14/10/2009 - 10:42h A cara, do Cara

Dilma, a cara do Lula
A oposição não tem proposta, não tem programa e está sem rumo. Setores da mídia estão apavorados por não encontrar na oposição defensores aguerridos de combate ao governo Lula.
O melhor resumo do desamparo que expressa, entre outros, a coluna de Celso Ming no Estadão de hoje (ver a seguir) foi dado ontem, na entrevista do marketeiro tucano Gonzáles. Respondendo a pergunta do VALOR: “O senhor aposta numa campanha pela biografia, mas não acha que o governo vai se pautar por temas como Bolsa Família, crédito popular, valorização do salário mínimo?” A resposta do publicitário tucano foi “Mas para cuidar disso aí você prefere esse cara aqui ou essa mulher [Dilma] que ninguém conhece?”. Ou seja, Serra seria o igual do Lula.
Acontece que o estelionato eleitoral consistente em pretender ser uma coisa durante a campanha eleitoral e depois executar outra, a exemplo do realizado na Prefeitura de São Paulo pela dupla Serra-Kassab, encontra cada vez mais dificuldades. Uma delas é que emperra a implementação plena da política conservadora e privatizante defendida por setores importantes da mídia e do empresariado, porque o “estelionatário” tem que manobrar para apagar as promessas eleitorais e dar livre curso ao seu “programa”, para não chocar violentamente os eleitores.
No fundo, o que certos jornais reclamam é que não exista uma força assumidamente de direita, o que se compreende pois nem José Serra, nem os demo-tucanos, têm vocação para o ostracismo.
Em um certo sentido a grande vitória de Lula é essa: para se eleger, a oposição tem que pretender que sua cara é a do “sapo barbudo”.
Caberá aos partidos da base do governo mostrar a cara do conquistado pelo povo nos 8 anos extraordinários que o Brasil vive, ou seja a cara, do cara, para tirar a mascara do travestimento demo-tucano e mostrar o verdadeiro rosto do conservadorismo reacionário. LF

Procura-se a oposição
CELSO MING – O Estado SP
Está difícil de encontrar a oposição no Brasil.
Isso não acontece apenas porque a política econômica colocada em prática pelo governo Lula pouco mudou em relação à do governo anterior. A oposição está sumida porque não consegue ter alguma opinião consistente sobre o que é realmente relevante na economia e também na política.
Tome-se um dos temas mais importantes para o futuro do País, que é o marco regulatório do pré-sal. O governo levou mais de um ano para definir um modelo e encaminhou ao Congresso alguns projetos de lei que, para o bem e para o mal, mudam muita coisa.
Durante esse meio tempo, a oposição não se preparou, não discutiu, não formou opinião. E agora se comporta passivamente diante das propostas. Não foi até aqui capaz de propor nada de substancialmente novo e parece conformada com o sistema de partilha, com a criação de uma nova estatal para administrar a renda proveniente do pré-sal e com o papel que será confiado à Petrobrás no desenvolvimento e na exploração dos novos campos.
Entre as 258 emendas aos projetos do governo encaminhadas pelos parlamentares, nenhuma questiona de maneira relevante nem melhora efetivamente o que está proposto. As poucas críticas que pipocaram na imprensa pareceram irrelevantes e vêm sendo facilmente rebatidas pela Petrobrás ou pelas autoridades da área no governo.
Em outra matéria importante, a da reforma política, a oposição vinha balbuciando propostas a respeito da adoção do sistema de financiamento público de campanha, do voto distrital e do novo tratamento a ser dado à questão da fidelidade partidária. Mas discussões sobre o tema morrem nas vacilações e na pouca convicção de que é preciso mudar o sistema em vigor.
Outro assunto de grande relevância é a questão ambiental, que será objeto da 15ª Conferência do Clima das Nações Unidas (COP 15), a ser realizada dentro de dois meses em Copenhague, na Dinamarca.
Embora também vacile nesses temas e pouco tenha a propor, o governo até que vem buscando algumas posições a serem defendidas na Conferência. Mas a oposição está completamente parada; parece incapaz de sugerir e incapaz de confrontar eventuais fragilidades da posição do governo.
Lá de vez em quando alguém do PSDB ou do DEM faz um pronunciamento contra o processo de aparelhamento do Estado pelo PT e por outros partidos da base do governo. Mas não se vê nenhum plano de ação, nenhuma consistência de proposta para acabar com a apropriação do patrimônio público.
E não é coisa diferente disso que se pode dizer a respeito dos demais projetos de reforma: Reforma da Previdência, Reforma Tributária, Reforma Trabalhista. Todas essas iniciativas de outrora dormem em alguma gaveta de Brasília.
Paradoxalmente, a oposição parece hoje em melhores condições de eleger o futuro Presidente da República. No entanto, não se tem a menor ideia das bandeiras que submeterá ao crivo do eleitor. Isso acontece provavelmente porque ela não tem bandeiras diferentes das de tudo o que está aí. E não as tem não porque elas não existam, mas porque seus líderes não pensaram, não discutiram, não formaram posição sobre nada de importante.






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