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	<title>Blog do Favre &#187; Reservas</title>
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	<description>Cultura, Política, Economia, Mundo, Sociedade, Comportamento</description>
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		<title>Brasil se torna 4º maior credor dos EUA</title>
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		<pubDate>Thu, 19 Nov 2009 13:47:10 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Luis Favre</dc:creator>
				<category><![CDATA[ECONOMIA]]></category>
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		<description><![CDATA[Brasil se torna 4º maior credor dos EUA 
Investimento brasileiro em títulos americanos alcançou em setembro US$ 145 bilhões, o seu maior nível em 12 meses
Aumento das reservas e  busca por aplicações mais  seguras incentivam compra;  China, Japão e Reino Unido  são maiores credores dos EUA
 

 EDUARDO CUCOLO &#8211; FOLHA [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><span style="font-size: large;"><strong>Brasil se torna 4º maior credor dos EUA </strong></span></p>
<p><strong>Investimento brasileiro em títulos americanos alcançou em setembro US$ 145 bilhões, o seu maior nível em 12 meses</p>
<p>Aumento das reservas e  busca por aplicações mais  seguras incentivam compra;  China, Japão e Reino Unido  são maiores credores dos EUA</strong></p>
<p style="text-align: center;"><strong> </strong><img class="aligncenter" src="http://www.otempo.com.br/otempo/fotos/20090409/fotoavulsa_08042009200003.jpg" alt="http://www.otempo.com.br/otempo/fotos/20090409/fotoavulsa_08042009200003.jpg" /></p>
<p style="text-align: center;">
<h2><strong> <span style="background-color: #ffff99;">EDUARDO CUCOLO &#8211; FOLHA SP</span></strong></h2>
<p><strong></strong><br />
<span> DA SUCURSAL DE BRASÍLIA </span></p>
<p>O aumento no fluxo de dólares para o Brasil tem ajudado o  país a reforçar a sua posição como um dos maiores credores  do governo norte-americano.<br />
De acordo com o Tesouro dos  EUA, o investimento do governo brasileiro em títulos do país  alcançou em setembro o maior  nível em 12 meses. São US$ 145  bilhões que estão hoje financiando a dívida do país, o equivalente a quase dois terços das  reservas internacionais. Esse  valor coloca o Brasil como o  quarto maior credor dos EUA,  atrás apenas de China, Japão e  Reino Unido.<br />
No final do ano passado, o governo brasileiro havia reduzido  a aplicação nesses títulos, que  ficaram muito valorizados durante a fase mais aguda da crise,  quando investidores buscaram  proteção naquele que é considerado o investimento mais seguro do mundo.<br />
Ao vender esses papéis, e embolsar algum lucro, o país migrou para outras aplicações,  também consideradas seguras,  mas que pagavam juros maiores. É o caso de papéis de organismos multilaterais, como o  KfW (o BNDES alemão) e o BIS  (o BC dos bancos centrais).<br />
Apesar do aumento em termos absolutos, percentualmente, o país ainda está distante do recorde alcançado em junho de 2008. Na época, o Brasil aplicava 80% das suas reservas em títulos dos EUA. O governo buscava, naquele momento, tirar o dinheiro dos bancos internacionais, que já enfrentavam problemas de solvência.<br />
Uma das explicações para esse aumento nas compras é o  crescimento das reservas internacionais, que estão hoje no patamar recorde de US$ 235 bilhões. As reservas funcionam  como uma garantia para o país  em momentos de crise. Graças  a esse dinheiro, o Brasil deixou  de ser um devedor e é hoje credor em moeda estrangeira.<br />
Além dos papéis dos EUA, o  BC -que administra as reservas internacionais- mantém  esse dinheiro aplicado em bancos estrangeiros e em ativos como o ouro. Há ainda os recursos que estão no FMI -hoje o  país é credor do Fundo em mais  de US$ 5 bilhões.<br />
Ao contrário do Brasil, outros grandes credores mantiveram, e até aumentaram, essas  aplicações em papéis dos EUA  no momento mais agudo da crise. O Reino Unido, por exemplo, mais que dobrou sua participação nos últimos 12 meses.  Ultrapassou a posição brasileira em março deste ano, quando  o Brasil chegou a ficar atrás da  Rússia também. O Japão também aumenta gradativamente  suas aplicações.<br />
A China, maior credor dos  EUA, tem mantido o seu nível  de investimento estável nos últimos meses. O país asiático  possui hoje cerca de US$ 800  bilhões nos papéis, o que representa quase 25% da dívida americana em títulos nas mãos de  países estrangeiros.</p>
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		<title>Diagnóstico correto da crise permitiu reação adequada</title>
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		<pubDate>Mon, 16 Nov 2009 14:52:59 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Luis Favre</dc:creator>
				<category><![CDATA[ECONOMIA]]></category>
		<category><![CDATA[BC]]></category>
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		<description><![CDATA[EDITORIAL DO JORNAL VALOR
A realidade da crise que se abateu sobre o Brasil, a partir da turbulência financeira internacional, foi muito mais sombria do que o discurso oficial fazia crer. A economia brasileira assistiu a uma corrida bancária em outubro de 2008, sofreu um ataque especulativo em dezembro daquele ano e, por muito pouco, não [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<h2><span style="background-color: #ffff99;">EDITORIAL DO JORNAL VALOR</span></h2>
<p>A realidade da crise que se abateu sobre o Brasil, a partir da turbulência financeira internacional, foi muito mais sombria do que o discurso oficial fazia crer. A economia brasileira assistiu a uma corrida bancária em outubro de 2008, sofreu um ataque especulativo em dezembro daquele ano e, por muito pouco, não viu a ruína de suas maiores empresas exportadoras, envolvidas com operações cambiais especulativas. Estas e outras histórias foram reveladas com exclusividade, pelo Valor, na edição de sexta-feira.</p>
<p>Até então, o que se sabia é que, do lado financeiro, ocorreu uma crise de liquidez nos mercados e, do lado real da economia, uma parada súbita no crescimento, provocando uma recessão que durou dois trimestres. Agora, sabe-se que a crise foi muito mais séria do que se imaginava.</p>
<p>Se a gravidade dos fatos foi bem além do triunfalismo adotado em Brasília, as informações agora divulgadas também mostram que o governo, por meio do Banco Central (BC) e do Ministério da Fazenda, soube enfrentar aquela que é considerada a crise financeira mais grave desde a Grande Depressão de 1929. Mesmo exibindo fundamentos sólidos, o Brasil escapou de uma ruptura que poderia ter desorganizado a economia, solapando as conquistas obtidas nos últimos anos.</p>
<p>Desde o início da fase aguda da crise global, deflagrada pela quebra do banco americano Lehman Brothers, sabia-se que os fatores que provocaram a turbulência lá fora não estavam presentes na economia brasileira. Os países avançados viviam, desde julho do ano anterior, os efeitos danosos de uma crise de crédito. Seus bancos, abarrotados de créditos podres, se tornaram frágeis da noite para o dia, enquanto, aqui, os bancos gozavam de saúde financeira invejável.</p>
<p>Apesar disso, o Brasil sofreu um contágio inesperado. O sufoco começou com grandes empresas exportadoras, que haviam feito apostas no mercado futuro de câmbio. A suposição era a de que o real se valorizaria de forma permanente frente ao dólar. O problema é que, depois da quebra do Lehman, os investidores estrangeiros tiraram seus recursos do país para cobrir prejuízos em suas nações de origem. O movimento provocou desvalorização abrupta do real.</p>
<p>A partir daí, houve um efeito-dominó. As linhas de financiamento do comércio exterior secaram. Internamente, os bancos cortaram o crédito. Os investidores, por sua vez, trataram de resgatar antecipadamente papéis emitidos por bancos pequenos e médios, criando um problema sério no caixa dessas instituições. O pânico se generalizou.</p>
<p>Em consequência desses fatos, em apenas uma semana de outubro do ano passado houve migração de R$ 40 bilhões em depósitos dos bancos menores para os estatais, como o Banco do Brasil e a Caixa Econômica Federal. O diretor de política monetária do BC, Mário Torós, qualificou esse momento como o mais grave da crise. De fato, se o governo não tivesse agido rapidamente e de forma eficaz, o país poderia ter sofrido uma crise bancária.</p>
<p>Mas os problemas prosseguiram. No dia 5 de dezembro, um fundo de hedge americano liderou um ataque especulativo contra o real, apostando que o problema dos derivativos ainda não tinha sido solucionado. O BC, depois de muito custo, descobriu que a posição especulativa das companhias exportadoras montava a US$ 38 bilhões (cerca de 18% das reservas cambiais na ocasião).</p>
<p>A reação do governo se mostrou acertada porque o diagnóstico estava correto: a crise no Brasil era de liquidez e não de crédito. As iniciativas foram na direção de normalizar o funcionamento dos mercados de real e dólar. Num segundo momento, procurou-se resolver a escassez de crédito, decorrente das incertezas dos agentes financeiros. Colocou-se em prática, inclusive, uma medida ousada &#8211; usar as reservas cambiais para financiar os exportadores.</p>
<p>É importante verificar que, enquanto o BC atuou na linha de frente, combatendo a crise de liquidez, o Ministério da Fazenda trabalhou na retaguarda, adotando medidas que ajudaram a economia real a voltar a funcionar. Para esse propósito, foram cruciais as desonerações de impostos, além dos aportes de recursos do Tesouro para o BNDES, cuja carteira de crédito vem batendo recordes sucessivos.</p>
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		<title>&#8220;Há entusiasmo incontido no câmbio&#8221;</title>
		<link>http://blogdofavre.ig.com.br/2009/11/15826/</link>
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		<pubDate>Mon, 09 Nov 2009 11:57:19 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Luis Favre</dc:creator>
				<category><![CDATA[ECONOMIA]]></category>
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		<description><![CDATA[Regulador: Henrique Meirelles diz ver excesso de euforia também na bolsa, mas não necessariamente uma bolha




Peter MacDiarmid/Getty Images

 O presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, afirma que o crescimento de 8% do PIB é insustentável e deve se estabilizar em patamar mais baixo




Sergio Lamucci e Cristiano Romero, de Londres &#8211; VALOR
O ritmo de crescimento da [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><strong>Regulador: Henrique Meirelles diz ver excesso de euforia também na bolsa, mas não necessariamente uma bolha<br />
</strong></p>
<p><strong><br />
</strong></p>
<p style="text-align: center;">
<p style="text-align: center;"><span style="font-size: x-small;"><em>Peter MacDiarmid/Getty Images<br />
</em></span><img src="http://www.valoronline.com.br/imagens/impresso/ed_0002380/imagens/foto09fin-meidrelles-c8.jpg" border="0" alt="Foto Destaque" /><br />
<span style="font-size: x-small;"><em> O presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, afirma que o crescimento de 8% do PIB é insustentável e deve se estabilizar em patamar mais baixo</em></span></p>
<p style="text-align: center;"><span style="font-size: x-small;"><em><br />
</em></span></p>
<p><em><br />
</em></p>
<h2><span style="background-color: #ffff99;">Sergio Lamucci e Cristiano Romero, de Londres &#8211; VALOR</span></h2>
<p>O ritmo de crescimento da economia brasileira exibido no segundo e no terceiro trimestres, na casa de 8% em termos anualizados, é &#8220;insustentável&#8221;, devendo arrefecer no próximo ano, avalia o presidente do Banco Central (BC), Henrique Meirelles. Segundo ele, as previsões do mercado apontam para uma expansão entre 4,5% e 5% em 2010, o que sugere estabilização da taxa anualizada num número menor que os 7,8% observados no segundo trimestre e os cerca de 8% esperados para o terceiro.</p>
<p>&#8220;É normal que esse processo se estabilize num ritmo menor e mais sustentável&#8221;, disse Meirelles em entrevista exclusiva ao Valor na sexta-feira. No fim de semana, ele participou da reunião do G-20 financeiro, em Edimburgo, na Escócia.</p>
<p>O presidente do BC ressaltou a importância da recuperação do investimento, que deve fechar 2009 com retração superior a dois dígitos. &#8220;Não há dúvida de que é muito importante a retomada dos investimentos, que os empresários se antecipem à demanda futura, não esperando que o uso da capacidade atinja o limite&#8221;, afirmou ele.</p>
<p>O presidente do BC acredita, no entanto, que os investimentos serão feitos. Ele observou, mencionando previsão do BNDES, que a formação bruta de capital fixo (medida do que se investe na construção civil e em máquinas e equipamentos) deve avançar com força em 2010, ajudando a impulsionar o PIB.</p>
<p>Meirelles foi cauteloso ao falar da formação de bolhas de ativos no Brasil e no exterior. Disse que existe, no mercado brasileiro, &#8220;excesso de euforia&#8221; na bolsa e no mercado de câmbio. Ele não crê, porém, que esteja se formando uma bolha especulativa no segmento de commodities e acha que uma perturbação dos mercados, lá fora, dependerá principalmente da ação do Federal Reserve (o BC dos Estados Unidos) nos próximos meses e da implementação, ou não, das medidas prudenciais que estão sendo recomendadas pelo G-20 após a recente crise mundial.</p>
<p align="justify"><strong>Valor:</strong> <em>Robert Shiller (autor do livro &#8220;Exuberância Irracional&#8221;) diz que há uma nova bolha no mundo, o eco da bolha anterior. Como o sr. avalia esse fenômeno?</em></p>
<p align="justify"><strong>Henrique Meirelles: </strong> O Federal Reserve, numa escala maior, e alguns outros bancos centrais, em escala menor, estão em meio a uma política expansionista, visando combater a crise. Essa política tem um componente quantitativo &#8211; a compra de títulos, a compra de crédito etc &#8211; que aumenta o tamanho do balanço do Fed e dos outros BCs, e também uma taxa básica em algumas situações muito próxima de zero. Dentro de um processo de alta liquidez, é esperado que aconteça alguma distorção na formação de preços de ativos. Isso pode levar à supervalorização de alguns ativos. A questão é saber se o Fed e os outros BCs, mas principalmente o Fed, vão começar a fazer um processo de saída dessas medidas a tempo de não permitir o prosseguimento da sobrevalorização de ativos, o que, aí sim, poderia ter consequências para a economia.</p>
<p align="justify"><strong>Valor:</strong> <em>Que tipo de bolha temos neste momento?</em></p>
<p align="justify"><strong>Meirelles: </strong> Há três tipos de bolhas, com componentes concomitantes e similares, mas com algumas características diferentes. A primeira, e que é a mais perigosa e que causa mais prejuízos, é a bolha de crédito. Um exemplo clássico disso foi a bolha no mercado imobiliário e do mercado de crédito nos Estados Unidos. Toda a sociedade americana estava superalavancada. O segundo tipo são as bolhas que surgem e são corrigidas a tempo. Isto é, se o processo que conduziu à bolha, como uma expansão monetária, é corrigido a tempo, há um processo de correção. Os prejuízos ficam para os investidores.</p>
<p align="justify"><strong>Valor:</strong> <em>É uma bolha de ativos?</em></p>
<p align="justify"><strong>Meirelles: </strong> Ambas são bolhas de ativos, mas uma não é relacionada a uma bolha de crédito e não tem uma duração muito prolongada. O terceiro tipo de bolha é um intermediário. Não é uma bolha de crédito, mas é resultado de uma expansão monetária um pouco maior do que seria desejável. Esta causa um pouco mais de prejuízo, apesar de não ser tão grave como a bolha de crédito. No presente momento, há um risco, porque não se sabe até que ponto as novas regras prudenciais, em desenvolvimento pelo Conselho de Estabilidade Financeira por recomendação do G-20, para serem implementadas pelo Comitê da Basileia, serão aplicadas por todos os países relevantes a tempo, principalmente pelos EUA, e até que ponto isso poderia prevenir uma bolha de crédito, a mais grave. Existe esse risco, mas não quer dizer que vá acontecer.</p>
<p align="justify"><strong>Valor:</strong> <em>Onde está o risco?</em></p>
<p align="justify"><strong>Meirelles: </strong> A situação dos EUA é um pouco mais complicada porque eles têm mais de um regulador e mais de um supervisor. Não é apenas dizer que o Fed tem que fazer isso ou aquilo. As bolhas que não são as de crédito vão depender do quão cedo o Fed vai retirar seus mecanismos de estímulo. Acredito que os alertas dos BCs são úteis. Não apenas as autoridades monetárias e prudenciais dos diversos países devem saber dos riscos, mas também e principalmente os investidores. São eles que conduzem à formação de bolhas.</p>
<p align="justify"><strong>Valor:</strong> <em>Shiller diz que há uma bolha no mercado de commodities. Além disso, a bolsa brasileira teve valorização em dólar superior a 130% este ano. Que riscos o Brasil corre?</em></p>
<p align="justify"><strong>Meirelles: </strong> Bolhas de crédito no Brasil não existiram e não serão permitidas por este Banco Central; 95% da regulamentação que será proposta pela Basileia já está aplicada e implementada no Brasil. Essa primeira incerteza quanto à implementação de novas regras prudenciais não existe no Brasil. O que vier a faltar será implementado imediatamente. Em relação às commodities, uma das coisas mais difíceis da análise econômica é definir quando existe ou não uma bolha. Este foi o grande problema dos últimos anos. É por isso que a regra prudencial é importante no caso do crédito, porque você define claramente normas para prevenir a bolha, e no crédito você tem critérios mais quantitativos.</p>
<p align="justify"><strong>Valor:</strong> <em>Por que no caso das commodities é mais difícil enxergar uma bolha?</em></p>
<p align="justify"><strong>Meirelles: </strong> Definir o preço adequado para commodities, num mundo em transformação como este, com a incorporação da massa de consumidores asiáticos no mercado e com a alta demanda, é difícil. Não dá para saber se os preços já estão acima de um nível mais sustentável ou não. Antes da crise, o petróleo chegou a atingir quase o dobro do preço atual. É difícil afirmar o quanto disso é resultado de movimento especulativo e o quanto é simplesmente um aumento da demanda. O Fed está afirmando que não vai permitir um surto inflacionário nos EUA. Mas, como existe incerteza, alguns investidores estão procurando diversificar suas aplicações. Isso significa euro, commodities, outras formas de ativos, moedas de economias sólidas. Uma parte disso de fato está ocorrendo, mas é difícil e um pouco prematuro dizer que existe uma bolha de commodities. A bolha você só conhece se e quando ela estoura.</p>
<p align="justify"><strong>Valor:</strong> <em>Uma alta das bolsas muito forte, e não apenas no Brasil, num intervalo tão pequeno, não caracteriza de algum modo uma bolha?</em></p>
<p align="justify"><strong>Meirelles: </strong> Pode caracterizar ou não. É normal que tenhamos em momentos de saída de crise movimentos de valorização muito acentuados. Nós tivemos isso na década de 30 e em outras saídas de crise. Muitas vezes, isso é prematuro. O mercado, tentando antecipar uma recuperação, move-se um pouco antes da hora e às vezes há movimentos de correção. O mercado internacional está tentando se situar a esse respeito e isso explica a volatilidade. O que temos alertado, e diversos bancos centrais estão fazendo isso, bem como outras autoridades econômicas brasileiras, é sobre sinais de possíveis componentes de euforia.</p>
<p align="justify"><strong>Valor:</strong> <em>Por exemplo?</em></p>
<p align="justify"><strong>Meirelles: </strong> Movimentos de investidores que caracterizam pouca análise, um certo comportamento de manada. O alerta contra a euforia é importante, contra aquilo que se chamou no passado de &#8220;exuberância irracional&#8221;, para que se evite que se chegue na bolha. Mas isso não quer dizer que já esteja num patamar de bolha.</p>
<p align="justify"><strong>Valor:</strong> <em>O excesso de euforia no Brasil está restrito ao mercado acionário?</em></p>
<p align="justify"><strong>Meirelles: </strong> Está ocorrendo um pouco também no mercado de câmbio. Quando converso com investidores do mundo todo, começo a ver um clima de entusiasmo incontido.</p>
<p align="justify"><strong>Valor:</strong> <em>O senhor viu isso no seminário Financial Times/Valor?</em></p>
<p align="justify"><strong>Meirelles: </strong> Não vi no seminário nenhum sinal de exuberância irracional. As manifestações me pareceram muito sólidas. Principalmente porque foram feitas por investidores de longo prazo no Brasil. São empresas que estão no país há décadas e estão dizendo que acreditam no seu futuro. Isto é extremamente saudável.</p>
<p align="justify"><strong>Valor:</strong> <em>Mas o que preocupa, então?</em></p>
<p align="justify"><strong>Meirelles: </strong> Os movimentos que possam levar a distorções de preços, gerar correção. É um alerta que o BC fez há vários meses e que outros bancos centrais estão fazendo. Uma preocupação global.</p>
<p align="justify"><strong>Valor:</strong> <em>Depois das crises, os BCs passaram a olhar não apenas os índices de preços, mas também a inflação de ativos. O BC brasileiro também está fazendo isso?</em></p>
<p align="justify"><strong>Meirelles: </strong> Estamos falando de diversos tipos de ativos. Uns são ativos cujo componente preço é diretamente relacionado a um crédito concedido para comprar esses ativos. Nesse caso, há muita confusão quando se fala, por exemplo, da crise japonesa dos anos 80 e 90.</p>
<p align="justify"><strong>Valor:</strong> <em>Por quê?</em></p>
<p align="justify"><strong>Meirelles: </strong> Um dos grandes impulsos do mercado acionário japonês foi a compra de ações pelos bancos, financiada por depósitos, como aconteceu nos EUA na década de 20. Apesar de ter ocorrido no mercado de ações, aquela bolha foi muito impulsionada pelo crédito, o que é diferente de simplesmente o investidor, com dinheiro real, apostar o seu capital. Isso é diferente de o banco comprar ação ou financiar diretamente o especulador.</p>
<p align="justify"><strong>Valor:</strong> <em>Essa dinâmica se repetiu nos EUA na recente crise?</em></p>
<p align="justify"><strong>Meirelles: </strong> Sim. O sistema financeiro americano financiou a bolha imobiliária, como uma bolha de crédito. Adotaram-se critérios de concessão de crédito excessivamente liberais. Isto, o BC brasileiro monitora com rigor.</p>
<p align="justify"><strong>Valor:</strong> <em>Como?</em></p>
<p align="justify"><strong>Meirelles: </strong> O componente preço se torna importante na medida em que ele passa a ser relevante como garantia do crédito. Ou seja, o BC olha prudencialmente o mercado de crédito. Não pode estar tentando controlar os preços da economia. O BC olha o crédito e o componente preço na garantia do crédito. Nos EUA, os bancos financiaram fortemente os ativos, os preços ficaram inflacionados, os valores dos empréstimos também inflaram, as garantias caíram de preço radicalmente e os bancos quebraram.</p>
<p align="justify"><strong>Valor:</strong> <em>O senhor disse que a apreciação do câmbio tem um componente de euforia. Deve-se tentar conter esse movimento?</em></p>
<p align="justify"><strong>Meirelles: </strong> O sobrepreço ou o movimento especulativo, qualquer que seja ele, leva a uma correção. Cedo ou tarde. No caso do câmbio no Brasil, isso vai ficar claro ao longo do tempo através dos números de conta corrente, investimento estrangeiro direto. Quando a economia estiver em pleno processo de consolidação de uma recuperação já ocorrida, caso tenha havido sobrepreço, como muitos analistas dizem que há, então, teremos um processo de correção.</p>
<p align="justify"><strong>Valor:</strong> <em>O que o BC pretende fazer?</em></p>
<p align="justify"><strong>Meirelles: </strong> O que o BC faz são intervenções, visando evitar distorções na formação de preços.</p>
<p align="justify"><strong>Valor:</strong> <em>Por exemplo?</em></p>
<p align="justify"><strong>Meirelles: </strong> Excesso ou falta momentânea de liquidez pode gerar distorções de preços importantes. Um exemplo ocorreu no fim do ano passado. Por razões diversas, principalmente nos mercados futuros, por causa do problema dos derivativos, faltou liquidez e isso levou a uma sobredesvalorização do real. Claramente, houve uma distorção grande na formação de preço, então, o BC entrou vendendo reservas e dólares no mercado futuro. Neste ano, configurou-se em alguns momentos um problema de liquidez por excesso de entrada de recursos. Houve um dia em que o BC comprou bilhões de dólares, o que significa que o BC também interveio naquele momento para evitar uma distorção na formação de preço. Isto se conjuga com a política do BC de tirar partido dessa mudança de liquidez em dólares, que tem prevalecido na economia brasileira nos últimos anos, para acumular reservas e reforçar a capacidade de resistência do país a crises.</p>
<p align="justify"><strong>Valor:</strong> <em>É justificável continuar acumulando reservas?</em></p>
<p align="justify"><strong>Meirelles: </strong> Sim. A crise mostrou que mais reservas é melhor do que menos. Num quadro de excesso de liquidez em dólar, no momento em que o Fed fizer a saída do processo (de estímulo monetário), teremos talvez uma certa reversão, e aí será muito importante termos reservas para evitar crises de liquidez. Então, é altamente conveniente acumular reservas.</p>
<p align="justify"><strong>Valor:</strong> <em>O Brasil cresceu 7,8% no segundo trimestre e, agora, há analistas prevendo alta anualizada de mais de 8% no terceiro. Esse crescimento é sustentável?</em></p>
<p align="justify"><strong>Meirelles: </strong> Estamos falando de duas previsões. Da previsão de crescimento, a taxas anualizadas, do terceiro trimestre, e das previsões de crescimento para 2010. Se olharmos as duas, com o mercado prevendo algo entre 4,5% e 5% para o ano que vem e essa previsão de 8% para o terceiro trimestre, então, não é sustentável. As previsões estão dizendo que não. Essa taxa anualizada deve se estabilizar num número menor; 4,5% a 5% é diferente de 8%, o que é normal na medida em que o Brasil saiu da crise rapidamente e entrou em processo de recuperação. É normal que esse processo se estabilize num ritmo menor e mais sustentável.</p>
<p align="justify"><strong>Valor:</strong> <em>Apesar desse crescimento, os investimentos não estão voltando aos níveis pré-crise. Não estão atrasados?</em></p>
<p align="justify"><strong>Meirelles: </strong> Não há dúvida de que é muito importante a retomada dos investimentos, que os empresários se antecipem à demanda futura, não esperando que o uso da capacidade atinja o limite. Os investimentos estão sendo retirados das gavetas. A previsão do BNDES é que a Formação Bruta de Capital Fixo do ano que vem deve crescer muito e ser, inclusive, um dos impulsos ao crescimento. É um alerta válido aos empresários: &#8220;corram e não fiquem atrasados&#8221;.</p>
<p align="justify"><strong>Valor:</strong> <em>Os empresários não estariam ressabiados, preocupados com a possibilidade de uma nova recessão mundial?</em></p>
<p align="justify"><strong> Meirelles: </strong> Não acredito. Os índices de confiança empresarial da FGV mostram recordes históricos, inclusive, com algo muito importante que é o fato de o índice de confiança estar acima da média histórica em todos os setores. Isso é que determina investimento. Apesar de existir uma preocupação com o cenário externo, a dúvida está muito mais relacionada a quem é dependente de exportação. As indústrias que podem direcionar a produção para o mercado doméstico estão mais otimistas.</p>
<p align="justify"><strong>Valor:</strong> <em>O aquecimento do mercado de trabalho tem sido um impulso mais forte do que a ocupação de capacidade ociosa na indústria?</em></p>
<p align="justify"><strong>Meirelles: </strong> Vamos aguardar porque são vários fenômenos. Um deles é que a empregabilidade aumentou numa parte do setor industrial, mas não atingiu ainda o mesmo nível em que estava no ano passado. Uma boa parte dessa redução do desemprego se deu na construção civil, que tem nível salarial médio menor. E o crescimento desse setor tende a se estabilizar conforme o índice de construção entre no ritmo do estímulo. Estamos num momento de avaliação.</p>
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		<title>&#8221;Brasil pode ter de subir o IOF para 4% ou 5%&#8221;</title>
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		<pubDate>Sun, 01 Nov 2009 14:30:55 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Luis Favre</dc:creator>
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Economista diz que a crise enterrou princípios do neoliberalismo e que o FMI deveria ajudar os países a taxar o capital estrangeiro

Patrícia Campos Mello, CORRESPONDENTE, WASHINGTON &#8211; O Estado SP


// 
Entrevista
John Williamson: economista, criador da expressão &#8220;Consenso de Washington&#8221;
John Williamson, o economista que cunhou a expressão &#8220;Consenso de Washington&#8221;, diz que o Brasil deve elevar [...]]]></description>
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<p><strong>Economista diz que a crise enterrou princípios do neoliberalismo e que o FMI deveria ajudar os países a taxar o capital estrangeiro</strong></div>
<div>
<h2><span style="background-color: #ffff99;">Patrícia Campos Mello, CORRESPONDENTE, WASHINGTON &#8211; O Estado SP</span></h2>
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</span></p>
<p><script type="text/javascript">// <![CDATA[
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<div id="corpoNoticia"><strong>Entrevista<br />
John Williamson: economista, criador da expressão &#8220;Consenso de Washington&#8221;</strong></p>
<p>John Williamson, o economista que cunhou a expressão &#8220;Consenso de Washington&#8221;, diz que o Brasil deve elevar o imposto sobre capital estrangeiro para 4% ou 5% e afirma que a crise financeira enterrou de vez muitos dos princípios do chamado neoliberalismo &#8211; principalmente a ideia de que controle de capital é uma heresia. Williamson diz que o Fundo Monetário Internacional (FMI) erra ao condenar a taxa brasileira.</p>
<p>&#8220;O FMI deveria é assessorar os países com ideias para tornar os controles de capital mais eficientes&#8221;, disse Williamson em entrevista ao Estado, da sede do Instituto Peterson de Economia Internacional. Segundo ele, no Brasil, a alíquota de 2% do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) para o capital estrangeiro &#8220;é parcialmente eficiente&#8221;, então &#8220;pode ser necessário elevar o imposto para 4% ou 5%&#8221;. Em artigo publicado no Financial Times, Williamson e seu colega Arvind Subramanian, do Peterson, criticam o Fundo por ter desaprovado o IOF.</p>
<p>O FMI disse que o imposto iria funcionar apenas temporariamente, porque eventualmente os investidores acham maneiras de burlar esses controles de capital. E não iria adiantar muita coisa se o Brasil não adotasse reformas e apertasse a política fiscal. Para Williamson, o imposto faz parte de um arsenal importante de que os países emergentes dispõem para lidar com excesso de fluxos de capital e superaquecimento da economia.</p>
<p>A seguir, os principais trechos da entrevista.</p>
<p><strong>O sr. acha que foi inadequada a reação do FMI ao imposto sobre capital estrangeiro adotado pelo Brasil? Restrições de capital ainda são inaceitáveis?</strong></p>
<p>Ainda é importante ser &#8220;amigável ao mercado&#8221;, mas os países não devem mais ser dominados ou aceitar de forma passiva o julgamento do mercado, e isso ficou muito claro com a crise. O modelo que era visto como sacrossanto antes da crise asiática, que pregava a mobilidade de capitais, começou a mudar depois da crise da Ásia e completou sua transformação nessa crise.</p>
<p><strong>Quais outros princípios do chamado <em>Consenso de Washington</em>, ou do que ficou conhecido como tal, mudaram por causa da crise?</strong></p>
<p>Hoje se reconhece que há espaço para políticas keynesianas em tempos keynesianos, quando a economia está sofrendo de demanda agregada inadequada. E é necessário estatizar algumas coisas &#8211; privatização era uma das palavras de ordem do Consenso. Em alguns momentos, é preciso engatar uma marcha à ré nas privatizações. A ideia de que o melhor Estado é o mínimo foi enterrada para sempre.</p>
<p><strong>O FMI continua não endossando políticas de restrição de capitais.</strong></p>
<p>É um erro o FMI adotar essa postura fria e reservada. O Fundo deveria é assessorar os países sobre as formas mais eficientes de taxar o capital estrangeiro. Deveriam ajudar os países a implementar esse imposto e achar outras maneiras de desencorajar fluxos de capital. Ficar simplesmente dizendo que taxa sobre capital estrangeiro não é uma boa ideia, e dizer que o país tem que fazer todas essas coisas grandiosas antes, como restringir a política fiscal, isso não funciona.</p>
<p><strong>O sr. acha que essa taxa pode ser eficiente, ou é legítima a crítica de que os investidores sempre acham maneiras de burlar esses controles?</strong></p>
<p>É verdade que há maneiras de burlar. A taxa é parcialmente eficiente.</p>
<p><strong>Mas, se é parcialmente eficiente, mesmo assim vale a pena manter o imposto?</strong></p>
<p>Em vez de ter um imposto de 2%, pode ser necessário elevar a taxa a 4% ou 5% no Brasil.</p>
<p><strong>Mas isso não espantaria demais os investidores?</strong></p>
<p>Se os investidores querem ir para o Brasil, eles estão dispostos a pagar. Eu não vejo (essa elevação de taxa) como um ato muito hostil.</p>
<p><strong>O Fundo diz que, com o IOF, o governo brasileiro pode se sentir tentado a adiar algumas reformas necessárias.</strong></p>
<p>Isso é bobagem, pode-se fazer reformas ao mesmo tempo em que se adotam controles de capital.</p>
<p><strong>E o Fundo diz também que esses controles de capital dificilmente vão ser muito eficazes se o Brasil não apertar sua política fiscal e baixar os juros.</strong></p>
<p>De fato, provavelmente está na hora de o Brasil começar a desfazer suas políticas de expansão fiscal. Foi adequado adotar essas medidas no ano passado porque o mundo vivia uma recessão e havia grande perigo, então era necessário ter política fiscal expansionista. Mas agora chegou a hora de o Brasil começar a reduzir gastos do governo e, idealmente, ter um superávit nominal, não apenas primário.<br />
<strong><br />
Na reunião anual do FMI em Istambul, havia uma discussão forte sobre a necessidade de o Brasil deixar de acumular reservas e manter um pequeno déficit em conta-corrente. Esse seria o papel do País no processo de correção dos desequilíbrios globais. Mas muitos não concordam com essa ideia, já que o colchão de reservas ajudou o País a sobreviver melhor à crise. O que o sr acha?</strong></p>
<p>Obviamente, há necessidade de um reequilíbrio global, mas não significa que países como o Brasil precisem parar de aumentar suas reservas. Eu não sei se é o melhor uso para os recursos do Brasil aumentar ainda mais o nível de reservas. Mas o principal problema é a China. E o Brasil deveria manter um déficit em conta corrente pequeno e o nível de reservas constante, talvez aumentando um pouco.</p>
<p><strong>O sr. afirma que os países devem ter um arsenal de políticas contracíclicas para lidar com as crises.</strong></p>
<p>Todos os países se beneficiariam de políticas contracíclicas. Mas é importante notar que só se pode iniciar uma política contracíclica na boa fase do ciclo, no alto. É preciso começar a economizar para poder gastar depois. Então agora é um ótimo momento para o Brasil começar.</p>
<p><strong>Há a percepção de que haverá maior expansão na política fiscal em 2010, ano de eleições.</strong></p>
<p>Já tem havido expansão demais na política fiscal no Brasil e seria ótimo se os gastos do governo caíssem, mas isso é pedir demais em ano de eleição. Só esperemos que a situação não piore.</p></div>
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		<title>Os limites para a valorização do real</title>
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		<pubDate>Fri, 16 Oct 2009 12:49:53 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Luis Favre</dc:creator>
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Maria Cristina Pinotti e Affonso Celso Pastore &#8211; VALOR
Passada a fase mais aguda da crise, voltamos a assistir a uma onda de valorização do câmbio real. Atualmente o câmbio real no Brasil, corretamente calculado para refletir o conceito de preço relativo entre bens internacionais e domésticos, está muito próximo do nível mais valorizado desde que [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img class="alignleft" src="http://www.valoronline.com.br/imagens/colunistas/COL-MARIA_CRISTINA_PINOTTI.jpg" border="0" alt="Colunista" /><a href="http://images.google.fr/imgres?imgurl=http://www.bmf.com.br/portal/pages/Congresso/2003/images/foto_AfonsoCPastore.jpg&amp;imgrefurl=http://blogdofavre.ig.com.br/tag/reservas/&amp;usg=__dyYRlfk85OhUeqHz11TFZxqYumw=&amp;h=152&amp;w=118&amp;sz=10&amp;hl=pt-BR&amp;start=12&amp;um=1&amp;tbnid=5svCVSIOhryBLM:&amp;tbnh=96&amp;tbnw=75&amp;prev=/images%3Fq%3DAffonso%2BCelso%2BPastore%26hl%3Dpt-BR%26rlz%3D1B3GGGL_frUS225BR226%26sa%3DN%26um%3D1"><img class="alignleft" style="border: 1px solid;" src="http://t2.gstatic.com/images?q=tbn:5svCVSIOhryBLM:http://www.bmf.com.br/portal/pages/Congresso/2003/images/foto_AfonsoCPastore.jpg" alt="" width="52" height="65" /></a></p>
<h2 style="text-align: left;"><span style="background-color: #ffff99;">Maria Cristina Pinotti e Affonso Celso Pastore &#8211; VALOR</span></h2>
<p>Passada a fase mais aguda da crise, voltamos a assistir a uma onda de valorização do câmbio real. Atualmente o câmbio real no Brasil, corretamente calculado para refletir o conceito de preço relativo entre bens internacionais e domésticos, está muito próximo do nível mais valorizado desde que se iniciou o regime de flutuação cambial, em 1999.</p>
<p>Por que o câmbio real teima em se valorizar? A explicação repousa no aumento da capacidade de o país atrair capitais, cujos ingressos se acentuaram nos últimos meses. Mas o Brasil não está sendo vítima do monstro representado pelos capitais especulativos, de curto prazo, que seriam atraídos pelo diferencial de taxa de juros, que ainda é alto, e sim beneficiando-se predominantemente do ingresso dos capitais que buscam aplicações em investimentos diretos ou na bolsa de valores, ajudando a financiar a expansão da capacidade produtiva. Os investimentos estrangeiros líquidos no Brasil, que acumularam nos últimos 12 meses mais de US$ 35 bilhões, superaram a cifra bruta ocorrida no auge do programa de privatizações no governo FHC, crescendo durante a crise.</p>
<p>Por trás dessa atração está um diferencial, mas não das taxas de juros, e sim das taxas de crescimento econômico. O Brasil crescerá em 2010 mais do que a média das economias industrializadas (EUA, Europa e Japão). Isso exerce forte estímulo aos investimentos estrangeiros diretos e em portfólio de renda variável &#8211; ações. A prescrição de que baixando a taxa de juros os ingressos de capitais cairiam é falsa, porque esses capitais estão sendo atraídos pelo crescimento econômico brasileiro. Da mesma forma, há um claro custo em controlar os ingressos desses capitais, porque esse controle reduziria as fontes de financiamento aos investimentos em capital fixo, baixando a taxa de crescimento econômico.</p>
<p>Ao lado da expansão do consumo das famílias, que está atualmente por trás da retomada do crescimento, há claras indicações de que assistiremos, ao longo dos próximos 12 a 18 meses, uma significativa elevação dos investimentos. Superávits nas contas correntes, como os ocorridos em torno de 2005 são eventos raros na economia brasileira, e sempre estão associados a fases de queda nos investimentos em capital fixo. Quando a economia entra em uma fase de crescimento acelerado, como a que atualmente vem entrando, elevando os investimentos, surgem déficits, que historicamente já chegaram a superar 5% do PIB, como na segunda metade da década de 1970 e início da década de 1980, ou fixaram-se em torno de 4% do PIB, com em torno do ano 2000. Estamos começando a assistir um período de queda nos superávits comerciais e de forte elevação no déficit em contas correntes.</p>
<p>A taxa de crescimento econômico em 2010 facilmente poderá superar a marca de 5% ou mesmo de 5,5%. Com todo esse vigor de crescimento, as importações crescerão bem mais do que indicam todas as projeções atuais, e embora os déficits nas contas correntes não cheguem de imediato aos níveis comparáveis aos maiores citados acima, podem chegar entre 2,5% a 3% do PIB, superando US$ 45 bilhões. Por que esta previsão sobre o comportamento das importações? Mais de 70% das importações brasileiras são matérias-primas para a indústria e bens de capital. A crise atingiu o Brasil derrubando a produção industrial e a formação bruta de capital fixo e junto com elas as importações, e foi essa queda de importações que sustentou temporariamente os superávits comerciais em níveis mais elevados. Com as exportações mundiais em recuperação lenta, e sem perspectivas de crescimento muito forte dos preços de commodities, não há como ser otimista achando que o crescimento das exportações compensará a elevação de importações.</p>
<p>O Brasil sai da crise internacional com seu sistema bancário intacto, com a capacidade de reagir à crise usando políticas contracíclicas, e pronto para aumentar o consumo, que já vem crescendo. O aumento da produção industrial de bens de consumo eleva as margens de utilização de capacidade, e fatalmente elevará a demanda por investimentos em capital fixo. Como o Brasil é um país de poupanças baixas, o crescimento esperado dos investimentos em capital fixo conduz inexoravelmente ao crescimento dos déficits nas contas correntes.</p>
<p>Mas contrariamente ao que ocorria no passado, quando esse crescimento levava à depreciação cambial, desta vez há fundamentos econômicos que permitem manter baixos os prêmios de risco, o que significa manter elevada a demanda por ativos brasileiros que permitam financiar, com ingressos de capitais, o inevitável aumento do déficit nas contas correntes. Afinal o Brasil já obteve o seu almejado &#8220;grau de investimento&#8221;, que é um prêmio pela manutenção de estabilidade macroeconômica, geradora da queda dos riscos. Finalmente o que atraímos são predominantemente capitais mais estáveis, e que contribuem para elevar a capacidade produtiva.</p>
<p>Mas o diabo mora nos detalhes, e para que esses capitais continuem sendo atraídos é preciso que o crescimento ocorra em uma trajetória equilibrada, sem o artificialismo que conduz à inflação. Um crescimento econômico artificial gera uma percepção maior de riscos, o que reduz a atração aos ingressos de capitais e pressiona a taxa cambial. Da mesma forma, embora os superávits primários atualmente possam ser menores, sem comprometer a dinâmica da dívida pública, o governo não está totalmente livre para aumentar os gastos e reduzir impostos. A moral da história é que o governo não pode abusar dos estímulos monetários e fiscais, reagindo à tentação de fazê-lo às vésperas de eleições.</p>
<p>A prudência indica que deve moderar os estímulos fiscais à expansão da demanda, e que o Banco Central saiba ler corretamente os sinais sobre a direção na qual a taxa de juros básica deva se mover. A prudência indica, também, que o Banco Central sempre pode acumular um pouco mais de reservas. Não nos esqueçamos do custo fiscal da esterilização, que é alto, mas olhado pela ótica correta deveria ser mais um motivo para reduzir o crescimento das despesas públicas. Seriam necessárias piruetas teóricas invejáveis para se provar que os ativos que atualmente vêm sendo comprados por estrangeiros, que não se limitam à arbitragem com o cupom cambial, são substitutos perfeitos de ativos estrangeiros, que seria a única forma pela qual as intervenções esterilizadas do BC seriam ineficazes. Sendo eficazes, elas podem reduzir a velocidade da valorização cambial, e ao mesmo tempo elevar a liquidez internacional do país, baixando prêmios de risco e atraindo capitais que financiem um esforço maior de crescimento.<br />
<em><br />
<strong>Affonso Celso Pastore e Maria Cristina Pinotti são economistas e escrevem mensalmente às segundas. Este mês, excepcionalmente, nesta sexta.</strong></em></p>
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		<title>A doença do sucesso</title>
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		<pubDate>Thu, 08 Oct 2009 13:56:20 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Luis Favre</dc:creator>
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&#8221;Rali&#8221; do real preocupa governo


Equipe econômica teme formação de mini-bolha no câmbio, com entrada de US$ 20 bi a US$ 30 bi até o fim do ano


Adriana Fernandes e Fabio Graner, BRASÍLIA &#8211; O Estado SP
O secretário do Tesouro Nacional, Arno Augustin, admitiu ontem que o atual &#8220;rali&#8221; do real traz preocupação com o risco [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: center;"><img class="aligncenter" style="cursor: -moz-zoom-out;" src="http://2.bp.blogspot.com/_CU4TkW-WJKo/SjGiYdjB6QI/AAAAAAAAAg0/woU5sqCp3c4/s400/real+forte.bmp" alt="http://2.bp.blogspot.com/_CU4TkW-WJKo/SjGiYdjB6QI/AAAAAAAAAg0/woU5sqCp3c4/s400/real+forte.bmp" /></p>
<p style="text-align: center;">
<p><strong><img class="size-full wp-image-14498 alignleft" title="Dinheiro_sacos" src="http://blogdofavre.ig.com.br/wp-content/uploads/2009/10/Dinheiro_sacos.gif" alt="Dinheiro_sacos" width="181" height="241" /></strong></p>
<p><span style="font-size: large;"><strong>&#8221;Rali&#8221; do real preocupa governo</strong></span></p>
<p><strong><br />
</strong></p>
<p><span style="font-size: large;"><strong>Equipe econômica teme formação de mini-bolha no câmbio, com entrada de US$ 20 bi a US$ 30 bi até o fim do ano</strong></span></p>
<p><strong><br />
</strong></p>
<h2><span style="background-color: #ffff99;">Adriana Fernandes e Fabio Graner, BRASÍLIA &#8211; O Estado SP</span></h2>
<p>O secretário do Tesouro Nacional, Arno Augustin, admitiu ontem que o atual &#8220;rali&#8221; do real traz preocupação com o risco de que uma entrada maior de dólares provoque maior desvalorização da moeda americana e prejudique a economia. O governo, disse Augustin, está atento para que esse movimento não traga dificuldades adicionais às exportações. Com o dólar mais baixo, os exportadores recebem menos por suas vendas e o produto nacional perde competitividade em relação aos importados.</p>
<p>Augustin disse que o Banco Central monitora diariamente o mercado para evitar distorções na taxa de câmbio. Ontem o dólar interrompeu o processo de queda quase contínua que vem sofrendo e subiu 0,19%, fechando a R$ 1,75. Como tem feito desde 4 de maio, o BC comprou dólares.</p>
<p>&#8220;O BC está monitorando no sentido de manter os fluxos compatíveis. Isso é feito diariamente e continuará sendo feito&#8221;, disse.</p>
<p>Segundo analistas de mercado, o BC já havia comprado US$ 4,5 bilhões na terça-feira, evitando que a entrada de investimentos estrangeiros na oferta de ações do Santander pressionasse ainda mais o câmbio.</p>
<p>Para Augustin, o aumento do fluxo de dólares é resultado do &#8220;sucesso&#8221; da economia. &#8220;Com o nosso terceiro grau de investimento, isso se fortaleceu. É natural que haja um efeito de mercado financeiro.&#8221;</p>
<p>Segundo fontes, a equipe econômica contabiliza que nos próximos três meses devem ingressar no País pelo menos US$ 20 bilhões com captações de recursos externos realizadas por instituições financeiras e as emissões de IPO (oferta inicial de ações por empresas). Mas há avaliações que os investimentos podem ultrapassar US$ 30 bilhões.</p>
<p>Com poucas alternativas para estancar a enxurrada de capital, a equipe econômica tenta armar uma rede de proteção no curto prazo. O problema será levado ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva. No Ministério da Fazenda, espera-se uma atuação mais agressiva do BC na tarefa de conter a excessiva valorização do real frente ao dólar.</p>
<p>Técnicos do governo já enxergam a formação de uma mini-bolha de valorização do real.</p>
<p>A avaliação é de que é possível conter parte da alta do real com compras mais intensas de dólares no mercado. O BC já disse que compra o excesso de dólares para evitar fortes oscilações nas cotações.</p>
<p>Para a Fazenda, o BC poderia ser mais agressivo não só em quantidade, mas também na definição das taxas de compra, de modo a tornar mais arriscadas especulações no câmbio.</p>
<p>O problema é que nem o Brasil nem outro país tem capacidade de mudar uma tendência mundial, lembra outra fonte do governo. A queda do dólar, resultante dos desequilíbrios econômicos dos EUA, é o argumento usado para relativizar a preocupação com a valorização do real . A fonte lembra que, na comparação com uma cesta de moedas, a valorização do real é bem menos acentuada.</p>
<p>Por isso, também há avaliações no governo que os impactos da desvalorização do dólar no comércio exterior podem ser diluídos por meio de negócios com moedas locais. O Brasil fechou acordo com a Argentina, negocia com o Uruguai e tenta avançar com nas trocas com seus parceiros dos Brics: Rússia, Índia e China.</p>
<p>Essa estratégia, embora ainda tímida, é considerada uma alternativa à alta volatilidade do dólar. Apesar de considerar natural a busca de alternativas ao dólar, a fonte reconhece que dificilmente a divisa americana deixará de ser a reserva de valor mundial em um horizonte de médio prazo. &#8220;Não existe quantidade suficiente de outra moeda para substituir o dólar como moeda de reserva.&#8221;</p>
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		<title>&#8221;Autoproteção é a melhor opção&#8221;</title>
		<link>http://blogdofavre.ig.com.br/2009/10/autoprotecao-e-a-melhor-opcao/</link>
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		<pubDate>Mon, 05 Oct 2009 12:42:50 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Luis Favre</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Henrique Meirelles, presidente do BC, defende acúmulo de reservas
Patrícia Campos Mello, ENVIADA ESPECIAL O ESTADO SP, ISTAMBUL 
O presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, defendeu ontem a acumulação de reservas nos países emergentes, estratégia criticada pelo Fundo Monetário Internacional (FMI). &#8220;Ficou demonstrado que a autoproteção é a melhor opção&#8221;, disse Meirelles ontem, em palestra na [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><strong>Henrique Meirelles, presidente do BC, defende acúmulo de reservas</strong></p>
<h2><span style="background-color: #ffff99;">Patrícia Campos Mello, ENVIADA ESPECIAL O ESTADO SP, ISTAMBUL </span></h2>
<p>O presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, defendeu ontem a acumulação de reservas nos países emergentes, estratégia criticada pelo Fundo Monetário Internacional (FMI). &#8220;Ficou demonstrado que a autoproteção é a melhor opção&#8221;, disse Meirelles ontem, em palestra na reunião. &#8220;Eu apoio a discussão de que seria mais eficiente se o FMI acumulasse as reservas para os países. Mas a questão é: quem é que vai tomar a decisão na hora em que um país precisar das reservas?&#8221;</p>
<p>O FMI aconselha os países emergentes a evitar acumulação excessiva de reservas, uma das causas para os desequilíbrios econômicos globais. Em vez disso, países como o Brasil deveriam usar linhas flexíveis do Fundo como &#8220;seguro&#8221; contra fugas de capital em crises internacionais. O Fundo funcionaria como um &#8220;acumulador de reservas&#8221; de última instância.</p>
<p>Meirelles afirmou que o alto nível de reservas &#8211; US$ 205 bilhões no início da crise &#8211; ajudou o Brasil a se recuperar mais rápido da recessão global. &#8220;As reservas internacionais do Brasil puderam compensar os bancos que restringiram as linhas de crédito para o país&#8221; durante a crise, disse o presidente do BC. &#8220;Nós conseguimos substituir o setor privado porque tínhamos reservas suficientes e isso levou a uma recuperação rápida do mercado de crédito.&#8221;</p>
<p>Ele lembrou que o País já voltou a acumular reservas &#8211; que estavam em US$ 205 bilhões no início da crise e agora já estão em US$ 225 bilhões e &#8220;subindo todo dia&#8221;, segundo Meirelles.</p>
<p>O presidente do BC afirmou também que o sistema bancário no Brasil estava muito capitalizado e segue regras conservadoras, o que ajudou na recuperação. A capitalização dos bancos está em 17%, bem acima dos 8% recomendados pelo acordo de Basileia II, disse ele.</p>
<p>Perguntado sobre o que vai acontecer com o Brasil quando os EUA equilibrarem suas contas externas e reduzirem significativamente suas importações, Meirelles disse que o País está preparado. &#8220;Antes de a crise começar, nossa economia já estava sendo puxada pelo consumo doméstico&#8221;, afirmou o presidente do Banco Central.</p>
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		<title>FMI alerta para enxurrada de capital externo no Brasil</title>
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		<pubDate>Mon, 05 Oct 2009 12:00:36 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Luis Favre</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Para Fundo, governo precisa rever políticas de estímulos que adotou na crise
Mantega diz que boa parte de dólares que ingressa no Brasil é para investimento produtivo e que BC vai acumular mais reservas
FERNANDO CANZIAN &#8211; FOLHA SP 
ENVIDO ESPECIAL A ISTAMBUL
A rápida recuperação da economia brasileira pode levar uma quantidade exagerada de capitais estrangeiros para [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><strong>Para Fundo, governo precisa rever políticas de estímulos que adotou na crise</strong></p>
<p><strong>Mantega diz que boa parte de dólares que ingressa no Brasil é para investimento produtivo e que BC vai acumular mais reservas</strong></p>
<h2><span style="background-color: #ffff99;">FERNANDO CANZIAN &#8211; FOLHA SP </span></h2>
<p>ENVIDO ESPECIAL A ISTAMBUL</p>
<p>A rápida recuperação da economia brasileira pode levar uma quantidade exagerada de capitais estrangeiros para o país e valorizar ainda mais o real. Isso pode afetar as exportações e aumentar rapidamente o deficit em conta corrente por conta de mais importações.<br />
O alerta é do FMI, que recomendou ao governo brasileiro que comece a retirar os estímulos econômicos que adotou nos primeiros meses da crise.<br />
&#8220;O Brasil já está aumentando o apetite de investidores, dada a solidez de sua economia. E precisa rever os estímulos fiscais para evitar um ingresso de dólares acima do necessário&#8221;, disse Nicolás Eyzaguirre, chefe do Departamento para o Hemisfério Ocidental do Fundo.<br />
Em 2009, o Brasil será um dos únicos países emergentes que terá aumento no ingresso de dólares em relação a 2008.<br />
Segundo o IIF (Instituto de Finanças Internacionais, na sigla em inglês), que reúne os maiores bancos do mundo, o país deve receber neste ano 21% mais dólares, em um total de US$ 42,7 bilhões, ante US$ 34,7 bilhões em 2008.<br />
Nos emergentes, os ingressos serão de US$ 349 bilhões em 2009, recuo de 46,3% sobre 2008. A principal razão para a forte entrada de dólares no Brasil é o fluxo de investimentos especulativos. De US$ 8,9 bilhões em 2008, eles passarão a US$ 29 bilhões neste ano.<br />
Em muitos casos, bancos e investidores nos países ricos vêm aproveitando a enxurrada de dólares que os BCs vêm despejando no mercado a fim de recuperar suas economias para transferir parte desse dinheiro para nações emergentes.<br />
O Brasil, que ainda tem uma taxa de juros muito elevada diante dos padrões internacionais (8,75%), é um dos alvos preferidos desses investidores, que também vêm aplicando fortemente na Bovespa, o que ajuda a explicar sua forte alta.<br />
Para Eyzaguirre, enquanto vários países ainda lutam para escapar da crise, o Brasil terá de se preocupar agora em &#8220;gerenciar a abundância&#8221; de dólares.<br />
Um fluxo maior de dólares em qualquer país com câmbio livre tende a valorizar a moeda local. É o que ocorre no Brasil, onde o dólar, que chegou a superar os R$ 2,50 durante a crise, fechou na sexta a R$ 1,778.<br />
O dólar barato encarece as exportações e barateia as importações, afetando os saldos comercial e em conta corrente (resultado das transações com o mundo). É o ocorre no Brasil.<br />
Além do FMI, o IIF alertou para a necessidade de países emergentes não se descuidarem com o ingresso excessivo de dólares. &#8220;A perspectiva de maior crescimento e juros maiores nesses países deve atrair fluxos significativos de capital especulativo, trazendo desafios para seus governos.&#8221;<br />
Questionado sobre o assunto, o ministro Guido Mantega (Fazenda) afirmou que muito do ingresso de dólares no Brasil é para investimento produtivo. E que o BC continuará com sua política de acumular reservas (hoje acima de US$ 224 bilhões) para tentar enxugar o excesso de dólares no mercado.</p>
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		<title>Pré-sal: Às vésperas de receber o marco regulatório, oposição prepara-se para fazer defesa da Lei do Petróleo de FHC</title>
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		<pubDate>Mon, 17 Aug 2009 16:29:20 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Luis Favre</dc:creator>
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		<description><![CDATA[ 
O posição demo-tucana rejeita a criação de uma nova estatal e a introdução do sistema de partilha da produção para explorar as reservas do pré-sal
Congresso aceita privilégio à Petrobras no pré-sal

Daniel Rittner e Cristiane Agostine, de Brasília &#8211; VALOR
 					Pré-sal: Às vésperas de receber o   marco regulatório, oposição prepara-se para fazer defesa [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p> <strong><br />
O posição demo-tucana rejeita a criação de uma nova estatal e a introdução do sistema de partilha da produção para explorar as reservas do pré-sal</strong></p>
<p><strong>Congresso aceita privilégio à Petrobras no pré-sal</strong></p>
<div style="text-align: center"><img src="http://3.bp.blogspot.com/_WXLsbxxYJSk/SgTnaMSEWAI/AAAAAAAAAC4/wjZg4RjCguo/s320/pr%C3%A9sal.jpg" alt="http://3.bp.blogspot.com/_WXLsbxxYJSk/SgTnaMSEWAI/AAAAAAAAAC4/wjZg4RjCguo/s320/pr%C3%A9sal.jpg" /></div>
<p style="background-color: #ffff99">Daniel Rittner e Cristiane Agostine, de Brasília &#8211; VALOR</p>
<h2 id="LblTitulo"> 					<span id="ctl00_ContentPlaceHolder1_LblTitulo" class="titulo_materia_integra"><span class="chapeu">Pré-sal: </span><span class="linhaFina">Às vésperas de receber o   marco regulatório, oposição prepara-se para fazer defesa da Lei do Petróleo</span></span></h2>
<h1 class="titulo_materia_integra">Congresso aceita privilégio à Petrobras</h1>
<p>Às vésperas da campanha presidencial, a oposição &#8211; especialmente na Câmara dos Deputados &#8211; prepara-se para fazer uma defesa acirrada da Lei do Petróleo aprovada no governo Fernando Henrique Cardoso, rejeitando a criação de uma nova estatal e a introdução do sistema de partilha da produção para explorar as reservas do pré-sal. Um dos principais desafios será adotar essa postura sem cair na imagem de &#8220;privatistas&#8221;, que prejudicou a campanha do tucano Geraldo Alckmin nas eleições de 2006.</p>
<p>Governo e oposição têm visões divergentes sobre o modelo de exploração do pré-sal. &#8220;Discordamos de absolutamente tudo&#8221;, resume o deputado Luiz Paulo Velloso Lucas (PSDB-ES), citando as informações vazadas sobre o novo marco regulatório. Curiosamente, o ponto que parece ter relativo consenso é um dos poucos ainda pendentes de definição nos debates internos do governo: a capitalização da Petrobras.</p>
<p>Pesquisa realizada pela consultoria Llorente &amp; Cuenca mostra que a maioria dos congressistas concorda com a tese de privilegiar a Petrobras nas novas regras. Segundo o levantamento, 63,5% dos deputados e 73,3% dos senadores são favoráveis à possibilidade de o governo ceder à Petrobras o controle de áreas do pré-sal em troca de maior participação acionária da União, que hoje é de 32% do capital total.</p>
<p>Na realidade, a medida seria uma capitalização sem o uso de recursos do Tesouro, mas com a cessão de barris de petróleo em produção futura. A pesquisa indicou ainda que 61,5% dos deputados e 66,7% dos senadores concordam com a manutenção das regras para os blocos licitados no passado, mas o estabelecimento de novas regras para as áreas a serem leiloadas. Foram entrevistados 53 deputados e 15 senadores, de 11 partidos políticos e de todas as regiões do país.</p>
<p>Para Vellozo Lucas, o governo traz uma visão &#8220;completamente reestatizante&#8221; e sugere a adoção de um regime mais usado em países com insegurança jurídica. &#8220;A partilha é mais adequada para países com histórico de romper contratos. A concessão é própria de quem tem estabilidade regulatória&#8221;, afirma. Ele acredita que um dos principais erros nas regras preparadas pelo governo é dar à Petrobras a garantia de operar todos os blocos. O monopólio da estatal, segundo o parlamentar, deverá atrasar a exploração do pré-sal por falta de caixa suficiente. &#8220;E petróleo debaixo da terra não é dinheiro.&#8221;</p>
<p>Na oposição, a maioria defende a manutenção do modelo de concessões, pelo qual as empresas que vencem os leilões para a exploração de determinadas áreas ficam com o petróleo e pagam tributos e royalties devidos pela produção. Os governistas preferem a partilha e consideram o tema como uma &#8220;questão de ideologia&#8221;. O deputado Fernando Ferro (PT &#8211; PE), sintetiza essa visão: &#8220;A produção é um bem do Estado. A iniciativa privada pode participar como um sócio para explorar e receber um pouco sobre isso. Hoje, com a concessão, o setor privado se apropria do petróleo&#8221;, disse.</p>
<p>O embate no Congresso não se dará somente entre governo e oposição: a distribuição de royalties deverá gerar divergências dentro dos partidos. A bancada do Rio de Janeiro é a mais articulada na defesa de recursos para o Estado, com o apoio do governador Sérgio Cabral e de seu partido, o PMDB. O governo propõe que os recursos da exploração das áreas do pré-sal sejam destinados a um fundo social, mas Estados como o Rio e o Espírito Santo, cuja parte significativa da renda vem do repasse de royalties, pressionam pela divisão de recursos. O temor dos parlamentares é que a discussão sobre royalties seja antecipada e que atrapalhe a negociação de outros pontos polêmicos, como o sistema de exploração. &#8220;Royalties deve ser o último ponto a ser discutido, para que o embate não seja contaminado por debates regionalizados&#8221;, disse o deputado Arnaldo Jardim (PPS-SP), da Comissão de Minas e Energia.</p>
<p>No Senado, a crise política paralisou as discussões sobre as propostas. Como os projetos de lei do marco regulatório serão debatidos primeiro na Câmara, senadores contam com mais tempo para se aprofundar sobre o tema. &#8220;Ninguém sabe ainda o formato final do projeto que o governo enviará&#8221;, disse o senador Gim Argello (PTB-DF), vice-líder do governo. O líder do PT, Aloizio Mercadante (SP), disse ter participado durante meses do debates com o governo sobre o marco regulatório, mas também demonstrou dúvidas sobre o texto que será encaminhado ao Congresso. &#8220;Vamos aguardar. Teremos tempo para discutir isso&#8221;, afirmou.</p>
<p>O governo enviará os projetos ao Congresso no momento em que os senadores investigam a estatal na CPI da Petrobras. A Lei do Petróleo e o marco regulatório são temas previstos para debate na comissão, mas se o embate político se acirrar na CPI, os temas ficarão de fora da pauta.</p>
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		<title>&#8221;Brasil enfrenta bem a crise porque fez o dever de casa&#8221;</title>
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		<pubDate>Sat, 18 Jul 2009 12:09:53 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Luis Favre</dc:creator>
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		<description><![CDATA[ Para vice-presidente do Banco Mundial, alguns países da América Latina adotaram políticas adequadas
Fernando Dantas &#8211; O Estado de SP
A América Latina está resistindo melhor a esta crise do que resistiu às do passado porque se preparou adequadamente durante os anos que a precederam, segundo Pamela Cox, vice-presidente para a América Latina e o Caribe [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p> <font size="4"><strong>Para vice-presidente do Banco Mundial, alguns países da América Latina adotaram políticas adequadas</strong></font></p>
<p style="background-color: #ffff99">Fernando Dantas &#8211; O Estado de SP</p>
<p>A América Latina está resistindo melhor a esta crise do que resistiu às do passado porque se preparou adequadamente durante os anos que a precederam, segundo Pamela Cox, vice-presidente para a América Latina e o Caribe do Banco Mundial. O Brasil, para ela, &#8220;é um dos países que fizeram o dever de casa&#8221;, com sólida política fiscal, redução de pobreza e acúmulo de reservas.</p>
<p>Ela acha, entretanto, que a região é dependente do comércio mundial e, portanto, precisa da recuperação do mundo desenvolvido para manter um ritmo satisfatório de crescimento no médio e longo prazos. Pamela esteve no Brasil esta semana, onde participou, no Rio, na segunda-feira, de um seminário sobre investimentos públicos na sede do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). Ela conversou com o Estado no Rio.</p>
<p>A economista elogiou o Bolsa-Família e a sua expansão em plena crise, o que dá aos pobres uma rede de segurança social. O Banco Mundial prevê que a crise levará ao aumento de 8 milhões a 13 milhões no número de pobres na América Latina e no Caribe, depois de uma queda de 60 milhões de 2002 a 2006.</p>
<p>A economista notou que, diferentemente do Leste Europeu, a América Latina não foi atingida pela crise por meio do setor financeiro, mas da economia real, afetada pela contração do comércio internacional e pela queda do preço das commodities. &#8220;A América Latina foi atingida não porque tenha aplicado as políticas econômicas erradas, mas por causa da abertura para o resto do mundo.&#8221;</p>
<p>Ela observou que, entre 2002 e 2006, a América Latina foi beneficiada com um crescimento médio de 5% ao ano e diversos países da região aproveitaram para implementar políticas econômicas adequadas, como superávits fiscais, redução da dívida pública e taxas de câmbio flexíveis.</p>
<p>Para Pamela, há, dentro da América Latina, diferenças entre o desempenho dos países na crise. Ela cita fatores como a dependência dos Estados Unidos em termos de comércio, muito forte no caso do México e de vários países centro-americanos, como um fator que aumentou o impacto da crise. Países como Venezuela e Equador, por outro lado, são muito dependentes das receitas do petróleo e prejudicados pela queda no seu preço.</p>
<p>Quanto ao fato de Venezuela, Equador e Argentina, por exemplo, terem executado políticas econômicas bem distintas de países como Brasil, Chile e Peru, ela é mais cautelosa. Evitando críticas específicas, diz apenas que os que &#8220;têm determinado tipo de política econômica &#8211; não têm dívida alta, não gastam mais do que podem e gastam sabiamente em investimentos de alto retorno &#8211; são os que crescem mais no longo prazo&#8221;.</p>
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