10/10/2008 - 09:55h O voto paulistano de Piraporinha a Santana

Cristiane Agostine e Caio Junqueira, VALOR

Entre as senhoras de Santana e os jovens de Piraporinha localizam-se os extremos do eleitorado paulistano que surpreendeu neste domingo ao conferir ao prefeito Gilberto Kassab (DEM), já no primeiro turno, uma votação superior ao da ex-prefeita Marta Suplicy.

Reduto paulistano do moralismo que, na ditadura, clamou por censura, Santana foi uma das zonas eleitorais em que Marta mais perdeu votos. Em sua eleição como prefeita, em 2000, teve 34,6% dos votos lá. Na tentativa de reeleição, em 2004, 25,9%. Este ano, sua votação reduziu-se para 12,1%.

Piraporinha deu à petista o maior ganho de votos, proporcionalmente, em relação às últimas eleições: teve 43,1% em 2000, 52% em 2004 e 59,5% neste ano. Configurou-se, assim, como um dos poucos bastiões do município que resistiram ao avanço kassabista.

O Valor passou um dia em cada uma dessas regiões para tentar desvendar as razões desses comportamentos opostos. Em Piraporinha, a população predominantemente carente acha que Kassab apenas deu continuidade às iniciativas administrativas tomadas por Marta, que o precedeu no cargo. Até uma espécie de tribunal popular foi montado no local para julgar o atual prefeito, condenando-o por negligência e falta de investimentos no bairro nas áreas de educação, cultura e esporte.

Em Santana a situação é inversa e o anti-petismo é um sentimento alastrado entre as pessoas, em sua maioria integrante da classe média paulistana. A defesa da tradição, da família e da propriedade fundamentam os argumentos contrários a Marta Suplicy em um bairro com forte apelo de católicos conservadores, onde o vereador Gabriel Chalita (PSDB) colheu uma de suas mais expressivas votações

Em Piraporinha, corredores de ônibus, bilhete único e CEUs movem eleitor

Em uma travessa da estrada do M’Boi Mirim, uma das principais ruas de Piraporinha, na zona sul de São Paulo, Romualdo José da Silva, de 48 anos, protege-se em um pequeno salão de cabeleireiros da garoa que caía na manhã de quarta-feira. É só perguntar para ele para quem foi o seu voto e ele logo fala que é PT de coração. As ações do governo da ex-prefeita Marta Suplicy são enumeradas por ele como em uma propaganda política: Centros Educacionais Unificados (CEUs), corredores de ônibus, bilhete único, material escolar e uniforme. “Marta ajudou muito a população mais pobre e ninguém pensava em fazer isso”, resume.

Marisa Cauduro/Valor
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Antonio Jefferson: “Kassab é o prefeito dos ricos. Só veio para terminar as coisas da prefeita”

Perto de lá estão dois CEUs, entregues pelo prefeito Gilberto Kassab (DEM), semelhantes aos da gestão da ex-prefeita. Está também o Hospital do M’ Boi Mirim, projeto de Marta, que foi entregue pelo prefeito e as Amas, unidades de saúde, bandeiras da atual gestão. O investimento de Kassab no bairro não parece ter tido efeito sobre Romualdo. “Kassab fez muito, mas ele só deu continuidade às obras de Marta. Os projeto são dela e ninguém nunca vai tirar.”

Pedro Viano do Santo, de 52, pai de 11 filhos, interrompe a conversa: “Acho Kassab mais corajoso. Ele está há pouco tempo e já limpou a cidade”, disse, referindo-se ao Cidade Limpa . Pedro votou em Kassab no primeiro turno, por recomendação de sua igreja evangélica. Apesar dos elogios, diz que agora vai de Marta: “O pessoal da igreja fechou com ele e eu votei também. Mas agora o voto é meu, não adianta e vou de Marta.”

Piraporinha, onde mora Romualdo, é a zona eleitoral onde Marta mais ganhou votos, proporcionalmente, em relação à eleição de 2004. Neste ano, ela teve 59,5% dos votos e Kassab, 20,97%. Quatro anos atrás, teve 52% e José Serra (PSDB), 32,17% . Na zona eleitoral, que corresponde ao Jardim Ângela e Jardim São Luis, o PT sempre foi forte.

No CEU Guarapiranga, entregue por Kassab, Romildo Merces de Jesus, de 28 anos, deixa a filha de quatro anos enquanto comenta: “Isso aqui é coisa da Marta. ” Ele diz não gostar de Kassab porque a prefeitura o fez sair da favela onde vivia. “Me falaram: vai para o albergue ou para a rua. Não é assim que se trata.”

“Kassab é o prefeito dos ricos, está muito longe de se preocupar com os pobres”, opina Antonio Jefferson, de 21 anos, sobre o crescimento do PT no bairro. “Ele se preocupou mais com a imagem da cidade, em diminuir a poluição visual, do que com o povo. Do que adianta ter a cidade limpa se o povo está triste, sem saúde?”. Funcionário de supermercado, lembra que participou de manifestações para que a prefeitura construísse o hospital M’ Boi Mirim, ainda na gestão Marta. “O povo viu quem lutou por isso. Foi a mesma coisa com os CEUS. Foi a Marta que lutou pelo terreno. O Kassab só veio para terminar as coisas da prefeita.”

Os moradores de Piraporinha também se organizaram para pedir investimentos na região. A igreja e movimentos sociais fizeram dois tribunais populares para “julgar” a prefeitura e no último prepararam uma ação civil pública contra o governo por falta de investimentos em educação, cultura e esporte. O tribunal foi organizado pelo Fórum de Defesa da Vida, que reúne 250 entidades e representantes do Ministério Público. “A ausência do poder público é marcante aqui”, diz Lea Maria Chaves, integrante do fórum.

O Jardim Angela, que compõe Piraporinha, já foi considerada a área mais violenta do mundo pela ONU. Ainda hoje é classificada como uma das regiões onde os direitos humanos são menos respeitados. Cerca de 30% da população vivem em mais de 270 favelas. “Acredito que o partido PT é mais sensível ao social”, diz Lea Maria, apesar de reclamar de dificuldades para trabalhar com o governo de Marta. “Voto no PT, mas acho que lidar com Kassab é mais fácil.”

Nas ruas da região, a campanha petista predomina, mas as ações de Kassab no reduto petista reverteram-se em alguns votos. No CEU Vila do Sol, Maria Rosangela, 27 anos, dona de casa, diz ter mudado o voto depois do CEU, onde estuda sua filha. “Em 2004 votei na Marta, mas agora foi Kassab. Vamos ver se ele continua fazendo benfeitorias para cá.” No hospital M’Boi Mirim, Moacir Edson Costa, de 37 anos, trabalhador autônomo, comenta que “Marta foi boa” e que em 2004 votou nela. “Voto no Kassab para ele continuar o que está fazendo.”

A comerciante Ivone França, de 63 anos, afirma que votou em Kassab “por opção na hora.” Ela reclama que a ex-prefeita preocupou-se muito com os mais carentes. “Marta fez muita escola na periferia. Isso ajuda e atrapalha. Para quem tem lojinha de material escolar, como eu, foi ruim. Não vendo quase nada depois que a prefeitura passou a dar material escolar.” Sua irmã, Lucia Aparecida, de 53 anos, também escolheu o prefeito. Ela também reclama dos projetos de transferência de renda. “Tem muita gente carente que recebe essas bolsas, mas não precisa. Aqui falam que Marta vai dobrar asbolsas só pra votarem nela.”

Dona de um bar, reclama das taxas do lixo e da iluminação criadas na gestão Marta e não se conforma com um comentário sobre o caos aéreo de Marta, feito quando a petista era ministra do Turismo. “Eu até gravei da televisão ela falando o ‘relaxa e goza’. Queria mostrar para a minha filha, para não votar na Marta”. Do Jardim Angela, onde a comerciante mora com a família, o trajeto de ônibus até o centro a viagem dura mais de duas horas. Sua filha tem de fazê-lo de segunda a sexta. “Todo mundo tem carro, não podemos culpar o Kassab pelo trânsito. Acho que tem de fazer rodízio de dois dias. Pode por mais ônibus que for, se não tiver rodízio de dois dias, vai continuar do jeito que está.” (CA)

Em Santana, tradição religiosa, culto à família e aversão a taxas definem escolha

Nem a presença da Paróquia de São José Operário, Patrono dos Trabalhadores, é capaz de levar os eleitores do bairro de Santana a votar na candidata à prefeita de São Paulo pelo Partido dos Trabalhadores, Marta Suplicy. É neste bairro da classe média e alta paulistana, o primeiro ao norte do rio Tietê, que ela assiste , eleição após eleição, sua votação despencar. De 2000 a 2004, caiu 25%. Neste ano, 53%.

Leonardo Rodrigues/Valor
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Ariane Leonardi: “A família dela é muito desregrada. Político tem que ter regra. O que ela proporciona à minha família?”

Encontrar um eleitor petista nas tortuosas ruas deste bairro é tarefa árdua. Na melhor das hipóteses, o que se vê são ex-petistas (arrependidos) que, quando optaram pelo 13 nas urnas, o destinatário foi o presidente Lula. Bem antes de ele tentar ser presidente. “Só votei no Lula em 1986 porque eu trabalhava com metalúrgica. Depois nunca mais. Trabalhei com a Erundina. Para consertar um banheiro eles faziam reunião. Se Moisés fosse petista ainda estava no Egito consultando as bases pra ver se fugiam do Egito”, diz Ruth Guiness, 63, dona-de-casa, caminhando por uma das feiras livres do bairro na fria manhã de anteontem.

As opiniões expressadas, em geral, trazem consigo uma anedota, um termo pejorativo - como a referência à gestão Lula a um “governo de bebum” e a ojeriza a ele por uma “questão de pele”- e muitas referências a condutas pessoais tidas por inaceitáveis aos políticos. Mais do que ao presidente e ao partido, são esses julgamentos que embasam a maior parte das críticas a Marta, ainda que o bairro concentre o maior índice de divorciados da cidade.

“A família dela é muito desregrada. Político tem que ser como um juiz, tem que ter regra. O que ela proporciona para a minha família? Ligo a tevê e ela está na Parada Gay. O que tá indicando para meu filho? Para relaxar e gozar? E o filho dela? Cantor louco de rock, ‘zueiro’, o que proporciona de bom? Sem falar que para ser prefeita tem que ter marido”, afirma a advogada Ariane Leonardi, 32 anos. Atuante na área de direito de família para pessoas carentes, embora a bordo de um Dodge Journey da montadora Chrysler avaliado em cerca de R$ 100 mil, ela pede, no fim da conversa: “Frise a família e a sociedade. O que falta nela é o conceito de família”.

O discurso expõe um componente constante no bairro, a religiosidade. Desde sua fundação, a Igreja tem presença forte no local, a começar pela origem do seu nome: Santa Ana. Formado a partir da doação de uma sesmaria a Companhia de Jesus no século XVII, o crescimento veio no fim do século XIX, com a instalação de um colégio pela Irmãs de São José de Chambéry. Já no início da abertura política ainda durante o regime militar, ficaram famosas as “senhoras de Santana” que atuaram contra o despudor televisivo.

Hoje, a aversão ao PT e a Marta é questionada pelo padre Humberto, da Paróquia São José Operário. “A resposta para isso é uma constante busca minha. Mas acho que há um receio da classe média a aspectos religiosos, políticos e comportamentais que venham de setores progressistas da sociedade”, afirma. Ele conta também que verificou isso quando se instalou no bairro, há cinco anos, e muitas pessoas tinham aversão ao Concílio Vaticano II, documento papal que nos anos 60 modernizou e abriu a instituição para, segundo ele, “tantas realidades”.

Além da tradição e da família, a propriedade também permeia os argumentos contrários à petista. Bairro onde o pequeno e médio comércios compõem o visual das ruas, as taxas do lixo e da luz criadas na gestão Marta, entre 2001 e 2004, são pontos que elevam a rejeição à ex-prefeita. “Eu gostava tanto dela, votava nela, mas depois, com essas taxas não dá mais. Pesou bastante para a gente. Quando mexe no bolso fica ruim, né”, diz Ingrid, proprietária do Empório da Beleza, na avenida Alfredo Pujol, a principal do bairro.

Há, porém, quem estenda as críticas às questões administrativas e ao setor considerado ponto forte da candidata: educação. Presente na rede pública municipal de ensino desde os anos 80, a diretora de escola Jane Garcia, 52 anos, kassabista, teve como chefes em última instância uma seqüência de prefeitos com colorações partidárias diversas: Mário Covas, Jânio Quadros, Luiza Erundina, Paulo Maluf, Celso Pitta, Marta Suplicy, José Serra e Gilberto Kassab. E garante: o chefe atual é o maioral. “Ela fez os CEUs mas e o restante como é que fica? Estou em uma escola hoje que precisava de reformas elétricas, hidráulicas, pintura, ampliação. Só agora conseguimos. Só agora os professores são valorizados com aumentos”, diz, enquanto seu poodle Tara, protegido do frio com um vestidinho azul, descansa em seu colo. Depois da exposição técnica, cita, tal qual os outros entrevistados, os aspectos pessoais da candidata petista. “Ela é arrogante e tem toda a questão social-familiar”.

O anti-petismo de Santana acaba por contaminar a candidatura dos vereadores da legenda. O primeiro integrante da sigla a aparecer na lista dos mais votados é José Américo, na 33ª colocação, com 256 votos. Antes dele, predominam políticos do PSDB, DEM, PP e PTB. Quem lidera o ranking, com 3.095 votos, é o tucano Gabriel Chalita, o mais votado da capital paulista. Tendo por lema de campanha “São Paulo mais educada, sua família mais feliz”, descreve em seu site que “foi catequista, ministro da eucaristia e seminarista” e que “considera a família o alicerce da sociedade”. (CJ)

30/09/2008 - 12:57h Nova ortografia da língua portuguesa

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DEH OLIVEIRA colaboração para a Folha Online

Passados 18 anos de sua elaboração, o Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa promete finalmente sair do papel. Ou melhor: entrar de vez no papel. O Brasil será o primeiro país entre os que integram a CPLP (Comunidade de Países de Língua Portuguesa) a adotar oficialmente a nova grafia, já a partir do ano que vem.

As regras ortográficas que constam no acordo serão obrigatórias inicialmente em documentos dos governos. Nas escolas, o prazo será maior, devido ao cronograma de compras de livros didáticos pelo Ministério da Educação.

As mudanças mais significativas alteram a acentuação de algumas palavras, extingue o uso do trema e sistematiza a utilização do hífen. No Brasil, as alterações atingem aproximadamente 0,5% das palavras. Nos demais países, que adotam a ortografia de Portugal, o percentual é de 1,6%.

Entre os países da CPLP, já ratificaram o acordo Brasil, Portugal, Cabo Verde e São Tomé e Príncipe. Ainda não definiram quando irão ratificar o documento Angola, Moçambique, Guiné-Bissau e Timor-Leste.

A assinatura desses países, porém, não impede a entrada em vigor das novas regras em todos os países, pois todos concordaram que as mudanças poderiam ser adotadas com a assinatura de pelo menos três integrantes da comunidade.

No Brasil, o acordo — firmado em 1990 - foi aprovado pelo Congresso em 1995. Agora, a implementação definitiva depende apenas de um decreto do presidente Lula, ainda sem data para ocorrer.

Mesmo assim, o MEC (Ministério da Educação) já iniciou o processo de adoção da nova ortografia. Entre 2010 e 2012 é o período de transição estipulado pela pasta para a nova ortografia passar a ser obrigatória nos livros didáticos para todas as séries.

Novas regras

O acordo incorpora tanto características da ortografia utilizada por Portugal quanto a brasileira. O trema, que já foi suprimido na escrita dos portugueses, desaparece de vez também no Brasil. Palavras como “lingüiça” e “tranqüilo” passarão a ser grafadas sem o sinal gráfico sobre a letra “u”. A exceção são nomes estrangeiros e seus derivados, como “Müller” e “Hübner”.

Seguindo o exemplo de Portugal, paroxítonas com ditongos abertos “ei” e “oi” –como “idéia”, “heróico” e “assembléia”– deixam de levar o acento agudo. O mesmo ocorre com o “i” e o “u” precedidos de ditongos abertos, como em “feiúra”. Também deixa de existir o acento circunflexo em paroxítonas com duplos “e” ou “o”, em formas verbais como “vôo”, “dêem” e “vêem”.

Os portugueses não tiveram mudanças na forma como acentuam as palavras, mas na forma escrevem algumas delas. As chamadas consoantes mudas, que não são pronunciadas na fala, serão abolidas da escrita. É o exemplo de palavras como “objecto” e “adopção”, nas quais as letras “c” e “p” não são pronunciadas.

Com o acordo, o alfabeto passa a ter 26 letras, com a inclusão de “k”, “y” e “w”. A utilização dessas letras permanece restrita a palavras de origem estrangeira e seus derivados, como “kafka” e “kafkiano”.

Dupla grafia

A unificação na ortografia não será total. Como privilegiou mais critérios fonéticos (pronúncia) em lugar de etimológicos (origem), para algumas palavras será permitida a dupla grafia.

Isso ocorre principalmente em paroxítonas cuja entonação entre brasileiros e portugueses é diferente, com inflexão mais aberta ou fechada. Enquanto no Brasil as palavras são acentuadas com o acento circunflexo, em Portugal utiliza-se o acento agudo. Ambas as grafias serão aceitas, como em “fenômeno” ou “fenómeno”, “tênis” e “ténis”.

A regra valerá ainda para algumas oxítonas. Palavras como “caratê” e “crochê” também poderão ser escritas “caraté” e “croché”.

Hífen

As regras de utilização do hífen também ganharam nova sistematização. O objetivo das mudanças é simplificar a utilização do sinal gráfico, cujas regras estão entre as mais complexas da norma ortográfica.

O sinal será abolido em palavras compostas em que o prefixo termina em vogal e o segundo elemento também começa com outra vogal, como em aeroespacial (aero + espacial) e extraescolar (extra + escolar).

Já quando o primeiro elemento finalizar com uma vogal igual à do segundo elemento, o hífen deverá ser utilizado, como nas palavras “micro-ondas” e “anti-inflamatório”.

Essa regra acaba modificando a grafia dessas palavras no Brasil, onde essas palavras eram escritas unidas, pois a regra de utilização do hífen era determinada pelo prefixo.

A partir da reforma, nos casos em que a primeira palavra terminar em vogal e a segunda começar por “r” ou “s”, essas letras deverão ser duplicadas, como na conjunção “anti” + “semita”: “antissemita”.

A exceção é quando o primeiro elemento terminar e “r” e o segundo elemento começar com a mesma letra. Nesse caso, a palavra deverá ser grafada com hífen, como em “hiper-requintado” e “inter-racial”.

Ortografias nova e antiga conviverão até 2012

Os estudantes dos ensinos fundamental e médio vão conviver com a dupla ortografia até 2012. Haverá três anos de transição desde a entrada em vigor das mudanças na escrita (a partir do ano que vem) e a obrigatoriedade de utilizar apenas a ortografia atualizada. A tolerância também será estendida para vestibulares e concursos públicos, cujas provas deverão aceitar como corretas as duas normas ortográficas.

As mudanças começarão a ser implementadas a partir dos primeiros anos de formação escolar. Em 2010, os livros destinados a alunos entre 1ª e 5ª séries das escolas públicas deverão conter apenas a nova ortografia. No ano seguinte, a regra valerá também da 6ª à 9ª série. No ensino médio, a medida tem início a partir de 2012.

‘Especialistas acham que é bom para os alunos conviverem com as duas regras, para compararem o que mudou’, afirma Rafael Torino, diretor de Ações Educacionais do FNDE (Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação). Por isso, o Ministério da Educação autorizou a publicação de livros para reposição com a nova ortografia, para todas as séries, já a partir do próximo ano.

O cronograma de implantação da nova grafia na rede pública foi estabelecido pelo FNDE com base no programa de compra para livros didáticos adquiridos pelo órgão e distribuídos a alunos das escolas públicas.

As compras ocorrem com pelo menos dois anos de antecedência. Em março foi aberto o processo de escolha do material para compra dos livros de 1ª a 5ª séries, cujos protótipos já devem ser apresentados na nova ortografia. No caso do livro didático, a legislação dispensa a necessidade de licitação. A escolha é feita com base na análise dos professores da rede de ensino público.

Conheça regras de acentuação do novo acordo ortográfico

O Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa, que entra em vigor em 2009, vai alterar a acentuação de algumas palavras, extinguir o uso do trema e sistematizar a utilização do hífen, entre outras mudanças significativas. No Brasil, palavras como “heróico”, “idéia” e “feiúra”, por exemplo, deixarão de ser acentuadas.

O livro “Escrevendo Pela Nova Ortografia” , feito pelo Instituto Houaiss em parceria com a Publifolha, apresenta o acordo na íntegra, com observações e explicações sobre o que mudou. Saiba mais sobre todas as mudanças e veja mais informações sobre o livro.

Veja a seguir as novas regras de acentuação para oxítonas, paroxítonas e proparoxítonas, retiradas do livro.

(more…)

23/09/2008 - 17:22h Pilates: associação defende método tradicional

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Tatiana Clébicar - O Globo

RIO - Preocupada com a oferta desordenada de cursos Brasil afora, a Associação Brasileira de Pilates promove um curso de pilates tradicional para profissionais formados em Educação Física ou Fisioterapia. O objetivo é ensinar os 34 movimentos desenvolvidos pelo alemão Joseph Hubertus Pilates nas décadas de 20 e 30.

- Alguns professores agregam novos conhecimentos à técnica e a formação original se perde. Alterações em relação à respiração e à contração do abdômen e a fragmentação do método não traduzem as propostas de Pilates - diz o professor Hamilton Scherer, secretário geral da associação.

Segundo ele, a idéia do é que o indivíduo pudesse exercitar o corpo como um todo em 34 exercícios que trabalham todos os grupos musculares. A ordem dos movimentos obedece a uma seqüência determinada pelo criador do método.

- A aula é uma coreografia que não pode ser interrompida. Há uma sincronia que não pode ser quebrada para que o aluno beba água, por exemplo - completa ele, dizendo que no Brasil, ao contrário do que ocorre nos Estados Unidos, bailarinos não podem ser instrutores. - É necessária uma formação em saúde. Especialmente porque o pilates é um exercício pesado. Não é nada suave.

  ” Alterações em relação à respiração e à contração do abdômen e a fragmentação do método não traduzem as propostas de Pilates “

A força vem do músculo transverso do abdômen. Scherer explica que apesar de a atividade ser pesada pode e deve ser praticada por pessoas com desvios posturais e dores lombares.

- O pilates aumenta a flexibilidade e tonifica a musculatura - enfatiza, lembrando que o método está baseados nos princípios da respiração, centralização, concentração, alongamento axial, coordenação e fluidez. - Muitos alunos asmáticos têm menos crises porque aprendem a tirar proveito de toda sua capacidade respiratória. Isso significa mais qualidade de vida.

10/09/2008 - 14:04h Chalita, principal cabo eleitoral de Alckmin, na mira

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Canal do Saber era de Chalita, diz sucessora

Maria Lucia Vasconcelos, secretária de Educação da gestão Lembo, cancelou programa ao saber que antenas não foram entregues

Ela diz que fundação paga projetos, mas que secretário tem que acompanhá-los; Chalita diz que equipamento já estava sendo entregue

FERNANDO BARROS DE MELLO - FOLHA DE SÃO PAULO

Maria Lucia Vasconcelos, secretária da Educação do Estado de São Paulo entre abril de 2006 e julho de 2007, cancelou o programa Canal do Saber em novembro de 2006, após a identificação de um rombo gerado pelo projeto. O canal reproduziria programas educativos de TVs para os alunos e professores das escolas estaduais.
Vasconcelos assumiu a secretaria quando Claudio Lembo (DEM) tornou-se governador de São Paulo, com a saída do tucano Geraldo Alckmin para concorrer à Presidência. Secretário da Educação durante a gestão Alckmin, Gabriel Chalita também deixou o cargo.
A ex-secretária de Lembo diz que toda a implementação do projeto foi feita na gestão de Chalita. Afirma ainda que decidiu cancelar o canal após descobrir o montante não entregue de antenas e receptores.
Chalita diz que, na sua gestão, as entregas eram feitas.
A Folha revelou no sábado que a FDE (Fundação para o Desenvolvimento da Educação), órgão ligado à pasta da Educação, identificou um rombo de R$ 4,08 milhões, fruto de contrato assinado para fornecimento de antenas parabólicas.
Entre os citados a devolver o valor aos cofres públicos está o ex-diretor Milton Dias Leme, que disse ter sido convidado para o cargo por Chalita.
A fundação assinou, em janeiro de 2006, contrato para fornecimento de 5.500 antenas e 5.500 receptores para implementar nas escolas estaduais o projeto Canal do Saber.
Em 27 de abril de 2006, após a saída de Chalita, houve um aditamento de mais 1.375 antenas e 1.375 receptores. Ele também foi autorizado por Leme, segundo sindicância. Tudo deveria ser entregue até 3 de julho de 2006. Leme foi exonerado em maio de 2006.
Segundo levantamento da FDE, foram pagas, mas não entregues, 3.233 antenas e 4.695 receptores. Apesar da contratação total de 6.875 antenas e 6.875 receptores, São Paulo tinha cerca de 5.300 escolas. Vasconcelos explica que os projetos da secretaria são pagos pela FDE, que tem presidente e diretores próprios. Mas diz que os secretários têm que acompanhar a execução.

FOLHA - Qual a relação FDE e Secretaria de Educação?
MARIA LUCIA VASCONCELOS - Embora a gestão seja independente, a FDE é uma executora das ações da secretaria. A secretaria passa recursos para a FDE. Não dá para dizer que não tem relação. Como secretária, eu seria legalmente responsável pelas coisas que eu assino, e a FDE, se tiver irregularidades, pelas deles. Estou falando legalmente, mas, moralmente, não dá para dizer que não sabe.

FOLHA - Por que a sra. decidiu cancelar o Canal do Saber?
VASCONCELOS - Assumi em abril e fui conhecer todos os projetos. Fui informada da possibilidade de falar com as escolas pelo canal, porque me disseram que ele levava as imagens que a gente produzisse. Ora, quis falar com as escolas. Só então me informaram que nem todas estavam equipadas. As coisas foram sendo esclarecidas. Não vi sentido em continuar a produção de programas e o custo de transmissão. Produzia e não tinha condição de aproveitar. Por que continuar com aluguel de satélite?

FOLHA - O aditivo de mais 1.375 antenas e receptores foi assinado em 27 de abril, pelo ex-diretor Milton Leme, na gestão da sra.
VASCONCELOS - De fato. Mas a solicitação do aditamento foi feita no dia 23 de março e no dia 24 foi solicitada a autorização prévia ao Planejamento e à Fazenda, para ver se o dinheiro estava disponível. Portanto, todas as ações já estavam decididas. Se eu assumo em abril, há um tempo para conhecimento. Era uma ação em curso. O projeto é da gestão anterior.

FOLHA - Quando foi suspenso?
VASCONCELOS - Em novembro. O canal não estava instalado. Fomos informados que a empresa que fabricava as antenas não fabricaria mais. Instauramos os procedimentos. A opção foi não investir mais em algo que não tínhamos como colocar em um prumo adequado.

FOLHA - A FDE é autônoma em compras como essa das antenas?
VASCONCELOS - Ela responde pelo contrato. Porém, não posso dizer que como secretaria desconhecesse o assunto. É um programa da secretaria. Há gestores que delegam e não acompanham. Não sei como agia o secretário anterior.

FOLHA - Por que ex-diretor Milton Leme foi exonerado em maio?
VASCONCELOS - Foi uma troca de pessoas, para atender melhor o ritmo da nova gestão.

outro lado

“Fundação abriu sindicância”, diz ex-secretário

DA REPORTAGEM LOCAL

O ex-secretário da Educação Gabriel Chalita disse, por e-mail, que a “FDE instaurou sindicância, em que foram apurados os prejuízos causados e acionou judicialmente os responsáveis”. Chalita, porém, deixou de responder às cinco perguntas enviadas pela Folha. Leia a íntegra do e-mail.

“Apesar de o repórter Fernando Barros de Mello utilizar de má-fé na conduta desta reportagem, gostaria de reiterar, em respeito à credibilidade do veículo Folha de S.Paulo, os seguintes pontos, esclarecendo dúvidas levantadas, de forma leviana, em matéria do dia 6 de setembro, no caderno Brasil:
1 - A contratação de equipamentos para o projeto Canal do Saber foi firmada pela FDE e é importante esclarecer que obedeceu todos os trâmites legais.
2 - O procedimento licitatório adotado foi o pregão e a empresa vencedora ofereceu o menor preço dentre aquelas que apresentaram os documentos exigidos para a participação no processo.
3 - No período em que deixei o cargo na secretaria, o contrato ainda estava em vigência, com as antenas sendo entregues.
4 - O contrato teve ainda complementação pela gestão posterior (aditamento), ou seja, quando eu já não estava mais no cargo, o que confirma sua legalidade até aquela ocasião.
5 - Quando foi constatado o descumprimento do contrato pela empresa, a própria FDE instaurou sindicância, em que foram apurados os prejuízos causados e acionou judicialmente os responsáveis para arcarem com suas obrigações. Trata-se de um procedimento padrão que deve ser adotado em situações administrativas tais como as quebras de contratos firmados pela administração pública.
6 - Convém ressaltar que todos os atos obedeceram rigorosamente o que dispõe a legislação vigente. E que em nenhum momento meu nome é citado no respectivo processo judicial. Espero que o caso seja resolvido efetivamente e que as partes assumam cada qual sua responsabilidade. E que a imprensa cumpra o papel de informar sem distorcer ou deformar.”

Leia as perguntas da Folha que Chalita não respondeu

DA REPORTAGEM LOCAL

Leia as perguntas encaminhadas por e-mail:

1) A ex-secretaria Maria Lúcia Vasconcelos declarou que cancelou o programa Canal do Saber porque as antenas e os receptores contratados não haviam sido entregues e que o projeto é da gestão de Gabriel Chalita. O que o sr. tem a dizer?
2) Quem idealizou e organizou o Canal do Saber na secretaria? Ele não é um programa da Secretaria de Educação?
3) A ex-secretária diz que a FDE tem independência funcional, mas que é a executora de projetos da secretaria, ou seja, paga as contas com dinheiro do orçamento da secretaria. Vasconcelos diz que ela, como secretária, tinha obrigação de acompanhar o andamento do projeto. O sr. concorda?
4) A ex-secretária diz ainda que legalmente o diretor da FDE é responsável pelo que assina, mas que moralmente os secretários têm que acompanhar os projetos executados. Apesar da independência funcional da FDE, o sr. concorda que a secretaria deve acompanhar a implementação de um programa dela?
5) A primeira nota fiscal foi emitida em 1º de fevereiro (referente a instalação de 3.355 antenas e 3.355 receptores), e o pagamento de R$ 3,01 milhões foi realizado em 5 de março. A segunda nota fiscal foi emitida em 16 de fevereiro (1.695 antenas e 1.695 receptores), e o pagamento, de R$ 1,525 milhão, saiu em 18 de março. Só nesses casos são mais de 5.000 antenas e 5.000 receptores, número maior do que foi apurado de entregas. A terceira nota fiscal foi emitida em 8 de março de 2006 (450 antenas e 450 receptores), e os R$ 405 mil, pagos em 7 de abril. Pelo contrato, os pagamentos só poderiam ser feitos após a aferição do recebimento.
Na carta, o sr. disse que, ao deixar o cargo, o contrato ainda estava em vigência, com as antenas sendo entregues. A gestão do sr. deixou de entregar antenas?

09/09/2008 - 10:13h O índice de felicidade futura (IFF)

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VALOR

“If I go insane, please don´t put your wires in my brain” - “If”, (Roger Waters), Pink Floyd

A juventude é um estado de espírito não determinado pela idade em si, mas pela postura da pessoa diante do seu futuro. O jovem acredita que o melhor da vida ainda está por vir. Pesquisa da FGV calculou e concebeu esta medida subjetiva de juventude, em projeto para o BID, a partir de uma nota de 0 a 10 reportada diretamente por cada um dos mais de 150 mil entrevistados pelo Gallup World Poll, em uma amostra de 132 países. A pesquisa mostra a satisfação prospectiva de um cidadão do mundo com a vida. A perspectiva de felicidade futura cai com a idade do indivíduo, de 7,41 aos 15 anos até 5,45 para aqueles com mais de 80 anos, quando a felicidade presente e futura se equivalem. Na idade dos debutantes, a média futura é 3,3 pontos, melhor que a média de felicidade presente. No Brasil, é particularmente alta a expectativa em relação ao futuro - na escala de 0 a 10, nossa nota média é 8,78, mais do que qualquer um dos 132 países pesquisados. Ou seja, somos campeões mundiais de felicidade futura, ou de atitude jovem. Essa interpretação permite reconciliar duas qualificações recorrentemente atribuídas ao Brasil: “o país do futuro” por uns, e “país jovem”, por outros. Mais do que país de jovens na sua composição demográfica, o Brasil é um país habitado por jovens de espírito jovem. A média de felicidade futura do brasileiro entre 15 e 29 anos é 9,29, também superior a qualquer outro país pesquisado.

Somos um país habitado por jovens de espírito jovem. A média de felicidade futura do brasileiro entre 15 e 29 é superior aos demais 131 países

Outro estudo da FGV, que descrevi na minha última coluna, era sobre a medida subjetiva de classe média - que, como a juventude, seria um estado de espírito de que a vida vai melhorar no futuro. Pois aí está: entre outras medidas forward-looking, o brasileiro é aquele que apresenta a maior expectativa de felicidade futura, superando inclusive os EUA (9º do ranking) e Dinamarca, líder mundial de felicidade presente, mas 3ª do ranking de felicidade futura. O lanterninha é Zimbábue, na África.

Perguntamo-nos, ao longo da pesquisa, se haveria razão para otimismo da nossa população em geral e dos nossos jovens, em particular. O grosso das respostas são endereçadas à transformação da estagnação trabalhista dos jovens em reversão trabalhista, que a partir de 2004 entra em fase de franca expansão (e.g. mais de 90% dos novos níveis recordes de empregos formais gerados nos últimos quatro anos são de jovens). Prospectivamente, surfaríamos nos efeitos futuros da onda jovem. Finalmente, a faixa juventude no Brasil nunca foi e nunca será tão grande quanto está agora, nos ensinam os demógrafos que criaram o termo “dividendo demográfico”, referindo-se aos altos rendimentos prospectivos associados. Os jovens vão propulsionar nossa sociedade rumo a novas conquistas.

Discutimos aqui os resultados de pesquisa três em um (três temas correlacionados e um lançamento) feita em parceria com o Instituto Votorantim. O eixo da pesquisa é o seguinte: I) Felicidade Futura; II) Decomposição Trabalhista - metodologia Lego, o brinquedo de montar - explicando o papel de ingredientes trabalhistas clássicos como escolaridade, retorno da educação, jornada, ocupação e participação. Desconstruímos por meio desta metodologia os pedaços da expansão trabalhista presente no grupo entre 15 e 29 anos (2004 a 2008 - 10,5% ao ano de ganho de renda), bem como da estagnação trabalhista pregressa (1992 a 2004). As variáveis educacionais foram centrais tanto na fase de crise, como na de expansão; III) O trabalho que começa com uma abordagem de dados internacionais termina com dados locais, um Índice de Juventude Educação e Trabalho (IJET) calculado a partir de informações recentes a nível municipal que está dividido em três blocos: 1) Juventude - revela a proporção de jovens que enxergamos como ativos (e não passivos) das localidades - destaque para Palmas no Tocantins; 2) Educação - mostra a qualidade do investimento realizado nas novas gerações, baseado no desempenho dos estudantes - destaque entre as capitais para o Rio de Janeiro no nível e Campo Grande no avanço; 3) Trabalho geração do emprego formal, captando em que medida os jovens já estão colhendo os frutos do investimento prévio em educação - destaque entre as capitais para Vitória no nível e São Luis na variação. O objetivo é informar à comunidade de cada município em véspera de eleição o estado da juventude, de forma a responsabilizar gestores. Disponibilizamos no site da pesquisa (www.fgv.br/cps/jovem) dados para cada um dos municípios brasileiros com a letra fria dos números, sem comentários.

O objetivo deste trajeto que começa no IFF, nosso primeiro índice mundial, e desemboca em dados municipais (IJET), é facilitar o “pensar global, agir local”. O IFF, em inglês, é Future Felicity Index, cuja sigla lembra as teclas de avanço rápido dos aparelhos de vídeo e de som, que são linguagem universal. Talvez a principal inovação desta pesquisa, frente algumas das principais pesquisas disponíveis hoje no Brasil sobre o jovem, é a atitude positiva, uma vez que somos todos garotos, segundo a pesquisa. Ver o jovem não como um problema, mas como parte fundamental da solução. Mudou a cena do jovem brasileiro, mas não a trilha sonora, que continua de drama. Em particular, estamos em pleno regime de apagão de mão-de-obra, ao invés da crise de desemprego - ambos têm a cara do jovem. Mostramos que, de 2004 a 2008, o mercado de trabalho do jovem brasileiro encontra-se em franca expansão. Os frutos do avanço da cobertura do ensino fundamental chega agora com problemas de qualidade ao ensino médio e superior. A resposta sobre se há base real na positividade do nosso jovem recai sobre a nossa capacidade de entregar soluções ao nosso “pobrema” educacional. A má notícia é que, embora tenha ocorrido aceleração a partir de meados dos anos 90, a nossa educação se encontra hoje ainda num patamar inferior. A boa é que há uma agenda colocada pela sociedade civil e pelo Estado apontando desafios auspiciosos nesta área. Os destaques aqui são as metas educacionais para 2021 do Todos pela Educação e do PAC educacional. Na prática, o paradoxo do alto IFF do jovem brasileiro seria um grande “se”.

Marcelo Côrtes Néri chefe do Centro de Políticas Sociais do IBRE/FGV e professor da EPGE/FGV, é autor de “Retratos da Deficiência”, “Cobertura Previdenciária: Diagnóstico e Propostas” e “Ensaios sociais”. E-mail: mcneri@fgv.br

mcneri@fgv.br

08/09/2008 - 23:47h Marta debate propostas para a Educação

Fotos Cesar Ogata
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Marta debate propostas para a Educação em São Paulo, enquanto Kassab fecha cursos de qualificação profissional

Em plenária com cerca de dois mil educadores na região central e que contou com a participação da deputada federal Luiza Erundina (PSB), Marta recebeu o apoio de professores e estudantes que lotaram o Clube Trasmontano. Ela disse que vai promover uma revolução na qualidade da educação.

“A revolução, que não foi possível apenas com os CEUs, será com a qualidade da educação”, afirmou a candidata durante o evento, realizado no final de semana.

Marta foi enfática contra o fechamento de escolas de qualificação e cursos de alfabetização, que a atual administração vem promovendo. “Não podemos concordar com o fechamento desses cursos de forma alguma. Ao contrário, vamos aumentar ao número maior possível de salas nas escolas”, afirmou.

Marta se espantou com a informação de que a Prefeitura de São Paulo devolveu R$ 17 milhões em recursos da União para cursos de qualificação. “Eles não conseguem planejar cursos de qualificação e devolvem o recurso por pura incapacidade”, disse Marta.

A candidata também citou propostas específicas para valorização do profissional de educação, para a gestão democrática das escolas, para os jovens em liberdade assistida e para a educação especial. Os centros de formação e qualificação para o professorado foi explicado como espaços que terão suas atividades definidas pelos próprios interessados. “Quem vai dizer o que fazer são vocês, olhem a responsabilidade de vocês! Qualquer mudança será discutida”, afirmou, dirigindo-se aos professores.

Marta explicou também as medidas de avaliação do processo pedagógico que serão elaboradas em sua gestão. “Queremos que o professor trabalhe apenas em uma escola, para que possa ter tempo para se dedicar ao ensino e à comunidade”, disse Marta sob aplausos dos educadores.

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Paulo Freire eternamente - A deputada federal Luiza Erundina (PSB) homenageou o educador Paulo Freire, que faria 87 anos este mês e que foi secretário de Educação em seu governo. “Tenho certeza que ele está no melhor lugar que o espírito humano pode estar, pois foi um semeador de sonhos. Da mesma forma que tenho certeza de que Marta vai retomar em suas mãos a esperança que Paulo Freire plantou nessa cidade”, disse Erundina.

De acordo com a ex-prefeita, Marta vai ter possibilidades reais e concretas de retomar a condução da cidade de São Paulo. “Pela força e mobilização dessa campanha, eu digo que é capaz de ganharmos no primeiro turno”, entusiasmou-se Erundina, acrescentando, entretanto, que não teme um eventual segundo turno. “Para o processo de mobilização social, é até bom que tenhamos tempo para consolidar este saldo de políticas de organização do povo para dar sustentação ao governo de Marta”, ponderou.

Fonte Boletim bancada de vereadores do PT

04/09/2008 - 15:04h Lula lança hoje programa Saúde na Escola

 

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Presidente Lula durante o lançamento do programa Mais Saúde (Foto: Ricardo Stuckert/PR)

A partir de 2008, 26 milhões de crianças terão atendimento médico nas escolas em que estiverem matriculadas. Nos próximos quatro anos, serão investidos mais de R$ 844 milhões no atendimento médico e odontológico de estudantes da educação básica. Entre as medidas previstas estão o fornecimento de óculos e próteses auditivas a alunos da rede pública.

“Quando eu tinha dez anos de idade, tive atendimento médico e odontológico na escola pública. Ter essa atenção com nossas crianças é cuidar do povo brasileiro como ele precisa ser cuidado”, destacou o presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva. Nesta quarta-feira, 5, no Palácio do Planalto, ele assinou o decreto que institui o Programa Saúde na Escola (PSE). Os ministros da Educação, Fernando Haddad, e da Saúde, José Gomes Temporão, participaram da solenidade de assinatura.

O programa também prevê a realização de consultas com otorrinolaringologistas e oftalmologistas e o diagnóstico precoce de hipertensão arterial nas salas de aula. O projeto será implantado por meio da adesão dos estados, do Distrito Federal e dos municípios. No prazo máximo de 90 dias, os ministérios da Saúde e da Educação devem firmar acordos com as entidades federadas para promover as ações previstas no programa.

Prevenção — Hábitos saudáveis, como a prática de esportes, também serão incentivados. Pelo menos uma vez por ano, 3,5 mil municípios receberão a visita de equipes do programa Saúde da Família para promover a atividade física e incentivar a alimentação saudável nas escolas. Além disso, serão promovidas oficinas de prevenção ao uso de álcool, tabaco e drogas em 56.550 escolas de todo o Brasil.

Iniciativas como educação para a saúde sexual e orientações sobre a prevenção da gravidez precoce e de doenças sexualmente transmissíveis serão desenvolvidas em outras 74.890 escolas de ensino técnico, médio e fundamental. Para tanto, serão investidos cerca de R$ 3,3 milhões em realização de oficinas e distribuição de kits.

O Saúde na Escola faz parte do Plano de Aceleração do Crescimento da Saúde, o Mais Saúde. Com o plano, serão investidos R$ 89 bilhões em saúde pública ao longo dos próximos quatro anos. Mais informações na página eletrônica do Ministério da Saúde.


O presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, e o ministro da Saúde, José Gomes Temporão, lança, nesta quinta-feira (4), em Recife, o Programa Saúde na Escola. Até 2011, cerca de 26 milhões de alunos brasileiros terão atenção integral à saúde por meio das Equipes Saúde da Família nas escolas da rede pública que estiverem matriculados.

Antes, em Petrolina (PE), inaugura do Hospital de Urgências e Traumas (HUT) de Petrolina, que será referência na região para serviços de serviços de alta complexidade em Neurocirurgia, Ortopedia, Terapia Intensiva e Tratamento de Queimados, além da abertura da primeira etapa do campus local da Universidade Federal do Vale do São Francisco (Univasf), que conta com mais três campi e terá capacidade para atender um total de 4,1 mil alunos a partir de 2010.

Os dados do programa:

Alunos da rede pública terão atenção integral à saúde
Até 2011, cerca de 26 milhões de alunos da rede pública de 1.242 municípios com baixo Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) terão atenção integral à saúde por meio das Equipes Saúde da Família. Trata-se do Programa Saúde na Escola (PSE), parceria entre os ministérios da Educação e da Saúde. A largada do Programa será dada nesta quinta-feira (4) pelo presidente, Luiz Inácio Lula da Silva, em Pernambuco, em cerimônia de lançamento na Escola Estadual São Francisco de Assis.

Para a escolha dos municípios foi feito o cruzamento de cobertura de 100% da estratégia Saúde da Família (SF) nesses municípios, que resultou numa lista de 647 municípios (dados de abril/2008). Além desses municípios, serão contempladas as escolas localizadas nos municípios do Programa Mais Educação, aproximadamente 2.050, em 52 municípios - que são capitais e grandes cidades de regiões metropolitanas, onde será possível a adesão ao PSE, mediante o número de Equipes de Saúde da Família implantadas, na proporção de uma Equipe Saúde da Família para uma Escola Pública.

Componentes - Quatro componentes integram o PSE: avaliação das condições de saúde; promoção da saúde e prevenção; educação permanente e capacitação dos profissionais e de jovens; monitoramento e avaliação da saúde dos estudantes.

O primeiro deles, a “avaliação das condições de saúde”, refere-se à atenção ao estudante por meio de avaliação clínica e psicossocial, da atualização do calendário vacinal, da detecção precoce da hipertensão arterial sistêmica, da avaliação oftalmológica, auditiva, nutricional e da saúde bucal. Para os quatro anos do Programa estão previstas cinco milhões de consultas oftalmológicas e o fornecimento de 460 mil óculos para esta população, bem como 800 mil avaliações auditivas e o fornecimento de 33 mil próteses auditivas. A “promoção da saúde e prevenção” incorpora o segundo tema e se efetivará por meio de ações: de segurança alimentar e promoção da alimentação saudável, buscando a melhora nutricional dos escolares; promoção das práticas corporais e atividade física nas escolas, estimulando-os a fazê-los como uma escolha, uma atitude frente à vida; educação para a saúde sexual, saúde reprodutiva e prevenção das DST/AIDS, ações de prevenção de gravidez na adolescência chegarão a 87 mil escolas em 3,5 mil municípios; prevenção ao uso de álcool, tabaco e outras drogas; e, promoção da Cultura de Paz e das violências.

“Educação permanente e capacitação dos profissionais e de jovens” faz parte do terceiro componente e prevê a realização de educação permanente de Jovens para Promoção da Saúde e Educação permanente e capacitação de profissionais da educação nos temas da saúde e constituição das equipes de saúde que atuarão nos territórios do PSE. O projeto de Formação Permanente tem sido elaborado a partir de três eixos: gestão da formação, operacionalização e organização dos diferentes formatos de formação.

O quarto tema é o “monitoramento e avaliação da saúde dos estudantes” e tem duas ações. A primeira é a Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar (Pense), que é amostral e tem como foco os jovens estudantes de 13 a 15 anos, que aborda: o perfil socioeconômico, alimentação, atividade física, cigarro, álcool e outras drogas, situações em casa e na escola, saúde sexual, segurança, saúde bucal, e imagem corporal.

Comissão - As ações previstas no PSE serão acompanhadas por uma comissão intersetorial de educação e de saúde, formada por pais, professores e representantes da saúde, que poderão ser os integrantes da equipe de conselheiros locais.

Os municípios terão de manifestar interesse em aderir ao Programa. Uma portaria do Ministério da Saúde definirá os critérios e recursos financeiros pela adesão e orientará também a elaboração dos projetos pelos municípios.

Além do incentivo, o Ministério da Saúde ficará responsável pela publicação de almanaques para distribuição aos alunos das escolas atendidas pelo PSE. A tiragem da publicação poderá chegar a 300 mil exemplares este ano. O Ministério fará ainda cadernos de atenção básica para as 5.500 Equipes de Saúde da Família que atuarão nas escolas.

Fonte Ana Guimarães - Portal do MEC; Diário do Pará e Boletim Em questão

03/09/2008 - 17:13h Governo anuncia 44 mil novas vagas nas universidades federais

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Ao todo, instituições vão oferecer 227,6 mil vagas em 2009.
Ministro assinou portaria para contratação de mil professores.

Jeferson Ribeiro - G1, Globo

O governo anunciou nesta quarta-feira (3) que as universidades federais irão disponibilizar 44,2 mil novas vagas em 2009. Com isso, segundo o Ministério da Educação (MEC), haverá 227,6 mil vagas disponíveis para os vestibulandos no ano que vem.

Durante a cerimônia no Palácio do Planalto, que serviu para apresentar as novas vagas abertas pelo Programa de Apoio a Planos de Reestruturação e Expansão das Universidades Federais (Reuni), o governo comemorou também o aumento do acesso às instituições de ensino superior públicas.

Segundo o MEC, entre 2003 e 2009 o número de vagas nas universidades federais mais que dobrou. Eram 113 mil em 2003 e chegarão a 227,6 mil em 2009. Isso inclui vagas nos cursos presenciais e do ensino à distância.

O maior aumento da oferta de vagas ocorreu pela expansão dos cursos noturnos. Em 2006, eram 29.549 cursos que funcionavam à noite. No ano que vem serão 79.080, segundo o MEC.

Discurso elitista

Haddad disse que o aumento de vagas nas universidades públicas “não foi um debate simples” e reclamou das resistências de alguns setores das instituições. “O discurso elitista e conservador contra a expansão das universidades federais foi derrubado pelo governo”, salientou o ministro.

Lula também comentou, durante o discurso, as resistências conservadoras contra a ampliação da oferta de vagas nas instituições públicas. Segundo ele, o governo só pode investir mais em educação porque está construindo novas universidades e fazendo contratações de professores e funcionários para elas.

“Eu queria que alguém dissesse como é que a gente vai transformar esse país num país de alta competência educacional se a gente não contratar professor, se a gente não contratar técnico e não fizer universidade. Seria muito mais fácil pensar que o mercado vai resolver esse problema e não gastar dinheiro. Mas eu não acredito nisso”, salientou o presidente.

Contratações

A cerimônia serviu ainda para anunciar que o Ministério do Planejamento autorizou a contratação de 10.992 professores e 8.239 técnicos administrativos para as instituições federais. Eles devem ser contratados de forma escalonada. Inicialmente, o ministro da Educação, Fernando Haddad, assinou uma portaria e autorizou a contratação de 1.000 professores, 900 pessoas para cargos de direção e 2.400 funcionários para funções gratificadas.

02/09/2008 - 08:31h Marta expõe suas idéias em sabatina do grupo Estado

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Marta admite meta diferenciada de desempenho escolar na periferia

Durante sabatina promovida pelo Grupo Estado, candidata do PT à prefeitura prometeu dar autonomia para que as escolas do município estabeleçam seus objetivos e façam sua própria avaliação

Daniel Bramatti e Guilherme Scarance - O ESTADO DE SÃO PAULO

A candidata do PT à Prefeitura de São Paulo, Marta Suplicy, revelou que, se eleita, dará autonomia às escolas municipais, para que elas próprias definam as metas de desempenho dos alunos e apontem as carências de formação de seus professores. O anúncio foi feito ontem, durante sabatina promovida pelo Grupo Estado, no seu auditório. Hoje será a vez de o tucano Geraldo Alckmin responder às questões de jornalistas e do público. O evento será transmitido ao vivo pela TV Estadão, no portal www.estadao.com.br, das 11 às 13 horas.

link Assista à íntegra da sabatina com a candidata Marta Suplicy, do PT

Marta não quis se comprometer com a eliminação do déficit de creches na cidade. “Vou fazer o máximo que o dinheiro der”, disse a ex-prefeita, sem citar números.

A petista admitiu ter abandonado uma promessa que fez em 2004, quando era prefeita e concorreu à reeleição - a criação do chamado CEU Saúde, estrutura semelhante aos Centros Educacionais Unificados, mas voltada para o atendimento médico. Para Marta, a idéia era “perfeita”, mas “ficou como um factóide”. Segundo ela, a execução do projeto ficou inviabilizada porque a gestão de José Serra (PSDB) e Gilberto Kassab (DEM) na priorizou outro modelo, o das AMAs.

A seguir, os principais trechos da sabatina:

REGIÃO METROPOLITANA

“Temos a perfeita consciência de que isso aqui é o coração do Brasil e você não pode administrar essa região toda sem ter uma conversa entre os responsáveis por cada município. (…) O que sempre dificulta é quando você é o mais poderoso e quer mandar. Então, temos de fazer uma coisa muito equânime, conversada, muito bem dialogada. Agora tem uma coisa boa que eu notei. O PT está com muita possibilidade de ganhar em várias cidades importantes, as que têm mais peso. Isso facilita.”

META PARA CRECHES

“Acho que é bobagem. Quando cria essas metas, primeiro, são aleatórias. Pode dizer: vou zerar o déficit de creches na cidade. Seriam duas creches por dia. Então, eu nunca fui de prometer o que não posso fazer. As pessoas que acompanharam minha administração sabem o quanto fiz de creche - fiz mais creche que as gestões Maluf e Pitta juntas. Eu sou mulher, sei da importância da creche para a mulher e sei da importância do salário a mais da mãe. E sei, principalmente, como psicóloga, da importância para a criança de uma creche decente. Vou fazer o máximo que o dinheiro der.”

AUTONOMIA DAS ESCOLAS

“Vamos dar autonomia para as escolas e condições para que os professores trabalhem numa escola só. A escola faz a sua própria avaliação e cria a sua meta. E ela vai ser cobrada. Vai dizer qual é a sua carência em termos de formação. Vamos fazer isso nos primeiros meses de governo. A partir disso, vamos fazer centros de formação continuada, para que o professorado da nossa cidade possa ter acesso à continuação de sua formação.”

“Essa é a realidade (possibilidade de escolas da periferia terem metas inferiores às de bairros nobres). Provavelmente, uma escola de uma região mais periférica não tem o mesmo nível da região daqui. Nós vamos exatamente tentar transpor isso.”

ESCOLAS DE LATA

“Quem fez as escolas de lata foi o Kassab, porque ele foi secretário de Planejamento do Pitta. Ele ajudou a planejar as escolas de lata. Quando eu entrei já havia várias ações do Ministério Público para tirar as escolas de lata, porque haviam sido feitas em áreas de proteção ambiental. (…) Foi uma briga com o Ministério Público, que depois se convenceu que a questão social era preponderante e a escola poderia ser feita de alvenaria. Retiramos 13 ou 17 e deixamos todas as outras licitadas. Então ele (Kassab) fez a obrigação dele, já estava tudo licitado e ele acabou de retirar. E demorou muito, poderia ter feito mais rápido.”

INVESTIMENTO EM METRÔ

“Quem é responsável pelo metrô na cidade de São Paulo é o Estado. O Estado está há 14 anos nas mãos dos tucanos. Nesses 14 anos, eles tiveram 8 anos no governo federal e 4 anos na Prefeitura de São Paulo. Então, me parece um pouco estranho eu hoje ser responsável, como ex-prefeita, que peguei essa cidade falida, pela não-existência de metrô razoável na cidade.”

“Se o Kassab está pondo dinheiro agora - e não está pondo tudo que está dizendo, disse que vai pôr R$ 1 bi e já estamos em setembro e até agora pôs R$ 270 milhões; eu vou pôr R$ 480 milhões/ano, R$ 2 bi quase em quatro anos - por que não colocou antes? Por que deixou R$ 2 bilhões de superávit em 2003, 2004, e esse dinheiro não foi para o metrô? Eles não tiveram a percepção da crise de transportes. Enquanto todo o Brasil se preparou para o boom econômico, a Prefeitura de São Paulo não acreditou. Não investiu em transporte. Essa é a realidade.”

PROCESSO

“Nós tivemos as contas aprovadas pelo Tribunal de Contas e pela Câmara Municipal. Depois tivemos as contas aprovadas e arquivado processo, o Supremo arquivou, dizendo que eu tinha cumprido a Lei de Responsabilidade Fiscal, que tinha deixado a cidade em condição muito melhor do que recebi, que tinha deixado com R$ 91 milhões de superávit.”

RODÍZIO 24 HORAS/PEDÁGIO

“Pensei e descartei, porque isso realmente é sinônimo de incompetência. (…) Você vai tirando o direito do cidadão e, daqui a pouco, você não consegue sair de casa. Tem alternativas. Temos de ter uma clareza do que fazer.”

SOLUÇÕES PARA O TRÂNSITO

“Eu tenho três propostas para essa situação. De curto, médio e longo prazo, todas a ser feitas no primeiro dia. Curto prazo é investir direto na SPTrans e na CET. Isso é a primeira coisa e já tem respostas rápidas, além de fazer pequenas obras - às vezes tirando uma calçada, já agiliza. Em segundo lugar, médio prazo, é corredor de ônibus. Pode investir no primeiro dia, mas vai levar um ano e meio, dois. E depois o metrô, que uma cidade como São Paulo, uma metrópole desse porte tem de ter metrô.”

MINISTRA DE LULA

“Eu, como ministra do Turismo, tive essa percepção. Comecei a analisar o que o turismo tinha de organizar como responsabilidade. Mas também a questão da mobilidade urbana. Fiz um projeto para as principais capitais que vão ser escolhidas - São Paulo está entre elas - e levei para o presidente Lula e para a ministra Dilma. Colocando que, se não fosse feito esse investimento, não chegamos a 2014 com os 63 quilômetros de metrô que necessitamos e 279 quilômetros de corredores de ônibus que necessitamos em função da Copa de 2014. Na China deu para ver o que é uma organização. Lá é mais fácil do que aqui, certamente. Não tem problemas de impugnação de licitação.”

CORREDORES DE ÔNIBUS

“A fiscalização está muito ruim hoje. Vou dar um exemplo concreto: o corredor Vila Nova Cachoeirinha. Quando a gente implantou, fazia 23 quilômetros por hora, agora faz 9. O Rebouças, que estão dizendo ?olha como está ruim?, quando foi implantado, funcionou que era uma beleza. Por que não funciona agora? Primeiro, permitiram o ônibus intermunicipal - um desastre. Depois, metade dos radares no corredor está quebrada, não tem fiscalização. E aí os corredores que tinham fluxo estão parados. Agora, a culpa é do corredor? Não tem fiscalização, não tem gestão. E estão gritando que a culpa é minha, que deveria ter investido no metrô. É insano.”

CRISE NA SAÚDE

“Quando investe como foi investido no PAS, foi muito ruim. Oito anos que a cidade ficou sem os repasses do Estado e os repasses da União. Os hospitais foram todos privatizados e, uma coisa muito perversa, os contratos não tinham obrigatoriedade de investimento. (…) Tive de recuperar todos os hospitais, que estavam absolutamente depredados. Aí recebemos as unidades básicas do Estado, que também estavam sucateadas. (…) Na hora que PAS acabou, ficamos sem médico. Tivemos de contratar 23 mil profissionais para todas áreas da saúde. Então, foi uma reconstrução de um sistema dilapidado de saúde.”

CEU SAÚDE

“Eu teria feito (se reeleita). Não dá para fazer mais o que eu tinha pensado. Exatamente porque aprendi que a saúde é uma construção e a cidade de São Paulo está cansada de ser desconstruída. Eu teria feito o CEU Saúde. Ele teria exatamente tudo acoplado. Não dá (para retomar agora). Fizeram muitas AMAs. Foi uma pena, eu concordo com você. Ficou como um factóide, foi um erro ter posto o nome. Porque a idéia é perfeita, tanto é que em Diadema o prefeito inaugurou o Quarteirão de Saúde, com as mesmas pessoas que planejaram o CEU Saúde daqui e é o maior sucesso. (…) O Serra optou por AMA, não vou parar as AMAs. Tem de melhorar. ”

INVESTIMENTO EM SAÚDE

“Não tenho decidido quanto vai ser investido. Depois vocês vão cobrar. Não vou dar esse prazer a vocês. Quero fazer um compromisso. Depois de quatro anos, eu ter melhorado de forma considerável - que as pessoas possam ter uma diminuição muito grande no tempo de consulta e exame médico.”

METAS DO SAÚDE DA FAMÍLIA

“Não dava. Isso foi uma das divergências minhas com (o ex-secretário) Eduardo Jorge. A meta era 1.200. Eu ficava muito aflita - a gente tentou fazer muita coisa ao mesmo tempo, com muito pouco dinheiro. Aumentávamos o Programa de Saúde da Família com excelentes resultados. (…) Não dá para fazer tudo de uma única vez - isso é uma coisa que às vezes frustra.”

FHC X LULA

“Quando ganhei, eram os dois últimos anos de Fernando Henrique. Aquela história dos 10 milhões de desempregados, recessão grande no País, dívida externa gigantesca. São Paulo ficou a pão e água na gestão Fernando Henrique. E os dois primeiros anos do Lula, que foram muito difíceis também. Se hoje estamos vivendo esta bonança, é muito pelo que foi feito nos dois primeiros anos do governo. Hoje, a situação é completamente diferente - os aportes que o governo Lula está fazendo não só para o governo Serra, como também para o governo Kassab. A cidade só não tem mais, segundo os ministros com quem eu tenho conversado, porque a cidade de São Paulo não faz projetos em busca de recursos federais.”

“RELAXA E GOZA”

“Mau para eles (se usarem declaração no horário eleitoral). A população não gosta de baixaria, desse tipo de golpe baixo. Em relação a isso, já me desculpei com a população e a população quer discutir proposta. Quem vai à tela com uma coisa dessas, é que está se sentindo muito acuado, senão não apelaria para isso.”

PARCERIA COM LULA

“Acho que a relação é institucional (entre município e União). Mas vai além. Passa pelas propostas e pela ideologia. O que o Lula disse, com toda clareza? Nós temos projetos semelhantes, pensamos da mesma forma. Ele trabalha melhor comigo, não porque sou amiguinha dele. Ele trabalha melhor comigo porque construímos um partido juntos, com as mesmas propostas. Não vejo Kassab nem o Alckmin terem as mesmas preocupações que o presidente tem.”

SUPERÁVIT EM CAIXA

“A propaganda contra foi tão pesada, que o Serra fez naquele momento, que as pessoas ficam com isso na cabeça - que a cidade estava quebrada. Eu não entreguei a cidade quebrada. (…) Não era preciso ter feito o carnaval que ele fez.”

22/08/2008 - 12:43h Ideb de SP sobe só 0,1 com revisão

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Alvo de polêmica, índice da qualidade do ensino básico foi a 4,5 na capital; 2% das escolas no País tiveram mudança

Lisandra Paraguassú, O Estado de São Paulo

 

O Ministério da Educação divulgou ontem a revisão dos resultados do Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb). Cerca de 2% das escolas (1.188) mudaram de conceito. Entre os municípios, 59 dos 5.553 que participaram da avaliação alteraram sua posição - desses, 17 ficaram com Ideb mais baixo do que antes.

link Veja a lista completa das escolas e cidades que tiveram notas revistas

Na rede municipal de São Paulo, centro da maior polêmica na apresentação do Ideb deste ano, a mudança foi insignificante. O resultado subiu apenas 0,1 ponto, saindo de 4,4 para 4,5 - ainda abaixo da média 6, que o País tem como meta. Na rede estadual, a revisão trouxe uma melhora de 0,2 ponto, o que elevou o Ideb para 3,9.

O índice é formado pela conjunção de dados da Prova Brasil - avaliação feita com todos os alunos das escolas públicas de 4ª e 8ª séries do ensino fundamental - e resultados de evasão escolar e aprovação. O conceito vai de 1 a 10, sendo que 6 - nota que os países desenvolvidos, em conjunto, já alcançam em exames internacionais - é a meta do governo para 2022.

Os dados das escolas e municípios foram divulgados em junho e criaram confusão com a Prefeitura de São Paulo. Na ocasião, o secretário municipal de Educação, Alexandre Schneider, acusou o ministério de divulgar dados errados da cidade - apesar de sua secretaria ser a responsável por enviar ao governo federal os números usados para o cálculo do Ideb.

SOBE E DESCE

A crise levou à revisão, feita pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), de toda a tabela de pontuação, dos municípios e das escolas. As alterações terminaram por beneficiar outras cidades mais do que São Paulo.

A rede municipal de Itápolis (SP), por exemplo, com apenas uma escola de 4ª série com alunos participantes, subiu a nota de 5,2 para 8,2 e passou a ter um dos maiores Idebs do País. Já a rede de Marapoama (SP), que estava em 6,4 pontos (acima da meta do MEC), caiu para 5.

As cidades que ficaram com os piores índices na divulgação inicial continuam com o título. Ubatã (BA) tem o pior resultado para a 4ª série, com um Ideb de apenas 0,9 - a metade do resultado anterior, de 2005, que era de 1,8. Na 8ª série, Baraúna (RN) também manteve a posição, com seu Ideb de 1,5 ponto apenas, abaixo do 1,9 que havia obtido na avaliação anterior.

A escola com pior colocação na lista inicial do ministério, a escola de 4ª série Paranatinga Barata, de Belém (PA), que tinha um Ideb de 0,1, continua em uma situação ruim, mas não tanto quanto antes. Ficou, depois da revisão, com índice de 2,8.

Outra escola do Pará, no município de Santa Maria, apresentou a maior alteração na nota. A escola de ensino fundamental Nossa Senhora Auxiliadora passou de 0,4 para 4,6. Na 8ª série, a maior mudança foi em uma escola de São Paulo. A escola Professor João Frazolin Neto passou de 0,4 para 3,6.

MAIORES MUDANÇAS

Cidades com as maiores alterações para turmas de 4ª série:

Aurora do Pará (PA), na rede estadual; Guarujá (SP), na rede municipal; Mortugaba (BA), na rede municipal e em toda a rede pública; Artur Nogueira (SP), na rede municipal e em toda a rede pública; Itápolis (SP), na rede municipal

Cidades com as maiores alterações para turmas de 8ª série:

Bujaru (PA), na rede estadual e em toda a rede pública; Barcarena (PA), na rede estadual; Inhangapi (PA), na rede estadual e em toda a rede pública; Vigia, na rede estadual e em toda a rede pública

21/08/2008 - 18:41h Coluna: estudo afirma que técnica de Alexander é eficaz para tratar dor nas costas

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EFE - O Globo

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LONDRES - A dor nas costas crônica, que afeta milhões de pessoas em todo o mundo, pode ser controlada pela técnica de Alexander. O método de reeducação postural, criado no século XIX, é precursor de outras práticas modernas como o RPG. A conclusão do estudo das universidades Southampton e Bristol, na Inglaterra, com mais de 500 pacientes foi publicada na última edição da revista “British Medical Journal”.

A técnica foi desenvolvida pelo ator australiano Frederick Alexander para tentar tratar seu próprio ronco, problema atribuído à tensão a que estavam submetidos seus órgãos vocais e o sistema neuromuscular. A técnica de Alexander ajuda a alinhar a cabeça, o pescoço e os músculos dorsais. Os praticantes afirmam que, além de melhorar a dor, o método alivia a tensão e o estresse.

Os pacientes que participaram do estudo disseram sentir menos dores que no começo do tratamento e asseguravam que sua qualidade de vida havia melhorado e que poderiam fazer coisas que antes a dor não lhes permitia.

Os voluntários foram divididos em grupos. Alguns receberam massagens corporais, outros foram submetidos a sessões de Alexander e um terceiro grupo participou de um programa de caminhadas diárias de meia hora. Algumas pessoas associaram os tratamentos.

As massagens apenas aliviaram as dores durante os três primeiros meses, mas seus efeitos não perduraram. Apenas aqueles que seguiram a reeducação postural apresentaram uma melhora geral. Os pacientes que conjugaram exercício físico a seis sessões da técnica tiveram experimentaram quase o mesmo benefício do qual se beneficiaram aqueles que fizeram 12 sessões. Os pacientes que combinaram a técnica de Alexander com exercício físico diário melhoraram entre 40% e 45%, segundo o professor Paul Little, da faculdade de Medicina da Universidade de Southampton.

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Certo e errado
Cuidados simples com a postura ajudam a manter a saúde da coluna e previnem dores

Maria Vianna, especial para O Globo Online

RIO - Aquela dor nas costas não vai embora mesmo com descanso e remédios? O problema pode estar em como você cumpre suas tarefas no dia-a-dia. De acordo com estatísticas da Organização Mundial de Saúde (OMS), cerca de 80% dos adultos sentem dores na coluna, em especial na cervical e na lombar, pelo menos uma vez na vida. E está enganado quem pensa que os piores vilões são o computador e a cadeira do trabalho. Lavar pratos, passar a roupa, se vestir, usar salto alto, carregar sacolas pesadas e até ler deitado podem afetar a saúde das articulações. (Clique aqui para ver imagens de como preservar seu corpo nas tarefas do cotidiano).

- Nosso corpo é feito para lidar com o movimento. As dores costumam aparecer quando nos viciamos em certas posições ou gestos e alguns músculos deixam de ser usados. Quando a musculatura fica muito tempo sem ser solicitada ela acaba se atrofiando, e isso causa uma série de problemas - explica a terapeuta corporal Carla Folly.

Para o fisioterapeuta Francisco Miguel Pinto, coordenador da Escola de Postura Brasil, a modernidade e a vaidade são os principais inimigos da boa postura.

- Por causa da ansiedade e da falta de tempo, acabamos fazendo tudo rápido e sem dar a atenção adequada ao corpo. No caso das mulheres, a situação piora porque a elegância e a estética acabam falando mais alto que o conforto. Temos que lembrar que nosso corpo funciona como uma máquina, mas nossas ‘peças’ não são substituíveis - diz o especialista.
Pequenas mudanças fazem uma grande diferença

Se mudar a forma de fazer as coisas é praticamente impossível, alguns exercícios podem ajudar a deixar o corpo menos suscetível a dores.

- Recomendo a meus pacientes que façam um alongamento diário e que, no fim do dia, deitem por alguns minutos de costas para o chão. Isso ajuda a alongar a coluna e relaxa a musculatura do corpo. No caso das mulheres, que usam salto diariamente, indico uma massagem na sola do pé com bolinhas de frescobol. Cerca de 10 minutos pisando na bolinha já traz um alívio e ajuda a descomprimir as articulações dos dedos, do calcanhar e do tornozelo - ensina Carla.

Outra dica para sentir menos dor é observar como você costuma se movimentar e tentar agir de maneira diferente, mesmo que no começo a tarefa fique mais complicada.

- Se você passa o dia sentado, tente levantar de hora em hora. Se você é destro, use mais a mão esquerda para escovar os dentes, abrir torneiras e pentear o cabelo. E sempre tente manter os dois pés no chão. Apoiar o peso do corpo em apenas uma das pernas é um vício comum que acaba comprometendo as articulações do joelho, do quadril e da lombar - indica a terapeuta.
Evite se medicar por conta própria

Se a dor não melhorar após alguns dias, a solução é procurar um médico. Só o especialista pode indicar o melhor tratamento para o caso.

- Muitas vezes as pessoas passam a tomar analgésicos quase que diariamente sem a recomendação do médico. Isso acaba encobrindo um problema que pode se tornar mais sério se não for tratado no início. Não adianta ficar esperando a dor passar - alerta o fisioterapeuta.

21/08/2008 - 15:46h Escondido durante anos: loteamento tucano no Estado de SP

As declarações da ex-secretária de educação de Geraldo Alckmin são uma verdadeira confissão. Durante anos a educação estadual está, e continua estando, loteada para favorecer os políticos e compadres amigos em detrimento das necessidades de professores e alunos.

Se o fato vem a luz agora é como produto da crise do PSDB e da briga pela prefeitura entre serristas e alckministas. A crise acaba provocando fissuras na lei do silêncio da hipocrisia tucana e põe a nu, não só o sistema de favores aos correligionários e apanigüados, com cargos públicos; mas também a cumplicidade dos grandes veículos de comunicação que durante anos fecharam os olhos para essa realidade.

A verdadeira questão é saber qual é a relação entre o desastre educacional em São Paulo e esse aparelhamento da tucanagem e afins no sistema educativo? Qual é a relação entre o resultado do Saresp no ensino médio de São Paulo, -1,41 é a média obtida pelos alunos em uma escala de 0 a10- e a nomeação de apadrinhados do PSDB. (Nota roxa, de vergonha).

Tenho lembrado aqui no blog que existem quase 40.000 cargos de livre provimento no governo estadual e suas empresas, autarquias e afins, ou seja cargos preenchidos sem concurso público e dinheiro para fundações ligadas ao PSDB e aliados (29/02/2008 - 14:47h Sem lícitação, governo Alckmin pagou R$417 milhões para fundações só entre 2001 e 2004 (resposta a Clóvis Rossi)). Porque a mídia nunca se interessou em desvendar a natureza desses cargos e sua função de cabide de emprego e de apoio partidário? ou não foi atrás das fundações que recebem milhões do governo tucano e que são ligadas a seus políticos? Porque a questão da máquina pública estadual não foi nunca objeto de debate e discussão nos jornais de São Paulo? LF

Clique na imagem para ampliar e ler o jornal AGORA

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19/08/2008 - 08:58h Piso nacional dos professores esquenta debate

O jornal Valor publica duas cartas que debatem das conseqüências da decisão do governo Lula de implementar o Piso nacional dos professores. Coincidentemente, os jornais anunciam hoje o lançamento de uma campanha de “Todos pela educação”. O tema é de muita atualidade. As duas cartas publicadas no Valor são do representante do governo estadual de São Paulo em Brasília, Eduardo Graeff e de Amir Kahir, especialista em finanças públicas.

Leia também, sobre este debate, o artigo de Maria Cristina Fernandes, colunista do Valor

Marcação individual

e o artigo do deputado estadual, Rui Falcão (PT)

A má qualidade do ensino paulista pode contaminar o País

 

 

cartas-mail1.jpgPiso dos professores

“Amir Khair misturou sem cuidado juízos econômicos e especulações políticas em declarações registradas por Maria Cristina Fernandes, editora de Política do Valor, em sua coluna ‘Marcação individual’, de 15/08. Ele acha que a preocupação dos governadores com o impacto do piso salarial nacional dos professores ‘está em descompasso com o contribuinte’ porque no último semestre a arrecadação dos Estados cresceu mais que a do Tesouro Nacional. Da mesma forma, considera ‘alarmistas’ as manifestações contra a explosão dos gastos da União. No fundo de uma coisa e outra, conjetura, estariam preocupações com o cenário político de 2010. Quanto aos gastos da União, a despreocupação de Khair sugere que ele não é leitor assíduo do Valor, ou prefere ignorar os sinais de alarme que vários de seus colegas economistas têm registrado nas páginas deste jornal. Quanto aos gastos dos Estados, ele sabe que a oposição dos governadores não é ao piso em si. É aos gastos adicionais impostos pela nova lei com a redução das horas de aula e a incorporação de gratificações ao salário-base. São Paulo, por exemplo, já paga um piso 68% superior ao nacional. E aplicou em 2007 mais de 30% de sua receita líquida em educação, R$ 2,8 bilhões a mais do que prevê a Constituição. Se fosse mais cuidadoso com os números, Khair reconheceria o exagero dessa sobrecarga imposta indiscriminadamente a Estados que já contribuem no limite de sua capacidade para o financiamento da educação, enquanto lutam para equilibrar essa e outras prioridades. Se consultasse a Constituição, ele veria que as obrigações adicionais criadas pela nova lei são, além de exageradas, inconstitucionais, porque invadem competência legislativa dos Estados e Municípios. Já vimos esse filme. O cidadão-contribuinte leva a pior no final.”

Eduardo Graeff

Coordenador do Escritório do Governo do Estado de São Paulo em Brasília

Resposta de Amir Khair:

Eu não me referi especificamente a São Paulo. Creio que SP deve estar respeitando o piso, mas não quer é contratar mais professores. Vários Estados têm salários abaixo do piso e também não querem contratar mais professores. Gostaria de saber qual é o salário base em São Paulo. Talvez até esteja abaixo do piso. O que informei é que muitos governadores e prefeitos preferem evitar gastos em educação e saúde para fazer obras que rendem mais dividendos políticos. Há, sim, relações entre econômico e político.

Quanto aos gastos de Estados municípios e da União, é bom lembrar que o próprio Valor deu em manchete algo parecido como “Estados e Municípios disparam despesas”, e também matéria na qual mostra que as despesas da União no semestre cresceram abaixo do PIB, indicando que as contenções começam a aparecer, especialmente nas despesas de pessoal e da previdência social, que são as mais importantes, sem falar na ampliação do superávit primário de 0,5 pontos do PIB que a União pretende fazer em 2008 e na proposta orçamentária de 2009. Creio que o Coordenador do Escritório do governo do Estado de São Paulo em Brasília precisa se atualizar no acompanhamento das contas públicas. Quanto à alegada inconstitucionalidade, é bom lembrar que, por exemplo, a Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF) impôs limitações às despesas e endividamentos a Estados e municípios além de novas regras que afetam receitas e despesas, e o Supremo Tribunal Federal (STF) se manifestou favoravelmente à LRF. É prudente aguardar o STF.

O crescimento nominal do PIB é estimado em 12,80%. As despesas com custeio, que são todas menos juros e investimentos, crescem 8,11%; as de pessoal, 7,69%; e com a Previdência Social (benefícios), 9,61%. O que cresce são os investimentos, em 34,46%, o que mostra a melhora da qualidade do gasto da União.

17/08/2008 - 15:23h Educação: O boletim das cotas raciais

Cotistas da UnB têm rendimento melhor do que os demais alunos na área de Humanas, mas suas notas são piores em Exatas

 

Ana Beatriz Magno - Correio Braziliense

Fotos: Edilson Rodrigues/CB/D.A Press
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Felipe, da engenharia mecatrônica, tem dificuldades para acompanhar o terceiro semestre do curso

 

 

 

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Depois de reprovar no sistema universal, Lucas optou pelas cotas para passar em relações internacionais

 

 

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Laila Antunes, da enfermagem, não sente vergonha de ser uma cotista: “Minhas notas são boas”

 

 

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Lúcio, da engenharia mecânica, vincula o desempenho na UnB à qualidade da educação fundamental

 

 

 

Laila Ramos Antunes cumpre na pele a sina de seu nome. “Laila significa negra como a noite”, diz a moça de 21 anos, aluna do terceiro semestre de enfermagem na Universidade de Brasília. “Entrei pelas cotas e não tenho vergonha disso. Não tive o privilégio de estudar em colégios particulares caros nem venho para o câmpus de carrão”.

Ela vai e volta de ônibus, mora no Guará, usa óculos espelhados, tem cabelo de trançinhas rastafári e convive com uma vontade engasgada de estudar medicina. “Eu tentei três anos e não passei. Desisti, entrei na enfermagem e estou conseguindo entender as aulas com alguma tranqüilidade. Minhas notas são boas”, explica.

A dificuldade de Laila para entrar na UnB e sua facilidade em acompanhar o curso retratam o resultado de uma pesquisa inédita coordenada pelo professor Jacques Velloso, da Faculdade de Educação. Ele compara o desempenho acadêmico dos estudantes cotistas e não-cotistas desde 2004, quando o programa de cotas raciais foi criado, e mostra que a performance dos alunos varia de acordo com a faculdade escolhida.

As notas dos estudantes da área de Saúde, por exemplo, não têm cor. Cotistas e não-cotistas empatam. “São cursos muito disputados no vestibular. O nível de quem entra é muito alto independentemente das cotas e, por isso, durante a faculdade as notas são muito parecidas”, explica o educador Jacques Velloso. “Esse empate ocorre em um terço dos 62 departamentos da UnB”.

Os cotistas empatam com os não-cotistas na Saúde, ganham nas Humanidades e perdem nas Exatas. “Nas Exatas, o aluno precisa de base forte em matemática e física.Essa base ainda é fraca nas escolas públicas de onde vem a maioria de quem entra pelas cotas”, analisa a pedagoga Claudete Batista Cardoso, 27 anos. “Já nos cursos de Humanas, os alunos cotistas podem usar sua experiência social e cultural para obter um bom rendimento acadêmico”, completa Jacques Velloso.

Velloso orientou a dissertação de mestrado de Claudete defendida em maio passado sobre as chamadas políticas de ação afirmativa — aquelas que pretendem compensar séculos de exclusão social, com a concessão de alguns benefícios. Podem ser por raça, por renda familiar, por local de estudo.A UnB optou pelo programa de cotas raciais e há quatro anos garante 20% das vagas no vestibular para afrodescendentes.

Todos têm que comprovar suas raízes. As facilidades, no entanto, acabam no momento da matrícula. “No meu trabalho tentei mostrar que não basta criar o programa de cotas para a entrada na universidade”, analisa Claudete, integrante da equipe de pesquisa de Jacques Velloso. “Os dirigentes da UnB precisam dar mais atenção a esses estudantes depois que eles entram, justamente para ajudar os que têm as notas menores e sofrem pela falta de base no ensino fundamental.”

Felipe Guimarães de Oliveira, 20 anos, morador de Samambaia, sofre para acompanhar o terceiro semestre de engenharia mecatrônica — curso difícil de entrar e dificílimo de terminar: menos de 10% dos alunos conseguem atravessar os cinco anos de faculdade sem ser reprovado em alguma matéria pelo menos uma vez. Felipe bombou já no primeiro período. Foi reprovado em cálculo 1, o bicho-papão dos calouros de Exatas.

“Eu ralo muito. Sempre estudei em colégio público. Era bom aluno, mas já nas primeiras semanas de UnB percebi que eu estava muito distante dos meus colegas. Meus hábitos de estudos eram fracos, me faltava disciplina. Estou tentando me adaptar”, diz Felipe. “Meus pais não têm curso superior. Sou uma exceção aqui dentro. Não é só na cor. É em tudo”.

O rapaz viaja duas horas de ônibus para ir e voltar do câmpus, não fez cursinho nem tem laptop. “Isso tudo influencia. Acho que a universidade deveria ter um programa de reforço acadêmico para nós, cotistas. Às vezes, a reitoria manda umas cartinhas, mas é só isso”, lamenta.