02/06/2009 - 17:29h Mato pra todo lado e animais soltos

Ah, os argentinos

 

 

Um dia me mudo para Buenos Aires. E acho que se o Lula fizesse o mesmo seria bem feliz. “O que há com os brasileiros que viajam? Todos se queixam do Lula!” me pergunta um taxista perplexo que, como a maioria dos argentinos que conheço, diz francamente sentir inveja da qualidade do governo brasileiro e da cena política do país. Pra você ver como estão nossos vizinhos.

(aliás, descobri finalmente por que o idelber defende o governo Cristina Kirchner. Ele considera o Página 12 o supra-sumo do jornalismo sul-americano, e foi nesse jornal que li um de seus melhores articulistas defender a tese de que o Hugo Chávez não contou nada aos Kirchner quando os visitou semanas antes de nacionalizar a Techint, um grupo ítalo-argentino, cuja estatização provocou umas notas débeis de protesto da Casa Rosada)

Visto de fora, o Brasil é o que é: uma grande potência e um dos países com instituições mais modernas do mundo. Me ufano desse país. E aqui leio, rindo, os analistas desesperados dizendo que a política externa é um fracasso proque não conseguiu emplacar a Ellen Gracie no órgão de solução de controvérsias da OMC nem garantir o empreguinho em Paris aos brasileiros que queriam o cargo de direção na Unesco.

Janto com o emblemático Jorge Castro, e com jornalistas, e participo de um momento mágico na história da América Latina: a um canto da mesa, eu, o Alexandre Pinheiro e o Ariel Palácios descobrimos, surpresos, que somos todos brasileiros que odeiam futebol. Há esperança paraa civlização. Ainda que eu desconfie do Ariel, ele sabe quem disputou a final das útlimas copas. Eu só sei sobre a de 1982, em que saí às ruas com uma camisa da Itália. Como ia advinhar que a seleção ia perder logo da squadra azzurra??

Bom, em Buenos Aires, apesar de ter recebido reduzida contribuição, de poucos e bons frequentadores deste blogue, até não fiz feio. E aproveitei parte do que disse lá na coluna do Valor, mas isso deixo para um argentino boa praça contar AQUI. Sim, chamei as Galerias Pacifico de Shopping Pacífico na coluna, mas quequiá, é quase a mesma coisa.

E, nessas mesmas Galerias Pacífico (o Atheneo está uma porcaria, acho que sacrificaram as estantes de livro para investir na lanchonete para os turistas que vão lá sacar fotos e falar alto em portugues), encontrei preciosidades, a começar pela espécie inecistente no Brasil: o vendedor de livros quelivros.

Fico sabendo, por uma dessas avis rara do Cone Sul, que existe uma coletânea dos artigos jornalísticos do Roberto Arlt, o cara que influenciou uma parte grande dos autores atuais argentinos, com quem já brinquei neste sítio, e que se costuma contrapor a Jorge Luis Borges, um o intelectual erudito e de texto elaborado; o outro politizado, popular e de texto reto.

Já faz parte da biblioteca, “Cronicas en el Mundo“, com um livro inacreditável do Ricardo Piglia, “Crítica y Ficcion“, de quem descobri que terei de chupar páginas inteiras quando estiver falando na OFFFlip, em julho, dois livros do Martin Kogan, por influência do idelber, e um do Bolaño. Tem mais um de um autor uruguaio, de quem falarei em breve por aqui.
E volto a postar, que está uma vergonha o Sítio, mato pra todo lado.