02/06/2009 - 10:39h Reagan provocou isso

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Paul Krugman, THE NEW YORK TIMES* – O Estado SP

“Esta é a mais importante legislação já aprovada para as instituições financeiras nos últimos 50 anos. E provê uma solução a longo prazo para as instituições de poupança em apuros… Definitivamente, acho que acertamos em cheio na sorte.” Foi essa a declaração de Ronald Reagan em 1982, ao assinar o Garn-St.Germain Depository Institutions Act, lei que regulamentou as instituições de depósito e poupança.

Como se verificou, ele estava errado no que se refere a resolver os problemas das instituições de poupança. Pelo contrário, essa lei transformou os problemas ainda modestos das instituições de empréstimo e poupança numa verdadeira catástrofe. Mas estava certo quanto ao significado da lei. E, no que se refere a acertar em cheio, isso ocorreu 25 anos mais tarde, na forma da pior crise econômica desde a Grande Depressão.

Quanto mais examinamos as origens do atual desastre, mais claro fica que o erro primordial – que tornou essa crise inevitável – ocorreu no inicio da década de 80, no governo Reagan.

Os ataques às teses econômicas adotadas por Reagan em geral se concentram no aumento das desigualdades e da irresponsabilidade fiscal que elas engendraram. Com efeito, Reagan governou numa era em que uma pequena minoria enriqueceu imensamente, enquanto famílias trabalhadoras só tiveram alguns ganhos muito magros. E ele também rompeu com regras há muito tempo aceitas de prudência fiscal.

Sobre este último ponto: tradicionalmente, o governo dos EUA sempre teve déficits orçamentários significativos apenas em tempos de guerra e de emergência econômica. A dívida federal como porcentagem do Produto Interno Bruto (PIB) caiu drasticamente do fim da 2ª Guerra até 1980. Mas o endividamento começou a crescer nos anos Reagan; retrocedeu de novo na era Clinton, porém retomou a trajetória de alta no governo Bush, deixando-nos mal preparados para superar uma emergência como a atual.

Mas o aumento da dívida pública, que parece pequena diante do endividamento privado, foi possível pela desregulamentação financeira. A mudança das regras financeiras nos EUA foi o maior legado de Reagan. Um presente indesejável que precisamos ainda manter.

O efeito imediato da Lei Garn-St.Germain, como disse, foi transformar o problema das instituições de poupança numa catástrofe. Essa crise foi apagada da biografia de Reagan, mas o fato é que a desregulamentação de fato deu ao setor – cujos depósitos eram garantidos pelo governo federal -, no melhor dos casos, uma licença para apostar com o dinheiro dos contribuintes, ou saqueá-lo, no pior. Quando o governo concluiu suas contas sobre o caso, os contribuintes tinham perdido US$ 130 bilhões, numa época em que era muito dinheiro.

Mas houve também um efeito a longo prazo. As mudanças legislativas da era Reagan eliminaram as restrições do New Deal aos empréstimos hipotecários, que, em especial, impediam as famílias de comprar uma casa sem dar uma boa entrada. Essas restrições foram estabelecidas nos anos 30 por líderes políticos que acabaram de vivenciar uma terrível crise e queriam evitar outra.

Mas, em 1980, a lembrança da Grande Depressão foi diluindo. O governo – declarou Reagan – é o problema, e não a solução; a magia do mercado tem de ser libertada. E assim todas as normas preventivas foram eliminadas. E isso, juntamente com padrões de empréstimos mais indulgentes a outros tipos de crédito ao consumidor, provocou uma mudança radical no comportamento americano.

Sempre fomos uma nação de grandes dívidas e pequenas poupanças; na década de 70, os americanos economizaram quase 10% da renda, pouco mais do que nos anos 60. Foi somente depois da desregulamentação sancionada por Reagan que a poupança desapareceu do modo de vida americano, culminando numa taxa quase zero, que prevalecia na véspera da atual crise. A dívida familiar era de apenas 60% da renda quando Reagan assumiu a presidência, praticamente o mesmo nível da era Kennedy. Em 2007, chegava a 119%.

Foi-nos assegurado que tudo era bom; os americanos, certamente, estavam acumulando dívidas e não estavam poupando nada da sua renda, mas suas finanças pareciam saudáveis, levando-se em conta os valores cada vez mais altos das propriedades e dos portfólios de ações. Oops.

Agora, as causas da crise econômica atual são atribuídas a fatos ocorridos bem depois de Reagan deixar o governo – ao excesso de poupança, no plano global, gerado pelos superávits na China e em outras partes, e à gigantesca bolha imobiliária que essa superabundância de poupanças ajudou a inflar.

Mas foi a explosão da dívida no último quarto de século que tornou a economia americana tão vulnerável. Um grande número de mutuários, sob pressão das dívidas, se tornou inadimplente com a explosão da bolha imobiliária e o aumento do desemprego.

Essa inadimplência, por outro lado, devastou um sistema financeiro que, especialmente por causa da desregulamentação da era Reagan, assumiu riscos demais com pouco capital.

Ultimamente, acusa-se muita gente e muita coisa. Mas os principais vilões por trás da atual desordem foram Reagan e seu círculo de assessores – homens que esqueceram as lições aprendidas na última grande crise financeira dos EUA, e nos condenaram a repeti-la.

*O autor é Prêmio Nobel de Economia

19/04/2009 - 17:06h Antiutopia

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Verissimo – O Estado SP

 


Em inglês eles usam “dystopia” mas em português “distopia” tem outro sentido. Como se chamaria o oposto de Utopia? “Antiutopia” é óbvio, mas serve. A Utopia original, a sociedade perfeita onde tudo dava certo, foi imaginada por Thomas Morus no século 16. Dizem que ele se inspirou nas primeiras notícias do descobrimento do Brasil para inventar seu paraíso racional e situá-lo numa ilha do Atlântico Sul. Um pouco da idealização de Thomas Morus sobrevive no imaginário europeu, como se vê a cada vez que eles fantasiam uma das nossas peculiaridades, seja a alegria de viver, a sensualidade ou o Lula.

Num artigo sobre o pintor Jacques-Louis David reproduzido pela recém-lançada revista serrote, Carlo Ginsburg propõe que a derrubada do Muro de Berlim em 1989 marca o fim do ciclo histórico iniciado com a Revolução Francesa em 1789, exatamente 200 anos antes. A ideia atrai pela simetria simbólica mas a conta não é precisa. A era das revoluções começou antes da queda da Bastilha, com o Iluminismo e com a Revolução Americana (ou, se quiserem uma mais antiga, com a revolução cromwelliana na Inglaterra) e acabou antes da queda do Muro, com o Gorbachev trocando sorrisos com o Reagan. Mas como gostamos de simetria, ainda mais quando ela simplifica a História, nada nos impede de pegar emprestada a data de 1989 para marcar o fim do pensamento utópico e o começo do pensamento antiutópico.

Durante mais de 200 anos de aspiração utópica, a ideia de transformar o ser humano e a sociedade criou maravilhas e horrores quase que em doses iguais: a democracia e o fim das monarquias absolutas (pelo menos no Ocidente), o crescimento dos direitos individuais, o Terror que quase afoga a Revolução Francesa em sangue, a arregimentação social do fascismo, a perversão do socialismo pelo totalitarismo soviético – enfim, tudo anunciado ou mascarado como progresso.

O pensamento antiutópico não começou apenas com a desilusão de utopistas de esquerda com a queda do Muro e o fracasso do sistema soviético. Tem uma raiz apolítica na percepção do que estamos fazendo com o planeta, do que o progresso tem de suicida. Há uma desilusão com o capitalismo também, agravada com a crise atual. A tecnologia não nos salvará, ela é parte do problema. Só ajudará se, como resultado da nossa adaptação à antiutopia que vem por aí, aprendermos a comer telefones celulares e baterias descartadas. Hoje se especula não como aperfeiçoar o ser humano e a sociedade mas como o humano e o social sobreviverão num mundo pós-crise terminal, entregue, literalmente, às feras. Já é grande a literatura antiutopista sobre como será a vida numa sociedade tornada selvagem pela privação e o desespero.

Mas acalmemo-nos. As antiutopias previstas podem ser tão fantasiosas como a Utopia de Thomas Morus. E o Obama não disse que as coisas estão melhorando?

GLORIA

- Bem…

- Mmmm?

- Que barulho é esse?

- É o gerador para a cerca eletrificada, para os holofotes que iluminam o jardim em volta da casa e para o sistema de alarme.

- E esse outro barulho?

- São os cachorros, Gloria.

- E esse?

- É o dos guardas fechando os portões de ferro do condomínio.

- Meu Deus, e esse?

- É o helicóptero que fica sobrevoando a área a noite inteira.

- Com tanto barulho, eu não vou conseguir dormir!

- Eu sei, Gloria. Mas a única maneira de a gente poder dormir descansados é não conseguir dormir.

28/03/2009 - 14:25h A mística do mercado

ARTIGO

PAUL KRUGMAN DO “NEW YORK TIMES” - FOLHA SP

NA SEGUNDA-FEIRA, Lawrence Summers, o chefe do Conselho Econômico Nacional, respondeu às críticas ao plano do governo Obama para subsidiar a compra privada de ativos tóxicos. “Não conheço nenhum economista que não acredite que mercados de capitais funcionando melhor, nos quais os ativos possam ser negociados, não sejam uma boa ideia.”
Deixe de lado por um momento a questão de se um mercado em que os compradores têm de ser subornados para participar pode realmente ser descrito como “funcionando melhor”. Mesmo assim, Summers precisa sair mais. Alguns economistas reconsideraram sua opinião favorável sobre os mercados de capitais e a negociação de ativos à luz da crise atual.
Mas ficou cada vez mais claro nos últimos dias que autoridades graduadas do governo Obama ainda estão presas à mística do mercado. Elas ainda acreditam na magia do mercado financeiro e na proeza dos magos que a executam.
A mística do mercado nem sempre dirigiu a política financeira. A América saiu da Grande Depressão com um sistema bancário rigidamente regulamentado, que fez das finanças um negócio sóbrio e até aborrecido. Os bancos atraíam os depositantes fornecendo localizações convenientes de agências e talvez uma ou duas torradeiras de brinde; usavam o dinheiro assim captado para fazer empréstimos, e era isso.
E o sistema financeiro não era apenas aborrecido. Também era, pelos padrões de hoje, pequeno. Mesmo durante os “anos go-go”, o mercado altista da década de 1960, finanças e seguros juntos representavam menos de 4% do PIB. A relativa desimportância das finanças se refletia na lista de ações que formavam a Média Industrial Dow Jones, que até 1982 não continha uma única companhia financeira.
Tudo parece primitivo pelos padrões de hoje. Mas aquele sistema financeiro aborrecido e primitivo serviu a uma economia que duplicou os índices de padrão de vida no período de uma geração.
Depois de 1980, é claro, surgiu um sistema financeiro muito diferente. Na era Reagan, de mentalidade desregulamentadora, a banca à moda antiga foi cada vez mais substituída pela especulação em grande escala.
O novo sistema era muito maior que o antigo regime: à véspera da crise atual, finanças e seguros representavam 8% do PIB, mais que o dobro de sua participação nos anos 60. No início do ano passado, o Dow Jones incluía cinco companhias financeiras -entre elas gigantes como AIG, Citigroup e Bank of America.
E as finanças tornaram-se nada aborrecidas. Atraíram muitas de nossas mentes mais agudas e fizeram algumas pessoas imensamente ricas. Sob o novo mundo glamouroso das finanças estava o processo de securitização. Os empréstimos não ficavam mais com o credor. Em vez disso, eram vendidos para outros, que cortavam em fatias, picavam e faziam purê das dívidas individuais para sintetizar novos ativos. Hipotecas “subprime”, dívidas de cartão de crédito, empréstimos para carros -tudo entrava na processadora do sistema financeiro.
Do outro lado, supostamente, saíam doces investimentos AAA. E os magos financeiros foram generosamente recompensados pela condução desse processo.

Eram fraudes
Mas os magos eram fraudes, quer eles soubessem disso quer não, e sua magia veio a ser nada mais que uma coleção de truques baratos. Acima de tudo, a promessa chave da securitização -que tornaria o sistema financeiro mais robusto ao espalhar mais os riscos- veio a ser uma mentira. Os bancos usaram a securitização para aumentar seu risco, e não para reduzi-lo. Nesse processo tornaram a economia mais, e não menos, vulnerável aos distúrbios financeiros.
Mais cedo ou mais tarde as coisas tinham de dar errado, e acabaram dando. O Bear Stearns faliu; o Lehman faliu; mas principalmente a securitização faliu. O que nos traz de volta à abordagem do governo Obama para a crise financeira.
Grande parte da discussão sobre o plano de ativos tóxicos se concentrou nos detalhes e na aritmética, e com razão. Além disso, no entanto, o que é marcante é a visão manifestada tanto no conteúdo do plano financeiro como em declarações de autoridades do governo. Na essência, o governo parece acreditar que quando os investidores se acalmarem a securitização e os negócios financeiros poderão retomar de onde pararam um ou dois anos atrás.
Para ser justo, as autoridades estão pedindo mais regulamentação. Na verdade, na quinta-feira Tim Geithner, o secretário do Tesouro, explicou planos para aumentar a regulamentação que teriam sido considerados radicais pouco tempo atrás. Mas a visão subjacente permanece a de um sistema financeiro mais ou menos igual ao que havia dois anos atrás, embora um pouco mais controlado por novas regras. Como você pode adivinhar, eu não compartilho essa visão.
Não acho que isso seja apenas um pânico financeiro; eu acredito que representa o fracasso de todo um modelo de banca, de um setor financeiro que cresceu demais e causou mais dano que bem. Não acho que o governo Obama seja capaz de trazer a securitização de volta à vida, e não acredito que deva tentar isso.

PAUL KRUGMAN , economista, é colunista do jornal “The New York Times” e professor na Universidade Princeton (EUA).

Tradução de LUIZ ROBERTO MENDES GONÇALVES

01/03/2009 - 11:09h Novo Orçamento americano enterra a era conservadora

Ideia central é reverter rápido crescimento da desigualdade iniciado nos anos 80 com Reagan

Com plano, Obama quer reescrever código tributário e tentar sanar parte das causas do desaquecimento da renda da classe média

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DAVID LEONHARDT DO “NEW YORK TIMES”, EM WASHINGTON – FOLHA SP

O Orçamento que Barack Obama propôs na última quinta aos EUA não é nada menos que uma tentativa de pôr fim a três décadas de política econômica dominada pelas ideias de Ronald Reagan e seguidores.

A proposta de Obama -uma mudança radical em relação à história recente- prevê forte elevação dos impostos sobre os ricos, para além do patamar para o qual Bill Clinton os elevara. E reduz os impostos sobre o resto da população para menos do que estavam sob Clinton e George W. Bush. O Orçamento ainda deita as bases para mudanças amplas na saúde e na educação, entre outras áreas.

Mais que qualquer outra coisa, a ideia é reverter o crescimento rápido da desigualdade econômica verificado nos últimos 30 anos. Isso deve ser feito, primeiro ao reescrever o código tributário e, no longo prazo, ao tentar resolver algumas das causas do desaquecimento da renda da classe média, como os altos custos médicos e a queda nos ganhos educacionais.

Depois de Obama ter passado boa parte de suas primeiras cinco semanas na Presidência tratando da crise financeira, seu Orçamento traz de volta para a mesa as prioridades nas quais ele baseou sua campanha.

Seus esforços vão aumentar um déficit já inchado pelas políticas de Bush e a recessão, criando o maior déficit desde a Segunda Guerra. Eliminá-lo vai exigir escolhas difíceis -como cortes extras de gastos e aumentos nos impostos- que Obama evitou tratar por ora.

Apesar disso, ele fez escolhas. Buscou eliminar subsídios corporativos que os economistas criticam há muito tempo, pagos a seguradoras de saúde, bancos e empresas agrícolas. Propôs taxar a emissão de carbono, para desacelerar o aquecimento global, e depois refinanciar a maior parte da receita obtida com esse programa, por meio de cortes amplos nos impostos.

Pediu cerca de US$ 100 bilhões por ano em aumentos dos tributos sobre os ricos -em sua maioria adiados até 2011, quando se presume que a recessão terá terminado- e US$ 50 bilhões por ano em cortes líquidos para os não-ricos.

Há ainda muitas perguntas em aberto sobre a proposta, a começar pelas chances de o Congresso aprová-las. Os planos para saúde e educação também esbarram em resistência, e, se a economia continuar fraca até 2010, os republicanos no Congresso vão tentar atribuir a culpa por isso ao aumento dos impostos para os ricos.

Aconteça o que acontecer, porém, faz muito tempo que nenhum presidente tentava usar seu Orçamento para moldar o governo e a economia tanto quanto Obama tentou. Nesse ponto, ele e Ronald Reagan têm algo em comum.

11/12/2008 - 15:29h World Bank’s ‘Wrong Advice’ Left Silos Empty in Poor Countries

By Alison Fitzgerald and Helen Murphy


 

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Dec. 10 (Bloomberg) — Inside and out, the rusted towers of El Salvador’s biggest grain silo show how the World Bank helped push developing countries into the global food crisis.Inside, the silo, which once held thousands of tons of beans and cereals, is now empty. It was abandoned in 1991, after the bank told Salvadoran leaders to privatize grain storage, import staples such as corn and rice, and export crops including cocoa, coffee and palm oil.

Outside, where Rosa Maria Chavez’s food stand is propped against a tower wall, price increases for basic grains this year whittled business down to 16 customers a day from 80.

“It’s a monument to the mess we are in now,” says Chavez, 63.

About 40 million people joined the ranks of the undernourished this year, bringing the estimate of the world’s hungry to 963 million of its 6.8 billion people, the Rome-based United Nations Food and Agriculture Organization said yesterday. The growth didn’t come just from natural causes. A manmade recipe for famine included corrupt governments and companies that profited on misery. Another ingredient: The World Bank’s free- market policies, which over almost three decades brought poor nations like El Salvador into global grain markets, where prices surged.

“The World Bank made one basic blunder, which is to think that markets would solve problems of such severe circumstances,” said Jeffrey Sachs, director of the Earth Institute at Columbia University and a special adviser to UN Secretary-General Ban Ki- moon. “But history has shown you need to help people to get above the survival threshold before the markets can start functioning.”


‘The Washington Consensus’

Created in 1944, the Washington-based World Bank Group spent much of its first 35 years dispensing low-interest loans, grants and development advice to poor countries with an eye toward promoting self-reliance. In 1980, the bank’s executives began attaching conditions to loans that required “structural adjustments” in the recipients’ national economies. The mandates were designed to have poor countries cut import tariffs, reduce government’s role in enterprises such as agriculture and promote cultivation of export crops to attract foreign currency.

The philosophy, which came to be known as “The Washington Consensus,” was based in part on assumptions that importing basic grains would be inexpensive and that farmers in developing nations could earn more producing exports. Food prices had fallen for years and few economists thought that would change, said Mark Cackler, manager of the bank’s Agriculture and Rural Development Department in Washington.


Exporter to Importer

In 2007 and the first half of 2008, an index of more than 60 food commodity prices compiled by the FAO rose 82 percent. While costs have since eased, they were 20 percent higher on Nov. 1 than at the end of 2006.

The increases hit hard in countries such as El Salvador, which had adopted the principles of the Washington Consensus in return for loans. El Salvador’s Central Reserve Bank said the total amount of the lending was “not available.” The Agriculture Ministry did provide this measure of their effects: The country was a net exporter of rice 20 years ago; now it imports 75 to 80 percent of what it consumes.

The World Bank has “given consistently wrong advice,” said Jose Ramos-Horta, the president of East Timor in Asia and the 1996 Nobel Peace Prize winner.

“It is their advice — that buying externally is cheaper than producing — that has resulted in this,” he said.

‘More Than Underinvestment’

Current and former World Bank officials say small countries hurt their own agriculture industries by suppressing prices, taxing farms, inflating exchange rates and favoring urban development. They reject the assertion that structural adjustment loans hurt developing nations’ self-sufficiency.

“The premise that this crisis was caused by these policies is something that we don’t agree with,” said World Bank spokeswoman Geetanjali Chopra. “This crisis was caused by much more than underinvestment in agriculture.”

Still, in nations such as Honduras and Ghana, imports of basic grains climbed after governments eliminated agricultural subsidies, sold off grain stores or decreased tariffs to get World Bank loans in the 1990s, according to data from the UN’s FAO.

In Honduras, 23,000 rice farmers went out of business, and employment from rice fell to 11,200 people from 150,000 after the government trimmed import duties, according to the human rights group Oxfam International. Honduran farms now supply 17 percent of the domestic demand for rice, down from 90 percent before the tariffs changed.


McNamara’s Shift

In Ghana, the World Bank required a tariff reduction on rice to 20 percent from 100 percent. Imports tripled, said Raj Patel, a scholar at the Center for African Studies at the University of California at Berkeley.

The free-market policies were a sharp turn from the bank’s earlier efforts — led by former bank President Robert McNamara – - to develop poor countries’ domestic agriculture and self- reliance, said Uma Lele, a World Bank economist from 1971 to 1991 and 1995 to 2005.

McNamara, who oversaw the escalation of the U.S. war in Vietnam as defense secretary under presidents John F. Kennedy and Lyndon Johnson before joining the bank in 1968, shifted his views. He introduced the structural adjustment concept in 1979, in a speech in Manila urging rich nations to open their markets to imports from poor countries.

“Developing countries will need to carry out structural adjustments favoring their export sector,” he said in the speech. McNamara, 92, declined to comment for this story.

Free Market Principles

World Bank officials were frustrated that their investment in agriculture through the 1970s wasn’t paying off, especially in Africa, said Pierre Landell-Mills, a bank economist at the time.

“There were state marketing organizations that were a complete nightmare of mismanagement and corruption,” said Landell-Mills, 69, now a principal at the Policy Practice, a public policy consulting group in Brighton, England, in a June interview. “There were unsustainable subsidies.”
The “preferred solution,” he said, was to dismantle the marketing boards, shrink governments and remove barriers to entrepreneurship.

McNamara in 1980 approved the first three structural adjustment loans. By 1985, they made up more than 25 percent of the World Bank’s total lending, according to Kyle Peters, its country services director.

Free-market principles were on the rise in the U.S. and the U.K., the bank’s major funders. Margaret Thatcher had become British prime minister in 1979 with promises of privatizing state-owned enterprises. Ronald Reagan was elected U.S. president in 1980, pledging to cut taxes and government programs.


New Ideas, New Staff

Reagan appointed Alden “Tom” Clausen, a former chief executive officer of Bank America Corp., to succeed McNamara in 1981. The new bank president was convinced “that you could fight poverty better and more efficiently and more quickly if you get the policies of a country right,”

Clausen said in an interview.

“I loved structural adjustment loans, and I made a lot of them,” he said.

As the bank’s philosophy evolved, so did its staff. Clausen hired Anne Krueger, an economist known for her advocacy of “getting prices right” by removing government controls, as vice president for economics and research in 1982. She “reshuffled the central economics staff,” wrote Devesh Kapur, in the bank’s official history, “The World Bank: Its First Half Century.”

“Of course the direction of research had changed,” Krueger, 74, said in an interview on Aug. 25. She acknowledged that some economists left because they didn’t agree with the bank’s focus. “Research moved away from big planning models with unreasonable incentives and swung toward things that were much more conducive to agriculture.”

‘Dysfunctional Systems’

Krueger led a five-volume study that concluded developing countries were hurting their own agriculture with tax and exchange rate policies. She said the bank’s free-trade principles boosted output and growth.

“These were largely dysfunctional systems,” she said. “It made sense to reduce tariffs so that countries could produce the goods that they were most efficient at.”

After leaving the bank in 1986, Krueger became first deputy managing director of the International Monetary Fund, which makes loans to help countries correct balance of payment problems and promotes economic policies.

As structural adjustment loans grew, the portion of the World Bank’s lending devoted to agriculture fell, to about 8 percent in 2000 from 30 percent in 1980. Last year, farm-related loans made up 12 percent of the bank’s $24.7 billion portfolio.


‘A Human Face’

“One of the reasons we have problems today is because of the cuts in agriculture,” said Montague Yudelman, 86, who was director of the World Bank’s agriculture department under McNamara. “If they’d made a continuously high level of investment, we’d have been in much better shape.”
By the late 1980s critics began saying the bank, along with the IMF, was fostering poverty and dependence. UNICEF, the United Nations Children’s Fund, in 1987 published a two-volume study titled, “Adjustment With a Human Face.” It concluded that some of the bank’s programs led to increases in malnutrition and disease in poor nations and urged new strategies to protect the most vulnerable people.

In 1995, just 30 days into his tenure as bank president, James Wolfensohn promised changes.

During a meeting with representatives of 12 non-profit organizations, Wolfensohn heard their argument that 15 years of adjustment lending had wiped out small farmers in countries from Africa, Latin America and Asia, damaging their ability to feed people. Some called for the bank to be disbanded.

‘A Different Way’

“What I’m looking for is a different way of doing business in the future,” Wolfensohn, a former Australian Olympic fencer and New York banker, told them. Wolfensohn, 75, who left the World Bank in 2005, declined to be interviewed for this story.

The bank’s commitment to free-market principles didn’t waver.

In 2000, as a condition for a $6.8 million agriculture loan in East Timor, the bank demanded that publicly funded agricultural service centers be privatized and rejected money for a public grain silo and slaughterhouse, according to Tim Anderson, a political economy lecturer at the University of Sydney. He has written several papers on East Timor’s development.

It also turned down proposals for the government to provide research and advice to farmers and to supply seeds and fertilizer because, “such public sector involvement has not proved successful elsewhere,” according to a World Bank mission report that year.


Small Farms Ignored

At the time, there was already evidence that private entrepreneurs weren’t serving so-called smallholders, who the bank says make up 60 percent of the world’s 2.5 billion farm households.

A 1998 study by Michael L. Morris, then a senior economist and project coordinator with the International Maize and Wheat Improvement Center in El Batan, Mexico, found that private seed companies in Africa focused on supplying large commercial operations and “often ignored small-scale, subsistence-oriented farmers located in remote areas.” Morris, 53, is now the World Bank’s lead agriculture economist for the Africa region.

In its 2008 World Development Report, the bank acknowledged that limiting governments’ participation in agriculture had hurt small farmers — citing Morris’s 10-year-old study as part of the evidence.

“The expectation was that removing the state would free the market for private actors to take over these functions — reducing their costs, improving their quality, and eliminating their regressive bias. Too often, that didn’t happen,” the bank said in the report.

No ‘Evil Force’

In 2000, Wolfensohn defended the bank to critics. During a meeting at Prague Castle that year, he told an invited crowd of 300 activists, bankers and government officials: “You should not regard us as a black and evil force. Maybe we’ve gotten things wrong. I’m sure we have in many cases.”
The next year, several non-profit groups that had worked with the bank to study its loan conditions released a report saying that the policies “have undermined the viability of small farms, weakened food security and damaged the natural environment.”

In response to the criticism from the Structural Adjustment Participatory Review International Network, the bank issued its own analysis that listed successes as well as missteps. It concluded that the required changes in agriculture were too much, too soon.


Lessons Learned

“The lessons for future policies are that agricultural adjustments are complex and require a sequence of modest steps,” the bank said in the report.
In August 2004, James Adams, the World Bank’s head of operations policy, declared the end of structural adjustments.

“We have abandoned the prescriptive character of the old policy,” Adams said in a statement. At the same time, he said, the underpinnings of the Washington Consensus “remain important themes of economic policy.”

The next year, the bank demanded that Niger privatize its irrigation systems, according to a 2007 report by Eurodad, a Brussels-based coalition of 56 non-profit groups. The requirement “has seriously damaging effects on poor farmers’ access to a precious and scarce resource,” said the report, based on an analysis of the bank’s databases. In all, the group found economic policy conditions were attached to 71 percent of loans and grants.
The World Bank in May pledged $1.2 billion for a Global Food Response Program that’s designed to speed money to the neediest countries without the usual red tape. As of last month the Bank approved $364 million for 25 countries and $541 million more is designated for 10 others.

Trade Talks Stalled

Current Bank President Robert Zoellick, a former U.S. trade representative, has promised to double agriculture spending while touting free trade as a solution to rising food prices. Zoellick, 55, declined to be interviewed.

Poor countries remained skeptical of open markets during the latest round of World Trade talks in Geneva, in July. They insisted that they be allowed to raise tariffs to protect domestic agriculture, stalling the negotiations.

El Salvador, meanwhile, has invested about $240 million in agriculture since 2004. It now gives farmers a $30 bag of the seed of their choice and a $30 sack of fertilizer.

“The World Bank had a very short-term vision; it couldn’t have been more wrong,” said Mario Salaverria, El Salvador’s agriculture minister, as he inspected corn in Sonsonate province, about 50 kilometers (31 miles) west of San Salvador.

His country must regain self-sufficiency, he said. “We can stop using our cars because of price increases, but we can’t stop eating.”

11/11/2008 - 12:09h Pesquisa revela perfil do voto em Obama

Levantamento com eleitores em todo o país mostra avanço democrata entre os jovens, independentes, mais pobres e mais ricos

 

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Marjorie Connelly, The New York Times – O Estado SP

Uma pesquisa realizada pela Edison Media Research e pela Mitofsky International com 17.836 eleitores em 300 zonas eleitorais dos EUA, além de 2.378 entrevistas com eleitores que votaram pelo correio ou antecipadamente, traçou o perfil do eleitorado americano na disputa pela Casa Branca. O levantamento ajuda a explicar a vitória do candidato democrata Barack Obama sobre o republicano John McCain.

O presidente eleito obteve vitória incontestável entre os eleitores negros, hispânicos e aqueles com menos de 30 anos. Ele fez progresso dentro de importantes grupos de indecisos, incluindo os católicos, suburbanos, independentes políticos e até mesmo entre os veteranos de guerra. Ele venceu no Meio-Oeste, onde o candidato democrata John Kerry havia sido derrotado em 2004, e conseguiu avançar entre grupos que tradicionalmente pertencem ao eleitorado republicano – brancos, conservadores, sulistas e freqüentadores da igreja.

Foi revelado um profundo abismo entre as gerações. Os eleitores com menos de 45 anos apoiaram Obama; aqueles acima dos 60 anos apoiaram McCain. O resto deles estava dividido.

A disparidade de números entre eleitores que se identificam como democratas (39%) e os que se dizem republicanos (32%) aumentou em 7 pontos porcentuais, dando aos democratas a sua maior vantagem desde 1980.

Entre os eleitores com menos de 30 anos Obama teve ampla vantagem (66% a 32%). Apenas Ronald Reagan em 1984 e Bill Clinton em 1992, cada qual com vantagem de 19% sobre o adversário, chegaram minimamente perto. Os eleitores mais velhos foram o único grupo etário que votou na sua maioria em McCain (51% a 47%). Eles apoiaram Reagan em 1984, mas passaram para o lado democrata durante a era Clinton. Em 2004, eles foram o grupo etário em meio ao qual Bush se mostrou mais forte.

Obama conquistou a maioria dos independentes (52% a 44%). Foi a primeira vez que um democrata conseguiu este resultado desde 1972. Obama obteve o apoio de 60% do eleitorado cuja renda familiar anual fica abaixo dos US$ 50 mil e da maioria dos eleitores cuja renda supera os US$ 200 mil – uma reviravolta notável para um democrata. Em 2004, o eleitorado rico era o que apoiava Bush com mais energia.

Obama obteve maioria no nordeste, Meio-Oeste e oeste. McCain ganhou no sul, onde os republicanos têm vencido desde 2000.

09/11/2008 - 10:49h Pivôs

VERISSIMO – O GLOBO

verissimo.jpgO golfe, o tênis e as corridas de Fórmula-1 eram atividades típicas de brancos. Até pouco tempo não se concebia um negro num country club a não ser como carregador de tacos ou, com raras exceções (como Arthur Ashe há alguns anos), numa quadra de tênis a não ser como gandula, ou que nome tenha aquela garotada que junta as bolas. E um negro chegar a campeão de Fórmula-1 era tão inimaginável como um dia um negro chegar a presidente dos Estados Unidos. Hoje, Tiger Woods é o melhor golfista do mundo e, dizem alguns, de todos os tempos, as irmãs Venus e Serena arrasam nas quadras de tênis e Lewis Hamilton acaba de ganhar o campeonato de Fórmula-1 do ano. Quer dizer — estava claro que ia dar Obama.

Já se disse que as eleições presidenciais americanas são tão importantes que todo o mundo deveria votar nelas. Alguns foram mais longe e, depois da reeleição de Bush, disseram que todo o mundo deveria votar nas eleições presidenciais americanas, menos os americanos. Mas a eleição de Obama os redimiu. Ele certamente vai entrar na lista dos presidentes “pivotais” que nos últimos 80 anos redirecionaram a História dos Estados Unidos, nem sempre para o lado certo, pelas suas personalidades ou pelas suas ações. A começar por Franklin Roosevelt, cuja situação, ao tomar posse na Presidência do país mergulhado numa crise econômica cujo epicentro também era Wall Street, mais se parece com a de Obama, hoje, e que também inspirou a nação a mudar para se salvar. Outro “pivô” histórico foi Kennedy, que tem em comum com Obama o fato de se destacar mais pelo impalpável — carisma, fotogenia etc. — do que por competência provada, e por também ter vencido um preconceito supostamente irreversível contra uma minoria, no caso os católicos, para chegar aonde chegou. De Kennedy hoje se diz que teve mais fulgor do que substância, ou que lhe faltou tempo para ser um presidente que correspondesse à sua imagem de juventude e novidade. Mas, durante o pouco tempo que teve, a imagem eletrizou o país. Do mesmo jeito, a importância simbólica da eleição de Obama talvez seja a sua única importância, mas já é o suficiente para fazer história.

Outro “pivotal” foi Ronald Reagan, que se elegeu dizendo que o governo não era a solução, era parte do problema, a frase que inaugurou a era de desregulação e permissividade que deu na crise de agora, e que, com todo o mundo financeiro dependendo da ação de governos para solucionar seus problemas, ganhou uma ironia amarga. Com este pivô o Obama não tem nada a ver

06/11/2008 - 14:24h Apagar os símbolos

http://www.artofobama.com/wp-content/uploads/2008/08/it-is-time-for-a-good-change-by-olga-kuczer_-oil-on-canvas-24-x-36-inches_obama-is-breaking-through-and-standing-tall-for-liberty-justice-and-equality-for-all.jpg

Apagar os símbolos, para desmoralizar a esperança. Esta parece ser a lógica de certos articulistas de direita no Brasil, para os quais a convergência no imaginário popular entre Lula e Obama é fonte de perigo.

Dora Kramer nos brinda hoje com um resumo quase perfeito desse pensamento político. Para a articulista:

“Diante de tão farta e variada oferta de interpretações sobre os simbolismos da eleição de Barack Obama, mais fácil é saber o que não terá significado algum no decorrer do mandato do presidente eleito dos Estados Unidos.

A explicação ele mesmo forneceu quando teve desde o início da jornada o tirocínio de dar à cor da pele o molde de uma quase irrelevância. Na saudação pós-vitória, seguiu indiferente enquanto o mundo insistia em lhe pregar ao peito a divisa de “primeiro presidente negro dos Estados Unidos”.

É dele, evidente, o título: o senador democrata é negro, foi eleito presidente e, antes dele, apenas americanos de pele branca tinham chegado à Casa Branca.

Ponto, parágrafo e encerra-se aí a questão, cuja importância objetiva é parecida com a influência concreta que a profissão de torneiro mecânico exerce sobre as atividades de Luiz Inácio da Silva como presidente da República do Brasil.”

Dora confundiu a eleição de Obama com a do prefeito Celso Pitta e a do Lula com a de um acidente de percurso.

A cor de Obama e a profissão de Lula são um concentrado do movimento histórico que os levou, diria através de longos anos que precederam até a seus próprios nascimentos, a serem eleitos presidentes dos seus respectivos países .

Ambos foram eleitos pela maioria esmagadora da população, de todas as classes e credos, mas unificados pelo anseio de mudança em favor das maiorias exploradas e excluídas por séculos.

Lula construiu sua trajetória na ação sindical e na fundação de um partido de esquerda, identificado com a luta contra a desigualdade social e pela democracia.

Obama foi escolhido como candidato por ser o homem certo, no lugar certo, com disse ontem o editorial do jornal Le Monde. Ou seja, por encarnar a esperança de responder à crise econômica levando em conta os interesses dos assalariados, das classes médias, das minorias raciais ou étnicas.

Ele pode encarnar esta esperança por uma conjunção de fatores, dentre os quais foi essencial a luta de anos contra o racismo e em favor da igualdade, levada à frente pelo movimento negro americano.

Um outro fator é também a experiência histórica do povo com o “New Deal” de Franklin Roosevelt atualizado com o impacto da crise atual. Outro fator essencial foi a decadência presidida por Bush e o esgotamento da cartilha neoliberal iniciada com os anos Reagan. A “herança maldita” deixada para o sucessor.

Quem não percebe que a “ousadia” de eleger um negro presidente dos Estados-Unidos traduz uma vontade de mudança de fundo?

A “cor” aqui aparece como atributo positivo, ou seja sinônimo que a mudança é para valer e isto demonstra que essas aspirações não se contentarão com pouco.

Claro que Obama soube, como Lula também, mostrar que ele pode encarnar a mudança sem o conflito e a divisão, unificando os americanos e não atiçando os conflitos.

Para Obama, como para Lula, isto era um suposto “handicap” intransponível, estampado na “cor” de um e na “profissão” do outro. A “rejeição” definitiva. Mas o que em tempos “normais”, onde os preconceitos veiculados por anos (com a contribuição da mídia, entre outros), são aceitos como verdades eternas, nos momentos históricos das viradas acabam galvanizando a aspiração à mudança. A cor de Obama e o trabalhador Lula simbolizam a idéia que a mudança será para valer ou eles trairiam sua “essência”.

A articulista não parece entender é que os movimentos sociais sempre acabam se reconhecendo em símbolos, imagens, bandeiras ou palavra-de-ordem. Mas não são os símbolos os que geram o movimento, eles são puxados pela máquina social em movimento. Esse símbolos podem frustrar as expectativas, o que não anula o papel que cumprem como expressão dos anseios da maioria do seu povo.

O temor de Dora Kramer é que se considere que a vitória de Obama e Lula são “exemplos de que o triunfo dos oprimidos sobre os opressores é possível, como se a evolução dos costumes, as mudanças do mundo não fossem parte de um processo natural da civilização”.

Processo natural uma ova. Como diz alguém, foi necessário que Rosa Parks ficasse sentada, para que Luther King começasse a andar e Obama chegasse lá, concluindo uma primeira e grandiosa caminhada.

A “evolução dos costumes” passou por lutas sofridas das mulheres pelo direito ao voto, dos negros por leis igualitárias, de operarios por direito à greve e organização sindical. Não existe processo natural da civilização, ou o nazismo era o destino natural da civilização alemã no século XX?

Para os negros está na cara do presidente que nunca antes na história desse país a esperança da igualdade será tão levada em conta. Para os pobres e os trabalhadores no Brasil é o símbolo que proclama: sim, podemos!

Para o mundo a vitória de Obama significa: Black is beautiful and also the hope of change!

Luis Favre

02/11/2008 - 10:55h The Economist apoia Obama

Revista afirma que democrata elaborou retrato mais convicente e detalhado para o futuro americano

Reuters- O Estado SP

 


Apoio foi declarado na capa da última edição

Apoio foi declarado na capa da última edição

WASHINGTON - A revista The Economist, um bastião da economia de livre mercado, declarou nesta sexta-feira, 31, seu apoio ao candidato democrata Barack Obama na corrida presidencial norte-americana. Estampando em sua capa uma imagem de Obama pensativo debaixo do título “Chegou a hora,” a publicação britânica de 165 anos de existência afirmou que endossa com sinceridade a candidatura do democrata.”Quanto a apresentar um futuro mais luminoso para os EUA e o mundo, o senhor Obama elaborou um retrato mais convincente e mais detalhado. Ele vem fazendo campanha com mais estilo, inteligência e disciplina que seu adversário”, disse a publicação. “O senhor Obama merece a Presidência”, afirmou a revista semanal, que possui um grande público leitor nos EUA.

A Economist havia dado apoio ao hoje presidente norte-americano, George W. Bush, nas eleições de 2000 e ao democrata que tentou sem sucesso impedi-lo de reeleger-se em 2004, John Kerry. Em 2000, os EUA eram sem sombra de dúvida uma superpotência, disse a revista. A questão central então era decidir o que fazer com o imenso superávit orçamentário do governo. “Quando os norte-americanos forem às urnas na próxima semana, o clima será bem diferente. Os EUA estão infelizes, divididos e com problemas tanto internamente quanto no cenário internacional. Sua autoconfiança e seus valores encontram-se sob ataque.”

Apesar de a escolha por Obama envolver algum risco por causa da inexperiência dele, o candidato demonstrou claramente que é a melhor opção para restabelecer a autoconfiança dos EUA, disse a Economist.Observando ainda que o democrata seria o primeiro presidente negro dos EUA caso derrote o republicano John McCain nas eleições da próxima terça-feira, a revista afirmou: “Ele aliviaria, ou talvez curasse, a ignóbil ferida racial legada pela história norte-americana e minoraria a tendência dos negros norte-americanos de responsabilizar o racismo por seus problemas.”

 

 

The presidential election

It’s time

Oct 30th 2008
From The Economist print edition

America should take a chance and make Barack Obama the next leader of the free world

AP

IT IS impossible to forecast how important any presidency will be. Back in 2000 America stood tall as the undisputed superpower, at peace with a generally admiring world. The main argument was over what to do with the federal government’s huge budget surplus. Nobody foresaw the seismic events of the next eight years. When Americans go to the polls next week the mood will be very different. The United States is unhappy, divided and foundering both at home and abroad. Its self-belief and values are under attack.

For all the shortcomings of the campaign, both John McCain and Barack Obama offer hope of national redemption. Now America has to choose between them. The Economist does not have a vote, but if it did, it would cast it for Mr Obama. We do so wholeheartedly: the Democratic candidate has clearly shown that he offers the better chance of restoring America’s self-confidence. But we acknowledge it is a gamble. Given Mr Obama’s inexperience, the lack of clarity about some of his beliefs and the prospect of a stridently Democratic Congress, voting for him is a risk. Yet it is one America should take, given the steep road ahead.
Thinking about 2009 and 2017
The immediate focus, which has dominated the campaign, looks daunting enough: repairing America’s economy and its international reputation. The financial crisis is far from finished. The United States is at the start of a painful recession. Some form of further fiscal stimulus is needed, though estimates of the budget deficit next year already spiral above $1 trillion. Some 50m Americans have negligible health-care cover. Abroad, even though troops are dying in two countries, the cack-handed way in which George Bush has prosecuted his war on terror has left America less feared by its enemies and less admired by its friends than it once was.

Yet there are also longer-term challenges, worth stressing if only because they have been so ignored on the campaign. Jump forward to 2017, when the next president will hope to relinquish office. A combination of demography and the rising costs of America’s huge entitlement programmes—Social Security, Medicare and Medicaid—will be starting to bankrupt the country. Abroad a greater task is already evident: welding the new emerging powers to the West. That is not just a matter of handling the rise of India and China, drawing them into global efforts, such as curbs on climate change; it means reselling economic and political freedom to a world that too quickly associates American capitalism with Lehman Brothers and American justice with Guantánamo Bay. This will take patience, fortitude, salesmanship and strategy.

At the beginning of this election year, there were strong arguments against putting another Republican in the White House. A spell in opposition seemed apt punishment for the incompetence, cronyism and extremism of the Bush presidency. Conservative America also needs to recover its vim. Somehow Ronald Reagan’s party of western individualism and limited government has ended up not just increasing the size of the state but turning it into a tool of southern-fried moralism.

The selection of Mr McCain as the Republicans’ candidate was a powerful reason to reconsider. Mr McCain has his faults: he is an instinctive politician, quick to judge and with a sharp temper. And his age has long been a concern (how many global companies in distress would bring in a new 72-year-old boss?). Yet he has bravely taken unpopular positions—for free trade, immigration reform, the surge in Iraq, tackling climate change and campaign-finance reform. A western Republican in the Reagan mould, he has a long record of working with both Democrats and America’s allies.
If only the real John McCain had been running
That, however, was Senator McCain; the Candidate McCain of the past six months has too often seemed the victim of political sorcery, his good features magically inverted, his bad ones exaggerated. The fiscal conservative who once tackled Mr Bush over his unaffordable tax cuts now proposes not just to keep the cuts, but to deepen them. The man who denounced the religious right as “agents of intolerance” now embraces theocratic culture warriors. The campaigner against ethanol subsidies (who had a better record on global warming than most Democrats) came out in favour of a petrol-tax holiday. It has not all disappeared: his support for free trade has never wavered. Yet rather than heading towards the centre after he won the nomination, Mr McCain moved to the right.

Meanwhile his temperament, always perhaps his weak spot, has been found wanting. Sometimes the seat-of-the-pants method still works: his gut reaction over Georgia—to warn Russia off immediately—was the right one. Yet on the great issue of the campaign, the financial crisis, he has seemed all at sea, emitting panic and indecision. Mr McCain has never been particularly interested in economics, but, unlike Mr Obama, he has made little effort to catch up or to bring in good advisers (Doug Holtz-Eakin being the impressive exception).

The choice of Sarah Palin epitomised the sloppiness. It is not just that she is an unconvincing stand-in, nor even that she seems to have been chosen partly for her views on divisive social issues, notably abortion. Mr McCain made his most important appointment having met her just twice.

Ironically, given that he first won over so many independents by speaking his mind, the case for Mr McCain comes down to a piece of artifice: vote for him on the assumption that he does not believe a word of what he has been saying. Once he reaches the White House, runs this argument, he will put Mrs Palin back in her box, throw away his unrealistic tax plan and begin negotiations with the Democratic Congress. That is plausible; but it is a long way from the convincing case that Mr McCain could have made. Had he become president in 2000 instead of Mr Bush, the world might have had fewer problems. But this time it is beset by problems, and Mr McCain has not proved that he knows how to deal with them.

Is Mr Obama any better? Most of the hoopla about him has been about what he is, rather than what he would do. His identity is not as irrelevant as it sounds. Merely by becoming president, he would dispel many of the myths built up about America: it would be far harder for the spreaders of hate in the Islamic world to denounce the Great Satan if it were led by a black man whose middle name is Hussein; and far harder for autocrats around the world to claim that American democracy is a sham. America’s allies would rally to him: the global electoral college on our website shows a landslide in his favour. At home he would salve, if not close, the ugly racial wound left by America’s history and lessen the tendency of American blacks to blame all their problems on racism.

So Mr Obama’s star quality will be useful to him as president. But that alone is not enough to earn him the job. Charisma will not fix Medicare nor deal with Iran. Can he govern well? Two doubts present themselves: his lack of executive experience; and the suspicion that he is too far to the left.

There is no getting around the fact that Mr Obama’s résumé is thin for the world’s biggest job. But the exceptionally assured way in which he has run his campaign is a considerable comfort. It is not just that he has more than held his own against Mr McCain in the debates. A man who started with no money and few supporters has out-thought, out-organised and outfought the two mightiest machines in American politics—the Clintons and the conservative right.

Political fire, far from rattling Mr Obama, seems to bring out the best in him: the furore about his (admittedly ghastly) preacher prompted one of the most thoughtful speeches of the campaign. On the financial crisis his performance has been as assured as Mr McCain’s has been febrile. He seems a quick learner and has built up an impressive team of advisers, drawing in seasoned hands like Paul Volcker, Robert Rubin and Larry Summers. Of course, Mr Obama will make mistakes; but this is a man who listens, learns and manages well.

It is hard too nowadays to depict him as soft when it comes to dealing with America’s enemies. Part of Mr Obama’s original appeal to the Democratic left was his keenness to get American troops out of Iraq; but since the primaries he has moved to the centre, pragmatically saying the troops will leave only when the conditions are right. His determination to focus American power on Afghanistan, Pakistan and proliferation was prescient. He is keener to talk to Iran than Mr McCain is— but that makes sense, providing certain conditions are met.

Our main doubts about Mr Obama have to do with the damage a muddle-headed Democratic Congress might try to do to the economy. Despite the protectionist rhetoric that still sometimes seeps into his speeches, Mr Obama would not sponsor a China-bashing bill. But what happens if one appears out of Congress? Worryingly, he has a poor record of defying his party’s baronies, especially the unions. His advisers insist that Mr Obama is too clever to usher in a new age of over-regulation, that he will stop such nonsense getting out of Congress, that he is a political chameleon who would move to the centre in Washington. But the risk remains that on economic matters the centre that Mr Obama moves to would be that of his party, not that of the country as a whole.
He has earned it
So Mr Obama in that respect is a gamble. But the same goes for Mr McCain on at least as many counts, not least the possibility of President Palin. And this cannot be another election where the choice is based merely on fear. In terms of painting a brighter future for America and the world, Mr Obama has produced the more compelling and detailed portrait. He has campaigned with more style, intelligence and discipline than his opponent. Whether he can fulfil his immense potential remains to be seen. But Mr Obama deserves the presidency.

26/10/2008 - 10:20h El mundo después del ‘crash’

La crisis financiera ha acabado con los dogmas dominantes de los últimos 25 años

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JOAQUÍN ESTEFANÍA – El País

Hay en economía un concepto más enérgico que el de recesión para explicar lo que está sucediendo: depresión. La depresión es más grave y duradera que la recesión, y se manifiesta en el frenazo en seco de la actividad, la debilidad de la demanda, la contracción del comercio internacional, el incremento del paro, la caída del poder adquisitivo, etcétera, todos ellos procesos muy dolorosos y contrarios al progreso. Pues bien, el profesor de Economía de la Universidad de Nueva York Nouriel Roubini, el gurú que se ha hecho famoso por haber anticipado la crisis financiera que se inició con el estallido de las hipotecas tóxicas, ya ha utilizado el concepto de depresión como síntoma de lo que ocurre en la economía a escala planetaria. Hace unos días escribía Roubini: “No podemos descartar un fracaso sistémico y una depresión global. (…) Se corre el riesgo de un desplome del mercado, una debacle financiera y una depresión mundial”. El economista plantea que más que una coyuntura en forma de V (caída y pronta recuperación) estamos en otra en forma de U (caída en la que la economía se mantiene un tiempo, para luego ascender), o quizá en forma de L (caída y letargo a largo plazo).

Un arranque ciertamente tenebroso sobre la coyuntura quizá pueda compensar el optimismo del titular de este que parece llevar implícito -y no es así, como se ha visto la semana pasada- la superación del desplome bursátil que, en otras ocasiones históricas, ha sido la antesala de una recesión o de una depresión. Crash y depresión se retroalimentan. Hay muchas similitudes -y bastantes diferencias- con la Gran Depresión de 1929. Es urgente desempolvar los viejos manuales de entonces y establecer las comparaciones. “Pensar el presente desde un punto de vista histórico” (Walter Benjamin).

En diciembre de 2006 caía el Ownit Mortgate Solutions, un pequeño banco hipotecario de California especializado en productos de alto riesgo. Es el antecedente más cercano del estallido de la burbuja inmobiliaria y de las hipotecas subprime, que devendría en la norma a partir de julio de 2007. Desde entonces hay muchas víctimas sin enterrar. Entre ellas, la economía real en forma de estrangulamiento del crédito (que es su sistema sanguíneo), desaparición de los bancos de inversión y nacionalización de otras entidades que formaban parte de la aristocracia financiera internacional, desprestigio de los organismos reguladores nacionales y de las agencias de calificación de riesgos, profundísima descapitalización bursátil de muchas empresas financieras y no financieras, parón de la actividad económica y de la inversión, contracción de la demanda, suspensiones de pagos, desempleo, etcétera. Y sobre todo, un escalofrío en muchos ciudadanos en forma de inseguridad: no sólo miedo al terrorismo y a otras formas de inquietud ciudadana, sino a la inseguridad económica y el temor al otro, al diferente, al que compite con el puesto de trabajo y carga de obligaciones al Estado de bienestar.

Otra víctima de la crisis es una forma de entender el mundo, un modo de pensar que se identifica ampliamente con la ideología neoliberal. La máxima acuñada por la revolución conservadora de Margaret Thatcher y Ronald Reagan, que ha durado un cuarto de siglo, de que el Estado es el problema y no la solución, ha saltado hecha trizas en cuanto se han acumulado las dificultades. La “destrucción creativa” de Schumpeter sólo se hizo realidad cuando las autoridades americanas dejaron hundirse al que era cuarto banco de negocios estadounidense, Lehman Brothers (y casi todos los analistas califican esta inacción como un grave error y el principio del pánico); las demás instituciones financieras con problemas han sobrevivido con una u otra fórmula de intervención pública, con paquetes de rescates a babor o a estribor, en forma de avales públicos, compras de activos o directamente de acciones. Lo explica resignado un economista español: “Hemos generado mucho riesgo moral para evitar el riesgo sistémico”. Ahora, la retórica del libre mercado se utiliza con más soltura, más selectivamente: se asume cuando sirve a intereses especiales y se descarta cuando no es así. Sin complejos, el presidente de la patronal española llegó a exigir “un paréntesis” a la economía de mercado.

Hace escasamente año y medio, todavía la economía mundial continuaba en la senda de crecimiento más larga y profunda de la historia contemporánea. La teoría de los ciclos económicos parecía extinguida y el planeta se instalaba en el denominado ciclo Kondratief, una onda larga de prosperidad debida -se decía- a la confluencia de las nuevas tecnologías de la información y la comunicación (TIC) con la flexibilidad empresarial y la innovación financiera. Los mantras más citados eran los de la desregulación y la autorregulación. Hasta tal punto que cuando se encienden las primeras luces rojas de las dificultades hay una generación de jóvenes ejecutivos, los que mandan en muchas empresas y en bastantes Gobiernos, que no tienen puntos de referencia para saber lo que es una crisis y qué tratamiento preventivo darle.

Es muy interesante seguir las mutaciones que ha sufrido la naturaleza de esta crisis en apenas 18 meses: primero se identificó con el estallido de la burbuja inmobiliaria y el abuso en la concesión de hipotecas de alto riesgo; a ello se le añadió un tsunami protagonizado por las materias primas alimentarias y los elevadísimos precios de la energía, de modo que entonces se habló de “tormenta perfecta” y se hizo una equivalencia con los primeros años setenta del anterior siglo, al aparecer la estanflación (alta inflación y crecimiento cero). Cuando se hicieron sentir los primeros efectos de la sequía crediticia en forma de reducción del crecimiento económico bajaron los precios de las materias primas; como consecuencia de ello, la inflación dejó de estar en primer plano, pero a las víctimas de la coyuntura se añadieron los países emergentes, principales productores de materias primas, y de los que se había dicho que en esta ocasión estarían exentos del efecto contagio. Conforme pasaban las semanas y dejaba de funcionar el mercado interbancario debido a la desconfianza que las entidades se tenían entre sí (¿cuál de ellas tenía en su interior la metástasis de los productos estructurados y colaterales sin valor alguno en el mercado?), la crisis hipotecaria devino en crisis financiera y los Gobiernos salieron al rescate en el entendido de que la desconfianza de los ciudadanos en las entidades de crédito es la antesala de una catástrofe en la economía real. Hubo un momento en que en algunas plazas y sucursales bancarias los clientes, después de hacer colas para sacar sus ahorros, intentaban transmutar sus depósitos en lingotes de oro, en la creencia de que este metal precioso era la inversión más segura.

Sólo cuando los ciudadanos, airados, comenzaron a preguntarse en alto por qué habían de rescatar a quienes habían sido víctimas de su codicia, es cuando se sofisticó un poco el discurso: la mayor inyección de dinero público utilizada en la historia para salvar a los bancos en dificultades era tan sólo una etapa intermedia para salvar a la economía real. Lo que es bueno para Wall Street es también bueno para la calle. Proteger a Wall Street es proteger a Main Street. Así lo ve el grupo de banqueros con chistera y puro que aparecen en la tira satírica del New Yorker. Uno de ellos grita indignado: “¡Maldita sea, para nosotros Wall Street es Main Street”.

Las ayudas oficiales a la banca (”Aportaremos todo lo que sea necesario”, ha declarado Berlusconi, el más desvergonzado de los políticos actuales) han servido hasta ahora para detener el pánico de los clientes y para que emerja un hilillo de liquidez en los mercados, que se ha concretado en una pequeña baja de los tipos de interés (Euríbor y Líbor). Pero sigue sin saberse si tanto dinero aportado por el Estado se trasladará del sistema financiero al conjunto de las empresas con inmediatez, para que la situación tienda a normalizarse, y a qué precio. Esto era así hasta anteayer. Pero resuelta al menos en parte la dificultad financiera más urgente, los mercados bursátiles han reaccionado extraordinariamente a la baja cuando en el frontispicio ha aparecido el problema de fondo: el colapso de la economía real. La mayor parte de los países de la Organización de Cooperación y Desarrollo Económico (OCDE) -los 30 países más ricos del mundo- han entrado en recesión o están a punto de hacerlo (dos trimestres seguidos de reducción de sus productos brutos), y sin visos de salida. Además, el contagio afecta a muchos países emergentes, que han tenido que gastar las reservas de divisas en defensa de sus monedas, mientras aumenta su riesgo país y ven bajar los precios de sus exportaciones. Se ha llegado a la madre de todas las crisis. Cada uno de los pronósticos que han ido elaborando las organizaciones multilaterales (OCDE, Fondo Monetario Internacional, etcétera) se han tirado a la papelera en el mismo momento en que se hacían públicas. La velocidad de la metástasis es tal que todas las explicaciones de la coyuntura se han quedado antiguas en tiempo real. Aun hace dos fines de semana, en su asamblea semestral, el FMI preveía un ligero crecimiento en 2009 para el conjunto de las economías avanzadas y del orden del 6% en las emergentes. Sin embargo, el pasado miércoles, el Foro Económico Mundial sentenciaba: “La crisis financiera afecta ya a la economía real en un nivel alto y el riesgo de una profunda y prolongada recesión crece”.

Con esta crisis multiforme y poliédrica ha desaparecido también una forma de hacer la política económica, que ha sido dominante en el último cuarto de siglo. Aquella que había formalizado el dogma de que los mercados son los que mejor saben qué hacer. Del mismo modo que hay ciclos en la coyuntura también hay ciclos ideológicos que conceden el énfasis a las distintas herramientas económicas. Y ha comenzado otro. En el año 1936, el que probablemente ha sido el economista más influyente del siglo XX (y lo vuelve a ser ahora), John Maynard Keynes, escribió en su obra magna Teoría general de la ocupación, el interés y el dinero: “Las ideas justas o falsas de los filósofos de la economía y de la política tienen más importancia de lo que en general se piensa. A decir verdad, ellas dirigen casi exclusivamente el mundo. Los hombres de acción que se creen plenamente eximidos de las influencias doctrinales son normalmente esclavos de algún economista del pasado”. Las ideas keynesianas, tan menospreciadas en el último cuarto de siglo, están siendo aplicadas ahora por quienes tratan de sacar a la economía de la camisa de fuerza de la revolución conservadora y de la desregulación permanente. No por casualidad, sino como un signo de los tiempos, la Academia Sueca ha concedido hace unos días el Nobel de Economía a quien es uno de los neokeynesianos más insignes: Paul Krugman.

El New Deal del presidente Franklin Delano Roosevelt, respuesta a la Gran Depresión de 1929, inauguró un ciclo progresista de intervención en la económía que duró casi medio siglo y que ha sido denominado la edad dorada del capitalismo: el mundo creció mucho y los países más avanzados construyeron su Estado de bienestar. El 31 de diciembre de 1933, 10 meses después del inicio del New Deal, Keynes escribe una carta abierta al presidente en The New York Times, en la que le aconseja actuaciones adicionales, entre las que sobresale “una atención predominante en el más alto grado al incremento de la capacidad de compra resultante de los gastos públicos, financiados mediante créditos”.

A finales de los años setenta y principios de los ochenta se inició la revolución conservadora, que tuvo sus principales ideólogos en Margaret Thatcher y Ronald Reagan, y su continuidad en los neocons que han gobernado en la Casa Blanca y en la Reserva Federal. Francis Fukuyama, el constructor del concepto del fin de la historia, ha matizado aquella forma de entender el mundo y recientemente ha hecho un balance de ese tiempo: la revolución conservadora perdió su rumbo porque se convirtió en una ideología irrebatible, y no en una respuesta pragmática a los excesos del Estado de bienestar. En ella había dos conceptos sacrosantos: que las reducciones de impuestos se autofinanciarían y que los mercados financieros podrían autorregularse. Pues bien, el balance es clarificador: Reagan y Bush dejan a EE UU con gigantescos déficit, la economía creció tanto con Clinton como con Reagan y con superávit público, y de las secuelas de la autorregulación del mercado financiero tenemos suficientes ejemplos catastróficos en los últimos meses.

La crisis traza una frontera, la del final (por ahora) de otra edad dorada: el crédito fácil, la liquidez extrema, los riesgos fuera del balance, los sueldos astronómicos de los grandes ejecutivos ligados a la creación de valor a corto plazo y no a la calidad de lo que se fabrica o con lo que se trabaja, los cambios legales para facilitar la especulación sin límites y las zonas de sombra (el capitalismo gris), una psicología mediante la cual los ahorradores se convirtieron en inversores y los inversores en activos apalancados, la autorregulación como pretexto para administrar sin límites, etcétera.

Cada ciclo ideológico en economía está provocado por una crisis. El New Deal llegó por la Gran Depresión; la revolución conservadora, como reacción a la estanflación; y el paradigma que parece instalarse a principios del siglo XXI, por la crisis iniciada con las hipotecas subprime llevada al paroxismo. Las matrices que lo componen son las de la intervención del Estado siempre que sea necesaria, la regulación financiera, quien contamina paga (en relación a los activos tóxicos) y la necesidad de dotar de gobernanza a la globalización realmente existente. Por ello se ha dado tanta significación a la construcción de un nuevo Bretton Woods, en analogía con la Conferencia Monetaria y Financiera de las Naciones Unidas, celebrada en New Hampshire del 1 al 22 de julio de 1944, al final de la II Guerra Mundial, y que ha constituido hasta ahora el intento más ambicioso por configurar un nuevo orden económico internacional. Entonces participaron 44 países. Hoy se trata, como se declara con ampulosidad, de “refundar el capitalismo”: cambiar todo para que nada cambie.

Se trata de evitar otra Gran Depresión e ir, por el contrario, a una Gran Transformación, como tituló su libro de referencia Karl Polanyi en 1943. En él demostraba, acudiendo a la historia y a los datos empíricos, que no existe nada parecido a una mano invisible que ordene a los mercados; éstos se regulan por la acción del Estado. Hay que actualizar la Gran Transformación a la era de la globalización en la que los Estados tan sólo son entes intermedios.

19/10/2008 - 11:38h No longo prazo, Lord Keynes ressuscitou

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Lord John Maynard Keynes

Elio Gaspari – O Globo

Terminou nas últimas semanas o predomínio intelectual de uma corrente do pensamento econômico que governou o mundo por cerca de 30 anos.
Pode-se dizer que ela cabe no rótulo de “liberal”, sem que se saiba o que isso quer dizer. Simplificando, ela encarnou a crença de que as forças internas do mercado são o elemento mais eficaz para conduzir os destinos das economias nacionais. Com o leme das nações entregue à “mão invisível”, os males seriam corrigidos e a prosperidade, assegurada. Lorota.

O naufrágio ocorreu de forma humilhante, no governo de um presidente republicano nos Estados Unidos. George Bush tem na secretaria do Tesouro um fino espécime da banca, o ex-presidente da Goldman Sachs Henry Paulson. Para salvar a economia mundial dos delírios do mercado, até agora foram necessários uns três trilhões de dólares coletados nas Bolsas das Viúvas.

Trinta anos de hegemonia produziram arrogância e até maus modos.

No Brasil, “desenvolvimento” tornou-se uma palavra maldita e “desenvolvimentista”, uma modalidade de insulto.

Além das leviandades do governo Collor, da privataria tucana e do colapso cambial de 1999, a onipotência chegou à soberba. Dois diretores do Banco Central (Afonso Beviláqua e Rodrigo da Rocha Azevedo) não se dignaram a colocar suas biografias no portal da instituição pública em que trabalhavam. Conduta semelhante, só nos BCs da Coréia do Norte, Lesotho e Armênia.

Noutro exemplo do cotidiano, em 2003 a editora brasileira do economista Joseph Stieglitz, prêmio Nobel de 2001, teve dificuldade para formar uma mesa de jantar em sua homenagem com 12 convidados de renome.

Stieglitz era um crítico daquilo que o professor Delfim Netto chamava de “pensamento único” no debate econômico brasileiro. (Das cabeças coroadas, só Gustavo Franco aceitou o convite.) Em 2000, um concurso do Banco Central valorizava candidatos com formação semelhante à da ekipekonômica tucana.

Viajando-se no tempo e no mundo, percebe-se que a cada 30 anos uma escola de pensamento prevalece e massacra a outra. Na segunda metade do século passado a agenda passou às mãos dos chamados keynesianos.

Eram economistas que acompanhavam as idéias do inglês John Maynard Keynes, formulador da conveniência da intervenção do governo na economia. Do outro lado do debate estavam professores como o austríaco Friedrich Hayek e o americano Milton Friedman. Hayek sustentava que o planejamento econômico e a ação dos governos eram o “Caminho da Servidão”, título de sua obra-prima, publicada em 1944. Comeu o pão que Asmodeu amassou. Em 1950, o departamento de economia da Universidade de Chicago negou-lhe uma posição de professor.

Morava num bairro operário de Salzburgo numa casa comprada com o dinheiro da venda de sua biblioteca.

Hayek ganhou o prêmio Nobel em 1974.

Dois anos depois foi a vez de Friedman.

Passados 30 anos de predomínio, os keynesianos saíram de cena. A vitória dos conservadores de Margaret Thatcher na Inglaterra, em 1979, e de Ronald Reagan nos Estados Unidos, um ano depois, significou um renascimento das idéias de Hayek e Friedman. Em 1980, o professor Robert Lucas (Nobel de 95) dizia que já não existiam mais bons economistas com menos de 40 anos identificados com o keynesianismo. O neologismo virou palavrão. John Kenneth Galbraith, uma de suas maiores estrelas, tornou-se saco de pancadas para os polemistas conservadores.

Seu último livro chamou-se “A economia das fraudes inocentes” e foi um ataque às extravagâncias do papelório.

Numa trapaça da história, foi um governo conservador, educado nas liberdades de Hayek e Friedman, quem conduziu a economia americana à bancarrota.
Primeiro liberando as práticas da banca em nome da santidade do mercado. Depois, recorreu à mais elementar das construções keynesianas para evitar o desastre e foi buscar na Bolsa da Viúva o remédio para a intoxicação.

Hayek e Friedman dificilmente defenderiam as políticas de seus seguidores. Quem botou fogo no mundo não foram eles, mas a mediocridade prepotente, colocada a serviço de um dinheirinho fácil.

Leia a integra da coluna de Elio Gaspari, nos jornais O Globo e Folha SP

16/10/2008 - 09:14h Os deuses que fracassaram

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Harold Meyerson* – O Globo

Em 1949, escritores famosos escreveram ensaios explicando por que não eram mais comunistas, reunidos no volume “O Deus que fracassou”.

Hoje, intelectuais conservadores talvez considerem escrever sobre os fracassos de sua amada divindade: o capitalismo sem regulação.

A queda do sistema financeiro tem sido tão rápida e ampla que não houve tempo para considerar suas implicações para a teoria econômica que reinou nos últimos 30 anos. No que exatamente economistas conservadores acreditam, agora que seu deus está morto? Não nos surpreende ver um desorientado John McCain. O que ele deve fazer? Admitir que a crença de Ronald Reagan e Margaret Thatcher no capitalismo sem regulação, no qual todo candidato republicano apoiava até o último inverno, desmoronou? Na verdade, a crença da auto-suficiência do mercado também teve apoio de importantes democratas. Nos anos 90, o republicano Alan Greenspan e o democrata Robert Rubin agiram para que o mercado de derivativos seguisse sem regulação, apesar de Warren Buffett e George Soros terem alertado para o risco.

Se o colapso dos mercados deixou o conservadorismo em farrapos, deu aos liberais a tarefa de construir uma economia mais sustentável. Foram os liberais do Congresso que insistiram que o governo deveria ter poder para adquirir participações em bancos.

Agora, liberais devem ficar atentos ao tipo de nacionalização financeira que estão prestes a adotar. Henry Paulson (secretário do Tesouro dos EUA) quer injetar recursos públicos em bancos, mas continuar confiando nosso sistema aos banqueiros que nos colocaram nessa situação.

Esses bancos não deveriam incluir membros do governo em seus conselhos de administração para evitar as mesmas besteiras? A atual crise de ideologia não está confinada à doutrina do laissez faire. A crença no equilíbrio do orçamento se tornou sem sentido com a economia se encaminhando para uma recessão. Com bancos parando de emprestar, empresas demitindo funcionários, governos locais e estaduais suspendendo serviços, proprietários de imóveis com dívidas recordes e consumidores reduzindo compras, um maciço estímulo federal é o que separa a nação de uma calamidade econômica.

McCain e Obama discordam no que se refere ao papel do governo no estímulo à economia.

Tendo passado a vida defendendo políticas que levaram ao “derretimento”, McCain agora defende políticas que transformarão recessão em depressão. Ele pode ter suas crenças, mas a nação não pode rezar no altar desses deuses que fracassaram.

*HAROLD MEYERSON é colunista do “Washington Post”

18/09/2008 - 09:03h ”Crise é o Muro de Berlim do livre mercado”

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Instituições voltadas para os mercados nas economias de mercado quebram e pedem socorro ao governo, diz Stiglitz

Nathan Gardels e Global Viewpoint – O Estado de São Paulo

http://blogs.zdnet.com/open-source/images/joseph-stiglitz.jpgCom a profunda crise por que passa o sistema financeiro mundial, puxada pela quebra das principais instituições de crédito dos Estados Unidos, Joseph Stiglitz, Prêmio Nobel de Economia em 2001, avalia que a queda de Wall Street representa para o fundamentalismo do mercado o que a queda do Muro de Berlim representou para o comunismo. A seguir, principais trechos da entrevista ao editor do Global Viewpoint.

Barack Obama disse que a quebradeira de Wall Street é a maior crise desde a Grande Depressão; John McCain afirma que a economia está ameaçada, mas que é fundamentalmente forte. Quem tem razão?

Obama está muito mais próximo da verdade. De fato, os Estados Unidos têm pessoas de talento, grandes universidades e um excelente setor de alta tecnologia. Mas os mercados financeiros desempenharam um papel muito importante e foram responsáveis por 30% dos lucros corporativos dos últimos anos. Os principais operadores dos mercados financeiros colheram esses lucros argumentando que estavam contribuindo para administrar o risco e alocar o capital de modo eficiente e, por isso, afirmam, “merecem” os altos retornos. Ficou claro que nada disso é verdade. Eles administraram pessimamente toda a situação. Agora esta se voltará contra eles e o restante da economia terá de pagar, enquanto as engrenagens da atividade econômica começam a rodar mais devagar em razão do aperto no crédito. Nenhuma economia moderna pode funcionar bem sem um vibrante setor financeiro. Portanto, o diagnóstico de Obama é correto: nosso setor financeiro se encontra numa situação desesperadora. E, se está numa situação desesperadora, significa que a nossa economia está na mesma situação. Mesmo se não analisarmos a turbulência financeira, mas o grau de endividamento nacional, federal e do setor da habitação, veremos que há um grave problema. Nós estamos afogando. Se considerarmos a desigualdade, a mais profunda desde a Grande Depressão, veremos igualmente um grave problema. Se considerarmos os salários estagnados, perceberemos outro grave problema. A maior parte do crescimento econômico nos últimos cinco anos teve base na bolha da habitação, que acaba de estourar. E os frutos desse crescimento não foram amplamente compartilhados. Em suma, os fundamentos não são fortes.

Que medida seria necessária para enfrentar a crise de Wall Street?

Evidentemente, não precisamos só de uma nova regulamentação, mas de uma reformulação do sistema regulador. Durante seu reinado à frente do Federal Reserve (Fed) – no qual a bolha financeira e hipotecária foi crescendo -, Alan Greenspan dispunha de inúmeros instrumentos para contê-la, mas não o fez. Afinal, ele foi escolhido por Ronald Reagan por suas atitudes contrárias à regulamentação. Paul Volcker, o chefe anterior da instituição, conhecido por manter a inflação sob controle, foi demitido porque o governo Reagan julgou que ele não atuava de maneira adequada à desregulamentação. Nosso país sofreu, então, as conseqüências da escolha para o cargo de principal regulador da economia de alguém que não acreditava em regulamentação. Portanto, em primeiro lugar, para corrigir o problema precisamos de líderes políticos e de estrategistas que acreditem em regulamentação. Além disso, precisamos adotar um sistema capaz de lidar com a expansão das finanças e de instrumentos financeiros além dos tradicionais bancos.Por exemplo, precisamos regulamentar os incentivos. É preciso começar a pagar bônus pelo desempenho referente a vários anos, e não só a um ano, porque isso acaba encorajando o jogo. As opções de ações estimulam a contabilidade desonesta e precisam ser limitadas. Em suma, criamos incentivos para um mau comportamento do sistema e foi o que tivemos. Também precisamos de “redutores de velocidade” . Historicamente, toda crise financeira esteve associada a uma expansão muito rápida de determinados tipos de ativos, das tulipas às hipotecas. Se conseguirmos reduzir isso, poderemos impedir que as bolhas escapem do controle. O mundo não teria desaparecido se expandíssemos o setor de hipotecas a 10% ao ano, em lugar de 25%. Conhecemos o esquema tão bem que deveríamos ser capazes de fazer alguma coisa para contê-lo. Acima de tudo, precisamos de uma comissão de segurança para produtos financeiros, assim como temos uma comissão para os bens. Os financistas inventaram produtos que não tinham o objetivo de administrar o risco, mas criar o risco. É claro que acredito totalmente em maior transparência. Entretanto, em termos de normas reguladoras, esses produtos eram transparentes do ponto de vista técnico, mas eram tão complexos que ninguém conseguia entendê-los. Se todas as cláusulas desses contratos tivessem sido divulgadas, não teriam acrescentado nenhuma informação útil sobre o risco para os mortais comuns. O excesso de informações não é informação. Nesse sentido, os que pedem maior transparência como solução do problema não compreendem as informações. Quando você compra um produto, quer conhecer o risco, essa é a questão.

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Os títulos respaldados em hipotecas, que estão na base da crise, estão espalhados pelo mundo, de bancos a fundos soberanos na China, Japão, Europa e Golfo. Qual o impacto da crise para eles?

É verdade. Os prejuízos das instituições financeiras européias relativos ao crédito hipotecário subprime foram maiores que nos EUA. O fato de os EUA terem diversificado esses títulos para os seus investidores no mundo todo, graças à globalização dos mercados, amorteceu o impacto nos EUA. Se não tivéssemos diluído o risco, o resultado nos EUA teria sido muito pior. Uma coisa que agora todos compreendem como conseqüência dessa crise são as informações assimétricas da globalização. Na Europa, por exemplo, não se entendia muito bem que as hipotecas americanas são non-recourse (o valor do financiamento não pode superar o valor de mercado do imóvel) – se o valor da casa cai abaixo do valor da hipoteca, você pode devolver a chave ao banco e ir embora. Na Europa, a casa é a garantia, mas o mutuário continua pendurado pela quantia que tomou emprestado, seja qual for. É esse o perigo da globalização: o conhecimento é local porque você está muito mais a par do que ocorre em sua sociedade do que nas outras.

Então, qual é o impacto da crise de Wall Street para a globalização impulsionada pelo mercado?

O programa da globalização está estreitamente vinculado aos fundamentalistas do mercado – a ideologia dos mercados livres e da liberação do comércio. Nesta crise, vemos que instituições mais voltadas para os mercados nas economias mais orientadas para o mercado quebram e pedem o socorro do governo. Todo mundo dirá agora que esse é o fim do fundamentalismo do mercado. Assim, a queda de Wall Street representa para o fundamentalismo do mercado o que a queda do Muro de Berlim representou para o comunismo: ela diz que essa forma de organização econômica não funciona. A conjuntura mostra que a liberação do mercado financeiro não existiu. A maneira hipócrita com a qual o Tesouro americano, o FMI e o Banco Mundial lidaram com a crise asiática de 1997 e a maneira como a atual está sendo tratada enfatizou essa reação intelectual. Agora, os asiáticos dizem: Espera aí, vocês disseram que deveríamos imitá-los nos EUA. Se tivéssemos seguido o exemplo, também estaríamos no caos. Talvez vocês possam se permitir isso; nós, não.”

12/05/2008 - 08:41h Maio 68: Um ano que continua a resistir a qualquer teoria ou interpretação

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No campo da memória, cada pessoa colore os eventos de Maio de 68 com os próprios pincéis

Gilles Lapouge – O Estado de São Paulo

Estamos em maio, esse belo mês, com sua suave luminosidade, os lírios do campo, o verde, as rosas e, como acontece a cada dez anos, as comemorações do Maio de 68, as amplas revoltas estudantis que não conseguiram demolir o governo francês mais poderoso e mais respeitável do século, o governo do general De Gaulle.

Nenhuma cerimônia de aniversário, mas muitas reuniões, artigos, livros, um “espírito da época”. Por que tantos discursos? Em primeiro lugar, porque 40 anos se passaram. Um lapso de tempo que dá àqueles eventos um “ar histórico”.

Além disso, o presidente Nicolas Sarkozy, quando ainda era um homem “glorioso” e não um “ineficaz” (ou seja, há um ano), definiu-se como “o homem que ia liquidar Maio de 68”. Bravo Nicolas! (alguns meses depois, Sarkozy casou-se com uma espécie de ressurreição dos estudantes de Maio de 68, a bela Carla Bruni, “queridinha” da “esquerda festiva”, superlativamente).

E, de novo, percebe-se que Maio de 68 continua rebelde a todas as interpretações, teorias e recuperações. Cada um colore Maio de 68 com os próprios pincéis, com cores que, segundo o caso, são ou anarquistas, ou festivas, utópicas, tirânicas, sexuais, dirigistas, individualistas, comunitárias, etc.

mai68.jpgMaio de 68 é um episódio incompreensível sobre o qual todos os modelos apenas resvalam. Mesmo com 40 anos de distância, ninguém sabe realmente o que foi exatamente. É um “objeto histórico não identificado”, não identificável; não se parece com nada. E nada do que se faz ou do que se pensa hoje poderia se dizer que é um eco, um reflexo, mesmo deformado, de Maio de 68.

Por exemplo, hoje, nesta primavera de 2008, as ruas de Paris ferveram, com alunos, estudantes, professores, gritando. Imediatamente, os jornais evocaram uma espécie de “prolongamento” ou um obscuro “retorno” de Maio de 68. Ora, basta ouvir os slogans gritados hoje para compreender que são antípodas daqueles de 68.

Em Maio de 68, os estudantes se manifestaram contra a disciplina, contra os mestres que impunham uma ordem austera, contra as faculdades onde os professores, os “mandarins”, davam seus cursos em toga e arminho. Maio de 68 queria, ao contrário, que as obrigações e as lições desaparecessem, que os exames fossem abolidos, que os professores se recolhessem no seu canto, que as idéias se fizessem sozinhas, por partenogênese, por qualquer um e por todo o mundo.

Em 2008, os netos dos magníficos doidivanas de 68 são sérios como cardeais. Invadem a rua para reclamar o contrário da liberdade cara a seus “jovens avós” de 1968: eles querem mais professores, mais lições para “decorar”, mais disciplina, mais exames, mais seriedade.

Os manifestantes de 68 eram alegres como as borboletas, os loucos, os malabaristas. Os de 2008 são circunspectos, angustiados. Têm medo de seus estudos, da profissão que não vão encontrar, da sociedade macilenta que os aguarda.

Salvo alguns casos um pouco patológicos, os estudantes de 2008 não falam em revolução, mas de ordem, regulamentos. Empreendem um combate corporativista, sem jamais questionar as estruturas da sociedade presente. Querem apenas melhorar as engrenagens e, sobretudo, que os mestres os façam trabalhar, que os preparem para a sua futura inserção, sem dramas, na sociedade liberal.

Em Maio de 68, o termo “revolução” estava em todas as bocas. E cada grupo desse “conjunto em fusão”, como disse Sartre, produzia o próprio modelo de revolução. Cada um tentava trazer novamente à tona uma antiga revolução fracassada ou subvertida.

Era a “tomada da Bastilha” em 1789, Lenin dançando na neve de Moscou em 1905 durante a revolução bolchevique (fracassada), ou a Comuna de Paris (anarquista) em 1871, a revolução literária do surrealismo em 1920, ou mesmo a revolução de Mao Tsé-tung.

Por isso, houve tantas barricadas nas ruas de Paris: como os estudantes souberam que, em julho de 1848, e na primavera de 1871, os insurgentes erigiram barricadas com paralelepípedos, resolveram fazer a mesma coisa, numa imitação um tanto supersticiosa e nostálgica, atirando-os contra os pobres policiais.

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Mas, mesmo quando invocavam esta ou aquela antiga revolução, torciam o seu sentido. Era uma referência mais “literária” do que “política”. Maio de 68 não pretendia tanto repensar a sociedade, mas mudar a visão do mundo, inventar uma nova filosofia. Os estudantes apostavam que, após a sua revolução, uma outra sociedade, como nunca houve até então na história, aliás bastante imprecisa, seria construída com base naquela nova visão do homem.

Por isso, a herança mais concreta de 1968 se inscreve menos no âmbito da política e mais no campo dos costumes, quase da filosofia. A primeira centelha de Maio de 68 não foi uma reivindicação financeira ou de uma alternativa à sociedade capitalista: foi um pedido apresentado pelos estudantes para se permitir que os rapazes fossem ao quarto das meninas no campus da universidade de Nanterre.

E o mesmo para convidar os professores das faculdades a sacudirem a poeira na qual dormitavam há dois séculos, a virem se juntar à “modernidade”. Pouco tempo depois de Maio de 68, assistimos a um espetáculo extraordinário: um professor chegou à sala de aula em “jeans” (da marca Lévi Strauss 501, aliás impecável), na faculdade revolucionária de Vincennes. Era o grande lingüista americano Noam Chomsky.

Inútil dizer que as mudanças desencadeadas por Maio de 68 em relação aos costumes, no cotidiano, na “visão do mundo”, são uma das maiores heranças desse mês extraordinário: a permissão de as mulheres usarem calças compridas, a fraternidade, a simplicidade, a liberação sexual, o direito ao aborto, o reconhecimento dos casais homossexuais, tudo isso foi efeito direto, às vezes tardio, de 68.

Com os dias passando, esse movimento lúdico constatou com espanto que aquela agitação se comunicava por si só: de amigo para amigo, ela foi para outras universidades e depois passou para a França inteira e foi além. Os estudantes viram que, sem que fosse aquele o objetivo, tinham adquirido um enorme contrapoder que fez vacilar o majestoso e brilhante general De Gaulle.

A palavra até então acorrentada se soltou, como louca, meio embriagada. Todo mundo falava com todo mundo. As barreiras sociais, cívicas, educacionais, geracionais, os códigos glaciais de comportamento, tudo desmoronou… Paris falava, falava, como um ébrio. Falava-se qualquer coisa, uma profusão de besteiras e algumas idéias inspiradas.

Com o passar do tempo, conceitos mais nitidamente políticos se insinuaram, tanto mais que o movimento se ampliou de tal maneira que contagiou outras classes, além da estudantil: operários, patrões, médicos, cineastas, todo o mundo. O movimento, ao crescer, se politizou.

E desse segundo capítulo, mais político, o que restou? Aparentemente nada. A sociedade se reconstituiu com seus altos edifícios, suas cidadelas, seus softwares. Ela se desenvolveu ao contrário das esperanças de 68, com Reagan, Thatcher, a ordem moral, etc…

Mas, na realidade, assim mesmo Maio de 68 se inscreveu na “política”. Para mim, um dos momentos mais bizarros dessas jornadas bizarras foi o grande desfile organizado no coração de Paris, em torno da praça Denfert-Rochereau.

Era um início de tarde. Nessa praça há uma estátua de um grande leão de bronze. Os manifestantes afluem de todas as partes, em grupos distintos: libertários, poetas, comunistas, vândalos, maoístas, arruaceiros, anarquistas, tipos divertidos.

Um jovem escala a estátua do leão. É um ruivo. Chama-se Daniel Cohn-Bendit. Parece um duende. É ele quem vai organizar o imenso cortejo. Com um megafone, chama os diferentes grupos: libertários, “fourieristas”, trotskistas, etc. E termina, gritando: “… e a crápula stalinista, no fim do cortejo!” Nesse dia, alguma coisa se passou no fundo das consciências. Maio de 68 permitia à juventude, pela primeira vez e solenemente, ser ao mesmo tempo “de esquerda” (pois Maio de 68 foi um movimento de esquerda) e, no entanto, ferozmente anti-stalinista, anticomunista, anti-soviética.

Não vamos dizer que Maio de 68 prefigurou os tremores de terra que se verificaram 20 anos depois e que derrubaram a fortaleza soviética. Pelo menos, precisamos reconhecer que, nessa ocasião, esses revoltosos, um pouco loucos e um pouco infantis, de Maio de 68, alguns dias antes de serem rechaçados ao seu silêncio pelo retorno triunfal de De Gaulle, pressentiram os enormes abalos que se seguiram, do arquipélago de Gulag às pregações do papa João Paulo II, da glasnost de Gorbachev às revoltas, também corajosas e grandiosas, das populações de Varsóvia ou de Berlim Oriental, cujo resultado seria a morte do comunismo, nos anos 90.

13/11/2007 - 14:12h Books: Division of the U.S. Didn’t Occur Overnight

The New York Times

During President George W. Bush’s first term, one of his senior political advisers summed up the prevailing philosophy at the White House like this: “This is not designed to be a 55 percent presidency,” he said. “This is designed to be a presidency that moves as much as possible of what we believe into law while holding 50 plus one of the country and the Congress.” Bold ideas that could mobilize his conservative Republican base were prized over efforts to convince independent voters in the center; sharp divisions over the administration’s policies were regarded as proof of Mr. Bush’s decisiveness and willingness to challenge conventional thinking.

 

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Ellen McMenamin

Ronald Brownstein

 

 

 

THE SECOND CIVIL WAR

How Extreme Partisanship Has Paralyzed Washington and Polarized America

By Ronald Brownstein

484 pages. The Penguin Press. $27.95.

 

Related

‘The Second Civil War,’ by Ronald Brownstein: Extreme Politics (November 11, 2007)

Lars Klove for The New York Times

 

As the veteran political reporter Ronald Brownstein observes in his timely and compelling new book, this is very much how President Bush has governed: “In his congressional strategy he consistently demonstrated that he would rather pass legislation as close as possible to his preferences on a virtually party-line basis than make concessions to reduce political tensions or broaden his support among Democrats.” And in his dealings with both Congress and other nations before the invasion of Iraq, Mr. Brownstein goes on, Mr. Bush “sought not to construct a consensus for a common direction on Iraq, but rather to obtain acquiescence for the undeviating direction he had charted in his own mind.”

Mr. Bush’s failure to build a broad coalition of public support would contribute to his precipitous slide in public opinion, as the war bogged down; and his administration’s highly partisan approach to governing would fuel efforts on the part of liberal activists to push the Democratic Party into a more confrontational, adversarial stance as well. Indeed, as Mr. Brownstein notes in “The Second Civil War,” America has entered what Ken Mehlman, the campaign manager for Mr. Bush in 2004, calls an era of “hyperpartisanship.”

“The ideological differences between the parties are as great as at any time in the past century,” Mr. Brownstein writes. “But the country is split almost exactly in half between the two sides. Deeply and closely divided is an unprecedented and explosive combination.”

While voters for the losing side always feel unrepresented when the other party wins unified control over the government, he says, they used to be able to look to heretics in the majority coalition who championed an approximation of their views, but with waning numbers of these mavericks — i.e., liberal Republicans or conservative Democrats, who moderated their parties’ stands — this option is increasingly unavailable. Moreover, as activists on both sides have come to exert more leverage on their parties, bipartisan cooperation is scorned, and big issues requiring comprehensive solutions (like health care and immigration reform) are sidelined in the standoff.

Although many of these developments might seem obvious to anyone who follows politics, Mr. Brownstein — a longtime political correspondent and columnist for The Los Angeles Times, and now political director of Atlantic Media Company — does a highly nuanced job of dissecting this alarming phenomenon, while eloquently situating it within a historical context and examining its palpable consequences for the country at large.

Mr. Brownstein contrasts the current age of “hyperpartisanship” with the “age of bargaining,” during which Truman, Eisenhower, Kennedy and Johnson (at least until his landslide victory in 1964) worked and negotiated, usually by necessity, with opponents on the other side of the political aisle. While this system tended to make for incremental, rather than revolutionary, reform, Mr. Brownstein says, “it compelled political leaders who held contrasting views and represented differing constituencies to talk and listen to each other.” It could also lead to big, overarching policy making: most notably, a bipartisan strategy for resisting the Soviet Union and contesting the cold war.

During what Mr. Brownstein calls “the age of Transition,” Nixon warred with the Democrats over foreign policy but cooperated with them on many domestic issues, leading to an extension of the Voting Rights Act, the end of the draft, the 18-year-old vote, the Consumer Product Safety Act and a variety of environmental legislation. Reagan’s presidency, he says, “unleashed ideological energies that widened the distance between the parties and escalated the conflicts between them.”

But at the same time, he adds, Reagan’s “political and personal tendencies were integrative, not divisive,” and he “mostly sought not to deepen ideological or partisan differences but to transcend them in an appeal to shared assumptions” about “individualism at home and American exceptionalism in the world.”

As for President Bill Clinton, Mr. Brownstein credits him with trying to rebuild a political majority for the Democratic Party by synthesizing priorities from the left and right and integrating ideas from a broad spectrum of thinkers and interests. But if Mr. Clinton managed some important centrist achievements — including a crime bill, the passage of Nafta and welfare reform — he also personally became (especially in the wake of the Monica Lewinsky scandal) a flash point for controversy, which “accelerated the trend toward a political alignment that divided the nation more along lines of culture than class.”

In fact, Mr. Brownstein argues that the House vote to impeach Mr. Clinton — marked by vociferous partisan confrontation, and the explicit rejection of any compromise (like censure) that might have united the parties and the country — may well signify “the final, full transition into the political era” of hyperpartisanship in which we now live.

In the course of this book Mr. Brownstein astutely examines the many factors that contributed to this development: the emergence in the ’60s and ’70s of interest groups on both the left and right (representing everything from women’s and gay rights to anti-abortion and anti-gun-control interests), which would exert growing influence on Washington; the abandonment of the seniority principle in Congress, which meant, in Mr. Brownstein’s words, that “everyone was judged every day on how often they voted with their party, how much money they raised for their colleagues, and how reliably they stood with their ‘team’ in rhetorical firefights against the other side”; the increasing homogenization within each of the parties, which saw a widening gap between Republicans and Democrats; and the growing partisanship of the media with the ascendance of talk radio, Internet blogs and cable news channels like Fox News.

In describing the history of partisanship in this country Mr. Brownstein writes with both an authoritative understanding of the political dynamics in Washington and a plain-spoken common sense. He points out the practical dangers of hyperpartisanship — how it has prevented America’s leaders from agreeing on everything from a comprehensive immigration plan to a strategy for reducing the country’s dependence on foreign oil to a long-term plan for securing Social Security. And he reminds us that while the country itself is not more divided than it has been in the past (especially when compared, say, with the 1960s or the 1860s), the nation’s current political system accentuates differences instead of bridging them.

In contemplating the possibility of building a political system that would be “less confrontational and more productive than today’s,” Mr. Brownstein explores a host of suggestions, including term limits for Supreme Court justices, the opening of all party primaries to independents, and the formation of a viable third party. Some of these suggestions may seem unrealistic, given the current state of politics. But the low approval rates for both the Bush White House and the Democratic-controlled Congress, combined with a growing conviction that the country is now off-track (an ABC News/Washington Post poll this month showed that 74 percent of Americans say the country is headed in the wrong direction), attest to the public’s dissatisfaction with legislative gridlock and poisonous fights over national security, social issues and Supreme Court appointments.

In the long term, Mr. Brownstein writes toward the end of this sobering book, “the party that seeks to encompass and harmonize the widest range of interests and perspectives is the one most likely to thrive. The overriding lesson for both parties from the Bush attempt to profit from polarization is that there remains no way to achieve lasting political power in a nation as diverse as America without assembling a broad coalition that locks arms to produce meaningful progress against the country’s problems.”