19/11/2009 - 09:30h Associação Comercial vai protestar

Ontem cobrei posicionamento e ação de entidades, como a Associação comercial. Ela reagiu e recusa veementemente os aumentos de IPTU de Kassab. Ainda ficam calados Marcos Cintra e Afif Domingos, que não são cobrados agora, mas que gostam de aparecer nos holofotes para atacar o PT e sua política tributária. LF


Associação Comercial discorda do novo IPTU; para Secovi, medida não vingará

Filipe Vilicic – O Estado SP

Empresários e entidades do setor imobiliário ouvidos pelo Estado são contra o aumento de IPTU. Mesmo aqueles que normalmente se alinham com as decisões da atual gestão municipal parecem discordar dos reajustes sugeridos. A Associação Comercial do Estado de São Paulo (ACSP), por exemplo, interpreta a iniciativa da Prefeitura como abusiva. “Qualquer aumento nos impostos deve ter razões plausíveis ou cria uma reação contrária da sociedade”, diz Alencar Burti, presidente da instituição.

Para a ACSP, as justificativas apresentadas para os aumentos não são corretas. “Não dá para dizer, por exemplo, que o ajuste deve ser feito porque houve valorização dos imóveis”, defende Burti. “Apartamentos e casas podem valer mais, porém, seus proprietários não tiveram aumentos da ordem de 40% ou 60% em suas rendas para arcar com as propostas da Prefeitura.” A instituição planeja se unir a outros órgãos descontentes para promover protestos públicos na semana que vem. “As empresas acabam de sair de uma crise mundial e muitas ainda não têm estrutura para bancar mais impostos”, diz Burti.

O Sindicato da Habitação de São Paulo (Secovi-SP) também não concorda com a medida. “A Prefeitura fala que o aumento condiz com a melhora dos serviços municipais”, afirma João Crestana, presidente do Secovi-SP. “Mas não houve uma melhora compatível com os reajustes propostos, de até 60%.” Para o Secovi-SP, se os imóveis têm se valorizado nos últimos anos é por consequência de iniciativas privadas, que construíram shoppings e bairros planejados, e não por empreitadas públicas.

Crestana acredita que a Prefeitura vai desistir da decisão de aumentar o IPTU. “A proposta foi feita de forma impositiva, sem consultar a população”, afirma. “Por muito menos, acrescentamos “taxa” no nome de outros prefeitos.” Ele faz referência ao apelido Martaxa, dado à prefeita Marta Suplicy quando ela criou, entre outras cobranças, o IPTU progressivo, em 2001.

A Associação das Administradoras de Bens Imóveis e Condomínios de São Paulo (Aabic) diz que o aumento vai afetar negativamente o mercado imobiliário. “Muitos inquilinos não renovarão contratos porque a elevação do IPTU será integrada aos aluguéis”, diz Eduardo Zangari, diretor de Locação da instituição. “E ainda será mais difícil locar imóveis vagos, porque seus aluguéis ficarão maiores.”

A Aabic ainda não vê lógica na elevação de até 60% do tributo. “Faltam razões técnicas, plausíveis e condizentes com a realidade da população”, protesta Zangari.

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Partidarios de Serra estão apreensivos com impacto eleitoral do aumento cavalar

Centrão e PT criticam projeto


Diego Zanchetta – O Estado SP

O projeto de correção da Planta Genérica de Valores (PGV) de São Paulo deve ser votado em primeira discussão na próxima quarta-feira na Câmara Municipal. Apesar de objeções colocadas ontem por líderes do “centrão” contrários a novas isenções, a proposta de aumento do IPTU deve ser aprovada em duas discussões sem dificuldades. A base governista tem pelo menos 41 dos 55 vereadores.

“Tentaremos levar o texto para a Comissão de Finanças na próxima terça-feira. A legalidade da correção da PGV está prevista no Plano Diretor”, afirmou ontem o líder de governo, vereador José Police Neto (PSDB). Líderes do centrão e normalmente aliados do governo, Adilson Amadeu (PTB) e Aurélio Miguel (PR) pretendem debater a PGV em plenário, com a sugestão de alterações.

“Eu sou contra dar isenções. Essa é uma medida que acaba onerando o cidadão que paga seu tributo”, afirmou o ex-judoca. Amadeu é contrário ao reajuste para bairros de classe média, como a Mooca e Santo Amaro. “Num momento como esses, no fim do ano, não é justo os vereadores repassarem mais tributo à população. Tenho recebido e-mails e telefonemas no meu gabinete de pessoas que são contrárias ao aumento”, afirmou o vereador.

A bancada do PT passou o dia atacando a nova proposta. “Com o freio de 40%, o aumento do tributo vai onerar principalmente a classe média”, disse Antonio Donato.

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Charge  do Portal do Guarda Civil, ironiza sobre agressão de Kassab a um municipe da cidade

IPTU é para Kassab pagar promessa eleitoral, diz PT

Midiacon

IPTU é para Kassab pagar promessa eleitoral, diz PTEle prometeu muito e não tem dinheiro para fazer tudo, disse vereador Antonio Donato (PT). (Foto divulgação)

Prefeitura de SP pode receber R$ 650 mi a mais com projeto de aumento que está na Câmara

Mesmo dizendo considerar a revisão do IPTU (Imposto Predial e Territorial Urbano) na cidade de São Paulo uma necessidade, o vice-presidente da Comissão de Finanças e Orçamento, vereador Antonio Donato (PT), disse que o valor a mais que entrará no caixa da Prefeitura servirá para que o prefeito Gilberto Kassab (DEM) cumpra suas promessas de campanha. Se aprovado, o total arrecadado será de cerca de R$ 650 milhões para o Orçamento municipal do ano que vem.

Ele prometeu muito e não tem dinheiro para fazer tudo. Prometeu três hospitais, olha o Orçamento, tem R$ 5 milhões para cada hospital, um hospital custa R$100 milhões <…> Não cabem todas as promessas no Orçamento. Tanto que ano passado eles fizeram Orçamento super inflado que não foi por causa da crise que cortou. A crise evidentemente que deu um impacto, mas era um Orçamento irreal.

O vereador disse que revisar o IPTU é uma necessidade porque tem muita distorção, já que a planta genérica da cidade, base para o cálculo do imposto, não era reajustada desde 2001, mas que o partido é contra revisar para “arrecadar mais”.

- Isso nós somos contra. Você pode fazer a revisão da planta, mas você pode diminuir as alíquotas e manter o IPTU no patamar que ele está no global. <…> Até porque é muita incoerência do prefeito, do seu partido e dos tucanos que primeiro criticaram todos os aumentos do IPTU da prefeita Marta e dizem que a carga tributária no Brasil é elevada. Estão fazendo aqui elevação da carga tributária.

De acordo com o prefeito, o secretário de Planejamento, Manoelito Magalhães, já avalia alguns destinos para o montante, e a primeira sugestão que a liderança do governo fará à Câmara é que sejam aumentados os investimentos em saúde, retomando um investimento de 20% do Orçamento.

- Outras vinculações também deverão ser respeitadas, como 31% para educação e o comprometimento de 13% das receitas para as despesas da dívida pública com o governo federal, mas isso será debatido nas próximas semanas.

Fonte: R7.com

10/11/2009 - 09:27h Partidos da base lulista fecham acordo por Ciro

São Paulo: Candidatura de deputado cearenese ao governo paulista une PT, PDT, PSB, PSL, PSC, PRB, PTN e PCdoB

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Vandson Lima, de São Paulo – VALOR

Reunidos na sede do PDT em São Paulo, a convite do deputado federal Paulo Ferreira da Silva, o Paulinho da Força, os líderes de oito partidos da base governista de Luiz Inácio Lula da Silva fecharam acordo para elaborar uma agenda política em comum, seguindo também unidos na disputa pelo governo de São Paulo.

E o candidato deverá ser o deputado federal Ciro Gomes (PSB-CE). Único nome a unir boa colocação nas pesquisas de opinião e aceitação de todos os partidos envolvidos (PT, PDT, PSB, PSL, PSC, PRB, PTN, PPL e PCdoB), Ciro contaria ainda com o apoio declarado do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O grupo ainda buscará o apoio do PR, do PP e do PTB.

O acordo praticamente tira da disputa o presidente da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), Paulo Skaf, que não conta com apoio do PT e do PDT. Outra possibilidade seria a aliança apoiar um candidato petista, o que só ocorrerá caso Ciro Gomes se candidate à Presidência.

Para o deputado federal e líder do PSB, Márcio França, “Ciro tentará à Presidência caso se mantenha crescendo nas pesquisas, à frente de Dilma, até março. Mas Ciro está ciente de que, cada vez mais, o cenário se torna favorável à sua candidatura em São Paulo”. Márcio calcula que, com a atual configuração, o candidato da aliança recém formada terá 9 minutos na propaganda eleitoral, enquanto o candidato da coligação PSDB-DEM-PMDB terá cerca de 10 minutos.

O senador Aloizio Mercadante (PT-SP) acredita que o acordo muda a qualidade da disputa em São Paulo, na medida em que propõe um novo projeto de oposição, com viabilidade eleitoral e em sintonia com o governo federal. Ao final de sua fala, ouviu do anfitrião, Paulinho: “Esse é um bom discurso para ser candidato a governador”, deixando o senador encabulado e provocando riso nos presentes.

O PT foi o partido que enviou mais nomes de peso para a reunião. Além de Mercadante, compareceram o deputado federal e presidente do PT, Ricardo Berzoini, o presidente estadual Edinho Silva, o líder do PT na Assembleia Legislativa e deputado estadual Rui Falcão, além da vice-prefeita de Bauru, Estela Almagro.

A aliança formará três grupos de trabalho: de deputados, presidentes dos partidos e lideranças. Esses grupos avaliarão as condições de se eleger uma bancada forte na Assembleia e elaborarão uma agenda política comum, com encontros para apresentação de propostas, criando uma plataforma alternativa para o governo de São Paulo.

No encontro nacional do PT, realizado no sábado, em Guarulhos (SP), nomes antes cogitados para a disputa, como o prefeito de Osasco, Emídio de Souza, e a ex-prefeita da capital, Marta Suplicy, relativizaram o discurso pela candidatura própria, mostrando que o partido está resignado à ideia de concentrar forças na disputa presidencial e, como é do desejo do presidente Lula, compor chapa com Ciro em São Paulo.

Emidio disse ontem no Twitter (microblog) que mantém sua candidatura. ” Acabei de sair da reunião com a executiva estadual do PT. Oficializei minha disposição para ser candidato ao governo de São Paulo.

09/11/2009 - 18:37h Um bom começo

Bloco de apoio a Lula se une em SP em torno de candidato único e amplia oposição a Serra

REGIANE SOARES da Folha Online

Dirigentes e parlamentares PDT, PT, PC do B, PSB PSL, PSC, PRB, PTN e PPL (ainda em formação) se reuniram hoje em São Paulo para definir as estratégias para a construção de uma candidatura única ao governo do Estado.

No plano nacional, esses partidos fazem parte da base de sustentação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Em São Paulo, entretanto, algumas dessas legendas –como PDT e PSB– são aliados do governador José Serra (PSDB), que faz oposição a Lula.

Na reunião, os partidos formaram grupos de trabalho para elaborar uma agenda política comum. Os grupos serão divididos entre os dirigentes estaduais dos partidos, os parlamentares na Assembleia Legislativa, na Câmara e no Senado, que farão um diagnósticos dos problemas do Estado, a elaboração de propostas para um programa de governo, além da elaboração de seminários para discutir o assunto. Serão agendada pelo menos mais três ou quatro reuniões até o fim do ano.

A reunião foi realizada a convite do presidente estadual do PDT em São Paulo, deputado Paulo Pereira da Silva, o Paulinho da Força, e reuniu os principais líderes dos partidos no Estado, como o presidente nacional do PT, Ricardo Berzoini, o presidente nacional do PSB, Márcio França, entre outros.

“Nosso objetivo é a construção de uma candidatura única do campo popular progressista em São Paulo”, afirmou Paulinho, que não informou quando será definido ou anunciado o nome do candidato da oposição. “Quem sabe em junho [de 2010], nas convenções dos partidos”, disse.

Berzoini disse que o PT está aberto a discutir as indicações e ressaltou que a reunião de hoje não era para falar em nomes. “Estamos abertos para disputar qualquer arranjo”, afirmou.

A candidatura dessa frente em São Paulo está indefinida. O PT, por exemplo, tem pelo menos seis pré-candidatos a governador, entre eles o deputado Antonio Palocci e o senador Eduardo Suplicy. Outro nome que ganhou força entre os aliados é o do senador Aloizio Mercadante (PT-SP) –defendido hoje por Paulinho.

“Esse é um bom discurso para ser candidato ao governo”, afirmou Paulinho depois que Mercadante defendeu a mudança no comando do Estado –que há mais de 16 anos é administrado pelo PSDB.

O PSB também não definiu se lançará o deputado Ciro Gomes (PSB-CE) ao governo paulista, como deseja o presidente Lula, ou à Presidência da República. A definição deve sair em 2010.

Independentemente de quem seja o candidato, o presidente estadual do PT em São Paulo, Edinho Silva, acredita que a ministra Dilma Rousseff (Casa Civil), pré-candidata do PT à Presidência, terá um palanque forte em São Paulo. “Não será um palanque frágil”, afirmou o petista, que pretende atrair ainda partidos como o PTB, PP, PR, PTB e PMDB, que está rachado e em São Paulo defende a candidatura do governador José Serra (PSDB) à Presidência.

Assembleia Legislativa

Além da discussão de uma candidatura única, a reunião de hoje também deve ter consequências na Assembleia Legislativa de São Paulo.

A ideia é que os partidos que se reuniram hoje comecem a fazer parte da bancada de oposição a Serra, que atualmente reúne apenas o PSOL, PC do B e o PT.

09/11/2009 - 10:23h Aliados cobram definição do PT em SP

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Histórico de derrotas e força dos tucanos levam líderes a pedir pressa na escolha do candidato ao Bandeirantes

Julia Duailibi e Clarissa Oliveira – O Estado SP

A indefinição sobre o palanque que sustentará a candidatura da ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff (PT), em São Paulo na eleição de 2010 tem causado desconforto nos partidos da base governista do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. A força dos adversários tucanos e o histórico de derrotas do PT no maior colégio eleitoral do País levaram aliados a intensificarem a articulação no Estado para definir uma candidatura já no começo do ano que vem.

Os principais partidos da base aliada se encontram hoje na capital paulista para discutir a aliança que sustentará a candidatura petista e qual o papel que cada um terá no processo. PT, PDT, PSB e PC do B debaterão a eventual candidatura do deputado Ciro Gomes (PSB) – o nome mais forte do grupo – e colocarão as condições do apoio aos planos do PT.

A reunião, organizada pelo deputado Paulo Pereira da Silva (PDT), o Paulinho da Força, será na sede do partido em São Paulo. Participarão os presidentes estaduais do PSB, Márcio França, e do PT, Edinho Silva, e representantes do PC do B.

O PT ouvirá os demais partidos do bloquinho para saber como está o clima na aliança e que tipo de fatura eles pretenderão em troca do apoio. O partido prepara o terreno para Ciro ser o candidato, mas depende do ânimo do deputado – ele diz pretender disputar a Presidência.

“Se ele não decide lá, a gente fica a pé aqui. Precisamos pensar num plano B e fechar um pacto em São Paulo”, disse Paulinho. O partido já pensa em um nome no PT, provavelmente o deputado Antonio Palocci Filho ou, num caso extremo, o prefeito de Osasco, Emídio de Souza.

A avaliação no PT é de que não será possível agradar a todos. O cenário mais provável, se Ciro for o candidato, é o PSB ficar com a cabeça de chapa e uma cadeira para o Senado com o vereador Gabriel Chalita, o mais votado do País. A vice seria do PT, assim como a outra vaga para o Senado, que ficaria com o senador Aloizio Mercadante, que tentará se reeleger.

É aí que está o nó. Aliado de Lula, o deputado Aldo Rebelo (PC do B) estava de olho na vaga do Senado. Seu colega de partido, o vereador Netinho, tem o compromisso de parte do PC do B de que receberá a vaga na disputa. Aldo disputaria a reeleição na Câmara.

Diante do xadrez, o comando petista já enxerga como única saída negociar espaço no governo, em caso de vitória. Boa parte do plano, entretanto, se apoia nas negociações feitas na esfera federal pelo presidente.

PLANO B

Enquanto isso, o PT paulista tenta garantir um plano B na disputa estadual e, de quebra, amenizar a imagem de que está nas mãos de Ciro em São Paulo.

O partido autorizou desde o dia 1º inscrições de pré-candidatos ao Palácio dos Bandeirantes e inicia esta semana uma série de sabatinas com possíveis nomes. Emídio fará a estreia.

O PT disse ter solicitado reuniões com o ministro da Educação, Fernando Haddad, a ex-prefeita Marta Suplicy e o deputado Arlindo Chinaglia. E promete convencer Palocci a participar do ciclo, apesar de ele resistir a falar de candidatura.

06/11/2009 - 15:43h Candidatura Ciro ao governo de São Paulo unificará o PT e reforçará a oposição aos tucanos no Estado. Ciro aceitará?

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Após uma tentativa vã de incentivar uma disputa no PT, abrindo um debate sobre o eventual candidato a vice, da eventual candidatura Ciro ao governo de SP -tentativa abandonada apenas esboçada-; a Folha SP tenta novamente hoje especular sobre o “efeito Ciro” nos rumos do PT no Estado.

Bastaria observar que os “Martistas” defensores da candidatura Ciro citados na matéria, apoiam a candidatura de Emídio, Prefeito de Osasco, como candidato do PT caso Ciro persista em disputar a presidência, para desmontar a idéia que a divergência entre “Martistas” esteja centrada em apoiar ou não Ciro Gomes ao governo estadual.

Vale lembrar também que a eventual candidatura Palocci ao governo foi posta na mesa pelo próprio presidente da República em conversa com o senador Mercadante e estampada na capa do Estadão e só recentemente o próprio Lula teria evoluído, pressionando Ciro em favor de uma aliança com o PT no plano estadual.

Para qualquer observador que conheça o PT é evidente hoje que, caso Ciro aceitar a sugestão lançada por Lula, o partido do presidente estará unido na aliança com Ciro e o PSB. Tanto é assim, que Emídio e Palocci, assim como Eduardo Suplicy, já indicaram publicamente que apoiam Lula nesta escolha e subordinam eventual candidatura à decisão do deputado do PSB que definirá sua escolha até março 2010.

A decisão está inteiramente nas mãos de Ciro e do PSB, este ultimo devendo escolher entre o apoio a Serra ou a aliança com a oposição aos demo-tucanos no Estado, ou seja o PT.

Agir para provocar está ruptura do PSB com Serra é o caminho para reforçar a candidatura Dilma e também para procurar derrotar o continuismo tucano no Estado. Se Ciro decidir ser candidato ao governo estadual o PSB passará a integrar a oposição e está aliança tem potencial de vencer o pleito estadual.

Ciro aceitará?

Caso ele aceite, alguém representativo no PT recusa essa aliança com Ciro como candidato? Ninguém.

Por isso a tentativa de provocar disputa interna sobre o assunto está fardada ao fracasso.

Caso Ciro persista na sua recusa a abandonar a candidatura a presidente, o PT deverá escolher um nome próprio para essa disputa. Nessa escolha o presidente também terá uma voz de peso, mas dificilmente existirá consenso no partido se o candidato não tiver o aval das principais lideranças no Estado, o que é o caso hoje com Palocci.

Poderá, aí sim, surgir disputa interna e até previa para definir o candidato. Mas isto é hoje só especulação.

De concreto, a candidatura Ciro ao governo estadual jogaria o PSB para uma aliança com o PT, unificaria a oposição aos demo-tucanos, alavancaria as candidaturas de Chalita e Mercadante ao Senado e permitirá à candidatura a deputada federal da Marta, eleger uma importante bancada do PT no parlamento.

O PT só tem a ganhar com esse desfecho das conversas para trazer Ciro para São Paulo.

A palavra está com Ciro.

Luis Favre

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Aliado a Serra, PSB paulista resiste a aceitar candidatura de Ciro

PT vai priorizar Presidência e Congresso em 2010, diz Genoíno

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“Efeito Ciro” implode grupo de Marta em SP

Parte da ala do PT ligada à ex-prefeita rejeita proposta de candidatura própria da sigla e trabalha por deputado do PSB para o governo

Intenção da ex-ministra de ver Antonio Palocci à frente da chapa que vai disputar o Palácio dos Bandeirantes divide seus simpatizantes

JOSÉ ALBERTO BOMBIG – FOLHA SP

DA REPORTAGEM LOCAL

O grupo político ligado à ex-prefeita Marta Suplicy, hegemônico no PT paulista há pelo menos seis anos, está próximo da dissolução por conta da disputa envolvendo a candidatura da sigla ao governo do Estado e dos planos da ex-prefeita de concorrer a uma vaga na Câmara dos Deputados em 2010.
Parte dos principais “martistas”, como são chamados internamente os apoiadores da ex-prefeita, se empenhou em pavimentar o caminho para que Ciro Gomes (PSB-CE) tenha o apoio do PT na disputa pelo Palácio dos Bandeirantes.
Marta, no entanto, trabalha por uma candidatura própria da sigla, de preferência a do deputado federal e ex-ministro da Fazenda Antonio Palocci, que seria uma espécie de herdeiro natural, na visão da ex-prefeita, do comando de seu grupo.
No mês passado, Marta afirmou que Ciro “não tem nada a ver com São Paulo”.
Líder do PT na Câmara dos Deputados, Cândido Vaccarezza (SP), por exemplo, alega que Ciro poderia ajudar Dilma Rousseff (pré-candidata do PT ao Planalto) e concorrer com chances de vitória no Estado.
“É nessa medida, a de um palanque forte para a Dilma e de um nome forte junto ao eleitor, que a candidatura de Ciro Gomes ganha força”, diz Vaccarezza -que sempre foi identificado como um “martista”.
A posição de Vaccarezza é compartilhada internamente pelos também deputados federais José Mentor, Devanir Ribeiro e Jilmar Tatto, expoentes da gestão de Marta na Prefeitura de São Paulo (2001-2004).
Ao lado da ex-prefeita na defesa de Palocci como pré-candidato permaneceram Rui Falcão, líder do partido na Assembleia paulista, Antonio Donato, vereador na capital, e Carlos Zaratini, deputado federal, os três ex-secretários de Marta.
“Entendo que o PT deva apresentar uma candidatura própria aos aliados, e acho que o Palocci é nosso melhor nome, mas reconheço que hoje há um importante movimento pró-Ciro”, afirmou Donato.

Vaga aberta
Palocci se reuniu recentemente com seus correligionário em São Paulo e disse que não pretende se colocar como pré-candidato antes que Ciro decida qual eleição irá disputar -o Palácio do Planalto ou o Palácio dos Bandeirantes.
Na prática, isso significa que o PT ficará sem ter um nome para trabalhar eleitoralmente até o início do ano que vem, quando o deputado do PSB deverá tomar sua decisão.
A despeito da recusa de Palocci, seus correligionários vão inscrevê-lo como pré-candidato no diretório estadual.
Na avaliação dos que tentam convencer o deputado petista a entrar na disputa, uma eventual candidatura Ciro ao governo paulista poderá criar um novo polo de oposição ao PSDB no Estado, vaga hoje automaticamente ocupada pelo PT.
A outra opção anti-Ciro aventada no PT seria convencer Marta a concorrer novamente ao governo, mas a ex-prefeita já avisou o seu entorno que pretende se candidatar novamente a deputada federal.

26/10/2009 - 10:55h Aproximação entre Dilma e aliados isola candidatura Ciro

O tratamento dado por alguns artigos a questão da candidatura Ciro Gomes ao governo de São Paulo, mostram pouco apego aos fatos e participam das inevitáveis intrigas e disputas que acompanham a vida do PT. Assim, um artigo na Folha afirmava que tinha começado a discussão do nome do vice para a candidatura Ciro, e agora Valor pretende que o “grupo da Marta” seria o único contrário a candidatura Ciro, mas evidentemente não cita ninguém que sustente essa suposta oposição.

A candidatura Ciro Gomes ao governo de São Paulo seria uma boa coisa, isto é consenso no PT, e a proposta originada na esfera federal é hoje aceita pelo PT estadual como base para uma possivel aliança no Estado. A pré-condição para esta aliança se concretizar é que Ciro deseje ser candidato, abandonando sua candidatura a presidente e que seu partido, o PSB o apresente como nome para o cargo, rompendo com sua participação e apoio ao PSDB no Estado, para assim formar uma aliança com os partidos da base do governo Lula.

Caso esta aliança não se materializar, o PT tem nomes de peso para disputar, além de implantação e força eleitoral para disputar contra os tucanos o comando do Estado.

Até março a situação ficará aparentemente definida, até porque uma campanha exige um tempo de preparação, e durante este período muita fofoca, especulação e intriga continuará a ser publicada. LF

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Acordo deve deixar Ciro fora da corrida pelo Planalto. Projeto para 2010, com apoio de Lula, seria concorrer à sucessão de Serra

A seguir o artigo do jornal VALOR

Lúcio Távora / Ag. A Tarde / Folhapress
Foto Destaque
Ciro e Dilma: até a decisão oficial em fevereiro, deputado vai manter viagens nacionais como a que o reuniu à ministra no S.Francisco


2010: Resistência à entrada de deputado na disputa paulista está concentrada no grupo de Marta Suplicy
Aproximação entre Dilma e aliados isola candidatura Ciro

Paulo de Tarso Lyra, de Brasília

As conversas da candidata do PT à Presidência, ministra Dilma Rousseff, com os partidos aliados, desidrataram a candidatura presidencial do deputado Ciro Gomes (PSB-CE), avaliam coordenadores políticos da campanha petista, o que apressa a definição de sua candidatura ao governo de São Paulo, em aliança com o PT. Este foi o caminho traçado desde o início pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, estratégia que não excluía a insistência do deputado em manter-se na corrida ao Palácio do Planalto, para expor-se nacionalmente. Lula argumentou com auxiliares que Ciro deveria continuar em campanha nacional, até o quadro ficar mais claro. Um dos problemas era enquadrar o PT de São Paulo para aceitar o PSB na liderança da chapa, o que começou a ser uma realidade desde sexta-feira.

“Lula espera que a ‘resposta’ oficial do PSB seja dada apenas em fevereiro de 2010″, disse um aliado da candidatura de Dilma, dando sinais de que Ciro pode continuar, até lá, expondo-se nacionalmente.

A data remete ao 4º Congresso Nacional do PT, que ratificará a candidatura de Dilma a presidente e definirá também as políticas de alianças estaduais. Lula defende a candidatura de Ciro ao governo de São Paulo para transformar a eleição nacional em uma disputa plebiscitária entre Dilma e um candidato do PSDB, de preferência o governador paulista, José Serra. Ciro transferiu o domicílio eleitoral para São Paulo, mas, por enquanto, tanto ele quanto seu partido não admitem ainda que desistirão da disputa presidencial. “Vamos ver como estarão as coisas em fevereiro do ano que vem, não temos pressa nenhuma”, disse um dirigente do PSB.

A estratégia do PT de antecipar as conversas com os demais partidos da coalizão – a aliança com o PMDB é preliminar mas é uma indicação para a Convenção Nacional em junho de 2010. Falta um encontro com o PP, os demais partidos da aliança de Lula estão no arco de apoio a Dilma. Isto deixou o PSB sem margem para composições políticas futuras. “Pouco a pouco, a candidatura presidencial de Ciro vai ficando isolada e perde viabilidade eleitoral”, afirmou um aliado de Dilma, mostrando que o desenho traçado inicialmente pelo presidente Lula vem se completando. A ofensiva foi favorecida, na visão de petistas influentes no governo, também pelo estilo “pouco agregador” de Ciro Gomes.

O parlamentar cearense teria trânsito difícil na coalização devido a seus arroubos verbais. “Ciro tem um histórico político que o afasta de diversos aliados. Tome como exemplo as duras declarações que dá a respeito do PMDB”, lembrou um petista próximo do presidente. Na negociação de alianças para o governo de São Paulo, o universo de conversas é menor e enseja menos atrito.

Dilma realizou bem, nesta avaliação, os passos necessários a se tornar a candidata da polarização. Além de promover ampla pré-aliança e afastar Ciro da disputa presidencial, a ministra mudou radicalmente seu comportamento e desempenho na política. A ministra diminuiu a sisudez, passou a brincar nas reuniões com deputados e senadores e a ter contato mais afável com plateias. “Não estamos aqui para falar de PAC, pré-sal ou para mostrar PowerPoint. Estamos aqui para conversar sobre política e sobre o Brasil”, disse a ministra em encontro partidário segundo relato de um integrante da cúpula petista.

As avaliações entre petistas apontam dificuldades na formação de alianças para Ciro, mesmo em São Paulo, devido ao estilo pessoal do candidato e sua relação com políticos e eleitores. Numa candidatura presidencial, o PSB também teria pouco a oferecer aos demais partidos que viesse a convidar para a aliança. Seus únicos trunfos aparecem nos estados nos quais a legenda governa – Ceará, Pernambuco e Rio Grande do Norte. Já o PT tem uma militância forte espalhada em todo o país e uma média de 10% a 15% de intenção de voto em praticamente todos os estados.

“É um percentual suficiente para decidir uma eleição, especialmente nos locais onde o PT abrirá mão da cabeça de chapa”, confirma um ministro petista.

Em outras unidades da federação, haveria até mesmo a impossibilidade de o PSB oferecer um palanque forte para Dilma e os aliados nacionais. “O PDT nos apoia no plano nacional mas pediu contrapartida no Paraná, onde o candidato deles é o senador Osmar Dias. Como o PSB é vice do prefeito de Curitiba, Beto Richa (PSDB), a tendência é que eles apoiem os tucanos caso Richa seja candidato ao governo”, completou um petista em ascensão no cenário político nacional.

Se o PT nacional queria há tempos minar as chances de Ciro no pleito nacional, o PT paulista começou, no fim de semana, a intensificar os acenos para que ele declare logo a candidatura ao governo estadual. Na última quinta, o grupo petista ligado ao ex-ministro José Dirceu sugeriu os nomes de Emídio de Souza (prefeito de Osasco) e Edinho Silva (presidente estadual do PT e ex-prefeito de Araraquara) como possíveis vices numa chapa PT-PSB.

No dia seguinte, Emídio soltou nota à militância petista defendendo a abertura do diálogo com os demais partidos que compõem a aliança nacional. “Não ajuda nada ficarmos chutando o PSB e o Ciro. A eleição paulista terá papel estratégico na eleição presidencial”, afirmou Emídio.

Como o PSB não definirá agora sua posição, a tendência é que o PT lance Emídio como pré-candidato, para facilitar uma aliança futura. “A intenção é evitar que nomes como Marta Suplicy e Aloizio Mercadante resolvam apresentar-se como pré-candidatos ao governo estadual”, afirmou um líder petista. No momento, só Marta ainda resiste a abandonar a candidatura próprio do PT ao governo de SP.

22/10/2009 - 11:22h Aliado a Serra, PSB paulista resiste a aceitar candidatura de Ciro

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Vandson Lima e Luciano Máximo, de São Paulo – VALOR

A indefinição sobre qual cargo o deputado federal Ciro Gomes (PSB-CE) vai disputar nas eleições de 2010 tem colocado a executiva paulista de seu partido em situação delicada na hora de definir alianças. Aliados do governo do tucano José Serra em São Paulo, deputados estaduais do PSB mostram-se reticentes quanto à possibilidade de formarem chapa conjunta com o PT, oposicionista, na hipótese de Ciro concorrer ao governo paulista, como quer o presidente Luiz Inácio Lula da Silva: “Não é só questão de apoio. Serra tem sido parceiro nosso. Municípios como São José do Rio Preto e São Vicente, que têm prefeitos do PSB, recebem investimentos importantes do governo estadual”, diz o deputado estadual e líder da bancada pessebista, Jonas Donizette Ferreira.

Há ainda um outro entrave à parceria PT-PSB em São Paulo. O partido de Ciro tem compromisso com o presidente da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), Paulo Skaf, recém-filiado ao PSB. “Temos aí outra questão. O Skaf foi convidado a se filiar ao PSB com o compromisso de ser candidato a governador”, revela Donizette. O próprio Ciro Gomes já admitiu publicamente que apoia a escolha de Skaf para a disputa.

No PT, apesar de a candidatura própria para a briga pelo Palácio dos Bandeirantes ser uma diretriz da executiva estadual, o partido não descarta apoiar Ciro num embate com o PSDB em 2010 como parte de uma estratégia nacional de apoio à ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, na corrida presidencial.

O deputado estadual petista Carlinhos Almeida chegou a afirmar que o político cearense teria mais dificuldade dentro do PSB do que no próprio PT para se lançar politicamente em São Paulo. “O PSB tem ligação muito grande com o governador José Serra e muitos representantes do partido não mostram o menor entusiasmo com a candidatura do Ciro apoiada pelo PT. Ele [Ciro] tem mais apoio dentro do PT, por ser um parceiro desde o início do governo Lula”, afirma.

O parlamentar, que é o primeiro-secretário da Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo, disse também que é cedo para prever como será a chapa de uma eventual aliança PT-PSB. “É prematuro cogitar quem será vice de quem. Temos que aguardar um pouco a negociação nacional e a própria definição do Ciro. Interlocutores nos dizem que ele não quer vir para São Paulo, que prefere a Presidência”, diz Almeida.

Já o líder do PSB na Câmara Federal, o deputado Rodrigo Rollemberg (DF) não vê, hoje, a possibilidade de Ciro desistir da disputa ao Palácio do Planalto: “Não há motivo para isso. A candidatura de Ciro está firme e as pesquisas provam que duas candidaturas da base governista serão melhor do que uma. Nem o presidente Lula está completamente convencido de sua tese de candidatura única”.

Nem mesmo a ofensiva petista na busca de apoios de partidos hoje aliados ao PSB (como o PDT e o PCdoB, do chamado “bloquinho”) é vista como ameaça. “Não são apoios definitivos. É um noivado, não é casamento. Se as pesquisas nos forem favoráveis, tudo muda”, crê o deputado federal Márcio França, presidente regional do PSB.

O prefeito de Osasco, Emídio Souza, voltou a confirmar que quer ser o candidato ao governo pelo PT em 2010, mas que não irá “fechar as portas para os aliados, em benefício a um projeto nacional”. Reforçando que não largaria a prefeitura para ser postulante a um cargo de vice-governador, Emídio disse que está terminando de escrever carta-manifesto na qual pretende reafirmar que está à disposição do partido para ser o principal concorrente. O documento deve ficar pronto no fim de semana e, antes de ser divulgado no início da semana que vem, passará por várias revisões. O potencial candidato petista pregou paciência. “O PSDB também não decidiu nada ainda, o tempo para isso é fevereiro, março”, salienta.

O discurso do presidente do PT de São Paulo, Edinho Silva, ex-prefeito de Araraquara, revela que o partido quer privilegiar as alianças no Estado. “Estamos chamando partidos aliados para formar um programa de governo, que será submetido ao debate. A partir daí vamos construir a tática para chegar a uma liderança. Queremos construir uma candidatura própria, mas é evidente que, dentro de uma democracia, os aliados também podem apresentar candidatos”, complementou Edinho.

Ainda que as pesquisas de intenção de voto apontem Geraldo Alckmin (PSDB) como favorito na disputa do governo estadual, o candidato tucano, na avaliação do PSB, será outro: o secretário da Casa Civil, Aloysio Nunes Ferreira, homem de confiança de Serra e mais bem articulado com os partidos aliados. Márcio França acredita ser este o cenário mais favorável a seu partido: “As pesquisas mostram que, seja Ciro ou Skaf o nosso candidato, estaremos na frente de Aloysio nas pesquisas”.

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Lula: Dilma lá e Ciro aqui

Os desdobramentos do Dilma lá e Ciro aqui

22/10/2009 - 11:03h Caciques do PT paulista dão sinal verde para ”projeto Ciro”


Grupo petista avisa que não se oporá à sua candidatura a governador

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Clarissa Oliveira – O Estado SP

Apesar das queixas sobre a possibilidade de o PT não ter candidato próprio no maior colégio eleitoral do País, um grupo de caciques do partido em São Paulo já decidiu que não vai criar nenhum tipo de obstáculo aos planos do presidente Luiz Inácio Lula da Silva de tirar o deputado Ciro Gomes (PSB-CE) da corrida presidencial. Reunidos no início desta semana na capital paulista, dirigentes da corrente petista Construindo um Novo Brasil, entre eles o ex-ministro José Dirceu e os deputados Antonio Palocci e João Paulo Cunha, acertaram que não vão se opor à candidatura de Ciro ao Palácio dos Bandeirantes em 2010.

Ao mesmo tempo em que ajuda a pavimentar a aliança nacional entre PT e PSB, o acerto foi pensado com o objetivo de enquadrar o grupo da ex-ministra Marta Suplicy, que assumiu nas últimas semanas a dianteira na defesa da candidatura própria do PT ao governo paulista. Ela chegou a afirmar publicamente que a candidatura de Ciro “não tem a ver com São Paulo” e que o PSB “nunca fez um caminho de flores” para o PT no Estado.

Marta tem dito a aliados que não vê motivos para um partido com a dimensão do PT deixar de lançar um nome próprio em São Paulo. Ainda assim, é consenso no grupo da ex-ministra que a decisão final caberá ao presidente Lula.

RECUO

Na prática, o acerto feito pelos líderes petistas na segunda-feira determina que os principais nomes ventilados como possíveis candidatos ao governo estadual se retirem da disputa para apoiar Ciro, caso o deputado decida concorrer no Estado. Além de Palocci, nome endossado por Marta para o Palácio dos Bandeirantes, o prefeito de Osasco, Emidio de Souza, também aderiu ao acerto.

Na segunda-feira, algumas horas depois de participar da conversa com membros da Construindo um Novo Brasil, Emidio reuniu seus aliados para tratar do assunto. Ele pretende divulgar um documento para reafirmar que seu nome está à disposição do partido. Mas o texto dirá também que ele se dispõe a abrir mão da vaga, em prol de uma aliança forte em torno da candidatura de Dilma. “Meu nome continua à disposição, mas não vamos nos opor à montagem de uma aliança como essa”, afirmou Emidio. “Se a conjuntura nacional caminhar para um lado, não vai adiantar caminharmos para outro.”

No grupo de Marta, ainda persiste o discurso de que Ciro pode optar por não concorrer em São Paulo, dependendo dos desdobramentos dos próximos meses. Há até defensores da tese de que o senador Eduardo Suplicy (PT-SP), que há algumas semanas colocou seu nome à disposição para concorrer ao governo paulista, pode surpreender no resultado das articulações. Defensor da candidatura própria, o líder do PT na Assembleia, deputado Rui Falcão, diz que o quadro no partido continua indefinido. “O PT só vai decidir essas questões no início do ano que vem.”

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Lula: Dilma lá e Ciro aqui

Os desdobramentos do Dilma lá e Ciro aqui

21/10/2009 - 15:49h Os desdobramentos do Dilma lá e Ciro aqui

A candidatura Ciro Gomes ao governo de São Paulo (ver Lula: Dilma lá e Ciro aqui) teria como primeiro resultado a unificação de uma boa parte da base do governo Lula, arrancando o PSB estadual da base de apoio de Serra.

Persistindo Ciro no seu legítimo desejo de ser candidato à presidente em 2010, o PSB estadual estaria embarcado na candidatura do presidente da Fiesp ao governo de Estado -candidatura que dificilmente poderá alavancar a campanha Dilma em São Paulo, ou fechar uma aliança com o PT-, ou no apoio diretamente ao candidato tucano (ambas posturas estão longe de serem incompatíveis e podem se complementar).

Ao contrário, a candidatura Ciro ao governo estadual, afasta Skalf da disputa e reduz o peso dos serristas no PSB. A aliança PT-PSB poderá incorporar sem maiores dificuldades o PC do B e o PDT, assegurando essa frente à candidatura Ciro com um perfil opositor aos demo-tucanos e atraindo apoios a própria campanha da Dilma no bastião tucano.

Mas para isso é necessário convencer Ciro a desistir de sua candidatura nacional, o que exige também uma clara disposição do PT-SP -e não só de Lula- para pressionar o candidato socialista a aceitar esta mudança.

Como ficaria, nesse contexto, a legítima preocupação dos petistas com a eleição de deputados e senadores, na ausência do 13 na disputa do executivo paulista?

Este problema é bem menor na eleição dos deputados federais, que na disputa ao senado, por razões que dificultam objetivamente a disputa dos cargos ao Senado, para o PT.

A candidatura Ciro ao governo do Estado pode pesar na decisão de Serra de pleitear a reeleição, perante as crescentes incertezas do desfecho da disputa presidencial. Isto puxaria Alckmin para o Senado, além da candidatura Quercia garantida pelo PSDB, para manter o apoio do PMDB aqui (mesmo sem este cenário, setores do DEM, do PMDB e do PSDB querem descartar Alckmin para governador, em favor de Aluisio Nunes ou Kassab).

No campo do centro-esquerda as candidaturas ao Senado incluem, além de Mercadante que só poderá disputar, nesse contexto, sua reeleição; a candidatura Chalita pelo PSB (eventualmente a do próprio Skalf) e o candidato do PC do B (com Netinho ou o próprio Aldo Rebelo). Como se vê, uma profusão de candidatos mais ou menos fortes. Para Mercadante e para o PT, uma verdadeira dificuldade a enfrentar, mas que não é insuperável. A condição sine qua non para Mercadante conseguir sua reeleição é o PT não apresentar nenhum outro nome próprio e de peso para o cargo e se mobilizar unido em favor do seu senador. Se for verdadeira a afirmação da jornalista Maria Inês Nassif que “O recuo do líder do PT, Aloizio Mercadante (SP), quando, em plena crise no Senado, deixou a liderança, é atribuído à pressão de Lula – que teria deixado claro ao senador que não faria nenhum empenho por sua candidatura à reeleição se ele expusesse o governo com sua renúncia ao cargo.” (ver Resistência a Ciro só será superada com intervenção de Lula), Mercadante poderá contar a seu lado agora, e novamente, com o apoio de Lula para sua própria reeleição.

A disposição da ex-prefeita Marta Suplicy em disputar algum cargo em 2010, e tendo em conta as implicações que provocaria uma eventual candidatura Ciro a governador e de Chalita ao Senado, a levarão provavelmente a disputar para deputada federal -salvo a deslanchar uma guerra fratricida no PT, hoje com resultado mais que incerto- e permitirá ao PT obter uma expressiva bancada federal, diminuindo, para os atuais deputados candidatos à reeleição, o peso de não ter o 13 na disputa para governador. A ex-prefeita será assim o alicerce do crescimento do número de deputados federais do PT de São Paulo, ajudando a seu fortalecimento após os escândalos que o atingiram particularmente.

Os beneficios e os riscos da candidatura Ciro Gomes se deslocar para São Paulo justificam plenamente a atitude de Lula, tanto para a campanha da Dilma como para seu desdobramento no plano estadual. Mas, diferentemente do PT onde a voz de Lula será prevalecente e preponderante, a decisão de Ciro depende dele próprio.

A lógica da articulação de Lula é que a candidatura Ciro à presidência, sem espaço político na polarização, sem alianças substanciais e sem tempo de TV, será desidratada. Ele conta, no momento oportuno, com a boa disposição do governador de Pernambuco do PSB, Eduardo Campos, para dar uma mãozinha no convencimento do Ciro. Ela requer que o Ciro não possa invocar pretextos para persistir na sua empreitada nacional. Lula espera que o PT-SP não forneça esse pretexto.

Tudo indica que será ouvido pelo PT de São Paulo.

A única incógnita será a resposta final do próprio Ciro… que chegará com as águas de março.

Luis Favre

Ver também artigo do Estadão de hoje

Acordo deve deixar Ciro fora da corrida pelo Planalto. Projeto para 2010, com apoio de Lula, seria concorrer à sucessão de Serra

21/10/2009 - 09:34h Acordo deve deixar Ciro fora da corrida pelo Planalto. Projeto para 2010, com apoio de Lula, seria concorrer à sucessão de Serra

Lula_Dilma_Ciro

Marcelo de Moraes, Vera Rosa e João Domingos, BRASÍLIA – O Estado SP

Dentro do Palácio do Planalto já existe uma certeza – o deputado Ciro Gomes (PSB-CE) não disputará a corrida presidencial contra a ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff (PT). Oficialmente, Ciro manterá a candidatura à Presidência até os primeiros meses do próximo ano, mas seu destino eleitoral já está definido e será a disputa pelo governo de São Paulo, com o apoio do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e do PT.

A retirada da candidatura não será feita com antecedência por razões estratégicas. Primeiro, o próprio Lula quer esperar pela consolidação do nome de Dilma. A expectativa é de que as viagens da ministra, como a feita ao lado de Lula e de Ciro por cidades do Rio São Francisco, já comecem a produzir efeito, refletindo nas pesquisas eleitorais.

Além disso, o governo entende que a presença momentânea de Ciro como fator favorável, pois tem disputado intenção de voto nos mesmos segmentos que o governador de São Paulo, José Serra, (PSDB), principal pré-candidato da oposição. Ele também tem assumido o debate crítico contra o tucano, o que ajuda na campanha governista.

Existe, no entanto, uma condição clara para que esse movimento se concretize. Dilma precisa ultrapassar Ciro nas pesquisas. “Se ela não decolar, ele disputa a Presidência”, avisa um dirigente do PSB.

Outro claro sinal da sintonia com o Planalto é que Ciro e os dirigentes do PSB nem sequer têm se movimentado para atrair o apoio de outros partidos. Sem alianças, terá pouco tempo de propaganda eleitoral. Na prática, Ciro e seu partido têm acompanhado com serenidade o movimento de Lula e Dilma para fecharem acordo com todas as outras legendas da base governista, sem se apresentarem como alternativa.

BLOQUINHO

PDT e PC do B, que se aliaram ao PSB para formar o chamado “bloquinho” na Câmara, também apostam na desistência de Ciro da corrida presidencial.

“Em poucos dias, boa parte dos partidos mais à esquerda deve anunciar o apoio à candidatura de Dilma”, afirmou o deputado Paulo Pereira da Silva (PDT-SP), presidente da Força Sindical, que foi candidato a vice na chapa presidencial encabeçada por Ciro em 2002. “Nesse cenário, ficará somente com o PSB e a tendência é de que seja candidato em São Paulo.”

Na avaliação de Paulinho, que conversou com dirigentes do PT e do PSB nos últimos dias, tudo indica que Ciro fará a vontade de Lula e concorrerá para governador, deixando caminho livre para Dilma. “Se ele entrar na disputa em São Paulo, nós o apoiaremos e poderemos montar uma chapa conjunta com PT e PSB.”

Lula conversou com Ciro na viagem que fez pelo São Francisco, na semana passada. O presidente, que levou Dilma a tiracolo, foi taxativo, dizendo que a base aliada deve lançar um único candidato à sua sucessão para tornar a disputa plebiscitária entre o PT e o PSDB.

“SACRILÉGIO”

Na seara petista, a desistência de candidatura própria em São Paulo é vista como uma espécie de sacrilégio por boa parte da legenda. A provável entrada de Ciro no páreo paulista divide o PT e até integrantes do grupo.

Enquanto o presidente do PT, Ricardo Berzoini (SP), e o líder do partido na Câmara, Cândido Vaccarezza (SP), apoiam a candidatura de Ciro ao Palácio dos Bandeirantes, a ex-prefeita Marta Suplicy diz que o deputado “não tem ligação” com o Estado.

A ex-prefeita quer que o PT lance o deputado Antonio Palocci (SP), ex-ministro da Fazenda, à sucessão de Serra. Palocci é hoje o curinga do Planalto, pois tanto pode concorrer em São Paulo, caso Ciro não entre na briga, como ser o coordenador da campanha de Dilma.

A saída de Ciro da corrida presidencial facilita a montagem de campanhas regionais consideradas fundamentais pelo PSB. Com ele ao lado de Dilma, a prefeita de Fortaleza, Luizianne Lins (PT), já avisou que fecha o seu apoio à reeleição do governador do Ceará, Cid Gomes (PSB), irmão do deputado, e não se lançará na disputa pelo governo.

Uma candidatura da prefeita seria um problema grave para a reeleição de Cid, já que o PT administra três das maiores cidades cearenses – Fortaleza, Juazeiro do Norte e Quixadá.

Em Pernambuco, o governador Eduardo Campos, presidente nacional do PSB, busca a reeleição. Com Ciro apoiando a campanha de Dilma, o PT local deverá reforçar o palanque de Campos. Nessa parceria, o PT poderia ainda apoiar o PSB em Mato Grosso e no Amapá.

20/10/2009 - 12:11h Lula: Dilma lá e Ciro aqui

A analise feita por Maria Inês Nassif (ver post embaixo) é pertinente. Lula decidirá o candidato de sua base em São Paulo e terá o apoio do PT-SP.

A posição defendida pelo presidente é que a eleição presidencial será plebiscitária -por ou contra o seu governo- procurando um desfecho favorável no primeiro turno. Dilma será ele na urna eletrônica, o julgamento dos seus dois mandatos. O terceiro mandato será esse, o da continuidade, ou a ruptura da volta ao passado. Esse é, esquematicamente, o desenho da disputa em 2010.

Para Lula a entrada de Marina Silva não muda esse cenário, mesmo persistindo Ciro Gomes na sua postura de pleitear o cargo de presidente em 2010. A lógica da articulação de Lula é que ambas candidaturas, sem espaço político na polarização, sem alianças substanciais e sem tempo de TV, serão desidratadas e acopladas aos dois candidatos fortes: Dilma e Serra.

No caso de Ciro, aliado de Lula durante todos estes anos, o presidente abre uma perspectiva mais que conveniente para ambos. Em troca de sua desistência e apoio a Dilma, uma candidatura turbinada ao governo de São Paulo.

A vantagem da proposta é que ela resolve favoravelmente a disputa entre duas candidaturas tentando ocupar o mesmo espaço nacional, pondo ao mesmo tempo em xeque a candidatura de José Serra no próprio bastião da oposição, São Paulo.

Não é a toa que cada vez mais a candidatura Serra é questionada na própria oposição, -uma parte do DEM e do próprio PSDB prefere Aécio- e o próprio Serra parece hesitar entre a reeleição mais tranqüila e uma derrota nacional cada vez mais provável.

A candidatura Ciro em São Paulo obriga Serra a reconsiderar suas próprias escolhas estaduais, pois nem Aluisio Nunes, nem Kassab e nem Alckmin teria um percurso tranqüilo na disputa para governador, tendo que enfrentar uma candidatura turbinada de Ciro Gomes (fora que Alckmin é um desafeto do governador de São Paulo).

Para o PT estadual, para seus candidatos ao senado e seus deputados, o efeito de não contar com o 13 na campanha majoritária, pesa negativamente na aceitação da estratégia de Lula. Pesa também para alguns os desdobramentos no futuro (2012) desse apoio a Ciro agora.

Sendo estes os argumentos e motivações da resistência a proposta de Lula, é evidente que elas não se sustentarão perante o desafio maior de vencer a eleição presidencial, a “mãe de todas as batalhas”. Os dirigentes e quadros do PT de São Paulo sabem disto.

Por isso, o PT-SP será provavelmente unânime em apoiar a candidatura Ciro… se ele, Ciro, aceitar a proposta de Lula, o que ainda ele não fez.

Descontando que isto é uma questão de tempo e nem Lula, nem Ciro, têm pressa para uma definição que pode perfeitamente acontecer em março (com vantagens indiscutíveis como a de não se expor prematuramente ao ataque tucano); a indicação de Palocci para ser um dos principais coordenadores da campanha da Dilma (mesmo cogitado por Lula para ser o candidato em São Paulo, no caso de Ciro não aceitar) é um sinal da orientação do presidente.

Salvo recusa definitiva de Ciro de sair candidato em São Paulo, qualquer outra alternativa que tente contrapor à linha presidencial, estará condenada ao ostracismo e por isso dificilmente emplacará.

O artigo de Maria Inês Nassif mostra em filigrana que os principais atores no PT começaram a entender e digerir este fato.

Quando mais cedo melhor, até para evitar multiplicar atritos que são verdadeiros tiro-no-pé dos afobados.

Luis Favre

20/10/2009 - 11:21h Resistência a Ciro só será superada com intervenção de Lula

http://www.sertao24horas.com.br/cute/data/upimages/ciro-e-lula.jpghttp://www.redebrasilatual.com.br/temas/politica/psb-aumenta-exposicao-de-ciro-gomes-de-olho-na-presidencia/image_preview

Maria Inês Nassif, de São Paulo – VALOR

O PT paulista tem a tradição da divisão – mas mantém um padrão de, no fim, submeter as disputas internas ao projeto nacional do partido. O projeto de 2006 é eleger a ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, como sucessora do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. A estratégia principal é a de fazer do presidente Lula não apenas o grande eleitor dessas eleições mas, mais do que isso, um eleitor muito qualificado. O PT nacional – que é basicamente paulista – assumiu que, num processo eleitoral com essas características, Lula é a palavra final nas decisões de alianças estaduais. O empenho pessoal de Lula, entendem os petistas que articulam próximos ao presidente, será maior ou menor a depender do seu poder de decisão sobre as políticas estaduais.

Os grupos partidários resistem ao projeto de retirar o candidato do PSB, deputado Ciro Gomes (CE), da disputa para a Presidência, acenando para ele com a candidatura ao governo de São Paulo. Mas existe o consenso de que o partido se submeterá a isso, se Lula assim o quiser.

“Se Lula decidir, Ciro vai ser o candidato” – esta é a premissa das conversas com integrantes do PT paulista. As críticas ao deputado, no entanto, são profusas, inclusive pela sua insistência em dizer que “o PSB não é sublegenda do PT”, quando todo o processo de escolha de candidatos do PT de São Paulo praticamente está paralisado esperando a decisão de sua candidatura ao governo.

Manter disponível para Ciro a possibilidade de ser candidato ao governo paulista, em vez de ser candidato a presidente, foi uma decisão de Lula, para a qual ele chamou o aval do presidente nacional do PT, o deputado Ricardo Berzoini (SP), “Ciro, você transfere o título eleitoral para São Paulo e depois a gente conversa – não é, Berzoini?” Foi com essa conversa aparentemente casual que o presidente Lula colocou Ciro no cenário eleitoral paulista, pouco antes de 2 de outubro, fim do prazo de domicílio eleitoral e filiação partidária para quem quer disputar as eleições do próximo ano.

Era uma reunião pequena, mas tinha os elementos que Lula precisava para manter aberta a possibilidade de Ciro se candidatar ao governo do Estado de São Paulo: de um lado, o próprio Ciro; de outro, Berzoini, capaz de dar aparência partidária à sua articulação. A proposta embutiu o compromisso de que terá ao seu lado o PT, se quiser ser candidato ao governo de São Paulo – o partido está amarrado a ele.

“Berzoini acabou avalizando a proposta porque foi colocado numa situação desconfortável”, afirma um petista de São Paulo que foi um dos responsáveis pela reação pública do PT à opção Ciro – a apresentação de seis pré-candidatos do partido ao governo, no dia 6: o o senador Eduardo Suplicy, a ex-ministra e ex-prefeita Marta Suplicy, o prefeito de Osasco, Emídio de Souza, os deputados federais Arlindo Chinaglia e Antonio Palocci, e o ministro da Educação, Fernando Haddad. Ainda assim, a demonstração pública de contrariedade com o desembarque de Ciro em São Paulo escondeu o único elemento de unidade de todos os grupos internos do PT do Estado: a concordância de que é de Lula a palavra final.

A única declaração pública de contrariedade ao estilo Ciro de chegar a São Paulo foi de Marta. “Ele chegou atacando o meu partido”, justificou-se a ex-prefeita, que também manifestou publicamente o seu apoio à candidatura do ex-ministro Antonio Palocci ao governo. “Palocci tem o perfil do eleitor paulista”, disse. Mesmo ela também faz a ressalva de que se submeterá à decisão de Lula no caso paulista.

Para um dos paulistas que articula nacionalmente a decisão de Lula, mais vale uma aliança na mão do que um governo voando, mesmo num Estado como São Paulo. Para os petistas que atuam localmente, embora Lula tenha perdido em 2006 nos dois turnos das eleições paulistas e o PSDB mantenha a hegemonia da disputa estadual, as chances de o partido vencer no Estado são menores ainda sem o empenho pessoal do presidente na campanha paulista. “Se ele bancar a eleição, está bom para nós”, diz um parlamentar petista.

A disputa pelo Senado é um elemento importante. O recuo do líder do PT, Aloizio Mercadante (SP), quando, em plena crise no Senado, deixou a liderança, é atribuído à pressão de Lula – que teria deixado claro ao senador que não faria nenhum empenho por sua candidatura à reeleição se ele expusesse o governo com sua renúncia ao cargo. O senador também contrariou parcelas importantes do partido regional quando expressou uma grande oposição à candidatura de Ciro Gomes ao governo internamente, e saiu da reunião dizendo, para jornalistas, que estava de acordo com a ideia.

Marta Suplicy é candidata ao Senado. E a segunda vaga está sendo negociada com o PCdoB no Estado. Se a eleição para o governo paulista mostrar-se muito difícil e Ciro resolver mesmo ser candidato a presidente, Mercadante pode ser empurrado para a disputa ao Palácio dos Bandeirantes para desocupar a sua vaga.

20/10/2009 - 10:55h Petistas defendem candidatura própria em SP

Partidos: Deputados querem que prefeito de Osasco lance manifesto para oficializar sua intenção de candidatar-se

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Luciano Máximo, de São Paulo – VALOR

Menos de uma semana depois de a Executiva Estadual do PT decidir que os pré-candidatos do partido ao governo de São Paulo em 2010 terão que ser formalmente indicados por pelo menos 1% dos 297 mil petistas paulistas, um grupo de prefeitos, vereadores e deputados estaduais e federais da legenda resolveram defender o atual prefeito de Osasco, Emídio de Souza, como o concorrente do PT ao Palácio dos Bandeirantes no ano que vem.

Essa diretriz, defendida por caciques petistas de São Paulo, como os deputados federais João Paulo Cunha, José Genoino, José Mentor, Cândido Vaccarezza (líder do PT na Câmara dos Deputados) e Devanir Ribeiro, visa a fortalecer a ala do partido que insiste em ter um nome para a disputa no ano que vem em caso de eventual “desidratação” de Ciro Gomes (PSB-CE) na corrida presidencial e, sobretudo, “tirar o PT da letargia no Estado”, governado pelo PSDB desde 1995.

“A candidatura do Emídio é muito bem-vinda pela sua história eleitoral, sua proximidade ao presidente Lula e sua posição (política) similar à da Dilma [Rousseff, ministra-chefe da Casa Civil e pré-candidata do PT à Presidência da República]“, disse João Paulo Cunha, durante reunião fechada, realizada ontem à noite em um hotel de São Paulo.

Os presentes ao encontro decidiram que, nos próximos dias, o prefeito de Osasco apresentará uma carta-manifesto oficializando sua intenção de ser o candidato do partido ao governo do Estado. “Essa história de pegar uma lista com assinatura de 1% dos filiados para escolher os pré-candidatos é uma bobagem”, criticou Cunha, reforçando que é preciso agir rápido e envolver o presidente Lula na decisão. “É preciso fazer chegar essa carta ao Palácio do Planalto. Se o Lula demora, se o Ciro demora [para tomar decisão sobre o candidato para São Paulo em harmonia com o projeto nacional de sucessão presidencial] a situação pode ficar vencida.” José Genoino também cobrou participação do presidente. “Fomos tão generosos com o projeto [sucessório] dirigido por Lula e pela Dilma, que um pacto em São Paulo vai mostrar que o PT vai para a briga, vai para a guerra”, afirmou Genoino.

Durante a reunião, outros nomes, como o do deputado federal Antonio Palocci (PT-SP) e o do ministro da Educação, Fernando Haddad, foram cogitados para a disputa ao governo paulista, mas ficou acertado o apoio a Emídio, que tem preferência de 1/3 dos prefeitos da base aliada petista no Estado e 15 deputados estaduais.

A linha do discurso do prefeito de Osasco foi a de formação de uma frente forte do PT e que também privilegie a sucessão presidencial. “Vamos buscar alianças com PSB, PR, PDT, PCdoB e meu nome vai ser colocado priorizando o projeto nacional”. Apesar de se declarar candidato a governador em 2010, Emídio disse que aceitaria ser vice de Ciro, caso o cearense desista da corrida presidencial. “Achamos que PSB e PT têm que estar juntos. Pode ser que a candidatura do Ciro tenha alguma desidratação nacional, já que ele não está conseguindo alianças. Se ele cair muito nas pesquisas fortalece a ideia de ele vir para São Paulo. Não vamos opor resistência”, revelou Emídio.

Formado em Direito, Emídio Pereira de Souza elegeu-se vereador em Osasco em 1988, e foi reeleito nas eleições em 1992 e 1996. Em 2000, lançou candidatura à prefeitura da cidade, mas perdeu a disputa para Celso Giglio. Em 2002, foi eleito deputado estadual e, em 2004, venceu Giglio em nova disputa à prefeitura. Foi reeleito no primeiro turno há quatro anos.

19/10/2009 - 11:00h Enrolados

O Globo

Panorama_2010

19/10/2009 - 09:28h Nos encontros com partidos aliados, Dilma surpreende parlamentares com humor e descontração

http://fernaslm.files.wordpress.com/2009/09/lulidilma.jpg

Pré-candidata do PT quer temperar o perfil de ”gerentona” com estilo ”ternurinha”

Christiane Samarco, BRASÍLIA – O Estado SP

A ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, vem aos poucos deixando de lado o figurino da “gerentona” do governo e do PAC (Programa de Aceleração do Crescimento) e assumindo o estilo “candidata ternura”.

Em encontro com as bancadas do PDT e do PR, no início do mês, a pré-candidata surpreendeu os parlamentares por seu nível de bom humor e descontração. Acostumados a uma ministra sisuda e cerimoniosa, os parlamentares se depararam com uma anfitriã sem formalismos. “O mais surpreendente foi o estado de espírito dela, em alto astral”, descreveu o deputado Mário Heringer (PDT-MG). “Tem outra Dilma no cenário. Ela está mudando a imagem”, reforçou o deputado Paulo Pereira da Silva (PDT-SP).

Depois de conversar também com parlamentares do PT, do PRB e do PC do B, Dilma agendou encontro com o PP do deputado Paulo Maluf (SP) e do ministro das Cidades, Márcio Fortes. A reunião será no próximo dia 27, em Brasília.

Além disso, o PMDB deve declarar apoio formal à candidatura de Dilma ainda nesta semana. A ministra desencadeou forte ofensiva para atrair os partidos da base de sustentação do governo. Quer evitar que eles apoiem a provável campanha presidencial do deputado Ciro Gomes (PSB-CE).

No encontro com o PDT e o PR, a ministra deixou claro que é candidata para valer e que, nessa condição, rejeita o figurino de “gerentona” porque ele reforça a ideia de uma pessoa desprovida do jogo de cintura, que os políticos consideram essencial em uma campanha eleitoral. Para Dilma, a oposição quer reforçar a imagem de “gerente” como forma de desqualificá-la. Ao argumentar que não é apenas executora, mas formuladora de políticas, a ministra destacou que elaborou todos os projetos relacionados ao pré-sal enviados ao Congresso.

“Agora vai aparecer uma moça simpática, humana, uma bailarina”, ironizou o presidente nacional do PSDB, senador Sérgio Guerra (PE). “Acredite quem quiser. Quem trabalha com ela tem um medo que se pela.”

Para a oposição, a ministra está renegando o título de “gerentona” porque o PAC “empacou”. Sérgio Guerra diz que a ministra só está criando a ” versão simpatia” porque a primeira não deu certo. “Se ela fosse gerente da Vale do Rio Doce, poderia montar uma campanha dizendo isso. Mas gerente do PAC não recomenda ninguém.”

SÃO PAULO

O PT trabalha para desidratar a candidatura de Ciro ao Palácio do Planalto e empurrá-lo para a disputa pelo governo de São Paulo, onde os petistas não têm candidato natural. Recém-filiado ao PSB e interessado na disputa pela sucessão de José Serra, o presidente da Fiesp (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo), Paulo Skaf, foi vetado pelo PT como candidato em uma eventual coligação.

Na avaliação de lideranças nacionais do PT, o apoio formal do PDT e do PC do B a Dilma acabará asfixiando as movimentações de Ciro.

Representantes do PT paulista, entre os quais a ex-prefeita Marta Suplicy, já criticaram a estratégia de Lula de unificar a base aliada em São Paulo em torno de Ciro. Mas petistas da direção nacional disparam telefonemas a aliados, dizendo que a opinião de Marta não tinha respaldo oficial.

COLABOROU JULIA DUAILIBI

15/10/2009 - 12:08h Uma fumaça sobre o governo Serra

TENDÊNCIAS/DEBATES- FOLHA SP


EDINHO SILVA


Os dados que subsidiam nossa publicidade são oficiais e não foram questionados pelo governador Serra

O ARTIGO do deputado Samuel Moreira sobre as propagandas do PT paulista, publicado no último dia 12 neste espaço, quer criar uma cortina de fumaça sobre o governo Serra, evitando o verdadeiro debate: a disputa de dois projetos antagônicos colocados no seio da sociedade.
Mas, para não dizer que estamos fugindo do tema, vamos às veiculações.
Os dados que subsidiam nossa publicidade são oficiais e em nenhum momento foram questionados pelo governador Serra.
O PSDB sabe que tem dinheiro do PAC em São Paulo: dos investimentos em reurbanização, como em Heliópolis e Paraisópolis, do subsídio à expansão do Metrô e do Rodoanel, dos recursos para a revitalização da Billings-Guarapiranga, além das verbas para saneamento, moradia e infraestrutura e da redução de contrapartida nas obras, que beneficiou em mais de R$ 400 milhões o Estado.
Antes de atacarem, os tucanos deveriam consultar os prefeitos, inclusive seus filiados. Dessa forma, saberiam que os municípios hoje são entes federados, parceiros da União não só nas obras estruturantes mas também nos programas sociais.
Vejamos: em São Paulo, são mais de 1,1 milhão de famílias atendidas pelo Bolsa Família, 172 mil jovens no ProUni e 26 mil no Projovem; cerca de 11 milhões assistidos por equipes do PSF (eram 5,9 milhões em 2002) e 7,8 milhões por equipes de saúde bucal (1,4 milhão em 2002); sem falar de Luz para Todos, farmácia e restaurante popular, Peti e outros. O sectarismo turva os olhos! Qual o interesse em atacar o PAC?
O programa está consolidado em meio ao povo brasileiro. Não porque queremos, mas por simbolizar um projeto com a concepção do Estado fomentador do desenvolvimento econômico e social -o que permitiu ao Brasil fortalecer sua economia e criar paradigmas internacionais- e, principalmente, por promover a inclusão de 30 milhões de brasileiros.
O que existia antes, quando Serra era importante ministro de FHC?
Outra pergunta: por que atacar o Minha Casa, Minha Vida? O Secovi mostra que, em plena crise, o mercado imobiliário teve seu melhor desempenho: em maio, 21,3% dos imóveis disponíveis na cidade de São Paulo foram comercializados. No mesmo mês, segundo o Ipea, a construção civil somou 17,4 mil empregos, o melhor saldo da década. Tanto empresários quanto o Ipea reconhecem o papel do programa nesses resultados.
Portanto, não se pode atacar um programa que mantém empregos e representa o sonho da casa própria para milhões de famílias.
Quando o deputado pergunta pelas casas do programa federal, deveria questionar a CDHU sobre as últimas iniciativas que geraram um protocolo de 30 mil unidades, 17 mil em construção. No Estado de São Paulo são 84 mil unidades do programa, 19.876 em fase avançada de edificação. E o projeto só tem seis meses.
O PSDB deveria reconhecer que vivemos um novo momento. Que as transformações são profundas e que estamos interferindo nos modelos de gestão no mundo. Isso só é possível porque o governo Lula reestruturou o Estado brasileiro.
Hoje temos instrumentos, como BNDES, Banco do Brasil e Petrobras, que fomentam o desenvolvimento e democratizam a riqueza e as oportunidades. Não nos sujeitamos ao FMI e a outros organismos internacionais.
Estabelecemos metas econômicas e criamos condições para o avanço do crédito e dos investimentos, propiciando ao Tesouro nacional, inclusive, autorizar e ser garantidor, quando precisou, do endividamento de mais de R$ 7 bilhões do governo Serra.
O deputado, tão afoito nos ataques, deveria consultar a execução orçamentária de Serra. Ela explicita outro modelo de organização social, de concepção do Estado.
Os dados demonstram que 56% das ações previstas ficaram abaixo da média empenhada e 23% das iniciativas tiveram 0% de empenho. O governo Serra retirou R$ 88 milhões da habitação, R$ 53 milhões do ensino superior, R$ 26 milhões do meio ambiente, R$ 158 milhões do Metrô, R$ 17 milhões do Ação Jovem e R$ 9,6 milhões da saúde, e não empenhou um centavo sequer no projeto universidade virtual e na agência de fomento.
A comparação mostra que temos, de um lado, o governo Lula estabelecendo o desenvolvimento econômico e social, tendo o Estado como instrumento indutor de um projeto nacional, e, de outro, a inexistência de um projeto para São Paulo, a desorganização dos programas e projetos e a fragilização do papel do Estado nas relações econômicas e sociais.
O motivo para tantos ataques, além dos anseios eleitorais, é a defensiva política em que se meteu o PSDB, apostando suas fichas no “projeto neoliberal”, no mercado como Deus supremo, no desmonte do Estado como “caminho para o futuro”.
Como não conseguem apresentar propostas articuladas em um projeto, só sobra o apego ao varejo. Daí o desespero com a possibilidade de perda do protagonismo nas ações isoladas.


EDSON ANTÔNIO DA SILVA , o Edinho Silva, 44, é presidente do PT no Estado de São Paulo e ex-prefeito de Araraquara (2001-2008).

Os artigos publicados com assinatura não traduzem a opinião do jornal. Sua publicação obedece ao propósito de estimular o debate dos problemas brasileiros e mundiais e de refletir as diversas tendências do pensamento contemporâneo. debates@uol.com.br

08/10/2009 - 12:51h Crise regional define poder nacional

ColunistaMaria Inês Nassif – VALOR

Os dois partidos preferidos do eleitor paulista, PT e PSDB, mantêm a centralidade na política nacional mais pela polarização que o eleitor do Estado faz a partir deles – o eleitor define-se ideologicamente a partir da imagem que tem dessas legendas – do que pelo perfil de ambos. Desde a virada do milênio, as seções paulistas desses partidos vivem intensas crises internas porque vitórias estaduais são o primeiro passo da disputa nacional. As lideranças consolidadas pelo eleitorado tendem também a não abrir caminho para renovação.

A posição do PSDB, de partido há muito tempo no poder estadual, tornou-o demais atrativo para lideranças mais conservadoras que estavam abrigadas em partidos que perderam força e eleitorado, como o PMDB e o antigo PP de Paulo Maluf. Militantes antigos queixam-se da queda de qualidade de seus quadros. O destino trouxe de volta para o Estado líderes petistas de maior peso que se desgastaram no primeiro governo de Lula, mas hoje eles pendem muito mais a adequar o diretório paulista ao projeto de continuidade do PT no poder federal do que propriamente de adequação das necessidades nacionais às disputas paulistas.

PT e PSDB polarizam o eleitorado do Estado desde que o ex-governador e ex-prefeito Paulo Maluf (PRP) saiu do mapa das eleições majoritárias, posição consolidada quando ele se refugiou no mandato de deputado federal, em 2006. Parte do eleitorado malufista foi absorvida pelos tucanos – o voto que por conceito era antipetista – e pouco Maluf levou consigo em alianças com o PT.

O eleitor paulista tem mantido um certo padrão de voto: o governo do Estado está há 17 anos nas mãos do PSDB, duas das três cadeiras no Senado ficam com o PT e, na Câmara dos Deputados, os dois partidos paulistas têm as duas maiores bancadas do Estado – são 18 representantes do PSDB e 14 do PT. Na prefeitura da capital se revezam petistas e antipetistas – nas últimas eleições municipais venceu a disputa o prefeito Gilberto Kassab, do DEM, como o candidato antipetista, da mesma forma que Maluf ganhou em 1992 contra o PT e o seu sucessor, Celso Pitta, em 1996.

A candidatura vitoriosa de José Serra à prefeitura, em 2004, foi o momento em que a capital conseguiu realizar de forma mais completa o voto antipetista num representante tucano, sem que ocorresse perda de votos conservadores, claramente antipetistas, para uma legenda mais à direita no espectro partidário. Em 2008, o candidato tucano Geraldo Alckmin sangrou sua candidatura para Gilberto Kassab (DEM), que conseguiu a seu favor um perfil de eleitorado conservador, antipetista, antes dirigido a Maluf, e o eleitor tucano e o antipetismo menos conservador, os dois últimos vindos das mãos de Serra, de quem o candidato do Democratas era vice na prefeitura.

Polarizados nas eleições do Estado com mais eleitores, os dois partidos ainda conservam um grande poder na política nacional. O PT ainda tem uma forte concentração das decisões nacionais nas mãos dos representantes paulistas. Seu presidente é Ricardo Berzoini, deputado federal por São Paulo, e sua Executiva Nacional é fortemente paulista. O PSDB “despaulistizou” a direção nacional ao longo do governo de Fernando Henrique Cardoso, mas não o poder. A candidatura do paulista José Serra à Presidência mobiliza grande parcela do tucanato nacional desde 2002, quando ele perdeu a eleição para o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Em 2006, quando Lula disputou a reeleição, a briga pela legenda tucana à eleição nacional não saiu do Estado: o ex-governador Geraldo Alckmin foi o candidato, depois de ganhar uma queda-de-braço com o governador José Serra, que então se candidatou ao governo. O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, que se resguarda para as grandes decisões nacionais, também irradia daqui a sua influência para o resto do país.

Da mesma forma que São Paulo, no início da década de 80, produziu as novas lideranças políticas que iriam arejar a política nacional que saía da ditadura, é no Estado que, hoje, as lideranças antigas nacionais são mais arraigadas. A renovação está se produzindo primeiramente fora de São Paulo e começa a acontecer aqui de forma tardia e com mais dificuldades. Primeiramente, porque lideranças estaduais consolidadas tendem a não ceder espaço para novos personagens. Isso ocorre nos dois partidos. No PSDB, é mais acentuada a dificuldade de depuração de quadros de qualidade ruim que tendem a se amontoar num partido quando ele vira opção de poder – e foi o PSDB o grande atrativo para ex-quercistas e pemedebistas que abandonaram a legenda pemedebista esvaziada pela polarização eleitoral entre os tucanos e o PT. No PT esse efeito foi menor porque o partido tem mecanismos de controle interno que não foram desmontados depois que este alcançou o poder federal – e que, se não facilitam a vida dos que chegam de fora, pelo menos dá instrumentos para que as direções os submetam aos interesses de maiorias partidárias.

Se o trânsito das novas lideranças é difícil no PT e no PSDB paulista, também se tornam mais complicadas as disputas internas entre as velhas lideranças. No caso do PT, a luta interna entre os grupos, mesmo depois de 2005, em algum momento pode ser interrompida pela ação de um grupo majoritário. As próprias prévias eleitorais são regras para enquadramento de minorias. Nas eleições, esses mecanismos garantem coesão no palanque, mesmo que as divisões voltem a se manifestar no dia seguinte ao pleito. No PSDB, as disputas são enquadradas em articulações de lideranças que dificilmente conseguem garantir uma mínima coesão eleitoral. Não existem compromissos sólidos dos grupos derrotados em disputa com os grupos vitoriosos, nem se observa uma coesão partidária posterior a uma grande disputa interna pela legenda para cargos majoritários.

Pelos dados colocados na mesa até agora, o PT e o PSDB paulistas vão fazer valer a tradição e se aproximam das eleições rachados. O PT tem mais chances de ir unido para o palanque estadual do grupo vitorioso, mesmo que rache novamente logo em seguida. Qualquer que seja o grupo vitorioso no PSDB paulista, não há chances de unidade nem para as eleições.

Maria Inês Nassif é repórter especial de Política. Escreve às quintas-feiras

E-mail: maria.inesnassif@valor.com.br

07/10/2009 - 14:54h A opção do PT paulista por candidatura própria

Blog do Zé Dirceu

Algumas lideranças do PT de São Paulo…

ImageAlgumas lideranças do PT de São Paulo, apesar da resolução do seu diretório regional de não excluir o apoio a candidato de partido aliado – no caso, Ciro Gomes, do PSB – e exatamente quando o deputado cearense transferiu seu domicilio eleitoral para a capital paulista, acreditaram ser necessário  reafirmar a disposição de lançar candidatura própria e apresentá-la às legendas aliadas.

Com a decisão, anunciada após reunião da Executiva regional na 2ª feira (05.10), acreditam estar expressando a vontade amplamente majoritária da militância, um universo bem diferente do eleitorado e base social do PT, nada desprezíveis em São Paulo, onde o partido já capitaliza 1/3 desse que é o maior colégio eleitoral do país.

Assim, quando se esperava um aceno ou mesmo um movimento do PT em direção ao PSB e a Ciro, o que aconteceu foi a reafirmação da candidatura própria. Pelo menos é o que se pode concluir das entrevistas de lideranças como a ex-prefeita Marta Suplicy.

O fato é que a situação no Estado não é nada boa em se tratando da base do governo Lula. O  PSB,  PMDB, PV e PTB,  além do PPS e do DEM, apóiam o governo Serra. O PSB e o PTB, aliás, tem uma longa tradição de apoio aos tucanos, iniciada com o governo Mário Covas, passando pelo de Geraldo Alckmin e agora com José Serra.

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Petistas não aceitam PSB-SP, diz Marta

No PT paulista não faltam nomes…

No PT paulista não faltam nomes para disputar o governo do Estado,  começando pelo prefeito reeleito de Osasco, Emídio de Souza e pelo deputado Antonio Palocci (SP). A ex-ministra e prefeita Marta Suplicy também é uma opção, mas hoje apóia Palocci.

Se tomarmos suas declarações como posição da direção estadual e o resultado da reunião a que me referi (leia nota acima), o partido em São Paulo não aceita a hipótese da candidatura Ciro a governador, uma possibilidade concretizada com a transferência de seu domicilio eleitoral para São Paulo.

Na prática, se as declarações de Marta expressam a posição da maioria dos dirigentes – não importam suas boas intenções ou manifestações de faz de conta – o PT de São Paulo descarta o apoio a uma provável candidatura Ciro no Estado e fortalece a tendência do deputado de optar pela disputa do Palácio do Planalto.

O PSB vive uma contradição

O partido já teve candidato à presidência da República uma vez (Anthony Garotinho, em 2002) e o deputado Ciro foi candidato ao Planalto duas vezes, em 1998 e 2002, pelo PPS, partido que trocaria pela legenda socialista em 2003.  Agora, a legenda socialista tende a apoiar a decisão de Ciro de ser candidato a presidente em 2010, mas tem que compatibilizá-la com os palanques estaduais, com a eleição e reeleição de governadores que dependem da aliança com o PT e do apoio de Lula.

A opção do PSB por uma candidatura própria contraria a avaliação do presidente Lula e da direção nacional do PT que defendem uma eleição plebiscitária já no 1º  turno. Mais do que isso: de acordo com a avaliação de alguns líderes petistas de São Paulo, Ciro no páreo ajudará inevitavelmente a levar o pleito presidencial para um 2º turno.

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07/10/2009 11:54

Duas táticas nunca deram certo

Como tenho escrito e repetido…Como tenho escrito e repetido o problema da candidatura do deputado Ciro Gomes (PSB-CE), insisto, são os palanques estaduais e a campanha. Até quando Ciro manterá um discurso só de oposição a José Serra e como se comportará o PSB nos Estados – em vários, como SP, PB, PR, AM, AL e MA – nos quais já se aliou ou pode se aliar ao PSDB?

Ou o PT caminha para uma eleição plebiscitária ou aceita a candidatura Ciro a presidente e trabalha para resolver suas conseqüências, que serão graves. Examine-se SP, por exemplo, onde Ciro poderá ter um palanque com o presidente da FIESP, Paulo Skaf, para governador; e o vereador Gabriel Chalita (PSB) para senador.

Citei SP,  mas as consequências serão ruins em toda parte. Basta ler o mapa dos palanques estaduais começando pelo CE, PE, RN, BA, SE e PI que governamos juntos (PSB-PT)

Concretizada a candidatura Ciro, o PT deve se preparar, então, para disputar o 1º turno em três frentes: contra Serra, a senadora Marina Silva (PV-AC) e Ciro. Sem ilusões, é certo que, em busca de um lugar no 2º  turno, todos estarão contra Dilma e o PT.

Ciro terá, ainda, a vantagem de se apresentar – com legitimidade e razão – como governo,  mesmo que não conte com o apoio do presidente Lula. Esse é o grande diferencial, mas não o impede de se apresentar como tal.

Outra tática que o PT poderia seguir, e à qual sou favorável,  é disputar o apoio do PSB e convencê-lo a fechar com Dilma  e a lançar Ciro candidato a governador de São Paulo. Essa é uma estratégia que exigiria uma ação conjunta das direções do PT paulista e nacional, coordenada pelo presidente Lula e pela nossa candidata, Dilma Rousseff.

Em ação, Dilma reforça seu cacife

Enquanto observamos o panorama…
Image
Dilma Rousseff

Enquanto observamos o panorama e alternativas (leia as três nota acima), a pré-candidata do PT e ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, jantou com a direção nacional do PDT, cujo presidente, Carlos Lupi (ministro do Trabalho) reafirmou a decisão de apoiar a candidatura do PT. E mais do que isso: reiterou o apoio a uma candidatura única na base do governo para uma disputa plebiscitária no 1º turno.

O PDT encampa, assim, uma posição exatamente oposta à expressada por lideranças do PT de São Paulo após a reunião de sua direção estadual na última 2ª feira (05.10).

Já o presidente Lula reforçou sua decisão de priorizar a união com o PMDB para compor uma ampla coalizão de apoio a Dilma, sua candidata. Esta, por sua vez, iniciou uma série de reuniões e o cumprimento de agendas para consolidação de seu nome e formalização de alianças.

Nesse esforço, além da direção nacional do PDT, Dilma recebeu deputados do PRB; esteve no Rio comemorando nossa vitória como país-sede das Olimpíadas de 2016; e esteve, também, no Paraná (Londrina) e São Paulo. Uma movimentação de pré-campanha que vai a pleno vapor.Foto: Fábrio Rodrigues Pozzebom/ABr

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07/10/2009 10:38

Tucanato está com medo de Ciro Gomes

Faz tempo que o tucanato paulista…Faz tempo que o tucanato paulista está com medo do deputado Ciro Gomes (PSB-CE), porque ele os conhece bem. O parlamentar foi durante muito tempo filiado ao PSDB, partido pelo qual se elegeu governador do Ceará (1991-1994). Aliás, foi o único, dentre os 27 governadores, eleito pelo PSDB em 1990.

Agora os tucanos paulistas estão apelando, levantando a tese absurda de que a transferência de domicílio eleitoral (de Fortaleza para SP) pode acarretar a perda do seu mandato de deputado porque o Ceará, com 22 representantes na Câmara ficará com 21.

A transferência de domicílio eleitoral, da mesma forma que a mudança de partido para quem não tem mandato, segundo a lei, é legal desde que feita um ano antes das eleições.

Haja casuísmo! Essa tese tucana é pura apelação! Mas, como eles não tem coragem de pedir (à Justiça eleitoral a cassação do mandato de Ciro), plantaram a notícia – e a mídia engoliu – para ver, como eles mesmo dizem, se algum eleitor do Ceará pede.

Sugestão: por que Tasso não pede a cassação?

Dou uma sugestão: a direção do PSDB pode pedir para seu senador, Tasso Jereissati (CE) pedir a cassação do mandato de Ciro. Como senador, ex-governador do Ceará e ex-presidente nacional do partido, Tasso tem todos os títulos para isso. Baixaria pura! O fato é que os tucanos começaram mal.

Pior foi o que escreveu o deputado e chefe da Casa Civil de Serra, Aloysio Nunes Ferreira Filho, pré-candidato a governador de São Paulo, no seu Twitter: “Imagine se o presidente da República resolve mudar para o Paraguai”. Uma grosseria sem tamanho!.

Temos aí os mesmos que aplaudiram a mudança de partido da senadora Marina Silva (PV-AC) e receberam de volta, de braços abertos, o tucano Flávio Arns (PR), eleito senador pelo PT em 2002 graças ao apoio de Lula e de nossa militância.

07/10/2009 - 13:33h Ciro diz que mudou domicílio eleitoral para São Paulo ‘a contragosto’

Gerson Camarotti – O Globo

Ciro diz que mudou o título eleitoral a contragosto - Ailton de Freitas

BRASÍLIA – O deputado Ciro Gomes (PSB), que trocou seu domicílio eleitoral do Ceará para São Paulo por pressão do presidente Lula, reagiu nesta terça-feira às críticas dos petistas paulistas à possibilidade de ele disputar o governo do estado . Lula tenta tirar Ciro da disputa presidencial, para deixar o caminho aberto para a ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, mas os petistas de São Paulo disseram não abrir mão de ter candidato próprio no estado.

- Mudei a contragosto (o título eleitoral). Falei que não queria. Isso faz parte de uma estratégia conversada com o presidente Lula. Só estou executando isso. Reafirmo minha disposição de ser candidato à Presidência da República – disse Ciro.

” Isso faz parte de uma estratégia conversada com o presidente Lula. Só estou executando isso “


Na segunda-feira, após reunião do PT, a ex-prefeita Marta Suplicy disse que a candidatura do aliado do PSB não tem a ver com São Paulo e defendeu o nome do deputado Antonio Palocci (PT) para a disputa.

Planalto não gostou da declaração de Marta

Diante da hostilidade do PT paulista, a cúpula do PSB decidiu reforçar o projeto presidencial do partido para 2010. Isso deve criar novas dificuldades aos planos do presidente Lula de tirar Ciro da disputa nacional. Por isso, causou forte contrariedade ao núcleo do governo, em Brasília, a declaração de Marta Suplicy.

” Isso mostra que a candidatura presidencial de Ciro é irreversível “


Interlocutores de Lula lembraram que ele trabalhou até o último momento – mesmo quando ainda estava no exterior – para garantir a mudança de domicílio eleitoral do deputado cearense.

- Essa hostilidade e esse ataque gratuito da Marta deixam claro o caminho que o PSB tem que seguir. Isso mostra que a candidatura presidencial de Ciro é irreversível – afirmou o vice-líder do governo, deputado Beto Albuquerque (PSB-RS).

- Isso é muito deselegante. É natural da Marta. Mas estamos preocupados é com a grande política e com a candidatura presidencial de Ciro – reforçou o vice-presidente do PSB, Roberto Amaral.

Apesar de evitar comentar as declarações de Marta, Ciro reafirmou sua disposição de disputar a Presidência:

- Sobre isso eu não comento. Agora, o quadro político é hostil e favorece o candidato de oposição. Para ganhar, achamos necessária a tática de duas candidaturas da base. Essa eleição não será um plebiscito como ocorre na democracia norte-americana. Nós temos que acumular muito.

07/10/2009 - 11:01h O que é melhor para o Lula? O que é melhor para o PT?

Marta e Ciro medem forças


ColunistaRosângela Bittar – VALOR

A declaração de Marta Suplicy após reunião do Diretório Estadual do PT, na segunda-feira, em São Paulo, deve ser posta em perspectiva na disputa que ali se esboça. “Há uma percepção de que a candidatura Ciro não tem a ver com São Paulo”, disse a ex-prefeita e líder de um grupo do PT, referindo-se à transferência de domicílio eleitoral do deputado cearense para São Paulo com o objetivo, seguindo planos do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, de candidatar-se a governador do Estado.

Marta sempre poderá dizer, no momento em que for conveniente, que não falava no desconforto para o eleitor paulista em receber um forasteiro, mas que está falando, como o fizeram Ricardo Berzoini e Antonio Palocci, que a candidatura Ciro já lançada tem a ver com a Presidência da República e não com o governo estadual. Mas já se passaram 24 horas e ela ainda não renegou a interpretação de que o ataque foi intencional e direto, atingindo muito fortemente o deputado do PSB.

Como não há possibilidade de resolverem tão cedo esta disputa entre dois PTs (o de Marta e o de Ciro, que tem em Lula seu único e fortíssimo padrinho) a respeito da candidatura ao governo de São Paulo, a posição inequívoca expressada por Marta Suplicy pode ser tomada como tentativa de equilíbrio de forças que estavam, até o momento, pendendo para Ciro.

O que está em discussão é uma resposta a duas perguntas: O que é melhor para o Lula? O que é melhor para o PT? O presidente da República já deixou claro que, para seus planos, o melhor é uma eleição presidencial plebiscitária entre Dilma Rousseff e José Serra, o PT contra o PSDB, cada um com seus aliados. Sua estratégia é isolar Serra e enfraquecê-lo ao máximo, afastando tudo o que pode adensar esta candidatura e até apostar na sua desistência. “Bastaria, na campanha, compararmos os oito anos do Fernando Henrique com os nossos oito anos de governo e não teria para mais ninguém”, resume um frequentador dessas reuniões preliminares a linha de campanha em preparação.

Para chegar a este cenário polarizado, uma providência preliminar era resolver os problemas dos aliados, e o principal deles o Ciro, que já foi candidato, tem uma base eleitoral e projeto pessoal. Lula recomendou que transferisse seu título para São Paulo, disputasse o governo do Estado, se ganhasse seria governador se perdesse seria ministro da Dilma. O presidente vislumbrou neste cenário não só uma solução para depurar a campanha presidencial como para fazer uma radical disputa com o PSDB, capaz de sangrar não só a candidatura tucana ao governo do Estado como a candidatura Serra à Presidência, na sua base eleitoral mais ampla.

A descrição feita por um aliado fiel que Lula tem no PT mostra o efeito esperado: “Ciro seria um bom candidato a governador, já foi candidato a presidente, na crise ele cresce muito, seria um ótimo adversário para o PSDB, não tem medo do Serra, não tem medo do Alckmin, fala as coisas, chuta acima da canela, é um candidato rompedor que estamos precisando em São Paulo”. Ciro, neste raciocínio, fez sua parte: transferiu o domicílio eleitoral no fim do prazo, não dando tempo à reação do PT, fez tudo como recomendado pelo presidente e, se não der certo o plano, será candidato a presidente da República pelo PSB.

A partir da análise de que o PT não poderia deixar de ter candidato próprio em São Paulo por uma série de razões – satisfação à militância, manutenção dos 30% de votos cativos do partido, não entregar de graça seu trabalho eleitoral a mais um concorrente, entre outras – o Partido dos Trabalhadores viu consolidar-se um outro cenário com a entrada de Marina Silva na disputa. Ganhou força, dentro do PT, a tese de que “quanto mais candidato melhor”, porque isto leva ao segundo turno. E, no segundo turno, os aliados se uniriam contra o PSDB. Nesta hipótese, a candidatura Ciro ao governo de São Paulo perde relevância. Ele seria mais um candidato da base à Presidência e o PT concorreria em São Paulo com um dos cinco ou seis nomes colocados à discussão sendo que, no momento, o principal é Antonio Palocci. Todos os pré-candidatos querem que o PT tenha candidato: o próprio Palocci, Emídio de Souza, Elói Pietá, Arlindo Chinaglia, Eduardo Suplicy, Marta Suplicy, cada um com seus apoiadores.

As duas concepções estão, no momento, convivendo litigiosamente, e assim continuarão provavelmente até o ano que vem. Nada será decidido agora, as posições estão colocadas e o presidente Lula entrará em campo, certamente, para fazer valer a sua vontade, compatibilizando interesses. O mais provável é que consiga o que quer mas é possível que o instinto de autopreservação leve o grupo de Marta Suplicy à disputa. Segundo um dos participantes do encontro de segunda-feira, há mais petistas do que se imagina achando que Lula está centralizando demais o PT, que ainda vê Dilma Rousseff como candidata dele e não do partido, e que mantêm acesa a irritação com os sapos que a popularidade amazônica do presidente os faz engolir todos os dias. Mas o clima é de tensão. Ao bater de frente com Ciro, Marta bateu de frente com Lula.

Rosângela Bittar é chefe da Redação, em Brasília. Escreve às quartas-feiras

E-mail: rosangela.bittar@valor.com.br

06/10/2009 - 12:56h Coluna Panorama Político do jornal O Globo

Leia a integra da coluna de Ilimar Franco com Fernanda Krakovics, no jornal O Globo


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06/10/2009 - 08:27h PT reage a Ciro com 6 postulantes em São Paulo

Partidos: Para Marta, deputado do PSB “não tem nada a ver com SP”

Eduardo Knapp / Folha Imagem
Foto Destaque
Palocci, Edinho e Berzoini: sob pressão do presidente Lula, estratégia petista é viabilizar um nome para a hipótese de Ciro não vingar como candidato


Caio Junqueira, de São Paulo – VALOR

O PT paulista começou ontem a se articular para construir uma candidatura própria ao governo do Estado de São Paulo. A ideia é ter ainda este ano um nome para ser colocado na mesa de negociação com os aliados no início de 2010. Por enquanto, os pretendentes são o senador Eduardo Suplicy, a ex-ministra Marta Suplicy, o prefeito de Osasco, Emídio de Souza, os deputados federais Arlindo Chinaglia e Antonio Palocci, e o ministro da Educação, Fernando Haddad.

O encontro foi uma resposta imediata às movimentações do PSB estadual, que promoveu uma agressiva campanha de filiação de personalidades para alavancar uma candidatura ao Palácio dos Bandeirantes. No saldo final, o partido trabalha com três nomes: o deputado federal Ciro Gomes, o vereador paulistano Gabriel Chalita e o presidente da Federação das Indústrias de São Paulo (Fiesp), Paulo Skaf. “Não dá para lideranças do PSB afirmarem que o partido terá candidato independentemente do PT. É uma postura inábil”, disse o presidente do PT-SP, Edinho Silva.

Os petistas avaliam que é necessário construir um nome na legenda sem fechar as portas para qualquer aliado. O receio é de que se Ciro se lançar à Presidência da República no próximo ano, o partido não tenha um nome viável a quem apoiar tampouco para lançar à sucessão paulista. Até mesmo o apoio a Ciro no Estado é dúvida.

“O Ciro mudou o domicílio eleitoral para São Paulo mas declara que prefere a candidatura a presidente. Precisamos nos preparar desde já, construir um calendário sem fechar as portas para os aliados”, afirma o presidente nacional da sigla, deputado Ricardo Berzoini, que colocou algumas ressalvas a serem observadas em uma possível aliança com o PSB: “Tem muitos setores do PSB aliados ao governo do Estado aqui”.

Outras lideranças, como Marta Suplicy, foram mais contundentes. “Estamos chegando a percepção de que a candidatura Ciro não tem nada a ver com São Paulo. O PSB nunca fez caminho das flores para o PT aqui”, disse a ex-ministra, que defende a candidatura Palocci. “Para aprovar o Ciro temos que saber como o PSB vai estar em nível nacional. Nas últimas eleições eles não se coligaram formalmente conosco”, disse Edinho.

Os principais defensores da aliança com Ciro Gomes foram os emissários do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, autor da idéia: o líder do PT no Senado, Aloizio Mercadante, e na Câmara, Candido Vaccarezza. Palocci defendeu que o nome de Ciro deve ser considerado em se tratando de uma aliança com o PSB.

Embora haja dúvida, a aliança com o PSB para enfrentar os 16 anos de gestão tucana no Estado só teria chances de ocorrer se Ciro fosse candidato. Paulo Skaf está informalmente descartado pelo PT. “Não podemos vetar nenhum nome, mas o Ciro tem mais sensibilidade dentro de setores do PT. Ninguém falou em abrir diálogo com o PSB sendo o Skaf candidato”, disse Edinho.

De acordo com ele, a atuação pró-ativa de Skaf pela derrubada da CPMF em dezembro de 2007, percorrendo gabinetes no Senado e organizando manifestações, é o principal motivo. Sua atuação como estimulador do movimento “Cansei”, em julho de 2007, oficialmente “Movimento Cívico pelos Direitos dos Brasileiros”, reforça a rejeição interna. “Ele teve posições políticas que se traduzem hoje em resistências ao seu nome. Suas posições geraram descontentamento no PT e no governo”, afirmou Edinho.

05/10/2009 - 19:12h Quem tem pressa, come cru

Luis Favre

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A reunião do Diretório Estadual do PT aprovou um calendário para começar o processo de designação de seu candidato a governador, sem fechar a porta para o diálogo com os partidos da base aliada e nem recusar o eventual apoio a candidatura de Ciro Gomes.

A decisão é sábia, permitindo que o partido possa se movimentar no plano estadual, levando em conta as manifestações repetidas de Ciro Gomes de sair candidato a presidente pelo PSB, mas sem rejeitar a procura de alianças amplas para alavancar uma candidatura de oposição aos demo-tucanos no Estado.

Existem elementos importantes em favor da candidatura Ciro Gomes ao governo estadual, tanto do ponto de vista da campanha presidencial em favor de Dilma Rousseff, como do ponto de vista estadual, na disputa contra o continuismo tucano em São Paulo.

Ciro tem todas as credenciais para ser um candidato forte aqui no Estado e sua contribuição ao debate político estadual é bem-vinda. Isto não significa que seja necessariamente a melhor opção para o campo da Dilma, aqui. Mas a discussão está aberta e não existe qualquer ultimato ou decisão imperativa, segundo as declarações do presidente estadual do PT.

O presidente Lula tentará ainda convencer Ciro a sair da disputa nacional? Ou tendo registrado a vontade várias vezes reafirmadas do candidato socialista, jogará em favor da candidatura Palocci, a favor da qual manifestou-se meses atrás?

Não tendo pressa para essa escolha, Lula aguarda que o processo se decante, até porque os próprios demo-tucanos estão longe de ter definido se terão Alckmin, Aloysio, Kassab ou o próprio José Serra como candidato ao Palácio dos Bandeirantes. Lula tem razão. Neste caso a pressa é inimiga da sabedoria. LF

05/10/2009 - 18:44h PT começa a definir pré-candidato para SP em novembro

Nomes serão apresentados por grupos do partido, sem a necessidade de o pré-candidato se apresentar

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Edinho, presidente do PT estadual


Anne Warth, da Agência Estado

SÃO PAULO – O Partido dos Trabalhadores (PT) vai iniciar no dia 1º de novembro o processo para a escolha dos pré-candidatos ao governo de São Paulo nas eleições de 2010. A informação foi confirmada pelo presidente estadual da sigla, Edinho Silva, que se reuniu com líderes da legenda nesta segunda-feira, 5, na capital paulista.

O PT decidiu também que não será necessário que o próprio pré-candidato se apresente como alternativa. Bastará que grupos apresentem nomes que consideram bons candidatos, resolução que facilita o caminho do ex-ministro da Fazenda e deputado federal Antônio Palocci (PT-SP) que, publicamente, não admite o desejo de concorrer ao governo de São Paulo, pretendendo ser aclamado como uma escolha da maioria da legenda.

Segundo Edinho, há consenso dentro do partido de que o PT deve escolher um nome para apresentar às siglas aliadas como uma das alternativas para o cargo de governador do Estado. A decisão ocorre logo após o deputado federal Ciro Gomes (PSB-CE) transferir o seu domicílio eleitoral para São Paulo, o que abre a possibilidade para que ele concorra ao governo do Estado em 2010. A transferência de Ciro, segundo Edinho, ocorreu a pedido do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, defensor do nome para o cargo.

O ato foi encarado como uma forma de pressão do PSB sobre o PT, o que levou os petistas a voltarem a defender a candidatura própria de forma enfática. A ex-prefeita de São Paulo e ex-ministra do Turismo Marta Suplicy foi quem fez a manifestação mais contundente. Depois de deixar a sede do diretório estadual do PT, ela afirmou que a eventual candidatura de Ciro “não tem a ver com São Paulo”.

Edinho ressalta ainda que mesmo as lideranças do partido que se colocam a favor da eventual candidatura de Ciro admitem que o PT precisa apresentar um nome da legenda no âmbito estadual. “Mesmo aqueles que são pró-Ciro entendem que o PT não pode deixar de ter um nome, mesmo que seja para negociar com o PSB”, disse ele. “O PT precisa de uma liderança, não é possível que o partido entre de forma fragilizada na negociação”, reafirmou. Edinho insistiu que o PT não vete o nome de Ciro para o governo de São Paulo, mas reconheceu que há grande resistência ao presidente da Fiesp, Paulo Skaf, que acaba de se filiar ao PSB e tem pretensões de concorrer ao Palácio dos Bandeirantes.

“Todos defenderam que temos de consultar o PSB. Mas não dá também para que lideranças do PSB falem o tempo todo na imprensa que o partido terá candidatura própria em São Paulo, independente do PT. Isso é uma postura inábil do PSB”, afirmou. “Não podemos chegar a uma negociação vetando nenhuma liderança de nenhum partido. O Ciro Gomes tem mais sensibilidade de alguns petistas, mas o nome de Skaf, neste momento, ninguém falou favoravelmente”, ressaltou.

Segundo Edinho, grande parte da base do PT e de lideranças do partido não aprova o nome de Skaf, que liderou movimento que culminou no fim da Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira (CPMF), derrubada no Senado, e promoveu o ato “Cansei”, em que entidades empresariais e representativas da sociedade civil se colocaram contra o governo Lula. “Mesmo o governo tendo tentado dialogar na questão da CPMF, naquele momento o movimento puxado por Skaf foi arredio ao diálogo”, afirmou o petista. “E o movimento ‘Cansei’ foi de partidarização da sociedade civil, que não deveria ter posições partidárias. Era claramente contra o partido, contra o PT”, frisou.


Consultas

O PT vai iniciar um processo de consultas formais ao nomes que se colocam como pré-candidatos ao governo de São Paulo ainda neste mês. Entre os cotados, há Antônio Palocci, Marta Suplicy, o prefeito de Osasco, Emídio de Souza, o ministro da Educação, Fernando Haddad, o deputado federal Arlindo Chinaglia (PT-SP), e o senador Eduardo Suplicy (PT-SP), que, segundo Edinho, manifestou o desejo de concorrer ao governo em reunião desta segunda.

Embora as inscrições para pré-candidatos já tenham data marcada, a partir do dia 1º de novembro, o prazo para a escolha final ainda não está decidido e poderá ocorrer até dezembro, como defendem alguns grupos petistas, ou somente em março, como desejam outras lideranças. Segundo Edinho, o pré-candidato será escolhido por consenso. “Não há ambiente para a realização de prévias no PT”, garantiu.

Apesar da quantidade de pré-candidatos ao governo de São Paulo, o nome mais forte dentro do PT é o de Palocci. Ele deixou a reunião sem falar com os jornalistas. Mas, de acordo com Edinho, o deputado defendeu o diálogo com o PSB e demais partidos aliados (PDT, PR, PCdoB, PTB, PP) e afirmou que a candidatura de Ciro Gomes deve ser considerada pelo PT. “Ninguém foi contra dialogar com os aliados.” Mas segundo outros membros do partido, Palocci acredita que o PT precisa defender um nome para não se tornar refém de Ciro ou de Skaf.

Outro pré-candidato, o prefeito de Osasco, Emídio Sousa, confirmou que lançará o seu nome na disputa. “Pode ser que eu apresente (a candidatura) ou um grupo o faça, mas meu nome vai ser colocado.” Ele também admitiu que há uma preocupação dentro do PT de não se tornar refém do PSB e de Ciro. “Há uma preocupação porque todas as declarações que Ciro fez até hoje negavam a intenção de ser candidato ao governo de São Paulo. Ele dizia querer ser candidato a presidente. Então, porque vamos ficar aguardando que esse cenário mude? O PT tem força suficiente para se movimentar, independente do que o Ciro acha”, declarou. “Além disso, o PSB tem outros pré-candidatos, como o Skaf e o vereador Gabriel Chalita. Não há motivo para ficarmos parados”, acrescentou.

Para o presidente nacional do PT, deputado federal Ricardo Berzoini (PT-SP), a legenda precisa se preparar para as eleições de 2010, independente da transferência do domicílio eleitoral de Ciro para São Paulo. “Vamos construir uma candidatura a partir dos vários nomes que estão sendo ventilados, levantados pela militância e lideranças”, disse. “Nós não estamos fixando uma posição de que o PT será obrigatoriamente candidato, mas não podemos ficar esperando as definições de o PSB e dos demais partidos sem preparar a nossa candidatura. Se o PT desejar ter candidato, terá de construir isso.”

03/10/2009 - 12:23h Em dia de Ciro, Palocci admite disputar SP

Na mesma data em que o deputado do PSB transferiu domicílio para o Estado, petista diz que aceita debater candidatura ao governo

Conforme acordo entre os partidos aliados, decisão sobre candidaturas ocorrerá apenas após definição de nomes para a Presidência

Luiz Carlos Murauskas/Folha Imagem

Ciro Gomes e seu título eleitoral, que foi transferido para SP


JOSÉ ALBERTO BOMBIG E FERNANDO BARROS DE MELLO – FOLHA SP

DA REPORTAGEM LOCAL

No dia em que o deputado federal Ciro Gomes (PSB-CE) transferiu seu domicílio eleitoral para São Paulo e manteve aberta a alternativa legal para disputar o governo do Estado, o ex-ministro da Fazenda Antonio Palocci (PT) admitiu pela primeira vez a possibilidade de também concorrer à sucessão do tucano José Serra no Palácio dos Bandeirantes em 2010.
A decisão, no entanto, conforme acordo entre os dois partidos, só deverá acontecer no início do ano que vem. Até lá, as duas siglas têm como objetivo comum a “desconstrução” da atual gestão tucana no Estado.
O anúncio de Palocci é uma forma de os defensores da candidatura própria petista ao Palácio dos Bandeirantes se contraporem aos setores do partido que apoiam Ciro e que até comemoraram a transferência de seu domicílio eleitoral.
“A agenda dada pelo Diretório Nacional de discutir esse assunto [candidato da eleição estadual] em fevereiro ou março é a mais adequada. Eu tenho toda a disposição de fazer essa discussão na hora certa”, afirmou Palocci, que também é deputado federal e um dos principais nomes do PT no Estado.
Desde que foi absolvido pelo Supremo Tribunal Federal, no mês passado, da acusação de ter violado o sigilo bancário do caseiro Francenildo Costa, Palocci passou a ser o principal nome do PT na corrida pelo Bandeirantes. Ele conta inclusive com o apoio do presidente Luiz Inácio Lula da Silva caso Ciro não aceite retirar sua candidatura a presidente da República para ajudar a petista Dilma Rousseff [ministra da Casa Civil].
Mas, até ontem, Palocci se recusava a comentar publicamente o assunto. O ex-ministro da Fazenda justificou a iniciativa de aguardar o início de 2010 afirmando que é preciso esperar a definição das candidaturas ao Planalto.
Palocci foi o centro das atenção da festa feita pelo PT, em São Paulo, no início da tarde, para filiar o empresário Ivo Rosset, presidente da empresa têxtil Valisère, e sua mulher, a psicanalista Eleonora Mendes Caldeira, ao partido.
Assim que a festa petista acabou na Câmara Municipal, Ciro reuniu correligionários e jornalistas para assinar a mudança de seu domicílio eleitoral.
Ciro admitiu a possibilidade de concorrer na sucessão estadual, apesar de reafirmar sua intenção de disputar a Presidência e dizer que seu partido tem um forte nome, o recém-filiado presidente da Fiesp (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo), Paulo Skaf.
Ele disse ter atendido a considerações de seu partido e “de parceiros de grande relevância”, citando “muitos militantes queridos do PT”.
“Eu venho para ajudar.Confesso minha vontade de reafirmar uma candidatura à Presidência. Porém, agora com a legitimidade formal de ajudar a construir também aqui a agenda de São Paulo”, disse Ciro.
Conforme a lei, o candidato precisa ter o título eleitoral registrado na cidade e, consequentemente, no Estado pelo qual irá concorrer, pelo menos um ano antes da eleição.
Na segunda-feira, a direção estadual do PT-SP tem programado um extenso debate sobre a sucessão de Serra. A ala mais próxima da ex-ministra Marta Suplicy defende, internamente, a candidatura própria com Palocci à frente da chapa. Outra, afinada com o Planalto, sonha em ter Ciro Gomes na chapa.
“O mais importante é nós juntarmos os partidos da base aliada ao presidente Lula para definirmos um único nome. Se for o do Ciro, ótimo”, disse Cândido Vaccarezza, líder do PT na Câmara dos Deputados.
O próprio Palocci, por sua vez, comemorou a decisão do deputado do PSB: “O Ciro é muito bem-vindo ao debate em São Paulo. Vai ser muito considerado por nós”.
Ciro voltou a fazer críticas ao governador Serra e ao PSDB. “O governo do [ex-presidente] Fernando Henrique, com Serra ministro durante oito anos, foi um desastre”, disse. Apesar de afirmar que tem um diálogo permanente com o PT, Ciro também fez críticas ao partido, especialmente ao desejo petista de encabeçar as chapas.