10/01/2010 - 11:13h A imprensa e o novo Brasil

EMÍLIO ODEBRECHT – FOLHA SP


NO FINAL do ano passado, a revista “The Economist” brindou-nos com uma matéria de capa cujo título era: “O Brasil decola”. A reportagem chama nosso país de maior história de sucesso da América Latina. Lembra que fomos os últimos a entrar na crise de 2008 e os primeiros a sair e especula que possamos nos tornar a quinta potência econômica do globo dentro de 15 anos.
Não é apenas a revista inglesa que vem falando dos avanços aqui obtidos nos campos institucional, social e econômico nas últimas décadas. Somos hoje referência no mundo e um exemplo para os países em desenvolvimento, vistos como uma boa-nova que surge abaixo da linha do Equador.
Diante disto, me pergunto se a imprensa brasileira está em sintonia com a mundial -que aponta nossos defeitos, mas reconhece nossos méritos.
Tal dúvida me surge porque há um Brasil que dá certo e que aparece pouco nos meios de comunicação. Aparentemente, o destaque é sempre dado ao escândalo do dia.
Isso deixa a sensação de que não estamos conseguindo explicar aos brasileiros o que a imprensa internacional tem explicado aos europeus, norte-americanos e asiáticos.
Tornar públicas as mazelas é obrigação da imprensa em um país livre. Mas falar somente do que há de ruim na vida nacional, dia após dia, alimenta e realimenta a visão negativa que o brasileiro ainda tem de si.
Se as coisas por aqui caminham para um futuro mais promissor, é porque, em vários âmbitos, estamos fazendo o que é o certo.
Para líderes políticos, empresariais e sociais dos países que precisam encontrar o caminho do progresso, conhecer nossas experiências bem sucedidas pode ser o que buscam para desatar os nós que ainda os prendem na pobreza e no subdesenvolvimento.
O fato é que, ficando nos estreitos limites do senso comum, a sensação é de que a imprensa, de uma forma geral, considera o que é bem feito uma obrigação -não merecedor, portanto, de ocupar espaços editoriais, porque o que está no plano da normalidade não atrairia os leitores.
Ocorre que o que acontece aqui, hoje, repercute onde antes não imaginávamos. Por outro lado, há uma mudança cultural em curso na sociedade brasileira e a imprensa tem um papel preponderante nesse processo.
O protagonismo internacional do Brasil e nossa capacidade de criar novos paradigmas impõem que a boa notícia seja tão realçada quanto são os fatos que apontam para a necessidade absoluta de uma depuração de costumes que ainda persistem em nossas instituições.


EMÍLIO ODEBRECHT escreve aos domingos nesta coluna.

15/12/2009 - 13:53h Discurso de Lula na Conferência Nacional de Comunicação

Ricardo Stuckert / PR


Presidente Lula discursa na abertura da 1ª Conferência Nacional de Comunicação (Confecom)


Discurso do Presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, na cerimônia de abertura da 1ª Conferência Nacional de Comunicação (Confecom)
Brasília-DF, 14 de dezembro de 2009

Meu caro amigo presidente da Câmara dos Deputados, Michel Temer,
Meus caros companheiros ministros que estão aqui presentes, que eu não vou precisar ler a nominata, porque ninguém é candidato a vereador e a deputado,
Meus queridos companheiros senadores, deputados federais,
Meu caro Celso Schröder, coordenador-geral do Fórum Nacional para a Democratização das Comunicações,
Meu caro Marcelo Bechara, presidente da Comissão Organização [Organizadora] da 1º Confecom,
Meu caro Johnny Saad. E eu quero, aqui, fazer um agradecimento especial à participação dos empresários que não tiveram medo de vir nesta Conferência participar do processo de democratização.
Minha querida companheira Rosane Bertotti, secretária de Comunicação da CUT,
Companheiros da imprensa,
Amigos e amigas,

É com grande satisfação que estou aqui hoje, na abertura desta Conferência, para conversar com vocês sobre um tema essencial para a democracia e para o exercício da cidadania: a comunicação social.
Vejo reunidos neste plenário jornalistas, empresários da comunicação e das telecomunicações, trabalhadores, radialistas, professores, movimentos sociais, organizações não governamentais, gestores públicos dos diversos entes federativos, blogueiros, “bichos-grilo” da internet, gente de vários setores e de muitas tribos, cada qual com sua visão, cada qual com suas experiências e preocupações. Mas todos interessados em encontrar respostas para os enormes desafios e as imensas oportunidades que o Brasil tem pela frente na nova era da digitalização, da internet e da convergência de mídias.
O tema desta Conferência não poderia ser mais apropriado e atual: “Comunicação: meio para a construção de direitos e de cidadania na era digital”. Porque o desafio é esse mesmo: como usar e aproveitar as novas tecnologias para abrir caminhos que levem ao fortalecimento, à multiplicação e à democratização da comunicação social, da informação, do entretenimento, das manifestações artísticas e culturais e do debate público de ideias.
E para responder a esse desafio, a diversidade deste plenário é muito bem-vinda, porque a tarefa que temos pela frente é complexa demais para ser resolvida apenas pelo governo ou apenas por um segmento isolado da sociedade. Tampouco pode ser deixada nas mãos de alguns especialistas, ou de um ou de outro grupo de comunicação, dessa ou daquela categoria profissional. Não! Precisamos da contribuição de todos, em um debate franco e aberto, à luz do dia. Só assim encontraremos os melhores caminhos e as soluções mais interessantes para o nosso país.
Nesse sentido, esta Conferência é um marco. Aliás, isso já ficou claro na sua etapa regional. Nas 27 unidades da Federação, os encontros preparatórios, reunindo representantes da sociedade civil, empresários e gestores públicos transcorreram num clima de respeito, entusiasmo e liberdade. Milhares de pessoas participaram dos debates, defendendo com paixão o seu ponto de vista, e não houve qualquer incidente grave nas Conferências estaduais. Ao contrário, elas foram marcadas pelo diálogo, pela maturidade e pela boa convivência democrática.
Por isso mesmo, lamento que alguns atores da área da comunicação tenham preferido se ausentar desta Conferência, temendo sabe-se lá o quê. Perderam uma ótima oportunidade para conversar, defender suas ideias, lançar pontes e derrubar muros. Eu, que sou um homem de conversa e de diálogo, volto a dizer: lamento. Mas cada um é dono de suas decisões e sabe onde lhe aperta o calo. Bola pra frente, e vamos tocar nossa Conferência.
Minhas amigas e meus amigos,
Esta Conferência Nacional de Comunicação é uma Conferência indispensável. Nossa legislação na área é muito antiga e, evidentemente, não responde aos desafios da atualidade. Cito apenas um exemplo: o Código Brasileiro de Telecomunicações que até hoje ainda disciplina a radiodifusão – ou seja, o rádio e a televisão – é de 1962.
De lá para cá, passaram-se 47 anos, quase meio século, e o mundo e o Brasil passaram por grandes transformações. A transmissão por satélites revolucionou a comunicação, permitindo a formação das redes nacionais de televisão e as transmissões ao vivo para todo o País e todo o Planeta. A TV em preto e branco foi substituída pela TV a cores. Se no início da década de 60 havia poucos aparelhos de televisão no Brasil, hoje eles são presentes em 95% dos domicílios brasileiros.
O fato é que mudaram as tecnologias, mudou o País, mudou o mundo, e como não podia deixar de ser, mudou também a comunicação. Mas essas mudanças não foram acompanhadas pelos aperfeiçoamentos e atualizações necessárias na nossa legislação.
Tanto que a Constituição de 1988, ao estabelecer e consolidar os princípios e fundamentos da comunicação social, previu também a elaboração de leis especiais que regulamentariam vários de seus preceitos. Essa determinação, infelizmente, não foi observada em muitos casos, agravando o descasamento entre a acelerada mudança da realidade e o envelhecimento progressivo dos marcos legais.
Minhas amigas e meus amigos,
Esta Conferência realiza-se sob o signo da liberdade de imprensa. Tenho orgulho de dizer que a imprensa no Brasil é livre. Ela apura – e deixa de apurar – o que quer. Publica – e deixa de publicar – o que deseja. Opina – e deixa de opinar – sobre o que bem entende.
Meu compromisso com a liberdade de imprensa é sagrado. Ela é essencial para a democracia. O Estado democrático só existe, se consolida e se fortalece com uma imprensa livre.
Às vezes, há jornais ou noticiários de rádio ou televisão que se excedem, que desprezam os fatos e embarcam em campanhas, que divulgam inverdades ou mesmo que disseminam calúnias e infâmias. Aprendi a conviver tranquilamente com isso porque tenho a certeza de que, havendo liberdade de imprensa e democracia, mais cedo ou mais tarde a verdade termina prevalecendo.
E por uma razão muito simples: os leitores, os ouvintes, os telespectadores são perfeitamente capazes de separar o joio do trigo, a informação da desinformação, a notícia da campanha, a verdade da eventual manipulação. São críticos implacáveis e juízes muito severos. Quem não os trata com respeito, não mostra consideração pela sua inteligência, acaba perdendo credibilidade.
Por isso mesmo, estou entre aqueles que acham que não há nada melhor para os eventuais excessos cometidos pela imprensa do que a própria liberdade de imprensa.
Minhas amigas e meus amigos,
Esta Conferência realiza-se numa época marcada pela convergência de mídias. Até algum tempo atrás, vivíamos em um mundo em que os diferentes meios de comunicação eram claramente separados uns dos outros. Jornal, rádio e televisão não se confundiam.
Com a digitalização e a internet, as fronteiras entre os diferentes meios estão sendo dissolvidas. Hoje, texto, áudio e imagem não só são tratados com a mesma tecnologia digital, como podem ser disseminados pelas mesmas plataformas.
Um número crescente de leitores informa-se através da internet. Cada vez mais, as notícias estão disponíveis em tempo real, tanto em computadores pessoais como em aparelhos celulares ou em outros equipamentos portáteis.
E com a chegada da TV digital no Brasil e a implantação da banda larga, o processo de convergência de mídias tende a se acelerar ainda mais. Até algum tempo atrás, só era possível assistir à televisão nos aparelhos de televisão. Hoje, o sinal aberto da radiofusão pode ser recebido também em computadores e TVs portáteis que cabem na palma da mão. O usuário também pode ter acesso a vídeos, filmes, telenoticiários e todo tipo de programas nos telefones celulares, através da tecnologia 3G.
A tendência é de que, em muito pouco tempo, a maioria das pessoas possa receber no mesmo aparelho, seja ele fixo ou móvel, tanto o sinal gratuito e aberto da radiodifusão transmitido pelas ondas eletromagnéticas, como os arquivos de imagens e sons, gratuitos ou não, transmitidos pela banda larga ou por outras tecnologias. Ou seja, a fronteira entre a televisão, rádio e jornais, de um lado, e a internet, de outro, serão cada vez menos nítidas. O acesso aos diferentes meios será cada vez mais indistinto. A superposição e a fusão entre eles serão cada vez maiores.
Isso abre imensas possibilidades para o mundo da comunicação. Mas, ao mesmo tempo, lança enormes desafios para a sociedade: desafios legais, econômicos, sociais e políticos.
É evidente que nossa legislação, que já era anacrônica antes mesmo da revolução digital, é incapaz de dar conta dos complexos problemas, cruzamentos e superposições criados pelo vertiginoso processo de convergência de mídias. Ou encaramos frontalmente essa realidade, ou sofreremos suas consequências de forma desordenada e caótica.
É claro, também, que esse processo afetará de forma distinta os diferentes setores econômicos e produtivos do mundo da comunicação, ensejando novos arranjos e soluções. Devemos cuidar para que o resultado seja o melhor, não para esse ou para aquele segmento da sociedade, mas para toda a sociedade brasileira.
É importante ainda levar em conta os impactos políticos e sociais desse processo. A convergência de mídias deve ser um estímulo à multiplicação dos meios de comunicação social, nunca à sua monopolização ou à sua oligopolização. Deve favorecer a pluralidade e a diversidade, nunca a uniformidade. Isso é essencial para o exercício da cidadania e da democracia.
Devemos também garantir que a população siga tendo acesso gratuito à informação, ao entretenimento, às manifestações artísticas e culturais, proporcionados pela radiodifusão. Num país como o nosso, onde amplos setores ainda vivem em meio a grandes dificuldades econômicas, essa questão não pode ser subestimada e tratada de forma menor.
Por tudo isso, o País precisa travar um debate franco e aberto sobre a comunicação social. Não será enfiando a cabeça na areia, como avestruz, que enfrentaremos o problema. Não será tampouco fechando os olhos para o futuro ou pretendendo congelar o passado que lideraremos corretamente… que lidaremos corretamente com a nova situação.
Isso vale para todos nós: governo, empresas de comunicação e de telecomunicações, trabalhadores, movimentos sociais, leitores, ouvintes, telespectadores e internautas.
É chegada a hora de uma nova pactuação na área da comunicação social que resgate os acertos do passado, mas também corrija seus erros, e seja capaz de responder às enormes interrogações e às extraordinárias oportunidades que temos diante de nós.
Companheiras e companheiros, amigos e amigas,
Esta Conferência realiza-se também num momento de multiplicação dos meios de comunicação. A digitalização e a internet propiciam uma forte diminuição dos custos de produção da indústria da comunicação. Isso tende a criar um ambiente favorável a uma relativa desconcentração nos meios de comunicação, numa inflexão em relação ao impressionante processo de concentração ocorrido nos últimos quarenta anos ou cinquenta anos em todo o mundo, e também em todo o Brasil.
Tomemos o exemplo dos jornais. As despesas com a redação – o coração da atividade – respondem apenas por um terço do custo total. Ou seja, teoricamente, é possível editar um jornal eletrônico na internet, onde não há gastos com papel e distribuição, com um custo bem inferior ao atual.
Isso estimulará o surgimento de publicações eletrônicas mais leves e baratas, editadas por grupos menores. É possível também que grupos de jornalistas e profissionais competentes decidam criar jornais eletrônicos de boa qualidade, preferindo trilhar seu próprio caminho em vez de trabalhar para os outros.
Em alguma medida, a explosão da blogosfera já aponta nessa direção da multiplicação da oferta de informação, de opinião, de debate de ideias. Existem hoje na internet uma infinidade de blogs, com os mais variados interesses, os mais diversos estilos e as mais diferentes inclinações. Trata-se de um espaço em permanente ebulição, que atrai um número cada vez maior de pessoas e comunidades. Trata-se de um território de liberdade, que aproxima a comunicação do cidadão, dando voz e alcance a milhões que antes não tinham como se expressar na mídia.
Também no rádio e na televisão, a tecnologia digital pode promover a multiplicação dos meios e veículos de comunicação. Ao permitir uma ocupação mais intensiva do espectro eletromagnético, ela torna possível a ampliação do número de concessões de rádio e TV, oferecendo oportunidades a novos atores, a novos grupos, a novas comunidades, isso sem falar na multiprogramação, que elevará ainda mais a oferta de programas e serviços.
Mas, no Brasil, não são apenas as novas tecnologias que estão alimentando a multiplicação dos meios de informação. O vigoroso processo de inclusão social, bem como a redução das desigualdades regionais e a interiorização da economia, também vem impulsionando o surgimento e o fortalecimento de novos veículos, de novos grupos, de novas iniciativas, o que é muito positivo.
Os números das vendas de jornais comprovam esse fenômeno. A circulação dos jornais tradicionais no eixo Rio-São Paulo-Brasília, por exemplo, está estagnada há mais de cinco anos em torno de 900 mil exemplares diários. No mesmo período, os jornais das capitais dos demais estados cresceram 41%, ultrapassando a marca de 1 milhão e 700 mil exemplares. As vendas dos jornais do interior subiram mais ainda: 62%. No caso dos jornais populares, a alta é simplesmente espetacular, superando 120% e atingindo o patamar de 1 milhão e 200 mil exemplares.
Tudo isso tem a ver com distribuição de renda, mobilidade social, crescimento da classe média, interiorização da economia, fortalecimento das regiões Norte e Nordeste. Tudo isso tem a ver com fenômenos econômicos e sociais novos, que vieram para ficar e que, portanto, vão impulsionar mais ainda o processo de multiplicação dos meios de comunicação.
É bom lembrar que essa dinâmica será reforçada em breve com o lançamento do Plano Nacional de Banda Larga, que terá como objetivo levar a internet, em alta velocidade e a preços razoáveis, a todos os lares do Brasil. Vocês devem ter visto os números anunciados na semana passada pelo IBGE sobre o acesso à internet no País. Demos um salto espetacular: em três anos – de 2005 a 2008 –, o total de usuários cresceu 75%, passando de 32 milhões para 56 milhões de pessoas.
Isso é muito bom, mas não podemos nos dar por satisfeitos. No mundo atual, a internet não é um luxo, mas um serviço de primeira necessidade, essencial para a educação, o trabalho, a informação, o lazer, a comunicação e o exercício da cidadania.
Temos, portanto, que massificar ainda mais o acesso à rede, com alta velocidade e preços módicos, volto a dizer. A inclusão digital, da mesma forma que a inclusão social, deve ser encarada como uma prioridade nacional. E é evidente que quanto mais gente tiver acesso à rede, maior será a demanda de conteúdos e maior terá de ser a oferta de informação e entretenimento.
Meus caros companheiros e queridas companheiras,
Outra grande novidade é a mudança imposta pela internet no padrão de relações entre os produtores e os consumidores de informação e entretenimento.
A indústria da comunicação sempre trabalhou com um modelo vertical, que podia ser resumido da seguinte forma: alguns poucos escreviam, falavam ou exibiam para muitos, que apenas liam, ouviam ou assistiam. Ou seja, um modelo em que havia, de um lado, um núcleo ativo de produtores, e de outro, uma massa passiva de consumidores.
A internet, ao promover a formação de redes horizontais, está levando a importantes mudanças nesse cenário. O poder de interferência dos leitores, ouvintes e telespectadores, que era quase nulo no esquema tradicional, deu um salto espetacular com o surgimento e o fortalecimento da internet.
Os consumidores de informação, estimulados por blogs, por leitores mais ativos ou por grupos de pressão, passaram a formar redes horizontais, trocando opiniões, descobrindo pontos de contato, firmando convicções, tornando-se mais críticos e menos passivos. É um pouco o que vem acontecendo na blogosfera.
Em muitos casos, esse ativismo não se restringe apenas aos leitores. Alcança também as fontes primárias de informação – empresas, políticos, universidades, associações de classe, sindicatos, artistas, clubes desportivos, órgãos governamentais –, que descobrem que podem atuar na rede e ter voz na internet, relacionando-se diretamente com boa parte do público.
Não são pequenas as consequências desse processo, a um só tempo tumultuado e estimulante. Não creio que ele ameace o jornalismo, ao menos o bom jornalismo. Ao contrário, creio que o bom jornalismo sairá fortalecido dessa prova.
Minhas amigas e meus amigos,
Como se vê, os temas que vão ser debatidos nesta Conferência são muito complexos. Talvez, no momento, não seja possível encontrar respostas definitivas para muitos deles, mas espero que este encontro contribua para abrir e oxigenar um amplo processo de discussão em toda a sociedade. Um processo que estimule o Congresso a se debruçar sobre o tema da comunicação social com a importância que ele tem, com a visão abrangente que ele merece e com a urgência que ele requer. Um processo que convoque todos os candidatos, especialmente os que disputarão a Presidência da República, a se pronunciarem sobre o tema, a incluí-lo em seus programas e a exporem ao País suas convicções e ideias. Um processo que atraia a todos e esteja aberto à contribuição de todos. Um processo que não exclua ninguém e que não seja propriedade exclusiva de quem quer que seja.
Talvez seja a maior contribuição que esta Conferência possa dar: voltar a incluir a questão da comunicação social na agenda do País e tornar irreversível seu debate aberto, público e transparente.
Meus companheiros e companheiras,
Eu estou aqui falando, mas Deus, quando fez o ser humano, ele deu uma boca para a gente falar o tanto que eu falei, mas deu duas orelhas – e a minha ainda é meio caída para lá, que parece uma caixa de ressonância – para ouvir o que vocês estão gritando aí de trás: as rádios comunitárias. Esse é um desafio que eu penso que aqui, nesta Conferência, é importante a gente colocar o preto do lápis no branco do papel bem corretamente, para que a gente não permita que continuem acontecendo os equívocos que acontecem e, muitas vezes, o abuso de pessoas em vários lugares deste país, que requerem rádio comunitária em nome do movimento comunitário e, na verdade, muitas vezes, são políticos tradicionais conhecidos em muitas áreas deste país. É importante, e para isso é importante que o movimento comunitário… para isso é importante que o movimento comunitário se comporte com a maior seriedade do mundo, e que a gente não aceite, que por ser do movimento comunitário, a gente permita que alguém do nosso meio possa fazer também um processo inequívoco… equivocado e que não tem direito. A gente precisa agir corretamente para que as rádios comunitárias possam atender verdadeiramente os interesses comunitários.
E nós sabemos que todas essas coisas têm que passar pelo Congresso Nacional, nós sabemos que tudo isso tem que passar pelo Congresso Nacional, e eu acho extremamente importante. E aí, meu companheiro Franklin Martins, Hélio Costa e Dulci, que organizaram esta Conferência, eu queria terminar dizendo para vocês o seguinte: muitas vezes, muitas vezes quando nós chegamos em um ato como este, muitas vezes – e à primeira vista – as pessoas pensam: “Mas este ato aqui está muito dividido”. Eu queria lembrar à imprensa brasileira que este ato tem 40% de representação empresarial, este ato tem 40% de representação do movimento social e este ato tem 20% das mais diferentes representações do poder público brasileiro – prefeitura, governo estadual, governo municipal. Portanto, é um ato que o governo convoca e é um ato em que o governo se dispõe a estar presente como minoria, porque o papel do governo não é ser maioria. O papel do governo é tentar extrair daqui a essência daquilo que a sociedade brasileira tem acumulado ao longo de dezenas e dezenas de anos de sofrimento à espera de que a gente possa, uma vez na vida, democratizar os meios de comunicação neste país para atender aos interesses da sociedade brasileira.
E eu sem conhecer – porque amanhã de manhã estarei viajando para a Dinamarca para discutir a questão do clima –, sem conhecer o resultado, eu posso dizer, pelo que eu conheço da sabedoria de vocês: vocês irão tirar como documento para que a gente possa enviar ao Congresso e fazer a regulamentação… talvez não melhor que, individualmente, algum companheiro ou companheira queria, mas eu não tenho dúvida nenhuma de que vocês vão tirar daqui, extrair o melhor que a sociedade brasileira já foi capaz de fazer em nível de comunicação.
Mãos à obra, muito diálogo e bom trabalho a todos vocês. Um abraço, companheiros.

12/12/2009 - 18:59h Pesquisa: ‘Estado’ é o veículo de comunicação mais admirado


Pela sexta vez em dez anos, jornal tem a melhor avaliação em estudo do Grupo Troiano de Branding

Marili Ribeiro – O Estado de S. Paulo

SÃO PAULO - O estudo Veículos Mais Admirados, elaborado pelo Grupo Troiano de Branding há dez anos, deu mais uma vez a liderança para O Estado de S. Paulo. Com 71 pontos no Índice de Prestígio de Marca (IPM) elaborado pela consultoria, o Estado não apenas foi o líder na categoria jornais, como também atingiu a maior pontuação entre os veículos de comunicação de todas as categorias. Em dez edições do estudo, o jornal esteve no topo do ranking em seis. No ano passado, a Folha figurou em primeiro, com um ponto à frente do Estado. Neste ano, o Estado avançou seis pontos, reassumindo, pela sexta vez, o topo do ranking.

Os outros veículos mais admirados na edição de 2009 foram: em televisão aberta, a TV Globo, com 67 pontos; na categoria revista, a semanal de informações Veja, com 55 pontos; em rádio, a CBN, com 53; em internet, o Google, com 52 pontos; e, em canal pago de televisão, a Globo News, com 44 pontos. Na categoria jornais, o segundo lugar ficou com a Folha de S. Paulo, seguida de Valor Econômico, O Globo e Zero Hora. O Jornal da Tarde, também do Grupo Estado, ficou na 9ª posição.

A volta do Estado ao topo do ranking da categoria jornal e a ascensão do canal Globo News ao primeiro lugar na categoria de tevê por assinatura foram as mudanças no atual estudo em relação ao do ano anterior. Os atributos que são avaliados pelo universo pesquisado, no caso dos jornais, consideram a credibilidade, o conteúdo e a independência editoriais, a defesa e a postura ética, o atendimento aos clientes e fornecedores, assim como a eficácia em lidar com a publicidade e a competência dos profissionais do meio, além da inovação e da criatividade do produto final.

O estudo que apurou o IPM 2009 teve por base 809 questionários recolhidos em pesquisa do Instituto Qualibest, com os assinantes da publicação especializada em propaganda Meio & Mensagem, além de leitores cadastrados no site mmonline.com.br. Levantados os atributos, a partir das características de cada veículo, a equipe liderada por Jaime Troiano, sócio e presidente do Grupo Troiano de Branding, aplica a fórmula que desenvolveu.

“As principais posições se mantiveram inalteradas”, explica Troiano. “A Globo segue à frente entre as emissoras de televisão aberta, assim como a Veja na liderança de revistas e a rede CBN na categoria rádio.” A Rádio Eldorado, emissora do Grupo Estado, ocupa a segunda posição em sua categoria. O que se destaca no estudo deste ano é o fato de os índices de prestígio crescerem de 2008 para 2009 em todos os seis meios auditados. Os valores de IPM subiram dois pontos, em média. No caso do Estado, esse aumento foi de seis pontos.

“Construir patamares de prestígio, reconhecidos pelo mercado, é algo que não se faz da noite para o dia”, diz Troiano, ao destacar que a permanência das marcas de maior prestígio em posições que se alteraram pouco ao longo do tempo se justifica. Em dez anos de estudo, ele observa mais sinais de estabilidade do que de mudanças nas categorias avaliadas, o que reforça o valor da marca bem trabalhada.

Fora o reconhecimento do mercado, o prestígio dos veículos, como destaca Troiano, também influencia a decisão de compra de mídia. Uma análise dos resultados obtidos em dez anos de estudo aponta que o bloco dos que desfrutam o maior IPM é também o dos que concentram o maior investimento publicitário.

Para Troiano, a pesquisa exibe também, ao longo da década, um padrão de prestígio que poderia gerar ainda mais resultados comerciais. “O indicador é uma ferramenta poderosa para alimentar ou estimular receitas comerciais”, diz. “Prestígio é energia potencial que pode ser convertida em negócios, e não apenas um título honorífico de distinção. Cabe aos veículos trabalharem essas possibilidades”, acrescenta o consultor.

08/12/2009 - 10:58h “Como o Brasil controlou a desigualdade”

Toda Mídia

NELSON DE SÁ – FOLHA SP

nelsonsa@uol.com.br

Lições do Brasil

A se dar crédito aos números, a aprovação de Lula segue alta. E foi pesquisa feita sob impacto do apagão, “notícia mais lembrada” pelos entrevistados.

Uma explicação pode estar na “Newsweek” desta semana, sob o enunciado “Como o Brasil controlou a desigualdade”. O país virou “parâmetro no esforço global para diminuir a diferença entre ricos e pobres”. E “não é só que os pobres vivem situação melhor: o Brasil se destaca porque seus pobres estão subindo mais rapidamente que qualquer outra classe social. A desigualdade caiu 5,5% desde 2003″.
Mais à frente, “apesar de China e Índia estarem crescendo mais, estão se tornando mais desiguais, o que leva especialistas a olharem o Brasil como um modelo para a guerra contra a pobreza”. E por aí vai, creditando à “chegada da esquerda ao poder”, com Bolsa Família, mais presença do Estado etc.

A “Newsweek” ecoa a “Economist” anterior, sob o título “Lições do Brasil, China e Índia”. Em suma, “por unidade de crescimento, o Brasil cortou sua taxa de pobreza cinco vezes mais que China e Índia. Como ele conseguiu ir tão bem?” Bolsa Família etc.
A diferença é que a “Economist” fecha dizendo que “os dois asiáticos poderiam aprender com o Brasil”, mas também o Brasil precisa de “crescimento maior”, como conquistaram a China e a Índia.


AGORA, PETROPOTÊNCIA

Ecoou do “ex-blog de Cesar Maia” ao UOL a reportagem de Juan Forero, em alto de página ontem no “Washington Post”, “Brasil se prepara para extração maciça de petróleo”.
Em destaque, logo abaixo, “Estatal Petrobras está prestes a se tornar um ator global maior”. Na legenda da foto de um estaleiro em Angra dos Reis, no Rio, “operários estão construindo enormes plataformas de petróleo”. Na tradução da BBC, “tudo neste estaleiro é colossal. Os bilhões, os quatro mil trabalhadores, as plataformas de dez andares. Assim é também o desafio da Petrobras: desenvolver campos em mar profundo que catapultarão o país ao ranking das petropotências”.

Leia a integra da coluna de Nelson de Sá, na Folha SP

04/12/2009 - 17:50h Roberto Schmitt-Prym é destaque no Photo Magazine

01/12/2009 - 16:40h O chapéu que Marcelo quer por na minha cabeça não é meu

Marcelo Coelho tenta dar uma contribuição ao debate sobre o papel da imprensa, que alguns denominam PIG, tomando como ponto de partida minha opinião sobre o caso Arruda.

Segundo Marcelo, minha postura “É como se supostas “campanhas de difamação” fossem mais perigosas do que os supostos “difamados”; PT e agora o DEM são vítimas de campanhas. O problema é saber se dá para sustentar a tese, tão comum no petismo, de que a imprensa está a favor da direita golpista, dos tucanos etc.”. Esse chapéu não é meu.

Trata-se de uma interpretação, motivada talvez por falta de precisão de minha parte, mas Marcelo citando longamente meu texto, deixou fora o parágrafo que precede e introduz a parte citada.

“Durante um certo tempo alguns alimentaram a idéia que este assunto seria a chave para acabar com o PT, ou “com essa raça” como dizia Bornhausem, do DEM. Campanhas histéricas foram lançadas para “criminalizar” a prática de dinheiro não declarado à justiça eleitoral, com o único objetivo de tentar favorecer determinadas forças políticas em detrimento do PT. Um udenismo de fachada que impedia qualquer discussão de fundo sobre a legislação eleitoral.”

Onde eu escrevi “alguns”, Marcelo me atribui uma condenação da imprensa em geral. Onde falo de pratica de caixa 2, que distingo de corrupção e enriquecimento ilícito (como distingue também a própria lei) e de “udenismo de fachada”, Marcelo vê equiparação entre difamadores e difamados.

As “campanhas de difamação” não podem ser confundidas com acusações consistentes e embasadas em provas sobre corrupção ou caixa 2.

Eu não penso que informar sobre os fatos seja equivalente a campanhas politicamente dirigidas. Mas durante meses a fio uma parte dos jornais e alguns dos seus articulistas, utilizando o descobrimento de dinheiro não declarado à justiça eleitoral, por parte do PT, ou de caixa 2 no funcionamento petista, tentaram acoplar aos dirigentes e ao governo federal a marca de ladrões, corruptos e até de assassinos.

Os gritos das vestais demo-tucanas, verdadeiros fariseus, encontravam destaque em manchetes. A Folha, por exemplo, mantinha diariamente uma manchete “PT sob suspeita” para noticiar qualquer informação sobre suposta ilegalidade de algum petista, como sendo ilegalidade da própria sigla. O “mensalão petista” era o chamariz, distinto do “mensalão mineiro” e assim pela frente. A campanha difamatória era liderada pelo DEM, o PSDB e o PPS, uma parte da imprensa “repercutia”.

Quando Lula ousou dizer que a pratica de caixa 2 era comum nos partidos foi acusado de dar cobertura às quadrilhas de ladrões. FHC ganhava manchetes afirmando “Não somos como eles”. Exigiam e constituíam CPI para gerar espetáculos de desmoralização visando o PT.

Hoje não é assim. Arruda é Arruda. O DF é o DF. Já Kassab é Kassab e o DEM não é uma quadrilha organizada para roubar os cofres públicos. Ninguém insinua que Arruda possa ser assassinado por seus colegas de partido, “porque sabe muito”. Ninguém faz amálgama entre o preço da Cidade da Música, no Rio, com a Máfia da Merenda escolar em São Paulo e o dinheiro da meia, em Brasília, para concluir que o DEM deveria ser banido porque estaria composto de meliantes. Ninguém propõe uma CPI para convocar Arruda, Maia, Lerner, Jorge, Kassab e desvendar o que eles falaram o deixaram de dizer.

É bom que seja assim. A justiça sumária não é justiça. É paródia. O assassinato de reputações não é “efeito colateral” de uma “boa guerra”. É sujeira vil, de guerra suja.

Por isso reitero o que escrevi sobre as acusações contra José Arruda e também sobre o DEM, PPS e PSDB envolvidos no escandalo do DF.

“Mesmo com tantas evidências apresentadas nos médios de comunicação, me parece prudente aguardar a manifestação serena da justiça, evitando “linchamentos” mediaticos e condenações sumárias.

O acusado deve poder se defender e deve contar com a “presunção de inocência”, que deve ser respeitada por todos. Mas a comoção provocada pelas gravações e fitas, deveria aconselhá-lo a se afastar do cargo e assegurar sua defesa como indivíduo, preservando a instituição do DF.”

(…)
“Não se trata de ser tolerante com a corrupção e os indivíduos que a praticam. Mas de aprimorar o arcabouço institucional para eliminar a pratica de financiamento partidário irregular, permitindo o pleno funcionamento dos partidos.

Só assim poderemos separar os partidos políticos e seus membros, dos que almejam cargos com fins de enriquecimento criminoso. Preservando o funcionamento dos partidos e assegurando o seu financiamento público, estará a democracia brasileira mais armada para combater com rigor os desvios e a corrupção.

O DEM, como o PSDB, o PT e demais partidos que não são “legendas de aluguel”, são importantes para a democracia. Eles representam diferentes grupos sociais, visões programáticas e estilos específicos de fazer política.

A tentativa de levar ao extremo o acirramento político e a procura de “acabar” com o adversário, debilita todos e é ruim para o país.

O pluralismo partidário e essencial a democracia. O partido único é inerente as ditaduras.

Não fico feliz de ver o DEM, o PSDB e o PPS atingidos pelo sistema Arruda.Não é bom para o Brasil.”

Luis Favre

25/11/2009 - 14:28h “Pai dos Pobres” provocou milagre econômico no Brasil

UOLDer Spiegel

Jens Glüsing

O Brasil é visto como uma história de sucesso econômico e sua população reverencia o presidente Luiz Inácio Lula da Silva como um astro. Ele está na missão de transformar o país em uma das cinco maiores economias do mundo por meio de reformas, projetos gigantes de infraestrutura e explorando vastas reservas de petróleo. Mas ele enfrenta obstáculos.

Elizete Piauí aguarda pacientemente por horas à sombra de uma mangueira. Ela calça sandálias de plástico e veste um short largo sobre suas pernas finas. A 40ºC, o ar tremula neste dia incomumente quente na Barra, uma pequena cidade no sertão, o coração do Nordeste brasileiro. Mas Elizete não se queixa, porque hoje é seu grande dia, o dia em que se encontrará com o presidente, que está trabalhando para fornecer água encanada para sua casa.

  • lulasertania
    Em Sertania (Pernambuco), Lula vistoria as obras da transposição das águas do rio São Francisco

O barulho de um helicóptero sinaliza sua chegada. A aeronave branca sobrevoa a multidão antes de pousar. Uma escolta de batedores acompanha o presidente até a cerimônia.

Lula sai da limusine vestindo uma camisa branca de linho e um chapéu militar verde. Ignorando os dignitários locais em seus ternos pretos, Lula segue direto para a multidão atrás de uma barreira de segurança. “Lula, Papai!”, chama Elizete. Ele a puxa até seu peito e aperta a mão de outros na multidão, permitindo que as pessoas o toquem, façam carinho e o abracem. Gotas de suor correm pelo seu rosto corado enquanto pessoas o puxam pela camisa, mas Lula se deixa embeber na atenção. Ele se sente em casa aqui, em uma das regiões mais pobres do Brasil.

O presidente passa três dias viajando pelo sertão. Ele conhece a rota. Ele veio à região pela primeira vez há 15 anos, em campanha, viajando de ônibus e ficando hospedado em locais baratos. Ele fazia paradas em todas as praças, sete ou oito vezes por dia, geralmente realizando seus discursos na traseira de um caminhão. Sua voz geralmente ficava rouca e fraca à noite e ele tinha que trocar sua camisa suada até 10 vezes por dia.

‘Ele ainda é um de nós’
Agora ele viaja de helicóptero e carros blindados, com os carros da polícia, com suas luzes piscando, abrindo o caminho ao longo das estradas. Voluntários montam aparelhos de ar condicionado e bufês nos aposentos de Lula, às vezes até mesmo estendem um tapete vermelho. A imprensa critica as despesas, mas isso não incomoda a maioria dos brasileiros, porque eles têm orgulho de seu presidente. Ele chegou ao topo, eles argumentam, então por que não desfrutar de seu sucesso? “Ele ainda é um de nós”, diz Elizete, “porque ele é o pai dos pobres”.

Lula está familiarizado com o destino dos nordestinos pobres do Brasil. Ele nasceu no sertão, mas sua mãe colocou seus filhos na traseira de um caminhão e os levou para São Paulo, 2 mil quilômetros ao sul. A posterior ascensão de Lula ao poder começou nos subúrbios industriais de São Paulo. Sua mãe foi uma das centenas de milhares de pessoas carentes que deixaram o sertão atormentado pela seca, com seus campos ressecados e animais morrendo de sede, e migraram para o sul mais rico, para trabalhar como porteiros, garçons, operários de construção ou empregados domésticos.

Em um plano para tornar verde esta região árida, Lula está explorando as águas dos 2.700 quilômetros do Rio São Francisco, um rio vital para grandes partes do Brasil. O rio fornece água para cinco Estados, mas ele passa em torno do Sertão. Segundo o plano de Lula, dois canais desviarão água do rio por 600 quilômetros até as áreas atingidas pela seca. “É o mínimo que posso fazer por vocês”, Lula diz às pessoas na Barra.

Projeto controverso
O megaprojeto, que exige a superação de uma diferença de altitude de 200 metros, tem um custo estimado de R$ 6,6 bilhões. Lula posicionou soldados na região para escavar os canais. Oito mil trabalhadores labutam nos canteiros de obras enquanto tratores e escavadeiras movem a terra pela estepe. Se tudo correr bem, 12 milhões de brasileiros se beneficiarão com o projeto de transposição de águas, que deverá ser concluído em 2025. É o maior e mais caro projeto de Lula, assim como provavelmente seu mais controverso.

Aqueles que o apoiam comparam Lula ao presidente americano Franklin D. Roosevelt, que represou o Rio Tennessee nos anos 30, para fornecer eletricidade à região, e que lançou o New Deal, um imenso programa de investimento para superar a Grande Depressão. Mas os críticos veem a obra como um imenso desperdício de dinheiro. O projeto também atraiu a ira dos ambientalistas e até mesmo o bispo da Barra já fez duas greves de fome contra ele. Ele teme que o projeto de transposição das águas secará ainda mais o rio, alegando que a irrigação beneficiaria principalmente o setor agrícola.

O bispo não está presente. Dizem que ele está participando de reuniões fora da cidade. Na verdade, o religioso está mantendo discrição. As críticas ao presidente são desaprovadas por sua congregação. Lula fala a linguagem das pessoas comuns, contando histórias de sua juventude aos seus simpatizantes, histórias dos tempos em que sua mãe o enviava para buscar água e ele voltava para casa equilibrando um balde pesado sobre sua cabeça. Ele tinha cinco anos na época.

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O presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva (à frente), com o presidente da Petrobras, Sérgio Gabrielli, exibe mãos sujas de petróleo na plataforma P-34, em Vitória, Espírito Santo

O Brasil já foi chamado de “Belíndia”, um termo cunhado por um empresário que via o vasto país como uma mistura entre a Bélgica e a Índia, um lugar com riqueza europeia e pobreza asiática, onde o abismo entre ricos e pobres parecia intransponível. Lula foi o primeiro a construir uma ponte entre os dois Brasis.

Agora ele é tanto o queridinho dos banqueiros quanto ídolo dos pobres. Com o chamado presidente operário no comando, o Brasil está atraindo investidores de todas as partes do mundo. Jim O’Neill, o economista chefe do Goldman Sachs, inventou a sigla Bric para as economias emergentes do Brasil, Rússia, Índia e China, prevendo um futuro brilhante para o gigante sul-americano. Mas seus colegas zombaram dele. A China e a Índia certamente tinham perspectivas, mas o Brasil? Por décadas o país era visto como um gigante acorrentado, atormentado por crises infindáveis e inflação.

Potência econômica ascendente
Mas hoje o “B” é a estrela entre os países Bric, com os especialistas prevendo um crescimento de até 5% para a economia brasileira em 2010. O Brasil está atualmente crescendo mais rápido do que a Rússia e, diferente da Índia, não sofre de conflitos étnicos ou disputas de fronteira. O país de 192 milhões de habitantes possui um mercado doméstico estável, com as exportações – carros e aeronaves, soja e minério de ferro, petróleo e celulose, açúcar, café e carne bovina – correspondendo a apenas 13% do produto interno bruto.

E como a China substituiu os Estados Unidos como maior parceira comercial do Brasil no início deste ano, o país não foi severamente afetado pela recessão no mercado americano como poderia ter sido. Os bancos do Brasil são fortes, estáveis e não encontraram grandes dificuldades durante a crise. Mais importante, entretanto, é o fato do Brasil ser uma democracia estável, ao estilo ocidental.

O país pagou sua dívida externa e até mesmo passou a emprestar ao Fundo Monetário Internacional (FMI). O governo acumulou mais de US$ 200 bilhões em reservas e o real é considerado uma das moedas mais fortes do mundo. Especialistas internacionais preveem uma década de prosperidade e crescimento para o país. Lula prevê que o Brasil será uma das cinco maiores economias do planeta em 2016, o ano em que o Rio de Janeiro será sede dos Jogos Olímpicos. O país será sede da Copa do Mundo de 2014.

E ainda há os recursos naturais aparentemente ilimitados do Brasil, vastas reservas de água doce e petróleo. O Brasil exporta mais carne do que os Estados Unidos. E a China estaria em dificuldades sem a soja brasileira. Nos hangares da fabricante de aviões, a Embraer, perto de São Paulo, engenheiros brasileiros constroem aviões para companhias aéreas de todo o mundo, incluindo aviões para trajetos menores para a Lufthansa.

Um patriarca extremamente popular
Em outras palavras, o presidente Lula tem bons motivos para estar repleto de autoconfiança. O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, e o presidente da França, Nicolas Sarkozy, o estão cortejando, enquanto Wall Street praticamente o venera. Ele é até mesmo tema de um novo filme, “Lula, o Filho do Brasil”, que descreve a saga de sua ascensão de engraxate a presidente.

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    Carisma
    Patriarca extremamente popular, o líder brasileiro é até mesmo tema de um novo filme, “Lula, o Filho do Brasil”, que descreve a saga de sua ascensão de engraxate a presidente do país

Todo o Brasil desfruta da fama de seu presidente que, há menos de sete anos no poder, atualmente conta com um índice de aprovação acima de 80%. A oposição praticamente desapareceu e o Congresso se tornou submisso. Lula dirige o país como um patriarca, tanto que seu antecessor, Fernando Henrique Cardoso, o está acusando de “autoritarismo” e alertando que o Brasil está no caminho de um capitalismo estatal.

Há um quê de verdade nas alegações de Fernando Henrique. Lula nunca teve confiança na capacidade do mercado de curar a si mesmo e considera que o Estado deve moldar uma nova ordem social. Ele adora projetos impressionantes e gestos nacionalistas. Ele é pragmático, mas despreza especuladores. “Brancos com olhos azuis” levaram o mundo à beira da ruína financeira, ele disse recentemente. Ele falava dos banqueiros.

A crise financeira apenas confirmou o ceticismo de Lula em relação ao capitalismo. Lula acredita que o Brasil lidou melhor com a crise do que outros países porque o governo adotou medidas corretivas desde cedo. Segundo Lula, o combate à pobreza e a distribuição justa de renda não podem ficar aos cuidados do mercado.

Classe média crescente
Sob sua liderança, milhões de brasileiros ingressaram na classe média. A evidência dessa transformação social está por toda a parte: nos shopping centers do Rio e São Paulo, lotados de famílias barulhentas da periferia, ou nos aeroportos, onde mães jovens ficam na fila do balcão de check-in, aguardando para embarcar em um avião pela primeira vez em suas vidas. “A desigualdade entre ricos e pobres está começando a diminuir”, diz o economista e especialista em estudos sobre a pobreza, Ricardo Paes de Barros.

A chave para aquela que provavelmente é a maior redistribuição de riqueza na história brasileira é o programa social Bolsa Família, sob o qual uma mãe carente que possa comprovar que seus filhos estão frequentando a escola recebe até R$ 200 por mês do governo. A primeira vista pode não parecer muito, mas este subsídio do governo ajuda milhões de pessoas a sobreviverem no Nordeste brasileiro.

Especialistas inicialmente criticaram o programa como sendo apenas uma esmola, mas agora ele é visto como um modelo mundial. Mais de 12 milhões de lares recebem os subsídios, com grande parte do dinheiro indo para o Nordeste. Graças ao programa Bolsa Família, a região antes atingida pela pobreza começou a prosperar. Muitos nordestinos abriram pequenas empresas ou lojas e a indústria descobriu o Nordeste como mercado. “Agora a região está crescendo por conta própria”, diz Paes de Barros.

Lula foi abençoado pela sorte. Seu antecessor, Fernando Henrique, já tinha estabilizado a economia, que sofria com a hiperinflação, quando foi ministro da Fazenda em 1994. Ele impôs uma reforma da moeda ao país e implantou leis que forçaram o governo a adotar políticas com responsabilidade fiscal. Lula não mudou nada disso.

Não havia necessidade de Lula reinventar a política econômica e social do Brasil. O país tem uma tradição de controle total da economia pelo governo que remonta aos anos 30.

O plano Marshall próprio do Brasil
Os centros nervosos da política econômica do país ficam abrigados em dois imponentes arranha-céus no centro do Rio. O Banco Nacional de Desenvolvimento (BNDES), que conta com seus escritórios em uma torre de aço e vidro, foi criado com a ajuda americana e usando o KFW Banking Group da Alemanha como modelo. Ele financiou uma versão brasileira do Plano Marshall.

Nos anos 90, o BNDES administrou com sucesso a privatização de muitas estatais brasileiras. Hoje, ele fornece assistência a fusões e aquisições corporativas, ajuda empresas em dificuldades e financia os investimentos estratégicos do governo.

O BNDES é altamente respeitado. Acredita-se que seja em grande parte livre de corrupção e ele paga os mais altos salários do país. “Há um ano, os bancos estrangeiros batiam à minha porta perguntando se o Brasil estava preparado para a crise financeira”, diz Ernani Teixeira, um dos diretores financeiros do banco. Teixeira conseguiu tranquilizá-los, notando que o BNDES tinha separado R$ 100 bilhões em reservas adicionais. No ano passado, o banco emitiu mais empréstimos e garantias de empréstimos do que o Banco Mundial – e até apresentou um lucro respeitável.

O segundo pilar do milagre econômico brasileiro fica diagonalmente no outro lado da rua: um bloco de concreto, iluminado à noite com as cores nacionais, verde e amarelo, é a sede do grupo de energia semiestatal Petrobras. A empresa planeja investir US$ 174 bilhões nos próximos quatro anos em plataformas de perfuração, navios e outros equipamentos para explorar as grandes reservas de petróleo além da costa do Brasil.

Há um ano e meio, a Petrobras descobriu novas reservas de petróleo sob o leito do oceano. Mas o petróleo será difícil de extrair, por estar situado abaixo de uma camada de sal em profundidades de pelo menos 6 mil metros. A expectativa é de que os poços comecem a produzir daqui pelo menos seis anos. A receita desse petróleo será depositada em um fundo que o governo usará principalmente para financiar novas escolas e universidades.

Lula apresentou recentemente uma legislação que regulamentaria a exploração das reservas de petróleo submarinas, fortalecendo assim o monopólio da Petrobras. Especialistas temem que Lula esteja criando um monstro corporativo poderoso e corruptível.

Obstáculos burocráticos
O imenso apagão que ocorreu simultaneamente em grandes partes do país, há duas semanas, teria sido um sinal de alerta de que o governo está indo além de sua capacidade? A modernização da infraestrutura decrépita do Brasil está avançando, mas lentamente. Bilhões de dólares em investimentos em portos, construção de estradas e no setor de energia existem apenas no papel, com a implantação atrapalhada por uma burocracia kafkaniana e um Judiciário moroso. Além disso, o país também não teve muito sucesso no combate à criminalidade.

  • apagao
    O apagão em 18 Estados brasileiros levanta dúvidas sobre a real capacidade do Brasil decolar

Lula tem mais um ano no poder, após ter resistido à tentação de manipular a Constituição para garantir sua reeleição para um terceiro mandato. Ávido em preservar seu legado, ele tem buscado a indicação de sua ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, como sua sucessora, apesar da resistência dentro do próprio Partido dos Trabalhadores.

Rousseff, que foi integrante dos grupos guerrilheiros de esquerda após o golpe militar de 1964 e que posteriormente passou anos presa, tem uma reputação de tecnocrata competente, mas é vista como inacessível e autoritária. Ela está acompanhando o presidente em suas viagens pelo país, inaugurando novas estradas e usinas elétricas. Lula a apoia de modo tão determinado que até parece estar fazendo campanha para si mesmo.

Ela também está com ele em seu giro pelo Nordeste, apesar dos médicos terem removido um tumor de sua axila há poucos meses. Acredita-se que ela esteja curada e ela atualmente usa uma peruca após a quimioterapia. Seu rosto é pálido e seu sorriso parece congelado. O presidente a puxa para o seu lado quando ele caminha até o microfone, e ele menciona o nome dela repetidas vezes.

Elizete Piauí, ainda completamente embriagada pelo seu encontro com Lula, a viu pela televisão. Ela sabe que Dilma é a candidata de Lula e ela fará campanha pela ministra, apesar de que preferiria que Lula permanecesse no poder. “Eu votarei em qualquer pessoa que ele indicar”, ela diz.

Lula também prometeu retornar. Antes do fim de sua presidência, ele planeja fazer outra viagem ao Nordeste para ver o quanto progrediram as obras no Rio São Francisco. Talvez, espera Elizete, ele terá atendido seu maior desejo até lá e ela poderá servir a ele um copo de água – de sua própria torneira, em sua própria casa.

Tradução: George El Khouri Andolfato

12/11/2009 - 15:28h Brasil decola: Na próxima década poderá virar a 5° economia do mundo, superando França e Inglaterra. O risco é a soberba.

Brazil takes off

Nov 12th 2009

From The Economist print edition

Now the risk for Latin America’s big success story is hubris

Rex Features

WHEN, back in 2003, economists at Goldman Sachs bracketed Brazil with Russia, India and China as the economies that would come to dominate the world, there was much sniping about the B in the BRIC acronym. Brazil? A country with a growth rate as skimpy as its swimsuits, prey to any financial crisis that was around, a place of chronic political instability, whose infinite capacity to squander its obvious potential was as legendary as its talent for football and carnivals, did not seem to belong with those emerging titans.

Now that scepticism looks misplaced. China may be leading the world economy out of recession but Brazil is also on a roll. It did not avoid the downturn, but was among the last in and the first out. Its economy is growing again at an annualised rate of 5%. It should pick up more speed over the next few years as big new deep-sea oilfields come on stream, and as Asian countries still hunger for food and minerals from Brazil’s vast and bountiful land. Forecasts vary, but sometime in the decade after 2014—rather sooner than Goldman Sachs envisaged—Brazil is likely to become the world’s fifth-largest economy, overtaking Britain and France. By 2025 São Paulo will be its fifth-wealthiest city, according to PwC, a consultancy.

And, in some ways, Brazil outclasses the other BRICs. Unlike China, it is a democracy. Unlike India, it has no insurgents, no ethnic and religious conflicts nor hostile neighbours. Unlike Russia, it exports more than oil and arms, and treats foreign investors with respect. Under the presidency of Luiz Inácio Lula da Silva, a former trade-union leader born in poverty, its government has moved to reduce the searing inequalities that have long disfigured it. Indeed, when it comes to smart social policy and boosting consumption at home, the developing world has much more to learn from Brazil than from China. In short, Brazil suddenly seems to have made an entrance onto the world stage. Its arrival was symbolically marked last month by the award of the 2016 Olympics to Rio de Janeiro; two years earlier, Brazil will host football’s World Cup.

At last, economic sense

In fact, Brazil’s emergence has been steady, not sudden. The first steps were taken in the 1990s when, having exhausted all other options, it settled on a sensible set of economic policies. Inflation was tamed, and spendthrift local and federal governments were required by law to rein in their debts. The Central Bank was granted autonomy, charged with keeping inflation low and ensuring that banks eschew the adventurism that has damaged Britain and America. The economy was thrown open to foreign trade and investment, and many state industries were privatised.

All this helped spawn a troupe of new and ambitious Brazilian multinationals (see our special report). Some are formerly state-owned companies that are flourishing as a result of being allowed to operate at arm’s length from the government. That goes for the national oil company, Petrobras, for Vale, a mining giant, and Embraer, an aircraft-maker. Others are private firms, like Gerdau, a steelmaker, or JBS, soon to be the world’s biggest meat producer. Below them stands a new cohort of nimble entrepreneurs, battle-hardened by that bad old past. Foreign investment is pouring in, attracted by a market boosted by falling poverty and a swelling lower-middle class. The country has established some strong political institutions. A free and vigorous press uncovers corruption—though there is plenty of it, and it mostly goes unpunished.

Just as it would be a mistake to underestimate the new Brazil, so it would be to gloss over its weaknesses. Some of these are depressingly familiar. Government spending is growing faster than the economy as a whole, but both private and public sectors still invest too little, planting a question-mark over those rosy growth forecasts. Too much public money is going on the wrong things. The federal government’s payroll has increased by 13% since September 2008. Social-security and pension spending rose by 7% over the same period although the population is relatively young. Despite recent improvements, education and infrastructure still lag behind China’s or South Korea’s (as a big power cut this week reminded Brazilians). In some parts of Brazil, violent crime is still rampant.

National champions and national handicaps

There are new problems on the horizon, just beyond those oil platforms offshore. The real has gained almost 50% against the dollar since early December. That boosts Brazilians’ living standards by making imports cheaper. But it makes life hard for exporters. The government last month imposed a tax on short-term capital inflows. But that is unlikely to stop the currency’s appreciation, especially once the oil starts pumping.

Lula’s instinctive response to this dilemma is industrial policy. The government will require oil-industry supplies—from pipes to ships—to be produced locally. It is bossing Vale into building a big new steelworks. It is true that public policy helped to create Brazil’s industrial base. But privatisation and openness whipped this into shape. Meanwhile, the government is doing nothing to dismantle many of the obstacles to doing business—notably the baroque rules on everything from paying taxes to employing people. Dilma Rousseff, Lula’s candidate in next October’s presidential election, insists that no reform of the archaic labour law is needed (see article).

And perhaps that is the biggest danger facing Brazil: hubris. Lula is right to say that his country deserves respect, just as he deserves much of the adulation he enjoys. But he has also been a lucky president, reaping the rewards of the commodity boom and operating from the solid platform for growth erected by his predecessor, Fernando Henrique Cardoso. Maintaining Brazil’s improved performance in a world suffering harder times means that Lula’s successor will have to tackle some of the problems that he has felt able to ignore. So the outcome of the election may determine the speed with which Brazil advances in the post-Lula era. Nevertheless, the country’s course seems to be set. Its take-off is all the more admirable because it has been achieved through reform and democratic consensus-building. If only China could say the same.

12/11/2009 - 15:16h Capa do The Economist: Brasil decola

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05/11/2009 - 17:15h Império das coelhinhas vive crise, mas Hugh Hefner reina aos 83

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‘É uma das boas fases de minha vida’, diz o profeta do hedonismo, que já admite até vender sua revista


Brooks Barnes, THE NEW YORK TIMES, LOS ANGELES – O Estado SP

Hugh Hefner se reclina no surrado sofá de dois lugares no estúdio da sua famosa mansão e entrelaça os dedos por trás da cabeça. Um visitante fez uma pergunta – quase gritando, já que Hefner tem problemas de audição – sobre mortalidade. Aos 83 anos, ele pensa nisso? Numa palavra: não. O lendário fundador da Playboy, profeta do hedonismo, não acredita que seu fim esteja próximo. E também não age como se estivesse. Continua trabalhando em tempo integral na sua revista, voa para a Europa e Las Vegas, toma Viagra, frequenta boates com as três atuais namoradas com quem vive na sua mansão – com idades suficientes para serem suas bisnetas – e está trabalhando num filme com o produtor Brian Grazer. “Esta é uma melhores fases da minha vida”, diz, sorrindo, de pijama e chinelos. “Está ainda melhor, mais rica, do que as pessoas imaginam.”

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Você quer acreditar, mas é difícil ignorar as realidades da sua empresa. A Playboy Enterprises, afetada pelas mudanças que vêm ocorrendo nos veículos de comunicação, precisa de uma boa injeção de ânimo. Neste mês, a revista anunciou um corte na tiragem de 2,6 milhões para 1,5 milhão. A Playboy Magazine contabiliza prejuízos há sete trimestres consecutivos. E talvez o mais terrível seja que, no início do ano, a empresa tenha declarado que aceitaria ofertas de compra, algo que se acreditava impensável enquanto Hefner estivesse vivo.

Mas ele sabe que toda boa festa acaba e há muito tempo comprou uma cripta próxima à de Marilyn Monroe no cemitério de Los Angeles. Nas entrevistas concedidas com o passar dos anos, ele sempre disse que a vida não valeria a pena sem a Playboy. “Seu eu a vendesse, minha vida acabaria”, declara. Mas isso pode estar mudando. “Estou pensando mais seriamente no fato de que não tenho mais 30 anos. Preciso pensar na continuidade da revista.”

Amado ou odiado, ninguém duvida da influência de Hugh Hefner na história da cultura norte-americana. Como editor de revista, ele fez pelo sexo o que Ray Kroc fez pela comida de beira de estrada: tornou-o mais “limpo” para uma classe média emergente.

Como força cultural, contudo, Hugh Hefner ainda divide o país, e isso 56 anos depois da primeira edição da Playboy. Para seus defensores, ele é o grande libertador sexual que ajudou os americanos a se livrarem da neurose e do puritanismo. Para seus detratores, incluindo muitas feministas e conservadores, ele ajudou a desencadear uma revolução do comportamento sexual que transformou em simples objeto e vítima um número incontável de mulheres e promoveu uma visão imoral da vida, só de prazeres. Hugh Hefner reconhece que houve consequências funestas a partir do que ele ajudou a pôr em marcha, mas diz que “é um pequeno preço a pagar pela liberdade pessoal”.

A SÉRIE DE TV

“As pessoas nem sempre tomam boas decisões. As reais obscenidades neste planeta têm pouco a ver com sexo”, diz, acrescentando que “esta não é uma época romântica”. Considerando-se toda a pornografia agora disponível instantaneamente online e os programas de sexo ao vivo, incluindo a sua própria série na TV ,The Girls Next Door (As Garotas da Mansão da Playboy), esta é uma época que torna os ideais da Playboy parecerem antiquados.

Hefner usa a palavra “gato” para falar de si: “Sou o gato mais feliz do planeta.” E não valoriza muito o ambiente cultural moderno. “Acredito firmemente que a cultura pop hoje é um caldo diluído”, declara. “Costumava ser algo muito mais espesso e profundo.”

Mas, ao mesmo tempo, tenta participar ativamente desse ambiente. Embora a revista ainda seja editada quase toda em Chicago, é ele que aprova “cada Coelhinha, cada capa, os cartoons e as cartas”. Trabalhando a partir do seu escritório ou da sua cama, forrada por uma colcha de veludo e seda, Hefner é quem estimulou a recente decisão da revista de adquirir um trecho de 5.000 palavras do romance inacabado de Vladimir Nobokov, Laura, para uma futura edição.

Ele foi iniciado no Twitter por suas namoradas. Está ligadíssimo na série dramática da HBO, True Blood. E, recentemente, filmou um comercial de propaganda do Guitar Hero segurando o cachimbo que abandonou depois de sofrer um pequeno AVC em 1985.

VINGATIVAS

Hefner também sofreu algumas humilhações pessoais. Antigas namoradas que viveram com ele na mansão, incluindo as que apareceram na série As Garotas da Mansão da Playboy, o retrataram em entrevistas e num livro como um controlador fanático que impunha um toque de recolher às 9 horas da noite. A própria mansão já teve dias melhores. Durante uma visita em julho, a casa de jogos (a única com uma sala que tem um colchão como piso) cheirava mofo, enquanto que o viveiro de pássaros estava precisando de uma boa limpeza. A famosa gruta, com suas banheiras Jacuzzi de várias profundidades, parecia mais uma gruta fétida de zoológico do que um palácio do prazer (embora as prateleiras ao lado estivessem repletas de enormes frascos de óleo para bebê).

Em março, com o mercado imobiliário despencando, ele colocou à venda a casa da sua mulher, vizinha da Mansão da Playboy, por US$ 28 milhões. A casa foi vendida em agosto por US$ 18 milhões. Hefner, que se separou de Kimberly Conrad em 1998, entrou com pedido de divórcio no início de setembro; Kimberly está processando o ex-marido, alegando que ele lhe deve US$ 4 milhões, com base num acordo pré-nupcial e no produto da venda da casa.

O séquito de Hefner insiste que não há escassez de dinheiro, mas uma série de medidas adotadas parecem mostrar exatamente isso. O Los Angeles Business Journal reportou no ano passado que o número de funcionários da mansão foi reduzido. As pessoas agora pagam ingressos (até US$ 10.000 cada ) para as festas que antes eram só para convidados e que ainda hoje são uma parte vital da marca Playboy.

“Nem sempre é tão empolgante como as pessoas imaginam”, disse Holly Madison numa entrevista há alguns meses. Holly viveu com Hugh Hefner por sete anos como “namorada número 1″, até separar-se dele no fim do ano passado.

Richard Rosenzweig, que trabalha na Playboy desde 1958, pensa diferente. “Este é um lugar que todos desejam ver”, declarou numa entrevista. “Todo mundo quer vir aqui.” Quando o relacionamento de Hefner com Holly Madison terminou, ele disse ter recebido cartas de mulheres do mundo todo implorando para morar com ele. “Elas estavam saltando os portões”, conta, radiante. Hugh acabou escolhendo três novas namoradas para companhia na Mansão, Crystal Harris, de 23 anos, e as gêmeas Kristina e Karissa Shannon, de 20 anos.

Apesar da atitude jovial, Hefner claramente está preocupado com o seu legado. Ultimamente ele vem estudando cuidadosamente seus álbuns de recortes, que guarda desde a infância e hoje já somam dois mil volumes. Um material nunca visto que inclui seu primeiro cartão de biblioteca, histórias em quadrinhos que ele próprio desenhou e fotos – que devem constituir o núcleo de uma “biografia ilustrada” em seis volumes, de 3.506 páginas, da Taschen. Somente 1.500 edições dessa volumosa biografia serão vendidas, por US$ 1.300 cada, ainda antes do próximo Natal.

NO CINEMA

Pela primeira vez, ele também deu acesso total a uma produtora de documentários, Brigitte Berman, que concluiu recentemente o documentário Hugh Hefner: Playboy, Ativista e Rebelde, que estreou no Festival Internacional de Cinema de Toronto. E um importante realizador de filmes biográficos está acelerando o trabalho depois de uma longa espera. Brian Grazer reuniu-se recentemente com a roteirista Diablo Cody para discutir o projeto. Brett Ratner (conhecido pelo filme Hora do Rush, grande sucesso de bilheteria) deve dirigir o filme e Robert Downey Jr manifestou interesse em interpretar Hefner. “Ele é um grande intelecto que influenciou o espírito de uma época, e essa influência é subestimada”, disse Grazer.

Alguns dos antigos amigos estão muito inquietos, temendo que sejam perdidas algumas das realizações de Hefner que admiram – a criação de um ícone cultural (a coelhinha da Playboy), a derrubada de fronteiras raciais (pela inclusão de artistas negros em seus clubes)e o apoio a muitas causas feministas, incluindo o direito ao aborto e a Emenda pelos Direitos Iguais. Hefner também se preocupa. “Hoje vivemos, literalmente, num mundo muito diferente e eu ajudei a torná-lo assim”, diz. “Os jovens não têm nenhuma noção disso.” TRADUÇÃO DE TEREZINHA MARTINO

Em Suma:

Neste texto, você fica sabendo como anda a vida do poderoso magnata das comunicações Hugh Hefner, de 83 anos, dono de um império chamado Playboy Enterprises, que inclui a revista masculina Playboy, fundada por ele. Hefner está às voltas com filmes sobre sua vida (um deles pode ser estrelado por Robert Downey Jr.), a manutenção do seriado de TV As Garotas da Mansão da Playboy e a edição de uma biografia ilustrada em seis volumes, a sair antes do Natal. Por causa da crise em seu país, diminuiu o número de funcionários de sua empresa e de sua mansão e não se incomoda mais se tiver até de vender a revista.

08/10/2009 - 09:05h “O melhor mês do Brasil, desde quando foi assinado o Tratado de Tordesilhas”

Toda Mídia

NELSON DE SÁ – FOLHA SP

nelsonsa@uol.com.br

O maior, o melhor etc.

Juan Mabromata/foreignpolicy.com

Amorim com Lula na foto que ilustra o perfil da “Foreign Policy”, que repercutia ontem por UOL e outros


No alto da home da “Foreign Policy”, foto de Celso Amorim e a chamada “The world’s greatest foreign minister” ou o maior ministro do exterior do mundo. No título do perfil de David Rothkopf, “The world’s best foreign minister”, o melhor. Abrindo o texto, “Este pode ter sido o melhor mês do Brasil desde junho do 1494, quando foi assinado o Tratado de Tordesilhas”. Acumula Lula de adjetivos, dá crédito a FHC e Dilma, mas foca o ministro mais bem sucedido do mundo, “the world’s most successful foreign minister”, Celso Amorim. “Natural de Santos” e “autor intelectual de uma transformação no papel do Brasil no mundo que é quase sem precedentes na história moderna”.

BOOM & BOLHA


ft.com

Bovespa sobe e se descola


O editor de “investimentos” do “Financial Times” postou coluna, vídeo e gráfico (acima) sobre o “Brasil em boom”, analisando a alta na Bolsa e o histórico dos investidores externos que não acertam apostas no país -citando a fuga de 2002 por “medo de Lula”, perdendo a “chance de uma vida”. Desta vez, porém, alerta que os investidores podem estar “otimistas demais”. OLÍMPICO Mas a euforia prossegue. O “Investor’s Business Daily” avalia que os Jogos são “a cereja no bolo econômico do Brasil”, que já estava em recuperação “fast track”, rápida. Até o “USA Today” fez editorial vinculando economia e os Jogos, sob o título “O crescimento olímpico do Brasil” e recordando que a expectativa era muito diferente, “quando Luiz Inacio Lula da Silva foi eleito presidente em 2002″.

O editor de “investimentos” do “Financial Times” postou coluna, vídeo e gráfico (acima) sobre o “Brasil em boom”, analisando a alta na Bolsa e o histórico dos investidores externos que não acertam apostas no país -citando a fuga de 2002 por “medo de Lula”, perdendo a “chance de uma vida”.
Desta vez, porém, alerta que os investidores podem estar “otimistas demais”.

OLÍMPICO
Mas a euforia prossegue. O “Investor’s Business Daily” avalia que os Jogos são “a cereja no bolo econômico do Brasil”, que já estava em recuperação “fast track”, rápida.
Até o “USA Today” fez editorial vinculando economia e os Jogos, sob o título “O crescimento olímpico do Brasil” e recordando que a expectativa era muito diferente, “quando Luiz Inacio Lula da Silva foi eleito presidente em 2002″.

01/10/2009 - 16:09h 59% consideram a internet de grande importância nas eleições, diz pesquisa

da Agência Senado – FOLHA ONLINE

A televisão e a internet são os meios de comunicação mais usados pela população para obter informações sobre política, segundo pesquisa do DataSenado.

De acordo com o levantamento, dois em cada três (59%) entrevistados consideram que a web terá grande impacto nas eleições de 2010, sendo que entre os cidadãos que usam regularmente sites de notícias e participam de redes sociais (Orkut e Twitter, por exemplo), esse percentual sobe para 64%.

A pesquisa avaliou ainda a importância dos meios de comunicação no esforço do cidadão para informar-se sobre questões políticas. A TV foi o veículo mais usado (67%), seguida pela internet, com 19%.

Jornais e revistas surgiram em terceiro, com 11%. O rádio é preferido por apenas 4% dos entrevistados.

Quase metade dos eleitores ouvidos (46%) acredita que a principal vantagem da internet nas eleições será a troca de informações e ideias entre os eleitores. A possibilidade de facilitar a comunicação entre candidatos e eleitores aparece em segundo lugar, com 28%, o mesmo percentual dos que responderam “divulgar as propostas dos candidatos”.

Os entrevistados que disseram usar a internet diariamente somaram 58%; 78% acessam sites de notícias e 53% participam de alguma rede social, como Orkut ou Twitter.

A pesquisa ouviu, por telefone, 1.088 eleitores no país.

23/09/2009 - 17:57h Durante quase sete anos, ele fez um trabalho espetacular como presidente do Brasil

President of Brazil, Luiz Inacio Lula da Silva

Eraldo Peres / AP
Luiz Inácio Lula da Silva is Brazil’s unlikely hero.

‘The Most Popular Politician on Earth’

For nearly seven years, he’s done a spectacular job as Brazil’s president. But can Lula resist the temptation to throw it away?

By Mac Margolis | Newsweek Web Exclusive
Sep 22, 2009

He grew up so poor, he didn’t find out what bread was until he was 7. That was Lula’s age when he climbed onto a flatbed truck with his Brazilian dirt-farmer family and all their possessions and made the 1,900-mile journey from the country’s northeastern dustbowl for a life in the slums of São Paulo. He dropped out of school in the fifth grade, shined shoes on the street, and went to work in a factory at 14, losing a finger to a lathe in an accident on the graveyard shift at an auto-parts plant. Eventually he rose through the rank and file to become an internationally respected union leader. A military junta ruled Brazil back then, and strikes were illegal, but he defied the generals and the bosses and practically shut down the continent’s industrial powerhouse in the name of the steelworkers.

He’s in New York this week to kick off the 64th session of the United Nations General Assembly. The cameras may focus on the embodiment of American cool, Barack Obama, or on flamboyant autocrats and chest thumpers like Iran’s Mahmoud Ahmadinejad and Venezuela’s Hugo Chávez, but the biggest star on hand will be the blunt, bearded onetime lathe operator: Brazil’s president, Luiz Inácio Lula da Silva. After nearly seven tumultuous years in office, the man everyone calls Lula continues to enjoy an approval rating above 70 percent. That would be a remarkable feat anywhere, never mind in a continent where presidents are a disposable commodity. “That’s my man right there,” Obama greeted him at the G20 summit in London in April. “The most popular politician on earth.”

How da Silva earned such acclaim says plenty about how wealth and power are shifting in this postcrash age. With his leadership, Brazil has withstood the global crisis better than almost any other nation: not a single bank went under, inflation is low, and the economy is growing again. “People doubted it when I said we would be the last to fall into recession and the first out,” Lula told NEWSWEEK in an exclusive interview. “But just wait and see, this December. We are going to create a million jobs this year.” That’s not as good as it may sound: a million jobs would only just about replace the jobs his country has lost since October 2008. But Brazil is looking pretty good compared with most places; it’s outpacing Russia and joining India and China—the other big emerging powers tagged collectively BRICs—to lead the way back to global economic growth. Gone are the days when, as Goldman Sachs chief economist Jim O’Neill jokingly recalls, “people told me I put the B in BRICs to make the acronym sound better.”

Brazil’s man of the moment says he couldn’t give a fig for the polls. “If you have flawed policies and try to sell them with false publicity, your ratings won’t last,” he says. But the question now is whether he can continue to parlay his own star power into gains for Brazil—and, more pointedly, whether he is about to throw away much of what he has accomplished as president. He has just 15 months to go in office, and his favored successor, chief of staff Dilma Rousseff, has little national name recognition and none of her boss’s charm. Despite his overwhelming popularity, recent polls say she’s running a distant second and losing ground to the opposition’s choice, São Paulo Gov. José Serra. “Lula’s aura is not transferable,” remarks Donna Hrinak, a former U.S. ambassador to Brazil. To compensate, the former labor firebrand has begun doing just what his critics feared when he first took office in 2003: tightening government control of the economy, looking the other way when key allies are caught with their hands in the public till, and spraying money about with abandon.

In the name of helping poor and working-class Brazilians—but with a close eye on next year’s election—da Silva has repeatedly pumped up the minimum wage (up 67 percent since 2003, nearly 40 percent over the pace of inflation) and is boosting government pay and pensions, a move that can only add to the next administration’s troubles. “We have to give a little more to those who earn less,” Lula says. Yet that’s the sort of populist talk that gives many the chills. “The risk is the legacy of fixed expenditures and budget commitments that Lula will leave for the future,” warns former finance minister Mailson da Nóbrega. The public payroll is growing at more than 10 times the rate of public investment in roads, bridges, and ports. Meanwhile, da Silva has done nothing to ease the country’s total tax burden, the highest in the emerging markets at 36 percent of GDP. And when Senate leader and former president José Sarney, who controls a key block of votes in the allied Brazilian Democratic Movement Party, came under fire for handing out jobs to cronies and kin, Lula rushed to his defense, saying Sarney “could not be treated like an ordinary person”—an odd choice of words, coming from a man of the people.

Still, if there’s one constant truth about Lula, it is that things are subject to change. “I am a walking metamorphosis,” he likes to say, quoting the 1970s Brazilian cult singer Raul Seixas. On the surface, he bears no more than a faint resemblance to the roughcut union man of 30 years ago, or even to the politician he became in the ’80s and ’90s, stumping for the poor and forgotten till he went hoarse. The once black curls and unkempt beard are neatly trimmed now and shot through with gray. In place of his old stained workshirt and denim bell-bottoms, he dresses in smart suits tailored to flatter his barrel of a body. His lifelong lisp has lessened, and long hours of practice have refined his shop-floor grammar and vocabulary. The man who took office saying he would be content to improve the lot of the Brazilian poor is now convinced of Brazil’s mission to transform the world. “Brazil is a country with solid, democratic institutions,” he says. “We have shown nations some lessons about how to confront the economic crisis.”
And yet in deeper ways he’s the same as ever. He still speaks in the sandpaper basso profundo that electrified his fellow metalworkers. And for all his polished manners and fine clothes, nothing vexes Lula more than being trapped in his office. “He gets nervous when he spends too much time at his desk,” says his cabinet chief, Gilberto Carvalho. “He says, ‘I need to get out and travel, and meet people.’ His connection is with the little guy.” The president likes nothing more than to ditch protocol, go off script, and (to the despair of his security detail) wade into an adoring crowd. Nevertheless, to his credit, he has resisted his followers’ urgings to amend the Constitution so he can seek a third term and warns against the false high of celebrity. “Popularity is like blood pressure,” he says. “Sometimes it’s high and sometimes it’s low. What you need is to keep it under control.”

That’s a skill he acquired the hard way. Starting in 1989, he ran for president three times, surging in early polls only to hit a wall on voting day. By the late ’90s he was on the verge of quitting politics. Instead, he did something bolder: he remade himself. He stopped his fist-waving harangues, climbed into a suit, and hired a speech coach and a marketing wizard. More important, he tempered his leftist politics. The turning point was June 2002. He was ahead in the polls, but Brazil’s economy was tanking—largely, it seemed, because investors were spooked by the prospect of President Lula. He responded with a “Letter to the Brazilian People,” pledging to honor contracts, pay down the country’s debts, abide by the International Monetary Fund’s requirements, and generally play by the rules of the market. It was the gamble of his career, the political equivalent of tacking into a hurricane. Hardliners from his Workers Party (PT) accused him of betraying and caving in to bankers and capitalist carpetbaggers. Business executives were also wary: could the “new” Lula be trusted? Investors sat on their hands.

He won by a landslide, but the hard work had only begun. The pre-election financial turmoil had gutted economic growth and forced a steep devaluation of Brazil’s currency. “It wasn’t easy,” recalls Lula. “We had no foreign credit. Our [hard currency] reserves were extremely low. Inflation was showing strong signs of resurgence. The economy was gridlocked.” But an even bigger challenge was to live down the hard-left image he and the ruling PT had acquired over the years. “We took office amid a huge crisis of mistrust,” says Carvalho, his cabinet chief and a longtime friend. “We were a minority in Congress. The press was skeptical.” After all, Carvalho allows, “Until then everything we’d stood for was not paying the foreign debt, raising salaries. It would have been a disaster.”

To convince lenders Brazil was serious, Lula increased the “primary budget surplus”—the money the government puts aside every year to pay debt and interest—and boosted lending rates to a scorching 26 percent a year, throttling growth in order to kill inflation. He also kept government wages and pensions under control. “The unions and many people in the party hated it,” says Ricardo Kotscho, a friend and former press aide.

International money men still weren’t sure. “We knew he’d been a union leader and the president of a political party. What I really wondered was if he had the guns to be president,” says former World Bank president James Wolfensohn. So Wolfensohn sent out a feeler, offering to dispatch a team of experts to brief Lula’s government on the key issues facing the international economy and Latin America. He didn’t know how the new president would respond. “A lot of leaders throw the presidential seal at you,” says Wolfensohn. “But Lula lapped it up. He was like a piece of blotting paper. He realized he had a major job to do and that running an election was different from running a country. For me, it characterized the man.”

Da Silva has operated that way ever since, putting pragmatism ahead of ideology and, for the most part, fiscal restraint over the quick fix. “No one in their wildest dreams would have thought Lula would behave the way he has,” emerging-market investment guru Mark Mobius, of Templeton Asset Management, told me a year ago. Now Templeton has $5 billion in Brazil, more than it does in China. For sure, Lula had plenty to work with. With a web of hydroelectric stations and half its fleet of cars running on clean-burning sugar-cane ethanol, the country has long been the benchmark in renewable energy. Clever agronomists have turned the harsh tropical backlands into a breadbasket, exporting more beef, soybeans, and frozen chickens than any other nation. But Lula also added value by stumping for Brazilian brands abroad. “We had to make it clear that Brazil is not a minor country,” he says. “Brazil has the Amazon [rainforest], but also makes airplanes and cell phones.” And just as his labor rallies once galvanized the hardhats in São Paulo, his aggressive diplomacy has rallied poorer nations to demand free trade and a new deal in the international economy.

His real genius, however, has been his ability to sell unpalatable reforms to a largely poor population that looked to him as something of a savior. “Lula’s popularity helped him make risky decisions that often required sacrifices,” says José Dirceu, a former Workers’ Party commander who fell to a corruption scandal. More important, unlike the supremos and populist demagogues who abound in Latin America, he did it playing by the rules. “Lula’s respect for democracy and elections is a big plus,” says former Treasury chief Joaquim Levy. “Very often he has been able to translate key values of democracy in ways that make them more concrete to people.” The president still has his work cut out for him, and not much time left to accomplish it. “This is a country that has suffered from low self-esteem,” he says. “Brazil needs to recover its pride. And I think things are happening. I hope those who come after me can work to transform Brazil into a great economy.”

The economic crash put Lula’s skills as a persuader to the test. “It was frightening,” da Silva recalls. “We had no credit, no money in September, October, November, December, January, February, and March.” But instead of lurching to the left, his instincts took him to the center, steeling him against populist pressures. He gave the central bank a free hand to control inflation, even at the price of curbing growth. “We knew there were no miracles,” he says.

Still, the crisis inflamed Lula’s old rancor over “savage capitalism” and the folly of the free market. He blamed the subprime market mess on “white-skinned, blue-eyed” bankers and ridiculed the champions of deregulation and the “minimal” state. “In the ’80s and ’90s it was fashionable to deride the state,” he says. “But in the blink of the eye, the [free] market nearly bankrupted the world. And who did they go to for a bailout? The state.” This is not as fierce as it sounds. While Lula roundly denounces his predecessor’s sell-off of state-owned industries, he made a point not to reverse the process after taking office. “I think privatization was a mistake, but I had to work to do,” he says. “I couldn’t afford to spend my mandate fighting with the old government.” Clout, not dogma, is what fuels Lula.

Clearly part of this is realpolitik as Lula works to cement Brazil’s preeminence. “As the dominant economy in the region, Brazil has to be comprehending of its neighbors,” he says. “It’s like the relations of father to son.” He even defends the ham-fisted rule of Venezuelan strongman Hugo Chávez. “Give me one example of how Venezuela is not a democracy!” he demands. But Lula’s larger ambition is to assert Brazil’s place on the world stage. He makes no secret of his own national pride. Back in 2003, the G7 nations finally opened up their annual gathering to some of the less-wealthy countries, and Lula was among those invited. He stood before the meeting in France and marveled at how unlikely it was that he, a peasant’s son, was now addressing some of the most powerful people on the planet. Then he turned the tables: why not hold the next G7 meeting in Brazil, he challenged. “After all, in 20 years maybe only three of you will still be around.” Not everyone was amused. But no one missed the point.

Correction: The original version of this story said Obama’s “That’s my man” comment was made at the Summit of the Americas; it was actually made at the G20 meeting in London.

14/09/2009 - 09:40h “O Brasil está liderando o mundo para fora da recessão”

Toda Mídia

NELSON DE SÁ – nelson.sa@grupofolha.com.br

“Exit”

Nas reportagens publicadas por “Wall Street Journal” e “Financial Times” no sábado, o mesmo título, “Brasil sai da recessão”. O “FT” ouviu economista que creditou ao Bolsa Família e aos salários em alta. O site do “WSJ” acrescentou que a dívida dos emergentes fechou a semana em alta “pelos dados do Brasil e da China”, agora sempre juntos.

Nas reportagens publicadas por “Wall Street Journal” e “Financial Times” no sábado, o mesmo título, “Brasil sai da recessão”. O “FT” ouviu economista que creditou ao Bolsa Família e aos salários em alta. O site do “WSJ” acrescentou que a dívida dos emergentes fechou a semana em alta “pelos dados do Brasil e da China”, agora sempre juntos.

O “WSJ” postou ainda que o ministro da Fazenda falou em crescimento de 1% no ano e o presidente do Banco Central concordou que crescimento positivo é “provável”. E a “Veja” destaca que dias antes, na reunião preparatória do G20, o secretário do Tesouro dos EUA, Timothy Geithner, declarou “em alto e bom som”, para todos ouvirem, que “o Brasil está liderando o mundo para fora da recessão”.
Ontem, no alto das buscas por Google News e Yahoo News, Mantega e Meirelles seguiam falando, já com os próximos passos, mas ainda festejando seu “success case”, modelo de sucesso.

CRISE? QUE CRISE?

veja.abril.com.br

Nas duas primeiras chamadas da revista, “Por que o Brasil foi o último a entrar e o primeiro a sair” e “Os emergentes superarão os ricos em cinco anos”. Abrindo a reportagem, “Dá para acreditar?”

TALVEZ
Em série de reportagens no domingo, a Reuters Brasil destacou que o “PIB mais forte faz mercado melhorar previsão de 2009″, a exemplo dos dois ministros. Mas ainda não passa de “talvez até positivo”. Por outro lado, avisa, “Trabalhadores já pensam em greve por salário maior”, caso dos metalúrgicos.

NÚMEROS MELHORAM
Da americana AP à chinesa Xinhua e à BBC original, “Brasil deixa recessão”. Já na BBC em português, “Brasil tem uma das maiores recuperações pós-recessão”. E no “Jornal Nacional”, fechando a semana, “Números da economia melhoram e mostram que país deixou para trás o período de recessão”.

AGORA, A REGULAÇÃO

news.bbc.co.uk

A uma semana da cúpula do G20 nos EUA, Lula deu nova entrevista à BBC, de Américo Martins, e declarou que “os países ricos são mais culpados” pela crise, “porque não tinham qualquer regulação para o sistema financeiro”

Leia a integra da coluna Toda Mídia, na Folha de São Paulo

24/08/2009 - 16:22h Futuro parece sombrio para o fotojornalismo

DINHEIRO & NEGÓCIOS

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Por DAVID JOLLY

PARIS — Quando os fotojornalistas e seus admiradores se reunirem no sul da França, no final deste mês, na mostra Visa pour l’Image, comemoração anual de seu ofício, muitos profissionais poderão estar se perguntando quanto tempo ainda conseguirão aguentar.
Jornais e revistas têm cortado os orçamentos de fotografia ou fechado suas portas, e as redes de TV reduziram a cobertura noticiosa em favor de material menos caro. Imagens e vídeos amadores tirados com celulares são publicados em sites da web minutos depois dos fatos. Os fotógrafos que tentam ganhar a vida retratando as notícias dizem que há uma crise.
O último sinal de problemas foi o da empresa dona da agência de fotos Gamma, que pediu concordata em 28 de julho após sofrer prejuízo de US$ 4,2 milhões no primeiro semestre, quando suas vendas caíram quase 33%.
A Gamma foi fundada em 1966, pelos fotógrafos Raymond Depardon e Gilles Caron. Juntamente com as agências Sygma, Sipa e a mais antiga Magnum, ela ajudou a fazer de Paris a capital mundial do fotojornalismo.
Um tribunal de Paris deu à dona da Gamma, a agência Eyedea Presse, seis meses para se reorganizar. “Aguentamos até onde pudemos, mas este modelo empresarial não é mais viável”, disse Stéphane Ledoux, executivo-chefe da empresa.
Olivia Riant, porta-voz da Eyedea Pesse, disse que haverá cortes de empregos. “O problema é que a fotografia jornalística está acabada”, ela disse. “Vamos parar de cobrir fatos diários para cobrir temas com maior profundidade.”
A Gamma foi adquirida em 1999 pela Hachette Filipacchi Médias, uma unidade da Lagardère, que a combinou com outras operações para fornecer fotos para suas revistas. Mas o negócio não prosperou, e ela foi vendida em 2007 para o fundo de investimentos Green Recovery. As concorrentes da Gamma não se saíram muito melhor: a Sygma foi adquirida pela Corbis em 1999, e a Sipa, pela Sud Communication em 2001.
O fotojornalismo viveu uma era dourada desde antes da Segunda Guerra Mundial até a década de 70. Revistas como “Time”, “Life” e “Paris Match” —e virtualmente todos os grandes jornais do mundo— tinham orçamentos para empregar legiões de fotógrafos.
Mas, hoje, em uma época de menor receita publicitária e demissões, editores de fotografia de diversas publicações têm de pensar bem antes de mandar um fotógrafo em campo ao custo de US$ 250 por dia, mais despesas.
As grandes agências de notícias —Associated Press, Agence France Presse e Reuters, junto com locomotivas regionais como Kyodo, no Japão, e Xinhua, na China— dominam a fotografia jornalística. Mas o negócio de comercializar e vender fotos digitalizadas é comandado por duas empresas globais: a Getty Images, fundada em 1995, e a Corbis, fundada em 1989 pelo presidente da Microsoft, Bill Gates.
As empresas de fotos de arquivo ganharam destaque ao comprar centenas de arquivos de imagens e disponibilizá-los para venda on-line. Enquanto continuam patrocinando o fotojornalismo, as companhias são na verdade serviços de gerenciamento de direitos autorais de propriedade digital.
Na Getty, 70% das receitas vêm da venda de imagens de arquivo. “Fotojornalismo significa que os fotógrafos podem contar a história em imagens, e havia lugares onde eles podiam publicar essas fotos”, disse o principal executivo da Getty, Jonathan Klein. “No mundo da imprensa, a maioria desses lugares desapareceu desde então.”
Mas, ele acrescenta, há motivos para otimismo, porque “graças à web hoje há bilhões de páginas para os fotógrafos mostrarem seu trabalho”.
Jean-François Leroy, organizador do festival de fotojornalismo Visa pour l’Image, que começa neste sábado, na França, apontou como outro problema a menor ênfase a temas sérios na mídia. “Os fotógrafos estão produzindo coisas ótimas, mas hoje a mídia só parece se interessar por celebridades”, disse.

19/07/2009 - 13:48h Interesse Nacional: debater é possível

Com temas atuais, Interesse Nacional mostra agilidade

O n.º 6 (julho-setembro) coloca no centro do debate questões como a reforma da Lei Rouanet e a crise da política brasileira

Antonio Gonçalves Filho – O Estado SP

As discussões públicas sobre o projeto de reforma da Lei Rouanet apontaram como principal consequência da sua aprovação a diminuição de recursos à disposição da cultura, caso prevaleça a proposta do governo federal de alterar o modelo de fomento. Não é assim que pensa o ministro da Cultura Juca Ferreira, que assina um dos textos do número 6 (julho-setembro) da revista Interesse Nacional (80 págs., R$ 25), mas é o que defende em artigo, na mesma edição, o secretário de Estado da Cultura de São Paulo, João Sayad. O ministro argumenta que o governo pretende democratizar o modelo de incentivo à cultura, hoje voltado, segundo Ferreira, para a Região Sudeste. Sayad discorda. Diz que, tal como está, o projeto atende mais aos interesses da Receita Federal.

Essa é apenas uma amostra do que traz a ágil revista trimestral de debates. Tendo como editor responsável Rubens Antonio Barbosa, a nova Interesse Nacional, uma publicação voltada para a discussão de temas políticos, econômicos e sociais, traz ainda outro assunto espinhoso – o da regularização fundiária na Amazônia, objeto de recente medida provisória aprovada pelo Congresso. Quem assina o texto a respeito do tema é Alberto Lourenço, gestor federal ligado à Secretaria de Assuntos Estratégicos da Presidência da República. Ele diz que a regularização deve reduzir os conflitos e a violência fundiária, trazendo ainda a valorização da terra. Sobre a origem desses conflitos, culpa o “ambicioso projeto geopolítico de integração e controle da Amazônia” pela ditadura militar, que privilegiou as grandes empresas, concedendo a elas crédito e incentivos fiscais.

Esse projeto estratégico mudou no governo Médici, lembra Lourenço. A despeito de suas falhas, o Estado ainda manteve controle sobre a ocupação do território amazônico, situação que mudaria nos anos 1980, quando cresceu a demanda por terras e diminuíram os recursos do Incra para assentar os migrantes. Até hoje, os dados cadastrais do órgão são precários. As ocupações são informais, jamais registradas em cartórios, de acordo com o articulista. Também, segundo ele, não se sabe quanto e quais são as terras federais inalienáveis.

Como decidir, então, o tamanho máximo das ocupações passíveis de regularização? Esse limite foi ampliado de 500 para 1.500 hectares no ano passado. Como impedir, depois , a venda ilegal dessas terras? Para Lourenço, seria pior proibir a transação, que se faria sempre por preço inferior ao da terra legal. E o mais importante: essa medida legal ameaçaria a floresta? Ele acha que não. A legalização, diz o articulista, protege a floresta e cria condições para a gestão ambiental.

Dele discorda o presidente da associação protecionista Acorda Brasil, o economista Klaus G. Hering. Na mesma revista, ele defende que o manejo da floresta tropical “é função do que dela se quer, a ideia que dela se tem”. Em outras palavras: o ideal mesmo é preservar a Floresta Amazônica não com leis punitivas e inoperantes, mas com uma política que transforme pequenos e grandes proprietários em parceiros na proteção da biodiversidade. Ou seja, com educação ambiental, capaz de convencer desmatadores a seguir a cartilha dos preservacionistas.

Sobre a inoperância das leis ambientais, Hering cita como exemplo o caso das sete áreas de preservação permanente no Vale do Itajaí, em Santa Catarina. O decreto do presidente da República que criou um Parque Nacional na área provocou a desapropriação de meia centena de proprietários rurais que há gerações conservam a mata atlântica. Resultado: aumentou o desmatamento na região. Culpa dos políticos?

Por falar neles, no artigo O Resgate da Política, o senador Jarbas Vasconcelos (PMDB-PE) propõe uma reforma nessa área que parta do próprio Congresso Nacional, e não do governo. O texto critica a “retórica diluviana” do presidente Lula, além do grande escândalo político de seu governo – o “mensalão” – e os aponta como provas da “mediocridade que hoje pauta a política de Brasília”. A impunidade, segundo Jarbas Vasconcelos, é a consequência desse quadro de degradação. E ele não poupa nem deputados nem senadores, falando dos recentes escândalos envolvendo as despesas do Congresso Nacional. Como se vê, a revista Interesse Nacional, apesar de sair apenas de três em três meses, é “quente” como um jornal diário. E, considerando sua linha editorial, parece disposta a manter viva a polêmica.

05/07/2009 - 15:18h Petrobras é destaque

http://www.anpg.org.br/anpg/not2008/lab_presal.jpgA Business Week deu nota com certo atraso sobre o anúncio da Petrobras de que começou a refinar petróleo extraído nas áreas do pré-sal. A nota afirma que este processo ajudará a determinar a qualidade comercial do produto. A EFE foi a primeira agência a dar esta informação ontem, seguida de vários outros veículos, entre eles o Wall Street Journal online.

Petrobras começa a refinar a primeira carga de petróleo do pré-sal

http://www.bnamericas.com/story.xsql?id_sector=9&id_noticia=483498&Tx_idioma=I&source

Petrobras anuncia o início do refino de petróleo no pré-sal

http://online.wsj.com/article/BT-CO-20090703-704635.html

 

Segundo a Reuters, o diretor internacional da Petrobras, Jorge Zelada disse que a empresa espera resultados decepcionantes na exploração do bloco iraniano de Tusan. “Nossa expectativa é de uma reserva subcomercial”, ele disse. Um porta-voz iraniano informou à Reuters que uma empresa da Malásia está interessada no bloco do Mar Cáspio que a Petrobras avaliou e decidiu não explorar. Segundo a nota, a Petrobras está se concentrando no desenvolvimento de reservas abaixo da camada do pré-sal na costa brasileira.

A brasileira Petrobras não vê muitas perspectivas para o petróleo iraniano

http://www.reuters.com/article/rbssEnergyNews/idUSN0317110720090703

 

A Petrobras está entre as petrolíferas interessadas em formar consórcios para concorrer à licitação para exploração dos blocos de Carabobo, na Venezuela, segundo a Reuters. Parcerias entre a China National Petroleum Corporation (CNPC) e a Total francesa, e entre a CNPC e a Sinopec estão em discussão. Outra parceria sendo discutida é entre a Ecopetrol colombiana, a Petronas da Malásia e a Repsol espanhola e a Galp, a Petrobras e a Statoil norueguesa. As petrolíferas estão avaliando os investimentos necessários para a exploração na área. Este será na faixa de US$ 10 a 20 bilhões, dependendo da complexidade dos blocos.

Petrolíferas formam consórcios para o campo de Carabobo, na Venezuela

http://www.reuters.com/article/companyNews/idUSN0312980520090704

 

O jornal Guardian cita a Petrobras como uma das empresas que dobrou o valor de suas ações este ano em matéria sobre investimento em commodities.

Commodities: está na hora de comprar níquel e cobre de novo?

http://www.guardian.co.uk/money/2009/jul/04/commodities-investment-funds

 

Segundo a Bloomberg, o Presidente Hugo Chavez disse que a Venezuela e o Banco de Desenvolvimento da China estão discutindo um terceiro empréstimo de US$4 bilhões. O empréstimo será pago em petróleo.

China pode assinar novo acordo de empréstimo para petróleo, diz Chavez

http://www.bloomberg.com/apps/news?pid=newsarchive&sid=ab3S0C0XlRdk

 

A Bloomberg tem matéria dizendo que três fontes informaram que a Repsol YPF SA está discutindo a venda de parte de sua unidade argentina para a China National Petroleum Corporation e a China National Offshore Corporation. A Repsol quer diminuir sua participação na YPF de Buenos Aires para se dedicar à exploração de reservas em países como Líbia, Brasil e Algéria.

CNPC e Cnooc parecem interessados em participação da Repsol YPF

http://www.bloomberg.com/apps/news?pid=newsarchive&sid=aZq2xVbh.Gt4

16/06/2009 - 15:08h Dasartes número 4


16/06/2009 - 12:32h A notícia vive

Aqui no Brasil ainda há muita gente importante dizendo que o meio ambiente é um obstáculo ao crescimento. Estamos indo na contramão do mundo

Coluna no Globo de Miriam Leitão

Tudo está se movendo ao mesmo tempo no mundo da transmissão da notícia. Tanto que nem sei por onde começar esta coluna. A “Newsweek” numa edição recente avisou que aquele era o primeiro número de uma nova revista, reformulada diante do fato de que “a internet está fazendo muito bem o trabalho de dar notícias e análises instantâneas”. O que sobra para um veículo lento como uma revista?

A “Newsweek” acha que sobra o espaço de reportagens exclusivas e grandes ensaios que tenham um argumento claro e inédito. A revista fechou editorias, somou outras, foi obrigada a se reinventar. No artigo “Uma nova revista para um mundo em mudança”, a publicação começa dizendo que “não é segredo que o negócio do jornalismo está com problemas”.

A “Economist” publicou que 70 jornais fecharam na Inglaterra desde o começo de 2008. O “Independent” depende hoje de investidores estrangeiros. Os jornais franceses estão sendo subsidiados. Todd Gitlin, professor de jornalismo da Columbia, divulgou um texto online sobre “As muitas crises do jornalismo”, dizendo que quatro lobos estão às portas da imprensa americana: a queda da receita de anúncios, a queda da circulação, a difusão da atenção do leitor, e uma crise de autoridade. A soma dos dois primeiros acabou com a lucratividade das empresas.

O “New York Times” teve um prejuízo tão grande neste começo de ano que apressou as providências para, de um lado se livrar do que mais arruína seu balanço, o “Boston Globe”, e, de outro, encontrar novas formas de receita com o conteúdo que produz. Está em dúvida sobre um novo sistema de assinatura, micropagamentos por conteúdo acessado, pedidos de doação, qualquer coisa que aumente suas receitas.

Desde 2001, a circulação dos jornais americanos caiu 13,5% nos dias úteis e 17% nos domingos, sendo cinco pontos percentuais dessa queda só no ano passado. A receita de anúncio caiu 23% em dois anos e o emprego caiu 15%. Foram fechados escritórios em vários estados e países. Um mapa-múndi que assinalava todos os locais onde o “Washington Post” tinha correspondentes ou escritórios foi retirado da redação do jornal americano. Era constrangedor o sumiço diário de pontos do mapa. A crise que atingiu todos os setores da economia bateu também nas empresas jornalísticas, mas o fato é que a mídia convencional já vinha sendo desafiada por todas as novas formas de transmitir a notícia.

As três maiores redes de TV aberta dos Estados Unidos — ABC, CBS e NBC — sempre tiveram pouca audiência diante das TVs pagas, mas de 1990 para cá, o percentual de americanos que se informa nas redes abertas caiu de 30% para 16%. A Pew Research Center, que tem registrado as estatísticas da audiência de notícia no rádio, TV e jor$, constatou em 2008, pela primeira vez, mais gente recebendo informação via internet do que nas plataformas tradicionais. Apesar disso, quando se pergunta quem só recebe informação online, o dado é de apenas 5%. O mais alarmante da pesquisa foi o aumento de 25% para 34% dos americanos de 18 a 24 anos que não tinham recebido notícia alguma, em qualquer dos veículos, no dia anterior.

Não sou dos que temem as mudanças como um sinal dos tempos. Não é a notícia que está em crise, é a tecnologia que tem ampliado espaços, revolucionado conceitos, criado novas ferramentas para se fazer o que sempre foi feito na humanidade: informar, discutir, analisar. A imprensa tem vivido num vértice de mudanças intensas, e a sensação de quem vive no mundo da informação é que ele nunca mudou tanto em tão pouco tempo.

O Google News não tem um único editor humano. Seu processo de escolher e distribuir informação é feito por robôs. Arianna Huffington é dona de um dos maiores casos de sucesso da internet, o “Huffington Post”, que reúne 3.000 blogs e tem o dobro de visitantes que o website do “New York Post”. Outro dia, ao receber o premio webby (o Grammy da Internet), ela fez um discurso, de poucos toques, como requer os tempos de twitter: “Obrigada. Eu não matei os jornais”.

Desde que a “Economist” publicou, anos atrás, uma célebre capa com o título: “Quem matou os jornais?”, os grandes jornais investiram em versões online, aderiram aos blogs e twitter, optaram por não cobrar por conteúdo, depois passaram a cobrar, voltaram a liberar o acesso, agora introduziram sistemas mistos, com textos de livre acesso e outros que exigem assinatura. O “Guardian” é hoje mais lido do que nunca. Por causa da internet ele tem duas vezes mais leitores fora da Inglaterra do que no seu país.

A notícia não morreu nem vai morrer. Na verdade, ela nunca circulou tanto, nem encontrou fórmulas tão instantâneas de espalhar-se como agora. O que ainda não ficou claro é como as empresas serão sustentáveis financeiramente. A receita de publicidade na internet cresce menos do que a queda da receita dos veículos tradicionais. Muitas respostas terão que ser encontradas pelas empresas e pelos jornalistas para os desafiadores tempos novos. Não resta alternativa a não ser seguir o turbilhão. Afinal, quem não gosta de novidade, jornalista não é.

Do Blog de César Maia

A CRISE DA IMPRENSA NOS ESTADOS UNIDOS!

(Trecho da coluna de Miriam Leitão – OG, 14/06) “Desde 2001, a circulação de jornais americanos caiu 13,5% e 17% nos domingos, sendo cinco pontos percentuais desta queda só no ano passado. A receita do anúncio caiu 23% em dois anos, e o emprego caiu 15%. As três maiores redes de TV aberta dos Estados Unidos, de 1990 para cá, o percentual de americanos que se informa nas redes abertas caiu de 30% para 16%. A Pew Research Center constatou que em 2008, pela primeira vez, mais gente recebendo informação via internet do que nas plataformas tradicionais.”

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AUDIÊNCIA DE TELEJORNAIS NA GRANDE-SP – 25-31/05!

(FSP, 14/06) Jornal Nacional 30%. Repórter Record 16%. Brasil Urgente 6%. Jornal da Gazeta 2%. 57.300 expectadores para cada 1%.

21/04/2009 - 11:00h Rotina administrativa

http://www.prefeitura.sp.gov.br/portal/upload/DSC_4845_1190305609.JPG

Nos últimos dias teve algumas decisões “administrativas” que fazem pensar. O governador Serra, por exemplo, fez uma assinatura para todas as escolas estaduais de uma revista da editora abril, que faz a Veja. Paulo Renato, apenas empossado Secretário de Educação, fez o mesmo -mas com os jornais Folha SP e Estado SP-, todas as escolas receberão. Nada como a informação circulando, mas contrariamente a muitos eu não penso que essas publicações ficarão “sensibilizadas” pela bajulação. Kassab ainda não fez assinaturas, mas anistia… o que não significa que os felizardos fiquem “sensibilizados” por isso. Ou alguém pensa que a Igreja de Deus ou o Banco Itaú vai trocar alguma coisa por um prato de lentilhas? LF

Bancos, igrejas, bares e outros imóveis com irregularidades foram anistiados por Kassab

Kassab dá anistia a 752 imóveis de São Paulo

Diego Zanchetta – O Estado SP

Com base em uma lei de 2004, a gestão do prefeito Gilberto Kassab (DEM) concedeu anistias a 752 imóveis de São Paulo, incluindo igrejas, bancos e bares que funcionam desde 1994 sem regularização na Prefeitura. Por meio de editais publicados no Diário Oficial da Cidade desde o dia 10, o governo convoca proprietários a comparecerem às subprefeituras em 60 dias corridos para obter o auto de regularização. Outras 3 mil intimações foram feitas a donos de estabelecimentos que precisam realizar reparos e cumprir medidas de recuo das calçadas, sob pena de multa.

O governo diz que os editais são resultado de uma força-tarefa montada a partir do segundo semestre de 2008. Segundo o secretário de Controle Urbano, Orlando Almeida, que tem emitido editais de anistia por meio do Departamento de Controle Urbano (Contru), eram 100 mil processos com pedidos de regularização em janeiro de 2005. Os editais também são publicados pelas secretarias de Coordenação das Subprefeituras e da Habitação.

“Priorizamos primeiro a concessão de alvarás para obras novas. Depois, a partir de julho de 2008, começamos a emitir posição sobre os pedidos de anistia que estavam represados”, argumentou o secretário. Somente no edital publicado no sábado, 271 comércios foram anistiados e mais de 2.500, intimados a fazer reparos ou a obter a documentação necessária para a emissão do alvará de funcionamento. Em alguns casos, o governo avisa sobre o risco de multas de até R$ 30 mil para comércios que funcionam em área não permitida pelo zoneamento.

ROTINA ADMINISTRATIVA

Agências do Banco Itaú, imóveis usados pela Igreja Universal do Reino de Deus e construtoras como a Klabin Segall estão entre os beneficiados pelas anistias. A Secretaria de Coordenação das Subprefeituras informou que a publicação segue a rotina administrativa. A reportagem tentou falar com o secretário Andrea Matarazzo, mas ele não foi localizado.

Quem quiser regularizar o imóvel deve apresentar a planta e uma série de documentos na subprefeitura de sua região. Caso o proprietário tenha feito reforma ou reparo antes de 2004, ele também poderá se beneficiar da regularização.

06/04/2009 - 14:09h Brazuca em Paris

http://www.brazucaonline.org/images/magimg/brazuca.jpg

Severino Francisco – Correio Braziliense

Severinofrancisco.df@diariosassociados.com.br

“Vou voltar, vamos comigo?”, perguntou a namorada francesa, de passagem pelo Brasil. E, sem pensar muito, meio na louca, o brasiliense Daniel Carrielo se mandou para Paris com Charlote, a namorada francesa. Certo dia, encontrou numa banca uma revista sobre cultura brasileira, intitulada Brazuca. Na edição seguinte, ele já era o cronista de Brazuca. E, três meses depois, tornou-se o editor. Sem desmerecer o Itamaraty, a revista faz um pouco o papel de embaixadora do Brasil na França.

Brazuca tem uma tiragem de 20 mil exemplares e é feita, principalmente, para belgas e franceses apaixonados pela cultura brasileira. Não é uma revista de comunidade, dirigida apenas aos brasileiros. O que a revista pretende passar é uma visão diferente do Brasil, longe dos estereótipos. Por isso, ela entrevistou o compositor Tom Zé, o jogador Nilton Santos, a atriz Brigitte Bardot e o diretor de cinema Fernando Meirelles. No ano passado, logo após um show do Gilberto Gil na França, Daniel levou a revista para que ele a conhecesse: “Ah, é a Brazuca? Já conheço, gosto dela”, comentou Gil.

No ano passado, Brazuca foi além do papel e lançou virtualmente duas coletâneas de música brasileira. A primeira foi do rock independente, em parceria com o site Senhor F. E a segunda foi com a produtora, selo e festa Criolina, com as novidades do groove brasileiro. Ambas tiveram um alto índice de downloads.

O Nélson Rodrigues escreveu uma crônica hilária sobre a passagem do filósofo francês Jean-Paul Sartre pelo Brasil. Segundo a ótica delirante do Nelson, Sartre olhava para todos os brasileiros com um franco desprezo, como se dissesse: “Vocês são todos uns cretinos”. Aí alguém trouxe um balde de jaboticabas e o Sartre passou a mirar as frutas com o mesmo asco: “Vocês também são umas cretinas”.

Embora achando graça na história, Daniel discorda inteiramente do Nelson, pois os franceses são fascinados pelo Brasil e pela cultura brasileira. O brasileiro tem uma ginga que o francês não tem, argumenta Daniel. Essa ginga pode ser representada por manifestações culturais como o samba, a capoeira, o funk. Pelo drible no futebol. Ou pela capacidade que o brasileiro tem de se adaptar rapidamente às situações imprevistas, o famoso jogo de cintura. Os franceses gostam de samba, de Cartola, de Beth Carvalho, de Bossa nova, de Cinema Novo, de Glauber Rocha. Mas, atualmente, o brasileiro que reina na França é o pernambucano Lenine.

Morar na França fez com que Daniel olhasse Brasília com novos olhos. No mês passado, ele estava dirigindo e, de repente, deu de cara com a Catedral. Foi um choque estético, pois precisou estar longe do Brasil para perceber o quanto a Catedral é bonita. Mas, por outro lado, ele também se deu conta do enorme equívoco de se conceder tanto espaço para os carros em Brasília. Em Paris, o transporte público é excelente, com 14 linhas de metrô e 20 mil bicicletas públicas. Alargar avenidas não resolve o problema. A solução é investir no transporte público como uma prioridade, sentencia o brazuca e brasiliense desgarrado em Paris.

03/04/2009 - 20:25h A leveza dos anjos

Alemanha exibe obra do celebre fotógrafo suíço Michel Comte

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© Foto de Michel Comte. Helena Christensen, Vogue Itália, 1993

Uma exposição retrospectiva em Düsseldorf, na Alemanha, está exibindo a obra do fotógrafo suíço Michel Comte, que se destacou no mundo da moda. Colabora para as revistas Vanity Fair e Vogue. No ano passado uma foto de Carla Bruni de sua autoria foi vendida por 91 mil dólares num leilão da Christie’s. Desde 1999, o fotógrafo se engajou na Cruz Vermelha viajando em zonas de conflitos, atualmente está realizando um filme sobre as atrocidades cometidas durante ditadura dos Khmers vermelhos no Camboja. Exposição retrospectiva do fotógrafo Michel Comte. NRW-Forum Kultur und Wirtschaft, Ehrenhof 2, Düsseldorf, Alemanha. Até 10 de maio de 2009.

Fonte Images & Visions

24/03/2009 - 15:08h O cupim de FHC

Na sua última diatriba contra o governo Lula, FHC reclamou da “cupinização do Estado”, a “substituição de técnicos por militantes é o cupim que vai minando a estrutura pública.”, disse.

FHC sabe do que fala, ele que nomeou o genro como presidente da ANP (Agência Nacional do Petroleo). Mas, é verdade, o genro não era militante e nem cupim… era genro.

Cheio de si, comme d’habitude, FHC citou-se como exemplo e diz: “no meu governo os Diretores da Caixa e do BB eram indicados por mérito”.

Talvez ele possa evocar, para exemplificar o seu propósito, a designação do Sr. Emílio Carrazai, como presidente da Caixa Econômica Federal, apadrinhado pelo seu vice, o peefelista Marcos Maciel, durante quase todo seu segundo mandato e que bateu a porta quando da intervenção da PF na casa de Roseana Sarney. Ou ele estaria fazendo referência ao Sr. Ricardo Sérgio de Oliveira, ex-diretor da área internacional do Banco do Brasil?

FHC poderia simplesmente indicar para os que ignoram, que a lei obriga a preencher os cargos nos bancos públicos exclusivamente com funcionários de carreira, limitando as nomeações externas aos presidentes e vice-presidentes. Cargos para os quais ele não se privou de nomear, com pessoas externas às instituições (o que não é o caso hoje, mesmo para esses cargos de livre provimento).

É que para FHC militante tucano ou peefelista não é cupim.

Deve ser traça.

É pelo menos o que aparece deste extrato da revista Forum sobre os “indicados por mérito” na época de FHC.

Edificante leitura. LF

http://www.felipex.com.br/imagens/cab_fernandohcardoso.jpg


Revista Forum
O caixa tucano foi condenado, você sabia? 

Por Fábio Jammal Makhoul [3/14/2006]
“(…) Enquanto o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB) fazia pose de estadista e chamava a ética do PT de corrupta na capa da revista IstoÉ, uma pequena nota no pé da quinta e última página da seção “A Semana” passava facilmente despercebida até mesmo para os leitores mais atentos. Embaixo de três notas necrológicas, o pequeno texto informava: “Condenados a 11 anos de prisão pela 12ª Vara Federal do Distrito Federal o ex-presidente do Banco do Brasil Paulo César Ximenes e seis ex-diretores dessa instituição. Eles foram acusados de gestão temerária devido a irregularidades em empréstimos feitos à construtora Encol entre 1994 e 1995. Na quarta-feira 1”.
Assim como IstoÉ, a grande imprensa não deu muita bola para o caso. Veja, por exemplo, considerou a condenação de toda uma diretoria do maior banco público do país nada importante e não dedicou uma linha a respeito do assunto.
Os sete condenados formavam a diretoria colegiada do Banco do Brasil entre 1995 e 1998, com Ximenes no comando da instituição. Período que coincide com o primeiro mandato de FHC. Eles foram condenados em primeira instância por nove atos que caracterizam crimes de gestão temerária e de desvio de crédito ao emprestar dinheiro para a construtora Encol, que faliu em seguida e prejudicou milhares de mutuários.
Os acusados foram considerados responsáveis, entre outros crimes, por aceitar certificados de dívida emitidos ilegalmente pela construtora e por prorrogar sistematicamente operações vencidas e não pagas.

O homem-bomba
A condenação de toda a diretoria colegiada do Banco do Brasil no primeiro mandato de FHC é a menor das preocupações do PSDB. O mais atemorizante é que, entre os condenados, um personagem se destaca. Trata-se do já conhecido Ricardo Sérgio de Oliveira, ex-diretor da área internacional do banco.
O economista ganhou notoriedade durante as privatizações promovidas por Fernando Henrique, especialmente nos casos da Companhia Vale do Rio Doce (ver matéria na página xxxx) e do sistema Telebrás, dois dos maiores negócios do mundo. Em 1998, no episódio conhecido como “Grampo do BNDES”, Ricardo Sérgio foi destaque ao ser flagrado confessando como agiam ao costurar negócios para o leilão das teles: “no limite da irresponsabilidade”.
Caixa das campanhas de José Serra (1990 a 1996) e de Fernando Henrique (1994 e 1998), Ricardo Sérgio está envolvido em denúncias que vão desde pequenos problemas com a Receita Federal até a suposta cobrança de uma propina de R$ 15 milhões do empresário Benjamin Steinbruch, para favorecê-lo no leilão da Vale e prejudicar os fundos de pensão dos funcionários de estatais. O empresário teria dito, à época, que estava convencido de que Ricardo Sérgio falava em nome do PSDB e decidiu pagar a propina.
O assunto foi destaque nas três maiores revistas de circulação nacional na segunda semana de maio de 2002. Veja e Época afirmavam que parte da propina de R$ 15 milhões, que teria sido cobrada em 1996, foi efetivamente paga. As duas revistas confirmaram o pagamento com empresários e integrantes do conselho de administração da Vale do Rio Doce, que preferiram preservar sua identidade. Veja ainda teria confirmada a história com dois tucanos de alta plumagem, a seguir o trecho da matéria:
“Veja conversou com dois empresários que ouviram o relato de Steinbruch. ‘Ele me disse que se sentia alvo de um achaque’, conta um dos empresários. O outro, que trabalha no setor financeiro, diz algo semelhante: ‘Naquele tempo, Benjamin andava por aí feito barata tonta, sem saber se pagava ou não’, afirma. Na semana passada, Veja obteve depoimentos formais que confirmam a história. A particularidade desses depoimentos é que eles são dados por expoentes da política brasileira. Um deles é de Luiz Carlos Mendonça de Barros, que presidiu o BNDES durante o processo de venda da Vale, e depois assumiu o Ministério das Comunicações. Acabou perdendo o emprego quando estourou o escândalo das fitas da privatização das teles. A outra autoridade é o ministro da Educação, Paulo Renato de Souza. Ambos são tucanos”.
A mesma Veja, sim a Veja, ainda explicou: “Ricardo Sérgio não caiu de pára-quedas no chamado ninho tucano. Ele foi apresentado a José Serra e a Fernando Henrique Cardoso pelo ex-ministro Clóvis Carvalho. Em 1990, José Serra candidatou-se a deputado federal e não tinha dinheiro para fazer a campanha. Clóvis Carvalho destacou quatro pessoas para ajudá-lo na coleta. Um deles era Ricardo Sérgio. Em 1994, Serra se candidatou ao Senado por São Paulo, e Ricardo Sérgio voltou a ajudá-lo como coletor de fundos de campanha. A última disputa da qual Serra participou foi para a prefeitura de São Paulo, em 1996. Depois, o senador não mais concorreu em nenhuma outra eleição, até a deste ano (2002). Ricardo Sérgio também foi uma das pessoas acionadas para arrecadar contribuições para a campanha presidencial de Fernando Henrique Cardoso, em 1994. O mesmo aconteceu na reeleição de FHC, em 1998. Na função de coletor de contribuições eleitorais, Ricardo Sérgio era muito bem-sucedido”.
Na semana seguinte, a reportagem explosiva de Veja era comentada pelo então professor da USP Bernardo Kucinski que dizia não entender o “furor investigativo” da revista e questionava: “Mera reação à concorrência? Retaliação patrimonialista? Ou, o mais provável: uma ação operada a partir de fratura no interior do bloco de poder”.
Já a revista IstoÉ relatou na edição da mesma semana um novo caso suspeito envolvendo o ex-diretor do BB. Ricardo Sérgio teria encabeçado um esquema que teria trazido de volta ao Brasil, em 1992, “US$ 3 milhões sem procedência investidos nas Ilhas Cayman, paraíso fiscal do Caribe”. Ele teria conseguido vender no mercado internacional títulos da empresa Calfat, numa transação feita por intermédio do Banespa, quando a instituição ainda pertencia ao governo de São Paulo.
Com tantas suspeitas potencialmente explosivas pairando sobre o caixa tucano, a sua condenação no caso dos empréstimos da Encol feitos pelo BB pode ser apenas a ponta do iceberg.

Grampo revela armações
A nomeação de Ricardo Sérgio de Oliveira para a direção de relações internacionais do Banco do Brasil foi uma indicação de José Serra (ministro da Saúde na época) e Clóvis Carvalho (Casa Civil). Com o cargo, se transformou numa das pessoas mais influentes na Previ (fundo de pensão dos funcionários do BB) e teve grande participação na montagem de consórcios que participaram com o fundo nas privatizações.
O caso do Grampo no BNDES revela um pouco como se agia nesses casos. A interceptação clandestina de telefonemas trocados pelas autoridades que geriam o processo de venda das telefônicas mostrou uma agitada movimentação do governo FHC nas 72 horas que antecederam o Leilão das Teles, ocorrido em julho de 1998.
Nas fitas, o então ministro das Comunicações, Luiz Carlos Mendonça de Barros, telefona para Ricardo Sérgio e revela que o Banco Opportunity, do agora famoso Daniel Dantas, quer participar do leilão da Tele Norte Leste, mas depende da concessão de uma fiança do Banco do Brasil:
“Está tudo acertado. Mas o Opportunity está com um problema de fiança. Não dá para o Banco do Brasil dar?”, pergunta Mendonça de Barros.
“Acabei de dar (R$ 874 milhões)”, responde Ricardo Sérgio e completa quase rindo: “Nós estamos no limite da nossa irresponsabilidade. São três dias de fiança para ele”…. “Na hora que der merda (se refere ao astronômico valor do crédito), estamos juntos desde o início.”
A armação nesse caso só não deu certo porque o Grupo Opportunity já havia adquirido a Brasil Telecom (BrT) e a Telemig. Na época, o senador Antônio Carlos Magalhães (PFL) disse à Justiça e ao Ministério Público que o economista chegou a cobrar comissão de R$ 90 milhões para assegurar o resultado no Leilão das Teles. (…)”

22/03/2009 - 21:18h Swing in Rio

Clique na imagem da Revista O Globo para ampliar e ler

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17/03/2009 - 19:14h Peter Lindbergh, “o poeta do glamour”

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© Foto Peter Lindbergh. Mathilde na Torre Eiffel, 1989.
(Clique na imagem para ampliar)

Nascido na Alemanha Oriental em 1944, Peter Lindbergh é um dos fotógrafos mais respeitados da atualidade. Ele é considerado no mundo da moda como “o poeta do glamour”.Desde 1978, quando a revista Stern editou sua primeira série de fotografias de moda, seu trabalho tem sido publicado nas principais revistas internacionais de moda e tem trabalhado para as campanhas dos principais estilistas do mundo. Ele é um dos grandes mestres da fotografia em preto e branco com luz contínua.

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Fonte Images & Visions