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	<title>Blog do Favre &#187; Republicanos</title>
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		<title>EUA e Brasil em lua-de-mel, mas sem álcool</title>
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		<pubDate>Tue, 17 Mar 2009 13:52:23 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Luis Favre</dc:creator>
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foto de capa do caderno especial do jornal Valor

clique na imagem para ampliar 

Patrick Brock, The Wall Street Journal, de Nova York &#8211; VALOR
Numa reunião na Câmara de Comércio de Nova York, em 2 de novembro de 1863, o pastor James Cooley Fletcher se desdobrou para convencer os empresários locais sobre a importância de estreitar [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://blogdofavre.ig.com.br/2009/03/eua-e-brasil-em-lua-de-mel-mas-sem-alcool/10166/" rel="attachment wp-att-10166" title="lula_seminario_wsjvalor.jpg"></a></p>
<div align="center"><a href="http://blogdofavre.ig.com.br/2009/03/eua-e-brasil-em-lua-de-mel-mas-sem-alcool/10166/" rel="attachment wp-att-10166" title="lula_seminario_wsjvalor.jpg"><img src="http://blogdofavre.ig.com.br/wp-content/uploads/2009/03/lula_seminario_wsjvalor.jpg" alt="lula_seminario_wsjvalor.jpg" /><font size="1"><em><br />
foto de capa do caderno especial do jornal Valor</em></font></a></div>
<div align="center"><a href="http://blogdofavre.ig.com.br/wp-content/uploads/2009/03/brasil_usa.jpg" title="brasil_usa.jpg"><img src="http://blogdofavre.ig.com.br/wp-content/uploads/2009/03/brasil_usa.jpg" alt="brasil_usa.jpg" width="555" height="189" /></a></div>
<div align="center"><font size="1"><em>clique na imagem para ampliar </em></font></div>
<div align="center"></div>
<p style="background-color: #ffff99">Patrick Brock, The Wall Street Journal, de Nova York &#8211; VALOR</p>
<p>Numa reunião na Câmara de Comércio de Nova York, em 2 de novembro de 1863, o pastor James Cooley Fletcher se desdobrou para convencer os empresários locais sobre a importância de estreitar os laços com o Brasil, segundo registro de um jornal da época. Acompanhado dos diplomatas brasileiros Joaquim de Azambuja e Luis Fleury, que traziam uma elogiosa carta da Câmara de Comércio do Rio de Janeiro, Fletcher, um entusiasmado brasilianista, celebrava o início da primeira rota direta de vapores entre as duas principais cidades das jovens nações, Rio de Janeiro e Nova York.</p>
<p>Da pequena frota de vapores subsidiados pelos governos dos dois países, as relações comerciais entre o Brasil e os Estados Unidos evoluíram desde então para uma balança comercial de pouco mais US$ 53 bilhões em 2008, com saldo positivo de US$ 1,8 bilhão para o Brasil. O diálogo transnacional também passou para esferas muito mais altas e hoje o Brasil é considerado pelos EUA como um importante parceiro no desenvolvimento de relações multilaterais, dizem especialistas. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva foi apenas o terceiro chefe de Estado a ser recebido pelo presidente americano Barack Obama, e o primeiro da América Latina, em um encontro sábado na Casa Branca.</p>
<p>Não há nenhum Fletcher hoje pressionando o governo americano a melhorar o relacionamento com o Brasil, mas o momento atual é favorável, segundo vários especialistas. Embora ainda ocorram embates sobre questões comerciais, há boas perspectivas de cooperação em áreas como combate ao tráfico de drogas, mudanças climáticas e relações multilaterais. O governo Obama também tem sinalizado um posicionamento mais flexível em relação a Cuba, o que provavelmente agradaria o governo Lula. Além disso, o Brasil é visto como um país que desfruta de boas relações na América Latina de maneira geral, o que pode ajudá-lo a servir de ponte para um novo diálogo entre os EUA e a região, dizem os especialistas. Após uma reunião com Lula sábado, Obama disse que pretende usar o relacionamento com o Brasil para reforçar os laços com a América Latina.</p>
<p>É claro que a grandiosidade da crise econômica nos EUA e no mundo, e os conflitos no Iraque e no Afeganistão podem dificultar que o governo de Obama dê prioridade à América Latina em sua agenda internacional num futuro próximo, diz o cientista político Riordan Roett, da Universidade Johns Hopkins. &#8220;A atitude atual é benigna, mas a escalada da violência no México, fruto da guerra contra o narcotráfico, o policiamento da fronteira com esse país e os efeitos da queda nas remessas de imigrantes devem ganhar mais destaque na agenda do governo Obama&#8221; em se tratando de relações com a América Latina, diz Roett, que recebeu em 2000 a medalha da Ordem de Rio Branco das mãos de Fernando Henrique Cardoso.</p>
<p>O convite de Obama para Lula visitar Washington também é um bom sinal, diz Roett, para quem a cooperação entre os dois países no contexto atual é muito mais abrangente do que as questões bilaterais, especialmente com o papel preponderante do Brasil na construção de mecanismos multilaterais. &#8220;Se Obama quiser ativar a Rodada Doha, vai precisar do Brasil.&#8221; Brasil e EUA se reúnem novamente no início de abril, na conferência do G-20 em Londres, e em 17 de abril para a V Cúpula das Américas, em Port of Spain, Trinidad e Tobago.</p>
<p>Segundo Luiz Alberto Moniz Bandeira, professor aposentado de política exterior do Brasil da Universidade de Brasília, os dois países &#8220;não podem deixar de se considerar, (pois) são as duas maiores massas geográficas, demográficas e econômicas do continente&#8221;. Moniz aponta também a diminuição na importância dos EUA para as exportações brasileiras, que passaram a ser dominadas pela União Europeia e países emergentes. &#8220;O Brasil quer se aproximar dos EUA apenas na medida em que os EUA queiram se aproximar do Brasil&#8221;, diz Moniz.</p>
<p>Em entrevista coletiva em 25 de fevereiro, logo após se reunir em Washington com Hillary Clinton, o chanceler Celso Amorim disse que uma prioridade para reativar as negociações multilaterais para o comércio mundial é a confirmação pelo Congresso do indicado para o cargo de representante comercial dos EUA, Ron Kirk. A nomeação ainda está pendente, enquanto pesam sobre Kirk questões relativas a sua declaração de renda.</p>
<p>&#8220;O diálogo entre os dois governos realmente evoluiu nos últimos anos e acredito que o governo Obama continuará desenvolvendo isso&#8221;, diz Julia E. Sweig, diretora de estudos latino-americanos do Council on Foreign Relations, um centro de pesquisas que tem sede em Nova York e se descreve como não-partidário e independente. A política comercial entre os dois países, contudo, ainda &#8220;não foi bem resolvida&#8221;. Embora haja muito interesse no Brasil, diz Sweig, especialmente em relação às recentes descobertas petrolíferas e à indústria do etanol, a falta de conhecimento aprofundado sobre o país pode ser um obstáculo para as relações entre os dois países. &#8220;O pessoal da política exterior (do governo Obama) está preocupado com México, Cuba e, em terceiro lugar, o Brasil. Mas ainda existe um grande déficit de conhecimento sobre o Brasil e como dialogar com o país em meio à classe política em Washington&#8221;, diz.</p>
<p>Questões comerciais também se interpõem entre os dois países. Um dos pontos de debate é a tarifa de US$ 0,14 por litro de álcool combustível importado do Brasil nos EUA. Ela foi mantida na legislação agrícola aprovada em 2008 e está em vigor até o fim de 2010. A demanda por álcool combustível nos EUA vem crescendo, mas o país tem sua própria produção, à base de milho, e os produtores locais têm bastante influência em Washington.</p>
<p>&#8220;Barack Obama quer expandir a produção de energia renovável na América Latina de uma maneira que promova a auto-suficiência e crie mais mercados para fabricantes e produtores americanos de biocombustíveis&#8221;, diz o plano para a América Latina divulgado ano passado pelo então candidato. Obama reafirmou sua posição ao dizer após a reunião com Lula que o etanol é um &#8220;tema tenso&#8221; entre os dois países, que não vai mudar de um dia para o outro.</p>
<p>Joel Velasco, representante-chefe para a América do Norte da União da Indústria de Cana-de-Açúcar do Brasil (Unica), tem esperança de que políticos contrários à tarifação apresentem novas emendas que modifiquem a legislação agrícola. Velasco diz que os senadores e deputados das regiões costeiras tendem a apoiar a redução da tarifa, já que não produzem etanol e geralmente são obrigados a pagar mais caro pelo produto. Ele cita como favoráveis à redução da tarifa os senadores republicanos Richard Lugar e Judd Gregg.</p>
<p>Representantes dos senadores confirmaram que eles apoiam a redução da tarifa, mas disseram que no momento não há planos de introduzir nova legislação. Gregg chegou a apresentar em junho do ano passado um projeto de lei para reduzir a tarifa para US$ 0,12 por litro, sob o argumento de que a medida baixaria o preço da gasolina &#8211; na época o barril de petróleo estava acima de US$ 140, enquanto agora flutua na casa dos US$ 40. O projeto acabou morrendo no Congresso.</p>
<p>Gregg tinha sido indicado para ocupar a Secretaria de Comércio, um cargo que vem rendendo dor de cabeça a Obama, mas acabou desistindo sob a alegação de que havia &#8220;diferenças irresolúveis&#8221; com a política do novo presidente. O cargo em questão ainda está vago e Obama indicou recentemente o ex-governador do Estado de Washington Gary Locke, que aguarda confirmação.</p>
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		<title>Pesquisa revela boa imagem do país</title>
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		<pubDate>Mon, 16 Mar 2009 15:39:24 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Luis Favre</dc:creator>
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VALOR
Ao contrário do que se poderia imaginar, deputados e senadores americanos evitam colocar no mesmo balaio Brasil, Argentina e Venezuela. O governo brasileiro não recebe dos parlamentares dos EUA rótulos como &#8220;esquerdista&#8221; ou &#8220;antiamericano&#8221;. E o temor que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva inspirou quando ganhou as eleições em 2002 é passado. Hoje, [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div style="text-align: center"><img src="http://www.desenvolvimento.gov.br/arquivos/not1209160803.jpg" alt="http://www.desenvolvimento.gov.br/arquivos/not1209160803.jpg" /><img src="http://4.bp.blogspot.com/_fOJD67rCP10/RzGUzj2ebwI/AAAAAAAACVA/jUPxwuPtCpw/s400/Uscongress.gif" alt="http://4.bp.blogspot.com/_fOJD67rCP10/RzGUzj2ebwI/AAAAAAAACVA/jUPxwuPtCpw/s400/Uscongress.gif" width="135" height="134" /></div>
<p style="background-color: #ffff99">VALOR</p>
<p>Ao contrário do que se poderia imaginar, deputados e senadores americanos evitam colocar no mesmo balaio Brasil, Argentina e Venezuela. O governo brasileiro não recebe dos parlamentares dos EUA rótulos como &#8220;esquerdista&#8221; ou &#8220;antiamericano&#8221;. E o temor que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva inspirou quando ganhou as eleições em 2002 é passado. Hoje, o ex-líder sindical é visto com simpatia pela nova legislatura, de maioria democrata.</p>
<p>Essa é uma das conclusões de pesquisa inédita sobre a imagem do Brasil no Congresso americano encomendada pela Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) a um escritório de lobby nos EUA. Os resultados surpreenderam positivamente a entidade, que quer aproveitar a boa imagem do país para defender os interesses da indústria brasileira. &#8220;Temos que intensificar o trabalho no Congresso americano porque o momento é positivo&#8221;, disse Mario Marconini, diretor de relações internacionais da Fiesp.</p>
<p>A pesquisa envolveu entrevistas qualitativas com os assessores dos líderes dos principais comitês da Câmara e do Senado e outros parlamentares influentes dos partidos Republicano e Democrata. A Fiesp contratou lobistas com experiência na área e passagem pelo USTR, órgão responsável pelas negociações internacionais nos EUA.</p>
<p>O estudo concluiu que os parlamentares americanos, na relação com o Brasil, estão focados na Rodada Doha, da Organização Mundial de Comércio (OMC). Temas como um eventual acordo bilateral com o país, com o Mercosul, ou mesmo a Área de Livre Comércio das Américas (Alca) ficam fora do radar. O Brasil é visto como um dos protagonistas da Rodada. E, nesse ponto, uma boa surpresa: ao contrário do mal-estar pós-Cancún, quando surgiu o G-20, o Brasil não é mais o vilão das negociações.</p>
<p>&#8220;Está claro para os americanos que a culpa do fracasso de Doha não foi do Brasil. A responsabilidade está em cima da Índia e, em um nível menor, da China&#8221;, avalia Marconini. Conforme a pesquisa, a mudança de posição do Brasil em julho de 2008, ao aceitar o pacote proposto pelo diretor-geral da OMC, Pascal Lamy, repercutiu bem no Congresso americano. O tema preocupava a indústria, porque as posições do Brasil em Doha já foram utilizadas como argumento para tentar excluir o Brasil do Sistema Geral de Preferência (SGP), que permite a entrada de alguns produtos com tarifa zero nos EUA.</p>
<p>Em dois temas sensíveis para o setor privado brasileiro &#8211; a tarifa cobrada para a importação de etanol no país e os subsídios concedidos ao produtor de algodão &#8211; o estudo apontou que &#8220;existe um mosaico de posições&#8221; no Congresso dos EUA. Ou seja, parlamentares a favor, outros contra e alguns que ainda não formaram posição. Marconini enxerga uma oportunidade, pois significa que há espaço para o lobby brasileiro procurar influenciar os deputados.</p>
<p>O ponto mais negativo da imagem do Brasil para os congressistas americanos é a devastação da Amazônia. Eles estão muito preocupados com a queima da floresta e seus efeitos para o aquecimento global e para as comunidades indígenas locais. Essa crítica serve como uma alerta para a indústria brasileira, mesmo do ponto de vista comercial. As empresas temem que questões ambientais sejam utilizadas como barreiras ao comércio exterior, por exemplo, com a cobrança de tarifas extras para a importação de produtos provenientes de países poluidores.</p>
<p>Para o diretor de energia da Fiesp, Carlos Cavalcanti, o Brasil precisa ganhar a batalha de marketing nesse assunto e convencer os EUA e o mundo de que produz energia limpa e que pode controlar o desmatamento da Amazônia. &#8220;Não podemos errar. Temos que nos desvincular de China e Índia, que possuem algumas das matrizes energéticas mais sujas do mundo&#8221;, disse. (RL)</p>
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		<title>Comitê rejeita corte de subsídios nos EUA</title>
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		<pubDate>Fri, 13 Mar 2009 13:45:29 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Luis Favre</dc:creator>
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		<description><![CDATA[ Em mais um sinal de protecionismo do Congresso, foi recusada proposta de Obama de cortar ajuda a fazendeiros com renda anual acima de US$ 500 mil


WASHINGTON &#8211; O Estado SP
O Comitê de Agricultura da Câmara dos Representantes dos EUA rejeitou por unanimidade o projeto do governo Barack Obama que previa um corte no subsídio [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p> <strong>Em mais um sinal de protecionismo do Congresso, foi recusada proposta de Obama de cortar ajuda a fazendeiros com renda anual acima de US$ 500 mil</strong></p>
<div style="text-align: center"><img src="http://revistaepoca.globo.com/Revista/Epoca/foto/0,,17912722,00.jpg" alt="http://revistaepoca.globo.com/Revista/Epoca/foto/0,,17912722,00.jpg" /></div>
<div style="text-align: center"></div>
<p style="background-color: #ffff99">WASHINGTON &#8211; O Estado SP</p>
<p>O Comitê de Agricultura da Câmara dos Representantes dos EUA rejeitou por unanimidade o projeto do governo Barack Obama que previa um corte no subsídio dado aos produtores agrícolas. A proposta de eliminar os pagamentos diretos aos fazendeiros com faturamento anual superior a US$ 500 mil reduziria quase pela metade o programa de assistência aprovado no ano passado dentro da Farm Bill, a lei agrícola.</p>
<p>O Comitê argumentou que o programa só pode ser mudado na próxima Farm Bill, em 2012. &#8220;A legislação de 2012 estará aqui antes do que muitos imaginam. Quaisquer mudanças no programa de benefícios podem &#8211; e devem &#8211; esperar até lá&#8221;, disse o órgão.</p>
<p>O representante republicano no Comitê, Frank Lucas, apoiou o presidente, o democrata Collin Peterson. Para ele, a proposta que poderia economizar US$ 10 bilhões no programa de subsídios é &#8220;mal concebida&#8221; e &#8220;ridícula&#8221;. Pela Farm Bill 2008, o governo americano deve desembolsar, em cinco anos, US$ 26 bilhões com &#8220;pagamentos diretos&#8221; aos fazendeiros.</p>
<p><strong>PROTECIONISMO</strong></p>
<p>Congressistas americanos pediram ao Tesouro que impeça bancos resgatados pelo pacote financeiro de investirem em outros países, em mais um sinal do protecionismo crescente do Congresso. O deputado democrata Dennis Kucinich afirmou que os investimentos devem ficar nos EUA. &#8220;Enquanto é difícil conseguir um empréstimo neste país, está certo que um banco que recebeu dinheiro do Tesouro arrume um empréstimo de US$ 8 bilhões para o governo de Dubai?&#8221;, perguntou a Neel Kashkari, encarregado do plano de resgate do sistema financeiro (Tarp) no Tesouro.</p>
<p>Kucinich se referia ao empréstimo do Citigroup para o governo de Dubai e ao investimento de US$ 7 bilhões do Bank of America no China Construction Bank Company. Os dois bancos receberam recursos do pacote de resgate.</p>
<p>Kashkari rebateu que restringir empréstimos a outros países poderia gerar retaliação. &#8220;Se impedirmos nossas instituições de fazer negócios no exterior, outros países podem dizer: &#8220;OK, a recíproca é verdadeira, nós não vamos deixar bancos estrangeiros fazerem empréstimos na América.&#8221;<br />
<em><br />
PATRÍCIA CAMPOS MELLO COM AGÊNCIAS INTERNACIONAIS</em></p>
<p><strong>FRASES</strong></p>
<p>Dennis Kucinich<br />
Deputado democrata</p>
<p>&#8220;Enquanto é difícil conseguir empréstimo, está certo um banco que recebeu dinheiro do Tesouro emprestar US$ 8 bilhões para o governo de Dubai?&#8221;</p>
<p>Neel Kashkari<br />
Encarregado do Tarf</p>
<p>&#8220;Se impedirmos nossos bancos de fazer negócios fora, outros países podem dizer: ?OK, a recíproca é verdadeira&#8221;</p>
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		<title>Obama põe educação no topo de agenda e planeja reforma</title>
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		<pubDate>Sun, 01 Mar 2009 14:59:26 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Luis Favre</dc:creator>
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		<description><![CDATA[
Presidente pretende triplicar verba do setor para US$ 150 bi, mudar políticas de Bush e diminuir índice de abandono
Pilares são a educação de crianças menores, melhora das escolas públicas e maior acesso ao ensino superior
ANDREA MURTA DE NOVA YORK &#8211; FOLHA SP
Em sua ambiciosa proposta de gastos públicos, o presidente Barack Obama quer dar à [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div style="text-align: center"><img src="http://thecinemaniaco.files.wordpress.com/2009/01/barack-obama-street-posters.jpg" alt="http://thecinemaniaco.files.wordpress.com/2009/01/barack-obama-street-posters.jpg" /></div>
<p><strong>Presidente pretende triplicar verba do setor para US$ 150 bi, mudar políticas de Bush e diminuir índice de abandono</strong></p>
<p><strong>Pilares são a educação de crianças menores, melhora das escolas públicas e maior acesso ao ensino superior</strong></p>
<p style="background-color: #ffff99">ANDREA MURTA DE NOVA YORK &#8211; FOLHA SP</p>
<p>Em sua ambiciosa proposta de gastos públicos, o presidente Barack Obama quer dar à educação nos EUA quase US$ 150 bilhões em gastos discricionários já no primeiro ano de governo. É um aumento de mais de 200% em relação ao que George W. Bush pediu ao chegar ao poder. Mas a revolução prometida por Obama vai além da verba e sacode primordialmente as políticas para o setor.<br />
&#8220;Meu Orçamento apoia um investimento histórico em educação (&#8230;) ao equilibrar novos fundos com novas reformas&#8221;, afirmou o novo presidente ao Congresso na última quinta.<br />
Da verba sugerida, US$ 46,7 bilhões são em gastos discricionários do Orçamento para o departamento. Outros US$ 100 bilhões vêm do pacote de estímulo da economia, aprovado separadamente pelos legisladores, e já estão nos cofres do órgão. E a conta não inclui gastos hoje discricionários mas que o novo governo quer tornar obrigatórios, como bolsas para estudantes universitários de baixa renda.<br />
A proposta de Obama destaca três pontos. O primeiro é investir na educação de crianças de 0 a 5 anos. O segundo é fortalecer e reformar escolas públicas ao ajudar Estados a desenvolver bons padrões de testes, melhorar métodos de ensino e recompensar bons professores. E o último é expandir oportunidades nas universidades por meio de empréstimos estudantis e cortes de impostos para baixar as mensalidades.<br />
<strong><br />
Bush</strong><br />
Mas propagar a intenção de transformar o ensino não é exclusividade do novo presidente. Em 2001, em seu primeiro discurso aos legisladores, Bush afirmara que &#8220;o maior aumento percentual de nosso Orçamento deve ir para a educação de nossas crianças. Educação é minha prioridade&#8221;. Em sua estreia, aliás, Bush dedicou muito mais tempo ao tema do que Obama. E remodelou já nos primeiros dias do mandato um programa abrangente, rebatizando-o de &#8220;Nenhuma Criança Ficará para Trás&#8221;.<br />
O programa buscava mais ênfase em resultados de testes, mais liberdades para Estados e comunidades, uso de métodos educacionais &#8220;comprovados&#8221; e mais opções para os pais.<br />
Algumas medidas foram quase unanimemente elogiadas, como a exigência de divulgação de resultados de minorias, o que revelou lacunas entre os grupos. Mas boa parte dos especialistas afirma que o resultado final foi negativo, com Estados relaxando testes de aferição por medo de fracassarem e serem penalizados ao receberem fundos do governo.<br />
Oito anos depois, a imagem do programa é tão ruim que o novo secretário da Educação, Arne Duncan, quer mudar seu nome. Entre as sugestões irônicas aventadas na mídia estão &#8220;Nenhum Espertinho Ficará para Trás&#8221; e &#8220;Nenhuma Criança Ficará sem Teste&#8221;.<br />
De toda forma, o acúmulo de esforços ineficazes resultou na continuidade de problemas no treinamento de professores, falta de padrões nacionais de prestação de contas, diferenças gritantes nos resultados de alunos por raça/grupo e perda de qualidade ante outros países desenvolvidos. Há ainda o que Obama chama de &#8220;crise de abandono da escola&#8221;, que afeta 22% dos estudantes hispânicos e 10,7% dos negros.<br />
O presidente ainda precisará dobrar a resistência de republicanos e democratas mais conservadores na área fiscal para aprovar seu Orçamento. Esforço e oratória, no passado, não chegaram muito longe.</p>
<div style="text-align: center"><img src="http://letustalk.files.wordpress.com/2008/08/obama-education-college-students-nh.jpg" style="cursor: -moz-zoom-out" alt="http://letustalk.files.wordpress.com/2008/08/obama-education-college-students-nh.jpg" width="553" height="395" /></div>
<p><font size="5"><strong>Crise e maior papel federal são riscos em projeto</strong></font></p>
<p><strong>Escolas mostram medo em se submeter a avaliação</strong></p>
<p><font size="-1">DE NOVA YORK </font></p>
<p>Além das dificuldades inerentes à ambição de reformar  um sistema educacional, o presidente dos EUA, Barack Obama, contará neste ano com o  peso extra da recessão.<br />
Com a crise, só para manter a  educação no nível atual, o governo vai gastar ao menos US$  53,6 bilhões oriundos da lei de  estímulo à economia para criar  um fundo de estabilização fiscal para os Estados. É a parte  mais gorda da lei de ajuda que  vai para a educação. Sem ela, as  escolas poderiam ser obrigadas  a cortar 574 mil empregos, segundo estudo da Universidade  de Washington.<br />
Em meio a valores tão altos,  críticos já temem que o Departamento da Educação não consiga destilar a verba adequadamente. Uma preocupação é que  o dinheiro escoe para Estados  que precisam menos, até porque estimar as necessidades é  tarefa complicada.<br />
&#8220;Como cada Estado estabelece seu próprio método de aferir  aprendizado -e muitos deles  são frouxos-, na verdade não  sabemos comparar a qualidade  do ensino pelo país&#8221;, afirmou à  Folha Doug Harris, professor  de políticas educacionais da  Universidade do Wisconsin.<br />
Ele diz que as propostas de  Obama estão no caminho correto. Destaca a intenção de padronizar as medidas e ajudar  mais as piores escolas, inclusive levando a elas alguns dos  melhores professores.<br />
Também elogia a ênfase na  educação de 0 a 5 anos, fundamental para a capacidade de  aprendizado futura.</p>
<p><strong>Portas fechadas</strong><br />
Outro especialista, Thomas  James, reitor da Faculdade de  Educação da Universidade Columbia, apontou como &#8220;área  nobre&#8221; das propostas de Obama a intenção de aumentar o  papel do governo federal na  educação.<br />
Seria uma guinada. Hoje são Estados e municípios que criam escolas e faculdades, desenvolvem o currículo e determinam exigências para matrícula e graduação. Com as verbas, a linha é a mesma. De estimados US$ 1 trilhão gastos pelo país em educação entre 2007 e 2008, no máximo 12% foram federais.<br />
Aumentar a participação do  governo federal na educação,  porém, é mexer em um vespeiro. George W. Bush evitou fazer  isso. Mesmo assim, hoje as escolas costumam temer se expor  a intervenções federais.<br />
Esse medo ajuda a explicar  porque as instituições se fecham à imprensa. A Folha contatou em dois dias mais de dez  escolas de quatro cidades diferentes em Nova York e Nova  Jersey, e nenhuma permitiu o  acesso da reportagem. Entrevistas por telefone foram negadas. Solicitações a cinco profissionais dos departamentos da  Educação dos dois Estados foram infrutíferos. Em Nova  York, um membro do Departamento Estadual da Educação  confirmou que &#8220;as escolas foram orientadas a não falar com  repórteres&#8221;.<br />
Mas Nova York e Nova Jersey estão longe de serem Estados de piores notas. Em uma  das poucas provas de aferição  padronizada do país, o NAEP,  que mede o progresso dos alunos ano a ano em algumas escolas, Nova Jersey teve um dos  melhores resultados de 2007.  Nova York ficou na média. Os  mais fracos foram Mississippi,  Havaí, Nevada e Novo México.<br />
Thomas James afirma porém que as maiores diferenças  estão não entre Estados, mas  entre subúrbios, grandes cidades e áreas rurais. Segundo  ele,&#8221;os subúrbios pagam melhor e atraem os melhores professores&#8221;.<br />
Em quatro anos, talvez o cenário seja ser outro. Isso se o  plano de Obama for bem sucedido. E a crise permitir.</p>
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		<title>Novo Orçamento americano enterra a era conservadora</title>
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		<pubDate>Sun, 01 Mar 2009 14:09:38 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Luis Favre</dc:creator>
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		<description><![CDATA[ Ideia central é reverter rápido crescimento da desigualdade iniciado nos anos 80 com Reagan
Com plano, Obama quer reescrever código tributário e tentar sanar parte das causas do desaquecimento da renda da classe média

DAVID LEONHARDT DO &#8220;NEW YORK TIMES&#8221;, EM WASHINGTON &#8211; FOLHA SP
O Orçamento que Barack Obama propôs na última quinta aos EUA não [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p> <strong>Ideia central é reverter rápido crescimento da desigualdade iniciado nos anos 80 com Reagan</strong></p>
<p><strong>Com plano, Obama quer reescrever código tributário e tentar sanar parte das causas do desaquecimento da renda da classe média</strong></p>
<div style="text-align: center"><img src="http://www1.pictures.gi.zimbio.com/Barack+Obama+Campaigns+Mississippi+Ahead+State+6UBC3SH_P1Ul.jpg" style="cursor: -moz-zoom-in" alt="http://www1.pictures.gi.zimbio.com/Barack+Obama+Campaigns+Mississippi+Ahead+State+6UBC3SH_P1Ul.jpg" width="553" height="365" /></div>
<p style="background-color: #ffff99">DAVID LEONHARDT DO &#8220;NEW YORK TIMES&#8221;, EM WASHINGTON &#8211; FOLHA SP</p>
<p>O Orçamento que Barack Obama propôs na última quinta aos EUA não é nada menos que uma tentativa de pôr fim a três décadas de política econômica dominada pelas ideias de Ronald Reagan e seguidores.</p>
<p>A proposta de Obama -uma mudança radical em relação à história recente- prevê forte elevação dos impostos sobre os ricos, para além do patamar para o qual Bill Clinton os elevara. E reduz os impostos sobre o resto da população para menos do que estavam sob Clinton e George W. Bush. O Orçamento ainda deita as bases para mudanças amplas na saúde e na educação, entre outras áreas.</p>
<p>Mais que qualquer outra coisa, a ideia é reverter o crescimento rápido da desigualdade econômica verificado nos últimos 30 anos. Isso deve ser feito, primeiro ao reescrever o código tributário e, no longo prazo, ao tentar resolver algumas das causas do desaquecimento da renda da classe média, como os altos custos médicos e a queda nos ganhos educacionais.</p>
<p>Depois de Obama ter passado boa parte de suas primeiras cinco semanas na Presidência tratando da crise financeira, seu Orçamento traz de volta para a mesa as prioridades nas quais ele baseou sua campanha.</p>
<p>Seus esforços vão aumentar um déficit já inchado pelas políticas de Bush e a recessão, criando o maior déficit desde a Segunda Guerra. Eliminá-lo vai exigir escolhas difíceis -como cortes extras de gastos e aumentos nos impostos- que Obama evitou tratar por ora.</p>
<p>Apesar disso, ele fez escolhas. Buscou eliminar subsídios corporativos que os economistas criticam há muito tempo, pagos a seguradoras de saúde, bancos e empresas agrícolas. Propôs taxar a emissão de carbono, para desacelerar o aquecimento global, e depois refinanciar a maior parte da receita obtida com esse programa, por meio de cortes amplos nos impostos.</p>
<p>Pediu cerca de US$ 100 bilhões por ano em aumentos dos tributos sobre os ricos -em sua maioria adiados até 2011, quando se presume que a recessão terá terminado- e US$ 50 bilhões por ano em cortes líquidos para os não-ricos.</p>
<p>Há ainda muitas perguntas em aberto sobre a proposta, a começar pelas chances de o Congresso aprová-las. Os planos para saúde e educação também esbarram em resistência, e, se a economia continuar fraca até 2010, os republicanos no Congresso vão tentar atribuir a culpa por isso ao aumento dos impostos para os ricos.</p>
<p>Aconteça o que acontecer, porém, faz muito tempo que nenhum presidente tentava usar seu Orçamento para moldar o governo e a economia tanto quanto Obama tentou. Nesse ponto, ele e Ronald Reagan têm algo em comum.</p>
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		<title>O centro destrutivo</title>
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		<pubDate>Tue, 10 Feb 2009 15:18:35 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Luis Favre</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Paul Krugman, The New York Times* &#8211; O Estado SP
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			<content:encoded><![CDATA[<p style="background-color: #ffff99">Paul Krugman, The New York Times* &#8211; O Estado SP</p>
<p><a href="http://blogdofavre.ig.com.br/2009/02/o-centro-destrutivo/9583/" rel="attachment wp-att-9583" title="krugman.jpg"><img src="http://blogdofavre.ig.com.br/wp-content/uploads/2009/02/krugman.jpg" alt="krugman.jpg" align="right" /></a>Como você chamaria uma pessoa que elimina centenas de milhares de postos de trabalho americanos, priva milhões de pessoas de atendimento médico e nutrição adequados, prejudica os investimentos nas escolas, mas oferece uma bonificação de US$ 15 mil para pessoas em boa situação financeira que desejem vender seus imóveis? Um centrista orgulhoso. Pois é exatamente isso que fizeram os senadores que determinaram os parâmetros do pacote de estímulo.</p>
<p>Mesmo que o plano original do presidente Barack Obama &#8211; cerca de US$ 800 bilhões em estímulo, com uma fração substancial concedida sob a forma de ineficazes cortes de impostos &#8211; fosse aprovado, ele não seria suficiente para preencher o rombo cada vez maior na economia americana, o qual o Gabinete Orçamentário do Congresso já estima que totalizará US$ 2,9 trilhões nos próximos 3 anos.</p>
<p>E mesmo assim os centristas fizeram de tudo para tornar o plano ainda pior e mais fraco.</p>
<p>Uma das melhores características do plano original era a ajuda estendida aos governos estaduais sem dinheiro, que teria proporcionado um rápido impulso à economia preservando ao mesmo tempo os serviços essenciais. Mas os centristas insistiram num corte de US$ 40 bilhões justamente nos gastos dessa área.</p>
<p>O plano original também incluía gastos necessários com a construção de escolas; US$ 16 bilhões foram cortados dessas despesas. Incluía auxílio a desempregados, especialmente em relação ao atendimento médico &#8211; cortado. Cupons de alimentação &#8211; cortados. Ao todo, mais de US$ 80 bilhões foram cortados do plano, a maior parte recaindo precisamente sobre as medidas que teriam maior impacto na redução da profundidade desse declínio e da dor provocada por ele.</p>
<p>Por outro lado, os centristas aparentemente não viram problemas em uma das piores medidas previstas pelo pacote do Senado: um crédito fiscal para os compradores de imóveis. Dean Baker, do Centro de Pesquisas em Política Econômica, chamou a medida de lei &#8220;venda sua casa para o seu irmão&#8221;: custará muito dinheiro e nada fará para ajudar a economia.</p>
<p>No fim, caso a insistência dos centristas em confortar os confortáveis e afligir os aflitos seja refletida no pacote final, esse provocará um aumento significativo no desemprego e no sofrimento de todos.</p>
<p>Mas como isto aconteceu? Eu culpo a crença de Obama de que ele seria capaz de transcender as divisões partidárias &#8211; o que distorceu sua estratégia econômica. Afinal, muitos esperavam que ele apresentasse um plano de estímulo extremamente forte, refletindo ao mesmo tempo a gravidade dos problemas e o poder conferido a ele pelos eleitores.</p>
<p>Entretanto, em vez disso, ele apresentou um plano pequeno e dependente demais nos cortes de impostos. Por quê? Porque queria receber amplo apoio bipartidário. Não faz muito tempo que os estrategistas da administração falavam em conseguir 80 votos ou mais no Senado.</p>
<p>As aspirações pós-partidárias de Obama podem também explicar por que ele não fez algo de importância crucial: falar enfaticamente sobre como os gastos governamentais podem ajudar a economia. Em vez disso, ele deixou que os conservadores definissem os termos do debate, esperando até o fim da semana passada para finalmente dizer o que precisava ser dito &#8211; que o aumento nos gastos públicos é o objetivo central do pacote. E Obama não recebeu nada em troca da sua abertura ao bipartidarismo.</p>
<p>Nem um único republicano votou pela aprovação da versão do Congresso do plano de estímulo, que por sinal era melhor detalhada do que a proposta original da administração.</p>
<p>No Senado, os republicanos denunciaram as &#8220;medidas eleitoreiras&#8221; &#8211; mas os gastos supérfluos que eles disseram ter identificado (boa parte dos quais era absolutamente justificável) consistiam numa porção trivial do pacote todo. E eles desacreditaram o custo total do pacote &#8211; apesar de 36 dentre os 41 senadores republicanos terem votado pela substituição do plano de Obama por um corte de impostos de US$ 3 trilhões, isso mesmo, US$ 3 trilhões nos próximos 10 anos. Assim, Obama se viu reduzido a negociar pelos votos destes centristas.</p>
<p>E os centristas, como era de se esperar, exigiram consideráveis concessões &#8211; aparentemente, sem base em nenhum argumento econômico lógico, mas simplesmente para demonstrar o seu poder de barganha. Eles provavelmente teriam exigido um corte de cerca de US$ 100 bilhões da proposta de Obama, fosse ela qual fosse; ao fazer uma oferta inicial tão baixa, o presidente garantiu que o acordo final ficasse muito aquém do necessário.</p>
<p>São estes os perigos de negociar consigo mesmo.</p>
<p>Agora, negociadores da Câmara e do Senado precisam reconciliar suas versões do estímulo e é possível que o pacote final consiga reverter os piores feitos dos centristas. Quem sabe Obama consiga voltar para um segundo rounde. Mas essa foi a sua melhor chance de conseguir que fossem tomadas medidas decisivas e o seu resultado foi insuficiente.</p>
<p>Então, será que Obama aprendeu com esta experiência? Os primeiros indícios não são animadores.</p>
<p>Pois em vez de reconhecer o fracasso da sua estratégia política e os danos provocados na sua estratégia econômica, o presidente tentou dar ao episódio todo um verniz pós-partidário e otimista. &#8220;Democratas e republicanos se uniram no Senado e responderam apropriadamente às urgentes demandas do momento&#8221;, declarou ele no domingo, acrescentando, &#8220;as dimensões e a abrangência deste plano são adequadas&#8221;. Não, eles não se uniram e, não, o plano não é adequado.<br />
<strong><br />
*Paul Krugman é articulista </strong></p>
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		<title>À beira da catástrofe</title>
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		<pubDate>Sat, 07 Feb 2009 13:08:19 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Luis Favre</dc:creator>
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Paul Krugman * &#8211; O Estado SP
Uma coisa não muito engraçada ocorreu no caminho da recuperação econômica. Nas duas últimas semanas, o que deveria ter sido um debate extremamente sério sobre como salvar uma economia em situação desesperadora, se transformou num teatro político trivial com republicanos despejando todos os velhos clichês sobre gastos perdulários do [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div style="text-align: center"><img src="http://www.lefigaro.fr/medias/2008/11/24/9d93fe6c-ba1a-11dd-b624-25a59f9e7c80.jpg" alt="Ce lundi, le 44e président doit tenir une conférence de presse destinée à présenter son équipe économique. (AFP)" border="0" /></div>
<p style="background-color: #ffff99"><font size="4"><strong>Paul Krugman * &#8211; O Estado SP</strong></font></p>
<p><a href="http://blogdofavre.ig.com.br/2009/02/a-beira-da-catastrofe/9545/" rel="attachment wp-att-9545" title="krugman_paul.jpg"><img src="http://blogdofavre.ig.com.br/wp-content/uploads/2009/02/krugman_paul.jpg" alt="krugman_paul.jpg" align="left" /></a>Uma coisa não muito engraçada ocorreu no caminho da recuperação econômica. Nas duas últimas semanas, o que deveria ter sido um debate extremamente sério sobre como salvar uma economia em situação desesperadora, se transformou num teatro político trivial com republicanos despejando todos os velhos clichês sobre gastos perdulários do governo e as maravilhas dos cortes de impostos.</p>
<p>É como se o pavoroso fracasso econômico dos últimos oito anos não houvesse acontecido &#8211; e, no entanto, por incrível que pareça, os democratas ficaram na defensiva. Mesmo que um grande pacote de estímulo seja aprovado no Senado, existe um risco concreto de que partes importantes do plano original, em especial a ajuda a governos estaduais e municipais, sejam amputadas.</p>
<p>De alguma maneira, Washington perdeu qualquer senso do que está em jogo &#8211; da realidade de que podemos perfeitamente estar caindo num abismo econômico, e que se o fizermos, será muito difícil sair dele.</p>
<p>É difícil exagerar o tamanho das dificuldades econômicas que enfrentamos. A crise começou no setor imobiliário, mas o estouro da bolha imobiliária da era Bush acionou a queda das pedras de dominó não apenas nos Estados Unidos, mas em todo o mundo.</p>
<p>Os consumidores, com a sua riqueza dizimada e seu otimismo abalado pelo colapso dos preços das moradias e um mercado acionário em queda, cortaram seus gastos e aumentaram fortemente sua poupança &#8211; uma boa coisa no longo prazo, mas um golpe enorme na economia neste momento. Os incorporadores de imóveis comerciais, observando a queda dos aluguéis e a escalada dos custos do financiamento, estão cortando seus planos de investimento. Empresas estão cancelando planos para expandir a capacidade por não estarem vendendo o suficiente para usar a capacidade de que dispõem. E as exportações, uma das poucas áreas fortes da economia americana no último par de anos, estão despencando agora na medida em que a crise financeira atinge nossos parceiros comerciais.</p>
<p>Enquanto isso, nossa linha principal de defesa contra recessões &#8211; a capacidade habitual do Federal Reserve (Fed, o banco central americano) de amparar a economia cortando taxas de juros &#8211; já foi ultrapassada. O Fed cortou as taxas que controla basicamente a zero, mas a economia continua em queda livre.</p>
<p>Não é de surpreender, portanto, que a maioria das projeções econômicas advirtam que na falta de uma ação governamental estaremos a caminho de uma recessão profunda e prolongada. Alguns analistas privados preveem um desemprego de dois dígitos. O Escritório de Orçamento do Congresso está um pouco mais otimista, mas ainda assim seu diretor advertiu recentemente que &#8220;na falta de uma mudança na política fiscal&#8230; o déficit na produção nacional em relação aos níveis potenciais será o maior &#8211; em duração e profundidade &#8211; desde a Depressão dos anos 30&#8243;.</p>
<p>O pior de tudo é a possibilidade de que a economia se veja, como aconteceu nos anos 30, presa numa prolongada armadilha deflacionária.</p>
<p>Já estamos mais perto de uma deflação que em qualquer ponto desde a Grande Depressão. Em particular, o setor privado está experimentando cortes generalizados de salários pela primeira vez desde os anos 30, e haverá muito mais disso se a economia continuar se debilitando.</p>
<p>Como assinalou o grande economista americano Irving Fischer, há quase 80 anos, a deflação, uma vez iniciada, tende a se autoalimentar. À medida que as receitas em dólar caem em face de uma economia deprimida, o peso da dívida se torna mais difícil de suportar, enquanto a expectativa de novas quedas de preços desestimula os gastos com investimento. Esses efeitos de deflação deprimem ainda mais a economia, provocando mais deflação, e assim sucessivamente.</p>
<p>E armadilhas deflacionárias podem durar muito tempo. O Japão teve uma &#8220;década perdida&#8221; de deflação e estagnação nos anos 90 &#8211; e a única coisa que permitiu que o Japão escapasse de sua armadilha foi um boom global que intensificou as exportações do país.</p>
<p>Quem salvará os Estados Unidos de uma armadilha parecida agora que o mundo todo está em retração ao mesmo tempo? Será que o plano econômico de Obama, se aprovado, garantirá que os Estados Unidos não tenham sua década perdida?</p>
<p>Não necessariamente: alguns economistas, eu inclusive, acham que o plano é insuficiente e deveria ser substancialmente maior. Mas o plano de Obama certamente melhoraria nossa sorte. E é por isso que os esforços de republicanos para tornar o plano menor e menos eficaz &#8211; para transformá-lo em pouco mais que outra rodada de cortes de impostos ao estilo Bush &#8211; são tão destrutivos.</p>
<p>O que Barack Obama deveria fazer então? Eu me incluo entre os que acham que o presidente cometeu um grande erro em sua atitude inicial, de que suas tentativas de transcender o partidarismo terminaram fortalecendo políticos que recebem ordens de marcha de Rush Limbaugh. O que importa agora, porém, é o que ele fará em seguida.</p>
<p>Já é hora de o presidente Barack Obama partir para a ofensiva. Ele precisa, sobretudo, não se esquivar de assinalar que os que se colocam no caminho do seu plano em nome de uma filosofia econômica desacreditada, estão colocando em risco o futuro da nação. A economia americana está à beira da catástrofe, e boa parte do Partido Republicano está tentando empurrá-la por sobre essa beira.</p>
<p><strong>*Paul Krugman é articulista </strong></p>
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		<title>Nacionalização pode virar realidade</title>
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		<pubDate>Mon, 02 Feb 2009 12:13:19 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Luis Favre</dc:creator>
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		<description><![CDATA[ANÁLISE
Um &#8220;banco podre&#8221; poderia absorver os títulos tóxicos


Por DAVID E. SANGER &#8211; The New York Times &#8211; Folha SP
WASHINGTON
Dias após o início do governo de Barack Obama nos EUA, membros da nova administração e líderes democratas no Congresso já estão às voltas com uma das questões mais politicamente delicadas sobre o socorro financeiro: o presidente [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><strong>ANÁLISE</strong></p>
<p><font size="4"><strong>Um &#8220;banco podre&#8221; poderia absorver os títulos tóxicos</strong></font></p>
<p><font size="4"></font></p>
<div style="text-align: center"><img src="http://www.bloomberg.com/apps/data?pid=avimage&amp;iid=inAOZ2ZIZKuY" alt="http://www.bloomberg.com/apps/data?pid=avimage&amp;iid=inAOZ2ZIZKuY" /></div>
<p style="background-color: #ffff99">Por DAVID E. SANGER &#8211; The New York Times &#8211; Folha SP</p>
<p>WASHINGTON<br />
Dias após o início do governo de Barack Obama nos EUA, membros da nova administração e líderes democratas no Congresso já estão às voltas com uma das questões mais politicamente delicadas sobre o socorro financeiro: o presidente está preparado para nacionalizar uma enorme parcela do sistema bancário do país?</p>
<p>Em conversas privadas, a maioria dos membros da equipe econômica de Obama admite que a rápida deterioração dos maiores bancos dos EUA, o Bank of America e o Citigroup, poderá exigir muito mais dinheiro dos contribuintes, além dos mais de US$ 300 milhões já despejados nessas duas instituições financeiras e em centenas de outras.</p>
<p>Mas se tantos bilhões de dólares em novos investimentos são necessários para aprumar esses bancos, e talvez seus concorrentes, o que os contribuintes receberão em troca? E como crescem os riscos na medida em que o papel do governo se expande de apenas alguns salvamentos ao controle de uma vasta porção do setor financeiro da maior economia do mundo? O governo Obama só está fazendo referências oblíquas a essas questões. Em uma recente entrevista em um programa político, a presidente da Câmara, Nancy Pelosi, se referiu a um debate interno quando foi perguntada se a nacionalização, ainda que parcial, dos maiores bancos era uma boa ideia.</p>
<p>&#8220;Podem dar o nome que quiserem&#8221;, disse Pelosi, democrata da Califórnia. &#8220;Se nós os reforçarmos, então a população americana deverá receber parte das vantagens desse reforço. Alguns chamam isso de nacionalização. Não estou falando em propriedade total&#8221;, ela logo advertiu —e se conteve fazendo uma pergunta: &#8220;Algum dia pensamos que poderíamos usar esse termo? &#8216;Nacionalizar bancos&#8217;?&#8221;</p>
<p>Até agora, os principais assessores de Obama evitaram completamente essa palavra e ainda discutem ativamente outras alternativas, incluindo a criação de um &#8220;banco podre&#8221;, que nacionalizaria os empréstimos em moratória, tirando-os das mãos das instituições financeiras, sem realmente assumir a propriedade dos bancos. Outros falam em uma nacionalização de fato, em que o governo tem uma participação considerável nos bancos, mas não majoritária, com tudo o que isso conota.</p>
<p>Isso já aconteceu; os contribuintes hoje são os maiores acionistas do Bank of America, com cerca de 6% das ações, e do Citigroup, com 7,8%. Mas a influência do governo é muito maior do que sugerem esses números, porque ele garantiu que vai absorver os prejuízos de alguns dos ativos mais tóxicos dos bancos, cifra que poderá chegar a centenas de bilhões de dólares. Muitos acreditam que essa forma de propriedade híbrida —parte governo, parte privada— não será factível. &#8220;A tese da nacionalização total está muito mais forte hoje do que alguns meses atrás&#8221;, disse Adam Posen, vice-diretor do Instituto Peterson de Economia Internacional, instituição de pesquisa independente. &#8220;Se você não tiver a maioria, não pode demitir a direção, derrotar acionistas, declarar que vai apenas assumir os prejuízos e recomeçar.&#8221;</p>
<p>Membros da equipe econômica de Obama —entre eles Timothy Geithner, secretário do Tesouro, e Lawrence Summers, principal assessor econômico do presidente— argumentaram, durante a crise financeira asiática dos anos 1990, que os governos são péssimos administradores de bancos.</p>
<p>Os riscos da nacionalização sobre os quais eles advertiram então se aplicam igualmente aos EUA hoje. O primeiro é que a nacionalização pode ser contagiante. Se o governo encampasse o Bank of America e o Citigroup, investidores privados poderiam decidir sair de instituições como JP Morgan Chase e Wells Fargo, ou outros grandes bancos, temendo que elas sejam as próximas.</p>
<p>Além disso, assessores de Obama dizem ter consciência de que, frente à percepção de que está dirigindo bancos, o governo poderá sofrer forte pressão política para impedir falências ou para emprestar dinheiro a projetos em dificuldades nos redutos com eleitorados poderosos.</p>
<p>Mas a nacionalização talvez seja a única maneira de tirar as grandes instituições financeiras da espiral descendente. Neste momento, muitos bancos relutam em cancelar suas dívidas ruins e absorver enormes prejuízos, a menos que possam primeiro levantar capital suficiente para amortecer o golpe. Só que eles não podem atrair esse capital sem antes purgar os ativos tóxicos de seus balanços.</p>
<p>A nacionalização poderia tirar os bancos do abismo, ao menos temporariamente. Mas alguns republicanos acusariam Obama de estar levando os EUA ao socialismo. Segundo Charles Geisst, historiador financeiro do Manhattan College em Nova York, nacionalização &#8220;simplesmente não é um termo do vocabulário americano&#8221;. &#8220;Pensamos nisso como algo que os estrangeiros fazem contra nós, e não que nós fazemos&#8221;, continuou.</p>
<p>Outra opção é o governo comprar os ativos mais tóxicos dos bancos por meio de um fundo gigante ou, mais provavelmente, um &#8220;banco podre&#8221;, com apoio federal, destinado a comprar investimentos problemáticos. O problema é que daí os contribuintes deteriam todos os piores ativos dos bancos.</p>
<p>Limpar os ativos ruins sem impor um alto preço para diretores, acionistas e credores é sobre o que Summers e Geithner advertiram durante a crise asiática.</p>
<p>&#8220;Dissemos aos asiáticos que precisavam se dispor a deixar bancos e empresas falirem&#8221;, disse Jeffrey Garten, professor na Escola de Administração de Yale e integrante do governo de Bill Clinton (1993-2001). &#8220;Avisamos-lhes de que havia um grande risco moral se os governos os socorressem. E hoje estamos fazendo exatamente o contrário do que aconselhamos.&#8221;<br />
<em><br />
Colaborou Eric Dash, em Nova York</em></p>
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		<title>Para Hillary, taxação a Brasil deve se manter</title>
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		<pubDate>Fri, 16 Jan 2009 14:04:42 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Luis Favre</dc:creator>
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Decisão de Barack Obama de prorrogar permanência no País do embaixador Clifford Sobel visaria à política de biocombustíveis
Patrícia Campos Mello, WASHINGTON &#8211; O Estado SP
A futura secretária de Estado americana, Hillary Clinton, deu sinais de que o governo de Barack Obama não será favorável à eliminação das tarifas de importação sobre o etanol brasileiro. Em [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div style="text-align: center"><img src="http://www.topnews.in/usa/files/hillary-clinton.jpg" alt="http://www.topnews.in/usa/files/hillary-clinton.jpg" /></div>
<p><strong>Decisão de Barack Obama de prorrogar permanência no País do embaixador Clifford Sobel visaria à política de biocombustíveis</strong></p>
<p style="background-color: #ffff99">Patrícia Campos Mello, WASHINGTON &#8211; O Estado SP</p>
<p>A futura secretária de Estado americana, Hillary Clinton, deu sinais de que o governo de Barack Obama não será favorável à eliminação das tarifas de importação sobre o etanol brasileiro. Em perguntas enviadas pelo senador republicano Richard Lugar como parte do processo de confirmação de Hillary no cargo, a futura secretária afirmou ser &#8220;importante que a cooperação entre o Brasil e os EUA na área energética não prejudique os produtores americanos de biocombustíveis&#8221;.</p>
<p>&#8220;Queremos assegurar que a atual cooperação energética com o Brasil seja ambientalmente sustentável e espalhe os benefícios de energia alternativa na região, ao mesmo tempo em que amplie o mercado para produtores americanos de energia verde&#8221;, disse Hillary, segundo documento obtido pelo Estado. &#8220;Mas também é importante que os produtores americanos de biocombustíveis não sejam prejudicados pelos esforços para aumentar a cooperação Brasil-EUA&#8221;, disse a futura secretária de Estado.</p>
<p>Questionada por Lugar sobre a possibilidade de se estabelecer memorandos de entendimento sobre segurança alimentar, e posteriormente tratados de investimento e tributário com o Brasil, Hillary disse: &#8220;A atual relação Brasil-EUA nos dá uma base para uma relação mais aprofundada entre os dois países. Há uma série de questões em que esperamos trabalhar com nossos parceiros brasileiros para disseminar a governança democrática, oportunidade e segurança nas Américas. Eu gostaria de ter sua assessoria para identificar as áreas.&#8221;</p>
<p>O senador republicano perguntou a Hillary se o governo Obama pretende mudar sua política para a América Latina para melhorar o papel do país na região, já que os EUA vêm perdendo influência. &#8220;O presidente eleito deixou claro que após anos de pressão por reformas de cima para baixo, precisamos de uma agenda nas Américas que trabalhe para promover democracia, segurança e oportunidades de baixo para cima.&#8221; Hillary afirmou que algumas políticas do governo de George W. Bush para a região serão mantidas, mas adaptadas para &#8220;os desafios que estão surgindo&#8221;.</p>
<p>O jornal The Washington Post informou ontem que o presidente eleito prorrogou por um período ainda não definido a permanência do embaixador americano no Brasil, Clifford M. Sobel, diplomata ligado ao círculo de amigos do presidente Bush.</p>
<p>Mas o jornal não indicou as razões da decisão tomada por Obama. Aparentemente, a medida teria sido motivada, segundo o jornal, pelo desejo de que Sobel continue no posto em razão de suas boas relações com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, com quem Obama espera trabalhar em um amplo plano de cooperação energética regional.</p>
<p>Ex-membro do comitê nacional do Partido Republicano, Sobel foi uma peça fundamental na busca por um entendimento de Lula com Bush na área de biocombustíveis. Em uma reunião realizada em Washington, há dois anos, tanto o presidente brasileiro quanto o americano concordaram em adotar um plano piloto de ajuda ao desenvolvimento de tecnologia em vários países.</p>
<p><strong>DOADOR</strong></p>
<p>Sobel, identificado pelo Washington Post como &#8220;um importante doador&#8221; para campanhas de Bush, foi também embaixador dos EUA na Holanda, antes de servir no Brasil. Geralmente, os embaixadores americanos permanecem por quatro anos em seus postos. Mas quando há uma eleição presidencial nos EUA, eles costumam renunciar antes da votação para facilitar a escolha de novos representantes diplomáticos.</p>
<p>Quando o novo presidente americano aceita a renúncia, o encarregado de negócios assume provisoriamente as funções até a designação de um novo embaixador. Sobel foi nomeado em 2006 e, teoricamente, teria mais dois anos servindo no Brasil.</p>
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		<title>A lacuna de Obama</title>
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		<pubDate>Sat, 10 Jan 2009 13:16:24 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Luis Favre</dc:creator>
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Paul Krugman* &#8211; O Estado SP
&#8220;Não acredito que já seja tarde demais para mudar de rumo, mas, se não tomarmos medidas drásticas o quanto antes, isso não será mais possível. Se nada for feito, esta recessão pode durar anos.&#8221; Foi o que declarou o presidente eleito Barack Obama, na quinta-feira, explicando por que os [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p> <a href="http://blogdofavre.ig.com.br/2009/01/a-lacuna-de-obama/9216/" rel="attachment wp-att-9216" title="krugman_paul.jpg"><img src="http://blogdofavre.ig.com.br/wp-content/uploads/2009/01/krugman_paul.jpg" alt="krugman_paul.jpg" align="left" /></a><span style="background-color: #ffff99"></span></p>
<p style="background-color: #ffff99">Paul Krugman* &#8211; O Estado SP</p>
<p>&#8220;Não acredito que já seja tarde demais para mudar de rumo, mas, se não tomarmos medidas drásticas o quanto antes, isso não será mais possível. Se nada for feito, esta recessão pode durar anos.&#8221; Foi o que declarou o presidente eleito Barack Obama, na quinta-feira, explicando por que os Estados Unidos necessitam de uma resposta agressiva do governo contra o declínio econômico. Ele tem razão. Esta é a mais perigosa crise desde a Grande Depressão, e poderia facilmente se transformar num declínio prolongado.</p>
<p>Mas a receita de Obama não corresponde ao diagnóstico. O plano que ele está oferecendo não é tão forte quanto a linguagem empregada para descrever a ameaça econômica. Na verdade, fica muito aquém.</p>
<p>Levemos em consideração o tamanho da economia americana. Se houver demanda suficiente para sua capacidade produtiva, os Estados Unidos são capazes de produzir mais de US$ 30 trilhões em mercadorias e serviços nos próximos dois anos. Mas com o gasto do consumidor e o investimento das empresas em queda, abre-se uma lacuna entre aquilo que a economia americana é capaz de produzir e o que é capaz de vender. E o plano está longe de preencher essa &#8220;lacuna produtiva&#8221;.</p>
<p>Ainda esta semana, o Gabinete Orçamentário do Congresso publicou sua mais recente análise do panorama econômico e orçamentário. O gabinete afirma que, na ausência de um plano de estímulo, o desemprego superaria os 9% no início de 2010, e permaneceria alto durante anos.</p>
<p>Apesar de sombria, a projeção pode ser otimista, se comparada a algumas previsões independentes. O próprio Obama tem dito que, sem um plano de estímulo, a taxa de desemprego poderia chegar aos dois dígitos.</p>
<p>Entretanto, até o GOC diz que &#8220;a produção econômica estará, pelos próximos dois anos, em média 6,8% abaixo do seu potencial&#8221;. Isso corresponde a uma perda de US$ 2,1 trilhões na produção. &#8220;Nossa economia poderia ficar US$ 1 trilhão abaixo da sua capacidade total&#8221;, declarou Obama. Na verdade, ele estava atenuando a situação.</p>
<p>Para preencher uma lacuna de mais de US$ 2 trilhões &#8211; possivelmente muito mais, se as projeções do gabinete orçamentário se mostrarem excessivamente otimistas -, Obama oferece um plano de US$ 775 bilhões. E isso não é o suficiente.</p>
<p>Às vezes o estímulo fiscal pode ter um efeito &#8220;multiplicador&#8221;: além dos efeitos diretos de, por exemplo, um investimento na infraestrutura em demanda, pode haver um efeito indireto adicional conforme rendas maiores levarem a um maior gasto dos consumidores. Estimativas sugerem que cada dólar em gasto público aumenta o PIB em cerca de US$ 1,5.</p>
<p>Mas apenas cerca de 60% do plano é composto de gastos públicos. O restante são cortes de impostos &#8211; e muitos economistas estão céticos quanto seu impacto. O fato é que o plano não deve preencher mais do que metade da lacuna produtiva, e poderia fazer menos de um terço do necessário.</p>
<p>Por que Obama não está tentando fazer mais? Será que o plano é limitado por medo do endividamento? Há perigos associados com a contração de empréstimos do governo em larga escala &#8211; o relatório do GOC publicado esta semana projetou déficit de US$ 1,2 trilhão para este ano.</p>
<p>Mas pode ser ainda mais perigoso ficar aquém do esforço necessário para salvar a economia. O presidente eleito falou com precisão sobre as consequências da inação &#8211; existe um risco real de que escorreguemos para uma prolongada armadilha deflacionária -, mas as consequências da incapacidade de agir não são muito melhores.</p>
<p>Será que o plano é limitado por falta de oportunidades para gastar? Há apenas um pequeno número de projetos de investimento público prontos para a implementação. Mas há outras formas de gasto público que poderiam ser benéficas.</p>
<p>Ou será que o plano é limitado pela cautela política? Reportagens indicavam que os assessores de Obama estavam preocupados em manter o custo do plano abaixo da marca politicamente sensível de US$ 1 trilhão. Também foi sugerido que incluir grandes cortes de impostos para as empresas, que aumentam seu custo mas pouco ajudam a economia, seria uma tentativa de obter votos republicanos no Congresso.</p>
<p>Seja qual for a explicação, o plano não parece adequado às necessidades. É verdade que um terço é melhor do que nada. Mas, no momento, enfrentamos duas grandes lacunas econômicas: a lacuna entre o potencial da economia e o seu desempenho provável, e a lacuna entre a rigorosa retórica econômica de Obama e o seu plano um pouco desapontador&#8230;.<br />
<strong><br />
*O autor é Prêmio Nobel de Economia </strong></p>
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