral que a aliança com o PT lhe garantiu dois anos atrás. É um caso semelhante ao de Russomanno, agravado por uma rejeição três vezes maior: 38%, contra 13% do rival.

Por sua origem petista, Soninha (PPS) teria chances de se viabilizar como terceira via pela esquerda. Mas a aliança do PPS com o PSDB em São Paulo, além de sua participação pessoal no mal-avaliado governo do prefeito Gilberto Kassab (58% desaprovam), fragilizam o discurso oposicionista. Soninha tende a ficar espremida pela candidatura de Serra. Também lhe falta tempo de propaganda. A seu favor, é a única mulher na disputa.

Na terceira via, Gabriel Chalita (PMDB) tem o maior potencial. Sua rejeição (11%) é a mais baixa. Ele patina em 6% de intenção de voto desde janeiro, mas tem algo que nenhum outro candidato a tertius tem: tempo de TV. Como Haddad, o peemdebista dependerá de um bom desempenho na TV. Sua missão é duplamente difícil: em 45 dias de horário eleitoral, precisará se firmar como terceira via e suplantar uma das candidaturas supostamente favoritas.

Se chegar ao segundo turno, Chalita tem potencial para roubar votos de Serra ou de Haddad. Pode posar de aliado tanto de Dilma Rousseff (PT) quanto de Geraldo Alckmin (PSDB). O difícil é chegar lá.

Em SP, Dilma tem a aprovação de 65%

10 de maio de 2012

DANIEL BRAMATTI – Agência Estado

Poucos dias após atacar os bancos em rede nacional de rádio e televisão e em meio a uma campanha para reduzir os juros cobrados dos consumidores e tomadores de empréstimos, a presidente Dilma Rousseff obteve índice de 65% de aprovação a seu governo na cidade de São Paulo.

Segundo a pesquisa Ibope, as taxas de “ótimo” e “bom” obtidas por Dilma entre os paulistanos superam as do prefeito Gilberto Kassab (PSD) e as do governador Geraldo Alckmin (PSDB).

Apenas 8% dos eleitores da cidade apontaram a gestão de Dilma como ruim ou péssima, e 25% a consideraram regular.

Entre os moradores mais pobres – com renda de até um salário mínimo – e com escolaridade mais baixa – até quatro anos de estudo -, a aprovação a Dilma é ainda maior (73% e 71%), respectivamente.

No caso de Alckmin, 42% consideram a administração do governador tucano ótima ou boa. Para 38%, a gestão é regular, e ruim e péssima na avaliação de outros 18%.

Dilma e Alckmin, que têm se mostrado próximos em termos administrativos, estarão em campos opostos na eleição paulistana, onde Fernando Haddad (PT) e José Serra (PSDB) ocupam posição de destaque.

Fator eleitoral

Os altos índices de aprovação à presidente a credenciam como cabo eleitoral na cidade, em um momento que o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva apresenta dificuldades para entrar na campanha de Haddad.

Recém-saído de um tratamento contra o câncer na laringe, Lula ainda se recupera dos efeitos da quimioterapia e da radioterapia. Fernando Haddad, que nunca disputou eleições, contava com a colaboração ativa do ex-presidente para conquistar o eleitorado paulistano.

Gestão Kassab é mal avaliada por paulistanos

10 de maio de 2012

O Estado de S.Paulo

Principal aliado de José Serra na corrida eleitoral, o prefeito Gilberto Kassab (PSD) tem sua gestão considerada ruim ou péssima por 39% dos paulistanos, segundo a pesquisa Ibope feita nos primeiros dias de maio.

Outros 38% consideram a administração regular, e apenas 22% a apontam como ótima ou boa. A maior taxa de reprovação (49%) é verificada entre os moradores da região norte da cidade.

Os entrevistados pelo Ibope também foram convidados a apontar o que consideram os três principais problemas da cidade. A área da saúde ficou em primeiro lugar, com 64%, seguida por educação (46%), segurança pública e transporte coletivo. Os índices representam a soma das três áreas que o entrevistado poderia mencionar.

02/04/2012 - 18:29h Zona que balança – como a geografía pode definir a eleição paulistana

José Roberto de Toledo – estadao.com.br

Quem percorre os 20 quilômetros da avenida Sapobemba, cortando a zona leste da cidade de São Paulo, desde os limites da Mooca até os confins de São Rafael, assiste a uma paulatina mudança de paisagem urbana: marcas famosas vão sumindo das fachadas do comércio, construções perdem o acabamento, e os anos de uso dos carros em circulação se tornam proporcionais à quantidade de lombadas e buracos interpostos pelo caminho.

Enquanto rodam dígitos no hodômetro, terrenos baldios intercalam conjuntos habitacionais e casas cada vez mais modestas. O mato invade o espaço que seria das calçadas e até uma multicolorida lona surge na tangente de uma curva à esquerda: “Circo de Cuba”. A coincidência assume ares premonitórios.

Entre a esquina com a avenida Salim Farah Maluf e a encruzilhada com a estrada do Rio Claro, o conteúdo das urnas eletrônicas sofre um câmbio tão radical quanto a substituição do falar italianado -típico dos moradores de bairros adjacentes ao começo do trajeto- pelo sotaque nordestino, de quem vive no extremo oposto.

São dois territórios com preferências partidárias arraigadas e muito diferentes entre si. No 2º turno da eleição presidencial de 2010, José Serra (PSDB) teve 72% dos votos na 4ª Zona Eleitoral, a da Mooca. Mas a proporção mudava a cada quilômetro adiante, até Dilma Rousseff (PT) alcançar 65% da votação na zona eleitoral de São Mateus.

O voto do paulistano está relacionado ao bairro onde ele mora. O PT tem seus maiores redutos na região periférica da cidade, enquanto o PSDB é forte no centro expandido. Esse padrão se repete desde os anos 90 em todas as votações -para vereador ou presidente, passando por prefeito, deputado e governador.

O determinismo geográfico do voto reflete uma divisão de classe. A explosão demográfica de São Paulo centrifugou imigrantes e trabalhadores de baixa renda entre os anos 40 e 80 do século passado. Em regra, quanto mais longe a moradia, mais pobre o morador. Quanto mais periferia, menos calçamento, iluminação e hospitais.

O PT reforçou o geovoto durante os governos de Luiza Erundina (1989 a 1992) e Marta Suplicy (2001 a 2004). Canalizou investimentos, programas assistenciais e assistencialistas para as regiões mais pobres e distantes das zonas sul e leste da cidade. Cativou seu eleitorado em Paralheiros e Guianases, por exemplo, mas alienou eleitores dos bairros mais centrais que se sentiram preteridos com a mudança de prioridade.

O PSDB é menos organizado que o PT, como provou o baixo quórum das prévias tucanas na cidade. Mas se faltam militantes, seu eleitorado é tão fiel quanto o petista. Em 2008, PT e PSDB lideraram, juntos, os votos de legenda para vereador em São Paulo: 21% para cada partido. A divisão se repetiu em 2010 na eleição para deputado federal. A legenda do PT recebeu 22%, e a do PSDB ficou com 19% -bem à frente dos demais partidos.

A concentração do eleitorado tucano é proporcional à riqueza dos moradores. No centro expandido, varia de 82% no homogêneo Jardim Paulista a 68% no Butantã, uma zona eleitoral que mescla bairros ricos como Cidade Jardim e Morumbi com comunidades pobres, como Jardim Jaqueline e Morro da Fumaça.

Em décadas passadas, a outra parte do eleitorado antipetista foi janista e malufista. É o segmento que se concentra numa faixa contínua, desde o Jaçanã e a Vila Maria, ao norte, até a Vila Prudente, onde a zona leste faz esquina com a zona sul. Decepcionado e/ou desamparado por seus líderes, esse eleitor voltou-se para quem tem mais chances de derrotar os petistas. Votou em Serra em 2004 e em Gilberto Kassab (então no DEM) em 2008.

Nesses pedaços da cidade, só muda a intensidade da vitória, mas o vencedor é sempre o mesmo: petistas na extrema periferia e tucanos no centro expandido e no colar janio-malufista. Por isso, tornou-se estratégico o meio do caminho entre o petismo e o antipetismo. São as zonas eleitorais que oscilam de um partido a outro de eleição para eleição. É também uma zona de transição social, de emergência da nova classe média, que muda de hábitos de consumo e pode mudar também de partido.

Na zona leste, os termômetros que indicarão para qual lado a eleição vai virar são Ermelino Matarazzo, São Miguel Paulista, Vila Jacuí, Ponte Rasa, Vila Matilde, Itaquera, Conjunto José Bonifácio e Sapobemba. Na zona sul: Jardim São Luís, Socorro e Campo Limpo. Juntos, eles somam 1 milhão de votos válidos. O futuro prefeito de São Paulo deve sair de para onde essa zona balançar.

27/03/2012 - 08:39h Os desafios de Lula e Serra na eleição

Por Raymundo Costa – VALOR

Ex-governador, prefeito e duas vezes candidato a presidente da República, esperava-se de José Serra melhor desempenho na prévia dos tucanos, realizada no domingo para escolher o candidato do partido a prefeito de São Paulo – Serra teve 52,1% dos 6.229 votantes, contra 31,2% do secretário estadual de Energia, José Aníbal, e 16,7% do deputado federal Ricardo Trípoli. Quando disputou com Luiz Inácio Lula da Silva a prévia do PT para a eleição de 2002, o senador Eduardo Suplicy teve 15,6% dos votos. Era um opositor solitário contra o líder inconteste do partido.

Os 52,1% não têm a menor importância no quadro de uma disputa que só agora começa a ser delineada. Mas deve servir de advertência para José Serra, mesmo sabendo-se da precariedade desse tipo de consulta, sujeita, de última hora, a filiações dirigidas de militantes. Importante, para o tucano – e também para o candidato do PT -, é o apoio de quem realmente tem voto.

Para Serra, no momento, é o apoio das bancadas federal, estadual e municipal, além, é evidente, do governador Geraldo Alckmin. O mesmo serve para Fernando Haddad, o candidato escolhido pelo ex-presidente Lula num projeto de renovação do PT. Neste quesito, Serra leva a desvantagem de ter a cúpula nacional do PSDB, inclinada a apoiar a candidatura de Aécio Neves na próxima eleição presidencial. Haddad tem um grande handicap: o apoio de Lula e sua imensa popularidade, mas a desvantagem de um partido que teve de engolir sua indicação por Lula e que anda indócil com sua imobilidade nas pesquisas.

Divisão ameaça planos do PSDB e do PT em São Paulo

Os últimos movimentos partidários indicam que Haddad pode até mesmo ficar isolado, ele que precisa de tempo maior de televisão para se tornar mais conhecido. Mas isso se deve provavelmente a um erro de cálculo de Lula, que mostrou suas cartas antes do tempo, passando para os partidos aliados a mensagem de que a eleição de Haddad é importante para o PT, mas é muito mais ainda para ele, uma espécie de questão de honra. Subiu na hora o preço de todos os candidatos a aliado.

O PT se repete: quando Dilma patinava nas pesquisas, no início de 2010, poucos eram os dirigentes partidários a fazer uma sincera profissão de fé na escolha do comandante. Haddad, ao contrário de Dilma, é considerado um professor bom no debate, pessoa de estilo suave, simpática e com serviços prestados ao país, como ministro da Educação e Cultura de Lula e Dilma.

As recentes mudanças feitas pela presidente Dilma Rousseff no Congresso também serviram para aumentar o desconforto dos petistas da cidade de São Paulo. A indicação do novo líder do governo na Câmara, Arlindo Chinaglia (SP), é um exemplo. Os deputados sempre procuraram manter alguns critérios nas indicações para a partilha de cargos e funções. Nos últimos anos, o líder do governo sempre vinha da liderança da bancada. Isso aconteceu com Arlindo Chinaglia (SP), Henrique Fontana (RS) e Cândido Vaccarezza. Agora, o ex-líder da bancada Paulo Teixeira (SP) foi ignorado em favor de Chinaglia, embora fosse o nome preferido da coordenadora política do governo, Ideli Salvatti, para a desempenho da função.

A disputa em São Paulo contribuiu para o desequilíbrio na representação das correntes. Para desistir de disputar a prévia para a indicação do partido a prefeito de São Paulo, Jilmar Tatto ganhou a liderança da bancada: José Guimarães (CE), o candidato do campo majoritário, aceitou acordo para ser o próximo líder. A senadora Marta Suplicy (SP) rendeu-se à força de Lula, mas ficou na vice-presidência do Senado, rompendo um acordo pelo qual o senador José Pimentel ocuparia o cargo, findo o primeiro ano de exercício do PT. E ao deputado Carlos Zarattini, outro dos pré-candidatos, coube a função de relator do projeto dos royalties na Câmara, um posto de projeção. Teixeira foi sacrificado, mas não é o único da turma que cobra mais efetividade do candidato.

Do lado tucano, as dificuldades aparentes do candidato petista parecem ter uma leitura mais realista. O próprio José Serra, em conversa com interlocutores, tem afirmado que seria um grande um erro subestimar a candidatura do ex-ministro da Educação. Na percepção do tucano, o PT tem os 30% tradicionais que costuma alcançar na cidade de São Paulo e um candidato bem mais difícil de enfrentar do que foi Aloizio Mercadante nas eleições de 2006 para governador, quando o petista teve cerca de 35% dos votos. O tucano costuma ressaltar uma virtude em Fernando Haddad: a capacidade de aprender.

Resta saber quais as lições o próprio Serra tirou de suas últimas campanhas, especialmente a última delas, em que perdeu a Presidência da República para Dilma, numa disputa em que largou na frente como franco favorito.

Os problemas do tucano com a direção nacional do PSDB certamente são bem maiores que os de Haddad com o comando do PT. Nos bastidores do PSDB, o grupo hoje engajado na candidatura presidencial do senador Aécio Neves (MG) não demonstra muito entusiasmo com a eventual vitória de Serra na eleição de São Paulo.

O grupo opera, por exemplo, para evitar a coligação do DEM (que é ligado ao governador do Estado, Geraldo Alckmin). O Democratas, para apoiar Serra, exige reciprocidade em Sergipe, Salvador e Recife. Em Sergipe, o candidato João Alves (ameaçado de impugnação pela Justiça Eleitoral) tem o apoio de Serra, que o considera um dos candidatos a governador de maior fidelidade a sua candidatura presidencial em 2010. O tucano paulista também avalia que ACM Neto (DEM) é o candidato da oposição com maior possibilidade de vitória em Salvador.

Em Recife, quem parece pouco disposto a apoiar a candidatura de Mendonça Filho é o presidente do PSDB, Sérgio Guerra, por questões puramente regionais. Mas as contas estão indo parar na caixa postal de José Serra. O sucesso da prévia paulista deveria ser um alento para o PSDB e não mais um instrumento para a divisão do partido. A pancadaria na base aliada do governo, amplamente majoritária, mostra a falta que faz uma oposição de verdade.

Raymundo Costa é repórter especial de Política, em Brasília. Escreve às terças-feiras

E-mail raymundo.costa@valor.com.br

12/03/2012 - 09:40h Em SP, restrição de caminhões sob escrutínio

Eleitor de Kassab e Dilma prefere Chalita a Serra: restrição de caminhões é correta, só faltou planejamento


Por Vandson Lima e Raphael Di Cunto | VALOR

Em SP, uma medida sob escrutínio

Ganho eleitoral para o prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab (PSD), caso consiga reduzir o trânsito, a restrição ao tráfego de caminhões pesados em 25 importantes vias da cidade é vista por seus eleitores como uma medida correta, mas desprovida de planejamento.

O Valor abordou em um posto de abastecimento seis eleitores de Kassab que utilizam diariamente a Marginal Tietê, uma das vias mais congestionadas da capital, na qual a restrição foi iniciada no dia 5. A maioria afirmou que o congestionamento diminuiu em horários de pico, mas criticaram a maneira como foi implantada a proibição.

Para o prestador de serviços elétricos Ricardo Teles, Kassab agiu corretamente e os caminhoneiros devem se adaptar à restrição. “Passo pela Marginal várias vezes por dia para atender clientes. Sem dúvida o tráfego melhorou”. Teles considera a administração atual “a melhor em muitos anos”, diz que votaria em Kassab para governador em 2014, mas não votará em José Serra (PSDB) na sucessão municipal, mesmo sendo o candidato do prefeito. “O Serra usou a máquina da prefeitura para concorrer ao governo. Depois, usou o governo para se candidatar a presidente. Ele larga todos os cargos para tentar algo maior. Não confio nele”, alega. Para a eleição deste ano, diz que apostará no deputado federal Gabriel Chalita (PMDB). “Ninguém conhece o [Fernando] Haddad [pré-candidato do PT]. E olha que eu votei na Dilma [Rousseff] para presidente. Gosto desse lado técnico dela”.

Outro eleitor de Dilma e Kassab, Tiago da Cruz, de 27 anos, acha que “a melhora foi enorme” no horário de pico, mas ressalva: “Precisa planejar melhor. Depois das 22h, quando liberam os caminhões, fica um inferno, para cada três carros você encontra 20 caminhões na Marginal”, observa.

O consultor de equipamentos industriais Eduardo Costa acredita que o governo deve criar condições antes de impor a mudança. “Melhora para quem usa carro, mas acho que só deveria mudar depois que os Rodoaneis fossem entregues. Os caminhoneiros ficaram sem opção”, alega. Costa está entre os eleitores que não veem problema em Serra ter deixado a prefeitura, em 2006. “O que importa é o plano de trabalho. O Kassab assumiu o cargo e governou bem. Votaria no Serra de novo”.

O analista de redes Ricardo Alexandre Ribeiro, 36 anos, diz que faria o mesmo que Serra se estivesse em seu lugar. “Se eu recebo uma proposta para buscar um cargo melhor, aceito. Não condeno o Serra”, diz. A criação de faixas para a circulação de motocicletas é vista por Ribeiro como uma boa medida, mas ele concorda que a restrição de caminhões foi feita sem o devido cuidado. “Toda tentativa vale, mas poderiam distribuir melhor a circulação. Do jeito que está, os caminhoneiros saem ao mesmo tempo e congestiona também. Só muda o horário”, avalia.

Para a auxiliar de cobrança Elisama Talita, “poderiam achar um meio termo, liberar os caminhões um dia por semana”. Já para o paraibano Willian Santos, consultor jurídico, “se existe rodízio para carro, qual o problema de restringir caminhão? O Kassab está certo”. Eleitor do PSDB e de Kassab, ele ri quando perguntado sobre seu grau de confiança no ex-governador, que prometeu se eleito cumprir o mandato. “Ah, o Serra sempre dá para trás, né? Mas vou votar nele mesmo assim”.

A restrição, que já atingia vias como a avenida dos Bandeirantes, a Marginal Pinheiros e todo o centro expandido da cidade, foi estendida para a Marginal Tietê e outras desde o dia 5. Os caminhões são proibidos de circular nesses trechos entre as 5h às 9h e das 16h às 22h, de segunda à sexta, e das 10h às 14h aos sábados.

A expansão nas restrições para os caminhões causaram uma paralisação na entrega de combustível da capital e região metropolitana de São Paulo, como forma de pressionar o prefeito a revogar a restrição que, por enquanto, ainda não multa os motoristas infratores – penalidade que só acontecerá a partir do dia 31, depois do período de adaptação.

Segundo a Companhia de Engenharia de Tráfego (CET), a média diária de congestionamento na cidade e na Marginal Tietê foi reduzida nos horários de pico da manhã e, principalmente, à tarde. Na segunda-feira, primeiro dia da restrição, a Marginal Tietê registrava 1,43 km parado às 17h, contra a média de 8,5 km em março de 2011. Entretanto, no intervalo entre os dois picos, quando fica suspensa a restrição, o congestionamento mais do que dobrou em São Paulo. O trânsito, que teve média de 11 km às 10h em março de 2011 na Marginal Tietê, foi de 20 km no mesmo horário na sexta-feira.

O líder do PT na Câmara Municipal, Chico Macena, acredita que faltou planejamento. “A prefeitura represou os caminhões e todos entraram na cidade ao mesmo tempo, congestionando as ruas coletoras e principais. Nunca a cidade teve tanto trânsito às 10h”. O petista avalia que o trânsito voltará em no máximo um ano. “A frota de carros continuará a crescer e as empresas já estão se preparando para trocar um caminhão por três VUCs [Veículo Urbano de Carga], que tem permissão para circular nas vias restritas”.

O líder do PSDB, vereador Floriano Pesaro, reconhece que o efeito é de curto prazo. “Especialistas dizem que a medida é paliativa, mas é a soma dessas ações, como restrições no trânsito, obras de expansão das linhas de metrô e trem e, no futuro, o pedágio urbano, que vão amenizar o problema”. Para ele, a proibição é uma mudança de cultura. “Quase todas as capitais de Estados americanos e principais metrópoles do mundo restringem o tráfego de caminhões, que só podem circular à noite”, argumenta.

09/03/2012 - 15:15h A prioridade é o transporte público, diz Haddad

Haddad: “O Brasil está vivendo um momento de ouro, somos vitrine no mundo e São Paulo não figura como cidade inovadora do ponto de vista do poder público”


Por Cristiane Agostine e Maria Cristina Fernandes | VALOR

De São Paulo
A sete meses das eleições municipais e com 3% das intenções de voto na disputa pela Prefeitura de São Paulo, o pré-candidato do PT, Fernando Haddad, ainda não fechou acordo com nenhum partido, revela desconhecer os planos do PSB e reconhece que o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva faz falta nas negociações.

Mais à vontade quando a conversa migra para suas propostas de governo, diz que o melhor da gestão Gilberto Kassab são alguns de seus projetos de reurbanização de favelas feitos em parceria como PAC federal, que pretende expandir. E o pior, os transportes. Pretende dobrar os investimentos feitos nos últimos oito anos no setor com metas para corredores de ônibus e transferência de recursos para o metrô, desde que o governo estadual se comprometa a dar mais celeridade às obras de expansão da malha metroviária.

Na educação, o ex-ministro da Pasta defende ideias que o aproximam do PSDB e do pré-candidato do PMDB, Gabriel Chalita, como a meritocracia e a bonificação de professores de acordo com o desempenho dos alunos. Evita criticar a progressão continuada, outro ponto que sempre colocou em campos opostos PT e PSDB, e diz que terá metas para o ensino em tempo integral.

Na saúde, o petista se distancia do PSDB e da gestão Kassab, ao defender o modelo federal para hospitais e postos de saúde que construirá, em detrimento da gestão terceirizada a organizações sociais. A seguir, trechos da entrevista concedida ao Valor na tarde da quarta-feira na sede do diretório municipal do PT.

Valor: O senhor começa a campanha num patamar muito baixo de conhecimento e intenção de voto. O PT teve programas de TV cassados. Qual é sua a estratégia para alavancar a campanha?

Haddad: Tivemos percalços. Um deles foi a doença do [ex] presidente Lula, que ninguém esperava. Agora essa falta de tempo de televisão. Vamos ter que nos dedicar ao que estamos nos dedicando: conhecer os problemas da cidade, elaborar o plano de governo e, quando tivermos a chance, apresentá-lo à sociedade.

Valor: Não há uma estratégia delineada de como aumentar a sua exposição?

Haddad: Olha, a estratégia é a que todos vão adotar…

“Fizemos a parte mais difícil que foi o Bilhete Único, enquanto eles não investiram na expansão dos corredores”

Valor: Mas sua candidatura tem um perfil diferente, com taxa de conhecimento muito mais baixa.

Haddad: É muito mais baixa. Mas vou participar dos eventos para os quais eu for convidado. Tenho entrevistas e visitas agendadas, mas numa cidade de 11 milhões de habitantes, imaginar que há alternativas equivalentes à exposição de televisão…

Valor: Então o senhor não vai intensificar a campanha de rua?

Haddad: Não é uma campanha de rua. Não estou indo à periferia, aos bairros, às subprefeituras para encontrar pessoas que não me conhecem ainda. Pelo contrário. Estou me dedicando a falar com quem entende dos assuntos e vive os problemas da cidade para que o diagnóstico esteja o mais perto possível da realidade. São lideranças, gestores públicos, técnicos da prefeitura que me conhecem e que estão me subsidiando para a confecção de um plano de governo.

Valor: A presidente Dilma, que era pouco conhecida quando pré-candidata, teve mais exposição do que o senhor terá. Essa estratégia de apostar muito no horário eleitoral, que tem curta duração, não o prejudica?

Haddad: Temos um projeto para a cidade. Tenho certeza de que vamos apresentar a melhor plataforma. Isso pesa na decisão do voto. Confio nessa estratégia, não em qualquer outra.

Valor: Qual o perfil adequado para o seu vice?

Haddad: Estamos em etapa que antecede essa. Se não soubermos com quem estaremos no primeiro turno – e isso pode demorar semanas – não há como definir o perfil de antemão.

Valor: Como será a composição da coordenação da sua campanha? Marta Suplicy terá papel de destaque?

Haddad: Vamos discutir isso na semana que vem. Essas coisas às vezes se resolvem em maio, junho e estamos resolvendo em março. Não discuti com ela [Marta] os termos de sua participação. Ela vai definir e vou respeitar a decisão que tomar, qualquer que seja o alcance da participação, se será agora ou daqui a três meses.

Valor: O senhor contava com Lula na articulação das alianças e a defecção do PSD fez partidos com que o PT contava já não serem mais tão certos. Na ausência de Lula, como se dará a confecção da aliança?

Haddad: Estabelecemos uma relação de diálogo com esses partidos. Não estamos nos propondo a fazer as barganhas que estão sendo noticiadas. Não vamos proceder dessa maneira.

Valor: Mas a ida do senador Marcelo Crivella para o governo já não foi uma barganha?

Haddad: Absolutamente. Tanto é que não houve consequência nenhuma no cenário local. É uma composição antiga com o PRB, que remonta aos tempos do vice José Alencar.

Valor: O PR e o PDT querem mais ministérios e ao mesmo tempo têm negociado com o PT…

Haddad: O PR e o PDT estão em ministérios. O que às vezes incomoda é o partido não se sentir representado por um filiado, o que é natural. Mas estão na base do governo e representados no ministério. É uma aliança que remonta ao governo Lula, no primeiro mandato.

“Ninguém é contra a meritocracia, minha única recomendação foi de houvesse diálogo com os docentes”

Valor: O PT não corre o risco de ficar isolado?

Haddad: Na cidade o jogo duro com o PT sempre foi a regra, não exceção. A Marta, que concorreu três vezes, nunca teve moleza para compor aliança. A máquina do Estado sempre atuou no sentido de tentar nos isolar.

Valor: Marta teve o apoio do bloquinho e do PR, mas agora até o PCdoB ameaça com candidatura própria. Com quem o PT já conta?

Haddad: Não temos aliança fechada com nenhum desses partidos. Penso que as coisas não devem se desdobrar no curto prazo.

Valor: Com o PSB, o governador Eduardo Campos disse que o apoio não será fechado agora. O PT ainda tem algo a oferecer?

Haddad: Não foi pedido nada para mim. [O PT] vai atrair como Lula atraiu, como a presidente Dilma atraiu, como a Marta em uma eleição atraiu – na outra não conseguiu. Tem um tabuleiro montado no país, muitas variáveis em jogo. Mas a decisão cabe ao PSB.

Valor: Informalmente, Kassab atribuia a culpa de o PSD não ter fechado aliança ao fato de o PT ter demorado a aceitá-lo. Houve essa demora?

Haddad: Ele nunca procurou o PT formalmente. Nunca se sentou com o presidente nacional do partido, nem com o municipal. Sempre deixou claro que se Serra fosse o candidato ele o apoiaria. Fizemos oposição ao governo dele durante oito anos. Ele estava oferecendo apoio sem pedir nada em troca, num primeiro momento. Mas isso foi feito pelos jornais.

Valor: Mas era uma aliança bem vista por Lula e pela direção estadual do PT. O acordo teria evitado o apoio do PSD ao Serra?

Haddad: O [ex] presidente Lula, quando conversou comigo, estava muito animado com a possibilidade de termos na chapa, como vice, o ex-presidente do Banco Central Henrique Meirelles. Isso realmente sensibilizou o presidente Lula e foi nesses termos que ele tocou no assunto comigo, na única vez que conversamos sobre o tema, em decorrência da visita que o prefeito Kassab tinha feito a ele. Houve a ideia de que nosso projeto nacional estaria bem representado na cidade se tivéssemos dois representantes de seu governo com perfis complementares.

Valor: PT e PMDB têm acordo de apoio mútuo no segundo turno. O senhor acha que Chalita ajuda mais a sua candidatura saindo como candidato separado agora?

Haddad: Temer me explicou que [o PMDB] está sem representação na cidade, com pouca representação no Estado e que há necessidade de lançar um nome novo. A estratégia do PMDB de se recolocar no Estado me parece mais do que legítima. Temer me disse: nós estaremos juntos no segundo turno.

Valor: Além da oposição a Kassab o que o aproxima de Chalita?

Haddad: O país está vivendo um momento de ouro, somos vitrine no mundo. E São Paulo não figura como cidade inovadora do ponto de vista do poder público. Ao contrário do setor privado que mostra uma pujança incrível, uma vontade de investir, de progredir, o poder público local está muito intimidado. A perspectiva comum que nos anima é essa. A ideia de que podemos colaborar com a cidade.

Valor: No passado o PT teve grandes diferenças com Chalita na bonificação dos professores que teve a oposição do PT. Na gestão Kassab a meritocracia virou regra. Qual será sua posição?

Haddad: Ninguém é contra a meritocracia. Muito pelo contrário. Se tem uma coisa que não há como negar é que quem implementou no país plano de meta em qualidade de educação foi o governo Lula. Ninguém sonhava com isso antes de 2005, quando criamos a Prova Brasil e houve resistência do governo do Estado de São Paulo, que não aplicou a Prova Brasil naquele ano.

Valor: Houve grande resistência do PT também.

Haddad: Sofri resistência de todo mundo. Ninguém queria quebrar esse paradigma. Eu apliquei a primeira Prova Brasil, dei transparência aos dados. Criei o Índice de Desenvolvimento da Educação Básica, o Ideb. Quem inventou esse sistema de metas de qualidade fomos nós. Fixamos diretrizes e metas de qualidade pela primeira vez no Brasil. Todos os governadores e prefeitos aderiram. A única recomendação, no que diz respeito a docentes, é que se tentasse construir em comum acordo com a categoria as medidas de mérito.

Valor: Mas o Ideb ajuda as escolas que estão em uma situação ruim, enquanto a política de meritocracia de São Paulo premia quem vai bem…

Haddad: Criamos isso também. Nós criamos as duas coisas. Para aquelas escolas que cumpriam as metas, o recurso era destinado automaticamente e recebia um recurso adicional. As que não cumpriam metas não eram penalizadas, mas para receber recursos tinham que apresentar um plano de reforma pedagógica. Os Estados aderiram e copiaram o mecanismo, cada um à sua maneira.

Valor: Em relação à progressão continuada, o senhor pretende mantê-la? O PT mostrou-se contrário na eleição estadual de 2010, com Mercadante.

Haddad: O que falta nas políticas públicas, em geral, não é o conceito de progressão continuada. Faltam as aulas de recuperação. Não há preocupação com a recuperação das crianças com defasagem de aprendizado, o que só é possível com a ampliação da jornada para um segundo turno, com atividades diferentes do primeiro, incluindo aula de recuperação específicas. [O PT] é contra a aprovação automática. Eu já assinei resolução do Conselho Nacional de Educação sobre esse assunto, disciplinei esse assunto no país.

Valor: O senhor tem meta de escolas em dois turnos?

Haddad: Vamos fixar no plano de governo metas específicas. Hoje o município não tem nenhuma meta.

Valor: Qual sua avaliação sobre a política de internação compulsória em São Paulo?

Haddad: Internação compulsória sem autorização judicial é uma temeridade. Sou contra. Não vislumbro possibilidade de dispensar o Judiciário para uma discussão que tem a ver com liberdades individuais e que abre perspectivas de uma jornada muito autoritária em relação aos indivíduos. Na forma da lei, com laudos médicos, em casos onde há risco efetivo, com prazos, providência assistencial, é uma coisa que as sociedades civilizadas contemplam.

Valor: A internação compulsória tem apoio de 80% da população, segundo pesquisas. Como o senhor vai trabalhar isso?

Haddad: Penso que a pergunta não foi corretamente feita pela pesquisa. Quero crer que o cidadão não tenha sido devidamente esclarecido sobre os riscos de uma autoridade internar uma pessoa sem critério. Duvido que as pessoas, uma vez esclarecidas, deem apoio para medidas arbitrárias que podem levar a um regime de força e a um quadro de exceção no país.

Valor: A internação compulsória não tem apelo junto a um eleitorado de histórico conservador que o senhor precisa conquistar?

Haddad: Não posso abdicar das minhas convicções por conveniência eleitoral. Qual é o partido que não defende a segurança pública? Alguém contra a internação judicial quer a desordem? Daí não estamos falando de democracia.

Valor: O senhor concorda com a atuação da prefeitura na Cracolândia? Qual sua política para a região?

Haddad: A prefeitura não tem força policial. A ocupação do território ali era importante. A Polícia Militar tem que atuar onde há tráfico e envolvimento de crianças e mulheres grávidas com drogas, mas acompanhada de uma visão assistencial e de saúde pública, para evitar a disseminação de cracolândias pelos bairros, que é uma reclamação de moradores que não estavam sofrendo esse problema e agora estão. Houve um descompasso. Poderia ter sido diferente se houvesse a concorrência do setor da saúde e da assistência.

Valor: Em São Paulo as organizações sociais ganham terreno na administração da saúde. Qual será sua política em relação às OSs?

Haddad: Em primeiro lugar, nesse debate me manifestei contrário à privatização dos leitos do SUS que se tentou fazer no governo do Estado. Os leitos públicos têm que ser 100% SUS. Uma segunda questão é a gestão. Reconheço a excelência de trabalho de algumas OSs, mas tenho preocupação com o relatório do Tribunal de Contas do Município em relação a algumas delas, com irregularidades. As regras de prestação de contas, de controle social precisam ser organizadas. Caso contrário, vai se investir cada vez mais na saúde e não veremos o retorno na qualidade.

Valor: O senhor aprova esse sistema de gestão?

Haddad: Há OSs que têm modelo de excelência. Agora os hospitais que vamos construir eu não pretendo terceirizar. Vamos adotar o modelo federal.

Valor: E os postos de saúde como as AMAs?

Haddad: O que está pactuado nós vamos manter, a não ser no caso de irregularidade comprovada. Há casos em que incidiremos para corrigir distorções. As novas unidades vão seguir o modelo federal, de empresa pública.

Valor: O senhor disse que o que está pactuado será mantido. E os contratos com as empresas de ônibus, que são objeto de tantas reclamações de usuários, o senhor se dispõe a revê-los?

Haddad: Obrigatoriamente, porque o prazo para revisão é 2013. Não há como prorrogar. Não foi feito absolutamente nada no transporte em ônibus de oito anos para cá. Não tem investimento em terminais, em corredores, na operacionalização e racionalização do sistema. Se publicarmos o edital para a renovação das concessões esse edital vai ter que prever regras para repactuar o sistema. Fizemos a parte mais difícil da remodelagem do sistema, que foi o Bilhete Único. De lá para cá, o que era mais fácil – racionalizar, otimizar, expandir os corredores -, não foi feito. Por quê? Abandonaram o sistema multimodal. A velocidade média vai cair ainda mais se essa decisão não for revertida.

Valor: O senhor pretende mudar a política municipal em relação ao metrô? Kassab prometeu investir no metrô, entrou com parte dos recursos prometidos. A prefeitura tem capacidade financeira?

Haddad: Temos condição, sim, de ajudar o metrô. Temos que repactuar essa relação, auxiliar o metrô e exigir um pouquinho mais de ritmo. Com dois quilômetros por ano estamos na lanterna do mundo emergente. O aporte em troco do quê a mais para São Paulo? O aporte em troca do mesmo não me parece muito justo. Os custos estão aumentando e a quilometragem do metrô anda no mesmo passo, de dois quilômetros por ano.

Valor: Qual sua opinião sobre pedágio urbano?

Haddad: A restrição tem que se justificar pela oferta de transporte público e isso está fora de cogitação pelo simples fato de que a cidade não está fazendo o dever de casa. Se tivéssemos 250, 300 km de corredores de ônibus, 100 km de metrô, teríamos condições de até inibir não só com pedágio, mas com outras maneiras como o rodízio.

Valor: Quando fala em restrição, o senhor apoia a medida tomada por Kassab de proibir a circulação de caminhões na Marginal em determinados horários?

Haddad: Vamos pagar caro o fato de termos errado no abandono do modelo de sistema de transporte [em 2005]. Não se abre mão de um modal tão importante, tão capilarizado por um capricho partidário. Tem que reconhecer que foi tomada uma medida errada e é preciso acelerar o passo trazendo o PAC. Temos que investir dobrado depois desses oito anos para recuperar o tempo perdido.

Valor: O prefeito engordou o caixa e chegou neste ano com R$ 6 bilhões para investir. Se esse dinheiro estivesse nas suas mãos, como investiria?

Haddad: Teria ampliado os corredores, investido muito em transporte público, construído centros de educação infantil, creche e pré-escolas, para dar conta do déficit que é enorme. Teria construído hospitais, robustecido o sistema de saúde para responder mais prontamente à demanda por exames; provavelmente [investiria] em profissionais especialistas. Na questão ambiental, a coleta seletiva praticamente estagnou. Não houve investimentos. O mesmo aconteceu com as ciclovias. Temos que pensar a bicicleta como alternativa concreta, não apenas como lazer.

Valor: Qual seria o principal problema da gestão Kassab?

Haddad: É quase unânime que houve um erro estratégico no transporte público e mobilidade urbana. Temos que aproveitar as eleições para admitir esse erro e recuperar o tempo perdido. A parceria com o governo federal é essencial.

Valor: E qual é a melhor política pública da atual gestão?

Haddad: Gosto de parcerias que foram feitas com o governo federal na urbanização de favelas, mas foram muito poucas.

Valor: Como o senhor pretende levar essas propostas de mudança para uma população que resiste ao PT?

Haddad: Não sei se é vício de professor, mas acredito na tese do melhor argumento. Dou aula porque acredito que você pode transmitir conhecimento, quando se aprofunda nos debates em que se envolve. Acredito que vamos apresentar os melhores argumentos para vencer estas eleições. Não posso assegurar que serão suficientes, mas eu acredito que possam ser suficientes. A cidade está aberta, preparada para ouvir.

08/03/2012 - 09:53h Haddad escolhe Serra e Kassab como alvos

Pré-candidato petista à Prefeitura alfinetou tucano por ‘assumir compromissos e não honrá-los’ e criticou gestão do atual prefeito
08 de março de 2012

O Estado de S.Paulo

Distante do PSD e determinado a polarizar o debate com os tucanos, o pré-candidato do PT à Prefeitura de São Paulo, Fernando Haddad, criticou ontem o ex-governador José Serra e o prefeito Gilberto Kassab.

Ao assinar carta-compromisso com o desenvolvimento sustentável de São Paulo, Haddad alfinetou o pré-candidato do PSDB ao relembrar, mais uma vez, a renúncia de Serra em 2006 da Prefeitura. “É preciso que as pessoas, quando assinam um documento, o leiam com certa regularidade para não esquecerem o compromisso que assumiram. Aí a cidade vai avançar”, disse. Serra havia registrado em cartório, na ocasião, o compromisso de não deixar a Prefeitura para disputar outro cargo.

Segundo o petista, há dois tipos de políticos tradicionais: os que cumprem e os que não cumprem os compromissos assumidos ou fogem deles. “Penso que precisamos inaugurar uma nova fase na cidade de São Paulo e no Brasil, que é assumir compromissos e honrá-los”, cutucou.

O documento assinado ontem pelo petista faz parte do programa Cidades Sustentáveis, da Rede Nossa São Paulo. Além de Haddad, assinaram a carta-compromisso os pré-candidatos Gabriel Chalita (PMDB), Soninha (PPS) e Netinho de Paula (PCdoB), que se comprometeram em fazer um diagnóstico da situação da cidade em 90 dias após a posse e estabelecer um plano de metas contemplando 12 eixos do programa, que abrange temas como mobilidade, educação e planejamento urbano

“Haddad fez questão de fazer da assinatura um evento público”, destacou Oded Grajew, coordenador-geral da entidade. “Pode ter certeza de que isso aqui não é só um papel assinado”, garantiu Haddad, que pretende usar a plataforma da Rede Nossa São Paulo em seu futuro plano de governo.

Metas. Livre para criticar a gestão de Kassab depois que o PSD embarcou na candidatura de Serra, Haddad disse também que o plano de metas estabelecido pela Prefeitura ficou “aquém do razoável”. Grajew lembrou que Kassab não cumpriu uma de suas promessas de governo: o atendimento de 174 mil crianças fora de creches. “O Kassab prometeu zerar o déficit em creches”, disse Grajew.

Haddad aproveitou a ocasião para comentar o impacto da restrição da circulação de caminhões na Marginal do Tietê, apesar de enfatizar que não é contra a medida. Segundo ele, houve “falta de planejamento” na implementação da medida, o que provocou o desabastecimento de postos de combustíveis. O petista criticou Kassab por abandonar o modelo de transporte intermodal adotado na gestão de Marta Suplicy na capital.

O episódio, na avaliação do pré-candidato, foi marcado pela “falta de planejamento” e de diálogo dos agentes municipais com os motoristas. “Quando se comete um erro estratégico, você acaba tendo de fazer remendos. Quando você erra no planejamento, você acaba tendo que, açodadamente, se precipitar e nem sempre se estabelece o diálogo necessário para se construir uma saída.” / DAIENE CARDOSO, DA AGÊNCIA ESTADO

08/03/2012 - 09:37h González será, de novo, o marqueteiro de Serra

González: jornalista coleciona desafetos na cúpula nacional do PSDB


Por Raymundo Costa | VALOR

De Brasília

O jornalista Luiz González será o marqueteiro da campanha do pré-candidato do PSDB a prefeito de São Paulo, José Serra, cuja equipe para a eleição já está virtualmente montada. González foi o marqueteiro das campanhas vitoriosas de Serra em 2004, para a prefeitura de São Paulo, e 2006, para o governo estadual, mas a cúpula nacional do PSDB põe na sua conta boa parte da responsabilidade pelas derrotas do partido nas eleições presidenciais de 2006, com Geraldo Alckmin, e de 2010 com o próprio Serra.

Segundo apurou o Valor, Serra confia no jornalista e quer refazer a parceria. González tem outra campanha vitoriosa em São Paulo no currículo: a reeleição do prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab, em 2008 – o atual prefeito sucedeu Serra, em 2006, quando o tucano deixou a prefeitura para disputar o governo de São Paulo. As maiores dificuldades de González com o PSDB se deram com a direção nacional tucana, nas duas eleições presidenciais que comandou para o partido, as duas vencidas pelo PT.

A principal restrição dos dirigentes tucanos ao jornalista, nas duas eleições, era a seu comportamento considerado excessivamente centralizador. González era acusado pelos tucanos e aliados do DEM, no caso da eleição disputada por Serra contra Dilma Rousseff, de não admitir interferência no marketing da campanha e de não ouvir as opiniões da classe política. Mas em 2010 contribuiu para o conflito também o fato de setores do PSDB terem outras alternativas para a comunicação e publicidade da campanha.

À época, dirigentes do PSDB diziam que González era muito bom para comandar eleições em São Paulo, mas tinha dificuldades de elaborar um discurso nacional. O jornalista resistiu às pressões, assim como Serra, que preferiu mantê-lo mesmo quando se delineou a derrota para a candidata do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, num cenário de crescimento econômico e alta popularidade do petista.

Serra já sondou praticamente todos os profissionais com os quais espera contar na equipe de campanha, muito embora sua candidatura, formalmente, ainda dependa de vitória na prévia do PSDB, caso ela efetivamente seja realizada: a consulta foi esvaziada com a desistência dos pré-candidatos Bruno Covas e Andrea Matarazzo, após Serra anunciar que aceitaria ser o candidato do partido à sucessão do prefeito Gilberto Kassab.

O tucano dizia que não seria candidato a prefeito, mas efetivamente cedeu a apelos dos tucanos, especialmente do governador Geraldo Alckmin, que se julgavam sem alternativa competitiva para manter a Prefeitura de São Paulo, nas eleições de outubro. Na avaliação do PSDB, perder o cargo para o PT abre um flanco nas posições tucanas que pode levar à queda do governo do Estado nas eleições de 2014.

O PSDB governa São Paulo, o maior colégio eleitoral do país, desde a posse de Mário Covas, em janeiro de 1995 (nesse período, só não teve um tucano no Palácio dos Bandeirantes durante a breve passagem de Cláudio Lembo, vice que substituiu Alckmin entre março de 2006 e 1º de janeiro de 2007). Deve completar os 20 anos de poder estadual no fim do mandato do atual governador, Geraldo Alckmin.

Além de González, Serra também já convidou para comandar a equipe de campanha o secretário de Desenvolvimento Metropolitano do Estado de São Paulo, Edson Aparecido. Pré-candidato que desistiu depois da entrada de Serra na disputa, o deputado estadual Bruno Covas ficará encarregado pela área responsável pela juventude. Andrea Matarazzo também estará na equipe, assim como o secretário e deputado federal Walter Feldman.

A equipe que está sendo montada por Serra, segundo apurou o Valor, é quase uma reedição da que foi formada na campanha vitoriosa de 2004. Devem integrar o conselho político da campanha – ainda não está claro se formal ou informalmente – o senador Aloysio Nunes Ferreira e o ex-governador Alberto Goldman. O primeiro foi secretário de governo e o segundo vice quando Serra era governador.

07/03/2012 - 09:22h Kassab pede estudos antienchente de R$ 30 milhões


Valor vale apenas para pacote de análises de seis sub-bacias, mas não vai incluir execução de nenhuma obra

07 de março de 2012

FELIPE FRAZÃO, TIAGO DANTAS – O Estado de S.Paulo

A Prefeitura de São Paulo lançou ontem para consulta pública a minuta de contratação, por R$ 30 milhões, de um pacotão de estudos sobre drenagem urbana, que deve nortear obras até 2040. Já a realização das obras indicadas, ainda sem custo estimado, vai depender da vontade dos próximos prefeitos.

Seis sub-bacias de córregos e afluentes que deságuam nos Rios Tietê, Tamanduateí e Pinheiros serão analisadas. Os relatórios devem ficar prontos um ano após serem contratados.

Serão analisadas as sub-bacias dos Córregos Ipiranga, Cordeiro e Morro do S, na zona sul, Cabuçu de Baixo, na zona norte, Aricanduva, na zona leste, e Verde, na zona oeste. Os estudos devem dar conta de desvendar como as águas pluviais escoam nas regiões das sub-bacias, de acordo com a pancada de chuva que as atingir. Segundo o secretário de Desenvolvimento Urbano, Miguel Bucalem, essas informações poderão subsidiar novas leis de zoneamento.

As empresas que vencerem a licitação poderão assumir os estudos para identificar as intervenções necessárias em no máximo duas sub-bacias cada. Elas deverão entregar anteprojetos de obras que fiquem prontas em prazo curto (até 5 anos), médio (15 anos) e longo (30 anos). A ideia é que as mais complexas e maiores ofereçam à cidade proteção até mesmo contra chuvas fortes que, segundo especialistas, acontecem a cada 100 anos.

A partir da experiência nas seis primeiras sub-bacias, a Prefeitura deve aplicar o modelo de estudos às outras 72 sub-bacias da cidade.

Mais projetos. A contratação de projetos de combate a enchentes, programas de urbanismo e para as áreas de Saúde e Transportes é alvo de um inquérito civil aberto no fim de janeiro pelo Ministério Público. A Promotoria do Patrimônio Público e Social pediu à Prefeitura justificativas para a contração, nos últimos seis anos, de cerca de R$ 350 milhões em trabalhos prestados por empresas de consultoria.

O Ministério Público questionou a necessidade da realização das contratações “diante da existência de funcionários qualificados” dentro da administração.

O prefeito Gilberto Kassab (PSD) costuma defender a contratação de projetos para ajudar na tomada de decisões. Em um compromisso oficial no primeiro semestre do ano passado, disse que a Prefeitura precisa de uma “prateleira de projetos” para escolher o mais adequado.