23/03/2009 - 20:32h Será possível perdoá-lo?

Declarações de Bento XVI sobre a ineficácia do preservativo chocam os ativistas antiaids em Angola

 

José Eduardo Agualusa* - O Estado de S.Paulo

 


- Como o papa Bento XVI fez questão de recordar, mal desembarcou em Luanda, na manhã de sexta-feira, 20 de março, Angola começou a ser cristianizada vai para 500 anos. O país alberga, pois, uma das mais antigas comunidades católicas da África ao sul do Sahara.

Após começo problemático, o papa chamou a atenção para a pobreza no país

Ao longo destes cinco séculos a presença da Igreja Católica em Angola teve bons e maus momentos. A Igreja apoiou a escravatura e o tráfico negreiro, e acendeu as fogueiras da Inquisição. O caso mais notável terá sido o de d. Beatriz Kimpa Vita, a qual depois de visitada em sonhos por Santo Antônio, criou seu próprio culto. Foi queimada em 1706. O escritor angolano Henrique Abranches publicou um interessante romance sobre a vida e a morte de d. Beatriz: Misericórdia para o Reino do Congo (D. Quixote, Lisboa). A queima de feiticeiras transformou-se numa tradição que, desgraçadamente, continua a ser praticada nos nossos dias. Um dos episódios mais brutais, mais estranhos, mais difíceis de explicar, da longa guerra civil que Angola viveu, foi o da queima, numa cerimônia pública, de um grupo de mulheres, e uma criança, acusadas de feitiçaria, cerimônia esta promovida e presidida pelo falecido dirigente das forças de guerrilha, Jonas Savimbi. Mais uma vez a literatura guardou testemunho do episódio num romance assinado por José Sousa Jamba, ele próprio um antigo guerrilheiro da Unita: Patriotas (Publicações Cotovia, Lisboa).

Já no século 20 a Igreja Católica distinguiu-se positivamente no apoio ao ensino e às populações mais carentes. Não por acaso a única estátua de uma personalidade portuguesa que não foi apeada nem vandalizada em Luanda, após a independência, é a que representa monsenhor Alves da Cunha, fundador do primeiro estabelecimento de ensino médio na capital angolana e inimigo acérrimo de todas as formas de escravatura que no início do século passado ainda sobreviviam no território.

Não surpreende que entre os fundadores do moderno movimento nacionalista angolano estivessem homens da Igreja. O primeiro levantamento armado contra o regime colonial, a 4 de Fevereiro de 1961 – operação quixotesca destinada a libertar um grupo de nacionalistas detidos em Luanda -, foi pensado e preparado por um angolano de pele clara, o cônego Manuel das Neves, personagem que o MPLA, partido no poder em Angola, ignorou durante todos os anos em que defendeu posições marxistas. Joaquim Pinto de Andrade, primeiro presidente do MPLA – preso após a independência por se opor à liderança de Agostinho Neto – também vestiu batina.

Durante os anos da guerra muitos intelectuais ligados a correntes pacifistas, e a grupos da oposição não belicista, acusaram a Igreja Católica, e os seus principais responsáveis em Angola, de não terem querido ou sabido utilizar todo seu poder – que era então imenso – para aproximar as partes desavindas. É difícil não concordar com eles. A Igreja Católica pecou por omissão, por covardia, não obstante a coragem com que muitos padres e freiras se esforçaram por socorrer as vítimas.

Nos últimos anos a Igreja Católica vem perdendo crentes para uma constelação de cultos evangélicos, alguns deles de matriz brasileira. Esta deserção em massa aflige a hierarquia da Igreja e explica, ao menos em parte, o fato de Angola ter sido um dos dois países africanos escolhidos por Bento XVI para sua primeira visita ao continente. Infelizmente, a visita não começou bem. As declarações do papa sobre a utilização da camisinha – segundo o Sumo Pontífice, não só não previne como contribui para a propagação da pandemia!- chocaram os responsáveis pelas campanhas de combate ao vírus da aids.

A prolongada guerra civil, ao dificultar a entrada de pessoas infectadas com o vírus da aids provenientes dos países vizinhos, explica o número relativamente baixo de angolanos atingidos pela doença. Sete anos após a morte de Jonas Savimbi e do final da guerra civil, porém, esse número vem crescendo de forma alarmante, em particular nas povoações de fronteira. Convém recordar que em países como Botsuana, ao sul de Angola, mais de metade da população está infectada. À luz desses números, as declarações de Bento XVI parecem ainda mais insensatas, senão mesmo criminosas. Acrescente-se que na maioria dos países africanos, incluindo Angola, existe uma grande resistência à utilização da camisinha. Nos meios rurais persiste a convicção de que a mulher tem o dever de partilhar o destino do seu marido – morrendo com ele.

Para os mais otimistas, as infelizes declarações do papa Bento XVI sobre a utilização da camisinha serviram ao menos para chamar a atenção do mundo no que diz respeito ao imenso drama que a África vive. Merece realce, por outro lado, o discurso de bento XVI no palácio presidencial, após uma audiência privada com José Eduardo dos Santos. O Sumo Pontífice atacou a corrupção e a extrema desigualdade social: “Não nos podemos esquecer que há tantos pobres em Angola que reclamam o respeito pelos seus direitos. Não nos podemos esquecer dos que vivem abaixo do limiar da pobreza. Não os desiludam. Angola deve partilhar as suas riquezas materiais e espirituais em benefício de todos”. Recorde-se que dois terços dos angolanos vivem com menos de US$ 2 por dia, num país com apenas 16 milhões de habitantes, e que é o maior produtor de petróleo da África negra, e o terceiro maior produtor de diamantes do mundo. Diante do papa, manifestando certo desconforto, perfilavam-se algumas das maiores fortunas do país.

*Escritor angolano autor de sete romances, entre os quais O Vendedor de Passados, Manual Prático de Levitação (Gryphus) e As Mulheres do meu Pai (Língua Geral)

19/03/2009 - 15:12h Integrismo

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 O Globo

18/03/2009 - 18:15h Comentários do papa sobre camisinha são ‘ameaça’, diz França

Na África, Bento 16 disse que uso de preservativos pode prejudicar no combate à Aids.

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“A camisinha é a vida” cartaz na frente da igreja do Sacré-Cœur em Paris – França

BBC Brasil

– A França condenou nesta quarta-feira as declarações do papa Bento 16 rejeitando o uso de preservativos na luta contra a Aids, qualificando-as como “uma ameaça”.

“Enquanto não cabe a nós julgar a doutrina da Igreja, consideramos que tais comentários são uma ameaça às políticas de saúde pública e a obrigação de proteger a vida humana”, disse o porta-voz do ministro das Relações Exteriores francês, Eric Chevalier.

O papa Bento 16 disse na terça-feira, em visita a Camarões, que o uso de preservativos pode agravar o problema da Aids.

Ele chamou a doença de “uma tragédia que não pode ser combatida apenas com dinheiro ou a distribuição de preservativos, os quais podem, inclusive, aumentar o problema.”

Leia mais na BBC Brasil: Papa rejeita preservativos como solução para a Aids na África

A solução, segundo Bento 16, se encontra “em um despertar espiritual e humano” e “amizade com os que sofrem”.

O pontífice defende a fidelidade e a abstinência como formas de combater a doença.

No entanto, as declarações causaram espanto em alguns ativistas que dizem que o uso de preservativos é um dos únicos métodos comprovadamente eficazes de combate à doença.

“A oposição dele aos preservativos indica que dogmas religiosos são mais importantes para ele do que as vidas dos africanos”, afirma Rebecca Hodes, da ONG sul-africana de combate à Aids Treatment Action Campaign.

Se calcula que cerca de 22 milhões de pessoas são infectadas com o vírus do HIV na África ao sul do Deserto do Saara, segundo dados da ONU de 2007.

O total representa dois terços de todos os infectados do mundo.

04/02/2009 - 15:38h Governo vai distribuir gel para uso íntimo

Ver imagem em tamanho grandehttp://g1.globo.com/Noticias/Ciencia/foto/0,,11352542-EX,00.jpg

Governo gasta R$ 1,1 mi em gel para reduzir risco de contaminação da Aids por sexo anal

O Globo

RIO – O Ministério da Saúde adiquiriu no final do ano passado 15 milhões de sachês de gel lubrificante. O produto é indicado para ser usado nas relações anais por grupos mais vulneráveis à infecções de HIV, como homossexuais, travestis e profissionais do sexo. O lote foi comprado por R$ 1,160 milhão, segundo revela matéria de Evandro Éboli publicada na edição desta quarta-feira do jornal O Globo.

O gel começou a ser comprado pelo Programa Nacional de Aids em caráter experimental em 2001. No final do ano, passado o ministério decidiu ampliar a distribuição do produto, que torna mais seguro o uso da camisinha na relação anal e evita o rompimento do preservativo. Caso a camisinha fure, o gel ajuda a evitar contaminação.

O gel é distribuído nos postos de saúde também para mulheres que estão na menopausa, geralmente com idade superior a 45 anos. Nessa fase, elas perdem a lubrificação natural da vagina. O sachê é distribuído junto com preservativos masculinos e femininos. Segundo Brito, a demanda nacional é de 30 milhões de unidades, o dobro do lote que está sendo comprado neste momento.

- O gel lubrificante atua como um coajuvante facilitador da proteção nas relações anais. A aceitação foi muito positiva e a vantagem é que, ao longo dos anos, o preço da unidade caiu muito – conta Ivo Brito.

Leia a reportagem completa no Globo Digital (somente para assinantes)

13/01/2009 - 19:01h Confiança no parceiro é principal motivo para dispensar camisinha

Estudo mostra que razão é citada mesmo por quem tem parceiros eventuais

FLÁVIA MANTOVANI – FOLHA SP

DA REPORTAGEM LOCAL
A confiança no parceiro é a principal razão para deixar de usar camisinha mesmo quando se trata de sexo casual, revela estudo inédito da Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo.

Foram ouvidas 79.075 pessoas que procuraram os Centros de Aconselhamento e Testagem para fazer o exame de HIV entre 2000 e 2007 e afirmaram não ter usado preservativo. Do total, 43,68% apontaram essa razão para deixar a camisinha de lado. Nesse grupo, 23,5% disseram ter tido relações com parceiros eventuais.

“Ainda é muito difícil conscientizar sobre o uso da camisinha. Há pessoas que deixam de usá-la porque confiam no parceiro, mas depois buscam um teste de HIV, o que mostra que podem ter refletido melhor”, diz Maria Clara Gianna, diretora do Centro de Referência e Treinamento DST/Aids.

Ela diz que o que preocupa não é o fato de ter parceiros eventuais, mas de confiar neles a ponto de dispensar a prevenção. “Tanto em caso de parceria fixa quanto eventual, a confiança deve ser bastante avaliada.”

Se um casal estável decidir parar de usar o preservativo, o melhor é que faça o teste de HIV. “Fazer o exame é importante, mas não é suficiente, já que ele pode cair no período da janela imunológica”, pondera Gianna. Trata-se do intervalo entre a infecção pelo vírus e a detecção de anticorpos pelos exames. Esse tempo, no qual pode haver resultado falso-negativo, é de duas a oito semanas, mas pode se prolongar.

Para aumentar a segurança, a psicóloga Maria Cristina Antunes, pesquisadora do Nepaids (Núcleo de Estudo para a Prevenção da Aids), da USP (Universidade de São Paulo), recomenda refazer o exame três meses depois, mas diz que não se pode dispensar a chance de infidelidade. “De acordo com estudos, cerca de 45% da população brasileira já foi infiel. A camisinha é a melhor proteção”, afirma.

Não gostar da camisinha foi a segunda razão mais citada para deixá-la de lado. Uma dica para reduzir o desconforto é passar lubrificante por dentro e por fora do acessório, diz Antunes.

Falta de informação é o terceiro item no ranking de “desculpas”. “Mesmo com todas as campanhas existentes, ainda há esse problema. Precisamos continuar falando sempre a respeito”, diz Gianna.

12/01/2009 - 09:17h Programa de aids começa a estagnar

Na opinião de especialistas, epidemia tem novas características que exigem mudança, principalmente na prevenção

Lígia Formenti, BRASÍLIA – O Estado SP

Após sucessivos elogios recebidos no cenário internacional, o Programa Nacional de DST-Aids começa a dar sinais de estagnação. Indicadores importantes, como número de casos novos e taxa de mortalidade, praticamente não mudaram nos últimos cinco anos. Os índices de transmissão da mãe para o bebê durante a gravidez caíram, mas não como era esperado pelo próprio governo.

Além disso, com o aumento de casos no Norte e Nordeste entre homossexuais jovens e pessoas com mais de 50 anos, a epidemia adquiriu novas características, o que exige mudança na forma de atuação, principalmente na área de prevenção.

“O quadro é bastante preocupante, mas o que vemos é apenas comemoração”, afirma Mário Scheffer, da organização não-governamental Pela Vidda. Todos os dias , 97 pessoas se contaminam com o HIV, vírus da aids, e outras 30 morrem por causa da doença. “É como se um ônibus caísse do despenhadeiro diariamente e ninguém se importasse.”

Para Scheffer, os números estampam a necessidade de o programa fazer uma autocrítica, perceber o que não está dando certo e, nessas áreas, mudar a estratégia. “Mas o que vemos é o oposto. Há uma percepção coletiva de que tudo está maravilhoso, que temos o maior programa do mundo. Estamos vivendo de sofismas, não da realidade.”

O pesquisador da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP) Alexandre Grangeiro diz que os dados divulgados no último boletim, em novembro, estampam uma lista de desafios que precisam ser enfrentados. Grangeiro, que já foi coordenador do programa nacional, observa que o País hoje apresenta não uma, mas várias epidemias de aids. Nas Regiões Sudeste, Sul e na faixa litorânea, há uma epidemia mais antiga e estabilizada, com queda do número de soropositivos usuários de drogas e um aumento dos casos entre gays jovens. No Norte e Nordeste, existe uma epidemia bem mais recente, formada principalmente por transmissão heterossexual. “Isso exige a adoção de estratégias diferenciadas na prevenção e na melhoria da qualidade do atendimento.”

O que preocupa nos Estados do Norte é a combinação de alguns fatores – menor tendência ao uso de preservativos, iniciação sexual precoce, menos interesse pelo teste para detectar o HIV. Todas características que dificultam a prevenção e o acesso mais rápido ao tratamento. Talvez por isso a Região Norte apresente uma tendência de aumento nos índices de mortalidade. “Com a interiorização da aids, o País enfrenta outro problema, que é a desigualdade na qualidade dos serviços, a dificuldade no acesso ao tratamento. Isso precisa ser solucionado”, avalia a coordenadora da Associação Brasileira Interdisciplinar de Aids (Abia), Cristina Pimenta.

Grangeiro aponta ainda outros dois pontos que precisam ser melhorados: quantidade de pessoas testadas para o HIV e o acesso a tratamento para gestantes contaminadas. “Muito se fala que a aids somente será controlada com a vacina. No caso das gestantes, o tratamento existente é uma forma de vacina, algo que previne a infecção do feto em quase 98% dos casos. Mesmo assim, o País continua registrando, todos os anos, uma triste marca de contaminações em bebês.”

O pesquisador da USP acredita que os maiores desafios estão em áreas que dependem de ações governamentais gerais. “Sem infraestrutura adequada nos serviços, não há como garantir diagnóstico precoce. Sem pré-natal de qualidade, não há como se certificar de que a gestante não é portadora do vírus, não há como ofertar tratamento adequado antiaids para o bebê. A qualidade das ações acaba esbarrando nos problemas gerais.”

PREVENÇÃO

A estimativa é de que 46% dos pacientes cheguem aos serviços em estágio adiantado da doença. Com isso, o efeito dos remédios antiaids será limitado. “Há muito o que melhorar nesta área”, diz Grangeiro. O infectologista Caio Rosenthal tem avaliação semelhante. “O programa melhorou muito, há avanços inegáveis. Mas em alguns pontos é possível avançar mais, como no diagnóstico precoce.” O infectologista Celso Ramos concorda: “É preciso mudar a cultura, tornar o teste mais disponível em toda a rede. “

16/09/2008 - 17:03h Comportamento de alto risco


Pesquisa revela que Brasil têm alta taxa de doenças sexualmente transmissíveis

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Evandro Éboli – O Globo

Pesquisa realizada pelo Ministério da Saúde em seis capitais brasileiras revela que 42% das 3.303 gestantes examinadas, entre 2004 a 2007, eram portadoras de pelo menos uma doença sexualmente transmissível (DST). A contaminação por HPV, um tipo de lesão genital, foi a que teve maior registro. Segundo o Ministério da Saúde, esta doença não causa riscos para o bebê se a mulher não apresentar verrugas e lesão. Mas, do total de grávidas examinadas, 13,5% adquiriram doenças mais graves como gonorréia, clamídia e sífilis, que podem provocar morte do feto, má-formação óssea, cegueira e levar ao parto prematuro. Esses dados são os que mais preocupam autoridades do Programa Nacional de Doenças Sexualmente Transmissíveis e Aids do governo.

— São dados que chamam a atenção porque são doenças que causam mais danos ao binômio mãe-bebê. São problemas que têm diagnóstico, tratamento e cura, mesmo adquiridos na gravidez — disse o coordenador da unidade de DST do Programa DST-Aids do Ministério da Saúde, Valdir Pinto.
Segundo o coordenador, são doenças cujo tratamento está disponível na rede pública de saúde e os medicamentos usados são de custo muito baixo, com preços que variam de R$ 0,39 a R$ 5.
Pinto destaca ainda que quase metade das grávidas pesquisadas (49,2%) nunca usa preservativo com parceiro fixo. Para o coordenador, a camisinha deve ser usada sempre, independentemente de se ter parceiro fixo ou eventual.

— Não se pode garantir que o parceiro fixo não transmite doença. É um tema delicado para ser abordado, mas o governo não pode impor. Os homens e mulheres é que devem decidir se vão adotar métodos seguros. É o livre-arbítrio.
A pesquisa também ouviu 2.814 homens trabalhadores de pequenas indústrias, grupo que apresentou o menor índice de ocorrência de doenças sexualmente transmissíveis: apenas 5,2%. Quase a totalidade desses entrevistados (95,5%) respondeu que faz sexo apenas com mulheres. Apenas 1,5% afirmou ter relações homossexuais.

Mulheres se protegem mais que os homens

O terceiro grupo abordado na pesquisa foi o de homens e mulheres atendidos em serviços de saúde especializados em DSTs. Dos 3.210 pesquisados, 51% apresentaram algum tipo de infecção. A mais comum foi o HPV, doença diagnosticada em 32,6%. O HPV é uma lesão conhecida como crista de galo e aparece em forma de uma verruga no colo do útero, e também no pênis e no ânus. A sua transmissão pode ocorrer também por sexo oral ou por contaminação por meio de toalha, roupa íntima, vaso sanitário ou banheira, por exemplo.
Em relação ao comportamento sexual dos brasileiros, as mulheres aparecem como mais cuidadosas: 47,3% delas responderam usar sempre camisinha com parceiros eventuais; 35% dos homens afirmaram usar preservativo.
Esse estudo é considerado o de maior porte realizado pelo governo federal nessa área da saúde. A pesquisa conclui ainda que a chance de desenvolver as doenças sexuais é maior em pessoas com menos de 20 anos.
Os jovens e adolescentes formam o grupo que menos se relaciona com parceiros fixos, uma das razões de estarem vulneráveis às DSTs. Outros fatores que contribuem para o aumento do risco são o não uso do preservativo, coito anal e as drogas injetáveis.
A pesquisa foi realizada em Manaus, Fortaleza, Goiânia, no Rio de Janeiro, São Paulo e Porto Alegre. Valdir afirmou que as regiões escolhidas apresentam características socioeconômicas e demográficas diferentes.

— Mas os resultados demonstraram que não há diferença de percentuais das doenças.
O índice de grávidas infectadas por essa doença sexual em regiões como Norte e Nordeste é igual ao do Sudeste — disse o coordenador do programa.

18/08/2008 - 19:44h São Paulo deixa recurso federal para farmácia popular guardado no banco

Recebi do vereador Paulo Fiorilo a seguinte nota em relação as Farmácias Populares na Prefeitura de São Paulo (ver também SAMU e Farmácia Popular: governo federal entra com a verba e a prefeitura de Kassab com o “trololó”)

NOTA

A imagem “http://www.ebal.ba.gov.br/novagestao/images/logo_farmacia_popular.gif” contém erros e não pode ser exibida.“Em matéria publicada nesta segunda-feira, 18 de agosto, o jornal O Estado de São Paulo afirma que prefeituras de partidos aliados do governo federal são privilegiadas no repasse de verba para o programa Farmácia Popular, ao contrário de municípios administrados pelo DEM e PSDB. Mas o acompanhamento da execução orçamentária da Prefeitura de São Paulo em relação a operação e manutenção de farmácias populares traz dados que indicam um péssimo aproveitamento dos recursos recebidos.

Entre 2005 e 2008, a gestão demo-tucana orçou em R$ 15 milhões os gastos com as farmácias populares. No entanto, até o dia 30 de junho, apenas R$ 2,7 milhões foram liquidados e quase R$ 6 milhões recebidos de repasses foram direcionados para aplicações financeiras, deixando de ser aplicados no programa. “É uma vergonha dizer que o governo federal não repassa o dinheiro, enquanto os recursos que chegaram ficam guardados no banco e a população tem dificuldade para adquirir os remédios”, afirma Paulo Fiorilo.

Com o subsídio, a farmácia popular disponibiliza para a população 96 medicamentos a preços bem abaixo dos de mercado e preservativos são distribuídos de graça.”

Paulo Fiorilo, Vereador do PT

24/06/2008 - 09:36h Brasil, o campeão do sexo

Estudo em 26 países mostra que brasileiros são os mais felizes com sua vida sexual

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Roberta Jansen – O Globo

Os brasileiros têm a melhor vida sexual do planeta. Pelo menos é o que eles declaram.
Essa é a principal conclusão de um estudo divulgado ontem por uma empresa fabricante de preservativos, cujo objetivo era avaliar os hábitos sexuais em diferentes partes do planeta. De acordo com o estudo, 80% dos brasileiros afirmaram ter uma vida sexual “feliz e satisfatória”. Na edição do ano passado da mesma pesquisa, o Brasil ficou em segundo lugar no ranking dos países que mais fazem sexo. Ou dizem que fazem.

— Os brasileiros se sentem mais confiantes em relação à sua sexualidade, até por conta de uma abertura maior que existe no país — afirmou um dos coordenadores da pesquisa, Miguel Fontes, da Universidade Johns Hopkins, nos EUA, um especialista em saúde pública.

No México, a iniciação sexual começa mais cedo A pesquisa foi baseada em 26 mil entrevistas feitas em 26 países nos cinco continentes. O estudo traz informações sobre a consciência e a confiança das pessoas em relação ao sexo. No quesito vida sexual feliz e satisfatória, os mexicanos ficaram em segundo lugar (78,4%), seguidos dos nigerianos (78,2), dos espanhóis (76,1%) e dos sul-africanos (75,8%). Os japoneses figuram em último lugar: pouco mais da metade da população (54,3%) acredita ter uma boa vida sexual.

Para Fontes, os resultados não reproduzem estereótipos sobre latinos, africanos e japoneses, mas espelham as diferentes realidades culturais.

— Acompanhamos esses estudos há dez anos e sempre vemos, não só no Japão, mas também em outros países asiáticos, que a iniciação sexual é mais tardia — afirmou o pesquisador. — Em média, a primeira experiência sexual acontece depois dos 20 anos e em meio a situações culturais ainda muito rígidas. Já nos países americanos, como Brasil, México, Canadá e Estados Unidos, a situação é bem diferente. Há uma abertura muito maior para se tratar do assunto.

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Segundo a pesquisa, sentir-se confiante em relação ao sexo está diretamente relacionado à educação sexual. Nos países que apresentam orientação sexual desde cedo, a população tende a ter menos estigmas e ansiedade em relação ao tema. O país em que a formação dos jovens acontece mais cedo é o México (12 anos), seguido de Japão (12,3 anos) e Áustria (12,4 anos). O Brasil ficou em 14 olugar, com os jovens recebendo as suas primeiras instruções aos 13 anos. De acordo com o estudo, a idade ideal para se iniciar a educação sexual seria de dez anos.

— O Japão é uma exceção — admite Fontes. — A educação formal no país começa bem cedo, mas o grau de confiança é muito baixo.

Governo é considerado uma importante fonte de orientação O Brasil também aparece em primeiro lugar (80%) como o país em que a população tem maior confiança na busca de informações sobre sexo, seguido por Áustria (78,1%) e México (77,5%). O Japão ficou na última colocação.

Em relação à principal fonte de educação sexual, o brasileiro segue a tendência mundial tendo os amigos como principal referência (75%), seguidos por revistas (71,4%) e livros (51,9%). Mas no ranking relativo à confiança em como evitar DSTs, os brasileiros apareceram na quinta colocação, e na relação sobre como evitar a gravidez, em quarto.

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— Apesar de não ser ideal, o uso do preservativo vem aumentando no Brasil — afirmou Fontes.

O estudo apresenta um dado surpreendente em relação ao Brasil, que não surge em outros países: o governo é citado como uma importante fonte de orientação sexual na prevenção de DST.

— É uma prova de que o programa nacional de prevenção a doenças sexualmente transmissíveis é reconhecido — disse Fontes.

30/05/2008 - 11:28h A resposta, por Janio de Freitas

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JANIO DE FREITAS – FOLHA SP

STF consagra uma concepção de liberdade que ataca aos poucos os conservadorismos que fizeram a história do país

ÀS 16H40 encerrou-se ontem o percurso de três anos de esperanças e temores, reações e grupos de pressão em torno do destino a ser dado, pelo Supremo Tribunal Federal, à ação contra a lei de liberdade de uso das células-tronco para pesquisa e, com seu esperável êxito, tratamento médico de males hoje insanáveis. Ainda antes de concluídos os votos individuais dos 11 ministros, o Supremo consagrou uma concepção de liberdade que não se restringe ao direito de pesquisa, mas que vai aos poucos perfurando a armadura de conservadorismos, preconceitos e dominações que fez a história do Brasil.

Alguns ministros registraram, com clareza, a fenda larga que se abre, com o reconhecimento da liberdade de pesquisas com células-tronco, para que o futuro retome ou abra, sem grande tardança, o debate e a decisão sobre questões próprias dos avanços no mundo contemporâneo, como o direito à interrupção da gravidez indesejada e o direito a preferir a morte ao sofrimento final sem alívio.

É lugar-comum o reconhecimento da lentidão com que a humanidade segue no seu caminho sinuoso e acidentado. No Brasil que figurou entre os mais retardatários do Ocidente, por força de circunstâncias externas mas sobretudo das internas, o julgamento de agora significou a contraposição enfim decisória, porque nos termos e instância adequados, que há anos ocorre só por sua própria conta. Por exemplo, entre defensores em geral e adversários religiosos da difusão ampla de preservativos contra a Aids. Como se deu antes com a licença de produção das pílulas anticoncepcionais.

As sessões de julgamento proporcionaram exposições de erudição para todos os gostos e todas as necessidades, com um curso completo de embriologia, reflexões epistemológicas sobre a ciência, fundamentos e métodos da biociência, premissas da escola filosófica de Frankfurt e, dada a origem da divergência básica, não faltariam alguns fundamentos teológicos. Foi um espetáculo bonito. Como o julgamento se encerrou em três sessões, não cheguei a me tornar intelectual. O que me leva a admitir que uma pergunta pouco ou nada percebida iria, por si só, ao centro da questão posta. Formulou-a, sem se deter convenientemente nesse expressivo ponto que lhe ocorreu, o ministro Joaquim Barbosa: se negada a liberdade de pesquisa, em nome da vida dos embriões recolhidos à inutilidade no congelamento, “aceitaremos os tratamentos criados por pesquisas com células-tronco de outra nacionalidade?”

Se a vida que se perderia com a célula-tronco em pesquisa é razão absoluta para a recusa à pesquisa, a resposta só pode ser a recusa aos tratamentos criados no exterior com células-tronco. Mas que ser humano recusaria, sem se tornar um monstro, o tratamento reparador de um paraplégico, de um cego, de uma cardíaca ou muda ou de outras vítimas de condições trágicas?

A pergunta feita pelo ministro Joaquim Barbosa dispensa extensões além de uma resposta simples, ou, até menos que isso, simplesmente intuída.

Uma observação à parte do julgamento propriamente foi a preocupação, de vários ministros, de louvar a legitimidade e o proveito do “pedido de vista” com que o ministro Carlos Alberto Menezes Direito sustou, há quase três meses, o julgamento então iniciado. Ninguém, no entanto, contestou a validade regimental do pedido. Contestada, e razão de vasto descontentamento e decepção, foi a oportunidade do pedido, depois de seis meses disponíveis para preparação do seu voto pelo ministro Menezes Direito.

Seis a cinco, resultado técnico. Em relação à pesquisa com células-tronco, porém, pode-se entender que foram nove ou dez os votos favoráveis, nem todos computados na maioria vitoriosa por incluírem condicionamentos para autorização e prática das pesquisas.

20/05/2008 - 13:11h Atos públicos marcam “Dia Internacional Contra a Homofobia” no Brasil

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Cartaz da campanha da ONU contra a homofobia

TINO MONETTI (interino) – Folha Online

Neste sábado (17), o mundo comemora o “Dia Internacional Contra a Homofobia”. A data (17 de maio) foi escolhida para lembrar quando, em 1990, a OMS (Organização Mundial de Saúde) retirou a homossexualidade da Classificação Internacional de Doenças.

A homofobia é entendida como qualquer manifestação de ódio contra os gays, lésbicas, bissexuais, travestis e transexuais, e pode inclusive se manifestar por meio de agressões psicológicas e físicas. A luta pela aprovação do Projeto de Lei da Câmara 122/2006, que criminaliza essa prática, é hoje a principal reivindicação do movimento GLBT em todo o Brasil.

Durante a semana, a ABGLT (Associação Brasileira de Gays, Lésbicas, Bissexuais, Travestis e Transexuais) divulgou uma série de eventos que acontecem hoje nos quatro cantos do Brasil para celebrar e marcar a data.

Enquanto a Praia de Boa Viagem, no Recife (PE), receberá 80 cruzes vermelhas como símbolo de protesto contra o assassinato de homossexuais no Estado, a praça 7 de Belo Horizonte servirá de palco para uma manifestação para denunciar a violência, as violações de direitos gays e os crimes homofóbicos.

No Estado do Rio, a cidade de Cabo Frio realiza na Praia do Forte, a partir 14h, a 2ª Caminhada Cabo Free Contra a AIDS, na qual serão distribuidos folders de prevenção e preservativos. Já em Búzios, no Espaço Cultural PEMBA, na Orla Bardot, ocorre a partir das 21h30 a estréia de “Os Assumidos”, espetáculo teatral baseado nos famosos seriados inglês e norte-americano “Queer as Folk”.

Conferências

Além disso, neste final de semana, sete Estados brasileiros (DF, MT, PB, PR, RJ, RS e SC) realizam Conferências Estaduais de Políticas Públicas para GLBT, convocadas pelos respectivos governadores.

A ABGLT informa que as demais unidades da federação já realizaram suas conferências, as quais antecedem a 1ª Conferência Nacional GLBT, convocada pelo presidente Lula, a ser realizada em Brasília de 5 a 7 de junho.

Homofobia

Na página da ABGLT, é possível encontrar diversas informações sobre a data de 17 de maio no mundo, o problema da homofobia nas escolas nacionais e o programa “Brasil sem Homofobia”, que pode ser baixado na íntegra em português, inglês e espanhol.

Programas

A sede da Organização Panamericana de Saúde (OPS) –braço regional da Organização Mundial de Saúde (OMS)– em Washington, elogiou nesta semana “os programas para melhorar a atenção na saúde para minorias sexuais, incluindo os homossexuais e transexuais”, informou um comunicado oficial da mesma.

No documento, a OPS elogia iniciativas vindas de várias partes da América, como projetos da Argentina, Colômbia, Costa Rica, Brasil, Nicarágua, México e Peru lançados no último ano e que ajudam a erradicar a homofobia nestes países.

Segundo a organização, “muitas das iniciativas respondem a necessidade de ampliar a prevenção e atenção ao HIV”, como é o caso do Brasil, que em março de 2008 lançou o “Plano Nacional de Enfrentamento da Epidemia de Aids e outras DST entre gays, HSH [homem que faz sexo com homem] e travestis”.

Festas para meninas

A partir deste sábado, as meninas de São Paulo começam uma maratona de festas que durará até o domingo da Parada Gay em São Paulo.

A primeira delas é “Por Culpa de La Pussy”, nova edição da festa do Projeto Sapataria, que acontece neste sábado (17) em uma mansão na av. Lineu de Paula Machado. A festa –que tem preços variados entre R$ 15 e R$ 25– contará com as bandas Siete Armas e help i´m a bonsai kitten (que toca na Caminhada de Lésbicas e Bissexuais), além das DJs Paty Passos, Zuba e Jennie Santiago. Informações sobre a localização da casa e como incluir nomes na lista de descontos podem ser encontradas no site oficial da festa.

Na quinta-feira (22), Cida Araújo –responsável pelo bar-restaurante Farol Madalena,– faz mais uma edição de sua festa “Diva” na The Week. No line-up estão os DJs Marcos Paulo e Robson Mouse e, quem aparecer, ganha churrasco gratuitamente, das 16h às 21h. Os preços para a “Day Party Diva” variam entre R$ 25 (antecipado) e R$ 35 (no dia). Outras informações podem ser vistas na página do Farol Madalena.

Na sexta-feira (23), a queridíssima Barbie da Silva, uma das responsáveis pela “Chá com Bolachas”, a festa lésbica mais bacana de São Paulo, é convidada de Alexandre Herchcovitch e Johnny Luxo na festa “Alelux!”. O projeto acontece no clube Glória (rua 13 de Maio, 830, Bixiga) e deve reunir diversas meninas lindas, fãs e amigas de Barbie.

Para quem ainda tiver pique depois da Parada e da série de festas, ainda pode encerrar a semana na “Domingueira Bardagrá Especial”, que acontece no clube Studio Roxy (r. Augusta, 430, Centro). A festa –que é gratuita até às 23h59– terá música a cargo da DJ Cris Villela (residente) e suas duas, DJs Zuba e Nina Lopes.

Saias

São cada vez mais numerosos na França os homens que defendem “a libertação do guarda-roupa masculino”, exigindo o direito de livrar-se da “ditadura das calças” e adotar a saia como peça de vestuário.

“Por séculos os homens vestiram saias e vestidos, inclusive no Ocidente”, explicou Dominique Moreau, 39, fundador e presidente da associação Homens de Saia, que já conta com cerca de 30 membros, “somente a ponta do iceberg de centenas de homens que há anos manifestam na internet, em sites como www.c-tendance.com e www.jupeskirt.eu, sua vontade de abandonar as calças”, informou o jornal francês “Liberation”.

As saias são “mais confortáveis, mais amplas”, não “restringem as partes íntimas, e por isso são mais adequadas à fisionomia masculina”, observou Jerome Salomé, de 32 anos, que em 2005 fundou o site Homens de Saia (www.i-hej.com), nome adotado pela associação de Moreau em 2007.

Para Salomé, um dos maiores problemas é encontrar saias para homens em lojas de roupa. Exceto modelos caros das grifes francesas Agnès B e Jean Paul Gaultier e alguns sites na internet, “as grifes de moda em geral não ousam propor modelos de saias para homens, temem por sua imagem”.

“É uma pena, porque haveria mercado”, observou Moreau.

Com informações da agência Ansa

Sérgio Ripardo é editor de Ilustrada da Folha Online desde maio de 2005. Está na Folha desde janeiro de 2000. Foi repórter do extinto caderno Agrofolha e do FolhaNews, onde cobriu mercado financeiro. Escreve Destaques GLS às quartas.E-mail: sergio.ripardo@folha.com.br.

28/03/2008 - 06:21h Governo federal lança plano inédito de combate a aids

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O Ministério da Saúde lançou nesta terça-feira (25) plano inédito de ações para conter a incidência da aids e de outras doenças sexualmente transmissíveis entre gays, homens que fazem sexo com homens (HSH) e travestis. No documento, são priorizados temas como a redução das vulnerabilidades associadas à orientação sexual, a garantia do acesso à prevenção da aids, a ampliação de informações sobre essa população e a garantia de ações nas três esferas de governo. Estudos do Ministério da Saúde indicam que gays e HSH têm 11 vezes mais chances de serem infectados pelo HIV do que homens heterossexuais. “É fundamental reconhecer a magnitude da aids entre essa população e priorizar ações efetivas nessa área”, reforçou o ministro José Gomes Temporão.

O plano prevê ação educativa por meio da distribuição de 100 mil cartazes adesivos e 500 mil folhetos com informações sobre DST, aids e o uso correto do preservativo. O material gráfico enfoca a linguagem e a identidade da população definida como público-alvo. Cartazes e folhetos serão distribuídos em bares, boates, festas e espaços de freqüência gay, além de organizações da sociedade civil que trabalham com o público.

Entre os fatores de vulnerabilidade abordados no plano estão o desrespeito aos direitos humanos, à orientação e à identidade sexual; as dinâmicas dos espaços sociais típicos desse grupo e a prevenção entre parceiros. Até o final do ano, serão realizadas oficinas nas cinco regiões do país para discutir e definir agendas locais para implementar o plano, que prevê ações até 2011.

Keila Simpson, representante da Associação Nacional de Travestis (ANTRA) e uma das colaboradoras do Plano, explicou que as travestis precisam de apoio para reduzir o preconceito e a discriminação que as envolve. “É muito bom poder discutir abertamente este tema com um governo que nos ouve”.

O presidente da Associação Brasileira de Gays, Lésbicas, Bissexuais, Travestis e Transsexuais (ABGLT), Toni Reis, também elogiou o plano e lembrou a realização da I Conferência Nacional de Gays, Lésbicas, Bissexuais, Travestis e Transgêneros (GLBT), que será em maio, em Brasília. “O Ministério da Saúde tem se mostrado extremante sensível à nossa causa e isso é um avanço. Estamos saindo do armário. Este é o caminho para atingirmos a cidadania plena”.

Segundo o Boletim Epidemiológico, houve um crescimento do percentual de casos de aids entre homossexuais e bissexuais de 13 a 24 anos de idade, variando de cerca de 24%, em 1996, para aproximadamente 41%, em 2006. Na faixa etária de 25 a 29 anos, a variação foi um pouco menor, mas também indicou crescimento: de 26% (1996) para 37% (2006). Já entre indivíduos de 30 a 39 anos, os índices apontam para uma pequena tendência de queda: de 30%(1996) para 28% (2006).

A Pesquisa de Conhecimentos, Atitudes e Práticas Sexuais (PCAP), de 2004, estima que a população gay e HSH brasileira de 15 a 49 anos em 3,2 % da população ou cerca de 1,5 milhão de pessoas. A partir dessa base populacional, a PCAP calculou a taxa de incidência da aids desse segmento em 226,5 casos por grupo de 100 mil habitantes, cerca de onze vezes maior que a taxa da população geral, que é de 19,5 casos por 100 mil.

Histórico – Fruto de uma parceria entre Ministério da Saúde, Conselho Nacional dos Secretários de Saúde (CONASS), Conselho Nacional de Secretários Municipais de Saúde (CONASEMS) e organizações da sociedade civil, o plano esteve sob consulta pública em junho de 2007. A versão final foi elaborada a partir das diretrizes estabelecidas no Programa Brasil sem Homofobia, lançado em 2004. O plano está disponível no site www.aids.gov.br, em “Documentos e Publicações”. Fonte boletim em questão.

25/01/2008 - 15:05h Cruz credo, quanta folia


 

FotoIgreja contra distribuição de pílula no carnaval(Foto: Daniel Targueta / TV Globo)


Polêmica no Carnaval de PE

Igreja quer excomungar quem tomar pílula do dia seguinte


Letícia Lins – O Globo; Reuters/Brasil Online e Jornal Hoje
RECIFE – Polêmica em Recife. A prefeitura da capital resiste à pressão da Igreja Católica e informa que vai manter a iniciativa de disponiblizar a pílula do dia seguinte para mulheres que tenham mantido relações sexuais durante o carnaval sem camisinha ou que tenham sofrido estupro.

Duas prefeituras de Pernambuco vão distribuir o medicamento, mas a Pastoral de Saúde da Arquidiocese de Olinda e Recife considera a medida promíscua, quer vetá-la e promete ir até à justiça se as autoridades não desistirem da iniciativa.

Nesta quinta-feira, o arcebispo de Olinda e Recife, dom José Cardoso Sobrinho, condenou a distribuição dos contraceptivos. Ele afirmou que a atitude é imoral, e que tanto quem distribui a pílula como quem usa está cometendo pecado passível de punição pelo direito canônico.

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