13/11/2008 - 11:18h Reino Unido: maior desemprego em 11 anos

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Número fica perto de 2 milhões de pessoas. BC britânico prevê queda do PIB de 2% em 2009 e pode cortar juros de novo

O Globo

LONDRES. Os sinais de que o Reino Unido será, ao lado dos Estados Unidos, um dos dois países mais afetados pela crise financeira mundial se fortaleceram ontem. O número de desempregados chegou perto da marca de dois milhões no terceiro trimestre, o maior nível desde 1997, enquanto a taxa de desemprego atingiu 5,8%, o maior índice desde o início de 2000. Já o Banco da Inglaterra (o banco central britânico) divulgou relatório apontando que a economia do país pode encolher até 2% em 2009. Segundo o BC, o Reino Unido provavelmente já entrou em recessão no terceiro trimestre e não deve se recuperar até o segundo semestre do próximo ano.

Ao todo, 1,82 milhão de pessoas estavam sem trabalho no Reino Unido entre julho e agosto, o que representa uma alta de 140 mil casos em relação ao trimestre anterior. O número é o maior em 11 anos. Do total de desempregados, 16,1% se concentram na Grande Londres. O número de desempregados entre 18 e 24 anos subiu em 53 mil entre o segundo e o terceiro trimestre, para 579 mil pessoas, o maior nível desde 1995.

Para responder à situação, o ministro do Emprego, Tony McNulty, já anunciou que vai dobrar para seis milhões de libras (US$ 8,977 milhões) o volume de recursos disponíveis para os auxílios aos desempregados do país.

O número de pessoas solicitando auxílio-desemprego aumentou em 36.500 em outubro, frente a setembro, para 980.900, a maior alta mensal desde 1992.

— Pelos próximos 12 a 18 meses, o desemprego só vai aumentar — disse ao “Independent” o economista-chefe do Institute of Directors, Graeme Leach.

Inflação deve recuar de 5,2% para a 1% até 2010 E o tom do Banco da Inglaterra diante do cenário econômico se tornou ainda mais pessimista. A autoridade monetária ressaltou que as condições mudaram dramaticamente desde agosto e a contração da economia pode chegar a 2% no próximo ano.

— É difícil saber de forma precisa por quanto tempo estaremos em recessão. Acho que provavelmente estamos em recessão agora — disse o presidente do BC britânico, Mervyn King.

A inflação no Reino Unido deve cair para 1% até 2010, contra os atuais 5,2%. A meta de inflação no país é de 2%, o que significaria que há espaço para corte de juros, movimento que o BC está preparado para fazer, segundo King. Na semana passada, a taxa de juros foi reduzida em 1,5 ponto percentual, para 3%, o menor nível desde 1955.

— Nós certamente estamos preparados para cortar a taxa novamente se isso for necessário.

Há muitas coisas para aprender entre agora e nossa próxima reunião.

A expectativa dos mercados é que a taxa fique abaixo de 2% em um ano.

Enquanto isso, as pequenas empresas britânicas temem a falência, num ambiente sem crédito. Pequenas companhias e representantes do setor bancário se reuniram no Fórum de Pequenos Negócios para debater como podem ser retomados os empréstimos para as empresas, atualmente escassos, segundo reportagem do “Independent”.

Pequenos empresários defendem que o governo pressione os bancos pela liberação de recursos. As condições de muitos financiamentos já foram modificadas e as empresas temem ainda mais dificuldades com o agravamento da recessão.

26/06/2007 - 09:50h Quem é Gordon Brown?

Por Ian Davidson*
26/06/2007

Por fim, Gordon Brown está assumindo o cargo de primeiro-ministro do Reino Unido de Tony Blair, alcançando, assim, a ambição de toda a sua vida, como se por direito. Este é seu primeiro problema. Ele não foi eleito por ninguém - nem pelo Partido Trabalhista e nem pelos eleitores britânicos; simplesmente recebeu uma herança que há muito tempo imaginava ser seu direito.

Como, então, Brown adquirirá legitimidade como novo líder do Reino Unido? Uma coisa que está clara é que ele não conquistará legitimação se apenas oferecer mais daquilo que Blair tem nos servido nos últimos dez anos.

O segundo problema de Brown é reflexo do primeiro. Na condição de membro do alto escalão do governo, Brown, ao longo do seu mandato, compartilha a responsabilidade por tudo o que Blair fez. Comentaristas políticos às vezes alegam detectar diferenças importantes nas suas atitudes políticas latentes. Na prática, porém, Brown permaneceu nas sombras, habilmente gerindo a economia, mas se manteve calado e enigmático em torno de temas políticos vitais e aparentemente endossando tudo o que Blair fez.

Se Brown quiser conquistar legitimidade, precisará oferecer algo novo. Entretanto, ele só poderá fazer isso distinguindo-se do legado de Blair de formas claramente perceptíveis e, portanto, bem radicais. Esta será uma proeza difícil de executar.

Possivelmente a questão doméstica isolada mais importante que Brown enfrenta diz respeito à sua posição na balança entre o livre mercado e as exigências de política social.

O governo de Blair fez o Partido Trabalhista percorrer um longo caminho à direita das suas prioridades tradicionais de proteção aos desprivilegiados e, para justificar a mudança, ele mudou o nome do partido para “Novo Partido Trabalhista”.

Sob muitos aspectos, o apoio do governo Blair às políticas de livre mercado acabou se transformando em uma mudança produtiva e perspicaz. A economia do Reino Unido cresceu mais regularmente e mais velozmente do que tem feito por várias gerações, e a receita de impostos gerada por esse crescimento permitiu ao governo canalizar dinheiro para a Educação e para o Serviço Nacional de Saúde. Mas isso foi obtido a um preço, ou melhor, vários preços.

Primeiro, a desigualdade aumentou nos dois extremos da escala de renda. Na parte de baixo, a proporção da população com renda abaixo da linha de pobreza aumentou de 13% no começo do governo Blair para 20% agora. Esta situação é muito mais grave entre minorias étnicas. Além disso, apesar dos esforços do governo, a pobreza infantil também aumentou sob Blair.

Não se sabe se Brown entende que existe diferença entre ser amigo próximo dos EUA e entrar numa guerra ilegal e desastrosa para agradar George W. Bush

No topo, as rendas dos mega-ricos dispararam, com repercussões previsíveis, especialmente no mercado imobiliário. A preocupação pública em torno desta questão foi agravada por afirmações de que os ricos enriquecem mais pagando menos impostos.

Houve uma época em que se acreditava que Brown seria um entusiasta dos valores tradicionais do Partido Trabalhista. Era verdade? É verdade agora? O que ele dirá sobre a desigualdade? Leia mais no jornal Valor (para assinantes)

*Ian Davidson é consultor e colunista do Centro de Política Européia em Bruxelas e ex-colunista do “Financial Times”. Seu livro mais recente é “Voltaire in Exile” (Voltaire no Exílio). © Project Syndicate/Europe´s World, 2007. www.project-syndicate.org