20/07/2008 - 11:47h “O Brasil está no lado “ganhador” e esta havendo uma boa administração no geral”

“Estou certo de que já estamos em recessão”

Para economista americano, crise nos EUA pode se agravar. Mas Brasil está no lado ganhador das ‘commodities’

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ENTREVISTA Paul Krugman

Às vésperas de vir ao Brasil — onde dará palestras, no Rio e em São Paulo, quarta e quinta-feira — Paul Krugman vê a economia brasileira como “uma das partes vigorosas do mundo”. Em entrevista por telefone, Krugman não se mostra otimista com os EUA que, na sua opinião, já estão em recessão. Tampouco mostra ânimo com as eleições americanas — aprova o democrata Barack Obama, mas o considera moderado demais. Autor de diversos livros (o mais recente, “The Conscience of a Liberal”, ainda não lançado em português), professor de Princeton e colunista do “New York Times”, Krugman acredita que o mundo vive o terceiro choque do petróleo e alerta que não há muito o que fazer para conter a inflação global

Luciana Rodrigues - O GLOBO

O GLOBO: A crise financeira americana pode se agravar?

PAUL KRUGMAN
: Sim, pode piorar. Mas, agora, estou menos assustado do que estava no início deste ano. Tivemos uma crise que levou a um colapso completo da confiança no sistema. Agora, apesar de algumas falências (de bancos) e da crise na Fannie Mae e na Freddie Mac (grandes companhias hipotecárias dos EUA), os problemas estão ocorrendo numa parte da economia em que há mecanismos muito bem estabelecidos para lidar com isso. Pode haver uma corrida a bancos, mas os depósitos estão assegurados. As duas grandes financiadoras imobiliárias, Fannie e Freddie, são parcialmente patrocinadas pelo governo. Então, é ruim que a crise continue atingindo as instituições. Mas, de certa maneira, o quadro agora é mais controlável. Porém, a economia real continuará sofrendo, e estou certo de que já estamos numa recessão.

Uma recessão nos EUA afetará o mundo da mesma forma do que no passado?

KRUGMAN
: O contágio será menos intenso. Os EUA não são mais o motor da economia mundial. Podemos ter uma recessão nos EUA sem termos uma recessão no resto do mundo. Mas é preciso levar em conta que a economia européia está tendo sérios problemas também. Há uma crise similar na Europa, com bolha imobiliária. Uma crise que afeta as duas principais economias do mundo é um grande choque. Apesar disso, eu ficaria surpreso se houvesse uma recessão global.

Os grandes emergentes, Brasil, Rússia, Índia e China, chamados de Brics, assumiram novo papel na economia global?

KRUGMAN
: A categoria Brics é estúpida. São todos grandes, todos são economias em desenvolvimento. Além disso, não têm mais nada em comum. Índia e China podem em algum sentido serem agrupadas. Rússia é um grande exportador de petróleo. O Brasil é grande exportador de commodities e de manufaturados. A questão principal é que o centro de gravidade do mundo migrou dos EUA e da Europa. Ambos continuam sendo grandes economias, continuam sendo os principais jogadores em campo, mas grande parte da economia mundial não está mais nos centros industriais tradicionais. A maior parte do crescimento econômico está vindo dos países emergentes.

O senhor vem ao Brasil na próxima semana. Quais são suas impressões sobre a economia brasileira?

KRUGMAN
: No próximo fim de semana (ontem e hoje), farei meu dever de casa pesquisando mais sobre o Brasil. Mas, claramente, é uma das partes vigorosas do mundo, tem ido melhor do que o resto (do mundo). Não tem tido um desempenho espetacular, mas está com um crescimento razoável. O Brasil está no lado “ganhador” da alta das commodities . E também está havendo uma boa administração no geral (na política econômica brasileira).

O governo do presidente George W. Bush pode ser responsabilizado pela crise financeira nos EUA?

KRUGMAN
: Provavelmente, teríamos uma bolha imobiliária de qualquer maneira, com ou sem o governo Bush. Mas eles (o governo Bush) sistematicamente flexibilizaram as regulamentações e mecanismos de precaução que deveriam limitar os bancos a tomarem riscos excessivos, no exato momento em que mais precisávamos dessa regulamentação. Então, o governo Bush não causou a crise, mas a tornou consideravelmente pior.

E a postura de Alan Greenspan à frente do Federal Reserve (Fed, banco central americano)?

KRUGMAN
: Greenspan pode levar grande parte da responsabilidade. Recentemente, o Fed editou novas regras para a concessão de crédito pelos bancos, para restringir financiamentos irresponsáveis. Isso poderia ter sido feito há cinco anos. E Greenspan foi avisado sobre os riscos dos empréstimos subprime (para clientes com histórico ruim), mas não fez nada. Argumentou que o mercado saberia tomar conta de si mesmo. E ainda deu garantias de que as coisas iriam bem. Disse publicamente que os preços de imóveis nunca caem, que as pessoas deveriam pegar empréstimos e fazer hipotecas. Greenspan é mais vilão do que o governo Bush.

Outra grande preocupação é o avanço da inflação mundial. O que explica a alta de preços?

KRUGMAN
: Bom, em primeiro lugar, temos o preço do petróleo, que tem subido basicamente por uma combinação de crescimento dos países emergentes com piores condições geológicas. Está mais difícil prospectar petróleo. E a China e outras economias emergentes estão consumindo muito mais petróleo. Então, temos uma combinação de demanda em expansão e oferta estagnada. No que diz respeito à alta dos alimentos, há várias razões simultâneas. A primeira é que a alta do petróleo tem muito efeito nos alimentos. Principalmente nos países em desenvolvimento, a agroindústria usa muita energia e também há o efeito dos fertilizantes (cujos preços são influenciados pelo petróleo). E há o aumento da demanda de países emergentes, principalmente da China, onde as pessoas estão ganhando mais dinheiro e, por isso, comendo mais carne. E em terceiro lugar, há questões ambientais. Tivemos eventos climáticos sem precedentes, como a seca na Austrália, que muito provavelmente já é efeito da mudança climática.
Estamos começando a ver os primeiros efeitos econômicos do aquecimento global. E, por último, há os biocombustíveis, que, na Europa e nos EUA, definitivamente, estão desviando recursos antes destinados aos alimentos.

O senhor conhece o programa brasileiro de etanol?

KRUGMAN
: Para os preços de alimentos, o etanol brasileiro é inocente. Não há um desvio na produção de alimentos nem de longe parecido com o etanol americano. E a cana-de-açúcar é uma fonte muito mais eficiente para etanol do que o milho (usado nos EUA). Então, em termos econômicos, o programa brasileiro tem muito mais sentido.
Mas as informações que recebi de especialistas em meio ambiente é que o problema com o etanol brasileiro é que ele é mais danoso em termos de emissão de gases poluentes do que parece à primeira vista. Mas eu não endosso essa afirmação, porque não fiz pesquisas independentes a respeito desse assunto.

No que diz respeito à alta do petróleo, podemos dizer que estamos no meio de um terceiro choque do petróleo?

KRUGMAN
: De certa forma sim. Não temos o mesmo impacto (dos choques anteriores).
Mas as cotações do petróleo, em termos reais, atingiram novos patamares.

Nos países pobres, alimentos caros são sinônimo de fome. A fome se tornou um efeito colateral da globalização?

KRUGMAN
: Não se pode atribuir isso à globalização. Eu sou um crítico da globalização por muitos motivos. Mas, nesse caso, havia muito mais famintos entre os anos 50 e 70 (do século passado) do que há hoje. A situação hoje está melhor em termos de segurança alimentar. Mas havia uma crença de que sempre teríamos abundância na oferta mundial de alimentos, e agora vivemos uma escassez para a qual não estávamos preparados.

O que pode ser feito para conter a inflação mundial?

KRUGMAN
: Na verdade, não há muito a ser feito. Poderíamos pensar numa política de juros mais altos para conter a demanda. Mas não está claro porque deveríamos fazer isso, se tudo que temos até agora é um choque de alimentos e de energia. A longo prazo, mais energia alternativa e mais conservação poderiam reduzir a demanda mundial por petróleo. Mas, por agora, acho que teremos que absorver esse choque.

Os americanos elegem um novo presidente este ano. Barack Obama (candidato democrata) ou John McCain (republicano) podem se sair melhor na economia do que George W. Bush?

KRUGMAN
: Bom, é difícil ser pior (do que Bush). McCain não está oferecendo qualquer mudança. E Obama está oferecendo mudanças sustentáveis, numa direção que eu aprovo, mas minhas críticas são que suas propostas não vão longe o suficiente. E, historicamente, na economia, os governos democratas sempre têm melhor desempenho. Então, temos todas as razões para acreditar que Obama oferece uma perspectiva melhor.

Historicamente, os democratas são mais protecionistas em comércio que os republicanos. Há esse risco com Obama?

KRUGMAN
: É pouco provável. É preciso fazer uma distinção entre o que os partidos falam e o que eles fazem. Se pensarmos em quais foram os governos mais protecionistas nos últimos 40 anos, foram Reagan (Ronald Reagan, de 1981 a 1989) e Bush (filho). Eles falavam sobre livre comércio, mas não o praticavam.
Enquanto isso, os democratas constantemente falam em proteger os EUA da economia mundial, mas não agem de forma protecionista. E uma das razões para isso é que os democratas, e especialmente a equipe de Obama, levam muito a sério as regras internacionais, respeitam as organizações e os tratados internacionais. Então, se tivermos um governo Obama, não voltaremos atrás em acordos comerciais já fechados. Mas, provavelmente, não haverá avanços em novos acordos. E isso é verdade para qualquer governo. Então, é muito difícil pensarmos em acordos na Organização Mundial do Comércio (OMC) ou na Área de Livre Comércio das Américas (Alca). Não acredito que um governo Obama gastaria capital político com isso

18/07/2008 - 16:16h Cada vez mais subsidios agricolas nos Estados Unidos

La ley más desastrosa de EE.UU.

Por Andrés Oppenheimer publicado por Clarín de Argentina

biocarburant_milho.jpgMIAMI.- Mientras muchos estábamos distraídos con otros temas, el Congreso estadounidense aprobó una ley agrícola que difícilmente podría ser peor: subsidia a los agricultores más ricos del país, perjudica a la mayoría de los consumidores, contamina el medio ambiente, no ayuda a reducir el hambre en el mundo y perjudica a los países latinoamericanos productores de alimentos. Lo que es peor, la ley hace todas estas cosas -y más- en un momento en el que muchos productores estadounidenses tienen ganancias récord gracias a los altos precios internacionales de las materias primas.

Todo esto sería difícil de entender si no fuera porque estamos en un año de elecciones. Pero el amplio respaldo ofrecido a esa legislación por la mayoría demócrata y de 100 legisladores republicanos logró que el Congreso invalidara un veto de la Casa Blanca por 318 votos contra 106.

Además de los US$ 5000 millones que el gobierno norteamericano pagará directamente a agricultores que en muchos casos ganan muy buen dinero, la nueva ley está repleta de dádivas propias de un año electoral. Ellas incluyen US$ 170 millones a la industria salmonera de la Costa Oeste; US$ 93 millones en recortes impositivos a criadores de caballos de carrera de Kentucky; US$ 260 millones de reducción impositiva a la industria maderera, y US$ 15 millones para los productores de espárragos, que en el pasado no recibían estos subsidios.

“Es una desgracia nacional”, me señaló Gary C. Hufbauer, ex funcionario de la Secretaría del Tesoro que se desempeña actualmente en el Instituto Peterson para la economía internacional. “Estamos en una época de prosperidad para muchos productores agrícolas. Si alguna vez hubo un momento adecuado para liberalizar la industria agrícola, es precisamente el actual.”

El probable candidato presidencial demócrata Barack Obama -que ha sido objeto de elogios en esta columna en las últimas semanas- dio su apoyo a la ley. Los partidarios de la norma señalan que la legislación prevé US$ 209.000 millones para programas de nutrición, incluyendo fondos para bonos de comida para los pobres.

El probable candidato presidencial republicano John McCain criticó la ley. Dijo que en un momento en que las materias primas han alcanzado un precio récord los agricultores no necesitan subsidios. Entre los peores efectos de la ley agrícola se cuentan:

• Perjuicio a la mayoría de los consumidores estadounidenses con el subsidio al etanol de maíz, que desvía el 25% de la producción maicera a la producción de etanol subsidiado. Como resultado, los precios del maíz en el supermercado aumentan al igual que los precios de la carne de vaca y pollo.

• Perjudica el medio ambiente, entre otras cosas, porque en vez de eliminar las trabas a la importación de etanol de azúcar procedente de Brasil -que se produce de manera más eficaz, es más barato y menos contaminante-, la nueva ley conserva las barreras tarifarias que protegen a los productores estadounidenses de etanol de maíz.

• Perjudica a América latina porque mantiene las barreras, tanto tarifarias como no tarifarias, para los productos agrícolas de la región. En vez de contribuir a la reducción de los precios del azúcar en Estados Unidos facilitando la importación de países centroamericanos o del Caribe, la ley mantiene los cupos de importación para proteger a los magnates azucareros de Palm Beach. Como resultado, los estadounidenses pagan mucho más que los precios internacionales por el azúcar que consumen.

• Está en abierta contradicción con la prédica oficial de Washington a favor del libre comercio. Hasta ahora, Estados Unidos les decía a los productores latinoamericanos: “Nosotros vamos a reducir los subsidios agrícolas si la Unión Europea hace lo mismo . Ahora, con este voto bipartidista, el Congreso le dice al mundo que no le permitirá a ningún presidente norteamericano reducir los subsidios.

Mi opinión: el daño ya está hecho. Ahora, Bush debería hacer algo realmente audaz, que lo ayudaría a dejar la presidencia en algo menos que un descrédito absoluto.

Tal como me dijo Hufbauer, Bush debería anunciar después de las elecciones de noviembre la propuesta más ambiciosa que haya hecho Estados Unidos para reducir sus subsidios agrícolas a cambio de concesiones razonables de sus socios comerciales.

Esto no tendría ningún resultado inmediato, pero obligaría al próximo presidente estadounidense a ocuparse del tema y, tal vez, le daría al próximo gobierno una excusa para continuar con una política heredada de su antecesor. La alternativa, que es no hacer nada, será desastrosa para Estados Unidos, y desastrosa para el mundo.

05/06/2008 - 14:14h Colaboradores

VERISSIMO - O Estado de São Paulo

http://www.portrasdasletras.com.br/pdtl2/img/luis_sax.jpgA imprensa americana está comentando o recém-lançado livro de Scott McClellan, que foi porta-voz da presidência durante três anos e agora conta tudo sobre a campanha mentirosa para justificar a invasão do Iraque e outras sujeiras do governo Bush. A única novidade do relato é ser feito por alguém que estava dentro da Casa Branca e participou - muitas vezes enganado também, diz ele agora - do logro que resultou na guerra mais longa em que o país já se meteu, e cujo custo em vidas humanas continua a subir. A imprensa americana está comentado menos outra coisa que já se sabia mas ninguém com as credenciais de McClellan tinha dito antes: a sua cumplicidade na campanha mentirosa. Com a autoridade de quem se encontrava com ela quase todos os dias, McClellan descreve uma imprensa subserviente que raramente questionava as mentiras do governo e, com poucas exceções, aceitava todas as razões da direita guerreira.

O próprio New York Times, besta negra dos conservadores americanos com sua linha pró-democratas e internacionalista, forneceu os exemplos mais notórios de colaboração com o engodo nas matérias de primeira página em que sua super-repórter Judith Miller transmitia as alarmantes ficções do escroque iraquiano no exílio Ahmad Chalabi sobre armas de destruição em massa do Saddam. O Times depois pediu desculpas aos seus leitores mas nenhum outro grande jornal americano que ajudou a promover a guerra teve o mesmo escrúpulo. McClellan chama a atitude da maior parte da imprensa com relação a Bush, antes e depois da invasão do Iraque, de “reverencial”.

Apesar de persistir nos Estados Unidos o mito de uma imprensa dominada por “liberais”, o fato é que - de novo, com exceções - a direita não tem do que se queixar dos jornais americanos. Mesmo os não abertamente reacionários como o Wall Street Journal preferem um centrismo não muito bem equilibrado. Agora mesmo, com as eleições presidenciais se aproximando, o desequilíbrio aparece.

Não fizeram metade do barulho com as ligações do republicano McCain com religiosos malucos mas brancos, como o que disse que Deus castigou Nova Orleans pelos seus pecados com o furacão, que fizeram com a ligação de Obama com aquele pastor radical negro. “Double standards” é o termo em inglês para dois pesos e duas medidas.

Como diria o Ancelmo Góis, deve ser horrível viver num país em que a imprensa age assim.

Dois belos livros novos. Caminhos da Conquista - A Formação do Espaço Brasileiro, da Editora Terceiro Nome, sobre o que só pode ser descrito como a história da nossa geografia, com ótimo texto de Ricardo Maranhão e ilustrações primorosas de Vallandro Keating. E A Mão Devota - Santeiros Populares das Minas Gerais nos Séculos 18 e 19, do artista plástico José Alberto Nemer, publicado pela Editora Bem-Te-Vi. Fantásticos.

01/06/2008 - 10:35h A luta pela qualidade da informação

O sociólogo espanhol Ignacio Ramonet defende a pressão pacífica pela verdade

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Ubiratan Brasil - O Estado de São Paulo

Jornalista e sociólogo espanhol, Ignacio Ramonet tornou-se uma das vozes mais vibrantes contra a globalização no formato atual. Diretor desde 1991 da publicação francesa Le Monde Diplomatique e fundador das organizações Media Watch Global e ATTAC, ele escreveu vários livros sobre geopolítica e crítica da comunicação mundial, nos quais relaciona os meios de comunicação com o projeto estratégico da globalização.

Sua defesa da esquerda e, em especial, do governo cubano de Fidel Castro, provocou diversas críticas pelo mundo, especialmente contra seu livro Biografia a Duas Vozes (Boitempo, 624 págs., R$ 66, tradução de Emir Sader), considerado dócil e servil ao ex-ditador cubano. ‘Ramonet tem a companhia de Noam Chomsky, caso flagrante de esquizofrenia intelectual, que é inspirado e até genial quando limita-se à lingüística transformacional e um ‘idiota’ irredimível quando desata a falar de política’, observou Vargas Llosa, em artigo publicado no Estado no ano passado.

Controverso, Ramonet esteve em São Paulo na semana passada, quando participou de um debate, no Instituto Cervantes, ao lado do sociólogo Emir Sader. Juntos, discutiram sobre o poder dos meios de comunicação frente aos sistemas econômicos. Antes, Ramonet respondeu as seguintes perguntas.

Como enfrentar os perigos dos conglomerados de mídias, que podem ameaçar a informação de qualidade?

Os conglomerados de mídia dominam hoje a informação. Sua preocupação básica não é a qualidade da informação. Nem sequer sua veracidade. O que mais lhe interessa é a rentabilidade da empresa. Essa é sua obsessão principal. Por isso, dão absoluta prioridade à informação-espetáculo, à informação-entretenimento. Concebem a notícia como uma variedade da cultura de massas e não como item da formação e educação do cidadão. O que importa é um maior número de pessoas consumindo essa informação-lixo. Porque, hoje em dia, o negócio noticioso não consiste em vender novidades aos cidadãos, mas vender cidadãos aos anunciantes. Essa é a nova equação, que constitui uma regressão copernicana. A população precisa tomar consciência dessa mudança radical. E defender seu direito a ser bem informada, porque a qualidade da informação depende da qualidade da democracia.

O crescimento da internet está diretamente ligado à formação desses conglomerados?

A internet foi apresentada, em princípio, como uma possibilidade para os cidadãos se livrarem da dominação dos conglomerados de mídia. Mas hoje, na prática, a internet foi integrada ao império desses conglomerados. Ainda assim, todos podemos abrir um blog, que nos permite falar com todo o planeta. Na realidade, se consideramos o ranking dos sites de informação mais freqüentados em qualquer país, vemos que os primeiros lugares são ocupados por empresas de mídia que dominam a informação nesse país. Por isso, a internet só veio a reforçar o poderio dos conglomerados.

Na França, dois grupos de imprensa, Dassault e Lagardère, têm ligação com atividades militares. Qual o perigo disso quando se travam guerras como a do Iraque?

Sim, na França, os grupos Lagardère e Dassault, cujas atividades industriais principais são militares, estão entre os que dominam o setor de mídia. O perigo é que a informação difundida por esses grupos (como acontece nos Estados Unidos com os meios dominados pela General Electric) seja, em caso de conflitos, favorável, independente do pretexto, a uma intervenção francesa com a única intenção de que, dessa forma, as empresas proprietárias conquistem maiores benefícios. Até o momento, isso não aconteceu, tampouco em 2003 quando se comentava sobre a possibilidade de a França integrar a coalizão que invadiu o Iraque no dia 20 de março daquele ano.

Como os cidadãos devem atuar contra este desvio da liberdade de imprensa?

Os cidadãos devem se organizar como fizeram os consumidores, durante os anos 1960, contra os abusos dos construtores de automóveis ou contra o uso de produtos cancerígenos nos alimentos. Consumimos a informação com nossa mente e, se ela é de má qualidade, acaba por envenenar nosso espírito e nossa personalidade. Devemos criar observatórios dos meios - no Brasil, já existem e são muito sérios e profissionais - para denunciar mentiras, manipulações ou o silêncio dos meios de comunicação. Essa denúncia não tem caráter ideológico (meios de qualquer ideologia podem errar), mas unicamente a busca da perfeição da qualidade da informação. Os cidadãos devem mobilizar-se e fazer pressão pacífica e democrática para os meios melhorarem a informação.

O senhor conversou muito com Fidel Castro e até escreveu um livro sobre esse relacionamento. O senhor acredita que o destino de Cuba, agora sem Fidel, depende diretamente de quem será o próximo presidente dos Estados Unidos?

Sim. Fala-se muito, nos meios de comunicação, sobre a ‘necessidade de Cuba mudar’. Mas inúmeros jornalistas se esquecem da enorme responsabilidade que têm os Estados Unidos em algumas das dificuldades, particularmente econômicas, sofridas por Cuba. A manutenção do cruel bloqueio durante quase 50 anos é um grande crime. Por isso, os Estados Unidos devem iniciar uma mudança em relação a Cuba, no sentido de reconhecer os direitos daquele país de descobrir seu próprio destino. Mudar no sentido de respeitar Cuba e considerá-lo um Estado soberano. Se o republicano John McCain vencer a eleição presidencial de novembro, a atitude de Washington pode endurecer ainda mais - mesmo que essa atitude beligerante não tenha frutificado em meio século. Por outro lado, a eleição de um candidato como o democrata Barack Obama abre certas perspectivas positivas. O temor de muitos observadores é o de que, especificamente sobre essa opinião a respeito de Cuba, Obama seja simplesmente assassinado antes de novembro pela máfia anticubana de Miami.

Qual a melhor herança deixada por Fidel? E a pior?

Fidel Castro é o maior latino-americano da história, ao lado de Simon Bolívar. Ainda que sua contribuição continue muito valiosa, sua herança é imensa. Não apenas material (educação, saúde, cultura, ciência, emprego pleno) mas também espiritual: latinoamericanidade, ética, independência real, resistência. Graças a ele e à revolução, Cuba foi depositária, durante o período negro da repressão e das ditaduras (1964-1979), dos grandes valores latinos de independência, soberania e republicanismo. Valores que hoje estão no auge em todo o continente, democraticamente aprovados pela maioria dos cidadãos.

21/05/2008 - 10:24h As idéias políticas de um homem da moda

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Tom Ford defende Obama e união civil gay

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Estilista que salvou a Gucci veio a São Paulo para inaugurar loja própria na Daslu

Espaço, que venderá peças da linha masculina assinada por Ford, é a primeira loja do designer ex-Yves Saint-Laurent na América Latina

VIVIAN WHITEMAN
DA REPORTAGEM LOCAL - FOLHA DE SÃO PAULO

Tom Ford é um homem admirado e invejado no mundo da moda. Salvou a maison Gucci da falência, colocando-a no topo do mercado fashion, e foi diretor de criação da Yves Saint-Laurent. Em 2004, no auge de sua fama, jogou tudo para o alto após desentendimentos com o poderoso conglomerado Pinault-Printemps-Redoute, que havia comprado o grupo Gucci.

Quando muitos declaravam sua aposentadoria precoce, Ford reapareceu em 2005 e criou uma marca com seu nome. Com várias parcerias na manga, lançou linhas de óculos, produtos de beleza e, em 2006, em acordo com o grupo Ermenegildo Zegna, anunciou a chegada da Tom Ford Menswear, que vende roupas masculinas altamente sofisticadas.

Anteontem, Ford esteve em São Paulo para inaugurar uma filial de sua grife masculina na Daslu (a flagship, luxuosíssima, fica em Nova York), a primeira na América Latina.

Bonitão, bem-humorado e charmoso, Ford não aparenta seus 46 anos e arrasta olhares femininos e masculinos por onde passa. Mas avisa logo: é muito bem casado, há 22 anos, com o jornalista Richard Buckley.
O estilista deu entrevista à Folha numa das suítes do hotel Fasano, onde ficou hospedado em São Paulo, e falou de moda, união civil gay e política. Texano como o presidente George W. Bush, ele não quer saber dos republicanos e pretende votar em Barack Obama.

FOLHA - Por causa de seu tipo físico e também de suas criações e campanhas ousadas, você ficou com a fama de ser um homem muito sexy…

FORD - Acho isso divertido, embora não me sinta um cara especialmente sexy. Eu sou muito tranqüilo, engraçado, gosto de dizer bobagens, de relaxar com os meus amigos. Mas percebo que as pessoas que não me conhecem esperam que eu seja um cara esnobe e sexualmente agressivo, com uma atitude muito atirada. Bem, sinto frustrar essa fantasia, mas ela não corresponde à realidade.

FOLHA - Sua vida é mais sossegada do que seus fãs imaginam, então?

FORD - Não diria sossegada, porque trabalho muito, viajo demais e tenho muitos amigos famosos, que dão festas e me convidam para eventos badalados. Mas não tenho uma vida maluca com segredos impublicáveis. Sou bastante comum, na verdade. A maioria das celebridades têm vidas e rotinas muito menos interessantes do que se pensa. Sabe, até a rainha Elizabeth deve cantar pelada no chuveiro, é o tipo de coisa banal que todo mundo faz…

FOLHA - Você está numa relação homossexual estável. O que pensa da legalização do casamento gay?

FORD - Quando me falam em casamento gay, eu sempre digo, vamos esquecer a palavra casamento. Dá a impressão errada, é uma palavra que sugere igreja, religião, e isso é um outro assunto. O que defendo é a união civil entre pessoas do mesmo sexo, a garantia de que casais gays possam dividir o patrimônio que construíram juntos, como qualquer outro casal. Infelizmente, os EUA estão bem atrasados nessa discussão.

FOLHA - Em quem pretende votar na próxima eleição presidencial?

FORD - Meu voto será certamente do Partido Democrata, mas temo que, com tanta divisão interna, John McCain acabe vencendo. Eu comecei no time da Hillary [Clinton], mas Barack Obama me parece o homem certo para os americanos neste momento. Os EUA estão perdendo o seu lugar de potência econômica, e não vão recuperá-lo. Ninguém quer mais guerras, esse tipo de solução militarizada não nos levará a nada. China, Rússia, Brasil, essas serão as potências econômicas futuras. Porém, os Estados Unidos podem ser a nova potência moral do mundo, um país com um governo disposto a trabalhar com as outras nações e a difundir valores de cooperação, de crescimento humano. Precisamos recuperar a essência dos EUA, que é muito bonita: um país que acolhe estrangeiros e dá chances a homens e mulheres com espírito empreendedor. Eleger Obama passaria uma mensagem positiva e nova para o mundo.

FOLHA - Então você considera o Brasil como um mercado promissor?

FORD - Sim, e não só para a moda. O Brasil vive uma onda de crescimento que ao que tudo indica não vai acabar tão cedo. Com os avanços na economia e as novas reservas de petróleo descobertas recentemente, as expectativas são ótimas.

FOLHA - Por que você escolheu a Daslu para instalar a sua loja?

FORD - É uma loja com público selecionado, que gosta de coisas exclusivas. Esse é o espírito da minha grife: roupas de altíssima qualidade, de corte impecável, para homens que viajam o mundo e prezam a elegância. Mas o principal atrativo da loja é o tipo de serviço que é oferecido. Os clientes são muito mimados e há dezenas de serviços à sua disposição. Poucas lojas no mundo têm esse tipo de atendimento. É o topo do VIP.

16/05/2008 - 18:12h “Bush é horrível demais para ser esquecido”, diz Philip Roth

Philip Roth

Blog Rosebud

O escritor americano Philip Roth falou à Spiegel sobre envelhecimento, sobre por que George W. Bush é o pior presidente americano da história, e revelou por que nunca dá o seu número de celular a ninguém.

Philip Roth, que vai completar 75 anos em março, é um dos autores norte-americanos vivos mais aclamados pela crítica. Seu livro “O Complexo de Portnoy”, de 1969, levou-o à fama, e ele deu continuidade ao sucesso, ganhando o prêmio Pulitzer com o livro “Pastoral Americana”, de 1997.

Muitos de seus livros têm o alter-ego ficcional de Roth, Nathan Zuckerman, como personagem principal. Zuckerman aparece novamente no último trabalho de Roth, “Exit Ghost”, em que o personagem volta a Nova York depois de muitos anos de exílio no interior da Nova Inglaterra.

A Spiegel conversou com Roth sobre “Exit Ghost”, as eleições americanas e os prazeres da vida no campo.

(more…)

29/04/2008 - 00:56h Hillary aparece com mais chances de vencer McCain que Obama

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da Folha Online

A pré-candidata democrata à Presidência dos EUA Hillary Clinton aparece com 9% a mais de intenções de voto que o provável candidato republicano John McCain, em pesquisa da Associated Press-Ipsos, dando força ao seu argumento de que ela tem mais chances de ser eleita que seu rival, Barack Obama. Em um cenário entre Obama e McCain, os dois estão tecnicamente empatados, segundo a pesquisa.

A sondagem divulgada nesta segunda-feira dá à senadora por Nova York um novo impulso em seus esforços por arrecadação de verbas e para persuadir superdelegados indecisos a ficarem ao seu lado, na convenção nacional da legenda, que decidirá o candidato do partido.

Ajudada por independentes, jovens e eleitores mais velhos, Hillary ganhou terreno neste mês em uma disputa hipotética com o senador pelo Arizona, que já alcançou o número necessário de delegados para se tornar o candidato republicano e aguarda a nomeação oficial. A ex-primeira-dama aparece liderando com 50% das intenções de voto contra 41%, enquanto Obama aparece tecnicamente empatado com McCain, com 46% contra 44%.

Os dois democratas apareciam praticamente empatados com McCain na pesquisa anterior, há cerca de três semanas.

Desde então, Hillary venceu a primária democrata na Pensilvânia, levantando dúvidas se Obama pode atrair eleitores de perfis diversos necessários para vencer em grandes Estados em novembro, quando o candidato democrata enfrentará McCain. Hillary venceu as primárias de praticamente todos os grandes Estados dos EUA, como Califórnia, Ohio e Texas.

Ao mesmo tempo, Obama foi colocado na defensiva após afirmar que os residentes de pequenas cidades dos EUA, amargurados, estavam recorrendo a armas e à religião, tendo sido deixados para trás no processo político. O senador pelo Illinois também teve que continuar a lidar com as controversas declarações de seu ex-pastor Jeremiah Wright.

Disputa democrata

“Não acho que exista nenhuma questão nas últimas três semanas que tenha melhorado sua situação (de Hillary)”, disse Harrison Hickman, pesquisador democrata que não apoiou nenhum dos pré-candidatos. Ele atribuiu os resultados de Hillary à mudança da população de um “estado de admiração”, no qual escolhiam o candidato que mais gostavam, para um “estado de tomada de decisão”, onde determinam quem deve ser o melhor presidente.

A pesquisa Associated Press-Ipsos mostra Hillary e Obama praticamente empatados na disputa pela nomeação democrata. Destacando as profundas divisões dentro do Partido Democrata –e um possível impacto negativo a longo prazo–, 30% dos eleitores de Hillary e 21% dos que apóiam Obama afirmaram que votarão em McCain em novembro se o seu candidato não vencer a nomeação.

Obama conseguiu mais delegados que Hillary nas primárias, mas ela têm vantagem sobre os superdelegados, sendo que cerca de um terço dos 800 pesos pesados do partido que participam da decisão do nomeado ainda não declararam quem apóiam.

Howard Dean, líder do Partido Democrata, disse nesta segunda que um dos dois saberá que é hora de desistir quando a temporada de primárias terminar, em junho, em tempo de os democratas se unirem antes da convenção em agosto e da campanha até novembro.

Dean também pediu aos superdelegados indecisos –membros do Comitê Nacional Democrata, assim como governadores e legisladores democratas– a se alinharem com um dos pré-candidatos antes da convenção, para que o partido se una contra McCain.

Cerca de metade dos entrevistados na sondagem disse que a longa disputa democrata irá prejudicar as chances do partido em novembro. Mais simpatizantes de Obama que de Hillary manifestaram essa impressão.

Com Associated Press

22/04/2008 - 23:03h Hillary vence em Pensilvânia e o suspense continua…

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L'image “http://graphics8.nytimes.com/images/2008/04/22/us/politics/22liveblog1.fs.jpg” ne peut être affichée car elle contient des erreurs.Os resultados obtidos por Hillary Clinton na Pensilvânia foram uma vitória clara da senadora (55% para ela, contra 45% para Obama) e porém, será provavelmente insuficiente para reverter o favoritismo de Barack Obama e obter a investidura do partido Democrata. Agora provavelmente ela não desistirá e muito dependerá do voto nos Estados de Indiana e Carolina do Norte em 6 de maio, onde estarão em jogo 218 delegados e posteriormente na disposição dos super-delegados durante a própria convenção.

Por enquanto, e sem contar os delegados eleitos esta noite em Pensilvânia, segundo calculo do jornal The New York Times, Obama já obteve no país 1,418 delegados enquanto 1,250 foram para Hillary Clinton (em votos de eleitores, Obama abriu uma diferença de 700 mil votos sobre Hillary. Um pouco menos, 600 mil, com os resultados de hoje). O candidato vencedor será quem obtiver 2,024 delegados no final das primárias do Partido Democrata.

Com os resultados de hoje e se obtiver uma vitória esmagadora nos Estados restantes, Hillary Clinton poderá tentar levar uma maioria dos super-delegados a preferirem seu nome. Como se vê muitos se no percurso da senadora.

Ao que tudo indica e salvo reviravolta provocada por algum acontecimento inesperado e de muito peso, Barack Obama acabará ungido candidato para enfrentar o Republicano McCain.

As longas primárias Democratas terão sido desgastantes para seu candidato ou ao contrário facilitado a mobilização dos seus partidários?

Hillary Clinton desistirá antes da convenção ou persistira em sua cruzada? Os resultados de Pensilvânia a incitam a continuar a briga até a convenção.

Um será o vice do outro? Poderia ser uma solução para tentar recolar os cacos na divisão partidária.

Os resultados de hoje fizeram crescer as incertezas e adiaram as definições, mas a aspiração a mudança encarnada pelo senador negro já fez dele um vitorioso entre os Democratas e o vento da derrota sopra para o lado de Hillary Clinton, apesar da nítida vitória de hoje.

Talvez este desfecho acabe permitindo aos Republicanos conservar o poder. Nesse caso a “primavera” de Obama terá vivido o tempo de uma primária e acabará com a queda das folhas outonais. LF

04/04/2008 - 13:54h O sonho não se realizou*


Senador Edward W. Brooke, primeiro senador negro dos Estados-Unidos - Bill Crandall for The New York Times

*Edward W. Brooke - O Globo

Os Estados Unidos têm muito sobre o que refletir com os 40 anos de eventos inter-relacionados como a Comissão Kerner, o assassinato de Martin Luther King e a onda de protestos que ocorreram depois do crime em mais de cem cidades em todo o país. Ouvimos o inteligente discurso do senador Barack Obama sobre a questão da raça, e as reações que ele provocou. Hoje, infelizmente, o sonho do Dr. King ainda não se realizou.

O ex-senador Fred Harris e eu somos os únicos membros ainda vivos da Comissão de Aconselhamento sobre a Desordem Civil (o nome do grupo liderado pelo governador Otto Kerner) do presidente Lyndon Johnson. Ela concluiu que a frustração dos negros cresceu a partir da sub-representação no sistema político, na polícia, na mídia e em todos os aspectos da vida americana. Exortamos novos investimentos em empregos, escolas e habitação.

Declaramos que a pobreza, a desigualdade e a segregação no gueto racial criaram um ambiente destrutivo desconhecido para a maioria dos americanos brancos. Dissemos que a América branca criara e mantivera o gueto e que fazia vista grossa. Foram palavras duras, mas a verdade precisava ser dita.

Pensei que o presidente Johnson aplaudiria nossa análise e apoiaria nossas recomendações.

Mas o presidente que tanto fizera para os direitos civis se distanciou das descobertas.

Não nos convidou à Casa Branca para o lançamento do relatório, como era costumeiro, nem acolheu nossas recomendações.
Retrospectivamente, vejo que o relatório era forte demais para ele aceitar: sugeria que suas conquistas — a Lei dos Direitos Civis, o programa antipobreza — eram só um começo.

Pedimos, num ano eleitoral, que ele endossasse a idéia de que a América branca tinha grande responsabilidade pela rebelião negra.

A comissão dificilmente poderia prever os avanços que os afro-americanos fariam desde o relatório, ou o aumento populacional, o progresso e a influência dos hispânicos. Com a ascensão de um afro-americano na disputa presidencial, observadores imparciais poderiam engasgar com o quanto avançamos.

Ainda assim, apesar da visibilidade de afroamericanos e hispânicos bem-sucedidos e do progresso nas relações raciais, para os pobres dos EUA — aqueles que não sabem o que é assistência médica, porque, para eles, ela não existe; para quem a prisão é um futuro mais possível do que a faculdade; os que foram abandonados nos centros urbanos decadentes devido à fuga da classe média — o futuro é tão sombrio quanto nos anos 1960.

As condições-chave identificadas pela comissão são tão atuais, mesmo que não tão violentas, hoje como há 40 anos. A ausência de moradias e a falta de emprego ou de esperança no futuro confinaram um número ainda maior de cidadãos num mundo assustadoramente familiar, que não muito tempo atrás fez com que as cidades ficassem em chamas.

Realizar o sonho do Dr. King requer segurança econômica e de saúde, geração de empregos e educação de qualidade para a minoria pobre, para a negligenciada classe trabalhadora e para a ansiosa classe média.

*EDWARD W. BROOKE , republicano, foi o primeiro senador negro dos EUA

24/03/2008 - 07:38h O que os EUA têm de fazer ou não diante da crise?

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Americana passa ante a financiadora Fannie Mae, em Washington; medidas de ajuda ao setor ainda não saíram do papel

Peter Coy, BusinessWeek - VALOR

Wall Street encheu-se de esperança na semana retrasada. Exultante com as medidas do Federal Reserve (Fed, o banco central dos EUA) para estancar a crise de crédito, o mercado acionário do país teve seu maior avanço diário em cinco anos, com o índice Dow Jones em alta superior a 400 pontos. Mas as autoridades do Fed são as primeiras a reconhecer que a iniciativa ataca apenas um problema, a falta de liquidez dos grandes bancos. Não faz nada sobre o risco central para a economia dos EUA: a depressão, sem precedentes, no valor dos imóveis residenciais, que drena o patrimônio e a confiança das famílias e deixa o sistema bancário sob enorme pressão.

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21/03/2008 - 02:06h Hillary ultrapassa Obama em pesquisa Gallup

Reuters O Globo Online

hillary_quebra_nozes.jpgWASHINGTON - A pré-candidata democrata à Casa Branca Hillary Clinton assumiu pela primeira vez em várias semanas uma vantagem significativa sobre Barack Obama na disputa pela indicação partidária, segundo uma nova pesquisa Gallup. No entanto, o levantamento, que ouviu 1.209 pessoas entre os dias 14 e 18 de março em todo o país, foi realizado antes do discurso histórico sobre a questão racial nos EUA proferido pelo senador de Illinois na terça-feira. A pesquisa, que tem margem de erro de três pontos percentuais, indicou que Hillary lidera com uma vantagem de 49% a 42%. Uma outra pesquisa, sobre as primárias na Pensilvânia, no dia 22 de abril, revelou uma vantagem de 51% a 35% de Hillary.

Segundo o Gallup, é a primeira vez que a ex-primeira-dama assume uma liderança estatisticamente significativa desde a pesquisa feita entre 7 e 9 de fevereiro, logo depois da chamada “Superterça”, quando mais de 20 Estados realizaram prévias partidárias. Desde então, os dois candidatos apareciam consistentemente em empate técnico, mas no levantamento de 11 a 13 de março Obama liderava.

Na simulação para a eleição geral de novembro, o republicano John McCain aparece à frente de Obama com 47% a 43% no levantamento junto a 4.367 eleitores registrados. A margem de erro para o levantamento sobre a eleição geral é de 2 pontos percentuais, para mais ou para menos.

Com relação a Hillary, a situação é de empate técnico -48% a 45% em favor do republicano.

A pesquisa do Gallup, segundo analistas, já indicaria os estragos que a posição radical e irascível do pastor Jeremiah Wright teria provocando na campanha de Obama, mas não captou a reação do senador, num discurso considerado paradigmático por analistas políticos.

” Quando a Guarda Nacional está no Iraque e não pode ajudar as vítimas do furacão em Louisiana ou das enchentes aqui na Virgínia Ocidental, nossas comunidades estão pagando um preço por essa guerra “

Na quinta-feira, dois dias após o discurso na Filadélfia, o senador mudou o foco da questão racial para economia e guerra no Iraque.

- Quando você está pagando mais de US$ 50 para encher o tanque de seu carro, você está pagando o preço dessa guerra - disse Obama em Charleston, na Virgínia Ocidental. - Quando a Guarda Nacional está no Iraque e não pode ajudar as vítimas do furacão em Louisiana ou das enchentes aqui na Virgínia Ocidental, nossas comunidades estão pagando um preço por essa guerra.

Já a campanha do republicano John McCain afastou o funcionário Soren Dayton, depois que se descobriu que foi ele quem distribuiu um vídeo do pastor Jeremiah Wright, ligado a Obama, com opiniões polêmicas sobre racismo no país, na tentativa de provar que o senador democrata não é patriota.

19/02/2008 - 10:23h Hoje mais primárias nos USA

Hoje tem primárias em vários Estados, elas tem importancia relativa, na medida em que escolhem poucos delegados. Porém, terão um efeito psicológico importante, especialmente entre os Democratas e particularmente para Hillary Clinton. os próximo resultados realmente de peso serão os de 4 de março, uma mini “Super-Terça”.

A seguir alguns elementos das votações de hoje publicadas ontem no Blog sobre eleições americanas, do jornal português Público. LF

Eleições EUA 2008

Segunda-feira, 18 de Fevereiro de 2008

O programa de amanhã (por hoje): Wisconsin, Havai… Washington?!?

A corrida republicana está mais ou menos resolvida, a corrida democrata não se resolverá antes da “mini-terça-feira” de 4 de Março, quando votam os “super-estados” Ohio e Texas.Mesmo assim, amanhã há eleições; sobretudo no estado do Wisconsin, está muito em jogo. Para Hillary Clinton, não é obrigatório um triunfo no Wisconsin - mas é vital pelo menos conseguir um resultado “airoso”, para manter as expectativas de superar Barack Obama na “mini-terça-feira”. Um novo revés por uma diferença muito alargada pode ser fatal para a sua campanha.Do lado republicano, John McCain quer uma vitória expressiva no Wisconsin, que demonstre que o partido está claramente do seu lado; se Huckabee voltar a obter um resultado na ordem dos 40, 45 por cento (ou mais ainda se ganhar), McCain terá de continuar a tentar fazer as pazes com a ala mais conservadora do partido.Eis o “programa” de terça-feira: (more…)

11/02/2008 - 22:58h Boas notícias da América

Pensata de Kennedy Alencar

A desistência de Mitt Romney, pré-candidato republicano à Presidência dos EUA que abandonou a corrida na quinta-feira (07/02), afunilou de vez e para melhor o processo de escolha dos postulantes à cadeira mais poderosa do mundo. A eleição acontecerá em novembro.

No Partido Republicano, o senador John McCain consolidou-se como o virtual candidato da legenda. Do lado democrata, os também senadores Hillary Clinton e Barack Obama travam uma disputa que parece distante do fim.

Para alguns analistas, Hillary e Obama tendem a protagonizar um duelo algo suicida –um minando o outro enquanto McCain correria sozinho. Exagero. Quem assistiu aos debates entre os democratas viu uma contenda de alto nível. Houve troca de socos abaixo da linha da cintura? Houve. Mas eles não têm sido a regra na luta entre Hillary e Obama –respectivamente, senadores pelos Estados de Nova York e de Illinois.

No Brasil, parte da mídia trata Obama como um fenômeno Collor, um jovem sem preparo que poderia decepcionar na hora de tomar decisões difíceis. Bobagem. Se Hillary soa mais preparada em temas como economia, Obama esbanja mais do que carisma e está longe de ser um aventureiro.

A “obamania” fez bem ao EUA. Jovens antes apáticos voltaram a acreditar na política. Hillary teve de descer do pedestal de candidata favorita. E aprendeu nesse processo. A mensagem de mudança empunhada por Obama passou a integrar a sua campanha. Ela mobilizou seu eleitorado. Arejou sua plataforma eleitoral. Um eventual governo da senadora provavelmente não terá a marca de uma administração de sábios de Washington.

Apesar de favorável à guerra do Iraque, McCain tem idéias progressistas sobre o tratamento aos imigrantes ilegais e ao papel da população latina no país. Ele defende, por exemplo, a regularização dos 12 milhões de ilegais e uma reforma da lei de imigração.

O desafio de McCain será resistir aos apelos para que se incline à direita a fim de obter os votos do tradicional eleitorado republicano. Nessa hipótese, o veterano da Guerra do Vietnã daria um tiro no pé. Não parece plausível que o eleitorado conservador embarque na canoa de um democrata porque o candidato republicano e senador pelo Arizona seria centrista demais. Alguém imagina um desses eleitores votando em Hillary ou Obama?

São boas as notícias das prévias americanas. Hillary, Obama e McCain estão à altura da inegável liderança americana no mundo. Os três parecem aptos a exercer essa liderança de modo positivo, exatamente ao contrário de George W. Bush –presidente por um período de oito anos nos quais os EUA andaram para trás. Com Bush, houve restrição aos direitos civis. Oficializou-se a tortura como método de investigação. E implementou-se uma ineficaz política de combate ao terrorismo baseada em mentiras e que resultou na piora da imagem dos EUA no planeta.

*

Puro palpite

Uma chapa Hillary-Obama, além de provavelmente imbatível, poderia criar as condições internas e internacionais para a permanência do Partido Democrata por 16 anos no poder em Washington. Seria bom para o mundo, para os EUA e para o Brasil.

Não pára em pé essa história de que os democratas seriam presidentes mais hostis aos interesses do Brasil porque mais protecionistas em matéria de comércio. Apesar das boas relações entre Lula e Bush, o presidente americano não fez no âmbito econômico nenhuma concessão relevante ao colega brasileiro. A Alca (Área de Livre Comércio das Américas) não saiu do papel, e as negociações para liberalizar o comércio mundial (Rodada Doha) continuam emperradas.

Já Bill Clinton deu uma ajuda danada a FHC na crise cambial de 1999. Clinton bancou um socorro de mais de US$ 40 bilhões do FMI para evitar a quebra do Brasil em janeiro daquele ano.

Kennedy Alencar, 40, é colunista da Folha Online e repórter especial da Folha em Brasília. Escreve para Pensata às sextas e para a coluna Brasília Online, sobre os bastidores da política federal, aos domingos.E-mail: kalencar@folhasp.com.br