29/10/2009 - 09:53h Indefinição tucana amarra oposição em 12 Estados

Os três principais focos de insatisfação são Minas, Rio e São Paulo, que reúnem o maior número de eleitores

Marcelo de Moraes, BRASÍLIA – O Estado SP

A indefinição da candidatura presidencial do PSDB deixou os partidos de oposição à beira de um ataque de nervos e ameaça causar divisões políticas internas com efeitos nas campanhas regionais. Esse impasse está travando a definição das coligações locais em pelo menos 12 Estados, que aguardam a resolução da candidatura presidencial para desembaraçar suas pendências locais.

Existem graves focos de insatisfação em Minas, no Rio e em São Paulo. Mas há problemas em pelo menos mais nove Estados: Rio Grande do Sul, Paraná, Pará, Goiás, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Ceará, Amazonas e Maranhão.

Nos três focos principais, que reúnem o maior número de eleitores do País, as queixas são abertas. Em Minas, o governador Aécio Neves (PSDB) reclama da demora para a escolha do candidato e também do tratamento de indiferença que setores tucanos vêm dando à sua pretensão de concorrer ao Palácio do Planalto.

Outro foco está em São Paulo, onde os tucanos Geraldo Alckmin e Aloysio Nunes Ferreira desejam ser os indicados para concorrer ao governo, mas precisam aguardar pela definição do futuro do governador José Serra. Eles perceberam a movimentação em torno de uma terceira alternativa como candidato a governador – o prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab (DEM).

Oficialmente, Kassab nega que participe de articulações a esse respeito, mas a boa aceitação de seu nome em pesquisas de intenção de voto pôs efetivamente essa possibilidade na mesa de discussões.

O terceiro foco de atrito está no relacionamento do PSDB com o DEM, seu principal aliado. O presidente do DEM, deputado Rodrigo Maia (RJ), tem cobrado publicamente pressa pela definição da candidatura presidencial, avaliando que isso tem provocado dificuldades na montagem das alianças regionais.

Depois de relatar sua “angústia” com a situação, Maia foi mais longe e chegou a anunciar a preferência por Aécio, o que irritou o PSDB paulista.

PROTESTOS

Os aliados de Serra se queixam da pressão exercida sobre ele, líder nas pesquisas. Avaliam que o governador tem de ser respeitado na avaliação que tiver sobre o momento mais estratégico para anunciar se concorrerá à Presidência ou não.

Acreditam também que pôr a candidatura imediatamente nas ruas atrairia no mesmo instante a fuzilaria dos governistas, criando o risco de desgaste e queda nas pesquisas.

Esses problemas, reconhecidos por dirigentes do PSDB e do DEM, podem fazer com que a chapa de oposição acabe chegando enfraquecida à campanha, apesar de hoje ter em Serra o líder em todas as pesquisas de intenção de voto. Na prática, existe a preocupação de que essas discussões acabem produzindo conflitos pessoais irreversíveis, que minem a adesão de aliados importantes.

De acordo com um dirigente tucano, não adianta, por exemplo, esperar o apoio de Minas se a candidatura de Aécio for esmagada no processo de definição de quem será o escolhido. Ele completa dizendo que isso deve ser construído numa discussão consensual, sob pena de o eleitor de Aécio se sentir humilhado com esse desfecho e desembarcar da campanha.

Um claro desconforto para o governador mineiro ocorreu com o vazamento de uma pesquisa feita por setores do PSDB em que seu nome foi testado como candidato a vice-presidente de Serra. Aécio cobrou explicações do comando do partido e reagiu duramente.

MAIA

No lado do DEM, a demora na definição da candidatura produz forte insatisfação.

Depois de Rodrigo Maia reconhecer a angústia do partido, ontem foi a vez de o ex-prefeito do Rio, César Maia (DEM), reafirmar essa preocupação e o reflexo que a indefinição possa ter na conclusão dos acordos nos Estados.

“O problema de raiz foi o PSDB ter decidido por fazer prévias oficialmente e o processo ir atrasando e prejudicando os ajustes regionais”, afirmou César Maia ao Estado. “Na medida em que as regras das prévias não eram conhecidas, era natural e esperado que seus parceiros tivessem opinião a respeito. Algumas publicadas pelo maior destaque de quem as fez e centenas não publicadas pelo menor destaque de quem as fez”, acrescentou o ex-prefeito.

Essa incerteza vem produzindo ruídos internos para todos os gostos dentro da oposição. Em São Paulo, onde a hegemonia do PSDB vem desde 1994, a simples menção à possibilidade da candidatura de Kassab causou reação irritada dos tucanos, que não admitem abrir mão de encabeçar a chapa para o governo, cedendo a vaga para um político de outro partido, mesmo sendo um aliado direto, como o prefeito.

‘Tenho nervos de aço’, reage Serra

Indagado sobre pressão, diz que só fica impaciente ‘com fila de elevador e banheiro de avião’

Silvia Amorim – O Estado SP

O governador de São Paulo, José Serra (PSDB), disse ontem que tem “nervos de aço” para política e as pressões dentro e fora de seu partido para que decida ainda este ano se será ou não candidato à Presidência em 2010 não o abalam. “Eu tenho nervos de aço em política”, afirmou.

Depois de se negar a fazer comentários sobre a disputa presidencial, Serra foi indagado se ficava impaciente com os pedidos de antecipação de um anúncio de candidatura do PSDB. “Minha impaciência é com fila de elevador, banheiro de avião”, respondeu com risos.

O tucano defende a tese de que o candidato do PSDB seja definido somente em março do ano que vem, quando vence o prazo fixado pela Lei Eleitoral para ele se afastar do governo paulista caso queira disputar o Planalto. Seu concorrente à vaga de presidenciável do PSDB, o governador de Minas, Aécio Neves, disse na terça-feira mais uma vez que espera uma decisão da legenda até janeiro, ou então anunciará sua postulação ao Senado.

Não é a primeira vez que Serra manda um recado público àqueles que defendem uma definição antecipada. Na semana passada, ele fez um desabafo pela internet em seu microblog na rede social Twitter. “Estou cansado de NÃO responder à pergunta sobre a Presidência”, escreveu. Até sinalizou que poderá fazer anúncio em primeira mão na própria rede.

Ontem Serra insistiu na defesa da tese de que ainda é cedo para decisões. “Você sabe se o Ciro Gomes vai ser candidato? A Dilma já se declarou candidata? Então, por que essa ansiedade?”, argumentou com os jornalistas. Para ele, “não há nada definido no Brasil”. “E também não há necessidade, porque é muito cedo.”

PESQUISAS

A resistência do tucano em declarar-se candidato tem uma razão. Ele teme virar alvo dos adversários cedo demais, por isso adia o quanto pode um anúncio de pré-candidatura. O assunto foi alvo de sondagem do PSDB paulista. Pesquisas qualitativas encomendadas pelo partido revelaram que o eleitor tende a ver com antipatia anúncios fora de época de postulações, principalmente quando o candidato está governando.

Serra reclamou ainda do assédio da imprensa. “Ontem (anteontem) eu fiz um comentário de que é importante o pessoal saber o que nós estamos fazendo na educação e deu primeira página de um jornal porque entenderam que era uma colocação política”, disse, referindo-se à declaração em que defendeu o uso de realizações de sua gestão para “colher dividendos políticos”. “A gente saber o que nós mesmos fizemos é muito importante para poder explicar, defender e inclusive colher dividendos políticos, o que é legítimo dentro de uma ação governamental”, afirmara na terça-feira.

http://1.bp.blogspot.com/_X6RW9ukeK1g/STFhLTdIrMI/AAAAAAAAD3o/ScfT5uTIzPs/s320/AecioSerraSLim3.jpg”É sempre a mesma fofoca”,ironiza Aécio

Ivana Moreira, BELO HORIZONTE

Um dia depois de informar à direção do DEM que pretende desistir de sua pré-candidatura à Presidência caso o PSDB não defina o candidato até o fim de dezembro, o governador de Minas, Aécio Neves, não quis comentar o assunto ontem. “É a mesma fofoca de sempre”, brincou com os jornalistas, recusando-se a falar sobre o tema.

O governador deve voltar a falar sobre sua decisão hoje, aproveitando a oportunidade que terá de estar com a imprensa para um ato de governo. O objetivo do mineiro é, antes de se pronunciar publicamente sobre o assunto, avaliar a reação do tucanato diante das notícias sobre seu desabafo com o presidente do DEM, Rodrigo Maia, anteontem, em Brasília.

Segundo interlocutores do governador, sua preocupação é esperar tempo demais pela decisão do PSDB e acabar tendo de, em março, começar a construir apressadamente sua candidatura ao Senado.

Também tem o caso da sucessão ao Palácio da Liberdade. A equipe do governador acredita que, como candidato à Presidência, Aécio terá visibilidade e capital político para eleger com facilidade seu sucessor. O vice-governador Antônio Anastásia é, até o momento, o candidato natural à sucessão de Aécio. O problema é que o vice continua sendo pouco conhecido da população, como era na eleição de 2006.

Do lado petista, os possíveis candidatos – o ministro Patrus Ananias e o ex-prefeito Fernando Pimentel – são nomes com grande apelo eleitoral.

A ESCOLHA DO CANDIDATO A PRESIDENTE DO PSDB!

SIMPATIA, COMPETÊNCIA E EQUILÍBRIO FEDERATIVO!

Cesar Maia (DEM) ex-prefeito de Rio – Ex-Blog de Cesar Maia 19/10/2009

1. O Globo, deste domingo, publicou grande matéria onde mostra a pesquisa que fez com deputados e senadores do DEM quanto às suas preferências para o candidato à presidente da república do PSDB. Isso se tornou inevitável, na medida em que, por se tratar de uma aliança entre PSDB, DEM e PPS, e o PSDB definir seu candidato por uma escolha prévia, que seus parceiros coligados terminassem por opinar a respeito.

2. Entre os deputados consultados do DEM, Aécio venceu Serra por 27 a 17. Entre os senadores do DEM consultados, Aécio venceu Serra por 6 a 5. A maioria deles, deputados e senadores, acha que o PSDB terminará escolhendo Serra e que este teria mais chance de vencer, hoje.

3. Os parlamentares do DEM entendem que a escolha do candidato a vice-presidente deverá ser entre um de seus deputados e senadores. Natural, mas compulsório no caso de Aécio não se interessar pela vaga.

4. Na matéria, o presidente do PSDB diz que “Aécio é extremamente simpático, cordial e cativante. Serra é um grande administrador e tem desempenho nas pesquisas bastante positivo”. O presidente do DEM diz coisa parecida: “O Serra tem um histórico que o ajuda muito, foi ministro… O Aécio teria mais condições de agregar. Serra não agregaria muitos políticos fora de nosso eixo”.

5. Este Ex-Blog agrega um elemento. A história republicana do Brasil mostra que os três primeiros presidentes civis no início da república estressaram o equilíbrio federativo. Lula, ao se transformar, no final do primeiro governo, de um político de SP em um político do Nordeste, mitigou esse estressamento. Esse será um ponto a ser avaliado em pesquisas: se uma concentração adicional em SP afetaria a percepção do eleitor sobre o equilíbrio federativo.

28/10/2009 - 13:15h As analises que Serra faz sobre a sucessão presidencial: candidatissimo, prefere aguardar março para ver

O ardil no jogo da sucessão

ColunistaRosângela Bittar – VALOR

As cartas eleitorais jogadas hoje, a um ano da eleição presidencial, são todas construídas sobre artimanhas e deve-se ponderar seu peso. O que se diz não é, o que é ainda não se diz. A começar da rodada que se inicia com o presidente da República. A ação política que Lula comanda pessoalmente determina aos seus arautos propagarem que teme como adversário do PT o candidato Aécio Neves, o governador de Minas, que seria tão sedutor quanto agregador na costura de alianças. Quer fazer crer a campanha da candidata petista Dilma Rousseff que, se for Aécio o candidato do PSDB, até a aliança com o PMDB balançará. O mesmo ocorrerá com o PSB de Ciro Gomes e o PDT de Carlos Lupi e Paulo Pereira da Silva, que, como bons alunos, divulgam que, sendo Aécio o candidato, tudo mudará de figura. O PT, nesta hipótese, coitado, ficará sem seus maiores aliados, inclusive os governadores que têm sua reeleição ancorada na aliança com o partido lulista, como Eduardo Campos , em Pernambuco, e Cid Gomes, no Ceará.

O exagero expõe a armadilha do governo que se prepara para enfrentar e teme, como adversário real, o candidato José Serra, que está em primeiro lugar há meses nas pesquisas de intenção de voto. Realidade também é a que leva o governo a considerar que enfrentará um paredão se a denominada chapa puro sangue, com Serra para presidente e Aécio para vice, se concretizar. Mas o discurso dizendo o contrário acirra a disputa interna no PSDB, motiva o governador de Minas a ver-se rejeitado no seu partido e alimenta nele o sentimento contra a chapa tucana. Esta, sim, o verdadeiro fantasma do governo, que a percebe forte, avaliação que, de resto, fazem os que a desejam dentro do PSDB e do DEM.

Outro jogo que ao se abrir, aos poucos, mostra que não é o que parece é o do Democratas. O DEM tem forçado uma definição do PSDB sobre quem será o candidato a presidente, se Serra ou Aécio, não quer esperar o timing que se impuseram os próprios candidatos a quem interessa a manutenção das duas candidaturas o maior tempo possível. O presidente demista, Rodrigo Maia, deu o ultimato ao PSDB há duas semanas, assumindo posição inequívoca e pública a favor do governador mineiro, com quem se reuniu e a quem levou um grupo da cúpula do partido, insuflando uma posição contra a candidatura do governador paulista. A antecipação do lançamento da candidatura do PSDB, ainda que não oficial, serviria para acalmar os Estados, é o que tem alegado o DEM, onde para fazer alianças e arrumar seu palanque o partido precisa ter a perspectiva real de poder e ver logo em alguém a personificação dessa perspectiva.

Por uma fresta desse jogo já dá para ver que o DEM está nervoso com sua redução, com o fato de estar tendo dificuldades para fazer oposição sozinho no Congresso, ansioso para antecipar a campanha diante do avanço do governo em todos os Estados onde, mostram levantamentos dos partidos, a candidata Dilma já cresceu muito este mês. Para o DEM não importa se Dilma nem assumiu formalmente a candidatura, ela está em plena campanha, com resultados visíveis. O candidato tucano precisa construir discurso e projeto e opor-se à candidata do governo.

Há outras razões que podem se somar a estas mas não podem ser ignoradas na interpretação correta do que verbaliza o DEM, especialmente pelo que defende seu presidente. Evidencia-se um aprofundamento da luta interna no Democratas deixando, de um lado, Rodrigo Maia e, de outro, Gilberto Kassab, o prefeito de São Paulo. Maia reage ao fato de que as aproximações entre Serra e o DEM, para o projeto nacional, tenham se dado a partir do grupo do partido com quem o governador de São Paulo se aliou para as eleições no Estado e na prefeitura. De todas participou o ex-presidente Jorge Bornhausen, de quem a atual cúpula, embora por ele forjada para rejuvenecer e dar sobrevida ao DEM, discorda. Uma das discordâncias, por exemplo, é quanto à declaração de que o DEM pode abrir mão da vice na chapa. Mesmo reconhecendo que a chapa Serra-Aécio seria a melhor, a cúpula do partido queria ter o trunfo da concessão e estar à frente das articulações.

Para este projeto, Maia resgatou a candidatura Aécio e reacendeu o embate interno no PSDB. Seus aliados estão satisfeitos com o resultado, acreditam ter chacoalhado a campanha da oposição, colocado Aécio na disputa e levado Serra a conversar também com o grupo não paulista do partido. A maioria do DEM, 55%, prefere a candidatura Serra, enquanto 35% preferem Aécio, é o que mostrou pesquisa da Arko Advice que, no entanto, foi intencionalmente ignorada neste jogo. A arrumação da disputa nos Estados entrou na história tal qual Pilatos naquela conhecida oração.

Ilude o eleitorado também o PMDB de oposição ao defender que uma antecipação da candidatura Serra, em torno de quem se reúne esta facção, fortaleceria a dissidência do partido nas articulações de alianças estaduais. Enquanto o PMDB governista está oferecendo perspectiva de poder na veia, firmando inclusive uma pré-aliança quando ainda faltam oito meses para a convenção que poderá de fato aprová-la, o PMDB oposicionista nada tem a oferecer. Na verdade, tanto parte do DEM quanto este PMDB ficaram assombrados pelo fantasma produzido na alquimia governamental, o de que Serra poderá acovardar-se diante do crescimento de Dilma e, em março, quando estiver ultrapassado por ela nas pesquisas, desistir da candidatura e buscar a reeleição em São Paulo. Nesse caso ficariam no vácuo porque não haveria mais tempo de retomar a candidatura Aécio.

Existe a possibilidade de Serra desistir da candidatura a presidente? Claro, mas é remotíssima. Forçar uma definição que muitos, inclusive o próprio candidato, consideram um desastre, apenas com base nesta suspeita, porém, é desacreditar totalmente do projeto. Parece claro que, uma vez lançado o candidato de oposição, os partidos deixarão com ele todo o trabalho de opor-se ao governo. Tal candidato seria imediatamente alvo único da campanha governista conduzida por um presidente tão popular quanto destemido, desobediente contumaz às leis eleitorais. Além de concentrar em si o desgaste, a antecipação daria a Serra menos tempo para dedicar-se ao governo de 22% dos eleitores brasileiros, lançando-se numa aventura sem dinheiro, sem equipe, sem exposição obrigatória, sem máquina nacional, na hora inadequada. Às apostas.

Rosângela Bittar é chefe da Redação, em Brasília. Escreve às quartas-feiras

E-mail rosangela.bittar@valor.com.br

27/10/2009 - 13:50h DEM veta aparição de Serra em horário do partido na TV

http://1.bp.blogspot.com/_cQgkkSBy-x8/SiQEWvnQ7XI/AAAAAAAAAfk/j9GK77EL_rU/s400/serra-charge-tarira1.jpghttp://blogdofavre.ig.com.br/wp-content/uploads/2009/01/kassab_estadao.thumbnail.jpg

Kassab enviou gravação em que aparece ao lado do tucano, mas cúpula diz que não pode exibir políticos de outra sigla


“Nunca foi cogitada a participação de tucanos, até porque seria ilegal”, diz Rodrigo Maia, que tem demonstrado preferir Aécio


CATIA SEABRA – FOLHA SP

DA REPORTAGEM LOCAL

A aparição do governador de São Paulo, José Serra (PSDB), no programa partidário foi ontem nova causa de desavença na cúpula do DEM. Com a promessa de dois minutos para divulgação de seu trabalho, o prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab, incluiu, na gravação, imagens ao lado de Serra.
O presidente nacional do DEM, Rodrigo Maia (RJ), no entanto, resiste à participação de tucanos, sob o argumento de que o programa -que irá ao ar nesta quinta- destina-se à promoção dos democratas.
“Nunca foi cogitada a participação de tucanos, até porque seria ilegal”, argumentou Rodrigo Maia, negando que a presença de Serra tenha sido objeto de discussão com Kassab.
Segundo ele, as imagens de Serra nem sequer foram enviadas ao partido, pois contrariaria o roteiro apresentado pela produtora GW, encarregada da edição da cota de Kassab.
Mas, segundo democratas, Kassab e Maia discutiram o assunto. Maia pediu que participação de Serra fosse suprimida, alegando que o governador de Minas, Aécio Neves, não teria espaço no programa. Kassab manteve o material intacto.
Outro problema teria sido a decisão de reduzir em 30 segundos a cota reservada a Kassab. Editado na Bahia, o programa é apresentado por Maia.
O governador do Distrito Federal, José Roberto Arruda, e os líderes no Senado, José Agripino (RN), e na Câmara, Ronaldo Caiado (GO), gravaram participação no horário político.
Para Onyx Lorenzoni (RS), só democratas devem aparecer na TV. “Como colocar candidatos de outros partidos?”
Os democratas divergem ainda sobre a divulgação de uma pesquisa que indicaria que a maioria dos deputados do partido e do PPS prefere a candidatura de Serra à Presidência. “Não fui ouvido”, disse Caiado.
Esse é mais um capítulo da turbulência iniciada há duas semanas, quando Maia insinuou preferência por Aécio.

22/10/2009 - 12:20h DEM pressiona para Serra ‘’sair da toca” imediatamente

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Democratas reclamam que tucano fez costuras eleitorais e, depois, sumiu

Christiane Samarco, BRASÍLIA – O Estado SP

Por trás da pressão do DEM para que o PSDB acelere a escolha do candidato do partido à Presidência, está uma disputa de poder, envolvendo líderes democratas, e a avaliação de que o lançamento da candidatura do governador de São Paulo, José Serra (PSDB), catalisará as alianças regionais. “No DEM, ninguém tem dúvida de que o candidato é o Serra. Queremos é que ele saia da toca”, diz o deputado Alceni Guerra (DEM-PR).

Integrantes do DEM não se conformam de Serra ter aberto a temporada de costuras eleitorais com um acerto bem-sucedido na Bahia, considerado “impossível”, e depois ter “se entocado”, ausentando-se das negociações em outros Estados.

Foi a ação direta de Serra que consumou a aliança entre o PSDB baiano, do deputado Jutahy Júnior (um aliado local do PT), e o grupo de seu inimigo histórico – o ex-senador Antonio Carlos Magalhães (BA), morto em julho de 2007.

O acordo com o DEM dos Magalhães – o senador ACM Júnior e o deputado ACM Neto – foi feito em torno da candidatura a governador de Paulo Souto (DEM), com o tucano Imbassahy Júnior para o Senado, sem fechar portas para um entendimento futuro com o PMDB do ministro da Integração Nacional, Geddel Vieira Lima. O DEM quer trazer Serra para o jogo eleitoral aberto interessado em montar palanques amplos, que dependem do aval do candidato a presidente. Mas incomoda setores da direção nacional do DEM a autonomia do prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab, que opera nos bastidores em parceria com o ex-presidente do partido Jorge Bornhausen.

Centrada na figura de Kassab e Bornhausen, a regional paulista do DEM tem na interlocução direta com Serra a força para fazer costuras políticas independentes da direção – algumas a ponto de colocar em risco entendimentos estaduais.

Os serristas dos dois partidos dizem que o governador de Minas, Aécio Neves (PSDB), fica “surfando” na onda provocada pelo presidente do DEM, deputado Rodrigo Maia, para cutucar Serra e se cacifar no PSDB. Maia administra a pressão dos candidatos do DEM, aflitos para fortalecer seus palanques com legendas da base governista. Além disso, Maia está preocupado com a reação de Serra, que o classificou como “um fio desencapado”, para dar um troco às suas cobranças. “Apenas levei a público uma angústia que não era particular, era coletiva”, defende-se o deputado, referindo-se à demora na definição do candidato tucano.

22/10/2009 - 11:55h Rodrigo Maia não é do bloco do eu sozinho

ColunistaMaria Inês Nassif – VALOR

O presidente do DEM, deputado Rodrigo Maia (RJ), foi condenado por seus pares menos pelo conteúdo de suas declarações do que pelo fato de tê-las feito. O fato de o governador de São Paulo, José Serra (PSDB), adiar a sua decisão de ser – ou não – candidato à Presidência da República tem provocado incômodos coletivos no partido de Maia. O DEM declarou que é aliado do PSDB seja qual for o candidato e propôs-se a abrir mão da vice-presidência de uma chapa, se o PSDB considerar eleitoralmente mais interessante uma chapa puro-sangue, com Serra na Presidência e o governador de Minas, Aécio Neves, na vice, em troca do apoio em seis Estados onde vai disputar o governo com mais chances que os tucanos. As demonstrações de apoio incondicional, todavia, não foram suficientes para fazer o aliado se definir. Com expressão eleitoral cada vez mais reduzida devido ao crescimento dos partidos que apoiam o presidente Luiz Inácio Lula da Silva no Norte e no Nordeste, todavia, suas urgências são maiores do que as de seu parceiro.

O presidente do DEM disse que a oposição está no pior dos mundos porque não tem candidato, enquanto o governo tem candidata, a ministra Dilma Rousseff (PT), e ela avança eleitoralmente. Sem definição do nome nacional, a montagem dos palanques estaduais tem andado devagar, disse o parlamentar. Além disso, avaliou que o melhor candidato seria o governador de Minas, Aécio Neves (PSDB), pelo fato de conseguir transitar em posições que não sejam de simples confronto com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

O problema de Maia ter falado isso é que ele é o presidente do DEM e por ele terão de passar as negociações com o partido de Serra. Nas eleições de 2002, o confronto entre o então presidente do PFL, Jorge Bornhausen, e o candidato tucano Serra, rachou os aliados e reduziu, em consequência, as chances de vitória do então candidato da situação do governo Fernando Henrique Cardoso. Desde então o DEM, ex-PFL, está apartado do poder e mantém a duras penas uma estrutura partidária com grandes dificuldades de sobrevivência na oposição. O partido encolheu nos últimos sete anos. E tem razões para acreditar que, se por um lado estar com o PSDB é o único caminho de que dispõe no momento para voltar a ser governo, ao mesmo tempo é uma grande parte de seu problema.

Essas não são posições e avaliações minoritárias no DEM. O desconforto com a falta de pressa na definição do candidato tucano é disseminado. E as reticências em relação a Serra se ampliam. Existem razões para isso. As pesquisas que o partido tem feito não autorizam a direção do DEM a imaginar que a candidatura de Serra vá ser um passeio. Não é nada, não é nada, Dilma Rousseff é a candidata de um presidente que tem por volta de 80% da aprovação nas pesquisas de avaliação do governo. Considera-se que o poder de transferência do presidente Luiz Inácio Lula da Silva ainda não foi exercido: somente agora, e depois de um tratamento de saúde relativamente longo, Dilma está agindo como candidata, e com uma desenvoltura inesperada para uma neófita em política eleitoral. O poder de Lula sobre o PT e uma disciplina partidária que não é comum, por exemplo, num PSDB, têm agido favoravelmente também no sentido de criar para a candidata palanques relativamente sólidos nos Estados. O fato de o governo ter conseguido formalizar, a quase um ano das eleições, um acordo entre o PT e o PMDB – mesmo que a direção do PMDB ainda deixe pendente a ratificação da convenção nacional ao acordo – já é uma façanha. O natural, nessa circunstância, será os índices de intenção de voto em Dilma subirem. Esse é o momento dela, que se aproxima sem qualquer resistência do outro lado, já que a oposição não tem candidato colocado. O outro ponto é que, como depositária da transferência de votos de um presidente popular, Dilma tende a ganhar votos quando a disputa se acirrar e se polarizar. Com base nesse raciocínio, cresce a preferência por Aécio Neves, candidato com menos vocação para o confronto.

A banda governista da disputa andou rápido e o presidente Lula é o melhor eleitor do pleito de 2010. O PSDB pouco andou, apesar das facilidades abertas pelo DEM e pelo PPS, seus aliados declarados. O trunfo da candidatura Serra, que são os votos tucanos em São Paulo – Estado que tem quase um quarto do eleitorado nacional e onde o PSDB tem uma certa hegemonia -, começa a ser também um incômodo para o DEM. São Paulo é o Estado em que o partido reúne condições de crescer a sua bancada – sem bancada forte, o partido não conseguirá reassumir o seu protagonismo na vida nacional, mesmo se o PSDB vencer as eleições presidenciais. Todo o esforço eleitoral do DEM, todavia, caminha sobre uma verdade inexorável: os dois partidos se aproximaram tanto ideologicamente que crescem somente à custa do outro. São interesses quase inconciliável os dos candidatos a deputado federal dos dois partidos. Se, do lado do PSDB “serrista” de São Paulo, o chefe segura a divisão, do lado não serrista, identificado como partidário do ex-governador Geraldo Alckmin, o conflito está latente.

Alckmin, segundo as pesquisas do DEM, é o candidato com grandes chances de vitória na disputa para o governo do Estado. Outras opções abrem espaço para o PT, que nunca ganhou o governo, ou com candidato próprio, ou apoiando o deputado Ciro Gomes (PSB). O problema é que a vitória de Alckmin tem o efeito colateral de afastar qualquer pretensão política do prefeito da capital. Alckmin vencendo, é quase o fim de carreira de Kassab: o ex-governador disputaria a reeleição em 2014 e abriria espaço para o demista apenas a partir de 2018. Até lá, qualquer projeção que tenha ganhado à frente da prefeitura já terá sumido da memória do cidadão paulista. Um caminho mais seguro poderia ser o de projetar estadualmente o prefeito, lançando-o candidato ao governo e rachando o palanque paulista de Serra, sem chances de vitória, mas produzindo bancada e “recall” para as eleições seguintes. O partido elegeu 65 deputados federais em 2006. Na melhor das hipóteses, e somente se Kassab for candidato ao governo, imagina-se fazer o mesmo número no ano que vem. Sem Kassab como candidato, a perda pode ser grande.

Maria Inês Nassif é repórter especial de Política. Escreve às quintas-feiras

E-mail maria.inesnassif@valor.com.br

21/10/2009 - 10:06h Indefinição é estratégica, diz Serra a aliados

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Raquel Ulhôa e Vandson Lima, de Brasília e São Paulo – VALOR

Sob pressão do DEM, da ala serrista do PMDB e de setores do próprio PSDB para que assuma logo a candidatura à Presidência da República, o governador de São Paulo, José Serra (PSDB), reafirmou ontem, em Brasília, em conversas fechadas com tucanos e demistas, que essa indefinição é estratégica e não impede sua atuação como articulador de alianças nos Estados.

Serra esteve em Brasília para a posse do ministro José Múcio no Tribunal de Contas da União (TCU) e foi levado pelo presidente do partido, senador Sérgio Guerra (PE), à sede do PSDB, ontem reuniu-se com o líder do DEM no Senado, José Agripino (RN). Ontem, foi dia de tucanos e demistas atuarem para diminuir a tensão entre os aliados.

A iniciativa da conversa com o governador partiu de Agripino, que telefonou ao governador para tentar contornar o mal-estar causado pelas declarações do presidente do DEM, deputado Rodrigo Maia (RJ), no fim de semana, manifestando preferência pela candidatura do governador de Minas Gerais, Aécio Neves (PSDB), à Presidência da República.

“Eu disse a ele que o Rodrigo, como presidente do partido, recebe os humores de lideranças do Brasil inteiro e procura interpretá-los”, relatou o senador. Segundo ele, ambos conversaram sobre a necessidade de “acabar com o tiroteio pela imprensa, que só interessa ao adversário”.

Nos últimos dias, aumentou a pressão de deputados e lideranças estaduais do DEM para que o PSDB decida o candidato. Alegam que apenas o presidenciável tem força para comandar as articulações nos Estados para formação de alianças para a eleição de 2010. Há problemas de montagem de palanques em vários Estados, como Paraná, Goiás e Rio de Janeiro.

A mesma avaliação é feita pelo senador Jarbas Vasconcelos (PMDB-PE), um dissidente do seu partido, que apoia Serra. “Entendo a necessidade dele de governar São Paulo e de dar prioridade ao Estado agora. Mas deve ser levada em conta a dificuldade de composição nos Estados. Fica difícil conquistar pessoas sem um candidato definido. A gente pode perder lideranças por causa dessa indefinição”, disse Jarbas.

A avaliação é que, enquanto a ministra Dilma Rousseff (Casa Civil), conta com o próprio presidente Luiz Inácio Lula da Silva – de quem é candidata a presidente -, a oposição está desarticulada, desmobilizada. Dilma avança e o PSDB se apresenta com dois candidatos, numa postura que não mobiliza e não convence os aliados.

Em jantar na casa do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, em São Paulo, na segunda-feira, do qual participaram Sérgio Guerra e Aécio, foi discutida a necessidade de mudança de estratégia pelo PSDB. Já que não há definição entre Serra e Aécio – que, no entanto, procuram mostrar unidade -, agora é preciso acabar com a fase dos eventos partidários internos e saírem, os dois, para um corpo-a-corpo mais efetivo com o eleitor.

“A etapa interna no partido está vencida. Agora, haverá contato mais direto com a população”, explicou Guerra. Ainda não está definida como será essa agenda: se os pré-candidatos viajarão juntos ou não. Em conversas com aliados, Serra afirma que nem a ministra se apresenta como candidata. Além disso, cita que o deputado federal Ciro Gomes (PSB-CE) se lançou e não teve crescimento nas pesquisas de intenção de voto por causa disso.

Embora já tarde, todos concordam que dezembro deve ser a data-limite para que Serra e Aécio se acertem e um deles seja apontado como candidato. Outra afirmação de Rodrigo Maia é que o DEM considera importante ocupar a vaga de vice-presidente na chapa encabeçada por um tucano.

Um dos maiores aliados de Serra no DEM é o ex-presidente do partido e ex-senador Jorge Bornhausen (SC), que tem forte ligação com o prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab (DEM). Ele diz não haver racha e que o partido irá com PSDB “de qualquer maneira, não há possibilidade de rompimento”.

O governador José Serra pretendia levar para março a definição, por acreditar que o partido naturalmente optaria por ele, líder nas pesquisas de intenção de voto, e para não enfraquecer sua posição em São Paulo.

Aécio sabe disso. Está animado pelas recentes manifestações do DEM – matéria de “O Globo” de domingo e entrevistas de Maia, colocando Aécio como um candidato “agregador” e com melhores perspectivas. Viu nisso o momento ideal para rechaçar a hipótese de sair vice e estipular prazo máximo para janeiro. Senão, ele desiste e parte para uma disputa ao Senado.

No PSDB, dirigentes afirmam que o incômodo com a indefinição de candidatura a presidente é “unânime”, mesmo assim há irritação com a postura do DEM, principalmente do seu presidente. Há quem diga que quem é parte da aliança tem de estar sujeito à vontade de quem tem mais força.

30/09/2008 - 08:58h PSDB nega, mas negociação com DEM para 2º turno prossegue

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Informação provocou mal-estar na campanha de Alckmin por passar idéia de que tucanos teriam ”jogado a toalha”

Ana Paula Scinocca e Marcelo de Moraes – O Estado de São Paulo

O presidente do DEM, deputado Rodrigo Maia (RJ), confirmou que desde o início da campanha conversa abertamente com dirigentes do PSDB sobre a formação de aliança no segundo turno para tentar impedir a vitória da petista Marta Suplicy em São Paulo. Ontem, o Estado revelou que dirigentes tucanos, como o presidente do PSDB, senador Sérgio Guerra (PE), já discutem a articulação que reúna os dois partidos na segunda etapa da disputa. Essas conversas, feitas com líderes do DEM, como o ex-senador Jorge Bornhausen e o próprio Maia, incluem a possibilidade de acordo em torno do prefeito Gilberto Kassab (DEM), diante de sua vantagem sobre o tucano Geraldo Alckmin, indicada pelas pesquisas de intenção de voto.

link Enquete: Quem ganha com briga Kassab-Alckmin?

A informação provocou mal-estar na campanha de Alckmin por passar a idéia de que dirigentes nacionais teriam “jogado a toalha”, duvidando de sua vitória. Por conta disso, os tucanos aliados de Alckmin passaram o dia tentando negar a articulação, planejada para ser anunciada logo depois do primeiro turno.

Sérgio Guerra chegou a divulgar nota oficial ontem para dizer que essa negociação não estava sendo feita. “Não há e não houve conversa com o ex-senador Jorge Bornhausen com vistas às eleições de São Paulo. O PSDB só trabalha com uma hipótese: o candidato do partido, Geraldo Alckmin, estará no segundo turno.”

Ao Estado, o presidente nacional do PSDB reafirmou o que escrevera na nota e confirmou que tem conversado sistematicamente com Rodrigo Maia, mas “nunca sobre segundo turno”.

“Na semana passada mesmo, conversamos e ele até reclamou da troca de farpas entre Alckmin e Kassab. Mas nunca falamos de segundo turno”, disse. “Nacionalmente, o partido está fora da eleição de São Paulo.”

E tem estado mesmo fora. Alckmin tem feito a campanha com o PSDB dividido entre ele e Kassab. Freqüentemente, o tucano tem se queixado a amigos do “abandono” e se diz amparado apenas pela mulher, Lu Alckmin, e pela filha Sophia.

ADVERSÁRIO COMUM

Para os dirigentes do DEM, a discussão sobre o acordo no segundo turno é “natural”, já que os dois partidos são aliados nacionais e regionais, enquanto a candidatura petista representa o governo federal, adversário comum para as duas legendas. Maia lembra que uma eventual vitória de Marta sobre Kassab ou Alckmin seria muito ruim para os dois partidos, que perderiam o controle da maior cidade do País.

“Acho que Kassab estará no segundo turno e não tenho dúvida de que receberá o apoio de todo o PSDB. Até porque não conheço um político do DEM ou do PSDB que prefira apoiar Marta em vez de ficar do lado do Kassab ou do Alckmin”, disse Maia. “Seria um tiro no pé não acontecer esse apoio. É claro que aquele que for para o segundo turno terá a ajuda dos dois partidos. É uma coisa lógica. DEM e PSDB sabem que a vitória de Marta representa um problema para ambos.”

Sobre as conversas com os tucanos, o presidente do DEM disse que nunca deixou de falar com regularidade com Sérgio Guerra. “Claro que conversamos sempre. E é claro que vai haver uma convergência dos dois partidos no segundo turno.”

O prefeito do Rio, César Maia, pai de Rodrigo Maia, concorda que os dois partidos estarão juntos no palanque do segundo turno. E avalia que os eleitores dos dois candidatos também se reunirão em torno daquele que ficar incumbido de enfrentar Marta. Acha até que isso independe de Alckmin decidir apoiar ou não Kassab no segundo turno.

“Nenhum de nós conduz nossos eleitores como desejaríamos. Quem confronta o PT e influencia seu eleitor não tem como impedir que o eleitor coerentemente vá contra o PT”, afirmou César Maia.

Para o prefeito do Rio, a votação em São Paulo representa uma “eleição binária”, com dois lados claramente definidos. “O eleitor, numa eleição binária, não vota a favor de seu antípoda. Portanto, no segundo turno, essa será a tendência: eleitores do Kassab, mais eleitores do Alckmin com Kassab”, apostou.

Até petistas ficaram surpresos com o movimento tucano na reta final da campanha. Em seu blog, Luiz Favre, marido de Marta Suplicy, comparou o gesto a uma “punhalada”. “Bem na contramão das afirmações do candidato tucano, os dirigentes nacionais do PSDB, com FHC na cabeça, afirmam em alto e bom som que o demo Kassab é tão tucano quanto. Isto, a seis dias do primeiro turno, enquanto as pesquisas indicam uma disputa acirrada entre Alckmin e Kassab, é uma verdadeira facada pelas costas em Geraldo Alckmin”, escreveu Favre.

29/09/2008 - 11:20h Apunhalado pelas costas

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Ao dia seguinte do debate, no qual Alckmin acuou Kassab, mostrando o descaso com as 158 mil crianças fora das creches e escolas e onde apontou a filiação do demo com malufismo, o Estadão estampa em chamada de capa, as costuras para abandonar Alckmin por parte de setores da cúpula do PSDB nacional. Bem na contramão das afirmações do candidato tucano, os dirigentes nacionais do PSDB com FHC na cabeça, afirmam em alto e bom som que o demo Kassab é tão tucano quanto. Isto, a 6 dias do primeiro turno enquanto as pesquisas indicam uma disputa acirrada entre Alckmin e Kassab, é uma verdadeira facada pelas costas em Geraldo Alckmin.

O respeito aos candidatos e ao processo eleitoral, exige aguardar o resultado das urnas e do veredito popular para depois abordar as condições concretas do segundo turno. A ação de alguns elementos da cúpula tucana, além de indecente, visa a sinalizar que já considera Alckmin carta fora do baralho.

O movimento de setores do tucanato contra Alckmin confirma o que escrevi apenas dois dias atrás: “No plano político, esta semana concentrará os ataques contra Alckmin e as pressões para montar, com sua participação, um frente anti-PT e anti-Marta com Kassab. Se ele se recusar, José Serra já anunciou que o substituirá como quase “candidato” (esse o sentido de vazar que estaria disposto a se licenciar do cargo para fazer a campanha… de Kassab). FHC veio, com sua declaração anti-PT, indicar que este será o desfecho que o alto tucanato apadrinhará.

Para Alckmin o que está sendo preparado pelos seus “companheiros” é um haraquiri. A morte política.”

A matéria do Estadão mostra que na dúvida que Alckmin aceite o sacrifício, alguns tucanos preferem apunhalá-lo pelas costas. LF

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Para derrotar Marta, PSDB admite apoiar Kassab no segundo turno

Se confirmar vantagem e superar Geraldo Alckmin no domingo, prefeito de São Paulo terá o apoio dos tucanos

Christiane Samarco, O Estado de São Paulo

O PSDB nacional já decidiu: caso o eleitor paulista deixe o candidato tucano à Prefeitura de São Paulo, Geraldo Alckmin, fora do segundo turno, como indicam as pesquisas, o partido fechará oficialmente – e rápido – com o prefeito Gilberto Kassab (DEM), que disputa a reeleição. A costura para apressar a união dos principais líderes tucanos no Estado já está em curso, independentemente do resultado da eleição no domingo.

Nos bastidores do partido, tucanos de Norte a Sul entoam o discurso de que o PSDB será vitorioso, desde que a candidata Marta Suplicy (PT) seja derrotada. A ordem é não descaracterizar a vitória. Argumentam que, no pior cenário, com o tucano fora do segundo turno, ninguém poderá dizer que o PSDB perdeu se o vitorioso for Kassab, que tem a marca de “candidato do governador” José Serra (PSDB).

É com esse discurso e a certeza de que manterão o comando da maior cidade do País que dirigentes tucanos se preparam para “tomar posse da vitória”, caso Kassab consiga a reeleição. De olho no segundo turno, o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso troca telefonemas com o ex-senador e conselheiro do DEM Jorge Bornhausen. Ambos se encontram semanalmente em São Paulo com o presidente nacional do PSDB, Sérgio Guerra (PE).

Quando o DEM se viu obrigado a reagir a ataques de tucanos a Kassab, Bornhausen sempre recomendou prudência, deixando protestos para o presidente do partido, deputado Rodrigo Maia (RJ). “Quanto mais ficarmos em silêncio, melhor.”

Em suas conversas com FHC e Guerra, Bornhausen sempre insiste na tese de que “agora é hora de a gente ficar calado e preservar as pontes para as negociações futuras”. É esse trio que, ao lado de Serra, conduzirá todas as negociações. Cauteloso, Guerra tem afirmado que, independentemente do “caldeirão da crise paulista”, a interlocução está preservada.

Diante do confronto entre partidários do prefeito e de Alckmin, o presidente do PSDB procurou manter diálogo com as duas alas do partido representadas na Executiva nacional. A preocupação de preservar a interlocução com o DEM ficou clara quando o fogo amigo se intensificou, com as críticas do ex-ministro tucano e secretário da prefeitura, Clóvis Carvalho, a Alckmin. Guerra limitou-se a defender o candidato, “homem público correto, que todo o partido admira”. Disse que acusações a Alckmin “não são apoiadas pelo PSDB, que tem nele seu candidato para vencer em São Paulo”. Em momento algum fez reparos aos ataques de Kassab.

A maior preocupação dos tucanos é administrar o próprio Alckmin, pois o temor geral é que sua eventual derrota acabe arranhando a imagem de Serra. Até os mais próximos aliados do governador apontam responsabilidade de Serra na crise por ele ter se omitido na condução do processo que resultou na candidatura de Alckmin.

02/09/2008 - 16:01h Demora para cair a ficha

Rodrigo Maia, presidente do DEM e Cesar Maia, prefeito do Rio: otimistas
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Segundo o TSE, nestas eleições municipais o DEM (ex-PFL) está com 5.000 candidatos a menos que em 2004. Já em 2006 o partido de direita tinha minguado o número dos seus deputados e eleito um único governador, o do Distrito Federal.

Agora os demos correm o risco de perder as duas capitais que governam graças aos ainda fracos desempenhos de Solange Amaral (Rio) e Gilberto Kassab (São Paulo). Além disso, patinam em Belo Horizonte (Gustavo Valadares, com 1%, segundo o último Ibope), Porto Alegre (Onyx Lorenzoni, 5%) e São Luís (Raimundo Cutrim, 5%).

No caso de São Paulo, o candidato demo só disputa com um certo peso porque, travestido de tucano, ele arvora o título de candidato de Serra, do qual herdou sem ser eleito a maior prefeitura do país.

Além de São Paulo, suas reais chances estão em Salvador, com ACM Neto, Fortaleza com Moroni Torgan e em Belém, com Valeria. Nas três capitais as pesquisas os apresentam disputando o primeiro lugar.

Uma força marginal, porem influente na imposição de pautas para a mídia e os tucanos, aos quais estão subordinados sem nenhum assomo de independência.

Uma perspectiva assombrada pela ausência de lideranças e de bases locais.

Mesmo assim, o presidente nacional do DEM, Rodrigo Maia, está otimista. É o que ele diz na entrevista que deu para o portal Globo e que você pode ler aqui. LF

09/06/2008 - 13:25h DEM acusa o vice de Yeda, também do DEM, de não respeitar a “omertà”

Omertà é uma palavra de etimologia italiana, que significa “conspiração“. No geral, é um consenso, que implica em nunca colaborar com as autoridades. Pode ser entendido como um “voto de silêncio” entre mafiosos (wikipédia)

No filme O poderoso chefão ficou famosa a frase de Marlon Brando: “Farei a ele uma proposta que não poderá recusar”

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Deixa ver se entendi bem. O vice-governador de Rio Grande do Sul, Paulo Feijó, membro do DEM (partido de Gilberto Kassab e Rodrigo Maia), grava uma conversa com Cesar Busatto do PPS (partido de Roberto Freire e Soninha). Busatto é chefe da casa cívil do governo tucano de Yeda Crusius. Na conversa, o chefe da casa Cívil disse: ““…Se pudéssemos encontrar um modus vivendi que nos permitisse tu não romper com tuas convicções….para tu estar dizendo pra ti mesmo, pra tua consciência…qual é o custo disso? Eu não sei, de repente o Fernando (o presidente do Banrisul chama-se Fernando Lemos) faz um gesto concreto pra ti, não quero pensar alto porque isso não tá no horizonte…uma coisa concreta que pudesse permitir ou outra coisa, quem sabe?”. Ou seja, propõe “comprar” o apoio ou o silêncio do vice governador e utilizaria para isso os serviços do presidente do Banrisul. Na mesma conversa ele disse que empresas estatais gaúchas são utilizadas, incluso financeiramente, para assegurar o apoio do PMDB e do PP.

A fita, gravada sem o conhecimento de Busatto, vai para Polícia Federal, para os procuradores e para os deputados da CPI do Detran. Os implicados nesta e outras, digamos, irregularidades, são demitidos pela governadora e eis que o DEM nacional, partido do vice-governador que flagrou a maracutaia, quer… expulsá-lo por deslealdade?

Rodrigo Maia chega a declarar: “Eu disse ao Sérgio Guerra (presidente do PSDB) que, para nós, é um constrangimento. Pedimos desculpas pelo que o nosso filiado está fazendo o governo gaúcho passar.”

O raciocínio avançado é que não pode ter jogo sujo com aliados e parceiros. Mesmo com parceiros que numa conversa propõem e reconhecem funcionar na base do mensalão, o DEM dos Maia e Kassab considera que a lealdade vale mais que a lei. A indignação deles, como da governadora tucana Yeda Crusius, não é com o mensalão, o uso de dinheiro público e sim com o destampador de podres.

Engraçado estes udenistas roxos: quando empresários gravaram a entrega de propina a um funcionário dos correios, eles agiam pelo bem público, assim como a revista Veja quando deu ampla publicidade as gravações; quando um dono de bingos gravou um cara do PT, funcionário de Garotinho, pedindo uma comissão, o bingueiro foi poupado pela oposição e pela mídia. Quando uma malversação das grossas é organizada pelos principais dirigentes do governo gaúcho e o vice, por motivações próprias, grava e põe a nu o sistema… o DEM estuda expulsar o vice!

Parece aqueles filmes onde o membro de uma família penetra no território de outra, quebrando a “paz” entre as famílias o que pode desencadear uma “guerra” entre as famílias e o capo de tutti le capi decide punir o intruso, exigindo que a própria família do “infrator” faça o serviço. Seguindo o código da omertá, a traição e a ruptura com a lei do silêncio, leva ao envio de peixe embrulhado em papel jornal. Eu vi muito filme assim no cinema.

O DEM nacional está dividido entre expulsar o vice de suas fileiras ou dar uma reprimenda, informa o Blog de Josias.

Em todo caso, no DEM ninguém cogita dar uma medalha ao vice, que mostrou como funcionam os udenistas aliados, quando estão no poder.

Só demos para um raciocino destes. LF

13/04/2008 - 14:46h Demo deixa lobo com fome

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Alckmin se impacienta e cobra definição do PSDB

Tucanato tenta antecipar reunião com direção do DEM

Mas os partidários de Kassab não têm a mesma pressa

Blog de Josias

A característica mais notável de Geraldo Alckmin é a serenidade. Em parte, foi graças a essa calma proverbial que o colunista Zé Simão pespegou-lhe o apelido de “picolé de chuchu.” Pois nos últimos dias o pré-candidato tucano à prefeitura de São Paulo exibe um temperamento apimentado. Súbito, tornou-se uma pilha de nervos.

De olho nas pesquisas que apontam a ascensão da rival petista Marta Suplicy, Alckmin impacienta-se com a demora do PSDB em tornar oficial a sua candidatura. Há três semanas, concordara, meio a contragosto, em protelar a definição até o final de abril. Mudou de idéia. Já defende até a convocação imediata de uma pré-convenção tucana.

Premido pelas inquietações do candidato, o presidente do PSDB na cidade de São Paulo, José Henrique Lobo, tenta, há uma semana e meia, marcar uma reunião com a direção do DEM, partido do prefeito Gilberto Kassab, candidato à reeleição. Os ‘demos’, porém, vêm se esquivando de Lobo. Não exibem o mais remoto sinal de pressa.

Deve-se ao tucano Lobo a organização de dois almoços entre Kassab e Alckmin. Foram à mesa a pretexto de analisar a hipótese de manutenção da aliança tucano-democrata. No último repasto, combinou-se que voltariam a trançar os garfos nos últimos dias de abril.

Até lá, prevalecendo a hipótese de duas candidaturas, ao menos negociariam um pacto de convivência no primeiro turno da eleição. Coisa civilizada, sem agressões de parte a parte. De modo a facilitar a reaglutinação das duas legendas no segundo turno, que, segundo se imagina, será travado com um inimigo comum: o PT.

Nesse meio tempo, Marta escalou as sondagens eleitorais. Para o Datafolha, ultrapassou Alckmin em um ponto percentual. Na aferição do Ibope, abriu uma dianteira de oito pontos. Daí a inquietação de Alckmin.

Embora tente antecipar as negociações com o DEM, a cúpula municipal do PSDB contrapõe ao desassossego de Alckmin o argumento de que nada o impede de pôr a candidatura na rua. Em sua versão apimentada, o picolé de chuchu responde assim: “Não posso ser candidato de mim mesmo.”

José Henrique Lobo, o presidente municipal do PSDB, tentou agendar para a semana passada um encontro com Rodrigo Maia (RJ) e Jorge Bornhausen (SC), respectivamente presidente e presidente de honra do DEM. A reunião chegou a ser marcada. Mas Rodrigo Maia a desmarcou, sob o pretexto de que precisava acompanhar a mãe, levada inesperadamente a uma mesa de cirurgia.

Nesta segunda-feira (14), Maia e Bornhausen estarão em São Paulo. Participam de um encontro reservado das cúpulas do PSDB e do DEM. Acomodados no divã pela crescente popularidade de Lula, os partidos buscam um novo norte oposicionista. Os ‘demos’ poderiam, se desejassem, esticar a permanência na cidade, para se avistar, finalmente, com Lobo. Não afastam a hipótese. Mas tampouco deram certeza de que a conversa vá ocorrer.

Em privado, os líderes do DEM avaliam que a indefinição jogo água no moinho de Kassab. Esgrimem o seguinte raciocínio: o crescimento de Marta Suplicy demonstra que a empreitada municipal submete Alckmin a um risco concreto de derrota.

Os ‘demos’ imaginam que, com o correr dos dias, Alckmin terminaria se convencendo de que ganharia mais se concordasse em se preservar para a disputa pelo governo de são Paulo, em 2010. Agora, apoiaria Kassab, que não tem tanto a perder.

Vem daí a irritação de Alckmin. Comunicou ao PSDB –nas esferas municipal, estadual e nacional—, que não abre mão de levar o nome à cédula já em 2008. Acha que Kassab também está decidido a disputar. E pensa que não há mais razão que justifique a delonga. Quer apressar as coisas.

Resta agora saber se Lobo conseguirá arrastar os dirigentes do DEM para uma reunião ainda nesta semana. Na seqüência, teria de convencer o próprio Kassab a antecipar o almoço que, segundo combinara com Alckmin, só aconteceria nos últimos dias de abril.

Os dirigentes do PT e a ministra Marta Suplicy (Turismo) acompanham a refrega tucano-democrata à distância. Trazem sorriso nos lábios. Simultaneamente, o petismo costura alianças com outros partidos. Cortejado por Alckmin, Kassab e Marta, Orestes Quércia, mandachuva do PMDB, o aliado mais cobiçado, informou aos correligionários que pende para um acerto com o PT.

Escrito por Josias de Souza

23/01/2008 - 13:43h Ofensiva de DEM por Kassab irrita Alckmin e aumenta divisão tucana


Raimundo Paccó/Folha Imagem

Rodrigo Maia: tom duro ao entrar na reunião,
trocado por suavidade depois de conversar com o prefeito paulistano

César Felício e Cristiane Agostine
VALOR

A demonstração pública de apoio ao prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab (DEM), dada pelo governador paulista, José Serra (PSDB), na segunda-feira, acalmou a cúpula do DEM, mas elevou a agressividade de aliados do ex-governador Geraldo Alckmin, possível candidato tucano à disputa da capital. A reação divide-se entre críticas aos integrantes do DEM e o combate interno: os aliados do ex-governador lembram que Serra não é o único presidenciável tucano e portanto não haveria razão para o partido desistir da candidatura própria neste ano para favorecê-lo em 2010.
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20/01/2008 - 11:46h Demos: Façam o que eu digo e não o que eu faço!


Os demos Gilberto Kassab e Cesar Maia: em comum aumento da carga tributária

A população do Rio de Janeiro está revoltada contra Cesar Maia e começou uma greve de IPTU. Os cariocas consideram abusivo o alto imposto e pouco o retorno do que arrecada o Demo Cesar Maia. Os jornais, O Globo, Extra, Jornal do Brasil dedicam espaço diário à revolta da população contra o prefeito de Rio.

Em São Paulo, o Demo Kassab se ufana de arrecadar o dobro do orçamento de Marta Suplicy e tem, no prefeito internauta do Rio, um dos principais apoios à sua candidatura à prefeitura de São Paulo.

A ambos e aos Demos em seu conjunto se aplica a perfeição a frase: façam o que eu digo e não o que eu faço!

A principal bandeira, quase a única, do mantra dos Demos é a carga tributária… dos outros.

Poderia-se pensar que a luta dos demos contra os impostos é uma espécie de autocrítica. Quando eram governo com FHC ocorreu a maior alta da carga tributária em relação a riqueza produzida no Brasil: ela foi de 22% do PIB a 36% no fim do mandato em 2002 (cito as cifras de memória).

Mas não é autocrítica não. É hipocrisia. Vendem uma coisa e fazem outra. Leia a seguir o artigo do jornal O Estado de São Paulo que prefere falar dos Maias, para melhor proteger Kassab , os Demos e o PSDB. (porque não indicar, por exemplo, que os domicílios isentos de IPTU em São Paulo passaram de 1.200 milhão na gestão Marta, a 900 mil hoje por conta do reajuste do valor venal dos imóveis).

Mesmo assim vale a leitura

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