21/02/2009 - 15:08h Nós precisamos de uma ”nova internet”?

Pesquisadores discutem a possibilidade de recomeçar tudo do zero para garantir mais segurança na rede

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John Markoff – O Estado SP

Há duas décadas, um estudante da Universidade Cornell, de 23 anos, levou a internet à beira do desastre com um simples software que saltava de um computador para outro a uma velocidade atroz, obstruindo a então minúscula rede em poucas horas.

A finalidade desse programa era ser uma espécie de “Kilroy esteve aqui” digital. Mas um erro de programação tornou-se um arauto anunciando a chegada de um ciberespaço mais sinistro, que seria mais um espelho de todo o caos e conflitos do mundo físico e não de um utópico refúgio disso tudo.

Desde então as coisas pioraram, e muito. A tal ponto que há uma crença cada vez mais forte entre engenheiros e especialistas da área de que a segurança e a privacidade na internet acabaram se tornando algo tão ilusório que o único meio de solucionar esse problema é recomeçar tudo de novo.

O grande debate é como seria essa nova internet. Uma alternativa seria a criação de uma “comunidade fechada” onde os usuários desistiriam do seu anonimato e de algumas liberdades em troca de segurança.

Hoje isso já ocorre com muitos usuários no âmbito do governo ou empresas. Quando uma nova rede, mais segura, for amplamente adotada, a atual internet acabará sendo a vizinha nociva do ciberespaço.

Você entra nela por sua própria conta e risco, mas sempre muito atento enquanto estiver por ali. “Se não nos dispusermos a repensar a internet de hoje”, diz Nick McKeown, engenheiro de Stanford envolvido na criação da nova rede, “podemos esperar uma série de catástrofes públicas”.

E isso foi bastante martelado no ano passado, quando um software nefasto, que teria sido lançado na rede por uma gangue criminosa da Europa Oriental, surgiu repentinamente, conseguindo enganar facilmente as melhores defesas cibernéticas do mundo.

Conhecido como Conficker, o programa rapidamente contaminou mais de 12 milhões de computadores, fazendo o maior estrago nos sistemas, afetando de centros cirúrgicos da Inglaterra a redes do exército francês.

O Conficker é uma bomba-relógio. Pode ainda hoje atacar todos aqueles computadores infectados e juntá-los numa vasta rede, formando um supercomputador, chamado Botnet, controlado clandestinamente pelos seus criadores.

O que ocorrerá proximamente ainda é um mistério. O Conficker pode ser usado como o mais poderoso mecanismo de spam do mundo, para distribuir programas que servem para lograr os usuários, levando-os a comprar proteção antivírus falsa.

Ou muito pior. Pode também ser usado para apagar seções inteiras da internet. Mas, que qualquer modo, o Conficker demonstrou que a rede continua muitíssimo vulnerável a um ataque concertado.

Os criadores da internet jamais imaginaram que a rede de pesquisa acadêmica e militar um dia teria que suportar o peso de transportar todo o comércio e comunicações do mundo. Não havia nenhum ponto central de controle, e a ideia era que uma rede pudesse trocar dados com qualquer outra rede. A questão da segurança recebeu menos atenção. Mas, desde então, enormes esforços têm sido feitos para ampliar a segurança, com poucos resultados.

“Em muitos aspectos, estamos hoje numa situação muito pior do que há vinte anos, pois todo o dinheiro foi aplicado para resolver os problemas atuais, no lugar de ser investido para redesenhar a nossa infraestrutura”, disse Eugene Spafford, diretor executivo do Centro de Educação e Pesquisa em Segurança da Informação, na universidade de Purdue.

Embora o setor global de segurança de computadores esteja em franca ascensão, com receitas que devem chegar a US$ 79 bilhões no próximo ano, e o fato de que, em 2002, a própria Microsoft iniciou um intenso trabalho para melhorar a segurança do seu software, a segurança na internet continua deteriorando globalmente.

É por isso que os cientistas amparados por fundos federais destinados à pesquisa e trabalhando em colaboração com o setor, estão tentando encontrar o melhor meio para recomeçar tudo novamente. Em Stanford, onde os protocolos de software da internet original foram criados, os pesquisadores desenvolvem um sistema que torne possível introduzir uma rede mais avançada discretamente embaixo da internet de hoje. No final do verão, essa rede estará em funcionamento em oito redes de universidades por todo o país.

A ideia é criar uma nova internet com maior segurança e capacidade para suportar uma nova geração de aplicativos ainda não inventados, e também fazer coisas que a internet atual mal consegue – como dar suporte a usuários de celulares.

O projeto chamado Stanford Clean Slate não vai resolver todos os principais problemas de segurança da internet, mas deve equipar os criadores de software e hardware com um conjunto de ferramentas que farão com que os programas de segurança sejam uma parte mais integral da rede, dando às autoridades policiais recursos mais eficazes para rastrear criminosos no ciberespaço. E só isso já pode ser um meio de dissuasão.

Apesar de todo esse esforço, os limites reais da segurança dos computadores podem estar na natureza humana. O atual design da internet garante virtualmente o anonimato dos usuários. Mas hoje esse anonimato é o desafio mais incômodo para as autoridades. Um agressor na internet pode rotear uma conexão através de muitos países para ocultar a sua localização, que pode ser em uma conta num Internet Café adquirida com um cartão de crédito roubado.

“Logo que você começa a lidar com a internet pública, a noção de confiança se perde num atoleiro”, disse Stefan Savage, especialista em segurança de computadores na Universidade da Califórnia, em San Diego.

Uma rede mais segura quase certamente vai oferecer menos anonimato e privacidade. Esse é o grande dilema dos criadores de uma futura internet. Uma ideia, por exemplo, seria exigir algo equivalente às carteiras de motorista para permitir que as pessoas se conectem a uma rede pública de computador. Mas isso vai contra o espírito libertário, profundamente arraigado, da internet.

O fornecimento de uma identidade será uma dificuldade num mundo onde é comum alguém se apossar do computador de uma pessoa a meio mundo de distância e operá-lo como se fosse seu. Enquanto isso ocorrer, criar um sistema totalmente confiável continuará sendo virtualmente impossível.

12/01/2009 - 17:46h Absolutismo infantil

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Lúcia Guimarães – O Estado SP

A cena correu mundo. O rosto da adorável Sasha Obama estava colado na janela do carro blindado que a levou para o primeiro dia de aula na exclusiva escola Sidwell Friends. Em poucas horas, os noticiários de TV perderam qualquer senso de ridículo e exibiram imagens do menu do refeitório da escola, uma dieta de alimentos orgânicos. A atenção devotada ao começo do ano letivo das duas primeiras filhas, Sasha e Malia, não é resultado de exibicionismo de seus pais. É um sintoma da infância como espetáculo.

Desde que o índice de natalidade entre americanas de mais de 35 anos disparou, na década de 80, assistimos a esta exacerbação do papel da criança no mundo adulto. A maternidade adiada aumentou de maneira expressiva entre baby boomers e continuou na geração seguinte.

O governo americano acaba de divulgar as últimas estatísticas de nascimentos, de 2006. Em destaque, o novo aumento da gravidez adolescente, depois de anos de queda, e o aumento da gravidez entre mulheres de 40 a 44 anos, o maior índice de natalidade nesse grupo desde 1968.

Meu bairro, em Manhattan, é anedoticamente apontado como o epicentro desse fenômeno. Meu olhômetro confirma a estatística informal. É comum esbarrar em nova-iorquinas grisalhas empurrando carrinhos com bebês asiáticos; ou em apressadas executivas quarentonas empurrando carrinhos com gêmeos e trigêmeos, cortesia dos tratamentos de fertilidade.

O efeito da nova dinâmica familiar já foi tema de vários livros. Pais mais velhos têm maior estabilidade financeira e maturidade psicológica. Mas as crianças têm menos chance de crescer com avós e podem ter de cuidar de pais idosos doentes num momento da vida em que ainda estão se estabelecendo profissionalmente. Era inevitável que o aumento da expectativa de vida fosse estender a idade da primeira gravidez ou da paternidade. Mas, como me lembrou a escritora Camille Paglia numa entrevista, a natureza nos pregou uma peça cruel. O custo da maternidade adiada é muito mais alto para as mulheres.

Por ter sido mãe ainda bem jovem, já enfrentei o choque inicial de observar o quarto vazio, o voo do ninho para a independência. Mas logo as mulheres de meia-idade começaram a ter filhos à minha volta. E a infância que reapareceu é bastante diferente da minha ou da infância que, aos trancos e sem consultar manuais, proporcionei à minha filha.

Nova York, capital cultural americana da neurose e da competitividade, tornou-se uma vitrine dessa hiperinfância. Ela é resultado em parte do narcisismo materno e paterno – uma pessoa de 40 anos tende a ser mais bem-sucedida do que a de menos de 25 e, portanto, mais zelosa de sua identidade social. E é fruto também da insegurança com a erosão da estabilidade no emprego e do acesso à educação. Meu pai, a certa altura, tinha três empregos, mas nunca lhe passou pela cabeça que seus cinco filhos seriam privados de boa educação e de boas chances profissionais.

Vamos concordar com o argumento de que a maternidade adiada ou a adoção na meia-idade são um fator potencial para crianças desfrutarem mães e pais mais amorosos, articulados, tolerantes e seguros.

Agora vamos, por um momento, discordar. O exército de ditadores mirins, que passei a observar, me convenceu de que esses pais iluminados estão transferindo um ônus aos filhos. O fardo de serem tão importantes.

Quem já não se viu numa festa de adultos, interrompido pelo clamor de pais de primeira viagem sobre os atributos “únicos” de uma criança? Por que a criança está acordada, ouvindo conversas maduras que não consegue entender? E, pior, solitária na responsabilidade pelo orgulho adulto – “canta aquela música que você aprendeu na escola”, “dança pra nós”, enquanto os presentes esperam voltar a discutir economia ou política, como gente grande. É melancólico.

Imagine observar o assustador e vasto mundo adulto, aos 3 anos, e ser investido de autoridade pelo que vai ser servido no jantar, pelo programa de domingo, por tantas decisões que os pais deviam tomar sem o populismo democrático que contaminou as relações de família.

Lembro de ter comentado com escárnio a insensibilidade britânica de ditados como “as crianças devem ser vistas e não ouvidas”. Pois os excessos contemporâneos me fazem clamar por crianças mais vistas do que ouvidas, protegidas desta precocidade politicamente correta estimulada pelos pais.

A imaginação infantil não é apenas refúgio, é um estágio fundamental do desenvolvimento psicológico, cultural e social. Ela se desenvolve na privacidade da criança livre de um papel tão proeminente na vida dos adultos.

Durante uma festa no fim de ano, uma amiga de 85 anos, com quatro filhos e seis netos, balançou a cabeça ao ver duas mães de meia-idade incapazes de impedir que suas duas crianças interrompessem a refeição e a conversa dos adultos. Elas confundiram o amor que sentem com a importância social dos filhos.

É exaustivo. A curto prazo, para os adultos. A longo prazo, é doloroso para os filhos que vão enfrentar sozinhos a transição de monarcas para plebeus.

15/12/2008 - 15:49h “Se eu me calasse, seria omissa”

Mãe de vítima ajudou a prender militar, 1.º indiciado por nova lei

 

Pedro Dantas, RIO – O Estado SP

 


Há menos de um mês, a perita civil Fátima Freire, de 45 anos, foi a primeira mãe a romper o silêncio e denunciar à polícia do Rio o assédio de um pedófilo pela internet. A vítima era sua filha V. , de 12 anos, chantageada durante cinco meses por um terceiro-sargento da reserva da Marinha, que acabou preso. Agora, Fátima conta o drama que ela e V. viveram e defende que a luta contra a pedofilia não deve ser uma “guerra envergonhada”. Ela planeja fazer um site para ajudar vítimas e pais que sofrem em silêncio. “Os pais devem sair detrás da cortina. Imagina o número de meninas passando o mesmo que a minha filha e não contam às mães”, afirma.

A filha de Fátima começou a ser assediada em julho, quando passava férias no Recife. No site de relacionamentos Orkut, o militar Francisco Luís Dias, de 49 anos, morador de São Pedro da Aldeia, na Região dos Lagos, clonou o perfil de uma colega de escola da menina e a adicionou como amiga. A vítima aceitou e logo o criminoso teve acesso a dezenas de fotos de V. e informações sobre a sua vida.

Sempre se passando pela colega, o militar passou a falar com a menina em um programa de conversa instantânea. V. ligou a webcam sem saber que era gravada. A imagem foi editada em um filme como se a menina aparecesse nua. A falsa amiga virtual começou a chantageá-la. Mostraria o filme aos colegas, caso ela não aceitasse um encontro com um “amigo”.

O tormento durou cinco meses. Em troca da não divulgação do vídeo, a falsa colega pedia que V. mostrasse o corpo. Como recusou o encontro com o militar, o pedófilo divulgou o vídeo para os colegas de V.

Em seguida, diante de novas recusas da vítima, o militar clonou o perfil de V. e se passou por ela para enviar filmes amadores pornográficos em que ele fazia sexo com outras crianças para os amigos da escola da garota. Sob a falsa identidade, ele dizia que os vídeos eram protagonizados por V. A menina começou a ser hostilizada no colégio e entrou em depressão.

Sem saída, no dia 1º de novembro, ela contou tudo para a mãe. “Eu percebia que tinha algo errado. Ela passou a faltar às aulas, tinha febre sem estar doente, mas não falava o que era. Resolvi não pressionar e ela contou tudo, até que mesmo que não agüentava mais e queria se matar”, conta Fátima.

A mãe entrou em ação rapidamente. Procurou a Delegacia de Repressão aos Crimes de Informática (DRCI) e os policiais a orientaram a manter conversas com o pedófilo até marcar um encontro. “O constrangimento de ficar ao lado da minha filha por até três horas, durante quase um mês, vendo obscenidades, foi o sacrifício para livrá-la dessa situação. A pedofilia matou o sonho de ver o sexo entrar na vida da minha filha de forma natural e orientá-la sobre o tema. Hoje, aos 12 anos, ela faz tratamento psicológico e mudou de escola. Não sei por quanto tempo essa sombra estará sobre ela”, lamenta a mãe.

O conteúdo das conversas é impublicável. “Ele se excitava toda vez que ameaçava minha filha. Usava gírias de adolescentes e assumia várias identidades. No fim, se revelou como homem, ligava a câmera, mas só mostrava o sexo e se masturbava. No entanto, notei que o relógio era o mesmo usado pelo homem nos vídeos com outras crianças”, conta a mãe. O militar da reserva Francisco Luis Dias, de 49 anos, foi preso no dia 28 de novembro ao ir ao encontro da menina no estacionamento de um supermercado em Nova Iguaçu, armado com uma pistola PT 380, munição e um laptop com vários vídeos pornográficos amadores.

O militar foi o primeiro brasileiro indiciado na nova lei contra a pedofilia na internet, que pune o armazenamento de imagens pornográficas, criminaliza as fotomontagens com crianças e o assédio ou a incitação de adolescentes à auto-exibição. As punições variam de um a oito anos de prisão, além de multa. No caso de Dias, se condenado, a pena será aumentada em um terço, pois ele é pai de um menino de 6 anos e de uma adolescente de 16.

O drama da filha fez Fátima encarar novamente o pesadelo que enfrentou na infância. Ela diz que foi abusada aos 5 anos por um parente que passou as férias na casa de seus pais. Mais tarde, o abusador foi preso após engravidar a própria filha. “A primeira vez eu era uma criança e não tinha discernimento. Agora, com a minha filha, se me calasse, seria omissa”, avalia.

O delegado-titular da DRCI, Fernando Vila Pouca de Sousa, diz que o medo do julgamento alheio ou de estigmatizar socialmente a criança inibe a denúncia. Há cinco meses no comando do distrito, ele afirma que Fátima foi a primeira a denunciar o assédio. “Ela é uma exceção. As vítimas, pais de classe média e esclarecidos, deveriam buscar Justiça, mas não o fazem com medo de submeterem a filha a um prejulgamento”, afirma o delegado.

Fátima confirma que após denunciar sentiu como é ser julgada mesmo sendo vítima. “Algumas pessoas me perguntaram se a minha filha mostrou ou não o corpo. Não entendo a diferença, pois V. estava sendo chantageada por um adulto em uma luta desigual”, conta.

O mercado da pornografia infantil, de acordo com dados da CPI da Pedofilia, movimenta cerca de R$ 3 milhões por ano no País. Esse montante é gerado pela compra e venda de fotos de material pornográfico com crianças para Estados Unidos e Europa. O crime na internet desconhece fronteiras. Ao tentar identificar as outras vítimas do militar pedófilo, a polícia descobriu entre elas uma adolescente do interior paulista. “A pedofilia é um crime que entra em nossa casa, mesmo com as portas fechadas”, alerta Fátima.

ATENÇÃO, PAIS

Proibir não educa e não previne nada. As tecnologias mais
avançadas para proteger crianças e adolescentes continuam sendo diálogo e orientação

Coloque-se sempre à disposição para que as crianças peçam ajuda quando se sentirem ameaçadas ou receberem conteúdos impróprios online

Alerte os filhos para não divulgarem dados pessoais na internet, não aceitarem convites para encontros com amigos virtuais nem receberem arquivos de estranhos

Espionar e gravar o que os filhos fazem não são boas saídas. Você fere a privacidade e pode fragilizar a confiança

Ensine que não podemos acreditar em tudo nem em todos. A internet é território fértil para pessoas mal-intencionadas e mentirosas

Estabeleça regras e limites para o uso da internet, adequadas à idade da criança. Fixe um horário ou tempo limite de acesso, converse sobre os sites e serviços que ela pode ou não usar e
explique o motivo. Monitore o uso de salas de bate-papo e de comunicadores instantâneos

Mostre às crianças que a internet é apenas mais uma
opção de lazer e educação entre várias. A web não deve substituir opções de interação social realizadas fora do computador

Use os recursos que seu provedor de acesso puser ao seu dispor para bloquear o acesso a sites com conteúdo impróprio para seu filho. Você também pode utilizar programas de filtragem de conteúdo, disponíveis na internet

Fonte: SaferNet Brasil (prevencao@safernet.org.br)

COMBATE AO ABUSO

20/12/2007: Operação Carrossel

A Polícia Federal cumpriu 102 mandados de busca e apreensão de material pornográfico em residências e empresas de suspeitos de crimes sexuais contra crianças, em 14 Estados e no Distrito Federal. Foram detectados cerca de 3,8 mil acessos à material pornográfico infantil na internet. Três pessoas foram presas em flagrante, duas em São Paulo e uma em Fortaleza

25/3/2008: CPI

Senado instala a CPI da Pedofilia para propor projetos de lei para combater os crimes sexuais contra crianças e adolescentes no País

23/3/2008: Orkut

CPI da Pedofilia consegue quebra de sigilo de 3.261 usuários do Orkut, suspeitos de estimularem a pedofilia, com divulgação de material pornográfico com menores

2/7/2008: PF e Google

Polícia Federal e Google assinam o Termo de Ajustamento de Conduta para combater a pedofilia no site de relacionamentos Orkut

9/7/2008: Projeto

Em desdobramento dos trabalhos da CPI da Pedofilia, o Senado aprova projeto de lei que pune com mais rigor os crimes de pornografia infantil e pedofilia na internet. O projeto é encaminhado para votação na Câmara

3/9/2008: Carrossel 2

A Polícia Federal fez buscas e apreensões de material de pornografia infantil em 113 endereços de 17 Estados e do Distrito Federal, de onde o material era distribuído pela internet. O Estado campeão de mandados foi São Paulo, seguido pelo Rio Grande do Sul

11/11/2008: Câmara

Câmara aprova o projeto de lei, que foi, então, para sanção do presidente Luiz Inácio Lula da Silva

25/11/2008: Lei

O presidente Lula sanciona o projeto de lei que aumenta a punição e a abrangência de crimes de pedofilia na internet, durante o 3.º Congresso Mundial de Enfrentamento da Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes, no Rio

27/11/2008: Quebra de sigilo na internet

PF assina acordo com ONG SaferNet para ter acesso às denúncias de pedofilia na internet no www.denunciar.org.br; ação da PF faz varredura em 3.261 perfis no Orkut e identifica 117 pedófilos no País

29/11/2009: O 1.º indiciado pela nova lei

O militar da reserva da Marinha, Francisco Luís Dias, de 49 anos, foi o primeiro indiciado pela nova lei. Ele foi flagrado em encontro com uma menina de 12 anos que estava sendo chantageada para posar em fotos pornográficas

30/11/2008 - 13:17h Os donos da história

+Sociedade


Três livros lançados no reino unido discutem as vantagens e os limites dos avanços tecnológicos para o futuro do jornalismo Os blogs e a web marcam um retorno ao jornalismo dos séculos 17 e 18

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 JOHN LLOYD – FOLHA SP – Caderno Mais

Os últimos 150 anos foram a era do jornalismo heróico, um período em que os jornalistas desenvolveram sua auto-imagem como responsáveis por corrigir os males da sociedade.

O período produziu testemunhas do horror, tais como William Howard Russell, do “The Times”, cujos artigos sobre a Guerra da Criméia ajudaram a destruir um governo e a modernizar o Exército britânico.

Houve jornalistas como o escritor francês Émile Zola, que colocaram sua pena a serviço da indignação, diante das falsas acusações movidas contra o capitão Alfred Dreyfus.

Já o jornalismo de denúncia ao estilo norte-americano gerou talentos como o de Ida Tarbell, que expôs as práticas da Standard Oil no começo do século 20 -período em que era difícil ver mulheres ocupando posições no jornalismo fora das páginas literárias e de moda.

E, dos anos 1960 em diante, uma legião de repórteres investigativos justificou sua existência com a criação de um quadro de profissionais intransigentes que exigiam que os poderosos prestassem contas.

Esses repórteres foram imensamente beneficiados pela fama e pelo status de Ed Murrow, jornalista de rádio e TV da [rede norte-americana] CBS nos anos 1950, e pelos jornalistas Carl Bernstein e Bob Woodward, do “Washington Post”, famosos por suas reportagens sobre o caso Watergate no começo dos anos 1970.

De diferentes maneiras, três livros recentes são produto da transição da era do jornalismo heróico para… O que, exatamente? Por enquanto, o novo modelo não tem nome.

As primeiras indicações são de que o melhor termo seja “era demótica”, devido à explosão de blogs, sites de redes sociais, e-mails e textos que a internet propiciou nos últimos dez anos -e tudo isso com uma intensidade não vista nem mesmo no período epistolar mais intenso da era vitoriana.

Em “SuperMedia” [ed. WileyBlackwell, 216 págs., 14,99, R$ 53], Charlie Beckett considera a nova era sob esses termos. Antecipa o momento em que essa forma de jornalismo cidadão suplantará o modelo convencional e, em suas palavras, “salvará o mundo”.

Em “Can You Trust the Media?” [Você Pode Confiar na Mídia?, Icon Books, 256 págs., 12,99, R$ 46], Adrian Monck, ex-produtor da ITV e da Sky e hoje professor de jornalismo na Universidade Metropolitana de Londres, derruba os mitos da era do jornalismo heróico ao negar esse heroísmo.

E os ensaios da coletânea “UK Confidential” [Reino Unido Confidencial, Instituto Demos, Charlie Edwards e Catherine Fieschi (org.), 184 págs., 10, R$ 36] tratam da moderna suposição de que figuras públicas têm pouco ou nenhum direito a uma vida privada.

Blogs e nostalgia

De certa forma, os blogs e a web marcam um retorno ao jornalismo dos séculos 17 e 18 -um período empreendedor, no qual pessoas que tinham algo a dizer montavam seus negócios e publicavam panfletos e boletins noticiosos.

Também vivemos um período de maior incerteza, o que lembra a era vitoriana, quando os jovens aspirantes a literatos, vestidos com trajes modestos, ganhavam a vida trabalhando arduamente em um mercado formado majoritariamente por free-lancers.

O jornalismo do século 20, até agora, dependia de bases organizacionais: jornais com editorias, treinamento e estrutura de carreira; companhias de televisão que investiam em suas divisões de notícias e atualidades; sindicatos que por algum tempo deram aos jornalistas dos países desenvolvidos proteção ao menos semelhante àquela da qual os operários gráficos um dia desfrutaram.

Nem todos esses fatores desapareceram, mas diversos deles parecem oscilantes.

A paisagem atual está repleta de grandes fábricas de notícias que estão perdendo espaço e mostrando sinais de debilidade. A divisão de notícias da CBS, criada por Murrow, hoje conta com apenas alguns correspondentes estrangeiros, e quase nenhum zelo investigativo. O “Le Monde”, fundado por Hubert Beuve-Méry para restabelecer a honra do jornalismo francês no pós-guerra, está lutando para sobreviver.

O “Daily Express”, no passado uma presença dominante no mercado britânico médio, agora se reduziu a ponto de se tornar parte de um grupo dirigido por um pornógrafo.

O denominador comum a isso é a perda de audiência e de receita sofrida ao longo da última década. Existe, como aponta Charlie Beckett em “SuperMedia”, “pressão mais que suficiente para que temamos pelo futuro do jornalismo”.

Usando um excerto de um discurso proferido em 2007 por Ed Richards, presidente da Ofcom, a organização que fiscaliza a mídia britânica, ele propõe uma questão: “O abandono do consumo de notícias, quer em forma eletrônica convencional ou em forma impressa, parece ser uma tendência secular e em aceleração… Até que ponto isso influencia a existência de uma sociedade civil saudável?”

Trata-se de uma pergunta válida. O jornalismo baseou sua auto-imagem e sua justificativa para existir na crença de que seu trabalho permitia que os membros de sua audiência de massa se tornassem melhores cidadãos. Se o jornalismo desaparecer, o que acontece com a cidadania?

A pergunta que serve de título para o livro de Monck é respondida de maneira abrangente em seu ensaio: não, não se pode confiar na mídia, e aliás nunca se pôde.

Monck não acha que os padrões estejam em decadência, mas sente que a crescente falta de confiança é uma resposta pública racional à imprensa cada vez menos confiável.

“Do ponto de vista comercial”, escreve, “confiança é um ativo sem valor”. Ele zomba da “tocante fé em que, caso as pessoas testemunhem a verdade, agirão pelo bem”, e enfatiza a bagagem emocional, e não racional, que os leitores e espectadores carregam com eles ao avaliar cada questão.

Afeto e exasperação

Se o jornalismo está em crise, alguns dos componentes dessa crise são tão antigos quanto o jornalismo -e indissociáveis dele. Em seu livro, acessível e escrito de maneira vivaz, Monck conclui expressando a certeza de que precisamos do jornalismo, mas ainda assim o encara com uma mistura de afeto e exasperação, como algo de falho que, quando faz o bem, o faz por acidente.

Em contraste, o argumento de Beckett está resumido em seu subtítulo: “Salvando o Jornalismo para Que Ele Possa Salvar o Mundo”.

E o autor parece estar falando sério. Ele eleva o “jornalismo cidadão” -termo que engloba toda forma de comunicação, de blogs a depoimentos amadores sobre desastres ou guerra e sites de jornalismo amador na web- à posição de salvador do jornalismo.

Acima de tudo, Beckett acredita que, “quanto mais os jornalistas se comportarem como cidadãos, mais forte será o jornalismo”. Ele também acredita que o jornalista precisa ter como base a realidade experimentada, e que o jornalismo cidadão extrai sua legitimidade e sua prática dessa realidade.

Beckett defende parte de seus argumentos mencionando o exemplo do “Fort Myers News-Press”, da Flórida, um jornal que pressionou por acesso à lista dos pagamentos de assistência às vítimas do furacão Katrina.

Em seguida, o jornal publicou a lista e convidou seus leitores a informar a Redação em caso de quaisquer anomalias nos pagamentos. As denúncias foram usadas como base para uma série de reportagens.

E, em uma bela passagem sobre o jornalismo africano, cita extensamente blogs bem-informados e raivosos mantidos por africanos, os observadores mais capazes de testemunhar o comportamento criminoso de seus governos corruptos.

Os blogs expressam opiniões que muitas vezes terminam censuradas nos jornais e, especialmente, nas rádios e estações de TV africanas.

Há um porém -ou poréns.

Em primeiro lugar, as tentativas de fazer do jornalismo cidadão uma prática cotidiana não funcionaram bem até o momento.
Em segundo lugar, a maioria do jornalismo político convencional que surgiu na blogosfera não elevou o nível ético.

O mais famoso desses novos jornalistas políticos é Matt Drudge, hoje um homem poderoso na mídia. Ganhou fama inicialmente ao revelar o caso entre Monica Lewinsky e [o então presidente dos EUA] Bill Clinton e continua a explorar esse filão de boatos, acusações e insinuações.
Terceiro, não está realmente claro o que quer dizer “comportar-se como cidadão”, para um jornalista, ou o que seria “se comportar como jornalista”, para um cidadão. Os cidadãos muitas vezes não querem forma nenhuma de jornalismo.

Privacidade

“Reino Unido Confidencial” observa o jornalismo pela lente da tecnologia e age como uma espécie de comentário cético a respeito.
O que essa coletânea muito diversificada demonstra é que o desejo benigno das empresas e do governo de acelerar o acesso a bens e serviços significou, na prática, que o público transferiu, em grande medida sem se incomodar muito, vasto volume de dados pessoais a empresas e ao governo.

Então, não existe maneira de escapar às atuais misérias do jornalismo?

Não de um salto, creio.

Mas, apesar do realismo frio de Monck e dos alertas dos ensaístas do Demos sobre a necessidade de defender a privacidade -e não investigá-la-, Beckett aponta para algo novo que está acontecendo: a capacidade e disposição do público para contribuir na produção de sua narrativa.

Podemos vislumbrar um mundo no qual aqueles que estão ávidos por dizer alguma coisa agora podem fazê-lo, se bem que para audiências muitas vezes restritas.

Quem desejar prestar testemunho sobre horrores e maravilhas pode transmitir suas palavras e imagens. Quem se indigna com suspeitas de delitos empresariais ou governamentais pode encontrar ferramentas que permitem investigar e expor.

Tudo isso resulta em considerável ganho de poder e, se não implica ainda que a prática do jornalismo tal qual o conhecemos esteja destronada -algo que espero jamais aconteça-, ao menos oferece a democrática possibilidade de nos tornarmos, nós todos, heróis.

JOHN LLOYD é autor de “What the Media Do to Our Politics” [O Que a Mídia Faz para Nossa Política] e colaborador do jornal “Financial Times”, onde a íntegra deste texto foi publicada.Tradução de Paulo Migliacci.ONDE ENCOMENDAR – Livros em inglês podem ser encomendados pelo site www.amazon.co.uk

18/11/2008 - 14:17h 1,5 mil mulheres serão indiciadas por aborto em MS

Caso iniciado no ano passado não tem precedentes; 26 já cumprem penas alternativas em Campo Grande

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João Naves de Oliveira e Simone Iwasso – O Estado SP

Num caso inédito e polêmico, a Justiça de Mato Grosso do Sul está indiciando, julgando e condenando 150 mulheres acusadas de praticarem aborto em uma clínica de Campo Grande – o número total de envolvidas no caso, e que devem passar por uma investigação, é de 1,5 mil. De julho até o início deste mês, 150 já foram indiciadas, 37 foram julgadas e 26, condenadas a penas alternativas.

“A situação é muito constrangedora”, afirma uma das indiciadas, que prefere não se identificar. “Eles vão fundo nos interrogatórios”, diz ela. A declaração, motivo de revolta nos movimentos de mulheres, entidades de direitos humanos e alas mais progressistas do Direito, é confirmada pelo juiz Aluízio Pereira dos Santos, responsável pelas sentenças.

Ele afirma ser necessário invadir a privacidade nesses casos em busca de detalhes da vida sexual das mulheres suspeitas. Não raras vezes, o juiz afirma intimar maridos, ex-namorados e familiares e exigir exame de corpo de delito – apesar de ele não conseguir comprovar a prática, pois os casos suspeitos ocorreram entre seis e oito anos.

Entre as mulheres julgadas estava uma que comprovou ter desistido do aborto depois de fazer a ficha de internação. Ela apresentou o próprio filho à Justiça, cuja idade é compatível com a data que aparece em seu prontuário médico. Seu caso foi arquivado. A delegada que preside os inquéritos, Regina Márcia Rodrigues, afirma que, por medo, a maioria das mulheres confirma o delito e seus processos são enviados ao Judiciário.

O caso veio à tona em abril do ano passado, quando o Ministério Público Estadual denunciou 10 mil mulheres acusadas de terem feito aborto entre 2000 e 2002, sob os cuidados da médica anestesiologista Neide Motta Machado, proprietária do estabelecimento, na área central de Campo Grande. Até 1999, não existia fichário das clientes, sendo, portanto, incalculável o número de mulheres que passaram pelo local. O Ministério Público afirma que a clínica funcionou por 20 anos.

INDÍCIOS

A denúncia foi baseada nas análises de 7.215 prontuários médicos recolhidos no estabelecimento, mas a maioria não continha provas suficientes para condenações. Foram selecionadas quase mil, conforme explicou o magistrado, por causa da qualidade das provas, entre elas exames de ultra-som confirmando gravidez.

Ainda segundo o juiz, a médica responde ao processo criminal em liberdade e será levada a júri popular. Tratamento igual terá a psicóloga Simone Aparecida Cantalezzi de Souza, além das enfermeiras Libertina de Jesus Centurion, Maira Nelma de Souza e Rosângela de Almeida. Os advogados dessas cinco pessoas entraram com recurso no Tribunal de Justiça do Estado para livrá-las do júri popular e aguardam decisão.

Três homens também estão envolvidos nos abortos. Segundo o Ministério Público, eles induziram suas companheiras à prática, depois de engravidá-las. Neide Machado não confirma essa inclusão no rol de ex-clientes, e se defende na condição de médica, alegando o atendimento de mulheres com gravidez indesejada e vítimas de violência sexual.

A ação da Justiça de Mato Grosso do Sul tem sido elogiada por parlamentares e movimentos contrários ao aborto, mas desperta polêmica e acusações de abuso e desrespeito à própria legislação. Um dos fatos questionados é a quebra do sigilo dos prontuários médicos das mulheres. Logo que os papéis foram apreendidos, as fichas das 9.896 mulheres ficaram à disposição do público por cerca de sete dias úteis. A Justiça local, na ocasião, considerou a exposição normal, mas dias depois voltou atrás e decretou sigilo, restringindo o acesso.

17/11/2008 - 17:01h Lugar de mulher é na Casa Branca

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Michelle Obama

Lúcia Guimarães – O Estado de São Paulo

Sim, é claro, há muito ainda o que comemorar. Barack Obama será o senhor legítimo da residência construída com trabalho escravo. O mordomo negro da Casa Branca tornou-se uma celebridade, num novo momento extraordinário de seu longo serviço aos presidentes monocromáticos.

O simbolismo está em toda parte e não é abstração para satisfazer culpa liberal. Quando o deputado negro John Lewis, que quase morreu espancado durante um protesto pacífico em 1965, avisa “Não espero controlar as lágrimas no dia da posse”, sabemos que a história de um líder da luta pelos direitos civis como ele resiste a qualquer tentativa de trivialidade.

Mas, deixemos de lado a discussão sobre o controvertido modelito que Narciso Rodriguez criou para Michelle Obama, na noite da eleição. Em discussões com amigas articuladas, o vestido rubro-negro emergiu naturalmente e notei a paixão das opiniões.

Se voltamos atrás alguns meses, lembramos que essa eleição poderia ter colocado a primeira mulher na Presidência dos Estados Unidos. Não importa os sentimentos despertados por Hillary Clinton, será justo esperar que este movimento sísmico, sob o slogan “Mudança”, eleve também as mulheres?

Michelle Obama, que notoriamente não morria de amores pela senadora nova-iorquina, declarou diplomática: “Estou aprendendo muito com Hillary sobre a vida na Casa Branca, sobre como criar filhos sob o olhar atento da mídia.”

Beijinho, beijinho, tchau tchau.

Por que só se fala agora na Primeira Mãe e não na advogada com diplomas de Princeton e Harvard, que era uma profissional bem-sucedida quando foi convocada a treinar o estagiário paquerador Barack? Por que a decisão da Primeira Avó de se mudar para a Avenida Pennsylvania é manchete na CNN com direito ao comentário de um “analista” historiador?

Não basta termos sido contemplados quase diariamente, após a eleição, com a cena de Sarah Palin “surpreendida” em sua cozinha preparando alce diante de cada âncora de TV que se deslocou milhares de quilômetros para nos servir mais doses do seu besteirol?

Por que o telejornalismo mais liberal dá cambalhotas para reforçar a personalidade doméstica de Michelle Obama? A responsabilidade será da própria, por falar tanto de escolha de colégios, aulas de balé, prática de futebol e outras atividades que formam a hiperestimulada infância contemporânea? Assessores democratas repetem, “as duas meninas são a primeira preocupação de Michelle quando ela acorda e a última quando ela vai dormir”. Uau.

Levante a mão aí quem equilibrou maternidade e profissão sem direito a alternativa e não mereceu 30 segundos de horário nobre.

Há um subtexto nada sutil entre os jornalistas que dizem, Michelle Obama está mais mais Laura Bush do que Hillary Clinton. Hillary fez trapalhadas homéricas no começo do primeiro mandato do marido e alguns atribuem à sua desastrosa força tarefa para reformar o seguro saúde a vitória Republicana das tropas de Newt Gingrich, em 1994. Mas o subtexto é equivalente ao reflexo de um motorista que é vítima da barbeiragem de uma mulher ao volante e confirma seu preconceito.

Michelle Obama promete ficar no banco do passageiro e o país celebra sua domesticidade. Ela foi atacada pela franqueza sarcástica no começo da campanha e se suavizou. Sugeriu que vai lutar pelos direitos dos veteranos que voltam do Iraque e se suicidam duas vezes mais do que a população civil (e se isso atrapalhar o recital de piano da adorável Malia?)

Ainda que o gabinete Obama venha a refletir uma cartilha progressista, este súbito romance com a mulher, que faz pouco de seu enorme poder nos próximos quatro anos, é uma desnecessária brisa melancólica sobre o mar de expressões extasiadas que vamos testemunhar na manhã fria de 20 de janeiro de 2009.

Tive hoje o flashback de um momento que havia esquecido porque não coleciono troféus de vitimização. A luz fluorescente da sala no pavilhão pediátrico do Hospital Monte Sinai atrapalhava a visão da tela do laptop no meu colo. À minha volta, enfermeiras entediadas assistiam à TV, mães entravam e saíam em silêncio, o coração pesado era nossa linguagem comum. O ano era 1997 e escrevia minha primeira coluna para este jornal, interrompida várias vezes para conferir se o tubo de soro ligado à veia da minha filha estava em ordem. A coluna saiu – mal escrita -, minha filha saiu do hospital com saúde e sem diagnóstico.

A ordem de viver, como lembra o poeta, é seguida por milhões de mulheres anônimas , sem mistificação e sem voz ampliada numa coluna de jornal.

Michelle Obama, aqui vai uma sugestão. Você usa o seu acesso para melhorar a vida dos veteranos amputados, das mulheres sem seguro saúde, ou para qualquer trabalho à altura da sua inteligência e lhe damos o crédito merecido. Afinal, nem todas temos o privilégio de afetar a vida de milhões de pessoas com um cutucão no sujeito deitado ao lado.

Quando você assar biscoitinhos para a quermesse da quarta série, por favor, celebre o feito na privacidade de um dos 132 cômodos da sua próxima residência.

20/10/2008 - 15:31h “Às vezes um charuto é só um charuto”

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Mesmo após o apito do ombudsman da Folha, que mostrou a verdadeira campanha eleitoral contra Marta realizada no jornal na última semana, o editorialista Fernando de Barros decidiu aportar seu toque pessoal, na sua coluna de hoje.

Sendo um dos responsáveis do apedrejamento público da Marta e particularmente da campanha vil de exploração da vida privada feita contra nós pela Folha, o homem não se dá por aludido e  sem pestanejar atribui a outros “a carga pesada de truculência sexista contra a candidata”.

Vou repetir, foi a Folha de São Paulo quem incentivou permanentemente uma campanha de exploração da vida privada da Marta, a começar pela ação conjunta realizada pela Folha e Claudio Humberto nas páginas do jornal onde trabalha Fernando de Barros. (ver A Folha e a nossa vida privada).

A carga de hoje

Fernando de Barros age como aqueles machistas que atribui à saia curta da mulher, ao jeito de se maquiar, ao horário em que estava na rua, às “razões” pela qual foi estuprada. Até recentemente juízes assim discursavam e julgavam, considerando que o criminoso encontrava circunstâncias atenuantes no comportamento da vítima.

Vejam só, para Fernando de Barros, (Marta) “Se diz vítima das invasões bárbaras da mídia em sua vida pessoal, mas, prefeita, não hesitou em fazer de seu casamento um circo espalhafatoso para consumo das revistas de celebridades.”

O editorialista diz que ela se diz vítima, mas a culpa é dela mesma.

Quem é você para emitir um julgamento sobre nosso casamento? Se ser casado e ter filhos não é algo que diga respeito a vida pública de ninguém, porque as páginas do seu jornal dedicam e dedicaram tanto espaço para nosso casamento, apresentado como um circo, ao nosso relacionamento, a separação da Marta etc.?

Na época de nosso casamento Fernando de Barros já tinha escrito algo semelhante, porque recusamos os insistentes pedidos da Folha para “cobrir” nossa festa, da qual a mídia foi excluída. O desejo da Folha em tratar de nossa vida privada era tão forte, que até tentou infiltrar um repórter disfarçado de motorista, que, descoberto, foi posto para fora.

O circo foi montado pelos Fernandos de Barros que permanentemente expõem a vida privada de alguns e reivindicam para eles este direito, com o pretexto da transparência supostamente devida pelas figuras públicas aos cidadãos. Os mesmos que nada disseram ou escreveram sobre a vida pessoal de Fernando Henrique Cardoso e de outros, nunca mostraram o mesmo “pudor” com a vida pessoal da Marta. Nós fomos vítimas da invasão permanente de nossa privacidade e o “estuprador” foi a Folha. O “pretexto” -a nossa “saia curta”-, foi a separação da Marta e nosso relacionamento. (Contardo Calligaris interpretou na época o significado psicoanalitico desse apedrejamento, falando dos comentários na cidade, mas era a Folha a que dava uma expressão mídiatica e política a eles) (2)

Dias antes do nosso casamento a Folha chegou a publicar um editorial, sob o título “O show da Marta” em que dizia “O próximo ato do show promete ser a festa de casamento com Luis Favre, tendo como padrinhos o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o ministro da Fazenda, Antonio Palocci Filho.” (Editorial Folha SP 15/9/2003).

Até hoje Fernando de Barros não engoliu nossa recusa em dar a Folha entrevistas sobre nosso casamento e fotos exclusivas da cerimônia, como eles queriam. Nossa recusa tinha uma motivação central: de todos os jornais e revistas do Brasil, a Folha foi a que mais explorou politicamente contra nós, nossa vida pessoal. Dezenas de artigos, notas, coberturas, destaques, encontraram na Folha o eco generoso para espalhar e explorar nossa vida privada. (teve até a publicação de uma carta no Painel de Leitor da Folha propondo que Marta fosse excomungada) (1)

Por isso, aceitamos a solicitação do Diário de São Paulo e da revista Caras para publicamente falar de nosso casamento, sem dar margem a sacanagem do jornalismo marrom e obter um mínimo de decência na abordagem inevitável que a mídia faria de nosso casamento. Com Caras tínhamos a certeza que a cobertura seria estilo Caras; com a Folha a certeza do tratamento estilo Claudio Humberto.

O comercial com o “significado” da Folha

A má fé de Fernando de Barros é escancarada quando diz, falando do comercial “Diferentemente do “relaxa e goza”, um deslize verbal desastroso, aqui se tratou de uma ação deliberada.”

A frase infeliz da Marta, amplamente difundida, usada e reprisada, foi dela própria e meia-hora após pronunciada, as desculpas da própria Marta deveriam ter posto um ponto final ao episódio. A mídia viu uma oportunidade de destruir a vida política de Marta e usou e abusou da propagação da frase, não das desculpas. (basta ver como foi o tratamento dado pela mesma mídia ao truculento ataque de Kassab a um munícipe, ao grito de “vagabundo”).

O comercial de João Santana visava, segundo ele diz na entrevista à Folha, a mexer com o fato que as pessoas não sabem quem é Gilberto Kassab. Antes do primeiro turno, comercial de Alckmin tentou fazer o mesmo dizendo que Kassab era “dissimulado” e tinha “duas caras” e depois se apresentando com sua esposa e filhos. Porque a Folha não viu nisto uma incursão inaceitável com insinuações sobre a vida pessoal de Kassab e da Marta e não fez a mesma campanha?

A mídia não atribuiu nenhum significado particular, nem qualquer insinuação na campanha de Alckmin. Já com o comercial da campanha do PT a mídia diz que procurava explorar a suposta homossexualidade do prefeito. Este significado, foi a mídia que incorporou ao comercial, propagando-o como tal.

Perante essa interpretação e tendo a mídia incorporado esse significado ao comercial, Marta, que não tinha visto o comercial e que seria a última pessoa neste país a explorar a orientação sexual de alguém, declarou que lamentava que esta tivesse sido a leitura do comercial e ele foi retirado.

O charuto da Folha

Sigmumd Freud, o pai da psicanálise, diz que “as vezes um charuto é só um charuto”. Para a Folha, parafraseando Freud, quando se trata do PT “um charuto nunca é um charuto”. Já com os que a Folha protege: “um charuto sempre é um charuto”. Esse duplo tratamento, essa dupla moral e esse duplo linguagem é o da Folha e seus escribas. Talvez por isso a projetem nos outros.

A Folha, que permanentemente incursionou ou deu eco a questionamentos sobre a vida sexual, afetiva, a separação, o divórcio e o casamento da Marta vem posar de vestal?

Nossa vida privada permanentemente exposta nas páginas da Folha forneceu os temas amplamente explorados pelos demo-tucanos na ação política (paródia de nosso casamento com dois travestis na porta da Câmara Municipal, afirmação que a lei que autorizava a contratar estrangeiros no serviço público municipal visava a assegurar um emprego para o conjugue da Marta, sabe… a lei 69; Documento do site da Direção Nacional do PSDB “Dona Marta e seus dois maridos”, insinuações caluniosas sobre minha participação no governo da minha esposa etc.).

Em todos estes episódios de explicita, aberta e ativa utilização da nossa vida pessoal com objetivo político, Fernando de Barros, os outros vestais da Folha nada enxergavam que os incomodasse.

A hipocrisia é tamanha que basta constatar: se a questão da orientação sexual do prefeito não interessa ninguém, como eu penso e a Folha pretende, porque a Folha faz questão de por na capa a afirmação de Kassab que tem muita mulher querendo casar com ele? Porque encaminhar dentre tantas perguntas justamente aquela que questiona kassab sobre se é ou não homossexual, e dar destaque no jornal para sua negação?

Luis Favre

(1) Casamento da prefeita
“O divórcio, após quase 40 anos de matrimônio, do senador Eduardo Suplicy e o casamento com Luis Favre poderão acarretar à prefeita de São Paulo, Marta Suplicy, a excomunhão pela Igreja Católica. O comportamento da prefeita, que se define como católica, em relação a valores fundamentais para o catolicismo (como aborto e união de homossexuais) sempre bateu de frente com o magistério da igreja. O novo casamento constitui escândalo enquadrado por norma (cânon 1.364) do Código de Direito Canônico, que estabelece a excomunhão. Lembro que toda sanção tem, na igreja, a função de remédio e não visa afastar do amor de Deus o católico que errou. É uma tentativa de trazer seus filhos de volta à casa do Pai, onde se encontram a verdadeira felicidade e a vida sem fim.”
Francesco Scavolini, especialista em direito canônico e conselheiro do Comitê dos Italianos no Exterior em São Paulo (Itu, SP) (Painel do Leitor – Folha SP 22/8/2003)

(2) CONTARDO CALLIGARIS

Marta Suplicy e Luis Favre: por que tanta zombaria?

Desde o começo do namoro de Marta Suplicy e Luis Favre, em 2001, é fácil ouvir comentários zombadores. O casamento, no sábado passado, reavivou a produção.
Espírito partidário à parte, qual é a origem dessa reprovação, engraçada ou raivosa que seja?
1) Em 2001, Marta tinha mais de 50 anos, era ex-deputada federal, prefeita, casada com um senador da República. Por seu trabalho passado, ela representava também um certo ideal de sabedoria nas coisas do amor.
Ora, quem é mais velho, nos governa e parece mais sábio que a gente é automaticamente colocado, por nossa imaginação, na categoria dos “adultos”, inaugurada pelos pais que tivemos ou teríamos gostado de ter. E, banalmente, as crianças não gostam que os pais se separem. Por exemplo, temem ser abandonadas: se eles pensam em seus amores, como é que vão se ocupar direito da gente?
Tradução dessa preocupação infantil, desde 2001 vozes nos bares e nos jantares paulistanos perguntavam: enfim, Marta vai governar ou namorar?
2) A idéia de que governar e namorar sejam alternativas excludentes se apóia também na convicção de que o poder deve ter um preço. Quer governar? Tudo bem, mas esqueça amores e paixões, deixe para depois, sacrifique-se.
É uma convicção que nos consola. Pois confirma que há uma razão pela qual não somos prefeitos, presidentes, governadores ou mesmo vereadores; é porque preferimos cuidar da vida: namorar, por exemplo.
O governante infeliz apazigua nossa culpa cívica. E o governante que não pretende desprezar seus sentimentos está querendo demais.
Marta, porta-voz há tempos do direito à busca da felicidade privada, não tinha como namorar de fininho. Declarou que uma prefeita feliz governa melhor. Muitos teriam preferido ouvir que governar custa caro e implica a renúncia aos prazeres do amor.
3) Os compromissos, a distância geográfica, o momento inoportuno, tudo conjurava, na história de Marta e Luis Favre, para que fosse sensato desistir. Eles escolheram um caminho árduo.
As histórias de amor dificílimas, a gente adora no “Aguenta Coração”, do Faustão, em que elas valem como fragmentos de novela, ficções com as quais sonhar. Muito mais difícil é apreciá-las na realidade.
Em geral, em matéria de amor, somos ousados apenas nos devaneios literários. Consequência: a história real de Marta e Luis suscita nostalgias de paixões renunciadas, levanta a inveja de quem não sabe ou não soube ousar.
4) Em 2001, ouvi dizer: “Se ela não fosse prefeita, o cara nem a cumprimentaria”. Favre seria um caçador de dote político, interessado no cargo de “príncipe consorte”. No domingo passado, um taxista comentou: “Se Marta não se reelege, o homem cai fora”.
De fato, o futuro político de Marta não depende de sua reeleição. Mas o que importa aqui é a idéia de que Favre estaria gostando da prefeita, e não da Marta.
É uma velha história: imaginamos que deveríamos ser amados por alguma essência de nosso ser. E amar “de verdade” seria gostar do outro, mesmo que ele não tivesse a profissão, o lugar social e a história que o tornaram quem ele é.
Como Favre amaria uma Marta “essencial”, que não é prefeita, não foi deputada, não foi sexóloga e não fez uma escolha política na contramão de seus privilégios de nascença? Quem seria essa pessoa? Reciprocamente, como Marta amaria um Favre “essencial”, que não seria franco-argentino e ex-trotskista?
Não somos essências, mas pacotes complexos. Amamos e somos amados com as mãos cheias das tralhas que acumulamos em nossas vidas prévias.
5) O comentário segundo o qual Favre desejaria não Marta, mas a prefeita, também subentende que Marta não seria desejável. O que é curioso: afinal, talvez Favre seja um “gato”, mas Marta é uma mulher bonita.
Claro, vale o preconceito trivial sobre sexo depois dos 50, que não é muito diferente da expectativa de que a mãe (ainda mais a avó), não podendo ser virgem, seja casta.
Mas não é só isso. A idéia de que a prefeita não seria amável como mulher está a serviço de outro preconceito, segundo o qual a feminilidade não condiz com a autoridade de quem governa.
Acontece assim que, quando Marta escolhe uma roupa, uma maquiagem ou um corte de cabelo, chega o deboche: a prefeita é uma perua.
Perua seria a mulher que só pensa em agradar ao desejo masculino. A denominação satisfaz a boa consciência machista, pois parece inspirada por um feminismo militante: olhe só, debochamos da feminilidade “alienada” das mulheres que se enfeitam.
Nota: uma parte relevante do movimento feminista (as “pro-sex feminists”) reivindica os apetrechos tradicionais da feminilidade. É um jeito de afirmar que a mulher liberada não precisa ser passiva e recatada nem vergonhosa de seu desejo ou de sua vontade de ser desejada. Ou seja, nem sempre a cinta-liga é marca de domínio.
Em suma, se Marta escolhe uma roupa sexy de Nina Ricci para seu casamento, é peruagem? Ou é possível que uma mulher seja prefeita sem deixar de ser feminina?
Enfim, a Marta Suplicy e a Luis Favre, sem ironia, desejo um casamento feliz. (Folha Sp 25/8/2003)

ccalligari@uol.com.br

17/10/2008 - 12:56h Marqueteiro admite erro de avaliação, mas defende peça

ELEIÇÕES 2008 / SÃO PAULO

João Santana diz que não calculou reações e que Marta desconhecia publicidade

Publicitário diz que intenção era “tocar no desconforto de eleitores kassabistas por não conhecerem bem a biografia do candidato”

RENATA LO PRETE – FOLHA SP

EDITORA DO PAINEL

Na berlinda desde domingo, quando foi ao ar o já célebre comercial com perguntas de natureza pessoal sobre Gilberto Kassab (”É casado? Tem filhos?”), João Santana, responsável pela propaganda de Marta Suplicy, “lamenta profundamente” “não ter previsto a onda que se formou”. Esse é, porém, o único erro que reconhece. A peça, em seu entender, “não transgride os limites da ética e da elegância”.

Na entrevista abaixo, a primeira em que trata do caso, Santana negou, como Marta já fizera, que as questões contivessem insinuação de homossexualidade. E repetiu a candidata do PT ao dizer que ela não viu a peça antes da exibição.

Marqueteiro da reeleição de Lula, Santana, 55, administra a ampla desvantagem de Marta a nove dias da votação final.

FOLHA – Até mesmo petistas e eleitores de Marta consideraram a peça “jogo sujo”, “insinuação maldosa”, “invasão de privacidade” etc. A campanha admite que errou?

JOÃO SANTANA
– O único erro foi não ter previsto a reação que o comercial provocaria em determinados setores. Uma reação causada, na maioria dos casos, por interpretações equivocadas. Tão logo verificamos isso, retiramos o comercial do ar.

FOLHA – A campanha alega que as duas perguntas não guardam relação com o assunto homossexualidade. Não lhe parece difícil fazer com que pessoas com algum discernimento acreditem nisso?

SANTANA
– São duas perguntas que todo mundo é obrigado a responder em várias situações na vida. Havia outras perguntas de natureza familiar (”É de família rica? Pobre?”) que tiveram de ser cortadas por ajuste de tempo. Sei que é difícil acreditar, mas o fato de as duas perguntas terem ficado no final não foi intencional.

FOLHA – Havia, então, uma definição estratégica de expor a vida privada do adversário?

SANTANA – Não havia e não há.
A definição estratégica era tocar no desconforto de eleitores kassabistas por não conhecerem a biografia do candidato. Toda vez que isso era estimulado nos grupos, esse desconforto se traduzia numa dúvida forte. Foi então que criamos uma série de comerciais para provocar reflexão. Não havia intenção de entrar no terreno que acabou gerando toda a polêmica. Tampouco surgiu essa reação nas pesquisas qualitativas.

FOLHA – Não lhe parece que foi subestimado o potencial de rejeição ao comercial por um tipo de público que não é entrevistado nas quális?

SANTANA – Infelizmente sim. Em especial pessoas que já tinham determinados preconceitos, informações mal resolvidas ou envolvimento emocional com a disputa eleitoral.

FOLHA – Marta teve conhecimento prévio do conteúdo do comercial?

JOÃO SANTANA – Não, ela realmente não viu o comercial antes de ir ao ar. Estava acertado, desde o primeiro turno, que eu tinha liberdade para tomar esse tipo de decisão, a depender de problemas de prazo.

FOLHA – O sr. acha que, se Marta tivesse visto, teria se oposto?

SANTANA – É difícil responder a esta pergunta agora. Mas talvez sim, por causa de seu “feeling” de psicóloga e da sensibilidade de pessoa que vive, constantemente, sob questionamento.

FOLHA – Culpar a mídia pela má repercussão não é uma forma de fugir à responsabilidade por uma decisão errada que a campanha tomou?

SANTANA
– Já disse que errei por não ter previsto a onda que se formou. Lamento profundamente. No entanto, não posso deixar de reconhecer que houve exagero e até manipulação.
Ninguém, por exemplo, publicou o texto completo do comercial. Ele não transgride, em nenhum momento, os limites da ética e da elegância. Em pesquisa que fizemos depois -e isso foi confirmado por reportagem da Folha-, a maioria das pessoas disse não ter sentido nenhuma malícia de natureza sexual no comercial. Somente começaram a interpretar isso depois da polêmica instaurada.

FOLHA – Acha relevante saber se o candidato é casado e se tem filhos?

SANTANA – Acho. O eleitor gosta e tem o direito de saber tudo sobre o candidato. Quer saber até para que time ele torce.
Além disso, o que nos interessava ali não era uma ou outra pergunta específica, e sim despertar no eleitor, por meio de uma série de questões, a dúvida sobre tudo o que ele desconhece a respeito de Kassab.

16/10/2008 - 18:10h A Folha e a nossa vida privada

Em abril de 2001, a Folha de São Paulo, onde pontificam Clovis Rossi e Jânio de Freitas, foi responsável por publicar uma peça publicitária de autoria do Sr. Claudio Humberto que reproduzo a seguir. O autor da publicidade pagou para a Folha espaço nobre de 1/4 de página e depois dos editores do jornal tomaram conhecimento do conteúdo da publicidade, autorizaram sua publicação.

Nem Clovis Rossi, nem Jânio de Freitas, nem nenhum dos editorialistas do jornal fizeram nenhum comentário, após a publicidade ter sido publicada na Folha, em página nobre. Só o ombudsman, na época, considerou que a Folha “errou”.

A peça abjeta não insinuava nada, não induzia nada, proclamava uma violenta ofensa a honra, a privacidade e com terrível dano moral.

Eu afirmo: a Folha foi a primeira responsável para a campanha que durante os 7 anos seguintes foram feitos contra Marta e contra mim.

Idelber Avelar, no artigo que reproduzi aqui ontem, ficou tão chocado, que se recusou a linkar o conteúdo. Eu o reproduzo para vocês saberem com quem estamos lidando em matéria de ética.

O juiz que condenou a Folha em primeira instância (o processo continua porque a Folha não aceitou a sentença e recorreu), diz na sua sentença contra a Folha:

“Vale lembrar que a ré (Folha) publica o jornal de maior circulação do país e é lamentável que se preste a vender o espaço no jornal para publicação de matéria puramente ofensiva a honra alheia e sem qualquer interesse público.

Por ter publicado o “informe publicitário”, mediante remuneração, sabendo do seu conteúdo vastamente contaminado por grosserias e ataques à honra do autor, inevitavél a condenação da ré (Folha) a indenizar o autor pelo dano moral suportado.”

O juiz acrescenta, justificando o valor da indenização que isso “desetimula a ré (Folha) de prosseguir na publicação de “informes publicitários” ofensivos a honra alheia.”

Reitero, nenhum dos hipócritas defensores da “vida pessoal” hoje, escreveu nunca uma mísera linha contra a Folha e em nossa defesa.

A Folha foi a responsável, reproduzindo na suas páginas o repugnante texto contra Marta, na época a Prefeita de São Paulo, e contra mim, cheio de mentiras e ofensas, por uma boa parte da famosa “rejeição” que ajudou a propagar nas suas páginas.

Até hoje ela não se desculpou, nem reconheceu sua responsabilidade e ainda está recorrendo da sentença.

Clovis Rossi não sentiu asco. E o gigantesco movimento em defesa do respeito a vida privada de Kassab, ficou calado perante a ignomínia.

Onde estavam os indignados de hoje.

Luis Favre

PS – Porque a Folha não reproduz este meu texto e o conteúdo do “informe publicitário” e volta a falar de respeito a vida pessoal?

A seguir o texto publicado como “Informe Publicitário” na Folha de São Paulo em 21 de abril de 2001. Clique na imagem para ampliar e ler.

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10/06/2008 - 15:30h A direita em ação: Berlusconi quer proibir a justiça de autorizar escutas telefônicas contra corrupção

Italia prohíbe a jueces y fiscales las escuchas en casos de corrupción

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MIGUEL MORA – Roma – El País

Berlusconi limitará los ‘pinchazos’ a la mafia y el terrorismo

Cinco años de cárcel para el magistrado que ordene un pinchazo telefónico. Cinco años para quien lo realice y para quien lo filtre, y cinco años para los periodistas que lo publiquen. Ése es el núcleo duro del proyecto de Ley que el Gobierno italiano quiere aprobar el viernes. El primer ministro, Silvio Berlusconi, trata de esta manera de prohibir a jueces y fiscales el recurso de intervenir los teléfonos de sospechosos salvo en los casos de delitos más graves: terrorismo, mafia y violencia sexual. La medida excluiría los pinchazos como método de recogida de pruebas en los procesos que afectan a crímenes de cuello blanco: corrupción, prevaricación, sobornos, extorsión, estafas o delitos empresariales.

Las asociaciones de jueces, editores y la oposición advierten de que si se lleva adelante la reforma, Berlusconi dará el golpe de gracia a la Justicia. El presidente de la Asociación Nacional de Magistrados, Luca Palamara, ha mostrado su perplejidad por el plan y ha señalado que, “si el Gobierno selecciona mucho los delitos susceptibles de ser investigados con escuchas, se empobrecerá el Estado de derecho y se restringirán las posibilidades de investigar”. Palamara sugiere que delitos comunes como la extorsión y la corrupción quedarían de hecho “despenalizados”.

Para el líder de la oposición, Walter Veltroni, las escuchas son “un instrumento fundamental de lucha contra toda forma de actividad ilegal”, aunque se ha mostrado de acuerdo en regular a fondo su publicación en los medios de comunicación.

La Liga del Norte, socio de Berlusconi, ha puesto también reservas a la idea, porque considera que puede dañar la imagen de firmeza del Ejecutivo. Pero el Gobierno ha empezado a preparar a la opinión pública para la reforma con dos argumentos: económico y el respeto a la intimidad.

El ministro de Justicia Angelino Alfano recordó ayer que en 2007 hubo 125.000 personas espiadas en Italia, y que “prácticamente todo el país habría sido interceptado alguna vez”. Además, declaró que las grabaciones suponen la mitad del total de los gastos judiciales. “Es necesario reducir ese exceso defendiendo la privacidad de los ciudadanos pero sin debilitar a las fuerzas de seguridad”, concluyó Alfano, quien recordó que en EE UU se hacen 1.700 pinchazos anuales y en Suiza 1.300.

Berlusconi siempre ha declarado su antipatía por el Grande Fratello judicial en un país que ha vivido casos tan llamativos como el Manos Limpias que dirigió Antonio di Pietro a principio de los 90. Il Cavaliere “tiene pesadillas con los pinchazos, y todos los días pregunta al ministro Alfano si la ley está lista”, ha contado La Repúbblica, recordando que, en los últimos años, el propio jefe del Gobierno, decenas de sus amigos y miembros de Forza Italia, diputados, senadores, alcaldes y empresarios de todas las tendencias han sufrido pinchazos y han sido, después, procesados.

Aunque la promulgación de diferentes leyes ha ido dilatando hasta el infinito los procesos y una parte importante acaba prescribiendo, Il Cavaliere ha declarado la guerra a un sistema “que no deja vivir en paz a los ciudadanos”. En la campaña prometió acabar con las escuchas.

Algunos medios críticos han apuntado que el proyecto de ley le favorece antes que a nadie a él mismo, ya que está siendo investigado por corrupción en el llamado caso Saccá, conocido a finales de 2007 gracias a la filtración de los pinchazos de decenas de diálogos mantenidos entre Berlusconi y el director de RAI Ficción, Agostino Saccà. Estos revelaron las presiones del entonces líder de la oposición a Saccà para que éste contratase a algunas actrices de su preferencia.

Algunos juristas han advertido de que la reforma impedirá a los jueces, por el principio del tempus regit actum, utilizar las pruebas obtenidas en pinchazos ordenados antes de la entrada en vigor de la ley. Uno de ellos sería, precisamente, el del caso Saccà.

19/05/2008 - 11:22h Internautas atenção, sua privacidade pode acabar

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Redes sociais ensaiam sair do ‘casulo’

Em meio a polêmicas e dúvidas, Google, MySpace e Facebook lançam ferramentas de interconexão com sites e blogs

Rodrigo Martins – O Estado de São Paulo

Você toparia que suas informações do MySpace, por exemplo, fossem parar em um site de leilões? Que os dados de seu perfil no Facebook, com suas preferências pessoais, fossem passados para uma loja virtual? E que o seu cadastro no Orkut lhe desse direito a participar de micro-redes sociais em blogs e sites, mas com a navegação monitorada pelo ‘Grande Irmão’ Google?

No início da semana passada, sob críticas, desconfiança e dúvidas, de uma tacada só, três gigantes dos sites de relacionamento fizeram barulho e causaram polêmica. Google, MySpace e Facebook anunciaram para ‘algumas semanas’ uma nova tendência: o seu login, cadastro e amigos da rede social não servirão mais só para acessar grupos de discussão e trocar scraps. Agora, você pode carregar tudo isso para outros serviços, como Twitter, eBay, blogs e até outras redes sociais.

Como? Tudo começou na quinta, dia 8. O MySpace chamou a mídia mundial para anunciar uma novidade que iria ‘tornar a experiência da web 2.0 mais fácil’, segundo um dos criadores do site, Chris DeWolfe. Na prática, a empresa anunciou o Data Availability, uma parceria com meia dúzia de sites, entre eles Twitter e eBay, e afirmou que em breve todos estarão interligados. Ou seja, todas as informações pessoais que você atualizar em seu MySpace, como nome e foto do perfil, também serão atualizadas automaticamente nos outros sites do consórcio.

No dia seguinte, na sexta, foi a vez do Facebook lançar uma ferramenta semelhante. Mas nada de pompa. Apenas um post no blog do site apresentava o Facebook Connect. ‘(O intuito é) conectar a identidade, amigos e privacidade do Facebook a qualquer site.’ E em quais sites vai funcionar? Nenhuma dica. ‘Não iremos adiantar nenhum detalhe’, contou o diretor de plataforma, Ben Ling, ao site CNET na data. ‘Teremos parceiros pequenos e grandes’, limitou-se a dizer.

E, enfim, na segunda o Google entrou na fila e fez o anúncio do Friend Connect (notou a semelhança?). Mas nesse caso a intenção não é parceria com grandes sites. A idéia é que pequenos blogs possam criar mini-redes sociais. ‘A web melhora à medida em que fica mais social’, repetiu o chavão atual do Google o diretor de engenharia da empresa, David Glazer, em coletiva nos EUA. O engraçado é que, além de cruzar informações de Orkut e Google Talk, a novidade coloca na roda dados de concorrentes como Facebook (?) e Yahoo!

Onde isso vai parar? Milhares de blogs e sites fizeram o questionamento. ‘A tendência que essas redes estão tentando passar é a de que os sites de relacionamento estão se interligando. Tanto entre si como com outros serviços para deixar a web mais social mesmo’, diz a pesquisadora da Universidade Católica de Pelotas Raquel Recuero. ‘Não se sabe se a tecnologia irá permitir, mas, pelo que se delineia, seria possível no futuro, por exemplo, acessar o Orkut no MySpace ou os recados do Facebook em sites como o eBay.’

Parece que isso corre mesmo o risco de acontecer. No final do ano passado, sem muita publicidade, foi lançada nos EUA uma associação (clã?) de gigantes da internet, o Data Portability Project, liderado por Microsoft, Google, Facebook e MySpace. O intuito? ‘Desenvolvermos o compartilhamento de dados entre os sites. O usuário terá um login único. Quando atualizar um cadastro, a ação será replicada para todos os outros sites. Em quatro anos, esse conceito deve se disseminar’, disse ao Link o co-fundador do projeto, Chris Saad (veja entrevista na pág. 3).

Para o diretor geral do MySpace Brasil, Emerson Calegaretti, o futuro é a interconexão entre redes sociais, com a possibilidade de acessar mensagens e fotos em qualquer lugar da web. ‘Em seis meses já deve ser possível, por exemplo, acessar fotos e mensagens do MySpace no Twitter e vice-versa’, diz. ‘No futuro, tanto Google, Facebook como MySpace terão de definir um padrão comum para uma rede conversar com a outra. É inevitável.’

O analista de internet do Ibope/NetRatings, José Calazans, concorda. ‘Aos poucos, o e-mail e o messenger são substituídos pelas redes sociais. O problema é que não dá para enviar um recado do MySpace para o Orkut, por exemplo. Essa mudança seria muito importante.’

Para o estudante Alan Cerqueira, de 20 anos, seria uma mão na roda. Ele tem perfis no Orkut, MySpace e Facebook e gasta muito tempo para acessar os três sites. Ele até arranjou um quebra-galho. O Facebook tem hoje aplicativos que permitem estabelecer, de forma limitada, conexão com o MySpace e o Orkut. ‘Mas só dá para acessar mensagens, fotos e perfis. Se quiser ouvir música ou postar em comunidades, não dá. Essa integração seria ótima.’

Mas nem tudo são flores. MySpace e Facebook anunciaram na última semana ferramentas semelhantes. Ou seja, integração de dados pessoais e acesso de mensagens e fotos em sites parceiros. Já o Google não distribui informações para terceiros. ‘A idéia é que, em um blog, o usuário encontre os comentários e conteúdos postados por amigos’, diz o diretor de Comunicação do Google Brasil, Félix Ximenes.

De qualquer forma, todos trazem polêmicas com relação à privacidade. No MySpace, por exemplo, será possível escolher se o usuário quer compartilhar com outros sites seus dados cadastrais. ‘Não vejo com bons olhos essa tendência de as redes sociais – no caso MySpace e Facebook – lucrarem com a venda de dados dos usuários. Os internautas se afastam disso.’

Segundo ele, embora as redes digam que esse compartilhamento de dados é para ‘evitar que o usuário gaste tempo para preencher um formulário a cada site que se cadastra’, o intuito maior é mesmo o lucro. ‘A maioria das redes não consegue se manter com anúncios. E o cadastro dos usuários é muito valioso.’ Calegaretti, do MySpace Brasil, confirma que são feitas negociações econômicas para ceder os dados a cada parceiro. ‘Mas temos lucro com anúncios, sim.’

Já para o pesquisador Willian Reader, especialista em redes sociais da universidade britânica Sheffield Hallan, a questão mais sensível é que, cada vez mais, os usuários se sentirão vigiados. ‘No caso do Friend Connect, do Google, por exemplo, se a cada blog que entrar o internauta for identificado pelo login, isso causa desconforto. E o Google, que já tem os dados de busca, de e-mail, de documentos, etc., terá mais um rastro do usuário.’

Quanto ao Data Availability, do MySpace, e ao Facebook Connect, Reader é mais incisivo. ‘Quanto mais sites participarem, mais dados terão sobre você. Além de seus dados pessoais, poderão saber o que você comprou, o número de seu cartão de crédito… Isso é pior. Fica-se mais vulnerável. Como as informações estão centralizadas e presentes em todos os lugares, se antes alguém precisava correr a web para vasculhar sua vida, agora basta ir a um lugar só.’

E se daqui a quatro anos os gigantes da web estiverem todos interligados, com os dados centralizados? O pesquisador ri. ‘Aí é um Big Brother. Não vale pagar um preço tão alto para usar os serviços da internet.’

10/09/2007 - 18:18h Les journaux face à la "pipolisation" de la vie politique

Nicolas Sarkozy aux Etats-Unis, François Hollande et sa nouvelle compagne au Maroc, Ségolène Royal et sa fille sur une plage… Cet été, les vacances des personnalités politiques ont été très commentées et les journaux people ont atteint des records de vente.

Assisterait-on en France, comme en Grande-Bretagne, à un déplacement de la frontière entre vie privée et vie publique des hommes politiques ? A l’occasion du festival Visa pour l’image à Perpignan, le magazine Elle avait choisi d’ouvrir le débat, vendredi 7 septembre.

Selon Olivier Royant, directeur de la rédaction de Paris Match : “Il y a une ligne jaune. Mais le journalisme n’est pas une science exacte. Nous sommes amenés à faire des choix“. Et d’ajouter : “ Il y a une volonté des hommes politiques de nous faire croire qu’ils sont des gens comme les autres : à midi, je suis ministre, à midi et quart je suis un citoyen privé. Difficile d’établir une ligne aussi marquée“. Paris Match a ainsi été condamné après la publication d’une photo montrant Jean-Louis Borloo et Béatrice Schönberg aux Tuileries.

Pour Marc Simon, responsable du service photo de l’hebdomadaire VSD : “Il y a des choses que nous ne voulons pas publier. En particulier tout ce qui est lié à la vie extra-conjugale des hommes politiques. Nous n’avons pas osé publier la photo de François Hollande et de sa compagne”. Mais reconnaît-il : “ si la ligne jaune fait exploser les ventes, on va peut-être la passer“.

Le cliché du premier secrétaire du PS publié par Closer n’apparaîtra pas dans les colonnes de Paris-Match. “Nous n’allons pas la publier après les autres“, se justifie M. Royant avant d’ajouter “nous avons fait le choix d’informer nos lecteurs dans nos colonnes”. La compagne de M. Hollande est, en effet, journaliste à Paris-Match où elle suit le PS.

VERROUILLAGE

La “pipolisation” des hommes politiques n’est pas nouvelle. Mais “la différence aujourd’hui“, selon Raphaëlle Bacqué, journaliste au Monde, “c’est la maîtrise totale et professionnelle de leur communication“. Une analyse partagée par les photoreporters. “Il est difficile de faire son travail et d’avoir des exclusivités avec les hommes politiques“, explique Jean-Luc Luyssen, photographe de l’agence Gamma, qui a suivi de nombreux mois Ségolène Royal. D’autant que, précise-t-il : “les personnalités politiques font appel à des photographes people qui retravaillent les clichés et livrent des photos retouchées“.

Pour une couverture de Elle, Ségolène Royal avait ainsi choisi Emanuele Scorcelletti, de l’agence Gamma, connue pour ses portraits de star du 7e art et Nicolas Sarkozy a confié la réalisation de sa photo officielle à Philippe Warrin, de l’agence Sipa, connu pour ses portraits de vedettes de télé-réalité.

Photos retouchées ? “A l’heure du numérique, la photo est immédiatement retravaillée“, affirme M. Royant. Valérie Toranian, directrice de la rédaction de Elle précise : “Nous avons fait deux couvertures, l’une avec Ségolène Royal, l’autre avec Nicolas Sarkozy, à chaque fois nous avons fait des retouches“. Des retouches esthétiques ou de “courtoisie”. C’est ainsi que les bourrelets présidentiels ont disparu de la photo de M. Sarkozy dans Paris Match cet été.

Laurence Girard pour Le Monde