09/12/2008 - 09:40h O bagaço da laranja

A colunista Dora Kramer, na sua coluna de hoje no Estadão, crítica com virulência os dirigentes do “campo majoritário” do PT. O motivo: atribuir a crise econômica internacional ao neoliberalismo e dizer que os defensores do neoliberalismo no Brasil eram e são o PSDB.

Ela considera isto tenebroso e amoral. Não vejo porque e nada na sua argumentação demonstra que isto não corresponda com a verdade.

Na sua argumentação ela atribui ao PT a idéia que lidar com a crise no Brasil não é responsabilidade do governo, o que ninguém do PT afirmou. Se o Brasil está muito melhor preparado para os efeitos da crise gerada pelo liberalismo no mercado financeiro é bem graças ao governo Lula.

Paradoxalmente, os argumentos de Dora Kramer servem para questionar… o PSDB.

Segundo a jornalista a intenção do PT teria o seguinte resultado: “anula-se o desgaste de dois mandatos, a desmoralização resultante dos escândalos, a banalização das más companhias, a degeneração fisiológica, a perda da bandeira da ética em algum lugar no meio desse caminho e volta-se a preconizar ao eleitorado a ‘mudança’.” Mas isto é precisamente o que o PSDB procura fazer: esquecer os dois mandatos de FHC e a política implementada de privatizações e desemprego; a desmoralização dos escândalos de compra de votos para a reeleição, do mensalão mineiro, Sivam etc. e fundamentalmente a política neoliberal e de subordinação aos ditados do FMI e agora passam “a preconizar ao eleitorado a ‘mudança’.”

Já o PT pode reivindicar os dois mandatos que apesar dos desgastes permitem a Lula um 70% de ótimo e bom. Emprego, crescimento econômico, diminuição da desigualdade, nada para ser anulado.

Paradoxalmente, os tucanos é que estão em contradição, junto com Dora Kramer. Se como pretendem o tempo todo, a situação do Brasil é boa graças à política implementada por eles e que teria sido simplesmente continuada por Lula, porque mudar? O bom é obra deles e o impacto da crise externa no Brasil seria culpa de Lula? Ué, mas não é que ele só está dando continuidade aos tucanos, então seria a política econômica deles a culpada?

O paradoxo é que com este tipo de raciocínio acabam convergindo os que no PT atacam a política econômica do governo federal, Dora Kramer e Serra: todos questionando um dos principais pilares do êxito de Lula, a política econômica. LF

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A seguir o artigo de Dora Kramer

Difícil vai ser o PT convencer alguém com neurônios em estado razoável de conservação. Noves fora esse detalhe, é perfeita a estratégia do partido de transferir a culpa da crise econômica para o PSDB: se os tucanos importaram o modelo e ele desmorona, é preciso eleger uma pessoa comprometida com a mudança.

Seria apenas elementar o silogismo não fosse tosca e, sobretudo, cínica a tentativa do PT de ficar no poder mediante a reinvenção de um discurso de crítica aos fiadores originais da política econômica adotada pelo partido em dois períodos consecutivos frente à Presidência da República.

Isso depois de se negar a dividir com os autores os bons resultados obtidos ao longo de seis anos, de se apropriar do fim da inflação, da estabilidade da moeda e de todos os fundamentos, cuja adoção anterior permitiu ao governo Luiz Inácio da Silva desfrutar dos efeitos da bonança internacional e amealhar respeitável patrimônio de 70% de popularidade.

Tal decisão não é fruto de opiniões isoladas, coisa daquela ala antigamente denominada xiita. Foi anunciada pelo tesoureiro do partido - “É a crise de um modelo do qual o governo FHC e o DEM foram os grandes patrocinadores no Brasil” - e corroborada pelo presidente da agremiação, deputado Ricardo Berzoini.

“Eles (os partido hoje de oposição) avalizaram o movimento neoliberal no Brasil”, disse Berzoini todo convicto de que o ataque pesado à política inaugurada nos anos 90 é a saída ideal para o PT tentar eleger Dilma Rousseff ou quem quer que venha a ser o candidato, ou candidata, oficial à sucessão de Lula.

Pelo que se depreende do debate ocorrido entre dirigentes petistas no último fim de semana no interior de São Paulo, o partido pensa em patrocinar uma volta às origens, a fim de se credenciar ao recomeço; de preferência do zero naquilo que for conveniente.

Por exemplo: anula-se o desgaste de dois mandatos, a desmoralização resultante dos escândalos, a banalização das más companhias, a degeneração fisiológica, a perda da bandeira da ética em algum lugar no meio desse caminho e volta-se a preconizar ao eleitorado a “mudança”.

A motivação para se dar um “boot” na máquina seria um problema, mas eis que a crise econômica surge para dar a solução aparentemente ideal: ao mesmo tempo permite ao PT dar o dito pelo não dito e ainda é uma maneira de atacar o principal candidato, o tucano José Serra, em primeiro lugar nas pesquisas.

O singular é que a nenhum dos dirigentes tenha ocorrido a hipótese de a argumentação soar tenebrosa ao eleitorado, do ponto de vista, senão da coerência (preceito devidamente revogado), pelo menos da amoralidade.

Evidentemente, o PT não espera que no meio da turbulência de conseqüências ainda desconhecidas o “seu” governo vá mudar radicalmente o rumo das coisas. Portanto, no essencial a política segue como está.

Sendo assim, como é que o PT pode pensar que o eleitor vá votar no representante de um governo que faz uma coisa, cujo partido diz que está errada, e promete, se eleito, fazer tudo diferente?

Como espera que alguém acredite que a responsabilidade seja dos dois partidos de oposição que estão há seis anos assistindo à comemoração do desempenho de uma política, sem direito a um mísero ingresso para a festa?

Pois então o governo usa e abusa de uma herança dita “maldita” no início, usufruiu de todos os méritos, subtrai do registro da História a assinatura dos autores e, quando o vento vira, devolve o capital dilapidado e sai ileso dizendo que não tem nada a ver com isso?

Foi isso o que propôs o PT em seu encontro de São Roque. Agora, pode ter havido um mal entendido. Se houve, urge o PT esclarecer as coisas o quanto antes.

Sob pena de fazer fama de mau caráter na praça, de querer crescer à custa de difamação, de não ter aplicado a fórmula correta a tempo de evitar o desastre e, pior, de não ter uma única idéia nova a apresentar ao eleitorado para justificar sua permanência no comando na Nação.

Antes que o leitor lembre a ausência de pensamentos (qualquer um, novos ou velhos) também na oposição, cumpre registrar ser este um fato sobejamente conhecido. Quem se apresentou ao debate com a novidade da estação foi o PT e, com isso, reservou mesa de pista na berlinda.

Mas admitamos que seja isso mesmo, que o PT pretenda reeditar em 2010 o discurso de 2006, atacando os neoliberais, os privatistas, os fiéis seguidores do Banco Central etc.

Ver-se-á frente a frente com um adversário de “top” semelhante. Com a diferença que José Serra discorre a respeito desse conteúdo de uma forma muito mais consistente, concorde-se com ele ou não.

Se o intuito do PT for justamente se preparar para enfrentar o adversário no campo localizado à esquerda, vai precisar de um invólucro melhor do que este da devolução da herança na antiga versão maldita, depois da satisfação obtida ao longo de dois mandatos consecutivos.

13/11/2008 - 13:50h A alquimia do Estadão

http://veja.abril.com.br/070606/imagens/brasil5.jpgOs anteparos ideológicos permitem ao Estadão travestir o chumbo em ouro. Mas os limites da mágica ilusionista são a realidade, como critério da verdade. O chumbo continua chumbo.

No espaço que o jornal dedica a sua luta ideológica em favor dos temas prediletos da direita, o Estadão publicou hoje um apoio explicito a política de José Serra no governo de Estado e contra o PAC. O título do editorial é um programa: “PAC paulista é melhor”.

O entusiasmo, o mesmo do jornal Valor (Me engana que eu gosto), utiliza com a mesma desenvoltura as cifras fornecidas pelos secretários da Fazenda, Mauro Ricardo Costa, e do Planejamento, Francisco Vidal Luna do governo estadual.

Essas cifras estão infladas no que concerne os investimentos estaduais e não correspondem com os dados federais sobre o PAC. Para o jornal aparentemente, pouco importa.

Como tampouco importa qualquer comparação séria entre, por exemplo, o leilão das estradas federais e seu equivalente com as estradas paulistas. Por isso, tanto faz se para encher o cofre do governador em vistas de 2010, os pedágios estaduais são uma extorsão que contribui para alimentar a pressão inflacionaria e os leilões federais estabelecem os pedágios bem mais em conta. A questão não é nem evocada.

O cinismo chega a tal ponto no artigo, que é elogiada a compra-venda compulsória feita pelo governador, da folha dos servidores estaduais para o banco Nossa Caixa. A maioria dos servidores já tinha sua folha nesse banco, que pertence ao próprio Estado, e o banco foi obrigado a repassar mais de R$2 bi para o orçamento estadual, o equivalente a mais de 4 anos de lucro liquido do banco. Depois é elogiada a venda do mesmo banco para o BB, porque permite continuar a fazer caixa, mesmo que o comprador é o governo federal via BB.

A boa vontade do Estadão com Serra é tal (a mesma que no passado recebera Alckmin), que chega até a elogiar o substancial aumento da carga tributária estadual, bem acima da inflação, sem sequer repetir o que sempre escrevem nesses casos recomendando abaixar os impostos. Pior, se extasiam perante o aumento do endividamento do Estado. Endividamento que foi ampliado pela boa disposição do governo federal e que agora será, aparentemente, novamente ampliado pelo Senado, para reforçar -com dívidas- o caixa do governador. Percebe-se quanto era hipócrita e partidária a gritaria do mesmo jornal e dos demo-tucanos quando Marta tentou negociar a situação da dívida feita por Maluf-Pitta na prefeitura da capital.

Mas, será que toda esta gigantesca montanha de dinheiro conhecerá um destino diferente, daquela outra montanha gigantesca obtida por FHC com as privatizações?

A Polícia Civil de São Paulo, segundo reportagem do próprio Estadão, ganha menos que a do Estado de Alagoas. Os servidores municipais com salários bem desfazados com relação a inflação e aos dos seus homólogos federais ou mesmo de outros Estados bem menos ricos que São Paulo.

Os resultados na educação pifios e apenas atingem a media nacional. Mesmo em matéria de obras, a passo de tartaruga no metrô e sem grande progresso no Rodoanel. Para um jornal que insiste em dizer que as obras do PAC estão atrasadas, é muita falta de equilíbrio.

Um “press-release” do governo estadual teria sido seguramente mais comedido.

O que é mais evidente ainda com este editorial é que a mídia de São Paulo claramente assume seu lugar na campanha de José Serra a presidente em 2010. Dificilmente este tipo de posicionamento, retomado regularmente pelos articulistas em outras páginas dos mesmos jornais, deixará de impregnar o conjunto da cobertura dos próprios jornais.

Esse monopólio da mídia em favor de um partido e um candidato é um perigo para a democracia e para a própria liberdade de imprensa.

O pluralismo é a primeira vítima, a segunda é a verdade e por último é a própria liberdade que estará ameaçada.

Luis Favre

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Jornal O Estado de São Paulo

Opinião

O PAC paulista é melhor

O governo de São Paulo investiu em obras de infra-estrutura R$ 9 bilhões, em 2007, e R$ 12,7 bilhões, entre janeiro e outubro de 2008, enquanto o governo federal aplicava, nos mesmos períodos, respectivamente, R$ 8 bilhões e R$ 8,2 bilhões nas obras incluídas no Programa de Aceleração do Crescimento (PAC). Pode-se afirmar, portanto, que a versão paulista do PAC é mais eficiente que a do governo federal - e para isto contribui tanto a firmeza no controle de despesas como a boa gestão dos projetos.

A política do governo paulista consiste em gerar recursos para investir usando os meios disponíveis, do enxugamento de gastos de custeio ao aperfeiçoamento tributário, sem preconceitos contra privatizações, concessões de serviços públicos ou venda de ativos a outros entes estatais, como relataram ao jornal Valor de segunda-feira os secretários da Fazenda, Mauro Ricardo Costa, e do Planejamento, Francisco Vidal Luna.

O Banco Nossa Caixa, por exemplo, já pagou ao Tesouro paulista R$ 2 bilhões para administrar a folha de pagamento do Estado. Agora, está prestes a ser concluída a venda do controle da Nossa Caixa para o Banco do Brasil, o que propiciará ao Tesouro uma receita da ordem de R$ 5 bilhões a R$ 6 bilhões.

Em março, o governo estadual tentou privatizar a Companhia Energética de São Paulo (Cesp). Não teve êxito, mas nem por isso desistiu. Quer agora que a União aumente o prazo de concessão das Usinas Jupiá e Ilha Solteira, que expira em 2015 - sem o que não haverá investidores dispostos a comprar a Cesp.

Em 2007, São Paulo obteve R$ 2 bilhões ao conceder à iniciativa privada o Trecho Oeste do Rodoanel. Serra não dá atenção ao “debate ideológico”, notou o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, que privatizou as telecomunicações e a distribuição de energia e acabou com o monopólio da Petrobrás.

São Paulo recorre também às Parcerias Público-Privadas (PPPs) para tocar obras e projetos, como a Linha 4 do metrô e a produção e distribuição de água em Mogi das Cruzes. Até o final do ano, quer fazer PPPs para reformar trens antigos e comprar vagões novos para a Linha 8 da Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM) e lançar um Veículo Leve sobre Trilhos (VLT) para a Baixada Santista.

Atuando em outra frente - a da reorganização fiscal - o Estado elevou a receita tributária em 13,5% acima da inflação, entre janeiro e agosto, sem criar impostos ou aumentar alíquotas. Ao mesmo tempo, cortou 15% dos cargos em comissão, economizando R$ 77 milhões, e auditou a folha de pagamento, poupando R$ 400 milhões. O uso maciço do sistema de pregão eletrônico nas compras permitiu reduzir seu custo em 28%, calcula a Secretaria da Fazenda. A renegociação de contratos gerou outros R$ 600 milhões de economia e foi feito um programa de parcelamento de débitos de R$ 8,4 bilhões, que propiciou receita extra de R$ 1,1 bilhão. A criação da Nota Fiscal Paulista, com devolução de R$ 270 milhões para 13 milhões de pessoas e um programa de sorteio de prêmios, está ajudando no combate à sonegação.

O resultado desse conjunto de políticas é que a capacidade anual de investimentos do Estado passou de R$ 5 bilhões a R$ 6 bilhões, em janeiro de 2007, para R$ 17,7 bilhões, hoje. Com maior superávit primário, a capacidade de endividamento paulista ampliou-se em R$ 6,7 bilhões. Depende da aprovação do Senado a elevação desse limite em mais R$ 3,5 bilhões. Com isto, em 2009 São Paulo deverá investir R$ 18,2 bilhões, 50% mais do que em 2008 - e a participação dos investimentos nas despesas totais passará de 4,73%, em 2003, para 10,82%, no ano que vem, calcula Vidal Luna.

Rodoanel, metrô, estradas vicinais, recuperação e implantação da malha rodoviária, habitação, saneamento, tratamento e coleta de esgotos, expansão das escolas técnicas e faculdades de tecnologia e programas de inteligência policial estão entre os investimentos previstos para 2009. Na elaboração do orçamento, a prioridade passou a ser investir em projetos bem-feitos e exeqüíveis, não gastar. Esta é a diferença entre as administrações estadual e federal.

11/11/2008 - 14:42h Me engana que eu gosto

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Capa do jornal Valor de segunda-feira, faltou dizer que Serra se arma para 2010 com o apoio da mídia

O governador de São Paulo lançou sua campanha eleitoral para 2010 com a publicação de reportagens em dois jornais, Folha e Valor, ditados pela sua vontade de marcar sua entrada na disputa.

No domingo a Folha dedicou artigo de capa a “atacar” o governo federal pela melhora salarial aportada aos servidores públicos federais. O ataque procura “justificar” o verdadeiro arrocho salarial que é praticado no governo estadual de São Paulo pelo governador-candidato. Na segunda-feira a justificação é aportada pelo jornal Valor: os recursos não são para gastos correntes e folha de pagamento e sim para investimentos.

Na mesma reportagem, o artigo de capa do jornal Valor, na base de números fornecidos pelos governo estadual, procura alavancar o candidato ao planalto na linha: rigor com servidores estaduais, mas investimentos superiores no Estado a todo o PAC de Lula.

Hoje, em artigo de Catia Seabra na Folha, o governador-candidato “oferece” R$ 3 bi em crédito às montadoras de São Paulo via Nossa Caixa. O candidato aparece como atuante no combate ao “credit-crunch”. Trata-se, em verdade, de “generosidade” de Serra com o banco prestes a virar propriedade do Banco do Brasil.

A movimentação de José Serra é natural. Já o serviço de “press-release” dos jornais é muito discutível e mostra como será a cobertura de 2010 (já deu para perceber com 2000-2004 em São Paulo, 2006 no país e 2008 nas municipais).

Primeiro os dados fajutos reproduzidos pelo Valor. Para comparar os investimentos estaduais com o PAC, o jornal contabiliza aparentemente os investimentos das empresas estatais paulistas (por exemplo, deve ter contabilizado o total dos investimentos previstos com o leilão das estradas, mas os ganhadores ainda não realizaram seus investimentos; e ao mesmo tempo retira do PAC os investimento das estatais federais, Petrobrás e Eletrobrás).

Valor afirma que o governo estadual “Neste ano, desembolsou R$ 12,7 bilhões até outubro, enquanto o governo federal liberou apenas R$8,2 bilhões para seu programa prioritário.” Porém, isto não aparece no sistema SIAF (federal), nem no SIGEO (Estadual). Estes sistemas permitem acompanhar a execução orçamentária. Eles comportam uma rubrica de investimentos, do que é empenhado e do que é liquidado e efetivamente pago. Nenhuma da cifras invocadas pelo jornal Valor correspondem com os dados desses sistemas.

Não é objeto deste post discutir os investimentos do governo estadual, nem suas privatizações visando a fazer caixa, nem sua recusa a investir nos professores, nos salários dos policiais, na revalorização dos servidores da saúde etc.

Seria até sadia uma verdadeira emulação para investir mais e melhor, em beneficio da população brasileira. Abrir esse debate com transparência também é positivo para a democracia brasileira. Utilizar como instrumentos de pura propaganda jornais que abdicam do mínimo espírito crítico para cumprir serviço e um insulto a inteligência. LF

24/08/2008 - 12:46h Dízima periódica

A imagem “http://www.grupoestado.com.br/midiakit/img/upload/dora_kramer.jpg” contém erros e não pode ser exibida. Dora Kramer - O Estado de São Paulo

É fácil conferir, basta dar uma olhada nos jornais da semana passada. Servem também os do começo do ano ou qualquer um publicado ao longo da campanha de 2006 - dos primórdios da escolha do candidato do PSDB à Presidência da República à derrota final de Geraldo Alckmin para o presidente Luiz Inácio da Silva, com menos votos que os obtidos no primeiro turno.

E se interessar um aprofundamento do estudo comparativo das ações do PSDB na tentativa de reencontrar o caminho do Palácio do Planalto, vale retroagir a pesquisa à campanha presidencial de 2002 para perceber como são conservadores os tucanos em matéria de equívocos.

Sem criatividade para inventar novos nem capacidade para superar os velhos, há seis anos contentam-se com a repetição dos mesmos erros. E o mais incrível: surpreendem-se com eles.

A cúpula do PSDB se assustou com a última pesquisa do Ibope sobre a eleição para prefeito de São Paulo que registrou uma subida espetacular de Marta Suplicy, uma queda acentuada de Geraldo Alckmin e um inamovível Gilberto Kassab na casa do dígito único.

Ato contínuo deflagrou-se a caça aos responsáveis e instalou-se a discórdia sobre como sair da periclitante situação: mudar a campanha de Alckmin sim, mas em qual direção?

Os “nacionais” cobram agressividade contra Marta Suplicy, mas os “locais” - candidato incluído - não querem briga, apostam na maciota e prometem que no segundo turno tudo vai ser diferente, virá o enfrentamento e, com ele, a virada rumo à vitória.

Filme visto em 2002: José Serra foi candidato a presidente em meio ao desinteresse explícito do partido, a bordo do discurso dúbio da “continuidade sem continuísmo” que entrou por um ouvido do eleitor e saiu pelo outro devidamente transformado em pó nesse trajeto.

Revisto em 2006: Alckmin forçou a mão, Serra achou melhor não enfrentar Lula com a bola interna dividida e o PSDB entrou na disputa desprezando os 20 pontos porcentuais de diferença nas pesquisas em favor do preterido. Naquela vez havia um discurso à disposição, mas os tucanos preferiram deixar para Lula a autoria da estabilidade e cair na armadilha de se envergonhar das privatizações.

Lá, como cá, uns pediam agressividade, outros preferiam a amenidade, mas ninguém sentava para se entender. Evidente, as intrigas, ciumeiras, rasteiras e ressentimentos presidiam o ambiente.

Reprisado agora, na eleição preparatória da disputa de 2010: José Serra, de novo o mais bem posicionado nas pesquisas, tinha um plano. Os adversários dentro do partido não concordaram - inclusive porque não devem ter sido consultados - com a preliminar da aliança em torno de Gilberto Kassab e outra vez decisão sobre candidatura foi um parto dantesco. Em público.

Começa a campanha e dá-se o óbvio: um candidato com votos e sem discurso, outro com discurso e sem votos resultam numa conjunção de carências.

Mas a nação tucana sobressalta-se. Esperava um milagre. E convém esperar sentada se continuar fazendo tudo errado achando que no fim dá tudo certo.

Leia a integra da coluna de Dora Kramer no jornal O Estado de São Paulo

08/08/2008 - 19:28h Em matéria de conserto, Alckmin tem telhado de vidro

O ex-Secretário na administração de Marta Suplicy, Valdemir Garreta, enviou para este blog uma nota sobre a campanha eleitoral. Acrescentei à nota alguns links de artigos que tratam dos temas abordados por Garreta. LF

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Após ter ficado sem resposta perante a afirmação de Kassab, que constatou que Alckmin prometeu em 2002 a linha 4 do metrô para 2006, é que agora Serra diz que só estará pronta em 2010; o candidato do PSDB voltou a atacar Marta.

Segundo Alckmin, “Serra assumiu para consertar o estrago dela”.

Vindo daquele que deixou para Serra uma cratera gigantesca no metrô, por falta de fiscalização segundo o atual Secretário de Serra, a acusação é arriscada.

Alckmin foi o responsável pelo processo de privatizações das empresas estaduais. A venda do patrimônio público foi justificada pela necessidade de reduzir o endividamento do Estado. Pois não é que ele deixou o governo estadual com uma dívida, que segundo o governador Serra, é impagavel. A venda permitiu arrecadar uma montanha de dinheiro e o Estado de São Paulo tem essa dívida toda? Será que Serra vai consertar? (ver aqui Estou anonadado !)

Pior, avaliação feita pela Secretaria Estadual de Educação do governador Serra, deu nota 1, 41 como média para o ensino médio estadual, numa escala de 0 a 10. A situação é mais alarmante, já que 57% das escolas não atingiram o Idesp 1,41, numa escala de 0 a 10. A mesma Secretária de Educação do governador Serra declarou que foram jogado fora pelo seu predecessor (Alckmin e Chalita) R$2 bilhões na formação dos professores. Esse dinheiro é o equivalente a um ano de Fundeb para todo o Brasil. E ainda, as próprias metas fixadas por Alckmin para melhorar um pouco a situação no desastre educacional de São Paulo, não foram atingidas e até teve recuo. Serra tampouco conseguiu consertar tamanho estrago, suas metas ficaram parecidas com as do seu colega de partido. (Ver aqui Roxo de vergonha; Educação SP: Serra denuncia herança maldita de Alckmin; Educação em São Paulo piora. Serra culpa Alckmin).

Por isso, em questão de conserto, Alckmin tem telhado de vidro.

Valdemir Garreta

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12/07/2008 - 19:03h Aos poucos, cada vez mais luz

http://geraldofreire.uol.com.br/daniel_dantas.jpg (…) Poucos homens de negócios representam com mais nitidez a natureza perversa do capitalismo brasileiro dependente do estado macrófago do que o banqueiro Daniel Dantas.

Pelas mãos do ex-ministro Mario Henrique Simonsen, que o considerava seu aluno mais capaz, Dantas despontou há duas décadas como um jovem e astuto economista saído do conceituado Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT), nos Estados Unidos.

Durante as privatizações do governo Fernando Henrique Cardoso, o banqueiro de origem baiana reinventou-se. À frente de seu próprio banco, o Opportunity, recebeu a bênção do governo para unir-se aos poderosos fundos de pensão de estatais, como Previ e Petros, formando uma espécie de parceria público-privada cujos efeitos desastrosos perduram até hoje. Dantas conseguiu do governo um mandato para ser o gestor dos recursos investidos por esses fundos em um conglomerado de empresas recém-privatizadas, que reunia desde a Santos Brasil, terminal portuário em Santos, até as operadoras de telecomunicações Brasil Telecom, Telemig Celular e Amazônia Celular. A parceria funcionava desta forma: o governo entrava com o dinheiro e Dantas dava as cartas.

Foi assim, como empresário privado de patrimônio público, que Dantas despontou como o mais astuto entre os inúmeros capitalistas brasileiros cujo sucesso se deve a privilégios oficiais obtidos pela bajulação e, principalmente, pela corrupção de autoridades de plantão.”

Do artigo de VEJA “Dantas contra a parede”

11/06/2008 - 13:23h Delfim ainda crê em expansão acima de 5%

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Para ex-ministro, alta do PIB deve aproximar-se dos 5,4% de 2007 e aumento do superávit primário pode reduzir gasto público no 2º trimestre

Ricardo Leopoldo - O Estado de São Paulo

O ex-ministro da Fazenda Delfim Netto afirmou ao Estado que é possível ocorrer uma redução do consumo do governo no segundo trimestre, por causa da decisão do Poder Executivo de elevar o superávit primário de 3,8% para 4,3% do Produto Interno Bruto (PIB) neste ano. No primeiro trimestre, tais despesas subiram 5,8% em relação aos três meses correspondentes de 2007. “Os gastos públicos subiram no começo do ano. Mas, se o governo cumprir a promessa de elevar o superávit primário, tal medida deve baixar o ritmo das despesas no curto prazo”, comentou.

Ao analisar os dados divulgados pelo IBGE sobre as contas nacionais, Delfim Netto ponderou que o atual ritmo de atividade deve levar o País a crescer pouco acima de 5% neste ano, o que não ficaria distante da alta de 5,4% do PIB de 2007. A Formação Bruta de Capital Fixo (FBCF) avançou 15,2% no primeiro trimestre ante o mesmo período de 2007 e apresenta expansão, na mesma base de comparação, pelo 17º trimestre seguido. No último trimestre de 2007, os investimentos subiram 16% em relação ao mesmo período de 2006.

Com ironia, Delfim ponderou que a atual dinâmica de evolução do PIB “pode deixar o Copom um pouco mais preocupado”, mas isso não deveria tornar a política monetária ainda mais restritiva. “Há uma pressão inflacionária, existe uma mudança de preços relativos muito importante, especialmente porque está havendo uma alta forte dos preços do petróleo sobre todos os setores. Há também as conseqüências (sobre os índices de preços) das privatizações malfeitas que corrigiram as tarifas de serviços públicos por IGPs. Nesse contexto, o BC tem um pouco de razão para se assustar (com a inflação).”

Mas, para o ex-ministro da Fazenda, se o Banco Central acreditar que o governo vai elevar o superávit primário de 3,8% para 4,3% do PIB, então o BC pode “ter um ataque de lucidez” e ser menos agressivo na condução da política monetária no decorrer do ano. De acordo com a pesquisa Focus, o Copom deverá elevar a Selic neste ano em mais 1,75 ponto porcentual, pois a taxa deverá chegar a 14% em dezembro. Embora não estime a quanto devem chegar os juros básicos no fim do ano, ele avalia que o BC não precisará aumentar a magnitude das elevações das taxas para 0,75 ponto porcentual.

Para Delfim, o aumento do superávit primário ajuda o BC “a não precisar fazer uma tragédia” na condução da política monetária. Na avaliação do ex-ministro, o governo deveria elevar a poupança do Orçamento, sem levar em consideração os gastos com juros, para pelo menos 4,5% do PIB, o que reduziria a demanda interna de 0,9 a 1 ponto porcentual. De acordo com MCM Consultores, a demanda doméstica subiu 8,7% no primeiro trimestre deste ano em relação ao mesmo período de 2007, taxa ainda superior à alta de 8,3% do quarto trimestre do ano passado ante os mesmos três meses de 2006.

24/05/2008 - 12:09h Fazendo caixa: para Serra venda da Nossa Caixa é para investir

‘Venda financiará obras’, diz Serra

Milton F. da Rocha Filho e Ana Luísa Westphalen - O Estado de São Paulo

Diante da reação dos principais bancos privados do País, pedindo que o banco estadual paulista Nossa Caixa seja vendido em leilão aberto, e não diretamente ao Banco do Brasil, como foi anunciado na noite de quarta-feira, o governador de São Paulo, José Serra (PSDB), interrompeu o repouso em Campos do Jordão para defender, em entrevista, a venda para o banco federal.

Segundo ele, a venda para o Banco do Brasil tem a vantagem de ser mais rentável para o caixa do governo do Estado. Isso porque na Nossa Caixa estão depositados cerca de R$ 16 bilhões em depósitos judiciais que, pela lei, só podem estar em bancos públicos.

“É natural pensar que a proposta do BB será sempre melhor para o Estado de São Paulo, pois implicará trazer mais recursos”, afirmou Serra. “Se a Caixa fosse vendida para bancos privados, os depósitos judiciais não iriam para o banco que a comprasse.”

Segundo o governador, caso a venda se concretize, os recursos serão usados em obras em estradas, no sistema de transporte, em educação, saúde e saneamento. “Vamos procurar fazer aquilo que seja melhor para o Estado de São Paulo, esse é o critério do governo e vamos trabalhar para que nós tenhamos mais recursos para investir.”

Ontem, após o Estado publicar uma declaração do presidente do Banco Itaú, Roberto Setubal, favorável a um leilão que garanta maior transparência na venda da Nossa Caixa, todos os principais bancos saíram em defesa da mesma tese.

O governador explicou que o interesse na compra da Nossa Caixa partiu do Banco do Brasil e o governo concordou em receber a proposta. “Estamos conversando com o Banco do Brasil. Isso depois vai ter que ser examinado pela Assembléia Legislativa. Não é um assunto para resolver hoje ou amanhã.”

Serra disse que não está participando das negociações e não conversou com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva a esse respeito. “Toda a conversa foi entre a Secretaria da Fazenda e a direção do Banco do Brasil; eu apenas acompanhei.”

PRÓXIMOS PASSOS

Reunião realizada ontem, em São Paulo, entre o presidente do Banco do Brasil, Antonio Francisco Lima Neto, e o presidente da Nossa Caixa, Milton Luiz de Melo Santos, acertou os próximos passos para o acerto do negócio. O primeiro passo será assinar um acordo de confidencialidade das informações da Nossa Caixa, o que deverá ocorrer na terça-feira. Se a conversa for adiante, a etapa seguinte será uma auditoria na Nossa Caixa .

Do lado paulista, quem vai conduzir a negociação será o secretário da Fazenda, Mauro Ricardo. Ele terá um encontro na segunda-feira com dirigentes da Nossa Caixa. Nas negociações deverão ser usadas informações que estão sendo levantadas pelos bancos Fator e Citi, contratados no início do ano para fazer um estudo sobre as estatais de São Paulo.

Negociação sem licitação é ilegal, dizem juristas

Para Ives Gandra, realização do negócio sem leilão fere artigos da Constituição e da Lei de Licitações

Andrea Vialli - O Estado de São Paulo

A operação de compra da Nossa Caixa pelo Banco do Brasil, sem a realização de um leilão, é inconstitucional, dizem juristas. De acordo com Ives Gandra Martins, o negócio fere os artigos 173 e 175 da Constituição Federal e também a Lei 8.666, de licitações. “Estou convencido de que um leilão, nesse caso, é imprescindível”, afirmou em entrevista ao Estado.

Segundo o jurista, o fato de o Banco do Brasil ser uma sociedade de economia mista - parte do capital é estatal, outra parte é negociada em bolsa de valores - o torna equivalente a um banco privado, no processo de aquisição. “Caso contrário, fere o artigo 173 da Constituição Federal, que afirma que sociedades de economia mista estão sujeitas às mesmas regras aplicadas às empresas privadas”, diz. “A Lei de Licitações reforça isso: todo bem público a ser vendido deve passar por uma licitação.”

Para Ives Gandra, o negócio é claramente ilegal. “Se a venda for feita, certamente cairá no Judiciário.” Além disso, diz, a não realização de um leilão contraria o artigo 175 da Constituição Federal - que “incumbe ao Poder Público, na forma da lei, diretamente ou sob regime de concessão ou permissão, sempre através de licitação, a prestação de serviços públicos.” Segundo ele, um leilão seria o caminho correto, pois daria transparência à aquisição e asseguraria o melhor preço pela instituição, a exemplo do que ocorreu na privatização do Banespa.

O jurista Marçal Justen Filho, especializado em direito administrativo e licitações, tem a mesma opinião. “A alienação de bens e direitos da administração pública deve ser feita por meio de licitação. E o Banco do Brasil não pode ter benefícios em face de outros bancos privados.” Segundo Justen, a não realização de licitação quando há obrigatoriedade pode ser considerada crime.

Na visão de outros especialistas, no entanto, o negócio pode ser concretizado, mesmo sem leilão. “A aquisição é viável juridicamente, pois trata-se de transferência de ativos dentro da esfera do patrimônio público”, afirma Alessandro Octaviani, professor da Fundação Getúlio Vargas (FGV).

“Não há alienação do patrimônio público, ou seja, transferência do público para uma empresa privada. O leilão pode ser feito para dar transparência ao processo, mas, nesse caso, não há obrigação legal”, afirma Gilberto Bercovici, professor de direito econômico da Universidade de São Paulo (USP).

SINDICALISTAS

Ontem pela manhã, em reunião com o presidente do Banco do Brasil, Antônio de Lima Neto, lideranças sindicais manifestaram preocupação quanto à preservação de direitos e a possíveis demissões caso o negócio se concretize. O presidente do Sindicato dos Bancários de São Paulo, Luiz Claudio Marcolino, disse que espera do Banco do Brasil respeito aos contratos vigentes entre a Nossa Caixa e seus funcionários. “Quando ocorreram as privatizações de bancos, na década de 90, o que vimos foi a redução de postos de trabalho e o fechamento de agências em todo o País.”

Para o deputado estadual Davi Zaia (PPS-SP), presidente da Federação dos Bancários de São Paulo, as negociações entre o governo de São Paulo e o Banco do Brasil colaboram para intensificar a concentração do setor financeiro. Mas critica os questionamentos feitos por Bradesco e Itaú. “Existe um processo de concentração, mas não é justo que somente os bancos privados possam participar disso.”
COLABOROU JOSÉ HENRIQUE LOPES

06/04/2008 - 07:58h O transporte público em questão

congestionamento2.jpgUm dos post mais comentados foi sobre o transporte público na cidade de São Paulo. O artigo Quem o pariu, que o embale suscitou muitas reações.

Gostaria comentar a nota do leitor Sérgio, que reproduzo a seguir:

Comentado por Sérgio em 04 Abril 2008 às 10:12 am:

Esse comentário do Favre só é aceitável se entendido como um desabafo de um marido. Jamais como de um cidadão normal.
1) A sra. Marta, durante o seu governo, destinou no orçamento da prefeitura exatamente R$ 1,00 por ano para ajudar nas obras do metro, não dando a menor importância para os convênios entre os governo municipal, estadual e federal para ampliação da linha. E o pior não dando a menor importância para uma população enorme que a elegeu.
2)Corredor de ônibus é um lixão, especialmente os últimos que foram feitos.
É só dar uma olhada na Av. Rebouças. Corredor de ônibus pode ser bom para país africano mas para uma das maiores cidades do mundo a solução é metro e isso não se constrói com R$ 1,00 por ano ouviu dona Marta.
3)O Sr. Favre fala como se fosse um ignorante (qualidade de quem ignora alguma coisa) mas na verdade é uma roposa velha. A construção do Rodoanel se daria através de um convênio entre município, estado e União, com participação financeira de todos, tendo em vista o alto custo da obra e os diversos benefícios que seriam obtidos (escoamento melhor da produção ajudando inclusive as EXPORTAÇÕES, melhoria do trânsito na cidade de são Paulo, etc… Até 2002 esse convênio funcionou muito bem. Basta passar pelo Rodoanel e ver o que foi construido. Mas a partir de 2003 o governo federal simplesmente cortou do orçamento da União sua participação no projeto.
Em resumo: É TUDO FARINHA DO MESMO SACO SIM…
E para encerrar: A globo é do governo. Em troca o governo dá para a Globo anunciantes como a Petrobrás, Caixa, Banco do Brasil, Correios ….só não enxerga os manipulados pela nova elite do Brasil, instalada no poder em 2002.

Evidentemente todos os leitores estão convidados a participar desta discussão. Vou limitar minhas ponderações a itens que me parecem importantes. Deixarei de lado a deselegância de considerar que minhas opiniões seriam o “desabafo do marido” e não uma convicção, certa ou errada, produto do meu discernimento. Mesmo nisto vejo um progresso, no machismo é geralmente a opinião da mulher que está determinada por seu marido e aqui é o contrário. Um avanço em certa maneira.

Mas vamos aos argumentos. No primeiro ponto o Sr. Sérgio investe contra os corredores e defende o metrô, en passant acusa a gestão Marta Suplicy de ter dado R$ 1 para a construção da rede de metrô.

Conheço alguns países da África e nenhum deles comporta corredores de ônibus nas suas cidades (pelo menos os que eu conheço). Já Paris, cidade onde vivi durante 35 anos e onde nasceram meus filhos, já tinha corredores de ônibus quando pela primeira vez a vi em 1969. A novidade é que o atual prefeito, reeleito faz poucos dias, transformou a capital da França em canteiro de obras de… corredores.

Fiz algumas fotos para vocês perceberem que a escolha em Paris tem sido por corredores segregados fisicamente. Eles cortam as avenidas quase no meio. Tem em quase toda a cidade, o atual prefeito generalizou esses corredores em quase todas as principais avenidas.

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Outro aspecto interessante é que Paris, primeira cidade a construir o metrô no mundo há mais de 100 anos, conta hoje com uma das melhores redes de metrô cobrindo toda a cidade e interligada com as cidades vizinhas com o metrô RER. Mesmo assim, ela conta com uma extensa rede de ônibus que cobre toda Paris.

A opção das autoridades municipais tem sido hoje privilegiar os corredores para tirar os carros das ruas, dificultando ao máximo transitar com carro (a ampliação dos corredores visa a permitir fluidez no transporte público e ao mesmo tempo “travar” a circulação dos carros para obrigar os motoristas a usar o “bus” ou o metrô).

O metrô de Paris, como o de São Paulo, não é de responsabilidade da prefeitura. A empresa do metrô (RATP) é uma autarquia dirigida pela região Ile de France, a qual investe com aporte do governo central na modernização do sistema em permanência.

Já o metrô de São Paulo foi retirado da alçada municipal e passou sob controle do governo estadual desde a época do prefeito Mário Covas. O argumento, não sem justificativa, é que o município não tinha condições financeiras para guardar o controle acionário, além de passar ao PMDB, na época de Franco Montoro, o controle de um elemento chave dos investimentos federais em transporte. Formalmente, porem, a prefeitura é detentora de uma pequena participação acionária, mas nunca é consultada sobre nada a respeito do metrô. Nem para o traçado das linhas projetadas na própria cidade ela é associada a qualquer definição.

O Sr. Sergio destacou que na rubrica do orçamento figurava R$ 1 simbólico, para permitir eventual remanejamento de verbas para contribuir com obras do metrô, para mostrar o descaso com o assunto. É de bom guerra. Seria fácil retorquir que no atual orçamento de Kassab esse valor é de R$ 1.000, ou seja sensivelmente igual pelo menos para construção de metrô. Mas não é esta a questão.

A questão é que o endividamento da cidade de São Paulo e a destruição da quase totalidade dos seus serviços durante a administração Pitta, deixou um legado particularmente pesado em matéria de transporte público sob responsabilidade direta e exclusiva do município: o sistema de ônibus estava destruído. Para não falar na falência do PAS e a situação nas demais áreas.

Em paralelo, o governo estadual e o governo federal, dominados pela mesma força política, o PSDB, nada se dispôs a fazer para ajudar financeiramente a cidade. Não tinha obrigação legal a faze-lo, mas seguramente que se Mário Covas, que apoiou Marta Suplicy, não tivesse falecido prematuramente está colaboração solicitada na época pela própria prefeita, teria prevalecido.

De seu lado, responsável pela venda de quase todo o patrimônio estadual nas privatizações, e diretamente responsável pelo metrô, o governo Geraldo Alckmin quase nada fez para expandir ou melhorar a rede do metrô de São Paulo. O PSDB no governo estadual com Alckmin e no governo federal com FHC, construíram o equivalente a 800 metros por ano, sucatearam os investimentos em manutenção e deixaram para o governador Serra uma rede em quase colapso, com apenas 63 km de extensão e hiper-lotada.

Em quatro anos, Marta Suplicy eliminou as peruas clandestinas, regularizou o sistema de ônibus, crio o Bilhete-Único, impôs a renovação da frota e construiu mais de 100 km de corredores permitindo uma diminuição real do tempo de transporte dos cidadãos. Nos últimos quatro anos a cidade foi administrada pelo PSDB junto com o DEM, os corredores foram abandonados, a CET foi sucateada, os semáforos inteligentes prometidos, ficaram burros ou ausentes, a desorganização voltou a imperar, particularmente na zona sul. O tempo do transporte acabou reduzindo o impacto do Bilhete-Único que só dura 2 horas e a revolta da população é palpável. Não vai ser a quatro ou cinco meses do fim, que o anuncio de novas, e virtuais linhas de metrô ou de um cheque de contribuição financeira, que vão apagar esta realidade (o valor do cheque é inferior a contribuição do governo Lula para o transporte público da cidade).

Deixei por enquanto de lado a questão do rodoanel e também da contribuição do governo federal, que merecem um tópico a parte. Evidentemente que todos são convidados a este debate. Quando este tema tem aparecido nos jornais, tenho reproduzido os artigo aqui, pois considero uma questão crucial para a cidade de São Paulo e para a qualidade de vida dos seus cidadãos a questão do transporte público.

Luis Favre

28/02/2008 - 15:39h Guerras Tucanas

aecioserra.jpgA seguir um apanhado de vários artigos dos jornais sobre a guerra intestina no PSDB. Nos dois primeiros o conflito Aécio - Serra toma a forma da disputa sobre o leilão da CESP. A intenção do governador José Serra é entregar a CESP ao capital privado. Ele decidiu vender a CESP para fazer caixa e por considerar que o Estado não deve ser proprietário de uma empresa de eletricidade. Mas outras empresas do mesmo ramo, que são estatais, querem participar do leilão. Serra não deixa, ou seja a questão não parece ser só quem paga mais pela CESP, mas impor que ela vai parar em mãos privadas mesmo. Aécio viu uma oportunidade para mostrar que o objetivo de Serra é esse mesmo, impedir a livre concorrência e não vender ao melhor preço, só privatizar e ponto. Estranha a determinação de Serra, pois várias estatais estrangeiras já participaram em privatizações tucanas sem problema. a EDF (estatal francêsa) que comprou a Light; a Telefonica (Estatal espanhola) etc.

Reproduzo também, no final dos dois artigos que tratam da privatização da CESP, duas notas sobre atores da disputa tucana na prefeitura de São Paulo. Uma sobre Alckmin e Floriano Pesaro, publicada no Estadão e a outra, sobre Andrea Matarazzo, publicada na Folha.

Boa leitura e reflexão. LF

PRIVATIZAÇÃO

Aécio critica decisão de SP de vetar Cemig em leilão da Cesp

DA REPORTAGEM LOCAL FOLHA DE SÃO PAULO

O governador de Minas Gerais, Aécio Neves, criticou ontem a decisão do governo de São Paulo de impedir a participação da Cemig (Companhia Energética de Minas) no leilão da Cesp (Companhia Energética de São Paulo).
Chamando a restrição de equivocada, Aécio anunciou que, a exemplo do Paraná, o Estado de Minas questionará a proibição na Justiça.
“A Justiça é que irá decidir”, afirmou Aécio Neves à Rádio Bandeirantes.
Lembrando que o veto à participação das estatais de outros Estados nas privatizações de São Paulo foi fixado ainda no governo Mário Covas, Aécio usou o exemplo da Sabesp para chamar a medida de contraditória.
“A vedação a ela [Cemig] é um equívoco. E é algo também que deve ser visto de uma forma, talvez, contraditória. Há movimento grande na Sabesp, por exemplo, que é uma empresa estatal também de São Paulo na área de saneamento, de avançar em direção a outros Estados”, argumentou Aécio.
Dizendo que já manifestara interesse de a Cemig participar do consórcio para compra da Cesp numa conversa com o governador de São Paulo, o também tucano José Serra, Aécio criticou:
“Acho que mais do que esse rigor, essa visão protecionista, essa visão ideológica, de Estado pode, Estado não pode, se deve poder é eficiência. Se tem preço, se tem condições de gerir adequadamente a empresa, não deveria haver qualquer restrição”, afirmou Aécio.
O governador lembrou que a Cemig integra o consórcio controlador da Light.
Procurado pela Folha, o secretário da Fazenda de São Paulo, Mauro Ricardo Costa, disse, por intermédio da assessoria de imprensa, que não tem o que comentar sobre as críticas de Aécio.
Na semana passada, o secretário -que já trabalhou no governo Aécio- disse à Folha que essa era uma norma do governo Covas. “Se não, não seria privatização.”
(CATIA SEABRA)


Aécio critica veto à Cemig em leilão

Governador diz que restrição na venda da Cesp pode ir à Justiça

Raquel Massote, Wellington Bahnemann e Kelly Lima - OESP

O governador de Minas, Aécio Neves (PSDB), afirmou ontem em entrevista à Rádio Bandeirantes de São Paulo que o veto à participação da Cemig no leilão de privatização da Companhia Energética de São Paulo (Cesp) “é um equívoco” e que a questão poderá acabar sendo decidida pela Justiça. O leilão está previsto para 26 de março.

Aécio admite que a restrição à presença das estatais foi estabelecida no Programa Estadual de Desestatização (PED) do governo paulista, ainda sob a gestão de Mário Covas. “A participação de uma estatal com o know-how da Cemig, com capilaridade e a capacidade de gerir uma empresa de energia que tem a Cemig, a vedação a ela é um equívoco.”

Para o governador, a questão “vai realmente parar na Justiça em última instância”, já que também a Copel, do Paraná, pretende participar do leilão. “Se tem preço, se tem condições de gerir adequadamente a empresa e não tendo controle, não deveria haver qualquer restrição”, avaliou Aécio.

O tucano disse que já informou ao governador de São Paulo, José Serra (PSDB), que a concessionária mineira tem interesse não em ser controladora da Cesp, mas em participar da geradora com um grupo de sócios privados. “Fizemos isso em relação à Light, onde a Cemig participou do consórcio vitorioso com resultados absolutamente extraordinários.”

Não é a primeira vez que Minas questiona a restrição. O sócio do escritório Azevedo Sette Advogados Gustavo Eugenio Rocha, especialista em licitações e privatizações, lembrou que o governador Itamar Franco ingressou com uma ação direta de inconstitucionalidade (Adin) contra a Lei Estadual nº 9.361/96, que criou o PED em São Paulo e estabeleceu a reorganização no setor elétrico do Estado. “Hoje, essa Adin corre no Supremo Tribunal Federal”, disse o advogado.

Para o especialista, vários argumentos demonstram a inconstitucionalidade da lei que criou o PED. Segundo Rocha, a legislação paulista fere o artigo 37, inciso 21, da Constituição Federal, que determina condições de igualdade a todos os concorrentes de um processo de licitação. “A lei exorbita a competência estadual e legisla sobre um tema que não é de sua competência. As concessões no setor elétrico são federais e não estaduais”, acrescentou.

Rocha afirmou que, apesar de estatais, a figura jurídica de empresas como Cemig e Copel é de caráter privado e, ao impedi-las de participar do leilão da Cesp, o governo de São Paulo discrimina as empresas apenas porque são de outros Estados.

NA DISPUTA

O diretor Financeiro e de Relações com Investidores da Neoenergia, Erik Breyer, afirmou ontem que a empresa estuda a possibilidade de entrar com parceiros na disputa da Cesp. “Nosso interesse em entrar num negócio é como operador. Isso inviabiliza a participação no leilão da segunda usina da complexo do Rio Madeira. Mas nos permite disputar a Cesp e, possivelmente, a Brasiliana, controladora da Eletropaulo”, informou.

A empresa vai investir este ano R$ 1,8 bilhão - R$ 1,2 bilhão em distribuição e R$ 600 milhões em geração. “Estamos atentos a novos projetos de Pequenas Centrais Hidrelétricas (PCHs) e certamente vamos disputar futuros leilões”, disse Breyer.

Chris Mello - O Estado de São Paulo (28/2/2008)

Puxa e estica

alckminclarao.jpgAlckmin praticamente acertou a participação do PTB para indicar o nome de vice em sua chapa para Prefeitura. O mais cotado nome para o cargo é o de Campos Machado, visto que o senador Romeu Tuma é muito novo no partido.

A máscara

Gilberto Kassab nunca fez críticas explícitas a nenhum de seus adversários, portanto as recentes feitas a seu secretário Municipal de Assistência e Desenvolvimento Social, Floriano Pesaro, estão sendo interpretadas como uma solicitação para que ele entregue seu cargo. Para refrescar: Pesaro era homem de confiança no Palácio dos Bandeirantes no governo Alckmin.

Monica Bergamo - Folha de São Paulo (27/2/2008)

ORIGEM

O tucano Andrea Matarazzo conversou com diplomatas italianos sobre a possibilidade de ser candidato ao Senado da Itália, na vaga reservada aos italianos que moram na América do Sul. Ele considera “difícil” participar da eleição -mas não descarta totalmente a idéia.

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JÁ ERA

A conversa com os diplomatas sinaliza que o PSDB de SP considera a candidatura de Geraldo Alckmin à prefeitura irreversível. É que Andrea era provável candidato a vice, pelo partido, caso Alckmin não concorresse e os tucanos fizessem aliança com Gilberto Kassab, do DEM, na cabeça de chapa.