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	<title>Blog do Favre &#187; repressão</title>
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	<description>Cultura, Política, Economia, Mundo, Sociedade, Comportamento</description>
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		<title>Sem-terra morre em ação da polícia no RS</title>
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		<pubDate>Sat, 22 Aug 2009 13:58:18 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Luis Favre</dc:creator>
				<category><![CDATA[POLÍTICA]]></category>
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		<description><![CDATA[ Elton Brum da Silva foi morto com um tiro de escopeta quando Brigada Militar chegou a uma fazenda ocupada, em São Gabriel
MST afirma que os sem-terra estavam desarmados e culpa governadora pela violência dos policiais; Yeda diz que haverá investigação rigorosa
GRACILIANO ROCHA DA AGÊNCIA FOLHA, EM PORTO ALEGRE
Uma operação de despejo de sem-terra executada [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p> <strong>Elton Brum da Silva foi morto com um tiro de escopeta quando Brigada Militar chegou a uma fazenda ocupada, em São Gabriel</strong></p>
<p><strong>MST afirma que os sem-terra estavam desarmados e culpa governadora pela violência dos policiais; Yeda diz que haverá investigação rigorosa</strong></p>
<p style="background-color: #ffff99">GRACILIANO ROCHA DA AGÊNCIA FOLHA, EM PORTO ALEGRE</p>
<p>Uma operação de despejo de sem-terra executada pela Brigada Militar do Rio Grande do Sul terminou com a morte de um trabalhador rural e pelo menos 13 pessoas feridas ontem no município de São Gabriel (321 km de Porto Alegre).<br />
O sem-terra Elton Brum da Silva, 44, foi morto com um tiro de escopeta quando a Brigada Militar chegou à fazenda Southall, invadida desde o dia 12, para cumprir um mandado de reintegração de posse.<br />
Cerca de 300 policiais participaram da operação de despejo de 550 integrantes do MST (Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra).<br />
As circunstâncias da morte ainda não estão esclarecidas. O MST afirma que os sem-terra estavam desarmados e que os policiais chegaram ao acampamento atirando e lançando bombas. Segundo o movimento, não houve resistência.<br />
&#8220;Eles cercaram o acampamento e dispararam os tiros. Um dos tiros acertou o companheiro. Eles usaram cachorros e cavalos e bateram em todo mundo&#8221;, disse a acampada Luciana da Rosa, pelo telefone.<br />
Após ser atingido, Brum foi levado pelos policiais para a Santa Casa de São Gabriel, a 18 km do local do confronto, mas morreu no caminho.<br />
Conforme o médico Ricardo Coirolo, estilhaços de chumbo foram encontrados no tórax e na região lombar de Brum, que foi atingido pelas costas.<br />
A Brigada Militar afirma que os policiais foram atacados com bombas caseiras e pedradas.<br />
&#8220;Foi tentada uma negociação. Eles [sem-terra] usaram barricadas. Usamos granadas de luz e som e munição não letal. Munição letal também é usada como último recurso, mas a circunstância [da morte] vai ser determinada pelo inquérito policial&#8221;, disse o coronel Hildebrando Sanfelice, chefe do estado-maior da Brigada.<br />
Segundo ele, ainda não foi identificado o autor do disparo. Quinze escopetas calibre 12 usadas pelos policiais na operação serão submetidas a exames de balística. O inquérito será conduzido pela Polícia Civil de São Gabriel.</p>
<p><strong>Tensão</strong><br />
A morte do sem-terra tornou mais agudo o clima de tensão existente entre o governo da tucana Yeda Crusius e os movimentos de sem-terra. Em nota, o MST responsabilizou ontem a governadora pela violência.<br />
&#8220;O uso de armas de fogo no tratamento dos movimentos sociais revela que a violência é parte da política deste Estado&#8221;, diz trecho da nota.<br />
Em viagem a Santa Maria, no centro do Estado, Yeda disse que haverá uma investigação rigorosa. &#8220;Lamento muito o acontecimento de uma morte, ela é desnecessária.&#8221; O MST marcou para hoje protestos contra a morte de Brum em São Gabriel e Canguçu, cidade onde ele será sepultado.<br />
A fazenda Southall é palco de conflitos desde os anos 1990. No ano passado, o governo federal desapropriou 5.000 dos 13,2 mil hectares para assentar agricultores. O MST, que estava acampado na área não desapropriada, reivindica a desapropriação do restante das terras.</p>
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		<title>Discordar de nosso próprio desejo</title>
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		<pubDate>Thu, 20 Aug 2009 19:27:13 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Luis Favre</dc:creator>
				<category><![CDATA[COMPORTAMENTO]]></category>
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		<description><![CDATA[CONTARDO CALLIGARIS &#8211; FOLHA SP



 Um terapeuta deve deixar suas opiniões e crenças no vestiário do consultório, a cada dia  



EM 31 de julho, o Conselho Federal de Psicologia repreendeu a psicóloga Rozângela Alves Justino por ela oferecer uma terapia para mudar a orientação sexual de pacientes homossexuais.
Não quero discutir a &#8220;possibilidade&#8221; desse tipo [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="background-color: #ffff99"><strong><font size="+1" color="#000080">CONTARDO CALLIGARIS &#8211; FOLHA SP</font></strong></p>
<table width="451" height="90">
<tr>
<td>
<hr size="2" noshade="noshade" /> <font size="4"><strong><em>Um terapeuta deve deixar suas opiniões e crenças no vestiário do consultório, a cada dia  </em></strong></font><br />
<hr size="2" noshade="noshade" /></td>
</tr>
</table>
<p>EM 31 de julho, o Conselho Federal de Psicologia repreendeu a psicóloga Rozângela Alves Justino por ela oferecer uma terapia para mudar a orientação sexual de pacientes homossexuais.<br />
Não quero discutir a &#8220;possibilidade&#8221; desse tipo de &#8220;cura&#8221; (afinal, reprimir o desejo dos outros e o nosso  próprio é uma atividade humana  tradicional), mas me interessa dizer  por que concordo com a decisão do  Conselho.<br />
A revista &#8220;Veja&#8221; de 12 de agosto  publicou uma entrevista com Alves  Justino, na qual ela explica sua posição. No fim, a psicóloga manifesta  seu temor do complô de um &#8220;poder  nazista de controle mundial&#8221;, que  estaria querendo &#8220;criar uma nova  raça e eliminar pessoas&#8221;, graças a  políticas abortistas, propagação de  doenças sexualmente transmissíveis etc.<br />
Para ser psicoterapeuta, não é  obrigatório (talvez nem seja aconselhável) gozar de perfeita sanidade  mental. É possível, por exemplo, que  um esquizofrênico, mesmo muito  dissociado, seja um excelente psicoterapeuta (há casos ilustres). Mas  uma coisa é certa: para ser terapeuta, ser inspirado por um conjunto  organizado de ideias persecutórias é  uma franca contraindicação.<br />
Na verdade, pouco importa que as ideias em questão sejam ou não persecutórias e delirantes: de um terapeuta, espera-se que ele deixe suas opiniões e crenças (morais, religiosas, políticas) no vestiário de seu consultório, a cada manhã. Quando, por qualquer razão, isso resultar difícil ao terapeuta, e ele sentir a vontade irresistível de converter o paciente a suas ideias, o terapeuta deve desistir e encaminhar o caso para um colega. Por quê?<br />
Alves Justino, com sua aversão  por homossexualidade, sadomasoquismo e outras fantasias sexuais,  ilustra a regra que acabo de expor.  Explico.<br />
A psicóloga defende sua prática  afirmando que a psiquiatria e a psicologia admitem a existência de  uma patologia, dita &#8220;homossexualidade ego-distônica&#8221;, que significa o  seguinte: o paciente não concorda  com sua própria homossexualidade,  e essa discordância é, para ele, uma  fonte de sofrimento que poderíamos aliviar -por exemplo, conclui  Alves Justino, reprimindo a homossexualidade.<br />
De fato, atualmente, psiquiatria e  psicologia reconhecem a existência,  como patologia, da &#8220;orientação sexual ego-distônica&#8221;; nesse quadro,  alguém sofre por discordar de sua  orientação sexual no sentido mais  amplo: fantasias, escolha do sexo do  parceiro, hábitos masturbatórios  etc. Existe, em suma, um sofrimento  que consiste em discordar das formas de nosso próprio desejo sexual,  seja ele qual for (alguém pode sofrer  até por discordar de sua &#8220;normalidade&#8221;). Pois bem, nesses casos, o que é  esperado de um terapeuta?<br />
Imaginemos um nutricionista que  receba uma paciente que se queixa  de seu excesso de peso, enquanto ela  apresenta uma magreza inquietante: ela tem asco da forma de seu próprio corpo, que ela percebe como  enorme e que ela não aceita como  seu. O nutricionista não tentará  nem emagrecer nem engordar sua  paciente, pois o problema dela não é  o peso corporal, mas o fato de que  ela discorda de si mesma a ponto de  não conseguir enxergar seu corpo  como ele é.<br />
No caso da orientação sexual ego-distônica, vale o mesmo princípio: o  problema do paciente não é seu desejo sexual específico, mas o fato de  que ele não consegue concordar  com seu próprio desejo, seja ele qual  for. As razões possíveis dessa discordância são múltiplas. Por exemplo,  posso discordar de meu desejo sexual porque ele torna minha vida  impossível numa sociedade que o  reprime (moral ou judicialmente) e  cujas regras interiorizei. Ou posso  discordar de meu desejo porque ele  não corresponde a expectativas de  meus pais que se tornaram minhas  próprias. E por aí vai.<br />
Nesses casos, o terapeuta que tentar resolver o problema confiando em sua visão do mundo e propondo-se &#8220;endireitar&#8221; o desejo de quem o consulta, de fato, só agudizará o conflito (consciente ou inconsciente) do qual o paciente sofre. Ora, é esse conflito que o terapeuta deve entender e, se não resolver, amenizar, ou seja, negociar em novos termos, menos custosos para o paciente. Em outras palavras, diante da ego-distonia, o terapeuta não pode tomar partido nem pelo desejo sexual do paciente, nem pelas instâncias que discordam dele.<br />
Ou melhor, ele pode, sim, só que,  se agir assim, ele deixa de ser terapeuta e vira militante, padre ou pastor.</p>
<p><strong> <a href="mailto:ccalligari@uol.com.br">ccalligari@uol.com.br</a></strong></p>
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		<title>Em São Paulo delação é desejável</title>
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		<pubDate>Thu, 13 Aug 2009 15:30:38 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Luis Favre</dc:creator>
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		<category><![CDATA[Maria Inês Nassif]]></category>
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Maria Inês Nassif &#8211; VALOR
Delatar é um ato não raro possuído por uma exuberante certeza &#8211; e desejo &#8211; de poder sobre a vida dos outros. A delação encontra trânsito e é incentivada pelo Estado policial (ou com vocação policial) e exerce o papel de controle do cidadão sobre o cidadão, no pressuposto de que [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div style="text-align: center"><img src="http://www.colorado.edu/cuartmuseum/images/1_85.jpg" style="cursor: -moz-zoom-out" alt="http://www.colorado.edu/cuartmuseum/images/1_85.jpg" /></div>
<p><img src="http://www.valoronline.com.br/imagens/colunistas/COL-MARIA_INES_NASSIF.jpg" alt="Colunista" align="left" border="0" /><span style="background-color: #ffff99"></span></p>
<p style="background-color: #ffff99">Maria Inês Nassif &#8211; VALOR</p>
<p>Delatar é um ato não raro possuído por uma exuberante certeza &#8211; e desejo &#8211; de poder sobre a vida dos outros. A delação encontra trânsito e é incentivada pelo Estado policial (ou com vocação policial) e exerce o papel de controle do cidadão sobre o cidadão, no pressuposto de que cada indivíduo é potencialmente um fiscal, um agente do Estado capaz de apontar os pretensos inimigos da &#8220;ordem&#8221;; e cada indivíduo é pontencialmente um criminoso. Do lado do indivíduo que delata, o poder a ele conferido pela delação é o de sair da planície dos cidadãos com os mesmos direitos e regidos pelas mesmas leis e o de ascender ao aparelho de Estado, mesmo que pela porta da atividade repressiva.</p>
<p>Os dois lados, do delator e do Estado que incentiva a delação, são alimentados e justificam seus atos pela ideia de que sobre o que julgam verdade e justiça não há possibilidade de dissenso &#8211; a controvérsia é condenável, intolerável e em princípio pode ser criminosa. O nazismo, a União Soviética de Stálin e o Estado policial incentivado pela ação do senador Joseph Raymond McCarthy entre 1950 e 1956, nos Estados Unidos, são os exemplos clássicos da relação entre delação e autoritarismo. Nesses casos históricos, a delação serviu igualmente para alimentar ambientes políticos fortemente radicalizados e forçar &#8220;consensos&#8221; aparentes, formados na verdade por ações repressivas que incluíam a inserção do cidadão no papel de vigia de seu vizinho. Pelo medo, portanto.</p>
<p>A Lei Antifumo do governador José Serra parte de uma premissa altamente democrática &#8211; a de que o não-fumante tem o direito de preservar a sua saúde, ameaçada pelo uso do cigarro em ambientes fechados. A partir desse correto entendimento do direito do não-fumante, foi elaborada uma lei conceitualmente discutível. Todo o texto legal foi montado em torno da delação. A pessoa que fuma em locais públicos fechados não será punida, ou melhor, ela apenas será punida se for denunciada pelo dono do estabelecimento em que fumou. Quem delata fica com a razão; quem não delata assume o crime. Se o fumante acende um cigarro dentro de um restaurante e um fiscal flagra a transgressão, o dono do restaurante será multado. O fumante irá para casa sem que nada tenha acontecido a ele. Se, todavia, o dono do restaurante chamar a polícia e delatar o fumante, estará livre de punições, e o transgressor será punido. Nessa hipótese, o dono do restaurante será premiado pela delação e não sofrerá as sanções previstas na lei para os estabelecimentos cujo ambiente não está livre do fumo.</p>
<p>Pela lei, a delação passa a ter status de prova. Uma pessoa qualquer que estiver no restaurante quando alguém acender um cigarro lá dentro poderá ligar para um 0800 e fazer uma denúncia, ou preencher um &#8220;formulário&#8221; na internet. A sua palavra é prova contra o restaurante e dela decorrerão sanções legais. Para a lei, basta que o denunciante diga que não mentiu para que a sua denúncia seja considerada verdade. O estabelecimento acusado, no entanto, terá que provar que a denúncia foi mentirosa para ser considerado inocente.</p>
<p>Outra situação: o morador de um condomínio pode usar o mesmo 0800, ou o site da lei antifumo, para denunciar um vizinho que tenha fumado em áreas fechadas e públicas do condomínio. O vizinho-delator tem autoridade, pela lei, de autorizar a entrada dos fiscais no condomínio. Mais uma vez, a denúncia será a prova, e certamente não existirá uma outra: até que os fiscais cheguem ao condomínio, o morador delatado pelo uso do cigarro certamente já terá dado um sumiço no cigarro. É uma situação onde dificilmente ocorrerá um flagrante. Nesse caso também a multa é do condomínio. Aí também prevalece o conceito de que é preciso vigiar o vizinho para que não haja prejuízo coletivo.</p>
<p>A ideia da delação é central na lei, e essa intenção foi propagandeada pelo governo do Estado. O secretário de Justiça do Estado, Luiz Antônio Marrey, ao comentar uma pesquisa do Instituto GPP e da InformEstado que indicava que 64,9% dos entrevistados não pretendem denunciar locais com fumantes, disse que, num primeiro momento, a &#8220;metade que vai denunciar é suficiente para colaborar com a fiscalização&#8221;. A tendência é que a delação aumente, para o bem de todos, disse o secretário de Estado da Saúde, Luiz Roberto Barradas Barata: &#8220;O uso do cigarro em ambiente interno é culturalmente aceito há anos. Começamos a mudar isso só agora. Por isso, nesse primeiro momento, a intenção de denunciar não aparece. Acredito que, com a aplicação da lei e os donos de bares se engajando em preservar os estabelecimentos, as denúncias vão surgir&#8221;.</p>
<p>Portanto, o governo do Estado julga desejável que os paulistas se dediquem à delação. E seus representantes deixam claro que a intenção da lei é exatamente essa.</p>
<p>A tempo: sou ex-fumante e a fumaça do cigarro me incomoda profundamente, mas não mais do que o incentivo à deduragem.<br />
<strong><br />
Maria Inês Nassif é editora de Opinião. Escreve às quintas-feiras</strong></p>
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		<title>NY, 1969 &#8211; SP 2009: aos 40 anos do movimento gay, repressão persiste</title>
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		<pubDate>Sun, 21 Jun 2009 18:32:20 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Luis Favre</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Antonio Quinet &#8211; O Globo
Aos 40 anos do movimento gay, repressão resiste e homoterrorismo avança. Por que e até quando? 
Respostas nos textos de Antonio Quinet, João Ximenes Braga e Gilberto Scofield


&#160;
Lições de Stonewall a São Paulo
Por Antonio Quinet*
1969, Stonewall, Nova York. 2009, atentado com bomba na Parada Gay em São Paulo. Após sucessivas batidas [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><font size="4"><strong>Antonio Quinet &#8211; O Globo</strong></font></p>
<p><font size="4"><strong>Aos 40 anos do movimento gay, repressão resiste e homoterrorismo avança. Por que e até quando? </strong></font></p>
<p><font size="4"><strong>Respostas nos textos de Antonio Quinet, João Ximenes Braga e Gilberto Scofield</strong></font></p>
<p><font size="4"></font></p>
<div style="text-align: center"><img src="http://www.tvcanal13.com.br/fotos/FOT20080204124740.jpg" alt="http://www.tvcanal13.com.br/fotos/FOT20080204124740.jpg" /></div>
<p style="background-color: #ffff00">&nbsp;</p>
<p><font size="5"><strong>Lições de Stonewall a São Paulo</strong></font></p>
<p style="background-color: #ffff99">Por Antonio Quinet*</p>
<p>1969, Stonewall, Nova York. 2009, atentado com bomba na Parada Gay em São Paulo. Após sucessivas batidas policiais com humilhação e<br />
prisão no Bar Stonewall, reduto gay do Greenwich Village em NY, os homossexuais reagiram e se rebelaram contra a polícia; a rebelião ganhou o apoio dos passantes e os policiais recuaram.</p>
<p>É o marco histórico do início do movimento de emancipação e liberação dos homossexuais e do combate à homofobia. No ano seguinte, deu-se a primeira Parada Gay. Em São Paulo, além da bomba atirada numa sacola do alto de um prédio, outras agressões deixaram rapazes feridos. Um deles morreu.</p>
<p>Aos 40 anos de Stonewall, ataques como o de São Paulo estão além da homofobia. São atos de homoterrorismo. Apesar das transformações nos costumes e leis e da maior liberdade de expressão da opção sexual, prevalece, mundo afora, a repressão através de atos de guerra. No Brasil, o número de assassinatos de homossexuais aumentou 55% em 2008 em relação ao ano anterior, revela a pesquisa anual sobre crimes com motivação homofóbica, do Grupo Gay da Bahia (GGB).</p>
<p>Como se explica o homoterrorismo? Como a homofobia, termo que designa medo, se transforma em ódio? Por um lado, podemos pensar a partir da lógica da exclusão do diferente e situar o homossexual ao lado do negro e do judeu, vítimas de discriminação e intolerância (o triângulo gay era cor-de-rosa nos campos de concentração) e também, como se tem visto, aqueles que frequentam religiões “fora da norma”, como a Umbanda, alvos de agressões em seus templos. As mulheres, acrescentese, continuam a ser discriminadas. Essa norma mítica, que se confunde com o “normal”, é a do “branco, masculino, jovem, heterossexual, cristão, financeiramente seguro e magro” (cf. Dollimore). O homossexual provoca o imaginário de um gozo outro, tão diferente, e ao mesmo tempo tão semelhante. Para a consciência da norma, é melhor qualificá-lo de pervertido, não-confiável, pois um gozo periférico, daí ser perigoso. Como disse Arnaldo Jabor, os gays “ (&#8230;) sempre foram uma fonte de angústia, pois atrapalham nosso sossego, nossa identidade ‘clara’. O gay é duplo, é dois, o viado tem algo de centauro, de ameaçador para a unicidade do desejo&#8230; o gay sério inquieta&#8230; o gay de terno, o gay forte, o gay caubói são muito próximos de nós (&#8230;).”</p>
<p>Ao responder a uma mãe extremamente preocupada com a homossexualidade de seu filho, Sigmund Freud (que assinara uma petição pela descriminalização da homossexualidade) aponta, em 1935, que não é nenhuma desvantagem, nem vantagem, “não é motivo de vergonha, não é uma degradação, não é um vício e não pode ser considerada uma doença”. Apesar disso, só em 1973 a American Psychiatric Association (APA) deixou de classificar a homossexualidade como doença. E depois que ativistas gays, por duas vezes (1970 e 1971), invadiram seu encontro anual.</p>
<p>A psicanálise, na mesma direção, se opõe à pedagogia do desejo, pois esta é uma falácia. Não se pode educar a pulsão sexual, desviá-la para acomodá-la aos ideais da sociedade. A pulsão segue os caminhos traçados pelo inconsciente, individual e singular. A pulsão não é louca: obedece à lógica de uma lei simbólica a que todos estamos submetidos.</p>
<p>Para a psicanálise, o interesse exclusivo de um homem por uma mulher também merece esclarecimento. A investigação psicanalítica, diz Freud em seu texto premiado sobre Leonardo da Vinci, opõe-se à tentativa de separar os homossexuais dos outros seres como um “grupo de índole singular”, pois “todos os seres humanos são capazes de fazer uma escolha de objeto homossexual e que de fato a consumaram no inconsciente”. Ou seja, a bissexualidade é constitutiva de todos, seja a escolha homossexual praticada ou não.</p>
<p>O complexo de Édipo, que cai no esquecimento, comporta também a ligação libidinal do filho para com o pai e da menina para com a mãe, além das ligações do filho com a mãe e da filha com o pai. Assim, o número de homossexuais que se proclamam como tais, diz Freud, “não é nadaem comparação com os homossexuais latentes”.</p>
<p>Há uma diversidade enorme na homossexualidade tanto na praticada quanto na latente e sublimada. Devemos falar, portanto, de homossexualidades”. As sexualidades são tantas quanto existem os sujeitos, determinadas pelas fantasias de cada um. A questão que se coloca nesse episódio de terror é como cada um lida com sua homossexualidade (patente ou latente) que se materializa nas amizades, nas relações entre parentes do mesmo sexo e em todo ajuntamento social.</p>
<p>Segundo Freud, a libido homossexual é o cimento dos grupos e da massa, assim como a raiz dos ideais subjetivos de cada um se encontra em seu narcisismo (do amor por si mesmo e até a auto-estima). O “amar aos outros como a si mesmo” tem claramente fundamento homo (igual) erótico. A aceitação da homossexualidade do outro se encontra na dependência de como o sujeito lida com a sua própria. Quanto mais ele a rejeita em si mesmo, menos saberá lidar com ela, podendo fazer desse outro um objeto de ódio, de agressões e até de assassinato.</p>
<p>Dentro de uma cultura machista e falocêntrica (existe no ocidente alguma que não o seja?) parece mais fácil para a mulher lidar com sua homossexualidade do que o homem. Não é à toa que o lipstick lesbian virou moda entre as meninas. O que está longe de ser o caso para os meninos que cedo, muitas vezes na escola, aprendem a prática do homoterrorismo. A aceitação do outro como sexuado, diferente e independente, podendo fazer suas próprias escolhas de gozo sem ter que se desculpar, é um índice de civilização. O contrário é a barbárie.</p>
<p><strong>ANTONIO QUINET é psicanalista e doutor em filosofia.</strong></p>
<p><strong> </strong></p>
<div style="text-align: center"><img src="http://oglobo.globo.com/blogs/arquivos_upload/2008/07/203_1522-gaycouple.jpg" style="cursor: -moz-zoom-out" alt="http://oglobo.globo.com/blogs/arquivos_upload/2008/07/203_1522-gaycouple.jpg" /></div>
<p style="background-color: #ff00ff">&nbsp;</p>
<p><font size="5"><strong>A revolta dos perdigotos</strong></font></p>
<p style="background-color: #ff99cc">Por João Ximenes Braga</p>
<p>Homoterrorismo é a desimportância em desespero. A sexualidade é inalterável e inatingível. E quando se trata de sexualidade, só existe uma coisa no mundo que consegue ser mais desprovida de importância que a opinião pessoal: o julgamento moral.</p>
<p>Você pode julgar quanto quiser a sexualidade alheia. Não tem importância. Você pode ser hétero e fazer a elegia dos seus amigos gays. Não tem importância. Você pode ser gay e fazer piadas maldosas sobre o comportamento “careta” dos héteros. Não tem importância. Eles não deixarão de ser o que são.</p>
<p>Você pode ser conservador e barrar leis no Congresso, fazer passeatas pela família, dizer que o mundo está acabando, que Deus vai punir a todos. Não tem importância, não passa do registro da fofoca, ninguém vai deixar de se deitar com quem quer. Pode até deitar escondido, ou demorar a criar coragem, mas vai deitar. Deitar e suar e trocar saliva e outros fluidos que, com sorte, ficarão na camisinha.</p>
<p>E você pode achar isso nojento. Mas não tem importância. Pois a sua opinião e o seu julgamento sobre a sexualidade alheia não tem importância. Porque é alheia. Se é alheia, é do outro; se é do outro, não é sua; não sendo sua, não vai mudar por sua causa.</p>
<p>Você pode ser deputado crente ou padre pitboy, pode ser simpatizante ou skinhead, pode ser presidente do Irã ou suplente do PTC, grandes coisas, azar o seu, a sexualidade alheia continuará a não ser da sua conta. O pessoal vai continuar deitando e suando e trocando saliva enquanto você desperdiça os seus perdigotos uivando indignação pelas esquinas.</p>
<p>Aí, numa desesperada tentativa de não admitir que seu julgamento moral é inútil, você joga uma bomba. Você pode até matar alguns indivíduos. Ferir outros. Emperrar a vida de muitos. Vãs tentativas de ter importância, pois não vai, jamais, impedir que o mundo gire, a lusitana rode e as pessoas se deitem com quem quiserem, como quiserem. Seu julgamento moral e sua opinião, quaisquer que sejam, serão para sempre da mais profunda desimportância.</p>
<p>A não ser, claro, para você mesmo. Pois como diz Tennessee Williams na voz de Chance, o protagonista de “Doce pássaro da juventude”, a grande diferença entre as pessoas neste mundo “não é entre quem é rico e pobre, bom ou mau. É entre quem tem ou teve prazer no amor e quem nunca teve prazer no amor, apenas observou, com inveja, inveja doentia”.</p>
<div style="text-align: center"><img src="http://www.lasescapadas.com/wp-content/uploads/2007/08/tq_001534_g.jpg" style="cursor: -moz-zoom-in" alt="http://www.lasescapadas.com/wp-content/uploads/2007/08/tq_001534_g.jpg" width="554" height="359" /></div>
<p style="background-color: #ff9900">&nbsp;</p>
<p><font size="5"><strong>Bambi na selva</strong></font></p>
<p style="background-color: #ff6600"><strong>Por Gilberto Scofield (de WASHINGTON)</strong></p>
<p>Os EUA podem ser um intensivão da realidade e da cultura gays. Estão aqui as bases do que se conhece como ativismo GLBT, bem como os maiores exemplos de como a homofobia beira a patologia. No aniversário de 40 anos do movimento gay, as grandes cidades americanas fervem: boates, saunas, bares, indústria pornô, lojas, literatura,arte e cinema que dão o tom e o formato de tudo oque se vê de gay e lésbicoao redor do planeta, incluindo no Brasil.<br />
A indústria cultural gay flerta com Hollywood, Broadway, Off-Broadway, Metropolitan, Lincoln, You Tube, Twitter. Define mitos, delineia divas, lança DJs, danças, dramas, drogas, roupas, tudo que é mainstream ou alternativo.</p>
<p>E está aqui a mais raivosa e verbal sociedade conservadora do planeta, com seus cartazes de “casamento = homem + mulher” ou “Deus odeia viados”. Aqui,um gay já foi espancado e deixado semimorto numa cerca no meio do nada para servir de aviso. Um entre muitos. Os maiores índices de crescimento da HIV/Aids entre gays depois da África estão aqui.<br />
No Brasil, tendo a achar que o lado negro da força impede o avanço das conquistas gays. O que será do projeto de união civil há anos engavetado no Congresso por pressão de religiosos e coronéis (alguém aí falou em Irã?)?<br />
A vitória da união civil é surrada, à mercê da mente mais ventilada deste ou daquele juiz, apesar dos impostos pagos pelos gays serem os mesmos. O ativismo gay mudou de foco. As velhas reivindicações ficaram mais discretas. A maioria quer ser&#8230;. como a maioria! Normais, virtuosos, viciosos, como todos.<br />
Estamos a quilômetros disso. Pesquisa nacional mostra que a maioria dos brasileiros maiores de 16 possuem algum tipo de preconceito contra homossexuais, dos quais 16% consideram-nos como “doentes”, “safados” ou“sem-vergonha”.<br />
Não se pode parar aos 40, gritam os ativistas. Mas estou exausto. E só vejo aconchego na minha ridícula rotina jornalística. Ou no meu companheiro ofere cendo seu abraço cúmplice depois de um dia de 50 horas. Eu não comemoro nem os meus 40 anos. Amadurecer tem um preço alto para quem aprende com a vida. Uma clareza antecipada, preguiça do manjado, do cinismo, cabelos brancos. Quarenta anos de movimento gay e, sinceramente, apesar dos avanços nos costumes, me sinto tão facilmente aniquilável quanto um Bambi numa floresta.</p>
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		<title>USP: para o professor Dalmo Dallari, é um radicalismo fora de moda</title>
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		<pubDate>Fri, 12 Jun 2009 16:06:10 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Luis Favre</dc:creator>
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		<description><![CDATA[
LAURA CAPRIGLIONE &#8211; FOLHA SP
  DA REPORTAGEM LOCAL 
Professor emérito da Faculdade de Direito da USP, Dalmo  de Abreu Dallari, 77, é nome  sempre associado às causas de  esquerda na universidade.
Em 1981, foi candidato a reitor em nome da Associação dos  Docentes da USP, da Associação dos Servidores e do [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div style="text-align: center"><img src="http://img.estadao.com.br/fotos/7E/E8/D7/7EE8D7BB5FE44E7ABC1A7FA8693ECC51.jpg" alt="http://img.estadao.com.br/fotos/7E/E8/D7/7EE8D7BB5FE44E7ABC1A7FA8693ECC51.jpg" width="555" height="369" /></div>
<p style="background-color: #ffff99"><strong>LAURA CAPRIGLIONE</strong> &#8211; FOLHA SP</p>
<p><font size="-1">  DA REPORTAGEM LOCAL </font></p>
<p>Professor emérito da Faculdade de Direito da USP, Dalmo  de Abreu Dallari, 77, é nome  sempre associado às causas de  esquerda na universidade.<br />
Em 1981, foi candidato a reitor em nome da Associação dos  Docentes da USP, da Associação dos Servidores e do Diretório Central dos Estudantes. Ganhou no voto direto, perdeu  quando a eleição passou pelas  instâncias formais da universidade. Hoje, está divorciado das  entidades que o apoiaram.<br />
Critica a &#8220;violência&#8221; dos protestos de agora, apoia a entrada  da PM no campus e a reitora.</p>
<p><center><br />
</center><em><strong>FOLHA &#8211; O que deu errado na terça?<br />
DALMO DALLARI </strong></em>- Há um conjunto de erros. Em primeiro lugar,  a maneira como estão sendo  postas as reivindicações. Há  um excesso de temas -tem a  reivindicação salarial, a questão do ensino a distância, a  readmissão de um funcionário  demitido. São coisas completamente diferentes e cuja decisão  depende de órgãos diferentes.<br />
É preciso reduzir essa pauta a  um temário coerente. Além  disso, não posso admitir a prática de violência física contra a  universidade, um patrimônio  público. Fiquei indignado  quando vi as fotografias de funcionários e alunos arrebentando a universidade. Essas pessoas não gostam da USP.</p>
<p><em><strong>FOLHA &#8211; Elas dizem que é a reitora  que não gosta.<br />
DALLARI </strong></em>- Essas pessoas têm  um radicalismo fora de moda.<br />
Querem impor a adesão ao movimento por intermédio dos piquetes. É natural que quem reivindica procure obter adesão.  Mas isso deve ser feito pelo  convencimento. E não cerceando os direitos dos professores,  funcionários e alunos que querem atividades normais. Não  posso reivindicar o meu direito  agredindo o dos outros.</p>
<p><em><strong>FOLHA &#8211; É chamando a polícia que  se resolve isso?<br />
DALLARI </strong></em>- É claro que a presença da polícia no campus não é  desejável. Mas isso é muito diferente da polícia que invadiu o  campus na ditadura militar. A  polícia naquela época impedia  o exercício do direito de expressão, de reunião, de reivindicação. Era uma polícia arbitrária e violenta por natureza.  Mas agora o que aconteceu é  que a PM compareceu para fazer cumprir uma determinação  judicial, visando à proteção do  patrimônio público. E acho que  a reitora agiu corretamente  quando solicitou essa proteção.</p>
<p><em><strong>FOLHA &#8211; Mas a polícia acabou jogando bomba em estudante contra  a greve. Está certo isso?<br />
DALLARI </strong></em>- A história está cheia  de exemplos em que a polícia  acaba se excedendo. Mas houve  situações de um grupo de manifestantes cercando a polícia.  É fácil de imaginar o temor dos  policiais de serem agredidos,  humilhados. Isso acabou precipitando ações violentas da polícia, também condenáveis.</p>
<p><em><strong>FOLHA &#8211; As entidades alegam que  a reitora fugiu do diálogo&#8230;<br />
DALLARI </strong></em>- Eu, se fosse reitor,  também não compareceria a  uma reunião com esse tipo de  radicalismo, até com risco de  agressões físicas.</p>
<p><em><strong>FOLHA &#8211; E agora, o que fazer?<br />
DALLARI</strong></em> &#8211; É preciso definir uma  pauta coerente de reivindicações. A reitora poderia designar  uma comissão de membros do  Conselho Universitário, com  representantes de professores,  estudantes e funcionários, que  de maneira civilizada e coerente discutiria sem radicalismos.</p>
<p><em><strong>FOLHA &#8211; E quanto à PM no campus?<br />
DALLARI </strong></em>- Do jeito que as coisas  estão, acho que pura e simplesmente retirar a polícia é temerário. É preciso manter a polícia e abrir a negociação.</p>
<p><em><strong>FOLHA &#8211; As três entidades exigem  a demissão da reitora&#8230;<br />
DALLARI </strong></em>- Isso é um absurdo.  Seria desmoralizante para a  própria USP. A reitora foi legalmente escolhida. Está no exercício das suas funções. Nunca  foi alvo de acusações de corrupção. É preciso respeitá-la.</p>
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		<title>USP: Reitora não tem mais condições de continuar, diz Olgária Matos</title>
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		<pubDate>Fri, 12 Jun 2009 15:27:30 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Luis Favre</dc:creator>
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		<description><![CDATA[

   DA REPORTAGEM LOCAL &#8211; FOLHA SP
   A filósofa Olgária Matos é  professora titular daquela que é  considerada a faculdade vermelha da USP, a Faculdade de  Filosofia, Letras e Ciências Humanas. Aposentou-se em 2003,  mas acompanha atentamente a  vida da instituição, na qual ingressou como estudante [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><font size="5"><strong><br />
</strong></font></p>
<p style="background-color: #ffff99">   <font size="-1">DA REPORTAGEM LOCAL &#8211; FOLHA SP</font></p>
<p>   A filósofa Olgária Matos é  professora titular daquela que é  considerada a faculdade vermelha da USP, a Faculdade de  Filosofia, Letras e Ciências Humanas. Aposentou-se em 2003,  mas acompanha atentamente a  vida da instituição, na qual ingressou como estudante no ano  anterior à promulgação do AI-5, em plena ditadura militar.<br />
Considera que &#8220;a reitora não  tem mais condições políticas de  se manter no cargo&#8221;, mas teme  que, de novo, &#8220;se derrube o tirano sem tocar nas razões da tirania&#8221;. Abaixo, trechos da entrevista concedida ontem. <font size="-1"><strong> (LC) </strong></font></p>
<p><center><br />
</center><em><strong>FOLHA &#8211; O que deu errado na terça-feira?<br />
OLGÁRIA MATOS </strong></em>- É inadmissível que uma manifestação pacífica de estudantes e funcionários tenha de se enfrentar com a polícia dentro do campus universitário. Os manifestantes podiam até ter objetivos criticáveis -ou não-, mas, desde a Academia de Platão até as universidades modernas, esse recinto é o único preservado da violência policial porque é definido como o local que luta contra a violência, contra a barbárie. É o local em que se produz conhecimento, especulações, ciência. O local que faz parte do repertório da humanidade para se humanizar. Então não é o lugar que comporte a ocupação policial contra uma manifestação de estudantes desarmados.</p>
<p><em><strong>FOLHA &#8211; A reitoria alega que a PM  foi usada para impedir a depredação  do patrimônio público e o desrespeito ao direito de não grevistas&#8230;<br />
MATOS </strong></em>- É preciso garantir o  direito de ir e vir de todos os  que participam da vida da universidade, é certo. Agora, como  se chegou a esse ponto? Parece-me que os canais de contato entre os estudantes e a reitoria ou  entre os funcionários e a reitoria estão muito precarizados.<br />
Os funcionários apresentaram  uma pauta de reivindicações, o  que é algo obviamente legítimo.<br />
Cabe à outra parte discuti-la.<br />
Debatê-la. Agora, quando as  instituições universitárias não  debatem e, em vez disso, optam  por enfrentar um protesto pacífico, de pessoas desarmadas,  com o emprego de força militar, é porque têm uma sensação  muito grande de perseguição.  Alguma coisa muito séria está  acontecendo com uma universidade que se torna incapaz de  debater ideias diferentes.</p>
<p><em><strong>FOLHA &#8211; Alunos, professores e funcionários exigem a saída da reitora&#8230;<br />
MATOS </strong></em>- Do ponto de vista global da instituição, politicamente, aconteceu uma espécie de  vazio de poder. Quando se usa a  violência, é porque se perdeu a  autoridade. A universidade não  é o lugar da força ou da violência. É o lugar da autoridade&#8230;<br />
Agora, o jogo de forças entre os  vários setores da universidade  é que vai definir os próximos  passos. Tenho certeza de que a  atitude da reitora derivou de algum aconselhamento, provavelmente de professores mais  conservadores, que a pressionaram a agir dessa maneira.<br />
Porque ela não agiria assim  sem se sentir respaldada. O que  tudo indica é que a reitora não  tem mais condições políticas de  se manter. Na medida em que  ela usou a violência, pela simples recusa ao debate, ficou  comprometida a sua função  institucional como intelectual.<br />
O intelectual está lá para impedir o uso das armas. Ainda assim, eu me pergunto se -de novo, e porque é mais fácil- não  se estaria derrubando o tirano,  em vez das causas da tirania.  Você pode substituir o reitor. E  depois? É por isso que existe a  luta, que não é de hoje, pela democratização das instâncias  que elegem o reitor.</p>
<p><em><strong>FOLHA &#8211; A PM deve sair da USP?<br />
MATOS </strong></em>- Imediatamente. A polícia estar lá é quase uma provocação&#8230; Uma sociedade é tanto  mais feliz, tanto mais democrática, quanto mais ela conseguir  conviver com seus contraditores. Uma sociedade que só é capaz de conversar com o mesmo  não é uma sociedade.</p>
]]></content:encoded>
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		<title>A universidade não é caso de polícia</title>
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		<pubDate>Fri, 12 Jun 2009 14:58:18 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Luis Favre</dc:creator>
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TENDÊNCIAS/DEBATES &#8211; FOLHA SP
Os artigos publicados com assinatura não traduzem a opinião do jornal. Sua publicação obedece ao propósito de estimular o debate dos problemas brasileiros e mundiais e de refletir as diversas tendências do pensamento contemporâneo. debates@uol.com.br
A universidade não é caso de polícia
VLADIMIR SAFATLE



 Em vez de estigmatizar os alunos e tratá-los como delinquentes, [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div style="text-align: center"><img src="http://img.estadao.com.br/fotos/7E/E8/D7/7EE8D7BB5FE44E7ABC1A7FA8693ECC51.jpg" alt="http://img.estadao.com.br/fotos/7E/E8/D7/7EE8D7BB5FE44E7ABC1A7FA8693ECC51.jpg" width="555" height="369" /></div>
<p><strong><font size="+1" color="#000080">TENDÊNCIAS/DEBATES &#8211; FOLHA SP</font></strong></p>
<p><font size="-1">Os artigos publicados com assinatura não traduzem a opinião do jornal. Sua publicação obedece ao propósito de estimular o debate dos problemas brasileiros e mundiais e de refletir as diversas tendências do pensamento contemporâneo. <a href="mailto:debates@uol.com.br">debates@uol.com.br</a></font></p>
<p><font size="5"><strong>A universidade não é caso de polícia</strong></font></p>
<p><strong>VLADIMIR SAFATLE</strong></p>
<table width="421" height="106">
<tr>
<td>
<hr size="2" noshade="noshade" /> <font size="4"><strong><em>Em vez de estigmatizar os alunos e tratá-los como delinquentes, talvez seja o caso de se perguntar contra o que eles se manifestam</em></strong></font></p>
<hr size="2" noshade="noshade" /></td>
</tr>
</table>
<p>AS CENAS de batalha campal que vimos nesta semana na USP ficarão na memória daqueles que dedicam sua vida a essa instituição. Vários professores, como eu, que nunca participaram de movimento sindical, que nem sequer foram alguma vez a uma assembleia, veem com estarrecimento a disseminação da crença de que conflitos trabalhistas devem ser resolvidos apelando sistematicamente à polícia.<br />
Diz-se que a polícia era necessária  para evitar piquetes e degradações.  No entanto, tudo o que ela conseguiu  foi acirrar os ânimos e aumentar exponencialmente os dois.<br />
Vale a pena lembrar que, por mais que sejam práticas problemáticas que precisam certamente ser revistas, os piquetes estão longe de se configurarem como ações criminosas. A história das sociedades democráticas demonstra como eles foram, em muitos casos, peças necessárias de um processo de ampliação de direitos. Cabe a nós provar que esse tempo passou e que, devido à capacidade de diálogo, tais práticas não têm mais lugar.<br />
No entanto, quando se tenta reduzir manifestantes que procuram melhorias em suas condições de trabalho  a tresloucados patológicos que nada  têm a dizer, que não têm nenhuma racionalidade em suas demandas, dificilmente alguma forma de diálogo  conseguirá se impor.<br />
Melhor seria começar explicando  qual racionalidade justifica que a universidade mais importante do país,  responsável por parte significativa da  pesquisa nacional, tenha salários menores que os de uma universidade federal em qualquer Estado brasileiro.<br />
Por outro lado, há algo incompreensível na crença de que a polícia  possa ser chamada para mediar conflitos com alunos e funcionários públicos. Muitos acreditam que ligarão  para o 190 e receberão uma espécie de  &#8220;polícia inglesa&#8221; capaz de agir de maneira minimamente adequada diante  de cidadãos que se manifestam.<br />
Contudo, o que vimos até agora foi uma polícia que entrou pela primeira vez no campus armada com metralhadoras, quando a ação padrão deveria ser, nessas situações, agir desarmada. Quem tem uma metralhadora nas mãos imagina que porventura poderá usá-la. Mas contra quem? Contra nossos alunos? E quem decidirá o momento de usá-la?<br />
Como se isso não bastasse, uma polícia bem preparada não responde a  provocações de gritos e latas com  bombas de gás lacrimogêneo e balas  de borracha usadas na frente da Escola de Aplicação e de uma faculdade em  que, normalmente, há crianças e adolescentes. O que aconteceria se uma  bala de borracha atingisse uma criança, ampliando um pouco mais o enorme contingente de balas perdidas disparadas pela polícia?<br />
Antes de ligar para a Polícia Militar,  valeria a pena levar em conta seu despreparo manifesto em intervenções  em conflitos sociais, histórico catastrófico mundialmente criticado por  órgãos internacionais.<br />
Nenhum leitor terá dificuldade de  se lembrar de situações de conflito  social nas quais policiais que se sentiram acuados reagiram de maneira  descontrolada, provocando tragédias.<br />
Por fim, contrariamente a certa  ideia que um anti-intelectualismo  militante gosta de veicular nestes  momentos, vários alunos alvos de balas de borracha são extremamente  dedicados em seus cursos, participam  sistematicamente de colóquios e programas de pesquisa, apresentam &#8220;papers&#8221; em congressos e podem ser  constantemente encontrados em  nossas bibliotecas.<br />
Sendo certo que vêm de todas as faculdades de nossa universidade (e não apenas da área de humanas, como alguns querem fazer acreditar), é inaceitável tratá-los como delinquentes potenciais. Dentre os 2.000 estudantes que se manifestaram nesta semana estão alguns de nossos melhores alunos.<br />
Em vez de estigmatizá-los, talvez  seja o caso de se perguntar contra o  que eles se manifestam, já que, é sempre bom lembrar, antes da entrada da  polícia, nem professores nem alunos  estavam em greve. A greve restringia-se a funcionários.<br />
Há um mês, em uma pequena cidade francesa, a polícia recebeu um chamado de possível furto. Em uma atuação &#8220;exemplar&#8221;, ela estava em alguns minutos no local do crime. No entanto, o local era uma escola, o objeto furtado, uma bicicleta, e o possível ladrão, uma criança de dez anos. Sem pestanejar, a polícia retirou a criança da escola na frente de seus colegas, levou-a à delegacia, colheu seu depoimento e a fichou.<br />
Possivelmente, foi contra esse modelo social baseado na incapacidade  de resolver conflitos sem apelar à  mais crassa brutalidade securitária  que hoje nossos alunos se manifestam. Cabe a nós mostrar a eles que a  história da USP é outra.</p>
<hr size="1" noshade="noshade" /><font size="-1"> <strong>VLADIMIR SAFATLE</strong>, 36, é professor do Departamento  de Filosofia da Universidade de São Paulo.</font></p>
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		<title>USP na pauta</title>
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		<pubDate>Fri, 12 Jun 2009 14:30:14 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Luis Favre</dc:creator>
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		<description><![CDATA[PAINEL DO LEITOR &#8211; FOLHA SP

O &#8220;Painel do Leitor&#8221; recebe colaborações por e-mail (leitor@uol.com.br), fax (0/xx/11/3223-1644) e correio (al.Barão de Limeira, 425, 4º andar, São Paulo-SP, CEP 01202-900). As mensagens devem ser concisas e conter nome completo, endereço e telefone. A Folha se reserva o direito de publicar trechos.
Leia mais cartas na Folha Online
www.folha.com.br/paineldoleitor
USP
&#8220;As ideias [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><strong><font size="+1" color="#000080">PAINEL DO LEITOR &#8211; FOLHA SP<br />
</font></strong></p>
<p>O &#8220;<strong>Painel do Leitor</strong>&#8221; recebe colaborações por e-mail (<a href="mailto:leitor@uol.com.br">leitor@uol.com.br</a>), fax (0/xx/11/3223-1644) e correio (al.Barão de Limeira, 425, 4º andar, São Paulo-SP, CEP 01202-900). As mensagens devem ser concisas e conter nome completo, endereço e telefone. A <strong>Folha</strong> se reserva o direito de publicar trechos.</p>
<p>Leia mais cartas na <strong>Folha Online</strong><br />
<a href="http://www.folha.com.br/paineldoleitor/">www.folha.com.br/paineldoleitor</a></p>
<p><strong>USP</strong><br />
&#8220;As ideias da reitora Suely Vilela e  do professor José Arthur Giannotti  (&#8221;Tendências/Debates&#8221;, ontem) são  quase convincentes e, por isso, extremamente perigosas.<br />
É importante revelar que elas se  autodesmerecem por dois pontos:<br />
1) A reitora aponta a chamada da  Polícia Militar ao campus como resultado do &#8220;desrespeito a uma ordem judicial&#8221;, sendo que ela própria,  no atual momento, está desrespeitando duas sentenças transitadas  em julgado, que condenam a Universidade de São Paulo a recompor  os salários dos professores que não  receberam gatilhos devidos e a pagar os respectivos atrasados. Na  Unicamp, por exemplo, essa dívida  já foi saldada.<br />
2) O professor José Arthur Giannotti fala em &#8220;pautas fantasiosas&#8221;.<br />
Eu gostaria que ele respondesse se é  fantasioso solicitar que nossos salários, que hoje carregam uma perda  de 42% em relação ao que eram em  1989, sejam corrigidos para patamares minimamente decentes. Os  índices por ele apresentados, aliás,  são falsos. Índices corretos poderiam ter sido fornecidos a ele pela  Adusp e pela própria reitoria.<br />
PS: Votei, livremente, contra a  greve dos professores decidida no  dia 4 passado pela maioria e não represento, portanto, a categoria tão  ofendida pelas palavras do professor Giannotti.<br />
<font size="-1"><strong>MARLENE SUANO</strong>, professora-doutora do Departamento de História da FFLCH-USP  (São Paulo, SP)</font></p>
<p>&#8220;Não se pode aceitar que a USP, a mais querida e respeitada universidade brasileira, seja palco da violência que na terça-feira vitimou a todos, estudantes, funcionários, docentes e os próprios policiais, enviados para restabelecer a &#8220;ordem&#8221;.<br />
O objetivo maior dessa bela instituição é enaltecer a busca do conhecimento, com serenidade, transparência e respeito à diversidade de opiniões e, especialmente, à livre expressão. Nesta semana, assistimos ao oposto.<br />
Que a paz volte imediatamente à  nossa casa do saber e que as partes  em conflito resolvam suas diferenças com responsabilidade, calma e  bom senso, em defesa da liberdade,  alma da democracia.&#8221;<br />
<font size="-1"><strong>BRUNO ROBERTO PADOVANO</strong>, professor associado da Faculdade de Arquitetura da USP, coordenador científico do Núcleo de Pesquisa em Tecnologia da Arquitetura e Urbanismo da USP (São Paulo, SP)</font></p>
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		<title>USP: a conduta &#8220;dura&#8221; da reitora é ditada por Serra</title>
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		<pubDate>Thu, 11 Jun 2009 14:30:27 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Luis Favre</dc:creator>
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		<description><![CDATA[O governador José Serra não assume qualquer responsabilidade perante as violencias acontecidas durante protesto dos estudantes da USP.
Segundo ele &#8220;a presença da Polícia Militar (PM) na USP se deve a uma ordem judicial&#8221; (ironicamente um leitor da Folha notou hoje que apesar de ordem judicial o governador não paga os precatórios, o que relativiza o [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>O governador José Serra não assume qualquer responsabilidade perante as violencias acontecidas durante protesto dos estudantes da USP.</p>
<p>Segundo ele <strong>&#8220;a presença da Polícia Militar (PM) na USP se deve a uma ordem judicial&#8221;</strong> (ironicamente um leitor da <strong>Folha</strong> notou hoje que apesar de ordem judicial o governador não paga os precatórios, o que relativiza o argumento &#8220;jurídico&#8221; de Serra).</p>
<p>Mas, pela reportagem feita pelo jornal <strong>O Estado de São Paulo</strong> pouco suspeito de simpatias pró-baderna, é o próprio governador quem pressionou a Reitora para agir com mão dura contra o sindicato dos funcionários e os estudantes grevistas.</p>
<p>Não é surpreendente o relato do <strong>Estadão</strong>.</p>
<p>A postura sistemática do governador Serra é a recusa de qualquer diálogo com as entidades representativas das diversas categorias do funcionalismo estadual. Para ele aparentemente sindicato é coisa de &#8220;comunista&#8221; e estudante só aprende com cacetadas.   Representante da direita e do conservadorismo até os tutanos, a linha dura contra o movimento social é o complemento da orientação privatizadora, elitista e reacionária do &#8220;governador-candidato&#8221;.</p>
<p>Uma parte dos que o apoia e lhe dão sustentação política procura travesti-lo de centro-esquerda e progressista, para não sentir muita vergonha olhando no espelho.   A melhor definição foi dada dias atrás <a href="http://blogdofavre.ig.com.br/2009/06/em-sua-vasta-maioria-os-empresarios-o-veem-como-um-administrador-autoritario-inflexivel-e-com-atitudes-quase-ditatoriais-constata-a-reportagem-de-valor-sobre-serra/" title="“Em sua vasta maioria, os empresários o veem como um administrador autoritário, inflexível e com atitudes quase ditatoriais.”, constata a reportagem de VALOR sobre Serra" rel="bookmark">“Em sua vasta maioria, os empresários o veem como um administrador autoritário, inflexível e com atitudes quase ditatoriais.”, constata a reportagem de VALOR sobre Serra.</a>LF</p>
<p>A seguir o artigo do <strong>Estadão</strong> (clique na imagem para ampliar e ler)</p>
<p><a href="http://blogdofavre.ig.com.br/wp-content/uploads/2009/06/usp_greve.jpg" title="usp_greve.jpg"></a></p>
<div style="text-align: center"><a href="http://blogdofavre.ig.com.br/wp-content/uploads/2009/06/usp_greve.jpg" title="usp_greve.jpg"><img src="http://blogdofavre.ig.com.br/wp-content/uploads/2009/06/usp_greve.jpg" alt="usp_greve.jpg" width="555" height="495" /></a></div>
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		<title>Serraluf na segurança: a receita que dá voto em São Paulo</title>
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		<pubDate>Sun, 31 May 2009 15:40:30 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Luis Favre</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Pouco importa se os latrocino estão em alta ou se cada dois dias um condomínio é assaltado na cidade. 
O que conta é mais o que faz de conta. No caso fazer de conta que o governo estadual aplica a mão de ferro contra a bandidagem. 
Pensando bem, é até necessário que o clima de [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><em>Pouco importa se os latrocino estão em alta ou se cada dois dias um condomínio é assaltado na cidade. </em></p>
<p><em>O que conta é mais o que faz de conta. No caso fazer de conta que o governo estadual aplica a mão de ferro contra a bandidagem. </em></p>
<p><em>Pensando bem, é até necessário que o clima de insegurança e de violência persista e se espalhe, pois permite que o faz de conta tenha maior impacto eleitoral (depois é só manipular B.O. e alinhavar estadísticas para mostrar eficiência).</em></p>
<p><em>Pouco importa se os pobres são aterrorizados, pelo faz de conta da segurança, é o que parece pensar uma parte da classe média abastada da cidade. </em></p>
<p><em>Pouco importa lei, justiça, direitos para fazer prevalecer&#8230; o faz de conta.</em></p>
<p><em>Assim age o PSDB em matéria de segurança. Como trogloditas a serviço de sua própria propaganda.</em></p>
<p><em>A mão de ferro contra a criminalidade é necessária sim. </em></p>
<p><em>A repressão e a luta ao crime organizado deve ser prioridade, sim.</em></p>
<p><em>Aterrorizar a população indefesa para fazer de conta que o governo estadual age contra a delinquência é o recurso patético dos incompetentes. LF</em></p>
<div style="text-align: center"><img src="http://www.rc.unesp.br/igce/planejamento/gpapt/paraisopolis.jpg" style="cursor: -moz-zoom-out" alt="http://www.rc.unesp.br/igce/planejamento/gpapt/paraisopolis.jpg" width="555" height="367" /></div>
<p align="center"><font size="1"><em>Aterrorizar a esquerda (Paraisópolis) para vender o faz de conta a direita (Morumbi).</em></font></p>
<p><font size="6"><strong>82 dias de medo em Paraisópolis</strong></font></p>
<p><strong>Moradores denunciam violência da PM l Barracos foram invadidos sem mandados judiciais l Trabalhadores, crianças e idosos relatam sessões de tortura l Comando da PM nega abusos e agressões na favela</strong></p>
<p style="background-color: #ffff99">Bruno Paes Manso &#8211; O Estado SP</p>
<p>Os números oficiais da Operação Saturação da Polícia Militar em Paraisópolis, na zona sul de São Paulo, são chocantes. De acordo com a Prefeitura, moram 60 mil pessoas no bairro. Durante pouco menos de três meses de operação, entre 4 de fevereiro e 26 de abril, 400 policiais em 100 viaturas e um helicóptero, com 20 cavalos e 4 cachorros, aplicaram 51.994 revistas a moradores do bairro.</p>
<p>A operação teve início depois dos tumultos provocados por algumas dezenas de moradores, em 2 de fevereiro, que deixaram três PMs baleados. Entre os agitadores havia integrantes do tráfico de drogas local. Como resposta, nos dias que se seguiram ao quebra-quebra, parte da tropa deixou rastros de abusos e violência. &#8220;Durante a ocupação, tentativas de desestabilização das forças de segurança foram levadas a efeito por parte de pessoas que se sentiam incomodadas com a presença da polícia&#8221;, defende o capitão Emerson Massera, da Seção de Comunicação Social da PM. Segundo ele, não há provas de abusos e agressões.</p>
<p>Na semana passada, o Estado esteve em Paraisópolis. Ouviu dezenas de histórias chocantes, em diferentes pontos do bairro. Testemunhos semelhantes já foram ouvidos por entidades como Associação dos Juízes pela Democracia, Comissão Justiça e Paz da Arquidiocese de São Paulo e Associação Paulista dos Defensores Públicos.</p>
<p>De acordo com a polícia, no balanço da operação constaram 93 flagrantes, captura de 61 procurados, 31 armas e 9,9 kg de cocaína apreendidos. Mas o saldo final vai além: sobrou raiva, humilhação, revolta, indignação que ninguém ainda é capaz de dizer o que isso de fato pode significar para a cidade. Seguem os testemunhos de moradores colhidos pelo Estado:</p>
<p><strong>EM DEFESA DOS FILHOS<br />
</strong><br />
Auxiliar administrativa em uma empresa de telefonia, Gisele Cristina dos Santos, de 28 anos, teve o barraco invadido seis vezes pela polícia. Em nenhuma delas havia autorização judicial. Na primeira, um domingo de manhã, ela, marido e seis filhos, crianças de 1 a 12 anos, estavam em casa. O marido esticava um novo varal e chamou a atenção dos policiais por causa de uma tatuagem. Perguntaram se ele tinha &#8220;passagem&#8221;. Ele informou que estava sob condicional, mas não devia na Justiça. Os policiais chutaram o portão e invadiram o quintal perguntando por drogas. Em seguida, entraram na casa e rasgaram o sofá. O pai apanhou na frente dos filhos. Em outras duas vezes, policiais entraram quando só havia crianças em casa. Falaram para a mais velha que o pai havia pedido a eles que buscassem o revólver. &#8220;Onde está a arma?&#8221;, perguntavam os policiais. &#8220;Meu pai não rouba&#8221;, a criança respondeu. A casa também foi invadida quando não havia ninguém. Dois baldes de água com latas de leite que ela recebeu do programa da Prefeitura, misturadas com detergente e pó de café, foram espalhados pelo chão e paredes. Gisele teve seu MP5 furtado. Depois das seguidas sessões de abuso, ela fundou o movimento &#8220;Paraisópolis Exige Respeito!&#8221;, com um blog na internet. Perguntada se o nome dela podia aparecer no jornal, Gisele foi categórica: &#8220;Coloque em negrito, com letras maiúsculas.&#8221;</p>
<p><strong>CHAMADA ORAL DA BÍBLIA</strong></p>
<p>Nos cálculos da aposentada Maria Alves da Rocha, de 59 anos, policiais invadiram a casa onde ela mora com a neta de 17 anos e dois filhos por cerca de 15 vezes. Nunca apresentaram mandado. Na primeira invasão, eles entraram com um pontapé na porta. Os vizinhos avisaram ao filho, que é pedreiro e trabalhava na vizinhança, que chegou em instantes e sugeriu para a mãe que deixasse a polícia trabalhar. &#8220;Quem não deve não teme&#8221;, disse. A polícia depois não se cansou de voltar. Bagunçavam o guarda-roupa, xingavam e humilhavam os que estavam em casa. Dona Maria contou aos policiais que era evangélica. Um deles solicitou uma Bíblia para perguntar o que estava escrito em dado versículo do Evangelho de João. &#8220;Sou analfabeta, mas entendo a palavra dos pastores e consegui responder&#8221;, diz Maria. O pé de capim-santo que ela cultivava no quintal para fazer chá foi arrancado pelos policiais, para checarem se não era droga.</p>
<p>É PROIBIDO CHORAR</p>
<p>Quando viu o movimento de policiais na viela em que mora, Antonio, de 13 anos, entrou em casa correndo. Os policiais o seguiram. Na porta do barraco, um anúncio escrito a giz pela mãe oferece: &#8220;Fais chapinha.&#8221; Dentro de casa, Antonio teve a arma apontada para cabeça. &#8220;Por que estava correndo? Onde é a boca?&#8221;, perguntava um deles, enquanto o estapeava. Outro policial revistava a casa. Antônio, que aparenta 10 anos, estava sozinho com o irmão, de 9. Os dois choravam muito. &#8220;Cala a boca vacilão. Vamos levar você para um quartinho escuro na Febem&#8221;, ameaçava o policial. Com os braços cruzados, esfregando os ombros, Antonio explica que ficou ainda mais assustado porque há alguns anos teve um tio assassinado por policiais. Os vizinhos, do lado de fora, viam tudo sem poder intervir porque temiam apanhar.</p>
<p>ESPINGARDA DE BRINQUEDO</p>
<p>Agnaldo Jesus Viana teve o sobrado em que mora, em cima do bar de sua propriedade, invadido quatro vezes. Os policiais cismaram com o jogo eletrônico que ficava na frente do estabelecimento e tinha uma espingarda a laser como acessório. Perguntaram para ele onde estavam as armas e quem fazia o tráfico na favela. Ele respondeu que &#8220;não mexia com isso&#8221;. A arma do videogame foi quebrada pelos policiais. A mulher de Agnaldo, nervosa, para tentar intimidar, disse que as câmeras que ficam dentro do bar estavam gravando os abusos. Eles obrigaram o casal a retirar o material do vídeo e entregar a eles. As visitas se repetiram. Agnaldo conta que a câmera digital e o notebook do vizinho foram roubados.</p>
<p>QUEM APANHA É A MÃE</p>
<p>Solange conta que estava bêbada no dia em que apanhou da polícia. Foi reprimida depois de chegar chorando e pedindo para não baterem no filho, que estava sendo revistado. Eles se irritaram com a cena e pediram a ela que os levasse em casa para ver se não havia drogas. O filho foi junto, sob tapas e socos. Na confusão, ela acabou levando uma cabeçada do filho agredido pelos policiais. Ficou com o olho roxo. &#8220;Hoje eu só sinto ódio&#8221;, diz o filho de Solange.</p>
<p>COMPENSADO DE MADEIRA</p>
<p>O ajudante geral Luiz Claudio Carlos, de 23 anos, estava na viela perto de casa sem documentos quando foi abordado por três policiais. Sem poder provar quem era, foi esculachado. Os policiais pegaram um compensado de madeira, jogaram em cima dele e começaram a pular em cima. Perguntavam sobre drogas e davam tapas no seu rosto. A alguns metros de distância, um menino jogava bolinhas de gude. Uma delas desceu em direção ao local onde ocorria a sessão de tortura. O policial perguntou o que menino queria e começou a estapeá-lo. O garoto apanhou sem dizer nada. Quando foi liberado, disse ao policial: &#8220;Muito obrigado.&#8221; O soldado ficou irritado e voltou a agredir o menino.</p>
<p>RODÍZIO PARA BATER</p>
<p>Sílvio de Moraes Pereira, de 21 anos, quer ser tatuador. Tem piercings, sobrancelhas cortadas e tatuagens. Fez estágio na Galeria do Rock. Andava pela viela às 8 horas da manhã quando foi abordado e obrigado a tirar a roupa e ficar de cueca. Sentou em cima da mão e o acusaram de trabalhar no tráfico. Ele negou a ligação. Os seis homens perguntaram se ele teria coragem de levá-los à sua casa. Pereira topou. Jogaram o jovem em cima da cama e ele apanhou em rodízio: um dava socos na cara, outros nos rins e todos chutaram ao mesmo tempo com coturnos de bico de ferro, quando ele caiu no chão. Com medo de novas represálias, acabou se mudando.</p>
<p>CABEÇA DE MENINO</p>
<p>José Maria Lacerda, de 54 anos, coordenador da União de Defesa dos Moradores, revoltou-se com a prisão de William, que é deficiente mental. &#8220;Tem corpo de homem, mas cabeça de menino&#8221;, explica . Em um sábado de março, policiais viram a porta da casa do jovem aberta e a invadiram, enquanto William dormia. Ele apanhou, tomou um soco na boca e foi levado como traficante e até hoje se encontra preso no CDP de Osasco. Lacerda decidiu brigar em defesa do rapaz, que trabalhava como ajudante de carretos. Pediu ao amigo e advogado Gilberto Tejo Figueiredo, que atua na associação em processos imobiliários de usucapião, para defender William. &#8220;As testemunhas sempre são apenas os policiais que efetuam a prisão. Nunca levam os moradores que presenciaram a cena. É uma covardia&#8221;, diz Figueiredo. Mineiro, há tempos na luta por moradias, Lacerda é daqueles que preferem evitar conversas sobre crime, como se não fosse assunto de pessoa correta. Mas observa que os moradores de Paraisópolis estão sendo estigmatizados e ganharam na cidade a pecha de ladrões. &#8220;Para conseguir emprego precisamos evitar dizer o nome do bairro em que moramos&#8221;, diz.</p>
<p>OUTROS OLHOS PARA O MUNDO</p>
<p>Extrovertida, vaidosa, unhas pintadas de vermelho, a cabeleireira Aurenice Soares dos Santos sempre gostou de policiais. Na última eleição, fez campanha para Gilberto Kassab. &#8220;O Kassab é um homem lindo!&#8221;, diz. Passou a enxergar o mundo com outros olhos em uma manhã de março. Na viela onde mora, quatro casas foram invadidas. O marido estava no andar de cima do sobrado, com a máquina de lavar ligada. Um grupo de 11 policiais chegou ordenando que ela abrisse a casa. Nervosa, disse que não conseguia encontrar a chave. Os policiais quebraram a janelinha da porta, colocaram a cabeça para dentro e tentaram forçar a entrada. Aurenice aguardou calada. Os policiais desistiram quando parte do grupo começou a entrar na casa de baixo. No vizinho, a polícia abriu a janela com um soco, assustando as duas irmãs de 16 e 17 anos que estavam de pijama e acordaram com o barulho. Ela ouviu o choro do outro irmão, de 3 anos, com deficiência nas pernas. Viu o filho da vizinha ser humilhado e obrigado a se sentar em cima de uma poça d?água. Enquanto a operação durou, Aurenice evitou sair de casa. Permanece em depressão e toma diazepam, clonazepan, Tofranil e Diurex.</p>
<p>IZAQUE CIRIACO MARTINS</p>
<p>Izaque Ciriaco Martins, de 26 anos, trabalha como copeiro em uma churrascaria do Morumbi e chega todo dia em casa após a 1 hora da manhã. Cansou de ser revistado nas operações da polícia. Foram pelo menos cinco vezes em que era tratado como bandido por viver em Paraisópolis. Em certas madrugadas, teve de dar longas caminhadas a pé para chegar em casa porque o caminho mais curto estava bloqueado pela polícia.</p>
<p><strong>A POSIÇÃO DA POLÍCIA</strong></p>
<p>O capitão Emerson Massera, da Seção de Comunicação Social da PM diz: &#8220;A presença de criminosos na comunidade exigiu uma pronta ação, que culminou na estratégia de ocupação, objetivando criar um clima de segurança às pessoas de bem. E foi o que efetivamente ocorreu! Duas denúncias chegaram a ser feitas formalmente.&#8221; E completa: &#8220;Restou provado que não houve abuso ou agressão.&#8221;</p>
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