20/07/2009 - 12:51h RS: Tarso Genro é escolhido candidato por unanimidade

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Sérgio Bueno, de Porto Alegre – VALOR

Aclamado pré-candidato ao governo do Rio Grande do Sul depois de receber o apoio dos dois adversários no encontro estadual do PT, ontem, o ministro da Justiça, Tarso Genro, ofereceu a vaga de vice ao PDT. Os petistas gaúchos também decidiram buscar a adesão do PSB e do PCdoB para recompor a chamada Frente Popular, e sepultaram de vez as esperanças da direção nacional do partido de incluir o Estado na troca de apoios com o PMDB em favor da candidatura da ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, à Presidência da República.

Para o ministro, a decisão não atrapalha os planos do PT nacional para Dilma porque o PMDB é “muito irregular” no país e em regiões como o Rio Grande do Sul é o “principal adversário” do partido. Além disso, os pemedebistas constituem o “cerne” do governo de Yeda Crusius (PSDB) e no Estado “sempre fizeram coalizões de direita” contra os petistas, explicou. Segundo ele, Dilma terá dois palanques no Estado e não há “objeção” a “qualquer partido” que queira aderir à sua candidatura.

Quando questionado se a defesa do senador José Sarney, do PMDB não poderia desgastar a candidatura da ministra, Genro afirmou que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva tem feito um “esforço” para garantir a “estabilidade” necessária à instituição. “Isso não significa solidariedade dele com qualquer erro que alguém tenha cometido”, disse. “Pelo contrário, a Polícia Federal está trabalhando junto com o Ministério Público e a luta contra a corrupção vai continuar, eu permanecendo ou não no ministério”, disse. Ele não fixou prazo para deixar o comando da pasta, mas disse que em 30 dias Lula deve “dar orientação” a respeito.

Genro também evitou comentar a crise que envolve o governo do Estado em diversas denúncias de corrupção, inclusive de uso de recursos de caixa 2 na campanha de 2006 em benefício pessoal da governadora, porque, na condição de ministro, mantém “relações institucionais” com o Executivo gaúcho. “Só vou fazer quando estiver oficializado como candidato”, afirmou. “Não devemos criar polêmicas que atrapalhem os programas federais aqui”.

Genro iniciou a disputa pela indicação do partido com o apoio de correntes como a Democracia Socialista, Esquerda Democrática e PT Amplo. A expectativa dele era vencer com mais de 70% dos votos, mas ontem seus dois adversários, o deputado estadual Adão Villaverde, do grupo Construindo um Novo Brasil, e o prefeito de São Leopoldo, Ary Vanazzi, da Articulação de Esquerda, decidiram apoiar o ministro.

08/05/2009 - 19:38h PT congela pré-candidaturas a governos estaduais para não prejudicar alianças pró-Dilma

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GABRIELA GUERREIRO da Folha Online, em Brasília

O Diretório Nacional do PT decidiu nesta sexta-feira restringir os movimentos pré-eleitorais do partido nos Estados para evitar prejuízos à candidatura da ministra Dilma Rousseff (Casa Civil) ao Palácio do Planalto. A cúpula petista proibiu o lançamento de pré-candidaturas aos governos estaduais até fevereiro de 2010 –quando será realizado congresso nacional do PT para oficializar o nome de Dilma como candidata do partido.

Resolução editada pelo Diretório Nacional do PT afirma que a “tática [do partido] será orientada para a vitória presidencial, submetendo a ela todos os processos estaduais”. Na prática, a decisão do diretório impede a realização de prévias ou outros movimentos nos Estados.

O presidente do PT, Ricardo Berzoini, disse que só vão estar autorizadas pré-candidaturas nos Estados onde houver consenso com os demais partidos da base aliada governista. “Nós só autorizaremos processos estaduais de escolha pelo voto, ou seja, prévias, encontros, qualquer processo onde haja votação, a partir do congresso nacional do PT. Por enquanto, iniciativas de articulação política estão autorizadas, mas se tiver mais do que uma candidatura que não tiver consenso, tem que ser obviamente deflagrado o processo após o congresso nacional do partido”, disse.

O documento também prevê que todas as decisões do partido nos Estados sejam submetidas à Executiva Nacional do PT –que vai dar a palavra final sobre alianças. O partido teme que eventuais coligações firmadas com partidos, como o PMDB, possam trazer prejuízos à candidatura de Dilma.

“A prioridade nossa é nacional, estamos abertos a discutir os processos em todos os Estados”, disse Berzoini. Segundo o presidente do PT, o partido “não quer um ambiente de insatisfação, mas o diretório nacional ter a capacidade de preservar o processo nacionalmente” na disputa pela presidência da República.

“O PT não vai ceder de mais ou de menos. O PT quer ganhar a eleição, crescer nos Estados. Não é só aliança com o PMDB, queremos fazer com o PSB, com o PC do B, com o PR, com o PP, com todos os partidos. Não é problema do PMDB. Mas a nossa preocupação não é criar situações para uniões com partidos aliados.”

Tarso

O ministro Tarso Genro (Justiça), por exemplo, já havia sinalizado a disposição de se lançar candidato ao governo do Rio Grande do Sul –embora o PMDB no Estado também esteja disposto a lançar José Fogaça na disputa.

O PT estadual há havia agendado a realização de prévias em agosto para a definição do candidato da legenda no Rio Grande do Sul, mas Berzoini disse que elas ficam automaticamente canceladas após a resolução do partido.

“Obviamente, o diretório do PT do Rio Grande do Sul terá que se reunir para adaptar sua estratégia a essa resolução. Não estão autorizados [a realizar prévias]“, afirmou.

O deputado Geraldo Magela (PT-DF), que pretende disputar o governo do Distrito Federal, disse que a ordem foi clara para que cada Estado esteja subordinado ao comando da legenda. “Eu submeto os meus desejos, sonhos e angústias ao projeto de ganhar as eleições presidenciais. Acho que isso deveria ser uma posição de todos, inclusive do ministro da Justiça”, afirmou Magela.

06/05/2009 - 10:59h Aliança reabre rixa entre Genro e Dirceu

Sérgio Bueno, de Porto Alegre – VALOR

Sérgio Lima/Folha Imagem – 28/4/2009
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Tarso Genro: petistas alinhados à corrente de Berzoini e Dirceu defendem a candidatura própria do PT gaúcho

A decisão do PT gaúcho de definir o candidato ao governo do Rio Grande do Sul já em julho, antes do congresso nacional do partido que, em fevereiro do ano que vem, vai oficializar a política de alianças em torno da candidatura da ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, à Presidência da República, colocou novamente em confronto dois velhos adversários petistas: o ministro da Justiça, Tarso Genro, e o ex-ministro da Casa Civil José Dirceu, que já haviam medido forças durante o escândalo do mensalão, em 2005.

Agora a briga envolve uma eventual aliança com o PMDB no Estado, algo impensável para a maior parte dos petistas gaúchos devido à rivalidade local histórica entre os dois partidos. A polêmica começou quando o presidente nacional do PT, Ricardo Berzoini, da corrente Construindo um Novo Brasil, a mesma de Dirceu, criticou o calendário estabelecido pelo diretório estadual. Segundo o dirigente, a decisão do partido no Rio Grande do Sul é informal e a definição de nomes deverá se subordinar à estratégia nacional de alianças, que é “prioridade” para o PT.

A declaração, dada ao jornal gaúcho “Zero Hora” na semana passada, foi entendida como um recado para os petistas gaúchos apoiarem um candidato do PMDB no Estado em troca do apoio dos pemedebistas à candidatura de Dilma ao Planalto. Genro, um dos três pré-candidatos do PT ao governo gaúcho, logo reagiu e disse em entrevista ao mesmo jornal que a manifestação de Berzoini foi “infeliz” porque desconsiderava a polarização local com o PMDB e “o fato de termos um partido programático, politizado e ético”.

Genro chegou a exigir um pedido de desculpas públicas de Berzoini, mas ontem foi a vez de Dirceu entrar na briga em defesa do presidente nacional da sigla. Em sua página na internet, ele negou participar de qualquer “manobra” da cúpula nacional para interferir na decisão do diretório gaúcho e disse que o ministro da Justiça tratou as divergências internas “de forma desrespeitosa”, mas deixou bem clara sua posição.

“Defendo, sim, o diálogo com o PMDB, com os outros aliados, e a abertura para alianças no Estado, sem pré-condições e sem ilusões. Se dialogamos com o PTB e o PDT, com o PP, inclusive, e fazemos alianças nos municípios, por que não dialogar com o PMDB, nosso principal aliado em nível nacional?”, escreveu. Segundo ele, todos os Estados, “inclusive o Rio Grande do Sul”, deverão aguardar a acatar a “tática” eleitoral que será definida pelo diretório nacional.

Em 2005, Genro assumiu interinamente a presidência nacional do PT e, para disputar a eleição para permanecer no cargo, exigiu a saída de Dirceu, da chapa do então Campo Majoritário (hoje Construindo um Novo Brasil), devido ao envolvimento dele com a crise do mensalão. O ex-ministro, que havia deixado a Casa Civil em junho para retornar à Câmara dos Deputados (onde foi cassado em dezembro em função do escândalo) negou-se a atender e ganhou a queda-de-braço contra Genro, que desistiu da disputa.

Mas agora Genro não está sozinho. O próprio deputado estadual Adão Villaverde, pré-candidato pela mesma corrente de Berzoini e Dirceu, afirmou ontem que “é muito difícil” uma coalizão com o PMDB no Estado. “O PMDB participa do núcleo do governo tucano de Yeda Crusius”, afirmou o parlamentar. “Tudo indica que aqui a saída será ter dois palanques para a ministra Dilma”.

O pré-candidato da corrente Articulação de Esquerda, Ary Vanazzi, disse que o PT “não pode abrir mão” da candidatura própria ao governo do Estado, até para reacender a militância e fortalecer a ministra Dilma na disputa pela Presidência. “O PMDB daqui nunca foi aliado do presidente Lula”, afirmou. De acordo com ele, é “irreal” se pensar em qualquer tipo de apoio do PT ao PMDB no Rio Grande do Sul.

Genro não quis comentar o assunto ontem. Um dos articuladores da pré-candidatura do ministro da Justiça, o ex-prefeito de Bagé, Luis Fernando Mainardi, porém, disse que o PT gaúcho vive uma situação “surreal”, com seu principal nome para 2010, que lidera as pesquisas de intenção de voto, instado pelo presidente nacional do partido a abrir mão da disputa em favor do PMDB. “Os dois partidos sempre estiveram em polos opostos da política no Estado”, comentou.

Para Mainardi, que não vê problemas na existência de dois palanques para Dilma no Estado em 2010, só quem está “absolutamente” alheio ao contexto local pode imaginar uma aliança entre o PT e o PMDB no Rio Grande do Sul. “Não existe nenhuma possibilidade de o PT apoiar o PMDB aqui”, reforçou o secretário geral do partido, Carlos Pestana, da corrente Democracia Socialista, que tem cerca de 24% das cadeiras no diretório estadual e já declarou apoio a Genro. Segundo ele, as tendências Rumo Socialista (17% do diretório), PT Amplo (10%) e Esquerda Democrática (8%) também apoiam o ministro da Justiça.

05/05/2009 - 11:05h PT: sucessão no RS põe Tarso e Berzoini em conflito

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Clarissa Oliveira – O Estado SP

Os preparativos para a corrida eleitoral de 2010 no Rio Grande do Sul abriram no último fim de semana uma crise pública entre o presidente nacional do PT, deputado Ricardo Berzoini (SP), e o ministro da Justiça, Tarso Genro (RS). O conflito começou após Berzoini afirmar, em entrevista ao jornal Zero Hora, que considera “prematuras” decisões sobre candidaturas nos Estados ainda este ano.

link Confira a íntegra da entrevista

A declaração foi feita em referência ao fato de Tarso ter registrado oficialmente no PT sua pré-candidatura ao governo gaúcho, no final do mês passado. Um dia após tomar conhecimento das declarações do presidente do PT, Tarso veio a público para cobrar um pedido de desculpas. “As declarações são constrangedoras e ofendem todo o partido no Estado”, declarou o ministro,ao mesmo jornal.

Ontem, em entrevista à TV Estadão, Berzoini não aceitou a cobrança. Questionado se acredita que deve desculpas a Tarso, rebateu: “Temos de trabalhar com tranquilidade. Esse tipo de debate público não interessa ao PT nem ao ministro.”

Ainda assim, ele reafirmou as declarações do fim de semana. Disse que a prioridade no partido é o calendário para a eleição presidencial de 2010, que prevê definições como a política de alianças nacional. “Qualquer decisão antes disso, seja sobre política de alianças ou sobre candidaturas, é uma decisão provisória”.

Berzoini: Tarso deve respeitar prazos para candidatura


TV Estadão | 4.5.2009

O presidente do PT, Ricardo Berzoini, rebate críticas do ministro da Justiça Tarso Genro, que havia anunciado a pré-candidatura ao governo gaúcho. Berzoini disse que anúncio era “prematuro”

06/02/2009 - 11:35h MST: nota de pesar por morte de Adão Pretto


O Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) manifesta publicamente seu pesar pelo falecimento do companheiro deputado federal Adão Pretto, soma-se e se solidariza com a família neste momento de perda para a sociedade brasileira.

Desde o início de sua militância social nas Comunidades Eclesiais de Base e no Sindicalismo Rural, Adão Pretto caracterizou-se pela defesa intransigente da reforma agrária, tendo papel destacado na articulação das famílias de trabalhadores sem terras e de apoiadores desde as primeiras ocupações de terra no Rio Grande do Sul, ainda durante o Regime Militar. Esteve presente na organização e fundação do MST, do Partido dos Trabalhadores e do Departamento Rural da Central Única dos Trabalhadores.

No Congresso Nacional, denunciou e combateu as ações da bancada ruralista, e tornou-se um dos pilares do Núcleo Agrário do Partidos dos Trabalhadores. Apresentou Projetos de Lei que buscavam acelerar o processo de reforma agrária, permitir o acesso à educação para os camponeses e melhorar a qualidade de vida no campo. No último ano, esteve empenhado em denunciar a alteração da faixa de fronteira para beneficiar a instalação de empresas transnacionais da celulose no Rio Grande do Sul.

Mais que um parlamentar, Adão sempre foi um camponês, com seu jeito simples, honesto e contundente, mas acima de tudo um lutador. Sempre presente nas lutas dos movimentos sociais, sempre levando as reivindicações e bandeiras populares para o parlamento, denunciando a criminalização e a repressão da luta do povo.

No ano em que completamos 25 anos, perdemos um de nossos fundadores e um de nossos mais valorosos companheiros. Em sua homenagem, seguiremos fazendo aquilo que Adão Pretto sempre fez em vida: lutar sempre.

20/08/2008 - 09:34h Lula decide criar nova estatal para pré-sal

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Embora formato da exploração ainda esteja indefinido, presidente diz que é preciso uma empresa “que só cuide disso’

Governo mostra ainda preocupação com impacto na inflação da receita obtida com os megacampos de petróleo da região

KENNEDY ALENCAR _ FOLHA DE SÃO PAULO

DA SUCURSAL DE BRASÍLIA

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse ontem em reunião à tarde com presidentes e líderes de partidos aliados, que criará uma nova estatal para cuidar apenas das reservas de petróleo da camada do pré-sal que ainda não foram leiloadas.

Lula disse que já decidiu que “é preciso uma empresa que só cuide disso”, segundo relatos obtidos pela Folha.

O presidente afirmou que vai usar os recursos da extração futura do petróleo do pré-sal para “eliminar a miséria”, “aplicar em educação” e “beneficiar o povo”, sempre de acordo com relatos dos que estiveram na reunião. Não foi discutido como isso seria feito.

De manhã, numa reunião só de ministros no Planalto, sem Lula, o principal ponto debatido foi como aplicar internamente os recursos futuros do pré-sal sem gerar inflação.

A reunião dos ministros do grupo de estudo do pré-sal discutiu os chamados fundos soberanos criados por países com grandes reservas de petróleo. Um desses ministros disse à Folha que não é simples injetar internamente os recursos do pré-sal, pois haveria risco de “gerar confusão na economia”. Ou seja, aquecer demais alguns setores e gerar inflação.

Daí, disse esse ministro, o governo debater um modelo que preveja a manutenção de boa parte dos recursos do pré-sal em reservas no exterior. O ingresso desse capital no país para as “reparações históricas” que Lula diz pretender fazer seria feito de forma a impedir desequilíbrios macroeconômicos.

Resumo da ópera: enquanto Lula já decidiu politicamente criar a estatal e usar o grosso dos recursos na área social, seus auxiliares debatem a forma de viabilizar administrativa e legalmente esse projeto.
Na reunião com os aliados do conselho político, composto por presidentes e dirigentes dos partidos que apóiam Lula no Congresso, o presidente disse que irá no dia 2 de setembro ao Espírito Santo para a primeira extração experimental de petróleo na no campo de Jubarte. O petista disse ainda que a imprensa tem feito críticas infundadas à sua decisão de propor um novo marco regulatório do petróleo. “Vamos fazer com responsabilidade, mas vamos fazer para o povo”, disse o presidente, segundo anotação de um líder partidário.

Na reunião com o Conselho Político, Lula também disse que deve fazer um pronunciamento em cadeia nacional de televisão no dia 7 de setembro para explicar os motivos que levaram o governo a mudar a Lei do Petróleo. O objetivo é associar politicamente sua imagem às mudanças.

Além disso, Lula pretende organizar em março ou abril do próximo ano um evento internacional no campo de Tupi, na bacia de Santos, quando deverá ser feita a primeira extração experimental de petróleo na camada pré-sal.

Segundo relato de participantes da reunião do conselho, Lula afirmou que decidiu adotar, na exploração de petróleo na camada pré-sal, regras inspiradas no modelo adotado na Noruega porque parte do controle da Petrobras está nas mãos do setor privado.

A Folha apurou que Lula usou a reunião do conselho político para tentar desarmar eventuais resistências à proposta de novo marco regulatório e angariar apoio para a criação de uma nova estatal. Ele tem dito em conversas reservadas que não recuará por causa de críticas da oposição, do mercado financeiro e de acionistas minoritários da Petrobras.

Lula usará o pré-sal para fortalecer sua liderança política e tentar eleger o sucessor ou sucessora em 2010. Ele quer fixar no seu governo um novo marco regulatório, embora a exploração em larga escala do pré-sal só deva ocorrer em quatro ou cinco anos.

Do ponto de vista eleitoral, Lula tem procurado destacar o papel da ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, na discussão das novas regras. Dilma é hoje a preferida do presidente para a sua sucessão.
A intenção é viabilizar sua ministra, que, até agora, está longe dos políticos que lideram as pesquisas sobre a sucessão presidencial, como o governador de São Paulo, o tucano José Serra, e o deputado federal Ciro Gomes (PSB), um aliado que sofre rejeição de setores do PT e de partidos hoje aliados, como o PMDB.

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No pré-sal, interesse público se sobrepõe ao privado, diz Petrobras

PEDRO SOARES
DA SUCURSAL DO RIO

O diretor de Exploração e Produção da Petrobras, Guilherme Estrella, descartou a possibilidade de quebra de contratos no novo marco regulatório do pré-sal, mas reconheceu que o modelo que será implementado deve “sobrepor os interesses públicos”.
“O aproveitamento dessas riquezas [reservas do pré-sal] é questão do Estado brasileiro, que certamente não vai levar em consideração o interesse privado. Na hora em que o presidente [Luiz Inácio Lula da Silva] diz que a riqueza tem de ser revertida ao povo brasileiro, e não para empresas A, B ou C, o presidente deu a entender que é interesse de Estado e público, que se sobrepõe a interesses privados”, disse o diretor.
Para Estrella, porém, as novas regras terão validade apenas para as áreas que não foram licitadas ainda, a julgar pela decisão do CNPE de novembro do ano passado que excluiu do leilão da ANP (Agência Nacional do Petróleo) os blocos localizados no pré-sal.
“A decisão do CNPE do ano passado reafirmou o fato de que os contratos assinados serão respeitados. Estou refletindo a decisão formal do CNPE de retirar os blocos da rodada no ano passado.”
Segundo Estrella, tanto a Petrobras como seus acionistas minoritários têm de ser respeitados, apesar de o interesse público estar acima dos privados. “Existem vários interesses públicos e privados envolvidos nessa questão. A Petrobras é uma empresa que tem controle governamental, mas tem acionistas privados, que têm que ser respeitados.”
Na visão do diretor da Petrobras, todo marco regulatório será construído com base na orientação de melhor distribuir as riquezas geradas pela exploração do pré-sal.
De acordo com o diretor, o novo modelo de exploração está em fase de discussão pela comissão interministerial criada pelo governo. Ele evitou dar detalhes e comentar a proposta de constituição de uma nova estatal para administrar as reservas da camada pré-sal.
Estrella disse ainda que existe a possibilidade de “unitização” dos blocos do pré-sal da bacia de Santos onde foram realizadas descobertas -ou seja, os vários campos podem ser unidos em um só. “Pela pujança das descobertas já realizadas, há indícios que precisam ser confirmados, mas a unitização vai ser uma necessidade”, disse.

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Verba do petróleo pode ir para fundo soberano

SIMONE IGLESIAS
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA

O governo estuda criar um fundo soberano com recursos investidos no exterior para gerir a receita proveniente dos lucros do petróleo previstos na camada pré-sal.
O modelo, que tem como base a adoção de fundos pela maioria dos países produtores de petróleo, foi discutido ontem pela comissão interministerial criada para analisar mudanças na exploração do petróleo, em reunião que durou cerca de três horas no Planalto.
“A maioria dos países adota esse modelo. Os Estados Unidos são os únicos que aplicam internamente as receitas obtidas com o petróleo, mas todos os demais países têm esse fundo”, disse o ministro de Minas e Energia, Edson Lobão, citando a Rússia e a Arábia Saudita.
“Estamos examinando o que ocorre no mundo, não tomamos ainda nenhuma decisão. Sempre que o país precisar, em qualquer situação de risco, poderá lançar mão desses recursos vastos que tem no exterior para qualquer finalidade. O país passa a atuar sem déficit”, disse Lobão.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva pediu ontem aos líderes no Congresso que votem até o dia 2 de setembro o projeto que cria o fundo soberano.
Segundo o líder do governo na Câmara, Henrique Fontana (PT-RS), Lula e o ministro da Fazenda, Guido Mantega, falaram durante a reunião do Conselho Político que o fundo é essencial para combater a inflação. O presidente deixou claro no encontro que quer investir o dinheiro do pré-sal em educação, ciência e tecnologia.

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Lula quer fundo soberano para conter inflação

DA SUCURSAL DE BRASÍLIA

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva pediu ontem aos líderes no Congresso que votem até 2 de setembro projeto que cria o Fundo Soberano do Brasil. Segundo o líder do governo na Câmara, Henrique Fontana (PT-RS), Lula e o ministro da Fazenda, Guido Mantega, falaram em reunião do Conselho Político que o fundo é essencial para combater a inflação. Não está claro se o fundo será formado só por recursos originários da exploração do petróleo da camada pré-sal.
Fontana afirmou que o fundo, em discussão na Câmara, servirá também para evitar internalização de dólares -o que valorizaria ainda mais o real e reduziria a capacidade exportadora. Lula deixou claro que quer investir o dinheiro em educação, ciência e tecnologia. O presidente pediu também aos líderes que agilizem as votações das reformas tributária e política.

01/10/2007 - 13:14h Ibope mostra Fogaça à frente em Porto Alegre

Zero Hora

A primeira pesquisa Ibope para a eleição de Porto Alegre em 2008 mostra o prefeito e candidato à reeleição José Fogaça (PMDB) à frente dos adversários.

O peemedebista aparece em primeiro lugar nas intenções de voto nos sete cenários da pesquisa estimulada de primeiro turno nos quais seu nome é apresentado aos entrevistados — foram feitas nove simulações desse tipo.

O índice mais alto do prefeito é obtido no cenário em que enfrenta Luciana Genro (PSOL), Onyx Lorenzoni (DEM) e Miguel Rossetto (PT). Nessa situação, Fogaça obtém quase um terço das preferências — 29%. Nos demais cenários, seus índices variam de 22% a 28%.

Em segundo lugar, tecnicamente empatadas, estão as deputadas Maria do Rosário (PT), Manuela D’Ávila (PC do B) e Luciana Genro (PSOL). Maria do Rosário e Manuela aparecem como favoritas nos dois únicos cenários de primeiro turno em que Fogaça não está entre os candidatos.

Entre todos os adversários, Maria do Rosário (PT) é a que mais se aproxima de Fogaça no primeiro turno. Nos quatro cenários em que os dois se enfrentam, a petista fica de seis a 10 pontos percentuais atrás do prefeito. Maria do Rosário também leva pequena vantagem — de um ponto percentual — sobre Manuela na simulação em que as duas se enfrentam, sem o nome do prefeito entre os candidatos.

O Ibope ouviu 602 eleitores de 16 anos ou mais entre os dias 22 e 26 de setembro. A margem de erro é de quatro pontos percentuais para mais ou para menos.