18/10/2009 - 18:35h Romanée-Conti amplia área de produção

Paladar

por Olívia Fraga , O Estado SP

Por Jacques Trefois, especial para o Estado

Dar notícia sobre a mística Domaine Romanée-Conti, a produtora de vinhos mais famosa do mundo, é sempre fascinante. Ela acaba de fazer um contrato “en fermage” com os Príncipes de Merode, um importante produtor da região de Corton. Essa região é famosa pelo vinho branco Corton Charlemagne.

Trata-se de uma locação das vinhas por prazo longo, geralmente dezoito anos. Cerca de 30% da produção anual fica com o dono das vinhas.
A Romanée-Conti vai trabalhar as vinhas e vinificar os grand crus
-1,19 hectare de Corton-Bressandes, com vinhas de 50 anos
-0,57 hectare de Corton Clos-du-Roi: 35 anos
-0,50 hectare de Corton-Renardes, com vinhas de 53 anos

Porque mencionar a idade das vinhas? A explicação é fácil. Quando perguntei a um grande amigo meu, antigo e fantástico vinificador, como se faz um grande vinho, ele simplesmente respondeu: ”Plantando vinhas velhas”. É que elas sofrem mais com as intempéries, produzem menos uvas, mas de sabor mais concentrado, das quais se extrai um suco com mais matéria, mais açúcar.

As vendas da produção combinada devem começar em 2012. Não duvido que Aubert de Villaine e Henri-Frederic Roch vinificarão vinhos maravilhosos.


[O vinhedo murado de Romanée-Conti]

Sem dúvida a Domaine de Romanée-Conti é a mais importante da Borgonha (quiçá do mundo), e detém hoje 6 grandes regiões produtoras. Vale recapitular:
-a menor (e melhor) área: 1,81 hectare de Romanée-Conti, (Monópole), com vinhas de 49 anos
-6,06 hectares de La Tache (Monopole), de vinhas de 44 anos
-3,51 hectares de Richebourg, com vinhas de 44 anos
-4,67 hectares de Echezeaux, com vinhas de aproximadamente 36 anos
-3,52 hectares de Grands Echezeaux; vinhas de 35 anos
-5,28 hectares de Romanée Saint-Vivant; vinhas 35 anos

São todos “grand cru” produzindo vinhos tintos.
Dependendo da safra, e usando suas vinhas mais novas de até 10-12 anos, ela também produz um Vosne Romanée 1er cru.
E ainda há os brancos…
-0,67 hectare de Montrachet. Vinhedo de 52 anos produzindo vinho branco
-0,17 hectare de Batart-Montrachet. São as vinhas mais antigas, com média de 75 anos, produzindo vinho branco nunca comercializado. Esse vinho fica na Domaine, e às vezes uma garrafa é aberta para ser degustada e bebida por visitantes.


[Aubert de Villaine, em São Paulo, 2006]


Tive a oportunidade e a honra quando a visitei, de poder experimentar um par de vezes o Batard Montrachet. É um vinho realmente sublime, completo em todos os sentidos, perfumado, elegante, profundo e longo. Pareceu-me até mais complexo que seu irmão mais importante, o Montrachet. Será que por que são vinhas ainda mais velhas?

12/02/2008 - 10:24h O grande vinhateiro

Aubert de Vilaine esteve recentemente no Brasil, trazido pela importadora de seus vinhos, a Expand

O dono do Domaine de la Romanée-Conti fala de seus vinhos extraordinários e explica por que eles são inimitáveis

Por Guilherme Rodrigues

O francês Aubert de Vilaine desfruta de uma das posições mais invejadas do mundo. É co-proprietário e administrador do mítico Domaine de la Romanée-Conti. Tem o privilégio de viver em meio aos mais fantásticos vinhedos da terra e numa das mais civilizadas regiões do mundo, a Bourgogne. E também de elaborar, a cada ano, vinhos soberbos. Em termos de atividade atraente e, por que não dizer, saudável, poucos seres humanos podem rivalizar com ele. O vinhedo Romanée-Conti propriamente dito abrange apenas 1,8 hectare, e seus limites se encontram registrados pelo menos desde 1480. Inicialmente, era identificado como o “Clos de Saint-Vivant”, em meio à vinha de mesmo nome, cultivada pelos monges beneditinos a partir do século XIII. De lá para cá, mudou poucas vezes de mãos. Foi vendido pelos religiosos à família Croonembourg, ligada aos duques da Bourgogne. Na ocasião, batizaram-no de Romanée. Em 1760, esteve no centro de uma grande disputa entre Madame de Pompadour, amante do rei Luís XV, e de seu arqui-rival, o príncipe de Conti, que acabou vencendo a briga. Entretanto, pagou uma soma espetacular pelo vinhedo. Desde esse período, o nome do príncipe foi associado à vinha. Tanto que até hoje a propriedade é conhecida como Romanée-Conti.

Durante a Revolução Francesa, ela acabou confiscada pelo Estado e vendida ao banqueiro de Napoleão. Em 1869, os ancestrais de Aubert de Vilaine a compraram como a jóia da coroa de uma propriedade vinícola que media 140 hectares. A região vivia grande prosperidade, iniciada em 1840. A alegria acabou com a chegada da Phylloxera vitifoliae, a praga da videira. A propriedade veio a ser dividida posteriormente, e a família De Vilaine ficou com a parte de Vosne Romanée. Assim começou o Domaine de la Romanée-Conti, também conhecido por DRC, hoje abrangendo um total de 25 hectares dos mais soberbos vinhedos Grand Cru. Os descendentes souberam mantê- la. Em 1942, a família Le Roy se associou à De Vilaine, adquirindo uma parte do Domaine. Segundo Aubert, que começou a trabalhar ali em 1964, foi um fato muito bom. Hoje em dia os vinhos com rótulo DRC são os mais disputados no mundo, não só pela origem dos mais espetaculares terroirs, como pela qualidade e personalidade inigualáveis. Embora sejam os mais velhos do mundo, revelaram-se igualmente os mais contemporâneos. As vinhas são cultivadas pelo método biodinâmico, com uma espécie de atualização dos melhores princípios que se praticavam já no século XIX.
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