16/11/2009 - 16:08h Antidepressivo que não deu certo vira “viagra feminino”

http://portalexame.abril.com.br/arquivos/img_946/est_pesquisa.jpgAntidepressivo que não deu certo vira “viagra feminino”

da Folha Online

Um medicamento que foi originalmente desenvolvido como antidepressivo teve um surpreendente e positivo efeito colateral: as mulheres que o experimentaram relataram “significativa melhoria” em seu desejo sexual, divulgou nesta segunda-feira (16) o jornal britânico “The Independent”.

Mulheres que tomaram 100 miligramas do medicamento, chamado Flibanserin, uma vez por dia, indicaram mais relações sexuais “satisfatórias”, maiores níveis de desejo sexual e reduzido estresse associado a problemas sexuais.

“É essencialmente um remédio como o Viagra para mulheres, já que o libido ou desejo sexual reduzido é o problema sexual mais comum das mulheres, assim como a difunção erétil é o problema mais frequente para os homens”, disse o professor John Thorp, da Universidade da Carolina do Norte, em Chapel Hill, EUA.

O Viagra, que ajuda os homens a superar a impotência, também foi projetado originalmente com outro propósito: para tratar angina, uma dor no peito associada a doenças do coração.

Os resultados reunidos de três dos quatro testes clínicos em série do Flibanserin foram apresentados hoje no Congresso da Sociedade Europeia para a Medicina Sexual, em Lyon, França.

Um total de 1.946 mulheres a partir dos 18 anos até idade pré-menopausa foram tratadas com o Flibanserin ou com um placebo –cápsula inativa para controle– por 24 semanas.

06/04/2009 - 15:28h Música vira receita médica contra doenças

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Por MATTHEW GUREWITSCH – The New York Times – Folha SP

O fato de que a música nos toca no próprio cerne de nosso ser é uma descoberta tão antiga quanto a consciência humana. Mas será que a música pode ser considerada medicamento?
Uma especialista que aposta nisso é Vera Brandes, diretora do programa de pesquisas com música e medicina da Universidade Médica Privada Paracelsus, em Salzburgo, Áustria.
“Sou a primeira farmacologista musical”, disse Brandes no ano passado em Viena. Como tal, ela vem desenvolvendo medicamentos na forma de música, prescritos como receita médica. Para promover a linha de produtos, ela ajudou a fundar a Sanoson (www.sanoson.at), empresa que também cria sistemas de música sob medida para hospitais e clínicas.
“Estamos preparando o lançamento de nossas terapias na Alemanha e na Áustria no final de 2009 e prevemos o lançamento nos EUA em 2010”, disse.
O tratamento funciona assim: uma vez dado o diagnóstico médico, o paciente é enviado para casa com um protocolo musical para ouvir e músicas carregadas num tocador semelhante ao iPod. O timing é essencial. “Se você ouvir música para acalmar quando estiver num ponto ascendente de seu ciclo circadiano, isso não o acalmará”, explicou Brandes. “Pode até deixá-lo irritado.”
Brandes e seus colaboradores analisam músicas de todo tipo para retirar seus “ingredientes ativos”, que então são misturados e balanceados para formar compostos medicinais. Embora eles não procurem tratar patologias graves ou doenças infecciosas, afirmam que seus métodos têm aplicações amplas em desordens psicossomáticas, administração de dor e o que Brandes descreve como “doenças da civilização”: ansiedade, depressão, insônia e determinados tipos de arritmia. A farmacopeia contém até agora cerca de 55 faixas de música medicinal, e novas faixas estão sendo planejadas.
Num estudo piloto, que em 2008 foi citado na reunião científica anual da Sociedade Psicossomática Americana, Brandes e seus colaboradores estudaram os efeitos da música sobre pacientes com hipertensão sem causas orgânicas. “O tratamento convencional para pacientes hipertensos é com betabloqueadores, que suprimem seus sintomas”, disse Brandes. “A música pode tratar as causas psicossomáticas originais.”
Segundo seu estudo, depois de ouvir um programa musical criado especialmente para o paciente, por 30 minutos por dia, cinco dias por semana, durante quatro semanas, os pacientes apresentaram melhoras significativas na variação do ritmo cardíaco, um indicador importante da função nervosa autônoma.
Brandes, 52, já foi produtora de eventos e gravações musicais e tem um vasto currículo na área. Mas um acidente de carro quase fatal em 1995 a levou a pensar numa mudança de carreira.
“Quebrei as vértebras 11 e 12, passando a um milímetro da medula espinhal”, ela contou. “O médico disse: ‘Não vou poder fazer nada por você durante algum tempo, mas você pode cantar, se quiser’.” A equipe médica previa que Brandes teria que ficar imobilizada entre 10 e 14 semanas.
Ela estava dividindo o quarto do hospital com uma budista, cujos amigos vinham diariamente entoar cânticos para ela. Após apenas 15 dias no hospital, uma ressonância magnética mostrou que sua espinha estava curada. “Todo o mundo disse que era um milagre”, contou Brandes. “Os médicos me mandaram para casa. Aquilo me fez refletir.”
Brandes, que não tem diploma de estudos avançados em medicina ou ciência, sabia que suas teorias jamais ganhariam aceitação se não passassem por testes clínicos. “Desde o início, eu estava determinada a satisfazer os mais exigentes critérios científicos ocidentais”, disse.
Além dos esforços de Brandes, a Sourcetone Interactive Radio, que se descreve como “o maior serviço mundial de saúde com música”, emprega pesquisas feitas conjuntamente pelo Centro Médico Beth Israel Deaconess, em Boston, e a Escola de Medicina Harvard, onde o neurologista Gottfried Schlaug estuda os efeitos da atividade musical sobre a função e a plasticidade cerebrais. “Acho que é importante participar, fazendo música, não apenas ouvir”, disse Schlaug.
Stefan Koelsch, pesquisador-sênior sobre o neurorreconhecimento da música e da linguagem na Universidade de Sussex, em Brighton, Reino Unido, concorda e está trabalhando com tratamentos musicais participativos para a depressão. No longo prazo, ele enxerga possibilidades mais amplas.
“Fisiologicamente falando, é perfeitamente plausível que a música afete não apenas as condições psiquiátricas, mas também as desordens endócrinas, autoimunes e do sistema autônomo”, disse ele.
Vera Brandes também está pensando no futuro. “Digamos que um paciente chegue sofrendo de depressão”, disse ela. “O primeiro passo sempre é procurar um médico. Mas, a partir disso, haverá opções de tratamento: com psicólogo, antidepressivo ou música.”

23/04/2008 - 19:54h Ministério quer de volta dinheiro pago a mais por anti-retroviral

Ressarcimento seria pelos royalties pagos na compra do Tenofovir

Lígia Formenti, BRASÍLIA -  O Estado de São Paulo

aids.jpg O Ministério da Saúde quer ingressar com um pedido de ressarcimento dos royalties pagos pelo Tenofovir, caso o Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI) não conceda patente ao remédio. Um dos mais caros medicamentos antiaids, o Tenofovir teve sua patente negada nos EUA e a expectativa é que o mesmo ocorra no Brasil. Semana passada, o ministério decidiu encomendar um estudo para verificar a possibilidade de ressarcimento pelo dinheiro pago a mais nos últimos anos.

Além de trabalhar pelo ressarcimento, o governo quer renegociar o contrato com a fabricante do remédio, a Gillead. No acerto, em vigor até 2009, o governo concordou em pagar US$ 3,80 por unidade. Caso a patente seja de fato negada, a idéia é baixar para US$ 1.

Ainda não se sabe quanto poderia ser pedido de ressarcimento. Embora o remédio não tenha patente, o governo brasileiro sempre agiu como se tivesse – obedecendo ao princípio da “expectativa de direito”. Hoje, 30 mil pacientes usam o remédio. Em 2008, o gasto com Tenofovir está orçado em R$ 43,3 milhões. Em 2007, foram R$ 39,9 milhões – o equivalente a 10% do que o Programa de DST/Aids gasta com medicamentos.

TRUNFOS

A proposta integra uma ação mais agressiva do ministério na negociação de preços de remédios. Este ano, o governo conseguiu economia de R$ 81 milhões em relação ao que foi pago em 2007, somente com três fabricantes de remédios de alto custo. A licença compulsória do medicamento antiaids Efavirenz, em abril do ano passado, foi fundamental para o Brasil ter um tratamento diferenciado, avalia o diretor do Departamento de Assistência Farmacêutica e Insumos Estratégicos do ministério, Dirceu Barbano. “A licença trouxe um impacto positivo no momento da negociação.”

Acordos para produção de medicamentos no País com transferência de tecnologia também ajudaram no momento de discutir preços e condições de pagamento com produtores de medicamentos de alto custo. Barbano cita o exemplo da negociação com a Roche, para a compra do Interferon peguilado – usado no tratamento de hepatite. Em janeiro, o Brasil firmou acordo com Cuba para transferência de tecnologia. O País terá condições de produção em dois anos, em Farmanguinhos. “A perspectiva de o País iniciar a produção, em breve, acaba exercendo um papel favorável no momento da negociação”, disse Barbano. Além do interferon produzido pela Roche, o Brasil conseguiu economia de R$ 38,1 milhões na compra de imiglucerase, usado no tratamento da doença de Gaucher.

“Também passamos a usar um argumento fundamental: o Brasil não pode ser tratado como um comprador qualquer”, avalia o diretor – as compras do País envolvem sempre grandes quantidades. “Isso tudo nos fortalece. Chegamos na mesa de negociação com vários argumentos de retaguarda.”

A meta do governo é conseguir redução de 20% nos contratos para compra de medicamentos de alto custo. O ministério não quer aceitar, ainda, mecanismos até então usados por algumas indústrias. Elas não baixavam o preço do remédio, no contrato, mas incluíam nas negociações uma “doação”. “Isso não nos interessa mais”, afirmou Barbano.

Ele criticou a demora para análise dos pedidos de patente depositadas no Brasil. “Há uma defasagem muito grande e o País é o primeiro a perder com isso”, afirmou.

O INPI analisa, hoje, pedidos que foram depositados em 2001. O do anti-retroviral Tenofovir é ainda mais antigo, de 1998.

11/02/2008 - 08:32h Tumores evoluem para resistir a drogas

Brasileiro radicado no Reino Unido detecta seleção natural agindo em “tempo real” para mudar genes de câncer de mama

Quimioterápico causa uma mutação benéfica à célula doente, que se espalha entre as células; estudo saiu on-line na revista “Nature”

RAFAEL GARCIA
DA REPORTAGEM LOCAL – FOLHA DE SÃO PAULO

“Nada em biologia faz sentido a não ser sob a luz da evolução.” Quando o biólogo russo-americano Theodosius Dobzhansky (1900-1975) cunhou essa frase, estava se referindo ao princípio subjacente a tudo o que é vivo, mas não estava dizendo necessariamente que o mesmo tipo de lógica se aplicaria especificamente à busca de tratamentos contra o câncer.

Essa surpresa foi algo com que o patologista brasileiro Jorge Reis-Filho, 32, se deparou. Tentando entender como tumores adquirem resistência a drogas quimioterápicas, a equipe liderada pelo cientista no Centro Breakthrough de Pesquisa em Câncer de Mama, de Londres, descobriu como um tipo de tumor “evolui”. Atacado por um remédio, o câncer pode se adaptar por meio da seleção natural a um ambiente que em tese lhe seria hostil.

A descoberta teve participação de outra equipe, liderada pelo bioquímico Alan Ashworth. Os cientistas mostraram que o câncer de mama causado por uma mutação no gene BRCA2 -um dos tipos mais comuns de variedades hereditárias dessa doença- pode desenvolver tolerância a medicamentos modernos, que atacam o DNA do tumor.

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12/10/2007 - 09:10h Remédios sob suspeita

Fabricantes tiram do mercado nos EUA medicamentos contra gripe para bebês

Gardiner Harris Do New York Times

Os principais fabricantes de medicamentos contra gripe e resfriado para crianças com menos de 2 anos anunciaram ontem que vão voluntariamente retirar seus produtos do mercado americano. O motivo alegado é o temor de que eles sejam usados de forma errada pelos pais. A retirada voluntária afeta somente as drogas que têm a faixa etária de 2 anos ou menos discriminada no rótulo.

A decisão aconteceu duas semanas depois de especialistas em segurança recomendarem à Administração de Remédios e Alimentos dos Estados Unidos (FDA, na sigla em inglês) que considerasse a proibição da venda de medicamentos para gripe e resfriado para crianças com menos de 6 anos de idade.

Na verdade, a própria associação comercial da indústria farmacêutica nos EUA (Consumer Healthcare Products Association) recomendou, há duas semanas, que esse tipo de remédio não deveria ser mais usado por bebês e crianças com menos de 2 anos. Porém, a despeito dessa recomendação, os laboratórios continuavam a vender as drogas.

Comitê vai fazer recomendações à FDA
Na semana que vem um comitê de especialistas independentes se reunirá para avaliar a segurança desse tipo de medicamento e oferecer recomendações para a FDA. Só no mercado americano existem cerca de 800 remédios de uso pediátrico contra gripe e resfriado (dentre eles alguns muito populares como Tylenol e Dimetapp). Em um ano, foram vendidas 41 milhões de unidades, somente nos EUA, sendo que um quinto desse total foi comercializado na forma de gotas, que são geralmente usadas em bebês.

A indústria farmacêutica disse que esses medicamentos são seguros e eficientes quando usados como o recomendado.

“A razão pela qual os fabricantes de numerosos remédios antigripais estão retirando seus produtos do mercado é ter havido raros casos de mau uso, relacionados à dosagem excessiva e identificados recentemente, particularmente em bebês.

E segurança é nossa maior prioridade”, disse Linda A. Suydam, presidente da associação da indústria, em nota.

Há poucas evidências de que medicamentos contra gripe e resfriado sejam eficazes para crianças pequenas, e há um medo crescente de que eles sejam perigosos. A associação da indústria informou que, de 1969 a 2006, pelo menos 45 crianças morreram depois de usar descongestionantes, e 60 morreram depois tomar anti-histamínicos. Muitas dessas crianças apresentaram problemas depois de os pais, equivocadamente, lhes terem dado doses muito elevadas, seja por que não atentaram para as dosagens de diferentes fabricantes, seja porque mediram erroneamente as quantidades.

Pediatras pediram proibição de drogas
Mas há um número crescente de registros indicando que mesmo a dosagem recomendada pode ser perigosa. O Centro de Controle de Envenenamentos do Hospital da Filadélfia registrou quatro casos de alucinações prolongadas em crianças de até 6 anos que haviam recebido dosagens corretas dos remédios.

Com não há quase nenhuma evidência de que os remédios são eficientes e preocupações crescentes de que eles podem ser inseguros, um grupo de pediatras pediu à FDA no início deste ano que considerasse a proibição do uso por crianças pequenas.