17/11/2009 - 17:05h Exuberância feminina no interior da França
Meu prato: Marie-Pierre é a mulher que faz a diferença na expansão dos domínios Troisgros.
Por Nicholas Lander, Financial Times – VALOR
Divulgação

A contribuição especial de Marie-Pierre para o império Troisgros emergiu pela primeira vez na abertura do Le Central
Nos últimos 79 anos, o nome Troisgros e a cidade de Roanne (a 100 km de Lyon, no leste da França) são sinônimos da melhor cozinha francesa. Em 1930, Jean-Baptiste Troisgros abriu o restaurante da família do lado aposto da estação ferroviária. Seus filhos, Jean e Piere, o administraram depois dele e agora o filho de Pierre, Michel, está no comando.
O local original, a Maison Troigros, é hoje um restaurante com salas que há muito recebe a classificação máxima de três estrelas do celebrado guia Michelin. A família também é dona do Le Central, o café-delicatessen que fica ao lado, e do La Colline du Colombier, um “auberge” de campo que fica a 30 minutos de automóvel de Roanne.
Mas nos últimos 25 anos a força comercial que vem conduzindo o sucesso dos Troisgros é uma mulher que nunca quis de fato se estabelecer em Roanne. Marie-Pierre Lambert nasceu em Valença no vale do Rhône. Ela se matriculou no hotel-escola de Grenoble em 1973 porque queria uma profissão que lhe permitisse conhecer o mundo. Michel Troisgros era um colega de classe e ela descreve o primeiro encontro dos dois como um “coup de foudre”, ou amor à primeira vista.

La Colline du Colombier: restaurante de campo e hotel com abrigos de ferramentas transformados em cabanas-iglus
Assim que se formaram, ela fez com ele uma viagem ao redor do mundo, enquanto ele estabelecia sua carreira. Mas não foi fácil. “Michel cozinhou em Bruxelas, no [hotel cinco estrelas] Connaught de Londres e em Nova York. Naqueles dias os hoteleiros relutavam em contratar casais”, explica ela. “Hoje é muito diferente. Fico feliz em dizer isso.”
No começo de 1983, eles retornaram a Roanne para uma estadia de seis meses, com planos de se mudarem para a Austrália e lá abrir seu próprio restaurante. Mas em agosto daquele ano, o tio de Michel, Jean, morreu. Marie-Pierre e Michel decidiram ficar. Naquela altura já casados, Marie-Pierre assumiu seu papel na Maison Troisgros junto com a família do marido.
Marie-Pierre diz que sua falecida sogra era supergentil, mas que a função dela era puramente de “maîtresse” do restaurante, alguém que recebia os clientes, certificava-se de que tudo estava correndo tranquilamente no salão e então se despedia dos comensais.
Marie-Pierre teve dificuldade para encontrar seu próprio nicho, mas agora admite que provavelmente a adaptação foi mais difícil para Michel, que estava trabalhando com duas madames Troisgros.
A contribuição especial de Marie-Pierre para o império Troisgros emergiu pela primeira vez na abertura do Le Central em 1996, a poucas portas de “la grande maison”, como ela se refere ao restaurante principal.
O Le Central é descrito pela família como “café/mercearia”. Suas prateleiras estão cheias de vinagres, pasta e molhos, enquanto suas paredes são cobertas de fotografias em branco e preto de seus fornecedores de ingredientes e vinhos. Para o jantar, tivemos suflê de queijo, risoto com cogumelo marrom, pernas de rã com gengibre e alho, e uma maravilhosa torta Tatin.
Marie-Pierre parece estar ainda mais em seu elemento no La Colline du Colombier, um restaurante de campo e hotel criado em uma ex-fazenda perto de Iguerande.
O La Colline du Colombier recebeu seu nome por causa do pombal que havia no local, que hoje abriga um cozinha circular e um banheiro maravilhoso logo acima dela. Ele é a coroação da busca por um local empreendida por Marie-Pierre durante oito anos, com um conjunto de construções que permitisse à família fazer algo original e instigante no exuberante interior da França.
No começo, tudo que a família viu foram construções deterioradas. “Queríamos algo que expressasse o estilo Troisgros, queríamos algo bem mais tranquilo, em harmonia com o século XXI.”
Com o arquiteto Patrick Bouchain, eles também conseguiram encontrar uma solução bem incomum para o problema de que as casas existentes na fazenda não ofereciam quartos suficientes para tornar a conversão viável.
Inspirando-se nas cabanas locais, ou “cadoles”, usadas pelos produtores de vinho como abrigo de ferramentas. Eles construíram três dormitórios no estilo cadole, que são os quartos mais confortáveis e talvez mais românticos. Eles se parecem com iglus cortados ao meio, em estilo pastoral, com um espaço de estar ultramoderno construídos diante de estacas de aço para permitir uma visão ininterrupta do cenário rural.
O belo celeiro que acomodava o gado é hoje o restaurante Le Grand Couvert. Seu cardápio de outono a € 35 oferece pratos com presuntos variados, bruschetta de escargot com ervilhas; um mousse de fígado de frango com camarão de água doce; salmão com molho de pimenta vermelha; e um delicioso pot-au-feu.
Marie-Pierre fala com grande paixão do Le Colombier e do tempo que já está com os Troisgros – ela diz, modesta, que se vê como “braço direito” de Michel -, mas seu sorriso aumenta quando ela fala de César, o filho mais velho do casal.
César está seguindo os passos da família e atualmente trabalha como chef do restaurante French Laundry, no Napa Valley, na Califórnia. Mas somente o tempo dirá se ele vai sucumbir ao charme de Roanne – como fez sua mãe.
(tradução Mario Zamarian)










Comemorando os dois anos do restaurante espanhol Eñe, o grupo, Gran Gang, que há dois anos vem fazendo um show só com as músicas das trilhas sonoras dos filmes de Almodóvar, fará uma apresentação no restaurante. O show chama-se “Un Año de Amor – Nas Trilhas de Almodóvar” e reúne boleros, tangos, rancheras e outros gêneros latinos que falam de paixão e desejo, apresentados em clima de cabaré. Será no Restaurante Eñe – Nueva Cocina Española, nos dias 23 e 30 de março, às 22h30. Por tratar-se de uma comemoração pelo transcurso do segundo aniversário do restaurante, o show foi especialmente rebatizado de “Dos Años de Amor – Nas Trilhas de Almodóvar”. O endereço é Rua Dr. Mário Ferraz, 213 – Jardim Paulista (tel: 3816-4333).















