22/07/2008 - 12:38h Nossa! quanto bla, bla, bla…

A imagem “http://blogdofavre.ig.com.br/wp-content/uploads/2008/05/alckmin_pensativo.jpg” contém erros e não pode ser exibida.

“Vamos incluir no nosso programa de governo uma forte descentralização, fortalecendo as subprefeituras, instalando conselhos de representantes, trabalhando os 96 distritos”( O Estado de São Paulo)

A frase não é, como você pensa, tirada do programa do PT. Ela foi pronunciada ontem por Alckmin para manifestar sua concordância com uma aspiração que Marta Suplicy começou a implementar em São Paulo durante sua administração: a descentralização e a participação popular.

Os organizadores do ato, onde Alckmin “incorporou” uma das realizações de Marta, prometem realizar uma campanha publicitária contra o “bla, bla, bla” de alguns candidatos.

Gilberto Dimenstein exulta de entusiasmo: “A campanha publicitária vai bater na tecla do fim da conversa fiada –ou seja, contra o blablablá. Os indicadores serão divulgados para que se popularizem meios de medir o desempenho do poder público. Nunca se fez nada parecido, em esfera local, no país. É reflexo do amadurecimento da democracia, do aprendizado da articulação comunitária e do cansaço com o caos paulistano –um caos que foi provocado pela conversa fiada dos políticos e, vamos reconhecer, baixa participação da comunidade.”

Precisamente, na cara dos representantes da ONG Nossa São Paulo e na frente da mídia, com a maior desenvoltura, o “gerentão” nos proporcionou um magnífico bla, bla, bla sobre os conselhos de representantes, as subprefeituras e a descentralização contra a qual seu partido lutou quando Marta era prefeita, que nunca implementou no governo estadual e que, no comando da prefeitura, procurou contornar, tanto na discussão da revisão do plano diretor, como passando por cima do conselho de representantes na saúde (para citar apenas dois exemplos).

Não teve nenhum jornalista que confrontasse o cinismo do autor da frase e que questionasse a contradição entre o bla, bla, bla é a prática do PSDB e do ex-governador. Ou seja a mídia continuará seu bla, bla, bla sobre a conversa fiada dos políticos e passará sob silêncio a desenvoltura do tucano.

De sorte que a combinação dois dois dará um interminável bla, bla, bla…

Luis Favre

(more…)

21/07/2008 - 18:56h Cadê o gerentão?

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Alckmin de boca fechada para falar da educação no seu governo

Uma coisa que chama a atenção na cobertura eleitoral é o pequeno espaço dado aos resultados obtido pelo candidato Alckmin e seu partido durante os dois mandatos exercidos a frente do governo estadual.

Editorial recente da Folha de São Paulo abordou este balanço na questão da educação. Para o editorial

“Dados oficiais de 2007 mostram que 71% dos alunos que concluem o ensino médio têm dificuldades até para lidar com conceitos elementares, como subtração e porcentagem.
Verifica-se agora que até as recentes tentativas de corrigir os erros ficam aquém do esperado. Como mostrou ontem reportagem desta Folha, o governo não conseguiu cumprir nenhuma das quatro metas a que se propôs para o período de 2004 a 2007.
Em 3 dos 4 indicadores, a situação chegou a deteriorar-se. Foi o caso da reprovação no ensino médio: a meta era diminuir de 9,3% para 7% a proporção de alunos que repetem de ano. A taxa, porém, subiu para 17,6%.
Tendências na educação, quanto mais numa rede pública com a escala da estadual paulista, não se modificam da noite para o dia.”

O candidato do PSDB, Geraldo Alckmin cumpriu dois mandatos a frente do governo estadual. Se os resultados não se modificam da noite para o dia e o atual governador não pode ser invocado para produzir milagres, o que dizer do seu predecessor, com dois mandatos seguidos no comando do Estado mais rico do Brasil?

Segundo a atual Secretária de Educação do Estado de São Paulo o programa de formação de professores do governador Alckmin não tinha foco e jogou o dinheiro fora:

“Os R$ 2 bilhões investidos em formação continuada de professores pelo governo de São Paulo nos últimos cinco anos não melhoraram o desempenho dos alunos. A afirmação é da secretária estadual da Educação, Maria Helena Guimarães de Castro, que anunciou mudanças no programa. Segundo ela, o principal problema do Teia do Saber é a falta de foco. O projeto de formação dos docentes foi implantado na gestão do ex-secretário Gabriel Chalita (PSDB), em 2003.

“Não havia relação interativa entre esses programas e as necessidades da escola”, disse Maria Helena. Chalita foi procurado, mas informou não ter interesse em falar sobre o assunto.”(jornal O Estado de São Paulo).

O braço direito de Alckmin “não tem interesse em falar sobre o assunto”?

Vai ficar por isso mesmo?

Jogam fora o equivalente a todo o dinheiro de um ano do FUNDEB para o Brasil inteiro, sem qualquer resultado é o tema é esquecido pela mídia que não retoma a questão?

O jornal Agora bradou:

“O aluno que vem com 4 no boletim tirou nota vermelha. Se a nota é 2, de tão vermelha ficou roxa.

Já quando uma rede inteira tira nota 1,4, todo mundo que tem responsabilidade na educação, a começar das autoridades, deveria fica roxo. De vergonha.

Essa foi a nota, dada pela Secretaria Estadual da Educação, ao desempenho da sua rede de ensino médio: 1,41, numa escala que vai até 10.

O índice foi obtido com base nas notas do Saresp -provas aplicadas nos estudantes da rede- e na taxa de aprovação dos alunos. Chama-se Idesp (Índice de Desenvolvimento da Educação do Estado de São Paulo).

O Idesp da 8ª série do ensino fundamental foi 2,54. O da 4ª série chegou a 3,23. Ou seja, a qualidade da educação é sofrível em todas as etapas, mas piora nas séries mais altas e fica próxima de zero no fim do ensino médio.(…)”

Com clareza o editorial diz que as autoridades deveriam ficar “roxas, de vergonha”.

Os resultados do idesp concernem todas as escolas estaduais no Estado de São Paulo, mas como informa o Estadão: “ Mais da metade de todas as escolas estaduais paulistas tem indicadores abaixo das médias do Índice de Desenvolvimento de São Paulo (Idesp) no Estado. No ensino médio, a situação é mais alarmante, já que 57% das escolas não atingiram o Idesp 1,41, numa escala de 0 a 10. No ciclo de 1º a 4 ª séries, 55% não chegam a 3,23 e, entre estabelecimentos de 5ª a 8ª, 50% estão abaixo de 2,54.”

Os alunos que concluem hoje a secundária, ingressaram na escola primária e as autoridades na época eram do PSDB (e Alckmin, durante dois mandatos consecutivos)). As crianças fizeram todo o percurso baixo governos estaduais do PSDB. Durante 8 anos desse percurso, não só o governo estadual era dominado pelo PSDB, mas o Brasil inteiro era governado por FHC do PSDB (juntos com os atuais Demos).

Vocês não pensam que Alckmin e Chalita devem explicações ao povo e a juventude de São Paulo?

A mídia não deveria entrevistá-los para falar de educação e explicar o que foi errado? onde eles erraram?

Esta questão não deveria ser objeto de debate? A mídia não estaria dando uma grande contribuição se pautasse a discussão destes resultados com os principais responsáveis do desastre? Ou impunemente, os que governaram o Estado de São Paulo, poderão continuar a pretender que sabem administrar?

Cadê o famoso “gerentão”?

Não se pode passar sob silêncio esse verdadeiro genocídio educacional da juventude no Estado.

Luis Favre

19/07/2008 - 19:16h Segundo Ibope, Jô Moraes lidera Belo Horizonte. Márcio Lacerda é 3º

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Aécio, Pimentel e Lacerda, mesmo com dois padrinhos de peso 3° no IBOPE. Na liderança Jô Moraes do PCdoB

GlobonewsTV

RIO - O Ibope divulgou neste sábado pesquisa sobre intenções de votos em Belo Horizonte. A candidata do PCdoB, Jô Moraes, lidera a disputa à prefeitura, com 17%. Em segundo lugar está Leonardo Quintão, do PMDB, com 14%. Márcio Lacerda, do PSB, que conta com o apoio do governador Aécio Neves (PSDB) e do prefeito Fernando Pimentel, tem 8%. Vanessa Portugal, do PSTU, tem 4%. Sérgio Miranda, do PDT, 3%; Gustavo Valadares, do DEM, 2%; e André Alves, do PTdoB, 1%. Brancos e nulos somaram 19% e 30% não opinaram.

Segundo o Ibope, em eventual segundo turno Jô Moraes venceria quintão por 26% a 21%, e Lacerda por 27% a 16%.

19/07/2008 - 18:00h Pesquisa Ibope - Marta lidera em São Paulo

O Estado de São Paulo

Confira os números da pesquisa eleitoral contratada pelo Estado e pela TV Globo, feita entre 15 e 17 de julho, com 805 eleitores paulistanos. A margem de erro é de 3 pontos percentuais

SÃO PAULO - Os candidatos Marta Suplicy (PT) e Geraldo Alckmin (PSDB) apareceram tecnicamente empatados na disputa pela Prefeitura de São Paulo, com ligeira vantagem para Marta, que teve 34%, contra 31% de Alckmin, segundo pesquisa contratada pelo Estado e pela TV Globo e realizada pelo Ibope. Em terceiro lugar aparece o prefeito Gilberto Kassab (DEM), candidato à reeleição, com 10%, também em empate técnico com o ex-prefeito Paulo Maluf (PP), que teve 9%. Soninha Francine (PPS) registrou 2%. Como a margem de erro da pesquisa é de 3 pontos porcentuais, Marta pode ter de 31% a 37%, e Alckmin, de 28% a 34%, o que demarca um ponto de intersecção entre as possíveis variações dos dois.

Num hipotético segundo turno, Alckmin apareceu à frente de seus dois principais rivais. Contra Marta, registrou 47% a 43%, em situação de empate técnico; contra Kassab venceria por 35 pontos - 58% a 23%. Marta, por sua vez, superaria Kassab por 16 pontos - 51% a 35%. O porcentual de indecisos na pesquisa estimulada é muito baixo, considerando o tempo que resta até as eleições - só 8% disseram que votarão em branco ou nulo e apenas 4% ainda não decidiram em quem votar. Nessa situação, para crescer um candidato não terá alternativa senão tomar votos de oponentes que estão à sua frente. Leia mais no jornal O Estado de São Paulo.

Registro da pesquisa

A pesquisa Ibope contratada pelo jornal O Estado de S. Paulo e pela TV Globo foi a campo entre 15 e 17 de julho e entrevistou 805 eleitores paulistanos, com intervalo de confiança estimado em 95% e margem de erro de 3 pontos porcentuais. A pesquisa está registrada na 1ª Zona Eleitoral de São Paulo sob o número 01200108-SPPE.

19/07/2008 - 10:26h Tucanos pedem licença do PSDB para apoiar Kassab em SP

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WANDERLEY PREITE SOBRINHO colaboração para Folha Online

A crise no PSDB de São Paulo acaba de ganhar um novo capítulo. Os tucanos que defendem a reeleição do prefeito Gilberto Kassab (DEM) e se recusam a subir no palanque do ex-governador Geraldo Alckmin (PSDB) decidiram se licenciar do PSDB em resposta à decisão do Diretório estadual do partido que nesta semana ameaçou punir os correligionários engajados na candidatura do democrata.

O primeiro grupo de tucanos a pedir licença do PSDB para participar na candidatura do DEM à prefeitura vem do diretório do Ipiranga. A decisão já vinha sendo ventilada há algumas semanas, mas só foi definida nesta sexta-feira.

O movimento começou no Ipiranga, mas já tem a simpatia de tucanos de toda a capital. A Folha Online apurou que boa parte parte dos militantes que defendiam a aliança com o DEM antes da convenção do PSDB deve se licenciar da legenda e só retornar ao partido no segundo turno. Quem não deve pedir licença são vereadores kassabistas, que temem punição do TSE (Tribunal Superior Eleitoral), em razão da lei de fidelidade partidária.

Um dos tucanos que pedirá licença do partido é Silvio Silva, do diretório do Ipiranga. Ele faz parte da Executiva estadual e tem quase 20 anos de PSDB. “É um pedido de afastamento provisório. Não tem sentido, não tem lógica, apoiar um candidato e pertencer a outro partido. Vou pedir licença para evitar constrangimento”, afirmou o tucano, à Folha Online.

17/07/2008 - 19:40h Kassab, linha auxiliar de Alckmin?

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Não tive tempo de reproduzir e comentar o artigo do jornal O Estado de São Paulo (ver no final desta nota) sobre a tentativa de unificação entre Alckmin e Kassab, para pacificar o PSDB e “fazer de José Serra o grande vitorioso da eleição municipal”. Não é o primeiro, nem será o último dos artigos que pretendem, na base de declarações dos próprios interessados nesta operação (no caso Alckmin, mais que Serra), que a crise no PSDB é um problema de vontade dos protagonistas em aparentar estar bem na foto.

Por um lado é bom salientar que o que os une é a comum vontade de impedir uma vitória de Marta. Por isso o eixo da campanha de Kassab é atacar e agredir Marta. Este trabalho que mistura mentiras, calúnias, demagogia e deboche teve até agora como resultado aumentar a taxa de rejeição de Kassab e não o ajudou nem um pingo em melhorar sua situação nas pesquisas.

Ao mesmo tempo, assim agindo, Kassab funciona como linha auxiliar de Alckmin que pode continuar posando de “bom moço” e como o melhor candidato para conseguir o que Kassab parece querer mais que tudo: derrotar Marta. Como se vê, a linha atual de Kassab unifica o campo da centro direita em favor de Alckmin e por isso o ex-governador está bem na atual situação. O único incomodo para ele é a persistência da fração pro-Kassab no PSDB que alimenta uma erosão na sua credibilidade (e no apoio financeiro entre os empresários que não querem aparecer chocando com Serra). Para calar a boca deles Alckmin acena com uma declaração de alinhamento com Serra e este é o intuito do artigo de hoje no Estadão.

De outro lado, o processo em curso no pais e o fato de Lula não poder pleitear por um novo mandato, abre um processo de reestruturação político-partidária que por enquanto só Aécio Neves parece ter percebido. Não deixa de ser uma ironia da história que não seja José Serra, historicamente identificado com a esquerda tucana, e sim um centrista sem muita consistência como Aécio, que apareça como capaz de construir pontes. Certo, por enquanto limitados a Minas Gerais e ao grupo de Alckmin, mas com movimentos em relação a Ciro e ao PMDB.

Já Serra consolidou um acordo nos marcos de São Paulo, saudado com exagerado entusiasmo pela sua mídia afim, mas que não resistirá a uma vitória de Alckmin nas eleições municipais. Pior, no seu apoio a linha anti-PT do seu candidato Kassab, ele aumenta a rejeição a sua figura nas fileiras petistas e nada ganha no campo em que Alckmin se movimenta. A persistência desta orientação fará de Serra o principal derrotado desta eleição. O desfecho terá sido produto de sua hesitação entre duas orientações contraditórias: impedir a vitória de Alckmin e da direita do seu partido e querer ao mesmo tempo rejeitar e destruir Marta Suplicy e o PT. E pior, tentar isto com alguém como Kassab, do DEM, pouco preparado e sem jogo de cintura para tamanho desafio.

Mas a derrota pode virar verdadeira catástrofe se, em pânico, Serra fizer marcha re e abandonar Kassab no meio do caminho, para tentar uma hipotética tábua de salvação nas mãos de Alckmin. Como Serra não tem vocação para o suicídio, penso que a manobra e o desejo de Alckmin não serão correspondidos. Veremos…

Luis Favre

Artigo do jornal O Estado de São Paulo

FHC reúne Serra e Alckmin

Tucanos traçam estratégias para enfrentar Marta, entre elas dar fim a confrontos com Kassab

Carlos Marchi - O Estado de São Paulo


O governador José Serra e o ex-governador Geraldo Alckmin concordaram, numa conversa articulada pelo ex-presidente Fernando Henrique Cardoso e pelo senador Sérgio Guerra (PE), presidente nacional do PSDB, que a petista Marta Suplicy está “nadando de braçada” na campanha municipal, crescendo nas pesquisas e, de quebra, aproveitando o palanque para criticar os governos do Estado e da prefeitura, sem que haja um contraponto eficaz. E combinaram três pontos que pretendem mudar o direcionamento da campanha para a Prefeitura de São Paulo.

Na conversa, que ambos classificaram de “excelente”, eles concordaram em que é preciso eliminar os confrontos entre Alckmin e o prefeito Gilberto Kassab; que ambos vão defender o governo Serra de ataques feitos por Marta; e que os dois - Alckmin e Kassab - devem privilegiar, daqui por diante, suas propostas para a cidade.

A conversa, que aconteceu segunda-feira à noite no Palácio dos Bandeirantes, deixou os dois satisfeitos. Alckmin disse a correligionários que foi “a melhor conversa que teve com Serra em muito tempo”; Serra contou a amigos que a conversa foi “muito boa”. “Ajudou bastante”, comentou ontem Guerra, revelando que o encontro reduziu as tensões entre os dois e seus reflexos no partido.

Segundo relato de tucanos, Serra afirmou que “o verdadeiro adversário é o PT”, repetindo argumento que Alckmin usa para justificar sua candidatura, desde o momento em que resolveu se lançar. O ex-governador, naturalmente, concordou. Serra foi franco: disse que a disputa entre Alckmin e Kassab está sobrando para ele, já que Marta aproveita a campanha municipal para criticar o governo estadual, que fica exposto, sem defesa.

A amigos, Alckmin disse que, mais que satisfeito, ficou surpreendido com a firmeza de Serra, que lhe ofereceu ajuda na campanha e disse que vai apoiá-lo, embora tenha compromissos com Kassab, a quem incentivou concorrer antes de ele, Alckmin, se lançar candidato.

“Foi uma conversa muito redonda”, disse, a propósito, um aliado de Alckmin. Os dois tinham conversado 15 dias atrás, mas os resultados, na ocasião, foram bem mais modestos. A nova conversa nasceu a partir de um convite de Serra para que Alckmin, ocupante anterior do Palácio dos Bandeirantes, fosse encontrá-lo.

O governador foi convencido a chamar Alckmin por insistentes conselhos dados por Fernando Henrique, que recrutou Guerra para ajudá-lo na tarefa. O argumento dos dois para dobrar Serra foi que o PSDB precisa sair unificado da eleição municipal, e ele, Serra, vitorioso, para que possam chegar bem no grande embate presidencial de 2010.

17/07/2008 - 10:41h Até tu, Brutus!*: editorial da Folha aponta fracasso tucano na educação

Editorial

FOLHA DE SÃO PAULO

Fracassos no ensino

A imagem “http://i163.photobucket.com/albums/t283/capitaococada/quadro-negro01.png” contém erros e não pode ser exibida.

TUCANOS administram o Estado de São Paulo desde o já longínquo ano de 1995. Nesses 14 anos, colecionaram, como é natural, sucessos e reveses. Uma área vital, entretanto, registra quantidade desproporcional de malogros: a educação.
A gestão do PSDB deu passos decisivos na universalização do ensino, no Estado e no país, e na introdução dos sistemas de avaliação. Mas também pode ser apontada como responsável por desastres, como a implantação atabalhoada do sistema de ciclos -que ganhou o apelido de “fim da repetência”- e os péssimos resultados colhidos pelos alunos nos testes de desempenho.
Dados oficiais de 2007 mostram que 71% dos alunos que concluem o ensino médio têm dificuldades até para lidar com conceitos elementares, como subtração e porcentagem.
Verifica-se agora que até as recentes tentativas de corrigir os erros ficam aquém do esperado. Como mostrou ontem reportagem desta Folha, o governo não conseguiu cumprir nenhuma das quatro metas a que se propôs para o período de 2004 a 2007.
Em 3 dos 4 indicadores, a situação chegou a deteriorar-se. Foi o caso da reprovação no ensino médio: a meta era diminuir de 9,3% para 7% a proporção de alunos que repetem de ano. A taxa, porém, subiu para 17,6%.
Tendências na educação, quanto mais numa rede pública com a escala da estadual paulista, não se modificam da noite para o dia. Quando uma avaliação qualquer traz resultados muito positivos, convém desconfiar do termômetro.
Ainda assim, é preocupante quando um partido que está há 14 anos no comando do Estado mais rico e industrializado da União fracassa em todos os objetivos que se auto-atribuiu.

* O título do Editorial da Folha acima reproduzido é “Fracassos no ensino”. O meu título faz referência a frase de Júlio César, que após cair em desgraça é assassinado por uma parte de seus antigos apoiadores, em pleno Senado, entre eles um familiar insuspeito: o seu próprio sobrinho e filho adotivo. Surpreso, César disse em latim: Tu quoque, Brute, fili mi? (Até tu, Brutus, meu filho?). LF

17/07/2008 - 10:13h A educação em São Paulo piora? Serra muda o termômetro

O tratamento dado a questão da educação em São Paulo é emblemático do modo tucano de governar. Ontem reportagem da Folha de São Paulo mostrou que os governos Alckmin e Serra não tinham atingido nenhuma das metas que eles mesmos tinham fixado para o ensino. (ver Educação em São Paulo piora. Serra culpa Alckmin e também Educação SP: Serra denuncia herança maldita de Alckmin).

Hoje veio a “solução” tucana: abaixaram as metas.

Poderá se argüir que as metas anteriores eram inadequadas, mas os resultados foram em três delas piores que os existentes anteriormente. Ou seja, na educação São Paulo andou para atrás.

Resulta evidente que as novas metas visam a reduzir o custo político do desastre educacional e não a atacar de vez os problemas que hipotecam o futuro de milhões de jovens.

Na educação são os governos Alckmin e Serra os responsáveis da piora nos resultados. Mas reprovar a atuação do PSDB, dar a eles o zero que merecem, não vai reparar o dano provocado.

Abaixar as metas, no lugar de aumentar os recursos, os investimentos, os esforços para reverter o desastre é bem típico da falta de planejamento e de compromisso com a população que mais precisa do Estado na educação: os filhos das maiorias assalariadas. A preocupação com eles começa só em período pre-eleitoral e acaba após abertura das urnas.

Cabe a população impedir que o descaso com a educação persista. Por um lado, exigindo medidas reais para reverter o quadro desolador. Mas também sancionando como se deve esta persistência na incompetência. LF

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Governo agora reduz metas para educação

Expectativa de aprovação no fundamental, por exemplo, cai de 99% no plano 2004-2007 para 95% no período 2008-2011

Medida foi tomada pela gestão Serra após resultado ter ficado abaixo do previsto em quatro indicadores de qualidade no ensino

FÁBIO TAKAHASHI - FOLHA DE SÃO PAULO

DA REPORTAGEM LOCAL

Sem alcançar nenhuma das quatro metas de melhoria na qualidade do ensino fixadas para 2007, o governo José Serra (PSDB-SP) decidiu estabelecer objetivos mais modestos em todos os indicadores para os próximos quatro anos.

Se antes a expectativa era que a aprovação no ensino fundamental estivesse já no ano passado em 99% -meta estipulada no Plano Plurianual 2004-2007-, agora o governo busca chegar apenas a 95% em 2011.

Atualmente, a porcentagem está em 90,9% (veja mais em quadro nesta página).

As metas foram revistas depois de nenhuma delas ter sido atingida no período que abrangeu três anos da gestão Geraldo Alckmin (PSDB) e um do governo Serra, conforme a Folha revelou ontem.

Três indicadores, estabelecidos no plano feito por Alckmin, chegaram a piorar no período -os tucanos administram o Estado desde 1995.

Os indicadores estão presentes no Plano Plurianual do governo, uma obrigação legal que determina as prioridades da administração para o período de quatro anos e fixa indicadores para o acompanhamento da eficácia das políticas. O não-cumprimento, no entanto, não traz punições -as contas do período foram aprovadas.

O plano para o próximo período, feito pelo governo Serra, foi aprovado pela Assembléia Legislativa e publicado no “Diário Oficial” no dia 10.

“De um lado, pode-se dizer que o governo está mais realista. Por outro lado, a estratégia parece ser anunciar uma meta baixa para evitar um eventual desgaste político caso não seja alcançada”, disse João Cardoso Palma Filho, membro do Conselho Estadual da Educação e professor da Unesp.

“A redução das metas mostra que o governo não pretende fazer um grande investimento. Ou seja, qualquer qualidade serve”, disse a presidente da Apeoesp (sindicato dos professores), Maria Izabel Noronha.

Explicações
A Folha solicitou uma entrevista com a secretária da Educação, Maria Helena Guimarães de Castro, mas a pasta se pronunciou por meio de nota.
O texto afirma que as metas foram mais moderadas agora porque a situação atual é “diferente” da de 2004.

Ao explicar o não-cumprimento das metas fixadas, a gestão Serra já havia feito uma crítica indireta aos governos anteriores do PSDB, pela “falta de parâmetros curriculares estaduais”, o que foi negado pela gestão Alckmin, cuja posição foi de que resultados na educação não aparecem rapidamente, e que houve avanços em outros indicadores.

A nota diz ainda que, “além de procurar aumentar as taxas de aprovação e reduzir as de reprovação e abandono, a secretaria vem investindo em melhorar a qualidade da aprendizagem, com programas importantes que resultarão em melhoria do ensino em sala de aula, como o sistema especial de alfabetização”.

Sobre a taxa de abandono no ensino médio, que o governo espera só manter nos atuais 7%, a pasta diz que o índice já é “adequado”, segundo a Unesco.

16/07/2008 - 19:42h Turma de Alckmin pede expulsão dos serristas do PSDB

Deputado do PSDB entra com representação contra tucanos kassabistas

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THIAGO FARIA
colaboração para a Folha Online

O deputado estadual Pedro Tobias (PSDB) afirmou que encaminhou representações no partido contra os filiados que apóiam a reeleição do atual prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab (DEM). Segundo ele, as representações foram encaminhadas para as esferas municipal, estadual e nacional do partido e pede que os tucanos com cargos na administração municipal sejam expulsos caso não peçam demissão.

“Ou larga o partido para continuar no cargo dele ou será expulso”, afirma o deputado, que prega o apoio irrestrito aos candidatos do partido, seja ele quem for.

Segundo Tobias, as representações não são nominais, mas referem-se à cerca de 30 pessoas, entre vereadores e membros da administração municipal, que apóiam a candidatura Kassab, participando, inclusive, da formulação do plano de governo para um possível segundo mandato do atual prefeito.

Na terça-feira (15), o diretório estadual do PSDB encaminhou uma carta aos filiados ameaçando levar para o conselho de ética da legenda todos os correligionários que fizerem campanha para outros candidatos.

No texto, assinado pelo presidente do diretório estadual da legenda, Antonio Carlos Mendes Thame, os filiados “que apoiarem publicamente nossos concorrentes, deverão ser encaminhados ao conselho de ética e fidelidade partidária”.

Alckmin evita se posicionar a respeito do assunto, afirmando ser um “assunto partidário”. Em outras ocasiões, já afirmou ser indiferente ao apoio de tucanos à Kassab. Questionado se apóia a cobrança por fidelidade no partido, o ex-governador disse apenas ser um “homem fiel”.

Pessoas próximas de sua campanha afirmam que o ex-governador chegou a se opor às representações encaminhadas por Tobias, tratando-se de uma iniciativa pessoal do deputado. Tobias confirma: “Estou fazendo como militante”, afirma.

16/07/2008 - 16:38h Ibope aponta Marta com 35% e Alckmin com 32%

Gilberto Kassab (DEM) e Paulo Maluf (PP) têm 11%.

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G1 - Portal da Globo

Pesquisa Ibope divulgada nesta quarta-feira (16) aponta Marta Suplicy (PT) com 35% das intenções de voto e o ex-governador de São Paulo Geraldo Alckmin (PSDB) com 32% na corrida eleitoral pela Prefeitura de São Paulo.

Segundo o Ibope, o prefeito de São Paulo e candidato à reeleição, Gilberto Kassab (DEM), tem 11%. O deputado federal Paulo Maluf (PP) também soma 11%; a vereadora Soninha (PPS); 1%. Brancos e nulos somam 7% das intenções de voto; Não sabe e não opinaram, 2%.

Os candidatos Ivan Valente (PSOL), Ciro Moura (PTC), Anaí Caproni (PCO) Levy Fidelix (PRTB) e Renato Reichmann (PMN) não chegaram a atingir 1% das intenções de voto. O candidato Edmilson Costa, do PCB, não foi mencionado na pesquisa.

A pesquisa foi contratada pelo Sindicato das Empresas de Transportes de Cargas de São Paulo e Região (Setcesp). O Ibope entrevistou 602 eleitores na capital paulista no período entre 12 e 14 de julho. A margem de erro da pesquisa é de quatro pontos percentuais para mais ou para menos.

O levantamento está registrado no Tribunal Regional Eleitoral de São Paulo (TRE-SP) sob o número 01100108-SPPE.

Segundo turno

Para um eventual segundo turno, o Ibope pesquisou três diferentes cenários.

No primeiro cenário, Marta Suplicy (PT) tem 51% das intenções de voto e o prefeito Gilberto Kassab (DEM), 36%. Brancos e nulos somam 11% e 2% não sabe ou não opinaram.

No segundo cenário, o ex-governador Geraldo Alckmin (PSDB) tem 50% das intenções de voto e Marta Suplicy (PT), 41%. Brancos e nulos somam 8% e não sabem ou não opinaram, 2%.

O terceiro cenário da pesquisa traz o tucano Geraldo Alckmin com 59% das intenções de voto e Kassab com 22%. Brancos e nulos correspondem a 15% e 3% não souberam responder ou não opinaram.


Pesquisa espontânea

Na pesquisa espontânea, em que não são citados os nomes dos concorrentes, a ex-ministra Marta Suplicy (PT) aparece na frente, com 22% das intenções de voto, seguida de Geraldo Alckmin (PSDB), com 14%, Gilberto Kassab (DEM), com 8%, e Paulo Maluf (PP), com 5%.

Os candidatos Soninha (PPS), Ciro Moura (PTC), Anaí Caproni (PCO) Levy Fidelix (PRTB), Renato Reichmann (PMN) e Edmilson Costa (PCB) obtiveram 1% das intenções de voto. O candidato Ivan Valente (PSOL) não chegou a atingir 1% na pesquisa espontânea.

16/07/2008 - 13:02h Educação SP: Serra denuncia herança maldita de Alckmin

outro lado

Governo Serra diz que herdou rede sem currículo unificado

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DA REPORTAGEM LOCAL - FOLHA DE SÃO PAULO

Como explicação para o fato de as metas de qualidade no ensino não terem sido atingidas, o governo José Serra (PSDB) citou a falta de currículo unificado na rede, situação que afirma ter mudado a partir do segundo semestre do ano passado.
Já a gestão do ex-governador Geraldo Alckmin (PSDB) destacou avanços em outros indicadores e afirmou que as melhorias na educação só ocorrem em médio e longo prazos.
Em uma crítica indireta às gestões anteriores, o governo Serra disse ao Tribunal de Contas do Estado que “a falta de parâmetros curriculares provocou a existência de diferentes padrões de chegada [resultados] em cada escola”. O PSDB governa o Estado desde 1995.
Em ocasiões anteriores, a gestão Serra já havia criticado políticas do governo Alckmin na educação, como, por exemplo, a implantação do tempo integral em parte da rede.
A Folha pediu ontem uma entrevista com a secretária Maria Helena Guimarães de Castro, mas a Secretaria da Educação se pronunciou por meio de nota. Disse que “implantou uma série de mudanças para melhorar a qualidade da aprendizagem dos alunos. Além da definição de parâmetros curriculares, a rede agora conta com programa especial de alfabetização, novo sistema de avaliação, recuperação intensiva (…) e ensino médio diversificado, entre outras”.
A pasta afirma ainda que “todas estas ações têm objetivo de melhorar a aprendizagem e, conseqüentemente, diminuir a reprovação dos alunos, reduzindo a taxa de evasão. Os parâmetros curriculares são fundamentais para que haja definição do que os alunos devem aprender a cada aula, com os professores definindo como ensinar”. Educadores relatam que não havia, por exemplo, definição de qual série deveria ser ensinada fração aos alunos.
A Folha procurou o secretário da Educação da gestão Alckmin, Gabriel Chalita, mas sua assessoria não conseguiu contatá-lo. O secretário-adjunto no período, Paulo Barbosa, negou que a rede não contasse com parâmetros para as aulas. Segundo ele, as diretrizes para o ensino são fixadas em lei federal, e as escolas têm autonomia para implementá-la. “Os parâmetros são fixados pela Lei de Diretrizes e Bases da Educação e houve discussão na rede para a montagem dos programas. Tanto que a filosofia voltou para a grade.”
“A nossa gestão avançou muito na redução da evasão no ensino fundamental, que era de 2% em 1999 e caiu para 0,6% em 2006, o menor índice do país. Também criamos projetos importantes, como o Escola da Família”, disse.

16/07/2008 - 12:20h Educação em São Paulo piora. Serra culpa Alckmin

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Governo de SP não cumpre suas metas para a educação

Gestões Alckmin e Serra não atingiram os índices de redução de repetência e evasão

Em três dos quatro indicadores, a situação chegou a piorar; governo Serra culpa herança da gestão Alckmin, ambos do PSDB

FÁBIO TAKAHASHI - FOLHA DE SÃO PAULO

DA REPORTAGEM LOCAL

O governo paulista não conseguiu cumprir nenhuma das quatro metas a que se propôs para a melhoria na qualidade do ensino na rede estadual, para o período entre 2004 e 2007.
O objetivo era, no geral, reduzir a repetência e a evasão dos alunos, tanto no ensino fundamental (1ª a 8ª série) quanto no ensino médio (antigo colegial).
Em três dos quatro indicadores, a situação chegou a piorar. Foi o caso, por exemplo, da reprovação no ensino médio: a meta era diminuir de 9,3% para 7% a proporção de alunos que repetem de ano. A taxa, porém, subiu para 17,6%. O único que melhorou -evasão no ensino médio- ficou abaixo da meta (era 8,4%, esperava-se 6%, mas ficou em 6,5%).
Os objetivos foram determinados pelo então governador Geraldo Alckmin (PSDB) no Plano Plurianual 2004-2007.
O plano, uma obrigação legal, determina as prioridades do governo para o período e fixa indicadores para o acompanhamento da eficácia das políticas.
A vigência do plano se estendeu até o primeiro ano da gestão José Serra (PSDB).
Pesquisas nacionais e internacionais ligam a reprovação à piora na aprendizagem e ao aumento do abandono.
A situação dos países com bons rendimentos nos testes educacionais apontam para a mesma direção. Finlândia e Chile têm baixas taxas de reprovação, de 1% e 2%, respectivamente, no antigo primário.
Apesar de a rede estadual contar com a progressão continuada, os alunos podem ser retidos na 4ª e na 8ª séries da educação fundamental ou em qualquer ano do ensino médio.
Os indicadores finais do plano, referentes a 2007, foram encaminhados pelo governo ao Tribunal de Contas do Estado, dentro da prestação de contas de 2007 (de todas as áreas da administração) -que foram aprovadas, com recomendações, no dia 25 do mês passado.

Explicações
Ao tribunal de contas, o governo José Serra citou “a falta de parâmetros curriculares estaduais” como um dos principais motivos para não ter atingido as metas, em uma crítica indireta aos governos anteriores, do próprio PSDB (leia mais nesta página).
Pesquisadores ouvidos pela reportagem apresentaram análises diferentes. “Por falta de condições de trabalho e de diálogo com o governo, os professores ficam desestimulados. Os alunos sentem isso e também se desestimulam”, afirma José Marcelino Rezende, docente da USP de Ribeirão Preto.
“Sem currículo, cada um fazia o que queria, era uma bagunça. O atual governo procura mudar isso e está no caminho certo”, diz a diretora-executiva da Fundação Lemann, Ilona Becskeházy.
Já a coordenadora da ONG Ação Educativa, Vera Masagão, afirma que “o problema é que as medidas são impostas, sem negociação com os educadores, e mudanças até positivas, como o currículo, podem se perder”.
A Apeoesp (sindicato dos docentes) e Udemo (sindicato dos diretores de escola) apontaram os baixos salários e as longas jornadas como causas para o baixo desempenho da rede.

15/07/2008 - 22:30h “Ajuste fino” no ninho tucano: infiéis serão expulsos

PSDB ameaça expulsar infiéis pró-campanha de Kassab

http://oglobo.globo.com/fotos/2006/08/30/30_MHG_eleicao_alckmin2.jpg

REUTERS - Agencia Estado

SÃO PAULO - No dia seguinte à manifestação de amplo apoio à candidatura do prefeito Gilberto Kassab (DEM) pelos secretários municipais tucanos, o PSDB enviou carta aos filiados ameaçando com processo de expulsão aqueles que aderirem a nomes de outras siglas.

O partido evoca a lei da fidelidade partidária, que prevê adesão obrigatória de filiados às determinações dos partidos.

“Os filiados que não atenderem a este princípio (apoiar candidatos da sigla), ou seja, que apoiarem publicamente nossos concorrentes, deverão ser encaminhados ao conselho de ética e fidelidade partidária”, diz trecho da carta enviada a cerca de 8 mil filiados no Estado.

Na eleição da capital paulista, o PSDB se definiu pelo ex-governador Geraldo Alckmin, mas um grande número de tucanos atua na administração de Kassab, herdada do governador José Serra (PSDB). Na segunda-feira, Kassab convocou seus secretários tucanos a defenderem sua gestão na campanha eleitoral e recebeu a anuência da equipe.

“Candidatos a vereador e a prefeito do partido querem que os filiados subam no palanque deles e não no do adversário”, disse à Reuters o secretário-geral do PSDB estadual, César Gontijo.

O dirigente disse que a carta já vinha sendo gestada em reuniões do partido e foi aprovada pela executiva estadual na segunda-feira. Para ele, 2008 é importante por ser uma etapa para o PSDB retomar a Presidência da República.

“Temos que fazer um ajuste fino em São Paulo. Nosso enfrentamento é com o PT e nosso candidato é o Geraldo, que vai dar as condições para eleger Serra presidente da República em 2010″, afirmou.

Entre os secretários tucanos da administração paulista, os mais engajados na campanha de Kassab são o deputado federal Walter Feldman (Esportes) e Clóvis Carvalho (Governo).

Kassab tem dito que o PSDB tem uma “peculiaridade”, por ter dois candidatos a prefeito em SP. Gontijo devolve: “Como ele é do PFL (atual DEM), é difícil para ele falar sobre o PSDB.”

O processo no conselho de ética leva cerca de um mês. O filiado pode ser advertido, suspenso de 3 a 12 meses, destituído de função em órgão partidário ou expulsão. Se for parlamentar, poderá perder o mandato.

Na segunda-feira, o deputado Edson Aparecido, coordenador-geral da campanha de Alckmin, havia dito que o encontro do prefeito com auxiliares era “absolutamente irrelevante”. (Reportagem de Carmen Munari)

15/07/2008 - 14:33h Consumada cisão do PSDB em São Paulo

Serra e Kassab querem deixar Alckmin numa sinuca de bico
http://www.estadao.com.br/fotos/serra-kassab292.jpgA imagem “http://www.estadao.com.br/fotos/GERALDO_pequena.jpg” contém erros e não pode ser exibida.

Os partidários de José Serra na prefeitura de São Paulo foram reunidos ontem pelo candidato do DEM, Gilberto Kassab, para organizar a ação eleitoral a seu favor. O objetivo proclamado é defender a ação de Kassab e sua vontade de reeleição. Os tucanos com cargos na máquina municipal decidiram participar da campanha eleitoral apoiando outro candidato e não o escolhido pelo próprio PSDB. A decisão de se engajar na campanha do Kassab significa que a minoria do PSDB agirá em ruptura com as decisões da convenção partidária. A máquina pública será usada em favor de Kassab, com a participação ativa dos tucanos serristas.

Kassab pretende com está cisão provocada no PSDB se apresentar aos eleitores como se fosse candidato tucano, disputando com Alckmin pela apelação. Os serristas darão assim aval a operação de travestimento do candidato peefelista, visando confundir e dividir a base tucana na cidade para angariar dividendos eleitorais. Os limites da operação estão dados pela lei eleitoral que impede que Kassab apareça com filiados do PSDB, com o qual não esta coligado, nos programas e comerciais da TV. Mas nada impede que a cada aparição do candidato do DEM, ele apareça rodeado de bandeiras demo e tucanas. Como nada impedirá “populares” aparecerem com afirmações do tipo “voto Kassab porque estou com Serra” ou “sou tucano, votei no Serra e agora voto Kassab”.

Para a base do PSDB distinguir ambos candidatos demo-tucanos terá como complicador a vontade afirmada por Alckmin de fazer uma cruzada anti-PT, limitando assim as reais divergências que o separam de Kassab. Assim agindo, Alckmin abre espaço para que a operação de Kassab tenha um certo êxito podendo melhorar a situação do preposto de Serra nas pesquisas, com a chegada do horário eleitoral gratuito.

Por outro lado a postura pouco diferenciada de Alckmin e a operação de “apropriação” de Kassab, facilita a identificação de ambos como sendo a mesma moeda, deixando Marta Suplicy como única candidata da mudança.

E São Paulo quer mudanças, como mostra a última pesquisa Datafolha com o crescimento da reprovação ao governo demo-tucano e os índices de “Ruim e Pessimo” na saúde, no trânsito, no transporte, na educação etc.

A seguir o artigo da Folha de São Paulo de hoje que retrata com muita informação a operação serrista pro-Kassab. LF

ELEIÇÕES 2008 / SÃO PAULO

Kassab instrui equipe a usar gestão para ganhar voto

Subprefeitos e secretários terão encontros com a população fora de seus expedientes

Clóvis Carvalho disse que não pode haver “excesso de cautela” para dar seqüência às obras; não haverá “imposição”, disse Kassab

FERNANDO BARROS DE MELLO
DA REPORTAGEM LOCAL

O prefeito e candidato à reeleição Gilberto Kassab (DEM) reuniu ontem sua equipe de campanha, subprefeitos e secretários da Prefeitura de São Paulo, a maioria tucanos. A orientação é que será preciso mostrar à população as “conquistas” da gestão e que a atuação deve ocorrer apenas fora do expediente, em encontros com a comunidade.
Segundo Clóvis Carvalho, secretário de Governo, não pode haver “excesso de cautela”, pois é preciso continuar os trabalhos da prefeitura e não se pode “inibir aquilo que achamos que temos e devemos fazer”.
Secretário das Subprefeituras, Andrea Matarazzo pediu cautela e disse que fora de expediente é possível “levar à sociedade nosso programa”.
No almoço, em um hotel na zona norte, o advogado Ricardo Penteado, assessor jurídico da campanha, se colocou à disposição para esclarecer dúvidas de conduta dos servidores.
Kassab disse que “nenhum companheiro de prefeitura terá qualquer imposição para participar de campanha”.
Já o coordenador do programa de governo, Guilherme Afif, orientou como “movimentar” a campanha até o início da propaganda na TV, em agosto. Segundo ele, o objetivo é ter “o direito de continuar fazendo direito”. Afif disse que, nos horários possíveis, subprefeitos e secretários devem convidar a população para debates.
“Cada subprefeito convidando a comunidade para o grande debate das linhas e diretrizes gerais do futuro governo e a oportunidade de falar daquilo que está sendo feito”, disse. “Cada secretário vai promover reunião no próprio comitê.”
O único aplaudido foi o tucano Walter Feldman, secretário de Esportes. “Nós do PSDB temos orgulho de fazer parte do seu governo”, disse a Kassab.
Hoje, 21 dos 31 subprefeitos são da cota do PSDB e 11 dos 22 secretários são tucanos. O candidato do partido é o ex-governador Geraldo Alckmin.
“Esse fato é irrelevante e inócuo. Estamos preocupados em dialogar com o eleitor. O adversário nesta eleição é o PT”, disse Alckmin ontem.
Kassab chamou o marqueteiro Luiz Gonzalez de “nosso comandante”. Responsável pela comunicação, Gonzalez pediu uma “muralha da China” entre prefeitura e campanha.
Já seu sócio Woile Guimarães cobrou a manutenção e até a melhora na qualidade dos serviços públicos da cidade.
Após o evento, Manuelito Pereira, secretário de Planejamento, disse não acreditar na saída de tucanos agora.
Foram ao almoço 28 dos 31 subprefeitos e 18 dos 21 secretários. O secretário Rodrigo Garcia (Desburocratização) estava viajando. Walter Aluisio (Finanças) e Carlos Calil (Cultura) enviaram os adjuntos.
Segundo a assessoria de Kassab, os subprefeitos Alexandre Modonezi (Vila Mariana) e Milton Persoli (Freguesia do Ó) estão de férias, e Geraldo Montovani (Santo Amaro), doente.

15/07/2008 - 12:16h Cidade suja de corrupção requer CPI

AGORA

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O prefeito Kassab ganharia a apoiar a instalação da CPI exigida pelo sindicato dos ambulantes. Isto por um motivo simples: Como revela o jornal AGORA o subprefeito do Brás tinha sido alertado desde o 29 de fevereiro sobre a atuação da máfia dos fiscais dirigida pelo seu assessor político, filiado ao DEM. O subprefeito tucano sabía, disse o jornal AGORA e mesmo assim declarou aos jornais que não tinha a menor suspeita que o sistema estivesse agindo na suas barbas.

Se o prefeito Kassab insistir em não permitir a constituição da CPI para investigar no só a Máfia dos Fiscais no Brás, mas a acusação que o sistema funciona em outras subprefeituras, deveria pelo menos demitir o subprefeito por negligência. É o mínimo considerar que sua atuação foi negligente ao ignorar uma grave acusação formulada numa reunião, dando lugar a incidentes graves e não ter tomado qualquer providência, nem sindicância.

Um subprefeito do PSDB, suspeito de proteger um assessor político do DEM, que arrecadava R$1 milhão por mês, sem que isto provoque nenhuma atitude de Kassab, fora mobilizar a Guarda Cívil Metropolitana para fiscalizar, é uma passividade inadmissível com a Máfia. LF

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Jornal da Tarde

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O Estado de São Paulo

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Agora

14/07/2008 - 18:04h O demo Kassab se proclama candidato do PSDB

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Secretários tucanos declaram apoio a Kassab em reunião eleitoral

REUTERS - Agencia Estado

SÃO PAULO - Em reunião nesta segunda-feira com o secretariado para marcar os limites de participação da equipe na campanha, o prefeito de São Paulo Gilberto Kassab (DEM) recebeu manifestação de apoio dos secretários tucanos à sua eleição.

Mais enfático secretário municipal do PSDB, o deputado federal Walter Feldman (Esportes) chegou a falar que foi ultrapassado um período extremamente difícil, citando indiretamente a disputa dentro do partido, que acabou escolhendo o ex-governador Geraldo Alckmin como candidato e deixando os integrantes da sigla na equipe de Kassab em situação delicada.

“Nós do PSDB temos muito orgulho de participar deste governo, seja na fase inicial, sob o comando de (José) Serra, seja na continuidade com o Kassab. Nenhum milímetro foi alterado e temos compromisso com este governo até 31 de dezembro”, disse Feldman.

Das 22 secretarias municipais, nove são ocupadas por tucanos e dos 31 subprefeitos, cerca de 20 são do PSDB. Em um encontro que poderia ser interpretado como pressão sobre o engajamento tucano, Kassab procurou afastar a atitude.

“Em nenhum momento nenhum companheiro de prefeitura terá de nossa parte qualquer imposição para participar de campanha”, disse o prefeito, para em seguida classificar de “peculiar” o fato de o PSDB ter dois candidatos em disputa pela prefeitura de São Paulo.

Outros secretários tucanos presentes ao encontro, que teve a presença de subprefeitos, também deixaram claro sua adesão a Kassab, como Clóvis Carvalho (Governo) e Andrea Matarazzo (Subprefeituras).

Coube ao jornalista Luiz Gonzalez, “comandante” da comunicação da campanha, como definiu Kassab, dar o recado sobre a atuação de secretários e subprefeitos na eleição.

“Um dos desafios é estabelecer uma ‘muralha da China’ entre a administração e a campanha”, disse Gonzalez, ex-marqueteiro de Alckmin por três campanhas, entre elas a presidencial de 2006.

Além de Gonzalez, também vai atuar na campanha de Kassab o jornalista Roger Ferreira, que trabalhou com Alckmin no governo paulista.

A equipe terá de dividir sua atuação, como o prefeito já vem fazendo, deixando os horários do almoço, da noite e pela manhã bem cedo para atividades de campanha e analisando se suas decisões no dia-a-dia não se chocam com a lei eleitoral. (Reportagem de Carmen Munari)

14/07/2008 - 12:35h Esculachou, perdeu

Ricardo Noblat - O Globo

“Quem vive de picaretagem um dia cai”.

(Lula, ao comentar o prende e solta do banqueiro Daniel Dantas semana passada)

dantas2.jpgEm setembro de 2002, ao ser preso na Favela da Grota, no Rio de Janeiro, o traficante de drogas Elias Maluco, assassino do jornalista Tim Lopes, da TV Globo, suplicou a um policial: “Perdi, chefia. Mas não me esculacha”. O banqueiro Daniel Dantas, dono do Grupo Opportunity, perdeu porque abusou de atropelar as leis e de esculachar o Estado.

Lembram de Ricardo Sérgio de Oliveira, diretor da área internacional do Banco do Brasil no governo FHC e arrecadador de recursos para campanhas do PSDB? Ele saiu do banco depois de ter admitido em conversa grampeada pela Polícia Federal que agira no “limite da irresponsabilidade” durante o processo de privatização do sistema de telefonia do país. O que o governo menos desejava na época era a revelação de qualquer indício ou prova capaz de sugerir que Ricardo Sérgio fosse ligado ao presidente.

Pois bem: em meados de 2002, um alto executivo do Opportunity reuniu-se no Rio com um assessor de FHC. E lhe disse que tinha a gravação de uma conversa entre o presidente e Ricardo Sérgio. O assessor deu o recado a FHC. Que então perguntou: “Você ouviu a gravação?”. Não, ele lera a transcrição da conversa.

Dali a alguns dias, FHC recebeu Dantas para um encontro a sós no Palácio do Alvorada.

E atendeu ao seu pedido de não trocar o presidente da Comissão de Valores Mobiliários (CVM).

A CVM “é responsável por regulamentar, desenvolver, controlar e fiscalizar o mercado de valores mobiliários do país”. Para tal fim, exerce, entre outras, as seguintes funções: assegurar o funcionamento eficiente e regular dos mercados de bolsa e de balcão; proteger os titulares de valores mobiliários; evitar ou coibir modalidades de fraude ou manipulação no mercado; e garantir a observância de práticas comerciais eqüitativas no mercado de valores mobiliários.

Os negócios de Dantas passam pela CVM.

Nunca antes na história deste país um magnata como Dantas se atreveu tanto a usar meios ilegais para aumentar sua fortuna e se apropriar do Estado ou de parte dele. Era preciso ter aliados no Congresso? Investiu na eleição de deputados e senadores. Era preciso corromper servidores públicos? Corrompeu vários nos governos FHC e Lula.

Era preciso monitorar concorrentes ou se antecipar a eventuais decisões da Justiça contrárias aos seus interesses? Pagou caro para espionar sócios, desafetos e até juízes.

Faltaram a Dantas paciência e talento para fazer a transição política do governo FHC para o de Lula. E a poucos meses da eleição presidencial de 2006 ele cometeu seu mais grave erro: divulgou um falso dossiê sobre contas secretas que Lula e auxiliares teriam no exterior. Imaginou esculachar o governo com a vã esperança de recuperar o status que teve no governo passado. É possível que jamais venha a ser condenado por crimes financeiros, mas sim pela reles tentativa de subornar um delegado da Polícia Federal.

13/07/2008 - 10:02h Será muito difícil para Dantas provar inocência

ENTREVISTA

TARSO GENRO


Para ministro da Justiça, “está praticamente comprovado” que tentou comprar delegado

Antônio Cruz/Ag. Brasil
 

O ministro da Justiça, Tarso Genro, durante formatura de novos agentes e peritos criminais da PF

O MINISTRO DA JUSTIÇA , Tarso Genro, disse à Folha considerar “muito difícil” que o banqueiro Daniel Dantas consiga provar ser “inocente”, pois há “farta prova dentro do processo” e “está praticamente comprovado” que tentou comprar um delegado da Polícia Federal, além da descoberta de crimes financeiros pela Operação Satiagraha. Tarso evita acirrar a polêmica com o presidente do STF (Supremo Tribunal Federal), ministro Gilmar Mendes, com quem travou uma disputa pela imprensa.

VALDO CRUZ
SIMONE IGLESIAS
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA

Chega inclusive a concordar com o ministro que houve “espetaculosidade” na operação, mas afirma divergir dele quanto ao uso de algemas pela PF. Defensor do procedimento, disse que, se houve algum erro da polícia, foi o “empurrão no porteiro [na casa do investidor Naji Nahas], e não nas algemas no Daniel Dantas”.
Chefe da Polícia Federal, Tarso elogia o trabalho “muito bem-feito, com momentos de infiltração de alta qualidade e apuração técnica rigorosa” do delegado Protógenes Queiroz, responsável pelo inquérito que culminou na prisão de Dantas.
Não deixa, porém, de fazer críticas ao delegado por “equívocos” cometidos na montagem e execução da operação, como a filmagem do ex-prefeito de São Paulo Celso Pitta sendo preso, dentro de sua casa, em roupas de dormir. Mas disse que esses erros estão sob investigação. Tarso nega ter havido influência política no inquérito e diz que será feito “pente-fino” para definir se haverá uma segunda fase da operação.
Por fim, evita comentar as divisões dentro do governo e do PT em torno do banqueiro, defende o chefe-de-gabinete Gilberto Carvalho e diz que em nenhum momento ele fez qualquer pedido de informação sobre o inquérito a ele.

FOLHA - Qual a importância da Operação Satiagraha para a PF, investigação que envolveu o banqueiro Daniel Dantas, que tem relações políticas com PT, DEM e PSDB e que teve influência no polêmico processo de privatização das teles?
TARSO GENRO
- Tem tripla importância. Primeira, localizou abalo profundo no sistema financeiro, com prejuízos extraordinários para a União. Segunda, mostra o nível de qualidade científica e técnica da PF para investigar casos de alta complexidade. Terceira, tem função pedagógica. Fica claro que a PF trata com neutralidade aqueles que são indiciados da mesma forma em todas as classes sociais. Foi um inquérito bem-feito pelo delegado encarregado, independentemente de ter ocorrido alguns equívocos, que servem como lição.FOLHA - Que equívocos são esses? O sr. acha que podem comprometer o processo?
TARSO
- Os equívocos não comprometem porque a investigação foi muito bem-feita e as provas são robustas. Vou citar dois: o aviso que foi dado, não se sabe ainda por quem, mas vamos descobrir, a respeito da operação e que propiciou a exposição indevida de pessoas. Isso violou o manual de conduta [da PF]. O segundo equívoco foi o tratamento dado ao porteiro que sofreu, aparentemente, um empurrão desnecessário do agente policial na casa do Naji Nahas. Se houve desrespeito à cidadania, foi o empurrão no porteiro, e não as algemas no Daniel Dantas. Elas são procedimento perfeito para qualquer cidadão.

FOLHA - O sr. acha que a crítica ao uso de algemas denota parcialidade daqueles que condenaram a ação da PF?
TARSO
- Não. Denota a ausência de uma cultura sólida no país que se reporta a quem é o alvo de uma presumida violência. Isso está mudando. Muitas vozes acharam normal o procedimento e compreenderam a visão do Ministério da Justiça: se tem uma lei, tem de ser observada para todos. Se tiver lei que ninguém mais pode ser algemado, ninguém mais será.

FOLHA - O diretor-geral da PF, Luiz Fernando Corrêa, ficou irritado quanto aos procedimentos do delegado Protógenes Queiroz, responsável pelo inquérito, que deixou o comando da PF sem informações sobre a ação. Existe a possibilidade de Queiroz ser afastado do inquérito?
TARSO
- O diretor-geral me informou que há duas questões para serem analisadas: o prazo de informações aos superiores deveria ser dado num determinado número de dias e foi dado em um prazo muito curto. E, segundo, houve flagrante violação do manual de conduta. Isso deixou Luiz Fernando constrangido, porque este manual foi discutido, o respeito ao indivíduo, por mais suspeito que seja. Que a imprensa vá buscar, é natural, mas o agente público não pode expor a pessoa e sujeitá-la a uma pena antecipada. O exemplo mais flagrante é o ex-prefeito [Celso] Pitta, filmado sendo preso dentro da sua casa em roupas de dormir. Isso não é correto. Sobre isso, o ministro Gilmar Mendes falou corretamente, da questão da espetaculosidade. Temos divergência com relação ao uso de algemas, mas nessa questão concordo, porque diz respeito aos direitos fundamentais.

FOLHA - Queiroz pode ser afastado por conta dessas questões?
TARSO
- Não posso responder porque não sabemos quem foi [que vazou a operação]. Vai ser averiguado e, então, há previsões no regimento da PF para uma pena correspondente.

FOLHA - Foram quatro anos de investigação. Neste período, a PF ou o Ministério da Justiça enfrentaram tentativa de interferência do governo?
TARSO
- Protógenes fez um trabalho brilhante de natureza técnica, independentemente de ter cometido equívoco ou não. Que eu saiba, não recebeu nenhuma influência de ninguém. Com relação à influência política, se houve alguma tentativa, foi brecada, porque não chegou até o Ministério da Justiça. Se chegasse, seria repelida, viesse de onde viesse.

FOLHA - O ex-deputado petista Luiz Eduardo Greenhalgh conversou com Gilberto Carvalho, chefe-de-gabinete do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, no Planalto, para obter informações sobre o processo.
TARSO
- Esse contato, se houve, o Gilberto soube diluí-lo, porque não fez qualquer pedido de informação à PF e ao ministério. Não creio que Luiz Eduardo tenha tentado solicitar ao governo inconfidências.

FOLHA - Nos últimos dias sua relação com o presidente do STF, Gilmar Mendes, andou tensa.
TARSO
- É natural porque esse processo suscitou diversas interpretações. A própria Justiça tem pontos de vista diferentes. Não temos postura de acolhimento, seja da opinião do juiz ou de Gilmar. A lei ampara ambas interpretações.

FOLHA - O sr. não considera que esse prende-e-solta cria um clima de afronta entre poderes, de impunidade?
TARSO
- Não, porque é uma questão de interpretação de texto e de procedimento penal. O que mais contribui não é a libertação de uma pessoa que ainda não foi condenada. O que mais indigna a população é a demora na punição, a possibilidade de a pena prescrever.

FOLHA - Como o sr. avalia a repercussão da revogação das prisões feitas pela PF?
TARSO
- Repercute de maneira negativa na população, mas não quer dizer que esteja errada. Há um conceito universal de que é preferível não punir um culpado a punir um inocente. Prefiro a queixa de que soltam demais à de que prendam de maneira arbitrária.

FOLHA - São 7.000 páginas de transcrições de conversas telefônicas, com especulações de citação de políticos. Vem uma segunda fase da operação?
TARSO
- A orientação em relação a esses inquéritos, depois de prontos, é passar um pente-fino para verificar se há algum delito que mereça abertura de novo processo criminal. Tem essa questão relacionada à jornalista da Folha de S.Paulo, eu acho que não pode ser confundida uma investigação jornalística com cometimento de um delito. Não podemos confundir costumes, sejam quais forem, com delito. Isso serve tanto para a questão da jornalista como para pessoas do mundo político, que às vezes se relacionam com esse tipo de processo.

FOLHA - Daniel Dantas se queixa de perseguição política da PF, diante da disputa pelo comando da Brasil Telecom com setores do governo, como os fundos de pensão. O que o sr. acha desta linha de defesa?
TARSO
- Ele tem o direito de fazer essa queixa. Agora, os delitos de que está sendo acusado têm farta prova dentro do processo, não têm nada a ver com política. Tratam-se de delitos contra o sistema financeiro, com tipificação e procedimentos muito claros. É mero argumento de defesa. Pelas informações que tenho, o processo do ponto de vista de sua responsabilização criminal é muito sério, inclusive nessa questão da tentativa de compra de um policial federal. Eu pergunto: tem valor essa alegação, feita por uma pessoa contra quem já está praticamente comprovado no processo que tentou comprar um policial federal para distorcer o andamento do inquérito? Não tem força moral a alegação do sr. Daniel Dantas. Meu desejo é que tenha o mais amplo direito de defesa, que consiga provar que é inocente, o que me parece muito difícil, porque o Estado, quando pune, o faz em cima de fatos concretos.

FOLHA - Como o sr. analisa a reação tão forte dentro do Congresso contra a ação da PF?
TARSO
- O sr. Daniel Dantas tem relações políticas em diversos segmentos partidários. Não são necessariamente criminosas. Esse núcleo vai ampliando suas relações, até chegar a quadros políticos. Se o quadro político for pessoa sóbria, estabelece a relação, mas não deixa se levar para apoiar determinado delito. Se for uma pessoa que tem tendência à imoralidade e à ilegalidade, é cooptado pela quadrilha.

FOLHA - No governo havia divisão em relação ao Daniel Dantas. O ex-ministro Luiz Gushiken, por exemplo, foi contra o banqueiro fazer negócios com Fábio Luiz, filho do presidente Lula. Já o ex-ministro José Dirceu teria certa aproximação com o banqueiro. Como o sr. avalia isso?
TARSO
- Não tenho nenhuma informação desse conflito, a respeito das teles. Não participei dele, não estava no centro do governo.

FOLHA - As relações delituosas ou não de Dantas com membros do Congresso ficam claras na operação?
TARSO
- Se alguma ilegalidade tiver aparecido nesse inquérito, seguramente vai ser aberto outro e, se houver deputado envolvido, será oficiado ao STF. O Congresso tem sido pródigo em examinar esses casos. Não duvido que instale uma CPI, que pode ser absolutamente recomendável, agora tem de ter vontade.

FOLHA - O sr. acha, então, recomendável instalar uma CPI?
TARSO
- Nem quero fazer um juízo de valor, só estou mencionando que tem esse costume. Se vai instalar, para nós é irrelevante, pois já fizemos todas as investigações.

FOLHA - O sr. avalia que o presidente do STF, Gilmar Mendes, teve posição prudente ao criticar a ação da PF, classificando-a de coisa de “gângster” e de “espetacularização”, quando sabia que poderia decidir questões ligadas ao caso? Ele não se tornou impedido no caso por isso?
TARSO
- Não devo me manifestar sobre opiniões do presidente do Supremo. Pelo contrário, tenho de procurar conversar com ele sempre que ocorre um estremecimento e deixar claro qual a dimensão que ele está colocando. Nessa oportunidade, ele falou a respeito de pessoas, segundo me disse, estariam cometendo ilegalidades, e não a respeito da instituição. A mim me bastou. Eu acho o ministro Gilmar uma pessoa séria, tem temperamento diferente do meu, manifesta-se sobre essas questões diferentes também. Mas eu não devo e nem quero fazer juízo.

FOLHA - Mas quando Gilmar Mendes fez as críticas, o sr. rebateu e alimentou a polêmica.
TARSO
- Mas aí é obrigação de Estado que tenho. Quando se colocam determinadas questões que são educativas do ponto de vista democrático, gosto de fazer a polêmica respeitosa, adequada, como na questão das algemas. Essa é uma polêmica importante na sociedade, porque simboliza a possibilidade de um duplo tratamento para a cidadania. Nessa questão fiz uma leve discussão pública sobre o assunto, para defender inclusive a integridade da ação da PF. Agora, em temas que dizem respeito a questões de fundo do Estado, ele, como dirigente de um poder, pode e deve colocar sua posição. Não devo responder porque isso não serve em nada para a relação harmoniosa que os poderes devem ter.

12/07/2008 - 09:17h Secretário de Serra convoca delegado que investiga mafia na prefeitura de Kassab

Delegado convoca subprefeito da Mooca para esclarecimentos

Não há indícios contra Odloak, mas polícia quer saber como o esquema agia na repartição

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Bruno Tavares, Diego Zanchetta e Rodrigo Brancatelli - O Estado de São Paulo

O delegado Luís Augusto Storni afirmou ontem que o subprefeito da Mooca, Eduardo Odloak, será convocado a prestar depoimento na próxima semana. Odloak era o chefe dos fiscais presos acusados de achacar camelôs. Nos últimos três anos, o subprefeito, filiado ao PSDB, encampou uma cruzada contra os camelôs do Brás e ganhou notoriedade no final de 2007, ao liderar as blitze que fecharam shoppings populares que pertencem ao chinês naturalizado brasileiro Law Kim Chong.

“A investigação até o momento não mostrou participação do subprefeito no esquema das quadrilhas. Mas é claro que queremos saber como o esquema funcionava dentro da repartição”, afirmou o delegado, que não descartou novas prisões nas próximas semanas. “Com os depoimentos dos presos e indícios de suspeitos, pode ser que se descubram outros membros nas quadrilhas. A investigação terá continuidade. O que podemos dizer é que havia um esquema criminoso comandado por esse assessor político, o Eivazian”, acrescentou Storni.

Storni foi chamado ontem à tarde à Delegacia-Geral de Polícia para relatar a investigação ao secretário de Estado da Segurança Pública, Ronaldo Marzagão. Questionado se temia sofrer pressões da cúpula do Estado pela repercussão política das prisões, o delegado argumentou que “o compromisso do Estado é o combate à corrupção, independentemente de partidos políticos”.

A operação que levou à prisão dos envolvidos no esquema de corrupção começou a ser montada na tarde de quinta-feira. Às 8 horas de ontem, 50 policiais do Grupo de Operações Especiais (GOE) e da Unidade de Inteligência Policial (UIP) se reuniram na sede do Departamento de Polícia Judiciária da Capital (Decap), em Pinheiros, para cumprir os 13 mandados de prisão. A maioria das equipes seguiu para o Brás, onde estavam os ambulantes e os fiscais suspeitos de integrar a quadrilha.

A equipe liderada pelo delegado Storni foi até um motel da zona leste da capital, para capturar Marcelo Eivazian. Ele estava acompanhado por uma garota de programa. Antes de ser colocado na viatura do GOE, protestou: “Não sei por que estou sendo preso.” No carro dele, uma EcoSport, os policiais encontraram dois papelotes de cocaína, um de maconha e anabolizantes.

AMBULANTES

Camelôs ilegais, colegas de Manoel Severino, um dos ambulantes presos acusados de arrecadar dinheiro para os fiscais, foram ontem à tarde à delegacia e confirmaram o pagamento de propina. “Ele só fazia isso para garantir o nosso trabalho. Todo mundo que foi retirado do Largo da Concórdia tinha de entrar no esquema”, contou uma ambulante, que pediu sigilo do nome. Os amigos de Severino devem prestar depoimentos na semana que vem, segundo a polícia.

Pela manhã, durante a operação da Polícia Civil, houve comemoração entre camelôs ilegais que pagavam até R$ 30 semanais para manter um ponto na Rua Saião Lobato. Após as prisões, uma salva de rojões ecoou no largo. O presidente do Sindicato dos Camelôs Clandestinos, Afonso da Silva, convocou os colegas a invadir as vias de onde foram retirados no início de 2006. “Tem de voltar todo mundo.” Os clandestinos, assustados com a operação, desmontaram barracas. Mas voltaram ao trabalho após saber da prisão de fiscais.

GRAMPOS

No feriado de 1.º de maio, uma ambulante identificada como Vanda reclama com Edson Mosquera, chefe dos fiscais da Mooca, sobre o suposto pagamento de propina a Felipe Eivazian.

Vanda: Edson?

Edson Mosquera: Oi.

Edson: Fala, Vanda.

Vanda: Me diz uma coisa: Felipe passou lá ontem de tarde e você não estava mais lá. Aí ele passou lá e mandou tirar a barraca de lanche e também mandou tirar o acarajé. Na hora que ele começou a falar eu falei assim: ?ah, não pode mais vender comida??. Aí eu falei o seguinte: ?eu tô aqui porque eu pago para o seu irmão?. (…) Eu falei: ?eu tô aqui, seu irmão que me botou, eu pago a ele por semana?. Aí ele já mudou a conversa, começou rindo: ?ah, mas agora quem manda sou eu?. Eu disse: ?ó, eu tô aqui porque eu pago para o seu irmão, todo mundo que tá aqui paga para o seu irmão. Eu paguei para o seu irmão até sexta-feira e foram sete semanas de R$ 250?. ?É, mas não pode comida, não pode na Vanda, se a senhora botar outra coisa pode, mas comida não pode?. Aí eu peguei e tirei(…) Daí eu não sei como vai ser o esquema agora, se ele vai todo dia, porque a coisa vai ficar difícil. Queria saber se a gente continua com o esquema de eu pagar vocês, na hora que o Felipe vier eu saber e sair, ou não vou mais trabalhar lá.

Edson: Amanhã eu vou lá, chegando lá eu te aviso. Amanhã ele não vai tá lá, só vai estar eu, o Ronaldo e o Nilson.

Em 3 de maio, uma ambulante identificada como Ângela também se queixa com Edson sobre os achaques supostamente feitos por Felipe Eivazian.

Edson: Bom dia, dona Ângela.

Ângela: Oi, que bom que você me ligou.

Edson: Por quê?

Ângela: Você soube o que aconteceu comigo na quarta-feira? O irmão do Marcelo foi lá e falou que não era pra mim montar porque senão ele ia mandar guinchar meu carro, na frente do policial. Tive que desmontar, até agora não fui trabalhar. O que eu faço agora?

Edson: Uma opção é arrumar um outro lugar, então, pra senhora colocar.

Ângela: Me arruma um outro?

Edson: Até baixar a poeira.

Ângela: Até quando vai isso?

Edson: Vamos ver né como vão ser as coisas. Marcelo tá saindo fora, o Felipe vai também provavelmente ajudar o irmão. O irmão dele vai sair candidato, vai embora.

Ângela: Segunda-feira eu vou lá, volto lá.

Edson: Então tá, segunda-feira eu vejo o que eu posso fazer pra senhora.

No dia 8 de maio, uma mulher não identificada reclama que Edson não avisou sobre a chamada da fiscalização.

Mulher não-identificada: Ô, Edson, o rapa tá passando aqui e você não avisa nada?

Edson: Eu não vou invadir aí.

Mulher: Mas tá tudo aqui na esquina.

Edson: Eu tô também, filha.

Em seguida, Edson liga para outros camelôs e avisa que vai passar a fiscalização para recolher as mercadorias ilegais

Edson: Oi Giba, dá uma desmontada pra nós, porque eu vou entrar com o pessoal agora.

Camelô: Tirar fora?

Edson: É.

No dia 16 de abril, às 9h02, Edson conversa com um camelô para avisar sobre uma fiscalização, que, desta vez, era feita pela Polícia Militar, e não pela Prefeitura de São Paulo.

Homem não-identificado: E aí.

Edson: Manda o pessoal ficar esperto que é o tenente tá prendendo tudo.

Homem: Quem, a polícia?

Edson: O tenente da Polícia Militar, não tem nada a ver com a Prefeitura. Ele que tá aí ensacando tudo, prendendo.

Homem: Copiado.

12/07/2008 - 08:57h Cheiro de podre na Prefeitura de São Paulo

Cadê o xerife?

A imagem “http://vejasaopaulo.abril.com.br/arquivos/capas/2043m.jpg” contém erros e não pode ser exibida.

“Sem deixar a subprefeitura da Sé, passou a acumular a gigantesca Secretaria de Coordenação das Subprefeituras, na qual comanda um orçamento anual de 1,4 bilhão de reais. “Somos amigos há anos e sempre soube que ele tem uma capacidade de trabalho muito grande”, declara o prefeito Gilberto Kassab. Matarazzo logo se tornou a estrela da administração municipal. “No atual organograma da prefeitura, quem tem a função de coordenar os subprefeitos vira uma espécie de primeiro-ministro”, afirma o cientista político Rui Tavares Maluf, professor da Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo. O secretário aproveita essa visibilidade para, ao menos, fazer barulho. Acredita que, ao ser duro com quem está irregular, dá exemplo aos demais. Só no ano passado, interditou 135 casas noturnas, 166 ferros-velhos, 178 restaurantes e 816 bares. Ao todo, foram 1·793 fechamentos (uma média de quase cinco por dia). Retirou mais de 7.000 camelôs não cadastrados de pontos como o Largo Treze de Maio, em Santo Amaro, o Largo da Concórdia, no Brás, e o centro de São Miguel Paulista. No Largo Treze, a simples expulsão dos ambulantes levou o número de roubos e furtos na região a cair cerca de 20%.” Veja SP 16/1/2008

Promotoria diz investigar outras duas subprefeituras

Apuração do Ministério Público atinge subprefeituras da Sé e de Pinheiros

Funcionários dos dois órgãos são suspeitos de vender alvará para estabelecimentos que funcionariam como casas de prostituição

DA REPORTAGEM LOCAL

Além da Subprefeitura da Mooca, na zona leste de São Paulo, o Ministério Público Estadual informou ontem que também investiga irregularidades envolvendo funcionários de pelo menos outras duas subprefeituras.
De acordo com o promotor José Carlos Blat, há denúncias de que alguns funcionários das subprefeituras da Sé, na região central da cidade, e de Pinheiros, na zona oeste da capital, vendem alvarás para o funcionamento irregular de estabelecimentos que, na verdade, são casas de prostituição.
“Há vários problemas envolvendo subprefeituras. Além dessas [Sé e Pinheiros], há outras [com suspeitas de irregularidades]. São questões de corrupção, emissão de alvarás ilegais para casas que não podem ter qualquer tipo de funcionamento, além da ausência de fiscalização em relação aos ambulantes ilegais”, afirmou Blat.
Amauri Luiz Pastorello, subprefeito da Sé, e Nilton Nachle, subprefeito de Pinheiros, não foram localizados ontem para comentar a informação.
Procurado pela Folha, ontem à noite, para falar a respeito do caso, o secretário das Subprefeituras de São Paulo, Andrea Matarazzo, informou, por meio de sua assessoria de imprensa, que “qualquer irregularidade deve ser investigada, apurada e punida”.
Blat informou que mais pessoas podem estar envolvidas na quadrilha da Subprefeitura da Mooca. Ele disse também que foi encaminhado um ofício à Promotoria da Cidadania, para que sejam apurados indícios de irregularidades nas outras subprefeituras.
Blat é o mesmo promotor que atuou no caso que ficou conhecido como a Máfia dos Fiscais em 1998, durante a gestão do então prefeito de São Paulo, Celso Pitta (1997-2000).
Naquela oportunidade, mais de cem pessoas foram indiciadas, entre elas alguns políticos. Indagado se a investigação da quadrilha presa ontem irá respingar em algum político também, Blat afirmou que ainda é cedo para afirmar isso.
“No momento, a investigação não detectou isso. Essa quadrilha age no segundo e terceiro escalões da Subprefeitura da Mooca”, disse Blat, que, no entanto, pretende ouvir o depoimento de Eduardo Odloak, subprefeito da Mooca.
“Ele precisa ser ouvido porque todo o esquema acontecia dentro da subprefeitura que ele comanda”, afirmou o promotor à Folha.
(KLEBER TOMAZ E ANDRÉ CARAMANTE)