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	<title>Blog do Favre &#187; psicologia</title>
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	<description>Cultura, Política, Economia, Mundo, Sociedade, Comportamento</description>
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		<title>Sonhos são exercício para o cérebro</title>
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		<pubDate>Mon, 23 Nov 2009 16:55:51 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Luis Favre</dc:creator>
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		<description><![CDATA[
Benedict Carey






Visões durante o sono podem servir de aquecimento




Os sonhos são tão férteis e parecem tão autênticos que os cientistas presumem há muito tempo que eles devem ter uma finalidade psicológica crucial. Para Freud, os sonhos funcionam como campo de atividade da mente inconsciente; para Jung, o sonho é um estágio em que os arquétipos [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img class="alignnone size-full wp-image-16640" title="newyorktimes_folha" src="http://blogdofavre.ig.com.br/wp-content/uploads/2009/11/newyorktimes_folha2.gif" alt="newyorktimes_folha" width="200" height="18" /></p>
<p><span style="font-size: medium;"><strong>Benedict Carey</strong></span></p>
<p><span style="font-size: large;"><strong><br />
</strong></span></p>
<table style="height: 87px;" border="0" width="482">
<tbody>
<tr>
<td>
<hr size="2" noshade="noshade" /><span style="font-size: x-large;"><strong><em>Visões durante o sono podem servir de aquecimento</em></strong></span></p>
<hr size="2" noshade="noshade" /></td>
</tr>
</tbody>
</table>
<p>Os sonhos são tão férteis e parecem tão autênticos que os cientistas presumem há muito tempo que eles devem ter uma finalidade psicológica crucial. Para Freud, os sonhos funcionam como campo de atividade da mente inconsciente; para Jung, o sonho é um estágio em que os arquétipos da psique representam temas primais. Teorias mais recentes afirmam que os sonhos ajudam o cérebro a consolidar memórias emocionais ou a trabalhar problemas atuais, como um divórcio ou frustrações no trabalho.<br />
Mas o que dizer da hipótese de que o objetivo principal dos sonhos não é de natureza psicológica?<br />
Em artigo recente no periódico &#8220;Nature Reviews Neuroscience&#8221;, o psiquiatra J. Allan Hobson, que pesquisa o sono na Universidade Harvard, argumenta que a função principal do sono REM (caracterizado por movimentos rápidos dos olhos) é de natureza fisiológica. O cérebro está aquecendo seus circuitos, preparando-se para as visões, os sons e as emoções do estado desperto.<br />
&#8220;Isso ajuda a explicar muitas coisas, como o porquê de as pessoas esquecerem tantos sonhos&#8221;, disse Hobson. &#8220;É como praticar corrida; o corpo não se recorda de cada passo dado, mas sabe que se exercitou. Ele foi aquecido e afinado. A ideia aqui é a mesma: os sonhos afinam a mente, preparando-a para a consciência desperta.&#8221;<br />
Hobson argumenta que o sonhar é um estado de consciência paralela que opera continuamente, mas que costuma ser suprimido durante a vigília.<br />
&#8220;A maioria [dos estudiosos] parte de ideias psicológicas previamente determinadas e tenta fazer os sonhos se encaixar nessas ideias&#8221;, disse Mark Mahowald, neurologista e diretor do programa de desordens do sono do Centro Médico Hennepin County, em Minneapolis (EUA). &#8220;O que me agrada nesse novo artigo é que ele não parte de nenhuma premissa prévia sobre a função dos sonhos.&#8221;<br />
O sono REM parece ser um desenvolvimento recente, em termos evolutivos; ele é perceptível em humanos, outros mamíferos e pássaros. E estudos sugerem que o sono REM aparece em fase muito precoce da vida: no caso dos humanos, no terceiro trimestre de vida do feto.<br />
Cientistas encontraram em estudos evidências de que a atividade REM ajuda o cérebro a construir conexões neurais, especialmente em suas áreas visuais. O feto em desenvolvimento pode estar &#8220;vendo&#8221; algo, em termos de atividade cerebral, muito antes de seus olhos se abrirem.<br />
Algumas pessoas são capazes de assistir a seus próprios sonhos como observadoras, sem despertarem. Conhecido como sonhar lúcido, esse estado de consciência é em si um mistério. Mas é um fenômeno real, e Hobson encontra nele um argumento forte em favor de sua tese de que os sonhos serviriam como aquecimento fisiológico.<br />
Em estudo publicado em setembro no períodico &#8220;Sleep&#8221;, Ursula Voss, de Frankfurt, liderou uma equipe que analisou ondas cerebrais durante o sono REM, a vigília e o sonho lúcido. O estudo constatou que o estado de sonho lúcido possui elementos do sono REM e da vigília -especialmente nas áreas frontais do cérebro, que ficam inativas durante o sonhar normal. Hobson foi coautor do artigo.<br />
&#8220;Vemos esse cérebro dividido em ação&#8221;, disse ele. &#8220;Isso me diz que existem esses dois sistemas e que eles podem, de fato, estar em ação ao mesmo tempo.&#8221;<br />
Ainda falta muito para os pesquisadores poderem confirmar essa hipótese. Mas os benefícios disso podem ir além de uma compreensão mais profunda do cérebro adormecido. Os esquizofrênicos sofrem alucinações de origem desconhecida. Hobson sugere que esses voos da imaginação possam estar relacionados à ativação anormal da consciência sonhadora. Como disse Jung: &#8220;Deixe o sonhador despertar, e você verá uma psicose&#8221;.</p>
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		<title>Berço e criação</title>
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		<pubDate>Mon, 16 Nov 2009 21:57:04 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Luis Favre</dc:creator>
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		<description><![CDATA[+Marcelo Leite &#8211; Folha SP






Determinismo genético saiu de moda na academia 




Saí do berço ouvindo que quem  herda não furta. Pode-se entender o provérbio em sentido jurídico, mas o contexto sempre apontava  outra coisa: não é crime parecer-se  com alguém. Algo como, para ficar nos  provérbios, &#8220;quem puxa aos seus não [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<h2><span style="background-color: #ffff99;"><span style="font-size: xx-large;"><strong><span style="color: #000080; font-size: xx-large;">+Marcelo Leite &#8211; Folha SP</span></strong></span></span></h2>
<p><span style="font-size: large;"><strong><br />
</strong></span></p>
<table style="height: 98px;" border="0" width="500">
<tbody>
<tr>
<td>
<hr size="2" noshade="noshade" /><strong><span style="font-size: large;"><em>Determinismo genético saiu de moda na academia </em></span></strong><br />
<hr size="2" noshade="noshade" /></td>
</tr>
</tbody>
</table>
<p>Saí do berço ouvindo que quem  herda não furta. Pode-se entender o provérbio em sentido jurídico, mas o contexto sempre apontava  outra coisa: não é crime parecer-se  com alguém. Algo como, para ficar nos  provérbios, &#8220;quem puxa aos seus não  degenera&#8221;.<br />
A biologia é obcecada com o sentido  desse verbo, &#8220;herdar&#8221;. Debate-se há  séculos quanto de nossas disposições  gerais, em especial de temperamento,  são &#8220;causadas&#8221; por fatores herdados.  Para muita gente, isso significa deixar  de ter responsabilidade pelo que são, e  até pelo que fazem.<br />
A partir do século 20, o problema foi  enquadrado na moldura dos genes.  Começou-se a falar em genética do  comportamento, da violência, da  orientação sexual etc. Assim como o  escorpião da fábula explicou ao sapo  que ferroá-lo estava em sua natureza,  há quem acredite safar-se alegando:  &#8220;Está no meu DNA&#8221;.<br />
É a velha questão &#8220;nature X nurture&#8221;, que traduzo livremente do inglês  como berço X criação. A genética, turbinada pelo Projeto Genoma Humano, teria resolvido o dilema em favor  do primeiro termo. Até os anos 1980,  houve certo predomínio da psicologia  (ambiente, ou criação), logo substituída por explicações &#8220;mais científicas&#8221;,  genéticas (natureza, ou berço).<br />
Esse determinismo genético saiu de  moda há anos, na intimidade do meio  científico, mas tem apelo irresistível  no público e é tolerado por pesquisadores. Caiu em desuso técnico porque  é falacioso. Seu defeito está em confundir &#8220;genético&#8221; com &#8220;hereditário&#8221;  ou &#8220;inato&#8221;, pois nem tudo que afeta os  genes ocorre antes do nascimento.<br />
Mais um estudo que põe essa dicotomia em xeque foi publicado eletronicamente pelo periódico científico  &#8220;Nature Neuroscience&#8221; na semana  passada. Chris Murgatroyd, pesquisador do Instituto Max Planck de Psiquiatria, de Munique, mostrou que  experiências traumatizantes na primeira infância podem deixar marcas  duradouras na fisiologia e no comportamento que nada têm a ver com o  conteúdo dos genes, mas sim com a  expressão desse conteúdo.<br />
É o que se chama de epigenética,  anotações que a experiência vivida  deixa no genoma. Elas sinalizam quais  genes do acervo de mais de 20 mil podem e devem ser usados em cada circunstância. O grupo de Murgatroyd  investigou em camundongos o efeito  de estresse em filhotes separados da  mãe três horas por dia nos primeiros  dez dias de vida.<br />
A equipe descobriu que, já adultos,  os roedores estressados quando filhotes tinham níveis elevados de um hormônio, a vasopressina, associado com  o humor e, em humanos, com a química da depressão. Viu, ainda, que esse  aumento decorre de marcas indeléveis deixadas no DNA.  É óbvio que o mecanismo pode não  ser o mesmo em seres humanos, mas é  difícil de acreditar que não haja coisas  similares agindo dentro de nós. Somos o resultado não só do que está em  nossos genes, mas também do que se  superpõe a eles. Nem berço nem criação, mas berço-e-criação.<br />
Essa visão menos determinista nos  convida a investigar, ponderar e influir tanto no que está no DNA quanto  no modo como criamos nossos filhos e  jovens e como tratamos a nós próprios. Como já foi dito, somos o que fizermos do que fizeram de nós.  Incrível: descobri no Google que o  imortal Walter Franco tem uma música intitulada &#8220;Quem Puxa aos Seus  Não Degenera&#8221;. Nela se encontra a seguinte estrofe, que talvez nos inspire a  ser mais tolerantes com as feras criadas por aí: &#8220;Daí meu pai disse / Meu filho, espera / A inocência que há / No  olhar da fera&#8221;.</p>
<hr size="1" noshade="noshade" /><span> <strong>MARCELO LEITE</strong> é autor de &#8220;Darwin&#8221; (série Folha Explica,  Publifolha, 2009) e &#8220;Ciência &#8211; Use com Cuidado&#8221; (Editora  da Unicamp, 2008). Blog: Ciência em Dia (<strong> <a href="http://cienciaemdia.folha.blog.uol.com.br/">cienciaemdia.folha.blog.uol.com.br</a></strong> ).  E-mail: <strong><a href="mailto:cienciaemdia.folha@uol.com.br">cienciaemdia.folha@uol.com.br</a></strong></span></p>
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		<title>A dificuldade de dizer não (ou sim)</title>
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		<pubDate>Thu, 17 Sep 2009 21:59:06 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Luis Favre</dc:creator>
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		<description><![CDATA[CONTARDO CALLIGARIS &#8211; FOLHA SP 





 A necessidade narcisista de sermos amados nos torna covardes e nos leva a assentir



DURANTE TODA minha infância, eu dizia &#8220;não&#8221; mesmo  quando queria dizer &#8220;sim&#8221;.
Usava o não como uma palavra de  apoio, uma maneira de começar a falar. Minha mãe: &#8220;Vou sair para fazer  compras; algo [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><strong><font size="+1" color="#000080">CONTARDO CALLIGARIS &#8211; FOLHA SP </font></strong></p>
<p><font size="5"><strong><br />
</strong></font></p>
<table height="75" width="468">
<tr>
<td>
<hr noshade="noshade" size="2" /> <font size="5"><em>A necessidade narcisista de sermos amados nos torna covardes e nos leva a assentir</em></font><br />
<hr noshade="noshade" size="2" /></td>
</tr>
</table>
<p>DURANTE TODA minha infância, eu dizia &#8220;não&#8221; mesmo  quando queria dizer &#8220;sim&#8221;.<br />
Usava o não como uma palavra de  apoio, uma maneira de começar a falar. Minha mãe: &#8220;Vou sair para fazer  compras; algo que você gostaria para  o jantar?&#8221;. Eu, enérgico: &#8220;Não&#8221;,  acrescentando imediatamente:  &#8220;Sim, estou a fim de ovos fritos (ou  sei lá o quê)&#8221;.<br />
Os adultos tentavam me corrigir:  &#8220;Então, é sim ou não?&#8221;. &#8220;Não, é sim&#8221;,  eu respondia.<br />
Entendi esse meu hábito muito  mais tarde, quando li &#8220;O Não e o  Sim&#8221;, de René Spitz (ed. Martins  Fontes). No fim da faculdade, Spitz  era um dos meus autores preferidos,  o único, ao meu ver, que conciliava a  psicanálise com o estudo experimental do desenvolvimento infantil. No livro, pequeno e crucial, Spitz  nota que, nas crianças, o uso do  &#8220;não&#8221; aparece por volta do décimo  oitavo mês de vida, logo quando elas  costumam falar de si na terceira pessoa, como se precisassem (e conseguissem, enfim) se enxergar como  seres distintos dos outros.<br />
Para Spitz, a aquisição da capacidade de dizer &#8220;não&#8221; é um grande evento da primeira época da vida: a conquista da primeira palavra que serve para dialogar e não só para designar um objeto. Mas, cuidado, especialmente no segundo ano de vida, o &#8220;não&#8221; teimoso da criança não significa que ela discorde do que está lhe sendo proposto ou imposto: a criança diz &#8220;não&#8221; para afirmar que, mesmo ao concordar ou obedecer, ela está exercendo sua própria vontade, a qual não se confunde com a do adulto.<br />
Em suma, durante muito tempo,  eu persisti na atitude de meus dois  anos. Mais tarde, consegui me corrigir. Mas em termos; sobrou-me uma  paixão pelas adversativas: mal consigo dizer &#8220;sim&#8221; sem acrescentar um  &#8220;mas&#8221; que limita meu consentimento. É um jeito de dizer que aceito,  mas minha aceitação não é incondicional. &#8220;Vamos ao cinema?&#8221;. &#8220;Sim,  mas à noite, não agora.&#8221;<br />
O uso do sim e do não, no discurso  de cada um de nós, pode ser um indicador psicológico valioso. Mas, para  isso, é preciso distinguir entre &#8220;sim&#8221;  e &#8220;não&#8221; &#8220;objetivos&#8221;, que têm a ver  com a questão da qual se trata (quero ou não tomar café ou votar nas  próximas eleições), e &#8220;sim&#8221; e &#8220;não&#8221;  &#8220;subjetivos&#8221;, que são abstratos, ou  seja, que expressam uma disposição  de quem fala, quase sem levar em  conta o que está sendo negado ou  afirmado.<br />
Se o &#8220;não&#8221; subjetivo é um grito de  independência, o &#8220;sim&#8221; subjetivo é  uma covardia, consiste em concordar para evitar os inconvenientes de  uma negativa que aborreceria nosso  interlocutor.<br />
Alguns exemplos desse &#8220;sim&#8221; covarde (e, em geral, objetivamente  mentiroso). &#8220;Respondeu à minha  carta?&#8221; &#8220;Sim, já mandei.&#8221; &#8220;Gostou de  minha performance?&#8221; &#8220;Sim, adorei.&#8221; &#8220;Quer me ver de novo?&#8221; &#8220;Sim, te  ligo amanhã.&#8221; Mas também: &#8220;Você  vai assinar a petição para expulsar os  judeus do ensino público?&#8221; &#8220;Claro,  claro, estou assinando.&#8221;<br />
Acontece que dizer &#8220;não&#8221; é arriscado. A confusão com o outro, aquela confusão que ameaça a primeira  infância e contra a qual se erguia  nosso &#8220;não&#8221; abstrato e rebelde, é  substituída, com o passar do tempo,  por mil dependências afetivas:  &#8220;Desde os meus dois anos, não sou  você, não me confundo com você,  existo separadamente, mas, se eu  perder seu amor (sua amizade, sua  simpatia, sua benevolência), quem  reconhecerá que existo? Será que  posso existir sem a aprovação dos  outros?&#8221;.<br />
Em suma, o sim subjetivo é um  consentimento abstrato (o objeto de  consenso é indiferente e pode ser  monstruoso), pois o que importa é  agradar ao outro, não perder sua  consideração. A necessidade narcisista de sermos amados nos torna  covardes e nos leva a assentir.<br />
Por sua vez, nossa covardia fomenta explosões negativas, tanto mais violentas quanto mais nossa concordância foi preguiçosa. À força de dizer &#8220;sim&#8221; para que o outro goste de mim, eu corro o perigo de me perder e, de repente, posso apelar à negação abstrata, espalhafatosa e violenta, só para mostrar que não me confundo com o outro, penso com a minha cabeça.<br />
Bom, Spitz tinha razão, o uso do  não e do sim permitem o diálogo humano. Mas é um diálogo que (sejamos otimistas) nem sempre tem a  ver com as questões que estão sendo  discutidas; ele tem mais a ver com  uma necessidade subjetiva: digo  &#8220;não&#8221; para me separar do outro ou  digo &#8220;sim&#8221; para obter dele um olhar  agradecido. Nos dois casos, tento  apenas alimentar a ilusão de que  existo.</p>
<p><strong><a href="mailto:ccalligari@uol.com.br">ccalligari@uol.com.br</a></strong></p>
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		<title>&#8220;cuckold&#8221;</title>
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		<pubDate>Fri, 04 Sep 2009 23:18:47 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Luis Favre</dc:creator>
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		<description><![CDATA[ Mari trompé, mari heureux: le fantasme du &#8220;cuckold&#8221;
Le cuckold est un “cocu heureux”, c’est-à-dire un homme –généralement marié– qui jouit de voir sa femme dans les bras d’un ou plusieurs amants. Elle le trompe ouvertement. Et ça l’excite.


Le mot &#8220;cocu&#8221; viendrait du mot “coucou” (cuckoo en anglais). La femelle du coucou pond dans le [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p> <strong><font size="5">Mari trompé, mari heureux: le fantasme du &#8220;cuckold&#8221;</font></strong></p>
<p>Le <em>cuckold</em> est un “cocu heureux”, c’est-à-dire un homme –généralement marié– qui jouit de voir sa femme dans les bras d’un ou plusieurs amants. Elle le trompe ouvertement. Et ça l’excite.</p>
<p><a href="http://sexes.blogs.liberation.fr/.a/6a00e54f964f2288340120a59ac92d970c-pi" style="display: inline"></a></p>
<div style="text-align: center"><a href="http://sexes.blogs.liberation.fr/.a/6a00e54f964f2288340120a59ac92d970c-pi" style="display: inline"><img src="http://sexes.blogs.liberation.fr/.a/6a00e54f964f2288340120a59ac92d970c-800wi" alt="Cuckold-place" class="at-xid-6a00e54f964f2288340120a59ac92d970c " title="Cuckold-place" border="0" /></a></div>
<p>Le mot &#8220;cocu&#8221; viendrait du mot “coucou” (<em>cuckoo</em> en anglais). La femelle du coucou pond dans le nid des oiseaux d’autres espèces afin que ceux-ci couvent l’œuf et nourrissent son petit à sa place. De même, le <em>cuckold</em> met sa femme dans le lit d’autres hommes, afin qu’ils lui fassent l’amour à sa place.</p>
<p>Contrairement aux cocus habituels dont on dit qu’ils portent des cornes parce que tout le monde peut les voir sauf eux, les “cocus heureux” ne sont pas les derniers informés de leur infortune. Ils jouent au contraire un rôle actif dans leur propre cocufiage: ce sont souvent eux qui poussent leur compagne à avoir des rapports extra-conjugaux.</p>
<p>Parfois même, ils assistent aux ébats et tirent un plaisir sans nom de voir leur bien-aimée entre les bras d’un autre. Pourquoi? Dans le milieu SM, la raison invoquée est souvent humiliante: le <em>cuckold</em> prétend qu’il n’est pas capable de satisfaire son épouse. Il affirme qu’il est impuissant, éjaculateur précoce ou “mauvais coup”. Ce qui n’est pas forcément vrai. A l’origine de ce fantasme, il peut y avoir une forme d’homosexualité larvée. Il peut aussi y avoir le désir d’être transformé en objet sexuel dont la femme dispose à sa guise: tel jour, elle s’offrira un amant, tel autre elle préfèrera utiliser son mari comme un sextoy de substitution…</p>
<p>Mais la raison principale, probablement, c’est que le <em>cuckold</em> trouve sa femme plus désirable si elle est désirée par d’autres. C’est un fantasme qui repose sur la “triangulation du désir”: tu as plus de prix, ma chérie, quand les autres mâles te convoitent.</p>
<p>Tenaillé par la jalousie, le <em>cuckold</em> fera tout pour satisfaire lui aussi sa femme, rivalisant d’ardeur avec ses innombrables amants afin qu’elle ne le quitte pas pour un autre… S’il fallait résumer grossièrement, on pourrait définir le <em>cuckold</em> comme un “mari idéal”. Un homme capable d’aimer sa femme envers et malgré tous les amants, défiant ainsi les conventions morales qui assimilent les adultères à d&#8217;indignes trainées.</p>
<p>Le <em>cuckold</em> est aussi un homme tirant son plaisir de celui que sa femme éprouve, s’identifiant à elle lorsqu’elle se met à gémir et crier, partageant ses émotions. C’est aussi un homme qui met son orgueil à rude épreuve, pour le seul plaisir d’avoir –sans cesse– à reconquérir celle qu’il aime. Il met en danger son couple afin de mieux le sauver et entretient en permanence l’excitation des premiers moments, lorsqu’il n’était qu’un prétendant parmi d’autres, luttant pour obtenir la main de son élue, en compétition avec des rivaux séducteurs. Pour le <em>cuckold</em>, chaque jour est une déclaration d’amour.</p>
<p>Beaucoup de maris sont des <em>cuckold</em> sans le savoir: ils encouragent parfois leur femme à se faire particulièrement belle et marchent derrière elle à vingt pas dans la rue, pour regarder les passants qui se retournent ou qui la sifflent. Beaucoup de femmes sont aussi des <em>cuckold</em>. En anglais, on les surnomme <em>cuckqueans</em>. Elles aiment imaginer que leur compagnon flirte avec d’autres femmes, et l’encouragent parfois à aller plus loin, parce qu’il est doux de savoir qu’au final c’est vers elle qu’il reviendra. Il peut bien faire ce qu’il veut “ailleurs”. Les <em>cukqueans</em> savent qu’elles restent l’amour unique. Elles jouissent des regards envieux que leur lancent d’autres femmes. Au final, les <em>cuckold</em> ne sont-ils pas dans une position privilégiée? Ils possèdent un trésor dont les autres ne peuvent jouir qu’à mi-temps. Par un curieux retournement de rôle, ils parviennent même à rendre les amant(e)s jaloux(ses).</p>
<p><span id="more-13155"></span></p>
<p>(&#8230;)</p>
<p>Dans <em><a href="http://www.amazon.fr/LEcole-femmes-Moli%C3%A8re/dp/2290334693">L’Ecole des femmes</a></em>, Molière met en scène un homme qui se moque des cocus et finit par devenir l&#8217;équivalent d&#8217;un <em>cuckold</em>. Dans <em><a href="http://www.ciao.fr/Clef_La_Confession_impudique_La_Junichiro_Tanizaki__Avis_674486">La Confession impudique</a></em> Tanizaki décrit un couple qui redécouvre l’amour par le biais de la jalousie. L&#8217;homme écrit: «<em>Je voudrais être jaloux jusqu’à la folie</em>»… Il est prêt à offrir sa femme, le corps de sa femme, espérant par cette infidélité découvrir une nouvelle volupté, aimer par procuration. «<em>Elle pourrait aller jusqu’au point où je la soupçonnerais de franchir la limite, je désire même qu’elle aille aussi loin</em>».</p>
<p>Dans<em> <a href="http://livre.fnac.com/a2204242/Leopold-Von-Sacher-Masoch-La-Venus-a-la-fourrure">La Venus à la fourrure</a></em>, Leopold von sacher Masoch transpose sous la forme d’un roman sa propre expérience: «<em>Je m&#8217;oblige, sur ma parole d&#8217;honneur, à être l&#8217;esclave de Mme Wanda de Dunajew, tout à fait comme elle le demande, et à me soumettre sans résistance à tout ce qu&#8217;elle m&#8217;imposera</em>.» Pour que s&#8217;accomplisse pleinement son fantasme, le héros du roman se met à chercher, mais en vain, celui avec lequel Wanda le cocufierait et, en outre, le ferait battre. Sur internet, des centaines d’hommes déposent des annonces similaires: “<em>Prenez ma femme devant moi, s’il vous plait</em>”. “<em>Je suis un mari qui aime sentir que sa femme appartient à un autre</em>”. Etc.</p>
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		<title>Gozar</title>
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		<pubDate>Sun, 23 Aug 2009 23:35:03 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Luis Favre</dc:creator>
				<category><![CDATA[CULTURA]]></category>
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		<description><![CDATA[

São Paulo, domingo, 23 de agosto de 2009 




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   Gozar das leis 
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Ao repensar  a obra de  Sacher-Masoch,  Deleuze associa  o sadismo  à ironia, e o masoquismo  ao humor ante  as regras,  aceitando-as  para melhor  subvertê-las  
  VLADIMIR SAFATLE
  ESPECIAL [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<table border="0" cellpadding="0" cellspacing="0" width="530">
<tr>
<td align="RIGHT"><font size="1">São Paulo, domingo, 23 de agosto de 2009</font> <img src="http://www1.folha.uol.com.br/fsp/mais/images/mais%21.gif" hspace="10" /></td>
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<table cellpadding="0" cellspacing="0" width="500">
<tr>
<td width="100">&nbsp;</td>
<td align="right"><img src="http://www1.folha.uol.com.br/fsp/mais/images/ma%21bar.gif" width="500" /></td>
</tr>
</table>
<table height="1262" width="553">
<tr>
<td width="100">&nbsp;</td>
<td width="400">
<p align="left"><!--NOTICIA--> <!--DATA:23/08/2009--> <!--TITULO:Gozar das leis--> <font size="5"><strong>Gozar das leis </strong></font></p>
<p align="center">&nbsp;</p>
<p align="center">&nbsp;</p>
<p><strong>Ao repensar  a obra de  Sacher-Masoch,  Deleuze associa  o sadismo  à ironia, e o masoquismo  ao humor ante  as regras,  aceitando-as  para melhor  subvertê-las  </strong></p>
<p><strong>  VLADIMIR SAFATLE</strong><br />
<font size="-1">  ESPECIAL PARA A FOLHA </font></p>
<p>Sacher-Masoch: o Frio  e o Cruel&#8221;, de Gilles  Deleuze [1925-95],  poderia parecer uma  obra menor no interior de uma experiência intelectual que nos deixou livros da  envergadura de &#8220;Diferença e  Repetição&#8221;, &#8220;Mil Platôs&#8221; e &#8220;O  Anti-Édipo&#8221;, além de comentários fundamentais sobre filósofos como Hume, Nietzsche,  Spinoza, Bergson e Kant.<br />
Lançado na França como uma  grande introdução à tradução  de &#8220;A Vênus das Peles&#8221;, de  Leopold von Sacher-Masoch  [1836-95], o texto de Deleuze,  que aparece agora ao público  brasileiro, pode parecer preencher apenas duas funções.<br />
Por um lado, trata-se de reconhecer o lugar de Sacher-Masoch como grande escritor,  e não apenas como aquele que  forneceu seu nome a uma perversão (o masoquismo) graças  ao psiquiatra Richard von  Krafft-Ebing, responsável pelo  mais influente tratado de desvios sexuais do final do século  19 (&#8221;Psychophatia Sexualis&#8221;,  de 1886).<br />
Deleuze insiste na importância de sua obra, composta, em  larga medida, de contos baseados em material folclórico de  minorias que habitavam a Galícia [no Leste Europeu], como  judeus, russos, húngaros, prussianos. Da mesma forma, ele  não deixará de exaltar as qualidades literárias de &#8220;A Vênus  das Peles&#8221; e do outro volume  que compõe o ciclo &#8220;O Legado  de Caim&#8221;.</p>
<p><strong>A ironia e o humor</strong><br />
Mas Deleuze também aproveitará o comentário de Sacher-Masoch para mobilizar  um amplo aparato psicanalítico a fim de discutir a natureza  do masoquismo e a incongruência de pensar uma relação  de complementaridade com  seu oposto, criando com isso a  categoria do sadomasoquismo.<br />
Não se trataria apenas de  duas perversões distintas, mas  de duas lógicas completamente  diferentes na constituição do  objeto do desejo e na relação à  lei moral. Essas duas lógicas  são descritas por Deleuze por  meio de uma associação que se  mostrará plena de consequências. Ela consiste em afirmar  que, no interior do sadismo, encontramos uma lógica que o associa à ironia, isso enquanto o  masoquismo seria a encarnação mais evidente do humor.  A princípio, essas associações podem parecer gratuitas.<br />
No entanto, elas consistem em  dizer que uma perversão não é  simplesmente a descrição de  alguma forma de desvio em relação a um padrão de conduta  sexual socialmente partilhado.  Ela é uma maneira de distorcer  uma lei moral da qual o próprio  perverso reconhece a existência. Neste sentido, Deleuze poderá dizer que, dada uma lei  que reconhecemos, há duas  maneiras de não a seguir.<br />
A primeira é através da ironia. Deleuze pode afirmar isso  por lembrar do conceito romântico de ironia, onde este  aparece como uma posição na  qual o sujeito sempre está para  além de seus enunciados.  Enunciar uma lei de maneira  irônica significa mostrar que  seu enunciador não está lá onde seu dizer aponta. Esse recurso a um lugar transcendente seria uma maneira de evidenciar  que sigo um princípio para  além da lei que enuncio.<br />
Todo o  esforço de Deleuze no livro será  mostrar como a posição de Sade [escritor francês, 1740-1814]  em relação à lei moral pode ser  compreendida a partir desse  esquema.<br />
A segunda seria através do  humor. O humor visaria torcer  a lei por meio do aprofundamento de suas consequências.<br />
Não colocamos nenhum princípio de significação para além da lei moral. Mas os efeitos da lei são invertidos devido à possibilidade de torções nas designações: &#8220;a mais estrita aplicação da lei tem o efeito oposto a este que normalmente esperávamos (por exemplo, os golpes de chicote, longe de punir ou prevenir uma ereção, a provocam, a asseguram)&#8221;. Isto é Deleuze falando de Sacher-Masoch, este mesmo Sacher-Masoch em quem o filósofo vê uma insolência por obsequiosidade, uma revolta por submissão.</p>
<p><strong>A paródia do desejo </strong><br />
Essa maneira de torcer a lei fará Deleuze insistir em que só podemos compreender o masoquismo por meio de conceitos como a paródia. Afinal, que nome poderíamos dar ao ato de firmar um contrato onde abro mão, livremente, de minha autonomia para me tornar escravo de uma dominatrix, ato absolutamente necessário no interior do cenário masoquista?<br />
Mas, para além da descrição  de uma perversão, Deleuze age  como quem acredita que por  meio do humor, da paródia, da  passividade simulada, abre-se  uma possibilidade de desdobrar a relação com o desejo,  com a lei talvez mais próxima  de nossa situação contemporânea. Só não esperávamos nos  descobrir todos contemporâneos de Sacher-Masoch.</p>
<p><font size="-1"><strong>VLADIMIR SAFATLE</strong> é professor no departamento de filosofia da USP.</font></p>
<hr noshade="noshade" size="1" /><font size="6"><strong>A VÊNUS DAS PELES</strong></font></p>
<p align="center">&nbsp;</p>
<p><font size="-1"><strong>Autor:</strong> Leopold von Sacher-Masoch<br />
<strong>Tradução:</strong> Saulo Krieger<br />
<strong>Editora:</strong> Hedra (tel. 0/xx/11/ 3097-8304)<br />
<strong>Quanto:</strong> R$ 19 (160 págs.)</font></p>
<p align="center">&nbsp;</p>
<p align="center">&nbsp;</p>
<p><font size="6"><strong>SACHER-MASOCH &#8211; O FRIO E O  CRUEL </strong></font></p>
<p align="center">&nbsp;</p>
<p><font size="-1"><strong>Autor:</strong> Gilles Deleuze<br />
<strong>Tradução:</strong> Jorge Bastos<br />
<strong>Editora:</strong> Ed. Zahar (tel. 0/xx/21/2108-0808)<br />
<strong>Quanto:</strong> R$ 29 (136 págs.</font></td>
</tr>
</table>
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		<title>Discordar de nosso próprio desejo</title>
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		<pubDate>Thu, 20 Aug 2009 19:27:13 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Luis Favre</dc:creator>
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		<description><![CDATA[CONTARDO CALLIGARIS &#8211; FOLHA SP



 Um terapeuta deve deixar suas opiniões e crenças no vestiário do consultório, a cada dia  



EM 31 de julho, o Conselho Federal de Psicologia repreendeu a psicóloga Rozângela Alves Justino por ela oferecer uma terapia para mudar a orientação sexual de pacientes homossexuais.
Não quero discutir a &#8220;possibilidade&#8221; desse tipo [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="background-color: #ffff99"><strong><font size="+1" color="#000080">CONTARDO CALLIGARIS &#8211; FOLHA SP</font></strong></p>
<table width="451" height="90">
<tr>
<td>
<hr size="2" noshade="noshade" /> <font size="4"><strong><em>Um terapeuta deve deixar suas opiniões e crenças no vestiário do consultório, a cada dia  </em></strong></font><br />
<hr size="2" noshade="noshade" /></td>
</tr>
</table>
<p>EM 31 de julho, o Conselho Federal de Psicologia repreendeu a psicóloga Rozângela Alves Justino por ela oferecer uma terapia para mudar a orientação sexual de pacientes homossexuais.<br />
Não quero discutir a &#8220;possibilidade&#8221; desse tipo de &#8220;cura&#8221; (afinal, reprimir o desejo dos outros e o nosso  próprio é uma atividade humana  tradicional), mas me interessa dizer  por que concordo com a decisão do  Conselho.<br />
A revista &#8220;Veja&#8221; de 12 de agosto  publicou uma entrevista com Alves  Justino, na qual ela explica sua posição. No fim, a psicóloga manifesta  seu temor do complô de um &#8220;poder  nazista de controle mundial&#8221;, que  estaria querendo &#8220;criar uma nova  raça e eliminar pessoas&#8221;, graças a  políticas abortistas, propagação de  doenças sexualmente transmissíveis etc.<br />
Para ser psicoterapeuta, não é  obrigatório (talvez nem seja aconselhável) gozar de perfeita sanidade  mental. É possível, por exemplo, que  um esquizofrênico, mesmo muito  dissociado, seja um excelente psicoterapeuta (há casos ilustres). Mas  uma coisa é certa: para ser terapeuta, ser inspirado por um conjunto  organizado de ideias persecutórias é  uma franca contraindicação.<br />
Na verdade, pouco importa que as ideias em questão sejam ou não persecutórias e delirantes: de um terapeuta, espera-se que ele deixe suas opiniões e crenças (morais, religiosas, políticas) no vestiário de seu consultório, a cada manhã. Quando, por qualquer razão, isso resultar difícil ao terapeuta, e ele sentir a vontade irresistível de converter o paciente a suas ideias, o terapeuta deve desistir e encaminhar o caso para um colega. Por quê?<br />
Alves Justino, com sua aversão  por homossexualidade, sadomasoquismo e outras fantasias sexuais,  ilustra a regra que acabo de expor.  Explico.<br />
A psicóloga defende sua prática  afirmando que a psiquiatria e a psicologia admitem a existência de  uma patologia, dita &#8220;homossexualidade ego-distônica&#8221;, que significa o  seguinte: o paciente não concorda  com sua própria homossexualidade,  e essa discordância é, para ele, uma  fonte de sofrimento que poderíamos aliviar -por exemplo, conclui  Alves Justino, reprimindo a homossexualidade.<br />
De fato, atualmente, psiquiatria e  psicologia reconhecem a existência,  como patologia, da &#8220;orientação sexual ego-distônica&#8221;; nesse quadro,  alguém sofre por discordar de sua  orientação sexual no sentido mais  amplo: fantasias, escolha do sexo do  parceiro, hábitos masturbatórios  etc. Existe, em suma, um sofrimento  que consiste em discordar das formas de nosso próprio desejo sexual,  seja ele qual for (alguém pode sofrer  até por discordar de sua &#8220;normalidade&#8221;). Pois bem, nesses casos, o que é  esperado de um terapeuta?<br />
Imaginemos um nutricionista que  receba uma paciente que se queixa  de seu excesso de peso, enquanto ela  apresenta uma magreza inquietante: ela tem asco da forma de seu próprio corpo, que ela percebe como  enorme e que ela não aceita como  seu. O nutricionista não tentará  nem emagrecer nem engordar sua  paciente, pois o problema dela não é  o peso corporal, mas o fato de que  ela discorda de si mesma a ponto de  não conseguir enxergar seu corpo  como ele é.<br />
No caso da orientação sexual ego-distônica, vale o mesmo princípio: o  problema do paciente não é seu desejo sexual específico, mas o fato de  que ele não consegue concordar  com seu próprio desejo, seja ele qual  for. As razões possíveis dessa discordância são múltiplas. Por exemplo,  posso discordar de meu desejo sexual porque ele torna minha vida  impossível numa sociedade que o  reprime (moral ou judicialmente) e  cujas regras interiorizei. Ou posso  discordar de meu desejo porque ele  não corresponde a expectativas de  meus pais que se tornaram minhas  próprias. E por aí vai.<br />
Nesses casos, o terapeuta que tentar resolver o problema confiando em sua visão do mundo e propondo-se &#8220;endireitar&#8221; o desejo de quem o consulta, de fato, só agudizará o conflito (consciente ou inconsciente) do qual o paciente sofre. Ora, é esse conflito que o terapeuta deve entender e, se não resolver, amenizar, ou seja, negociar em novos termos, menos custosos para o paciente. Em outras palavras, diante da ego-distonia, o terapeuta não pode tomar partido nem pelo desejo sexual do paciente, nem pelas instâncias que discordam dele.<br />
Ou melhor, ele pode, sim, só que,  se agir assim, ele deixa de ser terapeuta e vira militante, padre ou pastor.</p>
<p><strong> <a href="mailto:ccalligari@uol.com.br">ccalligari@uol.com.br</a></strong></p>
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		<title>Amores e mudanças</title>
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		<pubDate>Thu, 25 Jun 2009 23:27:08 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Luis Favre</dc:creator>
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		<description><![CDATA[ CONTARDO CALLIGARIS





 Como esbarrar num amor que nos transforme? O filme &#8220;Tinha que Ser Você&#8221; dá uma dica preciosa



QUANDO A VIDA da gente está emperrada (o que não é raro), será que faz sentido esperar que um encontro, um  amor, uma paixão se encarreguem  de nos dar um novo rumo? Provavelmente, sim [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p> <strong><font size="+1" color="#000080">CONTARDO CALLIGARIS</font></strong></p>
<p><font size="5"><strong><br />
</strong></font></p>
<table width="471" height="112">
<tr>
<td>
<hr size="2" noshade="noshade" /> <font size="4"><strong><em>Como esbarrar num amor que nos transforme? O filme &#8220;Tinha que Ser Você&#8221; dá uma dica preciosa</em></strong></font><br />
<hr size="2" noshade="noshade" /></td>
</tr>
</table>
<p>QUANDO A VIDA da gente está emperrada (o que não é raro), será que faz sentido esperar que um encontro, um  amor, uma paixão se encarreguem  de nos dar um novo rumo? Provavelmente, sim -no mínimo, é o que  esperamos: afinal, o poder transformador do encontro amoroso faz o  charme de muitos filmes e romances.<br />
Os especialistas validam nossa esperança. Jacques Lacan, o psicanalista francês, dizia, por exemplo, que  o amor é o sinal de uma &#8220;mudança  de discurso&#8221;, ou seja, na linguagem  dele, de uma mudança substancial  na nossa relação com o mundo, com  os outros e com nós mesmos. Claro,  resta a pergunta: o que significa &#8220;sinal&#8221; nesse caso?<br />
Duas possibilidades: o amor surge  quando está na hora de a gente se  transformar ou, então, é por amor  que a gente se transforma. Não é necessário tomar partido: talvez as  duas sejam verdadeiras.<br />
Seja como for, volta e meia, alguém me pede uma receita: como  esbarrar num amor que nos transforme? A resposta trivial diz que os  encontros acontecem a cada esquina: difícil é enxergá-los e deixar que  eles nos transformem, ou seja, difícil  é ter a coragem de vivê-los. Aqui vai  um exemplo.<br />
O filme &#8220;Tinha que Ser Você&#8221;, escrito e dirigido por Joel Hopkins,  além de ser uma pequena dádiva,  oferece uma &#8220;dica&#8221; preciosa sobre as  condições que fazem que um amor  &#8220;engate&#8221;. É a história de um encontro ao qual os protagonistas tentam  dar uma chance -a chance de transformar suas vidas.<br />
Parêntese. Harvey (Dustin Hoffman) está na casa dos sessenta, e Kate (Emma Thompson) na dos cinquenta. É possível ver no filme uma parábola em prol da ideia de que nunca é tarde demais para deixar que um amor nos dê um novo rumo.<br />
O título original, &#8220;Last Chance  Harvey&#8221; (última chance Harvey),  iria nessa direção: é agora ou nunca.  Pode ser, mas talvez toda chance  que a vida nos dá seja mesmo a  nossa última.<br />
Fora isso, o filme começa nos  mostrando que a vida de Harvey é  tão emperrada quanto a de Kate. Em  ambos, há uma certa decepção por  não conseguir (ou não ter conseguido) aventurar-se a viver seus sonhos  -ser pianista de jazz para Harvey, e  romancista para Kate. Os dois estão  sozinhos e conformados com uma  certa mediocridade afetiva: Kate se  encaminha para ser a filha que cuidará para sempre da velha mãe, e  Harvey já desistiu de ser o pai da filha de quem ele se distanciou, muitos anos antes, no divórcio que o separou da mãe dela.<br />
Em suma, Harvey e Kate estão  precisando de uma mudança.<br />
Por que o encontro de Harvey e Kate teria mais sucesso do que os encontros às escuras que Kate se permite, de vez em quando? Por que eles não balbuciariam apenas a estupidez inibida que é habitual nesses casos? Simples, mas crucial: a conversa deles começa com uma sinceridade quase cínica. A &#8220;cantada&#8221; inicial de Harvey é o oposto do fazer de conta que é a regra das relações sociais, pois Harvey se apresenta confessando o fracasso de sua vida.<br />
Logo, Harvey e Kate passeiam por  Londres discorrendo e se conhecendo. Os espectadores descobrirão se  eles saberão dar uma chance ao encontro ou, então, voltarão cada um  para seu &#8220;conforto&#8221;.<br />
O passeio pela cidade evoca dois  filmes de Richard Linklater, que estão entre meus preferidos, &#8220;Antes  do Amanhecer&#8221;, de 1995, e &#8220;Antes do  Pôr-do-sol&#8221;, de 2004.<br />
No primeiro, Jesse (Ethan Hawke) e Celine (Julie Delpy) encontram-se, passam um dia nas ruas de  Viena e, enfim, separam-se. No segundo, eles se encontram de novo,  em Paris, nove anos depois, e, também passeando, imaginam, de alguma forma, a outra vida que poderia  ter sido a deles se, no fim daquele dia  em Viena, eles tivessem apostado no  futuro de seu encontro.<br />
Aqui, uma recomendação prosaica que emana dos três filmes: se você procura um grande encontro amoroso, sempre use calçados confortáveis, porque nunca se sabe por quantos quilômetros se estenderão suas deambulações amorosas.<br />
Brincadeira à parte, os filmes de  Linklater talvez sejam mais tocantes -entre outras coisas, porque  eles conferem uma beleza melancólica a uma desistência que é muito  parecida com as renúncias às quais  nos resignamos a cada dia. Mas o filme de Hopkins, &#8220;Tinha que Ser Você&#8221;, é mais generoso, porque ele nos  deixa com uma sugestão: o diálogo  que leva ao amor, que dá a cada um a  vontade de se arriscar, não surge da  sedução e do charme, mas da coragem de nos apresentarmos por nossas falhas, feridas e perdas.</p>
<p><strong><a href="mailto:ccalligari@uol.com.br">ccalligari@uol.com.br</a></strong><br />
<strong><br />
</strong></p>
<div align="center"><strong> Trailer &#8220;Tinha que Ser Você&#8221;</strong></div>
<div style="text-align: center"><object classid="clsid:d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000" codebase="http://download.macromedia.com/pub/shockwave/cabs/flash/swflash.cab#version=6,0,40,0" width="500" height="405"><param name="height" value="405" /><param name="width" value="500" /><param name="allowfullscreen" value="true" /><param name="allowscriptaccess" value="always" /><param name="src" value="http://www.youtube.com/v/OoBCHnzl8Gw&amp;hl=pt-br&amp;fs=1&amp;rel=0&amp;color1=0x5d1719&amp;color2=0xcd311b&amp;border=1" /><embed type="application/x-shockwave-flash" height="405" width="500" allowfullscreen="true" allowscriptaccess="always" src="http://www.youtube.com/v/OoBCHnzl8Gw&amp;hl=pt-br&amp;fs=1&amp;rel=0&amp;color1=0x5d1719&amp;color2=0xcd311b&amp;border=1"></embed></object></div>
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		<title>Lembranças traumáticas</title>
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		<pubDate>Thu, 16 Apr 2009 20:59:42 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Luis Favre</dc:creator>
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		<description><![CDATA[ CONTARDO CALLIGARIS

Trauma não é uma lembrança muito forte; é um evento lembrado de forma insuficiente 
O &#8220;NEW York Times&#8221; de 6 de abril passado publicou um artigo de capa sobre pesquisas recentes graças às quais, um dia, será possível &#8220;editar memórias indesejáveis&#8221; (por exemplo, Heida, Englot, Sacktor e outros, &#8220;Neuroscience Letters&#8221;, vol. 453, nº 5).
Apesar [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p> <strong><font size="+1" color="#000080">CONTARDO CALLIGARIS</font></strong></p>
<p><a href='http://blogdofavre.ig.com.br/2009/04/lembrancas-traumaticas/10812/' rel='attachment wp-att-10812' title='folha_ilustrada.gif'><img src='http://blogdofavre.ig.com.br/wp-content/uploads/2009/04/folha_ilustrada.gif' alt='folha_ilustrada.gif' /></a></p>
<p><strong><font size="4">Trauma não é uma lembrança muito forte; é um evento lembrado de forma insuficiente </font></strong></p>
<p>O &#8220;NEW York Times&#8221; de 6 de abril passado publicou um artigo de capa sobre pesquisas recentes graças às quais, um dia, será possível &#8220;editar memórias indesejáveis&#8221; (por exemplo, Heida, Englot, Sacktor e outros, &#8220;Neuroscience Letters&#8221;, vol. 453, nº 5).<br />
Apesar dos progressos da neurociência, estamos longe de entender exatamente o que é a memória. Simplificando, uma lembrança parece depender de substâncias que constroem pontes entre células do cérebro, pontes silenciosas, mas que podem ser imediatamente solicitadas caso um evento venha a ativar uma das células. Por exemplo, se você for Proust, quando der uma dentada numa madeleine, você não vai apenas saber que já comeu uma madeleine no passado: o gosto do docinho vai circular por inúmeras pontes e despertar todas as células relacionadas com as experiências de sua infância em Combray.<br />
Até aqui, pensava-se que uma centena de moléculas estivesse envolvida na construção dessas pontes entre células.<br />
A nova pesquisa encontrou uma substância, a proteína PMKzeta, cujas moléculas, mais do que outras, constituem e fortalecem as ditas pontes que, uma vez ativadas, produziriam uma lembrança. A pesquisa operou assim: escolheu ratos que tinham aprendido (de maneira permanente) a evitar pequenos choques elétricos no chão. Logo, injetou, no próprio lugar da dita memória, uma droga, chamada ZIP, que inibe a PMKzeta. E eis que os ratos voltaram à estaca zero: agiam como se não conhecessem o terreno.<br />
Em tese, se a coisa funcionar nos humanos, deveria ser possível consolidar as lembranças injetando no cérebro PMKzeta (ou estimulando sua produção). Imagine as aplicações possíveis na demência senil ou, simplesmente, no envelhecimento (sem contar que todos começariam a querer injeções de PMKzeta para melhorar a memória deles e a de seus filhos). Até aqui, tudo bem.<br />
O problema está na outra aplicação possível da pesquisa. O articulista do &#8220;Times&#8221; se entusiasmava com a ideia de que, um dia, com injeções cerebrais de ZIP, poderíamos produzir o esquecimento das lembranças desagradáveis ou traumáticas -claro, se a gente dominar o processo com precisão (para esquecer uma briga de casal, você não quer, ao mesmo tempo, perder a lembrança de seu primeiro beijo). Essa atitude do articulista talvez seja (perigosamente) compartilhada por parte da comunidade científica; ela se funda na ideia de que um trauma seria uma lembrança que nos estorva por ser, ao mesmo tempo, excessiva e desnecessária. Vistas do consultório de um psicoterapeuta, as coisas não estão bem assim.<br />
Primeiro, a ideia de que a lembrança do trauma seria desnecessária e descartável é problemática. Se você foi estuprado na infância, é provável que você tenha construído sua vida inteira ao redor da lembrança dessa violência sofrida. Imaginemos, por exemplo, que, desde então, a figura que dá sentido à sua vida seja a da vítima: suprimir essa lembrança com uma injeção significaria suprimir um dos alicerces de sua personalidade e de sua existência. O que sobrará de você sem aquela lembrança traumática?<br />
Outro problema. Tudo indica que um trauma não é uma lembrança nociva por ser forte demais; ao contrário, em geral, ele é um evento mal lembrado ou lembrado de maneira insuficiente. Mesmo caso: você foi estuprada quando criança; em muitos casos, essa experiência é traumática porque é lembrada SÓ como uma violência penosa que você sofreu. Você não memorizou, por exemplo, sua satisfação em se sentir objeto da atenção de um adulto ou mesmo sua descoberta culpada de emoções e sensações que lhe eram, até então, desconhecidas. O fato de reativar essas lembranças não desculpa o adulto estuprador, mas, para você que sofreu a violência, o sentido da experiência passada muda bastante; talvez não lhe seja mais necessário se conceber para sempre como vítima da vida.<br />
Em suma, a solução do trauma não consiste em apagá-lo, mas, ao contrário, em lembrá-lo melhor. Se quiséssemos usar a técnica da pesquisa citada, eu sugeriria, no lugar onde o trauma está registrado, injeções de PMKzeta para ajudar a memória, não de ZIP para apagá-la.<br />
O tempo das injeções cerebrais nos prontos-socorros ainda está longe. Mas não é cedo para notar que a cura das experiências penosas de nossa vida não está no esquecimento, mas no esforço para se lembrar delas em toda sua incômoda complexidade.</p>
<p><strong>ccalligari@uol.com.br</strong></p>
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		<title>Estudo sugere forma de controlar aversão à perda</title>
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		<pubDate>Sun, 29 Mar 2009 18:51:26 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Luis Favre</dc:creator>
				<category><![CDATA[CIÊNCIA]]></category>
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		<description><![CDATA[ Tendência de humano a ser mau perdedor é inata, mas pode ser mudada, diz grupo
Experimento conduzido por grupo da Universidade de Nova York reproduz reação de operadores da Bolsa para mudar percepção
RICARDO BONALUME NETO &#8211; FOLHA SP
DA REPORTAGEM LOCAL
O ser humano é um mau perdedor nato, que tende a dar mais peso a uma [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p> <strong>Tendência de humano a ser mau perdedor é inata, mas pode ser mudada, diz grupo</strong></p>
<p><strong>Experimento conduzido por grupo da Universidade de Nova York reproduz reação de operadores da Bolsa para mudar percepção</strong></p>
<p style="background-color: #ffff99">RICARDO BONALUME NETO &#8211; FOLHA SP</p>
<p>DA REPORTAGEM LOCAL</p>
<p>O ser humano é um mau perdedor nato, que tende a dar mais peso a uma derrota do que a uma vitória. Mas uma pesquisa combinando psicologia com economia comportamental mostrou que é possível regular essa &#8220;aversão à perda&#8221;. O truque é tentar agir como se você fosse um operador da Bolsa ou um jogador profissional.</p>
<p>O conceito de &#8220;aversão à perda&#8221; foi proposto em 1979 pelos psicólogos Amos Tversky e Daniel Kahneman. Trata-se da preferência das pessoas a evitar perdas do que obter ganhos. O israelense Kahneman ganhou o Nobel de Economia de 2002 pelos seus trabalhos na área.</p>
<p>A aversão à perda é uma questão de percepção. Por exemplo, uma decisão poderá levar à perda de R$ 300,00. Há duas escolhas de investimento para diminuir o prejuízo. No primeiro caso, você perde R$ 150,00; no segundo, você não perde nada com 1/3 de probabilidade ou perde tudo com 2/3 de probabilidade. A maioria das pessoas escolhe a segunda opção, pois a certeza de perder R$ 150,00 é considerada pior do que a chance provável de perder todo o dinheiro.</p>
<p>&#8220;Nós podemos mudar a maneira como decidimos, e embora ainda possamos ser sensíveis a perdas, nós podemos nos tornar menos sensíveis&#8221;, concluíram os autores do novo estudo, liderado pela psicóloga Elizabeth A. Phelps, da Universidade de Nova York, e publicado na revista &#8220;PNAS&#8221;.<br />
Phelps e colegas lembram que a emoção desempenha um papel no processo de tomada de decisões. Por exemplo, um estudo sobe consumo de bebidas mostrou que a apresentação subliminar de carinhas sorridentes alterou a avaliação das pessoas sobre as bebidas, mas também a quantidade que elas ingeriam e mesmo o total de dinheiro que elas estavam dispostas a pagar pelo drinque.</p>
<p>O grupo de Phelps usou voluntários num experimento no qual os participantes tinham que fazer escolhas monetárias entre uma aposta binária -com chance de ganho ou perda- e um valor garantido. Eles recebiam no começo US$ 30,00 e tinham que tomar decisões de investimento que poderiam ou fazê-los perder todo o dinheiro, ou chegar a ganhar até US$ 572,00. Em parte dos experimentos eles tiveram a condutividade elétrica da pele medida, indicando atividade do sistema nervoso como prova de excitação emotiva.</p>
<p>Os voluntários foram instruídos a usar duas estratégias. Eles deviam enfatizar cada escolha &#8220;como se fosse a única&#8221;; e depois foram instruídos a usar uma estratégia de regulação, enfatizando as escolhas como parte de um contexto maior.</p>
<p>No primeiro caso, entre 30 participantes, 14 demonstraram aversão à perda, 9 procuravam ganhos, e 7 tiveram um comportamento neutro. A condutividade da pele era maior no caso das perdas.</p>
<p>Mas, ao começarem a agir como investidores reais, colocando as perdas em um contexto de um portfólio de investimentos, a aversão à perda diminuiu em 26 dos 30 participantes.</p>
<p>A &#8220;aversão a perdas&#8221; não seria um mero fenômeno cultural, mas teria uma base neurobiológica. Um estudo em 2005 demonstrou que não só os macacos-prego entendiam o conceito de comércio como demonstravam a aversão.</p>
<p>&#8220;Nós demonstramos que a teoria-padrão dos preços faz um bom trabalho em descrever o comportamento de compra dos macacos-prego&#8221;, escreveram então os pesquisadores liderados por M. Keith Chen, da Universidade Yale. Mas os macacos foram ainda mais &#8220;humanos&#8221; quando tinham de enfrentar uma situação de aposta. Reagiram demonstrando aversão a perder. &#8220;Esses resultados sugerem que a aversão à perda se estende além do ser humano e pode ser inata&#8221;, dizem eles.</p>
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		<title>Solidão pode ser tão nociva quanto o cigarro, diz especialista</title>
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		<pubDate>Tue, 17 Feb 2009 23:25:09 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Luis Favre</dc:creator>
				<category><![CDATA[CIÊNCIA]]></category>
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		<description><![CDATA[ Estudos concluem que isolamento social afeta comportamento e função cerebral.

BBC &#8211; Agencia Estado
 &#8211; O isolamento social prejudica a saúde e pode ser tão nocivo quanto fumar, de acordo com o pesquisador John Cacioppo, professor de psicologia da Universidade de Chicago e um dos mais renomados pesquisadores sobre solidão dos Estados Unidos.
Um novo estudo [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p> <strong>Estudos concluem que isolamento social afeta comportamento e função cerebral.</strong></p>
<div style="text-align: center"><img src="http://inacabamento.files.wordpress.com/2008/04/solidao_2.jpg" style="cursor: -moz-zoom-out" alt="http://inacabamento.files.wordpress.com/2008/04/solidao_2.jpg" width="554" height="430" /></div>
<p style="background-color: #ffff99"><strong>BBC &#8211; Agencia Estado</strong></p>
<p> &#8211; O isolamento social prejudica a saúde e pode ser tão nocivo quanto fumar, de acordo com o pesquisador John Cacioppo, professor de psicologia da Universidade de Chicago e um dos mais renomados pesquisadores sobre solidão dos Estados Unidos.</p>
<p>Um novo estudo realizado por Cacioppo e outros pesquisadores da Universidade de Chicago indica que a solidão afeta o comportamento das pessoas e a forma como seus cérebros funcionam.</p>
<p>A pesquisa, apresentada durante a conferência anual da American Association for the Advancement of Science (AAAS), utilizou exames de ressonância magnética (fMRI) para estudar as conexões entre isolamento social e atividade cerebral.</p>
<p>Os especialistas verificaram que, em pessoas mais sociáveis, uma região do cérebro conhecida como estriato ventral ficou muito mais ativa quando elas observavam imagens de pessoas em situações agradáveis. O mesmo não ocorreu nos cérebros de pessoas solitárias.</p>
<p>O estriato ventral, crucial para o aprendizado, é uma região importante do cérebro, ativada por estímulos que os especialistas chamam de recompensas primárias (como a comida) e recompensas secundárias (como o dinheiro). A convivência social e o amor também podem ativar a região.</p>
<p>Os especialistas também verificaram que uma outra região do cérebro, associada à capacidade de empatia com o próximo, ficou muito menos ativa entre os solitários do que nos mais sociáveis quando observavam imagens de pessoas em situações desagradáveis.</p>
<p>&#8220;Devido aos sentimentos de isolamento social, indivíduos solitários podem ser levados a buscar um certo conforto em prazeres não sociais&#8221;, disse Cacioppo. O professor cita como exemplos comer ou beber demais.</p>
<p>De acordo com reportagem sobre o estudo publicada pelo jornal britânico Daily Telegraph</p>
<p>, a solidão prejudica a imunidade, provoca depressão, aumenta o estresse e a pressão sanguínea e também aumenta as chances de uma pessoa desenvolver o Mal de Alzheimer.</p>
<p>Indivíduos solitários tendem a ter menos motivação e menos perseverança, o que dificulta a adoção de dietas mais saudáveis e a prática de exercícios. Segundo Cacioppo, um em cada cinco americanos sente solidão.</p>
<p>O especialista é um entre cinco autores de um artigo publicado na edição mais recente da revista científica Journal of Cognitive Neuroscience</p>
<p>.</p>
<p>Como parte do estudo, 23 estudantes do sexo feminino foram testadas para determinar quão solitárias elas eram.</p>
<p>Depois, enquanto seus cérebros eram monitorados com exames de ressonância magnética, as participantes observaram imagens de situações desagradáveis (como conflitos humanos) e de situações agradáveis (pessoas felizes).</p>
<p>Entre as voluntárias classificadas como solitárias, verificou-se uma menor probabilidade de atividade intensa no estriato ventral quando elas observavam pessoas se divertindo.</p>
<p>Embora a solidão possa influenciar a atividade cerebral, a pesquisa também sugere uma relação inversa, ou seja, que a atividade no estriato ventral pode levar a sentimentos de solidão, segundo o pesquisador Jean Decety, outro autor do estudo.</p>
<p>&#8220;O estudo levanta a possibilidade intrigante de que a solidão pode ser o resultado de uma redução na atividade associada à recompensa no estriato em resposta a estímulos sociais&#8221;, disse Decety.</p>
<p>Ao tentar explicar ao jornal Daily Telegraph</p>
<p>as razões por trás de um mecanismo como esse nos seres humanos, Cacioppo mencionou as teorias do biólogo britânico Charles Darwin: a necessidade de conexão com o outro teria suas raízes na evolução da espécie.</p>
<p>Para sobreviver e criar seus filhos, humanos tiveram de se unir, diz o pesquisador. Altruísmo e cooperação ao longo da evolução humana permitiram que a espécie florecesse.</p>
<p>A solidão, como a dor física, teria evoluído nos humanos de forma a produzir uma mudança no comportamento. Esse mecanismo, de acordo com Cacioppo, sinaliza a necessidade ancestral do homem de se agregar socialmente.</p>
<p align="center"><em><strong>SOLITUDE &#8211; Billie Holiday</strong></em></p>
<div style="text-align: center"><object classid="clsid:d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000" codebase="http://download.macromedia.com/pub/shockwave/cabs/flash/swflash.cab#version=6,0,40,0" width="500" height="405"><param name="height" value="405" /><param name="width" value="500" /><param name="allowfullscreen" value="true" /><param name="allowscriptaccess" value="always" /><param name="src" value="http://www.youtube.com/v/z4eXV1FYNc4&amp;hl=pt-br&amp;fs=1&amp;rel=0&amp;color1=0x5d1719&amp;color2=0xcd311b&amp;border=1" /><embed type="application/x-shockwave-flash" height="405" width="500" allowfullscreen="true" allowscriptaccess="always" src="http://www.youtube.com/v/z4eXV1FYNc4&amp;hl=pt-br&amp;fs=1&amp;rel=0&amp;color1=0x5d1719&amp;color2=0xcd311b&amp;border=1"></embed></object></div>
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