24/03/2009 - 15:08h O cupim de FHC

Na sua última diatriba contra o governo Lula, FHC reclamou da “cupinização do Estado”, a “substituição de técnicos por militantes é o cupim que vai minando a estrutura pública.”, disse.

FHC sabe do que fala, ele que nomeou o genro como presidente da ANP (Agência Nacional do Petroleo). Mas, é verdade, o genro não era militante e nem cupim… era genro.

Cheio de si, comme d’habitude, FHC citou-se como exemplo e diz: “no meu governo os Diretores da Caixa e do BB eram indicados por mérito”.

Talvez ele possa evocar, para exemplificar o seu propósito, a designação do Sr. Emílio Carrazai, como presidente da Caixa Econômica Federal, apadrinhado pelo seu vice, o peefelista Marcos Maciel, durante quase todo seu segundo mandato e que bateu a porta quando da intervenção da PF na casa de Roseana Sarney. Ou ele estaria fazendo referência ao Sr. Ricardo Sérgio de Oliveira, ex-diretor da área internacional do Banco do Brasil?

FHC poderia simplesmente indicar para os que ignoram, que a lei obriga a preencher os cargos nos bancos públicos exclusivamente com funcionários de carreira, limitando as nomeações externas aos presidentes e vice-presidentes. Cargos para os quais ele não se privou de nomear, com pessoas externas às instituições (o que não é o caso hoje, mesmo para esses cargos de livre provimento).

É que para FHC militante tucano ou peefelista não é cupim.

Deve ser traça.

É pelo menos o que aparece deste extrato da revista Forum sobre os “indicados por mérito” na época de FHC.

Edificante leitura. LF

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Revista Forum
O caixa tucano foi condenado, você sabia? 

Por Fábio Jammal Makhoul [3/14/2006]
“(…) Enquanto o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB) fazia pose de estadista e chamava a ética do PT de corrupta na capa da revista IstoÉ, uma pequena nota no pé da quinta e última página da seção “A Semana” passava facilmente despercebida até mesmo para os leitores mais atentos. Embaixo de três notas necrológicas, o pequeno texto informava: “Condenados a 11 anos de prisão pela 12ª Vara Federal do Distrito Federal o ex-presidente do Banco do Brasil Paulo César Ximenes e seis ex-diretores dessa instituição. Eles foram acusados de gestão temerária devido a irregularidades em empréstimos feitos à construtora Encol entre 1994 e 1995. Na quarta-feira 1”.
Assim como IstoÉ, a grande imprensa não deu muita bola para o caso. Veja, por exemplo, considerou a condenação de toda uma diretoria do maior banco público do país nada importante e não dedicou uma linha a respeito do assunto.
Os sete condenados formavam a diretoria colegiada do Banco do Brasil entre 1995 e 1998, com Ximenes no comando da instituição. Período que coincide com o primeiro mandato de FHC. Eles foram condenados em primeira instância por nove atos que caracterizam crimes de gestão temerária e de desvio de crédito ao emprestar dinheiro para a construtora Encol, que faliu em seguida e prejudicou milhares de mutuários.
Os acusados foram considerados responsáveis, entre outros crimes, por aceitar certificados de dívida emitidos ilegalmente pela construtora e por prorrogar sistematicamente operações vencidas e não pagas.

O homem-bomba
A condenação de toda a diretoria colegiada do Banco do Brasil no primeiro mandato de FHC é a menor das preocupações do PSDB. O mais atemorizante é que, entre os condenados, um personagem se destaca. Trata-se do já conhecido Ricardo Sérgio de Oliveira, ex-diretor da área internacional do banco.
O economista ganhou notoriedade durante as privatizações promovidas por Fernando Henrique, especialmente nos casos da Companhia Vale do Rio Doce (ver matéria na página xxxx) e do sistema Telebrás, dois dos maiores negócios do mundo. Em 1998, no episódio conhecido como “Grampo do BNDES”, Ricardo Sérgio foi destaque ao ser flagrado confessando como agiam ao costurar negócios para o leilão das teles: “no limite da irresponsabilidade”.
Caixa das campanhas de José Serra (1990 a 1996) e de Fernando Henrique (1994 e 1998), Ricardo Sérgio está envolvido em denúncias que vão desde pequenos problemas com a Receita Federal até a suposta cobrança de uma propina de R$ 15 milhões do empresário Benjamin Steinbruch, para favorecê-lo no leilão da Vale e prejudicar os fundos de pensão dos funcionários de estatais. O empresário teria dito, à época, que estava convencido de que Ricardo Sérgio falava em nome do PSDB e decidiu pagar a propina.
O assunto foi destaque nas três maiores revistas de circulação nacional na segunda semana de maio de 2002. Veja e Época afirmavam que parte da propina de R$ 15 milhões, que teria sido cobrada em 1996, foi efetivamente paga. As duas revistas confirmaram o pagamento com empresários e integrantes do conselho de administração da Vale do Rio Doce, que preferiram preservar sua identidade. Veja ainda teria confirmada a história com dois tucanos de alta plumagem, a seguir o trecho da matéria:
“Veja conversou com dois empresários que ouviram o relato de Steinbruch. ‘Ele me disse que se sentia alvo de um achaque’, conta um dos empresários. O outro, que trabalha no setor financeiro, diz algo semelhante: ‘Naquele tempo, Benjamin andava por aí feito barata tonta, sem saber se pagava ou não’, afirma. Na semana passada, Veja obteve depoimentos formais que confirmam a história. A particularidade desses depoimentos é que eles são dados por expoentes da política brasileira. Um deles é de Luiz Carlos Mendonça de Barros, que presidiu o BNDES durante o processo de venda da Vale, e depois assumiu o Ministério das Comunicações. Acabou perdendo o emprego quando estourou o escândalo das fitas da privatização das teles. A outra autoridade é o ministro da Educação, Paulo Renato de Souza. Ambos são tucanos”.
A mesma Veja, sim a Veja, ainda explicou: “Ricardo Sérgio não caiu de pára-quedas no chamado ninho tucano. Ele foi apresentado a José Serra e a Fernando Henrique Cardoso pelo ex-ministro Clóvis Carvalho. Em 1990, José Serra candidatou-se a deputado federal e não tinha dinheiro para fazer a campanha. Clóvis Carvalho destacou quatro pessoas para ajudá-lo na coleta. Um deles era Ricardo Sérgio. Em 1994, Serra se candidatou ao Senado por São Paulo, e Ricardo Sérgio voltou a ajudá-lo como coletor de fundos de campanha. A última disputa da qual Serra participou foi para a prefeitura de São Paulo, em 1996. Depois, o senador não mais concorreu em nenhuma outra eleição, até a deste ano (2002). Ricardo Sérgio também foi uma das pessoas acionadas para arrecadar contribuições para a campanha presidencial de Fernando Henrique Cardoso, em 1994. O mesmo aconteceu na reeleição de FHC, em 1998. Na função de coletor de contribuições eleitorais, Ricardo Sérgio era muito bem-sucedido”.
Na semana seguinte, a reportagem explosiva de Veja era comentada pelo então professor da USP Bernardo Kucinski que dizia não entender o “furor investigativo” da revista e questionava: “Mera reação à concorrência? Retaliação patrimonialista? Ou, o mais provável: uma ação operada a partir de fratura no interior do bloco de poder”.
Já a revista IstoÉ relatou na edição da mesma semana um novo caso suspeito envolvendo o ex-diretor do BB. Ricardo Sérgio teria encabeçado um esquema que teria trazido de volta ao Brasil, em 1992, “US$ 3 milhões sem procedência investidos nas Ilhas Cayman, paraíso fiscal do Caribe”. Ele teria conseguido vender no mercado internacional títulos da empresa Calfat, numa transação feita por intermédio do Banespa, quando a instituição ainda pertencia ao governo de São Paulo.
Com tantas suspeitas potencialmente explosivas pairando sobre o caixa tucano, a sua condenação no caso dos empréstimos da Encol feitos pelo BB pode ser apenas a ponta do iceberg.

Grampo revela armações
A nomeação de Ricardo Sérgio de Oliveira para a direção de relações internacionais do Banco do Brasil foi uma indicação de José Serra (ministro da Saúde na época) e Clóvis Carvalho (Casa Civil). Com o cargo, se transformou numa das pessoas mais influentes na Previ (fundo de pensão dos funcionários do BB) e teve grande participação na montagem de consórcios que participaram com o fundo nas privatizações.
O caso do Grampo no BNDES revela um pouco como se agia nesses casos. A interceptação clandestina de telefonemas trocados pelas autoridades que geriam o processo de venda das telefônicas mostrou uma agitada movimentação do governo FHC nas 72 horas que antecederam o Leilão das Teles, ocorrido em julho de 1998.
Nas fitas, o então ministro das Comunicações, Luiz Carlos Mendonça de Barros, telefona para Ricardo Sérgio e revela que o Banco Opportunity, do agora famoso Daniel Dantas, quer participar do leilão da Tele Norte Leste, mas depende da concessão de uma fiança do Banco do Brasil:
“Está tudo acertado. Mas o Opportunity está com um problema de fiança. Não dá para o Banco do Brasil dar?”, pergunta Mendonça de Barros.
“Acabei de dar (R$ 874 milhões)”, responde Ricardo Sérgio e completa quase rindo: “Nós estamos no limite da nossa irresponsabilidade. São três dias de fiança para ele”…. “Na hora que der merda (se refere ao astronômico valor do crédito), estamos juntos desde o início.”
A armação nesse caso só não deu certo porque o Grupo Opportunity já havia adquirido a Brasil Telecom (BrT) e a Telemig. Na época, o senador Antônio Carlos Magalhães (PFL) disse à Justiça e ao Ministério Público que o economista chegou a cobrar comissão de R$ 90 milhões para assegurar o resultado no Leilão das Teles. (…)”

21/12/2007 - 18:02h Os resultados concretos do investimento em educação

Inauguração do CEU Jambeiro – Marta Suplicy, Celso Frateschi e o presidente Lula


Revista Fórum

Edição 57 • Dezembro de 2007

Por Cida Perez

A gestão paulistana da prefeita Marta Suplicy (2001-2004), duramente criticada durante os seus quatro anos, propôs projetos e políticas com significado social em todas as áreas da administração pública.

Considerando o Programa do Partido dos Trabalhadores, a história da cidade em todos os seus aspectos, as séries históricas de estatísticas e indicadores socioeconômicos, priorizou as ações na periferia e no combate à exclusão. Os projetos não eram apenas para resolver os problemas emergenciais depois de oito anos de abandono, mas formular políticas públicas olhando para o futuro, para além daqueles quatro anos.

(mais…)

27/06/2007 - 21:04h Palocci, depois da tempestade


Por Anselmo Massad [27/6/2007] Revista Fórum

Durante todo o primeiro mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o principal e mais constante tema de críticas por parte da Fórum foi a política econômica adotada pelo governo federal durante o primeiro mandato do petista. Longe de estar isolada na análise, a defesa de ações voltadas a um crescimento econômico mais intenso era o centro das cobranças direcionadas ao então ministro da Fazenda Antonio Palocci.

Depois de sua queda da pasta econômica do governo federal em meio à crise política de 2005/2006 e da eleição, Palocci compilou sua versão da passagem pelo poder no livro Sobre formigas e cigarras (editora Objetiva), nas livrarias desde março.

Por alegação de dificuldades de agenda, a entrevista solicitada foi sendo adiada a partir de então, até que o agora deputado federal propôs respostas por e-mail. Fórum aceitou condicionando a publicação à consistência das respostas às 14 perguntas, o que de fato ocorreu. Confira a íntegra.

FÓRUM – No livro, o senhor usa a expressão “tiro de canhão” de dentro do governo para definir as declarações da ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, em entrevista a O Estado de S.Paulo na qual ela qualificou como “rudimentar” a proposta de déficit nominal zero. A impressão, na leitura do livro, é de que se trata da única demonstração de ressentimento com a postura de algum membro do primeiro escalão do governo. Essa impressão é correta?

ANTONIO PALOCCI – Não, definitivamente. A ministra Dilma utilizou a palavra “rudimentar” naquela oportunidade porque o ministro Paulo Bernardo havia apresentado um estudo muito preliminar sobre perspectivas fiscais. Quando usou a palavra “rudimentar” a entrevista pareceu agressiva. Mas para quem conhece a ministra Dilma sabe que ela, muitas vezes, utiliza palavras fortes como instrumento de debate e não como agressão. De minha parte a polêmica nunca foi motivo de ressentimento. Nem nesse caso, nem em tantos outros. Seria ingenuidade pensar que faríamos uma política econômica de duro ajuste sem debates. Isso nunca me passou pela cabeça. Por isso sempre lidei com compreensão nas polêmicas com o PT ou no caso do debate com a ministra Dilma. Mas o fato é que naquele momento a entrevista provocou uma grande polêmica, na medida em que vivíamos uma crise política de grandes proporções. Foi isso que procurei caracterizar no livro. Mas ressentimento não, de nenhuma forma.

FÓRUM – Além desse caso, o senhor se ressente de outras personalidades do governo ou do partido em algum momento de sua passagem pela Esplanada dos Ministérios?

PALOCCI – No livro eu procurei demonstrar – e não sei se consegui – que considerava natural a reação do PT à política econômica. Afinal, um partido criado no movimento social e sindical, chegar ao governo e ter que, como obrigação primeira, debelar uma grave crise econômica é, de fato, uma tarefa ingrata. Por isso sempre compreendi as razões do PT ou de membros do governo. Mas ao mesmo tempo tinha absoluta convicção de que, se não enfrentássemos a crise econômica com rigor, o primeiro governo do presidente Lula iria desandar com a certeza da volta da inflação. O que ajudou foi o fato de que Lula tinha total clareza disso. Nossa aposta, mesmo nos momentos de maior pressão, que não foram poucos, era que os resultados iriam compensar o esforço e o capital político empreendido naquele momento. Ou seja, se após o esforço, viesse crescimento, geração de empregos, recursos para os programas sociais e inflação baixa, com melhora da renda, então as duras medidas se justificariam no tempo. E felizmente os resultados estão aí, mostrando que o governo acertou ao apostar num ajuste do tamanho que era necessário. As eleições de 2006 mostraram que o povo compreendeu isso perfeitamente, mais do que muitos imaginavam. Agora é hora de colher os frutos, pois o Brasil está diante de uma oportunidade econômica e social extraordinária.

FÓRUM – Setores do PT acusaram-no de encampar teses neoliberais. Como o senhor reagiu a essas acusações? Em outras palavras, sua atuação na Fazenda foi contraditória com seu histórico de militância?

PALOCCI – Desde aquele período e até hoje tenho conversado pacientemente com esses colegas do PT. Principalmente porque acredito que suas críticas são fruto de boa-fé e não de agressões gratuitas. Um aspecto fundamental que diferenciou nossa gestão econômica das chamadas práticas neoliberais foi que, desde o início, trabalhamos na construção de um processo de recuperação econômica inclusivo. Já em 2003, no meio da crise, começamos a elaborar os instrumentos iniciais de inclusão, como a facilitação da bancarização das pessoas pobres, eliminando taxas nas contas simplificadas, com o crédito consignado, que permitiu aos trabalhadores acesso a taxas de juros menores que a metade do que pagavam antes e a construção da unificação dos programas de transferência de renda no Bolsa Família. Quem quiser chamar isso de neoliberal que o faça. Mas o tempo tem mostrado uma profunda transformação social do Brasil a partir da combinação da estabilidade econômica e das políticas de inclusão. Considero que a política econômica socialmente justa é aquela que chega à mesa do trabalhador. No passado o Brasil já cresceu a taxas elevadas piorando a distribuição de renda. Para ser mais claro, no passado o Brasil cresceu financiado pela concentração de renda dada pela inflação. O processo de crescimento atual é qualitativamente diferente. Ele ocorre com inflação baixa, com aumento da renda e com melhor distribuição da renda na sociedade.
Leia a entrevista na integra aqui