06/11/2009 - 15:43h Candidatura Ciro ao governo de São Paulo unificará o PT e reforçará a oposição aos tucanos no Estado. Ciro aceitará?

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Após uma tentativa vã de incentivar uma disputa no PT, abrindo um debate sobre o eventual candidato a vice, da eventual candidatura Ciro ao governo de SP -tentativa abandonada apenas esboçada-; a Folha SP tenta novamente hoje especular sobre o “efeito Ciro” nos rumos do PT no Estado.

Bastaria observar que os “Martistas” defensores da candidatura Ciro citados na matéria, apoiam a candidatura de Emídio, Prefeito de Osasco, como candidato do PT caso Ciro persista em disputar a presidência, para desmontar a idéia que a divergência entre “Martistas” esteja centrada em apoiar ou não Ciro Gomes ao governo estadual.

Vale lembrar também que a eventual candidatura Palocci ao governo foi posta na mesa pelo próprio presidente da República em conversa com o senador Mercadante e estampada na capa do Estadão e só recentemente o próprio Lula teria evoluído, pressionando Ciro em favor de uma aliança com o PT no plano estadual.

Para qualquer observador que conheça o PT é evidente hoje que, caso Ciro aceitar a sugestão lançada por Lula, o partido do presidente estará unido na aliança com Ciro e o PSB. Tanto é assim, que Emídio e Palocci, assim como Eduardo Suplicy, já indicaram publicamente que apoiam Lula nesta escolha e subordinam eventual candidatura à decisão do deputado do PSB que definirá sua escolha até março 2010.

A decisão está inteiramente nas mãos de Ciro e do PSB, este ultimo devendo escolher entre o apoio a Serra ou a aliança com a oposição aos demo-tucanos no Estado, ou seja o PT.

Agir para provocar está ruptura do PSB com Serra é o caminho para reforçar a candidatura Dilma e também para procurar derrotar o continuismo tucano no Estado. Se Ciro decidir ser candidato ao governo estadual o PSB passará a integrar a oposição e está aliança tem potencial de vencer o pleito estadual.

Ciro aceitará?

Caso ele aceite, alguém representativo no PT recusa essa aliança com Ciro como candidato? Ninguém.

Por isso a tentativa de provocar disputa interna sobre o assunto está fardada ao fracasso.

Caso Ciro persista na sua recusa a abandonar a candidatura a presidente, o PT deverá escolher um nome próprio para essa disputa. Nessa escolha o presidente também terá uma voz de peso, mas dificilmente existirá consenso no partido se o candidato não tiver o aval das principais lideranças no Estado, o que é o caso hoje com Palocci.

Poderá, aí sim, surgir disputa interna e até previa para definir o candidato. Mas isto é hoje só especulação.

De concreto, a candidatura Ciro ao governo estadual jogaria o PSB para uma aliança com o PT, unificaria a oposição aos demo-tucanos, alavancaria as candidaturas de Chalita e Mercadante ao Senado e permitirá à candidatura a deputada federal da Marta, eleger uma importante bancada do PT no parlamento.

O PT só tem a ganhar com esse desfecho das conversas para trazer Ciro para São Paulo.

A palavra está com Ciro.

Luis Favre

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“Efeito Ciro” implode grupo de Marta em SP

Parte da ala do PT ligada à ex-prefeita rejeita proposta de candidatura própria da sigla e trabalha por deputado do PSB para o governo

Intenção da ex-ministra de ver Antonio Palocci à frente da chapa que vai disputar o Palácio dos Bandeirantes divide seus simpatizantes

JOSÉ ALBERTO BOMBIG – FOLHA SP

DA REPORTAGEM LOCAL

O grupo político ligado à ex-prefeita Marta Suplicy, hegemônico no PT paulista há pelo menos seis anos, está próximo da dissolução por conta da disputa envolvendo a candidatura da sigla ao governo do Estado e dos planos da ex-prefeita de concorrer a uma vaga na Câmara dos Deputados em 2010.
Parte dos principais “martistas”, como são chamados internamente os apoiadores da ex-prefeita, se empenhou em pavimentar o caminho para que Ciro Gomes (PSB-CE) tenha o apoio do PT na disputa pelo Palácio dos Bandeirantes.
Marta, no entanto, trabalha por uma candidatura própria da sigla, de preferência a do deputado federal e ex-ministro da Fazenda Antonio Palocci, que seria uma espécie de herdeiro natural, na visão da ex-prefeita, do comando de seu grupo.
No mês passado, Marta afirmou que Ciro “não tem nada a ver com São Paulo”.
Líder do PT na Câmara dos Deputados, Cândido Vaccarezza (SP), por exemplo, alega que Ciro poderia ajudar Dilma Rousseff (pré-candidata do PT ao Planalto) e concorrer com chances de vitória no Estado.
“É nessa medida, a de um palanque forte para a Dilma e de um nome forte junto ao eleitor, que a candidatura de Ciro Gomes ganha força”, diz Vaccarezza -que sempre foi identificado como um “martista”.
A posição de Vaccarezza é compartilhada internamente pelos também deputados federais José Mentor, Devanir Ribeiro e Jilmar Tatto, expoentes da gestão de Marta na Prefeitura de São Paulo (2001-2004).
Ao lado da ex-prefeita na defesa de Palocci como pré-candidato permaneceram Rui Falcão, líder do partido na Assembleia paulista, Antonio Donato, vereador na capital, e Carlos Zaratini, deputado federal, os três ex-secretários de Marta.
“Entendo que o PT deva apresentar uma candidatura própria aos aliados, e acho que o Palocci é nosso melhor nome, mas reconheço que hoje há um importante movimento pró-Ciro”, afirmou Donato.

Vaga aberta
Palocci se reuniu recentemente com seus correligionário em São Paulo e disse que não pretende se colocar como pré-candidato antes que Ciro decida qual eleição irá disputar -o Palácio do Planalto ou o Palácio dos Bandeirantes.
Na prática, isso significa que o PT ficará sem ter um nome para trabalhar eleitoralmente até o início do ano que vem, quando o deputado do PSB deverá tomar sua decisão.
A despeito da recusa de Palocci, seus correligionários vão inscrevê-lo como pré-candidato no diretório estadual.
Na avaliação dos que tentam convencer o deputado petista a entrar na disputa, uma eventual candidatura Ciro ao governo paulista poderá criar um novo polo de oposição ao PSDB no Estado, vaga hoje automaticamente ocupada pelo PT.
A outra opção anti-Ciro aventada no PT seria convencer Marta a concorrer novamente ao governo, mas a ex-prefeita já avisou o seu entorno que pretende se candidatar novamente a deputada federal.

19/10/2009 - 09:55h PSB-SP tenta se equilibrar entre PT e PSDB


A um ano das eleições, partido de Ciro Gomes apoia o presidente Lula no âmbito federal e o governador Serra no cenário estadual

Sem se decidir entre tucanos e petistas, legenda busca ampliar o seu poder em SP, onde a chegada de Ciro alterou o xadrez eleitoral


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JOSÉ ALBERTO BOMBIG – FOLHA SP

DA REPORTAGEM LOCAL

A menos de um ano das eleições, o PSB (Partido Socialista Brasileiro), peça decisiva do xadrez político de São Paulo, tem como meta no Estado aquilo que alguns de seus líderes definem reservadamente como “socialismo de resultados”, mas que, na prática, pode ser traduzido como equilibrar-se entre o presidente Lula (PT) e o governador José Serra (PSDB).
A legenda, indicada pelo Planalto, controla parte do principal porto do país, o de Santos, ocupa a vice-liderança do governo paulista na Assembleia, e não está disposta a deixar nem a base de apoio de Lula nem a do governador tucano paulista.
“Temos uma posição de centro-esquerda, porém com uma visão menos ácida do que a dos dois polos que controlam a política brasileira hoje, no caso, o PT e o PSDB”, diz o deputado federal Márcio França, presidente do PSB paulista, líder de seu partido na Câmara e um dos articuladores da transferência do domicílio eleitoral do colega Ciro Gomes (PSB-CE) para São Paulo.
No governo Lula, foi criada uma Secretaria Especial de Portos, com status de ministério. O principal beneficiário do projeto acabou sendo Pedro Brito, o “ministro” da pasta e homem de confiança de Ciro.
De seu lado, França, ex-prefeito de São Vicente, ampliou seu poder na Baixada Santista. “Nós, do PT, não temos nada no porto de Santos. As diretorias são ocupadas pelo PSB”, diz a vereadora santista e ex-prefeita Telma de Souza. França nega. “Nunca indiquei ninguém.”
A secretaria foi o dote oferecido por Lula para incorporar de vez o PSB à base de apoio ao Planalto, mas o próprio França admite sua proximidade com os tucanos paulistas. “É uma herança trazida desde os tempos do Mario Covas [governador do PSDB morto em 2001].”

Serra parceiro
Com a mudança de domicílio, Ciro tornou-se a opção preferencial de Lula para liderar uma chapa anti-PSDB no território do governador José Serra, em uma manobra que remonta a grandes nomes da política.
Mas a ideia não encontra tanta ressonância dentro do PSB paulista. “Prefiro ficar com a palavra do próprio Ciro de que não quer ser candidato ao governo. O Serra foi nosso principal parceiro nas eleições municipais do ano passado. É homem muito preparado”, diz o deputado estadual Jonas Donizete, vice-líder do tucano na Assembleia Legislativa.
Espremido entre tucanos e petistas, o PSB-SP aposta em duas “estrelas” para alavancar suas bancadas legislativas, o que provoca temores entre os petistas: o jogador Marcelinho Carioca, candidato à Câmara dos Deputados ou à Assembleia, e o escritor, professor e apresentador de TV Gabriel Chalita, egresso do PSDB.