03/07/2008 - 10:58h Presidente do PT-SP contesta reportagem da Folha

Carta publicada hoje no painel do leitor da Folha de São Paulo. Como o jornal não contestou a teor da carta de José Américo, deve ter concordado com ela.

Marta
“Em relação à reportagem “Marta erra dados e usa verba de Lula para obras do metrô” (Brasil, 1/7), Marta Suplicy não cometeu nenhum erro na apresentação de qualquer dado.
O leitor só percebe isso a partir da linha fina do texto, que também tem problemas: o assunto é tratado como sendo o programa de governo do PT. Ledo engano. A reportagem teve acesso ao anteprojeto para discussão na convenção municipal do PT do programa de governo. Não é o programa do PT, ainda. Em seu exercício editorial, a Folha imprimiu à ação do PT, de modo injustificável, o caráter de “má-fé”.
Empregou os verbos “subtrair”, ao se referir a citações de casos de dengue, ou “omitir”, à questão de reajustes de ônibus -algo injustificável porque a reportagem informa que houve erro na redação do documento sobre os casos de dengue, algo muito diferente da intenção de subtrair dados, e não houve omissão quanto a reajustes tarifários do transporte coletivo na gestão Marta.”
JOSÉ AMÉRICO DIAS , presidente do PT municipal (São Paulo, SP)

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01/07/2008 - 11:56h Em programa, Marta aposta em comparação

Petista contrapõe sua gestão à de Serra e Kassab

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Clarissa Oliveira - O Estado de São Paulo

A candidata do PT à Prefeitura de São Paulo, Marta Suplicy, se antecipou em relação aos adversários e divulgou a versão preliminar do seu programa de governo. O documento de 95 páginas, apresentado no fim de semana, na convenção do PT, deixa clara a intenção de Marta de comparar a sua gestão à do hoje governador José Serra (PSDB) e do atual prefeito Gilberto Kassab (DEM). No campo das propostas, o documento mostra que a petista já avançou em idéias para áreas como transporte e educação.

Para cada segmento abordado, o texto faz uma avaliação crítica da gestão Serra-Kassab, seguida de um resumo do que Marta fez quando esteve na prefeitura. “O balanço da gestão de Marta não deixa dúvidas quanto à necessidade de retomarmos os rumos de nossa complexa metrópole, cujas soluções superam em muito as expectativas de síndicos de jardins, no que se apequenaram os autopropalados eficientes gestores demo-tucanos”, diz o texto.

Na área educação, o programa tem como foco os Centros Educacionais Unificados (CEUs), que Marta criou. O texto fala em montar a “Rede CEU” - além de construir novos centros, o plano é integrar o ensino municipal de regiões centrais da cidade a atividades culturais e esportivas em museus, bibliotecas e clubes públicos. Marta quer ainda incluir nos CEUs a capacitação profissional de jovens.

O programa propõe, ainda, a criação do programa ProCriança, que daria acesso a creches particulares para menores carentes. A idéia é utilizar o mesmo modelo adotado pelo governo federal no ProUni, que oferece bolsas de estudos em universidades particulares.

No setor dos transportes, o programa fala em chegar a 300 quilômetros de corredores de ônibus até 2014 e liberar investimentos para o metrô. O texto prevê ainda a reestruturação da Companhia de Engenharia de Tráfego (CET) e da São Paulo Transportes (SPTrans).

PREPARATIVOS

O ex-governador Geraldo Alckmin (PSDB) e Kassab estão na fase de preparativos. O coordenador do programa tucano, Dalmo Nogueira, começou a montar grupos de trabalho e a extrair idéias de seminários temáticos. “A campanha só começa oficialmente na semana que vem”, afirma. Segundo ele, a elaboração do programa deverá envolver entre 1.000 e 1.500 pessoas.

O secretário de Trabalho do Estado, Guilherme Afif Domingos, que cuidará do programa de Kassab, diz que o prefeito está em situação diferenciada. “Somos governo. Não podemos chutar”, disse ele, destacando que planos de curto prazo estão em andamento. “Mas temos um slogan: os problemas de curto prazo de hoje são problemas de longo prazo de ontem, que nossos adversários não equacionaram.”

01/07/2008 - 10:43h Contrabando

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A Folha de São Paulo decidiu entrar na campanha municipal e o faz da pior maneira possivel: deturpando.

O “gancho” para tentar questionar o programa do PT de São Paulo para as eleições municipais são alguns erros, daqueles que a própria Folha costuma resolver no “erramos” da página 3. Por exemplo, por um erro de redação o documento menciona 10 casos de dengue na cidade, durante a administração Marta Suplicy, o correto, segundo a Folha é 10 casos de dengue no último ano da administração Marta na cidade. No total, durante os quatro anos foram mais de 1.500 casos com um pico em 2003. Mesmo assim, foram menos da metade dos casos de dengue ocorridos durante a administração Serra-Kassab.

De contrabando a Folha procura desconsiderar o plano elaborado para o transporte público na cidade. O faz com uma curiosa acusação: o plano conta com verbas do governo Lula ainda não aprovadas. Poderíamos acrescentar que o plano de transporte para a cidade conta inclusive com verbas do governo estadual e municipal, que ainda não foram aprovadas.

Mais ainda, todo plano de transporte de certo porte na cidade de São Paulo exige o concurso do governo federal. Hoje é com verba federal que o Rodoanel é construído, tem verba federal e de monta, no ex-fura-fila e tem verba federal nas obras do metrô. Segundo a Ministra Dilma Roussef são quase R$ 6 bilhões do governo federal investidos pelo PAC em São Paulo.

A vantagem do plano apresentado por Marta é que ele já está em estudo no governo federal e pode começar rapidamente a ser implementado.

Não se trata só de um plano de expansão dos corredores, retomando o já realizado na administração de Marta entre 2001 e 2004 e que foi quase completamente parado durante a gestão Serra-Kassab. Se trata de uma verdadeira atitude: adequar à meta da Copa em 2014 o sistema de transporte na cidade e na região metropolitana. Um verdadeiro canteiro de obras e ação conjunta municipal, estadual e federal para dobrar os km de metrô, fazer o trem bala para Campinas e Rio, interligar com o aeroporto de Guarulhos e Viracopos, investir pesado na rede de corredores, na CET, nos terminais e no Bilhete-Único. Tudo com dinheiro federal sim e estadual e municipal também. Essa colaboração essencial, que com Lula nunca faltou para a cidade mesmo administrada por adversários, seguramente não faltará com Marta na prefeitura.

Por último uma constatação curiosa: a manchete do artigo da Folha abusa de licencia “poética”: onde o documento do PT erra dados, a manchete diz “Marta erra dados”. Onde o documento lista a futura participação do governo federal nas propostas, a manchete diz (Marta) “usa verba de Lula para obras do metrô”. Calma, Marta ainda não ganhou, só depois é que usará as verbas de Lula para obras do metrô.

A isenção da Folha a obrigará a um tratamento curioso com o candidato de Serra, cada vez que ele dizer que fez um hospital, ou corredor, ou qualquer das diversas ações que contaram com verba estadual ou federal, a Folha dirá: Kassab reivindica obra que não é dele. Kassab “usou verbas de Lula”. Para não ser acusado de esquecer o candidato tucano, vou sugerir para a Folha uma em relação a Alckmin: apesar de contar com verba de Lula, metrô e Rodoanel andaram a passo de tartaruga.

O debate eleitoral promete. Com a Folha afiada do jeito que está não vai sobrar para ninguém. Kassab deve estar tremendo.

Luis Favre