29/10/2009 - 09:53h Indefinição tucana amarra oposição em 12 Estados
Os três principais focos de insatisfação são Minas, Rio e São Paulo, que reúnem o maior número de eleitores
Marcelo de Moraes, BRASÍLIA – O Estado SP
A indefinição da candidatura presidencial do PSDB deixou os partidos de oposição à beira de um ataque de nervos e ameaça causar divisões políticas internas com efeitos nas campanhas regionais. Esse impasse está travando a definição das coligações locais em pelo menos 12 Estados, que aguardam a resolução da candidatura presidencial para desembaraçar suas pendências locais.
Existem graves focos de insatisfação em Minas, no Rio e em São Paulo. Mas há problemas em pelo menos mais nove Estados: Rio Grande do Sul, Paraná, Pará, Goiás, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Ceará, Amazonas e Maranhão.
Nos três focos principais, que reúnem o maior número de eleitores do País, as queixas são abertas. Em Minas, o governador Aécio Neves (PSDB) reclama da demora para a escolha do candidato e também do tratamento de indiferença que setores tucanos vêm dando à sua pretensão de concorrer ao Palácio do Planalto.
Outro foco está em São Paulo, onde os tucanos Geraldo Alckmin e Aloysio Nunes Ferreira desejam ser os indicados para concorrer ao governo, mas precisam aguardar pela definição do futuro do governador José Serra. Eles perceberam a movimentação em torno de uma terceira alternativa como candidato a governador – o prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab (DEM).
Oficialmente, Kassab nega que participe de articulações a esse respeito, mas a boa aceitação de seu nome em pesquisas de intenção de voto pôs efetivamente essa possibilidade na mesa de discussões.
O terceiro foco de atrito está no relacionamento do PSDB com o DEM, seu principal aliado. O presidente do DEM, deputado Rodrigo Maia (RJ), tem cobrado publicamente pressa pela definição da candidatura presidencial, avaliando que isso tem provocado dificuldades na montagem das alianças regionais.
Depois de relatar sua “angústia” com a situação, Maia foi mais longe e chegou a anunciar a preferência por Aécio, o que irritou o PSDB paulista.
PROTESTOS
Os aliados de Serra se queixam da pressão exercida sobre ele, líder nas pesquisas. Avaliam que o governador tem de ser respeitado na avaliação que tiver sobre o momento mais estratégico para anunciar se concorrerá à Presidência ou não.
Acreditam também que pôr a candidatura imediatamente nas ruas atrairia no mesmo instante a fuzilaria dos governistas, criando o risco de desgaste e queda nas pesquisas.
Esses problemas, reconhecidos por dirigentes do PSDB e do DEM, podem fazer com que a chapa de oposição acabe chegando enfraquecida à campanha, apesar de hoje ter em Serra o líder em todas as pesquisas de intenção de voto. Na prática, existe a preocupação de que essas discussões acabem produzindo conflitos pessoais irreversíveis, que minem a adesão de aliados importantes.
De acordo com um dirigente tucano, não adianta, por exemplo, esperar o apoio de Minas se a candidatura de Aécio for esmagada no processo de definição de quem será o escolhido. Ele completa dizendo que isso deve ser construído numa discussão consensual, sob pena de o eleitor de Aécio se sentir humilhado com esse desfecho e desembarcar da campanha.
Um claro desconforto para o governador mineiro ocorreu com o vazamento de uma pesquisa feita por setores do PSDB em que seu nome foi testado como candidato a vice-presidente de Serra. Aécio cobrou explicações do comando do partido e reagiu duramente.
MAIA
No lado do DEM, a demora na definição da candidatura produz forte insatisfação.
Depois de Rodrigo Maia reconhecer a angústia do partido, ontem foi a vez de o ex-prefeito do Rio, César Maia (DEM), reafirmar essa preocupação e o reflexo que a indefinição possa ter na conclusão dos acordos nos Estados.
“O problema de raiz foi o PSDB ter decidido por fazer prévias oficialmente e o processo ir atrasando e prejudicando os ajustes regionais”, afirmou César Maia ao Estado. “Na medida em que as regras das prévias não eram conhecidas, era natural e esperado que seus parceiros tivessem opinião a respeito. Algumas publicadas pelo maior destaque de quem as fez e centenas não publicadas pelo menor destaque de quem as fez”, acrescentou o ex-prefeito.
Essa incerteza vem produzindo ruídos internos para todos os gostos dentro da oposição. Em São Paulo, onde a hegemonia do PSDB vem desde 1994, a simples menção à possibilidade da candidatura de Kassab causou reação irritada dos tucanos, que não admitem abrir mão de encabeçar a chapa para o governo, cedendo a vaga para um político de outro partido, mesmo sendo um aliado direto, como o prefeito.

‘Tenho nervos de aço’, reage Serra
Indagado sobre pressão, diz que só fica impaciente ‘com fila de elevador e banheiro de avião’
Silvia Amorim – O Estado SP
O governador de São Paulo, José Serra (PSDB), disse ontem que tem “nervos de aço” para política e as pressões dentro e fora de seu partido para que decida ainda este ano se será ou não candidato à Presidência em 2010 não o abalam. “Eu tenho nervos de aço em política”, afirmou.
Depois de se negar a fazer comentários sobre a disputa presidencial, Serra foi indagado se ficava impaciente com os pedidos de antecipação de um anúncio de candidatura do PSDB. “Minha impaciência é com fila de elevador, banheiro de avião”, respondeu com risos.
O tucano defende a tese de que o candidato do PSDB seja definido somente em março do ano que vem, quando vence o prazo fixado pela Lei Eleitoral para ele se afastar do governo paulista caso queira disputar o Planalto. Seu concorrente à vaga de presidenciável do PSDB, o governador de Minas, Aécio Neves, disse na terça-feira mais uma vez que espera uma decisão da legenda até janeiro, ou então anunciará sua postulação ao Senado.
Não é a primeira vez que Serra manda um recado público àqueles que defendem uma definição antecipada. Na semana passada, ele fez um desabafo pela internet em seu microblog na rede social Twitter. “Estou cansado de NÃO responder à pergunta sobre a Presidência”, escreveu. Até sinalizou que poderá fazer anúncio em primeira mão na própria rede.
Ontem Serra insistiu na defesa da tese de que ainda é cedo para decisões. “Você sabe se o Ciro Gomes vai ser candidato? A Dilma já se declarou candidata? Então, por que essa ansiedade?”, argumentou com os jornalistas. Para ele, “não há nada definido no Brasil”. “E também não há necessidade, porque é muito cedo.”
PESQUISAS
A resistência do tucano em declarar-se candidato tem uma razão. Ele teme virar alvo dos adversários cedo demais, por isso adia o quanto pode um anúncio de pré-candidatura. O assunto foi alvo de sondagem do PSDB paulista. Pesquisas qualitativas encomendadas pelo partido revelaram que o eleitor tende a ver com antipatia anúncios fora de época de postulações, principalmente quando o candidato está governando.
Serra reclamou ainda do assédio da imprensa. “Ontem (anteontem) eu fiz um comentário de que é importante o pessoal saber o que nós estamos fazendo na educação e deu primeira página de um jornal porque entenderam que era uma colocação política”, disse, referindo-se à declaração em que defendeu o uso de realizações de sua gestão para “colher dividendos políticos”. “A gente saber o que nós mesmos fizemos é muito importante para poder explicar, defender e inclusive colher dividendos políticos, o que é legítimo dentro de uma ação governamental”, afirmara na terça-feira.
”É sempre a mesma fofoca”,ironiza Aécio
Ivana Moreira, BELO HORIZONTE
Um dia depois de informar à direção do DEM que pretende desistir de sua pré-candidatura à Presidência caso o PSDB não defina o candidato até o fim de dezembro, o governador de Minas, Aécio Neves, não quis comentar o assunto ontem. “É a mesma fofoca de sempre”, brincou com os jornalistas, recusando-se a falar sobre o tema.
O governador deve voltar a falar sobre sua decisão hoje, aproveitando a oportunidade que terá de estar com a imprensa para um ato de governo. O objetivo do mineiro é, antes de se pronunciar publicamente sobre o assunto, avaliar a reação do tucanato diante das notícias sobre seu desabafo com o presidente do DEM, Rodrigo Maia, anteontem, em Brasília.
Segundo interlocutores do governador, sua preocupação é esperar tempo demais pela decisão do PSDB e acabar tendo de, em março, começar a construir apressadamente sua candidatura ao Senado.
Também tem o caso da sucessão ao Palácio da Liberdade. A equipe do governador acredita que, como candidato à Presidência, Aécio terá visibilidade e capital político para eleger com facilidade seu sucessor. O vice-governador Antônio Anastásia é, até o momento, o candidato natural à sucessão de Aécio. O problema é que o vice continua sendo pouco conhecido da população, como era na eleição de 2006.
Do lado petista, os possíveis candidatos – o ministro Patrus Ananias e o ex-prefeito Fernando Pimentel – são nomes com grande apelo eleitoral.
A ESCOLHA DO CANDIDATO A PRESIDENTE DO PSDB!
SIMPATIA, COMPETÊNCIA E EQUILÍBRIO FEDERATIVO!
Cesar Maia (DEM) ex-prefeito de Rio – Ex-Blog de Cesar Maia 19/10/2009
1. O Globo, deste domingo, publicou grande matéria onde mostra a pesquisa que fez com deputados e senadores do DEM quanto às suas preferências para o candidato à presidente da república do PSDB. Isso se tornou inevitável, na medida em que, por se tratar de uma aliança entre PSDB, DEM e PPS, e o PSDB definir seu candidato por uma escolha prévia, que seus parceiros coligados terminassem por opinar a respeito.
2. Entre os deputados consultados do DEM, Aécio venceu Serra por 27 a 17. Entre os senadores do DEM consultados, Aécio venceu Serra por 6 a 5. A maioria deles, deputados e senadores, acha que o PSDB terminará escolhendo Serra e que este teria mais chance de vencer, hoje.
3. Os parlamentares do DEM entendem que a escolha do candidato a vice-presidente deverá ser entre um de seus deputados e senadores. Natural, mas compulsório no caso de Aécio não se interessar pela vaga.
4. Na matéria, o presidente do PSDB diz que “Aécio é extremamente simpático, cordial e cativante. Serra é um grande administrador e tem desempenho nas pesquisas bastante positivo”. O presidente do DEM diz coisa parecida: “O Serra tem um histórico que o ajuda muito, foi ministro… O Aécio teria mais condições de agregar. Serra não agregaria muitos políticos fora de nosso eixo”.
5. Este Ex-Blog agrega um elemento. A história republicana do Brasil mostra que os três primeiros presidentes civis no início da república estressaram o equilíbrio federativo. Lula, ao se transformar, no final do primeiro governo, de um político de SP em um político do Nordeste, mitigou esse estressamento. Esse será um ponto a ser avaliado em pesquisas: se uma concentração adicional em SP afetaria a percepção do eleitor sobre o equilíbrio federativo.













