19/10/2009 - 09:07h Prioridade é eleger Dilma, diz novo articulador de Lula

Ministro de Relações Institucionais, Alexandre Padilha, defende candidatura única

Para atender ao projeto nacional, Padilha afirma que o PT poderá ter de abrir mão de lançar candidatos em alguns Estados em 2010


Alan Marques/Folha Imagem
alexandre_padilha
O novo ministro de Relações Institucionais, Alexandre Padilha


VALDO CRUZ E LETÍCIA SANDER – FOLHA SP

DA SUCURSAL DE BRASÍLIA

Novo articulador político do governo Lula, o ministro Alexandre Padilha disse à Folha que a eleição presidencial caminha para “termos uma candidatura única” da base governista e que a prioridade do PT em 2010 será tentar eleger a ministra Dilma Rousseff (Casa Civil) e construir bancadas fortes no Senado e na Câmara. Petista, Padilha deixou claro que isso significa o PT abrir mão de candidaturas em alguns Estados em favor dos aliados, sugerindo que pode haver uma determinação nesse sentido em caso de resistências. Sexto ministro de Relações Institucionais do período Lula, ele afirmou também que o governo não tomará nenhuma iniciativa para apoiar a volta de uma nova versão da CPMF e indicou que a taxação de Imposto de Renda sobre a poupança foi engavetada -temas impopulares e que podem ser usados pela oposição em 2010.

FOLHA – Havia a expectativa de que o governo Lula quebraria a tradição de utilizar a negociação de cargos e emendas para ter uma base aliada forte no Congresso. É possível quebrar esta corrente?
ALEXANDRE PADILHA
- Tanto acho possível que estamos quebrando esta engrenagem.

FOLHA – Lula foi muito criticado pelo apoio a José Sarney, Renan Calheiros, Fernando Collor. Para governar é preciso ser assim tão tolerante?
PADILHA
- Primeiro, nós governamos com as características do sistema político brasileiro e estamos promovendo mudanças. A ideia de um governo de coalizão é um avanço nisso.

FOLHA – O sr. acha possível aprovar uma nova versão da CPMF, a Contribuição Social, voltada para a saúde?
PADILHA
- Isso não é um tema nem uma iniciativa do governo. Acho que só é possível se existisse um processo de mobilização de governadores, prefeitos, da sociedade. Isso não se demonstrou até o momento.

FOLHA – O governo lutou para prorrogar a CPMF, agora o sr. diz que este não é um tema de governo. Houve também um recuo na tributação da poupança. O governo está refém da eleição?
PADILHA
- Não. O único cálculo que o governo faz é da importância das medidas para o momento que o Brasil vive, para a superação da crise. O que avaliamos como importante encaminhamos para o Congresso, enfrentando inclusive o debate que é promovido por ele.

FOLHA – Será enviado o projeto de taxação da poupança de IR?
PADILHA
- Teve um debate no fim do primeiro semestre no âmbito do conselho político, a Fazenda apresentou uma proposta. Depois, o próprio ministério não deu continuidade à apresentação do projeto.

FOLHA – Qual deve ser o lema do candidato do PT em 2010?
PADILHA
- A única coisa que acho sobre a eleição de 2010 é que vai ser polarizada, que confronta dois projetos para o país.

FOLHA – Mas o sr. não acha que o eleitor estará mais preocupado com o futuro do que com o passado?
PADILHA
- O eleitor vai decidir sobre o futuro a partir dos ganhos que ele teve no presente.

FOLHA – Na sua avaliação, como será a escolha do eleitor em 2010?
PADILHA
- Confio plenamente que o governo do presidente Lula terá todas as condições de fazer a sua sucessora.

FOLHA – A ministra Dilma?
PADILHA
- A ministra Dilma, não tenho dúvida, é a pessoa que expressa isso dentro do governo, quem mais acumulou os conhecimentos sobre aquilo que o governo Lula mudou na vida da população.

FOLHA – A ministra, que até então era vista como a mais técnica, tem agora dividido sua agenda de trabalho com ações políticas. Não temem ser acusados de abuso da máquina?
PADILHA
- Não, não tem nenhum procedimento feito pelo governo que caracterize isso.

FOLHA – O sr. acha que o vice dela deve ser do PMDB?
PADILHA
- Vejo com muita simpatia o desejo do PMDB de compor e de apoiar Dilma e acho que ele tem quadros políticos que podem contribuir.

FOLHA – Como avalia as candidaturas da ex-ministra Marina Silva (PV) e do ex-ministro Ciro Gomes (PSB)?
PADILHA
- São dois quadros extremamente valiosos. O ministro Ciro teve um papel fundamental de contribuição ao governo no primeiro mandato. Sem dúvida alguma pode contribuir muito para o embate eleitoral que vamos ter em 2010, numa eleição que vai ser polarizada. Ela caminha para termos uma candidatura única.

FOLHA – Só uma?
PADILHA
- Caminha para isso. Por ser uma eleição polarizada, caminha para ter uma candidatura por parte do governo.

FOLHA – A tendência então é o Ciro ser candidato em SP?
PADILHA
- Você tem de perguntar para ele.

FOLHA – Ele pode ser vice da ministra Dilma?
PADILHA
- Acho que não existe nenhuma tendência para se fechar essas situações hoje.

FOLHA – Muitos defendem que o PT ceda nos Estados pela aliança nacional. Isso pode acontecer?
PADILHA
- O PT está bastante comprometido com o projeto nacional, bastante convencido de que a prioridade para o PT é a eleição da ministra Dilma como sucessora do presidente Lula. A outra prioridade é constituir uma forte bancada no Senado e na Câmara.

FOLHA – Mas até agora nenhum pré-candidato do PT abriu mão.
PADILHA
- O fato de a gente já ter, em vários Estados, um conjunto de forças políticas em torno de outros candidatos é uma demonstração de que o PT prioriza o projeto nacional.

FOLHA – Cite um exemplo?
PADILHA
- Tem vários Estados em que o PT não lançou pré-candidato. É uma situação única no PT essa não sinalização de candidatos, apoiando desde o início outros partidos.

FOLHA – Quando tiver dois candidatos da base aliada, como na Bahia, significa que Lula vai subir no palanque dos dois?
PADILHA
- Faço minhas as palavras do governador Jaques Wagner, que disse que a prioridade dele é o projeto nacional. Aquilo que puder contribuir e ajudar para a candidatura de Dilma ele vai fazer. Se for a existência de dois palanques, ele vai conviver com isso.

11/09/2009 - 14:55h 2010: Provável futuro presidente do PT diz que candidatura de Marina estimulou Ciro a se candidatar também


Para Dutra, base irá fragmentada no 1º turno

César Felício, de Belo Horizonte – VALOR

Favorito para a eleição interna para a presidência do PT, o ex-senador José Eduardo Dutra (SE), da corrente Construindo um Novo Brasil (CNB), já trabalha com um cenário de fragmentação do quadro eleitoral em 2010 tanto para a Presidência da República quanto nas eleições estaduais.

“Qual foi o efeito imediato da possível candidatura da senadora Marina Silva pelo PV? o Ciro Gomes (PSB) se sentiu estimulado a ser candidato. Ele tem uma tese que a eleição no próximo ano não deve ser plebiscitária. O Ciro vinha sendo convencido da importância de uma eleição bipolarizada, mas agora reposicionou-se como candidato”, afirmou Dutra, referindo-se ao deputado cearense a quem o presidente Luiz Inácio Lula da Silva tenta convencer a transferir o título eleitoral para São Paulo e lançar-se candidato a governador.

Segundo Dutra, “o PT vai insistir na aliança, até porque quer manter a unidade nos Estados governados pelo PSB, mas é certo que no segundo turno, o campo governista estará unido”, disse.

Dutra afirmou ainda que o partido estará preparado para a multiplicidade de candidatos da base governista nos Estados. Minas Gerais é um dos Estados onde a divisão é possível. O ministro das Comunicações, Hélio Costa , é o virtual candidato do PMDB e há uma disputa dentro do PT pela cabeça de chapa entre o ministro do Desenvolvimento Social, Patrus Ananias, e o ex-prefeito de Belo Horizonte Fernando Pimentel.

“Vamos tentar reproduzir ao máximo a aliança nacional. Mas em Estados onde isso não for possível, será possível um consenso por regras de convivência. Minas Gerais não é o quadro mais grave. O mais grave é na Bahia”, afirmou. Na Bahia, o ministro da Integração Nacional, Geddel Vieira Lima (PMDB), colocou-se como candidato, contra a reeleição do governador petista Jaques Wagner.

Dutra visitou Belo Horizonte para o lançamento da candidatura à presidência estadual do PT do dirigente Gleber Naime, que apoia a pré-candidatura de Patrus. No dia 26, deve voltar a Minas para o lançamento da candidatura estadual à reeleição do deputado Reginaldo Lopes, que apoia Pimentel. O ex-senador negou que a eleição direta petista seja uma prévia da disputa interna entre Patrus e Pimentel.

“O processo de eleição direta do PT não tem a tarefa de substituir a prévia para a escolha do candidato ao governo. Nem aqui em Minas e nem em outros Estados”, afirmou. Hegemônico no atual comando do partido no Estado, Pimentel continua apostando na eleição interna petista para evitar as prévias. Seu grupo político lançou uma chapa própria, chamada “PT para Todos”, para a disputa nacional, sem indicar um candidato a presidente.

É uma forma de apoiar Dutra para o comando da sigla e ao mesmo tempo demarcar seu território no Estado. Uma vitória da “PT para Todos” em Minas será utilizada por Pimentel como um sinal de que tem o apoio da maior parte do partido para concorrer ao governo em 2010.

Uma possível aliança entre PT e o PMDB também passará por uma disputa interna pemedebista. Com apoio do ex-governador Newton Cardoso, o deputado estadual Adalclever Lopes disputa a presidência estadual da sigla contra o deputado federal Antonio Andrade, ligado a Hélio Costa. Dentro do PT, uma vitória de Adalclever seria vista como o fim da possibilidade de uma composição de Hélio Costa com o PSDB do governador Aécio Neves. Se Antonio Andrade ganhar, o ministro das Comunicações fica fortalecido para negociar apoio à sua candidatura tanto entre os petistas como com Aécio.

20/08/2009 - 09:23h Marina deixa PT e diz que pode ajudar na revisão programática do PV

A ex-ministra confirmou que a possibilidade da disputa à Presidência da República está sendo discutida.

O líder do PV na Câmara, deputado Sarney Filho (MA), afirmou que há conversas com outras legendas, como P-Sol e PSC, sobre uma eventual aliança na campanha, para aumentar o tempo de propaganda gratuita no rádio e na televisão

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Raquel Ulhôa, de Brasília – VALOR

A senadora Marina Silva (PT-AC), ex-ministra do Meio Ambiente do governo Luiz Inácio Lula da Silva por mais de cinco anos, confirmou ontem sua saída do PT, depois de 30 anos de filiação. Com a decisão, Marina avança nas negociações para se filiar ao Partido Verde (PV) e disputar a Presidência da República em 2010. Uma eventual candidatura da senadora ao Palácio do Planalto pode causar prejuízos tanto à estratégia eleitoral governista quanto à da oposição.

Marina deixa o PT sem receber de Lula um gesto no sentido de tentar demovê-la da decisão. No PV, a adesão da ex-ministra e sua candidatura a presidente são consideradas certas. Ontem, ela anunciou apenas a saída do PT, mas admitiu sentir-se “livre” para discutir o convite do PV para participar de uma “revisão programática”, com atualização do programa e do estatuto. O objetivo é apresentar ao país um modelo de desenvolvimento baseado na “sustentabilidade ambiental, social e econômica”.

Em carta ao presidente nacional do PT, deputado Ricardo Berzoini (SP), Marina lista algumas “conquistas” de sua gestão no Ministério do Meio Ambiente – a queda do desmatamento da Amazônia, a estruturação e fortalecimento do sistema de licenciamento ambiental e a criação de 24 milhões de hectares de unidades de conservação federal – e diz que “faltaram condições políticas para avançar no campo da visão estratégica”. Em entrevista, afirmou que o meio ambiente “não deveria ser algo periférico, onde você faz uma militância quase que à margem do processo decisório do governo”.

Ao comentar a decisão de Marina, Berzoini descartou a possibilidade de o partido reivindicar, na Justiça Eleitoral, o seu mandato no Senado. Segundo ele, a ação “não faria sentido”, já que a ex-ministra “não agiu em detrimento do PT”, nem “em postura dissonante” da legenda.

Decisão tomada em 2007 pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), posteriormente confirmada pelo Supremo Tribunal Federal (STF), deu aos partidos o direito de preservar a vaga de político que, eleito pela sigla, pedir desfiliação sem justa causa. O partido tem 30 dias, depois do pedido de desfiliação, para pedir à Justiça Eleitoral a decretação da perda do mandato.

Na carta ao dirigente petista, a senadora criticou os “equívocos da concepção do desenvolvimento centrada no crescimento material a qualquer custo” e disse ter desistido de lutar pela questão ambiental dentro do PT. “É o momento não mais de continuar fazendo o embate para convencer o partido político do qual fiz parte por quase 30 anos, mas sim o do encontro com os diferentes setores da sociedade dispostos a se assumir, inteira e claramente, como agentes da luta por um Brasil justo e sustentável, a fazer prosperar a mudança de valores e paradigmas que sinalizará um novo padrão de desenvolvimento para o país.”

Na entrevista, a ex-ministra confirmou que a possibilidade da disputa à Presidência da República está sendo discutida. Uma eventual candidatura de Marina a presidente é considerada prejudicial ao desempenho eleitoral da ministra Dilma Rousseff (chefe da Casa Civil), porque, em tese, ela terá votos no eleitorado petista. O deputado federal Ciro Gomes (PSB-CE), também pré-candidato a presidente, afirmou que Marina “implode” a candidatura de Dilma.

Por outro lado, tucanos admitem que o governador José Serra (SP), possível candidato do PSDB, teria problemas no Rio de Janeiro, onde o PV é aliado dos tucanos. O deputado Fernando Gabeira (PV-RJ), até ontem pré-candidato a governador com apoio do PSDB, reconheceu a dificuldade com a mudança de cenário. “Minha situação é uma variável não resolvida dessa história”, afirmou.

Na primeira pesquisa de intenção de voto para a Presidência da República em que seu nome foi incluído – realizada pelo instituto Datafolha e divulgada no último domingo -, Marina aparece com 3%. É pouco, mas ela lembra que começou com 3% da preferência do eleitorado do Acre na primeira campanha para o Senado. “É um desafio programático e não pragmático”, diz ela sobre sua mudança de partido, decisão que – afirma – não está subordinada à possibilidade de se candidatar a presidente.

O líder do PV na Câmara, deputado Sarney Filho (MA), afirmou que há conversas com outras legendas, como P-Sol e PSC, sobre uma eventual aliança na campanha, para aumentar o tempo de propaganda gratuita no rádio e na televisão. Mas, assim como Gabeira, o líder analisou que o partido terá de utilizar “instrumentos diferentes dos tradicionais” para difundir a candidatura, como as ferramentas disponíveis na internet (blogs, twitter etc.). “A blogosfera pode ser um meio de superar a falta de espaço na televisão”, afirmou o deputado.

Na entrevista, Marina criticou avaliações segundo as quais seu discurso, numa campanha eleitoral, seria monotemático, restrito à questão ambiental. “Só aqueles que ainda não entenderam que falar de desenvolvimento sustentável é dar resposta a todos os setores da sociedade é que acham que sustentabilidade é algo monotemático. O argumento mostra fragilidade de quem não compreende o conceito.”

O senador Eduardo Suplicy (PT-SP), disse que, se for candidata, a senadora “tira votos de todos os candidatos, inclusive da oposição”. Considerou uma escolha pessoal “difícil” votar em Dilma ou Marina, por considerar ambas “excelentes”. Mas declarou apoio à ministra, pré-candidata do seu partido.

O senador Paulo Paim (PT-RS) lamentou a decisão tomada pela ex-ministra. Citando outros ex-petistas que podem disputar a Presidência – Heloísa Helena (P-Sol) e Cristovam Buarque (PDT) -, disse que isso “divide as forças que estariam aglutinadas na Frente Popular e democrática, liderada pelo PT”.

13/08/2009 - 12:00h Para fora do cercadinho

É preciso saber o que deseja Marina. Ela quer usar a eleição para fazer propaganda de teses? Ou pretende construir uma alternativa de poder? Se for a segunda opção, a senadora do Acre precisará dar um jeito de achar seu caminho para sair do cercadinho

Por Alon Feuerwerker – Correio Brasiliense

alonfeuerwerker.df@diariosassociados.com.br

A eventual candidatura de Marina Silva à Presidência pelo PV vai enfrentar de cara uma dificuldade programática: como tirar o discurso e a militância ambientais do cercadinho, do microcosmo de fiéis falando a si mesmos, prevendo o apocalipse e condenando ao fogo eterno os céticos. A então ministra tentou fazer essa ampliação de horizontes no governo de Luiz Inácio Lula da Silva. Os resultados foram limitados. O termo era “transversalidade”, a tentativa de introduzir a pauta verde no universo mais amplo das ações governamentais.

Não funcionou a contento, por razões várias. Uma delas, que talvez sintetize as demais: a agenda ambiental no Brasil construiu-se nos últimos tempos como uma federação de vetos. Para toda iniciativa de desenvolvimento, haverá pelo menos uma organização não governamental a afirmar, sem dúvida nenhuma, que aquilo constitui gravíssima ameaça ao meio ambiente. E que portanto não é o caso de fazer. Assim se passa com as hidrelétricas na Amazônia, com a termoeletricidade de origem nuclear, com as hidrovias, com as sementes geneticamente modificadas, etc.

Conversa difícil de emplacar num país cujos maiores desafios são acelerar o desenvolvimento e ocupar efetivamente o território. Dá para fazer isso respeitando 100% a sustentabilidade? É possível (provável) que sim. Só que até agora ninguém disse como. No debate sobre a energia, por exemplo, acena-se com as ditas alternativas, como as provenientes da luz solar e dos ventos. Mas será realista falar em desenvolver o Brasil no ritmo desejado (e necessário) renunciando às demais fontes energéticas?

Outro capítulo é o aquecimento global. Se o fenômeno for mesmo consequência do excesso de civilização, é razoável que a conta seja transferida principalmente a quem já alcançou o patamar superior no quesito. Uma tese bastante difundida diz que o planeta não suportará se o padrão de consumo (emissão de carbono) dos Estados Unidos e da Europa for estendido ao conjunto da humanidade. Tudo bem, mas o que fazer? Reduzir principalmente a emissão dos ricos ou distribuir o sacrifício também pelos pobres, já que em teoria estes serão os maiores prejudicados se nada for feito?

Junto com o Brasil, a China vem recebendo muitas críticas por resistir a metas de emissão de gases causadores do efeito estufa. A posição dos líderes políticos chineses deve ser analisada à luz de um fato. Nenhum governo ali fica na sela se não propiciar um crescimento econômico, sustentado, em torno de 10% ao ano. A necessidade política está também na base das posições dos governos na Europa e nos Estados Unidos, confrontados com uma opinião pública cada vez mais preocupada com a defesa dos ecossistemas.

Trata-se, assim, de uma disputa de poder. E há o risco de a agenda verde radical ser recebida como antinacional nos países do mundo subdesenvolvido. Mais ainda nos Brics, nações que finalmente ameaçam romper a hegemonia do Primeiro Mundo. Não é um xadrez fácil de jogar. É um jogo perigoso, que embute riscos a serem bem explorados em períodos eleitorais.

Se Marina Silva sair mesmo do PT e virar candidata a presidente (ou será presidenta?) pelo PV, e se ela mostrar viabilidade eleitoral, não terá como avançar sem enfrentar esse debate com algum grau de pragmatismo. É preciso saber o que deseja Marina. Ela quer usar a eleição para fazer propaganda de teses? Ou pretende construir uma alternativa de poder, ainda que estrategicamente?

Se for a segunda opção, a senadora do Acre precisará dar um jeito de achar seu caminho para sair do cercadinho.

13/08/2009 - 11:26h Marina fura estratégia da disputa plebiscitária e desarruma jogo de 2010

Ruy Baron/Valor Foto Destaque
Foto Destaque
Ciro: futuro eleitoral do deputado federal do PSB foi discutido na noite de ontem entre Lula, seu partido e o PT

Raymundo Costa e Cristiano Romero, de Brasília – VALOR

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva reuniu-se ontem com as cúpulas do PT e do PSB para reavaliar a estratégia governista na eleição presidencial de 2010. Quando convocou a reunião, Lula tinha um prato feito para apresentar aos partidos. A situação mudou, em menos de uma semana, depois que a senadora Marina Silva, ex-ministra do Meio Ambiente, passou a considerar seriamente a hipótese de sair do PT e eventualmente disputar a Presidência da República pelo PV.

A candidatura de Marina é um revés para Lula. É do presidente a estratégia para levar a eleição presidencial a uma espécie de plebiscito entre os oito anos de governo tucano e os oito do PT. Para isso era preciso retirar do cenário uma candidatura que se mostrava competitiva no campo governista – a do deputado Ciro Gomes (PSB-CE), até agora o segundo colocado nas pesquisas de opinião. O primeiro é o tucano José Serra, governador de São Paulo, enquanto a candidata de Lula, a ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, aparece ora em terceiro, ora tecnicamente empatada com Ciro.

Com a eventual saída de Ciro, a “eleição plebiscitária” imaginada por Lula se daria entre Serra e Dilma Rousseff. O prestígio do presidente é muito grande no Nordeste, mas ele enfrenta dificuldades eleitorais no Sudeste e no Sul. A candidatura de Ciro Gomes ao governo de São Paulo seria parte da solução do problema: tiraria um candidato competitivo da eleição presidencial e daria ao PT e a Dilma um nome (Ciro) capaz de criar problemas para Serra em São Paulo, onde se situa o maior colégio eleitoral do país.

A entrada em cena de Marina, no entanto, teve o efeito de um tsunami no Planalto e fez um furo na estratégia presidencial. Com três candidatos saídos da base governista (Dilma, Ciro e Marina), o PSB passou a a considerar que Ciro tem tantas chances – ou até mais, por ter “recall” de duas outras eleições presidenciais – quanto Dilma e Marina de passar e disputar o segundo turno com o apoio da ministra da Casa Civil e – talvez – também da ex-ministra do Meio Ambiente. Seria um quadro parecido com o de 2002, quando Serra, candidato do então presidente Fernando Henrique Cardoso, ficou isolado na disputa contra o próprio Ciro (naquela época, filiado ao PPS), Anthony Garotinho (então, no PSB) e Lula.

Num primeiro momento, o Palácio do Planalto subestimou a “hipótese Marina”, cujo nome foi habilmente trabalhado pelo PV: primeiro o partido divulgou o convite à ex-ministra, depois vazou resultados de uma pesquisa em que ela aparece à frente de Dilma em algumas das simulações. O Planalto ridicularizou a pesquisa. Depois, passou a dizer “imagina, Marina é uma das fundadoras do PT, jamais deixará o partido”. Quando a preocupação aumentou, a cúpula do governo enviou mais de um emissário para sondar as reais intenções da senadora petista. Entre eles, o ex-governador Jorge Viana, colega de PT da senadora no Acre.

Foram todas conversas educadas, civilizadas, segundo relatos de que quem acompanhou a movimentação. Marina falou que tem o PT no coração, mas em nenhuma dessas conversas descartou a hipótese de deixar o PT e muito menos a de ser candidata presidencial pelo PV. Também avaliou que o PT se transformou num partido excessivamente pragmático, que deixou de lado o “sonho e a utopia”.

Os emissários do Planalto voltaram preocupados, mas com a sensação de que o teor das conversas continha algumas mágoas: com a saída do ministério, com a falta de apoio de Lula para a eleição de Tião Viana (PT-AC) ao Senado e até ao fato de Jorge Viana, ex-governador do Estado, não ter sido convidado por Lula para ser ministro do governo. De qualquer forma, assessores palacianos decidiram destacar o ex-ministro Antonio Palocci para uma conversa mais definitiva com Marina, com quem tem ótima relação.

A disputa plebiscitária idealizada pelo presidente também ajudaria nos acordos estaduais, sobretudo a coligação entre o PT e o PMDB, desejo expresso de Lula que o PT engoliu até agora por conta apenas da sua elevada popularidade. Especialmente o PT de São Paulo. Se Lula não conseguir impor seu ponto de vista, será chamado a arbitrar entre as candidaturas de Antônio Palocci e do prefeito de Osasco, Emídio de Souza, ao governo estadual.

Em reunião anteontem, integrantes da cúpula do PT avaliaram a situação: eles não sabiam exatamente o que Lula iria falar ontem a noite no jantar-reunião com a cúpula do PT e do PSB, evento que não havia começado até o fechamento desta edição. Segundo um petista, tratava-se de conversa para varar a noite.

Depois de trocar entre si informações, os petistas saíram da reunião de terça-feira mais ou menos convencidos de que Ciro vai insistir em sair candidato a presidente. São Paulo não estaria efetivamente em seus planos. O Plano B de Ciro seria a candidatura a vice-presidente na chapa de Dilma Rousseff, uma vez que os petistas dizem que já não há mais jeito: o candidato do PT será a ministra da Casa Civil. As especulações em torno de Palocci não passariam disso mesmo: especulações.

Já os socialistas do PSB – além de Ciro, o governador de Pernambuco, Eduardo Campos, o vice-presidente do partido, Roberto Amaral, o senador Renato Casagrande e o líder da sigla na Câmara, Rodrigo Rollemberg – foram para o jantar de ontem com Lula, convictos de que têm um candidato competitivo para disputar a presidência. “Temos um candidato, um nome. Ciro tem 15% das intenções de voto, tanto quanto Dilma”, ponderou um integrante do partido.

O PSB não descarta lançar Ciro ao governo de São Paulo – uma ideia inicialmente lançada pelo deputado Márcio França (PSB-SP), mas logo incorporada com entusiasmo pelo presidente Lula – ou mesmo ao governo do Rio de Janeiro. Mas, antes, quer, segundo um dirigente, “arrumar o jogo” no diálogo com o presidente e o PT. Uma das preocupações do PSB é com o pós-Lula.

Na avaliação da cúpula do partido, as “conquistas” do governo Lula não foram institucionalizadas. Além disso, o presidente teria se tornado um mito em vida, cuja presença já é suficiente, por exemplo, para resolver conflitos dentro do PT ou mesmo no PMDB. Ao que tudo indica, ele não será sucedido por outro mito, e o futuro presidente, seja quem for, terá que conviver com sua presença.

12/08/2009 - 11:29h Gabeira acerta com PSDB candidatura no Rio

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2010: Deputado, que pretende ter dois palanques presidenciais discute hoje cenário sucessório com Marina

Ana Paula Grabois, do Rio – VALOR

Fenômeno nas eleições municipais no ano passado, neste momento a opção do deputado federal Fernando Gabeira (PV) é sair como candidato a governador do Estado do Rio em 2010 apoiado pelo PSDB. Na semana passada, Gabeira conversou com o governador de São Paulo, José Serra, e com o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, em São Paulo, dois entusiastas da candidatura do deputado ao governo do Estado do Rio no ano que vem.

Nas eleições de 2008, aliado ao PSDB, PPS e DEM, Gabeira perdeu por apenas 55,7 mil votos do atual prefeito, Eduardo Paes (PMDB). Na época, recebeu forte apoio financeiro dos tucanos, que tinha como representante na chapa o deputado estadual Luiz Paulo Corrêa da Rocha. O PSDB deu R$ 1 milhão à campanha de Gabeira a prefeito.

“Eles querem que a gente saia com candidatura ao governo”, disse. A opção pelo Senado foi deixada para trás, diz. “A situação lá está muito complicada. Precisaria entrar para mudar e teria que ter pelo menos dez senadores”, afirmou, sem esperanças de renovação na Casa em 2010.

Um dos desafios de sua candidatura será conjugar no primeiro turno a eventual candidatura da senadora Marina Silva pelo PV com a candidatura tucana à Presidência. “Não sei como será, mas gostaria de contar com o apoio do PSDB”, disse o deputado do PV ao Valor. Uma das possibilidades é Gabeira subir no palanque dos dois candidatos presidenciais. Para Serra, Gabeira seria o palanque ideal no Estado para fazer frente ao apoio que Cabral (PMDB), pré-candidato à reeleição, dará à virtual candidata do PT, a ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff. “Essa é a opção, ter dois palanques”, diz o vereador Alfredo Sirkis (PV-RJ). Hoje Gabeira se reúne com Marina para tratar do assunto.

A pré-candidatura Gabeira deve complicar o quadro eleitoral para o governador Sérgio Cabral. Em pesquisa do Instituto Brasileiro de Pesquisa Social (IBPS) realizada entre 23 e 27 de julho com 2 mil eleitores no Estado, Cabral apareceu com 28% das intenções de voto, seguido por Gabeira, com 21%. O ex-governador do Rio Anthony Garotinho (PR) obteve 17%, enquanto o prefeito de Nova Iguaçu, Lindberg Farias (PT), tinha 9%. Cabral luta para ter menos concorrentes e tenta tirar da disputa Lindberg Farias, do PT.

Aliado do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o governador do Rio tem tentado convencer Dilma a tirar Lindberg da corrida ao governo estadual. Uma das alternativas para Lindberg seria concorrer ao Senado .

No PV do Rio, existem ainda diferenças com o DEM, especialmente com o ex-prefeito da capital, Cesar Maia, que tem declarado apoio a Gabeira. A avaliação de políticos do PV é de que a eventual aliança com o ex-prefeito, que deve concorrer ao Senado, vai contra o discurso de renovação de Gabeira. Em 2008, Maia fechou com Gabeira no segundo turno, após a derrota da deputada federal Solange Amaral (DEM).

11/08/2009 - 16:15h Ciro reitera intenção de se candidatar à presidência

Em entrevista, deputado diz que decisão depende de ponderações de Lula; reunião com presidente é hoje

Luciana Nunes Leal, de O Estado de S.Paulo

O deputado federal Ciro Gomes (PSB-CE)RIO – Na noite de segunda-feira, 10, o deputado Ciro Gomes (PSB-CE) animou dirigentes e lideranças socialistas na Baixada Fluminense quando revelou que está decidido a ser candidato à Presidência da República.

Embora tenha ressalvado que não se trata de uma opção individual e que vai ouvir as ponderações do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, Ciro reiterou a tese de que uma candidatura única da base governista, representada pela ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, é um risco e pode levar o tucano José Serra à vitória no primeiro turno. O deputado confirmou que participaria de um encontro com o presidente Lula marcado para esta terça-feira, 11.

Como acredita que a decisão final não será tomada este ano, Ciro estuda uma saída que não elimine a possibilidade de disputar o governo paulista: transferir o domicílio eleitoral para São Paulo até o fim de setembro. Com isso, atenderia a exigência legal para disputar a sucessão do governador tucano José Serra, mas continuaria pré-candidato a presidente.

Leia trechos da entrevista que o Estado publica na íntegra na edição desta quarta-feira, 12.

De que depende sua decisão sobre ser candidato a presidente ou a governador de São Paulo?

De uma orientação do meu partido. Não é uma orientação neutra, eu participo da reflexão que o partido está fazendo. Nós temos aliança com o presidente Lula e gostamos dessa aliança. Queremos convencê-lo das nossas percepções. Mas vamos ouvir com o maior respeito as ponderações do presidente.

O senhor defende a tese de que uma candidatura única da base do presidente Lula poderia dar a vitória ao governador José Serra no primeiro turno?

Nós pensamos que é um risco desnecessário, incabível, uma ameaça ao futuro do País colocar todos os dados numa única mão em um primeiro turno.


Qual é o prazo para o senhor escolher seu futuro em 2010?

Eu pessoalmente estou decidido. Sou candidato a presidente. Eu já escolhi. O resto agora são as outras variáveis.

11/08/2009 - 14:09h Lula pressiona por candidatura Ciro em SP

Eleições: Para o presidente, deputado conseguiria unir forças de esquerda e incomodar o governador José Serra

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Cristiano Romero, de Brasília – VALOR

As lideranças do PT e do PSB reúnem-se amanhã com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva para definir uma possível aliança em torno da candidatura do deputado Ciro Gomes (CE) ao governo de São Paulo, em 2010. Nos últimos dias, as negociações entre representantes dos dois partidos se intensificaram, mas, segundo apurou o Valor, ainda não foi fechado um acordo.

O principal interessado no lançamento de Ciro ao governo paulista é o presidente Lula. Segundo um ministro próximo do presidente, Lula acredita que a candidatura do ex-ministro agruparia as forças de esquerda no em São Paulo – unindo não só PT e PSB, mas também outras siglas de esquerda, como o PCdoB -, teria um discurso forte e incomodaria o atual governador de São Paulo, José Serra (PSDB), em “seu quintal”.

Lula acha que Ciro ajudaria, também, a impulsionar, no eleitorado paulista, a candidatura presidencial da ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff. Nas conversas internas, o presidente, segundo relato de um assessor direto, lembra que Ciro é um nome forte num momento em que o PT não dispõe de nomes competitivos para disputar o governo de São Paulo.

“O PT apoiaria porque não tem candidato”, afiança um ministro que está participando das discussões. A avaliação corrente no Palácio do Planalto é que os possíveis candidatos petistas em São Paulo não têm, neste momento, nenhuma chance de sucesso.

O senador Aloízio Mercadante, observa um ministro, sofreu desgaste em 2006, no episódio do “dossiê dos aloprados” contra tucanos paulistas. Marta Suplicy perdeu as últimas duas eleições que disputou para a Prefeitura de São Paulo. O ex-ministro Antonio Palocci ainda sofre o desgaste do episódio da quebra do sigilo bancário do caseiro Francenildo Costa, embora o presidente Lula acredite que, se ele for inocentado pelo Supremo Tribunal Federal (STF), terá chances de vitória nas eleições.

Uma alternativa defendida por alguns setores do PT – o lançamento do ministro da Educação, Fernando Haddad – encontra forte resistência das alas mais fortes do partido. Haddad seria um candidato que nunca disputou eleições e que, perdendo a disputa, hipótese considerada a mais provável pelos próprios petistas, ganharia o direito de ser o primeiro da fila no pleito seguinte, algo que as lideranças do PT não aceitam.

Em entrevista ao Valor, publicada ontem, Ciro Gomes disse que seu objetivo continua sendo disputar a Presidência, mas ele não descartou sair candidato ao governo paulista. No Palácio do Planalto, assessores próximos do presidente asseguram que ele quer, sim, se candidatar no Estado mais populoso e rico do país. “Se ele perder, vai se tornar uma referência em São Paulo”, observa um ministro.

A candidatura Ciro enfrenta resistências no PSB paulista, aliado de José Serra no Estado, e também em setores do PT que não abrem mão de ter um candidato próprio. No segundo caso, o presidente Lula e lideranças nacionais do partido, como o presidente da sigla, deputado Ricardo Berzoini, e o ex-ministro José Dirceu têm força suficiente para forçar a legenda a fechar com Ciro. Nas conversas que têm tido com lideranças petistas, Lula tem repetido uma espécie de mantra, segundo relato de um ministro: “O PT precisa ter a sabedoria e a maturidade para fazer as alianças necessárias, inclusive, entendendo que muitas vezes a cabeça de chapa deve ser de outro partido”.

11/08/2009 - 13:24h Tic-tac

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Coluna Mônica Bergamo – Folha SP

Tic-tac

Além da possibilidade de Marina Silva (PT-AC) deixar o partido para disputar a Presidência da República pelo PV, o PT lida com outra probabilidade de rachaduras no casco da candidatura de Dilma Rousseff: a impossibilidade de uma aliança formal com o PMDB, que já estaria fora do barco petista em pelo menos seis Estados: São Paulo, Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Pernambuco, Mato Grosso do Sul e Pará.

TUDO COMBINADO 1
‘ O presidente Lula, que já tinha mandado sinais, voltou a falar abertamente no nome do ex-ministro Antônio Palocci Filho para disputar o governo de São Paulo. E também na necessidade de se esperar mais para ver os caminhos que o PSDB vai tomar (José Serra vai mesmo concorrer ao Planalto ou à reeleição em SP? Os tucanos lançam Geraldo Alckmin ou Aloysio Nunes Ferreira ao Palácio dos Bandeirantes?) antes de definir candidaturas.

TUDO COMBINADO 2
As indiretas do presidente Lula, feitas ao PT de São Paulo, coincidem com novas manifestações de Ciro Gomes (PSB-CE) de que prefere esperar até abril para definir se concorre ao governo de SP, à Presidência da República ou a vice. Ele deve se reunir com Lula amanhã em Brasília. Mas o discurso já está afinado.

11/08/2009 - 13:02h Marina leva Ciro a rever plano para sucessão

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Ele avalia que novo cenário é mais favorável à candidatura presidencial

Clarissa Oliveira e Luciana Nunes Leal – O Estado SP

Antes mesmo de ser confirmada, a candidatura da senadora Marina Silva (PT-AC) à Presidência da República já começou a impactar nas articulações para a eleição do ano que vem. Diante do convite feito pelo PV a Marina para que saia candidata ao Planalto em 2010, o deputado Ciro Gomes (PSB-CE) começou a rever a possibilidade de disputar o governo de São Paulo e voltou a investir na tese de que quer mesmo concorrer à sucessão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Ciro comentou com aliados que a entrada de Marina na corrida criaria um cenário muito mais favorável a uma candidatura sua ao Planalto. Com a senadora na disputa, argumentou, a eleição perderia o caráter plebiscitário esperado pelo PT e pelo PSDB, ajudando a garantir um segundo turno.

A expectativa é de que Ciro diga pessoalmente a Lula que quer concorrer à Presidência. Os dois devem se reunir esta semana com o presidente do PSB, governador Eduardo Campos (PE), e dirigentes das duas siglas. A previsão era de que o encontro fosse um jantar em Brasília, amanhã. Até ontem, não havia confirmação.

A negociação para lançar Ciro ao Palácio dos Bandeirantes avançou depois que Lula mandou um recado ao PT de São Paulo, para que levasse “a sério” a candidatura do deputado. Num encontro com o presidente do PT paulista, Edinho Silva, e o deputado Márcio França, presidente do PSB no Estado, Ciro deu a linha do que dirá a Lula. Afirmou que se animou com as conversas sobre a corrida estadual, mas sua prioridade continua sendo a disputa presidencial.

Ontem, no Rio, Ciro disse que terá “uma conversa franca” com Lula. Mas garantiu que, do encontro, não sairá a definição sobre seu futuro político. Ele criticou a aliança PT-PMDB para dar sustentação à chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, em 2010. E disse que entrada de Marina na corrida “causa uma erosão a ponto de implodir” a candidatura de Dilma. A afirmação já havia sido feita em entrevista ao Valor Econômico. Ao jornal, Ciro disse ainda que a Presidência é sua prioridade “sem qualquer tipo de dubiedade”.

NEGOCIAÇÃO

Marina ainda não deu uma resposta ao PV, mas sua saída do PT já é dada como certa por aliados. Ela tirou o último fim de semana para conversar com familiares e amigos no Acre. Quem esteve com a senadora saiu convencido de que há pouca chance de ela ficar no PT.

Na lista dos que se reuniram com Marina estão o governador Binho Marques e o ex-governador Jorge Viana. Nas conversas, ela não disfarçou o entusiasmo com a possibilidade de liderar uma campanha presidencial e reiterou que está decepcionada com o PT. Destacou, porém, que não fará nenhum movimento para “arrastar” para o PV seus aliados.

“O PT foi, de certa forma, ingrato com a história de Marina. Considero que é muito difícil, neste momento, ela optar por permanecer no partido”, disse Sibá Machado (AC), suplente da senadora, que exerceu o mandato quando ela esteve à frente do Ministério do Meio Ambiente. Binho Marques afirmou, em nota, que aguarda a decisão de Marina. “Como amigo, companheiro e conhecedor de suas virtudes, serei sempre solidário a ela.”

O recado de que ela está prestes a aceitar o convite chegou à cúpula do PV. “As posições que recebemos sobre conversas que ela teve no Acre foram muito animadoras”, disse o presidente do partido, José Luiz Penna.

08/08/2009 - 11:53h Ambiente poluído: Marina diz buscar projeto político com envergadura ambiental. Serra e Aécio fazem elogios a PV e à possível candidatura de Marina

Marina diz buscar projeto político com envergadura ambiental

Senadora petista admite possibilidade de ser candidata à Presidência pelo PV e afirma não ter vontade de obter mais oito anos de mandato por acomodação

ANA FLOR
DA REPORTAGEM LOCAL

Convidada pelo PV para ser candidata à Presidência, a senadora Marina Silva (PT-AC) se sente atraída por um projeto político em que o desenvolvimento sustentável tenha “envergadura”. A petista afirma que não ficará mais oito anos no Senado caso isso signifique “acomodação com o pequeno espaço de poder” que já tem. Procurada nos últimos dias por lideranças petistas -como o senador Aloizio Mercadante (PT-SP) e o principal candidato à presidência do PT, José Eduardo Dutra-, afirma que conversará com todos antes de definir seu futuro político.  

FOLHA – Como foi a proposta que recebeu do PV?
MARINA SILVA
– Eu tenho uma relação com o PV desde a época do Chico Mendes. Há um mês eles fizeram uma reunião nacional e decidiram estabelecer um processo de refundação programática do PV, uma atualização programática do partido à luz do desafio do desenvolvimento sustentável. Deliberaram que a executiva nacional ia me formalizar o pedido de uma conversa. Pela relação de parcerias que eu tenho com o PV, eu não poderia deixar de ouvir.

FOLHA – É tentador?
MARINA
– Não diria tentador. Eu sou movida a sonhos e determinação. Nesse aspecto não tem cálculo pragmático imediatista. Quero discutir ideias, visão de mundo, de país. Candidatura é fruto de um processo, não à priori. Fiquei de pensar e discutir com algumas pessoas. Não é fácil para mim essa discussão, mas não vejo como ela não tenha que ser feita, porque ninguém está fazendo com a envergadura que precisa ter. Alguém tem que começar, colocando como estratégico. Meio ambiente pode dar significado novo à política.

FOLHA – Há quem diga que sua candidatura à Presidência pelo PV interessa ao governador José Serra, pré-candidato do PSDB.
MARINA
– Eu acho que as pessoas subestimam as coisas genuínas. Sempre tem que ser interesse de alguém, tem que ser estratégia de alguém, jogo de alguém. Será que meio ambiente não merece, por si mesmo, ser vontade própria daqueles que acreditam na causa? É mais uma tentativa de desqualificar essa urgência e essa questão tão importante. Porque, se for jogo de alguém, a causa não vale em si mesma.

FOLHA – E se a proposta for a de continuar senadora, mas pelo PV?
MARINA
– Eu já estou com 16 anos de mandato. Acho que contribuí com muita coisa ao lado de diversas pessoas. Mas partir para uma eleição novamente para mais oito anos, somando 24 [de mandato], teria que ser algo que eu sentisse que de fato tem uma contribuição viva a ser dada, e não uma acomodação com o pequeno espaço de poder que eu já tenho.Serra e Aécio fazem elogios a PV e à possível candidatura de Marina

Presidenciáveis tucanos dizem que PT faz “privatização nefasta” no Estado

RAPHAEL GOMIDE – FOLHA SP

DA SUCURSAL DO RIO

Após críticas fortes, mas indiretas contra o que chamaram de “privatização nefasta do Estado” pelo PT, os pré-candidatos tucanos à Presidência, os governadores José Serra (SP) e Aécio Neves (MG), elogiaram e deram tratamento de futuro aliado a uma eventual candidatura da senadora petista Marina Silva pelo PV.
O paulista, sem citar diretamente o PT, fez duras críticas ao partido. “O Estado brasileiro está sendo privatizado. É uma privatização espúria, nefasta. Não tem muita diferença do patrimonialismo antigo, de se apropriar do Estado para corrupção de meia dúzia ou de se apropriar do Estado para se fortalecer e construir um partido. Precisamos estatizar o Estado brasileiro que hoje está privatizado por um partido.”
Aécio acompanhou o colega: “Hoje há um aparelhamento do Estado aliado à ineficiência como poucas vezes vimos”.
Foram aplaudidos pelos mais de 400 presentes na abertura do 16º Congresso Nacional do PPS, no hotel Guanabara (RJ), mas se negaram a comentar a situação do presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP).
Para Aécio, a entrada de Marina Silva na corrida presidencial qualifica o debate. “Quem tem projeto político não pode temer. Em um segundo momento, vejo afinidade entre ela e o PSDB. Hoje PV e PSDB já estão juntos no Brasil, em Minas e em cidades expressivas, com um projeto comum.”
Serra não quis comentar. “Não opino sobre mudança de partido”, disse, e lembrou que o PV integra o governo paulista e compõe a base na Assembleia. “O PV faz parte da aliança. Tive [na prefeitura] um grande secretário [do Verde e Meio Ambiente], Eduardo Jorge. É um partido que sempre teve tradição de proximidade comigo.”

06/08/2009 - 09:53h Assédio de Serra faz PV buscar Marina

http://campanhanoar.folha.blog.uol.com.br/images/MARINA.jpghttp://www.samuelcelestino.com.br/fotos/editor/Image/jose_serra.jpg

Com um pé no governo Lula e outro na administração tucana, partido teme deflagração de racha em 2010

Para dirigente da legenda, lançamento de nome para a Presidência vai registrar a marca do partido; Marina ainda analisa troca de sigla

DA REPORTAGEM LOCAL – FOLHA SP

Uma investida do governador José Serra (PSDB) pesou para a opção do PV pela candidatura própria à Presidência no ano que vem. Com potencial de abalo sobre a campanha da ministra Dilma Rousseff (Casa Civil), a ideia de candidatura da senadora Marina Silva (PT-AC) à sucessão presidencial teve também origem no flerte de tucanos e democratas com o PV.
Dividido, com uma cadeira no ministério do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e outra no governo Serra, o PV teme a deflagração de um racha. Daí, a opção pela candidatura.
Presidente do PV do Rio e um dos articuladores do acordo pelo qual Marina deixaria o PT para concorrer à Presidência, o vereador Alfredo Sirkis admite que, além do interesse de registrar a marca do partido na disputa, o risco de implosão foi levado em conta.
“Uma coisa é administrar divergências por 15 dias [no segundo turno]. Outra é um ano de pancadaria”, reconheceu.
Serra -que tem o secretário municipal Eduardo Jorge entre os principais aliados- intensificou a ofensiva sobre o PV neste ano, ao acomodar o partido na Secretaria de Ação Social. Ele insiste para que Fernando Gabeira seja seu candidato ao governo do Rio.
Dizendo não ter “tanta certeza de que a candidatura dela seja ruim para Serra”, Gabeira se reúne hoje com Marina.
Ontem, Marina afirmou que está avaliando a proposta do PV, mas que não irá prolongar o período de análise. Em São Paulo, ela criticou ministérios que impuseram dificuldades a ações ambientais durante sua gestão no Meio Ambiente. Ela ressaltou que leva em consideração o fato de nenhum partido ver a questão como estratégica -inclusive o PT.

30/06/2009 - 09:08h “Gestão” DEM-PSDB São Paulo: Partidos aliados entram no jeton

“Em São Paulo, não existe esse loteamento governamental, ao contrário do governo federal”.

José Serra

 

 

KASSAB, PMDB E PV

Coluna Você precisa saber do Jornal da Tarde

Roberto Fonseca, JT

roberto.fonseca@grupoestado.com.br
Partidos aliados entram no jeton

Depois de ceder ao presidente nacional do PPS, Roberto Freire, duas vagas em conselhos de empresas da Prefeitura, Gilberto Kassab (DEM) agraciou PMDB e PV, que apoiaram sua reeleição.

Se Freire tem dois jetons de R$ 6 mil, PV e PMDB têm, cada, um de R$ 6 mil e um de R$ 3 mil. Presidente municipal verde, Carlos Galeão Camacho virou conselheiro de administração da São Paulo Transporte (R$ 6 mil). “Tenho formação matemática forte. Querem aproveitar meu conhecimento ”, disse. “E tenho diferencial: só ando de ônibus e, como idoso, saio pela porta da frente, posso testar o serviço.” O PV ainda tem Luiz Foz no conselho fiscal (R$ 3 mil) da Companhia Metropolitana de Habitação (Cohab).

Já o PMDB tem Ademar Mellin, muito ligado ao cacique estadual Orestes Quércia, no conselho de administração da Prodam (R$ 6 mil) e Gilberto Nucci no conselho fiscal da Cohab (R$ 3 mil).

Leia a integra da coluna no Jornal da Tarde

07/10/2008 - 10:43h As urnas mostram uma derrota da oposição e vitória dos partidos do governo Lula, em primeiro lugar do PT

Eleições municipais no Brasil mostra que o PT é quem mais prefeituras novas conquistou e o DEM e PSDB, os que mais perderam

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Ontem a Folha de São Paulo informava assim sobre o resultado nacional das eleições municipais, após o primeiro turno:
“Passado o primeiro turno, PT, PMDB e PSDB são os maiores vencedores nas 26 capitais e nos 53 municípios com mais de 200 mil eleitores, o chamado G79 -um universo de 46.819.495 eleitores, o equivalente a 36,4% do total dos habilitados a votar para prefeito.” (Folha SP, 6/10/2008 “PT, PMDB e PSDB dominam capitais e maiores cidades”).

Aqui no blog, apoiado em artigos precisos do jornal O Estado de São Paulo, mostrei que existia uma vontade de ofuscar e confundir sobre os resultados eleitorais, sonegando a questão central: o primeiro turno consagrou uma vitória expressiva do governo Lula e sua base de apoio, com destaque para o PT.

Hoje a Folha de SP (ver nos post precedentes) tem que reconhecer os fatos ignorados ontem. DEM e PSDB são os partidos que mais prefeituras perderam e o PT foi o partido que ganhou mais prefeituras. A oposição perdeu duplamente. Primeiro na política, fugindo de qualquer questionamente ao governo ou “federalização” da disputa municipal, ao contrário do que ela fez em 2004. A oposição perdeu também nas urnas, no voto. O DEM quase desaparecendo e o PSDB, encolhendo. O DEM já perdeu neste primeiro turno 176 prefeituras, foi o partido que mais perdeu. Em segundo lugar, com 109 prefeituras a menos, o PSDB e em terceiro lugar do ranking dos derrotados, o aliado dos demo-tucanos, o PPS de Roberto Freire e a Soninha, que perdeu 70 prefeituras.

O resultado das eleições municipais neste primeiro turno, obscurecido pelo interesse político e a parceria mídia-oposição, não conseguiu tapar o sol com a peneira. Os demo-tucanos estão cada vez mais confinados ao Estado de São Paulo e mesmo aqui o avanço do PT foi importante, particularmente nas cidades do cinturão indústrial de São Paulo.

Luis Favre

 

 

26/07/2008 - 07:21h AFIF: “o candidato de Serra é Kassab”

Sinais de dispersão de aliados preocupam campanha do DEM

A imagem “http://www.estadao.com.br/fotos/serra-kassab-romero.jpg” contém erros e não pode ser exibida.

CATIA SEABRA – FOLHA DE SÃO PAULO

DA REPORTAGEM LOCAL

Sustentado por amplo arco de alianças, o palanque do prefeito Gilberto Kassab (DEM) tremeu ontem com a divulgação do último Datafolha, segundo o qual o candidato se mantém estagnado na disputa.
Cobrando o material de campanha prometido por Kassab, PMDB, PR e PV se queixam de falta de mobilização. E, num momento de fragilidade, alguns aliados exigem até mais participação no governo municipal.
Terceiro colocado nas pesquisas, Kassab (11%) também está fora dos panfletos distribuídos por candidatos a vereador da sua coligação, incluindo o presidente da Câmara, Antônio Carlos Rodrigues (PR).
A aliança é ainda alvo do assédio petista. De olho no segundo turno, Marta Suplicy convidou até um aliado de Kassab para jantar. Segundo o Datafolha, ela tem 36% contra 32% de Geraldo Alckmin (PSDB).
Recém-chegado do exterior, o presidente estadual do PMDB, Orestes Quércia, será o porta-voz das reclamações do partido hoje, em reunião com Kassab. O PMDB e a vice, Alda Marco Antônio, se dizem subaproveitados. “É preciso agilizar a campanha”, diz Quércia.
A avaliação é suprapartidária. “Não podemos esperar o programa eleitoral”, defende Aurélio Nomura (PV). Já Rodrigues propõe: “Tem que fazer ajuste na máquina. Nunca vi alguém estar na máquina e ficar contra o governo”.
Segundo aliados, Kassab não parece abalado e aposta nos cerca de 9 minutos a que tem direito em cada bloco do programa eleitoral para reverter a situação. Fracassada a estratégia, Kassab deve ir para o confronto com o PT. Desde o início da semana, os 31 subprefeitos foram recrutados pelo comando da campanha. Além de coordenar as reuniões para discussão regional do programa de governo, os subprefeitos -inclusive tucanos como Laert Teixeira (Itaquera) e Alexandre Aniz (Ipiranga)- acompanham Kassab em atividades de campanha na hora do almoço.
Outra estratégia: recorrer ao governador José Serra. Em reunião ontem na Vila Prudente, o coordenador do programa de governo, Afif Domingos, disse a líderes comunitários que o candidato de Serra é Kassab, “embora ele não possa explicitar”. “Claramente o que o governador quer é o sucesso do Kassab, que é o sucesso dele.”
Kassab já tinha passado por lá. Na próxima semana, Afif fará reuniões com a população no comitê central do DEM com a participação de secretários, incluindo os tucanos Alexandre Schneider (Educação) e Ricardo Montoro(Participação).


Colaborou FERNANDO BARROS DE MELLO, da Reportagem Local