02/03/2009 - 11:04h O Jarbas hoje é mais PSDB que PMDB, diz Sarney

Ruy Baron/Valor

Pela primeira vez, Sarney responde às críticas feitas por Jarbas Vasconcelos: “Jarbas é mais PSDB do que PMDB”

PT e PSDB disputam apoio do PMDB, mas querem o partido fraco, diz Sarney

Raquel Ulhôa, de Brasília – VALOR

O presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), afirma que a pecha de corrupto colada ao seu partido resulta de uma “campanha organizada” que teria como principais interessados o PT e o PSDB – que buscam o apoio da maior legenda do país para seus projetos presidenciais de 2010. O ex-presidente da República que, como presidente do Senado, tem a função de comandar as sessões do Congresso Nacional, sintetiza o que considera ser o objetivo do PT e PSDB: “Querem o PMDB fraco”.

O ataque mais duro ao PMDB, de prática de corrupção e fisiologismo, partiu de um histórico filiado da sigla, o senador Jarbas Vasconcelos (PMDB-PE). A avaliação partidária feita por ele pode se resumir ao fato de ser esta uma legenda essencialmente corrupta, em atos e atitudes, segundo Jarbas.

Jarbas explicou para quê, segundo seu entendimento, o PMDB quer cargos no governo: “Para fazer negócios e ganhar comissões”. A maioria do partido, avaliou, “se move por manipulação de licitações e contratações dirigidas”. Citou nominalmente, nesta análise, apenas o líder do partido no Senado, Renan Calheiros (AL), e o presidente da Casa, José Sarney (AP). Sobre Sarney, disse que sua eleição “foi um processo tortuoso e constrangedor, um completo retrocesso”. De acordo com a crítica do senador pernambucano, Sarney apareceu como candidato, “sem nenhum compromisso ético, sem nenhuma preocupação com o Senado, e se elegeu. A moralização e a renovação são incompatíveis com a figura do senador Sarney”.

Em entrevista ao Valor, concedida na manhã de sexta-feira, em Brasília, o senador José Sarney respondeu, pela primeira vez objetivamente desde que eclodiu a crise, aos comentários de Jarbas Vasconcelos. O revide de Sarney definiu, em uma só frase, sua opção para 2010 e a opinião que dará ao ser consultado sobre que rumo deve tomar o PMDB na sucessão presidencial: “Jarbas é mais PSDB do que PMDB”.

O presidente do Senado, no entanto, não nega esses maus hábitos políticos do seu partido, mas – assim como fez o senador Pedro Simon (PMDB-RS) da tribuna – estende o comportamento à vida política em geral. “O homem não nasceu anjo”, justifica.

Eleito há um mês para seu terceiro mandato como presidente do Senado, Sarney teve, até agora, pouco a comemorar. Nenhuma das 11 comissões técnicas foi instalada, por causa da disputa entre partidos, nada foi votado em plenário e a adesão da Venezuela ao Mercosul – processo ao qual é totalmente contrário – foi aprovada pela comissão de parlamentares que representam o Brasil no bloco.

A partir desta semana, o presidente do Senado espera livrar-se dessa agenda negativa que só lhe tem causado dissabores. Pretende criar, junto com o presidente da Câmara, Michel Temer (PMDB-SP), uma comissão mista para analisar todas as propostas de reforma política que tramitam no Congresso e, no fim, elaborar um substitutivo que, acredita-se, teria tramitação mais fácil.

O senador também quer instalar a comissão de senadores que vai monitorar a crise econômica. Crise que, na sua opinião, influenciará a posição do seu partido na sucessão presidencial de 2010. Sarney defende a manutenção da aliança com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, resultando no apoio dos pemedebistas à candidatura governista. Mas ele diz que é cedo para o partido tomar a decisão. “Isso vai depender da crise econômica”, diz. A seguir, os principais trechos da entrevista ao Valor:

Valor: A pecha de corrupto que seu partido tem não incomoda?

José Sarney: Essa é uma campanha organizada, estruturada, que realmente não tem profundidade. Acho que o partido está pagando por ter ganho as eleições e ser o partido mais forte. Ele está debaixo de um fogo cruzado de todos os outros partidos, inclusive os dois grandes, PT e PSDB, que querem o apoio do PMDB, mas querem, ao mesmo tempo, o PMDB fraco.

Valor: O senhor concorda com Pedro Simon, quando ele diz que o PMDB não é mais corrupto que o PT ou o PSDB? São todos iguais?

Sarney: O Simon está falando o que é a realidade. A sociedade é o que é. Tem gente boa, tem gente má em todos os lugares. O primeiro documento que existe sobre política, democracia no mundo é o discurso de Péricles aos mortos na guerra do Peloponeso, no qual ele já acusa o adversário de ter roubado o ouro da estátua de Fídias. Então, essa é uma maneira de desqualificar o adversário. Em todo lugar, em toda a campanha, a todo momento, esse é um tema que não falha, porque faz parte de uma das ideias fundamentais políticas do mundo ocidental.

Valor: É arma de campanha porque existe…

Sarney: Claro que existe. Corrupção existe em todos os setores, em todo lugar do mundo. O homem não nasceu anjo. Mas o Brasil avançou demais no combate à corrupção, com os controles de Tribunais de Contas, a Lei de Responsabilidade Fiscal, o Siafi (Sistema Integrado de Administração Financeira do Governo Federal, por meio do qual é possível acompanhar os gastos públicos), a transparência legislativa, o controle geral de verbas, os controles internos, enfim, tudo isso existe e funciona.

Valor: Uma das acusações feitas por Jarbas é que “o comportamento do governo Lula contribui para a banalização” da corrupção. Até que ponto o relacionamento do Executivo com o Legislativo estimula essas práticas?

Sarney: São acusações que foram feitas ao Fernando Henrique Cardoso, estão sendo feitas ao Lula, foram feitas ao Juscelino Kubitschek e são feitas a todos os presidentes. É o jogo político. É uma arma de jogo político.

Valor: Além das críticas ao PMDB, o senador Jarbas Vasconcelos afirmou que sua eleição foi um “retrocesso” e que o senhor não fará as mudanças políticas necessárias na Casa. Como a convivência será possível?

Sarney: O Jarbas hoje é mais PSDB que PMDB. Hoje, Jarbas tomou uma posição que o aproxima mais do PSDB do que do PMDB.

Valor: Mas isso não impede que ele continue no partido.

Sarney: Hoje tem a cláusula da fidelidade partidária, que tornou muito difícil a saída do partido.

Valor: E o senhor acha que é possível alterar essa regra dentro da reforma política que se pretende?

Sarney: Eu e o presidente da Câmara, Michel Temer (PMDB-SP), vamos criar uma comissão para consolidar todas as propostas de reforma política que existem dentro do Congresso e fazer um substitutivo, com vários projetos que serão submetidos às duas Casas. Até o fim do ano temos que dar uma solução a isso.

Valor: Mas essa reforma nunca avança. O que pode ser mudado de fato? A tal “janela” para que um político mude de partido sem perder o mandato? Pode ser o fim da reeleição?

Sarney: Não quero discutir os casos em si, porque não quero provocar discussões que possam interromper, prejudicar a comissão que estamos criando agora. Vamos fazer tudo para votar neste ano. Um ponto que considero fundamental é acabar com o voto proporcional. Sem mexer nisso não há reforma política. Só existe no Brasil. Não existe em lugar nenhum no mundo. É uma reminiscência do século 19. O mundo mudou e nós ficamos no século 19.

Valor: E quanto à reeleição?

Sarney: Sempre fui contrário. Acho que deve ter um mandato mais longo, de cinco ou até seis anos. Quatro anos é um prazo muito curto para realizar. Mas não quero entrar no mérito do que pode ou não ser votado.

Valor: A paralisia do Senado está sendo criticada. Como o senhor responde a isso?

Sarney: Quero dizer que as últimas reformas de profundidade no país foram aprovadas na última vez em que fui presidente do Senado: as reformas do Judiciário e da Previdência Social. Deu muito certo a do Judiciário, os efeitos estão sendo colhidos pelo povo brasileiro. E vou me dedicar a justamente votar a reforma política, a reforma tributária e a mudança nas regras das medidas provisórias.

Valor: Há dias o senhor chegou a defender o fim da verba indenizatória (R$ 15 mil mensais que os parlamentares podem gastar com despesas relacionadas à atividade legislativa), que a Mesa Diretora da Câmara decidiu divulgar na internet. É possível extingui-la?

Sarney: Vou fazer a mesma coisa que a Câmara fez. Vou propor à Mesa do Senado a publicação de tudo, com a maior transparência com relação à verba indenizatória. De minha parte, acho que essa não foi uma solução das mais felizes encontradas pelo Congresso.

Valor: O senador Mozarildo Cavalcanti (PTB-RR) tem uma proposta que acaba com a verba indenizatória, mas aumenta o salário do parlamentar. É uma solução?

Sarney: É uma das propostas, mas tem que ser decidida pelo Congresso. Não é matéria a ser decidida pela Mesa Diretora. É um caso delicado, porque todos os deputados e senadores têm que apoiar e votar.

Valor: Uma questão que deve ser decidida na sua gestão é o pedido de adesão da Venezuela ao Mercosul, que o senhor sempre foi publicamente contra. O senhor acha que o Senado pode barrar?

Sarney: Não vou colocar minha posição pessoal para bloquear uma proposta pelo Senado. Não vou fazer com essa nem com nenhuma. Sou presidente da Casa, senão perco a autoridade. Mas minha posição continua a mesma. Não entendi até agora o que é “democracia bolivariana”. E tem a cláusula do Mercosul, que estabelece a plena vigência das instituições democráticas como condição essencial para a adesão de um país. E toda democracia adjetivada para mim passa a ficar sob contestação. Era o que acontecia com as democracias populares. Acho que a entrada da Venezuela, neste momento, vai ser um elemento perturbador no Mercosul, que hoje atravessa uma fase muito difícil. Não podemos transformar o Mercosul num fórum político.

Valor: E com Hugo Chávez (presidente da Venezuela) isso seria inevitável?

Sarney: Tenho a impressão que, se Chávez ingressar, vai querer transformá-lo num fórum político. É do temperamento político.

Valor: O PSDB também é contra. Como a oposição é forte no Senado, há chance de rejeição?

Sarney: Pelo que sinto, pelo movimento dentro da Casa, tenho a impressão de que terminam aprovando. Pode encontrar resistência, mas a minha impressão é que vai passar.

Valor: Voltando ao PMDB, o senador Simon afirmou que em 2010 o partido estará com quem pagar mais. Lula poderá contar com o partido na chapa de seu candidato, seja ou não a ministra Dilma Rousseff (Casa Civil)?

Sarney: Eu, pelo menos, defendo a posição de que o PMDB deve manter a aliança que tem com o PT, porque as afinidade que o partido tem com o PT são maiores do que as que tem com outros partidos. Mas é cedo para falar nisso.

Valor: Qual é o momento da decisão?

Sarney: Vai depender da crise econômica, de como ela vai surgir e de que modo ela vai influenciar a campanha no Brasil. O lado econômico vai ter reflexo na área política.

06/12/2007 - 20:02h Brazilian politics: Sex, sleaze and taxes

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A revista inglesa The Economist analisa a renuncia de Renan Calheiros ao Senado, a luz das discussões para a aprovação da CPMF. Segundo a revista, a CPMF permite combater a sonegação, mas a resistência dos senadores a sua aprovação estaría influenciada pelo fato de 2008 ser ano de eleição municipal. O pretexto do crescimento da arrecadação serviría simplesmente para criar obstaculos ao governo. A saida de Renan, insinua a revista, visava a facilitar o acordo para aprovar o imposto e tería sido negociada pelo governo com o senador. Muitas interpretações e alguns fatos, para alimentar a polemica. A seguir a integra do artigo.

(mais…)

12/09/2007 - 20:01h “Há algo de podre no reino da Dinamarca…"

No livro de Shakespeare (vejam os tempos que vivemos, mesmo o autor é hoje uma duvida) Hamlet, após fazer a constatação estampada acima, se finge de louco e parece não compreender o que se passa no Palácio. Assim age Hamlet para sobreviver.

Alguns senadores fazem igual, posando de vestais, particularmente quando um holofote generoso se ilumina na frente de seus rostos e um microfone “camarada” se oferece ao chavão circunstancial. Outros preferem o muro, ou o segredo protetor para evitar serem “linchados” ou intimidados.

A imprensa poderá, nos próximos dias, aportar uma luz sobre o cheiro que emana de algumas das insinuações reproduzidas pelo jornalista Noblat, como o fez com as aparentemente pouco cheirosas relações do senador Renan. Para que nenhuma acusação injusta possa desmoralizar o Senado como um todo.

In duvio pro reus, e isto vale para todos.

A não ser que ela também prefira fingir, como Hamlet. Nesse caso é bom lembrar que o personagem de Shakespeare consegue eliminar seu algoz, porem sai do combate mortalmente ferido pela espada envenenada do seu inimigo.

Do Blog do Noblat

Senadora Heloísa Helena. A senhora sonegou o pagamento de impostos em Alagoas. Deve mais de R$ 1 milhão. Tenho um documento aqui que prova isso. E nem por isso eu o usei contra a senhora – disparou Renan Calheiros ao se defender da tribuna do Senado pouco antes de ser absolvido pela maioria dos seus pares.

- É mentira, mentira – gritou a presidente do PSOL sentada no meio do plenário. Pouco antes, ela subira à tribuna para atuar como advogada de acusação.

Renan não deu bola para a reação de Heloísa. Em seguida, virou-se para Jefferson Perez (PDT-AM) e comentou:

- Veja bem, senador Jefferson Perez. Eu poderia ter contratado a Mônica [Veloso, ex-amante dele] como funcionária do meu gabinete. Mas não o fiz.

Perez nada disse. Ouviu calado.

Então foi a vez do senador Pedro Simon (PMDB-RS). Renan disse olhando diretamente para ele:
- A Mônica Veloso tem uma produtora. Eu poderia ter contratado a produtora dela para fazer um filmete e pendurar a conta na Secretaria de Comunicação do Senado. Eu não fiz isso.

Simon ouviu calado.

Registre-se que o clima de intimidação dos senadores começou a ser criado logo no início da sessão quando discursou o senador Francisco Dornelles (PP-RJ). Ele foi o primeiro a falar.

Duas pérolas produzidas por Dornellles:
- Crime tributário não é causa para quebra de decoro.
- Amanhã, isso pode ser usado contra os senhores. Porque muitos aqui têm problemas fiscais.

Dornelles foi secretário da Receita Federal no governo de João Figueiredo, o último general-residente da ditadura de 1964. E depois foi ministro da Fazenda do governo José Sarney.

20/08/2007 - 11:50h O Filtro

ÉPOCA

O Filtro de 20 de Agosto de 2007

Confira abaixo um guia para a sua navegação na web. São as notícias que realmente importam, lidas e analisadas para você saber o que precisa ler.

THOMAS TRAUMANN

THOMAS TRAUMANN
é colunista de política e chefe da sucursal da revista ÉPOCA no Rio de Janeiro.

“Sem medo da crise”
As bolsas asiáticas fecharam em altas nesta segunda-feira, recuperando-se do impacto sofrido na sexta-feira. Os mercados europeus também abriram em alta moderada. Em pronunciamento hoje pela manhã, o presidente Lula voltou a esbanjar otimismo. Afirmou que apesar dos que “parecem torcer para as coisas não darem certo”, o “Brasil não está com medo da crise”. Entre as cassandras dessa crise certamente está o diário britânico Financial Times que volta a escrever hoje que o mercado latino-americano será afetado pela turbulência. “O Brasil, novamente, está na linha de frente (..). A sua relativa prosperidade nos últimos anos tem sido baseada na demanda global, liderada pela China, de suas exportações de commodities”, afirma o jornal. A equipe econômica informou ao presidente Lula que o crescimento de 5% do PIB deste ano está garantido, mas no ano que vem podem diminuir as exportações de commodities como petróleo, minério de ferro e soja. Em entrevista a O Estado, o presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, foi sarcástico. “Ontem, a reclamação era dos órfãos do câmbio. Agora, os importadores já estão reclamando da crise, porque o dólar repicou”, diz.

Na terra e no céu
Começaram hoje as obras na pista principal do aeroporto de Cumbica, em Guarulhos, com os previsíveis atrasos nos pousos e decolagens. Para não aparecer que o problema é só brasileiro. A revista inglesa The Economist está tão furiosa com o caos aéreo do aeroporto de Heathrow que passou a defender a quebra do monopólio privado das concessões aeroportuárias. A revista americana Time aponta que esse ano deve ser quebrado o recorde de atrasos de vôos. Segundo a revista, pelo menos um terço dos atrasos ocorrem porque os aeroportos americanos usam radares com tecnologia dos anos cinqüenta. Hoje pela manhã um Boeing 737-800 da China Airlines pegou fogo após aterrissar no aeroporto de Okinawa, em um vôo vindo de Taiwan. As 165 pessoas a bordo sobreviveram ao incidente.

A lei do mais forte
Na maioria das vezes, quando os jornais publicam reportagens em série estão mais interessados em impressionar os juízes dos prêmios de jornalismo do que servir ao leitores. Mas série iniciada ontem em O Globo tem transpiração e inspiração. Relata um fato conhecido _ o inferno da vida nas favelas cariocas _ sob um ângulo histórico do desrespeitos aos direitos humanos. O número de desaparecimentos nas favelas do Rio é mais de cinqüenta vezes o do Regime Militar. A lei do tráfico e das milícias impõe julgamentos sumários e torturas que vão do derretimento de plásticos ao decepamento de membros. A série é um prêmio para o leitor.

Boi da cara preta
A seção painel da Folha adianta que os senadores Marisa Serrano (PSDB) e Renato Casagrande (PSB) irão subscrever relatório recomendando a cassação do mandato de Renan Calheiros (PMDB). Para se ter uma idéia da fragilidade dos argumentos do presidente do Senado, O Globo informa que ele irá justificar as notas frias na venda de gado acusando o frigorífico comprador. “O Renan é uma vítima. Ele vendeu carne para uma empresa. A partir daí qual a responsabilidade dele?”, diz o líder do governo Romero Jucá (PMDB).

Para que julgamento?
Os três grandes jornais O Globo, Folha e O Estado gastaram suas edições dominicais com tediosas reportagens sobre o julgamento no Supremo Tribunal Federal dos acusados do mensalão. Novidade que é bom, nada. Apenas uma condenação prévia de todos os acusados, sem direito a defesa. Um serviço melhor para o leitor seria recontar o que aconteceu no Congresso entre 2004 e 2005, enumerar as acusações e mostrar as defesas. Afinal quem (além dos políticos, jornalistas e juízes) se lembra da participação de João Carlos Genu, Rogério Lanza Tolentino e Maurício Marinho nos episódios? Daria trabalho, é verdade, mas seria mais útil ao leitor.

O iPhone no Brasil
A Folha noticia a disputa entre as operadoras Vivo, Tim e Claro pela exclusividade do lançamento no Brasil do iPhone, o revolucionário filho do casamento entre o celular e o computador. As empresaspretendem aproveitar a negociação da fabricante Apple com o mercado europeu para realizar um lançamento conjunto com o Brasil. O aparelho deve custar R$ 3 mil. Há informações de alguns desses aparelhos já estão sendo usados no Brasil com ajuda de hackers, que desbloquearam o programa americano.

Etanol, etanol
A revista Newsweek traz mais uma reportagem americana sobre a oposição entre a produção de combustível a partir do milho e da cana-de-açúcar. O único mérito da matéria é informar que (bingo!) a maior parte da cana brasileira está plantada em São Paulo e não na Amazônia.

A condenação da bispa
Dois dias depois de terem sido condenados pela Justiça americana por contrabando de divisas, a bispa Sonia Hernandes e o apóstolo Estevam Hernandes apareceram em um culto transmitido por telão para a sede da Igreja Renascer em Cristo, em São Paulo, informa a Folha. Eles ficarão presos por cinco meses por tentarem entrar com US$ 56 mil não declarados nos EUA.

Movimento escatológico
Do cantor sertanejo Luciano à colunista Mônica Bergamo, da Folha, sobre o movimento Cansei, apoiado pelo seu irmão Zezé: “Como é que eu vou apoiar um movimento liderado por alguém que promove desfile de cachorros (o empresário João Doria)? O Zezé é o Zezé, eu sou eu. Eu cansei desse Cansei. Vou lançar o “Caguei”. Caguei para o Cansei”. É maravilhoso o nível da discussão política brasleira.

19/06/2007 - 00:19h Sobre a parcialidade


Blog de Mino

Um estudo do IUPERJ sobre o comportamento da mídia durante a campanha das eleições de 2006 acusa a clamorosa parcialidade das coberturas de Globo, Estadão e Folha de S.Paulo. Vai sair na próxima edição de CartaCapital, apontada pelo estudo como o único órgão que informou corretamente. É a história de sempre, o enésimo capítulo de um enredo sem fim que vê a mídia alinhar-se de um lado só quando os donos do poder enxergam a aproximação de algum risco para o seu bom-bom. E reparem que desde a posse de Lula reeleito tudo continua como dantes. A mídia busca precipitar uma crise a todo custo. Pretendeu-se transformar Vavá em excelente corruptor sem a mais pálida prova, e sem levar em conta a personalidade do irmão do presidente, figura bastante modesta, digamos assim. Diferente é o caso de Renan Calheiros. O filho fora do casamento não é, obviamente, o ponto. O problema está no fato de que se acumulam as evidências dos envolvimentos de Calheiros em esquemas suspeitos, com a guarnição de atrapalhadas tragicômicas cometidas pelo próprio. Pergunto aos meus solertes botões: se os acontecimentos de hoje tivessem ocorrido no tempo em que Calheiros era ministro de Fernando Henrique, seriam explorados com a mesma sofreguidão midiática? Respondem de pronto: nunca, jamais, talvez nem viessem à tona. E já que citei FHC, recomendo a leitura da Conversa Afiada de Paulo Henrique Amorim, inquirido na rua por um admirador de sotaque pernambucano, a lhe perguntar com expressão sabiamente sonsa: por que falam tanto do filho do Renan e nada se falou, em outra época, do filho do Fernando Henrique? Diga-se que a Globo conhecia o entrecho cabuloso de cor e salteado, a mãe solteira era funcionária da casa e, como tal, foi enviada para o exterior e ali mantida no resguardo. Aliás, outras moças globais deram-se bem com políticos.