11 de setembro de 2011
Luciana Nunes Leal e Bruno Boghossian / RIO – O Estado de S.Paulo
Além de partido “colaborador, mas independente” em relação à presidente Dilma Rousseff, o PSD nasce aliado de 18 dos 27 governadores e, na maior parte dos casos, ainda tende a segui-los nas eleições das capitais. O arco de alianças não tem preconceitos: vai do PT ao DEM, passando por PSB, PSDB e PMDB. A legenda criada pelo prefeito paulistano Gilberto Kassab será “independente” em cinco Estados, inclusive São Paulo, e no Distrito Federal. Estará na oposição em apenas três.
Andre Dusek/AE-13/4/2011

Nascido para aderir. Encontro em abril que marcou assinatura da ata de fundação do PSD
Com dois governadores – Raimundo Colombo, de Santa Catarina, e Omar Aziz, do Amazonas -, cinco vice-governadores, 49 deputados federais e dois senadores, o novo partido não vê motivos para vetos na escolha dos parceiros. “Não tivemos dificuldades de nos aliar às pessoas que facilitaram nossa formação. E não saímos por aí arrumando inimigos”, diz o futuro secretário-geral do PSD, Saulo Queiroz, ex-tesoureiro do DEM.
Entre os 18 governadores aliados, há um grupo de parceiros – patronos, até – que tiveram participação direta na estruturação do PSD nos Estados. Cederam aliados e, em contrapartida, fortaleceram suas bases.
Estão nesse grupo a governadora do Maranhão, Roseana Sarney (PMDB); o tucano Simão Jatene, do Pará; os petistas Jaques Wagner, da Bahia, e Marcelo Déda, de Sergipe; e o presidente nacional do PSB e governador de Pernambuco, Eduardo Campos.
Outro socialista, o cearense Cid Gomes, também apoiou a formação do PSD, coordenado no Estado por um de seus principais auxiliares, o gestor de gabinete do governo, Almircy Pinto.
Nas eleições de 2012 em Fortaleza, o PSD vai seguir a orientação de Cid Gomes. O mais provável é que o governador cearense mantenha o apoio ao PT da prefeita Luizianne Lins. Outra opção, se forem agravadas as divergências internas dos petistas, seria o lançamento de um candidato do PSB.
A situação se repete na sucessão de Recife. Eduardo Campos deverá manter a aliança com o PT, mas ainda há muita dúvida sobre a candidatura à reeleição do prefeito petista João da Costa. De qualquer maneira, o PSD será fiel à orientação do governador pernambucano.
Campos aproximou-se de Kassab desde o início de sua empreitada pelo novo partido, quando ainda se especulava sobre uma possível fusão do PSD com o PSB, mais tarde descartada. Além de decisivo na formação do novo partido em Pernambuco, o governador ajudou na aproximação do PSD com aliados de vários Estados e com a própria presidente Dilma Rousseff. “Não que o partido vá para a base do governo amanhã, mas vai ajudar a presidente Dilma nos momentos em que ela mais precisar. Essa é a disposição que ouço dos dirigentes do PSD: estar com a presidente quando ela tiver necessidade de apoio político no Congresso”, diz Eduardo Campos.
Rio. Para as eleições de 2012, uma das primeiras alianças anunciadas pelo PSD foi no Rio, pela reeleição do prefeito Eduardo Paes (PMDB).
Coordenados pelo ex-deputado Indio da Costa, candidato a vice-presidente na chapa do tucano José Serra em 2010, os pessedistas já se anteciparam também no apoio ao candidato do governador Sérgio Cabral (PMDB) em 2014, provavelmente o vice Luiz Fernando Pezão. Cabral é outro governador parceiro do PSD: ajudou na formação do partido na capital e em vários municípios do interior e liberou aliados para o ingresso na nova legenda.
Em outro grupo, estão os governadores que, nas palavras dos futuros dirigentes do PSD “não ajudaram, mas também não atrapalharam” a estruturação do partido. Nesse rol são citados os tucanos Antonio Anastasia, de Minas Gerais, e Beto Richa, do Paraná. O PSD é aliado dos dois governadores e deverá estar ao lado deles nas eleições municipais das capitais – nos dois casos, em apoio a prefeitos do PSB: Márcio Lacerda em Belo Horizonte e Luciano Ducci em Curitiba.
“Não é só o PSD que tem, nos Estados, alianças diferentes do plano nacional. As realidades locais são muito próprias”, argumenta o vice-governador da Paraíba, Rômulo Gouveia, que migrou do PSDB para o PSD, com a aprovação do governador Ricardo Coutinho (PSB).
“O PSD nasce eclético e novo na forma de fazer política”, define outro vice-governador, Robinson Faria, do Rio Grande do Norte, ex-PMN.
Saia justa. A criação do PSD no Estado criou constrangimento para a governadora Rosalba Ciarlini, filiada ao DEM e aliada do presidente nacional do partido, senador José Agripino (RN), que chegou a ingressar com ação judicial contra a nova legenda. Rosalba optou por manter distância da formação do PSD em seu Estado, mas não criou barreiras.
“A governadora me deu liberdade para formar o partido. Não foi protagonista, mas não se opôs. E agora ampliaremos a base da governadora”, explica Faria. De acordo com o vice, é Rosalba quem vai conduzir as negociações para as eleições municipais no Estado.
Horizontes
RÔMULO GOUVEIA
VICE-GOVERNADOR DA PARAÍBA
“Não é só o PSD que tem, nos Estados, alianças diferentes do plano nacional. As realidades locais são muito próprias”
ROBINSON FARIA
VICE-GOVERNADOR DO RN
“O PSD nasce eclético e novo na forma de fazer política”
EDUARDO CAMPOS
PRESIDENTE DO PSB
“Não que o partido vá para a base do governo amanhã, mas vai ajudar a presidente Dilma nos momentos em que ela mais precisar. Essa é a disposição que ouço dos dirigentes do PSD”
Em baixa, prefeito busca candidato que defenda ‘legado’
Kassab quer nome com compromisso eleitoral de propagandear sua gestão; PT avalia que candidatura do PSD atrapalhará tucanos
11 de setembro de 2011
Julia Duailibi – O Estado de S.Paulo
Depois de conseguir o número necessário de apoiadores nos Estados para criar o seu novo partido, o PSD, o prefeito Gilberto Kassab articula agora o nome para disputar sua sucessão na Prefeitura paulistana e defender seu legado político.
Tiago Queiroz/AE-13/6/2011

Resistência. PSB, aliado de Kassab, avalia que Afif é ‘um nome distante dos socialistas’
Ciente de que se for bem-sucedido na corrida de 2012, terá maior poder de fogo para disputar o Palácio dos Bandeirantes em 2014 – ou, num cenário menos favorável, o Senado -, o prefeito atua nos bastidores para pôr de pé uma candidatura que atenda a seu projeto eleitoral.
Kassab diz trabalhar com cinco nomes, mas seu entorno aposta, por enquanto, em dois: o vice-governador Guilherme Afif Domingos (PSD), e o secretário municipal do Verde e Meio Ambiente, Eduardo Jorge (PV).
A ideia de ter um candidato próprio evitaria a “desconstrução” de seu governo pelos adversários durante a campanha. O tamanho da pancada em debates e propagandas na TV poderia reduzir o capital eleitoral de Kassab. Com um nome governista, teria a defesa garantida, ainda que não chegasse ao segundo turno.
A cúpula do PT vê com bons olhos a estratégia eleitoral de Kassab. Seu fortalecimento seria sinônimo de perda de tônus político de Geraldo Alckmin (PSDB), provável candidato à reeleição ao Palácio dos Bandeirantes em 2014. Um candidato de Kassab disputaria os votos do eleitorado tucano. Principal artífice da estratégia petista para a eleição de 2012 em São Paulo, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva quer derrotar o PSDB na capital, enfraquecendo a oposição a ponto de tirar dos tucanos o governo de São Paulo em 2014.
Com 49 deputados federais e dois senadores no PSD, Kassab é tratado como aliado pelo governo federal. Setores do PT apostam no apoio dele ao candidato do governo num segundo turno.
Diante dos problemas de popularidade da gestão Kassab, Afif defenderia o legado do prefeito com maior convicção. O vice-governador ganhou inserção na capital no último ano, ao coordenar a campanha de Alckmin em 2010, quando visitou bairros da periferia e produziu boletins apontando carências e demandas locais. Na semana que vem, lançará um site com dados biográficos e trajetória política.
“Estou dedicado de corpo e alma ao projeto de criar o programa do PSD e às tarefas delegadas pelo governador Alckmin. Estou sem cabeça, corpo e membros para desviar do meu caminho”, afirmou Afif ao Estado, ao negar planos eleitorais. O vice pode disputar a eleição sem precisar se desincompatibilizar do cargo.
Afif conta com certa resistência no PSB, aliado preferencial de Kassab em 2012. A cúpula do partido vê o vice como um nome distante dos socialistas. Eduardo Jorge traria mais facilmente o apoio do PSB, além de ter a seu favor ser novidade numa eleição em que caras pouco conhecidas podem criar bônus eleitoral.
“Eduardo Jorge roeu a corda. Kassab já percebeu isso e busca outro nome”, avalia um interlocutor do prefeito para quem o nome não será o do secretário.
Para Kassab, até que o PSD seja oficialmente criado pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), é “cedo” para falar de nomes. “Estou confiante de que a Justiça se manifestará o mais rápido possível, tem todos os elementos para isso”, disse ao Estado.
Exposição. A principal missão agora é formar alianças que deem ao PSD tempo de TV. O TSE responderá a consulta sobre se deputados federais podem levar a um novo partido o tempo de TV – para calcular quanto cada sigla tem direito na campanha, o TSE usa como base o tamanho da bancada eleita.
Caso o TSE não permita a manobra aos parlamentares, o PSD dependerá de alianças para ter exposição. Alvos de investidas, PR, PSB e PC do B dariam quase sete minutos diários à sigla.
Marqueteiro
Para cuidar da imagem, o PSD tem a ajuda “informal” de Woille Guimarães, que trabalhou na campanha de Alckmin em 2010 e é sócio de Luiz Gonzalez, ex-marqueteiro de José Serra
Aproximação com o PT já produz alianças em São Paulo
Siglas articulam união em Osasco, Suzano, São Bernardo do Campo e em outros municípios no entorno da capital de SP
11 de setembro de 2011
Bruno Boghossian – O Estado de S.Paulo
A decisão do PT de abrir espaço para alianças com o PSD nas eleições municipais de 2012 acelerou o diálogo entre os dois partidos na Grande São Paulo. Logo após o 4.º Congresso petista, que praticamente liberou a aproximação com o novo partido, o PT reforçou a busca pelo apoio do PSD a seus candidatos no Estado – mesmo sem aprovação formal a essa união por seu diretório regional.
Em junho, conforme revelou o Estado, a direção do PT paulista impediu a aprovação de resolução que queria proibir alianças com o PSD em São Paulo. Na ocasião, ficou acertado uma nova consulta aos filiados paulistas.
Mas, com o objetivo de reforçar suas chapas em locais considerados estratégicos, os petistas articulam coligações com o PSD em Osasco, Suzano, São Bernardo do Campo e outros municípios do ABC paulista. Já o novo partido flerta com o PT para dar corpo a suas pretensões eleitorais em Barueri e Carapicuíba.
Segundo líderes petistas, a resolução nacional do partido, que proibiu alianças com PSDB, DEM e PPS, deve liberar, na prática, as coligações com o PSD. A interpretação de dirigentes é que os recentes gestos de aproximação de Gilberto Kassab em relação ao governo Dilma Rousseff não permitem que o PSD seja encarado como inimigo.
“No momento em que o PSD abre um espaço de diálogo com o governo Dilma, há uma tendência de que eles sejam tratados como aliados, inclusive no Estado de São Paulo”, avalia o presidente do PT paulista, Edinho Silva. “Na capital, o PT é oposição ao Kassab por questões específicas, mas não podemos construir nossa política de alianças pautados apenas por esse afastamento.”
As alianças entre os dois partidos nos municípios paulistas ainda precisam ser formalizadas em seminário que o PT local vai organizar no fim do ano, mas mesmo os petistas descontentes com o pacto admitem que não há como impedir a aproximação.
Marinho. No ABC, a afinidade é tão grande que o prefeito de São Bernardo do Campo, Luiz Marinho (PT), atuou como um dos articuladores da criação do PSD. Foi uma retribuição ao apoio dado pelo DEM de Kassab quando o petista foi eleito, em 2008. A expectativa é que o PSD faça parte da coligação que vai brigar pela reeleição de Marinho.
Em Santo André, o PT também demonstrou interesse em buscar o apoio do partido de Kassab para eleger o ex-sindicalista Carlos Grana e admite até abrir vaga de vice para a nova legenda. As lideranças do PSD em Ribeirão Pires e em Diadema também flertam com os petistas.
A constatação de que “o PSD não é o DEM” facilitou uma aproximação com o PT em Osasco. O partido de Kassab sinaliza que vai apoiar a candidatura do petista João Paulo Cunha, réu no processo do mensalão, afastando-se da possível chapa encabeçada pelo ex-prefeito Celso Giglio (PSDB).
Em Suzano, a união ainda depende de um nome de consenso para suceder ao prefeito Marcelo Cândido (PT). Em Carapicuíba, o vereador petista Alexandre Pimentel lidera os diálogos com o partido de Kassab e, em Barueri, o PSD aposta na filiação do deputado estadual Gil Arantes (DEM), contando com o apoio do PT para lançar sua candidatura.
Em Guarulhos, governada pelo petista Sebastião Almeida, o PSD está próximo do deputado tucano Carlos Roberto.
O FLERTE NA REGIÃO METROPOLITANA
São Bernardo do Campo
O PSD deve apoiar a reeleição de Luiz Marinho (PT), que ajudou a estruturar a legenda no ABC
Ribeirão Pires
A ex-prefeita Maria Inês (PT) tenta obter o apoio de antigos aliados que devem ir para o PSD
Santo André
PSD é assediado pelo PT, que vai lançar o nome de Carlos Grana
Diadema
O PSD alega ter sintonia com grupos do PC do B, mas estuda apoiar os petistas
Osasco
O PT tenta conseguir uma aliança com o PSD a favor da candidatura do deputado João Paulo Cunha
Suzano
Os dois partidos têm interesses em montar uma aliança, mas pretendem buscar um candidato de consenso
Barueri
O partido de Kassab busca filiar um deputado estadual da região, que teria o apoio do PT
Carapicuíba
Há diálogos entre o PSD e o presidente da Câmara Municipal, o petista Alexandre Pimentel