A Folha de São Paulo decidiu entrar na campanha municipal e o faz da pior maneira possivel: deturpando.
O “gancho” para tentar questionar o programa do PT de São Paulo para as eleições municipais são alguns erros, daqueles que a própria Folha costuma resolver no “erramos” da página 3. Por exemplo, por um erro de redação o documento menciona 10 casos de dengue na cidade, durante a administração Marta Suplicy, o correto, segundo a Folha é 10 casos de dengue no último ano da administração Marta na cidade. No total, durante os quatro anos foram mais de 1.500 casos com um pico em 2003. Mesmo assim, foram menos da metade dos casos de dengue ocorridos durante a administração Serra-Kassab.
De contrabando a Folha procura desconsiderar o plano elaborado para o transporte público na cidade. O faz com uma curiosa acusação: o plano conta com verbas do governo Lula ainda não aprovadas. Poderíamos acrescentar que o plano de transporte para a cidade conta inclusive com verbas do governo estadual e municipal, que ainda não foram aprovadas.
Mais ainda, todo plano de transporte de certo porte na cidade de São Paulo exige o concurso do governo federal. Hoje é com verba federal que o Rodoanel é construído, tem verba federal e de monta, no ex-fura-fila e tem verba federal nas obras do metrô. Segundo a Ministra Dilma Roussef são quase R$ 6 bilhões do governo federal investidos pelo PAC em São Paulo.
A vantagem do plano apresentado por Marta é que ele já está em estudo no governo federal e pode começar rapidamente a ser implementado.
Não se trata só de um plano de expansão dos corredores, retomando o já realizado na administração de Marta entre 2001 e 2004 e que foi quase completamente parado durante a gestão Serra-Kassab. Se trata de uma verdadeira atitude: adequar à meta da Copa em 2014 o sistema de transporte na cidade e na região metropolitana. Um verdadeiro canteiro de obras e ação conjunta municipal, estadual e federal para dobrar os km de metrô, fazer o trem bala para Campinas e Rio, interligar com o aeroporto de Guarulhos e Viracopos, investir pesado na rede de corredores, na CET, nos terminais e no Bilhete-Único. Tudo com dinheiro federal sim e estadual e municipal também. Essa colaboração essencial, que com Lula nunca faltou para a cidade mesmo administrada por adversários, seguramente não faltará com Marta na prefeitura.
Por último uma constatação curiosa: a manchete do artigo da Folha abusa de licencia “poética”: onde o documento do PT erra dados, a manchete diz “Marta erra dados”. Onde o documento lista a futura participação do governo federal nas propostas, a manchete diz (Marta) “usa verba de Lula para obras do metrô”. Calma, Marta ainda não ganhou, só depois é que usará as verbas de Lula para obras do metrô.
A isenção da Folha a obrigará a um tratamento curioso com o candidato de Serra, cada vez que ele dizer que fez um hospital, ou corredor, ou qualquer das diversas ações que contaram com verba estadual ou federal, a Folha dirá: Kassab reivindica obra que não é dele. Kassab “usou verbas de Lula”. Para não ser acusado de esquecer o candidato tucano, vou sugerir para a Folha uma em relação a Alckmin: apesar de contar com verba de Lula, metrô e Rodoanel andaram a passo de tartaruga.
O debate eleitoral promete. Com a Folha afiada do jeito que está não vai sobrar para ninguém. Kassab deve estar tremendo.
Luis Favre