27/11/2008 - 13:01h A incógnita Dilma

Dilma será a cara do PT em 2010. Mas como será a cara de Dilma?

Por Gustavo Krieger - Correio Braziliense

gustavokrieger.df@diariosassociados.com.br

O PT já se conformou em ter a ministra Dilma Rousseff como candidata à Presidência da República em 2010. O termo que descreve o sentimento da legenda é esse. Não se encontra na direção do partido nenhum defensor apaixonado da idéia. No governo, a candidatura da ministra da Casa Civil provoca muito resmungo. Mas ela tem o único voto de que precisa por enquanto: o do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Ele ungiu Dilma e, diante da relação de dependência que o partido estabeleceu com o presidente, ninguém vai desafiá-lo. As questões que ocupam as principais cabeças petistas são outras: qual será o caráter da candidatura de Dilma? Ela tem chances de vencer os candidatos tucanos, que aparecem mais bem colocados nas pesquisas? E o que acontecerá ao PT depois de 2010, vencendo ou perdendo as eleições presidenciais?

Ninguém tem as respostas. Dilma pilota hoje uma não candidatura. Sabe que um dos motivos que levaram o presidente a escolhê-la foi a lealdade absoluta que sempre demonstrou. Lula acredita, com toda a razão, que seu mandato começa a acabar no dia em que a sucessão começar. Por isso, adia o quanto pode seus movimentos. Além disso, a ministra não tem conselheiros políticos. Continua a agir dentro do governo como uma grande gerente. Discute programas do governo, mas nada que se assemelhe a desenhar um projeto político.

Não que ela deixe de ser política. Ao contrário. Dilma é uma militante. Sempre foi. Tem posições políticas pessoais firmes e estabelecidas. Mas uma candidatura presume um programa construído coletivamente. E isso ela não faz.

É um erro imaginar que, se for presidente, ela será uma mera continuidade de Lula. Quem conhece os bastidores do governo sabe que, apesar de todo o seu poder, Dilma foi voto vencido em muitas questões importantes. Questões onde a opinião dela não fechava com a do presidente. Nesses casos, a disciplina falou mais forte e ela não externou as divergências. Mas elas existem. E nem Lula acredita que ela poderá ser teleguiada se ocupar o principal gabinete do Palácio do Planalto.

Mas se Dilma não é Lula, quem ela seria como presidente? Essa é uma das questões que inquietam os petistas, inclusive dentro do governo. Uma candidatura implica programa, compromissos. E isso precisa ser negociado com os aliados. No momento, os petistas não se sentem protagonistas desse processo.

Para complicar, o PT terá de se reinventar nas eleições de 2010. Para o bem e para o mal, a experiência do governo Lula esgotou o modelo construído pelo PT. De um lado, os escândalos políticos e os acordos construídos retiraram do partido o discurso udenista que marcou parte sua história. Por outro, boa parte das propostas da legenda se tornaram realidade, como os programas sociais e a redução das desigualdades.

Como os tucanos descobriram, depois de algum tempo, as conquistas e benefícios sociais passam a ser contabilizados como direitos adquiridos e deixam de ser elementos definidores de voto. O controle da inflação foi suficiente para reeleger Fernando Henrique em 1998, mas não deu a vitória a José Serra em 2002. O Bolsa Família e o crescimento econômico reconduziram Lula em 2006, mas podem ser pouco para eleger Dilma.

Até porque os dois presidenciáveis tucanos, Serra e Aécio Neves, já deixaram claro que não farão campanha contra o governo Lula. Pretendem olhar para frente, no melhor estilo Obama. Se quiser vencer, o PT terá de apresentar uma perspectiva de futuro. E hoje o partido não sabe qual é. Dilma será a cara do PT em 2010. Mas como será a cara de Dilma?

Será a primeira vez que o PT disputará uma eleição presidencial sem Lula à frente da chapa. Supostamente, seria um momento em que as forças internas se agitariam na luta para definir como será o partido no pós-Lula. Até aqui, poucos se dispuseram a esse movimento. A maioria continua presa a uma lógica meramente eleitoral, preocupados em saber quantos pontos a candidata escolhida pelo presidente consegue nas pesquisas.

Se o partido não se repensar, será refém do resultado eleitoral. Se a aposta de Lula der certo e Dilma tornar-se presidente, o PT continuará a tirar sua força da máquina estatal. Mas, e se ela perder?

16/11/2008 - 14:39h Americanas voltam a sonhar com mulher à frente da Casa Branca

 

Obama e Hillary durante comício em outubro

da Folha Online

A vitória de Barack Obama na eleição presidencial deixou em muitas americanas a esperança da eventual chegada de uma mulher pela primeira vez à Casa Branca.

Sem a Presidência, o nome de Hillary Clinton passou a ser considerado o favorito para comandar a diplomacia dos Estados Unidos no próximo governo. Fontes ligadas a Obama afirmaram ao canal CNN que a ex-primeira-dama pode ser designada secretária de Estado.

No início da histórica campanha eleitoral de 2008, a disputa entre Obama e a senadora Hillary Clinton pela candidatura do Partido Democrata foi para muitos uma batalha do destino dadas as opções: um negro e uma mulher. A decisão de apoiar um equivalia a dar as costas ao outro.

No entanto, muitos analistas consideram que o perfil da senadora por Nova York acabou com os preconceitos que poderiam existir sobre a capacidade de uma mulher assumir o comando do país.

“Teto de vidro”

“Sempre que cai uma barreira é sinal de que as demais começarão rapidamente a desabar”, afirmou a estrategista do Partido Democrata Donna Brazile à France Presse.

“Apesar de não poder dizer quando –quem poderia prever este momento–, nem o candidato nem o partido, vejo este dia se aproximar no horizonte. É tempo de ‘apurar a história’ e permitir o acesso de uma nova geração (à Casa Branca). Não há dúvida, uma mulher conseguirá em breve”, acrescentou.

Em um discurso emocionado em junho, ao admitir a derrota nas primárias para o então adversário Barack Obama, Hillary pediu a seus milhões de simpatizantes que apoiassem o senador por Illinois, mas também fez referências às questões de gênero.

“Embora desta vez não tenhamos sido capazes de quebrar este elevado e duro teto de vidro, agradeço porque agora tem 18 milhões de rachaduras”, disse, em referência à quantidade de votos que recebeu na disputa interna.

“As crianças de hoje crescerão com a garantia de que um negro ou uma mulher podem, absolutamente, se tornar presidente dos Estados Unidos”, enfatizou, diante de muitas mulheres que choravam ou a aplaudiam.

“Botão”

Pouco depois, outra barreira caiu com a designação da governadora do Alasca, Sarah Palin, como candidata a vice de John McCain na derrotada chapa presidencial do Partido Republicano.

Parece uma ironia que os Estados Unidos, que sonham em expandir a democracia no mundo, nunca tenham tido uma mulher presidente.

“Acredito que a idéia de singularidade dos Estados Unidos tem sido um enorme fator para determinar a forma como os americanos vêem seu presidente. No final das contas, nos consideramos os líderes do mundo livre”, diz Barbara Palmer, diretora interina do Instituto Mulher e Política na American University.

“Por isso sempre tivemos uma visão muito sexista da função (de presidente), que, além de tudo, é também a de comandante-em-chefe. Definitivamente, uma mulher poderia apertar o botão (que ativa a bomba atômica)?”: para ela este é o questionamento dos eleitores.

Palmer, autora do livro “Quebrando o teto de vidro da política”, concordou que é apenas uma questão de tempo que uma mulher chegue à presidência.

“Não acredito que se deva subestimar o efeito que pode ter sobre uma menina de oito anos ver Hillary Clinton e Sarah Palin disputar as presidenciais. Somos uma sociedade muito visual. Se algo não está na televisão, então não aconteceu”, conclui.

13/11/2008 - 10:03h Maldades e bondades

CELSO MING - O Estado SP

celso_ming2.jpgA discussão da hora é se o governo deve ou não adotar políticas anticíclicas.

Trata-se de decisões de política econômica contra a paradeira da economia. A idéia é: se tudo vai bem, é melhor aplicar políticas de austeridade para equilibrar as finanças públicas. Se vai mal, é preciso gastar mais para ajudar na recuperação do sistema produtivo.

O Fundo Monetário Internacional, que sempre se bateu pelo rigor fiscal, agora recomenda o aumento das despesas públicas para ajudar a enfrentar a recessão que vem vindo braba.

Aqui essas políticas são mais conhecidas como sacos de maldades ou de bondades. O que se pede agora é que o governo despeje o conteúdo de sacos de bondades. Essas coisas estão chegando mais com propósitos eleitorais do que técnicos. O horizonte das manobras são as eleições presidenciais de 2010. E o quadro de fundo é o de que o presidente Lula não tem candidato vendável ao eleitor enquanto a oposição tem pelo menos dois nomes.

Isso posto, o governo Lula mandou que a Caixa Econômica Federal despejasse R$ 3 bilhões para reforçar o capital de giro das imobiliárias e que o Banco do Brasil (BB) enfiasse outros R$ 4 bilhões no crédito para compra de veículos.

Mas tanto o governador de São Paulo, José Serra, como o de Minas, Aécio Neves, ambos do PSDB, estão empenhados em mostrar serviço em escala nacional. As bondades de Serra prevêem R$ 4 bilhões da Nossa Caixa para financiar veículos.

E aí vai um lance especial de esperteza de Serra, que faz cumprimentos com chapéu alheio. Se o dinheiro é da Nossa Caixa, que será repassada ao BB, fica óbvio que os financiamentos acabarão sendo ativos do BB, com prazo de vencimento superior a dois anos.

O pacote de Aécio é mais modesto, de R$ 470 milhões, a serem distribuídos pelo Banco de Desenvolvimento de Minas Gerais para ajudar o setor produtivo a enfrentar a crise.

Boa pergunta consiste em saber se a paradeira das vendas da indústria automobilística é devida à falta de financiamento ou a certo esgotamento do mercado. Há boas razões para acreditar que é falta de mercado.

Em 2007, as vendas de automóveis cresceram 28% e, neste ano até outubro, 23%, avanços tão fantásticos como insustentáveis. Na maior parte desse período, os financiamentos foram feitos por mais de 36 meses. No início do ano, chegaram a ultrapassar 90 meses, o que levou o ministro Mantega a anunciar a intenção de intervir para reduzir os prazos. Isso significa que uma larga fatia do mercado parece atendida. O consumidor ainda está pagando seu carro e não pretende voltar tão cedo à concessionária.

Além disso, o estancamento do crédito ocorrido há cerca de um mês não se deveu a problemas nos bancos, como aconteceu no exterior. Apareceu com o estouro das operações com derivativos de câmbio, que lançaram dúvidas sobre a capacidade de pagamento de muitas empresas. Como o problema já está equacionado, o fluxo do crédito começa a ser restabelecido.

Dentro de algumas semanas saberemos até que ponto mais crédito à compra de veículos será suficiente para a retomada da produção. E, se for para combater a recessão que vem vindo aí, convém perguntar se o segmento a ser atendido prioritariamente é o de veículos.

Confira

Erro de foco - Vai ser difícil para o secretário do Tesouro americano, Henry Paulson, livrar-se da pecha de incompetente.

Há menos de um mês, praticamente chantageou o Congresso para que aprovasse o pacote de US$ 750 bilhões, mas ontem reconheceu que o pacote não está funcionando. Ele quer agora mudar o foco e passar a financiar o consumo.

O problema é que as demandas estão aumentando: é o resgate das hipotecas, o socorro à indústria de veículos, a capitalização dos bancos, a recessão fazendo estrago… E o governo Bush com sua credibilidade quase zero.

03/11/2008 - 12:22h “Capacidade de liderança de Lula define impacto de crise na eleição”

 

Marcelo Déda: governador de Sergipe teme o afastamento entre PMDB e PT em função de disputa no Senado

César Felício, de São Paulo - VALOR

A eleição das Mesas Diretoras da Câmara e do Senado no começo do ano influenciará mais as articulações para a disputa presidencial de 2010 do que as eleições municipais que aconteceram neste outubro. Para o governador de Sergipe, Marcelo Déda (PT), será a escolha do futuro presidente da Câmara e do Senado que ditará a relação entre o PT e o PMDB no âmbito eleitoral. Petista com trânsito livre no PSDB, Déda não descarta o apoio do partido ao fim da reeleição, desde que no contexto de uma reforma política mais ampla.

Derrotado na sua primeira incursão em eleições majoritárias, ao tentar a Prefeitura de Aracaju em 1985, Déda foi eleito e reeleito prefeito da capital em 2000 e 2004 e eleito governador em 2006, sempre com maioria absoluta. Para prefeito de Aracaju este ano apoiou o sucessor, Edvaldo Nogueira (PCdoB), que foi eleito em uma coligação que juntava PT e PSDB, um caso único entre capitais estaduais. E acredita que o cenário de crise econômica torna incerto o favoritismo do governo para ganhar as próximas eleições presidenciais.

A crise econômica surpreende o governador no momento em que sua administração se preparava para um salto em investimentos. Depois de executar um Orçamento de apenas R$ 28,1 milhões em 2007 e de projetar gastos de R$ 200 milhões este ano, o governo de Sergipe pretendia gastar em obras e novos serviços R$ 376 milhões no próximo ano.

A receita, que foi de R$ 3,6 bilhões em 2007 e deve passar para estimados R$ 4,5 bilhões este ano, tinha sido prevista em R$ 5,2 bilhões em 2009.

A crise pode ainda afetar a dívida consolidada do Estado. Para efeitos de cumprimento da Lei de Responsabilidade Fiscal, a dívida caiu de R$ 1,3 bilhão no começo do governo para R$ 530 milhões no mês de agosto, o que corresponde a 14,7% da receita corrente líquida. Quando Déda assumiu, o nível de comprometimento era de 46,28%. O contrato de consolidação da dívida é corrigido pelo Índice Geral de Preços (IGP), fortemente impactado pelo câmbio. Segundo o secretário sergipano da Fazenda, Nilson Lima, contudo, um aumento da dívida não seria preocupante. “O nível de endividamento é muito baixo. A situação está sob controle”, afirmou.

Por telefone, Marcelo Déda concedeu a seguinte entrevista ao Valor:

Valor: Governador, o fim da reeleição tende a voltar a ser discutido agora. Dirigentes da oposição acreditam que podem chegar a um acordo com a base governista para aprovar o fim deste instrumento, com base na necessidade de composição interna do PSDB e do possível interesse do presidente Luiz Inácio Lula da Silva em retornar ao cargo com o término do seu mandato. Há horizonte para este tipo de discussão?

Marcelo Déda: Sou por convicção muito crítico do instituto da reeleição. Defendo o mandato de cinco anos sem reeleição. Mas me preocupa esta discussão com viés utilitário, uma clara tentativa de adequar o calendário eleitoral com interesses de candidaturas. O fim da reeleição teria que estar dentro de uma reforma política, em que se discuta uma série de iniciativas. Debater o tema tendo em vista candidaturas é um erro de origem. É claro que este debate busca resolver o problema interno do PSDB, mas este é um assunto muito sério. Um dos institutos da reforma política não pode ser instrumento de um acordo circunstancial.

Valor: Que temas o senhor acha que poderiam ser agregados à discussão do fim da reeleição?

Déda: Naturalmente a fidelidade partidária no Brasil não pode se dar por uma sentença judicial, como acontece hoje. E acho que o calendário eleitoral precisa ser revisto. O sistema bienal de eleições é ruim, porque o governador precisa se envolver no processo eleitoral no meio de seu mandato. O governador precisa compor as alianças e arrisca-se a perder sua base na Assembléia Legislativa. Na hora em que se unificar eleições o sujeito não pode sair de uma prefeitura para ser deputado e os palanques regionais irão se consolidar. As alianças deixarão de ser fugazes.

Valor: O PMDB venceu estas eleições municipais. Que decorrências o senhor vê deste resultado para a eleição de 2010?

Déda: O PMDB tem mais peso relativo pela sua força no Senado e na Câmara. As eleições não aumentaram o peso dos pemedebistas na negociação de 2010. Mas a disputa pelas Mesas Diretoras da Câmara e do Senado me preocupa.

Valor: Por que?

Déda: Quem mais quer uma disputa entre PMDB e PT no Senado é a oposição. Um acordo entre os dois partidos que leve o Michel Temer (deputado pemedebista de São Paulo) à presidência da Câmara e o Tião Viana (senador petista do Acre) ao comando do Senado equilibraria as forças e aproximaria bastante as duas legendas em 2010. Ultrapassa a simples questão partidária, é um arranjo que terá relevância institucional. O PMDB não construiu projeto de poder ou vocação de governo. Cumpre o papel fundamental de oferecer maioria aos governos eleitos.

Valor: E que maioria o PMDB construirá se ficar com a presidência da Câmara e do Senado?

Déda: Não sei. Por isso é que o jogo de alianças para 2010 é uma obra em andamento. A disputa pelas Mesas Diretoras é um risco institucional e um erro político.

Valor: Dentro do PT, o horizonte de crise econômico pode levar a uma revisão de quem terá a candidatura do partido?

Déda: O processo eleitoral tornou o partido coeso e ninguém erra se, analisando a conjuntura do momento, acreditar que a ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, é o nome mais forte de que dispomos. Sou um apoiador de seu nome dentro do partido. Não vejo mais ninguém no horizonte. Mas a definição precisa passar por avaliações que ainda não foram aprofundadas. Entre elas a do espaço do PT e da liderança pessoal do presidente Lula.

Valor: Dilma é a gerente do Programa de Aceleração do Crescimento. A crise deve provocar a desaceleração do crescimento. Isto não pode comprometer a sua candidatura?

Déda: A crise embute uma rara oportunidade de consolidar um perfil de liderança. Lula pode revelar um Brasil com capacidade de resistência maior que a média. A crise sempre tem um potencial desestabilizador. Nos Estados Unidos, estimulou uma onda de mudanças, que pode levar à vitória do candidato da oposição. É claro que preferiríamos ter em 2010 o cenário que havia até o primeiro semestre deste ano, mas tudo irá depender da qualidade da liderança do Lula. Ele poderá passar à história como o homem que venceu a mãe de todas as crises. Mas, agora, há um certo grau de imprevisibilidade, explorado com ansiedade pela oposição.

Valor: O resultado eleitoral e a crise econômica tendem a reforçar a polarização entre PT e PSDB em 2010, eliminando a possibilidade de uma terceira via competitiva?

Déda: O fator que falta definir é qual será o papel do governador Aécio Neves (PSDB-MG). Ele levará uma candidatura presidencial até as últimas consequências? O campo dele se restringe ao PSDB ou o ultrapassa? Se Aécio de fato tem pretensões, o relógio está em contagem regressiva e o tempo dele procurar outro partido está se esgotando. Sem Aécio, fica difícil pensar que a polarização será quebrada, porque o poder agregador de Lula é muito forte sobre os partidos que atualmente compõem a base.

Valor: No âmbito dos Estados, que impactos a crise econômica já provoca?

Déda: Há alguns recuos de investidores privados em certas áreas na indústria de alimentos e na indústria de transformação em Sergipe. Mas não quero me aprofundar, até pelo risco que representa a guerra fiscal com os Estados vizinhos.

Valor: A guerra fiscal entre os Estados foi impulsionada no início dos anos 90 por outra crise econômica. A crise atual pode relançá-la?

Déda: Sem dúvida alguma. A guerra fiscal ganha impulso em circunstâncias de crise. Farinha pouca, meu pirão primeiro.

Valor: Isto diminui as chances de a reforma tributária ser aprovada no Congresso?

Déda: Vai ser muito difícil tocar a reforma tributária, porque isto envolve convencer entes federativos a assumir perdas e todos vão resistir a fazer isto neste momento.

Valor: Do ponto de vista orçamentário, a crise já chegou em seu Estado?

Déda: A crise envolve medidas de precaução e prudência. Estamos trabalhando com a perspectiva de revisão completa do Orçamento do Estado, para ver o que poderemos controlar no custeio. Em 15 dias, devo receber uma proposta de redução de gastos. A meta é conseguir o que foi obtido no primeiro ano de governo, que foi um corte de custeio de 20%. Isto significa um corte de R$ 600 milhões. Nosso Orçamento global é de R$ 4 bilhões.

Valor: E o peso da questão cambial sobre a dívida do Estado?

Déda: Sergipe está enquadrado nos termos da Lei de Responsabilidade Fiscal, nossa dívida é pequena. Mas a questão cambial está afetando a nossa política de tomada de crédito. Temos um projeto quadrienal, o Sergipe Cidade. É um conjunto de ações de apoio a arranjos produtivos locais e educação profissionalizante. Iríamos começar investindo R$ 350 milhões, complementando os recursos restantes com empréstimos do Banco Mundial e do BID. A proposta soma R$ 700 milhões. Agora dividimos o programa em módulos e vamos começar investindo R$ 250 milhões de recursos próprios e o restante do BNDES.

06/10/2008 - 11:02h Ainda sobre os resultados nacionais das eleições municipais

Dois articulistas da Folha de São Paulo dedicam suas colunas de hoje a dimensão nacional do segundo turno na cidade de São Paulo, em sua relação com as eleições presidenciais de 2010.

Fernando de Barros, um deles, conclui seu artigo afirmando: “A vitória de Kassab (além do revés de Aécio em Minas) consolidará Serra como lider da oposição ao PT para 2010. Quem gosta de datas pode anotar: a sucessão do Lulinha paz e amor começou ontem.”

Por sua vez, Fernando Rodrigues, também da Folha, começa seu artigo afirmando: “O eleitorado recorde de 8,2 milhões e os atores envolvidos (DEM-PSDB contra PT) fazem da disputa pela prefeitura de São Paulo uma prévia perfeita da eleição presidencial de 2010″.

Eu não sei se se trata de uma simples manifestação de desejo ou de uma evidente dificuldade para olhar o Brasil. Isto é mais chocante, que em 2006 tivemos uma eleição presidencial, apenas dois anos atrás, que mostrou que o Brasil não começa nos Jardins e não acaba na Marginal Pinheiros.

Em 2004 o PT perdeu a eleição municipal na cidade de São Paulo para os demo-tucanos. Em 2006 a cidade votou majoritariamente em favor do candidato demo-tucano para presidente. Lula foi eleito presidente, porque o Brasil não acompanhou São Paulo.  Ou, dito de outra maneira, Lula deu uma lavada no candidato demo-tucano, mesmo se na cidade de São Paulo e no Estado de São Paulo, bastiões da oposição, os demo-tucanos foram vitoriosos. Ou seja 2004 na cidade de São Paulo não foi previa de nada e seu resultado foi na contra-mão do Brasil dois anos depois. Os articulistas deveriam explicar porque agora seria diferente? 

Incluso porque nos não estamos em 2004. Nas eleições municipais daquele ano os resultados foram mais equilibrados entre a base do governo Lula e a oposição, que combinou um discurso local com um forte discurso opositor ao governo federal, que tinha apenas dois anos de mandato ainda marcados pelo desemprego e o declínio dos últimos anos de FHC. O resultado em 2004 foi equilibrado entre os partidários de Lula e a oposição. Em 2008 é diferente.

Nas eleições municipais de 2008 em lugar do equilibro de 2004, assistimos a uma clara vitória dos partidos aliados a Lula nas principais cidades do Brasil e do PT, particularmente em várias capitais. (ver os artigos do jornal O Estado de São Paulo Base aliada do presidente Lula dirigirá pelo menos 66 das 100 cidades com mais arrecadação; O PT foi o grande vencedor das eleições para prefeito das capitais; O PT e os partidos aliados do governo Lula ganham na maioria das capitais e nas principais cidades do Brasil).

Ambos articulistas, talvez ofuscados pela edição do próprio jornal que obscurece o resultado das eleições municipais no país, pretendem que o resultado eleitoral na cidade é quem determinará em grande medida o resultado de 2010. Mas isto não é assim. A vitória de Marta no segundo turno indiscutivelmente reforçará a vitória já obtida pelo governo e pelo PT no plano federal. Mesmo uma eventual vitória de Kassab, que seguramente permitira que a mídia procure apagar de suas páginas a importância desta vitória nacional de Lula, não tem o poder que desejam os jornalistas de mudar a realidade nacional.

O recuo eleitoral da oposição, com um DEM reduzido a ser quase inexpressivo nacionalmente (salvo aqui neste primeiro turno e por obra exclusivamente de Serra) e um PSDB debilitado, incluso no Estado de São Paulo, pela confirmação do bom desempenho do PT e da base do governo federal, não serão apagados pela vontade dos articulistas e dos jornais paulistanos.

Não representam a opinião pública majoritária no Brasil e os dois artigos são uma demostração clara disto, cuando confrontados com os resultados saidos das urnas, não só em 2006, mas nesta eleição municipal. LF

13/08/2008 - 11:20h O ensaio mineiro das eleições presidenciais

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Aécio Neves, Fernando Pimentel (atual prefeito), Marcio Lacerda e Ciro Gomes em campanha no Mercado Central de Belo Horizonte

Editorial - VALOR

Por enquanto, a inédita coligação em Belo Horizonte, que uniu os dois partidos que tradicionalmente polarizam a eleição, PT e PSDB, em torno de um candidato do PSB que em outra hipótese não teria chance alguma, produziu apenas um candidato obscuro cercado de estrelas por todos os lados. Márcio Lacerda (PSB) desfilou anteontem seu terceiro lugar nas pesquisas ladeado pelo governador Aécio Neves (PSDB), pelo atual prefeito Fernando Pimentel (PT) e pelo deputado Ciro Gomes (PPS) como aquele que pode vir a ser uma criatura política concebida pela transferência direta do prestígio pessoal do governador e do prefeito. A aposta é a de que ambos têm substância eleitoral suficiente não apenas para transformar os 60% dos indecisos em votos favoráveis, mas para fazer da eleição de Lacerda um dado definitivo no jogo eleitoral de 2010, quando se estará decidindo a Presidência da República.

O cearense Ciro Gomes entrou no jogo mineiro por absoluta falta de opções. Por quase seis anos, foi a promessa de candidatura presidencial que aglutinaria todo o bloco governista por obra e graça de um apoio pessoal de Lula, que acenou com essa possibilidade até ceder - à sua maneira - à opção do PT por uma candidatura própria. Também o presidente Lula passou a apostar unicamente na força de seu prestígio - tanto no PT quando junto ao eleitor - para transformar uma ministra técnica, a da Casa Civil, Dilma Rousseff, em sua sucessora. Abrigado num pequeno partido e com chances cada vez mais remotas de coligação com o PT em 2010, Ciro tem que aumentar o seu cacife para ter algum poder de negociação na sucessão de Lula. A vitória do candidato de seu partido em Belo Horizonte é um dado importante, e uma aposta que o une a Aécio, um ex-colega de PSDB - Ciro foi um dos fundadores do partido e saiu batendo a porta no governo de Fernando Henrique Cardoso.

A capital mineira tornou-se uma peça importante no jogo sucessório nacional por falta de opção. Aécio Neves tem que encontrar um caminho próprio que não passe por São Paulo, onde tem um adversário interno declarado, o governador José Serra, e um que pode sempre ser um postulante a qualquer cargo, Geraldo Alckmin. As eleições de BH tornaram-se um modelo do que seria o ideal para ele em 2010: uma aliança entre ele, o PT e o PSB que isole postulantes paulistas; e um acerto com Ciro Gomes, que pode lhe valer uma visibilidade no Nordeste que hoje não tem.

No meio dessa porção de interesses políticos que se projetam a 2010, existe o eleitor da capital mineira. Por enquanto, não é possível dizer que ele vá referendar o projeto político de seu governador e do seu prefeito - este, interessado, no momento, em definir sua hegemonia sobre o diretório mineiro do PT. Os dados objetivos não permitem nenhuma aposta: Jô Morais, do PCdoB, tem hoje o primeiro lugar nas pesquisas, mas é também a mais conhecida do eleitor - e não começou o horário eleitoral gratuito, que apresentará o desconhecido Lacerda e tentará converter o alto grau de aprovação das administrações de Aécio e Pimentel em votos a favor dele. De outro lado, o alto índice de indecisão, e o fato de nenhum dos candidatos a prefeito ter um peso próprio que garanta um claro favoritismo, dá chances a Lacerda de ganhar apenas apresentando ao eleitor o aval de seus apoiadores. Conta também a favor do candidato do PSB, registra uma pesquisa do Instituto Vox Populi, um alto índice de aprovação do eleitorado à aliança entre PT e PSDB, que o apóia.

Se Jô Moraes ganhar, ninguém ganha grandes coisas junto com ela. Se Lacerda perder, perdem Aécio, Pimentel e Ciro Gomes - e a maior chance de a sucessão presidencial sair do círculo de influência paulista. Nessa circunstância, é de se esperar que pelo menos as duas lideranças mineiras joguem todo o seu prestígio e poder não apenas para conseguir votos para Lacerda, mas para conter dissidências. A máquina municipal do PT, sob influência do prefeito, abriu processo na Comissão de Ética contra todos aqueles que declararam apoio público à candidata do PCdoB. É só o começo. O jogo tende a ser pesado - e se for pesado demais, pode ter o efeito contrário e favorecer Jô Morais, numa eleição onde nenhum candidato tem uma fatia de liderança própria - e onde, teoricamente, qualquer vitorioso será um azarão.

17/06/2008 - 20:27h Divórcio tucano

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Quando Menem era presidente de Argentina e decidiu separar-se da esposa, Zulema, esta última recusou-se a sair do domicilio conjugal que no caso era a residência oficial da Presidência da República Argentina. Aguardando que seus agentes resolvam o imbroglio, Menem se mandou para um longo périplo internacional. Só voltou quando a esposa aceitou sair de “casa”.

A imagem voltou a minha memória lendo a nota que postei aqui embaixo sobre o racha do PSDB. José Serra se mandou para uma viagem proverbial enquanto seus acólitos fazem o trabalho de limpar a casa. Amontoados junto com Kassab na convenção do DEM, os serristas pro-Kassab decidiram ir para o pau na convenção e agir contra uma candidatura Alckmin abertamente. No melhor dos casos para Alckmin ele sera lançado candidato por uma fração do PSDB e na pior, seus adversários serristas impedem sua candidatura. Entre os dois extremos esta a opção de uma intervenção da Executiva Nacional do PSDB. Em todos os cenários não haverá final feliz.

Independentemente do desfecho, uma coisa parece evidente: dificilmente Serra e Alckmin compartilharão a mesma “casa” após as eleições municipais e o patamar já atingido pela guerra tucana mostra como é prematuro qualquer debate ou pesquisa sobre 2010. O estado em que sairão os principais tenores tucanos das eleições municipais, vai determinar uma boa parte do percurso para as eleições presidenciais no campo oposicionista. Muita água passará ainda baixo a ponte.

José Serra transformou seu adversário em inimigo e o PSDB num poço de mágoas e ódios. LF

12/05/2008 - 11:39h ELEIÇÕES 2010: O jogo duplo eleitoral do PMDB

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Nas capitais, o partido se divide entre acordos com legendas da base de apoio a Lula e da oposição. Com isso, mantém as portas abertas para qualquer composição nas eleições presidenciais de 2010

Gustavo Krieger - Correio Braziliense

Da equipe do Correio

Na semana passada, o presidente do PMDB, Michel Temer, encomendou à sua assessoria um estudo sobre as alianças do partido em todas as capitais brasileiras. Buscava mostrar que os peemedebistas continuam a ser parceiros do PT e do governo Lula, apesar do impacto provocado pela adesão da seção paulistana do partido à campanha de reeleição do prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab (DEM). Na verdade, o mapa das coalizões deixa claro que o PMDB continua a seguir sua política de sempre. Distribui suas forças entre vários palanques e garante a condição de aliado privilegiado de qualquer um que deseja conquistar o poder.

O governo Lula é o “plano A” do partido, ao menos por enquanto. A escolha faz sentido. Os peemedebistas ocupam cinco ministérios e conquistaram cargos estratégicos de segundo escalão e na direção das maiores empresas estatais. Além disso, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva continua a ter altos índices de popularidade, que fazem dele um importante eleitor nas campanhas municipais deste ano. Ao PMDB interessa disputar as eleições com o rótulo de partido governista.

Esse quadro fez com que o PMDB entrasse com boa vontade nas negociações com o PT em diversas capitais. A legenda deve apoiar candidatos petistas às prefeituras de Vitória, Teresina, Fortaleza, Natal, Porto Velho, Maceió e Belém. Pode ainda fechar com os petistas em Curitiba e no Rio de Janeiro. Na contramão, a única capital na qual os petistas apóiam um nome do PMDB é Goiânia. E lá, a adesão à reeleição do prefeito Iris Rezende rendeu confusão. Foi aprovada por uma estreita margem no diretório regional e os derrotados apresentaram recurso à direção nacional do PT.

“Nas eleições de 2004, PT e PMDB foram aliados em 1.260 cidades”, recita Temer, depois de um cuidadoso estudo. “Este ano, o número vai aumentar”, prevê. Tudo bem, mas os números escondem uma relação complicada entre as duas legendas. Os conflitos são mais comuns que os acordos. São Paulo é o caso mais sintomático. O ex-governador Orestes Quércia negociou o apoio a Kassab diretamente com o governador de São Paulo, José Serra (PSDB), principal adversário do PT e do governo Lula. Quércia já anunciou o apoio à candidatura presidencial de Serra em 2010.

Os dois partidos vão se enfrentar nas urnas em outras capitais importantes. Há antigas desavenças, como em Recife, onde o PMDB é controlado pelo senador Jarbas Vasconcelos, um dos poucos parlamentares da legenda que não aderiu ao governo Lula. E há problemas novos, como Salvador. Em 2006, o PMDB baiano apoiou a candidatura do petista Jaques Wagner ao governo. O acordo rendeu ao deputado Geddel Vieira Lima o convite para o ministério da Integração Nacional, mas não resistiu à campanha municipal. O PT deveria ter apoiado a reeleição do prefeito João Henrique (PMDB). Como ele enfrenta dificuldades e está com a popularidade em baixa, os petistas desembarcaram e vão lançar candidato próprio.

Temer minimiza as diferenças. “Conversei com o presidente Lula sobre o caso de São Paulo e de outras capitais. Ele entendeu que são questões locais. Embora nossos partidos sejam nacionais, sua vocação é regional.”

Planalto
A situação é mais complicada e Lula está preocupado em perder o PMDB. As relações entre o partido e o PT são tradicionalmente tensas porque eles disputam o poder em boa parte dos estados. Desde que foi reeleito, Lula atua como uma espécie de árbitro. Para assegurar a fidelidade do PMDB no Congresso cedeu mais ministérios ao partido. O PT perdeu espaços, reclamou mas acabou aceitando.

Um sinal de preocupação foi que nos últimos dias Lula fez dois movimentos para ampliar seu diálogo com o PMDB. Pediu a Temer que ele formasse uma espécie de conselho informal no partido. Além do próprio Temer, esse conselho é integrado pelo líder na Câmara, Henrique Eduardo Alves (RN), Geddel Vieira Lima e o ministro da Defesa, Nelson Jobim. O nome-chave nessa operação é Jobim. Lula quer que ele presida a legenda a partir do ano que vem, quando Temer é cotado para disputar a presidência da Câmara. Para isso, precisa reaproximar seu ministro da atual direção partidária. O segundo movimento foi uma reaproximação com o senador Renan Calheiros (AL), importante aliado do governo.

Lula tem dito que quer um candidato único da base governista. O PMDB tenta se cacifar para indicar esse nome. A única alternativa concreta é o governador de Minas Gerais, Aécio Neves. Ele tem sido cortejado a deixar o PSDB, mas é uma operação difícil.

Entre os principais líderes do PMDB, a única certeza é que a fidelidade ao governo Lula tem prazo de validade. Vai até o início de 2010. Se então o governo não apresentar um candidato viável à sucessão de Lula, o partido pode ficar neutro ou mesmo aderir aà Serra. “Já estivemos no palanque com o PSDB e não temos nenhum veto”, diz um ministro de Lula, sob condição de ficar no anonimato.

O PMDB sairá das eleições municipais com todas as portas abertas.

Relações entre pmdb e pt nas capitais

Acordo

Vitória (ES) - O PMDB vai apoiar a reeleição do prefeito João Coser, do PT.

Goiânia (GO) - O PT decidiu apoiar a reeleição do prefeito Iris Rezende (PMDB), mas a decisão rachou o partido e há um recurso ao Diretório Nacional.

Teresina (PI) - O PMDB vai apoiar o candidato do PT, deputado Nazareno Fonteles.

Fortaleza (CE) - O PMDB apoiará a reeleição da prefeita, a petista Luzianne Lins.

Natal (RN) - O PMDB deve apoiar o candidato do PT, que ainda não definiu nome.

João Pessoa (PB) - Os dois partidos integram a coligação para a reeleição do prefeito Ricardo Coutinho (PSB).

Porto Velho (RO) - O PMDB deve apoiar a reeleição do prefeito Roberto Sobrinho, do PT.

Boa Vista (RR) - Os dois partidos devem apoiar a reeleição do prefeito Iradilson Sampaio (PSB)
Lados Opostos

Porto Alegre (RS) - O clima é de confronto. O prefeito José Fogaça, do PMDB, concorre à reeleição. Sua principal adversária é a deputada
Maria do Rosário, do PT.

Florianópolis (SC) - Não há acordo. O prefeito Dário Berger tenta se reeleger e o PT terá candidato próprio.

São Paulo (SP) - O PMDB fechou acordo para apoiar o prefeito Gilberto Kassab, do DEM. O PT quer lançar a candidatura da ministra Marta Suplicy.

Salvador (BA) - A aliança fechada para as eleições de 2006 foi desmontada. O PT terá candidato próprio e não apoiará a candidatura à reeleição do prefeito João Henrique, do PMDB.

Campo Grande (MS) - Haverá disputa. O PMDB quer reeleger o prefeito Nelson Trad Filho, mas o PT terá candidato próprio. Pode ser o ex-governador Zeca do PT.

Palmas (TO) - O PMDB rompeu o acordo que tinha feito para eleição do prefeito Raul Filho (PT) e não vai apoiar sua reeleição. Deve ter candidato próprio, que pode ser o deputado estadual Eli Borges.

Recife (PE) - Vai haver disputa. O PMDB lançou o deputado Raul Henry e o PT está definindo candidato.

São Luiz (MA) - Não há acordo. O PT vai apoiar o deputado Flávio Dino (PCdoB) e o PMDB lançará Gastão Vieira.

Rio Branco (AC) - Os dois partidos são os principais adversários. O PT tenta reeleger o prefeito Ronaldo Angelim e o PMDB está na oposição.

Indefinição

Belo Horizonte (MG) - O PMDB ainda negocia a possibilidade de apoiar
Márcio Lacerda, candidato do PSB, que tem o apoio do governador Aécio Neves (PSDB). O PT local quer entrar na chapa, mas foi vetado pela direção nacional.

Curitiba (PR) - O governador Roberto Requião sinalizou a possibilidade de apoiar a candidata do PT, Gleice Hoffmann, mas as conversas ainda não estão fechadas.

Rio de Janeiro (RJ) - A tendência do PMDB é apoiar o deputado estadual Alessandro Molon, candidato do PT, mas ainda há resistências no grupo do ex-governador Anthony Garotinho.

Cuiabá (MT) - Os dois partidos estão em negociação. O PMDB condiciona a aliança em Cuiabá ao apoio do PT a seus candidatos em cidades do interior. Os peemedebistas negociam em paralelo com o PSDB.

Manaus (AM) - As negociações ainda estão em andamento. O PMDB pode lançar candidato, aliar-se a Amazonino Mendes (PTB) ou com o vice-governador, Omar Aziz. O PT também negocia alianças.

Macapá (AP) - O PMDB deve lançar a deputada Fátima Pelaes. O PT ainda negocia alianças.

Belém (PA) - A tendência é que o PMDB apoie um candidato do PT, mas o deputado Jader Barbalho, que coordena o partido no estado, anda distante da governador Ana Júlia.

Maceió (AL) - O PMDB está próximo do PT, mas ainda não decidiu se apoiará formalmente o deputado Judson Cabral, candidato do PT.

Aracaju (SE) - Há uma disputa interna no PMDB. O senador Almeida Lima quer ser candidato a prefeito e comanda o diretório municipal. Outra ala, comandada por Jackson Barreto, defende o acordo com o PT, em torno da reeleição do prefeito Edvaldo Nogueira (PCdoB).

Aliança de BH avança sem PT

Enquanto o PT não toma a decisão final sobre a aliança com a presença dos tucanos em Belo Horizonte, o que só deve ocorrer em 26 de maio, PSDB e PSB começam a avançar o debate esta semana para as questões programáticas da candidatura do secretário de estado de Desenvolvimento Econômico, Márcio Lacerda (PSB). A primeira conversa neste sentido deve ser marcada para esta sexta-feira.

Sem enfrentar os problemas internos que emperram a participação dos petistas, os dois partidos também seguem com as costuras para o pleito e pretendem trazer outras legendas para a coligação. Segundo o presidente do PSDB no estado, Custódio Mattos, será o início da integração das duas gestões partidárias. O encontro foi marcado para esta semana, faltando confirmar o dia, sem a previsão de participação do PT.

Segundo Mattos, a formalização anteontem do PSDB na aliança pela Executiva municipal petista foi um avanço, mas o partido ainda tem questões internas a resolver. “De nossa parte, o principal é que a coligação com o PSB já está consolidada. Agora, seria muito bom o PT participar”, afirmou.

De acordo com o dirigente tucano, os partidos estão dando um prazo para o PT mas, ao mesmo tempo, precisam avançar nas conversas.

28/04/2008 - 18:24h CNT/Sensus: Aprovação do governo ultrapassa índice de 2003. Maioria aprova nova candidatura de Lula

Pesquisa

O Globo

 

Rodrigo Vizeu - O Globo OnlineBRASÍLIA - Pesquisa do Instituto Sensus divulgada nesta segunda-feira pela Confederação Nacional dos Transportes (CNT) mostra que maioria aprova uma mudança na Constituição para que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva possa se candidatar a mais uma reeleição. O levantamento indica também um novo recorde de aprovação do governo Lula.


Segundo a pesquisa, 50,4% da população se dizem a favor de uma proposta que permitisse um terceiro mandato. O número de contrários à idéia é de 45,4%. Não souberam ou não responderam 4,3% dos entrevistados. Em entrevista concedida aos jornais do grupo Diários Associados e publicada no domingo o presidente voltou a condenar a idéia do terceiro mandato, dizendo que é “obsceno para a democracia”.

A consolidação da aprovação tem como principal fator o desempenho da economia


Caso existisse a possibilidade um terceiro mandato, 51,1% dariam a vitória ao presidente Lula, enquanto 35,7% prefeririam o governador de São Paulo, José Serra (PSDB). Em uma simulação de votos válidos, a vitória de Lula sobre Serra (58,8% contra 41,2%) seria menos ampla do que foi em 2002 (61,3% contra 38,7%) e em 2006, contra Geraldo Alckmin (60,8% a 39,2%).

Aprovação do governo sobe cinco pontos em relação a fevereiro

O governo do presidente Lula alcançou 57,5% de aprovação em abril, segundo a CNT/Sensus. A aprovação do governo Lula é cinco pontos acima do resultado de fevereiro, quando se registrou 52,7% de avaliação positiva, e mais alto mesmo que o antigo recorde de aprovação: 56,6%, em janeiro de 2003, mês da posse de Lula. Em relação a fevereiro de 2008, o índice de avaliação negativa caiu de 13,7% para 11,3% e o de regular foi de 32,5% a 29,6%.

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A opinião positiva da população sobre o desempenho pessoal do presidente Lula também subiu, de 66,8% em fevereiro para 69,3% em abril. A desaprovação caiu de 28,6% para 26,1%.

- A consolidação da aprovação tem como principal fator o desempenho da economia, a geração de empregos. Há também os programas sociais. Ressaltamos ainda a boa e fácil comunicação do presidente, sintetizada na sigla PAC (Programa de Aceleração do Crescimento). Existe uma sensação de um governo eficiente. Existe a sensação de que o crescimento está ocorrendo por causa dessas obras - analisou o presidente da CNT, Clésio Andrade.

Serra lidera pesquisa de intenção de voto para 2010

A pesquisa também perguntou sobre as intenções de voto dos entrevistados para as eleições presidenciais de 2010. O governador de São Paulo, José Serra (PSDB), estaria em primeiro lugar com 36,4%, em um dos cenários criados pela pesquisa. O deputado federal Ciro Gomes (PSB-CE) teria 16,9% dos votos, contra 11,7% da ex-senadora Heloísa Helena (PSOL) e 6,2% da ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff (PT).

Em uma hipótese em que o governador de Minas Gerais, Aécio Neves, seria o candidato tucano, Ciro lideraria com 23,5% das intenções de votos, contra 17,5% de Heloísa Helena, 16,4% de Aécio e 7% de Dilma. Caso o PSDB lançasse o ex-governador paulista Geraldo Alckmin, Ciro continuaria na liderança, com 23,2%, contra 17,2% de Alckmin, 16,3% de Heloísa Helena e 7,6% de Dilma.

Em um último cenário, a CNT/Sensus trocou a candidata petista Dilma pelo ministro Patrus Ananias (Desenvolvimento Social e Combate à Fome), gestor do Bolsa Família. Neste caso, Serra seria o líder, com 34,2%, seguido de Ciro (17,8%), Heloísa (14,1%) e Patrus (3,8%).

No caso de um segundo turno, a CNT indicou os seguintes cenários: Serra venceria Dilma por 53,2% a 13,6%, Aécio derrotaria a ministra por 32,1% e 18,3%, Serra ficaria com 55,1% contra 8,2% de Patrus e Serra superaria Ciro por 43,7% contra 25,5%.

Dossiê: 51,2% têm conhecimento e 17,4% citam Dilma

A sondagem mostrou que 51,2% da população têm acompanhado ou ao menos ouviu falar do episódio do dossiê com gastos sobre o governo Fernando Henrique Cardoso. 36,4% desconhecem o caso. Dos que estão a par das denúncias, a maioria (21,1%) acredita que a principal responsabilidade da elaboração e divulgação do dossiê é de membros da CPI mista do Cartão Corporativo. A ministra Dilma é citada por 17,4% dos entrevistados. Em seguida aparecem assessores da ministra (13,1%), a instituição Casa Civil (9%) e a Secretaria-Geral da Presidência da República (8,3%).

O levantamento apontou que 57,9% dos entrevistados têm acompanhado ou ouviram falar dos trabalhos da CPI do Cartão. No entanto, 58,1% não acreditam que a comissão vai analisar de forma isenta as denúncias. A maior parte das pessoas (57,8%) defende que o Congresso apure as denúncias de mau uso do cartão tanto no governo do PT quando no do PSDB. 12,7% querem investigação apenas das contas petistas e 6,1% só na gestão tucana. Outros 12,2% são contra que o Congresso investigue as denúncias.

Mas é óbvio que a visibilidade dela (Dilma) influencia. Quem está do lado do presidente Lula e acredita que ele não fez nada, também vai achar que ela não fez nada


Chamou atenção que, em meio à crise do dossiê da Casa Civil sobre gastos do governo FH, a ministra Dilma Rousseff tenha melhorado seus índices em todos os cenários na pesquisa de intenção de voto. Apesar de o maior deles terem sido dentro da margem de erro da pesquisa, Dilma se destacou na hipótese de segundo turno com Aécio Neves, saltando de 14,5% em fevereiro para 18,3% em abril, e no embate com Serra, indo de 9,2% a 13,6%.

- Está na margem de erro, não é possível falar em crescimento. Mas é óbvio que a visibilidade dela influencia. Quem está do lado do presidente Lula e acredita que ele não fez nada, também vai achar que ela não fez nada - afirmou o presidente da CNT, Clésio Andrade.

No caso da pesquisa espontânea, em que não é apresentado aos entrevistados uma lista de candidatos, o presidente Lula lidera com 29,4%. Serra tem 5%, seguido de Aécio (2,9%), Alckmin (2,4%), Heloísa (1,7%) e Ciro (1,5%). Somadas, as demais citações chegam a 3%.

O pesquisador do Instituto Sensus Ricardo Guedes ressalta para o alto índice de pessoas que não souberam responder a pergunta, algo esperado a mais de dois anos da eleição, chegando a 44,5% no caso da pesquisa espontânea e 11,2% no cenário com Serra, Ciro, Heloísa e Dilma.

Dengue: para 43,2%, responsabilidade é da sociedade

Para 43,2% dos entrevistados, o surto de dengue é culpa da falta de atuação de toda a sociedade. A responsabilidade apenas dos moradores é apontada por 32,7% da população, seguido de prefeituras (7,7%), Ministério da Saúde (7,6%) e governos estaduais (4,3%). Para 2,8%, a situação não tem culpados, já que os fatores que levaram ao aumento de casos doença seriam naturais.

Caso Isabella é de conhecimento de 98,2%A pesquisa indica ainda que 98,2% da população brasileira tem conhecimento do assassinato da menina Isabella Nardoni, ocorrido no final de março. Apenas 1,2% afirmaram desconhecer o episódio, contra 0,7% que não soube ou não quis responder. Segundo Ricardo Guedes, pesquisador do Instituto Sensus, esse foi o maior índice de conhecimento sobre algum assunto já registrado na série de pesquisas CNT/Sensus, iniciada em 1998.

Para 71,8% dos entrevistados, a mídia tem acompanhado o caso de forma adequada e com competência. Outros 24,3% acreditam que a cobertura noticiosa tem sido feita de forma inadequada ou incompetente.

A pesquisa CNT/Sensus foi realizada entre 21 e 25 de abril e entrevistou 2.000 pessoas em 136 municípios de 24 estados do país, em todas as cinco regiões. A margem de erro é de três pontos percentuais.

01/02/2008 - 13:50h PMDB condiciona aliança com PT em 2010 a acordo nas eleições deste ano

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Raymundo Costa - VALOR

A eventual aliança entre PT e PMDB em 2010, como quer e tem defendido o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, precisa passar no teste das eleições municipais de 2008, segundo avaliação feita na cúpula pemedebista. Para o PMDB, Lula e os petistas estão atrasados em relação a PSDB e DEM e precisam abrir logo negociação em torno de quatro praças que considera decisivas para para o futuro da aliança - São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte e Salvador, não por acaso, as capitais dos quatro maiores colégios eleitorais do país.

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