10/06/2009 - 11:00h Aprovação às medidas do governo no enfrentamento da crise subiu dez pontos percentuais. Serra critíca “política equivocada”

CNI/Ibope: Otimismo pode levar a oposição a rever estratégia

Popularidade sobe no passo da economia

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Raquel Ulhôa, de Brasília – VALOR

A expectativa da oposição de centrar o discurso eleitoral de 2010 na economia precisará ser revista. A população está mais otimista em relação ao impacto da crise mundial no país, mais confiante nas medidas adotadas pelo governo Luiz Inácio Lula da Silva para combatê-la e com menos receio do desemprego e da inflação do que estava há três meses. Essa melhora no humor, registrada na pesquisa do Ibope para a Confederação Nacional da Indústria (CNI), reflete na elevação de quatro pontos percentuais da avaliação positiva do governo (68%) desde março.

Com esse índice, a avaliação positiva retoma curva ascendente, que chegou a 73% em dezembro e caiu para 64% em março. “Estamos diante de um cenário de expansão da avaliação positiva. A expectativa otimista em relação ao cenário econômico interrompeu curva descendente da avaliação do governo”, diz Marco Antonio Guarita, diretor de Relações Institucionais da CNI.

Segundo ele, alguns resultados mostram que o otimismo em relação à economia tem relação com medidas concretas que estão sendo tomadas pelo governo. Por exemplo: a maioria considerou que o governo acertou ao financiar a compra de bens como fogão, geladeira e móveis (72%), carros (62%) e casa própria (69%). A aprovação às medidas do governo no enfrentamento da crise subiu dez pontos percentuais.

Outro exemplo de que essa percepção é baseada em fatos concretos seria, segundo Guarita, o fato de o Plano Nacional de Habitação Popular ter merecido a segunda maior quantidade de menções dos entrevistados, quando instados a citar as notícias mais lembradas sobre o governo Lula. Em primeiro lugar, com 15% de citações, apareceu a crise.

A forma como Lula administra o país é aprovada por 80% dos entrevistados. Para Amauri Teixeira, analista da MCI, empresa que analisa os resultados da pesquisa, a melhora na expectativa em relação a todas as questões econômicas tem impacto na avaliação positiva do governo. “A pesquisa mostra a percepção de recuperação da economia. Não sei se essa recuperação está acontecendo, mas a percepção de que está é clara.”

O percentual de pessoas que consideram a economia brasileira “muito prejudicada” pela crise caiu de 40% para 30% nos últimos três meses, de acordo com pesquisa. Caiu de 28% para 22% o índice de brasileiros “com muito medo de ser afetado pela crise”. E se, em março, 39% achavam que o Brasil “está mais preparado” para a crise, hoje são 48%.

A redução da preocupação com o desemprego mostra o aumento do otimismo da população. Em março, 68% achavam que o desemprego aumentaria nos próximos seis meses. Agora, esse percentual caiu para 53%. Percepção parecida ocorre em relação à inflação. Há três meses, 63% dos entrevistados diziam que os preços iriam aumentar nos próximos seis meses. Agora, são 51%.

Pela primeira vez, a CNI-Ibope incluiu intenção de voto sobre a sucessão. O governador de São Paulo, José Serra (PSDB), lidera, com 38%. A ministra Dilma Rousseff (Casa Civil), pré-candidata do PT, vem em segundo, com 18%. Em seguida, estão o deputado Ciro Gomes (PSB-CE), com 12%, e a vereadora de Maceió Heloísa Helena (P-SOL), com 7%. Em branco, nulos e “não sabe” somam 25%.

Quando o governador Aécio Neves (MG) é o candidato do PSDB, Ciro e Dilma aparecem tecnicamente empatados em primeiro, com 22% e 21%, respectivamente. Aécio e Heloísa Helena empatam em segundo, com 12% e 11%. Em branco, nulo e “não sabe” somam 30%.

O único índice de rejeição considerado relevante por Guarita foi o de Serra, que, conhecido por 76%, é rejeitado por 25%. Dilma e Aécio, conhecidos por 49%, têm, respectivamente, 34% e 39% de rejeição. Ciro, conhecido por 39%, é rejeitado por 38%. Ciro e Serra lideram, com o mesmo percentual (38%), a probabilidade de voto.

Serra: PIB reflete “política equivocada”

Foto: Divulgação
Serra: PIB reflete
Serra: O Banco Central continua com a taxa de juros mais altas do mundo, embora não haja risco algum no retorno da inflação.

Por: O Globo Soraya Aggege
SÃO PAULO – O governador de São Paulo, José Serra (PSDB) disse, há pouco, em São Paulo, que a queda do PIB no primeiro trimestre é “uma questão significativa”, pois leva em consideração também o crescimento demográfico, o que em termos per capita é “mais negativo ainda”. Para o governador tucano, que lidera a corrida das pesquisas para a eleição presidencial do ano que vem, a queda na atividade econômica é também reflexo da política econômica “equivocada”.
- O Banco Central continua com a taxa de juros mais altas do mundo, embora não haja risco algum no retorno da inflação. É uma política equivocada, que não ajuda a combater a inflação – disse Serra, durante a inauguração de um centro para atendimento ambulatorial exclusivo de gays e transsexuais.
Sobre a pesquisa Ibope, que o coloca na liderança da corrida eleitoral para o ano que vem, Serra disse que “é sempre bom” ter o reconhecimento nacional, mas isso ainda é precipitado falar em campanha eleitoral.
- Sempre é bom ter o reconhecimento no aspecto nacional. É gratificante, mas achar que já é fruto da corrida eleitoral é precipitado – disse Serra.
Sobre os protestos de estudantes e professores contra a presença de Policiais Militares no Campus da USP, Serra disse que o governo só está cumprindo determinação judicial.
- O governo está cumprindo ordem judicial. A reitora da USP pediu segurança na Justiça e o governo não outra alternativa que não a de cumprir a ordem judicial – disse Serra.
Durante o evento na Vila Mariana, um grupo de seis estudantes da USP tentaram mostrar faixas com dizeres contra a presença de tropas da PM na USP, mas seguranças do evento e PMs que faziam parte da equipe de segurança do governador retiraram as faixas e não permitiram que Serra as visse.

26/11/2008 - 11:40h PT: reflexões de Gleisi Hoffman

Por onde o PT se renova

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Rosângela Bittar – VALOR

Aguerrido, como se sabe, no presente, mesmo sem muitas opções à escolha, o PT, ao contrário de seus principais adversários, preocupa-se, sim, com o futuro, e tem permitido que novas lideranças, insinuadas nas duas últimas eleições majoritárias, desenvolvam suas chances. Exemplo puro desta situação é o da paranaense Gleisi Hoffman, 43 anos, dois filhos, duas campanhas eleitorais – candidata a senadora, teve 2,3 milhões de votos (começou com 2%) quando o vencedor ganhou com 2,5 milhões, e candidata a prefeita de Curitiba, recebeu 18% porcento dos votos – é atualmente presidente do PT do Paraná.

Vestida com elegância clássica, bastante articulada e pensamento organizado para o perfil do meio em que vem galgando degraus, Gleisi, depois de transitar dois dias em Brasília para contatos no governo e no partido, exibiu, docemente mas firme, uma avaliação resumida e realista sobre a política, tal como praticada no seu Estado e no seu partido, mostrando como vê o futuro e as tarefas mais urgentes.

“Não estou pensando em mim ou em 2012, o foco é 2010, para construirmos um bom palanque para a Dilma no Paraná”, afirma, referindo-se ao objetivo imediato, a candidatura da ministra chefe da Casa Civil a presidente da República, com apoio do presidente Lula. Neste palanque a que se refere há, para governador do Estado, dois nomes também em processo de construção. Um, Jorge Samek, presidente de Itaipu Binacional, e o outro o ministro do Planejamento, Paulo Bernardo, seu marido. Não está definido qual deles será o candidato do PT nem as alianças que serão firmadas com outros partidos para as demais candidaturas, mas é o trabalho a partir de agora

“Vamos fortalecer o projeto local com a consciência de que precisamos dar muita atenção ao projeto nacional”, assinala, indicando qual é a sua expectativa política, no momento: “Ter feito o Presidente da República, ter mudado tanto o país, e não conseguir manter isto”…Não pode, subentende-se de suas reticências.

Há algo com que Gleisi convivia mal, uma estranheza imposta a uma técnica formada na política pela prática eleitoral, mas que agora, como presidente do partido, terá que enfrentar, além de procurar formas de mudar as regras não escritas de que não gosta: a articulação política, interna, no PT, e com partidos aliados. “Estas articulações são conversações sem nenhum resultado concreto, articulações abstratas, e a vida está correndo”, traduz. Se há algo que a mobiliza é o desejo de levar a vida real para a política, interferir de forma direta no seu conteúdo. Destaca, por exemplo, que recentemente o Paraná registrou o assassinato brutal de cinco meninas, e o assunto ficou confinado à segurança. “Temos que trazer isso para a política, não adianta ficar só na polícia”.

Outro exemplo de quem reconhece ser a articulação política seu papel, mas pretende reinventá-la, é a questão agrícola. “O Paraná é um estado agrícola, o futuro da economia e da solução da crise está no agronegócio. Enfrentamos problemas sérios, como a crise do álcool, temos grandes produtores no Paraná, precisamos dar respostas”.

Gleisi se volta também para seu partido, o PT, que, segundo identifica, sofre um vácuo no planejamento do futuro. “Éramos um partido de esquerda, ganhamos as eleições em um país continental, passamos a administrar com uma coalizão de forças que não tinham a mesma visão dos problemas, isto gerou uma crise no partido. Quando nos preparávamos para viver este debate, veio outra crise, a do mensalão, e gastamos nossa energia nisto em vez de discutir os grandes temas. Chegou a reeleição do presidente, e nós não paramos para pensar”.

Afastando o conformismo com o que está posto, Gleisi dá indicações de que vai mudar, a começar do discurso. Política substantiva, não usa adjetivos para o governo, para a oposição, nem mesmo para os adversários locais. A análise é objetiva: “Beto (Richa) fez mais que (Cássio) Tanigushi, capitalizou bem os investimentos federais e nós não conseguimos capitalizar para o PT”. Ou: “As pessoas estavam indiferentes, não estavam querendo discutir política e não conseguimos politizar a campanha”. Richa, do PSDB, foi reeleito com quase 80% dos votos no primeiro turno, e Gleisi diz que, quem via a campanha de perto, imaginava que a disputa estava equilibrada. As pessoas me cercavam e diziam: ‘Estou em dúvida, gosto muito de você, mas gosto muito do Beto, por que te colocaram nisso logo agora?’ Na campanha para o Senado, Gleisi viajou todo o Estado, saiu mais conhecida mas com idéias mais diluídas. Na campanha municipal acredita ter sido possível expor melhor as idéias e explicar quem é, de onde veio e para onde quer ir.

Militante do PT desde 1989, Gleisi, formada em Direito, Administração Financeira e Gestão Pública, fez sua carreira, em alguns momentos, de forma paralela à de Paulo Bernardo. Foi Secretária de Reforma do Estado no Mato Grosso do Sul quando ele assumiu lá a Secretaria da Fazenda. Em outra fase, transferiram-se para Londrina, onde Paulo Bernardo foi Secretário de Fazenda e, ao deixar o governo para ser candidato a deputado, Gleisi se viu compatibilizada a assumir a Secretaria de Administração e Gestão. No Congresso, em Brasília, onde viveram outro período, trabalhou com Orçamento, área em que permaneceu quando integrou a equipe de transição para o governo Lula. Foi, no primeiro mandato do presidente, Diretora Financeira de Itaipu, de onde saiu para as recentes candidaturas.

Hoje, é presidente do PT no Paraná, e tem muitos planos. “Estamos fazendo uma intervenção política conjuntural. Isto nunca foi do PT”. Seu desafio é levar o partido à reflexão sobre seu papel meio a campanhas, eleições e sucessão. “Esta análise é que aproximará o partido da sociedade”. O que acha mais que necessário, principalmente em se tratando de um estado conservador, berço do MST onde, até por isto, o PT ainda inspira alta rejeição e onde, em 2006, o popularíssimo Lula foi derrotado no primeiro turno e só conseguiu empatar com seu adversário no segundo.

Rosângela Bittar é chefe da Redação, em Brasília. Escreve às quartas-feiras

E-mail rosangela.bittar@valor.com.br

20/11/2008 - 17:10h Primeira traquéia feita com células-tronco do paciente é usada em transplante

Claudia Castillo posa para foto no corredor do hospital de Barcelona, onde se submeteu a um transplante de traquéia

 O GLOBO

Órgão sob medida

Num feito que já está sendo considerado um marco na medicina, cirurgiões espanhóis realizaram com sucesso o primeiro transplante de um órgão criado em laboratório a partir das células-tronco do próprio paciente. A tecnologia, ainda experimental, permitiu que se fizesse um transplante sem a necessidade de se usar drogas contra rejeição. A colombiana Claudia Castillo, de 30 anos, que recebeu uma nova traquéia, se encontra com boa saúde, relatam os cirurgiões em estudo publicado na revista médica “The Lancet”.

Para os especialistas, os órgãos feitos sob medida têm tudo para se popularizarem, cumprindo uma importante promessa das tão apregoadas aplicações terapêuticas das células-tronco.

A cirurgia foi realizada há cinco meses. Em razão de uma tuberculose severa, a traquéia da mulher havia ficado muito danificada e ameaçava inviabilizar um de seus pulmões — o órgão é responsável por levar o ar aos pulmões. Os médicos optaram então por um transplante.

Mas de um tipo nunca antes tentado. Para desenvolver em laboratório uma nova passagem de ar para a paciente, os especialistas partiram de uma traquéia fornecida por um doador.

Os cientistas submeteram o órgão doado a banhos de substâncias químicas bastante fortes (um detergente enzimático) para destruir todas as células vivas do doador, deixando apenas uma espécie de fôrma, composta de colágeno.

Isso forneceu a eles uma “estrutura” de traquéia, que, posteriormente, foi devidamente repovoada com células da própria paciente.

Por terem usado as células de Cláudia, os médicos conseguiram “enganar” seu organismo, evitando a rejeição do órgão. Dois tipos de células foram usadas: aquelas retiradas da própria região da traquéia e células-tronco adultas — células imaturas retiradas da medula óssea e que têm o potencial de se transformarem em vários tecidos do corpo. No caso de Cláudia, as células-tronco foram encorajadas a se tornarem células de traquéia.

Depois de quatro dias de desenvolvimento num biorreator, a nova traquéia estava pronta para ser transplantada. O cirurgião responsável, Paolo Macchiarini, do Hospital das Clínicas de Barcelona, na Espanha, conduziu o procedimento em junho passado.

Cláudia foi diagnosticada com tuberculose em 2004.

— Começou com uma tosse e acabei passando três meses tentando descobrir o que estava errado comigo — lembra ela. — Foram muitos diagnósticos errados.

Tuberculose grave destruiu traquéia

De origem colombiana, Cláudia mora em Barcelona com os dois filhos, Johan, de 15 anos, e Isabella, de 4 anos. Em princípio, sua tuberculose foi tratada com remédios, mas a infecção foi tão severa que, este ano, ela sofreu um colapso no pulmão esquerdo. Ela deu entrada no hospital em março em estado muito grave, com grandes dificuldades de respirar. As únicas opções disponíveis seriam remover seu pulmão — o que implicaria uma série de riscos — ou um transplante de traquéia.

— É claro que estava com medo, mas queria muito ficar boa novamente — conta ela.

Dez dias depois da inovadora cirurgia, Cláudia foi mandada para casa sem apresentar qualquer complicação e sem ter tomado drogas imunossupressoras, normalmente usadas em transplantes para evitar a rejeição. Dois meses depois, exames revelaram que a operação tinha sido um sucesso.

— Me sinto ótima e muito honrada — diz ela. — O método me livrou da doença e voltei a me sentir bem.


SAIBA MAIS SOBRE A OPERAÇÃO

Uma colombiana recebeu o primeiro transplante de um órgão feito sob medida. Ele foi desenvolvido a partir da traquéia de um doador, usada como molde, e células-tronco da própria paciente, extraídas da medula óssea. Com a técnica, os cientistas conseguiram evitar a rejeição da traquéia

As vias respiratórias da paciente tinham sido gravemente afetadas pela tuberculose

O PROCESSO DE TRANSPLANTE

Os médicos encontraram um doador de traquéia

A traquéia do doador é destituída de todas as suas células, deixando apenas o tecido conjuntivo, para sustentação

Células-tronco são extraídas da própria paciente, amadurecidas e transformadas em células de cartilagem

A traquéia do doador é colocada num biorreator especial, o que permite as células crescer naturalmente

O órgão criado em laboratório é cortado na forma correta para se adequar ao corpo da paciente e implantado nela


Célula embrionária restaura visão e audição de animal
Primeiro passo para tratar seres humanos

Células-tronco embrionárias foram usadas com sucesso para recuperar a visão e a audição de animais, anunciaram ontem pesquisadores do Instituto Nacional de Saúde (NIH), dos EUA, e da Universidade Nacional de Chonnam, na Coréia do Sul, no que acreditam ser o primeiro passo para o tratamento de seres humanos.

Um dos grupos recuperou a audição de porquinhos da Índia usando células-tronco humanas, enquanto o outro restaurou a visão em girinos usando células de sapos. Embora não tenham uso imediato em seres humanos, as experiências revelam importantes mecanismos do desenvolvimento da visão e da audição, importantes para as pesquisas.

— As descobertas ilustram o extraordinário potencial das pesquisas com células-tronco para o tratamento de doenças — disse Anand Swaroop, especialista do NIH.

08/11/2008 - 15:23h O racismo ordinário do buffone

Sem pedido de desculpas a Obama


Berlusconi chama de imbecil quem criticou frase sobre o presidente eleito

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Rogério Daflon – O Globo

O primeiro-ministro da Itália, Silvio Berlusconi, preferiu manter a polêmica acesa a fazer qualquer autocrítica em relação à sua frase após a vitória de Barack Obama nas urnas. O empresário e político — que declarara que o presidente eleito americano é “jovem, bonito e bronzeado” — se irritou anteontem diante das críticas ao fim da cúpula informal de chefes de Estado e governo da União Européia (UE), em Bruxelas.

— Todos (que o criticaram) deveriam estar numa lista de imbecis — disse ele, que, em seguida, foi indagado por um jornalista se pediria desculpa a Obama. — Você (que fez a pergunta) também deveria estar na lista de imbecis.

Em Roma, manifestantes protestaram contra a frase do premier. Em Chicago, o coordenador da campanha, David Axelrod, decidiu não se pronunciar sobre o assunto, e à noite, o governo italiano anunciou que Berlusconi teve “uma longa e cordial conversa telefônica” com Obama.

Jornalista austríaco faz declaração racista. Ao menos o político italiano pôde dizer que estava brincando.

Já o jornalista austríaco Klaus Emmerich, de 80 anos, nem isso. Ele falou a sério ao criticar a chegada de Obama à Casa Branca. Em transmissão ao vivo de TV sobre a vitória do democrata, Emmerich afirmou que não gostaria de ver o mundo ocidental “liderado por um homem negro”. Emmerich — excorrespondente da TV estatal ORF nos EUA —disse que os americanos ainda são racistas e que devem “estar muito mal se mandam um negro e uma mulher negra muito atraente para a Casa Branca”. Sem baixar o tom, o jornalista emendou, por fim, dizendo-se “curioso para ver como reagirá a América branca.

Seria como se o próximo chanceler (austríaco) fosse um turco; ninguém na Áustria gostaria”.

A estatal ORF condenou as declarações do jornalista. Para Francisco Carlos Teixeira, professor de história da UFRJ, manifestações racistas contra Obama não vão parar por aí: — No caso austríaco, é algo que não surpreende. Naquele país, o Partido da Liberdade é neonazista, e metade da Áustria vota nesse pessoal.

Teixeira disse que também não a vê a frase de Berlusconi como algo inesperado: — A frase mostra uma não aceitação à cor de Obama. Há que se lembrar que Berlusconi está à frente de uma coalizão de direita, com o Partido da Frente Nacional, herdeiro do Partido Nacional Fascista Italiano.

O professor prevê também manifestações racistas em algumas regiões dos EUA.

— Na análise do mapa eleitoral, vê-se forte rejeição a Obama onde houve grande imigração da região da Europa Central. São pequenos fazendeiros e produtores que vivem entre os Grandes Lagos e Golfo do México. E se vê a mesma coisa em alguns estados do Sul ainda com forte sentimento racista — observou Teixeira, ressaltando que Obama fez a a campanha como presidente de todos os americanos.

— Embora a estratégia tenha sido bem-sucedida, ele vai sofrer mais manifestações. Porque o racismo não é um problema social, mas cultural.

30/10/2008 - 12:34h Ir além da aritmética eleitoral (III)

No começo do segundo turno da eleição municipal em São Paulo, em ato que contou com a participação de 11 ministros, Marta lançou um manifesto “Compromisso com São Paulo”.

Relendo esse manifesto percebo agora que ele não ocupou nenhum lugar na campanha e que provavelmente ele tenha chegado tarde demais. O manifesto, que reproduzo novamente aqui embaixo, deveria ter ocupado um lugar central no momento em que Marta aparecia com crescimento nas pesquisas no primeiro turno, enquanto o noticiário estava ocupado pela disputa brava entre Alckmin e Kassab.

Esse manifesto poderia ter balizado uma série de iniciativas em direção à sociedade civil e também em direção à setores das classes médias. O conjunto teria ampliado a base de apoio e o diálogo da candidata do PT, com provável desdobramento na queda da taxa de “rejeição”. As referências nesse documento à Carta ao povo brasileiro do então candidato Lula põe em evidência, na minha opinião, o erro de “timing” no lançamento deste manifesto e o lugar marginal que acabou ocupando esta orientação na própria campanha.

Esse erro político ma parece importante, porque a orientação do manifesto teria dado substância à linha de conquistar a maioria, intervindo assim na crise dos adversários. Ao contrário me parece que ficamos simplesmente aguardando que o eleitorado decidisse qual dos dois passaria para o segundo turno, sem apresentar uma alternativa aos eleitores de ambos e à franja de eleitores indecisos.

A questão da “rejeição” ao PT ou a seus candidatos não será resolvida com iniciativas só de marketing e sim por iniciativas políticas que rompam o “isolamento” (utilizo “isolamento” em relação a um percentual maior de eleitores, que a nossa base eleitoral de 30-40% que está longe de ser pouca coisa ou isolada).

Outro elemento crítico foram as conseqüências políticas do comercial que foi transformado pela mídia e nossos adversários em instrumento de paralisia e crise. O erro reconhecido por João Santana, de não ter detectado nenhuma carga particular nos grupos “qualis” e de não ter previsto o significado que a mídia colaria no mesmo, provém de uma subestimação do papel da mídia paulista como força política organizada em favor da direita. Basta pensar qual teria sido a opinião da própria candidata, se tivesse sido consultada antes, para perceber que as “qualis” não podem ter a palavra final quando as decisões incumbem à política.

Pensar que a mídia, tendo permanentemente feito campanha sobre a vida privada da Marta, não sairia em defesa de Kassab, é atribuir a ela “princípios éticos ou deontológicos”, que evidentemente ela não tem. Como duvido que alguém na campanha tenha esta ilusão, penso que o questionamento válido -ninguém sabe qual é a trajetória de Kassab-, levou à perguntas que serviram de pretexto para uma campanha anti-Marta. O erro é grave, paralisou a agenda da candidata durante vários dias e mesmo se não teve maior conseqüência no plano eleitoral, reforçou os argumentos contra o PT no curso final do pleito.

O conteúdo da famosa “rejeição” ao PT deve ser avaliado corretamente, recusando a manipulação da mídia. Esta manipulação se apóia no termo rejeição e sua ambigüidade. A pergunta que os institutos fazem é: “em quem o senhor (a) não votaria de jeito nenhum?”. Alguns institutos a formulam perguntando sobre o nome de cada candidato: “votaria, poderia votar, não votaria de jeito nenhum” seguido de cada nome; ou apresentando a tabela inteira com os nomes dos candidatos.

Nenhuma pergunta sobre a motivação é feita. O Datafolha não formulou esta questão no segundo turno, pois é pouco relevante na medida em que só tem dois candidatos e a “rejeição” é mais ou menos equivalente à decisão do voto (está determinado em votar em fulano).

A mídia e seus articulistas, anos a fio construíram em parte essa “rejeição” e, em relação a “rejeição” dos principais líderes do PT, forneceram e fornecem em permanência seus desejos, como conteúdo desta rejeição. Sem nenhuma base em pesquisas, anos a fio atribuíram à falta de diploma de Lula sua rejeição, ou ao fato de ser operário. Não que estes argumentos não existissem, mas eles eram reiterados e propagados com o intuito de serem transformados em barreira intransponível. Agindo assim a mídia procura destruir os dirigentes do PT, pois ela sabe que eles não se improvisam do dia para a noite. Se o fato dele ser operário, falar português com erros e não ter diploma motivou as três derrotas seguidas de Lula (1989-1994-1998), logicamente o PT deveria trocar de líder ou transformá-lo em alguém  ‘diplomado” (as duas coisas aconteceram, em 1999 alguns petistas começaram a organizar outro candidato e Eduardo Suplicy aconselhou Lula a fazer um curso nos Estados-Unidos).

Como Marta é “rejeitada” por ser mulher ou arrogante, divorciada de “senador querido”, casada com argentino, defender os gay’s, ser do PT, ser rica, ou defender os pobres…

Luis Favre

A seguir o documento Compromisso com São Paulo que foi publicado aqui no blog com o título “A palavra de Marta”

A palavra de Marta

 Compromisso com São Paulo

Quero agradecer de todo o coração a cada um dos mais de dois milhões de paulistanos que me deram sua confiança no primeiro turno destas eleições. E de tudo vou fazer para estar à altura deste apoio firme e caloroso.

Tenho certeza de que cada um desses votos vai se confirmar no próximo dia 26. Mas peço ainda um pouco mais a todos vocês: vamos trabalhar juntos, com garra e vitalidade, para que novos votos venham se somar aos nossos, no caminho para a vitória.

Nesses poucos dias que faltam para o momento decisivo, quero me comprometer com a população de São Paulo de que continuarei a fazer uma campanha sem ataques pessoais. Meu propósito é apresentar e debater propostas capazes de melhorar a vida de nosso povo.

Minha agenda vem desde o meu primeiro mandato. Com as coisas boas que fizemos na educação, nos transportes, na habitação, na saúde, na cultura e em nossas demais áreas de atuação. Até mesmo nossos tropeços, que reconheço com humildade, nos deram ensinamentos.

Depois da desastrosa experiência que atormentou São Paulo, ao longo da gestão de Celso Pitta, entendi que, para enfrentar o imenso desafio de reconstruir São Paulo, era necessária a união de todas as forças vivas da cidade. O apoio que recebi de Mário Covas e do PSDB, no segundo turno das eleições municipais de 2000, me fez ver que a união era possível e que poderíamos realizar um governo de reconstrução com a participação de todos. Isso só não se concretizou, na dimensão pretendida, por atropelos do processo das eleições presidenciais que se avizinhavam.

Mas em 2002, em sua Carta ao Povo Brasileiro, o então candidato Lula convocou o espírito da parceria e do consenso, assumindo compromissos que respondiam com clareza à vontade de união e mudança. Espírito e compromissos que dariam, em seguida, a marca de sua ação governamental. De que foi exemplo maior, desde logo, a criação do Conselho Econômico e Social, reunindo representantes de todos os setores sociais – para começarem juntos, sob a presidência de Lula, a construção de um novo caminho nacional.

Por esse caminho, o Brasil reencontrou o rumo do crescimento, da superação da dependência do FMI, da diminuição da pobreza, da geração de emprego e renda, da promoção da ascensão social e da ampliação de oportunidades educacionais para jovens de baixa renda. O avanço foi possível – e sensível – porque a disposição do presidente, no combate à desigualdade, se firmou na convergência do esforço de todos.

Não estou na disputa política para dividir. Mas, sim, para unir e construir. Não virão de mim apelos ao ódio, à destruição ou à rejeição de adversários. O que farei será mostrar com firmeza, ao povo de São Paulo, a alternativa que represento para a cidade. Seu voto indicará o destino que se deseja. E vou me empenhar para que tal destino coincida com o caminho que o presidente Lula traçou para o país.

Como primeiro passo no sentido da união de São Paulo, assumo aqui o compromisso de, se eleita, constituir um Conselho da Cidade. Um conselho de representantes de todos os segmentos da população. Das entidades representativas da sociedade civil, dos empresários e dos sindicalistas, do comércio e da universidade, das igrejas, da cultura, do esporte e dos usuários dos serviços públicos. Com um só objetivo: realizar uma cruzada – e canalizar o esforço de todos, a fim de enfrentar as questões mais cruciais do município, a começar pelo transporte coletivo.

Tenho apoio do presidente Lula para, na articulação das três instâncias de governo, construir 228 km de corredores de ônibus e 47 km de metrô, nos próximos quatro anos. Para, assim, dar um salto de qualidade na vida paulistana, superando um problema crítico que vem prejudicando fortemente a economia urbana e a saúde da cidade e do cidadão. E assim como, para combater a segregação dos mais carentes, o metrô deve chegar a mais lugares da periferia, me comprometo a não criar qualquer pedágio urbano, que atingiria em cheio os menos privilegiados, sem resolver o problema do trânsito, como já ficou demonstrado em grandes cidades do mundo.

Quero também assumir uma nova atitude na questão tributária. Os níveis recordes de arrecadação da prefeitura permitem um amplo programa de incentivos à produção e ao empreendedorismo, tão forte em nossa capital, com desoneração dos impostos municipais e desburocratização dos procedimentos. E reafirmar meu compromisso de isentar os profissionais liberais autônomos do pagamento do ISS.

Com a união de todos os setores sociais, poderemos projetar São Paulo na era digital. Segmentos empresariais da área de informática já manifestaram interesse em participar do programa de acesso gratuito à internet banda larga em nossa cidade. O governo federal assinou convênio para equipar, com esse fim, 800 escolas municipais. E pretendo combinar esta ação com investimento em qualificação profissional no espaço dos CEUs, que, com a construção de mais 20 unidades, irão configurar a Rede-CEU.

Uma outra ofensiva do governo de união por São Paulo deverá se desenvolver no campo da saúde, diante da realidade da falta de médicos e de atendimento em especialidades. Venho propondo a criação de 31 policlínicas na cidade, uma em cada subprefeitura. E quero agora incorporar, ao desenho dessa rede, a proposta de criação de centros de atendimento aos idosos, apresentada pelo candidato Geraldo Alckmin.

Para finalizar, quero dizer que, para governar São Paulo e superar a crise que estamos vivendo, será fundamental a mobilização de nossas melhores energias. A coragem de ousar e inovar, combinando planejamento e imaginação. Generosidade e rigor.

São Paulo precisa crescer. Mas crescer com inclusão social. Crescer em benefício de todos. E é para isso que a todos convoco, no sentido da construção de um governo de união por São Paulo. Um governo voltado para construir uma cidade melhor, mais forte e mais justa.

17/10/2008 - 12:56h Marqueteiro admite erro de avaliação, mas defende peça

ELEIÇÕES 2008 / SÃO PAULO

João Santana diz que não calculou reações e que Marta desconhecia publicidade

Publicitário diz que intenção era “tocar no desconforto de eleitores kassabistas por não conhecerem bem a biografia do candidato”

RENATA LO PRETE – FOLHA SP

EDITORA DO PAINEL

Na berlinda desde domingo, quando foi ao ar o já célebre comercial com perguntas de natureza pessoal sobre Gilberto Kassab (”É casado? Tem filhos?”), João Santana, responsável pela propaganda de Marta Suplicy, “lamenta profundamente” “não ter previsto a onda que se formou”. Esse é, porém, o único erro que reconhece. A peça, em seu entender, “não transgride os limites da ética e da elegância”.

Na entrevista abaixo, a primeira em que trata do caso, Santana negou, como Marta já fizera, que as questões contivessem insinuação de homossexualidade. E repetiu a candidata do PT ao dizer que ela não viu a peça antes da exibição.

Marqueteiro da reeleição de Lula, Santana, 55, administra a ampla desvantagem de Marta a nove dias da votação final.

FOLHA – Até mesmo petistas e eleitores de Marta consideraram a peça “jogo sujo”, “insinuação maldosa”, “invasão de privacidade” etc. A campanha admite que errou?

JOÃO SANTANA
– O único erro foi não ter previsto a reação que o comercial provocaria em determinados setores. Uma reação causada, na maioria dos casos, por interpretações equivocadas. Tão logo verificamos isso, retiramos o comercial do ar.

FOLHA – A campanha alega que as duas perguntas não guardam relação com o assunto homossexualidade. Não lhe parece difícil fazer com que pessoas com algum discernimento acreditem nisso?

SANTANA
– São duas perguntas que todo mundo é obrigado a responder em várias situações na vida. Havia outras perguntas de natureza familiar (”É de família rica? Pobre?”) que tiveram de ser cortadas por ajuste de tempo. Sei que é difícil acreditar, mas o fato de as duas perguntas terem ficado no final não foi intencional.

FOLHA – Havia, então, uma definição estratégica de expor a vida privada do adversário?

SANTANA – Não havia e não há.
A definição estratégica era tocar no desconforto de eleitores kassabistas por não conhecerem a biografia do candidato. Toda vez que isso era estimulado nos grupos, esse desconforto se traduzia numa dúvida forte. Foi então que criamos uma série de comerciais para provocar reflexão. Não havia intenção de entrar no terreno que acabou gerando toda a polêmica. Tampouco surgiu essa reação nas pesquisas qualitativas.

FOLHA – Não lhe parece que foi subestimado o potencial de rejeição ao comercial por um tipo de público que não é entrevistado nas quális?

SANTANA – Infelizmente sim. Em especial pessoas que já tinham determinados preconceitos, informações mal resolvidas ou envolvimento emocional com a disputa eleitoral.

FOLHA – Marta teve conhecimento prévio do conteúdo do comercial?

JOÃO SANTANA – Não, ela realmente não viu o comercial antes de ir ao ar. Estava acertado, desde o primeiro turno, que eu tinha liberdade para tomar esse tipo de decisão, a depender de problemas de prazo.

FOLHA – O sr. acha que, se Marta tivesse visto, teria se oposto?

SANTANA – É difícil responder a esta pergunta agora. Mas talvez sim, por causa de seu “feeling” de psicóloga e da sensibilidade de pessoa que vive, constantemente, sob questionamento.

FOLHA – Culpar a mídia pela má repercussão não é uma forma de fugir à responsabilidade por uma decisão errada que a campanha tomou?

SANTANA
– Já disse que errei por não ter previsto a onda que se formou. Lamento profundamente. No entanto, não posso deixar de reconhecer que houve exagero e até manipulação.
Ninguém, por exemplo, publicou o texto completo do comercial. Ele não transgride, em nenhum momento, os limites da ética e da elegância. Em pesquisa que fizemos depois -e isso foi confirmado por reportagem da Folha-, a maioria das pessoas disse não ter sentido nenhuma malícia de natureza sexual no comercial. Somente começaram a interpretar isso depois da polêmica instaurada.

FOLHA – Acha relevante saber se o candidato é casado e se tem filhos?

SANTANA – Acho. O eleitor gosta e tem o direito de saber tudo sobre o candidato. Quer saber até para que time ele torce.
Além disso, o que nos interessava ali não era uma ou outra pergunta específica, e sim despertar no eleitor, por meio de uma série de questões, a dúvida sobre tudo o que ele desconhece a respeito de Kassab.

10/10/2008 - 13:28h O debate que importa

As reportagens do jornal Valor publicadas embaixo, no bairro de Santana, na Zona Norte e no bairro de Piraporinha, na Zona Sul, são ótimos. Eles retratam visões, motivações, preconceitos e argumentos presentes entre os habitantes da cidade. Mas “Santana”* não expressa as preocupações e os sentimentos da imensa maioria dos cidadãos de São Paulo. Não expressa tampouco as motivações da maioria do eleitorado, não só da Marta, mas mesmo de os outros candidatos que tiveram até votação consagradora em Santana.

Os argumentos e motivações expressos na reportagem sobre o voto, por parte de eleitores de Santana, mesmo pouco representativos dentro do universo eleitoral da cidade, são o alicerce que devidamente propalados pela mídia contribui a alimentar o voto anti-PT ou a famosa “rejeição” da Marta. Eles ocupam um espaço desmedido na mídia, a qual “agrega” este “moralismo” de circunstância a seus interesses anti-populares.

Muitos eleitores progressistas caem na armadilha de querer encaminhar as campanhas eleitorais visando desmontar e desmistificar esses argumentos para convencer esses eleitores, considerando que a classe média se espelha neles. O conservadorismo “moral” é um pretexto para votar em favor da direita. Por exemplo, a maioria dos eleitores de Santana votaram nos candidatos Alckmin e Kassab, mesmo que ambos tenha declarado que eram a favor da união cívil de pessoas do mesmo sexo. Argumentam contra o divorcio de Marta, e é o bairro que tem o maior número de divorciados da cidade, segundo a reportagem do Valor. Como já fora apontado pelo famoso Molière, a tartufice é a fantasia preferida dos pequenos burgueses, na procura para serem admitidos nos salões iluminados das classes dominantes. O pior é que no caso, eles se contentam em compartilhar os preconceitos, a ignorância e a pretensão sabendo que na festa do andar superior o “numerus clausus” esta reduzido a uns poucos.

Já “Piraporinha”* concentra os temas centrais da disputa eleitoral, não sem preconceitos e desinformação, porem concentrados na questões cruciais das aspirações da maioria da população da cidade, mesmo que na votação em Piraporinha apareça como minoritário o que está presente as vezes majoritariamente em outras regiões e vice-versa.

Os “temas” de “Piraporinha”* concernem todas as classes sociais, porem preocupam e motivam o voto essencialmente da classe média-média e da nova classe média, a dos assalariados e demais setores populares. Os resultados do primeiro turno na cidade e a definição do segundo turno dependerá das respostas de cada campo político e de seus partidos e candidatos a essas preocupações, críticas, dúvidas.

Já os argumentos de “Santana”* só servem de escudo hipócrita a uma minoría da classe média e alta. Eles servem essencialmente para a mídia alimentar seu ódio contra o PT e a Marta. Por isso ocupam um lugar de destaque nos jornais e com eles se detectam e deles falam até pelos cotovelos, comentaristas e “cientistas”, além de pretensos jornalistas que só se interessam pela vida privada da Marta e olham para outro lugar quando de outros se trata.

Acostumados como são a ofertar suas penas para qualquer baixaria em troca do “vil metal”, escrevem orgulhosos na casa de tolerância generosa em que se transformou uma parte da mídia. Devemos desmistificá-los e mostrar seus objetivos, apontar para seus argumentos preconceituosos e arrancar assim o disfarce que utilizam para ocultar o que são, verdadeiras sicofantas a serviço da direita.

Mas não perder tempo com eles na campanha eleitoral e ir ao encontro da discussão que interessa a maioria da população e que definirá seu voto.

Luis Favre

* Os nomes dos bairros, “Santana” e “Piraporinha”, entre aspas, não concernem nem os bairros e menos ainda seus habitantes. São utilizados aqui em refêrencia aos artigos do jornal Valor como representação dos argumentos retratados nesses artigos por pessoas de ambos os bairros. Qualquer generalização seria abusiva e seguramente nos dois lugares existem opiniões diferentes as retratadas na reportagem do jornal.

Clique na imagem para ampliar e ler ou veja nos post embaixo o conteúdo das reportagens

piraporinha_santana.jpg

22/09/2008 - 14:28h Rio: Paes sobe quatro pontos e aumenta vantagem sobre Crivella, aponta pesquisa

Eduardo Paes (PMDB) assume a liderança no Rio. Marcelo Crivella (PRB) em segundo
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colaboração para a Folha Online, no Rio

A 9ª pesquisa de intenção de votos feita pelo IBPS (Instituto Brasileiro de Pesquisa Social) na cidade do Rio de Janeiro aponta ampliação da vantagem do candidato a prefeito Eduardo Paes (PMDB) sobre o segundo colocado Marcelo Crivella (PRB). Paes tem 29% da preferência do eleitorado, quatro pontos percentuais a mais que na consulta anterior. Já Crivella soma 17%, dois pontos a menos do que tinha no levantamento divulgado dia 5 de setembro.

Jandira Feghali (PC do B) aparece com 11% das intenções de voto e Fernando Gabeira (PV), com 9% das preferências. Solange Amaral (DEM) caiu um ponto, para 4%; Alessandro Molon (PT) ficou estável em 4%. Chico Alencar (PSOL) perdeu dois pontos e agora tem 2%. Paulo Ramos (PDT) manteve o índice de 1% das preferências.

Votos nulos e brancos somam 7%. Os candidatos Felipe Pereira (PSC), Antonio Carlos (PCO), Eduardo Serra (PCB) e Vinícius Cordeiro (PT do B) não atingiram individualmente 1% das citações.

O instituto mediu ainda a rejeição dos candidatos. Crivella aparece em primeiro lugar, com 29%; seguido de Solange Amaral, com 11%; Gabeira, com 9%; Jandira Feghali, com 5%; Alessandro Molon, com 4%; Eduardo Paes, com 5%; Chico Alencar, com 2%; Paulo Ramos, com 2%; Felipe Pereira, com 2%; e Antonio Carlos, Eduardo Serra e Vinícius Cordeiro, com 1%.

Segundo turno

Na projeção de segundo turno entre Paes e Crivella, o peemedebista teria 55% contra 23% do adversário. Entre Paes e Jandira, segundo o IBPS, o primeiro teria 48%, contra 31% da candidata.

Em outro cenário de segundo turno, Jandira venceria Crivella por 48% a 28%. Já Gabeira teria 40% contra 35% de Crivella. Este último resultado mostra uma inversão de tendência, com a vitória de Gabeira pela primeira vez na série histórica.

Na aferição de voto espontâneo, 46% dos entrevistados responderam que ainda não têm candidato a prefeito para as próximas eleições. Entre os candidatos citados espontaneamente aparecem: Eduardo Paes (18%), Crivella (10%), Jandira (6%), Gabeira (7%), Chico Alencar (2%), Solange Amaral 2%, Alessandro Molon 2%, Paulo Ramos (1%).

Governantes

A 9ª pesquisa do IBPS mostra que o presidente Lula é aprovado (soma dos conceitos “muito bom”e “bom”) por 51% dos cariocas, considerado “regular” por 35% e reprovado (soma dos conceitos “ruim” e “muito ruim”) por 13%.

O governador Sérgio Cabral é aprovado por 31% dos cariocas, considerado “regular” por 44% e reprovado por 21%. O prefeito Cesar Maia é aprovado por 24% dos cariocas, considerado “regular” por 33% e reprovado por 40%.

Do total de entrevistados, 46% disseram que votariam em um candidato apoiado por Lula, outros 20% são indiferentes a esse apoio, enquanto 32% não votariam nesse candidato. Já 37% votariam em um candidato apoiado pelo governador, outros 21% são indiferentes, enquanto 38% não votariam nesse candidato. Há ainda 23% dos entrevistados que votariam em um candidato apoiado pelo prefeito, outros 17% são indiferentes a esse apoio, enquanto 55% não votariam nesse candidato.

Pesquisa

O IBPS ouviu 2.512 eleitores entre os dias 15 e 18 de setembro. A margem de erro é de dois pontos percentuais, para cima ou para baixo. A pesquisa foi registrada na 228ª Zona Eleitoral, sob o número 031/2008.

19/09/2008 - 14:50h Datafolha mostra que aumenta a rejeição a Kassab e cai a aprovação da sua gestão

http://www.estadao.com.br/estadaodehoje/20080620/img/11.7.imagem_kassab.jpgA pesquisa Datafolha de ontem sobre as eleições municipais em São Paulo teve como novidade, em relação as pesquisas anteriores do mesmo instituto, a de estabelecer um universo maior de pesquisados permitindo uma margem de erro de apenas dois pontos para mais ou para menos.

Quando as distancias são pequenas entre candidatos, uma margem de erro menor permite determinar melhor quando não existe empate, por exemplo, e quem esta na frente.

Pois bem, com margem de erro menor e mais precisão na amostra, o Datafolha registrou duas únicas mudanças acima da margem de erro: Caiu três pontos a aprovação da administração Kassab e aumentou de três pontos a rejeição de Kassab.

O resto está tudo igual à pesquisa anterior e dentro da margem de erro. O que fugiu da margem foi negativo para Kassab e só para ele.

Vale o registro do resultado do esforço por maior precisão feito pela Folha e seu instituto. LF

19/09/2008 - 09:29h DATAFOLHA RIO: disputa acirrada pelo 2º lugar

No Datafolha, Paes lidera com 26%; já Crivella, Jandira e Gabeira estão embolados

Cláudia Lamego e Fábio Vasconcelos – O Globo

A18 dias da eleição, embolou a disputa pela prefeitura do Rio, mas pelo segundo lugar.
Pesquisa Datafolha encomendada pela Rede Globo e pela “Folha de S.Paulo” mostra que o candidato do PMDB, Eduardo Paes, subiu um ponto mas consolidou-se na liderança, com 26% das intenções de voto.

Em segundo lugar aparece Marcelo Crivella (PRB), que tinha 21% e caiu para 18%. O senador, porém, está tecnicamente empatado com Jandira Feghali (PCdoB), que foi de 12% para 13%. O candidato do PV, Fernando Gabeira, vem logo atrás, já que subiu três pontos e hoje tem 11%. Com este resultado, ele fica tecnicamente empatado com Jandira, porque a pesquisa tem margem de erro de três pontos percentuais, para mais ou para menos.

Em quinto lugar, Solange Amaral (DEM), candidata do prefeito Cesar Maia, caiu dois pontos e agora tem apenas 5%. Em seguida, surge Alessandro Molon (PT), que subiu um ponto, passando para 4%. Chico Alencar (PSOL) foi de 4% para 3% e Paulo Ramos passou de 1% para 2%.

Em branco e nulos somam 11%, e 6% dos eleitores disseram que não sabem em quem vão votar ou não opinaram. Filipe Pereira (PSC) e Eduardo Serra (PCB) atingem 1%, cada. Já Antonio Carlos (PCO) e Vinicius Cordeiro não pontuaram. Gabeira comemorou a divulgação dos números, dizendo que agora aparece para o eleitorado como candidato viável para ir ao segundo turno. Ele disse acreditar que quem o considerava bom candidato, mas estava indeciso, agora vai mudar.
— Estou crescendo, e isso é bom para que as pessoas acreditem que posso chegar ao segundo turno. Acredito que vou crescer ainda entre os indecisos. A disputa vai ser muito emocionante, voto a voto — disse Gabeira. O candidato disse que estava perdendo eleitores para o chamado voto útil contra o senador Crivella. Gabeira afirma que pode conseguir votos de outros adversários também.

— Preciso fazer com que o voto útil não seja contra mim. Vou continuar trabalhando por mais eleitores.

Crivella tem a mais alta rejeição: 34%

Eduardo Paes, que pela primeira vez lidera fora da margem de erro, também comemorou o resultado: — Vejo com muita alegria, mas com humildade, porque tem muito trabalho pela frente. Pelo que leio nos jornais, existe equilíbrio das intenções de voto em todas as classes sociais.Acho que isso é muito bom. Com os dados, Jandira disse estar convencida de que vai disputar o segundo turno.

— Essa possibilidade vem se reafirmando a cada pesquisa. Temos um número de indecisos enorme na pesquisa espontânea do Rio. Além disso, tenho sentido o carinho das ruas. Procurado, Crivella não quis comentar a pesquisa. Nas simulações de segundo turno, Eduardo Paes ganha dos dois principais adversários. Com Crivella, o placar ficaria em 53% a 32% para o peemedebista. Se fosse contra Jandira, ele venceria por 48% a 37%. Se a disputa fosse entre Jandira e Crivella, a candidata ganharia por 47% a 36%.

Crivella é o candidato mais rejeitado, com 34% de eleitores que não votariam nele de jeito nenhum. Solange e Gabeira vêm em seguida, com índices de 26% e 22%, respectivamente. Molon tem 18% de rejeição e Paes, 15%. Filipe Pereira é rejeitado por 14%; Chico Alencar por 13%; Vinicius Cordeiro e Paulo Ramos com 12%, cada, Eduardo Serra com 10% e, com a menor taxa de rejeição, Antonio Carlos (6%). (O site do Datafolha não tinha ontem à noite o índice de rejeição de Jandira). O Datafolha entrevistou 930 eleitores entre os dias 17 e 18 de setembro. A pesquisa foi registrada no Tribunal Regional Eleitoral do Rio sob o número RPE 32/2008.

18/09/2008 - 19:50h Datafolha: Marta continua na liderança, com 37%; Alckmin e Kassab estão empatados, com 22%

Datafolha

Eleições2008 -18/09/2008

Faltando 17 dias para o primeiro turno da eleição para prefeito de São Paulo, Marta Suplicy, do PT, continua em primeiro lugar na preferência dos eleitores paulistanos, com 37% das intenções de voto, segundo pesquisa realizada pelo Datafolha nos dias 17 e 18 de setembro. O segundo lugar segue sendo disputado por Geraldo Alckmin, do PSDB, com 22% das preferências, e pelo atual prefeito, Gilberto Kassab, do DEM, que obtém percentual idêntico ao obtido pelo tucano. Em comparação com o levantamento anterior, realizado há uma semana, nos dias 11 e 12, foram registradas oscilações dentro da margem de erro, de dois pontos percentuais, para mais ou para menos. A taxa de intenção de voto em Marta se manteve idêntica. Kassab oscilou um ponto para cima (atingia 21%) e Alckmin teve uma variação positiva de dois pontos percentuais (tinha 20%). É a primeira vez, desde o final de julho, que o candidato tucano obtém uma oscilação positiva.

O ex-prefeito Paulo Maluf (PP) oscilou de 8% para 7% das preferências e Soninha (PPS) oscilou de 4% para 3%. Ivan Valente (PSOL) atinge 1% das intenções de voto. Anaí Caproni (PCO), Ciro (PTC), Edmilson Costa (PCB) e Renato Reichmann (PMN), foram citados, mas não atingiram 1% das menções. O nome de Levy Fidelix (PRTB) constava do cartão circular apresentado aos entrevistados, mas ele não foi citado.

Se a eleição fosse hoje, 4% votariam em branco ou anulariam o voto, mesmo percentual dos que não saberiam em quem votar.

Foram ouvidos 1666 eleitores da cidade de São Paulo, a partir dos 16 anos de idade.

O levantamento também mostra pequenas variações no que diz respeito à intenção de voto espontânea, às simulações de segundo turno e às taxas de rejeição dos candidatos.

Cerca de um terço (28%) diz, espontaneamente, antes da apresentação dos nomes dos candidatos, que gostariam de votar em Marta Suplicy para prefeita, taxa idêntica à registrada no levantamento da semana passada. O percentual dos que mencionam Gilberto Kassab espontaneamente oscilou de 15% para 17%, seu melhor índice até o momento. Geraldo Alckmin é citado de maneira espontânea por 14%, taxa que era de 12% no levantamento anterior. Não sabem dizer, espontaneamente, em quem vão votar para prefeito em 5 de outubro, 28% (eram 31% na pesquisa anterior).

Simulações de segundo turno mostram empate entre Marta e seus possíveis adversários

Se o segundo turno fosse realizado hoje, entre Marta Suplicy e Gilberto Kassab, 46% dos eleitores da capital paulista votariam na candidata do PT, e 45% optariam pela reeleição do democrata. Ocorre, portanto, empate entre os dois, em razão da margem de erro de dois pontos percentuais. Há uma semana, Marta obtinha 48% e Kassab atingia 44%.

Dos que declaram intenção de votar em Geraldo Alckmin no primeiro turno, 72% votariam em Kassab em uma segunda votação; 18% dariam seu voto a Marta. A maior parte dos eleitores que têm intenção de votar em Paulo Maluf (53% deles) daria seu voto ao democrata; 31% votariam na petista.

A simulação de uma disputa entre Marta e Geraldo Alckmin continua mostrando um empate entre os dois: 47% votariam na petista e percentual idêntico optaria pelo candidato tucano. O resultado é idêntico ao registrado há uma semana.

A maioria (70%) dos eleitores que votariam em Kassab no primeiro turno optaria por Geraldo Alckmin no segundo; 23% votariam em Marta. Entre os potenciais eleitores de Maluf, 66% votariam no peessedebista e 26% optariam pela petista.

Se a disputa fosse entre Alckmin e Kassab, o tucano, com 47% do total de votos, venceria o oponente democrata, que teria 40%.No começo do mês, o peessedebista tinha 18 pontos de vantagem sobre o atual prefeito (52% a 34%).

Nesse caso, metade (49%) dos que pretendem votar em Marta no primeiro turno ficaria com Geraldo Alckmin; um terço (32%) optaria pela reeleição do atual prefeito. A maioria (54%) dos eleitores de Maluf ficaria com o tucano, ante 32% que dariam seu voto ao democrata.

Rejeição a Kassab pára de diminuir

A rejeição a Kassab, que vinha caindo a cada pesquisa, oscilou para cima: o percentual dos que não votariam de jeito nenhum no democrata no primeiro turno da eleição para prefeito passou de 22% na semana passada para 24% hoje. Essa taxa continua inferior à obtida por Marta Suplicy, que oscilou de 33% para 34%, e superior à que obtém Geraldo Alckmin, que se manteve em 17%.

Paulo Maluf segue liderando o ranking de rejeição, com 58% de eleitores que não votariam de jeito nenhum no ex-prefeito. Essa taxa era de 57% no levantamento anterior.

Vêm a seguir Levy Fidelix, Soninha (17% de rejeição, cada), Ciro (15%), Ivan Valente (13%), Anaí Caproni , Edmilson Costa e Renato Reichmann (12% de rejeição, cada).

Votariam em qualquer um dos candidatos 2%, mesmo percentual dos que não votariam em nenhum deles.

São Paulo, 18 de setembro de 2008

DATAFOLHA

08/09/2008 - 08:54h Luizianne (PT) chega a 44% e lidera isolada disputa em Fortaleza

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Petista tem vantagem de 22 pontos sobre Moroni Torgan, do DEM, que está empatado tecnicamente com Saboya, do PDT

O crescimento de Luizianne foi acompanhado também pela queda de sua taxa de rejeição, que passou de 29% para 26%, em 15 dias

KAMILA FERNANDES DA AGÊNCIA FOLHA, EM FORTALEZA

Antes equilibrada, a disputa pela Prefeitura de Fortaleza mostra agora Luizianne Lins (PT) abrindo uma vantagem de 22 pontos percentuais sobre o seu principal adversário, Moro­ni Torgan (DEM), segundo a úl­tima pesquisa Datafolha.

Em 15 dias, a petista, que ten­ta a reeleição, ganhou nove pontos e tem 44% das inten­ções de voto. Moroni perdeu sete e está com 22%, empatado tecnicamente com Patrícia Sa­boya (PDT), que manteve 19%.

O crescimento de Luizianne foi acompanhado também pela queda de sua taxa de rejeição, que passou de 29% para 26%.

Moroni, por sua vez, vive um movimento inverso, chegando a 37% de rejeição, contra 31% na pesquisa anterior. Patrícia ficou estável, com 20%.
A pesquisa foi realizada nos dias 5 e 6, com 816 eleitores. A margem de erro é de três pon­tos percentuais. O jornal “O Po­vo”, de Fortaleza, foi quem con­tratou a pesquisa, registrada no TRE com o nº 92.292/2008.

No levantamento divulgado no começo de agosto, antes do horário eleitoral, Luizianne e Moroni apareciam rigorosa­mente empatados, com 30% cada um. Na enquete seguinte, divulgada há 15 dias, ainda ha­via um empate técnico, mas com Luizianne chegando a 35% e Moroni, a 29%. Patrícia ape­nas oscilou de 22%, na primeira pesquisa, para 19% na segunda, e manteve o resultado agora.

Luizianne tem usado a pro­paganda eleitoral para enfati­zar a importância da parceria dela com o presidente Luiz Iná­cio Lula da Silva e com o governador Cid Gomes (PSB). O slo­gan é “Fortaleza três vezes mais forte”. Na campanha de rua, há um forte trabalho para reforçar que Moroni é de parti­do contrário ao presidente.

O democrata também é acu­sado de não ter “identidade” com a cidade (ele é gaúcho e passa mais tempo em Brasília, onde atua como assessor).
Num contra-ataque, a campa­nha de Moroni acusa Luizianne de “xenofobia”.

05/09/2008 - 13:55h Rio: Paes ultrapassa Crivella e assume a liderança no Rio

Pesquisa IBPS

Eduardo Paes (PMDB) assume a liderança no Rio. Marcelo Crivella (PRB) em segundo
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O Globo Online

RIO – Pesquisa do Instituto Brasileiro de Pesquisas Sociais (IBPS), divulgada nesta sexta-feira, mostra uma mudança de cenário na disputa pela Prefeitura do Rio. Na oitava consulta de intenção de votos feita pelo instituto, Eduardo Paes (PMDB/PTB/PP/PSL) passou a frente de Marcelo Crivella (PRB/PR/PSDC/PRTB). Paes, que em agosto tinha 16% da intenção de votos, agora aparece com 25%. Já o senador, que antes tinha 20%, obteve 19% este mês.

Jandira Feghali (PCdoB/PTN/PHS/PSB) ocupa o terceiro lugar, com 12% da preferência do eleitorado, seguida por Fernando Gabeira (PV/PSDB/PPS), com 8%. Solange Amaral (DEM/PTC/PMN) tem 5% da intenção de voto, Chico Alencar (PSOL/PSTU) e Alessandro Molon (PT) têm 4%; e Paulo Ramos tem 1%. Votos brancos e nulos somam 9%. Os candidatos Filipe Pereira (PSC), Antônio Carlos (PCO), Eduardo Serra (PCB) e Vinicius Cordeiro (PTdoB) não atingiram 1%.

Marcelo Crivella é o candidato com maior índice de rejeição, com 32%, seguido por Solange, com 15%; Gabeira, com 11%; Jandira, com 8%; Molon, com 7%, Paes, com 6%; e Chico Alencar, Paulo Ramos e Felipe Pereira, com 4%.

Em um possível segundo turno entre Jandira e Crivella, a candidata venceria com 46%, contra 32%. Crivella venceria, com 39%, o candidato Fernando Gabeira 36%. Já Eduardo Paes venceria Crivella, com 53% contra 28%. Paes também derrotaria Jandira, com 47%, contra 34%.

A pesquisa, registrada na 228ª ZE, sob o número 025/2008, ouviu 1.100 entrevistados, por telefone, entre os dias 2 e 4 de setembro. A margem de erro é de 3%, para mais ou para menos.

02/09/2008 - 13:19h De olho na TV: Maluf, logo ele, ataca Marta

http://oglobo.globo.com/blogs/arquivos_upload/2008/09/129_126-Cila%20-%202.jpgpor Cila Shulman* – BLOG DE NOBLAT

A rejeição de 58% dos eleitores, segundo o Instituto Datafolha, faz do candidato Paulo Maluf (PP) o maior ausente dos programas eleitorais em São Paulo. Inclusive do seu.

Ainda assim, hoje ele teve seus quatro minutos e setenta e dois segundos de fama ao ser o primeiro a utilizar no horário de propaganda eleitoral na televisão o desastrado conselho dado aos passageiros de avião em plena crise aérea pela candidata Marta Suplicy (PT) quando era ministra do Turismo: “Relaxa e goza porque você vai esquecer dos transtornos”.

O programa de Maluf atacou Marta do começo ao fim, responsabilizando a ex-prefeita pelo caos na saúde e por fazer promessas e não cumprir.

“Marta relaxou com o povo sofrendo” e “até hoje cruza os braços para o sofrimento do povo”, bradou um estridente locutor, tendo ao fundo a foto de campanha de Marta com o rosto cortado, foco em seus braços cruzados, finalizando o programa com a tal declaração.

Tudo muito bem se Maluf não fosse ele próprio o autor da frase campeã na mistura de sexo, violência e machismo em campanha eleitoral.“Tá bom, está com vontade sexual, estupra mas não mata”, disse ele na eleição presidencial de 1989.

É, parece que a rejeição subiu definitivamente à cabeça de Maluf.

*A jornalista Cila Schulman é estrategista e coordenadora de comunicação de campanhas eleitorais desde 1988. Estudou na “Graduate School of Political Management” da “George Washington University” e é membro e palestrante de entidades internacionais como IAPC – Associação Internacional de Consultores Políticos -, EAPC – Associação Européia de Consultores Políticos e Alacop – Associação Latino Americana de Consultores Políticos.

28/08/2008 - 18:44h Campanha de manipulação no ar

“Desde que a disputa passou a ter segundo turno, não há registro de candidato vitorioso em São Paulo que tenha iniciado o horário eleitoral com rejeição tão alta como Marta Suplicy (31% na última pesquisa do Datafolha).” Assim começa o post de Roberto Dias no blog da Folha, Campanha no ar.

Com um ar de científico.

Poderíamos reescrever assim: “Desde que a disputa passou a ter segundo turno, não há registro de candidato vitorioso em São Paulo que tenha iniciado o horário eleitoral com rejeição de 32% e intenção de voto em 14%, como é o caso de Kassab.”

Eleições municipais em dois turnos em São Paulo teve apenas 4, o que convenhamos é bem pouco para estabelecer uma probabilidade estatísticamente significativa.

A questão da rejeição evidentemente é importante se analisada na sua relação com intenção de voto.

No caso que estamos analisando é outra coisa. Vontade deliberada de um grupo de jornalistas de alimentar uma campanha, sonegando e manipulando a informação.

Qual é o objetivo?

LF

28/08/2008 - 18:12h Memória

Contribuição aos estudos avançados de Roberto Dias e Josias de Souza, da Folha.

Reproduzo a seguir as intenções de voto em favor de Marta Suplicy a partir da pesquisa Datafolha de 12 de julho 2000 até as vésperas do primeiro turno, pesquisa Datafolha de 29 de setembro 2000. No quadro só figuram os resultados de Marta nas pesquisas Datafolha e IBOPE, os maiores institutos. Em 2000, Marta obteve 33% (equivalente a 38% dos votos válidos) no primeiro turno e 58% no segundo turno, contra 42% de Maluf. Na pesquisa Datafolha do 29 de junho 2000, a rejeição de Marta era de 37%.

 As pesquisas do ano 2000, quando Marta foi eleita prefeita

Datafolha 12/jul 31%
Ibope 17/jul 26%
Datafolha 26/jul 33%
Ibope 06/ago 29%
Datafolha 10/ago 36%
Datafolha 17/ago 32%
Ibope 22/ago 30%
Datafolha 25/ago 31%
Datafolha 29/ago 30%
Datafoha 01/set 29%
Ibope 04/set 31%
Datafolha 05/set 29%
Ibope 08/set 33%
Datafolha 13/set 34%
Datafolha 15/set 32%
Datafolha 22/set 35%
Datafolha 26/set 33%
Datafolha 29/set 34%

28/08/2008 - 17:48h A rejeição da Folha está a quantas?

bicho-papao.jpg

Continua a campanha da Folha sobre a rejeição. Agora é um tal de Roberto Dias, no Blog no ar da Folha que se lança com o ar de quem não quer a coisa, na manipulação.
Caro Roberto, A rejeição de Kassab e de Maluf é superior a da Marta.
Que tal você reescrever sua nota?
Ou seguindo sua lógica porque você não diz que Maluf e Kassab tem muito pouca chance porque nunca alguém com tais índices de rejeição se elegeu em Sao Paulo?
Inclusive em 2000, quando Marta foi eleita prefeita pela primeira vez (escrevo assim de propósito), ela já teve 37% de rejeição, acima de sua rejeição atual e isto mudou, Marta foi eleita ( a famosa “rejeição” de Marta na pesquisa Datafolha de 29 de junho de 2000 era de 37%).

Não sei se a rejeição da Marta explica qualquer coisa, mas a insistência de certos jornalistas da Folha (ontem foi o Josias, agora é o Roberto) a ocultar que Kassab tem rejeição superior a da Marta começa a ser muito suspeita. LF

Blog no ar : O fator rejeição
O mantra

Rejeição e intenção de voto

 rejeição  intenção de voto
 Maluf 61% 09%
 Kassab 32% 14%
 Marta 31% 41%
 Alckmin 18% 24%

27/08/2008 - 13:04h O mantra

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“A petista é, entre todos os candidatos à prefeitura, a que tem a maior taxa de rejeição.”

Hoje no Blog de Josias (jornalista Folha de São Paulo)

Pesquisa Datafolha 

Rejeição e intenção de voto

 rejeição  intenção de voto
 Maluf 61% 09%
 Kassab 32% 14%
 Marta 31% 41%
 Alckmin 18% 24%

27/08/2008 - 11:12h Por partes

http://39escalones.files.wordpress.com/2008/02/jack-el-destripador2.jpghttp://romanticelegance.r.o.pic.centerblog.net/x3303197.jpg

Fugindo de meu estilo, decidi dar uma de Jack ou de Frankestein e comentar por partes o artigo do jornal Valor “Marta aposta em 2º turno com Alckmin” de César Felício e Cristiane Agostine. Em itálico meus comentários. LF

“Nas campanhas dos candidatos à Prefeitura de São Paulo Marta Suplicy (PT), Geraldo Alckmin (PSDB) e Gilberto Kassab (DEM) há um consenso: o candidato tucano, que saiu do empate técnico com a líder Marta Suplicy nas pesquisas de opinião para cair em um nível próximo de Kassab, o terceiro colocado, já chegou ao seu piso nas sondagens de intenção de voto.”

Não, o candidato tucano não caiu “em um nivel próximo de Kassab”. É não existe até certo ponto “piso”, nem teto, para ninguém.

“As pesquisas de consumo interno dos comitês de campanha, feitas diariamente pelo modelo conhecido como “tracking”, mostram o candidato tucano estável há alguns dias em um nível inferior ao mostrado nas pesquisas divulgadas na semana passada, mas ainda bem à frente do candidato do DEM, que segue em crescimento muito pequeno. A avaliação de petistas, tucanos e integrantes do DEM é que o quadro indica a realização de 2º turno, tendo a petista presença garantida na segunda rodada. A vitória da Marta Suplicy (PT) no primeiro turno é vista como remota no PT e no DEM e impossível no PSDB alckmista.”

Não conheço a informação, porém se Alckmin está estável “bem à frente do candidato do DEM”, então não estava “em um nivel próximo de Kassab”.

“Segundo o coordenador da campanha de Alckmin, o deputado Edson Aparecido (PSDB-SP), e integrantes da campanha de Kassab, o candidato tucano perdeu fôlego em razão da falta de volume de campanha. Nas últimas semanas, apoiadores de Marta e de Kassab fizeram visitas domiciliares na periferia, técnica considerada eficiente para captar votos. “A campanha na televisão não foi determinante para o movimento nas pesquisas. A imensa maioria das pessoas que entrevistamos não assistiram nem ao primeiro, nem ao segundo programa”, disse o tucano.”

Pode ser. A mensagem entregue pela TV, ou pelo visitador, têm impacto sim mas não faz milagre. A forma é muito importante, mas o conteúdo é essencial.

“Na avaliação de integrantes do DEM, os votos de Alckmin nas últimas semanas migraram majoritariamente para os indecisos. “Um grande contingente dos eleitores de Alckmin optavam pelo tucano por serem fundamentalmente anti-petistas. Como Kassab também disputa o anti-petismo, determinada parte dos eleitores decidiu aguardar para observar qual dos dois derrotará Marta mais facilmente”, opinou um estrategista de Kassab.”

Opinião, de todos deve ser respeitada. Nas “últimas semanas” Marta cresceu 5 pontos na pesquisa, Alckmin caiu 8 e Kassab subiu 3, Maluf 1. Como os indecisos, brancos e nulos não aumentaram na pesquisa Datafolha e sim diminuíram…

“Segundo tucanos e integrantes do DEM, a rejeição individual a Marta é a segunda maior entre todos os candidatos, excetuando Paulo Maluf (PP). E a eleição em São Paulo é excepcionalmente pulverizada, com quatro candidatos acima de dois dígitos nas pesquisas. Estes dois fatores afastam a hipótese de vitória de Marta no primeiro turno.”

Curioso os jornalistas nada comentarem e a inverdade ser propalada como “opinião”. Na última pesquisa Datafolha a maior rejeição é a do Maluf. Depois a do Kassab e só em terceira aparece Marta. Os jornalista o reconhecem? Então porque não nos informar as cifras exatas e procuram saber se a rejeição preocupa Kassab, qual seria o motivo de tamanha rejeição? arrogância? “vagabundo”? pfl? o fato de ser contra Alckmin?

“O próprio PT trabalha com dois turnos. E aposta que a segunda rodada aconteceria contra o PSDB. Para os petistas, a possibilidade de Marta vencer no primeiro turno só aconteceria se a candidata atingisse mais de 47%, o que consideram improvável. Marta já fala abertamente que está investindo em estratégias para o segundo turno. A principal delas é tirar mais vantagem da divisão do PSDB com o DEM. Se houver segundo turno, o PT tentará atrair o apoio de Kassab, que reúne os tucanos rebelados contra Alckmin,”

“Ontem, a petista deu uma demonstração da relação cordial que procura manter com a campanha de Kassab. Ela elogiou o secretário dos Esportes de Kassab, Walter Feldmann, tucano histórico e um dos principais críticos a Alckmin. Após um debate presidido pelo ex-governador Cláudio Lembo, apoiador de Kassab, na Federação do Comércio do Estado de São Paulo, Marta recebeu elogios de Lembo, que disse ter gostado do tom da candidata. Lembo comentou a falta de verbas na campanha tucana: “Parece que a fadiga dos metais atingiu mais a figura do Alckmin, porque não tem sido genérico o pouco investimento em campanhas. Creio que Alckmin deveria refletir mais”, disse.”

“As pesquisas realizadas pela campanha de Marta trazem índices semelhantes ao do Datafolha, na qual a petista tem 41% das intenções de voto, seguida por Alckmin, com 24% e Kassab, 14%. Segundo o coordenador da campanha petista, Carlos Zarattini, os votos que Alckmin perdeu foram, em sua maioria, para Marta. “É falsa a idéia de que o eleitor que vota em Alckmin votaria também em Kassab”, comentou Zarattini.”

“Para o PT ainda não é preocupante a taxa de rejeição de Marta. “À medida em que aumentar a intenção de votos dela, diminuirá a rejeição”, disse Zarattini. A taxa de Marta é de 31%. Kassab tem o mesmo índice e Alckmin tem 18%, segundo o Datafolha. (Com agências noticiosas).”

E para o DEM, uma rejeição superior ao dobro das intenções de voto, não preocupa? Sumirá como por arte de magia? tem a ver com os ataque contra Marta e o PT? os analistas que pensam? é possivel um candidato com 14% de intenção de voto e 32% de rejeição, caso de Kassab, ganhar uma eleição? Ou para falar em Alckmin com rejeição baixa, sua intenção de voto está 6 pontos acima da sua rejeição, Marta está com a mesma relação entre voto e rejeição, a intenção de voto alguns pontos acima da rejeição. Que tal evitar os clichês e a propaganda? LF

25/08/2008 - 14:00h O bom diagnóstico

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Pode parecer paradoxal mas os colunistas pro-Kassab dos jornais parecem estar mais nervosos. Seja no jornal Valor, seja na Folha de São Paulo ou no O Globo, atacam com veemência a campanha Alckmin. O eixo da crítica é desqualificar Alckmin como candidato tucano (teria deixado de sé-lo, em benefício de Kassab) ou questionam Alckmin por criticar a administração demo-tucana de Kassab, em detrimento dos ataques ao PT.

Depois da edição feita pela Folha dos resultados da pesquisa (imediatamente usada pela campanha Kassab na TV), alguns proclamam nas suas páginas que o essencial agora é a disputa entre Alckmin e Kassab, para depois ver quem disputará com Marta. Afirma-se, sem um pingo de argumento, que “Alckmin caiu e Kassab subiu”, para tentar induzir a idéia que existem vasos comunicantes exclusivos entre ambos, quando o Datafolha mostrou que Marta foi a principal beneficiária da queda de Alckmin e não Kassab. Paradoxalmente, a torcida em favor de Kassab é bom para o PT e para sua candidata, mesmo que a intenção desses torcedores não seja essa.

A artilharia dos Kassabistas está focada na desestabilização do marketing da campanha Alckmin e evitar que ela continue batendo na tecla da saúde, contra o prefeito. Procuram “vender” uma administração bem avaliada, para permitir que Kassab progrida e consiga derrubar Alckmin. A manobra visa a transformar Alckmin em candidatura residual, para transformá-la em linha auxiliar da campanha de Kassab à prefeitura e a mais longo prazo, preservar a candidatura tucano-paulista ao planalto. Em complemento da “boa administração”, procuram apresentar Kassab quase mais tucano que o representante do PSDB.

Estamos assistindo a tentativa de “cristianização” da candidatura Alckmin e de “tucanização” do Kassab.

Só que tem um porém…

Vejam o que aconteceu em Recife e em Belo Horizonte. Em Recife com Costa e em Belo Horizonte com Lacerda, ambos candidatos da continuidade e de prefeituras e governos bem avaliados. Ambos permaneciam embaixo nas pesquisas e pularam para o primeiro lugar com o começo da propaganda eleitoral gratuita. Não sendo candidatos conhecidos, bastou a TV mostrar que eram os representantes de seus respectivos governos para alavancar uma subida espetacular.

Aqui isto por enquanto não aconteceu, apesar da vontade dos que “editaram” a pesquisa Datafolha para vender semelhanças. Aqui em São Paulo, ao que tudo indica, a queda de Alckmin em favor de Marta foi anterior ao começo do programa eleitoral, como já tinha captado a pesquisa Ibope (Ver Datafolha confirma Marta em primeiro lugar e Alckmin segundo).

Após o programa eleitoral, mesmo dispondo de maior tempo na TV, de uma propaganda bem focada, do apoio da publicidade estadual e das máquinas respectivas, o candidato Kassab oscilou positivamente de apenas 3 pontos. Eles foram suficientes para seus apoiadores na mídia saírem a campo com força total e poderão, se atingirem seu objetivo, precipitar uma crise na campanha Alckmin. Isto é bom para Marta e o PT.

É aquela história da qual o méga-especulador Soros já tinha falado “da profecia que se auto-realiza”. A força de falar da catástrofe, as falas provocam o pânico, o qual acaba provocando a catástrofe. Só que mesmo falando que Brasil viraria uma Argentina em crise (a “catástrofe” a qual Soros se referia na época), o prognostico não se materializou, entre outras coisas porque Lula não entrou em pânico e o governo federal fez o que devia ser feito.

Para a campanha de Marta esta movimentação tem importância. Nos dois últimos meses a ação de desestabilização lançada contra Alckmin contribuiu a fincar com mais força ainda a candidata na preferência do eleitorado. A pressão atual pode permitir um enfraquecimento de Alckmin, uma boa subida de Kassab, acirrando a disputa entre eles. E persistindo Kassab na linha agressiva contra o PT, aumentando ainda mais sua rejeição, o que ajudará a reforçar as condições da vitória eleitoral no segundo turno. Não cabe a nós escolher o adversário e sim apresentar nosso diagnóstico da realidade e as propostas para enfrentar os desafios de São Paulo. Para isto é fundamental que Alckmin não consiga “roubar” da candidatura Marta seu caráter de oposição a administração Kassab, perigo presente na inteligente exploração que ele começou a fazer na questão da saúde. LF

24/08/2008 - 09:11h Pela 1ª vez, petista aparece na frente de tucano no 2º turno

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DA REPORTAGEM LOCAL

Pela primeira vez em um ano -período em que o Datafolha começou a fazer levantamentos sobre a sucessão municipal de 2008-, a ex-prefeita Marta Suplicy (PT) aparece na frente do ex-governador Geraldo Alckmin (PSDB) numa simulação de segundo turno.
Segundo o Datafolha, Marta teria 49% das intenções de voto contra 44% de Alckmin, num eventual segundo turno, se as eleições fossem hoje. Na pesquisa anterior, de 23 e 24 de julho, Alckmin tinha 51%. Marta, 43%. A margem de erro é de três pontos percentuais, para mais ou para menos.
Ainda segundo o Datafolha, Marta herdaria 20% dos eleitores do prefeito Gilberto Kassab (DEM). Alckmin, 73%.
Num segundo turno, Marta derrotaria Kassab por 55% a 35%. Alckmin venceria Kassab por 57% a 28%.
O índice de rejeição a Marta oscilou negativamente desde julho, passando de 34% para 31%. Essa taxa chega a 64% entre os eleitores com renda mensal superior a dez mínimos.
A rejeição a Marta é quase o dobro da de Alckmin: 18%. Kassab enfrenta 32% de rejeição. Já o ex-prefeito Paulo Maluf (PP) amarga um índice de rejeição de 61%, cinco pontos a mais do que na pesquisa anterior.

Leia também

Folha edita pesquisa Datafolha

Minha analise do Datafolha esta em

Datafolha confirma Marta em primeiro lugar e Alckmin segundo

23/08/2008 - 22:59h Folha edita pesquisa Datafolha

A Folha de SP, na sua edição de domingo disponivel nas bancas no sábado (edição São Paulo, concluída às 14H), edita a pesquisa Datafolha para não destacar a liderança de Marta e alavancar a candidatura de Kassab, em detrimento de Alckmin. A manchete é: “Diferença Alckmin/Kassab cai à metade”.

O Datafolha, instituto de pesquisas, apresentou seus resultados assim:

“A candidata do PT à prefeitura de São Paulo, Marta Suplicy, atinge 41% das intenções de voto, e abre uma vantagem de 17 pontos percentuais sobre o segundo colocado, Geraldo Alckmin, do PSDB, que obtém 24% das preferências, segundo pesquisa realizada pelo Datafolha nos dias 21 e 22 de agosto, a 44 dias do primeiro turno da eleição. No levantamento anterior, realizado nos dias 23 e 24 de julho, Marta e Alckmin empatavam, em razão da margem de erro da pesquisa, de três pontos percentuais: a petista atingia 36% e o tucano obtinha 32% das intenções de voto. Em um mês, a ex-prefeita ganhou cinco pontos percentuais, enquanto o candidato do PSDB perdeu oito.

A pesquisa, a primeira após o início da exibição do horário gratuito dos candidatos a prefeito na TV, no dia 20, também mostra que Marta empata com Alckmin em simulação de segundo turno, além de crescimento na taxa de intenção de voto espontânea e ligeira variação na taxa de rejeição à petista.” (reproduzido na integra em Pesquisa Datafolha).

A apresentação da Folha não destaca estes fatos.

Os números mostram que Marta ganhou seus cinco pontos de crescimento em detrimento do segundo colocado, que perdeu 8 pontos. A pesquisa mostra que o crescimento de Marta reverteu em seu favor o favoritismo na simulação do segundo turno: Marta vence Alckmin (diferentemente da pesquisa Datafolha anterior). Marta cresce na espontânea e no quesito rejeição ela diminui, sendo ultrapassada por Kassab que aparece com 32% de rejeição (a rejeição de Kassab oscilou para cima na mesma porcentagem que sua intenção de voto: 3 pontos, dentro da margem de erro).

Marta abre uma distancia de 17 pontos com o segundo colocado, Alckmin. Ela amplia a distancia que a separa de Kassab em 27 pontos (na pesquisa anterior está distancia era de 25 pontos).

Estes são os dados principais da pesquisa. A principal beneficiaria da queda de Alckmin é Marta. Ela cresce acima do eleitorado de Alckmin e Kassab só residualmente aproveita essa queda de Alckmin, oscilando positivamente de 3 pontos, ou seja dentro da margem de erro.

Na Folha de amanhã tudo isto é obscurecido ao ponto de Marta sumir da principal manchete da primeira página que proclama: “Diferença Alckmin/Kassab cai à metade”.

O fato de Marta pela primeira vez no Datafolha aparecer na frente de Alckmin no 2° turno é reproduzido numa pequena retranca embaixo da página A4. É a primeira vez em um ano de pesquisas Datafolha que isto acontece. A oscilação de Kassab, dentro da margem de erro, ganha destaque no lide da capa da Folha e não o crescimento efetivo de 5 pontos de Marta que a levam ao primeiro lugar (no Datafolha anterior ela aparecia empatada com Alckmin).

Como a pesquisa -reconhece o próprio jornal- captou o começo da propaganda na TV, este crescimento de Marta é significativo também do resultado das inserções e programas de rádio e TV. Os ataques de Kassab contra Marta fizeram oscilar para cima sua rejeição e não permitiram até agora que recuperasse para ele a queda de Alckmin (só em três pontos oscilou sua intenção de voto no primeiro turno, igual que sua rejeição, e dentro da margem de erro). Mesmo entre os eleitores com ensino médio, onde Alckmin cai 11 pontos, Marta é a principal beneficiária passando nesse estrato de 36% para 41%. Mais importantes numericamente, nos eleitores com renda mensal inferior a dois salários mínimos, Marta cresce 8 pontos, sendo que Alckmin cai 6 e Kassab só oscila de apenas 2 pontos (a margem de erro nesta categoria é superior aos 3 pontos da margem de erro sobre o total da pesquisa).

Para forçar sua peculiar apreciação da pesquisa, a Folha se apóia no crescimento da avaliação positiva do governo Kassab que passou de 35% de ótimo/bom em 23-24 de julho, para 40% agora (21-22 de agosto), um crescimento de 5 pontos em quase um mês. A Folha não destaca o fato que este crescimento sendo maior entre a população de baixa renda até 2 salários, não teve quase nenhum impacto na intenção de voto em favor de Kassab nesse mesmo segmento.

Quando a Folha passa à analise dos resultados por região, nada é dito sobre a margem de erro quando reportada a um universo bem menor. Mesmo assim a pesquisa mostra que Marta obteve seu maior crescimento em bairros como Ipiranga, Saúde, Vila Mariana e Jabaquara (+10 pontos) o que faz que na zona sul somada ao sudeste, Marta tem 49% contra 22% de Alckmin e 13% de Kassab. A zona sul é junto com a zona leste a mais populosa da cidade.

Em toda a Zona leste Marta tem 41%, Alckmin 22% e Kassab tem 13%.

O centro, bem menos populoso registra um crescimento de 15 pontos nas intenções de voto para Marta, chegando a 38% frente a Alckmin com 29% e Kassab com 13%.

Só na zona norte, bem menos populosa que a sul e a leste, zona norte que já foi um setor de forte implantação do janismo e do malufismo, Gilberto Kassab consegue recuperar uma parte importante da queda de Alckmin e registra seu melhor resultado 16%. Marta passa a liderar em toda a zona norte com 36%, seguida de Alckmin com 27%.

Por último, na zona oeste Marta cresceu 5 pontos e atinge 26%, Alckmin lidera com 33% e Kassab 16%.

Todos estes dados estão presentes no jornal, de uma forma ou de outra, mas a edição da pesquisa faz tudo para evitar que o leitor perceba a realidade da situação eleitoral registrada nos números do Datafolha.

A TV Globo abriu a informação hoje a noite sobre a pesquisa Datafolha: “Marta abre 17 pontos a frente de Alckmin”.

O Estado de São Paulo pós como título “Datafolha mostra Marta com 17 pontos de vantagem” e no lide, abaixo da manchete “Candidata do PT subiu e Geraldo Alckmin, segundo colocado, caiu; pesquisa confirma movimento detectado pelo Ibope no último dia 16″.

A Folha SP leva como manchete na capa: “Diferença Alckmin/Kassab cai à metade”, embaixo, no lide “Tucano recua 8 pontos, e prefeito, com sua melhor avaliação, oscila para cima; Marta cresce e se isola em 1°”. Dentro do jornal, na principal página com os resultados, a manchete é: “Alckmin cai e tem 10 pontos sobre Kassab; Marta se isola”. Na página A8 a manchete é: “Maior vantagem de Marta sobre tucano está no extremo sul”. Por último, pag A9: “Kassab tem maior índice de aprovação desde que assumiu”.

Julguem vocês

Luis Favre

23/08/2008 - 13:05h Pesquisa Datafolha

 

Eleições2008 – 23/08/2008 – Texto do Datafolha

Marta abre 17 pontos de vantagem sobre Alckmin
Diferença de Alckmin para Kassab diminui de 21 para 10 pontos percentuais


A candidata do PT à prefeitura de São Paulo, Marta Suplicy, atinge 41% das intenções de voto, e abre uma vantagem de 17 pontos percentuais sobre o segundo colocado, Geraldo Alckmin, do PSDB, que obtém 24% das preferências, segundo pesquisa realizada pelo Datafolha nos dias 21 e 22 de agosto, a 44 dias do primeiro turno da eleição. No levantamento anterior, realizado nos dias 23 e 24 de julho, Marta e Alckmin empatavam, em razão da margem de erro da pesquisa, de três pontos percentuais: a petista atingia 36% e o tucano obtinha 32% das intenções de voto. Em um mês, a ex-prefeita ganhou cinco pontos percentuais, enquanto o candidato do PSDB perdeu oito.

A pesquisa, a primeira após o início da exibição do horário gratuito dos candidatos a prefeito na TV, no dia 20, também mostra que Marta empata com Alckmin em simulação de segundo turno, além de crescimento na taxa de intenção de voto espontânea e ligeira variação na taxa de rejeição à petista.

O atual prefeito, Gilberto Kassab, oscilou três pontos para cima: o candidato à reeleição pelo DEM passou de 11% para 14% das preferências. Paulo Maluf oscilou de 8% para 9% das preferências. Assim, se mantém o empate entre os dois candidatos. Considerando a margem de erro de três pontos percentuais, Kassab pode ter entre 11% e 17% das intenções de voto. Maluf, por sua vez, pode ter entre 6% e 12% das preferências.

Soninha (PPS) se manteve com 2% das intenções de voto. Ciro (PTC) e Ivan Valente (PSOL), que na pesquisa anterior obtinham 1% das menções, cada, embora citados, não atingiram esse percentual no atual levantamento. Edmilson Costa (PCB) e Levy Fidelix (PRTB) foram citados, mas não atingem 1%, como ocorria na pesquisa de julho. Anaí Caproni (PCO) e Renato Reichmann (PMN), cujos nomes constavam do cartão circular apresentado aos entrevistados, não receberam nenhuma menção.

Se a eleição fosse hoje, 5% votariam em branco ou anulariam o voto. Não saberiam em quem votar 4%.
Foram ouvidos 1093 eleitores da cidade de São Paulo, a partir dos 16 anos de idade.

Outro dado da pesquisa demonstra a consolidação da liderança de Marta: a intenção de voto espontânea. O percentual dos que dizem, antes da apresentação dos cartões circulares com os nomes dos candidatos, que gostariam de votar na petista para prefeita, subiu oito pontos percentuais em relação à pesquisa anterior, passando de 22% para 30%. Citam Geraldo Alckmin de maneira espontânea 14%; eram 13% na pesquisa anterior. A taxa de menções espontâneas a Gilberto Kassab oscilou de 7% para 10%. Paulo Maluf é citado espontaneamente como seu candidato a prefeito por 5%.

O percentual dos que não sabem dizer espontaneamente em quem gostaria de votar para prefeito caiu 11 pontos percentuais, de 43% para 32%. A taxa dos que afirmam de maneira espontânea que pretendem votar em branco ou anular oscilou de 7% para 5%.

São Paulo, 22 de agosto de 2008

22/08/2008 - 13:31h Santo André: Siraque dispara e candidatos lutam pelo segundo lugar

A imagem “http://www2.uol.com.br/debate/1119/fotos/siraque.jpg” contém erros e não pode ser exibida.

Leandro Amaral – Repórter Diário – ABC

O candidato governista que disputa à sucessão municipal de Santo André, o deputado estadual Vanderlei Siraque (PT), lidera isolado com 31% das intenções de voto. A disputa, porém, está acirrada na busca pelo segundo lugar, pois três prefeituráveis aparecem tecnicamente empatados: Raimundo Salles (DEM) tem 11%, seguido por Newton Brandão (PSDB) 10% e Aidan Ravin (PTB) 9%. Já o candidato Ricardo Alvarez (PSol) registra 1%.

Por ter mais de 200 mil eleitores a cidade pode ter a eleição decidida mais tarde, no segundo turno. Para isso não ocorrer, um dos candidatos deve obter 50% dos votos válidos (não são contabilizados os votos nulos e brancos) mais um.

A pesquisa realizada pelo Instituto Opinião foi contratada pelo Repórter Diário em parceria com mais três jornais – Folha de Ribeirão, ABCDMaior e Ponto Final – e ouviu 600 pessoas entre os dias 19 e 20 de agosto. A margem de erro é de 4 pontos percentuais para mais ou para menos. O levantamento foi registrado na 156ª Zona Eleitoral sob o nº 004/2008, processo 050/2008.

Um dos itens que mais chama atenção é o número de eleitores indecisos. De acordo com a pesquisa, 25% do eleitorado afirmou que ainda não definiu o candidato e 14% não votará em nenhum dos postulantes ao Paço.

O levantamento foi baseado em sete vertentes: sexo, idade, região, renda, escolaridade, religião e tempo de moradia. Em todas elas, o prefeiturável governista leva a melhor. Por outro lado, a briga pelo segundo lugar, desde já, é disputada voto a voto.

Das sete regiões do município avaliadas, Salles aparece em segundo em dois bairros: Jardim do Estádio (11%) e Vila Progresso (13%). Newton Brandão, mesmo em terceiro, alcança o segundo lugar em quatro: Centro (14%), Vila Príncipe de Gales (16%), Parque das Nações (16%) e Parque novo Oratório (9%). Já o médico Aidan Ravin polariza com Siraque no Jardim Santo André (19%), área que compreende a Vila Luzita, reduto eleitoral do petebista.

No quesito escolaridade, outros dados também chamam a atenção. Entre os entrevistados que têm o primário incompleto, os três – Salles, Brandão e Aidan – aparecem empatados na segunda posição com 10%. Siraque tem 22%. Neste item, dividido em mais três faixas, somente um registra vantagem absoluta. Entre os eleitores que possuem o ensino superior completo, Aidan figura na segunda posição isolada com 20%, Brandão 8% e Salles 5%.

Até no tema religião ocorre um empate técnico na segunda posição. Entre os católicos, Salles e Brandão registram 11%, contra 8% de Aidan. Já entre os evangélicos Salles e Brandão conquistam 10%, contra 9% de Aidan.

Quando a avaliação é entre os eleitores com renda até R$ 500, outro empate. Neste caso, Brandão e Aidan despontam em segundo lugar com 8%, contra 6% de Salles.

Na outra ponta, foram ouvidos os eleitores que recebem mais de R$ 2 mil. Nesta avaliação, a disputa se acirra também pelo posto nº2. Brandão aparece na segunda posição com 11%, seguido de perto por Salles com 10% e Aidan com 9%. Siraque, mais uma vez, aparece isolado com 34%.

No item moradia, os residentes há mais de 30 anos também acirram a disputa. Brandão aparece com 15% seguido por Salles e Aidan com 12%. Segundo dados do levantamento, 46% dos entrevistados afirmaram estar plenamente decididos quanto a escolha do candidato e 15% admitiram que podem mudar o voto até o dia da eleição.

Em relação ao conhecimento dos prefeituráveis, 45% dos eleitores sabem que Vanderlei Siraque é candidato; 42% conhecem a candidatura de Newton Brandão; 37% sabem que Salles é candidato e 30% conhecem a candidatura de Aidan.

Espontânea
Na pesquisa espontânea – onde o eleitor não recebe a lista com o nome dos candidatos – Vanderlei Siraque tem a preferência de 25% dos entrevistados, seguido por Raimundo Salles com 7% e, tecnicamente empatados, Newton Brandão e Aidan Ravin com 5%. Neste levantamento Ricardo Alvarez não atinge 1%.

Os indecisos somam 47%. Já os eleitores que afirmaram não votar em nenhum dos prefeituráveis chegam a 11%. Na espontânea, Salles garante o segundo lugar em duas das sete regiões pesquisadas. Brandão e Aidan conquistam em uma cada um. Nas três restantes Salles e Aidan empatam na segunda posição. Porém, se levar em conta a margem de erro, em todas as áreas pesquisadas os três prefeituráveis registram empate técnico, com a medalha de prata.

Rejeição
Na avaliação quanto à rejeição de cada candidatura, Newton Brandão é o mais rejeitado com 43%. Na seqüência aparecem tecnicamente empatados: Vanderlei Siraque (28%), Ricardo Alvarez (25%), Raimundo Salles (23%) e Aidan Ravin (21%).

Especialista
Para o professor de ciências Políticas da Fundação Santo André, Marco Antônio Teixeira, o quadro eleitoral caminha para a realização de um segundo turno. “Tem muitos indecisos na pesquisa e a tendência são esses eleitores não votarem no candidato governista, pois quem adere a candidatura da situação tende sempre a definir-se primeiro”, avalia.

Utilizando o mesmo raciocínio, o especialista ressalta que mesmo com a briga pelo segundo lugar, Salles e Aidan levam vantagem sobre o candidato Brandão. “Como o Brandão já foi prefeito, as pessoas já o conhecem, então é mais difícil atrair os indecisos”, completa o especialista.

Já o diretor do Instituto Opinião, Nilton César Tristão explica que, a eleição está nas mãos de 9% do eleitorado. “Se analisarmos a eleição de 2004, temos um índice de 30% de votos perdidos (brancos, nulos e abstensões). Neste ano, a pesquisa aponta 39% de indecisos. Sendo assim, se o índice de 2004 for mantido, ainda teremos 9% do eleitorado que entrará no jogo escolhendo por um dos candidatos”, afirma destacando que a possibilidade de um segundo turno é grande.

22/08/2008 - 12:30h Ameniza, mas não cura

Dora Kramer, O Estado de São Paulo

dora.kramer@grupoestado.com.br

Os poderosos, ainda mais quando populares, são excelentes avalistas da norma segundo a qual quem tem padrinho não morre pagão. É um fato, mas não tão absoluto e comprovado que justifique a relação de causa e efeito que candidatos a prefeito estabelecem entre a companhia de seus patronos nas campanhas e o milagre da multiplicação de votos.

Evidentemente, um fiador do porte do presidente Luiz Inácio da Silva tem o seu papel. A presença dele no palanque real ou virtual ajuda. Em alguns casos pode ser decisiva no tira-teima.

Mas, como ainda está para ser inventada a fórmula infalível de condução da vontade alheia, o resultado da eleição depende muito mais das idiossincrasias do eleitorado que das ações do fiador da ocasião.

A ingerência das grandes figuras ameniza, mas por si só não cura o mal da rejeição. O raciocínio vale também no sentido inverso: esconder o correligionário, se é um governante desgastado, não produz necessariamente um ambiente de aceitação ao candidato.

O governador de São Paulo, José Serra, por exemplo, de quem os tucanos cobram presença ao lado do candidato do PSDB à prefeitura da cidade, Geraldo Alckmin, vive na carne a experiência.

Em 2002, poderia ter perdido para Lula de qualquer jeito, mas a opção estratégica de se distanciar da fadiga de material dos oito anos de governo Fernando Henrique certamente não lhe rendeu um voto. E pode ter tirado, já que no caso de identificações consolidadas, como a de Serra e FH, o distanciamento soa falso ao eleitor e, pior, traiçoeiro.

Voltando a 2008, São Paulo, capital: por que Alckmin subiria no conceito do eleitor por obra e graça de uma adesão explícita do governador, se está cansado de saber que Serra não o considera o melhor candidato?

Ora, ainda que eleição hoje seja um jogo de aparências e construção de emoções ligeiras, as coisas precisam ter um mínimo de verossimilhança.

Pode inspirar confiabilidade o uso da imagem do presidente Lula por cinco candidatos diferentes, como ocorre no Rio? É preciso muita alienação para acreditar que representam todos ao mesmo tempo a encarnação de Lula aos pés do Redentor.

Isso sem falar dos candidatos de partidos de oposição que hoje reivindicam Lula nos palanques, mas quando o tempo fechou para o lado dele, nos escândalos de 2005, só o chamavam de tudo, menos de bonitinho.

Como dizia aquele slogan da época em que era mais fácil protestar contra emissora de televisão que enfrentar os urros da ditadura: o povo não é bobo.

Leia a integra da coluna de Dora Kramer no jornal O Estado de São Paulo