28/08/2012 - 09:07h Relações de Lula e Campos por um fio

Por Raymundo Costa – Valor

Amigos inseparáveis, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o governador de Pernambuco, Eduardo Campos, estão com as relações pessoais e políticas estremecidas. Na realidade, os dois chegaram à beira do rompimento, depois que Eduardo Campos se recompôs politicamente com o senador Jarbas Vasconcelos (PMDB-PE), com o início da campanha eleitoral. Mas o que move PT e PSB, numa disputa quase fratricida, são as duas próximas eleições presidenciais.

Lula “adorava” Jarbas, segundo contam amigos do ex-presidente, mas os descaminhos da política levaram o senador pernambucano a se transformar num dos mais ácidos críticos do presidente, no segundo mandato. A memória de Lula ainda traz bem impressa a imagem de uma visita que Jarbas fez à sua casa, em São Bernardo do Campo.

Para mostrar a admiração que tinha por Jarbas, Lula costuma contar uma das “maiores humilhações” que teria sofrido até hoje. O agora ex-presidente recebeu em sua casa, em São Bernardo do Campos, o já consagrado senador e sentou-se num sofá surrado bem sobre o rasgão que não gostaria que Jarbas visse. Constrangido, não se levantava e passou a maior parte do tempo sentado, o que impedia Jarbas também, por educação, de levantar e ir embora.

Estremecimento Lula e Campos é uma prévia de 2014

À época, Jarbas era um dos mais importantes líderes do grupo do PMDB que fazia oposição ao regime militar. Quando assumiu o Palácio do Planalto, Lula tinha boas expectativas em relação ao senador. Ocorre que entre os dois havia Eduardo Campos, adversário de Jarbas, à época ministro da Ciência e Tecnologia, presidente nacional do PSB e deputado de boa cepa pernambucana: neto do lendário governador Miguel Arraes.

Em pouco tempo, Eduardo se tornou uma ameaça ao PT. Além de estirpe, o governador pernambucano se revelou um hábil articulador político e não tardou a botar novamente de pé o antigo Partido Socialista (PSB). Sob o olhar condescendente de Lula e a desconfiança do PT, aos poucos o governador foi avançando pelo Nordeste, região eleitoralmente forte e que recebeu grandes benefícios do governo Lula. Tanto que o PT ganhou as últimas eleições com facilidade na região.

Eduardo Campos decidiu fazer um gesto de boa vontade eleitoral em São Paulo: não foi fácil, mas ele conseguiu convencer os dirigentes do PSB local a apoiar o candidato do PT a prefeito, o ex-ministro da Educação Fernando Haddad. “Fizemos quase uma intervenção branca apenas para atender o Lula, que, todos nós sabemos, quer eleger o Haddad”, conta um dirigente do PSB. Os pessebistas ofereceram duas opções para a vice: a deputada Luiza Erundina e o educador César Calegari. O PT escolheu Erundina.

Outro conflito PT-PSB foi o do Recife. Os pessebistas concluíram que Lula errou do início ao fim na negociação para manter a aliança entre os dois partidos: O PT exigia liderar a aliança quando estava rachado em três facções. Lula também não se impôs ao PT e apontou um candidato como fez em São Paulo.

“Vamos lançar o nosso [candidato]. Se eu entrar nessa história não vamos ficar bem com nenhum dos lados [as facções do PT em disputa]. Como o PT é o partido no poder, o PSB considera legítimas suas aspirações por espaço, mas entende que o que a sigla quer mesmo é se tornar “exclusivista e esquece que a época do stalinismo passou”, avalia-se no PSB. A sigla, por exemplo, acha que teria boas chances nas eleições de Salvador. O PT não abriu mão de impor o nome de Nelson Pelegrino. Restaram à sigla de Eduardo cidades com menor potencial eleitoral no Norte do país. Essa é a queixa.

No fundo, o que contamina as relações entre PT e PSB é o pós-lulismo, o que virá depois do controle, esse sim quase hegemônico, do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. As relações pessoais entre Lula e Eduardo, embora abaladas, em breve serão restabelecidas, conforme acreditam os mais radicais de um e outro partido.

A relação política é outra coisa. Quando Lula se queixou da aliança de Eduardo com Jarbas, o pernambucano reagiu com o chamado tapa com luvas de pelica: ele não fora à casa do senador do PMDB para pedir apoio político. Jarbas é que o visitara.

Lula, evidentemente, não gostou de ser lembrado da visita que fez à casa de Paulo Maluf para celebrar a aliança do PP com o PT, em São Paulo. Assim como Eduardo Campos dificilmente vai dar crédito à explicação, dada no Planalto, segundo a qual aguardara por quatro horas para ser recebido pela presidente Dilma Rousseff.

De acordo com o Palácio do Planalto, o que ocorreu foi uma grande confusão: quando já se estava com o programa de concessões pronto para o lançamento, alguém lembrou que os governadores não haviam sido convidados para a cerimônia. Foi um corre-corre, noite adentro. Pelo menos uns 20 governadores conseguiram modificar a agenda e arrumar transporte para Brasília. Eduardo entre eles.

Posteriormente, alguém teria visto o governador de Pernambuco na antessala de um assessor e vazou a versão segundo a qual ele esperou para ser recebido. Verdadeira ou não, o fato é que Eduardo registrou a intriga: “Ela se esquece que depois dessa eleição tem outra”. Referia-se a Dilma, é claro.

Eduardo já disse que não quer ser candidato ao Senado ou a vice-presidente, quando deixar o governo. Ele efetivamente analisa a “tática Ciro”, ou seja, sair candidato já em 2014 a fim de se tornar conhecido para 2018. Mas também conversa com Aécio Neves – uma conversa aparentemente sem futuro, pois caberia a ele a vice, enquanto o tucano ficaria com a cabeça de chapa.

Sobre o futuro da relação do grupo, é ilustrativo um episódio ocorrido antes da viagem de Dilma ao México. A presidente perguntou a Gleisi Hoffmann qual seria o presente oficial da comitiva. Dilma não gostou da resposta e determinou: “Liga para a Fatinha [mulher do governador Jaques Wagner] ou para a Renata [mulher de Campos]. Evidentemente ela pensava em uma peça com a cara do Nordeste brasileiro.

Raymundo Costa é repórter especial de Política, em Brasília. Escreve às terças-feiras

E-mail: raymundo.costa@valor.com.br

13/07/2012 - 08:40h Humberto Costa é líder isolado no Recife

VALOR

O senador Humberto Costa (PT-PE) continua líder isolado nas pesquisas de intenção de voto para a Prefeitura de Recife, segundo pesquisa do Instituto de Pesquisa Maurício de Nassau divulgada nesta quinta-feira pelo portal “LeiaJá”. Na sondagem estimulada, o petista tem apoio de 35,5% dos entrevistados, contra 20,7% do deputado federal Mendonça Filho (DEM).

Candidato do governador Eduardo Campos (PSB), o ex-secretário de Governo Geraldo Júlio (PSB) recebeu 6,8% das intenções de voto, em empate técnico com o deputado estadual Daniel Coelho (PSDB), que conta com o apoio de 5,6% dos eleitores.

Foi a primeira pesquisa do instituto com a inclusão do nome de Geraldo Júlio, que nunca disputou uma eleição e entrou na disputa depois do racha entre PT e PSB. A pesquisa também mostra que a indecisão dos eleitores ainda é grande: 8% dos entrevistados ainda não sabem em quem votar e outros 20,7% dizem que votarão branco ou nulo.

Na sondagem espontânea, Costa continua a liderar e é citado como candidato favorito por 23,3% dos entrevistados. Mendonça Filho é lembrado por 13%, seguido por Geraldo Julio (5,1%) e Daniel Coelho (3,5%). O ex-prefeito João Paulo (PT), que é vice de Humberto Costa, é citado como seu candidato favorito por 1,6%. Já o atual prefeito, João da Costa (PT), que foi impedido pela direção nacional do partido de tentar a reeleição, recebeu apoio de 3,3% dos entrevistados.

A pesquisa, que ouviu 1080 eleitores entre os dias 9 e 10 de julho e foi registrada no Tribunal Regional Eleitoral de Pernambuco (TRE-PE) sob o número 0041/201, não mede a intenção de voto em um possível segundo turno. A margem de erro é de 3,5 pontos percentuais. (RDC)

04/07/2012 - 09:49h PSB antecipa plano presidencial após atritos com PT

Cresce entre socialistas tese de Eduardo Campos disputar Planalto já em 2014, após afastamento dos petistas na eleição municipal

04 de julho de 2012

CHRISTIANE SAMARCO / BRASÍLIA – O Estado de S.Paulo

O afastamento do PT nas disputas municipais pode antecipar para 2014 o projeto do PSB de lançar o presidente do partido e governador de Pernambuco, Eduardo Campos, na disputa pelo Palácio do Planalto, plano antes previsto para 2018.

A tese da candidatura própria já ganhou novos adeptos no PSB, no embalo do fortalecimento da liderança nacional de Campos e do rompimento de parcerias com o PT no Ceará, em Pernambuco e em Minas. Dirigentes socialistas dizem que está em curso o processo de libertação do PT, que sempre pede apoio, mas resiste a apoiar aliados.

“O resultado das eleições deste ano pode determinar nossa alforria antes de 2018″, prevê, otimista, o deputado Júlio Delgado (MG), um dos poucos membros da cúpula socialista que assumem em público a queixa generalizada diante da resistência dos petistas em apoiar aliados.

Diante deste cenário, lideranças do PT temem os reflexos de tal afastamento. O ex-ministro José Dirceu foi um dos que demonstraram preocupação com a reviravolta na capital mineira, onde o PT saiu da chapa à reeleição do prefeito Márcio Lacerda (PSB). “O fim da aliança em Belo Horizonte, depois de ter ocorrido o mesmo em Recife e Fortaleza, põe em risco o acordo nacional entre os dois partidos”, admitiu Dirceu em seu blog.

Alternativa. Nos bastidores do PSB, a avaliação é que o partido se transformou em alternativa de poder, “para o bem do Brasil”. No entender dos socialistas, é preciso romper com a polarização entre PT e PSDB, tratada por ambos os lados como a disputa entre o bem e o mal, o atrasado e o moderno. Um dos governadores do PSB destaca que o projeto de chegar ao Palácio do Planalto está em curso, seja para 2014 ou 2018, até porque o PT terá de “dar um tempo e sair da Presidência, para oxigenar o País com a alternância do poder”.

Num paralelo entre a “libertação” do PT e a abolição da escravatura, Júlio Delgado afirma que, para seu partido, a Lei do Ventre Livre foi sacramentada em 2010, quando seis governadores se elegeram pela sigla.

“Nossa relação com a presidente Dilma (Rousseff) é excelente, mas, se a nossa lei dos sexagenários for decretada agora, na disputa pelas prefeituras, e o Eduardo Campos estiver num bom momento em 2014, como está hoje, ele parte para o voo solo”, completa o deputado, referindo-se à lei que garantiu a liberdade de escravos com mais de 65 anos, quatro anos antes da abolição da escravatura no Brasil.

Inconformado, José Dirceu culpa o senador Aécio Neves (PSDB-MG) pelo divórcio entre o PT e o PSB de Minas. “Há manobras e manobras nessa história e elas têm o dedo e a mão toda do senador Aécio, apesar de passarem para a imprensa que o PT é o responsável pelo rompimento.”

Embora o PT tenha tomado a decisão de sair da chapa de Lacerda para lançar candidato em Belo Horizonte, Dirceu tem seus motivos para responsabilizar o tucano. Afinal, foi Aécio quem promoveu uma reunião de Lacerda com Ciro Gomes na terça-feira da semana passada, em Brasília. Ciro é defensor intransigente da tese da independência do PSB em relação ao PT.

04/07/2012 - 09:36h Executiva do PT sela candidatura de Patrus em Belo Horizonte


Ex-ministro cobrou e recebeu o aval da presidente Dilma e de Lula; petistas descartam novo acordo com Lacerda, do PSB, alegando que partido não é ’subalterno’

04 de julho de 2012

Daiene Cardoso, da Agência Estado

Com o aval da presidente Dilma Rousseff e do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, a Executiva Nacional do PT indicou ontem o ex-ministro Patrus Ananias para concorrer à Prefeitura de Belo Horizonte.

O nome de Patrus deverá ser referendado por uma comissão formada pelo atual vice-prefeito Roberto Carvalho e pelo deputado federal Miguel Correa Júnior, que chegou a ser indicado pelo PT para ser vice na chapa do prefeito Marcio Lacerda (PSB), candidato à reeleição.

Após a reunião, na sede do partido em São Paulo, o presidente nacional do PT, deputado estadual Rui Falcão, disse que o vice-presidente nacional do PSB, Roberto Amaral, chegou a pedir um tempo para reverter a decisão de Lacerda – que rompeu o acordo com o PT na capital mineira em favor do PSDB. “Não podemos ficar na expectativa do que eles vão fazer. O PT não é um partido subalterno”, reagiu Falcão.

Em seu entender, o acordo entre PT e PSB em Belo Horizonte foi “rasgado unilateralmente” por Lacerda e rompimento de acordo em política “é uma coisa gravíssima”. Falcão elogiou a disposição de Roberto Carvalho de buscar uma candidatura própria. “Ele sempre defendeu a candidatura própria, argumentando que o prefeito Marcio Lacerda poderia, a qualquer momento, nos surpreender. Temos de reconhecer hoje que o Roberto Carvalho, neste aspecto, tinha razão.”

Falcão disse que não vê nos rompimentos entre PT e PSB em outras capitais um sinal de que o governador Eduardo Campos tenha projetos independentes do PT. “Não vejo nele nenhuma intenção de precipitar a sucessão de 2014 agora. Até porque ele tem dito que estará com a companheira Dilma em 2014″, ponderou o presidente petista, ressaltando que o rompimento do PT em Belo Horizonte é com o Marcio Lacerda.

Vice. A partir desta quarta-feira, 4, o PT pretende conversar com os partidos da base do governo federal para definir o vice de Patrus. Embora o PMDB já tenha candidato e o PDT esteja com ele coligado, os petistas acreditam que podem atrair esses partidos para a nova chapa. “Assim como se criou um quadro novo a partir do rompimento do acordo com Lacerda, essa movimentação toda pode criar uma nova realidade em Belo Horizonte”, avisou Falcão.

Formalmente, o candidato do PT em Belo Horizonte é o atual vice-prefeito Roberto Carvalho, que fez anteontem o registro no TRE para garantir uma candidatura petista. Com o acerto de ontem, ele deve abrir mão da candidatura em favor de Patrus.

“Não tem mais volta, temos candidatura própria e estamos unidos para a disputa”, avisou Correa Júnior. “Com o rompimento, o PT de Belo Horizonte está deixando a administração de Lacerda.”

03/07/2012 - 08:29h Recife fica dividida na polarização entre ex-aliados

VALOR

Imprudência, ineficiência e ingerência. Eis a receita que transformou uma eleição tida como certa em uma odisseia com desfecho trágico anunciado. Confortavelmente instalado na Prefeitura do Recife desde janeiro de 2001, o PT de Pernambuco não tinha dúvidas, até bem pouco tempo atrás, de que o lugar estaria garantido por pelo menos mais quatro anos. A gestão tímida e mal avaliada, sobretudo pela classe média, era compensada pelo suporte do governador Eduardo Campos (PSB), cujo acúmulo de poder político parece não ter limite.

Lançado candidato à revelia do comando petista no Estado, o atual prefeito do Recife, João da Costa (PT), começou a gestão com o pé esquerdo. Uma briga com o fiador de sua candidatura – o antecessor e hoje deputado federal João Paulo Lima e Silva – resultou na suspensão do contrato de limpeza urbana, o que deixou Recife mergulhada no lixo por algumas semanas. A má impressão inicial ganhou força meses mais tarde, quando o período de chuvas piorou a situação das já esburacadas ruas e calçadas. O trânsito caótico também acabou debitado integralmente na conta do prefeito.

Mal avaliado e sem a proteção do antecessor, muito popular na cidade, Costa ficou vulnerável. O comando petista não via motivos para mantê-lo no cargo. Desde os primeiros anos da gestão, líderes do partido já falavam, reservadamente, da possibilidade de Costa ser retirado do jogo no fim do primeiro mandato. Com a ajuda do governador e da Frente Popular – amontoado de legendas que Campos lidera – seria relativamente simples colocar outro nome petista na prefeitura. A oposição, esvaziada, também não oferecia risco.

O plano, entretanto, foi mal executado. Sentindo-se ameaçado, o prefeito agiu intensamente nas bases do partido, ao recrutar milhares de militantes para uma eventual prévia. Sua vitória na eleição interna foi contestada pelos derrotados e o imbróglio se arrastou por meses até o diretório nacional do PT impor o nome do senador Humberto Costa como candidato do partido. Pressionado pela Frente Popular, Eduardo Campos viu na briga petista a chance de estender seus tentáculos para a capital, e acabou lançando candidato próprio.

Com isso, o PT chegou em frangalhos à convenção que na sexta-feira confirmou a candidatura de Humberto Costa para a corrida municipal. Para manter-se à frente da prefeitura, o partido terá a missão de defender o projeto em curso desde 2001 e, ao mesmo tempo, explicar os motivos pelos quais o prefeito saiu de cena. Toda essa argumentação terá que ser feita em pouco mais de cinco minutos de programa de televisão, já que a chapa petista conta apenas com o PP de Paulo Maluf e o inexpressivo PHS.

Campos carregou quase todos os partidos da Frente Popular. O suporte de 16 legendas vai proporcionar ao seu candidato, o ex-secretário estadual de Desenvolvimento Geraldo Júlio, quase 13 minutos no programa eleitoral.

No lançamento da candidatura, na semana passada, o governador poupou o PT de críticas mais ácidas, a fim de evitar que a crise aberta no Recife, em Fortaleza e, desde sábado, em Belo Horizonte – onde a aliança também foi rompida – ganhasse ainda mais destaque. No entanto, justificou a candidatura do PSB como uma reação aos “debates enfadonhos e desprovidos de conteúdo” travados no PT.

Desconhecido do eleitorado e estreante em eleições, Geraldo Júlio deverá usar o tempo na televisão para se apresentar como um técnico disposto a solucionar os problemas estruturais da cidade. As principais queixas dos recifenses estão concentradas no setor de mobilidade urbana, seja pelos crescentes congestionamentos, pela ineficiência do transporte público ou pela má conservação das ruas, avenidas e calçadas.

Ao repelir o PT, a Frente Popular incorporou quase que automaticamente o PMDB, que até pouco tempo era a principal força de oposição a Campos no Estado. Tido como um dos candidatos mais competitivos para a sucessão municipal, o deputado federal Raul Henry (PMDB) retirou seu nome e, na semana passada, já estava sentado ao lado do governador no lançamento da candidatura do PSB.

A adesão pemedebista colocou em situação ainda mais difícil uma oposição que, apesar da fragilidade, não conseguiu se unir em torno de um só candidato. Assim, sem apoio de nenhum partido, o DEM lançou o e ex-vice-governador Mendonça Filho, que apesar de aparecer bem colocado nas últimas pesquisas de intenção de voto, não deve ir longe. Já o PSDB terá apenas a companhia do nanico PTdoB para a candidatura do deputado estadual Daniel Coelho. O tucano ainda aguarda um posicionamento do PPS, que desistiu da candidatura do ex-deputado federal Raul Jungmann.

Geraldo Júlio ainda não estava incluído na pesquisa de intenção de votos mais recente feita pelo Instituto de Pesquisa Maurício de Nassau para o “Jornal do Commércio”. Análises feitas pelo instituto considerando a possibilidade – agora confirmada – de lançamento de um candidato pelo PSB preveem uma polarização com o PT.

A alta exposição de Humberto Costa – em função das disputas dentro do PT – e uma possível associação de sua candidatura ao governador Eduardo Campos parecem ter impulsionado a intenção de votos no senador. Outro fato que mostra a tendência de polarização da disputa é a crescente perda de espaço da oposição. A pesquisa mostra que, somados, os então candidatos – além de Mendonça Filho, constavam da pesquisa Daniel Coelho e Raul Henry, que deixou a disputa – somavam 28% das intenções de votos, oito pontos percentuais abaixo dos 36% alcançados por Costa.

02/07/2012 - 19:45h Patrus Ananias diz que não pediu para ser candidato em Belo Horizonte

Petista diz que espera apoio ‘político e material’ da direção nacional petista, além da presença de Lula e Dilma na campanha
02 de julho de 2012

Marcelo Portela, de O Estado de S.Paulo

O ex-ministro Patrus Ananias afirmou ao Estado que em nenhum momento pediu para ser candidato do PT para prefeito de Belo Horizonte – cargo que já ocupou entre 1993 e 1996 -, mas acatará a decisão do partido. Ressaltou, porém, que, caso a decisão seja por sua candidatura, ele espera apoio “político e material” da direção nacional petista, além da presença do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e da presidente Dilma Rousseff na campanha.

Como o senhor vê a possibilidade de voltar a disputar a prefeitura de Belo Horizonte?
Primeiro, há questões preliminares a serem processadas. Ainda há possibilidade de repactuação com o PSB. Havia uma relação de confiança e foi feito um acordo, que não foi cumprido. Mas acredito que ainda é possível a repactuação.

Mas o senhor aceitaria ser o candidato do PT?
Não estou reivindicando ser candidato. Sou militante do PT há 32 anos e estou à disposição do partido. Mas é preciso processar com cuidado a questão. Tenho uma relação afetiva com o Roberto Carvalho. Somos amigos desde os anos 1970 e é uma relação familiar mesmo. A também a questão política. A tese dele (de candidatura própria) prevaleceu e ele mostrou que tem presença política na cidade.

Caso a decisão seja por sua candidatura, como pretende conduzi-la?
A candidatura só tem sentido se for pela unidade partidária. Essa é uma condição. Também queria, dentro dos limites legais e éticos, apoio político e material da direção nacional do partido. Inclusive de agenda, com a presença da presidente Dilma e do presidente Lula. Porque é pelo crescimento do PT em Belo Horizonte, no Estado e no País.

02/07/2012 - 19:38h PT confirma fim da aliança com PSB em Belo Horizonte


Enquanto petista pedem a candidatura de Patrus Ananias, Lacerda trabalha para tentar reverter o racha

02 de julho de 2012

Marcelo Portela, de O Estado de S.Paulo

A direção do PT em Minas Gerais confirmou nesta segunda-feira, 2, o fim da aliança com o PSB para a disputa pela reeleição do prefeito de Belo Horizonte, o socialista Marcio Lacerda. Nesta terça, 3, petistas mineiros se reúnem com a direção nacional do partido em São Paulo para indicarem à instância máxima da legenda o nome do ex-ministro Patrus Ananias como candidato para a disputa pelo Executivo da capital mineira. Já Lacerda afirmou que tentará “até o último minuto” recompor a aliança, mas já anunciou como vice o secretário municipal de Governo Josué Valadão (PP) no lugar do deputado federal Miguel Corrêa Júnior (PT).

A direção estadual do PT homologou o lançamento de candidato própria, decidida na convenção do partido, no sábado, 30, após a legenda ser comunicada da decisão do PSB de não fazer coligação proporcional na capital, considerada pelos petistas como “traição” de Lacerda. E informou que ainda nesta segunda o prefeito deveria receber comunicado petista entregando os cerca de 900 cargos em todos os escalões que o partido tem na administração municipal.

Para o prefeito, porém, o PT rachou por “uma questão pequena, que é essa questão dos vereadores”. Ele afirmou que tentaria novas negociações com a direção petista, mas confirmou que o PSB não vai rever sua decisão. “Romper essa aliança vitoriosa em Belo Horizonte por uma disputa de cadeiras na Câmara Municipal não é uma atitude correta. O PSDB passou a alegar de uns meses para cá que, já que o PT tinha a (vaga de) vice, seria injusta a aliança proporcional. Seria uma questão de equilíbrio das forças políticas e nós achamos que essa posição do PSDB é justa”, disse, após evento oficial na prefeitura do qual participou ao lado do governador tucano Antonio Anastasia, que tem no vice-governador Alberto Pinto Coelho um correligionário do candidato a vice apontado por Lacerda.

Miguel Corrêa Júnior, no entanto, ressaltou que o racha foi decidido em razão de uma “quebra de confiança muito grande”. “Não é uma disputa por vagas na Câmara. É o descumprimento de um acordo, que não foi unilateral”, emendou o presidente do PT mineiro, deputado federal Reginaldo Lopes. Ele apresentou documentos assinados por Lacerda afirmando que a decisão sobre a questão seria do presidente do diretório estadual do PSB, o ex-ministro Walfrido Mares Guia, e outro do próprio Walfrido aceitando a coligação proporcional com o PT.

“O Walfrido lutou até o fim. Mas o prefeito cedeu aos caprichos e vaidades do príncipe Aécio”, disparou Lopes, referindo-se ao senador Aécio Neves (PSDB-MG). Pelas informações de bastidores, o tucano teria entrado em contato com Lacerda informando que, caso o PSB fizesse aliança proporcional com o PT, seria o PSDB que deixaria a coligação. “O rompimento do PSB local foi com o PSB nacional, com o ex-presidente Lula e com a presidente Dilma (Rousseff)”, declarou Miguel Corrêa, segundo o qual o presidente nacional socialista, o governador Eduardo Campos (PE), seria favorável ao acordo com o PT.

02/07/2012 - 08:21h Em BH, PT já fala em Patrus contra Lacerda


Cúpulas petista e do PSB se mobilizaram ontem para recompor o acordo, mas ex-ministro de Lula pode entrar na disputa

02 de julho de 2012

MARCELO PORTELA , BELO HORIZONTE – O Estado de S.Paulo

A decisão do diretório municipal do PT de deixar a aliança pela reeleição do prefeito de Belo Horizonte, Marcio Lacerda (PSB), mobilizou ontem as direções das duas legendas, que ainda tentam recompor o acordo. Algumas lideranças petistas, porém, já não acreditam que o PSB possa rever a sua posição – contrária a uma coligação proporcional na capital mineira. Assim, já articulam para lançar o ex-ministro Patrus Ananias como candidato. Marcio Lacerda tem o apoio do PSDB, de Aécio Neves, e de diversos partidos da base do governo federal. No sábado à noite, o PT-BH lançou o vice-prefeito Roberto Carvalho, desafeto de Lacerda, como candidato à prefeitura.

Os contatos entre petistas e PSB começaram ainda no sábado, assim que a decisão do diretório municipal do PT foi anunciada. Desde então, o ministro do Desenvolvimento, Fernando Pimentel, vem conversando com os presidentes nacionais do PT, Rui Falcão, e do PSB, governador Eduardo Campos (PE), para tentar reverter o cenário.

Ontem, o secretário-geral do PSB, Carlos Siqueira, desembarcou em Belo Horizonte para se encontrar com o prefeito e o com presidente do PSB mineiro, o ex-ministro Walfrido dos Mares Guia. Em seguida, falariam com a direção do PT mineiro. O Estado tentou falar com líderes do PSDB, mas nenhum deles atendeu ao telefone. “Se a avaliação do Marcio (Lacerda) for diferente, reorganizamos e fazemos a aliança”, afirmou um dos interlocutores de Pimentel e integrante do diretório petista em Minas.

Revolta. A direção do PT não esconde que está revoltada com a postura do prefeito. Nos bastidores, a informação é de que Lacerda teria sido “enquadrado” pelo senador Aécio Neves (PSDB-MG) para não fazer a aliança proporcional com os petistas – decisão que foi comemorada com entusiasmo durante a convenção tucana na capital, realizada simultaneamente à do PT, no sábado.

Tucanos. O PSDB já conta com a possibilidade de indicar o candidato a vice de Lacerda. Aécio foi, junto com Pimentel, o principal articulador da candidatura do prefeito em 2008, assim como da tentativa de reedição da aliança.

“O Aécio quer derrotar o PT e agora tem que assumir o ônus. Porque a decisão do Lacerda foi contra o PT de Belo Horizonte. Mas ele está disposto a romper com o PT nacional, com o Lula e com a Dilma?”, indagou um dos petistas que participam das negociações. Segundo esse dirigente, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e a presidente Dilma também já se inteiraram do imbróglio criado na eleição de Belo Horizonte e estariam ajudando a encontrar uma saída – o que incluiria contatos com Patrus para viabilizar sua candidatura. Isso demandaria uma espécie de intervenção branca no diretório municipal.

“As decisões que tinham que ter sido tomadas já o foram. Não acredito em nenhum tipo de intervenção e o Patrus afirmou que está inteiramente à disposição da minha campanha”, afirmou Roberto Carvalho.

02/07/2012 - 08:16h Prefeito de BH ameaça desistir de reeleição

Por Marcos de Moura e Souza | VALOR

De Belo Horizonte

O prefeito de Belo Horizonte, Márcio Lacerda (PSB), que segundo todas as pesquisas têm fortes chances de ser reeleito em outubro, ameaça retirar sua candidatura. O recado foi enviado no fim de semana ao PT e chegará também ao PSDB, segundo apurou o Valor.

PT e PSDB governam com Lacerda desde 2009. Há meses, o prefeito tenta costurar uma reedição da aliança com as duas legendas. Mas a antecipação, por parte de seus dois aliados, pelas disputas eleitorais de 2014, dificultam muito a tarefa de Lacerda de ter ambos no palanque.

No sábado, a situação ficou ainda mais difícil. O PSB, em convenção municipal, decidiu ficar sozinho na chapa da eleição proporcional de vereadores, sem coligação com PT ou PSDB. Isso enfureceu lideranças petistas de Minas Gerais, que exigiam a proporcional como condição para apoiar a reeleição do prefeito.

O PT reagiu no sábado mesmo: a executiva municipal lançou um candidato a prefeito, o atual vice-prefeito, Roberto Carvalho. Mas como Carvalho está longe de ser unanimidade, outras lideranças do partido falam agora em lançar o ex-prefeito e ex-ministro do governo Lula, Patrus Ananias. Mas isso só se o PSB não voltar atrás e não fechar a chapa proporcional com PT.

Lacerda tem dois aliados de peso: o senador Aécio Neves (PSDB-MG), principal nome hoje da oposição à eleição presidencial de 2014, e o ministro do Desenvolvimento Fernando Pimentel (PT). Foi um acordo entre os dois que elegeu Lacerda, então secretário de Estado no governo Aécio, em 2008. No fim de semana, Lacerda pendeu para Aécio. O prefeito apoiou a decisão da executiva nacional de não fechar chapa proporcional com ninguém.

Aécio prevenira Lacerda que se o PSB fechasse a proporcional com o PT, o PSDB pularia fora de sua campanha pela reeleição. O argumento tucano é que o PT já tinha indicado o candidato a vice-prefeito e com a chapa proporcional aumentaria sua bancada na Câmara Municipal.

Incomodado com o que considera ser uma disputa de seus dois aliados atuais já com vistas às eleições de 2014, quando Lacerda poderia concorrer ao governo do Estado, o prefeito diz agora que tem quatro hipóteses: dizer sim ao PT na chapa proporcional e perder os tucanos; abraçar os tucanos, fechando com eles eventualmente a chapa proporcional; disputar sozinho, elegendo apenas os vereadores de seu partido, ou desistir da candidatura.

21/06/2012 - 08:56h PT sonda aliados e PC do B ganha força para vice

Sem Erundina, correligionários de Haddad buscam nomes em siglas como PTB; Lula quer encontrar Rabelo e fechar aliança com parceiro tradicional

21 de junho de 2012

O Estado de S.Paulo

Em busca de um vice para a chapa de Fernando Haddad, pré-candidato a prefeito de São Paulo, o PT buscou opções em siglas como PSB e PTB, mas tende a deixar a indicação com o PC do B.

“Decidimos dar prioridade à construção da aliança. Após essa consolidação discutiremos a questão da vice”, informou o coordenador da campanha, vereador Antônio Donato (PT), que reconheceu: “Temos uma conversa mais avançada com o PC do B”. Na terça-feira, a deputada Luiza Erundina (PSB-SP) desistiu de ocupar a vaga em protesto às deferências do PT ao PP, de Paulo Maluf. No mesmo dia, o advogado Pedro Dallari (PSB) foi procurado por colegas de partido, mas também não aceitou.

Na própria terça-feira, deputados estaduais do PT se encontraram com o colega de Assembleia Campos Machado (PTB) e o sondaram sobre a indicação do advogado Luiz Flávio D’Urso (PTB), pré-candidato do partido, para a vice. Campos pediu dois dias para responder e deve dizer não.

“Eu continuo com minha candidatura posta, mas, se o partido vier a tomar decisão diferente, mudaremos o rumo”, afirmou D’Urso. Campos se encontrara com petistas no sábado, quando disse que precisava ter candidatura para fortalecer seu partido. O PSDB também corteja o PTB .

O ex-presidente Lula pretende conversar hoje, durante a Rio+20, com o presidente do PC do B, Renato Rabelo. O petista poderá até oferecer a vice ao tradicional aliado, que tem três candidatos à vaga: a deputada Leci Brandão, o vereador Jamil Murad e a presidente da sigla em São Paulo, Nádia Campeão.

Entre os três, o PT manifesta preferência por Nádia. O partido avalia que o eleitor teria dificuldade para aceitar Leci, que nunca ocupou cargo no Executivo, como vice de um candidato novato. Nádia foi secretária na gestão Marta Suplicy (2001-2004).

Ontem, o ex-ministro do Esporte Orlando Silva, Nádia e dirigentes do PC do B acertaram, em um café da manhã com Haddad, que a aliança deve sair antes da decisão sobre a vice. Depois, reuniram-se entre si, e saíram reafirmando, em público, a candidatura de Netinho de Paula.

Apesar de tudo, vereadores do PSB ainda tentavam indicar o vice de Haddad. Faziam circular os nomes da deputada Keiko Ota e do ex-jogador Marcelinho Carioca. O PT rechaça ambos. / FERNANDO GALLO, JOÃO DOMINGOS, JULIA DUAILIBI e BRUNO BOGHOSSIAN

26/03/2012 - 09:52h PT aprova aliança para reeleger Lacerda em BH

Por Marcos de Moura e Souza | VALOR

De Belo Horizonte

O PT confirmou ontem que vai apoiar a reeleição do prefeito de Belo Horizonte, Marcio Lacerda (PSB), em outubro. No encontro de tática eleitoral do diretório municipal, delegados petistas aprovaram por 255 votos (contra 224) a tese da aliança. Lacerda reeditará, assim, a fórmula que o elegeu em 2008, quando contou com o apoio tanto do PT quanto do PSDB. Atualmente, ele é franco favorito a vencer a eleição.

A presença dos tucanos na aliança desagrada grande parte da base e dos delegados do diretório do partido em Belo Horizonte, mas o que a maioria decidiu é que isso não será um impedimento para a manutenção do apoio a Lacerda. “Em aliança não podemos impor”, disse o petista Patrus Ananias, ex-ministro do governo de Luiz Inácio Lula da Silva e ex-prefeito de Belo Horizonte. “Quem quer fazer aliança não pode fazer chantagem.”

O PSB integra a base da presidente Dilma Rousseff. Os dois partidos, lembrou Ananias, têm uma aliança nacional estratégica. Ao seguir apoiando Lacerda, o PT facilita as negociações dos dois partidos em outras cidades, disse o secretário-geral do PSB em Minas Gerais, Mário Assad Júnior. Em São Paulo, por exemplo, o candidato petista Fernando Haddad tenta atrair o PSB para sua campanha.

A direção do PT na capital mineira planeja discutir com o prefeito pontos que comporão o programa de governo e a indicação de outro petista para o cargo de candidato a vice-prefeito. Esses deverão ser os temas a serem definidos no próximo encontro do PT, marcado para 15 de abril.

O atual vice, o presidente municipal do PT Roberto Carvalho, se distanciou de Lacerda e se apresentava como possível candidato do partido à Prefeitura de Belo Horizonte. Carvalho vinha liderando a campanha no partido em prol do lançamento de uma candidatura própria. Mas ontem, sua ala acabou aprovando o apoio a Lacerda, contanto que o PSDB deixe a aliança. O prefeito, no entanto, quer os tucanos e os petistas ao seu lado.

A favor do apoio a Marcio Lacerda estavam lideranças petistas como o ministro do Desenvolvimento, Fernando Pimentel, o presidente da Câmara dos Deputados, Marco Maia, e dois ex-ministros do governo Lula, Luis Dose e Patrus Ananias.

A direção do partido em Minas também é a favor da chapa com Lacerda, apesar do mal estar em ter os tucanos na mesma composição. Numa indicação da ginástica que seu partido terá de fazer durante a campanha, ao lado do prefeito e de tucanos, o deputado federal Reginaldo Lopes, presidente do diretório estadual do PT, disse: “Seria imaturidade, ficar contra o PSB, contra o Marcio. Agora, a política certa seria ficar contra o Aécio [Neves], contra o [José] Serra, contra o Fernando Henrique [Cardoso], contra o PSDB, mas a favor de Belo Horizonte e do Marcio.”

19/03/2012 - 09:34h Petistas devem apoiar aliança com PSB pela reeleição de Lacerda em BH

Por Marcos de Moura e Souza | VALOR

De Belo Horizonte

O PT deverá apoiar a reeleição do atual prefeito de Belo Horizonte, Márcio Lacerda (PSB). Em votação interna ocorrida ontem na cidade, 60% dos filiados optaram pela aliança, segundo apuração parcial. Os demais votaram nas chapas que defendiam uma candidatura própria. Se confirmada, a decisão pode facilitar o diálogo do PT com o PSB em outras cidades pelo país, como São Paulo e Recife.

Pelas regras do PT, o resultado de ontem ainda tem de passar pelo crivo de uma assembleia de delegados que votarão no próximo domingo. Mas para o vice-presidente do PT de Minas, o deputado estadual Miguel Corrêa Júnior, o apoio a Lacerda está praticamente decidido.

O partido apoiou Lacerda em 2008 e elegeu o vice-prefeito, Roberto Carvalho. Mas o próprio Carvalho vem liderando queixas em relação ao governo e, com o apoio de parte da base, levantou a bandeira da candidatura própria. Ele se apresenta como potencial candidato.

Lideranças petistas de peso nacional, no entanto, têm defendido que o PT continue apoiando Lacerda e continue tendo a vice-prefeitura numa eventual reeleição. O ministro do Desenvolvimento, Fernando Pimentel, o presidente da Câmara dos Deputados, Marco Maia, dois ex-ministros do governo Lula, Luis Dulci e Patrus Ananias estão entre os que pregam a manutenção da aliança do PSB em Belo Horizonte. A direção do partido em Minas também é a favor da chapa com Lacerda.

Favorito atualmente à reeleição, Lacerda quer manter a peculiar aliança que envolve o PT e o PSDB. Os dois partidos participam do governo com secretarias e cargos em autarquias – no caso do PT, também com a vice-prefeitura. Entre os argumentos dos petistas que não querem mais apoiar Lacerda é que não é possível estar ao lado dos tucanos na prefeitura e na oposição a eles no governo estadual e federal. Mas em outras cidades de Minas, disse um dos líderes petistas no Estado, “há muitas possibilidades de chapas com o PSDB, a maioria delas com o PT com um candidato a prefeito e o PSDB como vice”.

Na disputa interna de ontem, eram ao todo 16 chapas. Metade defendia Lacerda, metade candidatura própria. O presidente do PT estadual, o deputado federal Reginaldo Lopes, disse na sexta que esperava uma vitória das chapas a favor da aliança, com cerca de 65% dos votos. Corrêa Júnior considera que com o resultado de ontem é muito improvável uma virada no jogo até domingo.

Na semana passada, Mário Assad Júnior, secretário-geral do PSB em Minas, disse que caso o PT decidisse pela candidatura própria em Belo Horizonte as conversas com o PSB em outras cidades poderiam ficar comprometidas.

Marta descarta abrir mão de cadeira

Por Fernanda Pires | Para o Valor, de Santos

A senadora Marta Suplicy (PT-SP) rechaçou a possibilidade de deixar o Senado para abrir espaço para o suplente Antonio Carlos Rodrigues, um dos principais dirigentes do PR em São Paulo. A estratégia que levaria a senadora ao ministério, seria uma forma de atrair o PR à candidatura do petista Fernando Haddad à Prefeitura de São Paulo, que anda desidratada.

O ex-ministro da Educação tem tido dificuldade para fechar alianças com partidos menores depois que o ex-governador José Serra (PSDB) acenou com a intenção de concorrer à sucessão de Gilberto Kassab (PSD). Agremiações que nas últimas eleições na capital paulista apoiaram o PT agora flertam com os tucanos ou ameaçam lançar candidatura própria. São os casos do próprio PR, do PSB, do PCdoB, e do PDT.

“Não tenho nenhuma intenção de sair do Senado, abrir vaga para ninguém. Estou trabalhando em projetos muito importantes”, disse Marta na sexta, em Santos (SP). Ela esteve na sede da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) subseção de Santos para o encontro “Mais Mulheres: uma responsabilidade de toda a sociedade”. Dia 8 de março é celebrado o dia internacional da mulher.

“Sou relatora do [projeto] do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço. Considero que será o projeto de maior envergadura que eu terei oportunidade naquela Casa”, disse Marta, apresentando o que seria uma das principais justificativas para permanecer no Senado. O texto do projeto admite que os trabalhadores possam sacar todos os anos o que receberem de lucro do FGTS, para aumentar a remuneração.

Marta – prefeita de São Paulo entre 2001 e 2004 – foi preterida da atual disputa pela Prefeitura de São Paulo pelo ex-presidente Lula, que escolheu Haddad para concorrer à vaga. Desde então, a senadora tem se mantido longe da pré-campanha de Haddad, que foi chefe de gabinete do ex-secretário de Finanças de sua gestão, João Sayad.

Questionada se vai se engajar na campanha de Haddad, a senadora disse que sim. “Na hora em que achar que vai fazer sentido e eu puder contribuir de fato”, afirmou.

Durante o evento, ela destacou o que considera os dois paradigmas da luta da mulher brasileira pela igualdade com os homens. O direito ao voto, que completa 80 anos em 2012, e a eleição de Dilma Rousseff, em 2010, a primeira brasileira eleita presidente da República. De acordo com Marta, a chegada de Dilma ao Palácio do Planalto pavimentou um caminho sem volta. O governo de Dilma tem dez ministras; o de Lula teve no máximo cinco; e o de Fernando Henrique Cardoso, três.

06/03/2012 - 08:40h Para petistas, momento exige frieza para negociações

Por Vandson Lima | VALOR

De São Paulo

Com seu pré-candidato à Prefeitura de São Paulo com índices de intenção de voto que rodeiam a casa dos 3%, segundo pesquisa do Datafolha, a cúpula do PT paulista se diz ciente de que a candidatura do ex-ministro da Educação Fernando Haddad depende de alguns ingredientes não disponíveis neste momento para decolar. Por ora, a ordem é manter o sangue frio nas negociações com outras legendas, aguardar a recuperação do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e trazer efetivamente a senadora Marta Suplicy (PT) para a pré-campanha, fazendo com que os votos que naturalmente iriam para ela se convertam no primeiro “estirão” do petista nas pesquisas.

Haddad fez ontem uma agenda de aproximadamente 10 horas na região de Parelheiros, no extremo sul da capital paulista. Tomou café com lideranças de bairro, visitou creches, postos de saúde e terminou o dia em reunião com a militância petista local. Ouviu muitas críticas à gestão do prefeito Gilberto Kassab (PSD), com quem o PT quase se aliou, e elogios ao governo Marta, iniciado em 2001. “Nosso plano de governo tem que ser uma síntese do que fizemos na prefeitura e do que estamos fazendo no governo federal”, avaliou Haddad. Ele disse que nesta semana deve ser definida a coordenação de campanha e seu programa de governo estará pronto até maio.

Haddad lamentou a cassação, imposta pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), do direito de seu partido veicular propaganda partidária no dia 25 deste mês e que poderia ser de grande ajuda para fazer sua pré-candidatura mais conhecida. “Fará falta, sobretudo em função do meu perfil. Talvez eu seja o único estreante em eleições municipais [entre os pré-candidatos]. Mas já está dado, não há como contornar”, disse.

Sobre uma eventual aliança com o PSB, sigla cada vez mais próxima de se coligar com o PSDB em São Paulo por conta da entrada de José Serra na disputa, Haddad relatou uma conversa telefônica que teve com o governador de Pernambuco, Eduardo Campos, presidente nacional do PSB, no fim de semana. “Conversei com ele, porque teve tanta história de que eles estavam fechados com o PSDB, que o questionei. Ele é meu amigo, disse que não tem nada acertado com ninguém.”

Entre petistas, a avaliação é de que, dada a colocação de Haddad nas sondagens, este é um momento perigoso para a negociação política, sendo necessário ter paciência para fazer os acertos em momento mais oportuno e com Lula encabeçando as tratativas.

O ex-ministro aumentou o tom das críticas ao governo Kassab. “Você anda pela cidade e não vê uma grande obra sendo feita, uma duplicação de estrada, nada. São Paulo não tem hoje o que mostrar para a comunidade internacional em termos de gestão pública”, criticou.

Campos nega compromisso com PT em SP

Por Cristian Klein |VALOR

O governador de Pernambuco e presidente nacional do PSB, Eduardo Campos, negou que tenha firmado qualquer compromisso pessoal com a presidente Dilma Rousseff ou com o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva para que seu partido apoie a candidatura do PT em São Paulo.

“Meu compromisso é só com o PSB, de conduzir bem o PSB. Tenho uma relação com a presidenta Dilma, de grande estima, respeito, ajudei a sua eleição, sou da base de sustentação dela. Tenho ajudado ela, mas nunca trocamos posições eleitorais por circunstâncias políticas na base de apoio; nunca fizemos isso”, disse Campos, depois de proferir uma palestra sobre seu governo na Associação Comercial de São Paulo.

No evento, estavam presentes o prefeito Gilberto Kassab e o vice-governador Guilherme Afif Domingos, ambos do PSD, que já anunciaram apoio à eventual candidatura do ex-governador José Serra (PSDB).

O PSB é tradicional aliado do governo federal petista, do qual participa com dois ministérios, mas seu diretório estadual prefere apoiar os tucanos. O presidente regional da legenda, Márcio França, é o secretário de Turismo do governador Geraldo Alckmin.

No PT, a declaração de Eduardo Campos foi interpretada como uma forma de “esticar a corda” e se cacifar em outras negociações pelo país, especialmente em Belo Horizonte, onde o PT ainda não se decidiu por apoiar a reeleição de Márcio Lacerda (PSB), e em Recife, onde Campos estaria tentando emplacar o deputado federal licenciado e seu secretário de Governo, Maurício Rands, como o candidato petista à prefeitura.

“Ele sabe o que disse para o Lula…”, disse um dirigente do PT, afirmando que o governador também teria se comprometido com Dilma Rousseff, em jantar durante visita da presidente a Pernambuco, no mês passado.

Se esse foi o objetivo, Eduardo Campos o cumpriu à risca. Afirmou que a política de aliança em São Paulo, por ser uma cidade com mais de 200 mil habitantes, será debatida pelos diretórios municipal, estadual e, finalmente, nacional, num processo que pode durar até junho. “Por que decidir agora?”, perguntou. E negou que a cúpula nacional é que decidirá.

“Não é exatamente assim. Ninguém vai impor a ninguém uma decisão. Essa decisão tem que ser pactuada dentro do partido. O partido não é o desejo de Márcio [França] nem o meu desejo. Temos que ouvir o partido no município, a nossa bancada na Assembleia, no Congresso Nacional, nos outros municípios importantes onde vamos disputar eleições. É um processo de diálogo”, disse.

Questionado sobre a versão divulgada pelo PT, de que haveria um suposto compromisso com Lula de levar seu partido a apoiar a candidatura do ex-ministro da Educação, Fernando Haddad, Eduardo Campos reafirmou estar livre para a tomada de decisão. “Não posso cuidar de versão, minha gente. Nós não temos nenhuma decisão pré-estabelecida em relação a município nenhum no Brasil, muito menos em relação a São Paulo. Nunca tratamos desse assunto”, afirmou.

Eduardo Campos lembrou que já disputou o governo de Pernambuco, em 2006, contra um candidato do PT, o atual senador Humberto Costa; que o PSB já deixou de ter candidato próprio (Ciro Gomes) à Presidência, em 2010, a favor de um palanque único para Dilma Rousseff; que o PSB já abriu mão para que Aldo Rebelo (PCdoB) fosse candidato a vice na chapa de Marta Suplicy, na última eleição à Prefeitura de São Paulo; e que os próprios petistas têm alianças com tucanos em vários Estados.

“Você vai a Pernambuco e tem aliança do PT com o PSDB em vários municípios”, disse.

Campos afirmou que não teme uma retaliação do PT caso o PSB apoie Serra e tentou minimizar a importância do partido no Estado. “O PSB não tem força política ainda para definir o quadro. Somos força que tem importância, mas somos coadjuvantes”, argumentou.

O governador também citou sua aliança com o PSD do prefeito Gilberto Kassab. “Não polarizamos. Temos uma relação construída com o prefeito Kassab, que vocês conhecem qual é, de parceria, do partido a nível nacional”, ressaltou.

Eduardo Campos também lembrou a aliança com os tucanos em outros Estados, como Minas Gerais, Paraná e Paraíba.

“Nós somos um partido diferente do PT. Somos aliados do PT, mas temos aliança com o PSDB em outros Estados, o que é natural que tenhamos. Construímos o processo político de redemocratização ao lado do PSDB, não satanizamos o PSDB, de forma nenhuma, nem devemos fazer isso”, disse.

O presidente do PSB reconheceu que, caso os diretórios municipal e estadual decidirem pelo apoio aos tucanos em São Paulo, ficará difícil a direção nacional revogar a aliança.

“Óbvio que dificulta. Se quando todo mundo decide de um jeito já tem dificuldade de fazer aliança…”

Eduardo Campos chegou a São Paulo no domingo, quando jantou com Gilberto Kassab. O governador disse que o tema da conversa foi política, embora o prefeito tenha negado. Kassab negou ainda que tenha oferecido a Secretaria de Esportes para o PSB, de modo a atrair a legenda para a candidatura de José Serra. “Não houve oferta da secretaria, e de nenhuma outra”.

A palestra de Campos na Associação Comercial atraiu um grupo expressivo de integrantes do PSB paulista, a maioria com interesse direto na aliança com os tucanos. São os casos do deputado federal Jonas Donizete, pré-candidato em Campinas, e do prefeito Valdomiro Lopes, de São José do Rio Preto, que busca a reeleição. Nestas cidades, o PSDB já mostrou disposição de abrir mão de candidatura própria em troca de receber o apoio do PSB na capital. A presença de seis deputados estaduais e cinco federais foi qualificada como uma estratégia para convencer Campos.

O presidente do diretório municipal, vereador Eliseu Gabriel, afirmou que em reuniões, no domingo e ontem, ficou acertado que a decisão deve sair em até quatro semanas.

02/03/2012 - 09:37h Com PMDB à frente, base aliada se rebela, e Dilma busca socorro de Lula


Governo. Presidente deixa Brasília e viaja até São Bernardo do Campo (SP) para discutir cenário político agravado por manifesto de 45 dos 76 deputados peemedebistas que acusam o PT de arquitetar um complô eleitoral; outras siglas também ameaçam o Planalto

02 de março de 2012

Ombro amigo. A presidente Dilma com Lula e dona Marisa: encontrou durou quase três horas - Instituto Lula

Ombro amigo. A presidente Dilma com Lula e dona Marisa: encontrou durou quase três horas – Foto Instituto Lula


Christiane Samarco, Eugênia Lopes e Vera Rosa – Brasília – O Estado de S.Paulo

Sob pressão da base governista rebelada contra o apoio do Palácio do Planalto ao PT nas eleições municipais de outubro, a presidente Dilma Rousseff foi se aconselhar com o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva em São Bernardo do Campo (SP), ontem, e adiou qualquer mexida no ministério por mais uma semana.

Em conversa de quase três horas, a presidente e seu padrinho político mostraram preocupação com o racha na base aliada do governo e com as dificuldades para agregar apoio em torno da candidatura de Fernando Haddad (PT) à sucessão do prefeito Gilberto Kassab (PSD).

Os adversários do PT acusam o partido de arquitetar um plano para se tornar praticamente hegemônico no cenário político brasileiro a partir das eleições deste ano.

Manifesto – Dilma ficou furiosa com um manifesto subscrito por 45 dos 76 deputados federais do PMDB, com críticas ao PT e ao governo, e não escondeu a contrariedade ao se encontrar com seu antecessor.

A viagem oficial da presidente à Alemanha neste fim de semana vem em boa hora, para dar uma pausa na base conflagrada. Dilma embarcará sob o peso do manifesto do PMDB, contrariada com as exigências do PR, com as defecções do PSB na votação do fundo de previdência do funcionalismo público, a debandada do PDT e a ousadia do discurso crítico do presidente da Força Sindical e deputado Paulo Pereira da Silva (PDT-SP), dentro do Palácio do Planalto. A disputa de comando no Banco do Brasil também foi abordada na conversa a portas fechadas.

A rebelião da base vem no embalo da pré-campanha municipal, em que todos os partidos – sejam eles governistas ou de oposição – se dizem ameaçados pelo projeto de crescimento do PT, em detrimento dos parceiros da aliança. O pânico maior vem do PMDB, partido que concentra sua força política e eleitoral nas bases municipalistas. Hoje o maior partido do País contabiliza 1.177 prefeitos. Os mais alarmistas diante da movimentação do PT para ampliar suas prefeituras temem que o PMDB acabe reduzido à metade.

“Nós estamos vivendo uma encruzilhada, onde o PT se prepara com ampla estrutura governamental para tirar do PMDB o protagonismo municipalista e assumir seu lugar como maior partido com base municipal no País”, diz o manifesto de 25 linhas que será oficialmente encaminhado na segunda-feira ao vice-presidente Michel Temer.

Maus tratos – A iniciativa do protesto partiu do grupo dissidente que não se cansa de reclamar dos maus-tratos do governo, mas os setores mais próximos da cúpula peemedebista acabaram aderindo. Afinal, a preocupação com o apoio do governo à ofensiva petista assombra o conjunto do partido.

Como a eleição de prefeito tem repercussão direta no tamanho das bancadas que sairão das urnas de 2014, o PMDB tem pressa. O manifesto propõe um encontro nacional das bases (prefeitos, vereadores e presidentes de diretórios regionais) no dia 25 de abril, em Brasília. Se o partido encolher em outubro, será difícil tirar do PT a presidência da Câmara em 2013, a despeito do acordo de rodízio no cargo.

Na esteira do lançamento da pré-candidatura do tucano José Serra a prefeito de São Paulo, o PR decidiu pôr suas exigências sobre a mesa. Viu aí a oportunidade de voltar ao Ministério dos Transportes, em troca do apoio a Haddad. O PTB se uniu ao PSC na reivindicação da cadeira de ministro do Trabalho, antes ocupada pelo presidente nacional do PDT, Carlos Lupi. “Juntos, temos 40 deputados e sempre somos fiéis ao governo”, cobrou o deputado Sílvio Costa (PTB-PE), tentando mostrar a boa vontade de seu partido para compensar a debandada dos 26 pedetistas.

No PSB, o descontentamento da bancada ficou claro na votação do fundo de previdência. Foram 16 votos contrários e apenas 10 favoráveis ao governo. O Palácio do Planalto tomou o racha do PSB como uma afronta, deixando tontos os líderes do governo. “Até agora não entendi o que houve com o PSB”, desabafou o líder do governo na Câmara, Cândido Vaccarezza (PT-SP).

28/02/2012 - 09:34h PT redefine aliança e estratégia eleitorais

Rui Falcão: “O governador Eduardo Campos já se comprometeu a tratar São Paulo quase [como] que um compromisso pessoal dele com o [ex] presidente Lula”


Por Cristian Klein e Cristiane Agostine | VALOR

De São Paulo

As primeiras reações do PT à entrada do ex-governador José Serra (PSDB) na disputa pela Prefeitura de São Paulo foram de confiança, reavaliação de estratégia e subida no tom das críticas à administração do prefeito Gilberto Kassab (PSD), que, agora, deverá se aliar aos tucanos e não mais à candidatura petista do ex-ministro da Educação Fernando Haddad.

Mesmo com dificuldade de firmar alianças com legendas que lhe dão sustentação no governo federal, o PT espera o apoio de partidos como o PCdoB, o PDT e especialmente o PSB. Em entrevista à imprensa ontem, na sede do partido em São Paulo, o presidente nacional do PT, Rui Falcão, disse que o governador de Pernambuco, Eduardo Campos, líder do PSB, teria firmado uma espécie de “compromisso pessoal” com o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva para que sua sigla apoiasse a candidatura Haddad, em São Paulo, independentemente de outras negociações no restante do país.

“O governador Eduardo Campos já se comprometeu a tratar São Paulo fora de qualquer outro tipo de tratativa. Quase que um compromisso pessoal dele com o [ex-] presidente Lula”, disse Falcão, ao negar que a eventual retirada do apoio do PT à reeleição do prefeito de Belo Horizonte, Marcio Lacerda (PSB), possa levar a uma retaliação de Campos em São Paulo.

O apoio seria importante pois o PSB paulista, dirigido pelo secretário estadual de Turismo, Márcio França, está próximo do governador Geraldo Alckmin e já deu declarações de que o partido tenderia a se coligar com o PSDB. Segurar o PSB poderia conter um clima de revoada e impedir que outra legenda da base federal, o PDT, também aliado de Alckmin, confirme sua presença na coligação tucana.

Falcão afirmou que uma quebra deste suposto compromisso do PSB não significaria uma traição aos petistas e a Lula. Mas, num recado indireto, disse que o “PT mantém coerência nas suas alianças”. O dirigente afirmou que a entrada de Serra no cenário pode até facilitar a vitória petista, ao mencionar a taxa de rejeição do ex-governador, e a possibilidade de o PT aglutinar as legendas da base federal uma vez que o tucano – que concorreu e perdeu duas eleições à Presidência contra o PT – aumentará o potencial de nacionalização da disputa.

Com Serra, o PT também parece ter mudado seu discurso em relação à melhor estratégia para voltar à Prefeitura de São Paulo. Se até agora, a legenda tentava persuadir o PMDB para que desistisse de lançar o deputado federal Gabriel Chalita à disputa, para compor uma chapa forte, encabeçada pelos dois partidos com maior tempo no horário eleitoral gratuito, a sigla já aponta vantagens na existência da candidatura pemedebista.

Ontem, Fernando Haddad disse que, em princípio, não insistirá na aliança com o PMDB no primeiro turno e aposta em Chalita para tirar votos de José Serra.

“Tenho algumas dúvidas se é preciso unificar o campo progressista na cidade de São Paulo. Tenho dúvidas a respeito disso. Não vejo como um problema mais de uma candidatura de partidos da base aliada”, afirmou. Segundo o petista, o PT não deve pressionar o presidente nacional licenciado do PMDB e vice-presidente da República, Michel Temer, a retirar a candidatura de Chalita em São Paulo.

Na análise de petistas, Chalita ajudaria a tirar votos do PSDB, por ter um eleitorado semelhante ao dos tucanos.

O PT já trabalha com um cenário eleitoral com dois turnos e espera o apoio do PMDB no segundo. “Pode haver um acordo [no primeiro turno]? Pode. Mas não vejo como uma condição sem a qual nós não possamos nos apresentar corretamente. Nós vamos ter um tempo [de televisão] satisfatório para apresentar nossas propostas”, comentou Haddad, ao visitar bairros da zona norte da capital.

O PT tem direito a pouco mais de quatro minutos no horário eleitoral gratuito. A aliança com o PMDB poderia render mais quatro minutos no tempo de televisão, o que ajudaria o pré-candidato petista – pouco conhecido pela população – em uma disputa contra Serra, ex-prefeito e ex-governador.

Haddad disse que não se surpreendeu com a entrada de Serra no cenário eleitoral em São Paulo e comentou que, das seis eleições do século XXI, o tucano irá para sua quinta disputa. “Qual a surpresa?”, questionou, ao falar sobre o tucano. O petista comentou que o ex-presidente Lula viu “com tranquilidade” a pré-candidatura de Serra.

Haddad reforçou que a candidatura Serra e a aproximação de Kassab ao tucano o deixarão à vontade para intensificar as críticas à gestão municipal. “Fico mais tranquilo porque vou poder representar melhor as ideias que acredito”, comentou. “Temos que apresentar propostas de mudança”, disse.

A elevação do tom oposicionista já começou. Rui Falcão disse que, apesar da disputa em São Paulo ser marcada pela nacionalização do debate, Serra e Kassab terão de responder pelas questões locais, pela “política higienista”, pela “cidade devastada”, com crise na saúde, com um “déficit abissal” de mais de 100 mil crianças fora da creche, e os problemas de mobilidade urbana e reajuste de tarifa de transporte público acima da inflação.

15/02/2012 - 09:11h Fator Serra eleva cacife de PSD e PSB e preocupa PT

Kassab na reunião do Conselho de Desenvolvimento Metropolitano: “Todos sabem que o PT e o PSD têm alianças em diversas cidades do país para as eleições”


Por Cristiane Agostine, Vandson Lima e Raphael Di Cunto | VALOR

De São Paulo

A possível entrada do ex-governador José Serra (PSDB) na disputa pela Prefeitura de São Paulo embaralhou os planos do PT e aumentou o cacife do PSD e PSB na negociação em torno de alianças eleitorais. A cúpula petista vê com preocupação a pré-candidatura do tucano, com receio de perder a aliança não só com o PSD mas também com o PSB. Sem os dois aliados, o projeto político de o PT ganhar em 2014 o governo estadual de São Paulo, comandado há cinco gestões pelo PSDB, ficaria em risco.

A eventual pré-candidatura de Serra atrapalha os planos do PT, que sonha com a vitória do ex-ministro Fernando Haddad no primeiro turno. O partido conta com a aliança com o PSD do prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab, e estava acertando os últimos detalhes para fechar um acordo com o PSB, em articulação feita por Kassab.

A aliança com o PSD é defendida pelo comando petista desde meados de 2011, com vistas à construção de um grupo político que enfrente o PSDB não só em 2012, mas também em 2014, na disputa estadual. O possível lançamento de Serra, avalia o PT, fará com que Kassab componha com o tucano e leve consigo o PSB. O prefeito é ligado politicamente a Serra, de quem foi vice na disputa municipal em 2004 e de quem herdou a prefeitura da capital em 2006, quando o tucano deixou o cargo para concorrer ao Estado.

A cúpula do PT vê a aliança com Kassab como “essencial” para ganhar a prefeitura. A principal vantagem do acordo com o prefeito é ter a máquina pública para fortalecer a candidatura de Haddad. A capilaridade das subprefeituras e o caixa municipal turbinariam o petista. O apoio do prefeito ajudaria a quebrar a resistência da classe média e a abrir diálogo com o eleitorado conservador, que não votou no PT em outras eleições. O partido avalia que se ficar concentrado só no eleitorado tradicional petista, na periferia, não ganhará. A possível indicação do ex-presidente do Banco Central Henrique Meirelles como vice de Haddad facilitaria no contato com empresários e na captação de recursos.

O PT também está de olho no tempo de televisão do PSD. Se o partido de Kassab conseguir no Tribunal Superior Eleitoral tempo de televisão e recursos do fundo partidário, oferecerá ao aliado mais três minutos no horário eleitoral. Dessa forma, Haddad, que ainda é pouco conhecido, ficaria com quase metade do tempo da propaganda eleitoral.

Enquanto o PT observa com atenção a movimentação de Serra, o PSD comemora por ser cortejado tanto por petistas quanto por tucanos. Na análise de dirigentes da sigla, ainda que Serra não dispute a prefeitura, os rumores da pré-candidatura pressionarão o PT a oficializar o acordo com o PSD o quanto antes para evitar a aliança com o tucano.

A possível entrada de Serra na disputa paulistana divide o PSD. Nos bastidores, um grupo de dirigentes duvida dessa pré-candidatura e avalia que ela atrapalhará alianças do partido com o PT em todo o país. Além disso, criará atritos com o governo federal, já que o tucano tornou-se uma das principais vozes da oposição à presidente Dilma Rousseff, enquanto Kassab buscou estreitar a relação com a presidente. Para esses dirigentes, sem o acordo com o PT, o ideal seria lançar a candidatura própria, com o vice-governador Guilherme Afif Domingos.

Outro grupo do PSD analisa que candidatura de Serra colocaria as coisas em seu devido lugar, pois haveria a defesa concreta da gestão que Kassab e Serra compartilharam. Para estes, a costura levaria o PSB para a chapa e a vice ficaria com Alexandre Schneider (PSD), secretário municipal de Educação, ex-tucano próximo de Serra e do senador Aloysio Nunes Ferreira (PSDB).

Kassab, fundador do PSD, evitou falar sobre a possível alteração na disputa municipal. “É até desrespeitoso da minha parte falar em relação a uma eventual candidatura [de Serra] porque ele já me afirmou que não será candidato”, disse. “Cabe ao Serra definir seu futuro. Prefiro manter o silêncio”.

O PSB, a exemplo do PSD, comemora o aumento do assédio do PT e PSDB. Com um cenário “incerto”, nas palavras do governador de Pernambuco e presidente nacional do PSB, Eduardo Campos, o partido ainda não decidiu quem irá apoiar. Partido que apoia tanto o PT, no governo federal, quanto o PSDB, no Estado, e o PSD, na prefeitura, o PSB ganha peso na disputa com essa indecisão sobre o rumo de Kassab.

A legenda é um dos alvos do PT, ao lado de PR, PDT, PCdoB e PMDB, mas tende a apoiar os tucanos, segundo o secretário de Turismo do Estado e presidente estadual do PSB, Márcio França, em gratidão ao gesto do PSDB, que desistiu de concorrer em cidades importantes do interior, como Campinas e São José do Rio Preto, para apoiar o PSB.

“Em política, nada é impossível, até porque não temos qualquer tipo de inimizade no PT. Mas hoje as condições são mais próximas do PSDB e, se possível, em aliança com o PSD”, afirmou França. “Se confirmada a candidatura do Serra, muda todo o cenário e se torna ainda mais fácil essa aliança”, comentou. Essa “ponte” foi sondada como forma de tornar a aliança de Kassab com o PT mais aceitável para os petistas contrários a compor com o prefeito. O PSB indicaria um vice alinhado a Kassab para Haddad e facilitaria a composição.

Serra, se for candidato, terá chance de agregar outros partidos à sua candidatura. O PDT, que tem como pré-candidato o deputado federal e presidente da Força Sindical Paulo Pereira da Silva, poderia indicar Paulinho como vice do tucano. O PPS, da pré-candidata Soninha Francine, também sofreria desistir. O DEM, que negocia apoiar o PMDB, é outro provável aliado de Serra.

No PSDB, a possibilidade da entrada de Serra na disputa municipal dividiu os pré-candidatos tucanos sobre a manutenção da prévia partidária para definir o candidato. O secretário estadual José Aníbal e o deputado Ricardo Tripoli defenderam a manutenção das prévias para a escolha do candidato, enquanto os secretários Andrea Matarazzo e Bruno Covas demonstraram disposição de sair da disputa em favor de Serra.

Ontem foi o último dia para inscrição dos pré-candidatos na disputa interna do PSDB. Os quatro postulantes se inscreveram, mas Serra não, segundo o presidente do diretório municipal, Julio Semeghini. A prévia está prevista para o dia 04 de março.

O presidente estadual do PSDB, deputado Pedro Tobias, defendeu a realização de prévia, mesmo se Serra quiser se candidatar. “Não concordo que atropelem algo que empolgou a militância por qualquer motivo que seja”, disse.

O governador do Estado, Geraldo Alckmin (PSDB), mostrou-se cauteloso e disse que ainda é preciso “aguardar” a decisão de Serra.

Embora defenda a prévia, a bancada de oito vereadores do PSDB vê com bons olhos a possível candidatura de Serra, que puxaria votos para a legenda e ajudaria na reeleição dos parlamentares. “Em 2008, mesmo com o [governador] Geraldo Alckmin ficando em terceiro, elegemos a maior bancada da Câmara, com 13 vereadores”, disse o líder da bancada, Floriano Pesaro. Para o tucano, o importante é a candidato próprio.

14/02/2012 - 09:46h PT e PSB articulam aliança com aval de Kassab para chapa de Haddad em SP

14 de fevereiro de 2012

MALU DELGADO – O Estado de S.Paulo

Uma operação política em curso nos bastidores da sucessão da Prefeitura de São Paulo pode provocar uma reviravolta no jogo eleitoral e arrefecer a resistência do PT a uma composição com o prefeito Gilberto Kassab, criador e presidente do PSD. A ideia, já debatida entre três grandes articuladores políticos – o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o governador de Pernambuco e presidente do PSB, Eduardo Campos, e Kassab – é atrelar o PSB paulistano à candidatura do ex-ministro Fernando Haddad, com a indicação de um vice do partido que tenha a concordância e aval de Kassab.

Oficialmente, nenhum dos lados admite abertamente a negociação. Dirigentes do PSB nacional afirmam que a costura de alianças na capital ainda está em processo e que passa por conversas com o presidente estadual da sigla, Márcio França – secretário estadual de Turismo do governo do tucano Geraldo Alckmin. No PT o assunto já circula entre a cúpula. No PSD, Kassab, por ora, insistirá na indicação de um vice numa aliança com o PT.

A saída política geraria dividendos políticos a todos os lados. Kassab conseguiria fechar a aliança com o PT sem exposição direta do PSD e sem ouvir os gritos da militância petista. Mas, em troca, teria de assegurar uma vaga na chapa petista por um cargo majoritário em 2014 – ou vice-governador de São Paulo ou senador -, isso sem contar a possibilidade de uma vaga futura no ministério da presidente Dilma Rousseff para ele próprio ou um expoente do PSD.

Para Eduardo Campos, a saída política na capital abriria portas ao projeto nacional do governador, que quer se aproximar cada vez mais do PT e se cacifar como uma possibilidade para vice de Dilma Rousseff em 2014 ou para tentar um voo solo em 2018. Segundo petistas envolvidos nas discussões, “vale lembrar que o PMDB de Michel Temer vai lançar candidatura própria na capital paulista com Gabriel Chalita (ex-tucano) e, num eventual segundo turno, o partido pode cair no colo de Geraldo Alckmin”.

Sob o ponto de vista do PT, uma aliança com o PSB seria extremamente lucrativa, sobretudo porque mina alianças do partido com os tucanos no Estado de São Paulo. Além disso, os petistas amarrariam o apoio de Kassab a Haddad sem provocar traumas na militância, que resiste fortemente à união com o PSD.

Vice. Uma eventual aliança com o PSB começou a ser traçada no dia 23 de janeiro, quando Eduardo Campos visitou Lula em São Paulo. O petista faz tratamento contra o câncer de laringe no hospital Sírio-Libanês. O Estado apurou que a proposta foi feita pelo governador ao ex-presidente e que estaria vinculada, obviamente, à anuência de Kassab. Eduardo Campos aproximou-se do prefeito de São Paulo na ocasião da criação do PSD. Num primeiro momento, ambos chegaram inclusive a cogitar uma fusão das duas siglas.

O governador teria já começado a debater o assunto da aliança na capital com Kassab, ainda que seja prematuro qualquer passo neste momento.

Se fechar uma aliança com o PT, Kassab terá dificuldades para indicar um nome da legenda para vice de Haddad. O vice-governador de São Paulo, Guilherme Afif Domingos, só aceita uma composição com o PSDB. O ex-presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, mais palatável ao PT, recusa-se terminantemente a aceitar a missão.

O nome cogitado por Kassab até o momento é o de Alexandre Schneider, secretário municipal de Educação. A militância do PT, porém, não aceita a indicação.

‘Pouco provável’. Questionado pelo Estado sobre as conversas em curso, o secretário estadual do PSB, Márcio França, afirmou que tal cenário é “muito pouco provável”. “O diretório estadual do PSB tem forte relação com o PSDB. Qualquer negociação tem que ser conduzida pelo Eduardo Campos. Não vejo empecilho (para uma aliança com o PT na capital), mas é pouco provável. Acabamos de fechar com o PSDB em Campinas”, pondera. França admite, porém, que “Kassab é um parceiro para o futuro do Eduardo Campos e do PSB”.

Segundo o presidente municipal do PT, vereador Antonio Donato, “as conversas com o PR e com o PSB têm sido muito promissoras”.

19/01/2012 - 09:49h Oposição terceiriza seu projeto de poder

Cristian Klein – VALOR

Que a oposição está perdida não é novidade. A última evidência é a confusão no PSDB sobre qual avaliação o partido faz sobre o primeiro ano de governo da presidente Dilma Rousseff. Um diagnóstico mais virulento, produzido pelo ex-governador de São Paulo, Alberto Goldman, foi desautorizado e substituído por uma versão bem mais amena da direção nacional. Há tempos, os tucanos não sabem para onde apontar o bico.

A diferença agora é que fica mais claro o vácuo de poder. O PSDB parece acéfalo. O senador mineiro Aécio Neves frustrou as previsões de que seria a voz da oposição e teve uma atuação apagada em sua volta ao Congresso. Não deu outra. Com o ex-governador de São Paulo, José Serra, no ostracismo depois da derrota à Presidência em 2010, e o atual, Geraldo Alckmin, voltado para defender seu território contra uma eventual e forte aliança entre o PT e o PSD que ameaça seus planos para 2014, até o senador Alvaro Dias (PR) apresenta-se como pré-candidato da sigla à corrida presidencial.

A doença por que passa a oposição é a de não criar expectativa de poder. Sua estratégia agora é se misturar ao grande condomínio da coalizão liderada pelo PT, e tentar se infiltrar e abrir fissuras no bloco. A criação do PSD pelo prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab, e sua “sociedade” com o governador de Pernambuco e presidenciável, Eduardo Campos, líder do PSB, é um exemplo desse movimento.

Em Campos deságua expectativa de voltar ao governo

A resistência do PSDB em bater no governo Dilma e o flerte de Alckmin com a presidente – visitante assídua de cerimônias no Palácio dos Bandeirantes – são outras evidências. Dilma, espertamente, encostou na oposição. E a oposição mantém o contato, que segue o plano de embolar com o adversário.

A ideia de que parcerias com programas federais ajudam na solução dos problemas da população é só uma mal disfarçada forma de mascarar a realidade. Quanto maior é a proximidade da oposição com o governo, mais ela revela a perda de sua força como alternativa. Não sem razão, o movimento foi intensificado depois de 2010.

O fracasso de Serra renovou a perspectiva de um governo petista pelo menos até 2018. A reeleição no Brasil, como nos Estados Unidos, criou um sistema em que o mandato praticamente é de oito anos, confirmado em sua metade, salvo um desastre. Hoje, a única esperança para a oposição é o agravamento da crise europeia a ponto de abalar seriamente a economia brasileira. Quanto pior, melhor. Mas a administração petista soube contornar, com destreza, até a crise de 2008. Então, haja paciência. E nem todos estão dispostos a esperar.

A perspectiva pessimista deixa a oposição muito mais longe de seu objetivo e exposta ao processo de definhamento. O DEM já passava por ele, antes da debandada para o PSD. O PSDB teme a mesma desidratação. Os rumores de que Serra pode sair para o PPS ou para o PSD (com menos probabilidade) para disputar a Presidência em 2014 é um retrato do desencanto.

A aproximação da oposição com o governo se dá, não por coincidência, no momento em que ela já percebe que está mais longe de ser a primeira via, o primeiro colocado, e mais perto de ser alcançada por quem vem atrás. Sua preocupação hoje é a de não ceder esse lugar ou minimizar a perda de espaço, negociando-o com a terceira via.

Por isso evitou agredir o ministro da Integração Nacional, Fernando Bezerra (PSB), acusado de privilegiar seu Estado, Pernambuco, com verbas de combate a enchentes. Tudo para não melindrar Eduardo Campos, fiador de Bezerra.

Em Campos deságua hoje a principal expectativa de poder, fora do PT. Ele está na base do governo federal, mas habilmente constrói inúmeras pontes com a oposição, em alianças estaduais (São Paulo, Minas Gerais, Paraná, Alagoas, Paraíba). A ida do deputado Márcio França para o governo Alckmin teve entre seus objetivos ajudar os tucanos e evitar que os petistas dominem São Paulo.

“O único foco real de oposição é São Paulo, Estado que impõe muito respeito e sozinho já assusta. Se o PT ganhar a capital e o governo, acabou o PSDB. O PT vira partido único, hegemônico”, diz um dirigente do PSB.

Há quem aponte que o destino da oposição (PSDB, DEM, PPS) passe por Campos, como garantia de um período de estancagem da hemorragia, para só então haver uma volta ao poder, em 2023. É um exercício de futurologia, ainda que autointeressado. “A oposição vai ficar no pé do Eduardo. Ele vai ser a salvação”, defende outro dirigente do PSB.

Eduardo Campos, no entanto, também tem suas dificuldades. Em primeiro lugar, precisa defender o que conquistou. Reelegeu-se com 83% dos votos, é o governador mais bem avaliado do país, mas, diante do fim do ciclo de dois mandatos, precisa fazer bem a transição. Tem o PT em seu calcanhar, no comando de Recife, e enfrenta o desafio da sucessão – sempre uma operação de risco, pela possibilidade de traição do apadrinhado. Sair do governo e eleger-se ao Senado é entrar numa trajetória declinante, como a de Aécio. Daí sua pressa de mostrar poder de fogo enquanto tem condições – como governador. Esforço evidente foi a força-tarefa montada na Câmara para eleger sua mãe, Ana Arraes, ministra do Tribunal de Contas da União.

Eduardo Campos quer influir como ator de peso em 2014. Seja como vice numa chapa de situação ou na cabeça de uma candidatura própria tendo Kassab como vice e/ou com apoio da oposição. Nos acordos para a eleição municipal, não quer discutir 2012 sem negociar 2014. A transferência do título eleitoral de Fernando Bezerra, de Petrolina para Recife, como ameaça ao PT, faz parte do jogo.

Em segundo lugar, Eduardo Campos carece de maior inserção no empresariado. Sem o mesmo enraizamento social e nacional, como os petistas, ou o poder econômico que mantém em São Paulo o polo da oposição, Campos procura abrir canais com o eixo Sul-Sudeste.

Pelo Brasil, o PSB já tem filiado nomes como Mauro Mendes, dono da Bimetal, no Mato Grosso, e José Batista Júnior, o Júnior Friboi, proprietário do grupo JBS, em Goiás. Mas em São Paulo, o presidente da Fiesp, Paulo Skaf, entrou na legenda e saiu para o PMDB. A aliança com Kassab, conhecedor do patronato paulista, pode ter, neste sentido, mais utilidade do que parece à primeira vista.

Cristian Klein é repórter de Política. Escreve mensalmente às quintas-feiras

E-mail cristian.klein@valor.com.br

14/01/2012 - 12:24h Acordo entre petistas e PSB avança em BH

14 de janeiro de 2012

MARCELO PORTELA , BELO HORIZONTE – O Estado de S.Paulo

A ala do PT mineiro favorável à reedição da aliança com o PSB para a reeleição do prefeito de Belo Horizonte, o socialista Marcio Lacerda, apresentou ontem as assinaturas necessárias para a inclusão da proposta na discussão da estratégia petista para a disputa pela capital.

A proposta, com a indicação do candidato a vice, entrará na pauta de votação do encontro do PT que deve ocorrer em março. O PSB mineiro já convidou o PSDB a participar formalmente da coligação, o que foi aceito pelos tucanos.

Porém, um novo acordo envolvendo PSDB ainda divide o PT-MG. O grupo capitaneado pelo vice-prefeito Roberto Carvalho é declaradamente contrário ao acordo e tenta atrair a corrente ligada ao ex-ministro Patrus Ananias, que ontem divulgou documento criticando a aliança com o PSDB e a forma como foi conduzido, “com uma série de equívocos de conteúdo e de método”, o processo em 2008. Na ocasião o ex-prefeito e hoje ministro Fernando Pimentel se aliou ao então governador Aécio Neves (PSDB) para eleger Lacerda. Além de Patrus, assinaram também o documento divulgado ontem os ex-ministros Luiz Dulci e Nilmário Miranda.

A apresentação das assinaturas ocorre dois dias antes do prazo final para a homologação de propostas para a eleição de outubro, definido pela direção nacional petista para as capitais e cidades acima de 150 mil habitantes. No caso de Belo Horizonte, eram necessárias ao menos 15 assinaturas de integrantes da Executiva local para que a tese seja votada. Foram apresentadas 16 assinaturas.

“É uma decisão política. (Mas) somos um partido político”, observou o presidente de honra do PT na capital, Aloísio Marques. “Seguimos a concepção de um projeto nacional. Temos razão política e pragmática (para reeditar a aliança)”, acrescentou o presidente do PT-MG, deputado federal Reginaldo Lopes.

Embora a reedição da aliança com o PSB, incluindo o PSDB, já divide novamente o PT mineiro, os grupos majoritários – vinculados a Patrus e Pimentel – adotaram desta vez o mesmo discurso: alegam que o mais importante é garantir a unidade do partido e trabalhar pelo projeto nacional do PT, ou seja, a disputa presidencial de 2014. “Queremos manter o casamento com o PSB. Sempre pensando no projeto nacional”, disse Lopes.

Na segunda-feira, os petistas que refutam a aliança com os tucanos apresentarem abaixo-assinado que teria 2,5 mil assinaturas contrárias à coligação.

03/12/2011 - 12:13h ‘Não precisa ter ciúmes. Somos aliados corretos, solidários’

BRASÍLIA – O Estado de S.Paulo

Para o presidente do PSB e governador de Pernambuco, Eduardo Campos, o crescimento do partido não deve ser motivo de ciúmes nem do governo nem da base aliada. Embora a maioria da direção do PSB defenda a candidatura própria à Presidência em 2014, Campos prefere ser reticente quando indagado sobre suas pretensões. Para ele, o melhor é trabalhar pelo projeto político iniciado com o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e continuado pela presidente Dilma Rousseff.

O crescimento do PSB pode causar ciúmes no governo e na base?

A presidente Dilma sabe quem somos. E sabe que não precisa ter ciúmes. Nossa aliança não é eleitoral. É política, baseada num projeto. O que temos a oferecer é a solidariedade a um projeto político que consideramos o mais adequado para o Brasil. Somos aliados corretos, solidários. Afinal, quem está crescendo é um aliado confiável.

Nesse momento de crise o que o PSB tem a oferecer à presidente?

Nunca pusemos o governo em situação de constrangimento. Na votação da DRU (Desvinculação de Receitas da União), agora, ficamos do lado da presidente e do governo. Historicamente, a gente tem uma postura de colaboração, tanto com Lula quanto com Dilma.

Como serão as disputas nas eleições do ano que vem?

Na base, as disputas vão para os municípios, e lá a coisa pega, porque muitas vezes há disputas entre os partidos. A briga tem de ser de ideias e não de pessoas. Não pode haver ranço, preconceitos e prejulgamentos.

Como estão as alianças com o PSD e o PSDB?

Com o PSD surgirão naturalmente, porque em boa parte os formadores do partido já estavam na base de sustentação de projetos políticos liderados pelo PSB. Com o PSDB, sempre tivemos união em alguns locais, como Minas, Alagoas, Paraná, Paraíba. Deveremos ter alianças, sim, em alguns Estados. / J.D.

‘Não precisa ter ciúmes. Somos aliados corretos, solidários’

11/09/2011 - 10:50h PSD de Kassab nasce para exercitar vocação governista em 18 dos 27 Estados

11 de setembro de 2011

Luciana Nunes Leal e Bruno Boghossian / RIO – O Estado de S.Paulo

Além de partido “colaborador, mas independente” em relação à presidente Dilma Rousseff, o PSD nasce aliado de 18 dos 27 governadores e, na maior parte dos casos, ainda tende a segui-los nas eleições das capitais. O arco de alianças não tem preconceitos: vai do PT ao DEM, passando por PSB, PSDB e PMDB. A legenda criada pelo prefeito paulistano Gilberto Kassab será “independente” em cinco Estados, inclusive São Paulo, e no Distrito Federal. Estará na oposição em apenas três.

Andre Dusek/AE-13/4/2011
Nascido para aderir. Encontro em abril que marcou assinatura da ata de fundação do PSD - Andre Dusek/AE-13/4/2011

Nascido para aderir. Encontro em abril que marcou assinatura da ata de fundação do PSD


Com dois governadores – Raimundo Colombo, de Santa Catarina, e Omar Aziz, do Amazonas -, cinco vice-governadores, 49 deputados federais e dois senadores, o novo partido não vê motivos para vetos na escolha dos parceiros. “Não tivemos dificuldades de nos aliar às pessoas que facilitaram nossa formação. E não saímos por aí arrumando inimigos”, diz o futuro secretário-geral do PSD, Saulo Queiroz, ex-tesoureiro do DEM.

Entre os 18 governadores aliados, há um grupo de parceiros – patronos, até – que tiveram participação direta na estruturação do PSD nos Estados. Cederam aliados e, em contrapartida, fortaleceram suas bases.

Estão nesse grupo a governadora do Maranhão, Roseana Sarney (PMDB); o tucano Simão Jatene, do Pará; os petistas Jaques Wagner, da Bahia, e Marcelo Déda, de Sergipe; e o presidente nacional do PSB e governador de Pernambuco, Eduardo Campos.

Outro socialista, o cearense Cid Gomes, também apoiou a formação do PSD, coordenado no Estado por um de seus principais auxiliares, o gestor de gabinete do governo, Almircy Pinto.

Nas eleições de 2012 em Fortaleza, o PSD vai seguir a orientação de Cid Gomes. O mais provável é que o governador cearense mantenha o apoio ao PT da prefeita Luizianne Lins. Outra opção, se forem agravadas as divergências internas dos petistas, seria o lançamento de um candidato do PSB.

A situação se repete na sucessão de Recife. Eduardo Campos deverá manter a aliança com o PT, mas ainda há muita dúvida sobre a candidatura à reeleição do prefeito petista João da Costa. De qualquer maneira, o PSD será fiel à orientação do governador pernambucano.

Campos aproximou-se de Kassab desde o início de sua empreitada pelo novo partido, quando ainda se especulava sobre uma possível fusão do PSD com o PSB, mais tarde descartada. Além de decisivo na formação do novo partido em Pernambuco, o governador ajudou na aproximação do PSD com aliados de vários Estados e com a própria presidente Dilma Rousseff. “Não que o partido vá para a base do governo amanhã, mas vai ajudar a presidente Dilma nos momentos em que ela mais precisar. Essa é a disposição que ouço dos dirigentes do PSD: estar com a presidente quando ela tiver necessidade de apoio político no Congresso”, diz Eduardo Campos.

Rio. Para as eleições de 2012, uma das primeiras alianças anunciadas pelo PSD foi no Rio, pela reeleição do prefeito Eduardo Paes (PMDB).

Coordenados pelo ex-deputado Indio da Costa, candidato a vice-presidente na chapa do tucano José Serra em 2010, os pessedistas já se anteciparam também no apoio ao candidato do governador Sérgio Cabral (PMDB) em 2014, provavelmente o vice Luiz Fernando Pezão. Cabral é outro governador parceiro do PSD: ajudou na formação do partido na capital e em vários municípios do interior e liberou aliados para o ingresso na nova legenda.

Em outro grupo, estão os governadores que, nas palavras dos futuros dirigentes do PSD “não ajudaram, mas também não atrapalharam” a estruturação do partido. Nesse rol são citados os tucanos Antonio Anastasia, de Minas Gerais, e Beto Richa, do Paraná. O PSD é aliado dos dois governadores e deverá estar ao lado deles nas eleições municipais das capitais – nos dois casos, em apoio a prefeitos do PSB: Márcio Lacerda em Belo Horizonte e Luciano Ducci em Curitiba.

“Não é só o PSD que tem, nos Estados, alianças diferentes do plano nacional. As realidades locais são muito próprias”, argumenta o vice-governador da Paraíba, Rômulo Gouveia, que migrou do PSDB para o PSD, com a aprovação do governador Ricardo Coutinho (PSB).

“O PSD nasce eclético e novo na forma de fazer política”, define outro vice-governador, Robinson Faria, do Rio Grande do Norte, ex-PMN.

Saia justa. A criação do PSD no Estado criou constrangimento para a governadora Rosalba Ciarlini, filiada ao DEM e aliada do presidente nacional do partido, senador José Agripino (RN), que chegou a ingressar com ação judicial contra a nova legenda. Rosalba optou por manter distância da formação do PSD em seu Estado, mas não criou barreiras.

“A governadora me deu liberdade para formar o partido. Não foi protagonista, mas não se opôs. E agora ampliaremos a base da governadora”, explica Faria. De acordo com o vice, é Rosalba quem vai conduzir as negociações para as eleições municipais no Estado.

Horizontes

RÔMULO GOUVEIA
VICE-GOVERNADOR DA PARAÍBA

“Não é só o PSD que tem, nos Estados, alianças diferentes do plano nacional. As realidades locais são muito próprias”

ROBINSON FARIA
VICE-GOVERNADOR DO RN

“O PSD nasce eclético e novo na forma de fazer política”

EDUARDO CAMPOS
PRESIDENTE DO PSB

“Não que o partido vá para a base do governo amanhã, mas vai ajudar a presidente Dilma nos momentos em que ela mais precisar. Essa é a disposição que ouço dos dirigentes do PSD”

Em baixa, prefeito busca candidato que defenda ‘legado’

Kassab quer nome com compromisso eleitoral de propagandear sua gestão; PT avalia que candidatura do PSD atrapalhará tucanos

11 de setembro de 2011

Julia Duailibi – O Estado de S.Paulo

Depois de conseguir o número necessário de apoiadores nos Estados para criar o seu novo partido, o PSD, o prefeito Gilberto Kassab articula agora o nome para disputar sua sucessão na Prefeitura paulistana e defender seu legado político.

Tiago Queiroz/AE-13/6/2011
Resistência. PSB, aliado de Kassab, avalia que Afif é 'um nome distante dos socialistas' - Tiago Queiroz/AE-13/6/2011

Resistência. PSB, aliado de Kassab, avalia que Afif é ‘um nome distante dos socialistas’


Ciente de que se for bem-sucedido na corrida de 2012, terá maior poder de fogo para disputar o Palácio dos Bandeirantes em 2014 – ou, num cenário menos favorável, o Senado -, o prefeito atua nos bastidores para pôr de pé uma candidatura que atenda a seu projeto eleitoral.

Kassab diz trabalhar com cinco nomes, mas seu entorno aposta, por enquanto, em dois: o vice-governador Guilherme Afif Domingos (PSD), e o secretário municipal do Verde e Meio Ambiente, Eduardo Jorge (PV).

A ideia de ter um candidato próprio evitaria a “desconstrução” de seu governo pelos adversários durante a campanha. O tamanho da pancada em debates e propagandas na TV poderia reduzir o capital eleitoral de Kassab. Com um nome governista, teria a defesa garantida, ainda que não chegasse ao segundo turno.

A cúpula do PT vê com bons olhos a estratégia eleitoral de Kassab. Seu fortalecimento seria sinônimo de perda de tônus político de Geraldo Alckmin (PSDB), provável candidato à reeleição ao Palácio dos Bandeirantes em 2014. Um candidato de Kassab disputaria os votos do eleitorado tucano. Principal artífice da estratégia petista para a eleição de 2012 em São Paulo, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva quer derrotar o PSDB na capital, enfraquecendo a oposição a ponto de tirar dos tucanos o governo de São Paulo em 2014.

Com 49 deputados federais e dois senadores no PSD, Kassab é tratado como aliado pelo governo federal. Setores do PT apostam no apoio dele ao candidato do governo num segundo turno.

Diante dos problemas de popularidade da gestão Kassab, Afif defenderia o legado do prefeito com maior convicção. O vice-governador ganhou inserção na capital no último ano, ao coordenar a campanha de Alckmin em 2010, quando visitou bairros da periferia e produziu boletins apontando carências e demandas locais. Na semana que vem, lançará um site com dados biográficos e trajetória política.

“Estou dedicado de corpo e alma ao projeto de criar o programa do PSD e às tarefas delegadas pelo governador Alckmin. Estou sem cabeça, corpo e membros para desviar do meu caminho”, afirmou Afif ao Estado, ao negar planos eleitorais. O vice pode disputar a eleição sem precisar se desincompatibilizar do cargo.

Afif conta com certa resistência no PSB, aliado preferencial de Kassab em 2012. A cúpula do partido vê o vice como um nome distante dos socialistas. Eduardo Jorge traria mais facilmente o apoio do PSB, além de ter a seu favor ser novidade numa eleição em que caras pouco conhecidas podem criar bônus eleitoral.

“Eduardo Jorge roeu a corda. Kassab já percebeu isso e busca outro nome”, avalia um interlocutor do prefeito para quem o nome não será o do secretário.

Para Kassab, até que o PSD seja oficialmente criado pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), é “cedo” para falar de nomes. “Estou confiante de que a Justiça se manifestará o mais rápido possível, tem todos os elementos para isso”, disse ao Estado.

Exposição. A principal missão agora é formar alianças que deem ao PSD tempo de TV. O TSE responderá a consulta sobre se deputados federais podem levar a um novo partido o tempo de TV – para calcular quanto cada sigla tem direito na campanha, o TSE usa como base o tamanho da bancada eleita.

Caso o TSE não permita a manobra aos parlamentares, o PSD dependerá de alianças para ter exposição. Alvos de investidas, PR, PSB e PC do B dariam quase sete minutos diários à sigla.

Marqueteiro

Para cuidar da imagem, o PSD tem a ajuda “informal” de Woille Guimarães, que trabalhou na campanha de Alckmin em 2010 e é sócio de Luiz Gonzalez, ex-marqueteiro de José Serra

Aproximação com o PT já produz alianças em São Paulo

Siglas articulam união em Osasco, Suzano, São Bernardo do Campo e em outros municípios no entorno da capital de SP
11 de setembro de 2011

Bruno Boghossian – O Estado de S.Paulo

A decisão do PT de abrir espaço para alianças com o PSD nas eleições municipais de 2012 acelerou o diálogo entre os dois partidos na Grande São Paulo. Logo após o 4.º Congresso petista, que praticamente liberou a aproximação com o novo partido, o PT reforçou a busca pelo apoio do PSD a seus candidatos no Estado – mesmo sem aprovação formal a essa união por seu diretório regional.

Em junho, conforme revelou o Estado, a direção do PT paulista impediu a aprovação de resolução que queria proibir alianças com o PSD em São Paulo. Na ocasião, ficou acertado uma nova consulta aos filiados paulistas.

Mas, com o objetivo de reforçar suas chapas em locais considerados estratégicos, os petistas articulam coligações com o PSD em Osasco, Suzano, São Bernardo do Campo e outros municípios do ABC paulista. Já o novo partido flerta com o PT para dar corpo a suas pretensões eleitorais em Barueri e Carapicuíba.

Segundo líderes petistas, a resolução nacional do partido, que proibiu alianças com PSDB, DEM e PPS, deve liberar, na prática, as coligações com o PSD. A interpretação de dirigentes é que os recentes gestos de aproximação de Gilberto Kassab em relação ao governo Dilma Rousseff não permitem que o PSD seja encarado como inimigo.

“No momento em que o PSD abre um espaço de diálogo com o governo Dilma, há uma tendência de que eles sejam tratados como aliados, inclusive no Estado de São Paulo”, avalia o presidente do PT paulista, Edinho Silva. “Na capital, o PT é oposição ao Kassab por questões específicas, mas não podemos construir nossa política de alianças pautados apenas por esse afastamento.”

As alianças entre os dois partidos nos municípios paulistas ainda precisam ser formalizadas em seminário que o PT local vai organizar no fim do ano, mas mesmo os petistas descontentes com o pacto admitem que não há como impedir a aproximação.

Marinho. No ABC, a afinidade é tão grande que o prefeito de São Bernardo do Campo, Luiz Marinho (PT), atuou como um dos articuladores da criação do PSD. Foi uma retribuição ao apoio dado pelo DEM de Kassab quando o petista foi eleito, em 2008. A expectativa é que o PSD faça parte da coligação que vai brigar pela reeleição de Marinho.

Em Santo André, o PT também demonstrou interesse em buscar o apoio do partido de Kassab para eleger o ex-sindicalista Carlos Grana e admite até abrir vaga de vice para a nova legenda. As lideranças do PSD em Ribeirão Pires e em Diadema também flertam com os petistas.

A constatação de que “o PSD não é o DEM” facilitou uma aproximação com o PT em Osasco. O partido de Kassab sinaliza que vai apoiar a candidatura do petista João Paulo Cunha, réu no processo do mensalão, afastando-se da possível chapa encabeçada pelo ex-prefeito Celso Giglio (PSDB).

Em Suzano, a união ainda depende de um nome de consenso para suceder ao prefeito Marcelo Cândido (PT). Em Carapicuíba, o vereador petista Alexandre Pimentel lidera os diálogos com o partido de Kassab e, em Barueri, o PSD aposta na filiação do deputado estadual Gil Arantes (DEM), contando com o apoio do PT para lançar sua candidatura.

Em Guarulhos, governada pelo petista Sebastião Almeida, o PSD está próximo do deputado tucano Carlos Roberto.

O FLERTE NA REGIÃO METROPOLITANA

São Bernardo do Campo
O PSD deve apoiar a reeleição de Luiz Marinho (PT), que ajudou a estruturar a legenda no ABC

Ribeirão Pires
A ex-prefeita Maria Inês (PT) tenta obter o apoio de antigos aliados que devem ir para o PSD

Santo André
PSD é assediado pelo PT, que vai lançar o nome de Carlos Grana

Diadema
O PSD alega ter sintonia com grupos do PC do B, mas estuda apoiar os petistas

Osasco
O PT tenta conseguir uma aliança com o PSD a favor da candidatura do deputado João Paulo Cunha

Suzano
Os dois partidos têm interesses em montar uma aliança, mas pretendem buscar um candidato de consenso

Barueri
O partido de Kassab busca filiar um deputado estadual da região, que teria o apoio do PT

Carapicuíba
Há diálogos entre o PSD e o presidente da Câmara Municipal, o petista Alexandre Pimentel

13/05/2011 - 10:15h Eduardo Campos e o PSD

Maria Cristina Fernandes – VALOR

O governador de Pernambuco, Eduardo Campos, leu duas vezes o texto em que Fernando Henrique Cardoso discute a conquista política da nova classe média. Ao contrário dos petistas e de correligionários do ex-presidente como o senador Aécio Neves, encantou-se com o que leu. Credita a exploração negativa do documento a uma frase pinçada para a luta política. Não viu, na oposição, ninguém fazer um esforço semelhante em pensar o Brasil que foi transformado pelos quatro mandatos em que se sucederam PSDB e PT.

Na entrevista publicada no Valor de hoje, o presidente do PSB faz mais elogios a Fernando Henrique do que qualquer tucano da praça. Governador mais próximo do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, Campos vê convergências entre o artigo e os movimentos da presidente Dilma Rousseff neste início de governo, da política externa a uma relação menos conflituosa com a imprensa. O elogio a Dilma não se estende ao PT que, na sua avaliação, fez um movimento em direção contrária com a reincorporação de Delúbio Soares.

Desde as eleições do ano passado, Campos vem batendo na tecla de que as urnas sinalizaram para valores da classe média emergente mal ajambrados na polarização PT x PSDB e acolhidos, em grande parte, na votação de Marina Silva. No Recife, onde Dilma ficou abaixo de sua média nacional (42%) e Marina, acima (36%), Campos teve uma votação próxima (73%) à soma de ambas, resultado que lhe deixou numa situação confortável para se antecipar a esse debate.

Sigla será para Campos o que o PFL foi para FH

Pior do que perder é não tirar lições da derrota. E é isso que diz estar acontecendo com a oposição. Indaga-se, por exemplo, sem citar Aécio, que significado tem para o eleitor da feira de Caruaru, um dos bolsões de crescimento chinês do Nordeste, a mudança do rito das MPs que o senador mineiro passou a encampar.

Cada crítica de Campos ao PSDB é seguida de um elogio a Fernando Henrique. O partido, diz, não vai inverter a rota da desintegração enquanto não se deixar pautar pela rua. Bastaria se espelhar no que o ex-presidente fez ao enxergar o valor político da luta contra a inflação consolidada com o Plano Real.

Ao defender o real, Campos não endossa a gritaria tucana de que a política econômica coloca em risco a estabilidade da moeda. Não vê grandes mudanças na condução, mas diz que o aumento da taxa de juros, além de ser um remédio que não cura a doença, ainda gera outras.

Das lideranças nacionais tucanas, Fernando Henrique é o único a ser poupado. Não menciona nenhum deles, mas faz críticas nitidamente endereçadas. Se o senador mineiro entra na roda pela pauta autista no Congresso, o ex-governador paulista foi a cabeça de uma campanha que, ao privilegiar os rumos da fé cristã ou do aborto, desperdiçou a oportunidade de discutir a política anti-inflacionária ou o subfinanciamento do SUS.

Ao reafirmar suas convicções em defesa da meritocracia na gestão pública contrapõe-se a outro tucano, o governador paulista, Geraldo Alckmin, que começa a rever a bonificação de professores por desempenho dos alunos. Em Pernambuco, além de estar mantida para a educação, a bonificação se estende para a segurança pública, a arrecadação fazendária e a gestão.

Não acredita que a crise do PSDB seja suficiente para tirá-los do jogo em 2014, tanto pela estrutura nacional do partido quanto pelo número de governadores em Estados relevantes de que dispõe. Mas diz que a próxima eleição é jogo jogado. Se Dilma, favorita à reeleição, não quiser ficar no páreo, é Lula quem volta.

O jogo que está em campo, portanto, é o de 2018. Para esfriar as especulações em torno de seu futuro eleitoral já assumiu o compromisso de não se candidatar a nada em 2014. Mas parece claro que o jogo do PSB é o de comer o PSDB pelas bordas.

O maior indício disso é o surgimento do PSD. Poucos acompanharam tão de perto as negociações para o surgimento desse novo partido. O que o prefeito de São Paulo queria de início era uma fusão. Quando as lideranças do PSB viram a enxurrada que estava por vir das franjas do sistema partidário é que a negociação rumou para a criação de um novo partido.

Campos diz que o PSD possibilita o reagrupamento do conjunto de forças, que na desmontagem da ditadura, resultou no PDS. São forças que, a despeito da convergência na visão de país, trajetória e prática política, têm como principal amálgama a necessidade de pertencer a uma base de governo.

Pelo quadro de filiações que está se configurando uma aliança com o PSD é estratégica para um PSB com projeto de poder. A força do partido de Eduardo Campos está no Nordeste, região de quatro de seus seis governadores. Pois o PSD, além de filiar o governador do Amazonas, vai nascendo forte no Centro-Sul, onde o projeto é liderado pelo governador de Santa Catarina e ruma para abarcar o PP gaúcho, segundo maior força política do Estado.

Em São Paulo o polo é Kassab e o projeto da aliança é quebrar a polarização PT x PSDB no seu berço, sob os auspícios de Lula e Dilma. Sem Gabriel Chalita e Paulo Skaf, o PSB entra mais facilmente na órbita do prefeito para a sucessão municipal. A opção por um nome como o secretário de Meio Ambiente, Eduardo Jorge, azeitaria a aliança. Além de ex-colaborador da deputada Luiza Erundina, Jorge não é visto como uma ameaça a um candidato do PT, que continua a ser o principal aliado nacional do PSB e passará a ser, também, do PSD.

O movimento indica que Campos percebeu cedo que, para ter perspectiva de poder o PSB não poderia se restringir aos seus aliados históricos de esquerda. O PSD está para seu futuro político como o PFL esteve para o de Fernando Henrique Cardoso, e o PMDB, ainda que tardiamente, para o de Lula.

Maria Cristina Fernandes é editora de Política. Escreve às sextas-feiras

E-mail mcristina.fernandes@valor.com.br

23/04/2011 - 10:31h Temer anuncia Gabriel Chalita como pré-candidato do PMDB à Prefeitura


Segundo deputado mais votado em São Paulo será recebido com festa pela nova legenda em maio e já deve estrelar programa de TV do partido em junho; ex-secretário e amigo de Alckmin deve engrossar coro de oposição ao prefeito Gilberto Kassab

Christiane Samarco – O Estado de S.Paulo

BRASÍLIA

O deputado Gabriel Chalita (PSB-SP) acertou com o vice-presidente da República, Michel Temer, que ingressará no PMDB em maio, com direito a uma festa de filiação em São Paulo. Líderes e dirigentes nacionais do partido já estão sendo convidados a participar do evento em que Chalita será apresentado como pré-candidato do partido à Prefeitura da capital paulista em 2012. A informação foi dada em primeira mão, na manhã de ontem, pela colunista Sonia Racy, na rádio Estadão ESPN.

A pressa do deputado em deixar o PSB tem razões pragmáticas: o PMDB quer que ele seja a estrela do programa do partido que irá ao ar em junho. “Ele já bateu o martelo comigo e com o (ministro da Agricultura) Wagner Rossi e está decidido a sair do PSB até correndo risco de ter o mandato questionado na Justiça”, informa o líder do PMDB na Câmara, Henrique Eduardo Alves (RN).

A regra da fidelidade partidária estabelece que o mandato parlamentar pertence ao partido, e não ao deputado. Chalita garantiu aos peemedebistas que tem uma estratégia traçada para preservar a vaga de deputado (leia abaixo).

Nas conversas com os dirigentes do PMDB, Chalita ressaltou sua “incompatibilidade” com o atual prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab, que lidera a criação do PSD. Embora a tese da fusão entre o futuro partido de Kassab e o PSB tenha perdido força nas últimas semanas, o deputado fez questão de lembrar que a ideia foi bastante noticiada e, por isso, não pode correr o risco de ficar na atual legenda e ser surpreendido por uma eventual união dos partidos.

Confiante quanto ao futuro partidário de Chalita, Alves diz que o objetivo do PMDB é dar “toda a ênfase” à filiação do parlamentar, com um ato político à altura do deputado eleito com 560 mil votos, segunda maior votação de São Paulo, atrás apenas do palhaço Tiririca (PR).

Encerrada a velha disputa na cúpula do PMDB paulista entre a ala governista comandada por Temer e os rebeldes liderados por Orestes Quércia, morto em dezembro, a estratégia é reconstruir a regional paulista hoje minguada na capital, a partir de uma candidatura “robusta” à Prefeitura da maior cidade brasileira. “O Chalita é um parlamentar fortíssimo, uma liderança nova, e será uma das melhores conquistas do PMDB”, aposta Alves.

Reações. O governador de Pernambuco e presidente nacional do PSB, Eduardo Campos, quer esperar uma posição oficial de Chalita para comentar o tema, mas já adiantou que o problema será resolvido em acordo com os líderes paulistas. “Eu não vou me pronunciar enquanto não tiver posição oficial de Chalita. Esta é uma questão que cabe ao diretório da cidade de São Paulo e ao diretório estadual, antes de um pronunciamento da direção nacional”, afirmou Campos.

Na iminência de perder o parlamentar, um dirigente nacional do PSB diz que “Chalita saiu mal do PSDB e está saindo mal do PSB, depois de ter se juntado ao PT por pura birra com o ex-governador José Serra”.

Este dirigente entende que Chalita conta com a simpatia do governador Geraldo Alckmin (PSDB), de quem foi secretário de Educação, e que esperaria ter apoio velado do tucano nos moldes do que Serra fez em relação a a Kassab, em 2008. No caso de o ex-governador ser candidato em 2012, o apoio a Chalita seria o troco de Alckmin.

Entre os petistas, a notícia de que Chalita vai para o PMDB não causou surpresa. A avaliação é de que o deputado ajudará a fazer coro nas críticas a Kassab. Para o presidente do diretório municipal do PT, vereador Antonio Donato, o partido se beneficia de um número maior de candidaturas. “Quanto mais candidatos houver, melhor. Nós temos um eleitorado cativo”, afirmou o petista. / COLABOROU IURI PITTA

TRAJETÓRIA

Vereador

Com apenas 19 anos, Chalita foi eleito vereador em Cachoeira Paulista (SP), sua cidade natal. Em 2008, voltou a se eleger vereador pelo PSDB, desta vez em São Paulo, e foi o mais votado, com mais de 100 mil votos

Escritor

Também foi precoce na carreira de escritor. Publicou seu primeiro livro aos 12 anos. Hoje, acumula 54 títulos lançados

Governo

De 2003 a 2006, foi secretário da Educação do Estado de São Paulo, na gestão Geraldo Alckmin/Claudio Lembo

Troca de partido

Em 2009, Chalita deixou o PSDB e se filiou ao PSB, da base de apoio do governo Lula. No ano passado, foi candidato a deputado e conseguiu a segunda maior votação no Estado

Religião

Chalita também é bastante próximo da Igreja Católica. É ligado ao movimento Renovação Carismática e apresenta dois programas na TV Canção Nova

PADRINHOS DE PESO

Lula
O ex-presidente defende um novo nome como candidato do PT: o ministro Fernando Haddad

Gilberto Kassab
Sem poder concorrer à reeleição, o prefeito pode apoiar Guilherme Afif ou Eduardo Jorge

José Serra
Com o PSDB em crise, o ex-governador é visto como único capaz de unir o partido em 2012

Michel Temer
Ao lançar Chalita como pré-candidato, aumenta o cacife do PMDB em eventuais alianças

06/04/2011 - 09:30h Campos confirma aliança com partido de Kassab em 2012

Carmen Munari | VALOR – Reuters, de São Paulo

O governador de Pernambuco, Eduardo Campos, confirmou ontem à “Reuters” que PSB e PSD, partido anunciado pelo prefeito paulistano Gilberto Kassab, estarão coligados na eleição municipal de 2012. Aliado do Planalto, Campos disse que Kassab nunca teve uma postura “antagônica” junto ao governo federal.

Em rápida visita à capital paulista para se reunir com empresários, entre eles o presidente da Fiat do Brasil, Cledorvino Belini, o governador, que preside o PSB, afastou uma propalada fusão com o Partido Social Democrático.

“Na verdade, sempre foi isso [coligação para 2012]. Da minha parte você nunca me viu falar nem em ‘on’ nem em ‘off’ desta questão da fusão”, disse Campos. “A nova legenda vai disputar a eleição municipal e onde for possível estará junto com o PSB”, esclareceu.

O interesse principal de Kassab na aliança com o PSB, segundo Campos, é garantir tempo de TV para a nova sigla nas eleições municipais: “Sempre foi nesta direção que nós trabalhamos.”

Foram dois encontros com Kassab, sendo que apenas no primeiro Campos ficou sabendo que o prefeito e seu grupo iriam criar um novo partido. Até então, o governador acreditava que o destino seria o PMDB. Segundo Campos, a sigla servirá para abrigar parlamentares que se encontram “mal situados’ nos partidos em que atuam.

Apesar de pertencer ao DEM e de sua forte ligação com o tucano José Serra (SP) – opositor do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (2003-2010) e adversário da presidente Dilma Rousseff nas urnas – Kassab é visto por Campos como colaborador do governo federal. O prefeito vem afirmando que o PSD dará apoio a Dilma.

“Não muda nada na relação que o próprio Kassab teve no DEM com o governo do presidente Lula e com a nossa base. Ele já tinha essa relação de colaboração, de proximidade com o governo, nunca foi uma relação estressada, antagônica”, declarou.

Na reforma política, que está sendo debatida no Congresso, Campos defende mandato de cinco anos para os cargos do Executivo sem direito à reeleição e coincidência de eleições em um mesmo ano. As novas regras valeriam apenas para os próximos eleitos, garantindo a fórmula atual para quem já está em seus cargos.

Indagado se esperaria o término de um segundo mandato de Dilma para se candidatar à Presidência, Campos foi vago. “Não tenho esse problema não”, respondeu. De esperar? “Não, de ser candidato”, afirmou o governador, reeleito com 82% dos votos no ano passado.

Em Brasília, o prefeito de São Paulo elogiou ontem a atuação da presidente Dilma Rousseff, mas afirmou que não se “sentiria à vontade” para dizer que faz parte da base governista.

“Na campanha, todos sabem que independentemente dessa parceria com o governo do presidente [Luiz Inácio] Lula [da Silva] eu fui um dos principais apoiadores do candidato Serra”, disse, antes de entrar no Palácio do Planalto. “Então, não me sentiria à vontade para dizer: ‘olha, vou ser da base da presidente Dilma’. Mas terei o mesmo comportamento que tive com o presidente Lula.”

Kassab e alguns políticos da Frente Nacional de Prefeitos aproveitaram a viagem a Brasília para encontrar a presidente no Palácio do Planalto. O objetivo, segundo ele, era apenas cumprimentá-la. “Ela está indo bem”, elogiou o prefeito. (Com agências noticiosas)

17/03/2011 - 10:43h CPI contra Alckmin tem votos de DEM e PSB

Partidos: Barros Munhoz impede que comissão que investigaria pedágios fosse instalada na 1ª sessão da Alesp


Vandson Lima | VALOR

Uma minúcia na formação da fila para protocolar requerimentos na Assembleia Legislativa de São Paulo expôs, no primeiro dia de trabalho dos deputados depois da posse, que a disputa travada entre a base governista e a oposição terá novos contornos nessa Legislatura e pode trazer problemas ao governador Geraldo Alckmin. Parlamentares de siglas normalmente alinhadas ao PSDB – leia-se DEM, PRB e PSB – aderiram à pauta oposicionista, dando a esta o número de assinaturas necessárias para pedir a abertura de Comissões Parlamentares de Inquérito. A oposição ao governo de São Paulo na Assembleia Legislativa nunca foi tão forte. Tem 28 votos garantidos sem contar o PMDB que ainda não definiu posição. DEM e PSB integram, teoricamente, a base e Alckmin.

Milton Vieira (DEM), Ed Thomas (PSB), Gilmaci Santos e Sebastião Santos, ambos do PRB, estiveram entre os deputados que assinaram o pedido de CPI para investigar os contratos de concessão de rodovias e cobrança de pedágios no Estado, formulado pelo PT. No entanto, esta só deve entrar na pauta após a análise dos 11 pedidos de CPI feitos pelo PSDB, considerado depois de muita discussão o primeiro da fila formada para protocolar requerimentos.

Um assessor do PSDB foi colocado na porta do plenário, dois dias antes, para “guardar lugar” no protocolo e se adiantar ao PT. Só que, por volta das 6 da manhã, o ex-deputado e assessor da Bancada do PT, Salvador Khuriyeh conseguiu entrar no plenário por outra porta e se colocou em frente ao relógio do protocolo. Criou-se uma discussão, que se arrastou por todo o dia e atrasou os trabalhos do parlamento, sobre a validade do “drible” petista. Por fim, a procuradoria da Casa decidiu que a fila válida era a iniciada pelo PSDB, invalidando a presença do petista, que estava em pé há 12 horas, sendo alimentado pelos colegas com barras de cereal e água.

“É uma situação absurda essa disputa pelo relógio”, afirmou o presidente da Assembleia, Barros Munhoz (PSDB), ao proferir a decisão que deu razão aos tucanos. O PSDB conseguiu protocolar seus 11 pedidos de CPI – assuntos tão díspares quanto a proliferação de faculdades de Medicina e o serviço de TV a cabo oferecido no Estado compunham o grosso dos requerimentos -, o que foi considerado pela oposição manobra para protelar investigações sobre os atos do governo. “O mais lógico é que o protocolo se inicia quando alguém fisicamente se apresenta com o documento em mãos à frente do equipamento que registra a documentação. Mas sabemos que toda esta disputa tem cunho político”, afirmou o líder da bancada petista, Antonio Mentor. E criticou a decisão de Munhoz, em quem o PT votou para presidente da Assembleia: “Aqueles que o aconselharam nesse sentido querem manchar a sua imagem”.

Toda a briga em torno da fila do relógio do protocolo não é nova. No começo da Legislatura 2007/2010, o PT conseguiu ser o primeiro a protocolar um requerimento – de CPI da Eletropaulo – baseado em uma decisão do Supremo Tribunal Federal de 2005, que instituiu a apreciação em ordem cronológica de registro. A CPI do pedágio, que a oposição tenta emplacar, versa sobre a prorrogação de contratos feitas por decreto do governador e a alta taxa de retorno das administradoras de rodovias estaduais, em torno de 22%. As rodovias federais tem taxa média de retorno de 8%. O PT, tem 31 assinaturas, uma a menos que o necessário, para outras 3 CPIs.