20/07/2008 - 10:53h Antonio Candido, o mestre (III)
As lembranças, os marcos e as principais obras do professor
Um olhar sobre a carreira, das leituras da adolescência à redefinição da crítica literária no Brasil
O Estado de São Paulo
Frases
“Eu diria que depois da minha família e da USP, a terceira grande coisa na minha formação foram meus amigos do grupo de Clima. Nós temos plena consciência de nos termos formado uns aos outros.”
“Vendo as coisas de hoje, percebo que desde logo tive o pendor crítico, não apenas porque sempre gostei de ler os críticos, mas porque assumi instintivamente a atitude crítica. Dos 12 aos 14 anos eu fazia antologias próprias, em cadernos escolares: copiava trechos e depois compilava dados biográficos e apreciações sobre os autores.”
“Nunca tive um método de trabalho. Sou intermitente em matéria de escrita e flutuante em matéria de leitura. Há estações em que trabalho intensamente, outras em que fico na maior inércia. Acho que algumas das coisas que me ajudaram na vida intelectual foram justamente a flutuação, a dispersão, a leitura onívora.”
“Eu não desgostava das ciências sociais e a certa altura passei a gostar mais de antropologia que de sociologia, mas gostava muito mais de literatura. Mas a sociologia foi fundamental na minha formação, na medida em que condicionou a minha visão da sociedade e a minha reflexão política.”
Cronologia
1918
Antonio Candido de Mello e Souza nasce no Rio, mas passa a maior parte da infância em Santa Rita de Cássia, Minas Gerais
1928
Faz sua primeira viagem à Europa, onde permanece por dois anos
1939
Ingressa na Faculdade de Direito da USP. Cursa, ao mesmo tempo, Filosofia
1941
Lança, ao lado de Decio de Almeida Prado, Lourival Gomes Machado, Paulo Emilio Salles Gomes, Ruy Coelho e Gilda de Moraes Rocha, com quem se casaria, a revista Clima
1945
Publica críticas literárias nos jornais Folha da Manhã e Diário de São Paulo
1956
Circula o primeiro número do Suplemento Literário do Estado, caderno idealizado por Antonio Candido
1957
Torna-se professor de literatura brasileira em Assis, no interior de São Paulo, onde fica dois anos
1959
Publica Formação da Literatura Brasileira
1961
Inaugura a cadeira de Teoria Literária na Universidade de São Paulo
1980
Participa, ao lado de intelectuais como Sergio Buarque de Holanda, da fundação do Partido dos Trabalhadores
1998
Recebe, dias antes de completar 80 anos, o Prêmio Camões, o mais importante da língua portuguesa, concedido anualmente
pelo governo de Portugal
2003
Recebe o prêmio Professor Emérito - Troféu Guerreiro da Educação, entregue pelo Centro de Integração Empresa-Escola (Ciee) e o Estado a professores que se destacam no exercício
do magistério
Os livros
FORMAÇÃO DA LITERATURA BRASILEIRA: Estudo do Arcadismo e do Romantismo, considerados pelo autor decisivos para a formação do que denomina “sistema literário”, a articulação de autores, obras e públicos de maneira a estabelecer uma tradição.
PARCEIROS DO RIO BONITO: Reconstrução histórica da sociedade caipira, abrange desde as relações sociais básicas até os meios elementares de subsistência, com intuito de analisar como a expansão da economia capitalista descaracteriza a vida rústica tradicional.
LITERATURA E SOCIEDADE: Aqui, o autor defende que a obra literária deve sempre ser estudada como objeto estético e analisa como as possíveis relações entre a literatura e a sociedade em que se insere podem interferir na definição do papel do crítico literário.
INICIAÇÃO À LITERATURA BRASILEIRA: Repassando desde o século 16 a produção brasileira, o autor mostra como a literatura foi-se formando como atividade regular e instituição de cultura, dada a articulação progressiva de elementos que a tornaram atividade configurada.
TESE E ANTÍTESE: No livro, são analisadas as “personalidades divididas” e contraditórias na obra de romancistas que pertencem a diferentes literaturas, como o francês Alexandre Dumas, o polonês Joseph Conrad e os brasileiros Graciliano Ramos e Guimarães Rosa.
Entre coletâneas e edições originais, a maior parte da obra do professor Antonio Candido continua em catálogo. Abaixo, uma lista de títulos, publicados pela editora Ouro Sobre Azul, com apenas algumas exceções:
Um Funcionário da Monarquia
O Método Crítico de S. Romero
O Observador Literário
Teresina Etc.
O Albatroz e o Chinês
Brigada Ligeira
O Discurso e a Cidade
A Educação pela Noite
Ficção e Confissão
Na Sala de Aula (Ática)
Florestan Fernandes (Fundação Perseu Abramo)
A Personagem de Ficção (Editora Perspectiva)
Recortes
Vários Escritos
O Estudo Analítico do Poema (Editora Humanitas)



Há dois anos e meio, altos integrantes do Banco Mundial abordaram o prêmio Nobel Michael Spence para pedir-lhe que encabeçasse uma comissão de notáveis sobre a questão do crescimento econômico. A dúvida em questão não poderia ser mais importante. O Consenso de Washington - a infame lista que apontava a autoridades monetárias de países em desenvolvimento o que fazer e o que não fazer - havia se dilapidado em grande parte. Então, o que o substituiria?







Philip Roth
Ernesto Sabato é o autor de “Sobre Heróis e Tumbas”, uma das três maiores obras da literatura latino-americana de todos os tempos (as outras duas são, obviamente, “Cem Anos de Solidão”, de Gabriel Garcia Marquez e “Grande Sertão: Veredas”, de Guimarães Rosa), mesmo considerando que seu primeiro romance, “O Túnel”, também reeditado pela Companhia das Letras, já era um clássico. Junto com “O Túnel”, a editora publicou quase ao mesmo tempo o livro de memórias de Sabato, “Antes do Fim”, o amargo e poético testemunho deste velho senhor nascido em 1911, agora quase cego e que tem se dedicado à pintura por conta dos seus problemas de visão, pois uma tela exige menos dos seus olhos. Ainda assim, continua com uma lucidez impressionante e uma mentalidade afiada e instigante. (demorou um pouco para reeditar também seu terceiro romance, “Abadon, O Exterminador”, mas aconteceu)
Para Sabato, a arte não pode ser prostituída: “Se recebemos dinheiro por nossa obra, tudo bem. Mas escrever para ganhar dinheiro é uma abominação. Essa abominação se paga com o abominável produto que assim se engendra”. Então, como viver? “De qualquer modo, desde que a criação não seja manuseada, abastardada, barateada: montando uma oficina mecânica, trabalhando de empregado em um banco, vendendo quinquilharias na rua, assaltando um banco”.




