04/10/2009 - 13:45h O recapeamento de Kassab: o buraco é mais embaixo

A metade das ruas da lista da própria prefeitura, estão sem recapeamento

buraco

William Cardoso do Agora

Buracos, remendos e muita reclamação por toda a cidade são as provas de que a Prefeitura de São Paulo não cumpriu o cronograma de recapeamento de vias proposto em 2008.

A reportagem visitou nas últimas três semanas 60 das 240 ruas que constavam na lista divulgada no site da prefeitura em abril do ano passado e constatou que só 40% delas receberam novo pavimento. O prazo para o recapeamento era até o final daquele ano.

A zona leste foi a que apresentou pior situação. Das vias visitadas aleatoriamente pela reportagem –foram 22–, apenas 23% delas apresentava asfalto renovado. Entre as asfaltadas recentemente, o desgaste já se mostrava em falhas e rachaduras.

Um dos exemplos é a rua Damásio Pinto, em Itaquera. Recapeada há menos de um ano, tem fissuras nas proximidades do Hospital Ermelino Matarazzo. “Já está tudo trincado. Parece um quebra-galho”, diz o aposentado Florindo Pereira Prado, 67 anos.

Na zona sul, o índice de recapeamento foi de 42%). O pavimento renovado em avenidas da Subprefeitura do Jabaquara (Santa Catarina e Alba), contrasta com os buracos nas pistas das estradas de Guarapiranga e Itapecerica da Serra (M’Boi Mirim e Campo Limpo, respectivamente).

O motorista Paulo Henrique Serafim, 24 anos, costuma passar de moto pela estrada de Itapecerica e afirma que precisa desviar dos buracos. “Eu já quase caí”, afirmou.

A zona oeste, especialmente as regiões do Itaim Bibi e dos Jardins, contou com amplo recapeamento de ruas e avenidas (66% das prometidas).

Os bairros da zona norte tiveram 43% das vias apontadas pelo cronograma, e visitadas pela reportagem, recapeadas. Porém, foi a região da cidade onde as não-recapeadas chamaram mais a atenção, tamanha a quantidade de buracos. Em alguns pontos, como na avenida Raimundo Pereira de Magalhães, a água brota do asfalto.

Na rua João Cordeiro, retalhos, buracos e remendos se estendem ao longo de duas ladeiras que formam a via.

05/09/2009 - 10:36h Cidade Suja

28/08/2009 - 11:15h Crescem os buracos de Kassab

Recapeamento de vias está parado

Neste ano, Prefeitura recuperou apenas 0,1% da malha viária; secretário diz que espera definição no Orçamento

Felipe Oda, O Estado SP e JORNAL DA TARDE


O programa de recapeamento da malha viária de São Paulo ainda não começou em 2009. Nos primeiros sete meses deste ano, a Prefeitura recapeou apenas 14,05 km, equivalente a 0,1% dos 15 mil km de vias da capital e menos do que os 24 km de extensão da Marginal do Tietê. Entre 2005 e 2008 foram recapeados, em média, 222 km ao ano, segundo a Secretaria de Coordenação das Subprefeituras. Especialistas ouvidos pela reportagem afirmam que um dos efeitos da falta de recapeamento é o surgimento dos buracos nas vias, comprometendo a segurança de motoristas e pedestres. A secretaria estima que a cidade ganha cerca de mil buracos por dia.

Ainda segundo informações da pasta, quando mantida a média de 222 km recapeados por ano, aproximadamente 65 mil buracos deixam de surgir nas vias da cidade no mesmo período, o que representa economia de R$ 4,6 milhões com o serviço de tapa-buracos. “Temos uma malha viária desgastada. Tapar buracos é uma ação emergencial e não resolve o problema viário. Não há preocupação da Prefeitura com a durabilidade e qualidade do serviço”, diz o engenheiro e especialista em pavimentação João Virgilio Merighi, presidente da Associação Nacional de Infraestrutura de Transportes.

Ao contrário do programa de recapeamento, o programa de tapa-buracos ganhou força em 2009. Entre janeiro e julho deste ano, 411 mil buracos foram tapados, número que supera a média de 52 mil buracos tapados por mês entre 2005 e 2008. “Esse é um serviço cotidiano, feito para garantir a segurança e evitar o deterioração do asfalto do entorno. Tem de tapar buraco todo dia, como manutenção de rotina”, diz José Tadeu Balbo, professor da Escola Politécnica da USP.

O secretário Andrea Matarazzo afirma que o início das obras de recapeamento depende de quanto do Orçamento de 2009 será destinado ao serviço. “Devemos nos planejar de acordo com a perspectiva de arrecadação. Temos de fazer, mas quando tivermos dinheiro”, diz.

Em fevereiro, o secretário afirmou que o programa havia sido congelado por causa da “crise financeira, que causou o contingenciamento de parte do Orçamento no início deste ano”. Ontem, Matarazzo não soube informar os recursos que serão destinados à recuperação da malha viária: “Ainda não tenho uma expectativa de quanto será empregado.” A pasta prevê que o serviço recomece em outubro.

De janeiro a julho deste ano, a Prefeitura reduziu em quase um quarto o gasto com a conservação de vias em relação a 2008. Somadas as verbas das subprefeituras e da secretaria, foram R$ 14,7 milhões a menos. Das 31 regionais, 14 fecharam a torneira. A pasta não forneceu a verba gasta neste ano e em 2008 com recapeamento.

COLABOROU VITOR SORANO