08/09/2008 - 08:54h Luizianne (PT) chega a 44% e lidera isolada disputa em Fortaleza

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Petista tem vantagem de 22 pontos sobre Moroni Torgan, do DEM, que está empatado tecnicamente com Saboya, do PDT

O crescimento de Luizianne foi acompanhado também pela queda de sua taxa de rejeição, que passou de 29% para 26%, em 15 dias

KAMILA FERNANDES DA AGÊNCIA FOLHA, EM FORTALEZA

Antes equilibrada, a disputa pela Prefeitura de Fortaleza mostra agora Luizianne Lins (PT) abrindo uma vantagem de 22 pontos percentuais sobre o seu principal adversário, Moro­ni Torgan (DEM), segundo a úl­tima pesquisa Datafolha.

Em 15 dias, a petista, que ten­ta a reeleição, ganhou nove pontos e tem 44% das inten­ções de voto. Moroni perdeu sete e está com 22%, empatado tecnicamente com Patrícia Sa­boya (PDT), que manteve 19%.

O crescimento de Luizianne foi acompanhado também pela queda de sua taxa de rejeição, que passou de 29% para 26%.

Moroni, por sua vez, vive um movimento inverso, chegando a 37% de rejeição, contra 31% na pesquisa anterior. Patrícia ficou estável, com 20%.
A pesquisa foi realizada nos dias 5 e 6, com 816 eleitores. A margem de erro é de três pon­tos percentuais. O jornal “O Po­vo”, de Fortaleza, foi quem con­tratou a pesquisa, registrada no TRE com o nº 92.292/2008.

No levantamento divulgado no começo de agosto, antes do horário eleitoral, Luizianne e Moroni apareciam rigorosa­mente empatados, com 30% cada um. Na enquete seguinte, divulgada há 15 dias, ainda ha­via um empate técnico, mas com Luizianne chegando a 35% e Moroni, a 29%. Patrícia ape­nas oscilou de 22%, na primeira pesquisa, para 19% na segunda, e manteve o resultado agora.

Luizianne tem usado a pro­paganda eleitoral para enfati­zar a importância da parceria dela com o presidente Luiz Iná­cio Lula da Silva e com o governador Cid Gomes (PSB). O slo­gan é “Fortaleza três vezes mais forte”. Na campanha de rua, há um forte trabalho para reforçar que Moroni é de parti­do contrário ao presidente.

O democrata também é acu­sado de não ter “identidade” com a cidade (ele é gaúcho e passa mais tempo em Brasília, onde atua como assessor).
Num contra-ataque, a campa­nha de Moroni acusa Luizianne de “xenofobia”.

03/09/2008 - 09:50h Prefeito do Recife ameaça eleger sucessor no 1º turno

Leo Caldas/Valor

João da Costa: campanha embalada por gestão que agrada tanto os mais abastados quanto os eleitores da periferia

Carolina Mandl - VALOR

O candidato João da Costa (PT) começou a disputa pela Prefeitura do Recife sob a alcunha de “poste”. Sem nunca ter concorrido a uma eleição majoritária, enfrentava a rejeição inclusive dos caciques petistas. Pesquisas da campanha do candidato em meados deste ano também não deixavam dúvida: João da Costa era um total desconhecido para dois terços dos recifenses. O restante tinha apenas ouvido falar dele.

Porém, pelo último levantamento divulgado pelo Ibope no sábado, João da Costa venceria já no primeiro turno, com 47% dos votos. Juntos, os demais concorrentes não alcançavam 40%. A arrancada, que surpreende até seus próprios correligionários, logo enseja a pergunta: como ele alcançou esse resultado?

O grande impulso, na avaliação da coordenação de campanha, está vindo do maior cabo eleitoral de João da Costa, o atual prefeito João Paulo (PT), que tem altos índices de aprovação.

Em oito anos, a gestão do petista conseguiu agradar tanto os mais pobres quanto os mais abastados. Na periferia, prevaleceram as obras do Orçamento Participativo, que, sob o comando do então secretário João da Costa, investiu 12% do orçamento (R$ 300 milhões) em 3,6 mil intervenções, principalmente na área de urbanização. Para a classe média, agradaram projetos como o fim do transporte clandestino na cidade, que congestionava o trânsito, e do Recifolia, uma festa de axé que tumultuava o bairro de Boa Viagem.

Pesquisas qualitativas feitas com os eleitores têm mostrado que o impulso de João Paulo, que precisou impor a candidatura do seu secretário, tem sido forte. João da Costa ainda não é muito conhecido pela população. “Só se sabe que ele é o candidato de João Paulo. Isso, por enquanto, tem bastado”, diz um integrante da equipe de marketing.

O baixo grau de conhecimento do candidato deve-se ao fato de a experiência de sua experiência se concentrar nos bastidores de João Paulo. Depois de atuar como líder estudantil - cursou, sem concluir, Direito, Agronomia e Administração de Empresas -, foi secretário do prefeito nos últimos sete anos. Como um teste para a candidatura à prefeitura, lançou-se deputado estadual em 2006, mobilizando o exército de delegados do OP. Conseguiu se eleger, mas deixou o cargo para retornar à secretaria.

É nessa atuação com o OP que os programas de televisão e rádio se concentram para passar a idéia que ele vai continuar a gestão de João Paulo. “É a identidade com o prefeito que está gerando votos”, diz Karla Menezes, presidente do PT no Recife.

Com a estratégia, ele tem desbancado políticos bastante conhecidos na cidade, como o ex-governador José Mendonça (DEM) e Carlos Eduardo Cadoca (PSC), deputado federal por três vezes, mesmo sendo o único a ainda não ter apresentado um programa de governo.

Para a oposição, além do prefeito, a coligação de 16 partidos que o postulante conseguiu formar tem garantido parte expressiva dos votos. É um reforço de 419 candidatos a vereadores - de um total de 641 postulantes no Recife - que se transformam em cabos eleitorais. Mendonça (DEM), que aparece na segunda colocação nas pesquisas de intenção de voto, não conseguiu atrair outras legendas.

Apoiada por uma ação que corre na Justiça Eleitoral, movida por uma denúncia do Ministério Público (MP), a oposição também acusa - ainda que de forma velada - o candidato petista de usar a máquina da prefeitura. No processo, o MP afirma que funcionários podem estar sendo coagidos a trabalhar na campanha de João da Costa.

Segundo Michel Zaidan, coordenador do Núcleo de Estudos Eleitorais, Partidários e da Democracia da Universidade Federal de Pernambuco, a arrancada de João da Costa também está relacionada ao perfil do eleitor recifense. “Ele gosta de polarizar. Uma terceira via nunca se concretiza. Quando o cenário está um pouco mais embolado, as pessoas já preferem migrar para os candidatos que estão na frente”, diz. E, na hora de optar entre Mendonça e João da Costa, o apoio do presidente Luiz Inácio Lula da Silva contribui para a esquerda.

Por enquanto, a reação dos demais candidatos à escalada de João da Costa tem sido branda. Vai mais pela linha de que todos vão continuar o que está bom na atual gestão, mas prometem fazer mais. A coordenação de campanha de João da Costa, porém, tem receio do bombardeio que possa vir pela frente. “A velocidade com que ele subiu nas pesquisas foi muito rápida. É preciso cautela porque ainda tem um mês antes da votação”, explica um integrante da equipe.

Não se sabe se ele já chegou a um teto e pode cair com os ataques ou se ainda deve crescer mais. Amanhã Lula estará no Recife, o que pode dar um empurrão ao postulante. Por enquanto, porém, não estão previstos eventos políticos.

Na capital pernambucana, Lula enfrenta uma delicada situação. Além do petista João da Costa, Cadoca (PSC), que se encontra na terceira posição nas pesquisas com cerca de 10% dos votos, faz parte da base aliada do governo. Há ainda uma outra questão mais espinhosa: apesar de João da Costa ser o candidato oficial de Eduardo Campos (PSB), governador de quem Lula tem estado mais próximo, sua vitória em primeiro turno poderia fortalecer demais João Paulo como adversário a sua reeleição em 2010.

Nos últimos programas eleitorais, Eduardo tem aparecido mais ao lado de Cadoca do que de João da Costa. Na sexta-feira, o candidato do PSC pisou no calo da prefeitura na questão da segurança, um problema que já foi alvo de queixas do governo estadual pelo não envolvimento de João Paulo no combate aos homicídios da capital mais violenta do país. Cadoca disse que já está conversando com o governador sobre seus planos para a segurança. “Embora seja uma atribuição do Estado, o prefeito não pode se omitir”, afirmou, no mesmo tom usado por Eduardo Campos quando indagado sobre suas ações para a segurança pública.

23/08/2008 - 13:05h Pesquisa Datafolha

 

Eleições2008 - 23/08/2008 - Texto do Datafolha

Marta abre 17 pontos de vantagem sobre Alckmin
Diferença de Alckmin para Kassab diminui de 21 para 10 pontos percentuais


A candidata do PT à prefeitura de São Paulo, Marta Suplicy, atinge 41% das intenções de voto, e abre uma vantagem de 17 pontos percentuais sobre o segundo colocado, Geraldo Alckmin, do PSDB, que obtém 24% das preferências, segundo pesquisa realizada pelo Datafolha nos dias 21 e 22 de agosto, a 44 dias do primeiro turno da eleição. No levantamento anterior, realizado nos dias 23 e 24 de julho, Marta e Alckmin empatavam, em razão da margem de erro da pesquisa, de três pontos percentuais: a petista atingia 36% e o tucano obtinha 32% das intenções de voto. Em um mês, a ex-prefeita ganhou cinco pontos percentuais, enquanto o candidato do PSDB perdeu oito.

A pesquisa, a primeira após o início da exibição do horário gratuito dos candidatos a prefeito na TV, no dia 20, também mostra que Marta empata com Alckmin em simulação de segundo turno, além de crescimento na taxa de intenção de voto espontânea e ligeira variação na taxa de rejeição à petista.

O atual prefeito, Gilberto Kassab, oscilou três pontos para cima: o candidato à reeleição pelo DEM passou de 11% para 14% das preferências. Paulo Maluf oscilou de 8% para 9% das preferências. Assim, se mantém o empate entre os dois candidatos. Considerando a margem de erro de três pontos percentuais, Kassab pode ter entre 11% e 17% das intenções de voto. Maluf, por sua vez, pode ter entre 6% e 12% das preferências.

Soninha (PPS) se manteve com 2% das intenções de voto. Ciro (PTC) e Ivan Valente (PSOL), que na pesquisa anterior obtinham 1% das menções, cada, embora citados, não atingiram esse percentual no atual levantamento. Edmilson Costa (PCB) e Levy Fidelix (PRTB) foram citados, mas não atingem 1%, como ocorria na pesquisa de julho. Anaí Caproni (PCO) e Renato Reichmann (PMN), cujos nomes constavam do cartão circular apresentado aos entrevistados, não receberam nenhuma menção.

Se a eleição fosse hoje, 5% votariam em branco ou anulariam o voto. Não saberiam em quem votar 4%.
Foram ouvidos 1093 eleitores da cidade de São Paulo, a partir dos 16 anos de idade.

Outro dado da pesquisa demonstra a consolidação da liderança de Marta: a intenção de voto espontânea. O percentual dos que dizem, antes da apresentação dos cartões circulares com os nomes dos candidatos, que gostariam de votar na petista para prefeita, subiu oito pontos percentuais em relação à pesquisa anterior, passando de 22% para 30%. Citam Geraldo Alckmin de maneira espontânea 14%; eram 13% na pesquisa anterior. A taxa de menções espontâneas a Gilberto Kassab oscilou de 7% para 10%. Paulo Maluf é citado espontaneamente como seu candidato a prefeito por 5%.

O percentual dos que não sabem dizer espontaneamente em quem gostaria de votar para prefeito caiu 11 pontos percentuais, de 43% para 32%. A taxa dos que afirmam de maneira espontânea que pretendem votar em branco ou anular oscilou de 7% para 5%.

São Paulo, 22 de agosto de 2008

04/07/2008 - 17:06h Factóide eleitoral

Kassab encara caminhões para virar candidato

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Cristiane Agostine - VALOR

Foi a necessidade de se associar a uma imagem forte, de governante que enfrenta obstáculos, que moveu a decisão do prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab (DEM), de editar medidas que restringem a circulação de caminhões.

À medida somam-se a proibição de outdoors, o fechamento de bares e casas de prostituição, a retirada de camelôs e o fechamento de estabelecimentos comerciais irregulares.

No governo e no DEM, a avaliação das medidas é que foi uma decisão “de risco”, mas “necessária” para Kassab. A equipe de campanha está preocupada com o fato de o prefeito não conseguir transformar a avaliação positiva de sua gestão em votos. Como o trânsito será o grande tema da campanha, o candidato à reeleição precisa mostrar que está empenhado em buscar soluções.

O consenso dos especialistas de que a restrição dos caminhões não será suficiente para melhorar o trânsito na cidade é reconhecido pelos conselheiros do prefeito. “Mas a população está irritada com o trânsito, que só tende a piorar, e ele precisava tomar uma medida enérgica”, conta um articulador do prefeito.

Nas pesquisas de opinião encomendadas pelo DEM, Kassab ainda não conseguiu elevar significativamente a intenção de votos. “Essa foi uma decisão arriscada, mas tomada pelo prefeito junto com seu conselho político. Não é uma decisão tomada só com marqueteiro”, diz um conselheiro. Segundo as últimas avaliações do Datafolha, 39% consideram a administração de Kassab ótima ou boa e 38%, regular. Já na intenção de voto, o prefeito está em terceiro lugar, com 15%, atrás de Marta Suplicy (PT), com 30%, e Geraldo Alckmin (PSDB), com 29%.

Preocupada em mensurar o impacto das medidas para o tráfego, a equipe de campanha de Kassab encomendou uma pesquisa quantitativa, com mil entrevistas, cujo resultado sairá no fim de semana.

O prefeito aposta que o resultado para sua imagem será semelhante ao que teve quando implementou o Cidade Limpa, que deu novas regras à publicidade e proibiu outdoors. Apesar de brigas com o setor publicitário, Kassab saiu fortalecido do episódio e ganhou projeção. Até então, era considerado apenas o vice de José Serra. O Cidade Limpa tornou-se a grande bandeira da gestão, a ponto de ter sua continuidade prometida tanto por Alckmin (PSDB) quanto por Marta (PT).

Certo de que as medidas projetarão seu governo, ontem Kassab anunciou a ampliação das restrições. Os caminhões terão de obedecer às mesmas regras do rodízio válido para os carros. A partir de 1 de agosto, os caminhões de pequeno porte acumularão duas restrições: farão parte do rodízio anunciado e não poderão circular de com outro rodízio, que leva em consideração se a placa é par ou ímpar (caminhão com placa par só circula em dia par). Segundo Kassab, a medida é “a mais branda entre todas as analisadas” e outras restrições poderão ser feitas.

Nos quatro primeiros dias com as novas regras a prefeitura aplicou 3.445 multas. Segundo o secretário de Transportes, Alexandre de Moraes, houve redução média de 40% no s índices de congestionamento nos três primeiros dias de julho em comparação com a média do mesmo mês de 2007.

Apesar da confiança do prefeito nas medidas, sua equipe de governo e de campanha eleitoral está cautelosa com o impacto econômico que pode ter no setor produtivo. O coordenador do programa de governo de Kassab é o secretário estadual de Trabalho, Guilherme Afif Domingos, ex-presidente da Associação Comercial de São Paulo. Além do possível aumento do preço de serviços e mercadorias, empresários e comerciários ameaçam a prefeitura dizendo que a medida poderá causar desemprego. Se antes ele teve de enfrentar o setor de publicidade, agora terá de mediar conflitos com representantes de toda a cadeia produtiva.

A mesma cautela têm os adversários de Kassab. Tanto Alckmin quanto Marta dizem que é preciso regulamentar o transporte de carga em São Paulo, mas questionam se a diminuição do trânsito com a restrição à circulação dos caminhões valerá o impacto econômico. Eles esperarão até agosto para avaliar se defenderão as medidas nas campanhas. Até lá, dizem, não é possível mensurar o quanto da melhora no trânsito se deve às férias escolares ou à medida.

A equipe de Alckmin, cuja área de transporte será coordenada pelo ex-secretário estadual Jurandir Fernandes, aprova o decreto, mas defende que haja uma redução de taxas e impostos, dos governos municipal e estadual, para os empresários e comerciários prejudicados. “Se for bem sucedido, seremos os primeiros a aplaudir. Se não tiver sucesso, não usaremos na campanha”, disse Fernandes. “O que não pode deixar de ter é uma forma de compensação pelos prejuízos”, apontou.

As críticas de Alckmin a Kassab serão focadas na falta de investimentos em corredores de ônibus e na construção de garagens subterrâneas no centro da cidade, para elevar a área de circulação dos automóveis. “O problema do trânsito não se resolve só com a carga pesada. Se não olhar para o todo, a cidade poderá ter só carros circulando e mesmo assim continuar parada.”

Já os articuladores de Marta não sabem se manterão as medidas na plataforma de governo e questionam a forma como estas foram implementadas. O coordenador da campanha de Marta, deputado Carlos Zarattini (PT), reclama da falta de diálogo com a sociedade. “Estamos muito preocupados com o impacto no setor produtivo, porque pode haver aumento de preços. Não pode haver inflação por conta de uma medida de trânsito. A medida foi adotada sem ampla negociação”.

Ex-secretário de Transportes na gestão de Marta, Zarattini diz que o atual governo acabou com os principais avanços da gestão petista na regulamentação do transporte de carga. “Na gestão Marta nós fizemos escalonamento de entrega. Cada setor tinha um horário. Fizemos um grande pacto com o setor produtivo. Quando Serra entrou, acabou com isso, jogou fora”, critica Zarattini.

Apesar de seguir as principais linhas deixadas por José Serra (PSDB) antes dele sair da prefeitura para o governo do Estado, Kassab foi mais ousado na alteração das regras de circulação de transporte de carga na cidade. No primeiro ano de governo, Serra assinou um decreto limitando a circulação de caminhões, mas sob pressão de empresários e comerciantes, o tucano recuou pelo menos três vezes nas medidas propostas antes mesmo de o governo começar a aplicar multas. Na época, a prefeitura alegou que não era um “recuo”, mas sim uma “correção”.

O decreto publicado por Serra em abril de 2005 mirava nos caminhões que faziam entregas para grandes comércios, como shoppings, supermercados, lojas de material de construção, concessionárias e hospitais e postos de combustível. A carga e descarga poderia ser feita entre 22h e 6h; aos sábados, das 14h à meia-noite. Com isso, a previsão era que fossem retirados 3% dos caminhões em circulação. Os pequenos comerciantes não seriam afetados. Um mês depois, a prefeitura abrandou e autorizou a circulação de caminhões com até 5,5 metros. No mês seguinte, estendeu a permissão aos veículos com até 6,3 metros. Depois, isentou parte dos caminhões que abasteciam postos de combustíveis. A crítica feita à época por especialistas era que as transportadores trocariam um caminhão grande por três ou quatro menores, aumentado a frota em circulação.

O projeto de Kassab mira justamente nos caminhões com até 6,3 metros e afetará os pequenos comerciantes, que antes haviam sido poupados. Os caminhões estão proibidos de circular no centro expandido, que corresponde a 100 quilômetros quadrados, entre as 5h e 21h e sábado das 10h às 14h. Até o fim do mês, além da ampliação do trecho de restrição veículos de carga com até 6,3 metros passaram a ser atingidos por um rodízio de placas. De 01 de agosto até novembro, a proibição de circulação será para todos nas horas de pico, mas das 10h às 16h podem se revezar segundo a placa.

As medidas mais severas, que proíbem a circulação de caminhões no centro expandido, passam a valer em novembro, depois das eleições. Mas podem até serem suspensas, segundo o governo anunciou ontem. A primeira etapa das restrições servirá de teste nas negociações com as entidades do setor de transporte. As paralisações, como a que fechou a marginal do Tietê no primeiro dia de funcionamento das normas, não afetaram tanto o trânsito, que é mais tranqüilo no período. De agosto até outubro, mês da eleição, o prefeito terá um período para negociar com empresários e comerciários e remodelar o decreto, se o trânsito não melhorar. Se o resultado for positivo, será sentido pela população e entrará na campanha de Kassab.

Com o decreto, empresários e comerciários ameaçaram o governo com demissões nos setores e elevação do preço de mercadorias. “Se subir, é o preço que temos que pagar”, respondeu o prefeito. Mas às vésperas das eleições, o prefeito não descuidou do contato com os empresários. A negociação com entidades de classe começou há cerca de três meses. Na primeira reunião, o governo queria que a restrição total à circulação de caminhões no centro expandido passasse a valer imediatamente após a publicação do decreto. Diante das reclamações, postergou o prazo e acatou sugestões.

Para evitar novas paralisações, tanto o prefeito quanto o secretário de Transportes passaram os últimos dias em fiscalizações pela cidade e em encontros com empresários e sindicalistas. “Antes não queriam nos atender. Foi só fazer uma paralisação para isso mudar”, disse o secretário-geral do sindicato dos Condutores de Cargas Próprias, Luiz Nascimento.

O temor de caminhoneiros e comerciários é de que as demissões não sejam só uma ameaça ao prefeito. “Se as entregas forem feitas só à noite, isso pode elevar o custo das empresas, que terão de pagar um adicional aos funcionários. Isso levaria a demissões, para equilibrar a folha de pagamentos”, disse Nascimento. Na segunda-feira, o governo fará nova reunião com representantes do setor de transporte de cargas.

28/04/2008 - 18:24h CNT/Sensus: Aprovação do governo ultrapassa índice de 2003. Maioria aprova nova candidatura de Lula

Pesquisa

O Globo

 

Rodrigo Vizeu - O Globo OnlineBRASÍLIA - Pesquisa do Instituto Sensus divulgada nesta segunda-feira pela Confederação Nacional dos Transportes (CNT) mostra que maioria aprova uma mudança na Constituição para que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva possa se candidatar a mais uma reeleição. O levantamento indica também um novo recorde de aprovação do governo Lula.


Segundo a pesquisa, 50,4% da população se dizem a favor de uma proposta que permitisse um terceiro mandato. O número de contrários à idéia é de 45,4%. Não souberam ou não responderam 4,3% dos entrevistados. Em entrevista concedida aos jornais do grupo Diários Associados e publicada no domingo o presidente voltou a condenar a idéia do terceiro mandato, dizendo que é “obsceno para a democracia”.

A consolidação da aprovação tem como principal fator o desempenho da economia


Caso existisse a possibilidade um terceiro mandato, 51,1% dariam a vitória ao presidente Lula, enquanto 35,7% prefeririam o governador de São Paulo, José Serra (PSDB). Em uma simulação de votos válidos, a vitória de Lula sobre Serra (58,8% contra 41,2%) seria menos ampla do que foi em 2002 (61,3% contra 38,7%) e em 2006, contra Geraldo Alckmin (60,8% a 39,2%).

Aprovação do governo sobe cinco pontos em relação a fevereiro

O governo do presidente Lula alcançou 57,5% de aprovação em abril, segundo a CNT/Sensus. A aprovação do governo Lula é cinco pontos acima do resultado de fevereiro, quando se registrou 52,7% de avaliação positiva, e mais alto mesmo que o antigo recorde de aprovação: 56,6%, em janeiro de 2003, mês da posse de Lula. Em relação a fevereiro de 2008, o índice de avaliação negativa caiu de 13,7% para 11,3% e o de regular foi de 32,5% a 29,6%.

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A opinião positiva da população sobre o desempenho pessoal do presidente Lula também subiu, de 66,8% em fevereiro para 69,3% em abril. A desaprovação caiu de 28,6% para 26,1%.

- A consolidação da aprovação tem como principal fator o desempenho da economia, a geração de empregos. Há também os programas sociais. Ressaltamos ainda a boa e fácil comunicação do presidente, sintetizada na sigla PAC (Programa de Aceleração do Crescimento). Existe uma sensação de um governo eficiente. Existe a sensação de que o crescimento está ocorrendo por causa dessas obras - analisou o presidente da CNT, Clésio Andrade.

Serra lidera pesquisa de intenção de voto para 2010

A pesquisa também perguntou sobre as intenções de voto dos entrevistados para as eleições presidenciais de 2010. O governador de São Paulo, José Serra (PSDB), estaria em primeiro lugar com 36,4%, em um dos cenários criados pela pesquisa. O deputado federal Ciro Gomes (PSB-CE) teria 16,9% dos votos, contra 11,7% da ex-senadora Heloísa Helena (PSOL) e 6,2% da ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff (PT).

Em uma hipótese em que o governador de Minas Gerais, Aécio Neves, seria o candidato tucano, Ciro lideraria com 23,5% das intenções de votos, contra 17,5% de Heloísa Helena, 16,4% de Aécio e 7% de Dilma. Caso o PSDB lançasse o ex-governador paulista Geraldo Alckmin, Ciro continuaria na liderança, com 23,2%, contra 17,2% de Alckmin, 16,3% de Heloísa Helena e 7,6% de Dilma.

Em um último cenário, a CNT/Sensus trocou a candidata petista Dilma pelo ministro Patrus Ananias (Desenvolvimento Social e Combate à Fome), gestor do Bolsa Família. Neste caso, Serra seria o líder, com 34,2%, seguido de Ciro (17,8%), Heloísa (14,1%) e Patrus (3,8%).

No caso de um segundo turno, a CNT indicou os seguintes cenários: Serra venceria Dilma por 53,2% a 13,6%, Aécio derrotaria a ministra por 32,1% e 18,3%, Serra ficaria com 55,1% contra 8,2% de Patrus e Serra superaria Ciro por 43,7% contra 25,5%.

Dossiê: 51,2% têm conhecimento e 17,4% citam Dilma

A sondagem mostrou que 51,2% da população têm acompanhado ou ao menos ouviu falar do episódio do dossiê com gastos sobre o governo Fernando Henrique Cardoso. 36,4% desconhecem o caso. Dos que estão a par das denúncias, a maioria (21,1%) acredita que a principal responsabilidade da elaboração e divulgação do dossiê é de membros da CPI mista do Cartão Corporativo. A ministra Dilma é citada por 17,4% dos entrevistados. Em seguida aparecem assessores da ministra (13,1%), a instituição Casa Civil (9%) e a Secretaria-Geral da Presidência da República (8,3%).

O levantamento apontou que 57,9% dos entrevistados têm acompanhado ou ouviram falar dos trabalhos da CPI do Cartão. No entanto, 58,1% não acreditam que a comissão vai analisar de forma isenta as denúncias. A maior parte das pessoas (57,8%) defende que o Congresso apure as denúncias de mau uso do cartão tanto no governo do PT quando no do PSDB. 12,7% querem investigação apenas das contas petistas e 6,1% só na gestão tucana. Outros 12,2% são contra que o Congresso investigue as denúncias.

Mas é óbvio que a visibilidade dela (Dilma) influencia. Quem está do lado do presidente Lula e acredita que ele não fez nada, também vai achar que ela não fez nada


Chamou atenção que, em meio à crise do dossiê da Casa Civil sobre gastos do governo FH, a ministra Dilma Rousseff tenha melhorado seus índices em todos os cenários na pesquisa de intenção de voto. Apesar de o maior deles terem sido dentro da margem de erro da pesquisa, Dilma se destacou na hipótese de segundo turno com Aécio Neves, saltando de 14,5% em fevereiro para 18,3% em abril, e no embate com Serra, indo de 9,2% a 13,6%.

- Está na margem de erro, não é possível falar em crescimento. Mas é óbvio que a visibilidade dela influencia. Quem está do lado do presidente Lula e acredita que ele não fez nada, também vai achar que ela não fez nada - afirmou o presidente da CNT, Clésio Andrade.

No caso da pesquisa espontânea, em que não é apresentado aos entrevistados uma lista de candidatos, o presidente Lula lidera com 29,4%. Serra tem 5%, seguido de Aécio (2,9%), Alckmin (2,4%), Heloísa (1,7%) e Ciro (1,5%). Somadas, as demais citações chegam a 3%.

O pesquisador do Instituto Sensus Ricardo Guedes ressalta para o alto índice de pessoas que não souberam responder a pergunta, algo esperado a mais de dois anos da eleição, chegando a 44,5% no caso da pesquisa espontânea e 11,2% no cenário com Serra, Ciro, Heloísa e Dilma.

Dengue: para 43,2%, responsabilidade é da sociedade

Para 43,2% dos entrevistados, o surto de dengue é culpa da falta de atuação de toda a sociedade. A responsabilidade apenas dos moradores é apontada por 32,7% da população, seguido de prefeituras (7,7%), Ministério da Saúde (7,6%) e governos estaduais (4,3%). Para 2,8%, a situação não tem culpados, já que os fatores que levaram ao aumento de casos doença seriam naturais.

Caso Isabella é de conhecimento de 98,2%A pesquisa indica ainda que 98,2% da população brasileira tem conhecimento do assassinato da menina Isabella Nardoni, ocorrido no final de março. Apenas 1,2% afirmaram desconhecer o episódio, contra 0,7% que não soube ou não quis responder. Segundo Ricardo Guedes, pesquisador do Instituto Sensus, esse foi o maior índice de conhecimento sobre algum assunto já registrado na série de pesquisas CNT/Sensus, iniciada em 1998.

Para 71,8% dos entrevistados, a mídia tem acompanhado o caso de forma adequada e com competência. Outros 24,3% acreditam que a cobertura noticiosa tem sido feita de forma inadequada ou incompetente.

A pesquisa CNT/Sensus foi realizada entre 21 e 25 de abril e entrevistou 2.000 pessoas em 136 municípios de 24 estados do país, em todas as cinco regiões. A margem de erro é de três pontos percentuais.

07/04/2008 - 07:57h Cidade que foi modelo tem recorde de carros por habitante

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Ponto de ônibus em Curitiba

VALOR - Marli Lima, de Curitiba

Cidade referência em mobilidade urbana, Curitiba terá um intenso debate sobre o tema na campanha municipal. A cidade inovou em soluções para o transporte público e exportou idéias para outros municípios brasileiros e até para o exterior. Mas, nos últimos meses, convive com engarrafamentos e reclamações tanto de usuários de ônibus como daqueles que transitam de automóvel. Obras ajudam a complicar o tráfego no centro e não dão a certeza de que a situação irá melhorar no futuro, quando estiverem concluídas. Por isso, os pré-candidatos ao cargo ocupado pelo tucano Beto Richa preparam suas propostas para que a capital do Paraná “descongestione”.

A implantação de linhas de metrô voltará a ser debatida ao lado de outras soluções. “Nos últimos quatro anos não foi feita uma única obra estrutural em Curitiba”, comenta o pré-candidato do PMDB e reitor da Universidade Federal do Paraná, Carlos Augusto Moreira Júnior. Diz que o metrô é necessário, mas, se não houver dinheiro para fazê-lo, é preciso melhorar o transporte de superfície. “Era previsível o colapso e não foi feito o dever de casa”, afirma. Para o presidente do PMDB municipal, Doático Santos, faltam trincheiras (pequenos túneis) e viadutos.

Na visão do deputado estadual Osmar Bertoldi, pré-candidato pelo DEM, “é preciso trazer para o transporte de massa quem tem carro”. Segundo o democrata, viadutos e trincheiras só transferem o problema para a esquina seguinte. Conciliar moradia com trabalho próximo e dar preferência ao pedestre com calçadas e iluminação de qualidade, para que ele deixe o carro na garagem, são algumas de suas sugestões. Também cita rotas estruturais para bicicletas, a extensão de ciclovias a terminais de ônibus e a necessidade de pesquisar a origem e o destino das pessoas para oferecer a elas conforto e rapidez no sistema público.

A implantação do metrô será uma das bandeiras do pré-candidato do PSC, o deputado federal Ratinho Júnior. “Não se concebe o aumento das frotas convencionais de transporte coletivo, especialmente em um município de vanguarda como Curitiba, quando há alternativa mais avançada”, disse, recentemente, em discurso em Brasília.

A pré-candidata do PT, Gleisi Hoffmann, diz que faltou planejamento nos últimos anos e que a abertura e alargamento de ruas não resolverá o problema. “Nós nos deparamos com os mesmos problemas de outras metrópoles”, afirma. Para ela, o metrô é uma das soluções, mas por ser demorado, a administração precisa de imediato tornar atraente o transporte público.

O prefeito Beto Richa ainda não oficializou a candidatura à reeleição e, nos últimos dias, viu crescer o número de críticas ao trânsito e ao transporte. Seu braço direito na área de Urbanismo, o diretor-presidente do Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano, Augusto Canto Neto, defende que tanto o sistema viário como o transporte coletivo têm recebido o maior volume de investimentos na atual gestão. Segundo ele, de janeiro de 2007 até agora, dos R$ 250 milhões em obras, R$ 195 milhões foram destinadas a essas áreas.

“O planeta sofre com o excesso de carros nas ruas”, argumenta Canto Neto. Cita, entre as medidas adotadas recentemente para uma das mais motorizadas cidades do país, o estímulo ao uso consciente do carro, carona solidária, restrições a estacionamentos no centro e criação de binários (vias paralelas com tráfego em sentidos opostos).

Canto Neto promete outras melhorias, como o desalinhamento de estações que ficam em canaletas de ônibus, para permitir ultrapassagem. A intenção é fazer a velocidade média subir de 15 km/h para 24 km/h. Veículos batizados de “ligeirões” entrarão nessas vias para levar quem vai do centro aos bairros, sem paradas. O metrô também deverá sair do papel em 2009 e sua construção levará de seis a oito anos.

Segundo a prefeitura, o congelamento da tarifa de ônibus por três anos e o atual preço de R$ 1,90 ajudou a reduzir a queda de usuários. Em uma década, a redução foi de 18%, e nos últimos três anos 11% teriam sido recuperados. Após protestos e sugestões de ciclistas, também está em estudo um projeto que resultará na instalação de bicicletários com serviços de locação.

07/04/2008 - 07:47h Transporte urbano mobiliza debate eleitoral

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Caio Junqueira, Sérgio Bueno, Vanessa Jungerfeld, Carolina Mandl e Ivana Moreira, de São Paulo, Porto Alegre, Florianópolis, Recife e Belo Horizonte

VALOR

No ano em que o trânsito bateu sucessivos recordes de congestionamento em várias capitais do país, o transporte urbano deve se transformar num dos mais acirrados temas de debate da campanha eleitoral. Desde as últimas eleições municipais, a frota nacional de veículos cresceu 27%. Esse crescimento, impulsionado pelo financiamento facilitado, levou a mais municipal das políticas públicas, o transporte público, a deixar de ser um problema exclusivo das faixas de renda que dele dependem para se transformar também numa preocupação de classe média.

Com quase seis milhões de veículos nas ruas, São Paulo terá um debate marcado pela radicalização da disputa política. Os três principais partidos que pretendem lançar candidato -PT, PSDB e DEM- participaram de maneira direta ou indireta da administração da cidade nos últimos dez anos e já buscam culpados pela situação. A discussão programática deve ceder lugar à troca de farpas e busca de culpados pela situação, que, calcula-se, gera um prejuízo anual que o economista da Fundação Getúlio Vargas, Marcos Cintra, calcula em R$ 30 bilhões.

Dos três, o PT, que deve lançar candidata a ministra do Turismo, Marta Suplicy, prefeita entre 2001 e 2004, é o que se julga em posição mais confortável para atacar tanto a provável candidatura do tucano Geraldo Alckmin, que governou o Estado de 2001 a 2006, quanto do prefeito Gilberto Kassab (DEM), que deve tentar a reeleição. “Nossas críticas à gestão Serra-Kassab se basearão em não terem dado continuidade aos corredores de ônibus que a Marta introduziu. E só foram se preocupar com trânsito após os recordes de engarrafamento. Já Alckmin participou dos 12 anos dos tucanos no Estado e foi o que menos fez metrô”, afirma o presidente municipal do PT, vereador José Américo.

Secretário de Transportes Metropolitanos na gestão Alckmin e atual presidente da Empresa Paulista de Planejamento Metropolitano, Jurandir Fernandes é o principal técnico em transportes ligado aos tucanos. Para ele, o futuro prefeito terá de investir em corredores de ônibus, mas corredores “de verdade”. “Tem que ser exclusivos mesmo, sem taxi, autoridades ou polícia, não parar nos cruzamentos e ter possibilidade de ultrapassagem.”

Sobre as críticas à gestão Alckmin, Fernandes diz que se trata de “oportunismo político”. “Temos 20 km de linhas que ficarão prontas até 2010. Tem que considerar não linhas inauguradas, mas colocadas em obras. Retomamos a linha 2 e demos início à linha 4 do metrô, além da linha de trem de Osasco a Grajaú.”

Kassab vai explorar o aporte de recursos no metrô - o que a Prefeitura de São Paulo não fazia há 30 anos - que pode vir a chegar a R$ 1 bilhão, além da ampliação em duas horas do rodízio de veículos na cidade.

No Rio, há cerca de 240 novos veículos a mais circulando diariamente na cidade, em um espaço limitado geograficamente pelo mar e pelas montanhas. Para o secretário municipal de trânsito, Arolde de Oliveira, os candidatos precisarão se ater em especial ao intenso crescimento mobiliário e comercial das regiões que agregam Jacarepaguá, Barra da Tijuca e Recreio dos Bandeirantes. “Há novos pólos de tráfego que não estavam previstos nos planejamentos urbanos anteriores. Todas as vias chegaram ao limite. Esgotaram-se as possibilidades de duplicação”, diz.

Como exemplo, cita o túnel Rebouças, inicialmente projetado para 80 mil veículos diários e por onde hoje passam mais de 200 mil; e a linha amarela, projetada para menos de 100 mil e hoje com fluxo de 200 mil veículos/ dia. “As obras que devem centrar o debate nesta área são algumas poucas duplicações, além da criação de corredores de ônibus e aquisição de ônibus interligados.” O secretário também aponta o alto índice de idosos na cidade como fator que piora o tráfego. “Há cada vez mais idosos se habilitando a dirigir. E eles dirigem com mais cautela, os reflexos já não são os mesmos. Acabam dirigindo mais devagar.”

Na capital gaúcha, a velocidade média dos ônibus nos corredores chega a 23 km/ h, quase 30% acima do melhor desempenho registrado em São Paulo. “Porto Alegre vive uma situação razoavelmente confortável”, afirma o secretário de Mobilidade Urbana, Luís Afonso Senna. Segundo ele, a velocidade nos corredores de ônibus vem se mantendo estável. Ainda assim, melhorar o transporte coletivo para estimular a redução do uso dos automóveis e evitar, no futuro, a necessidade de rodízio é a bandeira comum aos candidatos. Todos também defendem a construção do metrô.

Uma das metas do prefeito José Fogaça (PMDB), possível candidato à reeleição, é implantar os “Portais da Cidade”, que prevêem a construção de três estações de transbordo de onde partirá uma linha tronco para atender a área central da cidade.

Para a candidata do PT à prefeitura, a deputada federal Maria do Rosário, é preciso reverter a redução do número de usuários do sistema, de 33 milhões para 25 milhões por mês nos últimos dez anos. Rosário defende a criação de linhas que ligam bairros entre si sem passar pelo centro, maior freqüência dos ônibus, um controle mais rigoroso das planilhas de custos das empresas e até a ampliação de subsídios para, por exemplo, portadores de deficiência.

A deputada federal Luciana Genro (PSOL) defende uma auditoria nas planilhas de custos para verificar se as margens de lucro das empresas não estão “exageradas”. Segundo ela, de janeiro de 2001 a agosto de 2007 (sem incluir o reajuste de fevereiro deste ano) as tarifas subiram 114%, enquanto o IPCA aumentou 59%. A deputada admite ainda conceder isenção aos trabalhadores desempregados com subsídio integral para evitar impacto nos preços pagos pelos demais usuários.

Candidata pelo PCdoB, a deputada federal Manuela D’Ávila também vê na implantação do metrô uma “pauta urgente” para a futura administração, desde que combinada com o sistema de ônibus e ciclovias. Melhorar o conforto e a freqüência dos ônibus, qualificar os profissionais do setor e exigir mais investimentos das empresas são propostas do candidato do DEM, o deputado federal Onyx Lorenzoni.

Em Florianópolis, as últimas pesquisas da prefeitura apontam a questão viária como uma das principais preocupações da cidade. O prefeito Dário Berger (PSDB), candidato à reeleição, criou a tarifa única e fez algumas obras que melhoraram o fluxo de veículos. Entretanto, a cidade ainda carece de transporte marítimo em ligações importantes entre a ilha e o continente, hoje feita por duas pontes: Colombo Salles e Pedro Ivo Campos. A ponte Hercílio Luz, cartão postal de Florianópolis, está desativada. Além da falta de transporte marítimo, Florianópolis não possui um sistema cicloviário. Há trechos de ciclovias, que dificilmente se conectam. Para a oposição, Berger não fez investimentos necessários. “É visível que os acessos à cidade estão saturados. Essa ligação não recebe investimentos desde a década de 90, quando foi inaugurada a última ponte”, diz Joares Ponticelli, presidente do PP em Santa Catarina.

No Recife, a situação do trânsito é tão caótica que a Câmara Municipal deve votar, este mês, um projeto do vereador Liberato Costa Júnior (PMDB) para a implantação de rodízio, inspirado no modelo paulistano. A principal diferença, porém, é que no Recife a proibição de circulação será durante o dia todo, e não apenas nos horários de pico. A restrição não atingiria o bairro de Boa Viagem, cujas principais vias ficam paradas diariamente. “Recife tem apenas 200 quilômetros quadrados e não tem mais por onde crescer. Foi se expandindo verticalmente”, diz.

Os candidatos temem a reação do eleitorado à medida. Para o candidato do PMDB, Raul Henry, a restrição à circulação de carros ainda precisa ser melhor avaliada. De acordo com o deputado federal, o pedágio no centro da cidade pode ser uma alternativa ao rodízio. “Mas ainda estamos avaliando para montar o programa de governo.” O que ele dá como certo em suas ações, caso seja eleito, são os investimentos em obras públicas voltadas para novas vias na cidade, além da ampliação do transporte coletivo.

Para Mendonça Filho (DEM), a solução para amenizar o trânsito no Recife está em ampliar a “mobilidade dos cidadãos” . O candidato pretende incentivar os recifenses a andarem mais, por exemplo. “Em muitas áreas, Recife não tem calçadas. Pretendemos municipalizar as calçadas das principais vias que hoje estão sob responsabilidade privada”, explica. Uma nova via ligando o centro da cidade ao bairro de Boa Viagem também está nos planos do ex-vice-governador. Ele descarta o rodízio: “Não vejo necessidade no curto prazo.” Um dos poucos candidatos que não se recusa a admitir o rodízio é o deputado federal Cadoca (PSC). “Ainda precisa ser mais estudado, mas pode ser uma saída em uma situação de emergência.”

Em Belo Horizonte, o prefeito de Belo Horizonte, Fernando Pimentel (PT), conseguiu autorização da Câmara Municipal para vender a participação acionária que o município tinha na Copasa, a estatal de saneamento básico. Uma grande parte dos recursos será utilizada na conclusão de obras viárias. Com a proposta aliviar o trânsito no centro, o prefeito se envolveu em projetos polêmicos como a transferência da rodoviária para a zona oeste. A proposta, já aprovada, esbarra nos interesses dos comerciantes do centro.

Um dos possíveis candidatos a substituir Pimentel, o secretário estadual de desenvolvimento econômico Márcio Lacerda (PSB), já levou à ministra da Casa Civil, Dilma Roussef, proposta para retomar as obras do metrô, atrasadas há mais de duas décadas, num modelo de Parceria Público Privada, com contrapartida das três esferas de governo. Além da conclusão da primeira linha, Lacerda defende a construção da segunda, que levaria o metrô até a Savassi, tradicional e refinado centro de compras da capital mineira.(Colaborou Raquel Salgado, de Salvador)

24/11/2007 - 07:07h Cúpula do PSDB aborta nota contra terceiro mandato

Depois de ler esta nota da Folha de hoje, leiam novamente 3º Congresso do PSDB: o monstro do Loch Ness e também esta outra Tucano voa baixo e pensa que é condor

Em jantar na noite de quinta-feira, FHC e presidenciáveis discutiram tema; Aécio e Serra querem mandato de 5 anos

Encontro de dirigentes do partido teve como razão central discutir nome da secretaria-geral; mineiro atuou para manter afilhado

MALU DELGADO
EDITORA-ASSISTENTE DE BRASIL
Folha de São Paulo

Não é crença generalizada no PSDB que os petistas conseguirão levar adiante uma articulação consistente que possa dar viabilidade legal a um terceiro mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Ainda que o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso tenha enfatizado em seu discurso de abertura no 3º Congresso do PSDB que a democracia estaria sob risco, os altos dirigentes do partido, reunidos na noite de quinta-feira num jantar em Brasília, abandonaram a idéia de divulgar uma nota oficial contra uma mudança constitucional que permita a continuidade de Lula no poder.
Participaram do jantar FHC, os presidenciáveis José Serra e Aécio Neves, os senadores Tasso Jereissati (que deixa a direção do partido), Sérgio Guerra (que assume a presidência da legenda) e Arthur Virgílio.
Há, porém, uma outra mudança constitucional que une os tucanos, sobretudo os presidenciáveis: a reintrodução do mandato presidencial de cinco anos sem reeleição. “Isso sim dá caldo”, admitiu um tucano que participou do encontro.
Os tucanos sabem que a defesa do fim da reeleição esbarra numa séria contradição, já que foi a articulação do PSDB em 1998 que garantiu a aprovação da emenda que deu a FHC o direito de governar por oito anos.
Ainda assim, Aécio e Serra acham que têm espaço para articular essa mudança no Congresso, pois nunca defenderam abertamente a reeleição, seja como parlamentares, seja como governadores.
Aécio foi voz firme, no jantar, contra a divulgação de uma nota anti-terceiro mandato. Disse aos correligionários que essa seria uma estratégia equivocada e que o PSDB contribuiria para manter na agenda política um debate que não é consensual sequer no PT e que não conta com a simpatia de Lula. Em conversas recentes com o mineiro, Lula demonstrou que seu plano concreto é 2014.
Agora à frente do PSDB, Sérgio Guerra admite que o receio de terceiro mandato não é generalizado na sigla. Mas é reticente: “Eu não acredito em nada bom deste governo. Só acredito em coisa ruim”.
Já Tasso Jereissati tenta explicar o sentimento tucano: “Não é um receio do terceiro mandato. É receio em relação ao conjunto da obra: TV Pública, expurgos no Ipea, elogios à Venezuela para dinamitar o Mercosul. É esse conjunto que não está cheirando bem”.

Secretaria-geral
Ainda que os debates sobre terceiro mandato, conjuntura política para 2010 e prorrogação da CPMF (o imposto do cheque) tenham permeado o jantar, o assunto central foi a composição da nova direção.
Tucanos históricos queriam uma mudança na indicação da secretaria-geral do partido. O indicado foi o deputado Rodrigo Castro (MG), afilhado de Aécio. Havia um temor de que a denúncia sobre o “valerioduto mineiro”, feita pelo procurador-geral da República, Antonio Fernando Souza, pudesse alcançar aliados do governador, entre eles Danilo Castro, secretário de governo de Aécio e pai de Rodrigo.
“Ele fica e com todas as atribuições de um secretário-geral”, enfatizou o governador de Minas na conversa com correligionários. “Está tudo certo. Não se cogitou nenhuma mudança”, disse Rodrigo Castro. Por enquanto, prevalece a vontade política do governador.

07/05/2007 - 05:25h Reflexões pessoais sobre reeleição

O Presidente Lula e o Ministro das Relações Institucionais, Walfrido dos Mares Guia, que deu entrevista ao Valor Econômico, foram taxativos: não tomarão qualquer iniciativa em favor do fim da reeleição.

Vários analistas e lideranças políticas, como o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso e José Dirceu, por exemplo, manifestaram-se também contrários a esta mudança.

Ninguém, porém, considerou que mudar a Constituição, acabando com a reeleição, fosse “golpismo” ou coisa parecida. O debate transcorre sereno e a OAB não considerou como ilegal uma mudança deste porte. Mesmo que a implicação imediata de tamanha mudança, nos termos cogitados, cerceasse o direito à reeleição dos governadores eleitos para um primeiro mandato (como é o caso de Wagner na Bahia, Cabral no Rio e Serra em São Paulo, entre outros). Ou que mudar a Constituição, neste caso, só visaria facilitar um acordo entre os dois pré-candidatos a presidente pelo PSDB, os governadores José Serra e Aécio Neves. Ou seja um “casuísmo” flagrante.

Interessante também é que nenhuma das analises pós-eleitorais feitas sobre a vitória de Lula no recente pleito presidencial, atribuída ao programa “Bolsa-família” por alguns ou ao “carisma” do presidente, evocou como motivo da vitória o “privilégio” de ser candidato à reeleição e o uso da máquina. Argumentos que agora são avançados para justificar o fim da reeleição.

A reeleição, como todo sistema, tem seus prós e contras. No caso do Brasil e dos mandatos de FHC e Lula, ela tem funcionado como uma forma de “recall”, ou seja de julgamento pelo povo da continuação ou não da autoridade eleita. Um pouco como se tivéssemos um mandato de oito anos dividido ao meio por um plebiscito a favor ou contra a continuidade do mandatário em exercício. O lado positivo é que a decisão é democraticamente tomada pelo povo em eleições livres e democráticas. Este direito do povo de “julgar” se o eleito correspondeu com seu mandato não deveria sofrer cerceamento.

Por isso sou a favor do direito à reeleição, apesar dos “contras”que este mecanismo institucional indiscutivelmente tem.

Luis Favre

24/04/2007 - 12:17h São doidos. São doidos

“A reeleição não deve ser objeto de análise no momento. Há assuntos mais relevantes. Quando se examinou a necessidade de reforma política, toda a sociedade imaginou diálogos em torno da fidelidade partidária. Ou então sobre o voto proporcional. Ou, ainda, focalizando o financiamento público das campanhas.
Surgiu, como figura estranha, o tema da reeleição. A sociedade perplexa. Os políticos não engajados ainda mais. Os governadores e prefeitos foram surpreendidos. Procuram concretizar boas administrações. Querem submeter seus atos ao julgamento do eleitorado. O cerceamento da possibilidade de reeleição desestimula esforços.”

Este parágrafo faz parte do artigo do ex-governador de São Paulo, Claudio Lembo para o Terra Magazine de Bob Fernandez. Leia na integra aqui

24/04/2007 - 12:08h Eleição e reeleição programática

Blog de Noblat

“Se o debate sobre o tema da reeleição tem contribuído para o aperfeiçoamento de nossas instituições, é pelo seu lado negativo - tornar patente a distância que nos separa da maturidade democrática. Toda a conversa em torno do tema, brandido por iniciativa de “personalidades” do mundo político, não se tem prestado a outro fim que o de acomodar interesses de poder, em manobras que promovem somente o retrocesso.

Uma tal discussão, para poder apresentar-se com foros de interesse público, deveria balizar-se por alguma diretriz, que permitisse à sociedade identificar a diferença entre uma proposta retrógrada, orquestrada em termos de nomes, e propostas de programas de governo por parte dos partidos políticos. Mas até agora não se ouviu das partes interessadas nesse jogo uma palavra sequer sobre a oportunidade, mais que tardia, de se discutir o tema em termos de eleição ou reeleição programática. ”

O trecho acima faz parte do artigo do jornalista e deputado Rui Falcão (PT-SP).
Foi secretário de governo da prefeita Marta Suplicy.
Escreve sempre no Blog de Noblat às terças-feiras. Leia aqui

23/04/2007 - 23:51h Dirceu critica proposta sobre o fim da reeleição

Agencia Estado
23 de abril de 2007 - 20:35

Segundo ex-ministro de Lula, Aécio e Serra seriam os principais beneficiários
Eduardo Kattah

BELO HORIZONTE - O ex-ministro da Casa Civil, José Dirceu, criticou nesta segunda-feira, 23, o movimento em torno do fim da reeleição. Para Dirceu, a proposta agora “só prejudica a reforma política” e é do interesse do PSDB, principalmente dos governadores Aécio Neves (MG) e José Serra (SP).

“Do ponto de vista político, para o País nesse momento acabar com a reeleição eu acredito que só prejudica a reforma política porque não é simples acabar e, na verdade, é do interesse do PSDB, principalmente do governador Aécio Neves e José Serra. Como foi do interesse deles fazer a reeleição em 97″, afirmou o ex-ministro, que participou de um almoço em Belo Horizonte com lideranças mineiras do PT, PMDB e PV.

Dirceu acredita que, “do ponto de vista doutrinário”, o fim do instrumento é “bom” para o PT. “Porque o PT sempre foi contra”. Mas a reeleição, na sua opinião, ainda precisa ser experimentada. “O Brasil aprovou isso em 97. Teve três eleições com reeleição, já vai acabar? Vamos fazer a experiência. Se for para acabar com a reeleição, vai ter que resolver a coincidência de mandatos, vai ter que eleger algum mandato com um ano a mais ou com um ano a menos…”, observou.

“Assim não há país que agüente. Instituições que são construídas no País precisam ser experimentadas, por isso sou contra acabar com a reeleição agora”. Ele evitou comentar a aproximação dos tucanos com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

E foi na linha da declaração de Lula sobre a polêmica da reeleição, durante o programa semanal de rádio Café com o Presidente. “Ele, na verdade, disse que sempre foi contra, mas que agora essa é uma questão do Congresso, dos partidos e não dele como presidente, até porque ele é parte. Ele foi reeleito”.

Pela manhã, após uma palestra para jovens de uma ONG na zona norte de Belo Horizonte, o ex-ministro afirmou que sem a reforma política, “o caixa 2 vai continuar existindo” no Brasil. “Precisamos fazer a reforma política. Sem a reforma política e fidelidade partidária, as eleições vão continuar sendo caras. O poder econômico vai continuar mandando e o caixa 2 vai continuar existindo”.