14/12/2008 - 09:15h O fator político do crédito

Celso Ming - O Estado SP

celso_ming.jpgO presidente Lula descobriu o crédito como instrumento de ação política.

E entendeu também o contrário disso. Entendeu que o estancamento e o aumento de custo do crédito podem sabotar politicamente um governo.

Financiamento farto e barato aumenta o consumo, num momento em que as classes médias crescem no País. Isso é bom para todos: para o trabalhador, que melhora seu padrão de vida; para as empresas, que aumentam seu faturamento; e para o mercado de trabalho, que garante mais emprego.

Quanto mais farto e barato o crédito, mais fácil fica garantir apoio político. O trabalhador que troca de TV e paga suas prestações sente que melhorou de vida e, assim, fica mais disposto a apoiar o Lula-lá. Quando o crédito emperra, a vida fica mais difícil e o principal candidato a culpado é o governo. “Todas as medidas que acabamos de tomar são para facilitar o crédito”, avisou o presidente.

O governo entendeu que não há apenas a crise. A atuação dos bancos está sabotando o crédito enquanto funciona como correia de transmissão de apoio político. Em algumas semanas, sem que os juros básicos e o custo de captação tivessem aumentado, graças ao regime de oligopólio de que desfrutam, os bancos aumentaram seu rendimento nas operações de crédito. (O Confira mostra o que já vinha acontecendo.)

Mais do que isso, Lula percebeu que os dois maiores bancos de varejo diretamente sob controle do governo federal, o Banco do Brasil e a Caixa Econômica Federal, fazem seu jogo sem olhar para o que pede o governo. Em vez de acionarem sua capacidade de manobra (cobrem 40% do crédito no País) para baixar o custo dos tomadores de crédito, trabalham em direção oposta. Estão entre os que mais cobram pelas tarifas e pelo crédito.

O mercado de crédito ainda é nanico no Brasil. Equivale a apenas 40% do PIB, quase uma insignificância diante da proporção atingida em outros países. Nos Estados Unidos, é de 284%; na Coréia do Sul, 98%; e no Chile, 67%.

Esse segmento atrofiou aqui nos anos 80, quando o rombo do governo passou a ser coberto não mais com emissão de moeda, mas com aumento da dívida pública. Foi quando o Tesouro avançou sobre o crédito e não deixou quase nada para o setor privado.

A partir de 2003, a dívida pública foi controlada e agora está abaixo de 40% do PIB. Foi o que abriu espaço para a ampliação do crédito ao setor privado. Lula teve o mérito de estimular o crédito consignado (cujos encargos são pagos diretamente do salário e da aposentadoria) e de empurrar o financiamento habitacional.

Mas talvez não tenha percebido que essa expansão não pode ser aproveitada plenamente como vantagem política se antes não for atacada a questão de fundo, que é a encrenca fiscal. Como ficou dito, só a partir do momento em que a dívida pública foi enquadrada é que se abriu espaço para o crescimento do crédito.

Não foi apenas o crédito interno que cresceu. O fortalecimento dos fundamentos da economia melhorou, também, o externo. E foi esse segmento que, nas últimas semanas, foi travado pela crise, o que fez grandes empresas recorrerem ao crédito interno. A partir daí, os bancos se sentiram à vontade para cobrar da arraia miúda o quanto queriam. E o jogo ficou politicamente inaceitável.

20/10/2008 - 07:40h Crise esfacela preço dos imóveis nos EUA

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Ricardo Balthazar - VALOR

O declínio continuado dos preços dos imóveis nos Estados Unidos está agravando os problemas existentes no mercado imobiliário americano, corroendo o patrimônio de milhões de pessoas que compraram suas casas recentemente e gerando novas complicações para o sistema financeiro e a economia do país.

Com o desemprego em alta e a recessão batendo à porta, muitas famílias têm suado para continuar pagando suas hipotecas. Elas alcançaram o sonho da casa própria obtendo empréstimos em condições muito vantajosas nos últimos anos e agora estão com dificuldades porque as prestações subiram e não cabem mais no orçamento doméstico.

Mas até proprietários que têm condições de ficar em dia deixaram de pagar suas dívidas, devido aos prejuízos provocados pela desvalorização dos imóveis. Essas pessoas preferem perder as casas em que moram e ver o investimento feito até agora evaporar, porque a perda financeira seria maior se elas continuassem honrando seus compromissos.

Cerca de 12 milhões de pessoas têm atualmente dívidas superiores ao valor de suas residências, segundo a consultoria Moody’s Economy.com. Pagar a hipoteca em dia nessas circunstâncias é perder dinheiro na certa. De cada seis pessoas que moram em casa própria nos Estados Unidos, uma se encontra nessa situação.

O governo, o Congresso e a iniciativa privada lançaram nos últimos meses diversos programas para renegociar essas dívidas e evitar que os problemas se alastrem ainda mais. Mas os resultados foram pífios. Muitos proprietários que conseguiram renegociar hipotecas com os bancos voltaram a ficar inadimplentes pouco tempo depois.

“Em geral os novos contratos se limitam a empurrar o problema com a barriga, mantendo as cláusulas que fizeram as prestações aumentar e cobrando os atrasados lá na frente”, disse Lou Tisler, diretor-executivo da Neighborhood Housing Services, empresa que ajuda proprietários com problemas a renegociar suas dívidas no Estado de Ohio.

A bolha especulativa que inflou o mercado imobiliário americano no início da década estourou em meados de 2006. Desde então, os preços dos imóveis nos EUA caíram 21%, conforme o índice S&P/Case-Shiller, principal termômetro do setor. Os economistas acreditam que os preços continuarão caindo por vários meses antes de encontrar um ponto de equilíbrio.

Quem comprou no auge da bolha é quem mais está sofrendo agora. Segundo o site Zillow, que compila informações sobre negócios feitos no país inteiro, 45% dos proprietários que adquiriram imóveis em 2006 e 37% dos que fizeram isso em 2005 têm agora dívidas superiores ao valor que poderiam obter se vendessem suas propriedades.

O fim da bolha imobiliária está na raiz da crise de confiança que atualmente sufoca o sistema financeiro global. Os empréstimos feitos nos tempos de euforia foram usados para lastrear trilhões de dólares em títulos que hoje estão azedando nas carteiras de bancos, seguradoras e outras instituições financeiras.

A inadimplência no setor não pára de aumentar, dois anos depois da implosão da bolha. Mais de 6% das hipotecas estavam com pagamentos em atraso no fim de junho, segundo a Associação dos Banqueiros de Hipotecas. Entre os clientes de alto risco que foram os primeiros a deixar de pagar, 19% estão inadimplentes atualmente e correm o risco de perder suas casas.

Além do impacto direto sobre o sistema financeiro, os problemas do setor imobiliário contribuem para a desaceleração da atividade econômica. Os proprietários endividados estão apertando o cinto e deixaram de consumir como antigamente. Com o mercado cheio de casas que ninguém quer comprar, as construtoras estão cancelando obras e demitindo funcionários.

Muitos economistas acham que forçar a renegociação das hipotecas em termos mais generosos seria a melhor maneira de superar a crise atual, porque isso ajudaria a valorizar os ativos dos bancos e a reanimar a atividade econômica. Mas o governo tem preferido usar o seu dinheiro para lubrificar as engrenagens dos mercados de crédito e reerguer os bancos em dificuldade, sem atacar diretamente os problemas do mercado imobiliário.

“O governo deveria ter agido muito antes para evitar que o problema fugisse ao controle”, disse o advogado Michael Barr, professor de direito da Universidade de Michigan. “O trágico é que o governo esperou meses para intervir e deixou os proprietários endividados por último na fila dos que terão ajuda.”

Um dos fatores que torna complicada a renegociação das hipotecas é a forma como os empréstimos foram empacotados e vendidos pelos bancos. Muitos dos títulos que têm as hipotecas como lastro possuem cláusulas que impedem a renegociação dos contratos originais. Os credores desses títulos são investidores do mundo inteiro que não têm condições de negociar com os proprietários inadimplentes.

Uma associação formada por bancos, companhias hipotecárias e organizações assistenciais chamada Hope Now Alliance conseguiu nos últimos meses renegociar as hipotecas de 2,6 milhões de pessoas, evitando que elas perdessem suas casas. Mas na maioria dos casos houve apenas um pequeno abatimento nos juros, sem redução do principal da dívida, o que significa que essas pessoas certamente terão novos problemas no futuro.

Um estudo feito pelo banco Credit Suisse, que analisou milhares de contratos modificados recentemente, concluiu que quase um terço dos proprietários que renegociaram seus empréstimos no último trimestre do ano passado voltaram a ficar inadimplentes depois de oito meses. Um quarto dos que tiveram redução do principal voltaram a atrasar os pagamentos da hipoteca nesse mesmo período.

Em julho, o Congresso americano autorizou o governo a gastar US$ 300 bilhões para renegociar hipotecas de quem estiver com a corda no pescoço. O governo oferecerá empréstimos com taxas de juros fixos e 30 anos para pagar, desde que os atuais credores concordem em abater o principal e os proprietários tenham os documentos em ordem, condição que poderá excluir muitos imigrantes que se endividaram no auge da bolha.

Estima-se que o programa do governo poderá beneficiar cerca de 400 mil pessoas, uma pequena fração dos milhões de proprietários que estão atravessando dificuldades. Quase três meses depois de aprovado pelo Congresso, o plano ainda não começou a ser executado por causa de questões burocráticas.

Bancos e companhias hipotecárias também têm perdas significativas com a inadimplência de seus clientes. Em geral, eles têm recuperado menos da metade do valor dos imóveis nos casos em que decidem retomar as casas dos proprietários inadimplentes para cobrir seus prejuízos. Ninguém será obrigado a participar do programa do governo. Ele terá caráter voluntário.

Muitos especialistas têm sugerido ao governo mecanismos para incentivar a participação dos credores. Uma proposta que surgiu prevê a substituição das hipotecas com problemas por contratos em que as condições seriam revistas periodicamente conforme a evolução dos preços dos imóveis, o que reduziria os riscos para os proprietários e seus credores. “Seria também uma forma de evitar a formação de novas bolhas no futuro”, disse o economista Andrew Caplin, da Universidade de Nova York.

25/09/2008 - 08:49h Baixa renda terá casa subsidiada

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Governo quer ampliar aplicação do FGTS no crédito para habitação

Lu Aiko Otta - O Estado SP

A nova classe média, que nos dois últimos anos fez disparar as vendas de eletrodomésticos e automóveis, amparada por crédito fácil e prestações a perder de vista, deverá chegar também à casa própria. O governo prepara novas medidas cujo objetivo é massificar o crédito habitacional para famílias com renda mensal até cinco salários mínimos (R$ 2.075).

“Elas vão deixar de ser consumidoras só de linha branca e ter acesso a um financiamento habitacional”, disse ao Estado a secretária nacional de Habitação, Inês Magalhães. A estimativa é que, nos próximos 15 anos, surgirão 27 milhões de novas famílias no Brasil. Dessas, metade estará na classe média.

As medidas fazem parte do Plano Nacional de Habitação (Planhab), que começou a ser elaborado no ano passado e traça metas para o combate ao déficit habitacional até 2023. O plano está em reta final e deverá ser divulgado em meados de outubro, mas algumas medidas levarão mais tempo para sair do papel, pois terão de ser apreciadas pelo Congresso Nacional. A expectativa é que até lá o quadro econômico esteja mais calmo.

Quando em vigor, as novas medidas levarão a um uso mais intensivo dos recursos do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS). Esse é o principal argumento levantado pelo ministro do Planejamento, Paulo Bernardo, para explicar por que o governo não pretende autorizar que o dinheiro do fundo seja aplicado na Petrobrás para financiar investimentos na exploração de petróleo na camada pré-sal. Aplicado em ações, o dinheiro não poderá financiar a casa própria.

“O dinheiro do FGTS é fundamental, é imprescindível para fazer o atendimento do plano”, afirmou Inês. Para o presidente da Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC), Paulo Safady Simão, autorizar a aplicação do FGTS na Petrobrás significaria desviar os recursos de sua finalidade original, que é habitação e saneamento para a população de baixa renda, para aumentar rendimentos que estão concentrados na classe média. “É até uma questão de egoísmo”, atacou.

Hoje, as famílias com renda até cinco salários mínimos já têm acesso a empréstimos a juros baixos com recursos do FGTS. No entanto, os valores e prazos dos financiamentos oferecidos muitas vezes ainda são insuficientes para comprar uma casa. “O dinheiro é usado mais para a compra de material de construção”, disse Inês.

Para contornar o problema, o Planhab pretende criar um fundo garantidor, que protegerá os bancos dos riscos de conceder empréstimos mais longos e de valor mais elevado para esse segmento da população. O fundo ainda não está totalmente desenhado, mas sua composição deverá envolver recursos do Tesouro Nacional.

“Não tem como enfrentar a questão do déficit habitacional sem envolver algum subsídio”, afirmou Inês. Já para Simão, que participa das discussões do Planhab, há condições de o fundo garantidor ser constituído apenas com recursos privados.

Com a criação de produtos financeiros para a nova classe média, a expectativa é que aumente também a oferta de imóveis destinados a essa faixa de renda. Hoje, disse a secretária, o mercado atende apenas a renda mais elevada.

31/07/2008 - 18:55h Leitora do Blog fornece informações úteis sobre financiamento da casa própria pela Caixa

moradia.jpgOlá, Luis!
Sempre leio o blog, e gosto muito! Quando vi essa matéria da possibilidade de financiamentos, me interessei, e segui o conselho que você postou, logo de cara. Fui a uma agência da Caixa Econômica Federal. Não sou cliente, mas fui muito bem atendida por uma funcionária do setor da habitação, que explicou direitinho o que a matéria que você postou contava. E é mesmo muito interessante. Não costumo escrever em blogs, mas hoje acessei o seu para recuperar a matéria. E vi que muita gente, como eu, teve interesse. Então, para ajudá-los quero comentar que quem é cliente pode ligar para a Ouvidoria da Caixa: 0800 725 7474 ou para o Disque Caixa 0800 726 0101 para tirar dúvidas e ter mais informações. Quem não é cliente, você já havia indicado o site da caixa: http://www.caixa.gov.br, que tem um link para simulações. A dica é boa! Feita a simulação, se interessar, é só procurar o gerente da CEF mais próxima de sua casa, para mais informações. E quem quiser fazer o financiamento tem abrir uma conta. Não é difícil. É fácil. E eu queria agradecer a matéria, que me chamou a atenção, e o conselho. A gente tem de batalhar pelo teto próprio!
Abs, Bete