10/08/2008 - 10:51h Virar à esquerda para crescer

*JOSEPH E. STIGLITZ - O Globo

A imagem “http://www.themorningsidepost.com/images/2007/09/27/stiglitz.jpg” contém erros e não pode ser exibida.Tanto a esquerda como a direita dizem defender o crescimento econômico. Então, para os eleitores, trata-se apenas de escolher entre equipes gerenciais alternativas? Quem dera fosse tão fácil. Parte do problema se refere ao papel da sorte. A economia americana, nos anos 90, foi abençoada por baixos preços da energia, alta taxa de inovação e uma China a oferecer cada vez mais produtos de boa qualidade a preços decrescentes, tudo combinando para resultar em inflação baixa e rápido crescimento.

O presidente Clinton e o então presidente do Fed (banco central), Alan Greenspan, merecem pouco crédito por isso — embora, a bem da verdade, tenham evitado políticas que pusessem tudo a perder. Em contraste, os problemas que enfrentamos hoje — altos preços de energia e alimentos e um sistema financeiro a desmoronar — foram, em grande parte, causados por políticas erradas.

Há grandes diferenças entre estratégias de crescimento, o que torna altamente prováveis resultados também diferentes. A primeira se refere à forma em que o crescimento é concebido.

Ele não é apenas a ampliação do Produto Interno Bruto. Precisa ser sustentável: crescimento com degradação ambiental, com consumo baseado em endividamento ou exploração de recursos naturais escassos, sem reinvestimento dos rendimentos, não é sustentável.

O crescimento deve ser inclusivo; pelo menos a maioria dos cidadãos deve ser beneficiada. Truques econômicos não funcionam: um aumento do PIB pode até piorar a situação da maioria dos cidadãos. O crescimento recente dos EUA não foi nem economicamente sustentável nem inclusivo. A maioria dos americanos está pior hoje do que há sete anos.

Mas não há um compromisso entre desigualdade e crescimento.

Os governos podem estimular o crescimento via aumento da inclusão.

O maior recurso de um país é seu povo.

É essencial assegurar que todos possam desenvolver seu potencial, o que requer oportunidades educacionais para todos.

Uma economia moderna requer também assumir riscos.

As pessoas ficam mais propensas a assumir riscos se houver uma boa rede de proteção. Se não houver, elas podem pedir proteção contra a competição estrangeira. Proteção social é mais eficiente que protecionismo.

Fracasso na promoção da solidariedade social pode ter outros custos, entre os quais os necessários para proteger a propriedade privada e manter encarcerados os criminosos.

Estima-se que, dentro de poucos anos, os EUA terão mais gente trabalhando em segurança do que em educação.

Um ano na prisão pode custar mais do que um ano em Harvard. O custo de manter encarcerados 2 milhões de americanos — uma das maiores taxas do mundo — deve ser subtraído do PIB, ao invés de adicionado.

Uma segunda grande diferença entre esquerda e direita diz respeito ao papel do Estado no desenvolvimento.

A esquerda entende ser vital que o Estado proveja infra-estrutura e educação, desenvolva tecnologia e até mesmo atue como empreendedor.

O governo assentou as bases da internet e da moderna revolução da biotecnologia. No século XIX, a pesquisa em universidades que recebiam apoio governamental possibilitou a revolução na agricultura.

O governo levou os avanços a milhões de fazendeiros americanos. Empréstimos para pequenos negócios foram cruciais na criação de novos negócios e também de novas indústrias.

A diferença final pode parecer estranha: a esquerda agora entende o mercado e o papel que ele pode e deve ter na economia. A direita, especialmente nos EUA, não. A nova direita, tipificada pela administração Bush-Cheney, é realmente o velho corporativismo em disfarce novo. Ela acredita num Estado forte, com poderes executivos robustos, usados em defesa de interesses estabelecidos e com pouca atenção aos princípios do mercado. A lista de exemplos é longa e inclui subsídios para grandes fazendeiros, tarifas para proteger a indústria siderúrgica e, mais recentemente, megaoperações de salvamento de Bear Sterns, Fannie Mae e Freddie Mac. Mas a inconsistência entre retórica e realidade vem de longe: o protecionismo cresceu nos anos Reagan, inclusive com a imposição da chamada restrição voluntária das exportações de carros japoneses.

Em contraste, a nova esquerda está tentando fazer o mercado funcionar.

Mercados livres não funcionam adequadamente por si mesmos — uma conclusão corroborada pela atual debacle financeira. Defensores do mercado algumas vezes admitem que eles falham, até desastrosamente, mas alegam que têm a propriedade de se autocorrigirem. Durante a Grande Depressão, argumentos similares foram ouvidos: o governo não tem de fazer coisa alguma porque o mercado restabeleceria o pleno emprego a longo prazo. Mas, como John Maynard Keynes disse, a longo prazo todos estaremos mortos.

O mercado não é autocorretivo num período de tempo relevante. Nenhum governo pode ficar sentado assistindo a um país cair na recessão ou na depressão, mesmo quando causadas por excesso de gula de banqueiros ou por avaliação equivocada do risco pelo mercado financeiro ou por agências de classificação. Mas, se são os governos que vão pagar a conta da economia no hospital, devem fazer de tudo para tornar menos provável a internação.

O mantra da direita sobre desregulamentação dos mercados estava errado, e agora pagamos o preço.

Que, em termos de perda de produção, será alto — talvez mais de US$ 1,5 trilhão apenas nos EUA.

A direita costuma alegar seu parentesco com Adam Smith, mas enquanto Smith reconhecia o poder do mercado, reconhecia também suas limitações.

Mesmo em sua época, empresários descobriram que podiam elevar mais facilmente os lucros conspirando para aumentar preços do que produzindo de forma mais eficiente mercadorias inovativas. Poderosas leis antitruste são necessárias.

É fácil dar uma festa. Por uns momentos, todo mundo pode sentir-se bem. Já promover o crescimento sustentável é muito mais difícil. Hoje, em contraste com a direita, a esquerda tem uma agenda coerente — que não oferece só mais crescimento, mas também justiça social. Para os eleitores, deveria ser uma fácil escolha.

*JOSEPH E. STIGLITZ é economista e foi Prêmio Nobel de Economia em 2001

25/07/2008 - 16:45h Krugman defende ação do BC no Brasil

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O economista
Paul Krugman,
que vê Brasil
líder dos emergentes

FOLHA SP - DA REPORTAGEM LOCAL

FOTO Moacyr Lopes Jr -

23.jul.08/Folha Imagem


DENYSE GODOY - FOLHA SP

Não, não vai ser a China. O papel de grande líder das nações emergentes caberá ao Brasil, na avaliação do economista americano Paul Krugman, 55, embora a economia brasileira esteja crescendo menos do que poderia, segundo ele. As deficiências do Brasil, porém, impedem um crescimento maior sem inflação agora. “Não se pode ter uma política que leve o crescimento a um ritmo superior ao seu potencial”, disse. Por isso o economista apóia a elevação dos juros pelo BC.

A seguir, trechos da entrevista que concedeu ontem à Folha, por telefone, do Rio. Ele esteve no Brasil por dois dias participando de seminários.

FOLHA - Qual é a sua análise da atuação dos bancos centrais dos emergentes, como o brasileiro, que acaba de elevar os juros?

PAUL KRUGMAN - Eu diria que faz sentido, mas não posso julgar se o tamanho e o ritmo do aumento de juros estão certos.
Nos países avançados, o problema é a deflação e uma ameaça de colapso no mercado financeiro. Na maior parte do mundo emergente, as pressões são inflacionárias.

FOLHA - Aumentar os juros é a melhor alternativa no caso de uma inflação causada primeiramente pela alta dos preços das commodities?

KRUGMAN - A minha avaliação é de que, nos EUA, não é desejável usar a política monetária para lutar contra a inflação de commodities. No Brasil, muito do que está acontecendo é explicado pelos alimentos, mas não tudo. Olhando para os EUA, temos um mercado de trabalho muito fraco. No Brasil, é o contrário.

FOLHA - É possível combater a inflação sem desistir totalmente de crescer?

KRUGMAN - Sim. Entretanto, se os indicadores dizem que o país está crescendo acima do potencial, é preciso fazer alguma coisa para segurar a inflação. Não tenho provas convincentes de que o Brasil possui uma taxa de crescimento potencial de mais de 5% [ao ano]. Não se pode ter uma política que leve o crescimento a um ritmo superior ao seu potencial.

FOLHA - Como vê o novo cenário mundial, em que EUA e Europa continuam sendo as economias mais importantes, porém surgem novos grandes atores, como China e Índia?

KRUGMAN - Ninguém sabe realmente como esse novo mundo vai se desenvolver, se será preciso um poder hegemônico ou não. Esperamos que não, porque não temos um.

FOLHA - E qual é o papel do Brasil nesse mundo?

KRUGMAN - O Brasil está em uma posição bastante interessante porque é o maior país em desenvolvimento que não é a China nem a Índia. A China e a Índia têm as suas especificidades, e é difícil colocar qualquer uma delas no papel de líder para os outros emergentes, porque, de certa forma, elas são grandes demais para fazer parte de alianças. Então, é o Brasil que está rumando para a função de líder dos emergentes.

FOLHA - Nas comparações com o crescimento da Índia e da China, o Brasil fica em desvantagem. O senhor está dizendo, então, que essa comparação não é justa?

KRUGMAN - Apesar de tudo, o Brasil é um país muito mais rico. Não é razoável esperar que o Brasil cresça tão rápido como a China. A China partiu de uma pobreza tão grande que um mínimo de modernidade é um avanço notável. Comparar com o crescimento da China é injusto, mas o Brasil está crescendo menos do que poderia.

FOLHA - A que se deve isso?

KRUGMAN - As explicações usuais dizem respeito à educação, que não é boa como deveria ser. Nos países asiáticos de elevado crescimento, a educação é surpreendentemente melhor do que se esperaria, mesmo o país tendo muita pobreza. Se esse é o motivo? Não sei.

FOLHA - Os EUA já se encontram mergulhados em uma recessão?

KRUGMAN - A definição oficial de recessão nos EUA é dada por um comitê. Não temos uma definição formal, então fica difícil. Independentemente da palavra, a situação que temos claramente nos últimos seis meses é a economia crescendo, mas devagar demais. A questão é se o comitê vai decidir chamar isso de recessão, porque a maior parte de nós sente como uma recessão, com certeza.

FOLHA - O presidente George W. Bush e o presidente do Fed (banco central americano), Ben Bernanke, poderiam ter feito alguma coisa diferente para evitar que a situação chegasse ao ponto em que está?

KRUGMAN - O melhor teria sido tomar uma posição [quanto às operações com hipotecas de alto risco] entre o final de 2004 e o começo de 2005. Se o Fed tivesse começado a cortar os juros no começo de 2007, talvez pudesse ter evitado isso tudo. A redução da taxa só veio em agosto de 2007, pois antes não estava óbvio para todo mundo que havia um problema. No entanto, acho que Bernanke tem o crédito de estar agindo com a agressividade que um banco central nunca teve.

FOLHA - Quais são os principais desafios para o próximo presidente?

KRUGMAN - Ele vai ter que mostrar trabalho imediatamente. Em um ano os resultados precisam aparecer, senão terá que assumir a recessão como sua.
Ademais, será necessário fazer a reforma do sistema de saúde.

FOLHA - Em termos de projetos, dá para saber para qual direção Barack Obama e John McCain (candidatos à Presidência dos EUA) estão caminhando?

KRUGMAN - McCain quer fazer o que Bush fez, só que melhor, e isso é o máximo que é possível dizer. Sobre Obama, não sabemos ainda. Ele claramente é um democrata liberal, mas não sabemos se é um reformador modesto ou se é alguém que vai realizar grandes mudanças.

FOLHA - Alguma esperança em relação a ele?

KRUGMAN - Eu tenho esperança. Se bem que, falando de Obama, não se pode usar a palavra “esperança” [risos]. Sempre que uso o termo “esperança” na minha coluna. recebo dezenas de cartas perguntando se estou tirando sarro de Obama [o candidato utiliza a palavra nos seus slogans]. Estou preocupado, acho que ele tem uma tendência de ser cauteloso demais, de correr para o que as pessoas chamam de centro. Espero que se mostre mais determinado.

FOLHA - Para os que reclamam do protecionismo dos EUA, quem, entre Obama e Mccain, seria mais liberal em termos de comércio?

KRUGMAN - Nenhum dos dois.
Não vamos ter novamente um grande apoio dos EUA à globalização. Mas provavelmente também não teremos um período de grande protecionismo.
É provável que McCain seja mais protecionista. Para Obama, se existem acordos [multilaterais], os EUA devem obedecer a eles, enquanto McCain pode dizer que os tratados existem mas o país mudou de idéia.

FOLHA - Algum dos dois poderia ser mais simpático ao álcool de cana-de-açúcar, considerando que o biocombustível de milho não parece ser uma boa idéia e o preço do petróleo está nas alturas?

KRUGMAN - Os 5% da população dos EUA a quem interessa que o país mantenha essas medidas malucas [de incentivo ao álcool de milho] são os que têm poder de decisão política. A resposta é não, nada vai acontecer.

15/06/2008 - 22:03h 2008, o ano em que tudo mudou

A política macroeconômica tem o desafio de sustentar as oportunidades

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ANTÔNIO PALOCCI - O GLOBO

O ano em curso deve ficar na História. São tão grandes os desafios, as surpresas e as oportunidades que já é quase impossível termos um ano “normal”. A economia mais importante do planeta tenta lidar com seus enormes desarranjos acumulados, que tem levado o dólar a se enfraquecer frente às principais moedas do mundo. Nesses mesmos Estados Unidos — e talvez por causa da própria economia — ocorre o furacão Obama, com o slogan, quem diria, “CHANGE”. Se ele ganhar, é bem capaz de alguém sair com uma frase meio conhecida entre nós: A Esperança Venceu o Medo.O petróleo ultrapassa 130 dólares.Achávamos caro aos 50 ou 60.Achávamos caríssimo aos 100. Agora, já achamos melhor não achar nada e tratar de encontrar alternativas.O etanol poderia ajudar muito, mas os americanos resolveram produzilo com seu milho, o que ajudou a encarecer as commodities agrícolas, gerando uma grita geral contra ele. O Brasil tenta explicar que o nosso etanol é de cana-de-açúcar e não pressiona preços agrícolas, dada sua alta produtividade energética, fruto de mais de três décadas de avanço sem tecnologia agrícola e industrial.Mas aí surgem novos ataques, sempre partindo dos países mais ricos e mais protecionistas, muitas vezes puxados também por petroleiras dos mais diversos matizes.Responder aos grandes desafios postos na atualidade com mais protecionismo comercial é o pior dos caminhos. Fechar mercados, principalmente agrícolas, é condenar as nações pobres ao mais absoluto isolamento.Os grandes países emergentes até agora vão salvando a lavoura, mostrando o poder da industrialização e do progresso tecnológico, inclusive no campo. Há uma grande mobilidade de forças produtivas em curso. O PIB dos países emergentes, em termos de paridade de poder de compra, já é igual ao do chamado mundo desenvolvido e a renda disponível dos asiáticos continua a crescer.Como milhões de famílias subitamente passaram a consumir mais, os preços dominam a cena; é aquilo que os economistas chamam de choque de oferta. Há inflação pipocando no mundo todo. Os bancos centrais, que durante anos surfaram na desinflação produzida pela indústria barata na China, agora correm atrás do prejuízo.Afinal, se a inflação está em todo lugar, todos terão de combatê-la.A curto prazo tudo indica que este será o maior dos desafios.No Brasil, a alta do petróleo veio junto com a revelação dos campos do pré-sal, que representam reservas de bilhões de barris de petróleo e gás. Somada ao etanol e às hidrelétricas, a descoberta faz com que o Brasil comece a ser visto como potência energética em ascensão. O que já estimula um amplo e saudável debate sobre o que deve ser feito com todo este potencial petrolífero: gastar no presente ou investir no futuro das novas gerações? (vamos ter que reler “O Valor do Amanhã”, o belo livro do Eduardo Giannetti da Fonseca).Neste ano turbulento, o país também cresce nos minérios e na siderurgia; lidera os mercados mundiais de cítricos, carnes vermelhas e brancas, café, açúcar e soja. Principalmente, em uma economia saudável e livre, o Brasil vai reafirmando a diversidade da sua base produtiva, ganhando força nos mercados da moda, marcas, desenho, aeronáutica, software, petroquímica e mesmo no da mecânica, ajudado por uma política industrial responsável, com ênfase na inovação. As oportunidades são muitas e a política macroeconômica tem o desafio de sustentá-las, sem deixar a euforia criar armadilhas para mais adiante.Se cuidarmos bem das nossas coisas e da nossa gente, é provável que 2008 seja visto, daqui a quarenta anos, como o ano em que, em meio a grandes mudanças ao redor do mundo, o Brasil mostrou que uma sociedade aberta, inclusiva e diversificada como a nossa pode crescer e aproveitar as oportunidades com democracia e competência. Seria o melhor presente que daríamos às novas gerações.ANTÔNIO PALOCCI é deputado federal (PT-SP) e foi ministro da Fazenda

10/05/2008 - 19:49h La croisade du Brésil pour l’éthanol, par Jean-Pierre Langellier

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Le Monde

Le Brésil est parti en croisade. Avec, en première ligne, son président, Luiz Inacio Lula da Silva. Et, flottant au vent, la bannière fièrement levée d’une nouvelle grande cause nationale : l’éthanol. Chaque jour ou presque, Lula monte au front. Il défend avec ardeur son biocarburant favori, dont la production, en hausse spectaculaire, représente depuis trente ans un axe majeur de la politique énergétique du Brésil.

lula3.jpgCette croisade est d’abord une contre-attaque. La crise alimentaire a poussé le Brésil, second producteur mondial d’éthanol (à base de canne à sucre), vers le banc des accusés, au côté des Etats-Unis, premier producteur d’agrocarburant (à base de maïs). La fabrication d’éthanol, affirment ses contempteurs, entraîne une réduction des surfaces allouées aux cultures vivrières et contribue ainsi, au moins partiellement, à la hausse des produits agricoles.

Dominique Strauss-Kahn, directeur général du FMI, estime que les biocombustibles posent un “vrai problème moral”. L’ex-rapporteur de l’ONU pour le droit à l’alimentation Jean Ziegler, un rien outrancier, les tient pour responsables d’un possible “crime contre l’humanité”. Nicolas Sarkozy fustige le “dumping fiscal sans précédent” pratiqué par le Brésil et les Etats-Unis pour stimuler l’essor “de certains biocarburants”.

Ces reproches en cascade ont pris de court le Brésil. Hier encore, le monde, et notamment l’Europe, le félicitait pour avoir fait oeuvre de pionnier en choisissant de développer massivement une source d’énergie “propre” qui rejette cinq fois moins de gaz à effet de serre que le pétrole. Aujourd’hui, on met en doute la justesse écologique et éthique de ce choix. Pire, on ferait presque du Brésil un “affameur”.

Résolu à contrer ce qu’il tient pour une campagne de désinformation, le Brésil se pose en victime collatérale des griefs, selon lui légitimes, adressés aux Etats-Unis. Il distingue, jusqu’à les opposer, le “bon” éthanol - le sien - du “mauvais” - l’américain. Le premier est le seul moins coûteux à fabriquer que l’essence. Un hectare de canne produit plus du double d’éthanol qu’un hectare de maïs. La culture et la transformation du maïs consomment sept fois plus d’énergie que celles de la canne.

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Surtout, la canne, à l’inverse du maïs, n’est pas un aliment noble. Sa transformation ne prive pas l’humanité d’une nourriture potentielle. Le Brésil se targue d’avoir fait progresser, en parallèle, les céréales et la canne, qui occupe 12 % des surfaces cultivées. “Nous remplissons sans problème les estomacs et les réservoirs des voitures”, résume Lula. La culture de la canne s’étend, pour l’essentiel, sur des pâturages abandonnés. Conclusion du président brésilien : accuser l’éthanol de menacer la sécurité alimentaire est “un mensonge éhonté”.

Face au “bombardement” contre son pays, Lula riposte en invoquant les arguments admis du plus grand nombre. Si les prix flambent, c’est, au-delà des aléas climatiques et parfois à cause d’eux, parce que la consommation s’emballe et que la demande rattrape ou dépasse l’offre : “Il y a davantage de gens qui mangent trois fois par jour. Les Chinois mangent, les Indiens mangent, les Brésiliens mangent, et les gens vivent plus longtemps.” C’est aussi parce que la hausse du prix du pétrole renchérit le transport des denrées et le coût des engrais. C’est encore parce que la crise immobilière et financière incite les spéculateurs à placer leurs fonds sur un marché agricole prometteur.

Mais le Brésil va plus loin. Il condamne le protectionnisme des pays riches, et ses deux outils privilégiés : les subventions agricoles, qui protègent les fermiers et satisfont les consommateurs locaux, mais découragent les producteurs des pays pauvres ; les droits de douane qui pèsent sur les produits venus du Sud. L’éthanol est concerné au premier chef puisque l’Europe lui impose une taxe de 60 %. Le Brésil, qui lui vend tout de même déjà 30 % de l’éthanol qu’elle consomme, dénonce “cette taxe absurde” et négocie avec l’UE à ce sujet depuis octobre 2007. En vain jusqu’à présent. Prompt à blâmer le “lobby pétrolier”, il reproche aussi aux Etats-Unis de ne pas lui acheter son éthanol.

LE PROTECTIONNISME DES PAYS RICHES

L’Europe intéresse au plus haut point le Brésil depuis qu’elle a décidé que les biocarburants, éthanol et biodiesel, devraient, en 2020, composer 10 % - contre 2 % aujourd’hui - du liquide englouti par ses véhicules. Cela représentera un marché annuel d’environ 20 milliards de litres dont le Brésil, premier exportateur mondial, espère recueillir une bonne part. Dans ce domaine comme dans d’autres, le Brésil pense avoir rendez-vous avec l’Histoire. “Tout le monde sait, observe Lula, que notre pays sera un concurrent imbattable, car nous avons la terre, l’eau, les connaissances, la technologie et trente ans d’expérience.” Cette confiance en l’avenir lui autorise quelques accents glorieux : “Le Brésil n’est plus un figurant. C’est un artiste de premier plan”, ou l’incite à l’ironie à l’adresse de ceux qui critiquent l’éthanol : “Bientôt, on va dire que la viande de nos zébus n’est pas bonne et que le café du Brésil est de mauvaise qualité.”

L’éthanol n’a pourtant pas que des vertus. La canne à sucre est gourmande en eau. Sa culture, rentable, conduit les paysans à en délaisser d’autres. Comme toute monoculture, elle use les sols. Elle intensifie la spéculation et la concentration foncière. Les Brésiliens répondent que la canne, culture semi-permanente, cohabite en partie avec des produits alimentaires : soja, arachide ou haricots. Ils rappellent que l’éthanol a enrichi les campagnes, créé un million d’emplois et freiné l’exode rural.

Les pétroliers européens et américains font, eux-mêmes, le pari de l’éthanol brésilien. BP vient d’annoncer de gros investissements. A l’inverse, la première compagnie sucrière brésilienne, Cosan, a racheté la filiale locale du distributeur de carburant Esso. Elle contrôlera ainsi toute la chaîne de l’éthanol, de la plantation jusqu’à l’automobiliste. Quelque 90 % des voitures neuves mises en vente au Brésil fonctionnent à l’éthanol ou à l’essence, mais pour la première fois, en avril, le premier a été plus consommé que la seconde. Le Brésil attend que d’autres grands pays émergents, comme la Chine ou l’Inde, imitent ses choix énergétiques. Ce jour-là, sans doute encore lointain, l’éthanol sera une “commodity” cotée en Bourse sur un marché global, dont le Brésil espère bien être le leader incontesté.

Courriel : langellier@lemonde.fr
Jean-Pierre Langellier

22/04/2008 - 10:07h Aginflação e biocombustível

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Antônio Márcio Buainain* - O Estado de São Paulo

Nesta temporada de final de campeonatos estaduais vem à mente aquela imagem da bola roubada quando o gol já estava praticamente feito para caracterizar a polêmica global sobre inflação de alimentos, que coloca o biocombustível - visto até então como uma virtuosa contribuição para reduzir o aquecimento global e como alternativa para a escassez do petróleo - no papel de vilão. As declarações de personalidades mundiais (“o biocombustível é crime contra a humanidade”, Jean Ziegler, consultor da ONU; “é problema moral”, Strauss-Khan, diretor-geral do FMI) indicam o potencial explosivo do debate, cujos efeitos sobre o futuro deste promissor segmento não podem ser negligenciados.

É possível contra-atacar afirmando que “problema moral” é manter o “bolsa-vaca”, que distribui em média US$ 3,50 por dia às vacas européias, enquanto 75% da população africana vive com menos de US$ 2 por dia, e que “crime contra a humanidade” é praticar políticas protecionistas que impedem o desenvolvimento dos países mais pobres, ou destinar bilhões de dólares a guerras com pretextos mentirosos. Ainda que válidos, é provável que esses argumentos encontrem ouvidos de mercador pelo mundo afora e não sejam suficientes para evitar os efeitos negativos imediatos sobre o negócio do biocombustível.

Os fatos são relativamente claros. Os preços das commodities já se vinham elevando desde 2002, em resposta, antes de tudo, à elevação da demanda associada às mudanças estruturais na geografia comercial, à conjuntura favorável da economia mundial e ao crescimento da renda nos países em desenvolvimento. Outros fatores, como a elevação do preço do petróleo - insumo básico para a cadeia da produção e comercialização de alimentos - e a instabilidade financeira, também contribuíram. Só a partir de em 2006, e de forma mais forte em 2007, a demanda de grãos para a produção de biocombustível nos EUA e na Europa entra para reforçar a tendência de alta.

Tradicionalmente a oferta agrícola responde quase de imediato aos estímulos de mercado. A evolução recente da oferta mundial não acompanhou o ritmo da demanda, devido, entre outras razões, à incerteza que caracteriza o mercado agrícola mundial, sujeito a forte protecionismo e suscetível à influência das políticas americana e européia. Uma simples decisão da política agrícola dos EUA ou da União Européia pode mudar radicalmente o mercado, a favor ou contra, como comprova a decisão de produzir biocombustível de grãos. A agricultura moderna exige investimentos relevantes dos produtores e dos países. Como investir sem garantias de acesso aos mercados, sem recursos fiscais e sem financiamento internacional? O economista brasileiro Otaviano Canuto, vice-presidente executivo do BID, já tinha chamado a atenção para a seriedade da agflation e da assimetria dos impactos sobre a balança comercial, inflação doméstica e pobreza dos países da América Latina e do mundo (Global agflation, energy security and bio-fuels, in www.rgemonitor.com).

Também é fato claro que o vínculo entre aginflação e biocombustível se deve à decisão americana de produzir etanol a partir de grãos, e que pouco ou nada tem que ver com a produção brasileira à base de cana-de-açúcar. Ao contrário do que ocorre no EUA, a produção do etanol no Brasil vem crescendo juntamente com a de grãos e alimentos em geral. O dinamismo do agronegócio brasileiro contribuiu para conter a elevação de preços, que teria sido maior sem soja, carne, milho, açúcar, algodão e frutas brasileiros.

Os fatos precisam ser analisados e discutidos exaustivamente. Mas não é suficiente. Aqui estamos diante da “dimensão político-cultural dos mercados”, cuja importância o sociólogo Ricardo Abramovay, professor da USP, ressalta ao analisar o papel da ciência e das inovações tecnológicas (Bem-vindo ao mundo da polêmica, jornal Valor, 1º/11/2007). A racionalidade econômica e verdades científicas precisam ser sancionadas pela sociedade para se afirmarem como inovações e romperem paradigmas. E para isso uma comunicação adequada - não confundir com propaganda - é muito importante. O estrago está feito. Basta ver a imprensa européia ou a opinião cética ou contrária do cidadão nas principais capitais do mundo. Sem presunção, será preciso reconquistar corações e mentes para o biocombustível e para isso não podemos fechar os olhos para a questão alimentar. Nossa melhor resposta terá de vir do dinamismo do nosso agronegócio.

*Antônio Márcio Buainain é professor do Instituto de Economia da Unicamp. E-mail: buainain@eco.unicamp.br

20/04/2008 - 11:50h O preço da omissão

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ANTONIO PALOCCI - O GLOBO

O relator especial da ONU para o direito à alimentação, o suíço Jean Ziegler, encontrou uma inusitada explicação para a alta do preço dos alimentos: é culpa da produção de biocombustíveis, “um crime contra a humanidade”.

Outras autoridades européias se ocuparam, nas últimas semanas, num violento tiroteio contra o etanol. O argumento básico utilizado por eles é que a produção do etanol está ocupando áreas de plantio dos alimentos e de pastagens, encarecendo os produtos alimentícios.

Se estivessem seriamente preocupados com as reais razões para a onda altista dos alimentos eles poderiam se perguntar por que o Brasil, maior produtor mundial de etanol de cana-de-açúcar nas últimas três décadas, se tornou, ao mesmo tempo, o maior exportador de soja, açúcar, café, milho, laranja e carne bovina e de frango. Não se fazem tal pergunta porque ela desmontaria suas apressadas conclusões.

A bem da verdade, os únicos casos em que os biocombustíveis pressionam preços acontecem exatamente nos países onde eles recebem fortes subsídios, inclusive na Zona do Euro, por decisões das próprias autoridades que agora atacam o etanol.

Mas mesmo se considerarmos a produção americana de etanol, com altos subsídios e baixa produtividade energética, e tendo como insumo o milho, causando alguma pressão sobre o preço dos grãos, ainda assim teríamos apenas uma explicação parcial. Serviria mais para demonstrar um claro exemplo de alocação ineficiente de recursos do que para justificar o comportamento do preço dos alimentos.

Mais recentemente verifica-se um movimento de caráter mais especulativo em direção aos mercados de futuros das commodities, com investidores financeiros buscando ativos aparentemente mais robustos diante da crise financeira em curso. Mas se esse movimento colabora com a alta de preços, também não é suficiente para justificá-la.

Parece claro que o principal fator explicativo para a alta dos alimentos é um desequilíbrio entre uma oferta que cresceu pouco nos últimos anos e uma demanda que tem crescido exponencialmente nos países emergentes, principalmente naqueles com grandes populações.

Como disse o presidente Lula de forma simples e direta, o fato é que o povo pobre dos países emergentes está comendo mais e a produção não está acompanhando.

Outro fator importante é a escalada do preço do petróleo, cujo patamar mais que dobrou nos últimos cinco anos. É bastante conhecido o efeito do preço dos combustíveis para produtos de baixo valor agregado, que têm no transporte uma parte importante de seu custo.

Mas ainda há, além desses fatores conjunturais, problemas crônicos, estruturais, que têm contribuído com o baixo crescimento na produção de alimentos: o protecionismo e os subsídios praticados pelos países ricos contra os alimentos produzidos nos países em desenvolvimento.

Essa prática anticoncorrencial tem desestimulado os países emergentes a investir mais na produção de alimentos, tendo em vista as fortes barreiras que encontram nas exportações.

E é exatamente essa questão que as autoridades européias tentam camuflar com seus insistentes ataques ao etanol.

É a velha arma do diversionismo.

Enfim, é de se esperar que os inimigos de ocasião dos biocombustíveis continuem sua cruzada, pois o protecionismo, quando posto em questão, sempre é sustentado por argumentos dramáticos. Mas pelo menos seria recomendável que estas autoridades não acreditassem na sua própria mentira. Se continuarmos aceitando diagnósticos pobres, interessados e simplistas sobre tendências de preços, talvez acordemos tarde demais para buscar soluções efetivas para a ampliação na produção de alimentos. Soluções que dependem de ações coordenadas dos países e das instituições multilaterais.

Sem isso sobrará aos Bancos Centrais a triste tarefa de aumentar juros e compulsórios para conter as pressões inflacionárias já presentes em todos os continentes. O preço dos alimentos é, antes de tudo, o preço da omissão.

Biocombustíveis só pressionam preços nos países onde recebem fortes subsídios

20/04/2008 - 07:09h ‘O etanol passou a incomodar’

Produto brasileiro é vítima de campanha lançada por agricultores europeus e por ONGs financiadas por petroleiras, diz o ministro

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Lu Aiko Otta - O Estado de São Paulo

O crescimento do etanol no mercado internacional lançou Brasil e União Européia em uma batalha comercial, disse ao Estado o ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Miguel Jorge. Pressionados pela perspectiva de abrir seu mercado com a conclusão da Rodada Doha e pela decisão do bloco de adicionar 10% de biocombustíveis até 2020, os agricultores europeus lançaram uma campanha contra o produto brasileiro. Querem mais proteção e subsídios. Os ataques são engrossados por ONGs financiadas por petroleiras, disse o ministro.

O Brasil vem sofrendo derrotas em um front: o da comunicação. Por outro lado, no mundo dos negócios surgem investimentos de bilhões de dólares e a lista de países que começa a utilizar biocombustíveis está aumentando. Para o ministro, a transformação do etanol de cana em commodity internacional é questão de tempo. A seguir, os principais trechos da entrevista.

Por que o etanol brasileiro está apanhando tanto?

Primeiro, porque há de fato uma crise de alimentos causada por vários fatores - e nenhum deles tem a ver com biocombustíveis. Além disso, o etanol atingiu um nível de produção de aceitação muito grande. Passou a incomodar comercialmente. Passa a ser mais um elemento de guerra comercial no mundo.

Estamos no meio de uma guerra comercial? Mas o biocombustível está só engatinhando no mercado internacional.

Durante muito tempo, engatinhou. Mas agora começa a se levantar porque a União Européia tomou a decisão de aumentar o etanol na gasolina. A Índia vai começar, em outubro, a misturar 10%. Outros países fazem o mesmo. Certamente, os chamados “inimigos” pensam que é melhor agir preventivamente.

Os inimigos, pelo que indicou o presidente, estão localizados na Europa. É isso mesmo?

Hoje, sim. Existe um enorme protecionismo. Parece-me que há uma forte ligação: com o etanol e a Rodada Doha, a Europa teria de se abrir mesmo. Alguns países já se manifestaram contra qualquer concessão que reduza o protecionismo. Mas, para implementar a mistura de etanol na gasolina, a Europa terá de abrir o mercado, porque não é capaz de produzir o etanol necessário para atingir a meta. Para os agricultores europeus, interessa muito uma guerra ao etanol. Não é coincidência ter uma substituição de mercado (produto brasileiro substituindo o europeu) e começar um contra-ataque.

Não é a primeira vez, então?

Eu me lembro que, no ano passado, alguns pecuaristas brasileiros ligaram aqui me dizendo que tinham conseguido substituir em grande parte os produtores de carne irlandeses. Um único frigorífico brasileiro substituiu toda a venda de boi em pé que a Irlanda fazia para o Líbano. Dois meses depois, começou uma enorme campanha na Irlanda contra o boi brasileiro. Estive na Inglaterra no ano passado e vi na televisão os anúncios que eles faziam. Com fotos do zebu, diziam que o Brasil enganava o consumidor irlandês, vendendo um boi que não era boi.

Ah, não?

Não. Zebu não era boi. Era zebuíno, outra coisa. E eles conseguiram impedir que o Brasil exportasse carne para a Irlanda. Ganharam pelo menos uma batalha, explorando um detalhe. E lideraram o processo que levou ao bloqueio da carne brasileira na Europa.

A resistência é só de agricultores?

Algumas ONGs - isso já foi identificado pelo governo brasileiro - são apoiadas por grandes petroleiras. Evidentemente, elas não querem ver o mercado ameaçado, principalmente quando se vê o petróleo a US$ 115 o barril. Cada litro de gasolina que ela deixa de vender é prejuízo. Aliás, uma das grandes razões para a alta dos alimentos no mundo - e isso não está sendo dito - é a enorme alta do petróleo, que causou um problema sério para transporte, para produção, para os fertilizantes e defensivos que têm origem no petróleo. E tenta-se colocar a culpa da alta dos alimentos no etanol. É justamente o contrário!

Então, estamos perdendo uma batalha no campo da comunicação?

Acho que sim. E não porque sejamos incompetentes, mas porque há poucos produtores de etanol no mundo, ainda, e não são organizados. Por outro lado, há grandes interesses de dezenas de anos, tanto dos agricultores europeus com seu protecionismo quanto pelos produtores de petróleo. Acho que não estávamos preparados para esse recrudescimento tão grande da campanha contra o etanol. O presidente, no ano passado, em todas as viagens, fez campanha pelo etanol. Nunca teve reação.

Há um ano, quando a União Européia promoveu um seminário internacional sobre biocombustíveis em Bruxelas, havia cheiro de protecionismo no ar. Já se falava em exigir uma certificação ambiental e trabalhista para o etanol.

O produtor brasileiro quer a certificação, porque ela responde a acusações absolutamente desprovidas de fundamento. Por exemplo: trabalho infantil e trabalho escravo. O único fato foi uma fazenda do Pará que tinha trabalhadores em condições subumanas. É uma fazenda que produz 0,000 alguma coisa do etanol brasileiro, no entanto isso foi notícia na Europa inteira.

Claro. E se acharem mais alguma coisa, vai ocorrer o mesmo.

Por isso, temos de ter enorme cuidado com a questão do trabalho. A questão da Amazônia: a cana para etanol ocupa 1% da área agricultável do Brasil. As pastagens, 20%. E ninguém nunca se manifestou contra as pastagens. Nas pastagens, as vacas e os bois, com sua flatulência, têm enorme efeito no aquecimento global. Ninguém nunca falou sobre os puns das vacas e dos bois brasileiros.

Esse impacto já foi calculado?

Não tenho esse dado. A briga se dá no campo da comunicação.

Como está o contra-ataque?

O presidente pediu para o ministério coordenar o contra-ataque. Vamos montar um grupo de trabalho. Uma das idéias é contratar uma empresa de relações públicas que possa trabalhar isso no exterior. E asseguraremos que todos os ministérios falem a mesma língua e todos os ministros, em todas as ocasiões, defendam o programa brasileiro. Nós estivemos com o presidente do Inmetro, pedimos para que acelere ao máximo o trabalho da certificação na área trabalhista, ambiental, do biocombustível. Eu acredito que a certificação será fundamental para contra-atacar a campanha contra o biocombustível.

A questão ambiental, como será abordada? O etanol é acusado de ser agente indireto do desmatamento.

O desmatamento da Amazônia não é feito por grandes proprietários, mas por pequenos. A grande questão, nesse caso, é dar opção às pessoas. É a mesma discussão que temos com madeireiros e arrozeiros. É muito fácil para o europeu, que já acabou com a floresta toda da Eurásia, dizer que temos de proteger a Amazônia. Temos de proteger a Amazônia e as pessoas que moram na Amazônia. Dar a elas uma alternativa de sobrevivência. É importante haver planos de manejo que possa ter uma ocupação racional, não poluidora.

Isso tem a ver com o etanol?

Não, nada. O processo de desmatamento é independente da produção de etanol. Se você olhar o mapa da produção de cana no Brasil, vai ver que é concentrada no Sudeste, no Nordeste e algumas manchas em Mato Grosso. E tem uma ou outra usina no Norte.

Apesar do tiroteio, há negócios ocorrendo na área, não?

De um ano para cá, grandes multinacionais decidiram investir para produzir etanol no Brasil. Estive em São Paulo no ano passado para dois eventos importantes. Um da Crystalsev em associação com a Dow para instalação de um pólo álcool-químico, que produzirá etanol, depois eteno e numa terceira fase polipropileno da cana. Substituirá uma enorme quantidade de plástico de petróleo por um plástico biodegradável. A Braskem também está em processo para produzir polipropileno. E já tem entendimento com a Toyota para, quando a produção estiver em fase industrial, começar a substituir peças de plástico do automóvel por peças de polipropileno de cana. Será outra revolução, a revolução do carro verde. Uma nova guerra. O investimento da Dow é superior a US$ 1 bilhão, o da Braskem também. O braço alcooleiro da Odebrecht já anunciou investimento superior a US$ 1 bilhão. Estivemos na China há três semanas. Empresas da China ligadas à produção de petróleo investiram US$ 600 milhões em fundos que investem na produção de etanol e na produção de usinas.

Como está o processo de transformar o etanol numa commodity?

É um processo longo. Quando se começa a produzir 3 milhões de veículos, 100% flex fuel, o quadro começa a mudar. A Índia decidiu misturar 10% de etanol na gasolina, os EUA têm um programa, o Japão vai misturar etanol na gasolina gradativamente. A Noruega tirou as tarifas sobre o etanol. Na Suécia, os ônibus da capital, Estocolmo, rodam todos com biocombustíveis. Com isso, percebe-se que o produto está-se tornando internacional. É um primeiro passo para se tornar uma commodity.

16/04/2008 - 19:02h Descartar biocombustíveis é o “verdadeiro crime contra a humanidade”, diz Lula

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LORENNA RODRIGUES
da Folha Online, em Brasília

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse nesta quarta-feira que descartar a produção de biocombustíveis é o “verdadeiro crime contra a humanidade”. A declaração foi dada em resposta ao relator especial da ONU (Organização das Nações Unidas) para o Direito à Alimentação, Jean Ziegler, que na última segunda-feira disse que a produção em massa de biocombustíveis representa um crime contra a humanidade por seu impacto nos preços mundiais dos alimentos.

“O verdadeiro crime contra a humanidade será descartar a priori a produção de biocombustíveis e renegar os países estrangulados pela falta de alimento e energia à dependência e à insegurança alimentares”, afirmou Lula durante a abertura da 30ª Conferência Regional para América Latina e Caribe da FAO (Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura).

Lula disse que a alta recente nos preços dos alimentos não tem uma única explicação. Entre as causas, o presidente relacionou o aumento no preço do petróleo, a quebra em safras de mundo todo, o aumento no valor dos fretes, as variações cambiais, a especulação financeira e o aumento no consumo em países como China, Índia e da África e América Latina. Ele citou o caso do Haiti que, segundo o presidente, está sendo duramente afetado pela alta nos preços dos alimentos.

“É com crescente espanto que vejo a tentativa de criar uma relação de causa e efeito do aumento dos biocombustíveis e a escassez de alimentos ou o aumento de preços. Biocombustíveis não são o vilão que ameaça a segurança alimentar dos países pobres”, disse.

O presidente cobrou a criação de políticas globais para a segurança alimentar e criticou o protecionismo e os subsídios agrícolas nos países ricos. Ele ressaltou que o sucesso da Rodada Doha depende da abertura do mercado agrícola europeu e da redução de subsídios na Europa.

“O Brasil não precisa ganhar, mas a Europa e os Estados Unidos precisam ceder e os países pobres ganharem”, concluiu.

Lula criticou ainda o FMI (Fundo Monetário Internacional) a quem acusou de não ter dado “uma única opinião” sobre a crise americana e disse que os países desenvolvidos só reagem em situações de emergência.

“Até quando nós [países em desenvolvimento] vamos aceitar o papel de sermos coadjuvantes no cenário internacional?”, questionou.

Alimentos

O diretor-geral da FAO, Jacques Diouf pediu que sejam adotadas medidas imediatas para proteger as populações vulneráveis na América Latina e Caribe. Segundo Diouf, o custo de importação de alimento em países como Equador, Haiti, Honduras e Nicarágua aumentou 35%.

“É preciso aplicar medidas imediatas com o objetivo de aumentar rapidamente a produção alimentícia local e prevenir os efeitos negativos de uma nova escalada de preços”, afirmou.

De acordo com dados apresentados por Diouf, o preço dos alimentos aumentou 47% entre janeiro de 2007 e janeiro de 2008 em todo o mundo. Ele observou que o impacto positivo ou negativo dos biocombustíveis dependerá das políticas internacionais adotadas sobre a produção e distribuição dos produtos.

“Nesta fase, podemos organizar este setor a fim de que beneficie os mais pobres mediante um acesso mais fácil à energia no plano local”, acrescentou.

13/04/2008 - 14:14h Du Sucre et des Fleurs dans nos Moteurs (Açúcar e flores em nossos motores)

Em momentos em que o protecionismo contra o etanol brasileiro ganha corpo na Europa, o documentario francês Du sucre et des fleurs dans nos moteurs de Jean-Michel Rodrigo põe os pingos nos “i” dos gringos. Vale a pena assistir e recomendá-lo aos que entendem francês.


Retrouvez des films engagés pour tenter de restaurer l’écosystème planétaire :

L’Odyssée Sibérienne de Nicolas Vanier.
Un voyage saisissant au coeur d’une beauté à préserver d’urgence.

Du sucre et des fleurs dans nos moteurs de Jean-Michel Rodrigo.
Une réflexion sur les solutions alternatives à la consommation du pétrole.

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11/04/2008 - 04:24h Jogo duro

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Celso Ming, celso.ming@grupoestado.com.br

etanol.jpg Ontem, o diretor-gerente do Fundo Monetário Internacional (FMI), Dominique Strauss-Khan, e o presidente Lula trataram do tema que vem provocando forte reação de chefes de Estado e de políticos: a disparada global dos preços dos alimentos.

Em Washington, onde se realiza a Assembléia de Primavera do FMI, Strauss-Khan observou que, em pouco mais de um ano, a alta dos alimentos já é de 46%, fator de preocupação porque impede o acesso das camadas mais pobres ao próprio sustento e porque acelera a inflação no mundo.

Em pronunciamento feito em Roterdã, Holanda, o presidente Lula chamou a atenção para o fato de que a estocada dos preços não está sendo provocada pelos biocombustíveis, mas pelo novo acesso dos pobres da Ásia aos alimentos de melhor qualidade. Em apenas dez anos, na China e na Índia, 400 milhões de pessoas passaram a ter essas condições.

A chegada das novas camadas sociais aos mercados de trabalho e de consumo não só explica a aceleração dos preços dos alimentos, mas também das outras commodities, inclusive petróleo.

Ontem, o objetivo principal do presidente foi defender o etanol brasileiro do ataque de dirigentes políticos europeus. Já não são apenas Fidel Castro e Hugo Chávez que o denunciam como produto que tira o pão da boca dos pobres. Há uma semana, o presidente da França, Nicolas Sarkozy, acusou os governos dos Estados Unidos e do Brasil de subsidiarem sua produção e, assim, contribuir para a alta dos alimentos. Não se deu ao trabalho de comparar o balanço energético do produto americano e do produto brasileiro.

A mesma acusação é feita na Europa por políticos e entidades ambientalistas. Para eles, os Estados Unidos usam quantidades crescentes de milho para produzir etanol e o Brasil planta cana onde antes se colhiam grãos ou havia florestas tropicais. Em artigo publicado no The New York Times de terça-feira, o economista Paul Krugman também condenou o produto brasileiro que, para ele, é um destruidor de florestas.

Esses ataques têm conseqüências práticas. Os governos da Alemanha e da Inglaterra estão desistindo de misturar álcool à gasolina. No Japão, o projeto está parado sob o argumento de que não há produto disponível no mercado internacional em volume suficiente para garantir as necessidades futuras.

É difícil nesses trancos separar protecionismo de desinformação. Diariamente, grandes jornais do mundo publicam artigos que buscam demonstrar que a produção e o uso de etanol como combustível lançam tanto ou até mais carbono na atmosfera do que os combustíveis fósseis, algo que pode valer para o de milho e não para o brasileiro, de cana-de-açúcar.

Mas a resistência ao etanol, que pega carona nos protestos contra a inflação dos alimentos, pode provocar estragos irreversíveis no setor de açúcar e álcool no Brasil, cujo projeto é transformá-lo em commodity internacional.

O etanol brasileiro está sob foco e qualquer pretexto, como as queimadas para a colheita manual ou as denúncias de uso de mão-de-obra sub-remunerada, pode complicar sua aceitação no exterior. A contra-ofensiva diplomática do Brasil parece insuficiente para neutralizar esse jogo duro.

11/04/2008 - 03:36h Inflação alta, hipocrisia maior

VINICIUS TORRES FREIRE

Mundo rico se “alarma” com a carestia de alimentos e risco de fome, mas não menciona a sua culpa nesse cartório

ENTÃO O mundo agora se preocupa com a fome haitiana e africana. Dá vontade de rir, rir com escárnio, pois fome é um horror. Banco Mundial, FAO e outros penduricalhos burocráticos da ONU se dizem “alarmados” com a inflação mundial de alimentos, que deixará os pobres mais pobres etc. Parece que os líderes do mundo apenas se preocupam com um pouco mais de fome, com a fome extra, a “fome marginal”, digamos sarcasticamente. Já a fome regular, “normal”, tudo bem, eles dão de barato.
Cheira mal essa crise de consciência súbita. É evidente que a inflação da comida prejudica mais os mais pobres. O mau odor dessa santa onda de preocupação com os famélicos da terra vem do fato de que o mundo rico tem muita culpa nesse cartório.
Asiáticos saem da roça e consomem muito mais? Claro, isso bate na inflação. Mas, com tal estímulo de preços, por que a produção não responde à altura e mais rapidamente? Décadas de subsídios e proteção comercial para agropecuaristas de Europa e EUA deprimiram preços e por muito tempo reduziram a rentabilidade da agropecuária de parte grande do mundo pobre, quando não inviabilizaram investimentos em novas plantações ou em tecnologia para tornar as terras aráveis ou mais produtivas.
Um exemplo clichê e atual de protecionismo que prejudica a produção mais eficiente de comida é o subsídio americano ao seu caro álcool de milho. Se os EUA importassem álcool, teriam mais espaço para grãos e haveria mais renda em países pobres (embora mesmo o impacto dos biocombustíveis esteja sendo muito exagerado).
Outro fator da inflação mundial é o dólar. Os ricos americanos se esbaldaram de consumir além do que ganhavam, e os muito ricos se entupiram de dinheiro com a inflação de ativos financeiros (dessa ninguém se queixou). A bolha estourou, e os EUA passam parte da conta para o mundo, inflacionando sua economia, desvalorizando o dólar e ajudando assim também a encarecer o preço das commodities, de resto ainda vistas como proteção contra a inflação e alternativa de investimento ao papelório podre americano.
Empresas do mundo rico estão irritadinhas com a queda da margem de lucro devido à alta do preço de grãos, minérios e combustíveis. E há revolta contra o aumento de preços de produtos básicos exportados por países mais pobres. O clamor contra a inflação também é um aspecto de uma disputa global por grana, ponto.
Cereja desse bolo é a volta do malthusianismo, da idéia de que escasseiam os meios de sustentar os pobres do mundo, coro ecoado pelo ambientalismo reacionário. Mas o Brasil desenvolveu tecnologia para cultivar o cerrado, um dia considerado inviável. Na África? Neca.
Mais pontual, houve uma série de desastres climáticos em países produtores de comida. A hábil e fina diplomacia americana ainda criou tumulto duradouro no Oriente Médio, pondo em risco a produção de petróleo. E o mundo cresce muito, faz anos. Uma hora o ciclo vira e/ou vem inflação. Normal. Revoltante é a hipocrisia do “clamor” contra a carestia. Quem se alarmava quando os preços de recursos naturais desabavam, provocando também desemprego e fome no mundo pobre?

FONTE FOLHA DE SÃO PAULO 

vinit@uol.com.br

17/08/2007 - 11:03h Editorial de Clarín de Argentrina: Reflejo proteccionista

Clarín.com

Del editor al lector


por Ricardo Kirschbaum | EDITOR GENERAL DE CLARIN
rkirschbaum@clarin.com

 

Las medidas proteccionistas que anunciaría hoy el Gobierno apuntan a defender a algunos sectores de la industria nacional, en sintonía con el reclamo de la Unión Industrial. Son, en verdad, los primeros gestos concretos de la gestión de Miguel Peirano al frente del Ministerio de Economía, que intentan ayudar a corregir algunas agudas asimetrías que estaban afectando a algunas industrias.

Las importaciones de China, cuyos precios se consideran altamente subsidiados, buscan ser frenadas porque están provocando daños concretos en sectores como los del juguete, neumáticos, bicicletas y otros. También se anuncian controles mucho más estrictos para el ingreso de pasta e hilo dental, por ejemplo. España y Estados Unidos tuvieron que tomar hace poco medidas drásticas para retirar de circulación dentífricos elaborados con sustancias que provocan problemas de salud. Algunos de estos productos formaban parte de kits que las empresas aéreas distribuían entre sus pasajeros.

Hace tiempo que la Unión Industrial viene reclamando por importaciones que, según la central empresaria, golpean sobre la producción nacional y, por extensión, sobre el empleo.

¿Tienen estas medidas relación con la aguda crisis que sacude a los mercados y que está golpeando el valor de los bonos argentinos? La respuesta es negativa. Son, simplemente, consecuencia de la necesidad que ausculta el gobierno de Kirchner de dictar medidas proteccionistas.

La política de gran apertura que caracterizó a recientes gestiones económicas ha tenido consecuencias graves para la producción y habían provocado la desaparición de una gran parte de la industria y un muy alto desempleo.

10/07/2007 - 15:24h China’s trade surplus hits fresh record

By Richard McGregor in Beijing and George Parker in Brussels

Financial Times

China’s swelling monthly trade surplus hit a new high in June of $26.9bn, an 85.5 per cent increase on the same month last year, as local exporters continued to leverage low costs to capture new overseas markets.

The surplus for the first half of the year has now reached $113bn (€82bn, £56bn), more than for the whole of 2005 and equal to about 8 per cent of China’s expected economic output for the first six months of this year.

“This level of trade surplus is unprecedented for China or any other major economy in the world,” said Hong Liang, of Goldman Sachs.

Exports of some products jumped dramatically in the first half, such as steel, which was up by 97 per cent, and containers, up by 55 per cent.

In the case of steel and some other products, exporters have accelerated sales overseas in recent months to beat government cuts to export tax rebates for ­energy-intensive products.

The rebate cuts, the most important of which came into effect on July 1, are among measures announced by Beijing in recent months to reduce incentives for exporters in the face of rising protectionist sentiment in the US and Europe.

Ports along China’s coast were crammed with trucks last month attempting to deliver goods before the deadline.

“From June 29, a large part of the outer ring road linking Waigaoqiao [Shanghai’s port] was completely blocked by trucks,” said Kuang Tiezhuang, a shipping agent in the city.

Stephen Green, of Standard Chartered bank in Shanghai, said it was too early to judge how much impact the rebate cuts would have on exports in the medium to longer term.

“We will have to wait at least three months to see any effect – and possibly longer since many firms which invested in these sectors will continue to manufacture and export given their capacity is already in place,” he said.

But on top of China’s competitive currency and its role as the last point of assembly for many Asian exports, the growing surplus reflects the capacity of local manufacturers to leverage low costs across a widening range of industrial goods.

Traditional exports such as textiles and electronics assembled in China stayed strong but manufacturers are also moving away from a reliance on cheap, low-margin goods to value-added items offering higher profits.

Sales of television sets overseas fell by 51 per cent in the first six months, while exports of telecommunications equipment and ships have been growing strongly in the last 18 months.

The June surplus was also accentuated by weak imports, which grew by only 14 per cent year-on-year, while exports accelerated by 27 per cent in the same period.

The first half of 2007 has confirmed some trends that emerged last year, notably Europe surpassing the US as China’s largest export market.

China’s growing surplus with the European Union is expected to fuel efforts by some member countries to reimpose curbs on textiles imports when temporary measures run out at the end of the year.

Peter Mandelson, EU trade commissioner, on Tuesday warned that EU-Chinese trade relations were at a “crossroads” and that Europe needed improved access to the expanding Asian market.

Mr Mandelson said pressure would mount for more European protectionism unless there was a genuine two-way street.

“Europe’s trade deficit with China is growing,” he told the European parliament in Strasbourg, adding: “Our export potential is being hampered by barriers in the Chinese market – [which means] an important part of the current trade balance is artificial.”

Mr Mandelson says EU companies need better access to China’s markets and a “sea change” in intellectual property rights protection and copyrights.

In the US, some legislators are calling for laws that would impose punitive tariffs on Chinese imports if Beijing fails to let the renminbi rise faster in value. Last year, the US trade deficit with China amounted to $232.5bn – its biggest with any country.

09/07/2007 - 17:08h Pensata de Fernando Canzian sobre um debate central

Pegou no breu


A aceleração da indústria e das importações nos primeiros cinco meses do ano foi vigorosa. Mostra que a economia brasileira finalmente está acelerando sem grandes pressões inflacionárias.

Entre janeiro e maio de 2007, a indústria nacional teve expansão de 4,4%, bem acima dos 3,3% em igual período de 2006. Ao mesmo tempo, as importações de bens de consumo acabados deram um salto de 34% no fechamento do semestre.

Há vários motivos para isso. Um forte vento a favor da economia internacional, inflação interna baixa, muito mais crédito a custo menor e melhora crescente dos indicadores de solvência do Brasil. Tudo isso encoraja investidores internos e externos.

Nesse contexto, o governo começa a aumentar a proteção tarifária para alguns setores que estão perdendo mais com a concorrência internacional. Há 20 dias, foi imposta uma tarifa de US$ 4,27 por unidade para ferros de passar roupa importados. Agora, planeja-se aumentar de 20% para 35% a tarifa de importações para produtos têxteis e calçados.

O argumento, nesses casos, é que concorrência chinesa esteja produzindo estragos além dos aceitáveis na indústria nacional. Mas essa tese está longe do consenso.

Há correntes de economistas que acham que a vida é assim mesmo. “Quem não tem competência que não se estabeleça”, dizem. Outros afirmam que a proteção é bem-vinda e natural para um país como o Brasil, onde o governo não oferece infra-estrutura adequada para o setor privado.

Abaixo, dois destacados economistas dão suas visões, opostas, sobre um debate que estará no centro da agenda econômica deste ano. E, muito provavelmente, também mais adiante.

Leia o debate entre Cláudio Haddad e Delfim Netto aqui no Blog de Fernando Canzian