11/10/2009 - 18:43h Je veux vivre

Diana Damrau canta je veux vivre, ária da ópera Romeu e Julieta, de Gounod

03/09/2009 - 22:00h Boa noite

Romeu e Julieta de Prokofiev. Regente: Claudio Abbado. Solistas: Anatolia Katcherga e Kolja Blacher

02/09/2009 - 19:45h Romeu e Julieta

PROKOFIEV – Romeu e Julieta – Nureyev – Ballet de l’Opera National de Paris – Monique Loudieres – Manuel Legris

22/05/2009 - 20:16h Je veux vivre dans ce rêve – Quero viver nesse sonho

“Quero viver nesse sonho” ária da ópera Romeu e Julieta de Gounod. Soprano Angela Gheorghiu e Anna Steiger é Gertrude

07/03/2009 - 19:47h Ah! Je veux vivre dans ce rêve

Angela Gheorghiu é Juliette da ópera ‘Romeu e Julieta’ de Gounod. Ela canta a ária “Ah! Je veux vivre dans ce rêve” , com Anna Steiger. Dirigida por Michel Plasson (Orange, 2002).

07/09/2008 - 14:24h In hoc signo vinces

http://www.revistapiaui.com.br/images/2008/setembro/Artigo_738/artigos_img_topo_artigo.jpg

A tragédia de Romeu e Julieta recontada no português escorreito d’antanho e, na ilustração, no bárbaro internetês hodierno.

 


WALNICE NOGUEIRA GALVÃO – Revista Piauí

Em Verona, por obra de Cupido fulminífero, Julieta e Romeu se apaixonaram, conquanto de clãs em feudo. Como se viu, o solo do feudo, que se dizia sáfaro, era pingue.

Capuletos e Montecchios, senhores de baraço e cutelo de seus rebentos, ameaçaram potro e polé, com tonitruância. Debalde. Por isso, uma entente cordiale enterreirou o caso e extraiu o ucasse: ordálio para avaliar o casal de saberetes. O colendo cabido, de borla e capelo sobre bombazina e cheviote, começou pela dulcinéia, desferindo-lhe uma questão:

– Qual a diferença entre epistemologia e ontologia, tal como postulada pela escola fenomenológica?

A dulcamara respondeu, e bem. A nova questão, que tentou acapachar o suposto acapadoçado, coube ao pelintra:

– Serão acrofobia e oclofobia opostos, ou, ao contrário, podem tornar abilolado o mesmo degas com mania deambulatória?

Não contente de responder corretamente, Romeu ainda os profligou, em objurgatória bem temperada:

– Refuto a contumélia: cediça e epicena é tal questão, para não dizer es-drúxula e periclitante. Vossas munificências querem é procrastinar! Quanta androlatria feudal!

(Nisso, uma maçaroca cujo esturro em prolação desencarquilhava as aurifulgentes comas passou aos boléus no varote.)

O cabido tentou tergiversar, acusando Romeu de tosquenejar. Romeu obtemperou que por fás ou por nefas não se calaria. A protonotária, que executava uma varsoviana anapéstica, deu-lhe razão. O anspeçada batavo adrede auscultou a beletriz. O vavassalo protestou: “Bofé! Isso é vavavá, quando não vuvu!” Esclareça-se que ele não era tatibitate.

Observação vatídica: o fuzuê virou forrobodó. E foi a nota babélica: todos confundiam lumbago com quiasmo, zeugma com hemoptise, suarabácti com anaptixe. Que cizânia entre os doges de Verona! Que facúndia! Que salacidade! Quão pantafaçudos!

A essa altura, Romeu estava atacado de satiríase e Julieta tinha-se tornado vulgívaga. Convolando-se na calada da noite, decidiram fugir no vaticano com toda a palamenta, ucha onusta inclusive, soando o vatapu, em demanda de um tugúrio. E anatematizaram: “É tudo uma choldra!” Alvinitente, a lua dealbava. Ante o casal, prosternavam-se as passariúvas. Uma cáfila desfilava, enquanto algo invisível barria nas matas ciliares, sobre os rípios.

Bem o fizeram. Hodiernamente, pode-se dizer que nada tisnou o contubérnio de Romeu e Julieta, para sempre. Até coube-lhes uma conezia, devidamente subenfiteuticada, concedida como prebenda pelos Capuletos e Montecchios.

(Entretanto, lá atrás um parlapatão regougava: “Eu pertenço ao partido que tem por partido tirar partido de todos os partidos!”)