27/05/2008 - 09:33h “Brasil, o futuro é agora”

Analistas esbanjam otimismo com o Brasil

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Fernando Dantas - O Estado de São Paulo

O Fórum Nacional, que surgiu num dos momentos mais turbulentos da história econômica brasileira, em 1988, e durante a maior parte de sua existência se voltou ao debate de problemas nacionais intratáveis, como hiperinflação e crises externas, chega a seu 20º aniversário sob o signo do otimismo e da retomada da confiança no futuro.

Em concordância com a fala do presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, orador após orador bateu na tecla de que o País está vivendo um dos melhores momentos da sua história, com amadurecimento democrático, estabilidade macroeconômica, crescimento e melhora na distribuição de renda.

“Sou muito positivo quanto ao futuro do Brasil”, disse o economista e brasilianista americano Albert Fishlow, diretor do Instituto de Estudos Latino-Americanos e do Centro de Estudos do Brasil da Universidade Columbia. Fishlow considera que depois de 20 anos de esforços, durante os quais o País abriu sua economia, privatizou empresas ineficientes e controlou a inflação, chegou-se à etapa de integração com a economia global e de convergência de opiniões que garante a manutenção do rumo.

O economista notou que, até alguns anos atrás, o status do Brasil como membro dos Brics era contestado, o que não ocorre mais. A sigla Brics significa Brasil, Rússia, Índia e China, os grandes países emergentes cujas economias devem estar entre as maiores do mundo até meados deste século.

Fishlow, porém, colocou como prioridades, para o Brasil manter o bom momento, uma forte melhora na educação básica, o aumento da taxa de investimentos e poupança (com mais superávit primário) e a reforma da Previdência.

Roger Cohen, colunista do New York Times, em uma entusiástica exposição com o título de “Brasil, o futuro é agora”, lembrou que o País tem 394 milhões de hectares aráveis, dos quais apenas 16% são usados, comparado com 269 milhões dos Estados Unidos, com uso de 70%.

Classificando de “nonsense” a acusação de que o etanol brasileiro eleva o preço global dos alimentos, Cohen notou que, em tempos de escassez global de recursos básicos, o patrimônio de terras aráveis do Brasil “assumiu uma importância crítica”.

O economista Edmund Phelps, prêmio Nobel de Economia e convidado especial do Fórum, fez uma exposição mais teórica, e não ligada diretamente ao Brasil, em que explicou o conceito de “dinamismo econômico”, que não deve ser confundido com o do crescimento econômico puro e simples. Definindo o dinamismo como “a capacidade de inovação em direções comercialmente viáveis”, ele disse que o conceito está relacionado com a satisfação dos trabalhadores e com o constante revezamento das empresas que dominam os diferentes setores da economia.

Para Phelps, os inimigos do dinamismo econômico - que ele defende como um valor em si mesmo, ligado à realização do ser humano - são a prevalência de benefícios sociais sobre o trabalho e o espírito empreendedor, e das reivindicações de ativistas sociais sobre os direitos de propriedade. Ele frisou, porém, que considera o Bolsa-Família “um passo no rumo certo”, e não um programa assistencialista. Outro adversário do dinamismo, para o prêmio Nobel, é o fechamento da economia. Phelps deixou claro que o pólo de dinamismo está nos Estados Unidos, e não na Europa.

07/01/2008 - 08:20h Futuro presidente precisa olhar para o sul (New Day in the Americas)

Roger Cohen*

Juan Bautista Alberdi, um constitucionalista e liberal argentino, observou em 1837 que “as nações, como os homens, não têm asas; elas fazem suas jornadas a pé, passo a passo”. A América Latina, por muito tempo suscetível aos milagres utópicos de revolucionários e caudilhos e ainda não imune a eles, tem se esforçado para absorver essa verdade. Mas, como observa Michael Reid em seu novo livro, Forgotten Continent (Continente esquecido), democracias de massa duráveis têm surgido na região.

Nos últimos anos, essas democracias rolaram os dados com uma extraordinária variedade de líderes, entre os quais Michelle Bachelet no Chile; Luiz Inácio Lula da Silva, o metalúrgico que chegou à presidência no Brasil; e Hugo Chávez, egresso dos quartéis, na Venezuela.
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06/01/2008 - 11:26h New Day in the Americas

The New York Times
January 6, 2008

Op-Ed Columnist

By ROGER COHEN

SÃO PAULO, Brazil

Juan Bautista Alberdi, an Argentine constitutionalist and liberal, noted in 1837 that “Nations, like men, do not have wings; they make their journeys on foot, step by step.”

Latin America, long susceptible to the utopian mirages of revolutionaries and caudillos and still not immune to them, has struggled to absorb this truth. But, as Michael Reid observes in his new book, “Forgotten Continent,” durable mass democracies have emerged across the region.

In recent years, these democracies have rolled the dice with an extraordinary variety of leaders, including Michelle Bachelet in Chile; Luiz Inácio Lula da Silva, the metalworker who rose to govern Brazil; and Venezuela’s barracks-bred Hugo Chávez.

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