21/06/2009 - 10:21h União em torno de Dilma une o PT em favor de José Dutra como presidente da sigla

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Lula atua para reconstruir PT pré-mensalão

Ressurgimento do antigo Campo Majoritário antes da eleição interna do partido, marcada para dezembro, visa fortalecer Dilma

Planalto tenta convencer a corrente Mensagem ao Partido a não lançar José Eduardo Cardozo para apoiar José Eduardo Dutra

JOSÉ ALBERTO BOMBIG – FOLHA SP

DA REPORTAGEM LOCAL

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José Dutra, ex-presidente da petrobras, candidato a presidente nacional do PT

O extinto Campo Majoritário do PT, que comandou o partido com mão-de-ferro no início da gestão Lula e esteve no epicentro do escândalo do mensalão, está próximo de ser recomposto para a disputa das eleições internas da sigla.
O renascimento ocasional teria como principal objetivo fortalecer a pré-candidatura da ministra Dilma Rousseff (Casa Civil) ao Palácio do Planalto.
O próprio presidente Luiz Inácio Lula da Silva e seus assessores diretos, em conversas reservadas, têm demonstrado seu apoio à união da antiga força em prol de Dilma na corrida pela sucessão dele em 2010.
Para que isso aconteça, será preciso convencer a corrente Mensagem ao Partido, dissidência do antigo Campo Majoritário, a apoiar José Eduardo Dutra, o nome de Lula e de Dilma, a presidente do PT nas eleições de dezembro.
A inscrição das chapas termina em meados de julho, e a Mensagem está dividida entre lançar novamente o deputado federal José Eduardo Cardozo (SP) ou apoiar Dutra, como defende a ala mais afinada com o governo federal.
Lula, em conversa com o ministro Tarso Genro (Justiça), líder da Mensagem, ressaltou a importância da união do partido já neste ano e sugeriu que ele trabalhasse por ela.
Dutra, ex-senador por SE e presidente da BR Distribuidora, um braço da Petrobras, faz parte da CNB (Construindo Um Novo Brasil), a corrente hegemônica do PT e que venceu a eleição anterior, em 2007.

Diáspora petista
Em 2005, por conta do escândalo do mensalão, Tarso liderou uma ruidosa ruptura no Campo Majoritário petista e chegou a defender a “refundação” do partido.
Faziam parte do grupo o ex-ministro José Dirceu, o ex-tesoureiro Delúbio Soares e o deputado federal José Genoino (SP), todos abrigados hoje na CNB e envolvidos no mensalão.
Mais um passo em direção à reconstrução da antiga hegemonia foi dado anteontem pela corrente Novo Rumo, outra dissidência do Campo Majoritário e que oficializou seu apoio a José Eduardo Dutra.
Nas eleições internas do PT em 2007, a divisão ocasionou uma disputa acirrada, a exemplo do que ocorrera em 2005: o deputado federal Ricardo Berzoini (SP), da CNB, foi eleito presidente do partido derrotando Cardozo, pela Mensagem, e Jilmar Tatto, pela corrente PT de Lutas e Massas, que teve apoio da Novo Rumo (veja quadro nesta página).
“Nós temos a compreensão de que hoje é possível ter uma unidade maior no partido, com uma direção forte, em torno da campanha de Dilma”, disse o deputado federal Carlos Zaratini (SP), membro do Diretório Nacional do partido e integrante da Novo Rumo.
“Queremos recompor o PT com a preocupação de eleger Dilma”, disse o também deputado federal José Mentor (SP), integrante da novo Rumo .
Segundo eles, a PT de Luta e Massas deverá seguir a mesma linha e fechar com Dutra.

Resistência
Dentro da Mensagem, no entanto, o consenso está longe. “Temos que debater melhor o assunto. O temor é nos transformarmos em linha auxiliar da CNB”, disse o deputado estadual paulista Simão Pedro.
Uma das correntes à esquerda da direção partidária e que não fazia parte do Campo, a Movimento PT lançou o deputado federal Geraldo Magela (MG) a presidente do PT. “Mas ainda vamos trabalhar para convencê-los a desistir da ideia e apoiar Dutra”, disse Zaratini.

15/06/2009 - 12:07h Divisão do PT em eleição interna mantém a salvo apoio a Dilma

Raymundo Costa, de Brasília – VALOR

estrela_sobe1.jpgNo momento em que o PSDB não consegue superar a divisão interna, a consolidação da candidatura da ministra Dilma Rousseff (Casa Civil) uniu o PT e devolveu ao partido a expectativa de manter o poder, o que não dispunha, de fato, até bem pouco tempo. O resultado é que a lógica de fração que preside a sigla deve prevalecer na renovação do comando partidário, em 22 de novembro, mas esta será uma eleição em que os petistas devem demonstrar um raro entendimento entre suas tendências.

“Agora temos um candidato de verdade”, diz o líder na Câmara, Cândido Vacarezza (SP). Há até quem defenda a formação de uma chapa única com base na proporção de cada grupo na última eleição, caso do deputado José Genoino (SP). “Então nós transformaríamos o dia da eleição num grande evento de unidade política”, diz o deputado.

É difícil, como reconhece o próprio candidato do grupo majoritário, o presidente da BR Distribuidora, José Eduardo Dutra. Integrante da tendência Construindo um Novo Brasil (CNB), Dutra tem o apoio do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e já abriu negociações com as demais tendências do PT, inclusive a segunda maior delas, a Mensagem, que tem como líder o ministro Tarso Genro e deve concorrer com o deputado José Eduardo Cardozo (SP). Dutra acha que a lógica de fração deve se manter em mais essa eleição: é a maneira que os grupos petistas têm de medir sua força – “contar as garrafas”, como dizem os petistas históricos. Afastado há sete anos da rotina petista, Dutra procura agora restabelecer a convivência partidária para se favorito.

Uma demonstração do novo clima vivido pelo PT é o apoio dado pelo ex-ministro José Dirceu ao candidato Dutra, embora o ex-presidente da Petrobras não seja o seu candidato dos sonhos. O governador Marcelo Déda, que encampou a tese de refundação do ministro Tarso Genro, na crise do mensalão, apoia a candidatura do aliado, que antes do governo Lula era senador por Sergipe. Dutra agora conversa com outras três tendências que já haviam fechado com a CNB, se o candidato fosse Gilberto Carvalho (Lula não liberou seu chefe de gabinete): Novo Rumo, do líder na Câmara, Cândido Vacarezza (SP), que deve apoiá-lo, PT de Lutas de Massa, do deputado Jilmar Tatto (SP) e Movimento PT, capitaneada pelo deputado Arlindo Chinaglia (SP). “Já tivemos uma conversa. Mas no momento a posição que prevalece é a que foi tirada em encontro nacional pela candidatura própria”, diz Chinaglia.

Vacarezza acredita que “essa eleição não será ditada pela lógica das tendências”, isso porque o partido fechou com Dilma e pelo fato de as pesquisas indicarem que a candidatura da ministra é viável. E expectativa de manter o poder era algo que o PT não tinha, a ponto de o partido namorar com a ideia do terceiro mandato: Genoino é o relator da emenda que tramita no Congresso e pretende apresentar seu parecer na próxima quinta-feira ou, no máximo, na terça-feira 23. “No mérito eu sou contra, mas a fundamentação lá na CCJ tem de ser de técnica, e eu ainda não escrevi o parecer”, diz o deputado. De fato, cabe à Comissão de Constituição e Justiça apenas se manifestar sobre a constitucionalidade da emenda e não sobre seu mérito.

Para o líder na Câmara, a consolidação da candidatura Dilma permitiu dois movimentos ao PT, um ofensivo, no sentido da unidade, e outro defensivo, pois fica claro ao partido que “se nós começarmos a brigar entre nós, vamos ter problemas”. Integrante do Diretório Nacional, o ex-deputado Luiz Eduardo Greenhalgh lista os aspectos em torno dos quais se costura a unidade petista, no momento: “A candidatura Dilma, a defesa do governo e a política de alianças”. Vacarezza acrescenta mais um: “Os elementos já postos para a campanha da Dilma, como a continuidade com mudanças”, diz. Ou seja, “a correção de eventuais erros e o aprofundamento dos acertos”, acentua Vacarezza.

O reconhecimento da viabilidade da candidatura Dilma, no entanto, não ilude o candidato favorito para presidir o PT, José Eduardo Dutra: “Vai ser uma eleição polarizada com o Serra (José Serra, governador de São Paulo) e muito difícil, mas temos todas as condições de vencer”, diz ele. O PT celebra uma pesquisa que encomendou ao instituto Vox Populi, na qual aparece com 29% dos 49% dos eleitores que declararam ter preferência partidária, muito à frente do PMDB, com 8% e do PSDB, com 7%. Outra medição: o PT é o partido com maior “recall”, com 35%, enquanto o PSDB parece em terceiro, com 14%, atrás do PMDB e seus 24%. E caiu por terra a percepção de que o PT atrapalhava o governo Lula: 70% responderam que o partido ajuda no país a crescer.

Apesar do otimismo sobre a unidade manifestado pelos petistas, no entanto, pelo menos um aspecto da lista de convergências já está dando problemas: a política de alianças. Todos concordam que a aliança nacional deve reger os acordos regionais. Dutra inclusive acredita que pode formalizar a coligação com o PMDB, de vez que na próxima eleição não haverá mais verticalização (a lei que condicionava as coligações estaduais à coligação nacional). O problema é que cada petista concorda com a tese da aliança ou prioridade de coligação com o PMDB desde que seja no Estado vizinho.

No Rio Grande do Sul, o argumento é que PT e PMDB são partidos que, tradicionalmente, polarizam as eleições gaúchas. Em Minas Gerais, são dois os candidatos de porte desavindos desde a eleição municipal: o ministro Patrus Ananias (Desenvolvimento Social) e o ex-prefeito Fernando Pimentel – mas é Hélio Costa (PMDB) quem está na frente das pesquisas. No Rio de Janeiro o PT quer quebrar o acordo com o PMDB.

Certo, mesmo, parece ser a adesão do PMDB paulista a Serra e a convicção da cúpula petista de que poderá convencer Ana Júlia Carepa que ela não tem chance de reeleição ao governo do Pará, se não se aliar ao deputado Jader Barbalho, mais forte pemedebista no Estado.

27/03/2009 - 14:46h PT pressiona Lula a liberar Carvalho

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Raymundo Costa, de Brasília – VALOR

A menos que o chefe de gabinete da Presidência da República, Gilberto Carvalho, seja o candidato à presidência do PT, o partido se divide e passará por uma dura disputa, até novembro, que pode até afetar a relação da sigla com a candidatura da ministra Dilma Rousseff (Casa Civil).

Esse é o recado que a tendência Construindo um Novo Brasil (CNB) – ex-Campo Majoritário – enviou ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva e à própria Dilma. A ministra, aliás, jantou com a executiva nacional do PT na noite de terça-feira, em sua casa, em Brasília. Lula não quer liberar Carvalho.

Na avaliação do CNB, o chefe de gabinete de Lula é hoje o único nome capaz de unir as demais tendências. “A Mensagem”, corrente liderada pelo ministro Tarso Genro, pode compor, se o nome for Carvalho. O mesmo poderia ocorrer com a Articulação de Esquerda de Pedro Pomar, que, em princípio, terá candidato próprio ao cargo.

Além do presidente Ricardo Berzoini (SP), 75% da Comissão Executiva Nacional deve ser renovada em novembro – o estatuto do PT limita a dois os mandatos de seus dirigentes. O prazo para o registro das chapas e da tese está próximo: julho de 2009. A eleição é em novembro. Em março de 2010 um congresso discutirá e aprovará a tese.

Em síntese, o recado enviado Palácio do Planalto diz o seguinte: se não for Gilberto Carvalho o candidato, não haverá unanimidade – ou algo próximo disso, o que só pode ser proporcionado com a candidatura do chefe de gabinete de Lula.

Neste caso, o partido se envolverá numa grande disputa, que vai deixar o PT fragilizado para enfrentar a conjuntura do ano que vem, em particular na relação com Dilma, diferente da relação que foi com o Lula.

A relação do PT com Dilma é diferente da relação do PT com o Lula, segundo avaliações do CNB e, na realidade, é consensual no partido. A lógica por trás da candidatura amplamente majoritária é “quanto mais unido o PT estiver, mais força o partido terá junto a Dilma”.

“Nós entraríamos, assim, em 2010, com uma unidade muito grande para interferir e ajudar a Dilma, inclusive na relação com os aliados”, analisou ao Valor um integrante do CNB.

As opções ao nome de Gilberto Carvalho, no CNB, são o ministro Luiz Dulci (Secretaria Geral), o assessor especial para Assuntos Internacionais da Presidência, Marco Aurélio Garcia, que presidiu o PT na crise dos “aloprados”, em 2006, e o ex-governador do Acre Jorge Viana.

Nenhum dos três, segundo avaliações internas, estaria em condições de impedir uma grande divisão em relação às eleições de novembro. Outro nome que pode surgir é o do atual secretário-geral José Eduardo Cardozo. Integrantes do CNB também raciocinam com a hipótese de que Lula pode viabilizar o nome do ex-senador e ex-presidente da Petrobras José Eduardo Dutra.

O presidente da República, até agora, se esquivou das investidas do CNB. Reservadamente, já teria confidenciado a interlocutores que Carvalho ficará no cargo para fazer a transição do atual para o futuro governo de Dilma, caso a ministra seja eleita.

PT e Palácio do Planalto, na prática, já disputam poder num futuro e hipotético governo Dilma. O PT majoritário, por exemplo, defende a volta do ex-ministro Antonio Palocci ao governo, se o Supremo Tribunal Federal recusar a abertura de processo contra o deputado, acusado da quebra do sigilo bancário do caseiro Francenildo Costa.

Para esses petistas, Palocci deveria ocupar o lugar da ministra Dilma, caso o julgamento do Supremo demore e mesmo que ele não saia candidato ao governo de São Paulo, como deseja Lula. Seria o PT no governo Dilma. A volta de Palocci ao governo, se ele se sair bem no STF, também é defendida por Carvalho.

A maioria dos auxiliares de Lula no Palácio do Planalto, no entanto, é contrária à volta de Palocci ao ministério, por causa do potencial que dispõe de contaminar a candidatura de Dilma a presidente da República. Esse grupo acha que ele nem deveria ser candidato em São Paulo.

Outro argumento do CNB em defesa de uma chapa de unidade à presidência do PT é que isso, se for alcançado, passa um comando para as seções estaduais do partido, que também estão conflagradas. Internamente ou em relação aos aliados do atual governo Lula da Silva.

No Rio Grande do Sul, por exemplo, não é certo que Tarso Genro seja candidato sem disputa interna: o prefeito de São Leopoldo Ar Vanazzi e o deputado Pepe Vargas estão na disputa. Há inclusive setores que defende uma aliança com o atual prefeito de Porto Alegre, José Fogaça, que é do PMDB, o adversário tradicional dos petistas no Sul.

Em Minas Gerais, está em curso uma disputa, que pode ser vital para a candidatura Dilma, entre o ministro Patrus Ananias (Desenvolvimento Social) e o ex-prefeito da capital, Belo Horizonte, Fernando Pimentel.

O ideal que o PT persegue em Minas é ter candidato próprio ao governo numa aliança com o ministro das Comunicações, Hélio Costa, que é do PMDB e está em primeiro lugar nas pesquisas, e o vice-presidente José Alencar (PR). Esse seria o palanque perfeito para Dilma, mas, por enquanto, difícil de viabilizar.

Em São Paulo, se Palocci não for candidato, a disputa aponta para o ministro da Educação, Fernando Haddad, contra o prefeito de Osasco, Emídio de Souza.

No Rio de Janeiro o imperativo petista é o apoio à reeleição do governador Sérgio Cabral, tendo no mesmo palanque o senador Francisco Dornelles (PP) e o PDT do ministro Carlos Lupi. Mas a candidatura de Lindberg Farias, ex-presidente da UNE e prefeito reeleito de Nova Iguaçu, tem potencial para entusiasmar o partido.