28/02/2009 - 16:57h EUA indicam remédio para prevenir câncer de próstata

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Usada para tratar calvície, finasterida reduz em 25% o risco de tumor maligno

Recomendação se apoia em estudo com 18.882 homens; especialistas se dividem sobre o uso da droga, que pode gerar disfunção sexual

AMARÍLIS LAGE – FOLHA SP

DA REPORTAGEM LOCAL

A Sociedade Americana de Oncologia Clínica (Asco) e a Associação Americana de Urologia (AUA) divulgaram no dia 24 a primeira recomendação de um remédio para a prevenção do câncer de próstata.

A orientação prevê que homens saudáveis usem finasterida para prevenir esse tipo de tumor -procedimento que a Asco definiu como “quimioprevenção”. O remédio já é utilizado atualmente no tratamento da calvície e do crescimento benigno da próstata.

A recomendação tem como base o PCPT (Prostate Cancer Prevention Trial), estudo realizado nos Estados Unidos e no Canadá com 18.882 homens com idade acima de 55 anos e sem sinal de câncer de próstata.

Durante sete anos, parte dos participantes tomou finasterida e parte, placebo. Constatou-se que o uso do remédio reduziu em cerca de 25% o aparecimento do câncer.

O resultado, porém, foi acompanhado de uma polêmica: aparentemente, os homens que tomaram finasterida e tiveram câncer de próstata apresentavam tumores mais agressivos. Estudos posteriores mostraram que, como esses participantes tinham a próstata reduzida pela finasterida, era mais fácil encontrar nas biópsias deles tumores agressivos. Além disso, os pesquisadores relataram que esses tumores eram detectados antes no grupo que tomou o remédio do que no grupo que recebeu placebo.

“O tempo mostrou que a finasterida deixa essas células com uma aparência mais “feia”, mas é só uma alteração morfológica, elas não ficam mais agressivas. Houve uma polêmica que dividiu os médicos, mas ela vai acabar. Se a AUA adotou essa recomendação, é porque as evidências a favor da finasterida são muito fortes”, avalia o urologista Miguel Srougi, professor titular da USP.

Mas, para outros especialistas, ainda há algumas perguntas em aberto. “Uma delas é: a finasterida só evita o câncer mais leve, e não o mais agressivo? Outra: qual o resultado da finasterida depois de sete anos? Há indício de que, após esse período, a proteção diminua”, afirma Stênio de Cássio Zequi, cirurgião pélvico do Hospital do Câncer A.C.Camargo.

O urologista Carlos Eduardo Corradi, chefe do departamento de uro-oncologia da SBU (Sociedade Brasileira de Urologia), considera a recomendação norte-americana precoce. “Estudos com o câncer de próstata demoram muitos anos para apresentar resultados e o PCPT não teve a conclusão final ainda. A gente não sabe o que pode acontecer a longo prazo.”


Desvantagens

As entidades norte-americanas recomendam que homens que já tomam finasterida e aqueles que têm PSA total até 3 conversem com seus médicos sobre os prós e contras de tomar o medicamento a longo prazo. No Brasil, o PSA total é considerado saudável até 2,5, mas isso varia de acordo com outros fatores, como o tamanho da próstata do paciente e o índice de PSA livre.

Uma desvantagem do remédio é que ele pode gerar disfunção sexual e crescimento da mama. De acordo com Zequi, esses efeitos costumam atingir cerca de 3% dos pacientes.

Para os especialistas ouvidos pela Folha, o uso do medicamento deve ser indicado para homens que integrem grupos de risco. Ter um parente de primeiro grau com a doença eleva em duas vezes o risco de desenvolver câncer de próstata. Além disso, a incidência da doença parece ser maior em negros, de acordo com Srougi.

Ele ressalta que, atualmente, os urologistas não têm à disposição nenhum outro método preventivo para o câncer de próstata. Há alguns anos, acreditou-se que o licopeno (substância que confere a cor vermelha do tomate), o selênio e a vitamina E teriam um efeito protetor, mas levantamentos recentes mostraram que ainda não há evidências suficientes nesse sentido.

Procurado pela reportagem, o Inca (Instituto Nacional de Câncer) respondeu, por meio de sua assessoria de imprensa, que não comenta pesquisas que não tenham tido participação do corpo clínico do órgão.

12/01/2009 - 09:17h Programa de aids começa a estagnar

Na opinião de especialistas, epidemia tem novas características que exigem mudança, principalmente na prevenção

Lígia Formenti, BRASÍLIA – O Estado SP

Após sucessivos elogios recebidos no cenário internacional, o Programa Nacional de DST-Aids começa a dar sinais de estagnação. Indicadores importantes, como número de casos novos e taxa de mortalidade, praticamente não mudaram nos últimos cinco anos. Os índices de transmissão da mãe para o bebê durante a gravidez caíram, mas não como era esperado pelo próprio governo.

Além disso, com o aumento de casos no Norte e Nordeste entre homossexuais jovens e pessoas com mais de 50 anos, a epidemia adquiriu novas características, o que exige mudança na forma de atuação, principalmente na área de prevenção.

“O quadro é bastante preocupante, mas o que vemos é apenas comemoração”, afirma Mário Scheffer, da organização não-governamental Pela Vidda. Todos os dias , 97 pessoas se contaminam com o HIV, vírus da aids, e outras 30 morrem por causa da doença. “É como se um ônibus caísse do despenhadeiro diariamente e ninguém se importasse.”

Para Scheffer, os números estampam a necessidade de o programa fazer uma autocrítica, perceber o que não está dando certo e, nessas áreas, mudar a estratégia. “Mas o que vemos é o oposto. Há uma percepção coletiva de que tudo está maravilhoso, que temos o maior programa do mundo. Estamos vivendo de sofismas, não da realidade.”

O pesquisador da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP) Alexandre Grangeiro diz que os dados divulgados no último boletim, em novembro, estampam uma lista de desafios que precisam ser enfrentados. Grangeiro, que já foi coordenador do programa nacional, observa que o País hoje apresenta não uma, mas várias epidemias de aids. Nas Regiões Sudeste, Sul e na faixa litorânea, há uma epidemia mais antiga e estabilizada, com queda do número de soropositivos usuários de drogas e um aumento dos casos entre gays jovens. No Norte e Nordeste, existe uma epidemia bem mais recente, formada principalmente por transmissão heterossexual. “Isso exige a adoção de estratégias diferenciadas na prevenção e na melhoria da qualidade do atendimento.”

O que preocupa nos Estados do Norte é a combinação de alguns fatores – menor tendência ao uso de preservativos, iniciação sexual precoce, menos interesse pelo teste para detectar o HIV. Todas características que dificultam a prevenção e o acesso mais rápido ao tratamento. Talvez por isso a Região Norte apresente uma tendência de aumento nos índices de mortalidade. “Com a interiorização da aids, o País enfrenta outro problema, que é a desigualdade na qualidade dos serviços, a dificuldade no acesso ao tratamento. Isso precisa ser solucionado”, avalia a coordenadora da Associação Brasileira Interdisciplinar de Aids (Abia), Cristina Pimenta.

Grangeiro aponta ainda outros dois pontos que precisam ser melhorados: quantidade de pessoas testadas para o HIV e o acesso a tratamento para gestantes contaminadas. “Muito se fala que a aids somente será controlada com a vacina. No caso das gestantes, o tratamento existente é uma forma de vacina, algo que previne a infecção do feto em quase 98% dos casos. Mesmo assim, o País continua registrando, todos os anos, uma triste marca de contaminações em bebês.”

O pesquisador da USP acredita que os maiores desafios estão em áreas que dependem de ações governamentais gerais. “Sem infraestrutura adequada nos serviços, não há como garantir diagnóstico precoce. Sem pré-natal de qualidade, não há como se certificar de que a gestante não é portadora do vírus, não há como ofertar tratamento adequado antiaids para o bebê. A qualidade das ações acaba esbarrando nos problemas gerais.”

PREVENÇÃO

A estimativa é de que 46% dos pacientes cheguem aos serviços em estágio adiantado da doença. Com isso, o efeito dos remédios antiaids será limitado. “Há muito o que melhorar nesta área”, diz Grangeiro. O infectologista Caio Rosenthal tem avaliação semelhante. “O programa melhorou muito, há avanços inegáveis. Mas em alguns pontos é possível avançar mais, como no diagnóstico precoce.” O infectologista Celso Ramos concorda: “É preciso mudar a cultura, tornar o teste mais disponível em toda a rede. “

13/12/2008 - 15:42h FDA pode banir drogas para asma

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Serevent e Foradil, broncodilatadores aprovados pela Anvisa, são amplamente usados no Brasil

Recomendação é de painel de especialistas da agência, que avaliam que remédios aumentam risco de morte; posição não é definitiva

FERNANDA BASSETTE – FOLHA SP

Especialistas da FDA (agência norte-americana que regulamenta a aprovação de alimentos e fármacos) sugeriram a proibição do uso dos medicamentos Serevent e Foradil para tratar pacientes com asma sob a justificativa de que eles aumentam os riscos de morte. No Brasil, os dois remédios são aprovados pela Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) e são amplamente prescritos pelos médicos.
A recomendação foi feita durante uma reunião realizada anteontem nos Estados Unidos e ainda não é a posição definitiva da FDA, que costuma seguir a mesma linha de decisão.
A discussão envolvendo os riscos dos medicamentos para asma incluía outros dois remédios: Advair (que ainda não é aprovado no Brasil) e Symbicort. Esses não tiveram associação direta com o aumento do número de mortes e continuam indicados para tratar asma.
Segundo o alergista Celso Henrique de Oliveira, professor da pós-graduação em pediatria da Unicamp (Universidade Estadual de Campinas), Foradil e Serevent são medicamentos broncodilatadores de ação prolongada, indicados apenas quando associados a um corticóide inalatório. Já Advair e Symbicort possuem corticóide na formulação. “O broncodilatador abre os brônquios e ajuda o paciente a respirar, enquanto o corticóide tem ação antiinflamatória e age no tratamento da doença.”
O problema, explica Oliveira, é que muitos pacientes usam os broncodilatadores por conta própria e para alívio imediato da crise, sem associar com um corticóide -o que não é recomendado. Em tese, esses remédios deveriam ser vendidos apenas com receita médica.
“A gente sabe que no Brasil a venda acontece indiscriminadamente. O remédio é indicado para uso duas vezes por dia, mas o paciente usa cinco, seis, até dez vezes. Isso causa uma sobrecarga mesmo. Além disso, as causas das mortes ainda estão sendo investigadas”, afirmou o alergista.
Segundo Oliveira, Serevent e Foradil são medicamentos “primos” dos broncodilatadores Aerolin e Berotec, de ação curta e que são usados no tratamento de asma há mais de 30 anos. “Serevent e Foradil são melhores, melhoram a qualidade de vida do paciente e têm uma indicação específica. Em vez de proibir o uso, as agências reguladoras deveriam controlar a venda, feita de maneira indiscriminada, pois qualquer remédio ingerido em excesso pode aumentar o risco de morte.”
Na opinião da alergista Yara Mello, diretora da Associação Brasileira de Asmáticos (Abra), os dois medicamentos possuem ação comprovada, demonstrada em inúmeros estudos clínicos, então ainda não há motivo para pânico.
“O que a FDA está apresentando agora são evidências estatísticas de que há mais casos de morte de pacientes que usaram os remédios sem o corticóide, mas eles ainda não comprovaram qual mecanismo está envolvido nisso. Por isso, acho complicado associar o medicamento à morte”, ponderou.

Nenhum caso grave

A assessoria de imprensa da Anvisa informou que a agência está acompanhando as discussões internacionais sobre a indicação de Serevent e Foradil para tratar asma, mas avisou que, por enquanto, não há indícios suficientes de riscos para proibir os medicamentos no Brasil e também não há nenhum registro de reação adversa ou efeito colateral grave associados aos medicamentos.
Tatiana Matozo, da Novartis (fabricante do Foradil) e Robson Lima, da GlaxoSmithKline (que fabrica o Serevent) informaram que as empresas acreditam na segurança dos produtos, quando usados de acordo com o que está previsto na bula -uso do remédio associado a um corticóide inalatório. As duas informaram também que a decisão não é definitiva.
(Colaborou RACHEL BOTELHO)

23/11/2008 - 15:17h A nova superbactéria

Caption: Scanning electron microscope image of A. baumannii, with maps of its genome (outer circle) and alien island sequences (inner circle – red).
Credit: Courtesy of J.Carr/CDC; T.Gianoulis and D.Massa/Yale

Comunidade internacional divulga alerta para infecções resistentes a remédios

Normalmente encontrada no solo e na água, uma perigosa e resistente bactéria se alastra por hospitais de todo o mundo, inclusive do Brasil, alertaram especialistas em doenças infecciosas em artigo publicado esta semana na revista médica “The Lancet”. De acordo com os médicos, a Acinetobacter baumannii seria ainda mais ameaçadora do que a MRSA (uma variante muito resistente de Staphylococcus aureus) e a Clostridium difficile: ela já responde por pelo menos 30% das infecções hospitalares resistentes a drogas.

— Há um crescente aumento de infecções por A baumannii em vários hospitais em todo o mundo — afirmou, em entrevista à Reuters, Matthew Falagas, da Universidade de Tufts, em Boston, e do Instituo Alfa de Ciências Biomédicas, na Grécia, co-autor do artigo ao lado de Drosos Karageorgopoulos. — E são infecções muito difíceis de tratar porque as bactérias são resistentes à maioria dos medicamentos disponíveis.

Brasil já registrou casos de infecção

Especialistas em infecção hospitalar no Brasil já estão cientes da ameaça da bactéria e de sua presença em centros de saúde no país há algum tempo.

— Do mesmo modo que em outros países, não somente as Staphylococcus aureus resistentes à meticilina, conhecidos como MRSA, têm preocupado nossa comunidade médicocientífica.

Surtos de infecções hospitalares causadas por A. baumannii, sensíveis somente ao antibiótico colistina, têm sido descritos, há alguns anos, no Brasil — diz Agnes Marie Sá Figueiredo, diretora do Instituto de Microbiologia da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).

De acordo com o artigo da “Lancet”, o papel da A. baumannii em graves infecções diagnosticadas em pacientes criticamente doentes é cada vez mais claro. “Esse patógeno está associado a surtos de infecção muito difíceis de serem controlados”, destaca o texto.

Alguns médicos estão lançando mão de uma classe de antibióticos conhecidos como polimixinas para combater a infecção.

Essas drogas não são usadas há 20 anos para esta finalidade, em parte por causa dos efeitos colaterais que apresentam, entre eles problemas renais. “Isso significa que os médicos precisam de novas drogas para combater a bactéria”, sustentou Falagas. “Mas a melhor arma para deter o avanço da A. baumannii ainda é lavar bem as mãos. Essa é a medida mais importante de prevenção para os que trabalham em hospitais.” Mas não apenas. A limpeza das instalações hospitalares e dos equipamentos utilizados é ainda mais importante, sustentam especialistas em infecções resistentes.

A A. baumannii compartilha muitas das piores características da MRSA e da Clostridium difficile, como a sobrevivência em superfícies secas e a resistência à maioria dos desinfetantes. A A. baumannii sobrevive na poeira e até na roupa de cama por meses.

Ela também pode ser transportada na pele de pessoas saudáveis. Tudo isso torna muito difícil a erradicação da bactéria depois que ela se instala em alguma instituição, explicam os especialistas, e revelam a importância da limpeza rigorosa na prevenção.

A A. baumannii provoca infecções sangüíneas e pneumonia, entre outros problemas.

Especialistas dizem que a bactéria não representa uma ameaça às pessoas saudáveis e que mesmo para as linhagens mais resistentes ainda existem drogas eficazes. No entanto, dizem, a questão é preocupante.

20/11/2008 - 17:10h Primeira traquéia feita com células-tronco do paciente é usada em transplante

Claudia Castillo posa para foto no corredor do hospital de Barcelona, onde se submeteu a um transplante de traquéia

 O GLOBO

Órgão sob medida

Num feito que já está sendo considerado um marco na medicina, cirurgiões espanhóis realizaram com sucesso o primeiro transplante de um órgão criado em laboratório a partir das células-tronco do próprio paciente. A tecnologia, ainda experimental, permitiu que se fizesse um transplante sem a necessidade de se usar drogas contra rejeição. A colombiana Claudia Castillo, de 30 anos, que recebeu uma nova traquéia, se encontra com boa saúde, relatam os cirurgiões em estudo publicado na revista médica “The Lancet”.

Para os especialistas, os órgãos feitos sob medida têm tudo para se popularizarem, cumprindo uma importante promessa das tão apregoadas aplicações terapêuticas das células-tronco.

A cirurgia foi realizada há cinco meses. Em razão de uma tuberculose severa, a traquéia da mulher havia ficado muito danificada e ameaçava inviabilizar um de seus pulmões — o órgão é responsável por levar o ar aos pulmões. Os médicos optaram então por um transplante.

Mas de um tipo nunca antes tentado. Para desenvolver em laboratório uma nova passagem de ar para a paciente, os especialistas partiram de uma traquéia fornecida por um doador.

Os cientistas submeteram o órgão doado a banhos de substâncias químicas bastante fortes (um detergente enzimático) para destruir todas as células vivas do doador, deixando apenas uma espécie de fôrma, composta de colágeno.

Isso forneceu a eles uma “estrutura” de traquéia, que, posteriormente, foi devidamente repovoada com células da própria paciente.

Por terem usado as células de Cláudia, os médicos conseguiram “enganar” seu organismo, evitando a rejeição do órgão. Dois tipos de células foram usadas: aquelas retiradas da própria região da traquéia e células-tronco adultas — células imaturas retiradas da medula óssea e que têm o potencial de se transformarem em vários tecidos do corpo. No caso de Cláudia, as células-tronco foram encorajadas a se tornarem células de traquéia.

Depois de quatro dias de desenvolvimento num biorreator, a nova traquéia estava pronta para ser transplantada. O cirurgião responsável, Paolo Macchiarini, do Hospital das Clínicas de Barcelona, na Espanha, conduziu o procedimento em junho passado.

Cláudia foi diagnosticada com tuberculose em 2004.

— Começou com uma tosse e acabei passando três meses tentando descobrir o que estava errado comigo — lembra ela. — Foram muitos diagnósticos errados.

Tuberculose grave destruiu traquéia

De origem colombiana, Cláudia mora em Barcelona com os dois filhos, Johan, de 15 anos, e Isabella, de 4 anos. Em princípio, sua tuberculose foi tratada com remédios, mas a infecção foi tão severa que, este ano, ela sofreu um colapso no pulmão esquerdo. Ela deu entrada no hospital em março em estado muito grave, com grandes dificuldades de respirar. As únicas opções disponíveis seriam remover seu pulmão — o que implicaria uma série de riscos — ou um transplante de traquéia.

— É claro que estava com medo, mas queria muito ficar boa novamente — conta ela.

Dez dias depois da inovadora cirurgia, Cláudia foi mandada para casa sem apresentar qualquer complicação e sem ter tomado drogas imunossupressoras, normalmente usadas em transplantes para evitar a rejeição. Dois meses depois, exames revelaram que a operação tinha sido um sucesso.

— Me sinto ótima e muito honrada — diz ela. — O método me livrou da doença e voltei a me sentir bem.


SAIBA MAIS SOBRE A OPERAÇÃO

Uma colombiana recebeu o primeiro transplante de um órgão feito sob medida. Ele foi desenvolvido a partir da traquéia de um doador, usada como molde, e células-tronco da própria paciente, extraídas da medula óssea. Com a técnica, os cientistas conseguiram evitar a rejeição da traquéia

As vias respiratórias da paciente tinham sido gravemente afetadas pela tuberculose

O PROCESSO DE TRANSPLANTE

Os médicos encontraram um doador de traquéia

A traquéia do doador é destituída de todas as suas células, deixando apenas o tecido conjuntivo, para sustentação

Células-tronco são extraídas da própria paciente, amadurecidas e transformadas em células de cartilagem

A traquéia do doador é colocada num biorreator especial, o que permite as células crescer naturalmente

O órgão criado em laboratório é cortado na forma correta para se adequar ao corpo da paciente e implantado nela


Célula embrionária restaura visão e audição de animal
Primeiro passo para tratar seres humanos

Células-tronco embrionárias foram usadas com sucesso para recuperar a visão e a audição de animais, anunciaram ontem pesquisadores do Instituto Nacional de Saúde (NIH), dos EUA, e da Universidade Nacional de Chonnam, na Coréia do Sul, no que acreditam ser o primeiro passo para o tratamento de seres humanos.

Um dos grupos recuperou a audição de porquinhos da Índia usando células-tronco humanas, enquanto o outro restaurou a visão em girinos usando células de sapos. Embora não tenham uso imediato em seres humanos, as experiências revelam importantes mecanismos do desenvolvimento da visão e da audição, importantes para as pesquisas.

— As descobertas ilustram o extraordinário potencial das pesquisas com células-tronco para o tratamento de doenças — disse Anand Swaroop, especialista do NIH.

17/11/2008 - 14:28h Dor nas costas é a mais forte e grave para brasileiros, diz estudo

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Para 69% dos entrevistados, dor na coluna é considerada problema crônico

FOLHA SP

A dor na coluna pode ser considerada a verdadeira vilã na vida dos brasileiros: é descrita como a mais forte, a que mais incomoda e a mais grave para a saúde. As conclusões são da pesquisa “Dor no Brasil”, realizada em parceria entre a Pfizer e o Ibope com 1.400 pessoas de nove capitais do país.

Entre os entrevistados, 69% consideram a dor na coluna ou nas costas uma dor crônica, pois sofrem do problema há mais de um ano. No entanto, apesar de ser a mais incômoda, a dor na coluna ficou em segundo lugar no ranking das dores mais comuns na vida das pessoas. A primeira posição foi ocupada pela dor de cabeça.

A pesquisa constatou ainda alto índice de automedicação. Quando sentem uma dor reincidente, 64% dos entrevistados procuram resolver o problema sozinhos, geralmente por meio de remédios. Mas, quando a dor é desconhecida, 66% dos brasileiros procuram ajuda médica.

Para a anestesiologista Rioko Sakata, chefe do Ambulatório da Dor da Unifesp (Universidade Federal de São Paulo), os resultados da pesquisa não surpreendem, pois não existem muitas clínicas especializadas em dor. Além disso, a dor nas costas é bastante freqüente na população.

De acordo com a médica, a dor na coluna geralmente é provocada por maus hábitos, como manter uma postura inadequada, carregar muito peso e passar boa parte do tempo sentado sem fazer alongamento, e também pelo sedentarismo. A artrose, doença degenerativa, também causa dor na coluna.

“Esta é uma dor freqüente, mas está longe de ser a mais intensa e a mais grave. Existem dores muito piores, como as de lesões na medula, por exemplo”, afirma a médica.

Sakata acrescenta ainda que a automedicação não é recomendada e pode trazer prejuízos para a saúde. “Se alguém tomar um remédio por conta, poderá esconder outros problemas e mascarar os sintomas de alguma doença que pode ser mais grave”, diz.

De acordo com estimativas da Organização Mundial da Saúde, 85% da população vai viver ao menos um episódio de dor nas costas ao longo da vida.

Um estudo realizado por pesquisadores autralianos e publicado recentemente no “British Medical Journal” mostrou que a recuperação das lombalgias (dores lombares) é muito mais longa do que o previsto pelas atuais orientações médicas.

24/09/2008 - 18:35h Folha sabatinou Marta

foto Cesar Ogata
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Na sabatina da Folha, Marta deixou claro o centro das divergências que opõem o PT a administração demo-tucana.

Para estes últimos, o Estado deve ser reduzido a sua mínima expressão. Não é por acaso que sempre se comparam com “gerentes” ou administração de empresa. Uma boa administração pública para eles, é a que dá lucro, no caso dinheiro aplicado no banco. Hoje mais de R$ 4 bi da prefeitura estão no banco: falta remédios, médicos, creches, habitação, e investimentos; mas o dinheiro está no banco. Mas isto não significa que sejam ecônomos ou comedidos em matéria de endividamento, carga tributária ou contratos a preços acima do mercado. Basta ver o endividamento em que deixaram o Brasil após 8 anos de FHC e o patamar em que deixaram a carga tributária, para perceber que é lorota o de austeros administradores.

Para o PT o Estado é um instrumento de redistribuição, permitindo que os impostos recolhidos na base de quem ganha mais e paga mais, sejam investidos em serviços a população “corrigindo” assim, em parte, a desigualdade social existente na sociedade.

As reduções de impostos não devem ser em detrimento da ação do Estado e sim para ampliar a geração de riqueza que sustente a ação redistributiva do próprio Estado.

Marta mostrou que a atual administração é incompetente para gastar, apesar das necessidades crescentes da população e da cidade, privilegiando as aplicações financeiras. Foi assim, incluso com o dinheiro federal, que não foi utilizado no SAMU por exemplo. Os exemplos, que Marta forneceu foram vários.

Marta mostrou que deixou as finanças em melhores condições que quando ela assumiu a prefeitura. Explicitando ao mesmo tempo, o esforço que significou recuperar São Paulo após a passagem de Pitta e tendo que pagar 13% do orçamento pela dívida negociada entre Pitta e FHC.

Mesmo assim, com R$ 10 Bilhões a menos em valores atualizados, Marta criou 800 equipes de Saúde da Família, contra 200 mais na atual gestão 150 das quais sem médicos. Construiu 45 UBS novas e municipalizou a saúde, iniciando a construção dos dois hospitais, M’BoiMirim e Cidade Tiradentes (Kassab transformou 99 UBS em AMA e criu 13 AMAS novas); Marta construiu 21 CEU’s (contra 13 da atual gestão), construiu mais de 100 Km de corredores de ônibus, contra 8 Km da atual gestão; deu uniforme e material escolar; Vai e Volta; 8 programas sociais como o Renda Mínima, para quase 300 mil famílias.

Convidada a comentar o único programa implantado em 4 anos pela atual gestão, o Cidade Limpa, Marta mostrou que para ser limpa, a cidade precisa mais que proibir outdoors, ela precisa coleta seletiva, aterros sanitários, centrais de compostagem e recolher o lixo das favelas.

Nestas questões as concepções divergentes indicadas no começo desta nota foram ilustradas praticamente. Kassab pediu para reduzir o valor dos contratos e em contrapartida abriu mão destas exigências impostas por Marta nos contratos. A “economia”, pífia, em troca de deixar o lixo nas favelas, com conseqüências ambientais e de saúde pesadas, não compensa.

Por último, Marta mostrou a importância de internet para entrar de cheio na era digital, combatendo a exclusão digital das maiorias e de propulsar significativamente a construção de metrô para recuperar o atraso gigantesco nesta área, após 14 anos de governos demo-tucanos dos quais 8 anos com FHC como presidente. LF

05/09/2008 - 10:17h Lá como aqui: Propaganda enganosa

A matéria de capa do jornal O Globo mostra a propaganda enganosa, é a manchete do jornal,  feita pela candidata demo no Rio de Janeiro. Ontem eu mostrei aqui, com dados da própria prefeitura de São Paulo, que o candidato demo proferia um número grande de inverdades (Ver Os “flagras” mais grosseiros da sabatina de Kassab no Estadão) . O Jornal da Tarde (JT) também destacou em sua edição de ontem as inverdades e exageros das afirmações de Kassab (Ver JT também flagrou Kassab na sabatina). Pelo que pode se ver pela reportagem do Globo, no eixo Rio-São Paulo a coerência dos porta-bandeiras do ex-PFL é grande, no recurso a propaganda enganosa pelo menos. LF

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Gilberto Kassab e Solange Amaral, demos antenados na propaganda enganosa

http://oglobo.globo.com/jornal/oglobo/foto/capa__i.jpgCAPA DO JORNAL O GLOBO

Propaganda enganosa

 

Solange mostra na TV o que a prefeitura já não entrega

Eleições 2008

A candidata do DEM à prefeitura do Rio, Solange Amaral, exibe no horário eleitoral na TV o programa Remédio em Casa como exemplo de bom projeto da gestão Cesar Maia que teria continuidade com ela, sem informar que a distribuição de medicamentos está suspensa há um mês. Em alguns postos na Zona Oeste, as falhas já duram um ano.
Os relatos de irregularidade na entrega são freqüentes.
A prefeitura alega que havia problemas nas entregas e que foi aberta nova licitação.
O serviço atende cerca de 400 mil diabéticos e hipertensos.

 

 

Não tem nem para remédio
Prefeitura suspende distribuição de medicamentos, mas Solange usa programa na TV

 

 

Luiz Ernesto Magalhães – O GLOBO

O programa Remédio em Casa está paralisado, mas é citado pela candidata a prefeita Solange Amaral (DEM) no horário eleitoral como um bom exemplo de projeto na área de saúde da administração do prefeito Cesar Maia. A Secretaria municipal de Saúde admitiu ontem que a remessa das caixas com medicamentos para tratamento de diabetes e hipertensão está suspensa desde o início de agosto. A previsão é que o serviço, que atende 400 mil pessoas, seja retomado em outubro, com a conclusão de uma licitação.
O caso é um exemplo de como os candidatos usam o horário eleitoral para prometer o céu e mostrar realizações que não são bem assim. A disputa deve se acirrar ainda mais a partir de hoje, a exatamente um mês para as eleições.
Segundo a prefeitura, a suspensão ocorreu porque a antiga prestadora do serviço falhava na entrega das encomendas.
Por isso, o contrato foi suspenso e aberta uma nova licitação.
Os pacientes estão sendo orientados a buscar os remédios nos postos onde se cadastraram no programa. O problema, porém, se arrasta há bem mais tempo do que o que foi informado.
Na Zona Oeste, funcionários de postos de saúde, sem saber que falavam com um repórter do GLOBO, disseram ontem que em algumas unidades as falhas já duram cerca de um ano.
São os casos dos postos Flávio do Couto Vieira (Anchieta) e Hamilton Land (Cidade de Deus). No Posto de Saúde da Família Carlos Cruz Lima (Colégio), a unidade decidiu suspender o cadastro de novos pacientes.

Moradora recebe, mas família não

A entrega irregular afeta boa parte dos moradores da Vila Porto Velho, em Cordovil, inscrita no programa. É lá que mora a aposentada Wanda Silva, de 66 anos, que sofre de hipertensão e apareceu no horário eleitoral do DEM, falando bem do projeto e exibindo a caixa cheia de remédios, logo após a apresentação de imagens que mostram a chegada de um carteiro a um local não identificado com a remessa.
Ontem, Wanda voltou a elogiar a iniciativa da prefeitura e defende que o programa tenha continuidade.
Mas reclama que as falhas de entrega a levem a ter despesas extras com o tratamento médico. Ou apelar para a solidariedade: é hábito entre os vizinhos pedirem comprimidos emprestados.
As cartelas são devolvidas quando finalmente a encomenda chega.

— Fiquei sem o remédio durante dois meses logo depois de uma greve dos Correios. Recebi minha remessa, mas meu irmão e minha cunhada ainda não receberam. A gente até tenta pegar no posto, mas nem sempre tem todos os remédios — disse.
A assessoria de Solange alegou que o objetivo do programa, o primeiro em que a candidata tratou da saúde — tema que vem sendo explorado intensamente pelos adversários — foi destacar a importância do projeto.
A cem metros da casa de Wanda, vivem três pessoas de uma mesma família inscritas no programa. Vítima de um derrame há nove anos que a faz se locomover em cadeira de rodas, a aposentada Maria Aparecida Borges, de 66 anos, disse que há um ano não recebe os remédios para hipertensão.
Já sua mãe, Araci da Silva de 83, está há dois meses sem receber os seus.

— A gente vai ao posto de saúde e ninguém sabe quando a entrega será normalizada. Acho que é por ser ano de eleição — disse Maria.
Marido de Wanda, o funcionário público aposentado Luiz Carlos Pinhais da Silva disse ter esperança que a entrega dos remédios seja normalizada um dia. E que um candidato a vereador que, no sábado pagou a colocação de um portão na entrada da comunidade, cumpra a promessa de asfaltar as ruas se for eleito.

“A gente vai ao posto de saúde e ninguém sabe ao certo quando a entrega dos remédios será normalizada. Acho que isso acontece por ser ano de eleição
Maria Aparecida Borges, de 66 anos, hipertensa

Fiquei sem o remédio durante dois meses, logo depois de uma greve dos Correios. Recebi minha remessa, mas meu irmão e minha cunhada, ainda não. A gente até tenta pegar no posto, mas nem sempre tem todos os remédios
Wanda Silva, de 66 anos, hipertensa, que aparece no programa de Solange Amaral

30/08/2008 - 17:28h Lula: “Eu tenho lado, e meu lado é Marta”

Lula critica uso de sua imagem por candidatos da oposição

Em comício de Marta Suplicy, presidente afirma que candidata petista à Prefeitura é ’seu lado em São Paulo’

Alexandre Inácio, da Agência Estado e Andréia Sadi, do estadao.com.br

 


Marta e Lula durante comício em São Miguel
José Luís Conceição/AE

Marta e Lula durante comício em São Miguel

SÃO PAULO - O presidente Luiz Inácio Lula da Silva criticou neste sábado, 30, durante comício que marcou sua primeira participação na campanha da candidata do PT à Prefeitura de São Paulo, Marta Suplicy, em São Miguel Paulista, na zona leste da capital, a utilização de sua imagem por candidatos de partidos de oposição. “Como presidente, eu não tenho que apoiar ninguém, mas numa campanha política só tenho um lado, que é o lado da Marta aqui em São Paulo”, declarou. Antes do comício, Lula participou de carreata em carro aberto por cerca de dois quilômetros das ruas do bairro, acompanhado da candidata petista, dos senadores Eduardo Suplicy e Aloísio Mercadante, ambos do PT-SP, dos deputados federais Luíza Erundina (PSB-SP), Aldo Rebelo (PCdoB-SP) e do presidente da Câmara, Arlindo Chinaglia (PT).Veja também:

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linkAlckmin cai, Kassab sobe e reduz diferença para tucano

linkConfira o perfil dos candidatos à Prefeitura de São Paulo especial

Ao discursar para cerca de quatro mil pessoas, segundo a Polícia Militar, Lula ressaltou a força da mulher e disse que Marta foi vítima de preconceito quando prefeita de São Paulo, assim como Erundina quando esteve à frente da Prefeitura da capital. Segundo o Presidente, os quatro anos em que Marta ficou fora da Prefeitura foram importantes para a candidata ganhar sobriedade para o próximo mandato.

Lula confirmou a “parceria” com o governo federal que a candidata petista vem destacando em sua campanha, dizendo que vai haver maior afinidade entre a Presidência da República e a cidade de São Paulo se Marta Suplicy for eleita. Lula disse ainda que espera que o programa Farmácia Popular – que vende remédios mais baratos para a população de baixa renda – seja levado para todos os bairros da cidade. No comício, o presidente anunciou que irá assinar decreto na próxima semana estabelecendo a realização de exames oftalmológicos, dentários e de clínica geral em crianças nas escolas públicas de todo o País.

No comício, Marta ressaltou a importância dos CÉUs e lembrou que o primeiro inaugurado em seu mandato como prefeita foi na zona leste e teve presença de Lula. Além disso, Marta destacou que foi o governo de Lula que incluiu 51% da população na classe média. A candidata também fez críticas ao sistema de transportes da capital e disse que terá a parceria do presidente Lula para ampliar o metrô e estender a malha da zona leste.

24/08/2008 - 20:53h Alívio para as dores e o cansaço

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Novos tratamentos melhoram a vida de que tem doença reumática

Antônio Marinho* – O Globo

Há alguns meses, Natália Souza, de 35 anos, começou a se queixar de dores por todo o corpo e crises de enxaqueca; vivia cansada, desanimada, dormia mal e, sem qualquer motivo, sentia profunda tristeza. Depois de sofrer muito, passar por vários médicos e exames sem diagnóstico, deu sorte de achar um especialista. Soube que tinha fibromialgia.
Esta síndrome, cuja principal causa é o estresse e o estilo de vida moderno, é só uma das cem doenças reumáticas existentes, das quais a mais conhecida é a artrite. Para aumentar o conhecimento sobre essas doenças, a Sociedade Brasileira de Reumatologia lançou este mês uma campanha de esclarecimento à população.

Casos de difícil diagnóstico

Na campanha “Reumatismo é coisa séria”, a sociedade (www.reumatologia.com.br) quer incentivar o diagnóstico precoce e mostrar que as dores, em qualquer idade, têm alívio.
Um exemplo é a fibromialgia, que ataca 3% a 5% da população, com pico entre os 30 anos e 55 anos (80% mulheres) e afeta todo o corpo.
A maior dificuldade na fibromialgia é o diagnóstico. Uma cena comum é o indivíduo peregrinar por diversos médicos com dor generalizada. Ele gasta o que não tem com exames sofisticados e remédios, sem necessidade, segundo Evelin Goldenberg, doutora em reumatologia pela Unifesp e médica do Hospital Israelita Albert Einstein. O mal muitas vezes é acompanhado de depressão, inchaço, hábito de ranger os dentes no sono, problemas intestinais e dormência.

— Consultas rápidas baseadas em exames não têm qualquer valor. O diagnóstico é clínico.
Deve-se levar ouvir a história emocional e social desde a infância — diz Evelin, autora de “O coração sente, o corpo dói, como reconhecer e tratar a fibromialgia” (Ed.Atheneu).
Evelin já viu casos de pessoas com câncer e lúpus diagnosticadas com fibromialgia e vice-versa. Há pessoas que recebem tratamento para hérnia de disco, passam por fisioterapia e não melhoram porque seu problema é fibromialgia.
Geraldo Castelar, diretorcientífico da Sociedade Brasileira de Reumatologia, reforça que o diagnóstico é clínico, baseado em queixa de dor generalizada (pelo menos de 11 a 18 pontos do corpo), por mais de três meses.

— O tratamento deve envolver reumatologista, profissional da área da saúde mental, fisioterapeuta e professor de educação física — diz.
Às vezes, é preciso tomar remédios pelo resto da vida.
Não há pílula mágica, e o que funciona para um pode não ser bom para outro paciente.
Segundo o reumatologista Eduardo Sadigurschi, do Centro de Reumatologia e Ortopedia Botafogo, com o alívio da dor, o indivíduo tem boa qualidade de vida.
As dores no corpo podem ter outras causas, como, por exemplo, artrose e artrite reumatóide.
Na artrite, a inflamação pode começar numa infecção da articulação, como no caso da febre reumática.
Sem tratamento, cerca de 30% dos pacientes se tornam permanentemente incapacitadas em quatro anos. E chegam a perder 15 anos de expectativa de vida. Contra artrite os médicos receitam antiinflamatórios e analgésicos, mas a destruição do tecido continua.
Os maiores avanços são drogas biológicas que bloqueiam a atividade de substâncias envolvidas na inflamação, mas elas são caras. Há seis medicamentos desse tipo nos EUA e três em fase de aprovação.
Os resultados dos estudos com essas drogas parecem promissores. O americano Alan Moore, de 59 anos, sentiu os primeiros sinais da doença em 2001. Ele entrou num protocolo de pesquisa com uma droga biológica injetável e diz ter melhorado.

— Em alguns dias os sintomas praticamente desapareceram — conta Moore.
Segundo pesquisadores, em pacientes com doença moderada a grave a combinação de diferentes medicamentos pode ser a melhor opção. Em artigo na revista médica “Lancet”, o reumatologista Joel Kremer, frisa que é importante levar em conta o custo benefício.
O tratamento com agentes biológicos custa até US$ 18 mil por ano: — A abordagem inadequada da artrite reumatóide leva a cirurgias, causa baixa produtividade e perda de qualidade de vida, além de aumentar o risco de infecções e doença cardiovascular — afirma Kremer.
O tratamento da doença é mais eficaz quando iniciado no primeiro ano após os aparecimento dos sintomas, diz o especialista.

http://www.beliefnet.com/healthandhealing/images/FW00007.jpgSAIBA MAIS SOBRE AS PRINCIPAIS COMPLICAÇÕES

A causa exata é desconhecida. Cientistas afirmam que pessoas com artrite têm um sistema imunológico mais ativo, que produz em excesso proteínas normalmente encontradas no organismo e chamadas TNF-alfa (fatoralfa de necrose tumoral). Elas se acumulam nas articulações e causam a grave inflamação nas juntas, principalmente das mãos e dos pés, destruindo aos poucos a cartilagem e os ossos, causando dor, deformidades e limitando os movimentos, segundo a reumatologista Evelin Goldenberg. Atinge 1% da população mundial e a prevalência aumenta com a idade (de 5% em mulheres com mais de 55 anos).

SINTOMAS DA ARTRITE

Juntas rígidas como se estivessem enferrujadas, ao acordar pela manhã. Esta rigidez articular pode durar mais de uma hora. Fadiga inexplicável, inchaço e vermelhidão das articulações, principalmente das mãos, são outros sinais. Os pacientes têm erosão nas articulações rapidamente: 40% em 6 meses e 70% em dois anos.

PREVENÇÃO

Como não se conhecem as causas, não há prevenção, segundo Evelin. A artrite não é hereditária nem contagiosa.

TRATAMENTO
Apesar de a artrite reumatóide ser incurável, a pessoa pode ter boa qualidade de vida. De acordo com a gravidade, o médico pode receitar analgésicos, antiinflamatórios hormonais e não-hormonais, drogas anti-reumáticas modificadoras da doença e medicamentos biológicos (bloqueiam a atividade da TNF-alfa).

A FIBROMIALGIA

É uma síndrome dolorosa crônica, não inflamatória, caracterizada pela presença de dor músculo-esquelética difusa, ou seja, por todo o corpo e com múltiplos pontos dolorosos. O principal fator é o estresse, mas pode ser desencadeada por virose e até acidente traumático. É causada pelo aumento de compostos que produzem dor e diminuição de substâncias que aliviam o sintoma, como serotonina, noradrenalina e dopamina. O diagnóstico é exclusivamente clínico. O tratamento é sintomático e consiste no uso de medicamentos antidepressivos, anticonvulsivantes e analgésicos, associados a exercícios físicos, acupuntura e psicoterapia, dependendo da avaliação médica.

* Com o “New York Times”

22/08/2008 - 13:05h Novo “antibiótico” trata doença sem matar bactéria

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Brasileira nos EUA é co-autora de descoberta

 

 

IGOR ZOLNERKEVIC – COLABORAÇÃO PARA A FOLHA

Uma equipe de 15 pesquisadores publica hoje na revista “Science” a descoberta do que promete ser um tipo revolucionário de “antibiótico”. Entre aspas, porque, a rigor, a substância é um antiinfectivo.

“O nosso “antibiótico” não é tóxico para a bactéria”, explica uma das autoras do estudo, a brasileira Vanessa Sperandio, da Universidade do Texas (EUA). Em vez de envenenar bactérias, como todo antibiótico faz, as moléculas do estudo grudam na superfície delas, evitando que percebam que estão dentro de um organismo e que está na hora de atacá-lo.

Algumas bactérias são como cães; atacam quando “farejam o medo”. Elas percebem que estão dentro do corpo de um hospedeiro quando sentem a presença dos hormônios responsáveis pelo estresse, a adrenalina e a noradrenalina, que também controlam a imunidade.

“Já ouviu falar que quando estamos estressados é mais fácil ficarmos doentes? Quanto mais adrenalina e noradrenalina no corpo, mais rápido a bactéria produz suas toxinas ou penetra as células”, diz Sperandio. “Se a bactéria não sente os hormônios, o sistema imunológico consegue se livrar dela tranqüilamente.”

Esse “farejador de hormônios” existe em pelo menos 25 bactérias que atacam humanos. “São todas as bactérias que causam diarréias sanguinolentas”, explica Sperandio.

Ela investiga o mecanismo do “olfato” dessas bactérias desde 1997. Em 2003, Sperandio e seus colaboradores notaram que era possível “entupir o nariz” dos microrganismos com uma molécula apropriada.

Depois de três anos analisando 150 mil moléculas, uma por uma, encontraram a molécula chamada de LED209 -que “enganou” três espécies em laboratório. “Também conseguimos tratar animais -coelhos e camundongos- infectados com pelo menos duas das bactérias que estudamos”, diz.

O fato da LED209 impedir as bactérias de provocarem doenças sem eliminá-las é “um marco importantíssimo”, comenta a microbióloga Roxane Piazza, do Instituto Butantan.

Resistência

Segundo Sperandio, as bactérias resistem hoje a quase todos os antibióticos que existem. Isso por causa da maneira como agem esses remédios. “Suponha que um antibiótico mate 10 bilhões de bactérias do seu corpo, mas dez delas sobrevivam. Essas bactérias resistentes serão a maioria na próxima geração”, explica Sperandio.

“Passamos 40 anos sem fazer progresso em pesquisa de antibióticos, até concluirmos que precisamos usar mecanismos de ação diferentes.”

O LED209 também anima os pesquisadores porque não é tóxico às células de mamíferos. “É promissora para se usar em humanos”, diz Piazza. Ainda falta muito o que fazer, porém, para chegar a um novo remédio. Espera-se obter uma droga segura para testes clínicos em cinco anos. “Aí tem de vir uma indústria farmacêutica grande para tomar o projeto e levar para frente”, diz a brasileira.

21/08/2008 - 18:41h Coluna: estudo afirma que técnica de Alexander é eficaz para tratar dor nas costas

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EFE – O Globo

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LONDRES – A dor nas costas crônica, que afeta milhões de pessoas em todo o mundo, pode ser controlada pela técnica de Alexander. O método de reeducação postural, criado no século XIX, é precursor de outras práticas modernas como o RPG. A conclusão do estudo das universidades Southampton e Bristol, na Inglaterra, com mais de 500 pacientes foi publicada na última edição da revista “British Medical Journal”.

A técnica foi desenvolvida pelo ator australiano Frederick Alexander para tentar tratar seu próprio ronco, problema atribuído à tensão a que estavam submetidos seus órgãos vocais e o sistema neuromuscular. A técnica de Alexander ajuda a alinhar a cabeça, o pescoço e os músculos dorsais. Os praticantes afirmam que, além de melhorar a dor, o método alivia a tensão e o estresse.

Os pacientes que participaram do estudo disseram sentir menos dores que no começo do tratamento e asseguravam que sua qualidade de vida havia melhorado e que poderiam fazer coisas que antes a dor não lhes permitia.

Os voluntários foram divididos em grupos. Alguns receberam massagens corporais, outros foram submetidos a sessões de Alexander e um terceiro grupo participou de um programa de caminhadas diárias de meia hora. Algumas pessoas associaram os tratamentos.

As massagens apenas aliviaram as dores durante os três primeiros meses, mas seus efeitos não perduraram. Apenas aqueles que seguiram a reeducação postural apresentaram uma melhora geral. Os pacientes que conjugaram exercício físico a seis sessões da técnica tiveram experimentaram quase o mesmo benefício do qual se beneficiaram aqueles que fizeram 12 sessões. Os pacientes que combinaram a técnica de Alexander com exercício físico diário melhoraram entre 40% e 45%, segundo o professor Paul Little, da faculdade de Medicina da Universidade de Southampton.

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Certo e errado
Cuidados simples com a postura ajudam a manter a saúde da coluna e previnem dores

Maria Vianna, especial para O Globo Online

RIO – Aquela dor nas costas não vai embora mesmo com descanso e remédios? O problema pode estar em como você cumpre suas tarefas no dia-a-dia. De acordo com estatísticas da Organização Mundial de Saúde (OMS), cerca de 80% dos adultos sentem dores na coluna, em especial na cervical e na lombar, pelo menos uma vez na vida. E está enganado quem pensa que os piores vilões são o computador e a cadeira do trabalho. Lavar pratos, passar a roupa, se vestir, usar salto alto, carregar sacolas pesadas e até ler deitado podem afetar a saúde das articulações. (Clique aqui para ver imagens de como preservar seu corpo nas tarefas do cotidiano).

- Nosso corpo é feito para lidar com o movimento. As dores costumam aparecer quando nos viciamos em certas posições ou gestos e alguns músculos deixam de ser usados. Quando a musculatura fica muito tempo sem ser solicitada ela acaba se atrofiando, e isso causa uma série de problemas – explica a terapeuta corporal Carla Folly.

Para o fisioterapeuta Francisco Miguel Pinto, coordenador da Escola de Postura Brasil, a modernidade e a vaidade são os principais inimigos da boa postura.

- Por causa da ansiedade e da falta de tempo, acabamos fazendo tudo rápido e sem dar a atenção adequada ao corpo. No caso das mulheres, a situação piora porque a elegância e a estética acabam falando mais alto que o conforto. Temos que lembrar que nosso corpo funciona como uma máquina, mas nossas ‘peças’ não são substituíveis – diz o especialista.
Pequenas mudanças fazem uma grande diferença

Se mudar a forma de fazer as coisas é praticamente impossível, alguns exercícios podem ajudar a deixar o corpo menos suscetível a dores.

- Recomendo a meus pacientes que façam um alongamento diário e que, no fim do dia, deitem por alguns minutos de costas para o chão. Isso ajuda a alongar a coluna e relaxa a musculatura do corpo. No caso das mulheres, que usam salto diariamente, indico uma massagem na sola do pé com bolinhas de frescobol. Cerca de 10 minutos pisando na bolinha já traz um alívio e ajuda a descomprimir as articulações dos dedos, do calcanhar e do tornozelo – ensina Carla.

Outra dica para sentir menos dor é observar como você costuma se movimentar e tentar agir de maneira diferente, mesmo que no começo a tarefa fique mais complicada.

- Se você passa o dia sentado, tente levantar de hora em hora. Se você é destro, use mais a mão esquerda para escovar os dentes, abrir torneiras e pentear o cabelo. E sempre tente manter os dois pés no chão. Apoiar o peso do corpo em apenas uma das pernas é um vício comum que acaba comprometendo as articulações do joelho, do quadril e da lombar – indica a terapeuta.
Evite se medicar por conta própria

Se a dor não melhorar após alguns dias, a solução é procurar um médico. Só o especialista pode indicar o melhor tratamento para o caso.

- Muitas vezes as pessoas passam a tomar analgésicos quase que diariamente sem a recomendação do médico. Isso acaba encobrindo um problema que pode se tornar mais sério se não for tratado no início. Não adianta ficar esperando a dor passar – alerta o fisioterapeuta.

18/08/2008 - 20:47h O ritmo certo na caminhada e na corrida

Especialistas em medicina desportiva ensinam a tirar o melhor proveito da prática dos dois exercícios

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Antônio Marinho – O Globo

A seleção natural favoreceu os seres humanos que aprenderam a correr, habilidade importante para fugir de predadores e caçar. O homem desenvolveu características que lhe permitiram alcançar longas distâncias em menor tempo, destaca um estudo na revista científica “Nature”. Segundo os autores, isso foi essencial para moldar o corpo. E corrida hoje é uma ciência, foco de pesquisas que melhoram a performance de corredores.

Algumas serão apresentadas na Running Show 2008, de 21 e 24 de agosto, em São Paulo.

Novos acessórios para corredores ou caminhantes também serão lançados no evento.
Assim como os maiôs que estão fazendo a diferença na natação nos Jogos Olímpicos, eles aceleram os passos e proporcionam menor desgaste nas pistas. A caminhada é a primeira etapa antes de pensar em correr, mesmo pequenas distâncias. Este exercício mantém o peso adequado e reduz a pressão arterial. Renato Lotufo, especializado em medicina do esporte e fisiologia do exercício, diz que a prática protege contra cânceres de cólon e mama, diminui a dose de remédios em diabéticos.

Adaptação ao exercício exige planejamento Porém, é preciso manter um bom ritmo. Lotufo sugere caminhar de três a quatro vezes por semana, de 45 minutos a 1 hora. O treino deve ser intercalado com musculação, pelo menos duas vezes por semana, ou exercícios com base no pilates e de baixo impacto para fortalecer a musculatura articular.

— Uma pessoa de 70kg a 80kg gasta de 350kcal a 380kcal andando a 6km/h. Acima de 7km/h alguns não conseguem caminhar, dependendo de condições clínicas e tempo de inatividade — explica Lotufo, lembrando que antes de qualquer exercício devese passar por avaliação médica, teste ergométrico, ecocardiograma, exame de sangue e análise da pisada, e seguir orientação de profissional de educação física.

O personal trainer Miguel Sarkis, com experiência de 30 anos na preparação de corredores e atletas, diz que se o indivíduo não caminha há seis meses precisa levar em consideração o quanto aumentou de volume e de peso corporal, seu nível de estresse e seus hábitos alimentares.

Caminhar em 60% a 80% da freqüência cardíaca máxima melhora os sistemas cardiorrespiratório, ósseo, muscular, hormonal e metabólico. Sarkis indica 15 minutos, três vezes por semana, por três semanas, até não haver dificuldade.

— Planeje-se para alcançar 40 minutos ou 50 minutos. Podese eliminar gordura mantendo um ritmo moderado e dieta adequada — explica o personal, autor de “Andar ou correr?” (editora Referência).

Correr só quando bem preparado.

Segundo Sarkis, 70% das pessoas correm sem orientação. Pelo menos 60% das queixas em ortopedia são desse público, com sintomas de microfraturas que não se solidificam e problemas de tendão e ligamento. Uma pessoa caminhando produz 1,2 vezes o peso corporal no impacto da pisada. Ao correr, o impacto é de 2,5 vezes: — Deve-se correr em 70% a 80% da freqüência cardíaca máxima, diagnosticada em exame. Há pessoas que correm a vida inteira e continuam acima do peso, por falta de orientação, problemas emocionais e má alimentação.

Corredores que percorrem 10km em cerca de 60 minutos (6 min/km) têm boa carga genética e estão bem treinados.

Quem parou e quer voltar precisa tomar cuidados. O organismo pode ter perdido até 1,5% de condicionamento muscular ao dia sem que a pessoa perceba.

18/08/2008 - 19:44h São Paulo deixa recurso federal para farmácia popular guardado no banco

Recebi do vereador Paulo Fiorilo a seguinte nota em relação as Farmácias Populares na Prefeitura de São Paulo (ver também SAMU e Farmácia Popular: governo federal entra com a verba e a prefeitura de Kassab com o “trololó”)

NOTA

A imagem “http://www.ebal.ba.gov.br/novagestao/images/logo_farmacia_popular.gif” contém erros e não pode ser exibida.“Em matéria publicada nesta segunda-feira, 18 de agosto, o jornal O Estado de São Paulo afirma que prefeituras de partidos aliados do governo federal são privilegiadas no repasse de verba para o programa Farmácia Popular, ao contrário de municípios administrados pelo DEM e PSDB. Mas o acompanhamento da execução orçamentária da Prefeitura de São Paulo em relação a operação e manutenção de farmácias populares traz dados que indicam um péssimo aproveitamento dos recursos recebidos.

Entre 2005 e 2008, a gestão demo-tucana orçou em R$ 15 milhões os gastos com as farmácias populares. No entanto, até o dia 30 de junho, apenas R$ 2,7 milhões foram liquidados e quase R$ 6 milhões recebidos de repasses foram direcionados para aplicações financeiras, deixando de ser aplicados no programa. “É uma vergonha dizer que o governo federal não repassa o dinheiro, enquanto os recursos que chegaram ficam guardados no banco e a população tem dificuldade para adquirir os remédios”, afirma Paulo Fiorilo.

Com o subsídio, a farmácia popular disponibiliza para a população 96 medicamentos a preços bem abaixo dos de mercado e preservativos são distribuídos de graça.”

Paulo Fiorilo, Vereador do PT

09/08/2008 - 08:09h Anvisa dá alerta sobre bactéria hospitalar

Para a agência, país vive epidemia de infecção por micobactéria; médicos sugerem adiar intervenção que não seja urgente

Desde 2003, foram registrados 2.102 casos em 14 Estados; doença afeta cicatrização de feridas e causa perda de tecidos

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CLÁUDIA COLLUCCI – Folha de São Paulo

DA REPORTAGEM LOCAL

A Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) disse ontem que o país vive uma “emergência epidemiológica” causada por uma bactéria presente em equipamentos de cirurgia -chamada micobactéria. Há ao menos duas hipóteses para explicar os surtos dessas infecções: sujeira dos aparelhos e resistência da bactéria aos produtos de esterilização.

Nos últimos cinco anos, a micobactéria, uma “prima” da tuberculose, fez 2.102 vítimas em 14 Estados brasileiros, a maioria em hospitais privados. Em São Paulo, foram notificados 43 casos -os últimos em 2004. Neste ano, houve 76 novas ocorrências no Distrito Federal, em Goiás e no Rio Grande do Sul. Duas mortes estão sob investigação no Paraná.

Em razão dessas infecções, que causam perdas de tecidos, nódulos e feridas que não cicatrizam, o governo do Espírito Santo decidiu na última terça suspender as lipoaspirações.

Os infectologistas classificam a situação como “grave” e orientam que as pessoas adiem cirurgias eletivas (que podem esperar), como lipoaspiração e implantes de silicone, até que a situação esteja sob controle.

“A nota da Anvisa é positiva porque alerta as pessoas que vão fazer uma cirurgia que não tenha emergência e que possa ser postergada para que aguardem um tempo até a normalização da situação”, diz a infectologista do hospital Sírio Libanês Beatriz Souza Dias.

O infectologista David Uip também avalia que as pessoas devam adiar cirurgias que não tenham urgência. Ele reforça que os órgãos de vigilância precisam explicar as razões que levaram o país a registrar esse alto número de infecções que, na sua avaliação, seriam evitáveis se houvesse um mecanismo de controle eficaz. “Esse é um processo complicado, que envolve perdas e é prolongado.”

Segundo a Anvisa, as infecções estão “fortemente relacionadas às falhas nos processos de limpeza, desinfecção e esterilização de produtos médicos”.

Na maioria dos serviços de saúde investigados pela agência, os instrumentos cirúrgicos foram submetidos somente ao processo de desinfecção, e não à esterilização, como é preconizado na legislação para a eliminação da bactéria.

Ontem, a Anvisa sugeriu, como medida cautelar, que os hospitais deixem de usar um dos produtos mais empregados na esterilização de equipamentos, o Glutaraldeído a 2%.

Resultados preliminares de um estudo da UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro) mostraram que uma das cepas da bactéria -M. massiliense- envolvida nos surtos apresentou resistência ao produto mesmo após dez horas de exposição. O produto foi eficaz para combater outras duas cepas.

A orientação da Anvisa é que a esterilização seja feita com outros produtos. Para a agência, as infecções pela micobactéria são uma “doença emergente”, que “não tem registro aqui e nem em outros países”.

Outra medida estudada pela Anvisa é limitar o número de videocirurgias (que usam cânulas e câmeras que adentram o corpo do paciente por meio de buracos na pele) feitas por dia em hospitais e clínicas. A medida seria para garantir que haja tempo suficiente para que os equipamentos cirúrgicos sejam adequadamente esterilizados.

EFEITOS

VÍTIMAS TÊM DE FAZER NOVAS CIRURGIAS PARA CORRIGIR CICATRIZES

Muitas vítimas da micobactéria estão tendo de fazer novas cirurgias para retirar tecidos atingidos ou para corrigir cicatrizes, segundo associações de pacientes. Elas também sofrem com os efeitos colaterais do coquetel de antibióticos. Há casos em que a terapia fracassou e outros em que as vítimas correm risco de amputação de membros, especialmente as que tiveram infecções ósseas. Os sintomas da infecção podem surgir até dois anos após a cirurgia. O Ministério da Saúde fornece os remédios usados contra a infecção.

31/07/2008 - 16:30h Médico critica indicação abusiva de medicamentos para dores nas costas

A imagem “http://imirante.globo.com/oestadoma/semanal/familia0906102/jfamilia201.jpg” contém erros e não pode ser exibida. AMARÍLIS LAGE

JULLIANE SILVEIRAda Folha de S.PauloPara o reumatologista José Goldenberg, professor da Unifesp (Universidade Federal de São Paulo), outro problema no atendimento dos pacientes com dores nas costas é que a avaliação médica tem sido cada vez mais restrita à realização e à interpretação de exames. No caso das lombalgias, afirma, isso é especialmente prejudicial, já que nem sempre há uma correlação entre a imagem e o sintoma.”É possível existir dor sem alterações no exame e ter uma hérnia de disco sem dor. Mas houve uma substituição do ato médico pela máquina, e a gente vê decisões médicas serem tomadas sem o amadurecimento necessário, com base nas imagens”, afirma Goldenberg, autor do livro “Coluna Ponto e Vírgula” (ed. Atheneu, 146 págs., R$ 42,30).No que se refere ao tratamento, ele critica o que avalia ser uma indicação abusiva de antiinflamatórios e analgésicos e de procedimentos invasivos como a cirurgia de hérnia.”A recomendação geral é que a operação só seja feita após trabalhar os fatores de risco por um período de 6 a 12 semanas e se houver uma correlação clara entre os exames clínico, neurológico e de imagem”, diz.O uso de antiinflamatórios e analgésicos também deve ser cauteloso. Segundo Osmar Avanzi, professor da Faculdade Santa Casa e membro da Sbot (Sociedade Brasileira de Ortopedia e Traumatologia), quem tem problemas gástricos, renais ou hepáticos deve evitar esse tipo de medicação.Excesso de remédiosMesmo quem está livre desse tipo de problema não pode usar esses remédios de forma abusiva ou por um período de tempo muito prolongado –um estudo canadense baseado em dados do sistema público de saúde de Quebec mostrou que, para cada US$ 1 gasto em antiinflamatórios, mais US$ 0,66 eram desembolsados para combater seus efeitos colaterais.Ainda assim, segundo dados norte-americanos divulgados no “Spine Journal”, de cada 100 pessoas que procuram o sistema básico de saúde por dor nas costas, 80 são medicadas –destas, 69 com antiinflamatórios.Segundo a publicação, o uso dessa medicação, assim como o de analgésicos, é indicado para o alívio da dor lombar crônica, mas é preciso que os médicos informem os pacientes sobre os riscos e os benefícios.De acordo com Goldenberg, o indicado é que tanto a avaliação médica como o tratamento incluam os principais fatores de risco relacionados à dor nas costas, como o peso, a postura e até a situação emocional do paciente.Um exemplo é o efeito do sedentarismo: a musculatura das costas, responsável por manter o tronco ereto, conta com a ajuda dos músculos do abdômen para sustentar o corpo. Quando a barriga está flácida e fraca, a maior parte do trabalho fica com as costas. E o centro de equilíbrio do tronco fica desalinhado, forçando a coluna e os músculos dessa região, explica a fisioterapeuta Gerseli Angeli, do Cemafe (Centro de Medicina da Atividade Física e do Esporte), da Unifesp.A imagem “http://www.jovempanfm.com.br/tematicas/fitness/image/Clau25.jpg” contém erros e não pode ser exibida.Já a prática de exercícios de alongamento e de fortalecimento do abdômen três vezes por semana leva, num período de dois ou três meses, a uma melhora da condição muscular.De acordo com o levantamento publicado no “Spine Journal”, há evidências moderadas de que exercícios aeróbicos e de alongamento, assim como hidroginástica, são efetivos para reduzir a incapacidade gerada pela dor nas costas.Segundo a publicação, ainda não há pesquisas que comprovem a relação entre parar de fumar e emagrecer e a melhoria de lombalgias. A indicação, porém, permanece: para os pacientes fumantes, que parem de fumar. Aos com sobrepeso, que emagreçam. (E aos pesquisadores, um “forte encorajamento” para que estudos sobre o tema sejam realizados.)As mudanças no estilo de vida não garantem uma “imunidade” contra a dor nas costas, mas, associadas a outros fatores, podem ajudar a preveni-la. E, num cenário em que os tratamentos despertam tantas polêmicas e incertezas, parece ainda mais válido o ditado: prevenir é o melhor remédio.

31/07/2008 - 14:27h Recuperação de dor nas costas é mais difícil que o previsto

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AMARÍLIS LAGE e JULLIANE SILVEIRA – Folha de S.Paulo

Raymundo, Patrícia e Viviane têm um problema em comum: a dor nas costas. E é muito provável que você se junte a eles nesse grupo. Afinal, segundo estimativas da Organização Mundial da Saúde, 85% da população vai viver ao menos um episódio de dor nas costas ao longo da vida. E, prepare-se, porque, para esses bilhões de pessoas, as notícias não são boas.

Um estudo publicado neste mês no “British Medical Journal” mostrou que a recuperação das lombalgias (dores lombares) é muito mais longa do que o previsto pelas atuais orientações médicas.

Os pesquisadores, liderados por Christopher Maher, do George Institute, na Austrália, acompanharam 973 pacientes nesse país. Pelas diretrizes, o esperado era que 90% deles se recuperassem em até seis semanas. O resultado: um terço continuava a sentir dor um ano após o início do problema -a dor nas costas passa a ser considerada crônica após três meses.

Eduardo Knapp/Folha Imagem
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O bailarino Raymundo Costa, 50, integrante da Cia. 2 do Balé da Cidade, sofre com os movimentos repetitivos que executa

E, para quem chegou a esse estágio, a perspectiva de tratamento também não é das melhores. “The Spine Journal”, uma das principais publicações destinadas ao assunto, dedicou sua primeira edição deste ano à avaliação das opções de tratamento para lombalgia crônica. O problema, segundo os autores, já começa na hora em que o paciente decide buscar ajuda. A quem recorrer: acupunturistas, reumatologistas, massagistas, ortopedistas, quiropraxistas?

A variedade de tratamentos é ainda maior. A publicação reuniu pesquisas sobre aproximadamente 200 opções –o que foi chamado de uma seleção “simplificada”. A lista inclui mais de 60 remédios (de antiinflamatórios a antidepressivos), 32 terapias manuais, 20 programas de exercícios, 26 modalidades físicas passivas, nove terapias educacionais e psicológicas, mais de 20 tipos de injeção, além de procedimentos cirúrgicos, abordagens de medicina alternativa e diversos produtos como cintas e cadeiras especiais.

Uma oferta que, de acordo com a revista, remete a um verdadeiro “supermercado” para dor nas costas.

Não bastasse a confusão que esse excesso de opções poderia causar, a conclusão dos pesquisadores é que as evidências científicas são limitadas, tratamentos que nunca foram submetidos a testes são apresentados como chances de cura e, quando as pesquisas mostram que determinado procedimento gera apenas um benefício mínimo, ele não é descartado.

“O problema é que nós não entendemos as lombalgias muito bem. Até o momento, quase todos os tratamentos são voltados para os sintomas, e não para a causa. Para a maioria das pessoas, a causa da dor nas costas nunca é estabelecida e o diagnóstico da estrutura que causa a dor não é possível. Assim que nós pudermos definir o que causa o problema, poderemos desenvolver estratégias para preveni-lo ou tratá-lo de forma mais efetiva”, disse à Folha o pesquisador Christopher Maher, do George Institute, responsável pela pesquisa.

Eduardo Knapp/Folha Imagem
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Dentista Patrícia Kalina sofre de dores na coluna devido às posturas expecificas a que tem de se submeter durante seu trabalho

Uma barreira para que esse avanço ocorra, porém, é que a dor nas costas não é um tema prioritário para as agências de pesquisa, afirma Maher. “É muito difícil convencê-las a financiar pesquisas sobre lombalgias, embora esse seja um problema que custe bilhões de dólares por ano.”

Do médico à benzedeira

É nesse cenário que quem sofre com dor nas costas inicia a sua saga –que pode durar semanas, meses ou anos. No método de tentativa e erro, pacientes e profissionais de saúde vão descartando opção por opção na busca da cura.

“A maioria dos pacientes que chegam ao ambulatório já passou por muitos profissionais e experimentou diversos tratamentos. Tomou remédios, fez massagens, submeteu-se a sessões de acupuntura, tomou fitoterápicos. Cansadas e com dor, as pessoas procuram até benzedeiras”, conta o fisiatra Carlos Alexandrino de Brito, coordenador da Escola de Postura da divisão de medicina de reabilitação do Hospital das Clínicas da USP (Universidade de São Paulo).

Para ele, os pacientes muitas vezes recorrem a essas opções porque não receberam o apoio dos médicos que os atenderam: “Como a dor nas costas atinge muita gente, os médicos desvalorizam o problema”.

“São poucos os que querem se dedicar a essa área, e o assunto vira até piada. Muitos profissionais não entendem o prejuízo financeiro, social e psicológico que a dor nas costas traz. Em vez de avaliar o paciente de forma adequada, receitam um remédio para tratar a dor –e não a sua causa”, afirma Brito.

Um risco, de acordo com o fisiatra, é que uma abordagem superficial acabe deixando passar problemas graves que também podem gerar dores na região das costas, como alguns tumores, alterações cardiovasculares, processos reumáticos e problemas gástricos.

15/07/2008 - 22:47h Contribuição de Marta Suplicy sobre saúde no seminário do PT

O Seminário do PT contou com a participação (de esq. a direita) de Gonzalo Vecina e Cláudio Lottemberg, Secretários Municipais de Saúde de Marta Suplicy e José Serra, respectivamente, com Marta Suplicy. Na foto junto com o vereador José Américo e o coordenador do programa de Marta, Jorge Wilhem

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Minhas amigas, meus amigos…

Quero agradecer a presença de Cláudio Lottemberg, presidente do Hospital Albert Einstein, e de Gonzalo Vecina, que foi meu secretário da Saúde e hoje é superintendente do Hospital Sírio-Libanês.
Quero agradecer, também, a presença de todos vocês – deputados, vereadores, profissionais da saúde, lideranças comunitárias, militantes do PT.
Vamos dar início, hoje, ao debate de mais um tema do seminário “São Paulo: Novos Caminhos”. Vamos falar de saúde.

(mais…)

21/05/2008 - 11:36h Projeto de felicidade leva à insatisfação, afirma Contardo

Sabatina / Contardo Calligaris

Em sabatina, o psicanalista , escritor e colunista da Folha diferencia “perdedores’ e “infelizes’ e comenta depressão em jovens

O PROJETO DE SERMOS felizes é profundamente errado, concebido para nos manter na insatisfação, requisito da sociedade de consumo. A afirmação é do psicanalista Contardo Calligaris, 59, colunista da Folha, sabatinado ontem pela manhã num Teatro Folha lotado, em SP. Entrevistado pelos jornalistas da Folha Marcos Augusto Gonçalves, Cleusa Turra, Marcos Flamínio Peres e Ivan Finotti, Contardo falou de remédios (”Lexotan acho legal”), relação de pais e filhos (”os adultos deveriam parar de pedir para que jovens sejam felizes”) e o valor da solidão (”Não sou gregário. Coletividade grande, tenho alergia”).

FELICIDADE
O verdadeiro perdedor é aquele que, na última hora, olhando para trás, vai ter a impressão de que desperdiçou a sua corrida. O que ele acumulou, tudo isso me parece bastante acessório. Para mim, o perdedor é aquele que não conseguiu viver sua vida com toda a intensidade que ela merece. O que não tem nada a ver com felicidade. O projeto de sermos felizes é profundamente errado, concebido para nos manter na insatisfação, o que é absolutamente necessário na sociedade de consumo. O ganhador é quem teve uma alta qualidade de experiência, seja qual for, que tenha sido intensamente. A felicidade, eu sou contra. Sexo não é felicidade, é alegria.

REMÉDIO X ANÁLISE
Lexotan eu acho legal. Primeiro, porque eu não estou nada convencido de que haja qualquer oposição de fundo real entre a psiquiatria, ou a neuroquímica, e a psicanálise, ou as terapias pela palavra de modo geral. As pesquisas que existem dizem não somente isso mas que, enquanto intervenções, elas se fortalecem. Usar antidepressivos ajuda as pessoas diagnosticadas com depressão em 36% dos casos. A psicoterapia pela palavra também ajuda as pessoas em 33%, 34% dos casos. As duas coisas juntas, por uma razão misteriosa, se fortalecem e ajudam 64%, 65% das pessoas. Segundo, existe uma questão de fundo: sou materialista. Acredito que o afeto, a emoção ou o pensamento tenha ou deva ter algum dia uma descrição neuroquímica absolutamente apropriada.

ABUSO DE REMÉDIOS
Não tenho nada contra o uso de medicamentos, mas tenho bastante contra o uso indiscriminado de psicotrópicos, sobretudo no caso da depressão. Acho que os antidepressivos têm de ser prescritos num caso de depressão, e não simplesmente porque o cara não está feliz. Há uma certa tendência nessa direção. E pior ainda no caso da adolescência e da infância, em que o uso de psicotrópicos está se tornando um caso muito sério. Porque os pais não agüentam nem um pouco a infelicidade dos filhos, seja qual for a idade deles. Existe uma intervenção neuroquímica cada vez maior em adolescentes. Na infância e na adolescência, a gente vive momentos alegres e tristes. E uma das razões pelas quais a gente faz filhos é para que eles encenem uma felicidade que não temos. Se o cara não sorri, pílula. Sou contra isso.

ADOLESCENTE
A adolescência de fato, como uma idade separada da vida, é recente, pós-Segunda Guerra, quando os adultos começam a criar uma fase da vida específica à qual atribuem algumas características como rebeldia, insubordinação. O que sobrou de desejo de sair daquele cenário de “american beauty” [beleza americana], de desejo de aventura, foi pendurado nas costas dos adolescentes. Eles é que se encarregariam da nossa rebeldia, nossa vontade de sermos outros, de realizar sonhos que não conseguimos nem confessar a nós mesmos. Os adolescentes se encarregaram disso muito bem, até porque são excelentes intérpretes do desejo dos adultos.

DEPRESSÃO EM JOVENS
A vida deles [crianças e adolescentes] não é engraçada. Não acho uma idade legal: essa é uma visão idealizada dos adultos. A infância e a adolescência são épocas muito problemáticas da vida. Na infância, estamos longe de corresponder fisicamente e simbolicamente ao que a gente deseja; a palavra da gente é atropelada. Na adolescência, é pior ainda. São épocas de extremo conflito interno, definição identitária, descoberta de fantasias e orientação sexuais. Eu acho que os adultos deveriam parar de pedir para que os jovens sejam felizes, porque isso só serve à vontade que eles têm de ver nas crianças um espetáculo de felicidade.

SEXO NA VELHICE
Há um imaginário social de que a pessoa a partir de certa idade deveria estar acima disso, dessas “baixarias”. Durante décadas, a idéia era de que a menopausa era fim não da fecundidade, e sim da feminilidade. Eu fui treinado muito bem. Tive uma avó que adorava. E que, aos 70, 75 anos, ainda era cantada na rua. Uma vez, ela estava sentada no cinema comigo, e vi que chegou um cara e sentou ao lado dela. Achei estranho porque tinha outros lugares. De repente, ela levanta xingando o cara, me pega pela mão e troca de fileira. Ele havia colocado a mão na minha avó, o que demonstra que aos 75 anos rola. E que ela era muito bonita.

SÓ OU ACOMPANHADO?
Não me coloquei essa pergunta de forma radical, mas, de alguma forma, é uma questão que está ali o tempo inteiro. A gente tem sempre momentos em que precisa de uma certa solidão, de recolhimento interior. Sempre vivi com alguém, mas não sou gregário. Coletividade grande, tenho uma alergia séria. Situação gregária é qualquer situação em que o grupo me manda fazer coisas que não são exatamente as que quero fazer. Quando o grupo ameaça a minha individualidade.

MAIO DE 68
Eu militava na esquerda italiana. Tinha mais contato com a contracultura norte-americana do que com a cultura política européia, porque estava casado com uma norte-americana e ia ao país com freqüência. O que mais importava era a revolução na maneira de pensar e de se relacionar, era a utopia concreta, que estava na maneira de conviver de quem militava em 68. E essa utopia eu acho que vingou. Foi a única verdadeira revolução do século 20, ou a única de sucesso.

20 ANOS DE BRASIL
Vejo mudanças concretas enormes no Brasil de 1986 até hoje. Cheguei a um país onde aconteciam coisas completamente inéditas para mim. As pessoas, por exemplo, compravam linhas telefônicas para investimento. Era um negócio estranhíssimo. Mas nunca achei o país provinciano. Nem naquela época. Especialmente SP, que é uma das cidades menos provincianas do mundo. Muito menos do que Paris e, num certo sentido, menos provinciana do que Nova York. E certamente menos do que uma cidade italiana.


Assista a vídeo com íntegra da sabatina

05/05/2008 - 18:25h Salvem os antibióticos

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Coluna Ciencia em Dia

Folha de S.Paulo

A fundação norte-americana Pew Charitable Trusts é conhecida por apostar fundo na produção de conhecimento e ferramentas de análise para resolver problemas contemporâneos e aperfeiçoar políticas públicas. Na semana passada, publicou um relatório duro da comissão que trabalhou dois anos e meio sobre o sistema industrial de produção de carne (bois, porcos e aves). É de tirar o apetite.

O estudo de 124 páginas recebeu o título de “Pondo a Carne na Mesa” e pode ser baixado da página da Pew na internet (www.pewtrusts.org). Vai direto ao ponto: “O sistema atual para produção de alimentos de origem animal nos Estados Unidos não é sustentável e representa um inaceitável nível de risco para a saúde pública e de dano ao ambiente, assim como traz malefício desnecessário aos animais que criamos para comer”.

O relatório lista “n” fatores em apoio a essa conclusão. Um dos preponderantes, que acabou se tornando muito atual, é a dependência da agropecuária americana dos preços baixos do milho, base da ração usada para o animal ganhar peso em confinamento. A demanda pelo grão para produzir álcool combustível está pulverizando essa fonte barata de proteína, justamente no momento em que o preço do petróleo – de onde saem combustíveis para máquinas e matérias-primas para fertilizantes e defensivos – também bate recordes.

No quesito água, o estudo fornece uma informação preocupante: metade do aqüífero Ogallala já foi exaurida. Com mais de 450 mil quilômetros quadrados, o reservatório debaixo dos Estados de Nebraska, Kansas, Colorado, Oklahoma, Novo México e Texas fornece 20% de toda a água usada em irrigação nos EUA. Não demora em acabar, pois está baixando cerca de um metro por ano.

Chocantes, mesmo, são as conclusões na área dos efeitos sobre a saúde pública. Das 12 recomendações do capítulo, metade diz respeito ao abuso de antibióticos na agropecuária. Além de prevenir e tratar infecções nos animais, antibióticos também são empregados como aditivos na ração, para aumentar o ganho de peso.

Quanto mais se usam antibióticos, em humanos ou animais, pior se torna o problema da resistência. A maior parte das bactérias expostas a esses remédios morre. As poucas que tiverem resistência ao composto, porém, ganham uma enorme vantagem competitiva e se reproduzem rapidamente, passando a infectar os organismos sem que o antibiótico em questão possa eliminá-las. Com o tempo, surgem cepas terríveis de micróbios, que deixam os médicos sem ação.

O relatório diz que o fenômeno da resistência já se tornou “epidêmico”. Propõe, por isso, uma medida radical: banir todo uso não-terapêutico de antibióticos na pecuária. Ou seja, essas drogas só poderiam ser empregadas para tratar animais com infecção ou para prevenir infecções naqueles que comprovadamente tenham sido expostos a elas. Quanto ao uso terapêutico, propõe tornar obrigatória a regra de excluir do tratamento de animais aqueles antibióticos classificados como importantes para a saúde humana.

A Suécia baniu os antibióticos não-terapêuticos em 1986. A Dinamarca, em 1998. A União Européia, em 2006. Como resultado, vem diminuindo o reservatório de genes para resistência que poderia armar os germes capazes de atacar humanos (bactérias trocam material genético a torto e a direito).

E você, já ingeriu a sua ração diária de antibióticos?

Escrito por Marcelo Leite

28/04/2008 - 09:26h Para médico, ricos têm visão equivocada de que não precisam do sistema público

Folha de São Paulo

DA REPORTAGEM LOCAL

L'image “http://www.steril-aire.com.br/images/health.jpg” ne peut être affichée car elle contient des erreurs.Para o médico Gilson Carvalho, especialista em saúde pública, falta dinheiro ao SUS (Sistema Único de Saúde) porque as classes mais ricas pensam que não precisam dele.
São tarefas do SUS o controle de doenças e a vigilância sanitária (fiscalização de medicamentos, alimentos, hospitais e restaurantes). Os procedimentos de hemodiálise, os transplantes de órgãos e a distribuição das drogas de Aids também são pagos pelo sistema público.
“O SUS, ainda que não seja, fica quase classificado como um sistema de saúde de pobres. Falta pressão da classe média e da classe rica em defesa do sistema”, diz Carvalho.
Antonio Ivo de Carvalho, diretor da Escola Nacional de Saúde Pública, concorda: “O Brasil tem êxitos sanitários laureados internacionalmente”.
As falhas, porém, são grandes. O Rio enfrenta hoje a pior epidemia de dengue dos últimos anos. Os salários dos profissionais de saúde são baixos. O governo paga mal pelos serviços. Faltam remédios e leitos nos hospitais. A espera por uma cirurgia pode durar meses.
O médico Gastão Wagner, que foi secretário-executivo do Ministério da Saúde no início do governo Lula, aponta problemas na organização do sistema. Ele diz que a população nem sempre encontra todos os procedimentos médicos porque os hospitais não conversam entre si para dividir o trabalho. Todos, mesmo os vizinhos, acabam oferecendo apenas aqueles procedimentos que são mais bem remunerados pelo SUS. “Trabalham com a lógica do mercado.”
Para Renilson Rehem, secretário de Assistência à Saúde no governo Fernando Henrique, apesar dos problemas, a saúde pública tem melhorado. “Você tem problema de saúde em qualquer lugar.” (RW)

23/04/2008 - 19:57h Saúde terceiriza exames e entrega de remédios em SP

Deputados temem que haja descontrole e prejuízo à qualidade do serviço

Fabiane Leite – O Estado de São Paulo

O secretário estadual da Saúde de São Paulo, Luiz Roberto Barradas Barata, afirmou ontem que a centralização de exames em poucos laboratórios privados é um processo “irreversível” e revelou outras terceirizações em curso em sua pasta, como a de exames de imagem e da dispensação de medicamentos de alto custo, para doenças como hepatite C.

O secretário afirmou que todos os diagnósticos de dengue do Estado passarão a ser feitos por laboratórios privados. “A terceirização está sendo feita de maneira criteriosa, na busca de qualidade e rapidez”, afirmou o secretário durante audiência pública da Comissão de Saúde e Higiene da Assembléia Legislativa sobre a terceirização de exames clínicos que ocorre no Instituto de Infectologia Emílio Ribas e em mais de 30 hospitais ligados ao governo estadual. Os deputados temem que as terceirizações impliquem em descontrole e prejuízos à qualidade dos serviços. Barradas, no entanto, destacou que só exames de rotina (urina, glicemia) têm sido terceirizados, não os de emergência.

Segundo Barradas, quatro entidades filantrópicas reconhecidas como parceiras do Estado contrataram laboratórios privados para fazer exames de sangue e urina gastando cerca de um terço do custo anterior, de R$ 17 por exame, e a mesma qualidade. Os valores, no entanto, são contestados por funcionários do instituto.O Ministério Público já abriu inquérito civil público sobre o caso e solicitou à comissão parecer sobre a terceirização no Emílio Ribas.

O relator do caso na comissão, deputado Uebe Rezeck (PMDB), foi contrário à entrega dos serviços a uma unidade privada ligada à empresa Diagnósticos das Américas.

Pela legislação do Sistema Único de Saúde (SUS), serviços públicos da área só podem ser terceirizados se comprovada a incapacidade do Estado para executá-los. As ações devem ser repassadas preferencialmente a entidades sem fins lucrativos.

Barradas foi questionado ontem por supostamente ter feito as terceirizações desrespeitando a legislação do SUS e a própria lei estadual que abriu a possibilidade de parcerias com entidades privadas na administração de hospitais, a chamada lei das Organizações Sociais do Estado. Em 1998, ela permitiu que o setor privado gerisse hospitais novos do Estado, desde que comprovassem capacidade na área, mas vetou o expediente em serviços já estabelecidos, antigos. Os laboratórios atuais foram escolhidos sem licitação, mas Barradas destacou que foram seguidas recomendações do Tribunal de Contas.

Funcionários do Emílio Ribas protestaram durante a audiência. “Estamos com atrasos em exames do ambulatório e enfermaria”, disse Carlos Frederico Dantas Anjos, diretor clínico do hospital. Ele afirmou que após a terceirização faltam kits mesmo para exames que continuaram a ser feitos na unidade.

20/04/2008 - 13:20h Perder peso por uma questão de sobrevivência

Médicos e pacientes discutem os prós e contras do tratamento clínico e da cirurgia para curar obesidade grave

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Antônio Marinho – O Globo

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Aos 18 anos, Leila de Morais era magra. Dez anos depois, devido à compulsão alimentar, o seu peso havia triplicado, e ela chegou a 174kg. Hoje, aos 35 anos, e seis meses depois de se submeter a operação de redução de estômago, está com 120kg. Sua meta são 74kg. Sônia Fortunato Gonçalves também encarou o bisturi para não morrer.
Há duas semanas, entrou num hospital com 167kg e começa a emagrecer. Elas sofrem de obesidade mórbida, quando o índice de massa corpórea (IMC) está acima de 40kg/metro quadrado e há doenças associadas.
Leila e Sônia têm uma certeza: se antes de engordar tanto tivessem recebido atendimento multidisciplinar, com médico, nutricionista, psicólogo e profissional de educação física, não precisariam da operação.
No caso delas, a operação, chamada bariátrica, foi a última saída. Recurso que os 40 mil obesos mórbidos do Rio estão longe de conseguir. A situação é mais grave porque em todo o estado apenas o Hospital de Ipanema (média de uma cirurgia por semana) e o Hospital Universitário Clementino Fraga Filho, da UFRJ (média de uma por mês), oferecem o procedimento na rede pública. A fila é de quatro mil pacientes em cada unidade.
Tem gente que espera até seis anos pela chance, como Sônia.
Faltam recursos humanos e financeiros, além de infra-estrutura, para atender o crescente número de casos de obesos mórbidos, e muitos morrem na fila.
Na rede privada, só a cirurgia bariátrica custa de R$ 20 mil a R$ 30 mil, fora gastos com o pósoperatório, que requer visitas mensais a endocrinologista, nutricionista e psicólogo. Dois anos depois da operação, mais gastos com cirurgias plásticas.

Pacientes operados recuperam parte do peso

Quem chega ao hospital do Fundão não encontra vaga. O serviço atende apenas 50 pessoas.
Rosimeire Lima da Silva, diretora da ONG Grupo de Resgate à Auto-Estima e Cidadania do Obeso (Graco), encaminha pacientes ao HUCFF e recebe pelo menos 400 obesos por mês, na sede da Penha.

— No Fundão, eles fazem inscrição e aguardam, sofrendo com as doenças associadas à obesidade. Vivem na esperança de serem chamados. A previsão é de ser operado em quatro a cinco anos. E o HUCFF não opera ninguém acima de 160 quilos.
No Graco temos indivíduos com mais de 200kg. — diz Rosimeire, operada em 2001.
Ela, que tem 1,60m, chegou a pesar 145kg, reduziu para 65kg e agora pesa 74kg, afirma que o melhor é investir na prevenção da obesidade e tratar de forma eficaz as pessoas com IMC acima de 30 (doença moderada) para evitar que cheguem à morbidade.
A cirurgia é de alto risco e o pós-operatório exige muito comprometimento do paciente.
Existe muita desinformação a respeito da cirurgia bariátrica e de suas complicações. O obeso mórbido terá que se cuidar pelo resto da vida.

— Conheço pessoas que operam e acham que isso resolverá todos os seus problemas, e que elas não precisarão mais de dieta, médico e psicólogo. Resultado: engordam novamente. Já vi casos de pacientes que não tinham indicação para a cirurgia e que poderiam ter insistido em emagrecer apenas com o tratamento clínico, mas passaram a comer mais e abandonaram remédios só para preencher os critérios cirúrgicos — conta.

Tratamento multidisciplinar pode evitar o bisturi

Ela acredita que o bom tratamento clínico, com médicos, nutricionistas, psicólogos, professores de educação física e outros profissionais resolveria a maioria dos casos de obesidade, antes que a cirurgia seja inevitável.

Mas admite que isso é difícil porque a maioria dos gordinhos não recebe cuidado multidisciplinar.

Além disso, eles fazem dietas malucas, se entopem de fórmulas à base de anfetaminas e são sedentários. Sem falar nos casos de depressão e de compulsão alimentar.

Antônio Augusto Peixoto de Souza, coordenador do programa de cirurgia bariátrica (Prociba) do HUCFF, diz que a cirurgia deve indicada na falha do tratamento clínico.

— O tratamento é malfeito.

No Brasil, há abuso de anfetaminas.

Uma pessoa com IMC acima de 40 tem limitações para exercícios. Muitos obesos não conseguem fazer a própria higiene nem locomover-se. Entre os mais pobres, as dificuldades são maiores. A obesidade deve ser vista como problema de saúde pública — diz.

O cirurgião Marco Antônio Leite, coordenador do programa de cirurgia bariátrica do Hospital de Ipanema, concorda.

A taxa de obesidade mórbida chega a 5% no Rio. Enquanto o Rio tem dois centros capacitados, em São Paulo são 20. Ele acha que deveria haver maior atenção e investimentos dos governos federal, estadual e municipal na área: — Estudo na “The New England Journal of Medicine” com homens de 25 anos a 40 anos mostrou que os obesos mórbidos tinham 12 vezes mais chances de morrer do que indivíduos com peso normal. E a cirurgia elimina doenças associadas, como diabetes, hipertensão e apnéia do sono.

Para Márcio Mancini, presidente da Associação Brasileira para o Estudo da Obesidade e da Síndrome Metabólica, antes de buscar a cirurgia é preciso fazer pelo menos um ano de acompanhamento clínico com consulta mensal a endocrinologista e nutricionista.

— Se não responde ao tratamento ou responde mas recupera peso e preenche os critérios para cirurgia, deve-se pensar na operação. Uma vez indicada, a triagem precisa ser rigorosa, inclusive com avaliação psicológica. A cirurgia é o último recurso e tem índice de mortalidade de 0,5% a 1%. A maioria recupera, a longo prazo, de 10% a 20% do peso perdido.

Só traz benefícios quando bem indicada e a pessoa segue à risca as recomendações no pós-operatório — diz.

Walmir Coutinho, professor do curso de pós-graduação em endocrinologia na PUC-Rio, diz que a cirurgia é um avanço.

O resultado ruim acontece em casos mal selecionados.

— Há pessoas que perdem bastante peso sem a operação.

Tive paciente que perdeu 20 quilos e atingiu, no seu caso, um resultado tão bom quanto o da cirurgia bariátrica.

Mas para a maioria dos obesos mórbidos isso é muito difícil — comenta.

A americana Carolyn Clancy, diretora da Agência de Saúde e Pesquisa de Qualidade dos EUA, afirma que 7% das pessoas que passaram pela cirurgia precisam ser internadas novamente por conta de complicações.

Quatro em cada dez pessoas podem ter problemas seis meses após a cirurgia.

Ilustração de Fernando Botero

13/04/2008 - 05:33h Vamos deixar de correr assustados

O Estado de São Paulo – Shannon Brownlee*

esports.gifEu me senti um pouco sem fôlego outro dia, subindo uma colina. Uma ponta de preocupação alojou-se por instantes em minha mente. Aos 50 e poucos anos de idade, estou numa forma bastante satisfatória. Não fumo. Caminho vários quilômetros quase todos os dias, e ainda consigo vencer minha amiga de 40 e tantos no tênis. Não sou exatamente uma candidata a um ataque cardíaco. Mas ainda assim, tenho ouvido todas essas histórias de mulheres como eu – as sem nenhum fator de risco de doenças do coração -, que foram subitamente atingidas por um ataque cardíaco.

Talvez você tenha tido as mesmas preocupações – imaginado se alguma fisgadinha era azia ou um ataque, se aquela horrível dor de cabeça era causada por tensão ou por um derrame. Quase todo o mundo que conheço que atingiu a meia-idade gasta uma certa quantidade de tempo preocupando-se com esse ou aquele distúrbio. Meu marido, meus amigos e eu costumávamos falar de política, ciência, religião, filhos. Agora, nenhum jantar está completo sem pelo menos alguns minutos de discussão sobre níveis de colesterol, os méritos de andar versus correr ou se roncar é ou não um sinal de apnéia.

Não é que estivéssemos realmente doentes. Claro, duas pessoas de nosso grupo sofrem de hipertensão, e uma amiga querida tem uma doença crônica grave. Cada um de nós conhece pelo menos uma pessoa da nossa idade que morreu de câncer ou enfarte. Como jornalista da área médica, encontrei muitas pessoas que sofrem terrivelmente de doenças debilitantes ou mortais, e sei que quase todos nós acabaremos topando com uma enfermidade grave.

Mas a maioria dos meus amigos e eu, como a maioria dos americanos de meia-idade, somos uma turma bastante saudável. Se eu perguntasse a meus amigos quanto tempo eles planejam viver, aposto que responderiam como muitos entrevistados de uma recente pesquisa da UPI, que concluiu que a maioria dos americanos acredita que passará dos 80 anos. Não é que temamos correr um perigo iminente de morte, mas achamos que precisamos estar hipervigilantes em relação às doenças para postergá-las ao máximo.

AFLIÇÃO

É isso que me preocupa. Por estar constantemente lembrando que devemos estar sempre à espreita de possíveis doenças, os médicos e a mídia têm feito muitos se sentirem mais aflitos. Não tenho certeza se essas advertências têm nos tornado mais saudáveis, mas decididamente têm arruinado nossa sensação de bem-estar. A gente se preocupa com qualquer dorzinha ou mal-estar, fica atormentado com o menor sinal de tristeza num adolescente, pensando ser um sintoma de depressão clínica.

Mas, ao encararmos tantos aspectos comuns da experiência humana como doenças tratáveis, podemos estar conferindo à medicina mais poderes do que ela merece. Pense em todas as mensagens que recebemos constantemente do mundo médico e da mídia: “Vigie seu peso.” “Verifique seu colesterol.” “Conheça os sinais da iminência de um derrame.” “Durma mais ou você sofrerá um acidente de carro.” “Essa mancha na suas costas? Pode ser um melanoma.” “Está se sentindo constipado? Talvez seja câncer de ovário.” “Faça exames.”

Há manchetes como essa, da revista Forbes: “Sintomas médicos que você não deve ignorar.” Já o livro Body Signs: From Warning Signs to False Alarms… How to Be Your Own Diagnostic Detective (Sinais emitidos pelo organismo: De sinais de advertência a alarmes Falsos… Como ser seu próprio detetive de diagnóstico), por exemplo, é um compêndio de sintomas que vão desde pele seca a soluços em excesso – tudo pode sinalizar doenças graves. A missão expressa da obra: “alertá-lo, adverti-lo, talvez até assustá-lo para que você vá ao médico.”

A idéia é mesmo assustar as pessoas. Grupos de defesa de pacientes, como a Sociedade Americana do Câncer, há muito acreditam que a forma de melhorar a saúde das pessoas é aumentar a “conscientização” sobre essa ou aquela doença, e a melhor forma de aumentar a conscientização é atemorizar as pessoas para que freqüentem consultórios médicos. Já em 1936, essa entidade usava slogans do tipo “Ninguém está livre de um câncer”, na tentativa de fazer com que as mulheres se submetessem a exames de mama.

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EXAGEROS

Hoje em dia, organizações de defesa de pacientes costumam disparar alarmes sobre a enfermidade que tentam erradicar, seja inflando o número de pessoas afetadas, seja exagerando o perigo. A Fundação Nacional sobre Sono, por exemplo, entidade dedicada a incentivar os americanos a descansar mais, recentemente divulgou uma pesquisa alegando que uma colossal porcentagem – 75% – tem tanta privação de sono que isso está interferindo na vida sexual. É muita gente sonolenta e com pouca atividade sexual, algo bem difícil de acreditar, dado que para o Instituto Nacional de Saúde no máximo 21% da população tem insônia recorrente.

Há poucos anos, ao menos um grupo de defesa de pacientes de câncer de mama andou alegando que a doença deles era a que mais matava as mulheres. Na realidade, morrem muito mais mulheres por doenças cardíacas e câncer de pulmão.

Provocar o medo também interessa às empresas farmacêuticas, que querem que você se preocupe com doenças porque as pessoas preocupadas tendem a consultar mais médicos e a consumir remédios. Acontece que muito do que nós – e nossos médicos – acreditamos saber sobre muitos problemas de saúde foi definido pelos fabricantes de medicamentos e seus especialistas em marketing. Vejamos a “fixação da marca para tratar uma doença”, uma das mais brilhantes e amplamente usadas técnicas de marketing para vender medicamentos. Os fixadores da marca usam “informações” sobre condições médicas para forjar ligações entre a doença e o tratamento na mente tanto dos pacientes quanto dos médicos. Se eles tiverem um medicamento, mas não tiverem uma doença, simplesmente inventam uma doença. Venho denunciando isso há anos.

Um dos melhores exemplos é a “osteopenia”, um diagnóstico que milhões de mulheres da minha idade recebem anualmente. A osteopenia é supostamente a precursora da osteoporose, a perda gradual de massa óssea que ocorre à medida que envelhecemos. A osteoporose avançada pode tornar as mulheres vulneráveis a uma fratura de fêmur, um problema grave se você for idosa e frágil, porque freqüentemente prenuncia uma série de complicações, tais como pneumonia, que pode, em última análise, levar à morte.

Milhões de mulheres são tratadas de osteoporose com medicamentos que podem desacelerar a perda de massa óssea, reduzindo, assim, o risco de fratura no quadril. Ou é isso que diz a lógica. O problema é que a osteoporose e a osteopenia não são realmente doenças.

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PARA AMPLIAR MERCADO

Antes da década de 1990, os médicos decidiam que você tinha osteoporose se fosse idosa e fraturasse um osso. Quando a empresa farmacêutica Merck surgiu com seu medicamento contra perda de massa óssea, o Fosamax, queria um mercado mais amplo do que apenas as idosas pacientes de fraturas. A solução? A empresa ajudou a financiar uma junta de especialistas médicos para definir os critérios para diagnóstico da osteoporose de forma que o diagnóstico fosse feito antes que a paciente quebrasse um osso.

A primeira providência do comitê foi definir a densidade óssea “normal” como sendo a de uma mulher saudável de 30 anos. A seguir, os especialistas escolheram como número mínimo de densidade óssea para provocar a osteoporose um ponto estatístico ligeiramente abaixo da densidade óssea da sua “mulher normal” de 30 anos – um critério que eles mesmos admitiram que foi “um tanto arbitrário”. Por fim, apresentaram uma doença totalmente nova – a osteopenia – representada por uma densidade óssea que se encaixasse entre aquela normal da mulher de 30 anos e a definição arbitrária, criada por eles, de osteoporose.

De repente, 30% das mulheres no período pós-menopausa tinham uma doença que precisava ser tratada com antecedência para prevenir um problema – a fratura do fêmur – que demoraria muitos anos para ocorrer, se ocorresse. Segundo as novas diretrizes, agora milhões de mulheres têm osteopenia, que seus médicos precisam vigiar como falcões para que as pacientes possam ser tratadas antes que progrida para uma osteoporose. A Merck, então, tomou a medida adicional de ajudar os médicos a comprarem scanners Dexa, aparelhos de raio X necessários para esquadrinhar os ossos e conseguir o tão importante diagnóstico.

Além da osteoporose e da osteopenia, os médicos agora querem nos examinar para saber se temos um monte de pré-doenças – e que as empresas farmacêuticas estão felicíssimas em curar. Há a pré-pressão alta e a pré-diabete, que nosso médico supostamente pode diagnosticar mesmo quando nosso nível de açúcar no sangue estiver perfeitamente normal. Se você esteve recentemente num dermatologista, é provável que este tenha removido algumas manchas “pré-cancerosas”. Elas podem muito bem ter sido queratoses actínicas que, apesar de seu nome assustador, quase nunca se tornam uma forma agressiva de câncer de pele.

Remova-as se a má aparência delas incomodar, mas não fique alarmado se não tirá-las.

Depois, vem a mãe de todas as pré-doenças, o colesterol alto, que é, sim, um fator de risco, mas não uma sentença de morte. Mesmo assim, um anúncio horripilante da Pfizer de um medicamento de combate ao colesterol alto, o Lipitor, surgido há alguns anos, usava o cadáver de uma mulher para exortar as mulheres na casa dos 50 anos a verificar seu nível de colesterol. Saiba seus dados clínicos. Pergunte ao seu médico. Tenha medo – tenha muito medo.

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O que está perdido em tudo isso é a crença de que podemos enfrentar a vida, que podemos viver diante de suas permanentes incertezas. Em nosso desejo desesperado de proteção contra a natureza ambígua e invisível da doença, temos permitido que nossos médicos e a indústria farmacêutica transformem tudo em doença, desde a azia até a dor de cabeça.

Queremos respostas mesmo quando elas não existem. Recorremos à medicina para que nos traga alívio das terríveis incógnitas do envelhecimento e suas perdas inevitáveis, mesmo quando as respostas podem ser forjadas para vender remédio. E, agora, estamos tão completamente convencidos do poder da medicina que qualquer um que duvide da sensatez da medicação se arrisca a ser rotulado de “niilista terapêutico”, aquele que rejeita a medicina na sua totalidade. Mas você não pode passar a maior parte da sua carreira fazendo reportagens sobre medicina, como eu passei, e deixar de se maravilhar com muitos prodígios nem de sentir compaixão por aqueles que estão realmente doentes.

Não pretendo monitorar meu colesterol, indubitavelmente, para a consternação do meu médico. Por que me incomodar? Já estou vigiando meu peso, exercito-me regularmente e alimento-me de forma saudável. Não quero tomar medicamentos que oferecem pouca proteção – se alguma – contra ataques cardíacos para pessoas cujo único fator de risco é o colesterol elevado. Se na noite passada eu não consegui dormir oito horas, sempre posso recuperar nesta noite. Meus ossos terão de simplesmente se esfarelar tranqüilamente por conta própria, porque não tenho a mínima intenção de tomar um medicamento cujos benefícios são incertos e cujos riscos são muito reais.

E quanto à ansiedade? Acho que vou cuidar disso desligando a conversa assustadora dos médicos.

*Shannon Brownlee é jornalista e autora do livro Overtreated: Why Too Much Medicine Is Making Us Sicker and Poorer. Artigo originalmente publicado pelo jornal The Washington Post

10/04/2008 - 05:39h Governo declara droga antiaids de interesse público para evitar patente

Tenofovir é um dos mais caros do coquetel; há 1 ano, decreto inédito permitiu compra de genérico do Efavirenz

Lígia Formenti e Fabiane Leite – O Estado de São Paulo

aids.jpgO Ministério da Saúde declarou de interesse público o anti-retroviral Tenofovir, um dos mais caros e importantes medicamentos usados pelo Programa Nacional de DST-Aids. Com a medida, o governo quer apressar a análise de processo de patente do remédio, que há anos se arrasta no Instituto Nacional de Propriedade Intelectual (INPI).

A expectativa é que o registro de patente seja negado por causa da decisão dos Estados Unidos – o que, na prática, abre espaço para o governo atuar em duas frentes: comprar genéricos de outros fabricantes e iniciar a produção nacional do medicamento. Produzido pela empresa Gilead, o Tenofovir hoje é usado por 30 mil pacientes no Brasil. O tratamento de cada um custa US$ 1.387 por ano. O remédio, sozinho, é responsável por 10% dos gastos com remédios do programa de aids.

No ano passado, também no mês de abril, o Brasil declarou de interesse público o Efavirenz, anti-retroviral fabricado pela Merck. Naquele caso, no entanto, a medida representava o passo inicial para a quebra de patente. Agora, o direito de propriedade não foi reconhecido formalmente e o processo é um pouco diferente. ‘Mas, na prática, a intenção é a mesma’, disse o diretor da Farmanguinhos, Eduardo Costa.

Embora a patente não tenha sido concedida, o Brasil age como tal. ‘É praxe. Quando é feito o depósito de patente, o País passa a respeitar essa expectativa de direito. É assim até o processo ser analisado’, afirmou o secretário de Ciência, Tecnologia e Insumos Estratégicos do Ministério da Saúde, Reinaldo Guimarães.

INOVAÇÃO EM DÚVIDA

Ao longo destes anos, no entanto, alguns problemas foram se acumulando. No meio científico, houve contestações sobre as inovações da molécula usada na fabricação do Tenofovir.

A Farmanguinhos, da Fundação Oswaldo Cruz, argumentou que o medicamento não reunia os requisitos necessários para concessão da patente. ‘A molécula já era conhecida, não houve inventividade. Portanto, não há condições necessárias para que a patente seja concedida’, garantiu Eduardo Costa. Além disso, ao longo destes anos a Gilead concedeu a licença voluntária para produção do remédio na África e na Índia. ‘Mas a empresa impôs uma cláusula, que impede esses fabricantes de vender o Tenofovir ao Brasil’, disse Guimarães.

PRECEDENTE NOS EUA

Há cerca de um mês, uma decisão nos Estados Unidos derrubando a patente do medicamento – por ele não apresentar inovações – acabou reforçando os argumentos para apressar, no Brasil, a análise da patente. ‘O INPI afirmou que somente poderia analisar o processo em caráter de urgência se o interesse público fosse decretado. Passada esta etapa, estou convicto de que em breve teremos uma decisão sobre o assunto’, disse Guimarães. O secretário descartou a possibilidade de o INPI reconhecer os direitos da Gilead sobre o Tenofovir. ‘Se o escritório tão rigoroso como o dos Estados Unidos reconheceu a falta de inventividade do produto, não vai ficar bem o INPI decidir o contrário.’

Guimarães disse que, com a recusa da patente para o Tenofovir, o Brasil ficará desobrigado de cumprir até o fim o contrato firmado com a empresa, que prevê entrega do remédio até maio de 2009. De acordo com ele, versões genéricas custam bem menos do que o produzido pela Gilead. O tratamento indiano custa US$ 170 por paciente ao ano.

O laboratório Gillead, que no Brasil tem como representante a United Medical, informou que só deverá se manifestar hoje sobre a decisão. No entanto, destacou em comunicado da matriz norte-americana que a decisão sobre as patentes nos EUA não foi definitiva e que a empresa está recorrendo. O laboratório destacou ainda já ter encaminhado provas de que o Tenofovir representou uma inovação. A Interfarma, entidade que representa a indústria farmacêutica de pesquisa no País, declarou que a medida do governo ‘é um movimento legal’ para acelerar análise de patente pelo INPI. A entidade, apesar de não ter a Gillead entre as associadas no Brasil, já tinha conseguido acesso ao decreto ministerial ontem por ser de interesse de todo o setor. ‘Não tem nada a ver com licença compulsória’, enfatizou Gabriel Tannus, presidente da Interfarma. Ele prevê que, como a patente não foi reconhecida nos EUA, também não deverá ser aqui. ‘Fatalmente o medicamento deixará de ter patente.’

ONGs que lutam pelos direitos das pessoas que vivem com o HIV e o laboratório público Farmanguinhos, ligado à Fundação Oswaldo Cruz, lutam desde 2006 para que o País não conceda patente ao Tenofovir. Até ontem, no entanto, elas não tinham sido informadas sobre a decisão. ‘Se for isto, é algo muito animador’, disse Gabriela Chaves, do Grupo de Trabalho sobre Propriedade Intelectual da Rede Brasileira pela Integração dos Povos. Chaves diz que a legislação dá prioridade na avaliação, pelo INPI, de pedidos de patentes de produtos que, por ato do Executivo, sejam declarados de interesse público. Anteontem o INPI deu 90 dias à Gillead para apresentar explicação sobre o pedido de patente.