04/11/2009 - 14:27h BNDES já prevê alta de 4,5 % no investimento

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Setor de bens de capital levou a aumento da projeção

Alexandre Rodrigues e Adriana Chiarini, RIO – O Estado SP

O resultado da produção industrial motivou a previsão de crescimento entre 4% e 4,5% para o investimento no País no terceiro trimestre, pelos cálculos de técnicos do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).

O diretor de Planejamento do banco, João Carlos Ferraz, disse não ter dúvidas de que o Programa de Sustentação do Investimento (PSI) foi a principal influência para o aumento da produção de bens de capital.

“Isso é o PSI”, disse o Ferraz. “Minha impressão é que a política pública funcionou. No primeiro semestre, foi importante o incentivo do IPI para a indústria automotiva. Depois, veio a indústria metalúrgica, puxada pela indústria automotiva. E no terceiro trimestre foi o PSI, aumentando a produção de bens de capital.”

Ele comentou que “está uma correria das empresas” por financiamento pelo programa, que estabeleceu taxas de juros mais baixas, de 4,5% ao ano, e tem previsão de término em 31 de dezembro “Ninguém vai tirar férias em dezembro no BNDES”, brincou.

Marcelo Nascimento, da área de pesquisa econômica do banco, acha que os dados do IBGE surpreendem pela rapidez da resposta ao PSI. “Estamos prevendo para o terceiro trimestre crescimento entre 4% e 4,5% para o investimento no País. Já estamos crescendo a taxas próximas de antes da crise, bastante acima do PIB, o que já é característica de uma economia em expansão.”

A escalada de 6,1% na produção de bens de capital entre o segundo e o terceiro trimestres também encontra reflexo no programa Procaminhoneiro. Com os juros mais baixos do PSI, os desembolsos para a compra de novos caminhões somaram R$ 231,6 milhões no terceiro trimestre, 527% acima do segundo. O número de operações saltou de 150 em janeiro para 1.002 em setembro.

Nascimento chama a atenção para o crescimento de 17,8% no consumo de bens de capital, indicando a demanda por equipamentos para a expansão da indústria. “É um crescimento surpreendente, exatamente no mês em que o PSI teve mais desembolsos”, afirmou. “Sem o PSI é possível que o desempenho da indústria de bens de capital fosse bom, mas nada como vemos.”

O PSI, lançado em junho, teve como objetivo reverter os efeitos da crise, com crédito para os segmentos de bens de capital, inovação e exportações. Na primeira quinzena de outubro, o programa já acumulava R$ 13,6 bilhões em operações.

FINAME

O melhor indicador do impacto do BNDES no setor de bens de capital é a linha para a aquisição de máquinas e equipamentos, a Finame, cuja aprovação e liberação é mais ágil. Na primeira quinzena de outubro, a linha já havia liberado R$ 2,4 bilhões apenas nos 22 dias anteriores. A expectativa do banco era superar R$ 2,5 bilhões no balanço do mês, cujos dados ainda não foram fechados.


NÚMEROS

4,5% ao ano
é a taxa de juro do Programa
de Sustentação do Investimento do BNDES

R$ 13,6 bilhões
é o total acumulado de operações do programa, de junho a outubro

R$ 2,5 bilhões

era a meta de liberações da Finame a ser superada em outubro

30/09/2009 - 17:27h Expectativa da indústria para a produção é a melhor em 18 anos, diz FGV

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TATIANA RESENDE da Folha Online

O índice de expectativa para a produção da indústria atingiu neste mês o maior nível (139,2) desde abril de 1991, segundo pesquisa da FGV (Fundação Getulio Vargas) divulgada nesta quarta-feira.

O indicador considera a projeção para o trimestre (setembro, outubro e novembro), no comparativo com os três meses imediatamente anteriores, e é a combinação entre as respostas dos empresários otimistas e dos pessimistas. Nesse confronto, 49,9% esperam ampliar a produção, patamar semelhante ao de agosto de 2008 (50,0%). Já os que preveem diminuição totalizam 10,7% –menor nível desde novembro de 2007 (5,7%).

Para Aloísio Campelo, coordenador do Núcleo de Pesquisas e Análises Econômicas da FGV, esse indicador é “o mais operacional” entre os que compõem o Índice de Confiança da Indústria, que atingiu neste mês o maior nível desde setembro de 2008. O dado (109,5), que apresentou a nona alta consecutiva neste mês, está acima da média histórica e só 4,7% abaixo do patamar pré-crise. “Houve uma diminuição das incertezas.”

O setor de material de transporte, que engloba montadoras e autopeças, é o que tem a melhor expectativa sobre a produção, seguido de metalurgia, materiais plásticos e celulose, papel e papelão. A cadeia da indústria automotiva também lidera o otimismo na análise do índice de confiança geral e já está em um patamar mais elevado até do que a média histórica, considerando o período desde o Plano Real.

A partir de amanhã, o IPI (Imposto sobre Produtos Industrializados) reduzido em dezembro do ano passado para automóveis, com o objetivo de impulsionar as vendas, volta a subir gradativamente, até chegar à alíquota original em janeiro.

Emprego

A expectativa para o emprego no mesmo período é menos otimista do que para a produção. Isso mostra, na avaliação de Campelo, que a indústria vai em busca de aumento de produtividade e ampliação no número de horas extras antes de acelerar as contratações. De acordo com a pesquisa, 26,5% dos empresários projetam um incremento no quadro de funcionários e 14,4%, retração, resultando em um índice (112,1) que só é inferior ao de setembro de 2008 (115,1).

Na perspectiva da situação dos negócios para os próximos seis meses, o índice também é o melhor desde o agravamento da crise. “O mercado externo deve passar a ter mais relevância”, afirmou.

O nível de demanda global teve uma leve queda (-1,9%) entre agosto e setembro por causa do mercado interno (-0,7%), que já estava em um patamar alto. Já o nível de demanda externa cresceu 2,9%, mas ainda está abaixo da média histórica.

Na avaliação de estoques, 5,0% dos empresários o consideram insuficiente, e 4,5%, excessivo.”Esse indicador retrata o equilíbrio. Os estoques estão ajustados”, comentou Campelo. Corroborando o momento favorável, a utilização da capacidade instalada na indústria chegou a 81,9% em setembro, superior a agosto (81,3%) e bem próxima da média histórica (82,2%).

01/09/2009 - 13:38h ”Há uma aceleração do crescimento”

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Entrevista – Alexandre Schwartsman: economista-chefe do Banco Santander; economista destaca que a expansão da produção industrial está muito difundida, e não associada a poucos setores

 

Fernando Dantas, RIO – O Estado SP

 


O crescimento da produção industrial está se acelerando e se tornando mais difuso entre os diversos setores, na análise de Alexandre Schwartsman, economista-chefe do Banco Santander. Para ele, não há indícios de redução do atual ritmo que, se mantido, levará a produção industrial de volta ao nível pré-crise em fevereiro ou março de 2010.

Schwartsman acha que o crescimento da produção industrial em julho, de 2,2% na comparação dessazonalizada com junho, reforça o acerto da atitude sinalizada pelo Banco Central (BC) de interromper o movimento de queda da Selic, a taxa básica de juros, que hoje está em 8,75%.

O que o sr. achou do resultado da produção industrial?

Veio bastante forte, perto do nossa previsão otimista (em relação à média de mercado) de 1,9%. O que me chamou a atenção especificamente é que foi muito difundido, e não associado ao comportamento de um punhado de setores. Nas nossas contas, em termos dessazonalizados, praticamente 85% dos setores cresceram no mês. E essa difusão está aumentando mês a mês.

E o ritmo da recuperação?

Parece estar havendo uma aceleração do crescimento. O ritmo de expansão na média móvel trimestral estava em 1,2% em maio, 1% em junho e veio em 1,3% em julho. Isso está ocorrendo de forma particularmente clara na indústria de transformação, em que a sequência foi de 0,8%, 0,7% e 1,1%. Tomando-se o crescimento nos sete primeiros meses do ano, para evitar uma extrapolação feita apenas com o final da trajetória, a produção industrial cresceu 12%, o que significa que está crescendo, em média, a uma velocidade de 21% ao ano, que é bastante alta.

E quando a produção industrial deve voltar ao nível de antes da crise?

Se for mantida aquela velocidade, o que é apenas uma hipótese, nós recuperaríamos os níveis de produto industrial de setembro do ano passado em fevereiro ou março do próximo ano.

E há chances de a velocidade ser mantida?

Eu estou com dificuldade em encontrar fatores que desacelerariam o crescimento da produção industrial. As fontes da forte contração pela qual passamos no último trimestre do ano passado foram uma queda brutal das exportações, porque o comércio internacional sofreu um colapso; paralisia do crédito; uma queda muito forte dos investimentos; e um ciclo de estoques (quando as empresas reduzem os estoques vistos como excessivos) bastante vigoroso. São os quatro fatores que criaram a tempestade perfeita. Agora, o comércio internacional não está pujante, mas há sinais de que parou de cair e pode estar melhorando um pouquinho. No investimento, houve uma queda muito grande, mas, na leitura dos últimos meses do nosso índice que busca uma aproximação do investimento, parece que a queda foi interrompida e já se começou a subir. Nos estoques, o ciclo está mais perto de acabar agora. O crédito mais ou menos se normalizou e o consumo, se há uma tendência, é de acelerar. Esse conjunto indica que não teremos desaceleração. Assim, de fato há boas chances de, no primeiro trimestre de 2010, recuperar-se o nível do terceiro trimestre de 2008. É uma recuperação mais parecida com um “V” do que um “U”.

Quais são as implicações para a economia e para a política monetária da produção industrial de julho?

Para este ano não tem muito o que fazer – ele foi comprometido com a queda do ano passado. A produção industrial deve cair 7%, 6,5%, na comparação com 2008, mesmo mantendo uma trajetória vigorosa de recuperação. A questão mais difícil é saber o que vai acontecer com o fechamento do hiato do produto (a sobra de capacidade produtiva que permite crescer sem pressão inflacionária). Se esse ritmo for mantido, podemos vê-lo fechar entre o segundo e o terceiro trimestre do ano que vem. É um pouco mais cedo do que a estimativa com a qual eu vinha trabalhando. Mas esse tipo de projeção é bem incerto, na verdade. De qualquer forma, em termos de política monetária, o resultado da produção industrial de julho, se tiver qualquer influência, reforça a visão do Banco Central de parar de reduzir a Selic e esperar para ver como as coisas evoluem.

04/06/2009 - 12:19h Produção cresce em 7 regiões, diz IBGE

Valor Online

SÃO PAULO – Metade das regiões pesquisadas pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) verificou avanço na atividade fabril entre março e abril. Das sete regiões com crescimento na produção industrial entre as 14 avaliadas, o destaque coube ao Espírito Santo, com 7,1% de elevação e uma inversão de direção ante março, quando houve recuo de 3,5%.

Na sequência, conforme o levantamento apresentado nesta quinta-feira pelo instituto, vieram Goiás e Rio Grande do Sul, com aumento de 2,3% cada no setor industrial, e Ceará, com acréscimo de 1,7%. Todos esses indicadores ficaram acima da média nacional, que foi de 1,1% entre março e abril, com ajuste sazonal.

Abaixo da média nacional, apareceram São Paulo, com ampliação de 1% na produção da indústria e quarta taxa positiva consecutiva, Minas Gerais (0,6%) e Santa Catarina (0,5%). No terreno negativo, figuraram Bahia (-11%), região Nordeste (-5,1%) e Amazonas (-5%).

Considerando o comparativo com abril de 2008, as 14 áreas analisadas pelo IBGE registraram baixa na atividade fabril. “Além da elevada base de comparação, abril de 2009 possui um dia útil a menos que abril de 2008″, explicou o organismo.

Com queda de dois dígitos no quarto mês deste ano em relação a intervalo equivalente do exercício passado, ficaram Espírito Santo (-26,7%), Minas Gerais (-21,6%), Amazonas (-21,1%) e Bahia (-20,4%). Também se enquadram nesse caso Santa Catarina (-17,8%), São Paulo (-16,2%), Rio Grande do Sul (-15,2%) e Região Nordeste (-15,6%). A produção industrial brasileira declinou 14,8% nesse tipo de comparação.

(Valor Online)

25/05/2009 - 11:51h Maior presença do governo reduz efeitos da crise, revela estudo do BC

Conjuntura: Gasto público conseguiu “blindar” regiões Centro-Oeste, Norte e Nordeste

http://www.publico.clix.pt/imagens.aspx/176384?tp=UH&db=IMAGENS

Alex Ribeiro, de Brasília – VALOR

Estudo do Banco Central mostra que, onde a presença do governo é mais forte, a economia sofreu menor retração na atual crise financeira internacional. É o caso das regiões Centro-Oeste, Norte e Nordeste, em que gastos públicos representam fatia maior do Produto Interno Bruto (PIB) local. Outra característica que distingue essas áreas é a baixa dependência de crédito e de exportações para alavancar a demanda por seus produtos.

As conclusões fazem parte do relatório de economia regional do BC, cujo conteúdo vem sendo aprimorado para que, no futuro, possa formar, juntamente com o relatório de inflação, uma espécie de “livro bege” brasileiro, o documento mensal do Fed, o BC americano, que faz um amplo diagnóstico da economia dos EUA.

Uma das preocupações do BC é saber mais sobre como os choques sofridos pela economia, como a atual crise mundial, se propagam nas diversas regiões do país, afetando variáveis como atividade, emprego e inflação. Os dados da produção industrial divulgados pelo IBGE mostram que, nas turbulências atuais, a crise atingiu as diferentes regiões com intensidades bastante diferentes.

Num extremo, está a região Sudeste, que registrou o período mais agudo na crise entre setembro e dezembro, com retração acumulada da produção industrial de 22,2%. No Sul, foi muito próximo disso, com retração de 17,2%. O movimento mais suave foi no Centro-Oeste, em que o ápice foi no período setembro a fevereiro, com retração acumulada de 3,6%.

No Centro-Oeste, a presença do governo é mais forte. As despesas com administração, saúde e educação representaram, em média, 31% do PIB regional no período entre 2002 e 2006, o maior percentual do país. É mais do que duas vezes e meia a participação do governo, de 12%, na economia do Sudeste.

A produção industrial do Nordeste e do Norte sofreram, respectivamente, retrações de 12,9% e de 13,6%, nos períodos em que a crise teve sua repercussão mais aguda nessas regiões. A presença do governo nessas regiões é relativamente alta, de 22% no Norte e de 21% no Nordeste.

A face mais importante do governo nessas regiões, porém, é nas transferências governamentais. Os pagamentos do Bolsa Família e benefícios pagos pela Previdência foram de R$ 99 per capita no Norte e de R$ 170 no Nordeste. É bem mais do que no Sudeste, com R$ 76, e no Sul, com apenas R$ 54 per capita.

O Norte e o Nordeste têm peso relativamente alto em outro grupo de despesas do governos: os investimentos do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC). As somas desembolsadas e previstas entre 2007 e 2010 representam 36% do PIB do Norte e 24% do Nordeste, bem acima dos 15% do Sudeste e do Centro-Oeste e dos 11% do Sul.

Além da menor presença do governo, diz o estudo do BC, a atividade industrial no Sul e no Sudeste foi mais atingida, porque são regiões mais dependentes do crédito e das exportações, dois dos canais mais importantes no contágio da crise financeira mundial sobre o Brasil. No Sul, as exportações equivalem a 18% do PIB, e no Sudeste, a 14%, numa métrica que considera os valores médios de PIB e exportações entre 2002 e 2006. No Nordeste, é de 9%, e, no Norte, 16%.

O estudo do BC reuniu um grupo de atividades consideradas vulneráveis à crise, porque são mais dependentes ao crédito e respondem menos à variação de renda. Entre eles, estão bens de consumo duráveis, bens de capital e construção civil. Esse conjunto de atividades responde por 14% do PIB do Sudeste e 10% do Sul. O percentual mais alto do país, porém, é o do Norte, com 20%. Ficam bem atrás Nordeste (4%) e Centro-Oeste (3%).

Da mesma forma que setores dependentes de exportações e crédito são mais afetados nas crises, observa o estudo do BC, eles respondem mais rapidamente quando há reativação da economia. Isso ajuda a entender porque, após forte queda até dezembro, a produção industrial do Sudeste e do Sul começou a reagir em janeiro.

10/05/2009 - 10:15h ”País se recupera e vai crescer em 2010”

Economista vê sinais de melhora da atividade e diz que no fim do ano o ritmo de crescimento pode ser de 3,5% a 4,5%

 

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Affonso Celso Pastore

Fernando Dantas – O Estado SP

 


Em 2010, o Brasil já terá saído da recessão e, no fim de 2009, pode apresentar um ritmo de crescimento entre 3,5% e 4,5%. A avaliação é do economista Affonso Celso Pastore, ex-presidente do Banco Central (BC). No momento, porém, o País já está em recessão técnica, definida como a queda por dois trimestres consecutivos do PIB – o último de 2008 e o primeiro deste ano, que ainda não foi divulgado, mas para o qual se espera desempenho negativo, em razão dos resultados já conhecidos, como a produção industrial.

Pastore admite que não consegue explicar a alta atual das bolsas mundiais, em um momento no qual a produção industrial da Europa e do Japão recuou para níveis do fim da década de 90. Mas ele indica alguns fatos que podem causar, apenas parcialmente, o otimismo: o alívio em relação a países do Leste Europeu, o pacote de saneamento dos bancos americanos e o desempenho da China.

Sua esposa, a economista Maria Cristina Pinotti, aventa outra possibilidade: a de que a super-injeção de liquidez dos bancos centrais dos países ricos, especialmente dos Estados Unidos, possa estar inflando o preço dos ativos. Mas Pastore frisa que são apenas hipóteses. Classificando os tempos de “estranhos”, ele diz, referindo-se à alta recente dos mercados: “Pode publicar aí que eu não sei explicar.”

Como o sr. vê a atual maré de otimismo?

Depende do que você está usando para medir o otimismo. Se forem as bolsas de valores, que estão num rali (movimento de alta), eu pediria para você olhar a produção industrial da zona do euro, que está hoje abaixo do nível que estava em 1998. A mesma coisa ocorre com Japão e Reino Unido. A dos Estados Unidos caiu menos. Um artigo em progresso, do Barry Eichengreen (economista americano), calcula que a queda da produção industrial mundial em 1929 e a queda agora, nos nove primeiros meses da crise, é a mesma. Não vai ser uma crise igual à que começou em 1929, porque os governos estão tomando ações. Dei o dado para mostrar que, do lado real, as economias estão muito mal.

Então por que as bolsas sobem?

Sabemos que o preço das ações têm duas componentes, a do valor fundamental e a da bolha. O valor fundamental depende da expectativa de lucro, e o resto é bolha. Com essa desaceleração na economia, a expectativa de lucro tem de ser muito baixa, e eu não tenho explicação racional para esse rally. Acho que nenhum economista de vertente neoclássica terá. Agora, tentando elaborar um pouco mais, podemos pensar na probabilidade dos chamados eventos de catástrofe. O mercado olha uma probabilidade razoavelmente alta desses eventos e reduz o preço dos ativos. Se há uma correção, se é eliminada ou reduzida a probabilidade daqueles eventos, os preços podem subir.

Isso aconteceu?

Houve algumas correções desse tipo nos últimos tempos. Na última reunião do G-20, foi tomada a decisão de colocar US$ 750 bilhões no Fundo Monetário Internacional (FMI), com o intuito precípuo de fazer políticas de ajuste econômico no Leste Europeu, o que reduziu muito a probabilidade de uma catástrofe derivada de um default (não pagamento) de algum ou alguns daqueles países. Nos Estados Unidos, antes do plano Geithner (do secretário do Tesouro americano, Timothy Geithner), havia uma indefinição completa sobre como ia se resolver o problema da crise bancária. Veio o plano Geithner, que sofreu muitas críticas, respeitáveis, mas não se pode negar que o plano encaminha uma solução para o problema do sistema bancário. E há também a preocupação com a desaceleração da China, que derruba o preço das commodities. Mas, com uma série de decisões tomadas pelo governo chinês, agora se acha que dá para crescer 7%, 7,5%, mais do que os 6% que se previa antes.

Ainda assim, o sr. diz não ter explicação racional para a alta das bolsas?

Exato, tudo aquilo eu consigo entender. O que não consigo entender é quando o teste de estresse (aplicado pelo governo americano aos bancos) aponta que o Bank of America precisa de US$ 35 bilhões de capital, e na hora que isso é anunciado, o preço da ação do banco sobe 17,5%. Por que o mercado aplaude e gosta? A minha esposa Maria Cristina (Pinotti, economista e sócia de Pastore) fez uma hipótese sobre a alta do mercado que considero respeitável. Quando esta crise começou, havia o risco de ser como a de 1929, se não fosse pela reação muito forte de expansão fiscal e do Federal Reserve (Fed, banco central americano), cujo balanço triplicou de US$ 800 bilhões para US$ 2,4 trilhões, praticamente multiplicou por três.

Qual o e efeito disso?

Injetou-se liquidez dentro dos Estados Unidos, no sistema bancário, nas mãos dos fundos, de todo mundo, para empurrar a economia para cima. Ao injetar essa liquidez toda, deve se ter criado demanda por ativos. É como se, para tratar um dependente de drogas com síndrome de abstinência, se desse mais drogas. Mas não posso afirmar que seja isso que está levantando o mercado acionário. Não há provas empíricas.

Como o sr. vê a situação atual do Brasil?

O Brasil tecnicamente entrou em recessão, já que alguém inventou que tecnicamente dois trimestres consecutivos de queda do PIB caracterizam tecnicamente uma recessão. Se é isso, temos dois, o último do ano passado e o primeiro deste ano. Esse último dado ainda não foi oficialmente divulgado, mas, com a produção industrial, já se pode fazer uma estimativa preliminar, e sabe-se que o PIB teve uma contração.

Mas a economia parece já estar se recuperando.

Sim, no segundo trimestre, já começou uma lenta recuperação, e deve continuar no terceiro e no quarto trimestres do ano. Projetamos queda de 1% do PIB este ano, mas, no fim de 2009, o Brasil vai estar crescendo. Vai apontar para uma taxa positiva, mais alta, significativa, eu não sei exatamente que taxa vai ser essa, ninguém sabe, pode ser algo entre 3,5% e 4,5%. No ano que vem, acho que já estaremos fora da recessão. Vamos crescer de novo, bem menos do que antes da crise, porque o mundo será hostil, ainda vai estar em recessão, com preços de commodity baixos e fluxos de capital ruins.

Como o sr. avalia a forma com o Brasil reagiu a crise?

O Brasil adquiriu a possibilidade de fazer políticas macroeconômicas contracíclicas, o que nunca tivemos. Nós desdolarizamos a dívida pública, baixamos a dívida externa, aumentamos as reservas, e hoje, quando tem crise mundial, podemos baixar a taxa de juros – no passado, tínhamos de subir, lá no passado tinha de subir taxa de juros. Hoje podemos aumentar gasto público e baixar receita, quando lá atrás tínhamos de fazer o contrário. O Brasil e outros grandes emergentes, como a China e a Índia, tem sistemas financeiros que não foram contaminados pela crise bancária porque não estavam em ativos de bolha nem ativos tóxicos. É óbvio que vamos crescer mais que o mundo rico, mas o que não é óbvio é que o rabo balance o cachorro. Não é óbvio que o desempenho de Brasil, China e Índia faça o mundo sair da crise antes.

E a trajetóriados juros no Brasil, qual deve ser?

Na ata da última reunião do Copom (Comitê de Política Monetária), a advertência do Banco Central é de que o mercado está pessimista quanto à inflação lá do ano que vem. Na verdade, se a atividade econômica recuperar muito rapidamente, o mercado estará certo, se a atividade econômica não recuperar, estará errado. Eu não sei em que velocidade vai se recuperar, me eximo de dar um palpite sobre isso. Acho simplesmente que, com hiato de produto (diferença entre o que pode se produzir com a atual capacidade e o que se está produzindo efetivamente) atual do Brasil, a direção da taxa de juros é para baixo.

A recente valorização do real o surpreendeu?

Há três semanas, enviamos um relatório especial da consultoria alertando que o real poderia se valorizar, que estava se apreciando. O fluxo de capitais está voltando. Os bônus da Odebrecht, da Telemar, do Friboi, a entrada de recursos na bolsa, tudo isso são fluxos de capital que entraram no Brasil porque o Brasil está melhor em termos de fundamentos macroeconômicos.

O sr. concorda com a política fiscal que foi seguida em razão da crise, com desoneração tributária, redução de superávit primário, aumento dos gastos correntes?

Uma recessão, quando se pode seguir política fiscal contracíclica, requer que ela seja feita na dimensão daquilo que é possível. É natural, portanto, que o Brasil dê isenção de impostos, aumente um pouco o gasto, reduza a meta de superávit primário. Acho que a componente contracíclica foram duas: a queda automática de receita que sempre acontece numa recessão, que foi grande, e as isenções tributárias que o governo fez, para automóveis, para geladeiras, para material de construção, para evitar crescimento de desemprego, para evitar no fundo que se instalasse uma recessão maior. Isto é contracíclico. O aumento de gastos que o governo fez com essa política não é contracíclico coisa nenhuma.

Como assim?

Porque esse aumento foi decidido muito antes de começar essa recessão. Isso não é política contracíclica, isso é política de aumento de gasto de custeio (despesa de pessoal está incluída nesse conceito de custeio), que acabou gerando efeitos contracíclicos. O mundo de vez em quando dá voltas estranhas, você atira que não vê e mata o que não vê. Tem gente que tem sorte. Eu acho que o Lula teve essa sorte. A sorte foi que, no frigir dos ovos, aquela decisão errada lá atrás, de aumentar o gasto de custeio, acabou provocando um aumento de transferência para funcionários públicos que de uma forma ou de outra gera um aumento de consumo que ajuda a tirar o Brasil mais rapidamente da recessão.

Quem é:Affonso Celso Pastore

Doutorado em Economia pela Universidade de
São Paulo (USP)

Ocupou o cargo de secretário da Fazenda do Estado de São Paulo

Esteve à frente do Banco Central do Brasil de 1983 a 1985

É sócio-fundador e consultor da A. C. Pastore e Associados

É professor da Escola de Pós-Graduação em Economia da Fundação Getúlio Vargas

17/04/2009 - 13:10h Comércio volta ao pré-crise e dá alento à indústria

Conjuntura: Vendas do varejo mostram que recuo na demanda foi muito inferior ao da produção

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Cibelle Bouças, de São Paulo – VALOR

O ajuste de estoques ocorrido nos últimos meses e a manutenção pelo comércio varejista do ritmo anterior à crise produziram um cenário que permite a recuperação da indústria a partir de abril. Dados divulgados ontem pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) indicam que, no conjunto, o comércio fechou fevereiro com um volume de vendas levemente superior ao desempenho de setembro (0,8% na série com ajuste sazonal, confirmando que a desaceleração no consumo foi muito menos intensa e mais lenta do que a ocorrida na indústria. Na mesma comparação, a produção industrial de fevereiro ainda foi 13,5% menor que a de setembro, no pré-crise, também na série livre de influências sazonais.

Esse descompasso confirma que a indústria foi muito mais afetada pelo baque nas exportações que pelo mercado interno. Entre economistas ganha força a perspectiva de uma recuperação lenta já no segundo trimestre, avaliação reforçada pelos indicadores conhecidos de março, como produção de automóveis, aço e papelão ondulado e consumo de energia. Essa retomada deve trazer junto a redução da distância entre os desempenhos de produção e consumo.

A Tendências Consultoria Integrada calcula que o índice de desempenho do comércio tenha alcançado 148,53 pontos no primeiro trimestre com ajuste sazonal e a produção industrial tenha atingido 108,24 pontos no mesmo período, também com ajuste sazonal. A diferença é de 40,29 pontos e supera aquela observada no quarto trimestre de 2008, de 28,84 pontos. O descolamento, afirma a economista Marcela Prada, resulta do ajuste de estoques, dado que as vendas no trimestre cresceram 0,7% na margem, sob efeito das promoções e do reajuste do salário mínimo. A indústria, por sua vez, encolheu 8,2%, influenciada sobretudo pelo baque nas exportações.

Analistas veem entre abril e junho a presença de fatores que favorecerão o desempenho das empresas. Entre eles, a inflação mais baixa e a absorção do reajuste do salário mínimo, que já impulsionaram as vendas do varejo em fevereiro. A progressiva queda no volume de importações – abrindo espaço para a indústria local – e o IPI reduzido para automóveis e outros segmentos são incluídos como elementos de estímulo à produção industrial.

De acordo com dados do IBGE, de setembro a fevereiro, o índice da produção industrial, com ajuste sazonal, baixou 22,09 pontos, saindo de 130,9 para 108,81 – queda de 13,5%. Já o comércio apresentou uma desaceleração lenta, recuperando o nível pré-crise já em fevereiro. No intervalo, o índice aumentou 1,2 ponto, para 150,76 pontos.

A recuperação do comércio, na média, mascara diferenças entre os segmentos. A recuperação está concentrada nas vendas de hipermercados e supermercados (alimentos, basicamente). Mas mesmo nos setores com fevereiro mais fraco que setembro, a queda é sempre muito inferior à indústria.

No segmento de bens duráveis, a disparidade entre o desempenho da indústria e do comércio foi mais evidente. No grupo equipamentos de escritório e informática, houve queda de 19% em produção e de 9% no varejo entre setembro e fevereiro. No setor automotivo, a produção caiu 31% e as vendas, 8%. O setor de móveis e eletrodomésticos registrou retração de 11% na produção e de 6% no varejo. Nas áreas de bens semiduráveis e não duráveis a diferença de desempenho foi menor. A produção dos setores têxtil, de calçados e vestuário teve queda de 10% a 13% entre setembro e fevereiro, enquanto as vendas no país recuaram 9%. O setor de alimentos cresceu 2,3% em produção e 5% em vendas entre setembro e fevereiro.

A melhora esperada para o próximo trimestre, porém, não altera as projeções de um PIB fraco ou negativo no ano. Ainda há dúvidas sobre os efeitos da desaceleração da renda nos meses seguintes e do fim do desconto tributário para veículos a partir de julho.

Para o segundo trimestre, Marcela Prada prevê recuperação da indústria, que termina o ajuste dos estoques e cresce 8,3% com ajuste sazonal. Para o comércio, a expectativa é de queda de 0,3% na margem, como reflexo da desaceleração da renda. “A indústria cresce neste trimestre, mas em ritmo lento pois ainda há setores com estoques acima do ideal”, afirma. Ela não descarta o risco de cortes no mercado de trabalho, sobretudo na área industrial.

O economista-chefe da Convenção Corretora, Fernando Montero, também elenca fatores que justificam as previsões de recuperação, como o ajuste de estoques concluído nos setores automotivo e de bens não duráveis, a recuperação nas vendas ampliadas do comércio e a queda das importações mais acelerada que as exportações. “No médio prazo, a indústria como um todo estará em patamar superior. Aí a questão será a demanda”, afirma Montero.

Entre fatores de favoráveis à expansão da demanda estão a expansão de 12% na massa de rendimentos nominais, a elevação em 20% dos gastos públicos federais, a inflação em queda e despesas fiscais contratadas para os próximos meses, cita Montero. Pesa contra os resultados divergentes divulgados pelas pesquisas de confiança. “Quanto mais tempo demora uma inflexão visível na produção, pior serão os desdobramentos sobre a confiança e o emprego. Em outras palavras, quanto mais tempo demora a retomada, mais lenta ela será”, pondera o economista.

Para Montero, preocupa a demora na recuperação de setores com grande peso na atividade econômica, como o caso do ramo siderúrgico. Pesquisa divulgada pelo Instituto Brasileiro de Siderurgia (IBS) nessa semana apontou queda de 41,5% na produção de março e de 37,9% nas vendas ao mercado interno (superando a queda nas exportações, de 27,2%). “Alguns setores apresentam um ciclo de recuperação mais demorado, como o caso do aço”, observa o economista-chefe do Santander, Alexandre Schwartsman. A queda nas exportações do grupo de produtos metalúrgicos foi de 35% no trimestre, o que dificulta o reequilíbrio dos estoques pelas indústrias. “O efeito da queda das exportações já foi absorvido pela maioria dos setores industriais. Com os estoques normalizados, há espaço para uma recuperação mais forte no segundo semestre”, afirma. Ainda assim, diz Schwartsman, a produção industrial encerra o ano com queda de 5,5% sobre 2008 e recupera o nível pré-crise somente no primeiro semestre de 2010.

Sérgio Vale, economista-chefe da MB Associados, considera precipitado afirmar que a indústria entra no ciclo de recuperação em abril. Em sua avaliação, a Páscoa em abril (em 2008 foi em março) pode mascarar em parte o resultado deste mês. Pesquisa do Serasa Experian apontou crescimento de 1,3% nas vendas do varejo na semana de Páscoa (6 a 12 de abril) em comparação com a mesma temporada em 2008 (de 17 a 23 de março). No Estado de São Paulo, as vendas cresceram 5% na mesma base de comparação, segundo a Associação Paulista de Supermercados (Apas). Na região metropolitana do Rio de Janeiro, o aumento foi de 10,4%, informou a Fecomércio-RJ.

O economista também considera que o salto na venda de automóveis verificada em março (de 36,1% sobre fevereiro) pode não se repetir – sem contar o risco de contração no mercado com o fim da redução do IPI após junho. “Para o resto do varejo basta ver o aumento da inadimplência nas estatísticas para mostrar que a situação no comércio está complicada”, afirma. O Indicador Serasa Experian de Inadimplência de Pessoa Física apontou alta de 22,6% em março sobre fevereiro. No trimestre, o incremento foi de 11,4%.

Outro ponto de interrogação à recuperação definitiva da indústria é a efetividade do pacote americano para estimular o crescimento no segundo semestre, na avaliação do economista Douglas Uemura, da LCA Consultores. “O pacote fiscal americano tem um impacto positivo, mas ainda não está claro se será suficiente para reverter o atual ciclo de crise”, avalia.

Uemura é menos pessimista, porém, no que se refere aos riscos ao comércio. Ele observa que o spread bancário para pessoa física teve um forte salto, saindo de 35% em meados de 2008 para 45% em dezembro, o que afetou o nível de inadimplência. Mas até fevereiro o spread baixou para 41,5% e sinaliza quedas futuras, com a redução da taxa básica de juros (Selic). “A recuperação nas vendas de automóveis são reflexo da melhora na oferta de crédito e da redução do spread bancário”, afirma o economista, para quem comércio e indústria começam a recuperar perdas passadas a partir de abril. Para o ano, ele prevê expansão de 3,6% no comércio e queda de 2,4% na produção industrial.

21/03/2009 - 13:41h Economia mundial: queda da indústria lembra Depressão

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Declínio industrial não é surpreendente, mas sua profundidade e velocidade criam tendência que acentua piora

Nelson D. Schwartz – The New York Times – O Estado SP

Desde que foi fundada pelo seu bisavô em 1880, a empresa de Carl Martin Welcker, localizada em Köln, Alemanha, espelhou a situação vivida pelas indústrias não apenas na Europa, mas no mundo todo. Isso ainda é verdade hoje. Ecoando um padrão familiar às indústrias da Europa, Ásia e Estados Unidos, Welcker diz que a sua empresa, Schuette, fabricante das máquinas responsáveis pela produção de 80% das velas de ignição usadas em todo o mundo, vive uma “tragédia”. Os pedidos caíram 50% em relação ao mesmo período do ano passado e Welcker está cortando custos e considerando demissões.

O fato de o setor industrial estar em declínio não é surpreendente, mas a profundidade e a velocidade da queda são impressionantes e criam uma tendência que acentua a si mesma, semelhante às falências em cadeia que resultaram na Grande Depressão.

Na Europa, por exemplo, onde a indústria corresponde a quase 20% do Produto Interno Bruto (PIB), a produção caiu 12% em relação ao mesmo período do ano anterior. No Brasil, a queda foi de 15%; em Taiwan, chegou a impressionantes 43%. Até na China, que virou a grande fábrica do mundo, o crescimento produtivo desacelerou, as exportações caíram 25% e milhões de trabalhadores industriais foram demitidos.

Nos Estados Unidos, até pouco tempo atrás um país relativamente próspero para o setor industrial, apesar da erosão constante dos empregos de trabalho braçal, a produção industrial caiu 11% em fevereiro em relação ao mesmo período do ano anterior, de acordo com estatísticas publicadas pelo Federal Reserve (Fed, o banco central americano) na segunda-feira.

“A atividade industrial despencou, estamos vivendo o pior declínio observado desde a 2.ª Guerra Mundial”, disse Dirk Schumacher, principal economista do Goldman Sachs para a Europa em Frankfurt.

O padrão detectado na indústria e no comércio lembra ameaçadoramente a maneira com que a crise financeira iniciada em 1929 cresceu até chegar à Grande Depressão: o aperto no mercado de crédito e o medo do consumidor reduziram a demanda por bens manufaturados em todos os países, um após o outro, criando uma espiral descendente que reduziu o comércio global.

“A queda na atividade industrial sugere que, apesar de a situação ter sido ruim no quarto trimestre, atualmente as coisas estão no mínimo tão ruins quanto antes”, disse Robert J. Barbera, economista-chefe da ITG, empresa de Nova York especializada em pesquisa e comércio. “Trata-se de uma clássica situação em que o momento adverso alimenta a sua própria piora. Não é uma condição que possa se corrigir rapidamente por si mesma.” Isso significa que mais trabalhadores podem esperar pela perda de seus empregos no mundo nos próximos meses conforme as indústrias continuarem a reduzir a produção, especialmente enquanto o comércio global se contrai.

O comércio está diminuindo num ritmo ainda maior do que a produção. As exportações da Alemanha estão 20% menores do que há um ano, as japonesas caíram 46% e, nos EUA, caíram a uma taxa anual de 23,6% no quarto trimestre de 2008.

Welcker diz nunca ter visto nada igual. Para efeito de comparação, ele precisa fazer referência à Grande Depressão e à 2ª Guerra Mundial, quando a fábrica da Schuette foi destruída.

Depois de se concentrar na Alemanha e na Europa nas décadas posteriores à guerra, a Schuette prosperou conforme a globalização abriu novos mercados na Europa Oriental e na Ásia. Nos últimos 5 anos, as vendas, estimadas em 58 milhões, dispararam para 100 milhões (US$ 131 milhões).

A reversão súbita na atividade industrial mundial sugere que os americanos não devem esperar tão cedo pelo alívio econômico vindo do exterior, apesar de o clima em Wall Street estar um pouco mais otimista ultimamente e do pedido feito pelo presidente Barack Obama para que os governos estrangeiros aprovem mais pacotes de estímulo e gastos públicos.

Apesar de a atividade industrial corresponder a cerca de 14% do PIB americano, na economia mundial ela corresponde a 18%, e a 33% do PIB chinês, segundo o Banco Mundial.

Isso significa que China, Brasil, Índia e outros países emergentes que escaparam das piores consequências da crise de crédito vão sofrer cada vez mais, derrubando a demanda em economias mais avançadas mesmo quando os pacotes de estímulo começarem a dar resultado. Esse efeito de depressão funciona em ambos os sentidos.

Apesar da noção equivocada de que os EUA não produzem mais nada hoje em dia, a queda na demanda por artigos produzidos no país – como turbinas a jato, locomotivas, equipamento médico, produtos farmacêuticos e artigos de alta tecnologia – vai prejudicar as perspectivas de crescimento dos EUA.

“A atividade industrial corresponde a dois terços das exportações americanas e contribuiu mais do que qualquer outro setor da economia para o crescimento do PIB nos últimos 20 anos”, disse David Huether, economista-chefe da Associação Nacional de Industriais em Washington. “Nossa parcela da atividade industrial mundial permaneceu estável entre 20% e 23% na última década.” Em outras partes do mundo, até mesmo indústrias saudáveis como a Toyota também reduzem a produção, o que contribui para o enorme declínio nas exportações japonesas.

Apesar de os problemas das indústrias automobilística e pesada terem recebido a maior parte da atenção, o sofrimento atinge também os fabricantes de produtos como artesanato, tecidos e joias.

O setor industrial da Índia, que corresponde a cerca de 16% do PIB do país, viu seu primeiro declínio na produção trimestral em mais de uma década.

E apesar dos cortes nos impostos e de um pacote de estímulo de US$ 64 milhões anunciado em fevereiro, a indústria têxtil indiana pressiona o governo para obter mais ajuda.

Na Schuette, que conta com 550 trabalhadores e é símbolo do fundamental setor intermediário dos empreendimentos familiares alemães, os tempos difíceis fazem parte da história da empresa.

Welcker se lembra dos casos de família que se recorda dos caminhões cheios de dinheiro usado para pagar os salários durante a superinflação da época da República de Weimar e também a completa destruição da fábrica depois que os soldados americanos atravessaram o Reno em 1945 perto de onde estão as instalações da Schuette hoje.

“Não restou pedra sobre pedra.” Hoje, ele comemora o fato de a situação não ser tão ruim quanto naquela época. “Mas a velocidade com que as encomendas foram reduzidas”, disse ele, “é a maior que já vi.”

06/03/2009 - 10:45h Produção industrial se recupera em janeiro e tem alta de 2,3%

Resultado é menor do que o esperado, mas é o 1º número positivo desde o agravamento da crise em setembro

Agência Estado

RIO – A produção industrial brasileira se recuperou em janeiro, mas subiu menos do que o previsto por especialistas. O indicador teve alta de 2,3% no mês na comparação com dezembro, informou nesta sexta-feira, 6, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Economistas esperavam uma alta entre 4,2% e 11%.

Esta é a primeira alta da produção industrial desde setembro, quando a crise financeira mundial se agravou com a quebra do banco Lehman Brothers. A atividade do setor recuou durante todo o quarto trimestre de 2008. Sempre na comparação com o mês anterior, o indicador caiu 2,8% em outubro, 5,2% em novembro e 12,4% em dezembro.

29/08/2008 - 09:10h Indústria cresce 7,6%, diz o Ipea

Estimativa é para julho, ante o mesmo mês de 2007

Jacqueline Farid, RIO – O Estado de São Paulo

O Instituto de Pesquisa Econômica e Aplicada (Ipea) projeta uma expansão de 7,6% na produção industrial em julho, ante o mesmo mês do ano passado. Na comparação com junho, na série com ajuste sazonal, o instituto espera alta de 0,3%.

As projeções foram divulgadas ontem no Indicador Ipea de Produção Industrial, coordenado pelo economista Leonardo Mello de Carvalho, do Grupo de Análise e Previsões da Diretoria de Estudos Macroeconômicos. Os resultados da produção industrial de julho serão apresentados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) na terça-feira, dia 2.

O documento do Ipea destaca que, em julho, todos os indicadores setoriais utilizados no modelo de previsão da Pesquisa Industrial Mensal (PIM) apresentaram crescimento na comparação com o mesmo mês do ano anterior. Na margem, o resultado (0,3%) “indicou uma pequena acomodação”.

Mello de Carvalho destaca ainda, no documento, que entre os indicadores setoriais “mais uma vez a indústria automotiva aparece como principal motor do crescimento”, com aumento de quase 20% na produção em julho ante igual período do ano passado, segundo dados já divulgados pelo setor.

Outro indicador antecedente citado pelo economista é a produção de papelão, que, após encerrar o primeiro semestre estagnada, apresentou pequena recuperação em julho, com crescimento na margem de 0,5% em relação a junho.

O coordenador do Ipea também comenta os resultados da produção industrial de janeiro a junho. Segundo ele, “a produção industrial encerrou o primeiro semestre de 2008 mantendo um ritmo de crescimento ainda bastante elevado”.

O economista destaca, ainda, que a evolução da indústria vem sendo caracterizada pela forte expansão dos setores de bens de capital e de bens de consumo duráveis. Em relação aos bens de capital, ele ressalta “o alto grau de difusão desse crescimento”. E cita dados da pesquisa industrial do IBGE de junho, que mostra que 74% dos subsetores da indústria de bens de capital apresentaram variação positiva no mês.

09/02/2008 - 04:12h Produção começa o ano acelerada

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Crescimento de 8% no último trimestre de 2007 faz economistas preverem expansão entre 5% e 6% neste ano

Jacqueline Farid – O Estado de São Paulo

A comemoração dos bons resultados de 2007 não desviou a atenção dos economistas para as perspectivas da indústria em 2008. Silvio Sales, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), disse que os resultados do último trimestre do ano passado e os indicadores já conhecidos para o início deste ano “sugerem que a indústria está entrando em 2008 num quadro favorável”.

Otimista, o consultor do Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial (Iedi), Julio Sérgio Gomes de Almeida, acredita que o setor apresentará crescimento de “pelo menos” 6% em 2008. Essa expectativa só será frustrada, segundo ele, caso ocorra aumento nos juros (taxa Selic) ou um agravamento da crise mundial.
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09/02/2008 - 04:01h Volkswagen Caminhões comemora o melhor desempenho da história

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Alberto Komatsu – O Estado de São  Paulo

A Volkswagen Caminhões, com fábrica em Resende, no sul fluminense, apresentou no ano passado o melhor desempenho de sua história. A montadora produziu 47.700 unidades, incluindo ônibus, e teve crescimento de 34,5% em relação a 2006, mais do que o dobro da média do segmento industrial de veículos automotores (de 15,2%, segundo o IBGE). As vendas de caminhões no mercado doméstico também foram históricas, de 27.371 unidades, com expansão de 33%.

O crescimento da construção civil, da mineração e do agronegócio foi o principal motor dessa expansão. “Foi o melhor ano da nossa história por uma combinação de fatores. A perspectiva de crescimento maior da economia e o otimismo dos empresários em renovar e aumentar sua frota”, avalia o presidente da Volkswagen Caminhões, Roberto Cortes. Para ele, este ano o crescimento das vendas deverá ser de 10%.

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30/01/2008 - 13:07h Indústria prevê demanda interna aquecida no 1º semestre



Arnaldo Galvão – VALOR

Pesquisa realizada pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) revelou que os empresários do setor continuam otimistas com relação à demanda interna no primeiro semestre. Na avaliação do economista-chefe da entidade, Flávio Castelo Branco, o forte nível de atividade verificado no ano passado já está praticamente garantido nos primeiros seis meses de 2008. “Os aumentos da renda, crédito e investimentos transbordam para 2008. Não acredito em reflexos da crise financeira internacional nesse período. Uma eventual queda da demanda americana teria impactos no segundo semestre”, disse Castelo Branco.
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29/12/2007 - 11:31h Demanda por bens industriais é a maior desde 1987

Empresas iniciam 2008 com estoques baixos, segundo FGV

O Globo

 SÃO PAULO. A indústria brasileira assistiu em dezembro a um ritmo de encomendas como não via há tempos. A Sondagem da Indústria de Transformação, divulgada ontem pela Fundação Getulio Vargas (FGV), mostra que para 37% das empresas a demanda este mês esteve forte, e para apenas 8% foi fraca. Trata-se do maior percentual de demanda aquecida desde janeiro de 1987, auge do Plano Cruzado.
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12/12/2007 - 12:28h PIB cresce 1,7% no 3º trimestre e 5,7% frente a 2006, diz IBGE


CIRILO JUNIOR
da Folha Online, no Rio
A economia brasileira cresceu 1,7% no terceiro trimestre deste ano frente ao trimestre imediatamente anterior, divulgou nesta quarta-feira o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística). Na comparação com o mesmo trimestre de 2006, o PIB teve um crescimento de 5,7%. Em valores, o PIB brasileiro totalizou no trimestre passado R$ 645,2 bilhões.

O desempenho superou as expectativas dos analistas de mercado que projetavam crescimento de 1,5% contra o segundo trimestre de 2007 e de 5,1% ante o terceiro trimestre de 2006.

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12/12/2007 - 12:16h PIB cresce 1,7% no 3º trimestre e 5,7% frente a 2006, diz IBGE


CIRILO JUNIOR
da Folha Online, no Rio

A economia brasileira cresceu 1,7% no terceiro trimestre deste ano frente ao trimestre imediatamente anterior, divulgou nesta quarta-feira o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística). Na comparação com o mesmo trimestre de 2006, o PIB teve um crescimento de 5,7%. Em valores, o PIB brasileiro totalizou no trimestre passado R$ 645,2 bilhões.

O desempenho superou as expectativas dos analistas de mercado que projetavam crescimento de 1,5% contra o segundo trimestre de 2007 e de 5,1% ante o terceiro trimestre de 2006.

O destaque principal da economia brasileira no período foi o setor agropecuário, que mostrou crescimento de 7,2% em relação ao segundo trimestre deste ano. Na mesma comparação, a indústria teve crescimento de 1,8% e o setor de serviços, de 1,2%.

Entenda o que é o PIB e como é feito seu cálculo

De janeiro a setembro de 2007, o PIB teve expansão de 5,3% na comparação com igual período de 2006, ficando no maior patamar desde 2004. No acumulado dos 12 meses até setembro, o crescimento foi de 5,2%, na comparação com os 12 meses imediatamente anteriores –também a maior expansão desde 2004.

Pela ótica da demanda, o consumo das famílias e a Formação Bruta de Capital Fixo (que sinaliza os investimentos) apresentaram respectivamente expansões de 1,5% e 4,5% –na comparação com o segundo trimestre deste ano. Pelo lado do setor externo, as exportações apresentaram crescimento de 1,4%, enquanto as importações tiveram elevação de 9,1%.

Na comparação com o terceiro trimestre de 2006, o maior destaque foi o crescimento de 14,4% da Formação Bruta de Capital Fixo, explicado principalmente, segundo o IBGE, pelo aumento da produção e da importação de máquinas e equipamentos. Já o consumo das famílias teve taxa positiva de 6%, o 16º crescimento consecutivo nessa comparação.

As exportações, por sua vez, mantiveram-se em crescimento (1,8%), apesar da desaceleração, e as importações de bens e serviços cresceram 20,4%.

Setor

Por setor de atividade, no terceiro trimestre o maior destaque foi a agropecuária (que cresceu 7,2%), seguida pela indústria (1,8%) e pelos serviços (1,2%). Em relação ao terceiro trimestre de 2006, a agropecuária teve crescimento de 9,2%; a indústria registrou expansão de 5%; e o setor de serviços, de 4,8%.

No acumulado do ano, o setor industrial foi o destaque, com crescimento de 5,1%, seguido pelo setor de serviços, com expansão de 4,7%, e pela agropecuária, com 4,3%.

O IBGE também revisou para cima o resultado do PIB de 2006, que passou de crescimento de 3,7% para 3,8%.

Metodologia

O PIB é a soma das riquezas produzidas por um país. É formado pela indústria, agropecuária e serviços. O PIB mostra o comportamento de uma economia. No passado, por exemplo, quando o Brasil atravessou uma recessão, o PIB encolheu 0,2%.

O PIB também pode ser analisado a partir do consumo, ou seja, pelo ponto de vista de quem se apropriou do que foi produzido. Nesse caso, o PIB é dividido pelo consumo das famílias, pelo consumo do governo, pelos investimentos feitos pelo governo e empresas privadas e pelas exportações.

06/12/2007 - 08:59h A indústria levanta vôo


O desempenho geral da indústria vai surpreendendo até os mais otimistas.

por Celso Ming

Tendo como referência o mês de outubro, o crescimento acumulado do ano é de 5,9% e, nos últimos 12 meses, de 5,3%. São números carregados de conseqüência. Mas, antes, vamos às causas.

O próprio IBGE, o organismo encarregado dos levantamentos, identifica como fatores explicativos da boa expansão industrial o avanço do consumo interno (que tem a ver com o salto do crédito), o crescimento do investimento e a força das exportações.

Os últimos levantamentos dão conta de que o consumo geral cresce acima de 6% em relação ao que cresceu no ano passado. Mais provavelmente está hoje próximo dos 10%. A impressionante estocada das vendas de veículos (mais de 31% no ano até novembro) é boa ilustração disso.

O salto do consumo, por sua vez, está relacionado a três fatores: expansão do crédito às pessoas físicas, da ordem de 32,5% neste ano; aumento da renda real da população, puxada pelo reajuste de 8,6% do salário mínimo em abril; crescimento das despesas públicas, superior a 10% ao ano; e valorização do real (queda do dólar), que aumenta o acesso do consumidor às importações.
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06/12/2007 - 08:16h A indústria levanta vôo

O desempenho geral da indústria vai surpreendendo até os mais otimistas.

por Celso Ming

Tendo como referência o mês de outubro, o crescimento acumulado do ano é de 5,9% e, nos últimos 12 meses, de 5,3%. São números carregados de conseqüência. Mas, antes, vamos às causas.

O próprio IBGE, o organismo encarregado dos levantamentos, identifica como fatores explicativos da boa expansão industrial o avanço do consumo interno (que tem a ver com o salto do crédito), o crescimento do investimento e a força das exportações.

Os últimos levantamentos dão conta de que o consumo geral cresce acima de 6% em relação ao que cresceu no ano passado. Mais provavelmente está hoje próximo dos 10%. A impressionante estocada das vendas de veículos (mais de 31% no ano até novembro) é boa ilustração disso.

O salto do consumo, por sua vez, está relacionado a três fatores: expansão do crédito às pessoas físicas, da ordem de 32,5% neste ano; aumento da renda real da população, puxada pelo reajuste de 8,6% do salário mínimo em abril; crescimento das despesas públicas, superior a 10% ao ano; e valorização do real (queda do dólar), que aumenta o acesso do consumidor às importações.

A boa fase dos investimentos já vinha sendo acusada pelas importações de bens de capital, que nos 11 primeiros meses do ano aumentaram 31,8%. E vai sendo corroborada pelo crescimento da produção interna de máquinas e equipamentos, de 18,8% no acumulado do ano até outubro e de 16,9% em 12 meses. Quem investe não compra apenas máquinas. Tem de aumentar as instalações, comprar materiais, contratar serviços e por aí vai. É um fator que puxa o resto.

E não dá para ignorar a puxada na indústria provocada pelas exportações. De janeiro a novembro, o despacho de produtos manufaturados para o exterior cresceu 17,1%, puxado por veículos, aços planos, aviões e autopeças.

E, a partir do que está aí, já dá para amarrar algumas conseqüências. A primeira é a de que vai sendo esvaziado o mantra dos dirigentes da Fiesp e de um punhado de críticos da política macroeconômica de que está em curso um rápido e inexorável processo de desindustrialização e sucatamento da empresa nacional atribuído à ação dos juros escorchantes e do câmbio fora do lugar. Crescendo como está, de forma generalizada e consistente, não há como insistir na tese da desindustrialização e da destruição de atividade produtiva. Tampouco se vêem importantes falências, desemprego e outros tantos efeitos aterrorizantes.

Mas não dá para afastar outro risco: o de que, apesar dos investimentos, o setor produtivo não dê conta do dinamismo do consumo. Se isso acontecer, pode haver, sim, a tal inflação de demanda, de que a indústria não quer ouvir falar.

Há dois dias, a Confederação Nacional da Indústria (CNI) já havia relatado que nunca como agora foi tão forte o giro das máquinas. A utilização da capacidade de produção da indústria é recorde, de 82,3% em outubro. As importações estão em boa parte suprindo a insuficiência da oferta interna. Esta é a principal razão por que crescem (no acumulado do ano) 30,8%.

E, se houver inflação de demanda, o Banco Central adiará novos cortes dos juros.

Leia a coluna de Celso Ming, na integra, no jornal O Estado de São Paulo (para assinantes)

30/11/2007 - 06:16h Crescimento da produção surpreende em outubro

Cibelle Bouças – Valor

O vigor da atividade econômica surpreendeu em outubro. As previsões mais otimistas foram superadas e a expectativa dos analistas é que a produção industrial a ser divulgada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) na próxima semana aponte um aumento entre 8% e 10% sobre outubro de 2006 e uma alta entre 1,3% e 2,6% sobre o resultado de setembro. Esta expectativa levou analistas a projetarem para o ano um crescimento na produção industrial brasileira superior a 5,5%, o melhor resultado desde 2004, quando o crescimento ficou em 8,3%.

O ABN Amro Real projeta para o ano crescimento de 6,2%, tendo como base a estimativa de um crescimento industrial de 5,9% entre janeiro e outubro. Para outubro, o banco estima que tenha havido um crescimento de 10,2% (ou de 2,5% na comparação dessazonalizada com o mês de setembro). O cenário traçado, afirma Zeina Latif, economista-chefe do banco, levou em consideração o crescimento das importações de bens de capital registrado em outubro e a retomada na produção de bens intermediários, após um fraco desempenho em setembro. “O varejo registra um crescimento forte, as importações e a produção de bens de capital aumentam. A tendência é de retomada na produção”, diz.

A economista também observa que este será o quarto ano consecutivo de crescimento na produção industrial – em 2006 foi de 2,8%; em 2005, de 3,1%; e em 2004, de 8,3%. “É uma seqüência de crescimentos razoáveis com aceleração no fim do ano. Em um contexto de redução dos ganhos com exportação por conta do câmbio, esse desempenho comprova que a demanda interna está mais forte”, afirma Zeina.

A LCA Consultores estima para o ano crescimento na produção industrial de 5,8%, 0,2 ponto percentual acima da estimativa feita em outubro. O resultado é sustentado pelo bom desempenho nos setores automotivo e de bens de capital. Bráulio Borges, economista da consultoria, observa que a cadeia automotiva responde por quase 20% da produção industrial e a previsão é que as vendas para o mercado interno em 2007 sejam 27% maiores que no ano passado. “O desempenho do setor automotivo, sobretudo em outubro, foi muito forte e é o que explica a surpresa no setor industrial”, afirma Borges. Ele pondera que os investimentos na formação de capital fixo também superaram expectativas, com incremento de 12% no ano, ante previsão inicial de 10%.

No mês de outubro o crescimento é estimado em 8,2%, comparado a igual mês de 2006, e em 1,3% na comparação dessazonalizada com setembro. O cálculo da LCA baseou-se na avaliação de indicadores antecedentes da produção industrial, como o consumo de energia, importações de matéria-prima e expedição de papel ondulado (ver gráfico).

Para 2008, a LCA prevê crescimento menor na produção industrial, de 4,6%, também em função do desempenho do setor automotivo, deverá crescer 11% em vendas no país, 16 pontos percentuais abaixo do registrado neste ano, segundo Borges. A taxa de juros (Selic) é projetada em 9,75% no fim de 2008, ante 11,25% neste ano.

A Tendências Consultoria também projeta para 2008 desaceleração na produção industrial, com crescimento de 4%, ante 5,5% neste ano, afirma a economista Marcela Prada. “A tendência para 2008 é de que haja desaceleração na geração de renda e na disponibilidade de crédito”, diz. A consultoria projeta aumento de 4,4% no PIB do próximo ano, ante crescimento de 4,8% em 2007. Em outubro, o incremento é estimado em 9,3%, ou 1,9% sobre setembro (com ajuste sazonal). Um dos indicadores avaliados foi o aumento de 27% na arrecadação de IPI no país em outubro.