13/10/2007 - 10:51h Brasil pone freno a la presión de los países desarrollados y se juega por el Mercosur

Por: Eleonora Gosman para Clarín

“No vamos a entregar el Mercosur a cambio de la Organización Mundial del Comercio”, subrayó cortante el canciller brasileño Celso Amorim. Fue en respuesta a las presiones que ejercen sobre Brasil, ya sin disimulo, tanto EE.UU. como Europa para que el gobierno de Lula da Silva apoye la versión de libre comercio que promueven las grandes potencias en la actual Ronda de Doha.

Tal como está planteada, la jugada de los países ricos es promover la apertura de los mercados de bienes industriales sin dar a cambio bienes industriales de los países en desarrollo ni concesiones reales en la eliminación de los subsidios a sus productores agrícola. Según advirtió Amorim, bloques como el Mercosur estallarían en varios pedazos si se acepta la propuesta norteamericana y europea en las negociaciones. El ministro brasileño pidió “flexibilidad” a los desarrollados respecto a las exigencias para bloques regionales de países en desarrollo. Sostuvo que la Ronda de Doha, tal como está planteada, pondrá en peligro el andamiaje que sustenta la sociedad integrada por Brasil, Argentina, Uruguay y Paraguay. Pero EE.UU. rechazó esa demanda brasileña.

De acuerdo con la diplomacia de Itamaraty, la apertura de los mercados industriales tal como la plantean las grandes potencias destruiría el Arancel Externo Común del Mercosur, que es su columna vertebral. Si en la OMC no se tiene en cuenta “esa peculiaridad”, Brasil no aceptará ningún acuerdo de Doha sostuvieron en en Brasilia.

En la campaña de quejas de las grandes potencias contra la diplomacia brasileña, que se acentuó los últimos días, el comisario de Comercio de la Unión Europea Peter Mandelson reclamó a Brasil que “aclare si no está dando un paso atrás” en las negociaciones con los grandes. Lo mismo sostuvo en declaraciones a Clarín la comisaria europea de Agricultura Mariann Fischer Boel. Mandelson dijo que hay un presunto “desequilibrio entre lo que se pide a los países ricos y lo que se pide a las naciones en desarrollo” (supuestamente a favor de estos últimos). Para el secretario de Comercio de los EE.UU. Carlos Gutiérrez, que estuvo esta semana en San Pablo, “llegó el momento de que Brasil use su liderazgo para convencer a las otras naciones en desarrollo” de las bondades de la propuesta de las potencias respecto de Doha.

Amorim se irritó al señalar que las grandes potencias quieren abrir mercados industriales sin dejar de proteger sus propios mercados agrícolas, donde países como Brasil y Argentina son más competitivos. Evaluó que ni Europa ni EE.UU. pretenden realmente reducir los subsidios dados a sus agricultores.

08/10/2007 - 17:03h EUA é que têm de destravar Doha, diz ex-embaixador Rubens Barbosa

Daniel Bramatti

Wilson Dias/Agência Brasil

O presidente Lula cobrou mais atenção à rodada Doha no Fórum Econômico Mundial

Criticados por não cortar seus subsídios agrícolas, os Estados Unidos procuram sair da defensiva nas negociações da chamada rodada Doha. Susan Schwab, representante dos EUA na Organização Mundial de Comércio, publicou na semana passada um artigo no jornal “Financial Times” no qual cobra dos países emergentes um “sim” ou “não” - simples assim - à proposta norte-americana de limitar aos subsídios para algo entre US$ 13 bilhões e US$ 16 bilhões por ano.

Foi o que bastou para que o influente “Wall Street Journal” publicasse um editorial intitulado “Doha or Die” (Doha ou morra), com novas cobranças para que os países em desenvolvimento aceitem abrir seus mercados industriais e de serviços.

Para Rubens Barbosa, ex-embaixador do Brasil nos Estados Unidos, a movimentação faz parte de um jogo de cena diplomático para culpar os países emergentes pelo eventual fracasso das negociações de liberalização do comércio mundial, que já se arrastam há seis anos. “Eles não querem reduzir os subsídios, a verdade é essa”, afirmou.

Leia a seguir trechos da entrevista do ex-embaixador a Terra Magazine:

Como o senhor analisa a atitude dos Estados Unidos de cobrar uma posição dos emergentes para destravar as negociações da Rodada Doha?
Nós é que temos de cobrar uma reação deles. A gente fica aqui no Brasil sempre reagindo às coisas que esse pessoal fala. Eles é que estão devendo uma posição. A rodada de Doha foi lançada com o objetivo de colocar a agricultura no centro das negociações. É uma rodada que se propunha a lançar uma agenda para o desenvolvimento, com o aumento do comércio na área agrícola e um tratamento diferenciado para os países em desenvolvimento. Agora a coisa se inverteu. Os Estados Unidos não têm condições de negociar esse acordo porque o Congresso norte-americano não dá autorização. Então ficam os países desenvolvidos cobrando coisas de nós sem dizer o que eles vão fazer na parte de subsídios e redução tarifária.

Enquanto a Susan Schwab cobra dos países em desenvolvimento uma posição na abertura do mercado de bens industriais, o Congresso dos EUA aprova uma nova legislação ampliando os subsídios agrícolas. Então fica difícil.

O senhor acha que é a preparação de um cenário para culpar os países agrícolas pelo eventual fracasso das negociações?
Claro, é parte da estratégia. Eles vão para os jornais e dizem que estão esperando um sim ou não dos emergentes. E eles, quando vão dizer sim ou não?

Terra Magazine

01/10/2007 - 19:12h Caso do Brasil na OMC pode mostrar abuso dos EUA em subsídios


Reuters/Brasil Online Portal O Globo

Por Missy Ryan

WASHINGTON (Reuters) - Um novo contencioso do Brasil contra subsídios agrícolas norte-americanos, se bem-sucedido, pode mostrar como os Estados Unidos excederam os limites da Organização Mundial do Comércio (OMC) para apoio a agricultores em pelo menos quatro dos últimos anos, avaliou um relatório do governo norte-americano.

O relatório recente, feito pelo Serviço de Pesquisa do Congresso (CRS, na sigla em inglês), uma entidade apartidária, examinou acusações feitas por Brasília recentemente ameaçando colocar Washington mais um vez na defensiva no tribunal da OMC.

Em seu contencioso, apresentado em julho, o Brasil reclamam que os EUA ultrapassaram os limites de gastos estabelecidos pela OMC para subsídios agrícolas -com as chamadas “medidas agregadas de apoio”- nos anos de 1999, 2000, 2001, 2002, 2004 e 2005.

O atual teto de gastos autorizados pela OMC aos EUA é de 19,1 bilhões de dólares por ano, mas Washington não informa à organização oficialmente sobre estes subsídios desde 2001.

Estimativas da CRS de que pagamentos diretos feitos a fazendeiros possam ser classificados como algo que distorce o comércio, como o Brasil acredita, os gastos estariam acima do autorizado em quatro anos recentes -1999, 2000, 2005 e 2006.

Se uma série de subsídios adicionais sob investigação for adicionada ao montante, continuou o relatório, “o número de violações pode ser maior. O Brasil, entretanto, ainda não forneceu os detalhes específicos em suas determinações ano a ano”.

O Brasil, que pediu consultas preliminares sobre a questão de subsídios na esteira de um contencioso semelhante apresentado pelo Canadá, ainda tem que formalizar um caso, de acordo com o gabinete da representante comercial dos EUA, Susan Schwab.

Além disso, os contenciosos são um espinho na Rodada de Doha de negociações comerciais da OMC, que após seis anos ainda tenta um consenso sobre reduções de subsídios e tarifas na agricultura e outros setores.

As reivindicações do Brasil ocorrem também à medida que o Congresso norte-americano debate o futuro de sua política agrária.

“O Brasil tem um interesse geral em influenciar o debate agrário de 2007 nos EUA a favor de menores” subsídios, relatou o documento.

25/09/2007 - 18:48h Lula, Bush e a Rodada Doha

da Folha Online

Kennedy Alencar, repórter especial da Folha de S.Paulo e colunista da Folha Online, fala sobre o encontro entre os presidentes brasileiros Luiz Inácio Lula da Silva e o norte-americano George W.Bush. Para o colunista, esse encontro terá reflexos importantes para o avanço das negociações em torno da Rodada Doha. Ouça aqui