08/11/2009 - 15:23h Resistência francesa


Criados há meio século por René Goscinny e Albert Uderzo, os quadrinhos de Asterix e Obelix ganham exposição no Museu Cluny e se consolidam como um símbolo do vigor da França

http://lesmargotiennes.l.e.pic.centerblog.net/olmxtl9q.jpg

Andrei Netto, CORRESPONDENTE, PARIS – O Estado SP

Pense por um instante no símbolo da França. Você deve ter tido em mente cidades como Paris, monumentos como a torre Eiffel, palácios como o Louvre, intelectuais como Rousseau, Descartes, Durkheim, escritores, pintores, heróis nacionais como De Gaulle e Vercingentorix. Pois acrescente outro gaulês em sua seleção: Asterix. Sim, Asterix, o gaulês das ficções em HQ, tornou-se um patrimônio nacional. A prova é que, ao completar 50 anos de idade, o anti-herói baixinho e bigodudo que teme a queda dos céus sobre sua cabeça é centro de atenções da mídia e da opinião pública, merecedor de exibições recordistas de audiência na TV, de um novo livro e de uma exposição inédita no Museu Nacional da Idade Média, no sítio histórico de Cluny, no coração do país.

A febre em torno de Asterix e Obelix, que se irradia também pela Europa, é, na realidade, uma homenagem aos personagens criados por René Goscinny e Albert Uderzo há meio século. Em outubro de 1959, vinha a público a revista Pilote, que trouxe a primeira história da dupla, dois anos antes de Asterix, o Gaulês, livro que inaugurou a série.

Desde então, as aventuras dos dois gauleses ao lado de mais de 400 antagonistas já renderam desenhos animados, filmes, discos, jogos de videogame e um parque temático, além de 34 livros, traduzidos em 107 línguas – inclusive o latim. O último é L”Aniversaire d”Astérix et Obélix – Le Livre d”Or, que chega às livrarias brasileiras na próxima quarta-feira (O Aniversário de Asterix e Obelix – O Livro de Ouro; Record; tradução de Cláudio Varga; 56 páginas; R$ 25,90). Compêndio de histórias curtas, lançado originalmente em 15 países, com tiragem recorde de 3 milhões de exemplares, dos quais 1,1 milhão só na França, o álbum é fruto de um tributo planejado por Uderzo, 82 anos. “Queria fazer com que todos os personagens que apareceram nos livros pudessem ter voz no aniversário”, afirmou, em uma das raras entrevistas que concedeu nos últimos anos.

Além de livros de sucesso, Asterix e Obelix rendem também filas de uma hora de espera, que denunciam o local onde está sendo realizada a mostra Asterix no Museu Cluny. A exposição, confluência inesperada de ficção e realidade, é uma reverência a Asterix, um pavilhão da cultura nacional que invadiu um patrimônio da humanidade.

Protagonista de histórias em quadrinhos, o gaulês ganhou espaço digno da importância que conquistou no imaginário dos franceses: está entre as paredes de pedras milenares do recém-restaurado frigidarium de Cluny, um monumento da história galo-romana situado no marco zero da cidade de Lutétia, como Paris era chamada pelos césares. Nada mais apropriado, já que seus autores sempre buscaram inspiração em relíquias históricas para alimentar suas narrativas. A mostra reúne 30 pranchas originais desenhadas por Uderzo, scripts de Goscinny, além de objetos – como uma Keystone Royal, a máquina usada pelo escritor – que ajudam a esclarecer o processo de criação de dois mestres das histórias em quadrinhos.

A homenagem vem acompanhada de outra exposição, esta realizada nas grades que cercam o sítio de Cluny, nas quais desenhos de Uderzo são comparados a obras-primas da pintura ocidental. Assim, postas lado a lado, estão poses de Asterix, Obelix & companhia, e reproduções de telas como Olympia, de Manet, A Liberdade Guiando o Povo, de Delacroix, A Última Ceia, de Leonardo da Vinci, e de esculturas como O Pensador, de Rodin, de forma a escancarar a influência da arte erudita na obra do desenhista – ainda que perdure a dúvida sobre a natureza da inspiração, que pode ser tanto compreendida como uma reverência à arte ou uma paródia escrachada dos dois humoristas.

O certo é que a efervescência pública em torno dos 50 anos do personagem e a reflexão intelectual feita em torno da obra de Goscinny e Uderzo abriu os olhos da imprensa, do meio acadêmico e até do político para um fenômeno: na avaliação dos franceses, Asterix é muito mais do que uma HQ que deu certo e vendeu milhões de cópias; é também fruto e origem de fragmentos da história da França _ uma constatação que reforça os laços entre os personagens fictícios e seu público fiel.

“Decidimos reunir Asterix e o Museu de Cluny porque são dois monumentos nacionais”, disse ao Estado Emmanuelle Héran, curadora e encarregada da política científica da Reunião de Museus Nacionais (RMN), o órgão que controla os maiores acervos de arte da França. A decisão, afirma, foi tomada pelo reconhecimento de que Asterix se confunde em parte com a história do país.

Até os anos 1950 e 1960, aprendia-se nas escolas da França que Vercingentorix, filho de Celtillos, o líder gaulês, povo celta, na luta contra o invasor romano Júlio César, na Guerra das Gálias, entre 58 e 51 a.C., era o herói fundador da nação francesa. Esse mito, criado no século 19 por autores como Amédée Thierry e por Henri Martin, adotado por Napoleão III e instrumentalizado a partir de então pelo Estado Republicano, é um dos elementos do patriotismo francês. Ele ajuda a explicar, por exemplo, o desejo de revanche após a derrota para a Alemanha unificada na Guerra Franco-Prussiana (1870) – e também a beligerância entre os dois países líderes da Europa Continental, que se confrontariam nas guerras mundiais.

Asterix, por sua vez, é a paródia de Vercingentorix, mas ainda com matizes nacionalistas. “Desde sua primeira página, Asterix traz referências à ocupação alemã na Segunda Guerra Mundial”, explica Emmanuelle Héran, lembrando da Resistence Française. “Em uma época na qual não se falava no colaboracionismo francês, Asterix reforçava a ideia de um povo que luta, que resiste, que é idealista e decente”. E esse povo é branco, loiro, tem olhos azuis, é forte e peleador. Asterix reforça o estereótipo que a França tinha – ou tem? – de si mesma: a de um país cujo arquétipo é puro, sem miscigenações. “Nos anos 50 e 60, aprendia-se que os franceses eram os descendentes diretos dos gauleses”, lembra a curadora. “Essa visão não era completa e não favorecia a inclusão das ondas de imigrantes que já transformavam os franceses em um povo mestiço.”

Reprimendas históricas à parte, o fato é que Asterix conta com a empatia dos franceses e com a simpatia dos estrangeiros. Em todo o mundo, as histórias de Goscinny e Uderzo são sucesso. Dentre os cerca de 400 milhões de exemplares já vendidos, 125 milhões foram parar nas mãos de fãs alemães – os alvos iniciais da ironia dos dois humoristas. As razões do sucesso são diversas, e passam pelo detalhismo de Uderzo, pelas manias perfeccionistas de Goscinny e por um enredo clássico, como a luta entre Davi e Golias, marcado por valores universais (como a oposição entre cosmopolitas, os romanos, e autóctones, os gauleses). Não bastasse, suas histórias fazem alusões à vida corrente, grande parte delas tipicamente francesas: Asterix e sua turma mantêm vivas suas tradições, brigam entre si permanentemente, mas se unem e lutam por seus ideais, reagem aos estrangeiros que ousam desafiá-los, prezam a solidariedade. E, claro, amam um banquete regado a vinho no fim da história.

Charme é antídoto contra Era Brucewillix

Para um de seus criadores, o espírito anárquico de Asterix tornou-se universal

Jotabê Medeiros – O Estado SP

É um operário ordinário, esse Asterix. Não é particularmente esperto (Obelix é bem obtuso, por sinal) e não aspira a nada além de tranquilidade e de um bom jantar. Não tem ambições de acumulação de capital, nem de conquistar territórios, nem de grandes butins e nem sequer de sequestrar uma Helena sinuosa.

Criado por René Goscinny e Albert Uderzo em 1959, o personagem Asterix dispensa apresentações: contra sua própria personalidade, é definido como um inquebrável guerreiro gaulês que, num mundo totalmente dominado pelos romanos, no ano 50 a.C., resiste bravamente numa pequena e anárquica aldeia encravada no calcanhar do imperialismo. Foi publicado em 105 línguas e dialetos nos últimos 50 anos.

Em 2005, quando foi publicada, após grande hiato, uma “nova” história do personagem, a França mostrou como era fanática por ele: imprimiu uma edição de colecionador, 3.178.000 álbuns numerados, únicos. No resto do mundo, foram colocados à venda 8 milhões de gibis em 27 países. Para se ter uma ideia da popularidade desse baixinho, já são cerca de 400 milhões de exemplares vendidos em 50 anos.

Asterix, segundo a descrição padrão dos gibis de Uderzo e Goscinny, é o “pequeno guerreiro de espírito sagaz e inteligência viva” que aceita sem vacilar as missões perigosas que lhe são confiadas. Obelix é o amigo inseparável de Asterix, um entregador de menires que adora javalis e boas brigas. Anda acompanhado do cachorro Ideiafix.

Há dois anos, por ocasião do aniversário de um dos criadores dos personagens, Albert Uderzo, 34 autores de quadrinhos de culturas diferentes receberam a proposta de desenharem histórias curtas que simbolizassem sua visão daqueles heróis – François Boucq, Loustal, Zep e Milo Manara, entre outros. O resultado foi publicado pelas edições Albert René com o título Asterix e Ses Amis (Asterix e Seus Amigos).

François Boucq criou um interessante conto em Cours D”Anatomix (algo como Cursix de Anatomiovix), no qual promove o encontro entre Leonardo da Vinci e Asterix, no qual o mestre italiano mostra como se desenha com rigor e ele e o personagem acabam tomando uma taça de vinho num boteco. Nem Da Vinci buscava a perfeição nem Asterix buscava ser levado a sério. Já o genial italiano Milo Manara mostra como uma de suas pin-ups se vinga dos gauleses por eles estarem sempre colocando a nocaute seus namorados italianos.

Qual é a razão da popularidade desse anão raquítico e mal-humorado que combate os romanos com a ajuda de um carregador desinteligente e desajeitado? “É como tentar explicar o segredo da poção mágica”, brinca Albert Uderzo. Muitas tentativas de explicação vêm aparecendo desde a criação da dupla num modesto apartamento na periferia de Paris pelos então estudantes Uderzo e Goscinny. A primeira, mais política, é que Asterix reafirma o orgulho nacionalista dos franceses mundo afora, como poucos ícones o fazem. Encarna o espírito da resistência cultural. Mas a explicação mais simples é que Asterix tem um senso de humor debochado, ranzinza e calcado em ideias até obsoletas de tão românticas.

Há alguns dias, o Jornal des Plages propôs a Albert Uderzo a seguinte questão: “Finalmente, 50 anos depois, quem é Asterix ?” A resposta: “É você, sou eu e é o mundo todo. Nós acreditamos em um instante que ele era o pequeno francês, mas ultrapassou largamente os limites da França. Porque, se você observa os alemães, verá que Asterix é alemão. Esse é o fenômeno, que Asterix tenha se tornado universal mesmo que isso não tenha sido previsto para ele”, ponderou o autor.

Autêntico herói desajustado e anarquista, Asterix desarma espíritos seja em bancos de espera de ferroviárias ou nos grandes gabinetes decisórios. Uderzo confirmou recentemente uma lenda que corria sobre o herói, que o ligava ao famoso general Charles de Gaulle. “Fomos convidados, eu e René, para uma estreia no Olympia de Paris. François Missoffe, um ministro do general De Gaulle, descia as escadas para se juntar no foyer aos colegas. Ele viu René, o abordou e disse a ele: “Escute, aconteceu algo extraordinário no último encontro do Conselho de Ministros. De Gaulle começou a nos chamar um por um pelo nome dos personagens da sua vila gaulesa. E todo mundo se reconhecia! Abraracourcix ? Presente ! Assurancetourix ? Presente…”"

Asterix e Obelix celebram uma era de opulência do trivial e de despreocupação com a autoridade constituída. São guerreiros da desobediência civil. Afinal, gauleses bárbaros que são, vivem num paraíso original, numa revolucionária (porque “primitiva”) existência comunitária. Brigam muito, mas tudo sempre termina em banquete, javalis e vinho em quantidade dinossáurica – o banquete de aldeões é centrado num prato ritual, o javali assado.

Comer é o objetivo final de toda a pequena odisseia particular desses heróis, embora sua saga consista em resistir ao inimigo expansionista – daí Asterix ser uma metáfora da resistência da produção artesanal europeia contra a invasão massiva americana. É no seu charme de desajustados que consiste sua força. Para combater a pancadaria da era “brucewillix” e “osamabinladix”, só mesmo uma dose cavalar daquela velha poção na qual Obelix caiu, mesmo que forjada em laboratórios da Light & Magic.


Novidadix

O 34.º álbum de Asterix chega às livrarias brasileiras nesta quarta-feira, lançamento da Editora Record. É O Aniversário de Asterix e Obelix – O Livro de Ouro, primeira aventura dos heróis em quatro anos. A obra parte de um texto inédito de René Goscinny, coautor de Asterix, morto em 1977, e resgata cenas de volumes antigos, como O Escudo de Averno e Uma Volta pela Gália com Asterix, além de fazer citações de obras de Delacroix, Munch e Rodin, inserindo a dupla gaulesa no contexto dos trabalhos. O Aniversário de Asterix e Obelix foi lançado originalmente em 15 países. Até hoje, os álbuns de aventuras da dupla de gauleses já venderam no Brasil cerca de 3 milhões de exemplares. No dia 15, Albert Uderzo recebeu um doutorado de honra da Universidade Paris-8 à Bobigny (Seine-Saint-Denis). No dia 22, estreou no Théâtre des Champs-Elysées um musical, Le Tour de Gaule Musical d”Astérix, dirigido por Frédéric Chaslin.

26/09/2009 - 17:34h A revista de Beto Palaio é uma joia rara

Around the World in 8 Seconds

Volta ao mundo em 8 segundos

Outubro/October 2009

—-1—-

MISS ANIELA´S SWEET AVANT-GARDE

A DOCE VANGUARDA DE MISS ANIELA

herdg.jpg

Miss Aniela is the artist persona of the English photographer

Natalie Dybisz  who uses Photoshop on all of her photos

turning them into highest point in the performance art (through

photography) since Cindy Sherman.

She says: “Aniela is my middle name. It translates to Angela in

English. I hated the Polish pronunciation growing up. But as I

got older, I began to identify with it. So I used it as the name of

my alter ego—the one you see in the photographs.”

Miss Aniela é a criação artistica da fotógrafa inglesa  Natalie

Dybyisz que usa o Photoshop como recurso de acabamento que

torna Miss Aniela a vanguarda da performance fotográfica desde

Cindy Sherman.

Ela diz: “Aniela é o meu nome do meio. É a tradução de “Angela”

para a lingua inglesa. Eu antes o detestava, mas comecei a gostar

dele enquanto crescia. Então passei a usá-lo como meu alter-

ego, isto que você já conhece através de minhas fotos”.

Her blog:

http://missaniela.com/blog/

Interview at BBC:

http://www.youtube.com/watch?v=YfSDdRQgGSE

Aniela,

thank you for let us publish here

part of your nice work.

Aniela,

grato por concordar que publicássemos

parte do seu belo trabalho.

—-2—-

RIVALRY

By Aleathia Drehmer

I
slept in
awakening
to soft sunshine,
silence.

eu
entontecida
acordando
ao sol matinal
silencio


I
stretched
moving dreams
from deep in
muscles.

eu
largada
sonhos latentes
lá de dentro
músculos


your
words linger
still, haloed loosely
around ears,

as tuas
palavras envolvem
ainda, girando soltas
nos meus ouvidos,


a touch of gold,
a slight of hand,

um toque de ouro
um deslizar de mão,

that
rivals Midas,
for every pound
he’s worth.

que
imita Midas
por todo peso
que ele vale.

Aleathia Drehmer

Aleathia Drehmer is now publishing

a creative print zine named Durable Goods. I´m

there, in the second edition, with three Haikus.

Aleathia Drehmer está publicando uma

revista artesanal supercriativa chamada Durable

Goods (Bens Duráveis). Eu estou lá, na segunda

edição, com três haicais.

The site of Durable Goods:

http://durablegoodsmicrozine.blogspot.com/

Ale, I’m grateful  that  you dedicated your

last book Circles to me.

Ale, estou grato por você ter dedicado seu

último livro Circles para mim (Beto)

(Illustration: Titian´s Venus of Urbino)

—-3—-

DEAN & JERRY´S COMICS

OS QUADRINHOS DE DEAN & JERRY

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DC Comics published the best-selling The Adventures of Dean

Martin  and Jerry Lewis comic books from 1952 to 1957. The

series continued a  year after the team broke up as

DC Comics then featured Lewis solo, until 1971, in The

Adventures of Jerry Lewis comic books. In this latter series,

Lewis was  sometimes featured with Superman, Batman, and

various other DC Comics’ heroes and villains.

DC publicou As Aventuras de Dean Martin & Jerry Lewis d 1952

até 1957. A  série continuou mesmo após a separação da

dupla em 1956. Após 1957 a edição mostrava somente As

Aventuras de Jerry Lewis. Esta última versão ficou sendo

editada até 1971 e frequentemente mostrava Lewis

atuando junto com Superman, Batman e vários outros heróis

e vilões da DC.

Colgate Comedy Hour: Dean Martin & Jerry Lewis Show (7-tape boxed set) [VHS]

http://www.youtube.com/watch?v=3sE1t7wVpnw

Their paternship in the 1950s for Colgate Comedy Hour

A dupla nos anos 50 atuando nas Comédias Colgate

http://www.youtube.com/watch?v=GQM-0kaxgmE

Here, in the same show, Jerry performs “The Typewriter Song”.

Aqui Jerry canta a “canção do datilógrafo” no mesmo show

Around the world in 8 seconds

Volta ao mundo em 8 segundos

by

Beto Palaio

Site:

http://www.litteratour.blogspot.com/

(8 SEGUNDOS vai para 1.658 pessoas de talento em todo mundo, grato à todos /

8 SECONDS goes to 1.658 talented persons around the world, thanks to everyone)

23/06/2009 - 19:41h Tarzan, o grito da selva

tarzan-nudite.JPG

Uma exposição sobre Tarzan acontece em Paris neste momento. Nela encontra-se um exemplar da versão com Jane nua publicada pelas Editions Mondiales em 7 de dezembro 1947 e censurada imediatamente. Isto também aconteceu com o filme Tarzan e sua companheira, também pelados, de 1934 e que também está na exposição, no Quai Branly.

1934 – Johnny Weissmuller e Jane. Censurada

O porta uol dá outros detalhes sobre a exposição, no artigo de Inma Martínez. da agencia EFE
Paris, 17 jun (EFE).- O grito que imortalizou Tarzan no cinema, misturado com os sons da selva africana, dão as boas-vindas ao visitante na mostra inaugurada hoje no Museu do Quai Branly, em Paris, dedicada a este herói atípico que cresceu na natureza, rodeado de macacos e afastado da civilização.“Tarzan! ou Rousseau chez les Waziri” (Tarzan! ou Rousseau com os Waziri) explora até o dia 13 de setembro “o senhor da selva” através de objetos de coleção de diversos museus franceses, assim como filmes, cartazes, quadros, fotografias e figuras.

A exposição mostra a influência de um dos mitos mais populares do século XX, que saiu dos livros e “criticou de maneira feroz e contínua a sociedade urbana”, explicou o organizador da exibição, Roger Boulay.

Um herói ecologista, pois divulga o cuidado com a natureza e rejeita constantemente a tecnologia e o progresso, aparece na mostra como representante do debate mundial sobre o meio ambiente, uma preocupação quase inexistente no início do século passado.

Filho de aristocratas ingleses, criado entre macacos, Tarzan nasceu em 1912, da pena do escritor americano Edgar Rice Burroughs, que desenvolveu a personalidade deste herói em 22 livros entre 1914 e 1947, que rendeu a publicação de mais de 15 milhões de exemplares e foram traduzidos em 56 idiomas.

Inspirado na tradição de romances como “O livro da selva” (1894) ou “As Minas do Rei Salomão” (1885), Bourroughs, que nunca foi à África, se inspirou no mito de Rômulo e Remo e o de Hércules para criar seu personagem, para demonstrar o vínculo do homem com o mundo animal, separados pela civilização.

O imediato sucesso de “Tarzan, O Rei dos Macacos” (1912) e do resto das histórias desencadeou a adaptação da história em outros formatos, que tiveram a mesma fama (cerca de 15 mil histórias em quadrinhos e 46 filmes, além de numerosas séries de televisão).

A proposta do Quai Branly revela que o papel do cinema na difusão internacional do mito literário foi decisivo, já que o primeiro filme “Tarzan dos macacos” (1918), de Scott Sydney, foi lançado seis anos depois da publicação do romance, enquanto as traduções demoraram mais tempo para chegar na Europa.

Boulay lamentou que o cinema tenha caricaturado o personagem, “em comparação com a riqueza dos livros de Bourroughs”, já que enquanto “o cinema o mostra quase analfabeto, nos relatos ele fala uma dezena de idiomas”, incluindo o castelhano, além da língua dos macacos.

A exposição, que apresenta as diferentes adaptações de desenhistas de quadrinhos como Harold Foster e Brune Hogarth, exibe, além disso, partes dos mais populares filmes do mito, que imortalizou em mais de doze filmes, entre 1932 e 1949, o ator e antigo campeão olímpico de natação Johnny Weissmuller.

Bourrough misturou em Tarzan as aventuras, as façanhas e a reflexão sobre a sociedade, a natureza e a evolução, como evidencia seu especial interesse pelo darwinismo – teorias publicadas quando o escritor nasceu – contra o criacionismo vigente durante séculos.

Sons da selva envolvem o percurso, criados especialmente para a ocasião, onde se pode ouvir chiados de macacos enlouquecidos, o incessante soprar do vento e o barulho de distantes cascatas de água.

06/06/2009 - 15:26h Gibi-calhamaço vasculha a memória

http://www.omelete.com.br/images/galerias/quadrinhosnacia/retalhos.jpg

Mais premiada história da década, Retalhos narra percurso de emancipação afetiva e espiritual do autor, Craig Thompson

Jotabê Medeiros

Situando-se num extremo oposto do quadrinho underground e mais próximo da tradição do grande romance geracional americano, de autores como Mark Twain e J.D. Salinger, um gibi virou de ponta-cabeça o mundo da narrativa gráfica em 2004. Tratava-se de Retalhos, primeiro gibi de Craig Thompson, um relato autobiográfico em branco e preto que, se o leitor atentar apenas para um sinopse curta, não vai parecer nada aventuresco e sedutor.

O primeiro amor, a rivalidade entre dois irmãos, a secura paterna, o inverno massacrante, o verão sufocante, o isolamento geográfico. Tudo que poderia resvalar numa narrativa pueril, no entanto, ganha uma dimensão épica avassaladora no traço claro e limpo de Thompson. Cada quadrinho vasculha minuciosamente cavernas da memória e do inconsciente, e nunca parece ter a intenção de chocar. O gibi tem algumas peculiaridades que o tornam único. Primeiro: é um calhamaço de quase 600 páginas. Segundo: promove uma comovente discussão teológica que passa pela infância, adolescência, chega à maturidade e não se completa jamais. Terceiro: é um rigoroso trabalho de “exorcismo” psicológico, tratando inclusive do abuso sexual que o autor sofreu na infância.

Quando saiu Retalhos, foi um auê: ganhou os prêmios mais importantes do gênero, incluindo três Harvey Awards e dois Eisner Awards. Atualmente, o autor trabalha em outro calhamaço, que tem o título de Habibi. “É um tipo de Mil e Uma Noites, um épico amoroso entre uma prostituta e um eunuco numa paisagem oriental apocalíptica”, revela. “Já fiz umas 500 páginas, mas creio que serão 700 páginas quando estiver completo”, contou o autor, que falou ao Estado por e-mail sobre sua obra (que acaba de ser lançada no Brasil pela Companhia das Letras, R$ 49,00, 592 págs.).

Thompson tem 34 anos e viveu a infância e adolescência no campo, uma fazenda remota no Wisconsin, uma região daquelas que está perfeitamente descrita no primeiro capítulo do romance A Sangue Frio, de Truman Capote. Foi nessa ultrarreligiosa e puritana comunidade, que supervaloriza o trabalho duro e a abstinência, o menino sensível cresceu e passou pelo seu grande teste de afirmação pessoal.

“Criar quadrinhos é algo cru e artesanal. Então, parece um veículo natural para narrar memórias. E, é verdade, é algo terapêutico. Por meio do processo de trabalho, aprendi sobre eu mesmo e sobre encarar questões que nos são assustadoras”, conta Thompson, que não se vê nem como escritor nem como ilustrador, mas numa posição no meio disso, a de cartunista. “Penso em Retalhos simplesmente como um gibi, embora goste de pensar que tem potencial para ambições literárias num formato de romance gráfico.” As influências de Thompson também não são as mais óbvias. Ele confessa que, nos primeiros anos de sua formação como cartunista, não gostava muito dos quadrinhos underground, dos seus elementos “chocantes e vulgares”, mas que hoje já é um fã da “sensibilidade de Robert Crumb”. Revela que chorou ao ver Valsa com Bashir no cinema, e que se sente como uma mistura de personagens de Charlie Brown – Linus, Snoopy e o próprio Charlie.

“A lista (de influências) é infindável, mas provavelmente eu teria de tirar primeiro meu chapéu para o cartunista canadense Chester Brown e a frágil vulnerabilidade de sua memória I Never Liked You. Visualmente, minha maior inspiração foram os cartunistas franceses Baudoin e Blutch. E dois livros com os quais eu me sinto profundamente conectado emocionalmente são Hutch Owes Workin Hard, de Tom Hart, e Pickle, de Dylan Horrock.”

Sobre o tamanho do volume, que o torna uma avis rara dentro do mundo dos quadrinhos, Thompson confessa que não foi uma ideia original. Teve um precursor. “Parece que o meio estava pronto para um comic book em formato mais longo, e eu estava no lugar certo na hora certa. Usei Lapinot et les Carottes de Patagonie, de Lewis Trondheim, como meu modelo. Esse trabalho foi publicado na França em 1992 pela L?Association, com suas 500 páginas, e eu adorei manusear aquele objeto e senti-lo em minhas mãos. Trondheim diz que ele usou um formato longo, 500 páginas, como uma espécie de exercício para aprender a desenhar, e eu decidi roubar seu exemplo – que melhor desafio pode haver para se provar como artista?”, conta. “Para o editor, era um risco financeiro editar um livro tão grande, mas eles reconheceram que havia um vácuo na indústria com leitores que tinham sede de livros de maior fôlego.”

10/03/2009 - 20:24h Bat-mulher sai do armário

Detective Comics #854, Pages 2 and 3
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A DC Comics divulgou desenhos com a personagem Bat-Mulher em ação.

 

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Referência a um personagem do período pré-crise, a mulher-morcego tem chamado atenção da mídia pela sua opção sexual. Ela é lésbica e já teve um caso com a policial René Montoya. Alguns sites e fóruns deixaram de lembrar o quanto os quadrinhos eram pouco abertos a esse tipo de abordagem há não muito tempo.Estrela Polar da Marvel demorou anos até assumir sua homossexualidade de vez nos quadrinhos e mesmo na DC Comics os gays eram sempre coadjuvantes e nunca protagonistas de uma história.Aparentemente, a DC Comics tem seguido firme nesse caminho ao retratar outros de seus personagens de etnias diferentes da norte-americana, como é o caso dos novos Besouro Azul (de etnia latina) e Eléktron (de etnia asiática). Nada mais que a obrigação de um meio que nasceu para ser um espelho de seu tempo e não reservatório de idéias conservadoras e ultrapassadas. Vale lembrar que o preconceito se estendeu não apenas a preferências sexuais, mas também de etnia, gênero e religião (que ainda hoje não foi superado, com religiões desenvolvendo seus próprios personagens pela falta de representatividade nos comics).

Blogman já foi o “Batboy”, mas caiu fora no dia de conhecer a batcaverna. Fala sério…

Fonte Melhoresdomundo.net

Una de las viñetas de la nueva entrega de Batwoman

Batwoman sale del armario

La superheroína del cómic renacerá en julio bajo su nueva condición de lesbiana

TONI GARCÍA – Barcelona – El País

Kathy Kane declaró públicamente su homosexualidad en 2006, al conocerse que fue amante de la detective Renee Montoya. La noticia provocó un alud de comentarios (a favor y en contra) y en pocos días más de medio millón de entradas en la Red se ocupaban del tema. No tendría mayor importancia si no fuera porque Kathy Kane es en realidad el álter ego de Batwoman; Renee Montoya trabajaba en la comisaría de Gotham, y todo lo anterior es cierto únicamente en las páginas de sus respectivos cómics.

El lesbianismo de la superheroína llegó a ocupar espacio en periódicos como The New York Times o Washington Post y cadenas televisivas como la NBC o la CNN, e hizo comprender a la veterana editorial DC Comics el potencial que tenía el personaje, y por qué no decirlo, su identidad sexual.

Tres años después, la editorial estadounidense se dispone a resucitar a la chica murciélago otorgándole los galones hasta ahora reservados para las estrellas de la compañía: una serie de 12 números, con presentación de lujo días pasados en el Comic Con de Nueva York (una reu-nión de fans del género que se considera la más importante del mundo después de la de San Diego) y donde la sexualidad de Kane se explotará sin tapujos, lo cual ha provocado el entusiasmo de los grupos que luchan a favor de los homosexuales y la ira de los no menos poderosos lobbies conservadores. Al mando del proyecto, el guionista Greg Rucka, que en su blog http://ruckawriter.livejournal.com desveló recientemente las cinco primeras páginas del proyecto (cuyo primer número verá la luz en julio), en el que ha trabajado casi dos años junto al dibujante JH Williams III y a Dave Stewart, que se ha ocupado de colorear las “explosivas” aventuras de Kane.

Rucka asegura al rotativo británico The Guardian que “Batwoman debería ser juzgada por sus méritos y no por si es lesbiana o pelirroja, eso sólo son elementos de su personaje”. La heroína nació en 1957 pero murió en 1979, y su resurrección (o el anuncio de la misma) coincide con la supuesta muerte de Batman, su homólogo masculino, quien en el último número de su serie regular publicado en Estados Unidos es arrojado al vacío desde un avión, sin traje ni máscara.

Naturalmente, el superhéroe resucitará cuando sea preciso, pero su “desaparición” es una ocasión magnífica para que DC (responsable también de un personaje tan icónico como Superman) otorgue a la némesis femenina de su superhéroe más popular la oportunidad de ser la primera lesbiana declarada en disponer de su propio arco argumental, acompañada del que se prevé que se convierta en uno de los lanzamientos más publicitados de la compañía en los últimos años. En palabras del propio Rucka, “entusiasmado” con el proyecto “creo que la gente se va a caer de la silla cuando lea el primer número”.

do blog Krônicas

Lesbianismo na DC comics: liberal ou reacionário?

Já que estou escrevendo sobre estereótipos e clichês, gostaria de discorrer um pouco sobre o que me parece ser uma onda de personagens femininas lésbicas ou bissexuais na DC comics e no que isso vem me incomodando.
Antes de começar, duas coisas tem de ser esclarecidas:

Primeiro, não tenho nada contra homossexuais masculinos ou femininas. Tenho amigos gays, incluindo o padrinho de minha filha, e amigas lésbicas e bissexuais.
Segundo, leio pouco histórias em quadrinhos atualmente, questões de grana e tempo. Posso estar desatualizado ou avaliando dentro de um universo muito restrito.
Dito isso, vamos lá.

A primeira personagem lésbica que saiu do armário em tempos recentes foi a policial de Gotham City Renée Montoya. Me pegou de surpresa, mas não me incomodou. Já gostava da personagem e continuei gostando. Ela nunca tinha tido namorados masculinos, logo a questão estava aberta. O drama da família que não aceitava a opção sexual dela foi bem conduzido numa história bem legal.
Daí chegamos as novas mulher-gato e batmulher que são lésbicas. A nova bat-mulher é personagem nova, sem passado. A nova mulher-gato era amiga da antiga, mas, como Montoya, sua vida sexual não fôra abordada anteriormente, logo tudo bem. Até aí, tudo legal.

Na nova série do “Sexteto Secreto”, as personagens Escândalo e Nocaute tem um namoro. Escândalo foi apresentada na série, mas Nocaute tinha um histórico de vilã e havia tido um caso com Superboy (Conner Kent), logo se revelou bissexual na série.
Na série “Renegados”, as personagens Grace e Tormenta (filha do Raio Negro) começaram a namorar. A sexualidade de Tormenta não tinha sido abordada antes, mas Grace tinha tido um caso com Roy Harper (Arsenal) e era promíscua.

Agora chegamos ao que me incomodou. Até então estava aplaudindo a DC comics por mostrar personagens interessantes com diferentes opções sexuais. Vamos lá:

Quanto às personagens: Nocaute é uma vilã e Grace era promíscua, o que numa visão conservadora é uma perversão ou falha de caráter. O fato de ambas se revelarem bissexuais não poderia trazer implicitamente um discurso de que a homossexualidade ou a bissexualidade são “coisas de quem tem um desvio de caráter” (vilania e promiscuidade) ?
Além disso, Montoya, Batmulher, Mulher-gato, Grace, Nocaute, Escândalo e Tormenta são mulheres fortes, decididas, guerreiras. A bissexualidade aí não traria implícito que tais traços são “masculinos” logo levam a uma “sexualidade masculina”? Ambos os discurso são reacionários.

Quanto ao universo DC: não tenho visto personagens masculinas se revelarem homossexuais ou bissexuais. Os homens pelo visto continuam no armário, se é que lá estão. Será que isso não quer dizer que as personagens lésbicas na verdade não estão lá em prol da diversidade e sim para agradarem aos leitores homens heterossexuais que ficam excitados com cenas de lesbianismo? As personagens ficam então reduzidas à condição de objetos sexuais. Reacionarismo novamente.
Vejam bem, não há nada de errado em ser objeto de desejo, gosto quando mulheres olham para mim com libido, ser reduzido a isso é que é o problema.

Com exceção da batmulher e da nova mulher-gato que conheço pouco, gosto de todas as personagens acima e não gostaria de vê-las reduzidas a objeto sexual ou portadoras de um discurso reacionário que elas não merecem.

04/02/2009 - 17:01h Manara: “O erotismo é para mim uma religião”

Entretien

Milo Manara : “Pour moi, l’érotisme est une religion”

 

 

 

 

L’auteur italien du best-seller de la BD érotique “Le Déclic” raconte les femmes, Hugo Pratt, le pouvoir de la séduction…

Milo Manara au Lutétia, à Paris, fin janvier (Emilie Masson)

C’est dans le hall de l’Hotel Lutetia que j’ai rencontré le maître de l’érotisme. Du velours rouge pour les fauteuils et les rideaux, des paravents en fer forgé, le décors est planté pour cet amoureux du baroque et de la sensualité.

Contrairement à ses personnages, Milo Manara est discret, pudique. Difficile d’accrocher le regard du créateur de l’inénarrable “Déclic”! Cet artiste qui a donné corps aux fantasmes de tant d’hommes, mais aussi de femmes, plonge son regard bleu pâle vers l’intérieur, là où se trouve la source inépuisable de son imagination mais aussi de ses souvenirs.

De passage à Paris pour la promotion du troisième tome de “Borgia (les flammes du bûcher)” (Drugstore ed.) avant de se rendre au Festival d’Angoulême pour les Rencontres internationales de la bande dessinée, le maître raconte, les femmes, Hugo Pratt et le pouvoir de l’érotisme…

Qu’est ce qui vous a donné envie de dessiner Lucrèce Borgia?

C’est le scénario que m’a proposé Alexandro Jodorowsky. Il est passionné par cette période de l’histoire. Rodrigo Borgia c’est le Pape Alexandre VI qui a été élu en 1492, c’est à dire la même année que la découverte de l’Amérique, mais surtout, l’année de départ de l’ère moderne. La fin du Moyen Age.

Borgia était entouré par des personnages comme Machiavel, c’est donc aussi la naissance d’une nouvelle forme de politique. De l’immoralité au sein même de la politique.

Moi aussi c’est une époque qui me fascine, mais c’est surtout pour l’image. C’est l’époque des peintres les plus importants de l’histoire de l’art. Il y avait Botticelli, Michel Ange… Pour moi c’était enthousiasmant à dessiner!

D’une certaine manière, la politique de cette époque, ses rapports avec la religion aussi, présente certaines similitudes avec notre époque…

Surtout en ce qui concerne la loi a deux vitesses. Une pour les puissants et une pour les autres. Une morale aussi pour les puissants et une pour les autres. On s’aperçoit que la vie des puissants d’aujourd’hui, c’est exactement ça.

Borgia dit à Lucrèce “le sort de Rome est entre tes mains” et elle lui répond: “Le sort de Rome est plutôt entre mes cuisses”! C’est finalement ça votre regard sur la femme: non pas une femme objet, mais une femme qui détient un pouvoir?

On voit cela tous les jours. L’utilisation commerciale du corps de la femme est la preuve de son pouvoir d’attraction. La publicité a compris cela et elle utilise la séduction comme une force de vente, alors que pour moi, la séduction est un véritable pouvoir.

Il y a une sacralité dans la séduction et dans l’érotisme. Une sacralité presque religieuse! Pour moi, l’érotisme est une religion! Ce n’est pas un hasard si, dans la Grèce antique, Eros était un dieu!

Quelles femmes dessinez-vous?

Surtout les femmes que je vois dans la rue. Mais l’imagination y est également pour beaucoup. Quand j’étais jeune et que je voyais une femme de dos, je voulais tout suite voir son visage. Aujourd’hui je préfère l’imaginer, la rêver… Pour moi le visage c’est le plus important dans la séduction féminine. Il y a des mannequins magnifiques qui ne me font aucun effet, parce qu’il n’y a rien dans leur regard.

Gullivera, de Manara

Qu’est ce qui a déclenché le début de votre aventure de dessinateur?

Ma mère était une institutrice de la vieille école, très sévère, elle avait interdit la bande dessinée à la maison. Du coup j’ai découvert la BD très tard, à 20 ans! J’ai lu “Barbarella” de Forest et j’ai immédiatement compris que c’était ma vocation.

Quel rôle a joué Hugo Pratt dans votre vie?

Ah! Fondamental! Fondamental! Quand je l’ai rencontré, une amitié est née presque tout de suite. Comme il était vénitien, il n’avait pas de permis de conduire, alors quand il avait besoin d’aller quelque part c’est toujours moi qui l’emmenais avec ma voiture. Du Sud de l’Italie au Nord de la France ou en Espagne, nous avons beaucoup voyagé ensemble. Une totale complicité est née. Que ce soit pour la bande dessinée ou pour les femmes!

Pratt était passionné par les femmes, il en a d’ailleurs eu beaucoup! Contrairement à moi qui ne fait que rêver! C’est donc très naturellement que nous avons décidé de travailler ensemble. Il avait des scénarios qu’il voulait dessiner lui-même, mais il s’est rendu compte qu’il n’avait pas le temps de tout faire.

Il m’a donc proposé le premier scénario (”Un été Indien”, Casterman 1993) puis le deuxième (”El Gaucho”, Casterman 1995). Nous avions l’intention de continuer, mais en 1995 il est mort. Nous avions presque vingt ans d’écart, mais il fut pour moi comme un père ou un frère.

Est-ce que vous-vous attendiez à un tel succès quand vous avez fait “Le Déclic”?

Absolument pas! Le directeur du magazine Playmen m’a invité à Rome pour dessiner trois pages à la fin de chaque numéro. Et quand je me suis rendu dans cette rédaction, j’ai vu un journaliste très laid… Et avec lui il y avait deux femmes vraiment fabuleuses qui étaient clairement amoureuses de lui! Alors je me suis dit qu’il devait avoir un secret…

En rentrant chez moi, je me suis mis à imaginer une histoire. Je me disais que cet homme devait avoir une boite magique avec laquelle il arrivait à maîtriser le cerveau des femmes. C’était d’ailleurs l’époque où sont apparues les premières télécommandes. Moi j’en avais une pour le portail de mon terrain. Alors quand je suis arrivé chez moi et que j’ai touché ma télécommande, tout s’est combiné dans ma tête!

Existe-il une femme idéale?

Oui et non ! En BD, la belle c’est toujours la même. Alors je ne sais pas si c’est la femme idéale, ou simplement la femme la plus facile à dessiner. C’est leur caractère qui fait la différence. La beauté des femmes dessinées est magnifiée par l’histoire. C’est ça, qui fait le “déclic” de l’érotisme.

Borgia (3) Les flammes du bûcher scénario: Alexandro Jodorowsky; dessin: Milo Manara (ed. Drugstore)

A lire aussi sur Rue89
“Love Story”, manuel d’éducation des plaisirs sexuels au lit
Sextape, naissance d’une BD, le blog de Thomas Cadène

Ailleurs sur le Web
Le site de Casterman consacré à Manara

23/09/2008 - 18:19h Amor – O Interminável Aprendizado

Blog Releituras

por Affonso Romano de Sant’Anna

 

 

Criança, ele pensava: amor, coisa que os adultos sabem. Via-os aos pares namorando nos portões enluarados se entrebuscando numa aflição feliz de mãos na folhagem das anáguas. Via-os noivos se comprometendo à luz da sala ante a família, ante as mobílias; via-os casados, um ancorado no corpo do outro, e pensava: amor, coisa-para-depois, um depois-adulto-aprendizado.

Se enganava.

Se enganava porque o aprendizado de amor não tem começo nem é privilégio aos adultos reservado. Sim, o amor é um interminável aprendizado.

Por isto se enganava enquanto olhava com os colegas, de dentro dos arbustos do jardim, os casais que nos portões se amavam. Sim, se pesquisavam numa prospecção de veios e grutas, num desdobramento de noturnos mapas seguindo o astrolábio dos luares, mas nem por isto se encontravam. E quando algum amante desaparecia ou se afastava, não era porque estava saciado. Isto aprenderia depois. É que fora buscar outro amor, a busca recomeçara, pois a fome de amor não sabia nunca, como ali já não se saciara.

De fato, reparando nos vizinhos, podia observar. Mesmo os casados, atrás da aparente tranqüilidade, continuavam inquietos. Alguns eram mais indiscretos. A vizinha casada deu para namorar. Aquele que era um crente fiel, sempre na igreja, um dia jogou tudo para cima e amigou-se com uma jovem.

E a mulher que morava em frente da farmácia, tão doméstica e feliz, de repente fugiu com um boêmio, largando marido e filhos.

Então, constatou, de novo se enganara. Os adultos, mesmo os casados, embora pareçam um porto onde as naus já atracaram, os adultos, mesmo os casados, que parecem arbustos cujas raízes já se entrançaram, eles também não sabem, estão no meio da viagem, e só eles sabem quantas tempestades enfrentaram e quantas vezes naufragaram.

Depois de folhear um, dez, centenas de corpos avulsos tentando o amor verbalizar, entrou numa biblioteca. Ali estavam as grandes paixões. Os poetas e novelistas deveriam saber das coisas. Julietas se debruçavam apunhaladas sobre o corpo morto dos Romeus, Tristãos e Isoldas tomavam o filtro do amor e ficavam condenados à traição daqueles que mais amavam e sem poderem realizar o amor.

O amor se procurava. E se encontrando, desesperava, se afastava, desencontrava.

Então, pensou: há o amor, há o desejo e há a paixão.

O desejo é assim: quer imediata e pronta realização. É indistinto. Por alguém que, de repente, se ilumina nas taças de uma festa, por alguém que de repente dobra a perna de uma maneira irresistivelmente feminina.

Já a paixão é outra coisa. O desejo não é nada pessoal. A paixão é um vendaval. Funde um no outro, é egoísta e, em muitos casos, fatal.

O amor soma desejo e paixão, é a arte das artes, é arte final.

Mas reparou: amor às vezes coincide com a paixão, às vezes não.

Amor às vezes coincide com o desejo, às vezes não.

Amor às vezes coincide com o casamento, às vezes não.

E mais complicado ainda: amor às vezes coincide com o amor, às vezes não.

Absurdo.

Como pode o amor não coincidir consigo mesmo?

Adolescente amava de um jeito. Adulto amava melhormente de outro. Quando viesse a velhice, como amaria finalmente? Há um amor dos vinte, um amor dos cinqüenta e outro dos oitenta? Coisa de demente.

Não era só a estória e as estórias do seu amor. Na história universal do amor, amou-se sempre diferentemente, embora parecesse ser sempre o mesmo amor de antigamente.

Estava sempre perplexo. Olhava para os outros, olhava para si mesmo ensimesmado.

Não havia jeito. O amor era o mesmo e sempre diferenciado.

O amor se aprendia sempre, mas do amor não terminava nunca o aprendizado.

Optou por aceitar a sua ignorância.

Em matéria de amor, escolar, era um repetente conformado.

E na escola do amor declarou-se eternamente matriculado.


Texto extraído do livro “21 Histórias de amor”, Francisco Alves Editora – Rio de Janeiro, 2002, pág.11.

Para conhecer mais sobre Affonso Romano de Sant’Anna, clique aqui.

Ilustração: Mario Mastrotti

Mario Dimov Mastrotti, natural de São Caetano do Sul – SP, começou a publicar em 1975 no Diário do Grande ABC com as tiras do Cubinho, também publicada no Jornal de Brasília, Gazeta de Vitória, Província do Pará e outros. Na Folha de São Paulo publicou o Mago de Az-Zar, em 1976. Entre 1976 e 1991 produziu colunas e suplementos infantis para mais de 30 jornais como Diário Popular e Folha de Londrina. Produziu quadrinhos infantis e adultos para editora Abril, Press e ECAB, e cartilhas para várias empresas como Pirelli e Lever. Em 2000 organizou o livro cooperado Humor Brasil 500 anos, premiado com o HQ Mix de melhor projeto editorial, e no ano seguinte lançou o livro 2001, Uma odisséia no humor, com 21 cartunistas, como no livro anterior. Publicou charge na revista Bundas e no livro Front. Em 2002, organizou a antologia Humor pela Paz e a falta que ela faz, com 28 cartunistas de 8 estados e prefaciado pelo Angeli. Atualmente colabora com o OPasquim21, edita a revista Humor & Amigos, leciona na Universidade Metodista de São Paulo,  no curso de Publicidade e Propaganda e Comunicação Mercadológica, e dirige a Editora Virgo que edita livros cooperados.

E-MAIL: mastrotti@editoravirgo.com.br

09/08/2008 - 18:44h A tragédia argentina vista por um adolescente

Com História do Pranto, Alan Pauls faz seu exercício estilístico mais radical, cruzando o íntimo e o político numa só dimensão

Antonio Gonçalves Filho – O Estado de São Paulo

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Mais Nietzsche do que Schopenhauer. A teoria do escritor argentino Alan Pauls sobre o problema da dor aponta para o primeiro filósofo não tanto por identificação com os ideais pagãos de uma Europa pré-cristã, que fizeram da filosofia de Nietzsche um manual de sobrevivência na selva das cidades. A uma certa altura de seu novo livro, A História do Pranto, Pauls diz que a dor que o protagonista sente “é sua educação e sua fé”. A dor, continua o autor, “o torna crente”. Como em Nietzsche, ela obriga o sofredor a se tornar mais forte. E, no caso, o sofredor é um adolescente de 13 anos, filho de pais divorciados, que acompanha a tragédia política da América Latina nos anos 1970, tentando inutilmente derramar uma lágrima pelas vítimas de ditaduras.

Dito assim, o livro de Alan Pauls pode parecer uma novela política lacrimosa. Não é lacrimosa e nem mesmo uma novela. A despeito de sugerir um gênero, ao incorporar o subtítulo Um Testemunho à História do Pranto, o talentoso autor de O Passado guia seus leitores por uma trilha enganosa, recheando esse “testemunho” de aforismos, à maneira de Nietzsche, e criando com esses o desejo de interpretar, não de conhecer, a história desse adolescente introspectivo e fixado na imagem do Super-Homem – outra pista que conduz o leitor à estrada principal, ou seja, ao sentido moral da crítica de Nietzsche à metafísica. Nada de platonismo pós-moderno. Pauls dá nome às ditaduras e faz da memória do menino sem nome um registro da história tenebrosa de uma Argentina afogada em sangue.

É bem verdade que o elogio do Super-Homem e a teoria da vontade de potência de Nietzsche acabaram servindo ao nacional-socialismo alemão – não por sua culpa, evidentemente, ele que considerava o nacionalismo uma neurose. Porém, no caso da admiração que o adolescente de Pauls sente pelo Super-Homem dos quadrinhos, trata-se inversamente de investigar a posição de fragilidade, de vulnerabilidade desse ser, acossado por um dilema moral e desgarrado da comunidade que pretende proteger. Mais uma vez recorrendo – deliberadamente ou não – a Nietzsche, Pauls adota uma narrativa marcada pelo tempo cíclico e pela alternância entre criação e destruição. Quando o leitor pensa que localizou no adolescente traços autobiográficos do autor, plasmado no narrador, ele desaparece como desapareceram milhares de crianças durante a ditadura argentina.

Críticos ciosos de uma revisão política do período ou de um ensaio antropológico sobre o modelo neoliberal que engendrou seres incapazes de se emocionar, como o garoto de Alan Pauls, vão se decepcionar com História do Pranto, mas não o leitor que anda atrás de um autor capaz de renovar a linguagem literária com uma escritura mais digressiva que a do chileno Bolaño, para citar um nome caro ao argentino.

As palavras surgem em cascata na narrativa desse garoto prodígio “que considera as lágrimas uma espécie de moeda, um instrumento de troca com o qual compra ou paga coisas”, um desses monstros que assombram as platéias de televisão respondendo a perguntas impossíveis em programas de auditório. Isso explica a sintaxe ornamental e a sofisticação barthesiana de Pauls, às voltas com a consciência de si, que se desdobra no outro e rememora a história coletiva por meio de lembranças pessoais. Esse exercício proustiano, intimista, que se choca com a tumultuada história argentina, é menos uma biografia – ou autobiografia – que um projeto mais ambicioso de atar numa única história todos os seus títulos anteriores (especialmente O Passado), a história da nostalgia da tragédia que têm os argentinos e deu origem ao tango.

O adolescente de História do Pranto não consegue evitar a lembrança da cena que comoveu seu pai até as lágrimas, a do show “mítico” de um cantor de protesto que reencontra os fãs após seis anos de exílio, chamado ironicamente de “Bondade Humana” pelo autor dessas memórias que a ninguém e a todos pertencem. Em outra ocasião, mais histórica, a da derrubada de Allende, vista pela TV, o protagonista tenta até chorar, ao ver seu amigo revolucionário desabar diante da invasão do Palácio de La Moneda pelos brucutus do general Pinochet, em 1973. Tempo perdido: não consegue verter uma só lágrima.

Numa entrevista, Pauls argumentou que, na origem do livro, está esse desejo de fundir o político e o íntimo num único registro em que ambas dimensões sejam indistinguíveis. Encontrou a saída nas memórias de um adolescente, um ser ainda em formação, um arauto além do bem e do mal que anuncia a urgência de ultrapassar os valores argentinos, dos quais o choro parece o mais evidente.

04/06/2008 - 16:08h La mort de Will Elder, pro des parodies et pilier du magazine Mad

Little Annie Fanny avec le patron du FBI, Edgar Hoover (Elder, Kurtzmann Playboy/Fantagraphics).

Will Elder est mort au matin du 15 mai 2008 des suites de la maladie de Parkinson à la maison de retraite médicalisée de Rockleigh (New Jersey). Le dessinateur René Pétillon nous a signalé sa disparition passée inaperçue en France: “c’est une des grandes références de l’humour BD. Avec son ami Harvey Kurtzman, Il a eu beaucoup d’influence sur Crumb et Spiegelman notamment, et, en France, sur Wolinski, Gotlib et sur beaucoup de dessinateurs de la génération de Pilote dont je fais partie”.

“Personne n’a dessiné comme Elder un radiateur surchauffé, une mémère aux bas qui plissent, un gros type poilu qui transpire dans un tricot de corps douteux, une paire de godillots boueux, des mèches de cheveux gras qui dépassent d’un chapeau informe…

“Personne n’a su rendre l’accumulé, l’encombré, le déglingué, le bancal, le cassé, le troué, le pourrissant, le blet comme lui. Personne n’a mis autant de gags par case. Personne ne m’a autant épaté que lui et son complice Kurtzman.”

René Pétillon nous a également transmis ce texte de Jacques Dutrey, grand connaisseur de la BD américaine.

Rue89

Né Wolf William Eisenberg le 22 septembre 1921 dans le Bronx, il développe très tôt un sens de l’humour “hénaurme” qu’il ne cessera de mettre en pratique jusqu’à l’armée et qui le rendra très populaire auprès de ses camarades. Les anecdotes sur ses plus célèbres blagues sont devenues légendaires.

Il entre à la New York High School of Music and Art, où son don pour le dessin (et les gags) va pouvoir se développer. C’est là qu’il rencontrera ses futurs complices, John Severin, Al Jaffee, Al Feldstein et surtout Harvey Kurtzman, de trois ans plus jeune que lui.

Dès 1933, Wolf commence à signer Will Elder (”l’ancien”, d’après le peintre Brueghel l’Ancien, qu’il admire), nom qu’il officialisera en 1949. En 1942, il s’engage dans l’armée et est affecté au service des cartes en relief, débarque en Normandie le 12 juin 1944, puis précède l’avance des troupes américaines, se trouve coincé à Bastogne, entre à Cologne et découvre les camps d’extermination, dont il ne parlera jamais.

Démobilisé début 1946, il vivote de petits boulots publicitaires, place quelques BD dans des revues, puis à partir de mi-1951, il encre les récits de guerre d’Harvey Kurtzman, dans Two Fisted Tales, puis Frontline Combat.

Il parsème ses parodies de Popeye et Pim Pam Poum de petites piques

Mais la révélation viendra fin 1952 avec la création du magazine Mad: dans ces parodies/satires des comic books maison d’abord, puis des comic strips les plus célèbres (Pim Pam Poum, Popeye), des films populaires (King Kong, Sherlock Holmes, Mickey), des feuilletons radios, de télévision, des publicités, etc. il peut donner libre cours à son imagination délirante.

Il ajoute ainsi aux scénarios extraordinairement adultes et aux mises en pages précises de Kurtzman des dizaines de gags secondaires en arrière-plan, qui ne distraient point de la lecture de l’histoire principale mais augmentent encore le potentiel “destructeur de mythes” des récits. Ce que Kurtzman nomme “Katchkas” et Elder “Chicken Fat” (”ce qui dans la soupe n’est pas bon pour votre santé mais excellent pour le goût”, comme il le définit lui-même).

L’entente est si parfaite entre les deux hommes que l’équipe Will Elder -Harvey Kurtzman finira même, en symbiose parfaite, par signer WEHK vers la fin de leur trente-sept ans de carrière commune. Elder a travaillé dur, très dur, pour arriver à cette ressemblance parfaite des styles des dessinateurs de bandes dessinées qu’il parodie.

Les premiers numéros de Mad définissent une bonne partie de l’humour moderne

L’aisance n’est qu’apparente, mais le jeu en valait la chandelle. Les 23 premiers numéros de Mad définissent toute satire en matière de bande dessinée pour adulte et une bonne partie de l’humour moderne. Constamment réédités aux Etats-Unis, ils restent éternellement jeunes, hors du temps.

Curieusement, leur humour ne passe pas la traduction, d’où leur échec commercial en France. Au delà de la bande dessinée, cet humour va influencer le cinéma, la télévision, etc et certains même disent que cette façon d’apprendre à voir au delà des apparences va influencer la génération qui contestera la guerre du Vietnam et va créer les underground comics. Qu’est-elle devenue sous Bush Junior?

En France, il sera publié très tardivement, dans Charlie Mensuel, L’Echo des Savanes, Special USA et en albums (surtout des reprises de Mad version comic book). Il faudra attendre l’an 2000 pour que Little Annie Fanny voit le jour chez nous, beaucoup trop tard pour que la satire des modes soit encore d’actualité.

Il a exercé une influence graphique notable sur Wolinski première manière, dans la rondeur du trait et la profusion des hachures, ainsi que sur Pétillon à ses débuts, dans la multiplication des gags parasites. Son influence sur Gotlib est plus diffuse.

04/06/2008 - 10:24h Petista deixa ministério ao lado da Turma da Mônica

Ministra ‘empossou’ personagem como embaixadora do turismo; Marinho se despede em ato com servidores

Vera Rosa, Brasília – O Estado de São Paulo

Candidata do PT à Prefeitura de São Paulo, Marta Suplicy se despediu ontem do Ministério do Turismo ao lado da turma da Mônica. Ao participar da última cerimônia como ministra, Marta “empossou” Mônica, a mais conhecida personagem das histórias em quadrinhos, como Embaixadora do Turismo Brasileiro. A poucos metros dali, na mesma Esplanada, o ministro da Previdência, Luiz Marinho (PT), que vai concorrer à Prefeitura de São Bernardo do Campo, no ABC paulista, foi às lágrimas ao receber homenagem dos servidores.

Marta e Marinho conversam hoje à tarde com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e anunciam a saída da equipe para a disputa municipal. A ministra deverá ser substituída por Luiz Barreto Filho, atual secretário-executivo do Turismo, e Marinho, pelo deputado José Pimentel (PT-CE).

Diante de um auditório repleto de crianças, Marta brincou com Mônica, que estava acompanhada de seu indefectível coelhinho azul, e aplaudiu Cebolinha, Cascão, Magali e Chico Bento. “Essa, certamente, foi a mais alegre atividade de que eu participei no ministério”, garantiu.

O desenhista Maurício de Sousa, que criou a personagem em 1963, disse que a cerimônia não tinha ligação com a campanha do PT. “Se a ministra sai candidata com uma festa para criança, é uma beleza de saída, não é?”, comentou. “Tenho amigo em todos os lados e todo mundo compra nosso gibi, tanto os petistas como os tucanos.”

Sem querer falar de sua campanha, que até agora não conseguiu conquistar apoios fora do PT, Marta não escondeu a animação. “Mônica, não pode falar bobagem!”, advertiu ela, dirigindo-se para a platéia. Depois, em tom de voz semelhante ao de quem conta histórias infantis, disse que a personagem nunca faz nada errado. “Sabem por quê?”, perguntou para as crianças. “Porque ela ensina noções de higiene, como escovar os dentes…”

Questionada sobre a pesquisa do Ibope, indicando sua liderança, com 30% das intenções de voto, Marta foi econômica. “Foi boa”, encerrou. O primeiro ato de Marta como candidata será sexta-feira, na Casa de Portugal.

A cúpula do PT também está organizando uma recepção para Marinho. Na tarde de ontem, faixas no estacionamento do ministério agradeciam o seu “empenho” na valorização dos servidores. “Marinho, você vai lavar nossa alma”, afirmou o deputado Vicente Paulo da Silva (PT-SP), o Vicentinho, derrotado nas eleições de São Bernardo em 2004.

03/06/2008 - 22:27h Marta nomeia a personagem Mônica embaixadora do turismo

Lula Marques/Folha Imagem

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Personagem de quadrinhos criada pelo escritor Maurício de Sousa vai ajudar a promover o turismo no País

Da Redação O Estado de São Paulo


Dida Sampaio/AE

Em solenidade nesta terça-feira, 3, a ministra Marta Suplicy nomeou a personagem de quadrinhos Mônica a nova embaixadora do turismo brasileiro. Participaram do evento a presidente do Instituto Brasileiro do Turismo (Embratur), Jeanine Pires e o escritor Maurício de Sousa, criador da personagem. Na platéia, 80 crianças de escolas públicas de Planaltina, cidade satélite do Distrito Federal.

“É uma responsabilidade muito grande para a Mônica, pois ela vai levar a imagem do Brasil para dentro e fora do País”, destacou a ministra Marta Suplicy. “As crianças dos outros países vão querer conhecer o Brasil, terra da Mônica, e com isso nós vamos aumentar o turismo dentro do País. Isso é bom porque o turismo gera emprego e emprego gera renda”, destacou a ministra.

“Eu quero lançar livrinhos com a Turma da Mônica visitando as várias regiões do Brasil para provocar o turismo interno, estimular as pessoas a conhecerem o país”, afirmou Maurício de Sousa.

A escolha de uma personagem nacional, identificada com o público infantil, é mais uma ação do MTur para estimular o turismo brasileiro. Dentro da estratégia do Plano Nacional de Turismo, será mais um instrumento para incentivar a inclusão do turismo na cesta de consumo dos brasileiros e tornar o País mais conhecido no exterior. Na promoção nacional e internacional, a Turma da Mônica poderá ser apresentada quando o objetivo for atingir o público infanto-juvenil.

Mônica e sua turma são conhecidos pelo público brasileiro infantil e adulto, por meio das revistas com tiragem mensal de dois milhões de exemplares, dos filmes lançados anualmente, do site, dos brinquedos e jogos, vídeos, das campanhas educativas nas diversas mídias e dos inúmeros produtos licenciados.

13/03/2008 - 10:34h A pedido de Gustavo, o Eternauta em seu devido lugar

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Das minhas compras em Buenos Aires, não podia faltar uma história em quadrinhos. Depois de ouvir falar por anos e nunca ter achado, consegui comprar um álbum do Eternauta. É um clássico argentino de 1957 que conta a história de um homem, seus amigos e família enfrentando uma invasão extraterrestre que nada mais é do que a metáfora do mundo pós-guerra, com suas ameaças atômicas e superpotências que decidem o futuro do planeta sem se importar com países periféricos. Ganhou continuações, revisões, polêmicas e fez aniversário no ano passado. Mas eu falo disso melhor quando terminar de ler tudo. Do Blog de Alexandre Maron

Los cincuenta años de la aparición de El Eternauta y los treinta de la desaparición de su guionista, Héctor Germán Oesterheld, imponen una nueva, necesaria visita a la historieta que logró convertirse en un relato clave de la narrativa argentina

Por Pablo de Santis

Para LA NACION, Buenos Aires – 2007

Sobre Buenos Aires ha caído a menudo la lluvia de la imaginación, con su amenaza de cambios y catástrofes. Leopoldo Marechal excavó, bajo la ciudad, un infierno llamado Cacodelphia; en el “Informe sobre ciegos”de Sabato es la Secta Sagrada de los Ciegos la que domina las profundidades. En los cuentos de Cortázar, Buenos Aires se conecta de improviso con el imperio azteca o con París; en Invasión , la película de Hugo Santiago, la ciudad se recibe de mito, la bautizan Aquilea y la visitan tecnócratas de traje. También Héctor Germán Oesterheld imaginó la invasión, pero extraterrestre. En la secuencia inicial de El Eternauta -de cuya publicación se cumple medio siglo-, un guionista de historietas recibe la visita de Juan Salvo, un hombre del futuro, que llega para advertirle que la ciudad será invadida. Toda la historieta, con sus 350 y pico de páginas, es un largo racconto : la promesa de la nevada mortal y de los horrores que seguirán.

Ese comienzo es ejemplar. El guionista se empeña en trabajar en medio de la noche, en una casa de las afueras. El lector se siente cómodo en esa noche fría y estrellada, con el rasguido de la pluma contra el papel como único sonido. Esa escena, en la que es precisamente un guionista de historieta el testigo del largo relato, ha hecho de El Eternauta un símbolo y un umbral de la historieta argentina. Nuestra literatura -como señaló Juan Sasturain- se alimentó siempre de libros heterogéneos, raros, imprevisibles, como el Facundo de Sarmiento o la Operación masacre de Rodolfo Walsh. También debe su vitalidad a la capacidad de poner en el centro del interés y del prestigio géneros como el fantástico y el policial. Nacida en una revista barata, la Hora Cero Semanal , de formato apaisado y tapa a dos colores, El Eternauta también pasó a formar parte de nuestros grandes relatos.

Oesterheld volvió a la invasión en una nueva versión que hizo para la revista Gente en 1969; para entonces, la gráfica experimental de Alberto Breccia y los cambios ideológicos del guionista -ya los malos no eran solo los extraterrestres, sino también las grandes potencias, que entregaban América Latina al invasor- hicieron que la historieta fuera insostenible en ese medio. Los autores tuvieron que compactar el argumento en pocas páginas. El Eternauta tuvo una segunda parte y luego la tercera (a la que se le agregó en años recientes una cuarta), pero la historia esencial sigue siendo la primera. Umberto Eco -pionero en este asunto de hablar de historietas bajo el rótulo de la semiología- señaló, a propósito de la serie de Charlie Brown, que el genio es aquel que convierte los condicionamientos en posibilidades. Oesterheld trabajó así, convirtiendo el formato episódico – El Eternauta se publicaba por entregas- en un potenciador de la historia. Sus invasores, a diferencia de los de tantas otras películas, novelas e historietas, se renuevan: después de la nieve, cascarudos y gurbos, y los manos, y esa especie de zombis Los defensores, en cambio, siempre son los mismos, aunque van cambiando: algunos temerosos se convierten en valientes, otros hacen el camino inverso. Nadie saca para siempre el carnet de héroe; todos lo tienen en sus manos por un rato.

Los dibujos de Francisco Solano López se convirtieron en imágenes imborrables para todos los lectores. Como ocurre con Chester Gould, el autor de Dick Tracy , en los dibujos de Solano López la sencillez y el despojamiento le han permitido seguir encantando a las sucesivas camadas del lectores. Un dibujo más complejo hubiera perdido su eficacia con los años. Solano López, frontal y directo, inventó caras inolvidables y postales definitivas de una Buenos Aires arrasada.

Una curiosidad dentro de la bibliografía de Oesterheld es El Eternauta y otros cuentos de ciencia ficción , que forma parte de una colección que Juan Sasturain dirigió para la editorial Colihue hace más de diez años, y que se proponía rescatar la obra literaria de Oesterheld. Ese volumen incluye unos fragmentos narrativos (quiero decir: pura prosa, sin dibujos) que el autor ensayó en los años sesenta sobre su memorable invasión y también algunos de los cuentos que publicó en revistas de ciencia ficción.

El Eternauta fue leída por varias generaciones: los primeros lectores fueron los de Hora Cero Semanal , la revista que Oesterheld publicaba en su propia editorial Frontera; después vino la edición en libro a color, más distintas versiones en las páginas de la revista Skorpio o como fascículos coleccionables. En los últimos años hubo un par de ediciones que se propusieron devolverle a la historieta el blanco y negro original, alejándola del color intrusivo (al que muchos lectores nos habíamos acostumbrado: después de todo, para cada lector la versión original es la primera que cayó en sus manos, no la que anotan las cronologías).

Las analogías entre El Eternauta y la desgracia personal de Oesterheld (desaparecido desde 1977, igual que sus cuatro hijas) resultan cansadoras; en cada homenaje se compara a los extraterrestres con la represión de los años setenta. Esa lectura quiere quitarle a la aventura su alegría y energía. Porque lo cierto es que, si prescindimos de alegorías y premoniciones, vamos a disfrutar como se debe de la persecución implacable, de la destrucción y el horror de la historieta, tanto como de los rasgos humanos de los personajes. Toda historia cuenta un secreto y ese secreto es, sobre todo, el porqué nos importan cosas que sabemos irreales, imposibles. Ese secreto nunca lo descubrimos del todo y por eso seguimos leyendo.